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PERGUNTAS DE EXAMES ORAIS DE AGREGAÇÃO

PROCESSO PENAL

1. No interrogatório judicial pode falar-se com o arguido?


Art. 141º/n.º6 CPP – Durante o interrogatório, o Ministério Público e o defensor (sem
prejuízo do direito de arguir nulidades) abstêm-se de qualquer interferência, podendo o
juiz permitir que suscitem pedidos de esclarecimento das respostas dadas pelo arguido.
Findo o interrogatório, podem então, requerer ao juiz que formule àquele as perguntas
que entenderem relevantes para a descoberta da verdade. O juiz decide, por despacho
irrecorrível.

2. Poderá consultar os autos? Estamos em que fase?


Art. 89º CPP – Sim, posso. Estamos na fase de inquérito. “Durante o inquérito, o
arguido, assistente, o ofendido, o lesado e o responsável civil podem consultar,
mediante requerimento, o processo ou elementos dele constantes, bem como obter os
correspondentes extratos, (…) SALVO quando o processo se encontre em segredo de
justiça, o Ministério Público a isso se opuser por considerar que pode prejudicar a
investigação (…).”

3. A quem dirige o requerimento a pedir certidão de parte do processo?


Art. 89º/n.º1 2ª parte, e n.º2 – Dirige-se ao Ministério Público. Que, se se opuser (deve
ser fundamentado) à consulta ou à obtenção dos elementos previstos no n.º1 do mesmo
artigo, o requerimento é presente ao diz, que decide por despacho irrecorrível.

4. Qual a função do primeiro interrogatório?


Arts.º 141º e 143º CPP – Visa sobretudo informar o arguido, dos seus direitos e deveres,
e, no caso de se encontrar detido, visa revelar-lhe os motivos da sua detenção, ouvir as
razões do detido e colocar o juiz em posição de decidir-se dos motivos que
determinaram a sua detenção ainda subsistem, e se se justifica uma medida de coacção,
para além do TIR.
5. No julgamento repara que o arguido confessou os factos no interrogatório, o
arguido não quer falar, o Juiz pode ler o auto?
Arts.º 141º/n.º4 al. b) e 357º/n.º1 b) CPP – O juiz informa o arguido de que, não
exercendo o direito ao silêncio, as declarações que prestar, poderão ser utilizadas no
processo, mesmo sendo julgado na sua ausência, ou não preste declarações em
audiência de julgamento, ficando sujeitas à livre apreciação de prova (art.º 127º CPP).

6. Dois arguidos, um fala e envolve o outro arguido e outro não fala, poderia o
tribunal considerar as declarações do primeiro para aferir da existência de prova
ou não?
Arts. 345º/n.º4 e 355º CPP - Não.

7. As declarações do arguido são prova testemunhal?


Art. 140º CPP - O objecto e o modo de interrogatório do arguido obedecem, em
princípio, às mesmas regras vigentes para as testemunhas. O desvio mais importante, é
que o arguido não presta juramento (sob pena de nulidade insanável, art.126º CPP).

8. O inspector pode decretar uma medida de coacção?


Arts. 194º/n.º1 e 196º CPP – Sim, a autoridade judiciária, ou órgão de polícia criminal,
sujeitam a TIR lavrado no processo, todo aquele que for constituído arguido, ainda que
já tenha sido identificado nos termos do art. 250º CPP.

9. O TIR é uma medida de coacção?


Arts. 196º/n.º1, n.º4 1ª parte, 204º CPP – Sim, é uma medida de coacção. Vem inserida
no Capítulo II do CPP, onde vêm estipuladas “medidas de coacção” e quais as que são
admissíveis, sendo que o art.º 196º/n.º4 refere “(…) esta medida (…)”, e o art. 204º
refere “Nenhuma medida de coacção à excepção da prevista no art.º 196º (…)”.

10. Qual o princípio norteador das medidas de coacção?


Arts.º 191º e 193º do CPP Princípios da legalidade, da adequação, necessidade e
proporcionalidade.

11. Pode usar-se um chip na cabeça para impedir a ausência da residência?


Art. 201/n.º3 – Tecnicamente podem ser utilizados meios técnicos de controlo à
distância, nos termos previstos na lei. Ver lei 33/2010. Contudo, tais meios, não devem
afectar a dignidade da pessoa, ou outros direitos fundamentais à qualidade inerente de
ser humano.

12. O que pode ser objecto de furto?


Os bens móveis.

13. E se for uma árvore? Ainda há furto?


À partida uma árvore é um bem imóvel, pelo que é insusceptível de furto. Porém, ao
cortar-se a árvore para a levar, esta deixa de estar ligada ao solo, pelo que deixa de ser
imóvel, sendo já possível a existência de furto.

14. Regime da Droga: arts. 21º, 25º e 26º – O arguido foi detido em flagrante
delito na posse de um saco. O arguido, nada disse. Do auto de notícia consta que ao
ser interceptado pela polícia o arguido deitou o saco para o chão. Quando a polícia
apanhou o saco, estavam lá 50g de Cocaína. O arguido não quer falar. O que deve
fazer?
D.L. 15/93 – Tentar inserir a conduta do arguido, no art. 26º daquele diploma, no
sentido de atenuação da pena, por configurar a posse daquelas substâncias para uso
pessoal. “Estatuto” de traficante – consumidor. Sendo a pena substancialmente menor,
apenas até 1 ano ou multa até 120 dias.

15. Então e o arguido deve falar ou não?


Sim.

16. Suponha agora que, nesse mesmo caso, é a Juiz desse processo. Qual o
crime que consideraria indiciado?
É complicado, possivelmente ia para o tráfico agravado, art. 24º, se estivesse disponível
a menores, ou se pretendesse fazer “Mistura”, aumentando o perigo para a vida ou
integridade física de outrem. Ter-se-iam que analisar as circunstâncias em que foi
detido.
17. Imagine que, finda a inquirição, o MP promove a prisão preventiva, uma
vez que a indiciação foi pelo 25º. Era possível?
Art. 202º/al. b) (ver art. 1º/al. j)) CPP e art. 25º do D.L. 15/93 – Em termos gerais, o
crime de tráfico de menor gravidade pode ser punido até 5 anos de prisão, segundo o art.
25º/al. a), pelo que, teoricamente é possível, de acordo com o art. 202º/al. b) do CPP,
pois considera-se criminalidade violenta, os crimes punidos com pena de prisão, igual
ou superior a 5 anos (art.º 1º/ al. j)).

18. O arguido foi preso por não pagar a pena de multa a que foi condenado.
Tendo em conta que se tratava de uma sentença transitada em julgado, o que
poderia a Dra. fazer?
Art. 49º CP – O arguido pode a todo o tempo evitar, total ou parcialmente, a execução
de prisão subsidiária, pagando no todo ou em parte, a multa a que foi condenado.

19. Suponha que num crime com pena superior a 5 anos, o Colectivo
condenava o arguido a 7 anos de prisão e era imediatamente preso. A Dra. recorre
da sentença. Esta prisão é medida de coacção?
Art. 477º/n.º1 CPP - Sim, pois a pena de prisão só pode ter início depois do trânsito em
julgado da sentença condenatória.

20. Como é que a Dra. podia reagir, caso fosse recorrer, mas quisesse impedir
que o arguido ficasse em prisão preventiva?
Art. 212º e 362º/n.º1 al.f) CPP – Requerer para a acta, a substituição da medida de
coacção.

21. Que medida de coacção podia apresentar como alternativa à prisão


preventiva?
Arts. 193º/n.º3 e 201º CPP - Tendo em conta que o objectivo primacial do juiz seria
privar a liberdade do arguido, apresentava como medida de coacção, a obrigação de
permanência em habitação.
22. O Tribunal pode decretar 2 medidas de coacção?
Art. 205º CPP – A aplicação de qualquer medida de coacção, à excepção da prisão
preventiva ou de obrigação de permanência na habitação, pode sempre ser cumulada
com a obrigação de prestar caução.

23. Qual a medida de coacção mais gravosa e quais os requisitos da sua


aplicação?
Art. 202º CPP – É a prisão preventiva. Os seus requisitos vêm elencados, taxativamente,
no art.º 202º CPP.

24. Imagine que o arguido praticou um crime de roubo e o Juiz decreta a


prisão preventiva. Está bem aplicada?
Art. 202º/n.º1 al. d) CPP - Sim por se verificarem os requisitos legais.

25. O Habeas Corpus. O que é?


Arts. 220º e 222º CPP - É um modo de impugnação da medida de detenção ou prisão
ilegal.

26. Quando se pode usar o Habeas Corpus? Quais os requisitos?


Arts. 220º e 222º CPP.

27. Um indivíduo foi detido na 3ª f. Na 6ª f. a mulher quer ir vê-lo, mas não


consegue. Procura-a. O que pode a Dra. fazer?
Habeas Corpus.

28. Onde entregava o requerimento?


Art. 221º CPP – Entregava no tribunal. O juiz de instrução é competente para se
pronunciar sobre esta questão.

29. Perante o Habeas Corpus, o que poderia fazer o Juiz?


Art. 221º CPP – Recebido o requerimento, o juiz, se o não considerar manifestamente
infundado, ordena, por via telefónica, se necessário, a apresentação imediata do detido,
sob pena de desobediência qualificada. Conjuntamente com a referida ordem, manda
notificar a entidade que tiver o detido à sua guarda, ou quem puder representá-la, para
se apresentar também, munida das informações / esclarecimentos necessários à decisão.
O juiz decide, depois de ouvidos o MP, e o defensor. Se manifestamente infundado, o
requerente é condenado ao pagamento de uma soma entre 6UC e 20 UC.

30. Imagine que o guarda prisional não cumpre a ordem de libertação do


arguido. O que faz? Há aí algum crime?
Há o crime de desobediência qualificada. Pelo que, também há possibilidade de recurso
à força.

31. Como é que sabe os prazos máximos de prisão preventiva?


Art. 215º CPP.

32. Conhece alguma situação de suspensão da prisão preventiva?


Art. 211º CPP – Sim.

33. A falsificação de documento é um crime de?


É um crime de perigo (?).

34. Se a pessoa falsificar a assinatura num cheque, o Banco é obrigado a pagar?


Se a falsificação for boa, o Banco deve pagar o cheque.

35. Quais são os requisitos do cheque?


Art. 1º LUCheque.

36. Imagine que o legítimo dono do cheque passa-o devidamente a um 3º, mas
depois vai ao Banco dá-lo como extraviado. Este indivíduo comete algum crime?
Art. 11º LUCheque – Representação sem poder.

37. Um indivíduo anda a passar cheques sem cobertura. O Banco pede-lhe os


cheques de volta. Ele não devolve os cheques e um mês depois do cancelamento da
conta usa um cheque para pagar uma compra. Qual o crime, Falsificação ou
Emissão de Cheque Sem Provisão?
Falsificação, porque a conta já não existe e o documento acaba por ser falso.
38. Quanto à natureza jurídica do crime, onde enquadra a falsificação?
É um crime público, pois o seu procedimento criminal não depende de queixa
nem acusação particular.

39. Ainda quanto à natureza jurídica, quais os tipos de crime existentes?


Crimes públicos, semi-públicos e particulares.

40. Como se inicia e desenvolve um crime público?


Art. 241º, 242º/n.º1 e 243º CPP – O MP adquire notícia do crime, por conhecimento
próprio, por intermédio de órgãos de polícia criminal, ou mediante denúncia, levantando
logo, ou mandando levantar auto de notícia. Sendo assinado pela entidade que o
levantou e pela que o mandou levantar. É, o auto de notícia, obrigatoriamente remetido
ao MP no mais curto espaço de tempo que não pode exceder os 10 dias, e vale como
denúncia.

41. A quem se requer a constituição como assistente, num crime particular?


Arts. 246º/n.º4, 68º/n.º2 do CPP e arts. 115º e 117º do CP – Requer-se onde se
apresentar a acusação particular – autoridade judiciária ou órgão de polícia criminal.
Tratando-se de crime cujo procedimento depende de acusação particular, a declaração é
obrigatória, devendo neste caso, a autoridade judiciária ou o órgão de polícia criminal a
quem a denúncia for feita verbalmente advertir o denunciante de obrigatoriedade de
constituição de assistente e dos procedimentos a observar.

42. Paga taxa de justiça?


Art. 519º CPP e art. 8º/n.º1 RCProcessuais – Sim, paga taxa de justiça.

43. Num crime de corrupção, qualquer pessoa pode constituir-se assistente.


Poderá nesse caso haver isenção de taxa de justiça?

44. Quem dirige o inquérito?


Art. 263º CPP – A direcção do inquérito cabe ao MP, assistido pelos órgãos de polícia
criminal. Os órgãos de polícia criminal actuam sob a directa orientação do MP e na sua
dependência funcional.
45. Como termina?
Art. 276º CPP – O inquérito termina com despacho de acusação ou de arquivamento.

46. Se for assistente num processo e o mesmo for arquivado, como pode reagir?
Arts. 287º e 278º CPP - Requerendo a Abertura de Instrução ou a Intervenção
Hierárquica.

47. Para que serve a abertura de instrução?


Arts. 286º e 287º CPP – A instrução visa a comprovação judicial da decisão de deduzir
acusação ou de arquivar o inquérito, em ordem a submeter ou não a causa a julgamento.
No fundo, acontece quando há um erro na valoração da prova já existente.

48. Há recurso do despacho de pronuncio ou de não pronúncia?


Art. 310º CPP – Não. A decisão instrutória que pronunciar o arguido pelos factos
constantes da acusação do MP, formulada nos termos do art. 283º, ou do 285º/n.º4 é
irrecorrível., mesmo na parte em que apreciar nulidades e outras questões prévias ou
incidentais, e determina a remessa imediata dos autos ao tribunal competente para o
julgamento.

49. Depois da acusação fica-se a aguardar uma diligência. Qual?


A audiência de discussão e julgamento.

50. Como apresenta a prova? Em que prazo?


Art. 315º CPP – Apresenta-se na contestação. O arguido, em 20 dias, a contar da
notificação do despacho que designa dia para audiência, apresenta, querendo a
contestação, acompanhada do rol de testemunhas. Sendo aplicável o art. 113º/n.º13
(notificação de vários arguidos).

51. Pode substituir uma testemunha arrolada?


Art. 316º CPP - Sim. O MP, o assistente, o arguido ou as partes civis podem alterar o rol
de testemunhas, inclusivamente requerendo a inquirição para além do limite legal, nos
casos previstos no art. 283º/n.º7, contanto que o adicionamento ou a alteração
requeridos possam sem comunicados aos outros até 3 dias antes da data fixada
para a audiência.

52. Imagine que no dia do julgamento o cliente aparece com um amigo que
gostava que fosse ouvido para dizer o quão boa pessoa o seu cliente é. A Dra. pedia
ao juiz para o ouvir?
Art. 340º CPP - Uma vez que a testemunha apenas pode falar sobre o carácter do
arguido, não se revela a mesma essencial para a descoberta da verdade.
Contudo, o facto de falar sobre o carácter do arguido, pode ser importante para a
determinação da medida da pena, pelo que o art.º 128º CPP, refere que “(…) antes do
momento de o tribunal proceder à determinação da pena ou da medida de segurança
aplicáveis, a inquirição sobre factos relativos à personalidade e carácter do arguido, (…)
só é permitida na medida estritamente indispensável para a prova de elementos
constitutivos do crime, nomeadamente da culpa do agente, ou para a aplicação de
medida de coacção ou de garantia patrimonial.

53. Em 1961 havia casas de prostituição legais, exploradas pela Santa Casa da
Misericórdia. Isto é crime?
Art. 169º CP - Sim, é crime. Pois a Santa Casa lucrava, fomentava e facilitava, o
exercício por outra pessoa, da prostituição.

54. Que tipo de crime é?


É um crime público, não depende de queixa nem de acusação particular.

55. Este crime é agravado quando praticado contra menores?


Art. 175º CP – Não, pois existe um crime especialmente previsto para quem fomenta ou
facilita a prostituição de menores.

56. Qualquer pessoa com menos de 18 anos é menor face à lei penal?
Sim, é menor. Contudo, imputável, desde os 16 anos. Contudo, depende do crime, pois
um homem que tenha relações sexuais consentidas com uma menor, com 17 anos, já
não deverá ser punido, enquanto que se for com uma menor de 12 anos será sempre
punido. Ex: art. 173º CP – “Quem, sendo maior, praticar acto sexual de relevo com
menor entre 14 e 16 anos, ou levar a que ele seja por este praticado com outrem (…) é
punido com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.”

57. Imagine que um Sr. que veio de Angola, levava a mulher à Av. de Roma
para ela se prostituir. Cometia este crime?
Sim, pois mesmo que eventualmente não lucrasse com tal prática, ainda assim
fomentava e facilitava-a.

58. A tentativa é punível?


Art. 23º CP – Sim. “(…) A tentativa só é punível se ao crime consumado respectivo
corresponder pena superior a 3 anos de prisão(…)”.

59. Quando o Juiz aplica uma pena neste tipo de crimes, poderá, em alguns
casos, aplicar uma pena acessória? Se for o pai divorciado que está com o poder
paternal da criança?
Arts. 65º e 179º CP – Sim, pode aplicar uma pena acessória. A lei pode fazer
corresponder a certos crimes a proibição do exercício de determinados direitos ou
profissões. Nesse caso, a pena acessória poderá ser a inibição do poder paternal (art.º
179º/al. a)).

60. Geralmente este tipo de crime envolve sempre mais do que uma pessoa.
Pode haver associação criminosa? Imagine que uns transportam, outros
fomentam, etc..
Art. 299º CP – Sim, pode existir associação criminosa.

61. Para este tipo de crime qual seria a medida de coacção? Acha que o TIR
seria suficiente? É aplicável a prisão preventiva?
Arts. 202º e 204º/al. c) CPP – Sim, seria aplicável a prisão preventiva. O TIR não seria
suficiente, por ser altamente expectável que o arguido continuasse a praticar conduta
ilícita.
62. Considerando que todos os arguidos eram de Leste, qual o motivo para o
Juiz aplicar esta medida?
Art. 204º CPP - Perigo de fuga.

63. Que outras medidas de coacção conhece?


Arts. 196º a 202º CPP – TIR, caução, obrigação de apresentação periódica, suspensão
de exercício de função, de actividade e de direitos, proibição e imposição de condutas,
obrigação de permanência na habitação e prisão preventiva.

64. A que medida foi sujeito o arguido quando se requer a substituição por
vigilância electrónica?
Art. 217º/n.º2 e 193º/n.º3 CPP – Foi sujeito a prisão preventiva.

65. Quais os requisitos para a vigilância electrónica?


Lei 33/2010, art.º 1º - a presente lei regula a utilização de meios técnicos de controlo à
distância, adiante designados por vigilância electrónica, para ficascalização: a) do
cumprimento da medida de coação de obrigação de permanência na habitação; b)
execução de pena de prisão em regime de permanência na habitação (44º CP); etc..

66. Há algum limite horário para se proceder a busca em residência?


Art. 177º CPP – Sim. Só deve ser realizada entre as 07h e as 21h. Mediante excepção,
pode ocorrer entre as 21h e as 07h, de acordo com o n.º2 do mesmo preceito.

67. Em que caso pode o MP substituir a acusação pela leitura do Auto de


Notícia?
Art. 389º/n.º1 CPP - No processo sumário.

68. Quais os elementos que tem de conter o Auto de Notícia para que possa
valer como acusação?
Art. 283º/n.º3 CPP –São esses os requisitos. Contudo, o art.º 243º refere a estrutura de
um auto de notícia.
69. O que acontece à acusação que não contenha esses elementos?
Art. 283º/n.º3 CPP –É nula.

70. Quando é obrigatória a constituição de defensor?


Arts. 62º e 64 CPP – O arguido pode constituir advogado em qualquer altura do
processo. Mas, é obrigatória a assistência de defensor, nos casos explicitados no art. 64º.

71. No início, o Juiz faz perguntas ao arguido às quais ele tem de responder.
Que perguntas são essas?
Arts. 141º/n.º3 e 342º CPP – São as perguntas sobre a sua identificação, filiação,
domicílio, actividade profissional, salário, etc.

72. Qual a consequência se não responder ou não responder com verdade?


Art. 342º/n.º2 CPP –É responsabilizado penalmente.

73. Para além da responsabilidade penal, posso aplicar subsidiariamente o


processo civil para invocar a litigância de má fé?
Art. 4º CPP - Não porque o processo civil só é aplicado quando o processo penal seja
omisso.

74. Havendo confissão, o que é necessário para que não seja nula?
Art. 344º CPP – Deve ser feita de forma integral e sem reservas. Questão que o juiz
deve esclarecer, sob pena de nulidade.

75. Como é que pode haver produção de prova depois da confissão?


Arts. 344º/n.º4 e 345º CPP – Verificando-se a confissão integral e sem reservas, ou a
confissão parcial e com reservas, o tribunal decide, em sua livre convicção, se deve ter
lugar, e em que medida, quanto aos factos confessados, a produção de prova.

76. Nas alegações orais é possível réplica? Se sim, quantas vezes? Quais os
limites?
Art. 360º/n.º2 CPP –É admissível réplica, a exercer uma só vez, sendo porém, sempre o
defensor, se pedir a palavra, o último a falar, sob pena de nulidade. A réplica deve
conter-se dentro dos limites estritamente necessários para a refutação dos argumentos
contrários que não tenho sido anteriormente discutidos.

77. Uma pessoa é considerada arguida só porque corre Inquérito contra ela?
Arts. 57º e 58º/n.º1 al. a) CPP – Não. Assume a qualidade de arguido todo aquele contra
quem for deduzida acusação ou requerida instrução num processo penal. Deve correr
inquérito sobre pessoa determinada e em relação à qual haja suspeita fundada da
prática de crime.

78. Quando é que se praticam os actos processuais?


Arts. 103º e 104º CPP – Os actos processuais praticam-se nos dias úteis, às horas de
expediente dos serviços de justiça e fora do período de ferais judiciais.

79. Quais são as excepções?


Art. 103º/n.º2 – contém as excepções à regra geral do n.º1.

80. É possível recorrer de um despacho que aplica uma medida de coacção? Em


que prazo?
Arts. 219º e 411º CPP – Da decisão que aplicar, substituir ou mantiver medidas
previstas no presente título, cabe recurso a interpor pelo arguido ou pelo MP, a julgar
no prazo máximo de 30 dias, a contar do momento em que os autos forem recebidos.
Deve ser interposto no prazo de 30 dias a contar da notificação da decisão.

81. A aplicação da lei penal e da lei processual penal é igual para um arguido de
21 anos e para outro de 30?
Não. Existe um regime especial para jovens entre os 16 anos e os 21 anos. D.L. 401/82.

82. Esse regime aplica-se a um jovem de 21 anos?


Art.º 1º/n.º2 D.L. 401/82 – Não. É considerado jovem, para efeitos daquele diploma, o
agente que, à data da prática do crime, tiver completado 16 anos sem ter ainda atingido
os 21 anos.
83. Qual o regime para o jovem de 12 a 16 anos?
Art. 19º CP – Os menores de 16 anos são inimputáveis.

84. Uma senhora que entrou como ofendida e passou a arguida. Apanhada
em flagrante delito, foi detida e ouvida pelo juiz em 48h, em processo sumário. Já
é arguida?
Art. 58º/n.º1 al. c) CPP - Sim, foi feito auto de detenção.

85. O auto de detenção é elaborado por quem?


Art. 243º CPP – Sempre que uma autoridade judiciária, um órgão de polícia criminal ou
outra entidade policial presenciarem qualquer crime de denúncia obrigatória, levantam,
ou mandam levantar auto de notícia. O auto de noticia é assinado pela entidade que o
levantou e pela entidade que o mandou levantar.

86. Arrolou testemunhas?


Art. 243º CPP – Deve indicar tudo o que puderem averiguar acerca da identificação dos
agentes e dos ofendidos, bem como os meios de prova conhecidos, nomeadamente as
testemunhas que puderem depor sobre os factos.

87. Nesse crime pode-se pedir a não transcrição para o registo criminal?

88. Pode-se recorrer de decisão da Relação que confirma decisão da 1.ª


instância?
Art.º 400º/n.º1 al. f) CPP – Não é admissível recurso de acórdão condenatória
proferidos, em recurso, pelas relações, que confirmem decisão de 1ª instância e
apliquem pena de prisão não superior a 8 anos.

89. Arguido não é localizado pelo Tribunal e juiz profere declaração


contumácia? O que é isto?
Arts. 335º e 336º CPP – Se, depois de realizadas as diligências necessárias à
notificação a que se refere o art. 313º/n.º2 1ª parte e nº3, não for possível notificar o
arguido do despacho que designa dia para a audiência, ou executar a detenção ou a
prisão preventiva referidas no art. 116º/n.º2 e 254º, ou consequentes a uma evasão, o
arguido é notificado por editais para se apresentar em juízo, num prazo até 30
dias, sob pena de ser declarado contumaz. A declaração de contumácia caduca logo
que o arguido se apresentar ou for detido, sem prejuízo do disposto no art. 335º/n.º4.

90. Prazo para se apresentar contestação em penal? E se tiver pedido de


indemnização cível? Mantém o prazo? Paga-se taxas de justiça?
Arts. 315º e 78º CPP e 15º RCP – O prazo para apresentar contestação em processo
penal é de 20 dias. O prazo para a contestação de PIC, também é de 20 dias para
contestar. A contestação de acusação não está sujeita a formalidades especiais. A
contestação de PIC deve ser deduzida por artigos. O prazo para apresentação do PIC,
quando apresentado pelo MP ou pelo assistente, é deduzido na acusação, ou em
requerimento articulado, no prazo em que esta deve ser formulada (art. 77º). Está
dispensado de pagamento prévio (art. 15º do RCP) de taxa de justiça, o demandante e o
arguido demandado, no PIC apresentado em processo penal, quando o respectivo valor
seja igual ou superior a 20UC (2.040,00€). Art. 13ºn.º7 – Tabela I-B – Paga taxa de
justiça.

91. Não pago a taxa de justiça e aguardo despacho do juiz, mas como é que o
juiz sabe da questão? Quem dá a “notícia” ao juiz? O juiz vai lembrar, do nada,
de proferir despacho?
A funcionária abre conclusão e deixa por escrito que entende que deve ser paga
taxa de justiça e depois o juiz profere despacho.

92. O q faria o juiz no caso de crime de injúrias praticado por advogado em


julgamento?
Art. 326º CPP – Se os advogados ou solicitadores nas suas alegações ou requerimentos
se afastarem do respeito devido pelo tribunal (…) são advertidos com urbanidade pelo
presidente do tribunal. E se, depois de advertidos continuarem, pode aquele retirar-lhes
a palavra, sendo aplicável o disposto na lei civil. Mandava extrair certidão do que se
tinha passado e enviava para o MP.

93. Pode haver gravação de prova no tribunal colectivo?


Arts. 363º e 364º, 99º/n.º3 e 100º CPP – Sim, pode. As declarações prestadas
oralmente na audiência são sempre documentadas na acta, sob pena de nulidade. A
documentação das declarações prestadas oralmente na audiência é efectuada, em regra,
através de registo áudio ou audiovisual, só podendo ser utilizados outros meios,
designadamente estenográficos ou estenotípicos ou, qualquer outro meio técnico idóneo
a assegurar a reprodução integral daquelas, quando aqueles meios não estiverem
disponíveis.

94. Está a defender uma pessoa que foi detida por ter conduzido sem carta de
condução. Acontece que essa pessoa diz-lhe que não era ela que ia a conduzir. O
que faria?
Art. 381º e 387º/n.º2 al. c) CPP - Estamos perante um proc. sumário, aberta a audiência
requeria ao juiz adiamento por 20 dias, para preparação da defesa, ou requeria o reenvio
do processo para a forma comum.

95. No processo abreviado pode requerer a abertura de instrução?


Arts. 391º, 298º e 286º/n.º3 CPP - Não, há apenas debate instrutório.

96. Pode haver recurso da matéria de facto nos tribunais colectivos?


Arts. 363º e 364º, 100º, 101º/n.º4, 428º CPP - Pode, desde que requeiram a gravação de
prova. (?)

97. Quem promove as medidas de coacção?


Art. 194º CPP – À excepção do TIR, as medidas de coacção e de garantia patromonial
são aplicadas por despacho do juiz, durante o inquérito, a requerimento do MP, e
depois do inquérito mesmo oficiosamente, ouvido o MP sob pena de nulidade.

98. Assiste ao 1.º interrogatório de um arguido detido por crime de tráfico de


droga e o juiz aplica como medida de coacção a prisão preventiva. Como pode
reagir?
Art. 212. CPP - Faz-se requerimento a pedir a substituição da medida de coacção,
invocando circunstâncias que atenuassem a aplicação dessa medida de coacção, por
exemplo, o facto de não haver perigo de fuga, tal como dispõe o art.º 204º CPP, e
recorria (art.º 219º CPP).

99. Como prova que o arguido não vai fugir?


Invocando a personalidade do arguido, que é primário, que trabalha, está bem inserido
socialmente, e que não tem dinheiro, que provavelmente tem uma família ao seu
cuidado.

100. Aparece-lhe um cliente a dizer que a sua vizinha o ofendeu e agrediu. O


que fazia?
Art. 181º CP, art. 50º CPP – Crime de injúria, depende de acusação particular, pelo que
é um crime particular. Apresentava acusação particular, a qual era dirigida ao
procurador adjunto. No final pedia que se instaurasse o procedimento criminal, a
constituição como assistente e que pretendia deduzir pedido de indemnização cível.

101. Que tipo de procuração precisava?


Art.º 49º/n.º3 CPP e art.º 45º/n.º2 NCPC – A queixa pode ser apresentada pelo titular do
direito respectivo, por mandatário judicial ou por mandatário munido de poderes
especiais.

102. Intenta um recurso com efeito suspensivo e o juiz diz que é de efeito
devolutivo, em que momento é que pode atacar?
Art. 405º CPP - Posso reclamar do despacho que não admitir ou que retiver o recurso,
para o presidente do tribunal, a que o recurso se dirige.

103. Tem um cliente arguido que foi condenado a uma pena de prisão efectiva
de 5 anos. O juiz fixa-lhe ainda como medida de coacção a prisão preventiva até
ao trânsito em julgado. Para impedir que o seu cliente fosse logo preso o que
faria?
Art. 212º CPP - Até ao trânsito em julgado presume-se a inocência do arguido. Pelo que
requeria que a medida de coacção fosse substituída.

104. O juiz indeferia o requerimento. o que faria?


Art. 219º CPP - Recorria.

105. Como subia esse recurso?


Arts. 406º e 407º/n.º1 al. c) CPP - Imediatamente e em separado.
106. Se se constituir assistente 15 dias antes do julgamento ainda pode acusar?
Art. 68º/n.º3 CPP - Não, porque já passou o prazo e tenho que aceitar o processo no
estado em que ele se encontra.

107. As medidas de cocção podem ser aplicadas no 1.º interrogatório judicial?


Art. 194º e 142º/n.º2 CPP - Sim podem.

108. Imagine que o arguido vai ser julgado por homicídio simples, mas antes
do julgamento o juiz dá conta que estamos perante um homicídio qualificado. É
alteração substancial?
Sim, porque agrava a pena do arguido.

109. O que é que o juiz presidente faz? E se não houvesse acordo com o defensor
e com o juiz presidente, o que se fazia?
Art. 359º CPP – Uma alteração substancial dos factos descritos na acusação ou na
pronúncia, não pode ser tomada em conta pelo tribunal para o efeito de condenação
no processo em curso, nem implica a extinção da instância. A comunicação da ASF ao
MP vale como denúncia para que ele proceda pelos factos novos, se estes forem
autonomizáveis em relação ao objecto do processo. Ressalva-se contudo, os casos em
que o MP, arguido e assistente estiverem de acordo com a continuação do julgamento
pelos novos factos, se estes não determinarem a incompetência do tribunal. Para tal
(quanto ao acordo) o presidente concede ao arguido, a seu requerimento, prazo para
preparação da defesa, não superior a 10 dias, com o consequente adiamento da
audiência. Aqui, o tribunal mantinha-se competente, art.º 14º CPP.

110. Em sede de inquérito um cliente diz-lhe que houve um tiroteio que


envolveu o seu irmão e este foi detido para ser presente ao JIC. O que faz?
Arts. 61º/n.º1 al. f) e n.º3, art.º 141º e 254º/al. a) CPP e art.º 73º EOA - Falava com o
arguido detido, pois é um direito que me assiste.
111. Quando diz que o processo é público, isso implica que qualquer pessoa pode
consultar o processo?
Não. Há que distinguir o segredo interno (que foi restringido pela reforma) do segredo
externo (que se mantém), pois apenas as pessoas envolvidas no processo e respectivos
mandatários podem consultar o processo.

112. No processo abreviado, há algum “timing” para deduzir acusação?


Arts. 391º-B/n.º2 e art. 311º e 312º CPP - Sim, neste processo há os chamados 90 + 30,
ou seja, 90 dias entre o facto e a dedução de acusação e outros 30 dias entre a acusação
e o julgamento. Resolvidas as questões referidas no artigo anterior (saneamento do
processo) o presidente despacha designando dia para a audiência. Esta é fixada para a
daa mais próxima possível, de modo que entre ela e o dia em que os autos foram
recebidos não decorram mais de dois meses.

113. O que acontece se não forem cumpridos esses prazos?


Segue a forma ordinária.

114. Conhece alguma situação de suspensão da prisão preventiva?


Art. 211º CPP - Sim.