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MINICURSO DE

INTRODUÇÃO AOS CIRCUITOS ELÉTRICOS

ANDRÉ NICOLINI

PAULO FERNANDO ALVES

VINÍCIUS COSTA DA SILVEIRA

OUTUBRO/2011
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .......................................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.


2. INTRODUÇÃO AOS CIRCUITOS ELÉTRICOSERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
2.1. TENSÃO ELÉTRICA ............................................................................................... 4
2.2. CORRENTE ELÉTRICA ........................................................................................... 4
2.3. POTÊNCIA ELÉTRICA ............................................................................................ 5
2.4. ENERGIA ELÉTRICA.............................................................................................. 5
3. ELEMENTOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS .................................................... 6
3.1. RESISTOR ............................................................................................................ 6
3.2. CAPACITOR ......................................................................................................... 8
3.3. INDUTOR ........................................................................................................... 10
4. CONCEITOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS .................................................... 12
4.1. DEFINIÇÕES....................................................................................................... 12
4.1. SENTIDO DE REFERÊNCIA ................................................................................... 12
4.1.1 SENTIDO DE REFERÊNCIA PARA TENSÃO DE BRAÇO ........................................... 12
4.1.2 SENTIDO DE REFERÊNCIA PARA CORRENTE DE BRAÇO ....................................... 13
4.1.3 SENTIDO DE REFERÊNCIA ASSOCIADO ............................................................... 14
5. LEIS DE KIRCHHOFF ............................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
5.1. LEI DAS CORRENTES DE KIRCHHOFF ................. ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
5.2. LEI DAS TENSÕES DE KIRCHHOFF ..................... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
6. ELEMENTOS DE CIRCUITOS ............... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
6.1. FONTES INDEPENDENTES DE TENSÃO ............... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.
6.2. FONTES INDEPENDENTES DE CORRENTES ......... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO.

7. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE CIRCUITOS ELÉTRICOS ............... 22


7.1. EQUIVALENTE THEVENIN E NORTON .................................................................. 22
7.2.DIVISOR DE CORRENTE ....................................................................................... 24
7.3.DIVISOR DE TENSÃO ........................................................................................... 25
7.3.LICAÇÕES Y-∆ ................................................................................................... 26
8. CIRCUITOS LINEARES INVARIANTES NO TEMPO ................................... 27
8.1.ANÁLISE NODAL................................................................................................. 27
8.2.ANÁLISE POR MALHAS ........................................................................................ 28
9. CLASSIFICAÇÃO DE CIRCUITOS ELÉTRICOS ........................................... 30
9.1. CIRCUITOS EM 1ª ORDEM .................................................................................... 30
9.1.1. CIRCUITOS RC................................................................................................ 30
9.1.1.1.RESPOSTA A EXCITAÇÃO ZERO ...................................................................... 30

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9.1.1.2.RESPOSTA AO ESTADO ZERO.......................................................................... 32


9.1.1.3.RESPOSTA COMPLETA: REGIME TRANSITÓRIO MAIS REGIME PERMANENTE ...... 33
9.1.2. CIRCUITOS RL ................................................................................................ 35
9.1.2.1.RESPOSTA A EXCITAÇÃO ZERO ...................................................................... 35
9.1.2.2.RESPOSTA AO ESTADO ZERO.......................................................................... 36
9.1.2.3.RESPOSTA COMPLETA: REGIME TRANSITÓRIO MAIS REGIME PERMANENTE ...... 38
9.2. CIRCUITOS EM 2ª ORDEM .................................................................................... 39
9.2.1 CIRCUITO SUPERAMORTECIDO.......................................................................... 41
9.2.2 CIRCUITO CRITICAMENTE AMORTECIDO............................................................ 41
9.2.3 CIRCUITO SUBAMORTECIDO ............................................................................. 42
9.2.4 CIRCUITO SEM PERDAS..................................................................................... 42
10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 45

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CIRCUITOS ELÉTRICOS

1. INTRODUÇÃO

A presente apostila foi desenvolvida como ferramenta de auxílio, guia e suporte


para o Minicurso de Introdução aos Circuitos Elétricos I, presente no programa do I
Ciclo de Minicursos do PET-EE da Universidade Federal de Santa Maria.

Os ministrantes do minicurso citado, também foram responsáveis por


desenvolver a apostila, seu texto e suas gravuras, bem como sua formatação.

O principal objetivo deste documento é servir como base para o estudo da


disciplina de Circuitos Elétricos I, apresentando conceitos, problemas e, posteriormente,
resoluções para os mesmos, que serão abordados durante o minicurso.

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2. INTRODUÇÃO AOS CIRCUITOS


ELÉTRICOS

2.1. TENSÃO ELÉTRICA


A tensão elétrica, ou diferença de potencia d.d.p., é definida como sendo o
trabalho necessário à transferência de uma carga unitária de um ponto para o outro. O
Volt (V) é definido também como o trabalho de 1 joule para a transferência de uma
carga de 1 coulomb de um ponto a outro, conforme a equação (1).

𝑑𝑤 𝐽
𝑉= = = 𝑉𝑜𝑙𝑡(𝑉) (1)
𝑑𝑄 𝐶

onde:

v = tensão instantânea

V = tensão contínua

A tensão elétrica pode ser contínua ou alternada. A tensão contínua pode ser
obtida em bancos de baterias, pilhas, saídas de retificadores, etc. Já um sinal alternado é
obtido em ondas que variam o seu módulo a cada instante de tempo, como a onda
senoidal, cossenoidal, triangular, dente de serra, etc..

2.2. CORRENTE ELÉTRICA

Em palavras mais usuais esta é descrita como sendo o movimento ordenado de


elétrons em um determinado material durante determinado intervalo de tempo.
Tecnicamente é descrita como a transferência de uma carga q (1 coulomb) durante 1
segundo, ou conforme (2),

𝑑𝑄 𝐶
𝑖= = = 𝐴𝑚𝑝𝑒𝑟𝑒(𝐴) (2)
𝑑𝑡 𝑠
onde sua unidade é o Ampère, (A).

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A corrente elétrica é denominada como:

i = corrente instantânea

I = corrente constante

Quando existe a circulação de corrente em um material dizemos que este é


condutor, caso contrário, este é isolante.

2.3. POTÊNCIA ELÉTRICA

É o produto da tensão pela corrente elétrica aplicada em um determinado


componente ou conjunto. Sua unidade é o W (Watt). Na física, potência pode ser
definida como a quantidade de energia liberada em certo intervalo de tempo, ou seja,
quanto maior a energia liberada em um menor intervalo de tempo maior será a potência.

Também pode ser definida através de (3).

𝑡
1
𝑃𝑚𝑒𝑑 = = ∫ 𝑖(𝑡). 𝑣 (𝑡). 𝑑𝑡 (3)
𝑇 0

2.4. ENERGIA ELÉTRICA

É a taxa de potencia dissipada ou consumida por uma certa unidade de tempo.


Esta por ser, por exemplo, o kWh (Quilowatt-hora). É definida em (4):

𝑑𝑤
𝑃= = 𝑊𝑎𝑡𝑡(𝑊) (4)
𝑑𝑡

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3. ELEMENTOS DE CIRCUITOS
ELÉTRICOS

3.1. RESISTOR

É um componente de dois ou três terminais que apresenta uma relação linear


entre a corrente instantânea e a tensão instantânea. A sua resistência é definida como
sendo a constante de proporcionalidade da corrente elétrica. É a dificuldade oferecida à
passagem da corrente elétrica em seu interior quando há existência de uma d.d.p..

Seu valor pode ser determinado como sendo a razão entre a tensão e a corrente
elétrica existente em um determinado ponto do circuito elétrico. Sua unidade é o Ω,
letra grega ômega.

O símbolo do resistor é mostrado na Fig. 2.

Fig. 2 – Símbolo do resistor.

Os resistores podem ser ligados de várias formas, formando assim, dois tipos de
associação básica, sendo elas a série e a paralela.

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1) Série:
Neste tipo de associação o terminal de entrada de um resistor é conectado ao
terminal de saída de outro resistor, e assim sucessivamente, conforme Fig. 3.

Fig. 3 – Associação Série de Resistor.

Sua resistência total é dada pela soma algébrica de cada resistor que compõe a
associação, (5):

𝑅𝑒𝑞 = 𝑅1 + 𝑅2 + ⋯ 𝑅𝑛 (5)

Neste tipo de associação têm-se algumas características, como:

 A corrente que circula na associação em série é constante para todas as


resistências.
 A queda de tensão obtida na associação em série é a soma total de cada
resistência.
 A potência total dissipada é igual à soma da potencia dissipada em cada
resistência.
 O resistor de maior resistência será aquele que dissipa maior potência.

2) Paralela:

Quando dois ou mais resistores têm seu terminais ligados à mesma diferença de
potencial, de modo a oferecer caminhos separados para a corrente elétrica,
conforme Fig. 4.

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Fig.4 – Associação paralela de resistores.

Sua resistência total é dada por (6):

1 1 1 1
= + + ⋯+ (6)
𝑅𝑒𝑞 𝑅1 𝑅2 𝑅𝑛

Neste tipo de associação temos as seguintes características:

 A corrente elétrica se divide entre os componentes do circuito;


 A corrente total que circula na associação é o somatório da corrente de
cada resistor;
 O funcionamento de cada resistor é independente dos demais;
 A diferença de potencial (corrente elétrica necessária para vencer a ddp)
é a mesma em todos os resistores;
 O resistor de menor resistência será aquele que dissipa maior potência.

3.2. CAPACITOR

É um componente passivo que armazena energia na forma de campo elétrico. É


constituído de duas placas paralelas separadas de uma determinada distância por um
determinado material. A capacitância é a grandeza elétrica de um capacitor,
determinada pela quantidade de energia elétrica que pode ser armazenada em si por um
valor de tensão e pela quantidade de corrente alternada que o atravessa em dada
frequência. Sua unidade é dada em Farad, (F). Seu símbolo é demonstrado na Fig. 5.

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Fig. 5 – Símbolo do capacitor.

Este também se associa em série e em paralelo:

a) Série:

Fig. 6 – Associação série de capacitores.

A capacitância equivalente é dada por (7):

𝑛
1 1 1 1 1
= + +⋯+ =∑
𝐶𝑠 𝐶1 𝐶2 𝐶𝑛 𝐶𝑖 (7)
𝑖=1

b) Paralela:

Fig. 7 – Associação paralela de capacitores.

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A capacitância equivalente é dada por (8):

𝐶𝑒𝑞 = ∑ 𝐶𝑖 (8)
𝑖=1

As suas equações características são:

 Carga
𝑞 (𝑡) = 𝐶. 𝑣(𝑡) (9)
 Corrente
𝑑𝑣(𝑡)
𝑖𝑐(𝑡) = 𝐶. (10)
𝑑𝑡
 Tensão
𝑡
1
𝑣(𝑡) = 𝑉0 + = ∫ 𝑖 (𝑡)𝑑𝑡
𝐶 0 (11)

 Energia
1
𝐸 = . 𝐶. 𝑉² (12)
2

Obs: Em corrente contínua o capacitor é considerado um circuito aberto.

3.3. INDUTOR

Um indutor é um dispositivo elétrico passivo que armazena energia na forma de


campo magnético. É constituído de bobinas de material condutor, normalmente o cobre.
Sua unidade é o Henry (H). Seu símbolo está demonstrado na Fig.8.

Fig. 8 – Símbolo do indutor.

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Este também se associa em série e em paralelo:

1) Série:

Fig. 9 – Associação série de indutores.

A indutância equivalente é dada por (13):

𝐿𝑒𝑞 = 𝐿1 + 𝐿2 + ⋯ + 𝐿𝑛 (13)

2) Paralela:

Fig. 10 – Associação paralela de indutores.


A indutância equivalente é dada por (14):

𝑛
1 1
=∑ (14)
𝐿𝑒𝑞 𝐿𝑖
𝑖=1

Obs: Em corrente contínua o indutor é considerado um curto-circuito.

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4. CONCEITOS DE CIRCUITOS ELÉTRICOS

4.1. DEFINIÇÕES

 Braço: Elemento concentrado¹ de dois terminais;


 Nós: São os terminais dois braços.
 Tensão de braço: Tensão entre os nós.
 Corrente de braço: Corrente que flui entre os braços.

Fig. 1 – Imagem referente as definições.

¹ Elemento cuja corrente que circula através dele e a diferença de potencial entre
os seus terminais são bem definidos. Ex: resistores, capacitores, indutores,
transistores e transformadores.

4.2. SENTIDO DE REFERÊNCIA


4.2.1. SENTIDO DE REFERENCIA PARA TENSAO DE
BRAÇO

O sentido de referência para tensão de braço pode ser indicado por uma seta,
ou ainda, por sinais (+) e (-). Este sentido é denominado polaridade.
A exemplo da Fig. 11, definida uma polaridade para a tensão – por
convenção – a tensão de braço VAB, em dado instante t, é positiva caso o
potencial elétrico no ponto A for maior do que no ponto B. Já em VBA, a tensão é
negativa, pois o potencial no ponto B é menor do que no ponto A.

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A base da seta indica a tensão a ser subtraída da tensão presente na ponta da


mesma.

Fig. 11 – Sentido de referência para a tensão de braço.

𝑉𝐴𝐵 = 𝑉𝐴 − 𝑉𝐵

4.2.2. SENTIDO DE REFERÊNCIA PARA A CORRENTE DE


BRAÇO

Definido o sentido para a corrente de braço, ainda a exemplo da Fig, 11,


– por convenção – esta será positiva em dado instante t, sempre que o fluxo
de cargas elétricas entrar em um terminal positivo (+) e sair em um
negativo (-).

𝐼𝐴𝐵 (𝑡) > 0 𝐼𝐵𝐴 (𝑡) < 0

O significado de um sinal negativo no valor da corrente indica que o


sentido desta corrente está invertido.

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4.2.3. SENTIDO DE REFERÊNCIA ASSOCIADO


Caso uma corrente i de valor positivo entre em um terminal positivo (+) de
uma carga, e saia no terminal negativo (-), a potência entregue à carga será
positiva. Caso a corrente i positiva entre no terminal negativo (-) e saia no
positivo (+) da carga, a potência será negativa.
De forma semelhante, se uma corrente i de valor negativo entrar em um
terminal negativo (-) de uma carga, e sair no terminal (+), a potência entregue à
carga será positiva. Caso a corrente negativa entre no terminal positivo (+) e saia
no terminal negativo (-) a potência entregue será negativa.
O valor positivo da potência indica que a carga está dissipando potência, e o
valor negativo indica que ela está devolvendo potência ao circuito.

Fig. 12 – Sentido de referência associado.

5. LEIS DE KIRCHHOFF

5.1. LEI DAS CORRENTES DE KIRCHHOFF

Esta lei define que a soma de todas as correntes de braço que chegam a um nó
com as que saem do mesmo, é sempre zero.

∑ 𝑖𝑛 = 0

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Fig.13 – Lei das correntes de Kirchhoff.

−𝐼1 + 𝐼2 + 𝐼3 + 𝐼4 = 0

Convenção:

 Corrente que chega ao nó: negativa (-);


 Corrente que sai do nó: positiva (+).

A LCK proporciona estabelecer uma relação linear entre as correntes de braço e


as equações lineares homogêneas.
A LCK expressa a conservação da carga em todos os nós. Não há nem acúmulo
nem perda de carga.

5.2. LEI DAS TENSÕES DE KIRCHHOFF

Esta lei define que, em qualquer malha fechada, a soma algébrica das tensões de
braço é sempre zero.

∑ 𝑉𝑛 = 0

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A LTK proporciona estabelecer uma relação linear entre as tensões de braço de


uma malha.
A LTK é independente da natureza dos elementos, pode ser aplicada a qualquer
elemento de circuito (resistores, indutores, capacitores...)

1) Percurso fechado – É o caminho percorrido a partir de um nó passando por


outros nós e voltando ao mesmo nó inicial.

2) Malha Fechada – É um percurso fechado que não contém braços no seu


Interior.

6. ELEMENTOS DE CIRCUITOS

6.1. FONTES INDEPENDENTES DE TENSÃO

Uma fonte de tensão ideal ou independente é caracterizada por apresentar, em


seus terminais, um nível de tensão específico, independente da corrente que
atravesse o circuito ao qual esta esteja conectada como representa o gráfico da
Fig.14, ou seja, independente da carga. Faz-se conveniente indicar as direções de
referência para tensão e corrente de uma fonte, para melhor efetuar a análise do
circuito.

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Fig.14 – Características de uma fonte de tensão independente.

OBS.: A fonte de tensão real pode ficar em circuito aberto.

A fonte de tensão real não pode ficar em curto, pois a corrente tenderá a infinito,
o que pode ser comprovado pela equação da primeira Lei de Ohm, uma vez que a
resistência de um curto circuito é nula.
𝑉 = 𝑅. 𝐼 → 𝐼 = 𝑉/𝑅
Logo, com uma resistência (R) tendendo a zero (curto circuito), o valor do
quociente (V/R) tende ao infinito.

Assosiação de fontes de tensão:


1) Série
A associação série de fontes de tensão nos permite elevar ou mesmo reduzir a
diferença de potencial em um circuito. Como exemplo, pode-se utilizar a associação
de pilhas ou baterias, na alimentação de eletrodomésticos e aparelhos diversos. A
tensão disponível entre os terminais de uma associação série de fontes de tensão
equivale à soma algébrica do valor de tensão das mesmas, levando em consideração
o sentido de referência, como exemplificado na Fig.15.

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Fig.15 – Associações em série de fontes de tensão.

2) Paralelo
A associação em paralelo de fontes de tensão é uma medida que exige
determinados cuidados. O nível limite de corrente deste tipo de ligação está
diretamente associado às resistências internas de cada fonte e ao valor das fontes de
tensão, portanto, se o nível da resistência for muito baixo e o circuito não apresentar
as devidas medidas de segurança, a corrente circulante tenderá ao infinito. Para isso,
uma das medidas é adicionar resistores de valores razoáveis, evitando assim a
elevação da corrente como expressa o Teorema de Millman na Fig.16.

Fig.16 – Associações em paralelo de fontes de tensão.

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6.2. FONTES INDEPENDENTES DE CORRENTE

É o elemento de dois terminais que mantém uma corrente especificada em seus


terminais, independente da tensão aplicada.

Fig.17 – Características de uma fonte de corrente independente.

OBS.: A fonte de corrente pode ficar em curto circuito, mas, uma vez ligado o
circuito, este não pode ser seccionado, pois sua tensão vai a infinito, como define a
equação:
𝑉 = 𝑖. 𝑅
Pois em um circuito aberto, R tende ao infinito.

Assosiação de fontes de corrente:


1) Série
Este tipo de associação não apresenta muita relevância, uma vez que as fontes de
corrente de mesma intensidade, produzirão uma corrente i1=i2, obtendo o mesmo
resultado de uma única fonte. Já, se seus valores forem distintos, a lei das correntes
de Kirchoff implicaria que i1-i2=0, porém na prática isto não é verificado e há o
risco de que a tensão cresça tendendo ao infinito. Para tanto, é possível utilizar
resistores em paralel com as fontes de corrente, como prevê o Teorema de Millman,
reduzindo-as a uma única fonte equivalente, como é possível verificar na Fig.18.

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Fig.18 – Associação em série de fontes de corrente.

2) Paralelo
A associação de fontes de corrente em paralelo, representada na Fig.19, é um
modelo de configuração que consiste em somar as correntes provenientes de cada
fonte, considerando o sentido de referência.

Fig.19 – Associação em paralelo de fontes de correntes.

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Exercicio: Determine as correntes do circuito.

Exercício: Determine o valor das tensões do circuito.

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7. METODOLOGIA PARA ANÁLISE DE


CIRCUITOS ELÉTRICOS

7.1. EQUIVALENTE THEVENIN E NORTON

Estes circuitos equivalentes têm por objetivo facilitar a análise de circuitos


elétricos.

Fig.20 – Equivalente Thevenin e Norton.

Dedução:

𝑣 (𝑡) − 𝑣𝑠 (𝑡) + 𝑅. 𝑖 (𝑡) = 0 (14) 𝑖 (𝑡) + 𝑖1 (𝑡) − 𝑖𝑠 (𝑡) = 0 (16)


𝑣(𝑡) 𝑣𝑠 (𝑡)
𝑣 (𝑡) = 𝑣𝑠 (𝑡) − 𝑅. 𝑖 (𝑡) (15) 𝑖 (𝑡 ) + − =0 (17)
𝑅 𝑅
𝑣 (𝑡) = 𝑣𝑠 (𝑡) − 𝑅. 𝑖 (𝑡) (18)

A equivalência entre estes circuitos equivalentes é dada somente na saída de


cada circuito, ou seja, a corrente e a tensão nos terminais de cada circuito é a mesma,
porém as potencias envolvidas não possuem essa equivalência.

A equivalência entre os circuitos é definida por (19) e (20):

𝑅𝑇𝐻 = 𝑅𝑁 (19)
𝑉𝑇𝐻 = 𝑅. 𝐼𝑁 (20)

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Exemplo
Determine o equivalente Thevenin-Norton.

Exemplo
Calcule o valor de R para i=833,33mA.

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7.2. DIVISOR DE CORRENTE

A regra do divisor de corrente se aplica a componentes (resistores) conectados


em paralelo e destina-se a determinar a corrente circulando cada componente individual.
A figura 17 mostra o circuito de um divisor de corrente:

Fig.21 – Divisor de corrente.

As correntes i1, i2 e in são determinadas através de (21):

𝑅𝑝 𝑅2 𝑅𝑝 𝑅1 𝑅𝑝
𝑖1 = .𝑖 = .𝑖 𝑖2 = .𝑖 = .𝑖 𝑖𝑛 = .𝑖 (21)
𝑅1 𝑅1 + 𝑅2 𝑅2 𝑅1 + 𝑅2 𝑅𝑛

A fonte de corrente da figura anterior pode ser substituída por uma corrente que
sai de outro componente, como um resistor, por exemplo.

7.3. DIVISOR DE TENSÃO

A regra do divisor de tensão se aplica a componentes (resistores) conectados em


série e destina-se a determinar a tensão sobre cada componente individual. A Fig. 18
mostra o circuito de um divisor de tensão.

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Fig.22 – Divisor de tensão.

Para se determinar v1 e v2 utilizamos as igualdades (22):

𝑅𝑖 𝑅1 𝑅𝑖 𝑅1
𝑉1 = . 𝑉 → 𝑉1 = .𝑉 𝑉2 = . 𝑉 → 𝑉2 = .𝑉 (22)
𝑅𝑠 𝑅1 + 𝑅2 𝑅𝑠 𝑅1 + 𝑅2

Para um circuito com n resistores em série temos (23):

𝑅1 𝑅2 𝑅𝑛
𝑉1 = .𝑉 𝑉2 = .𝑉 𝑉𝑛 = .𝑉 (23)
𝑅𝑠 𝑅𝑠 𝑅𝑠

Exemplo

1) Calcule o valor de i e da tensão V nas resistências em paralelo:

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2) Encontre os valores de i, e Vab

3) Calcule i:

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7.4. LIGAÇÕES Y-Δ

Esta técnica tem por finalidade facilitar a análise dos circuitos elétricos. Estra
relação só é válida quando eh respeitada a posição dos resistores no circuito.

Fig. 23 – Transformação Y-Δ.

1) Transformação de Y-Δ:

𝑅1 . 𝑅2 +𝑅1 . 𝑅3 +𝑅2 . 𝑅3
𝑅𝑎 =
𝑅3
𝑅1 . 𝑅2 +𝑅1 . 𝑅3 +𝑅2 . 𝑅3
𝑅𝑏 =
𝑅2
𝑅1 . 𝑅2 +𝑅1 . 𝑅3 +𝑅2 . 𝑅3
𝑅𝑐 =
𝑅1

2) Transformação de Δ-Y:

𝑅𝑎 . 𝑅𝑏
𝑅1 =
𝑅𝑎 + 𝑅𝑏 + 𝑅𝑐
𝑅𝑎 . 𝑅𝑐
𝑅2 =
𝑅𝑎 + 𝑅𝑏 + 𝑅𝑐
𝑅𝑎 . 𝑅𝑐
𝑅3 =
𝑅𝑎 + 𝑅𝑏 + 𝑅𝑐

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CIRCUITOS ELÉTRICOS

Exemplo:

1) Determine a resistência equivalente:

a)

b)

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CIRCUITOS ELÉTRICOS

8. CIRCUITOS LINEARES E INVARIANTES


NO TEMPO

8.1. ANÁLISE NODAL

A análise ou método nodal é baseado na Lei das Correntes de Kirchhoff. Este


método tem por objetivo determinar as tensões existentes em cada ramo do circuito. O
método desenvolvido para se obter essas tensões é descrito abaixo:

1º. Determinar o número de nós:

Através da LTK o somatório das tensões em qualquer percurso fechado é


zero. A LTK obriga uma dependência linear entre as tensões de braço.

2º. Escolher um nó de referência:

Quando se escolhe um nó como referencia a este se atribui uma tensão


nula, 0 Volt. Esta escolhe deve ser feita de maneira a facilitar os cálculos
futuros.

Temos:
𝑉12 = (𝑉1 − 𝑉2 )
𝑉13 = (𝑉1 − 𝑉3 )
𝑉23 = (𝑉2 − 𝑉3 )

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CIRCUITOS ELÉTRICOS

A definição do número de equações é dada através do número de nós


existentes no circuito elétrico:

𝑁° 𝑑𝑒 𝑒𝑞𝑢𝑎çõ𝑒𝑠 = 𝑛ó𝑠 − 1

Exemplo:

8.2. ANÁLISE POR MALHAS

Neste método se obtém as correntes circulantes em cada malha do circuito. Este


baseia-se na Lei das Tensões de Kirchhoff (LTK). Para desenvolver o presente
método devemos realizar as seguintes considerações:

1º. Utilização de malhas somente, e não de circuitos fechados;


2º. O número de malhas é igual ao número de equações;
3º. Todas as correntes de malha estão no sentido horário;
4º. Na malha em questão, a corrente é positiva em relação às outras.

Exemplo:

9. CLASSIFICAÇÃO DOS CIRCUITOS ELÉTRICOS

9.1. CIRCUITOS DE 1° ORDEM

Os circuitos de primeira ordem são caracterizados por possuírem apenas um


elemento capaz de armazenar energia, podendo ser a carga em um capacitor ou o
fluxo de corrente em um indutor. Podemos prever o funcionamento deste tipo de
circuito através de uma equação diferencial de primeira ordem com coeficientes

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MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

constantes, já que aqui consideraremos apenas circuitos lineares invariantes no


tempo. As equações de braço estão na Tab. 1.

Capacitor Indutor Resistor


𝒅𝒗 𝑑𝑖 𝑉𝑟 (𝒕) = 𝑅. 𝑖𝑟 (𝑡)
𝒊𝒄 (𝒕) = 𝑪. 𝑉𝑙 (𝑡) = 𝐿.
𝒅𝒕 𝑑𝑡
𝒗𝒄 (𝒕) 𝑖 𝒍 ( 𝒕) 𝑉𝑟 (𝒕)
𝒊 𝒓 ( 𝒕) =
𝟏 𝟏 𝑅
= 𝑽𝒐 + . ∫ 𝒊𝒄 (𝒕). 𝒅𝒕 = 𝑖0 + . ∫ 𝑉𝒄 (𝒕). 𝒅𝒕
𝑪 𝑳
Tab. 1 – Equações de braço.

9.1.1. CIRCUITOS RC
9.1.1.1. RESPOSTA A EXCITAÇÃO ZERO

Situação em que o circuito depende apenas de situações iniciais (t=0), sendo que
este não possui entradas ou excitações.

Tem-se o circuito abaixo:

Fig. 24 - Circuito RC

 Para t<0 a chave S1 fechada e S2 aberta, o capacitor está carregado com tensão
Vo, dado pela fonte;
 Em t=0, a chave S1 é aberta e S2 é fechada;
 Devido a carga inicial do capacitor, aparecerá uma corrente na malha RC, que
decrescerá até zero.

OBS: Quanto menor a capacitância do capacitor ou quanto menor a resistência


do resistor, mais rápido será a descarga.

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CIRCUITOS ELÉTRICOS

Analisando o circuito para t≥0:

LTK: 𝑣𝑐 (𝑡) = 𝑣𝑟 (𝑡) (23)


LCK: 𝑖𝑐 (𝑡) + 𝑖𝑟 (𝑡) = 0 (24)

Substituindo-se as devidas equações de braço em (24), e se utilizando da


igualdade em (23):

𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑟 (𝑡)


𝐶. + =0
𝑑𝑡 𝑅

𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑐 (𝑡)


𝐶. + =0
𝑑𝑡 𝑅

Então tem-se como solução da seguinte equação diferencial de primeira ordem,


homogênea com os coeficiente constantes:

𝑣𝑐 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 (25)

K= constante determinada pelas condições iniciais do circuito

S0 é a frequência de amortecimento dada pela expressão: S 0= - 1/ RC

Encontra-se K através da substituição das condições iniciais em (25).

9.1.1.2. RESPOSTA AO ESTADO ZERO

Situação em que o circuito possui uma situação inicial (t=0) nula, sendo que este
a partir de t>0 possui uma fonte de entrada ou excitação.

33
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

Figura 25- Circuito RC

 Em t=0, S1 está fechada, tendo-se assim um curto circuito na fonte, causando:


o 𝑣𝑐 (0) = 0 𝑒 𝑖𝑐 (0) = 0
 Em t=0, S1 abre, e a fonte de corrente é conectada ao circuito.

Analisando-se o circuito, considerando-se a tensão do capacitor como resposta


almejada, tem-se

LTK: 𝑣𝑐 (𝑡) = 𝑣𝑟 (𝑡) (26)


LCK: 𝑖𝑐 (𝑡) + 𝑖𝑟 (𝑡) = 𝐼0 (27)

OBS: Para um t>>0, o capacitor estará carregado, e será um circuito aberto


quando toda a corrente flui pelo resistor :

𝑣𝑐
= 𝐼𝑜 (28)
𝑅

Note que para determinarmos a resposta da tensão do capacitor ao estado zero


dependemos dos parâmetros do circuito e ainda da função de entrada que no nosso caso
será a fonte Io. Pode-se definir que a equação geral para a equação do capacitor será do
tipo:

𝑣 (𝑡) = 𝑣ℎ𝑜𝑚𝑜𝑔ê𝑛𝑒𝑎 + 𝑣𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 (29)

Vhomogênea depende além dos parâmetros do circuito, das condições iniciais do


circuito no instante t=0, e então de (3) e (4) tem-se:

34
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑐 (𝑡)


𝐶. + =0
𝑑𝑡 𝑅

Então tem-se como solução da seguinte equação diferencial de primeira ordem,


homogênea com os coeficiente constantes:

𝑣𝑐 ℎ𝑜𝑚ô𝑔𝑒𝑛𝑒𝑎 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 , onde K e So que são os mesmos parâmetros de (25).

Vparticular é encontrada analisando-se o circuito para t>>0, então conforme já


mencionado tem-se:

𝑣𝑐 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 = 𝑅 . 𝐼0 (26)

Então tem-se como Vc :

𝑣𝑐 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 + R . 𝐼𝑜

Obtendo-se K em (3) pelas condições iniciais deste caso, tem-se:

𝑣𝑐 (𝑡) = −𝑅. 𝐼𝑜 . 𝑒 𝑆0 .𝑡 + R . 𝐼𝑜

𝑣𝑐 (𝑡) = R . 𝐼𝑜 (𝑒 𝑆0 .𝑡 + 1) (27)

9.1.1.3. RESPOSTA COMPLETA: REGIME


TRANSITÓRIO MAIS REGIME PERMANENTE

A resposta completa de um circuito RC, nada mais é que:

𝑣𝑐 = 𝑣𝑐 𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎 𝑎 𝑒𝑥𝑖𝑡𝑎çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 + 𝑣𝑐 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎 𝑎𝑜 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜

Esta resposta se faz necessária quando a tensão no capacitor em t=0 for diferente
de zero e quando houver uma fonte de entrada. Deve-se proceder da seguinte maneira:

 Encontrar a reposta de Vc à excitação zero;


 Encontrar a reposta de Vc ao estado zero;

35
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

 Somar estes dois resultados.

Exercícios

1)Dertermine 𝑖(0 +), 𝑣 (0 +), 𝑖 (𝑡)𝑒 𝑣(𝑡)

2) Dertermine 𝑖 (0 +), 𝑣 (0 +), 𝑖(𝑡)𝑒 𝑣(𝑡)

9.1.2. CIRCUITO RL
9.1.2.1. RESPOSTA A EXCITAÇÃO ZERO

Tem-se o circuito abaixo:

36
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

Fig. 26 - Circuito RL

 Para t<0 a chave S1 fechada e S2 aberta, o indutor está carregado com a


corrente Io.
 Em t=0, a chave S1 é aberta e S2 é fechada.
 Devido a energia inicial armazenada no campo magnético do indutor,
aparecerá uma tensão na malha RL, que decrescerá até zero pois será
dissipada na forma de calor no resistor.

OBS: Quanto menor a indutância do indutor ou quanto maior a resistência do


resistor, mais rápido será a descarga.

Analisando o circuito para t≥0:

LTK: 𝑣𝑙 (𝑡) − 𝑣𝑟 (𝑡) = 0 (28)


LCK: 𝑖𝑟 (𝑡) = −𝑖𝑙 (𝑡) (29)

Substituindo-se as devidas equações de braço em (29), e se utilizando da


igualdade em (28):

𝑑𝑖𝑙 (𝑡)
𝐿. + 𝑅. 𝑖𝑟 = 0
𝑑𝑡

𝑑𝑖𝑙 (𝑡)
𝐿. + 𝑅. 𝑖𝑙 = 0
𝑑𝑡

37
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

Então tem-se como solução da seguinte equação diferencial de primeira ordem,


homogênea com os coeficiente constantes:

𝑣𝑐 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 (30)

K= constante determinada pelas condições iniciais do circuito

S0 é a frequência de amortecimento dada pela expressão: S 0= - R/L

Encontra-se K através da substituição das condições iniciais em (30).

9.1.2.2. RESPOSTA AO ESTADO ZERO

Fig. 27 - Circuito RL

 Em t=0, S1 está aberta, tendo-se assim um circuito aberto, causando:


o 𝑖𝑙 (0) = 0 𝑒 𝑣𝑙 (0) = 0
 Em t=0, S1 fecha, e a fonte de tensão é conectada ao circuito.

Analisando-se o circuito, considerando-se a corrente do indutor como resposta


almejada, tem-se

LTK: 𝑣𝑙 (𝑡) + 𝑣𝑟 (𝑡) = 𝑉0 (31)


LCK: 𝑖𝑙 (𝑡) = 𝑖𝑟 (𝑡) (32)

38
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

OBS: Para um t>>0, o indutor estará totalmente energizado, e será um curto


circuito quando toda a queda de tensão se dará em cima do resistor:

𝑉0 = 𝑖𝑙 . 𝑅 (33)

Note que para determinarmos a resposta da corrente do indutor ao estado zero


dependemos dos parâmetros do circuito e ainda da função de entrada que no nosso caso
será a fonte Vo. Pode-se definir que a equação geral para a equação do indutor será do
tipo:

𝑖𝑙 (𝑡) = 𝑖𝑙 ℎ𝑜𝑚𝑜𝑔ê𝑛𝑒𝑎 + 𝑖𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 (34)

ihomogênea depende além dos parâmetros do circuito, das condições iniciais do


circuito no instante t=0, e então de (31) e (32) tem-se:

𝑑𝑖𝑙 (𝑡)
𝐿. + 𝑅. 𝑖𝑙 (𝑡) = 0
𝑑𝑡

Então tem-se como solução da seguinte equação diferencial de primeira ordem,


homogênea com os coeficiente constantes:

𝑖𝑙 ℎ𝑜𝑚ô𝑔𝑒𝑛𝑒𝑎 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 , onde K e So que são os mesmos parâmetro de (30).

Vparticular é encontrada analisando-se o circuito para t>>0, então conforme já


mencionado tem-se:

𝑉0
𝑖𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑡𝑖𝑐𝑢𝑙𝑎𝑟 = (31)
𝑅

Então tem-se como Vc :

𝑉0
𝑖𝑙 (𝑡) = 𝐾. 𝑒 𝑆0 .𝑡 +
𝑅

Obtendo-se K em (12) pelas condições iniciais deste caso, tem-se assim:

39
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

𝑉0 𝑆 .𝑡 𝑉0
𝑖𝑙 ( 𝑡 ) = − .𝑒 0 +
𝑅 𝑅

𝑉0 𝑆 .𝑡
𝑣𝑐 (𝑡) = (𝑒 0 + 1) (32)
𝑅

9.1.2.3. RESPOSTA COMPLETA: TRANSITÓRIO MAIS


REGIME PERMANENTE

A resposta completa de um circuito RL, nada mais é que:

𝑖𝑐 = 𝑖𝑐 𝑟𝑒𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎 𝑎 𝑒𝑥𝑖𝑡𝑎çã𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜 + 𝑖𝑐 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑜𝑠𝑡𝑎 𝑎𝑜 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑑𝑜 𝑧𝑒𝑟𝑜

Esta resposta se faz necessária quando a corrente no indutor em t=0 for diferente
de zero e quando houver uma fonte de entrada. Deve-se proceder da seguinte maneira:

 Encontrar a reposta de ic à excitação zero.


 Encontrar a reposta de ic ao estado zero.
 Somar estes dois resultados.

Exercicios:
1) ) Dertermine 𝑖 (0 +), 𝑣 (0 +), 𝑖(𝑡)𝑒 𝑣(𝑡)

2) ) Dertermine 𝑖(0 +), 𝑣(0 +), 𝑖(𝑡)𝑒 𝑣(𝑡)

40
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

9.2. CIRCUITOS EM 2ª ORDEM

Os circuitos de segunda ordem são caracterizados por possuírem dois elementos


capazes de armazenar energia, sendo eles a carga em um capacitor e o fluxo de corrente
em um indutor. Podemos prever o funcionamento deste tipo de circuito através de uma
equação diferencial de segunda ordem com coeficientes constantes, já que aqui
consideraremos apenas circuitos lineares invariantes no tempo.

Fig. 28 - Circuito RLC em paralelo

Aqui as equações de braço são as mesmas mencionadas no circuito de primeira


ordem. Analisando-se o circuito tem-se:

LTK: 𝑣𝑐 (𝑡) = 𝑣𝑐 (𝑡) = 𝑣𝑟 (𝑡) (33)


LCK: 𝑖𝑐 (𝑡) + 𝑖𝑙 (𝑡) + 𝑖𝑟 (𝑡) = 0 (34)

41
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

Substituindo-se as devidas equações de braço em (34), e se utilizando da


igualdade em (33):

𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑟 (𝑡) 1


𝐶. + + 𝐼0 + ∫ 𝑣𝑙 . 𝑑𝑡 = 0
𝑑𝑡 𝑅 𝐿

𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑐 (𝑡) 1


𝐶. + + 𝐼0 + ∫ 𝑣𝑐 . 𝑑𝑡 = 0
𝑑𝑡 𝑅 𝐿

Derivando e dividindo por C, obtemos:

𝑑²𝑣𝑐 (𝑡) 1 𝑑𝑣𝑐 (𝑡) 𝑣𝑐


+ + =0
𝑑𝑡 𝑅𝐶 𝑑𝑡 𝐿𝐶

Neste caso, como é uma equação diferencial de segunda ordem, necessário


primeiro encontrar-se os parâmetros α e ω0 pois eles nos ajudam a caracterizar o
comportamento do circuito RLC, assim pode-se definir o tipo de solução do problema.

1
𝛼= (35)
2𝑅𝐶
1
𝜔0 = (36)
√𝐿𝐶

Circuito Superamortecido 𝛼 > 𝜔0 𝑉𝑐 (𝑡) = 𝑘1. 𝑒 𝑠1.𝑡 + 𝑘2. 𝑒 𝑠2.𝑡


Circuito criticamente amortecido 𝛼 = 𝜔0 𝑉𝑐 (𝑡) = (𝑘1 + 𝑘2. 𝑡). 𝑒 −𝛼.𝑡
Circuito subamortecido 𝛼 < 𝜔0 𝑉𝑐 (𝑡) = 𝑘. 𝑒 −𝛼.𝑡 . cos(𝑊𝑑 . 𝑡 + 𝜃)
Circuito sem perdas 𝛼=0 𝑉𝑐 (𝑡) = 𝑘. cos(𝑊𝑑 . 𝑡 + 𝜃)

Onde:

𝑊𝑑 = √𝜔0 ² + 𝛼²

42
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

9.2.1. CIRCUITO SUPERAMORTECIDO

 K1 e K2 são determinadas pelas condições iniciais do circuito.

1)𝑣𝑐 (0) = 𝐾1 + 𝐾2
𝑖𝑐 (0+ )
2) = 𝐾1. 𝑆1 + 𝑘2. 𝑆2
𝐶

Fig. 29 - Comportamento do circuito superamortecido

9.2.2. CIRCUITO CRITICAMENTE AMORTECIDO

 K1 e K2 são determinadas pelas condições iniciais do circuito.

1) 𝑣𝑐 (0) = 𝐾1
𝑖𝑐 𝑑𝑣𝑐 (0)
2) =
𝐶 𝑑𝑡

Fig.30 - Comportamento do circuito criticamente amortecido

43
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

9.2.3. CIRCUITO SUBAMORTECIDO

 K e 𝜃 são determinadas pelas condições iniciais do circuito.

1) 𝑣𝑐 (0) = 𝐾 . cos(𝜃)
𝑖𝑐 𝑑𝑣𝑐 (0)
2) =
𝐶 𝑑𝑡

Fig. 31 - Comportamento do circuito subamortecido

9.2.4. CIRCUITO SEM PERDAS

 K e 𝜃 são determinadas pelas condições iniciais do circuito.

1) 𝑣𝑐 (0) = 𝐾 . cos(𝜃)
𝑖 𝑑𝑣𝑐 (0)
2) 𝐶𝑐 = 𝑑𝑡

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MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

Fig. 32 - Comportamento do circuito sem perdas

Exercícios:
1)

Determine vc(0+), vc(0-), iL(0+), iL(0-), iR(t), ic(t), iL(t) e vc(t), para:
a) iL(0)= 0 (A), vc(0)= 50 (V).
b) iL(0)= 0 (A), vc(0)= 0 (V).
c) iL(0)=10 (A), vc(0)= 0 (V).
d) iL(0)= 10 (A), vc(0)= 50 (V).

2) No circuito abaixo a chave estava fechada bastante tempo, sendo aberta em


t=0. Calcular a tensão v(t) a partir deste instante.

45
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

46
MINICURSO DE INTRODUÇÃO
CIRCUITOS ELÉTRICOS

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ORSINI, L. Q. Curso de Circuitos Elétricos, v. 2.. Edgard Bluncher, 2004.

SADIKU, M. N. O. ; ALEXANDER, C. K. Fundamentos de Circuitos


[2]
Elétricos. Bookmaan, 2003.

BOYLESTAD, R. L. Introdução à Análise de Circuitos. São Paulo: Print Hall


[3]
do Brasil,1997.

HAYT, J., WILLIAM, H.; KEMMERLY, J. Análise de Circuitos em


[4]
Engenharia. São Paulo: McGraw, 1973.

QUEVEDO, Carlos Peres. Circuitos elétricos. Rio de Janeiro, Guanabara Dois,


[5]
1983.

VALKENBURGH, Von et alli. Eletricidade básica. São Paulo, Livraria


[6]
Freitas Bastos, 1974, 1975, 1976

47