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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA

CRIMINAL DA CIDADE E COMARCA DE ____, ESTADO DO PARANÁ.

No julgamento penal deve, pois, ser sempre


pronunciada a absolvição enquanto não se
chega à certeza substancial da criminalidade.
Neste caso somente a decisão a favor do
acusado seria em prejuízo da sociedade. A
inocência se presume (...). Por isso, no juízo
penal a obrigação da prova em juízo penal, não
é senão uma dedução daquele princípio supremo
para o ônus da prova (in A lógica das Provas em
Matéria Criminal, Nicola Framario Malatesta, Ed.
Bookseller, 2001, p. 110/143).

Autos: xxxxxxxxxxxx

xxxxxxxxxxxxx, já devidamente qualificado nos autos em


epígrafe, por intermédio de seus procuradores constituídos (instrumento de mandato
incluso), que atuam junto ao Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade Assis Gurgacz –
FAG, localizado na Avenida Assunção nº 131, Bairro Alto Alegre, nesta Cidade e
Comarca de Cascavel – Paraná, vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência
apresentar

ALEGAÇÕES FINAIS POR MEMORIAIS

com fundamento no artigo 403, § 3º do Código de Processo Penal, pelos fatos e


fundamentos de direito a seguir aduzidos:
I – Dos Fatos

O Acusado foi denunciado pela suposta prática da contravenção


penal de vias de fato e pelo crime de ameaça tendo sido indiciado como incurso nas
disposições do artigo 21 da Lei de Contravenções Penais e artigo 147, caput, do Código
Penal, ambos combinados com o artigo 61, inciso II, alínea f, do Código Penal,
observando-se entre as condutas a regra do artigo 69 do mesmo Diploma Legal.

Expõe a r. Denúncia que no dia 29 de maio de 2013, por volta das


09h30min, no interior da residência situada na Rua Nhundiaquara, nº 117, Bairro
Brasmadeira, neste Município e Comarca de Cascavel, Estado do Paraná, o acusado
supostamente praticou vias de fato contra sua companheira Katia Nunes Machado,
empurrando-a com os pés, acertando seu estomago, como também tentou esganá-la e
jogou-a no chão, sendo que no mesmo dia e horário teria ainda prometido causar mal
injusto e grave a mesma.

Foram ouvidas judicialmente as testemunhas arroladas pela


acusação e defesa em fls. 245/247, no entanto, a suposta vítima não fora localizada
para confirmar em Juízo o alegado em sede de Inquérito Policial.

O interrogatório do réu se deu em 29 de maio de 2013, conforme


fls. 22/24, mas somente na Delegacia de Polícia quando da sua prisão em flagrante. O
seu interrogatório em sede de Juízo não se concretizou tendo em vista a sua não
localização.

Em sede de Alegações Finais, o Ministério Público pugnou pela


condenação do réu nas penas do artigo 21, da Lei de Contravenções Penais e artigo
147, caput, do Código Penal Brasileiro, ambos combinados com o artigo 61, inciso II,
alínea f, do Código Penal Brasileiro, observando-se entre as condutas a regra do artigo
69, do mesmo Diploma Legal.
Porém, insta salientar MM. Juiz que, a Digna representante do
Parquet não encontra razões sequer que sejam mínimas para pleitear a condenação do
Acusado, haja vista a total falta de provas nos autos.

II – DO DIREITO.
II.I – DA ABSOLVIÇÃO POR FALTA DE PROVAS. DO IN
DUBIO PRO REO EM RELAÇÃO AOS DELITOS TIPIFICADOS NO ARTIGO 21, DA
LEI DE CONTRAVENÇÕES PENAIS E ARTIGO 147, CAPUT, DO CÓDIGO PENAL.

Meritíssimo Juiz.

Preliminarmente, é de essencial necessidade firmar que o Acusado


deve ser absolvido pelo fato de não existirem provas suficientes para sua condenação,
inclusive, em atenção ao principio da presunção de inocência, que tem status de direito
fundamental (CF, art. 5º, inciso LVII).

Aliás, é o tipo de procedimento que, cabe ao Douto Julgador


apreciar e analisar de forma minuciosa já que, este processo gerou dúvidas ao extremo.

Resta necessário tratar inicialmente acerca do interrogatório do ora


acusado, em fase extrajudicial o mesmo alegou ser inocente dos fatos que a ele são
imputados.

Além do que a palavra da vítima não é absoluta, cedendo espaço,


quando isolada no conjunto probatório, diante dos princípios da presunção de inocência
e do in dubio pro reo. É o caso dos autos.

Tais acusações são totalmente infundadas e carecem de veracidade,


percebe-se de certo modo que a suposta vítima mentiu em sede de Delegacia de Polícia
atribuindo ao acusado fatos que em verdade nunca aconteceram.
Alega a pretensa vítima que foi severamente espancada, inclusive
com chutes, pontapés e socos no seu estomago, o que certamente ultrapassam as vias
de fato como alega e acredita a Ilustre Promotora de Justiça. E no que tange ao crime
de ameaça temos tão somente no caderno processual as alegações descabidas e
isoladas da vítima, o que de certo modo jamais poderá embasar uma Sentença
Condenatória por que não há verossimilhança e totalmente isolada de outra prova.

Todavia, busca-se no relato seguro da vítima elementos de prova


suficientes, o que, conforme já dito, não ocorreu.

Deste modo, e por conta de tais “agressões” as lesões seriam


aparentes no corpo da vítima, no entanto, não temos juntado aos autos nenhum laudo
de lesão corporal que ateste a veracidade de tais agressões, daí denunciar o acusado
por Vias de Fato, data máxima vênia ao entendimento equivocado da nobre Promotora
de Justiça é querer justificar o injustificável.

Verifica-se em fls. 19 dos autos que a autoridade Policial requereu


exame de lesão corporal na vítima, entretanto, tal exame não se concretizou tendo em
vista não existirem sinais que identificassem tais agressões relatadas pela suposta
vítima.
Há que se observar que, nas declarações prestadas pelos Policiais
Militares que atenderam a ocorrência, ambos em Juízo quando questionados acerca de
tais agressões foram uníssonos em afirmar que não viram lesões aparentes na vítima,
declarações estas que não corroboram com o que foi apresentado pela suposta vítima. E
com relação ao suposto crime de ameaça os íntegros Policiais chegaram após os fatos
ocorridos, e, portanto, não presenciaram nenhuma ameaça, o que informaram em Juízo
é fruto do relato da vítima e nada mais.
Deste modo, as declarações da vítima restam isoladas no conjunto
probatório e não trazem verossimilhança na forma dos fatos apresentados na r.
Denúncia.

Como ressaltado, não ficaram vestígios da suposta agressão


relatada pela vítima, às testemunhas da própria acusação nada viram de concreto ou de
ciência própria, de modo que não deve surpreender que realmente tais alegações sejam
no mínimo fantasiosas, pois, não corroboram com os relatos das testemunhas.

Excelência, não se desconhece a dificuldade de comprovação dos


crimes praticados em ambiente doméstico, que geralmente ocorrem sem quaisquer
testemunhas presenciais. Todavia, busca-se no relato seguro da vítima elementos de
prova suficientes, o que, conforme já dito, não ocorreu porque a vítima sequer se fez
presente em Juízo para confirmar o que relatou tão somente na presença da autoridade
policial.

Assim, o contexto probatório revela-se frágil e não se reveste de


segurança necessária para a formação de um juízo de certeza de que o réu tenha, de
fato, praticado o crime descrito na denúncia.

Nesse sentido são os julgados de nossa Jurisprudência, colo


recentes julgados do Egrégio Tribunal de Justiça Mineiro.

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - RECURSO MINISTERIAL - LEI MARIA


DA PENHA - CONDENAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - PROVAS FRÁGEIS E
INSUFICIENTES PARA SUSTENTAR UM ÉDITO CONDENATÓRIO -
PRINCÍPIO IN DUBIO PRO REO - ABSOLVIÇÃO MANTIDA - RECURSO
NÃO PROVIDO. Para que haja condenação, meros indícios da prática de
um delito não são suficientes, razão pela qual a fragilidade das provas
produzidas justifica a absolvição concedida na primeira instância em
observância ao princípio in dubio pro reo. (TJMG - Apelação Criminal
1.0024.13.121479-3/001, Relator (a): Des.(a) Kárin Emmerich, 1ª
CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 12/08/2014, publicação da sumula
em 22/08/2014).
EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - RECURSO MINISTERIAL - VIAS DE
FATO E AMEAÇA - LEI MARIA DA PENHA - CONDENAÇÃO -
IMPOSSIBILIDADE - PROVAS FRÁGEIS E INSUFICIENTES PARA
SUSTENTAR UM ÉDITO CONDENATÓRIO - RECURSO DESPROVIDO. Para
que haja uma condenação, meros indícios da prática de um delito não
são suficientes. E tendo em vista a fragilidade das provas produzidas na
fase do contraditório, mister seja mantida a absolvição do acusado, em
observância ao princípio do in dubio pro reo. (TJMG - Apelação Criminal
1.0525.12.004009-8/001, Relator (a): Des.(a) Amauri Pinto Ferreira (JD
CONVOCADO), 4ª CÂMARA CRIMINAL, julgamento em 09/04/2014,
publicação da sumula em 15/04/2014.

Como bem dispõe o artigo 155 do Código de Processo Penal


Brasileiro, o juiz não poderá fundamentar a sua decisão exclusivamente nos elementos
informativos contidos no inquérito policial, ou seja, mesmo que haja uma simples
‘confissão’ em interrogatório extrajudicial, a mesma não poderá servir como base para a
culpabilidade do agente, sendo que a absolvição é medida que se impõe. Nestes
termos:

APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO PELO CONCURSO DE


AGENTES - INEXISTÊNCIA DE PROVA JUDICIALIZADA - INTELIGÊNCIA
DO ART. 155 DO CPP - ABSOLVIÇÃO QUE SE IMPÕE. 01. Nos termos do
art. 155 do Código de Processo Penal, a decisão condenatória não deve
basear-se - exclusivamente - em prova obtida durante o inquérito
policial. 02. Inexistindo, nos autos, provas produzidas em juízo
suficientes a embasar um decreto condenatório, a absolvição é medida
que se impõe, tendo em vista o princípio do in dúbio pro reo. (TJ-MG,
Relator: Fortuna Grion, Data de Julgamento: 25/03/2014, Câmaras
Criminais / 3ª CÂMARA CRIMINAL).

No mesmo sentido:

APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO DE DROGAS. DESCLASSIFICAÇÃO PARA


O USO. NECESSIDADE. INEXISTÊNCIA DE PROVA JUDICIALIZADA.
ELEMENTOS DE INFORMAÇÃO QUE NÃO SERVEM DE SUSTENTÁCULO
PARA CONDENAÇÃO. OFENSA À GARANTIA DO DEVIDO PROCESSO
LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. INTELIGÊNCIA DO ART. 155 DO CPP.
SENTENÇA REFORMADA. RECURSO PROVIDO. - Incabível a prolação de
um édito condenatório com fundamento apenas em indícios colhidos na
fase inquisitorial, por ofensa à garantia do devido processo legal e do
contraditório, conforme vedação expressamente prevista no artigo 155
do CPP. - Não se colhendo da prova judicializada a certeza necessária
para um édito condenatório quanto ao tráfico de drogas, outra solução
não há senão a desclassificação pretendida, uma vez que o apelante
alega, em ambas as fases, ser mero usuário de drogas. (TJ-MG - APR:
10223130147752001 MG , Relator: Nelson Missias de Morais, Data de
Julgamento: 05/06/2014, Câmaras Criminais / 2ª CÂMARA CRIMINAL,
Data de Publicação: 18/06/2014).

No mesmo diapasão.

APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO


EMPREGO DE ARMA - ELEMENTOS INFORMATIVOS NÃO
CORROBORADOS PELA PROVA COLIGIDA NA FASE ACUSATÓRIA -
AUSÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS A FUNDAMENTAR O DECRETO
CONDENATÓRIO - APLICAÇÃO DO ART. 155, CAPUT, DO CÓDIGO DE
PROCESSO PENAL, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.690/08 -
FUNDADA DÚVIDA - PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO REO -
ABSOLVIÇÃO QUE SE IMPÕE - RECURSO PROVIDO. 1. Segundo
firme entendimento jurisprudencial, agora consagrado pelo art. 155,
caput, do Código de Processo Penal, com a redação que lhe deu a
Lei nº 11.690/08, não se pode fundamentar a condenação
exclusivamente nos elementos informativos colhidos na
investigação policial, devendo ser aplicado o princípio do in dubio
pro reo. 2. "A condenação criminal somente pode surgir diante de
uma certeza quanto à existência do fato punível, da autoria e da
culpabilidade do acusado. Uma prova deficiente, incompleta ou
contraditória gera a dúvida e com ela a obrigatoriedade da
absolvição, pois milita em favor do acionado criminalmente uma
presunção relativa de inocência" (Adalberto José Q. T. de Camargo
Aranha). (Apelação Criminal nº 2011.006611-2, 3ª Câmara Criminal do
TJSC, Rel. Moacyr de Moraes Lima Filho. Publ. 17.05.2011).

Acontece que, no processo criminal, as provas colhidas devem ser


robustas, positivas e fundadas em dados concretos que identifiquem tanto a autoria
quanto a materialidade para que se possa ter a convicção de estar correta a solução
condenatória, pois o reconhecimento da culpa do acusado deve estar acompanhado de
certeza.
É a lição de Adalberto José Camargo Aranha:

“A condenação criminal somente pode surgir diante de uma


certeza quanto à existência do fato punível, da autoria e da
culpabilidade do acusado. Uma prova deficiente, incompleta
ou contraditória, gera dúvida e com ela a obrigatoriedade
da absolvição, pois milita em favor do acionado
criminalmente uma presunção relativa de inocência” (Da
prova no processo penal, 3ª Ed. atual. e ampl, p. 64/65,
Saraiva, 1991).

Provar é, no dizer de Julio Fabrini Mirabete, “produzir um estado


de certeza na consciência e mente do juiz, para sua convicção, a respeito da
existência ou inexistência de um fato, ou a verdade ou a falsidade de uma
afirmação sobre uma situação de fato, que se considera de interesse para
uma decisão judicial ou solução de um processo” (Processo Penal, p. 247, Atlas,
1991).

Não obstante há que se ressaltar que o próprio Juiz da causa ao


indeferir a medida protetiva requerida pela suposta vítima entendeu que:

“ao que parece, a vítima pretende se valer da Lei


11.340/2006 em manifesta tergiversação da realidade,
apenas para satisfazer seu interesse pessoal, banalizando
assim, o principal escopo da Lei” (Fls. 65).

Sendo assim, fica evidenciado que a suposta vítima se vale da Lei


de uma forma um tanto quanto equivocada e de má-fé contra seu ex-companheiro, vez
que anteriormente já pedira tal medida, e logo após solicitou seu cancelamento, isso se
dando por diversas vezes a ponto de que levasse o digníssimo Magistrado em seu
indiscutível saber jurídico a negar-lhe a concessão de tal medida novamente.

Bem ainda, sabe-se o que o crime de ameaça imputado ao acusado


depende de representação da vítima para proceder ao processo. Ora, se era do
interesse da vítima, a mesma, no mínimo, acompanharia o processo junto ao Ministério
Público para dar o mínimo de credibilidade aos fatos por ela alegados. No entanto,
sequer foi localizada para comparecer em Juízo e confirmar sua versão dos fatos.

Também, baseando-se no depoimento extrajudicial do acusado, o


mesmo afirmou que a ex-companheira o agrediu com ‘unhadas’ e ele apenas teria se
defendido, o que evidentemente restou comprovado por fotos constantes nas fls.
148/150, as agressões das quais o réu se referiu, sabendo-se assim que merece
credibilidade o relato do mesmo, haja vista existir prova da agressão da suposta vítima.

Ora o Ministério Público afirma (fl. 257) que a ofendida realmente


acreditou nas ameaças proferidas pelo acusado, de modo que requereu a concessão de
medidas protetivas em seu favor, a fim de salvaguardar sua integridade física.
Questionável aqui as atitudes da vítima, se o réu lhe apresentava perigo, porque a
mesma teria pedido a revogação das medidas protetivas anteriores ao ocorrido?

Por fim, o Ministério Público dispõe, em fls. 259 que “assim,


provada a autoria e materialidade do delito de estupro de vulnerável, e, à
míngua de justificantes e/ou dirimentes, outro caminho não há senão o édito
condenatório’”. Certamente equivocou-se o Parquet, tendo em vista que não há que
se falar em estupro de vulnerável, uma vez que se trata de crime absolutamente alheio
ao imputado ao acusado.
No caso dos autos, como já dito alhures, o que se tem contra o
Acusado são indícios duvidosos, que, como é cediço, não autorizam a condenação.

Nesse sentido, ensina Guilherme de Souza Nucci:

“É outra consagração do princípio da prevalência do


interesse do réu - in dubio pro reo. Se o juiz não possui
provas sólidas para a formação do seu convencimento, sem
poder indicá-las na fundamentação da sua sentença, o
melhor caminho é a absolvição. [...] (NUCCI, Guilherme de
Souza. Código de processo penal comentado, 8ª Ed. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2008. p. 689)”.

Por isso, faz-se necessária a absolvição do Acusado, diante ao que


determina o artigo 386, em seu inciso VII do Código de Processo Penal, pois não
existem provas suficientes para a sua condenação em relação aos fatos delituosos, e
por este motivo a denúncia não deve prosperar em relação ao Acusado, venerando o
aforismo do in dúbio pro reo.

III – Em caso de Condenação

Todavia, caso Vossa Excelência não entenda pela absolvição do réu,


o que aqui se admite tão somente para fins de argumentação, que seja aplicado ao caso
concreto à pena mínima prevista para o tipo penal.

IV - Da Pena em caso de Condenação

Em caso de condenação, requer-se a pena seja substituída


conforme disposto no artigo 44, §3º, do Código Penal, sendo que a reincidência do
acusado não se opera em virtude da prática do mesmo crime e, já que, implementadas
as condições exigidas pelo inciso I, que é o caso, tendo em vista que não há qualquer
tipo de prova existente nos autos senão o mero depoimento da vítima e do acusado em
fase extrajudicial e dos policiais que atenderam a ocorrência e não presenciaram
nenhum dos delitos imputados ao acusado, ou sequer, qualquer evidência, tem-se
direito subjetivo público do réu a este “benefício”.

Entretanto, caso assim não entenda este juízo, o que aqui se admite
somente para fins de argumentação, que no mínimo, fixe a pena privativa de liberdade
no mínimo legal, aplicando-se, portanto, regime aberto.

IV – Dos Pedidos

Diante de tudo quanto exposto, a Defesa requer digne-se Vossa


Excelência em acolher as Alegações Finais por Memoriais, declarando a total
improcedência da Exordial Acusatória com a ABSOLVIÇÃO DO ACUSADO MAICOL
DE SOUZA, por força do artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal, dos delitos
que lhe foram injustamente imputados, como medida de JUSTIÇA!!!!!

Caso não seja este o entendimento deste r. Juízo, a Defesa requer:

a) Em caso de condenação, seja substituída a pena privativa de


liberdade conforme disposto no artigo 44, § 3º, do Código Penal, ante estarem
implementadas as condições exigidas no inciso I do referido artigo;

b) Em caso de o juiz fixar pena privativa de liberdade, que seja em


regime aberto;

c) O Direito de o Acusado recorrer em liberdade;


d) Que sejam concedidos os benefícios da Assistência Judiciária
Gratuita, vez que o Acusado, é pessoa pobre na acepção jurídica da palavra, por força
do que manda a Lei 1.060/50.

Termos em que,
Pede Deferimento.

Cascavel, 10 de Fevereiro de 2015.

_________________________
Edson José Perlin
OAB/PR 58.611

Larissa Morch Kernitskei


Acadêmica de Direito