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O FATOR PSICOLÓGICO NA ASMA BRÔNQUICA

IRACY DOYLE*

INTRODUÇÃO. REVISÃO DA LITERATURA

A s m a é síndromo mais que doença, quer dizer, é conjunto d e sin-


t o m a s q u e respeita etiologias múltiplas. A s s i m , t e m o s a a s m a renal,
a a s m a cardíaca, a asma tímica, e outros estados dispneicos,aos quais
s e a p l i c a o têrmo v a g a m e n t e . C o n h e c i d a d e s d e a m a i s r e m o t a a n t i -
güidade ( d o grego, " e u s u f o c o " ) , a asma teve o seu conceito modifi-
cado à m e d i d a q u e evoluiu o p e n s a m e n t o médico. N o século X V I I I ,
1
sob influência d o s ingleses ( W i l l i s , B r é e , F l o y e r ) , a p a l a v r a a s m a
passou a designar o acesso de dispnéia a c o m p a n h a d a de respiração e n -
t r e c o r t a d a , i s t o é, a a n t i g a a s m a c o n v u l s i v a . Laennec descreveu o en-
fisema pulmonar e a perturbação secretória d a mucosa brônquica que
integram o síndromo asmático, e atribuiu a a s m a a u m espasmo nervoso
da musculatura brônquica. N o século X X , ao passo q u e W i n t r i c h
procura explicar a asma brônquica p o r u m espasmo d o diafragma, von
Leyden traz novos dados para confirmar a hipótese de q u e os transtor-
nos secretores da mucosa brônquica constituem o elemento primordial.
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Recentes estudos americanos ( C o o k e , Coca, W a l z e r e T h o m e n )
visam aplicar a esta enfermidade o conceito d e alergia d e v o n P i r q u e t ;
dentro dessa orientação, S t o r m v a n L e e w e n a p o n t a c o m o causa os alerge

A i n d a q u e a t e n d ê n c i a d o m i n a n t e fôsse a d e c o n s i d e r a r a a s m a
como organicamente determinada, não poucos autores, embora d e modo
empírico, suspeitavam d a origem psicogenética, pelo menos e m alguns
casos. Hipócrates afirmava que o ataque de asma podia ser precipitado por emoções súbitas e violentas. Afirmação análoga
mos em trabalhos de Willis, van Helmont, Floyer, Hoffmann, Cor-
vi ssart, Trousseau,entregue
Trabalho Laennec, Ramadge, e, mais recentemente,
para publicação Bruegelmann,
em 18 maio 1946. Shultz, Hansen, Heyer, Mohr e Moss.
* Docente de Psiquiatria na Fac. Med. Univ. Brasil (Rio de Janeiro).
Diretora do Sanatório Tijuca.
==1. Helmont, J. B. van — Ortus Medicinae. Amsterdam, 1648.
Floyer, J. — A Treatise of Asthma. Innys and Parker, London, 1745.
Ramadge, F. H. —. Asthma, its Varieties and complications. Long-
man, Brown, Green and Longman, London, 1847.
==2. Cooke, L. A. — in Tice, F. Practice of Medicine, Seção 3, Diseases
of the Respiratory System. W. F. Prior Co., Hagerstown, 1921.
==3. Coca, A. F., Walzer, M., e Thomen, A. A. — Asthma and hay fever
in theory and practice. Charles C. Thomas, Springfield, 1931.
O conceito de alergia e sua aplicação a o s casos de asma desviou,
por muito tempo, a atenção dos estudiosos da consideração dos fatores
emocionais, d e tal m o d o que, m e s m o n o s trabalhos recentes h á t e n d ê n -
cia a r e l e g a r p a r a s e g u n d o p l a n o a p s i c o g ê n e s e d a a s m a e a c o l o c a r
t o d a a ê n f a s e n o m e c a n i s m o a l é r g i c o . É t ã o fácil a p e l a r p a r a a e x i s -
tência de u m alergeno, objetivamente verificado ou apenas suspeitado,
que muitos autores não sentem a necessidade de levar a pesquisa até
o estudo d a vida psicológica dos enfermos. N o entanto, nos casos
em que as crises asmáticas desaparecem o u diminuem em conseqüência
da m u d a n ç a de u m l u g a r p a r a outro, o raciocínio m é d i c o t a n t o p o d e
apelar p a r a o afastamento de certos alergenos c o m o p a r a o isolamento
de fatores ambientais de o r d e m emocional. Casos c o m o esses n ã o são
4
raros. U m doente de M o s s , p o r exemplo, não podia suportar o
" c l i m a " da Silésia e pasava b e m e m O f f e n b a c h ; entretanto, teve u m
ataque asmático violento ao receber u m a carta que o chamava para a
Silésia.
Curiosos são t a m b é m o s pacientes q u e têm o seu acesso a s m á t i c o
5
a u m a h o r a c e r t a d o dia. B r u e g e l m a n n c i t a u m p a c i e n t e s e u , q u e
c o m e ç a v a a f i c a r d i s p n e i c o à s c i n c o h o r a s d a t a r d e : c e r t o dia, n o c u r s o
de u m a conversação a n i m a d a , o e n f e r m o p e r m a n e c e u b e m até à s sete
horas da noite, q u a n d o alguém c h a m o u sua atenção p a r a o f a t o ; ime-
diatamente começou a chiar e a mostrar-se dispneico. D o mesmo
m o d o , o raciocínio p a t o g ê n i c o i n c l i n a - s e n o s e n t i d o p s i c o l ó g i c o , n a q u e l a s
situações e m q u e os pacientes, sensíveis a d e t e r m i n a d o alergeno, apresenta
6
mentos que lembrem o primeiro fator. MacKenzie refere-se a u m
doente que e r a sensível a rosas e teve u m ataque asmático a o ver u m
papel cor de rosa. D e k k e r refere u m paciente cuja a s m a sobrevinha
nos dias de t e m p e s t a d e ; certa vez, começou a r e s p i r a r dificilmente,
q u a n d o sua mulher começou u m a pintura, reprodução de u m a t e m p e s -
t a d e . P a r a a e x p l i c a ç ã o d e f a t o s c o m o estes, a l g u n s a u t o r e s a p e l a m
p a r a a teoria dos reflexos condicionados.

==4. Moss, E. — Kausale Psychotherapie beim Asthma bronchiale. Münch.


Med. Wschr., 70: 805, 1923.
==5. Bruegelmann, R. — Das Asthma. Sein Wesen und seine Behandlung,
auf Grund zweiunddreissigjähriger Erfahrung und Forschung dargestellt.
Bergmann, 5. Auflage, Wiesbaden, 1910.
==6. MacKenzie, J. N. — The production of "rose asthma" by an artifi-
cial rose. Am. J. Med. Sc., 1: 45, 1886.
N o capítulo d a psicogênese d a asma, encontramos muitas refe-
rencias a o elemento sugestão, c o m o capaz de inibir, ou, pelo contrário,
7
desencadear u m a crise de asma. D e k k e r e m p r e g a n d o a sugestão hi-
8
pnótica, conseguiu abortar u m a t a q u e asmático incipiente. Hansen ,
e m três casos d e alergia eqüina c o m testes c u t â n e o s positivos, obteve
g r a n d e melhora dos sintomas agudos, submetendo o paciente a trata-
9
m e n t o hipnótico; n ã o houve modificação das reações cutâneas. Laudenhelmer
1 0
d e peles q u e n ã o p o d i a v i s i t a r o s e u a r m a z é m . Clarkson conseguiu
inibir os s i n t o m a s asmáticos d e u m a criança de cinco a n o s p o r m e i o
da sugestão não-hipnótica. N o que respeita ao fator sugestão na asma,
1 1
Wittkower resume as conclusões dos autores nos seguintes i t e n s :
1 — provas cutâneas positivas n ã o podem ser produzidas por sugestão,
e m b o r a seja possível obter, p o r sugestão hipnótica, crises asmáticas
relacionadas a determinado elemento; 2 — u m a alergia cutânea, ob-
j e t i v a m e n t e d e m o n s t r a d a pelos testes, n ã o p o d e ser eliminada por su-
g e s t ã o ; entretanto, é possível obter o desaparecimento das crises a s -
máticas, m e s m o na presença dos testes positivos, pelo e m p r e g o d a su-
gestão hipnótica. Esse a u t o r refere-se a u m a v e n d e d o r a de cigarros,
q u e se v i a f o r ç a d a a a b a n d o n a r a p r o f i s s ã o , p o r a p r e s e n t a r a s m a s e m p r e
que entrava em contato com o tabaco, mesmo quando n ã o soubesse da
p r e s e n ç a dêsse e l e m e n t o ; o s t e s t e s c u t â n e o s r e v e l a r a m f o r t e a l e r g i a a o
tabaco. A p ó s t r a t a m e n t o psicológico ( s u g e s t ã o h i p n ó t i c a ) , a paciente
viu-se libertada dos seus ataques de asma, e m b o r a a reação d a pele
persistisse inalterada. Estas considerações levam a admitir que, m e s m o
nos casos em que u m estado alérgico parece evidente, devemos pensar
n a e x i s t ê n c i a d e u m e l e m e n t o p s i c o l ó g i c o , i m p r e s c i n d í v e l p a r a q u e os
a t a q u e s a s m á t i c o s se d e s e n c a d e i e m , s e j a p o r s u a a ç ã o i s o l a d a e a u t ô -
n o m a (hipótese em q u e a alergia seria apenas coincidência), seja tor-
n a n d o o indivíduo mais sensível à ação de d e t e r m i n a d o alérgeno.

Resultados terapêuticos favoráveis foram obtidos com outros m é -


12 4 13 14 15 16 10
todos psicoterapêuticos, que não a sugestão. Assim, Mohr , Moos , Loewenstein , Hansen , Naber , El Kholy e Clarkson
garam técnicas que se aproximaram à da psicanálise, procurando relacionar
os ==7. ataques
Dekker, a H.conflitos
—. Gibt emocionais
es ein "Asthma inconscientes. Em
nervosum"? 1929,
Münch.Pollmow,
Med.
Wschr., e81: 323,
Petow 1934. apresentaram um estudo crítico de 45 casos de
Wittkower 17

asma ==8.brônquica
Hansen, K.tratados
— Analyse, Indikation und
psicologicamente por Grenze
18 der Psychotherapie
autores diferentes;
a
beimconclusão
Bronchialasthma.
principal
Dtsch. Med.queWschr.,
estabelece "não
55:existem
1462, 1927.
dúvidas de que a
==9. Laudenheimer, R. — Hypnotische Übungstherapie des Bronchial-
psicoterapia foi favorável em
asthmas. Therap. d. Gegenw., 67: 339, 1926. muitos casos, quando os tratamentos clí-
nicos ==10.haviam
Clarkson,falhado".
A. K. Os—. The especialistas
nervous do factorGuy's Hospital asthma.
in juvenile de Londres
Brit.
Med. J., 2:25
trataram 845, 1937.
crianças asmáticas, procurando modificar-lhes as atitudes
e ao==11. Wittkower,
mesmo tempo E. — Studies
influir sobre os on the
pais,influence
no sentidoof emotions
de obteron uma the func-
situa-
tions of organs including observations in normals and neurotics. J. Ment. Sc.,
ção psicológica
81:533, 1935. de menos dependência recíproca. Dos 25 pacientes, 10
ficaram==12.curados;
Mohr, F. 4— Psychophysische
melhoraram muito; 4 obtiveram
Behandlungsmethoden. poucas
Hirzel,melhoras;
Leip-
5zig, 1925. qualquer influência (Apud Alexander e French ).
não sofreram 18
O modo de pensar de Hipócrates é corroborado por alguns autores
1 4
modernos. H a n s e n , estudando casos nos quais os ataques asmáticos
ocorrem a p ó s emoções súbitas o u intensas, estabelece q u e " a s crises a s -
máticas isoladas p o d e m ser precipitadas, antecipadas, o u inibidas p o r
fatores psicológicos". E m certos casos d a literatura, u m a observação
m e s m o superficial faz suspeitar d a existência de fatores emocionais,
4
bastante importantes do p o n t o de vista patogênico. M o s s refere a
história de u m enfermo q u e apresentava fenômenos asmáticos quando
e x p o s t o à poeira d o m o i n h o e m q u e trabalhava o seu colérico pai. S e
se tratasse d e alergia, c o m o explicar q u e esse indivíduo n ã o reagisse
do mesmo modo às poeiras produzidas por outros moinhos que traba-
lhavam com as mesmas substâncias?
T a i s relatos levaram os autores contemporâneos a verificar a fre-
qüência e importância dos fatores emocionais n a gênese da asma b r ô n -
1 9
quica, e a t e n t a r explicar seu m e c a n i s m o de ação. H a l l i d a y pelo exame
sucessivo de 3 0 casos n ã o selecionados de pessoas incapacitadas p o r
asma, concluiu pela existência, em muitas delas, de estado psoconeurótico grave, no período precedente à primeira cris
tecimento de alto colorido emocional. Em outros, a asma foi precedida
por períodos de sensações subjetivas de sufocação ou de dificuldades
respiratórias variadas. Dentro dessa mesma orientação,
==13. Loewenstein, J. — Asthma und Psychotherapie. Med. Klinik., 22: MacKermott
20
e994, Cobb
1926. pesquisaram 50 casos do síndromo em apreço, e evidenciaram,
em ==14. 37 Hansen,
deles, K.um— Zur Frage der
componente Psycho- indiscutível
emocional em relação
oder Organogenese bei aller-
com
gischen
os ataques de Bronchialasthma
asma. und der verwandten Krankheiten. 2. Über psychis-
che Bedingungen des Bronchialasthmas. Nervenarzt, 3:513, 1930.
==15. Naber, J. — Asthma bronchiale: allergische Behandlung und Psycho-
therapie. Ther. d. Gegenv., 70: 437, 1929.
==16. Kholy, M. K. el — The mental factor in bronchial asthma. Report
of two cases. Lancet, 2:767, 1929.
==17. Pollmow, H., Petow, H. e Wittkower, E. — Beitrage zur Klinik des
Asthma bronchiale und verwandter Zustände. IV. Zur Psychotherapie des
Asthma bronchiale. A. Klin. Med., 110: 701, 1929.
==18. French, T. M. e Alexander, F. — Fatores psicogenicos en el asma
bronquial. El Ateneo, Buenos Aires, 1943.
==19. Hallyday, J. L. — Approach to Asthma. Brit. Med. J., 17: 1, 1937.
Parece, pois, existirem provas concludentes de que os fatores e m o -
cionais p o d e m desempenhar importante papel na patogenia da asma.
N ã o obstante, muitos indivíduos atravessam situações traumáticas sem
apresentarem sintomas asmatiformes. E s s a verificação leva a p e n s a r
na existência de u m a predisposição individual, constitucional ou adqui-
r i d a ; essa predisposição tanto pode ser de natureza orgânica c o m o psi-
cológica.
O s autores que falam e m predisposição orgânica apelam p a r a o
e l e m e n t o a l é r g i c o e se r e f e r e m à c o n s t i t u i ç ã o a l é r g i c a q u e , a l i á s , n ã o
está demonstrada em todos os casos; Lewitz, L a e m m e r e r e S t o r m van
L e e w e n r e a l i z a r a m t e s t e s c u t â n e o s o s m a i s v a r i a d o s p o s s í v e i s e m 300
p a c i e n t e s a s m á t i c o s e c o n c l u í r a m q u e a p e n a s " e m c e r t o n ú m e r o dêles"
foi p o s s í v e l d e m o n s t r a r a e x i s t ê n c i a d e a l e r g i a . O u t r o s a c h a m q u e a
predisposição .à asma esteja em relação c o m certas enfermidades orgâ-
nicas d a s vias respiratórias, principalmente com a bronquite crônica.
N o p o n t o de vista psicológico, a predisposição seria e x p l i c a d a p o r
u m estado d e desequilíbrio emocional, seja constitucional, seja, o q u e
parece mais certo, adquirido, e m conseqüência de conflitos mais ou
m e n o s precoces, vividos pelo indivíduo.

MECANISMO PSICOGÊNICO DA A S M A BRÔNQUICA

O s estudos psicanalíticos p e r m i t e m compreender, com relativa clareza,


o m o d o de ação dos conflitos emocionais, nos diferentes casos de a s m a .
D a s suas observações, F r e u d havia concluído existirem relações e s -
2 1
treitas entre asma brônquica e histeria de ansiedade. S a d g e r expli-
c o u o s a t a q u e s a s m á t i c o s , e m u m c a s o p o r êle e s t u d a d o , c o m o u m a o p o r -
tunidade de libertação de impulsos sexuais que n ã o p u d e r a m encontrar
o u t r a via de descarga, seja p o r q u e submetidos à repressão inconsciente,
seja pela ocorrência de circunstâncias exteriores, como a separação do
o b j e t o a m a d o . Êste a u t o r a d m i t e a h i p ó t e s e d e u m a c e n t u a d o e r o t i s m o
22
respiratório nos pacientes asmáticos. Van Stegmann confirma a concepção de Freud de que a asma brônquica é uma neuro
mente relacionada à histeria ansiosa. Na sua paciente, as crises asmá-
ticas estavam sempre ligadas a ideias de colorido sexual; eram de par-
ticular importância os acontecimentos que recordavam uma experiência
23
de sedução ocorrida na mais remota infância. Federn referiu-se a
um caso de asma que se caraterizava pela predominância do elemento
of
Fãlle
Psychoanal.,
bronchial
olfativo
mático ==22.
repetiu-se
eróticos ==20.
==21.
persistência,
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paciente
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Wulff Sadger,
Stegmann,
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Asthma.
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atenção
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afastamento
ocertos einiger
quadro Zbltt.
mãe,
paracases
compará-
desejos
infeliz
que
as-
daae
2 5
W e i s s , pela análise de u m portador de asma, chegou à conclusão
d e q u e os a c e s s o s p o d e m o c o r r e r c o m o r e a ç ã o à s e p a r a ç ã o d a m ã e ; t o d a
a tentativa de afastamento materno representaria u m a recapitulação da
e x p e r i ê n c i a d o n a s c i m e n t o . O p a c i e n t e d e W e i s s n a s c e r a d e p a r t o la-
borioso, e m estado asfíxico. O estudo da personalidade da genitora r e -
velou intolerância por qualquer manifestação de interesse sexual por
parte do paciente e intensa curiosidade pela vida íntima do mesmo. O
primeiro ataque asmático ocorrido d u r a n t e o tratamento sucedeu à der-
r u b a d a d e u m a á r v o r e ; W e i s s a d m i t e q u e êsse a c o n t e c i m e n t o t i v e s s e d e s -
p e r t a d o os c o n f l i t o s a s s o c i a d o s a o m e d o d a c a s t r a ç ã o , c o n s e q ü ê n c i a à
atitude a m e a ç a d o r a e proibitiva da m ã e . A segunda crise coincidiu com
u m a discussão do paciente c o m a genitora. N a infância, as crises a s m á -
t i c a s h a v i a m o c o r r i d o s e m p r e q u e a m ã e se a u s e n t a v a , c o i n c i d i n d o a s
melhoras, c o m a sua volta. A atitude do paciente e m relação à m ã e
d e m o n s t r a v a i n t e n s a l i g a ç ã o d e d e p e n d ê n c i a ; t o d a a s u a v i d a êle a r e a -
l i z a v a c o m o se e s t i v e s s e " p r o c u r a n d o p r o t e ç ã o , a l i m e n t o e a m p a r o " , e
" c o m o se d e s e j a s s e i n t i m a m e n t e o r e g a ç o m a t e r n o , o n d e n a d a t i n h a
a r e c e a r " . A transferência obedeceu ao m e s m o feitio q u e caraterizava
a s r e l a ç õ e s d o e n f e r m o c o m s u a m ã e . N o d e c o r r e r d o t r a t a m e n t o , êle
s e fêz c o n s c i e n t e d o s s e u s i m p u l s o s h é t e r o - s e x u a i s , q u e h a v i a m e s t a d o
c o m p l e t a m e n t e m a s c a r a d o s sob u m e s t a d o d e intenso ressentimento pela
pessoa de sua mãe.

==23.Federn, P. — Beispiel von Libidoverschiebung während der Kur.


Zschrft. f. Psychiat., 1:303, 1913.
==24. Wulff, M. — Zur Psychogenität des Asthma bronchiale. Zbltt. Psych

==25. Weiss, E. — Psychoanalyse eines Falles von nervösem Asthma. Int.


Z. (ärztl.) Psychoanal., 8: 440, 1922.
2 6
Oberndorf sugere q u e o a t a q u e asmático representa, simbólica-
m e n t e , o grito d o m e n i n o pela volta d a mãe. A d m i t e esse a u t o r que a
a s m a pode e x p r i m i r a existencia de u m conflito e n t r e o desejo conscien-
te de submissão à m ã e e o desejo inconsciente de dominá-la. N a pacien-
t e p o r êle e s t u d a d a , e s s e c o n f l i t o h a v i a - s e t r a n s f e r i d o p a r a a p e s s o a d o
marido havendo u m a atitude consciente de reverência e u m desejo incons-
ciente de reverência e u m desejo inconsciente de d o m í n i o .
2 7
Flanders Durbar resume, assim, as caraterísticas c o m u n s a três
casos de a s m a e febre de feno, p o r ela a n a l i z a d o s : " 1 . t r a n s t o r n o s da
sexualidade, t r a d u z i d o s p o r inversão da atitude feminina n a s m u l h e r e s
e i d e n t i f i c a ç ã o f e m i n i n a n o s h o m e n s ; 2. a c e n t u a d o p r e d o m í n i o d e m a t e -
riais sádico-anais e orais, m a s c a r a n d o a sexualização da função r e s p i -
r a t ó r i a e o m a r c a d o e r o t i s m o o l f a t i v o ; 3 . a i n d a q u e o b s e s s i v o s , os p a -
cientes asmáticos parecem desenvolver poucos rituais protetores ou fobias,
exceto n o período de libertação dos seus sintomas r e s p i r a t ó r i o s ; 4. a o
lado d e intensa hostilidade e agressão, h á tendência a libertar-se desses
elementos. Parece haver pouca intermitência ou elaboração entre a fan-
tasia e a realização v e r d a d e i r a do imaginado. N o s sonhos,especialmente
nos que t e r m i n a m por ataques de asma, existem impulsos agressivos
m u i t o claros, sendo escassa a elaboração simbólica e reduzida a evidência
d a c e n s u r a ; 5. f r á g i l o r g a n i z a ç ã o d o e u , c o m u m s u p e r - e g o i n a d e q u a d a -
m e n t e a s s i m i l a d o , q u e u l t e r i o r m e n t e se p r o j e t a e e x t e r i o r i z a d u r a n t e a
a n á l i s e , c r i a n d o p r o b l e m a d e difícil s o l u ç ã o . "
D o estudo de 2 7 casos t r a t a d o s no I n s t i t u t o Psicanalítico de Chica-
g o , French, A l e x a n d e r e colaboradores concluíram pela especificidade
d o conflito emocional desencadeador d a a s m a brônquica. P a r a eles, o
a s m á t i c o , p r i n c i p a l m e n t e d u r a n t e o s p e r í o d o s q u e p r e c e d e m os a t a q u e s ,
está intensamente sujeito a u m conflito h u m a n o universal, entre a ten-
dência ao estado de dependência m a t e r n a e outras atitudes emocionais
(especialmente assuntos sexuais e desejos genitais), que a m e a ç a m e são
incompatíveis c o m tal atitude de dependência. A crise de a s m a represen-
t a simbolicamente u m grito inibido, por meio do qual o paciente houvesse
querido chamar a sua m ã e ; ameaçado por u m impulso que poderia se-
pará-lo da m ã e o indivíduo retrocede a n t e o perigo e é impelido a proferir
;

u m pedido inarticulado de socorro. Entretanto, por motivo de ordem


p s i c o l ó g i c a , o p a c i e n t e s u p r i m e a q u e l e i m p u l s o , q u e se t r a d u z n o s s i n t o m a s
asmáticos. Por meio do ataque, muitos enfermos conseguem realizar, de modo mais ou menos claro, o seu intento de obter a
que o sofrimento os libera das responsabilidades e os torna objeto de
dependência
==26. Oberndorf,materna. C.Os P. — fatores emocionaisfactors
Psychogenic que in condicionam
asthma. N. a Y. inibição St. J.
do
Med.,pedido 35: 41, de 1935.amparo variam de caso para caso. Em alguns pacientes,
os pais ==27.Dunbar, H. F. — a Emotions
haviam proibido criança and de bodily
chorar changes.
sob diversas A survey
ameaças.of lite-
Em
rature of
outros, havia psychosomatic
esforço quaseinterrelationships.
consciente para Pag. se opor 1910-1933,
à atitudeColumbia Uni-
de depen-
versity Press, N. Y., 1938.
dência, que era
Dunbar, H.criticada pelos
F. — Psychoanalytic próprios
notesenfermos.
relatingDos 27
to syndromes pacientes
of
analisados,
asthma and oito
hay interromperam
fever. Psychoanal. o tratamento
Quart., 7: 25,precocemente.
1938. Dos 19 res-
tantes, não
ainda
assistência nove
na data haviam
ficaram
em que foram sido
livres
publicados
beneficiados
de estes
sintomas,
dados.
pelo oito tratamento
melhoraram
e continuavam
muito e dois
sob
EXPERIÊNCIA PESSOAL

E m b o r a não tivéssemos experiência quanto ao tratamento psicoló-


gico da a s m a brônquica, conhecíamos d a literatura os fatos a c i m a r e f e -
ridos. H a v í a m o s t r a t a d o a m ã e d a nossa paciente, p o r t a d o r a de n e u r o s e
grave. J á n o fim d o t r a t a m e n t o , dispondo de a l g u m a compreensão e m
relação aos fatos d á vida psíquica, a m ã e de S. M . (objeto do presente
t r a b a l h o ) começou a suspeitar que a a s m a d e sua filha fosse d e n a t u r e z a
emocional. E m vista do fracasso dos diversos processos terapêuticos
usados até o momento, concordamos, após entendimentos com o pediatra
assistente ,em realizar a experiência terapêutica q u e a b a i x o t r a n s c r e -
vemos :

O B S E R V A Ç Ã O C L Í N I C A — S. M., com 13 anos de idade, branca, brasileira, nas-


cida no Distrito Federal, estudante. Principais sintomas: asma, irritabilidade,
ciúmes, inadaptação à vida, deficiente rendimento escolar.
Dados familiais — O pai teve reação de Wassermann fortemente positiva no
sangue, negativando após tratamento incompleto, antes do casamento. Em 1940,
novamente, a reação de Wassermann revelou-se positiva. Em 1943, após novo tra-
tamento, às sôro-reações para sífilis foram negativas. É um indivíduo deprimido,
que se queixa de freqüentes esquecimentos e sensação subjetiva de dormência. A
mãe é nervosa, freqüentadora habitual de consultórios médicos. 'Na sua história
médica figuram: estrabismo na infância, urticária gigante, alguns abortos, retrover
Os pais conheceram-se na adolescência e, após seis meses de noivado, se casaram,
ela com 18 anos e êle com 24. Tiveram duas filhas; uma, a paciente, e outra, com
3 anos atualmente, que parece uma criança normal. A atmosfera do lar, conforme
diz a informante, sempre foi triste, e o entendimento entre os pais muito relativo.
Há referência ao uso de métodos anticoncepcionais.

O avô paterno é nervoso, muito expansivo. Até a idade de 35 anos sofreu


de ataques epileptiformes que cessaram espontaneamente; operado de câncer de es-
tômago aos 67 anos. A avó paterna é nervosa, muito reservada, espírita, tendo
apresentado algumas crises histéricas. O bisavô paterno esteve internado em con-
seqüência de perturbação mental. O avô materno é nervoso, relativamente con-
trolado. Em 1908 apresentou vertigens que foram relacionadas a excesso de tra-
balho ( ? ) . A avó materna é nervosa, impulsiva, extrovertida, espírita, sofrendo
de bronquite asmática. Colaterais paternos: tios nervosos, sendo 4 introvertidos
e 2 predominantemente extrovertidos; uma tia paterna tuberculosa; outra sofreu de asma; uma delas é surda; u
anos.tratamento
em
ção
lepsia.
esquizofrênica)
Colaterais
Quatro primos
especializado
maternos:
;portadores
um tio-avô
2com
de
tiosasma
materno
a maternos
Autora
e umsofreu
epiléptico.
do
calmos,
trabalho
de asma
3 nervosos;
(diagnóstico:
crônica eumaoutro
histeria,
tiadeesteve
rea-
epi-r
História pessoal — Nasceu em 1931, de parto laborioso que necessitou fórceps,
sob anestesia raquidiana. Não foi feito tratamento antiluético prenatal. Durante a
gravidez, a progenitora teve vômitos incoercíveis e profundos sofrimentos morais,
aliados a dificuldades financeiras. A paciente nasceu em estado de morte apa-
rente, com escoriações na face e pálpebras, e equimoses conjuntivais; tinha tremo-
res localizados no membro superior direito. Custou a pegar no seio, no qual foi
alimentada até os 3 meses de idade. A seguir, alimentação artificial por leite de
vaca, mingau de maizena, banana, sopa de legumes, caldo de feijão, até o fim
do segundo ano, quando iniciou a alimentação habitual do adulto. Foi difícil a
transição para o alimento salgado. A dentição iniciou-se aos 6 meses. Com a
mesma idade disse as primeiras palavras. Sentou-se aos 7 e andou aos 11 meses.
Até os 2 anos de idade, parecia uma criança normal. Apresentou, então, estrabismo
convergente e começou a roer as unhas, bem como exibiu um tique polegar, tran-
sitório, que reapareceu aos 10 anos de idade. Entre os 6 e 7 anos, comia papel.
Até os 6 anos, tinha medo de cortar o cabelo e, até os 10, intimidava-se na pre-
sença de dentistas e médicos. Há, ainda, referência ao medo de incêndio e ladrão
e a cóleras súbitas, durante a segunda infância. O sono da paciente foi habitual-
mente inquieto, com ranger de dentes, durante todo o período infantil, depois dos
2 anos. Aos 7 anos, passou a dormir em quarto separado. Nunca dormiu na
mesma cama com os pais. Até os 9 anos de idade era a mãe quem lhe dava o
banho. Embora muito mimada pelos progenitores, era, às vezes, tratada com muita
severidade. Criada no ambiente doméstico, até a idade de 6 anos, S. M. raramente
brincava com outras crianças; sentia falta de companheiras, mas não era bem
recebida pelas demais crianças, porque as provocava e chorava quando não lhe fa-
ziam a vontade. Muito ciosa com os brinquedos, não gostava de emprestá-los.
Aborrecia-se mesmo quando a lavadeira levava a sua roupa para lavar. Protes-
tava quando sua mãe fazia presente das suas roupas e brinquedos usados.
Começou a estudar aos 5 anos e meio, mas, no fim de 15 dias, foi retirada
do colégio, porque adoecera. Aprendeu em casa a formar sílabas, contar e somar,
com muita dificuldade. Aos 7 anos foi matriculada no primeiro ano primário. As
professoras queixavam-se de que a menina era irriquieta e de que seu ajustamento
aos colegas e professoras era muito precário. Repetiu o segundo ano escolar, apesar
de ter aulas particulares suplementares. Aos 10 anos, na terceira série primária, a
menina revelou algum aproveitamento. No decorrer do terceiro ano, mudou de
escola. A nova professora era dedicada, "até copiava-lhe os pontos"; mas S. M.
não os estudava. Freqüentes eram as queixas baseadas em atos de insubordinação,
e repetidas as rixas com colegas e professores. Ia sozinha para o colégio, no
ônibus da escola. Desde novembro de 1944 não estuda.
Ainda não foi menstruada; tem cólicas periódicas. Tudo o que S. M. sabe
de assuntos sexuais foi ministrado pela mãe, aproveitando a oportunidade de per-
guntas relativas a nascimento da crianças e diferenças sexuais. As explicações
eram recebidas com relativa naturalidade. A informante suspeita ter havido prá-
ticas masturbatorias, porque encontrou S. M., algumas vezes, dormindo com a mão
na zona genital.
Furunculose aos 4 meses. Desde os 6 anos, usa óculos, aconselhados para
corrigir estrabismo convergente. Adenopatia entre os 4 e 6 anos de idade. Herpes
labial aos 10 anos. Aos 8 anos, como caía muito e era considerada criança ner-
vosa, foi levada a um psiquiatra, que não encontrou anormalidade alguma, "apenas
distração", receitando
mitos12durante
aos
apresentou
bismuto-arsenical;
anos,
reação deconvulsanetas.
furunculose.
as em
refeições;
1943,
Wassermann
oNessa
exame Desde
de vez
idade,
foi osfoi
10 anos,
fortemente
em
negativo.
quando, sofre
operada
positiva
crisesde asma. Aos 11
(amigdalectomia).
node sangue; fêzanos
urticaria. teve impetigo e sintomas
Novamente,
Em
tratamento
1942,
O pouco aproveitamento nos estudos levou os familiares e professores a con-
siderarem S. M. como intelectualmente deficiente. No ponto de vista emocional,
a paciente não demonstrava confiança em si própria, sendo excessivamente de-
pendente, principalmente da mãe. Há quatro anos e meio, com o nascimento da
irmã, viu-se torturada por ciúmes. No ponto de vista caracterológico, revelava-se
uma criança irritável, preocupada, triste, ressentida freqüentemente, tímida, às ve-
zes agressiva, muito sugestionável, inconstante nos empreendimentos. Gosta de
brincar com bonecas; suas leituras prediletas são " Gibi" e " Tico-Tico ". Aprecia
novelas de rádio. Educada nos princípios da religião católica, fêz a primeira co-
munhão e vai à missa aos domingos. Além dos traços emocionais assinalados, de-
vemos fazer referência ao medo, objetivado em várias fobias: medo de incêndio,
de ladrão, de bicho-papão, bruxas, embora nunca tivesse sido amedrontada pelos
familiares.
História da doença atual — Há três anos e meio, S. M. teve coqueluche atri-
buída a contágio, porque imediatamente antes sua irmãzinha apresentara a mesma
infecção; no decorrer da coqueluche, S. M. apresentou o primeiro acesso de asma,
explicado pela mãe como conseqüência de um susto: ruído de explosão, seguido
de clarão vermelho no céu (incêndio no Cais do Porto). Daí para cá, mais ou me-
nos de dois em dois meses, a enferma tinha acessos asmatiformes acompanhados de
inquietação, sensação de morte e idéias de culpa; a paciente apelava para Deus, a
quem pedia misericórdia e perdão para suas culpas, em frases carregadas de emo-
ção. Aproveitava esses sintomas para conseguir oportunidade de satisfação; cha-
mava os familiares, pedia a presença dos vizinhos preferidos, exigia da família
todos os cuidados, monopolizava todas as atenções, obrigando a mãe a permanecer
acordada em sua companhia.
Ao lado do quadro asmatiforme, a paciente apresentava certas alterações do
comportamento, principalmente no que diz respeito às relações com a constelação
familial: certa agressividade para com a mãe, patenteada não só por meio de re-
clamações freqüentes e queixas de toda a ordem, como por atos aparentemente não
intencionais: certa vez pisou na barra do vestido da progenitora, quando esta descia
do bonde, com grave perigo de queda; a seguir, desculpou-se inúmeras vezes, de-
monstrando-se muito angustiada e preocupada; sua atitude foi de tal ordem que a
própria mãe desconfiou que a menina assim procedera "por maldade". A agressi-
vidade em relação à irmã demonstrava-se por má-vontade, desinteresse pelas gra-
cinhas e implicância habitual. Ao mesmo tempo, movia verdadeira campanha con-
tra as amas e demais pessoas que cuidavam da caçula, a tal ponto que nenhuma
serviçal demorava em casa, todas alegando, por motivo da retirada, a implicância
de S. M. Essa situação emocional condicionava também outros caraterísticos: deso-
bediência acentuada, teimosia, tristeza, desinteresse pelo estudo e pelas atividades
domésticas, crises de nervos, impaciência, desinteresse peias amigas e alterações do
sono traduzidas em pesadelos que a faziam acordar assustada e aos gritos. So-
nhava muito com incêndios e vivia imaginando ameaças de ladrões e assaltos.
Desde 1941, S. M. tem estado sob a assistência contínua de pediatra compe-
tente, que tentou todos os tratamentos habituais nesses casos (cálcio, adrenalina,
efedrina, auto-hemoterapia, tratamento anti-sifilíico), com resulados transitórios.
Durante esse período, a paciente foi submetida a vários exames complementares —
Exame radiológico dos campos pleuro pulmonares e dos seios da face: normal. Hemograma:
mentados 47%, neutrófilos em bastão 8%, eosinófilos 14%, monócitos 17%, linfócitos 14%. Hemossediment
secreção
cilos como
cutâneos
sitivo)
com
foram
ram
chiados;
dança obrônquica:
exceção
do
toleradas,
e tempo abundância
ácido-álcool-resistentes.
intradérmicos:
banana
alergenos.
teste,
do
para
como,
entretanto,
B.
(duvidoso)
chuvoso,
coli
Apenas
aliás,
para de
(positivo).
quando
foi
;Reação
durante
os neutrófilos;
alimentos,
para
considerado
demais
habitualmente
inalantes,
Nas
odeuso alguns
negativos,
alimentos
Manioux:
dietas
duvidoso, a eosinófilos,
do negativos;
tomate,
adepaciente
que
com
prova,
porque
1/10.000,
mais
S.exceção
para
piorava.
M. ausência
a freqüentemente
laranja
coincidiu
apresentou
germes,
negativa.
de laranjade ba-
e negativos,
acom
ligeiros
banana
Testes
figu-
(po-
mu-
Em 1944, a paciente começou a piorar. No inverno desse ano, esteve todo o
tempo " cansadinha e chiando"; as exacerbações eram freqüentes e a sintomato-
logia cada vez mais alarmante. Em 1945, também no inverno, esteve acamada du-
rante dois meses, vitimada por freqüentes acessos de dispnéia e sintomas sincopais
que exigiam intervenção médica urgente. No último paroxismo apresentado, o es-
tado da paciente foi considerado grave e o prognóstico quod ad vitam, reservado.
Em junho de 1945, esgotados os recursos da terapêutica clínica, o pediatra respon-
sável autorizou o tratamento psicológico.
Exame somático — Paciente em acentuado estado de desnutrição; pele e mu-
cosas pálidas. Ligeiro estrabismo convergente, bilateral. Extremidades frias e
cianosadas. Inapetência acentuada. Tosse seca, convulsiva. Dispnéia expiratória.
Tórax ligeiramente globoso; à percussão, som claro timpânico em ambos os hemi-
tórax; à escuta, numerosos sibilos difusos, bilateralmente. Pulso radial: 120 por
minuto; rítmico, pouco tenso, filiforme. Pressão arterial: 80-50. Não verificamos
dados dignos de registro em relação aos demais aparelhos.
Psicanálise — A paciente foi submetida à psicanálise desde junho até dezembro
de 1945, tendo apresentado grandes melhoras desde as primeiras sessões. Teve alta
curada de sua asma. Durante as sessões psicanalíticas foram feitas interessantes
observações quanto à psicodinâmica da paciente, observações que podem ser con-
densadas nos comentários seguintes:
Personalidade — Na paciente, como nos casos estudados por French e Ale-
xander, encontramos os seguintes traços caracterológicos: 1 — exagerada depen-
dência emocional em relação aos genitores, principalmente a mãe, situação esta fa-
cilitada pela atitude materna, excessivamente protetora; 2 — egocentrismo, evi-
denciado nas disputas com a irmã (a quem não permitia regalia alguma), com os
demais familiares, com as colegas e amigas; 3 — ciúmes, mais ou menos gene-
ralizados, inicialmente, em relação aos pais, após o nascimento da irmã; 4 — agres-
sividade, traduzida em impulsos inconscientes e involuntários dirigidos principal-
mente à mãe e à irmã; 5 — ansiedade, que, já existindo antes do aparecimento
do quadro asmático, passou a colorir nitidamente os ataques de dispnéia; 6 — falta
de confiança em si mesma; 7 — tendência ao isolamento, manifestada tanto na
escola, como nos demais ambientes. O estudo da personalidade da paciente revelou
que tais caraterísticas existiam anteriormente ao aparecimento da "neurose respi-
ratória"; estavam presentes mesmo antes do nascimento da rival, fato que não
determinou senão agravamento dos traços caracterológicos, traduzidos em conduta
mais irregular, até a culminação nos sintomas neuróticos.
Situação precipitante dos ataques — A primeira crise asmática apareceu em se-
guida a estado emocional violento e súbito, motivado por acontecimento exterior
(percepção de um incêndio longínquo, acompanhado de explosões) ; a paciente re-
feriu-se a esta experiência e às emoções que a acompanharam, com as seguintes
palavras: "Susto, medo e aflição". Esta experiência reapareceu freqüentemente
nos sonhos, nos quais, ao lado do estado emocional que a acompanhou quando real,
existia
var
A
ciada:
didos
brava
Fato
tivos
apenas
de
casa
mento
apanhou-se
si
àpôde
irmã airmã,
paciente,
mesma
relação
sua
grande
ade preocupação
curioso
avaliar
ao
de
das
menor.
certa
armado,
os
casa.
S.socorro
tema
manifestações
oainda
entre
sofrimento
incêndios
M.
que,
por
noite,
aprincípio
No evidente
assinalar
que
incêndio,
relação
quase
os
vezes
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de
eúltimo
aapelos
fora
acessos
alguma
enferma de
tornavam-se
não
eque
conseguindo
entre
rara
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respiratórias,
apenas
ansiedade:
sonho
à sofrera,
àorienta
medida amenos
asmáticos irmã
ademonstração
ansiedade,
mãe;
esses
apresentou
modificação
desta
ligeiramente
não
pois
asonhos pudesse
"sonhara
que
dinâmica
mas
série,
oedespertou,
de
era
seu
os
asintomas ser
dramáticos,
de
recordava
observada
etosse
paciente
sonhos
pegava
uma
que vítima
chamuscada.
intento";
os
penetração
dos
seus
eum
construção
porém; das
asmáticos
de
sonhos
chiados.
fogo
progredia
ono
incêndio
impulsos
em
como chamas
incêndio
sonho,
conteúdo
psicológica,
no
pela
Este
outras,
(realizaçãoseedaconcluíra
resistente,
também
Durante
acompanhados
centro
que
manhã,
último
no
ameaçava
agressivos
ficou olabaredas.
deixava-a
dos
tratamento.
se
sonho
acompanhara
bem
não
sonhos
de
feita
cidade eEm
tratamento,
afastavam
sua ci-a algumas das fant
dirigidos
desejos),
se
eviden-
morrer.
de
de
acom-
casa.
lem-
rela-
Não
por
pe-
É interessante o processo dinâmico do ataque de asma ocorrido no dia 16 de
julho de 1945, verificado através das sessões analíticas anteriores. Assim é que,
no dia 12, a paciente sonhou com ladrões. No dia seguinte, discutiu com a irmã e
queixou-se de que sempre davam razão à outra. A 14 de julho, recebeu de pre-
sente da doutora uma boneca, e procurou fazer inveja à caçula. Na noite de 14,
teve um sonho em relação com a experiência do nascimento da irmã. Acordou as-
sustada, chiando, e pediu à mãe que a deixasse dormir no quarto dos pais, pois
tivera "um sonho pavoroso, que a deixara muito agitada". S. M. passou os dias
15 e 16 sensivelmente mal humorada, parecendo preocupada. Na noite de 16, teve
acesso asmático violento, com impressão de morte.
Relações emocionais familiais — A antipatia de S. M. pela irmã evidenciou-se
precocemente, quando da sua visita à Maternidade. Já então sua mãe notou falta
de naturalidade nas expansões afetivas da menina e má-vontade com a irmã, que
mereceu dela apenas expressões negativas. No decorrer do tratamento, a chegada
da irmã foi revivida num sonho, em que o pai apareceu sob a figura de um preto
velho que batia num poste, anunciando em altas vozes que alguma cousa ia acon-
tecer. A paciente esclareceu que se tratava de alguma cousa ruim, que ela não
compreendia bem o que fosse. Este sentimento de desagrado acompanhou-se, no
próprio sonho, de uma fantasia de autopunição (espancamento pelo pai). No
mesmo sonho, S. M. imaginava a irmãzinha dormindo, muito quieta, dentro de um
quarto completamente fechado. S. M., que já obtivera informações sobre a vida
intra-uterina, identificou a imagem do sonho com a situação da criança anterior-
mente ao nascimento. No ponto de vista do estudo dinâmico da vida onírica, a
análise deste sonho revela um conteúdo aparente, em relação com fatos banais e
recentes (o hábito que tinha o pai de brincar de "preto velho", a tentativa de
despertá-la com o despertador e as palavras "Está na hora! Está na hora!"), e
um conteúdo latente, que se refere a experiências mais remotas e intensamente
traumáticas.
Na conduta explícita, a agressividade e os ciúmes da paciente, em relação à
irmã, traduziam-se em freqüentes brigas, no desejo de monopolizar a mãe, na guerra
de nervos sistemática dirigida contra as amas da irmã e, principalmente, em certos
impulsos inconscientes, traduzidos em agressões aparentemente não intencionais.
Uma delas foi referida no decorrer do tratamento sob condição de que a mãe não
fosse ciente do fato: S. M., aproveitando uma queda da irmã, caiu sobre a mesma,
e,
sernos
bastava
crises
divino,
lizar seus
condicionava
de
contra
tilidade.
mau
que
haver
pecificamente
sim
análise
mais
dade
levou
procurou
mas
ciúmes
abalhava
hostis,
aparecem
nós menina
punida
ade
isto
gosto" comentários
deslocamento,
mesmos,
certos
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física,
S.
provocado
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aprocedendo
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expiação
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uma
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A
M.
irmã
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reconheceu
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casa
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mãe,
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auma
S.
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irmã,
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gente
M.,
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dois
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familial,
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do incidente,
criando

malfeitor
que
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meses.
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da
legítima
de
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Por
passou".
de
assaltante
sentimento
pequena. deixava
recém-nascida,
reprimia
prima
ladrões.
medo
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declarou
realidade,
na
defesa
em
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imaginário;
raízes,
todas
miséria
generalização,
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Quando
da
que
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prima
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relação
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passado:
Entretanto,
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Não
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que
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evidente.
às
mãe
até
da
gente
fuga.
lhe
crianças
cadeia
ciúmes
se
com
era
acrime.
planta
aecomo
vezes,
não
que
irmã.
de
caçula
"chamamos
etratava
mãe
oda
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grande
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logo
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Eu
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de
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realizava
desgosto
O
em
daninha".
ponto as
avaliação
Maria",
fobia,
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pequenas.
casa
se
pudesse
Etudo
tinha fantasias
associações,
da
estado
parecesse
ade
impulsos
estado
relação
conclui:
surpreende
oseguir
sua
família,
para
de
aladrão
sentimento
demonstrou
para
ciúmes
da
aatenção
essas
descobrir.
de
estima),
aplicação
dos
fóbico
àPor
matar concomitantes:
empregada
declara
sufocada)
escondê-los,
agressivos
enferma
dúvida
"Esses
irmã.
que
que,
fatos
como
com
"brincadeiras
curioso
da
para
traduzia-se
as
de
roubasse,
passou
que
por
Ainda
minha
O
de
que
supracitados
penoso
sentimentos
um
pessoas.
culpa
pela
pudessem
este
receio
incapaci-
sua
que
adirigidos
"castigo
até
vítima
assim,
airmã,
tinhaAmedo de que a irmã
efato,
irmã
hos-
mas
não
uti-
tra-
fenômenoes-
de
as
A mãe de nossa enferma estivera em tratamento conosco durante cerca de oito
meses. Padecia de neurose grave, que orientava uma situação de desajustamento
familial completo. Essa senhora traduziu o comportamento da filha, no que diz
respeito às relações recíprocas, do seguinte modo: antes do nascimento da caçula,
S. M. revelava-se excessivamente dependente; exigia todas as atenções da família,
e com muita dificuldade aceitou o afastamento do meio doméstico, no período de
iniciação escolar. Depois do nascimento da irmã, a paciente mostrou-se a prin-
cípio triste, chorosa, queixando-se freqüentemente de que a mãe preferia a outra
filha, que era mais bonita. Progressivamente, S. M. começou a modificar sua
atitude no trato com a mãe e, por extensão, com os demais familiares: tornou-se
teimosa, negativista, desconfiada e agressiva. A sua teimosia, que era tolerada
pela mãe, revelava-se também na escola em relação às professoras, e constituía
motivo de freqüentes queixas por parte da direção dos colégios.
O sentimento de desconfiança orientava freqüentemente fenômenos de projeção
psicológica em que a menina atribuia aos outros pensamentos e sentimentos seus,
deixando entrever em alguns deles seu drama interior. Por exemplo, no incidente
de queda sobre a irmã, na escada, ela declara: " Não contei nada à mamãe, por-
que ela podia pensar que eu fizera aquilo de propósito". Em outro fato, que,
aliás, constituiu o motivo principal para que a mãe desconfiasse da situação d e
conflito d e S. M. e pensasse na hipótese do tratamento psicológico, verifica-se o
elemento projeção e, no pensamento projetado, evidencia-se a agressividade da
menina em relação à mãe: ao descer de um bonde, a paciente pisou na saia da g e -
nitora, por pouco determinando a queda da mesma. A mãe, que tinha intenções
d e deixar passar despercebido o fato, estranhou as desculpas reiteradas de S. M.,
e perguntou, "Por que é que você se desculpa tanto?" A resposta veio rápida:
" A sra. podia pensar que fosse de propósito".
O sentimento de ciúmes e o desejo de monopólio em relação à pessoa da mãe
era evidente. A idéia de que a genitora distribuísse cuidados e atenções com ou-
tras pessoas era particularmente penosa para a enferma. Na sessão de 2 2 de
junho, a paciente contou que, quando viu a mãe chegar na Clínica em companhia
de umas meninas que trouxera para consultar, sentiu-se tão mal, que teve uma
tonteira. Aliás, diz ela, "quando me aborreço costumo ter tonteira". No decor-
rer do tratamento, S. M. teve mais duas tonteiras, traduzidas por obnubilação da
consciência, em relação com experiências desagradáveis.
O pai da paciente, ainda que nervoso, é controlado, mantendo em casa uma
atitude relativamente calma. Em geral deprimido, tímido, pouco interferente na
direção da casa e nos problemas relativos à educação dos filhos, que estão quase
exclusivamente afetos à autoridade da genitora. O tipo de relação emocional da
paciente com a pessoa do pai é satisfatório: S. M. estima-o sem exageros, sem
oscilações, sem hostilidade. Sempre que fala nele, usa expressões calmas, que in-
dicam segurança e naturalidade: "Meu pai é bom e justo. Não faz distinção
entre eu e minha irmã. É um bom amigo que eu tenho".
Utilização secundária dos ataques — Durante as crises de dispnéia, nossa en-
ferma pensava que ia morrer. Freqüentemente, tinha a impressão de que se tra-
tava de um castigo e apelava para a misericórdia de Deus. Admitia mesmo que
estes sofrimentos constituíssem motivo de expiação para certas culpas. No início
do tratamento, não sabia quais fossem essas culpas e dizia, "eu sei que êle nos
castiga quando procedemos mal". Ao lado da finalidade expiatória, que lhes
era inerente, os ataques asmáticos ofereciam à enferma excelente oportunidade
para monopolizar as atenções da família. É mais do que claro que, quando jazia,
no leito, chiando, tossindo, gemendo, tanto sua mãe como seu pai ficavam exclu-
sivamente à sua disposição, desdobrando-se em desvelos. No ponto de vista social,
S. M. conseguia, com o espetáculo de seu sofrimento, impressionar os vizinhos
e amigos da família, que acudiam, interessados em prestar qualquer auxílio. A
menina aproveitava a ocasião para pedir que chamassem as pessoas de sua prefe-
rência, no que era prontamente atendida. Por outro lado, a doença representou
uma excusa para que deixasse de ir à escola, onde se sentia tão infeliz e era,
freqüentemente apodada de boba, visto serem medíocres seus progressos nos es-
tudos. O abandono da escola significava a permanência no lar, onde tinha mo-
tivos de sofrimento, mas também oportunidades de gratificação, principalmente
quando estava doente.
Avaliação da transferência — Como se observa freqüentemente no tratamento
de crianças, a transferência esboçou-se rapidamente e acentuou-se no decorrer do
tratamento. Após três sessões analíticas, S. M. sonhou que estava estudando com
a doutora e afirmava a sua confiança na pessoa da analista numa frase simples:
"Essas cousas que digo à senhora ninguém sabe, nem mamãe". Daí por diante,,
em vários sonhos, mais ou menos transparentes, a doutora representou a pessoa que
a tratava bem, em quem ela confiava e que representava uma fonte de gratifica-
ções. A princípio, não evidenciou intenção de monopólio. Aliás, o ambiente mais-
ou menos neutro da Clínica onde esteve internada não lhe ofereceu grandes mo-
tivos para sentimentos de ciúmes ou de hostilidade, no seu novo tipo de relação
emocional. Mais adiante, transpareceu o desejo de monopólio, quando procurava,
reafirmar à irmã a preferência da doutora pela sua pessoa, e quando "esqueceu"
de entregar à analista alguns desenhos, que representavam uma homenagem da
outra. Certa vez, estávamos no quarto de uma paciente na Clínica, e fomos sur-
preendidos por S. M., que arranjara um expediente para interromper a entrevistai
trazia "um sorvete para a doutora". Na fase final do tratamento, com a avalia-
ção das caraterísticas da transferência afetiva, modificou-se o tipo de relação emo-
cional de S.
paração,
guagem
nuou M. sintomas;
com
interessada
dos
reagiu a analista,
nos
bem:estudos, que
compassou
exprimiu
prosseguiu a ser considerada
rendimento
seusajustada
sentimentos em como
progressivamente
no ambiente pessoa
palavras,
familial mais
crescente.
não velha, mais
e usando
social: experiente, que a a
aconti-
lin-
COMENTÁRIOS

T r a b a l h a m o s com u m caso crônico de asma brônquica, de sintoma-


tologia realmente dramática, q u e r e d u z i r a a paciente à condição de i n -
validez, e l a n ç a r a os médicos assistentes n u m a situação d e d e s â n i m o , u m a
vez q u e t o d o s o s r e c u r s o s t e r a p ê u t i c o s h a b i t u a i s h a v i a m s i d o t e n t a d o ,
sem resultados permanentes. A evolução do caso demonstrou o a g r a -
v a m e n t o p r o g r e s s i v o d o s s i n t o m a s , t o r n a d o s d e tal m o d o a l a r m a n t e s , q u e ,
q u a n d o foi r e s o l v i d o o t r a t a m e n t o p s i c o l ó g i c o , o p r o g n ó s t i c o " q u o d a d
v i t a m " e r a considerado reservado. A análise da história familial d a
enferma apresentava exuberância de elementos que poderiam fazer p e n -
sar na presença de u m fator hereditário, capaz de tornar mais sombria
ainda a perspectiva prognóstica. O conhecimento da positividade d a s
r e a ç õ e s s e r o l ó g i c a s p a r a sífilis, e m 1940, fêz c o m q u e o s m é d i c o s p e n -
sassem na possibilidade de u m s í n d r o m o asmático de n a t u r e z a luética.
E n t r e t a n t o , o t r a t a m e n t o específico p r o p o r c i o n o u a negativação das
p r o v a s de laboratório, m a s n ã o oferecem qualquer resultado, no que diz
respeito aos sintomas.
R e s t a v a a etiologia alérgica. E m p í r i c a m e n t e m e s m o , h a v i a m sido
d a d o s a l g u n s c o n s e l h o s , b a s e a d o s n o c o n h e c i m e n t o d e q u e os a l e r g e n o s
domésticos e climáticos c o s t u m a m ser responsabilizados pelo a p a r e c i m e n -
to de q u a d r o s a s m a t i f o r m e s . Assim é que, por conselho médico, foram
r e t i r a d a s a s c o r t i n a s d o q u a r t o d a p a c i e n t e , foi feita a s e c o a l i m p e z a d o
assoalho e móveis, substituído o colchão c o m u m p o r colchão d e borracha,
evitados os gelados e a exposição a o t e m p o ú m i d o e frio. Entretanto,
o s t e s t e s a l é r g i c o s n ã o c o n f i r m a r a m as e s p e r a n ç a s d o s m é d i c o s , q u a n d o
p r o c u r a v a m explicar a a s m a de S. M . pela ação de alergenos, pois q u e
a p e n a s r e v e l a r a m r e s u l t a d o p o s i t i v o p a r a a l a r a n j a e p a r a B a c i l o coli,
e reação duvidosa para banana. D e outro lado, as provas alimentares
não evidenciaram qualquer relação entre o aparecimento dos sintomas
e a i n g e s t ã o d a q u e l e s a l i m e n t o s , q u e se h a v i a m c o m p o r t a d o c o m o a l e r g e -
nos nas provas cutâneas. O s freqüentes apelos a o laboratório não c o r -
r o b o r a r a m o u t r a hipótese etiológica. E m vista d a falência de q u a l q u e r
tentativa de explicação patogênica, e d a falta de resultados terapêuticos
com os recursos habituais nesses casos, resolvemos tentar o t r a t a m e n t o
psicológico.
Aliás, a anamnese revelou a existência de elementos que permitiam
pensar e m asma psicogênica: 1 — a personalidade d a paciente, anterior-
mente a o aparecimento da doença, apresentava traços neuróticos variados
que c h e g a v a m ao p o n t o de dificultar o seu ajustamento a o ambiente d o -
méstico
dirigida
que
terno,
tasias
acesso
eclosão eagressivas
escolar;
acontecimento
de
terno.abalar 2crises
prodigalizavam
caraterizado
de — em
asapós
principalmente
dasa asma relações
segurança
que por
atenções
foi umemocionais
dispneicas
relação
à deexcesso
irmã
encarado
filha
aos
estado da
a menor,
pouco
de
essa paciente
única,
filhos;
pela
emocional com
solicitude,
etempo
irmã;
nociúmes ossúbito
4paciente
que
—3apósfamiliares
compensatória
em
dizia
o— como caraterizavam-se
oaparecimento
relação
eorespeito
nascimento
violento;
comportamento
indesejável,
adeaotodos
do dapor
certas
5afeto extrema
ma-a dependência m
primeiro
aqueles
—capaz
irmã,
fan-
N o d e c o r r e r d o t r a t a m e n t o psicológico, os itens acima f o r a m plena-
mente confirmados. Verificou-se, mais ainda, q u e : a experiência trau-
m á t i c a inicial ( i n c ê n d i o ) q u e a p a r e n t e m e n t e d e t e r m i n a r a o a p a r e c i m e n -
t o da p r i m e i r a crise, servia de base a realização de fantasias agressivas,
dirigidas contra a irmã m e n o r ; a imagem do incêndio aparecia freqüen-
temente nos sonhos d a paciente, com intensa tonalidade afetiva, de n a -
t u r e z a a n s i o s a ; a e x p e r i ê n c i a d o n a s c i m e n t o d a i r m ã foi r e v i v i d a e m
u m a f a n t a s i a o n í r i c a q u e se a c o m p a n h o u d e a n s i e d a d e , c h i a d o s , r e s p i r a ç ã o
difícil, e d a v i v ê n c i a d e mêdo, e m s e g u i d a a o d e s p e r t a r , c o m a n e c e s s i d a -
de de procurar o a m p a r o m a t e r n o ; nesse m e s m o sonho, o nascimento da
i r m ã foi l e m b r a d o c o m o c o u s a r u i m e s e g u i d o p o r u m a c e n a d e autopuniçã
a s m a t i f o r m e s o f e r e c i a m a m p l a u t i l i z a ç ã o s e c u n d á r i a , i s t o é, p r o p o r c i o -
n a v a m u m a o p o r t u n i d a d e de a u t o p u n i ç ã o e excelente ocasião p a r a obter
o tipo de gratificação mais desejado pela paciente, qual seja o de desviar
da i r m ã as atenções e cuidados d o s p a i s ; S. M . m a n t i n h a u m a atitude
ambivalente em relação à mãe, caraterizada por dependência afetiva de
u m lado e sentimentos hostis de outro.

T o r n a d o s conscientes esses conflitos e obtida a repressão e m o u t r a s


bases, foi possível s u b m e t e r a m e n i n a a n o v o r e g i m e d e vida, de estudos
e de trabalho, que concorresse para reafirmar atitudes de independência
e de autoconfiança. Como resultado, obtivemos a remissão completa
das crises a s m á t i c a s , q u e n ã o r e a p a r e c e r a m m e s m o n a ocorrência de dois
resfriados. N ã o a p e n a s d e s a p a r e c e u o q u a d r o a s m á t i c o , c o m o se m o -
dificou a personalidade d a paciente e o seu c o m p o r t a m e n t o p e r a n t e a
v i d a , o b t e n d o - s e m e l h o r a j u s t a m e n t o f a m i l i a l , social e e s c o l a r . N o p o n t o
d e v i s t a d o r e n d i m e n t o p e d a g ó g i c o , d e v e m o s r e a l ç a r o f a t o d e S. M . ,
q u e fora a n t e r i o r m e n t e j u l g a d a o l i g o f r ê n i c a p e l o s p r o f e s s o r e s e p e l o s
p a i s , h a v e r c o n s e g u i d o r e a l i z a r e m seis m e s e s o q u e a s c r i a n ç a s n o r m a i s
d a s escolas c o n s e g u e m e m d o i s a n o s d e c u r s o p r i m á r i o .
SUMÁRIO E CONCLUSÕES

T r a t a - s e do estudo e tratamento de u m caso de asma brônquica em


m e n i n a d e 13 a n o s q u e , a o l a d o d a " n e u r o s e r e s p i r a t ó r i a " , a p r e s e n t a v a
caraterísticas
anteriormente
suspeitar
em
obscuro
reações
da
onegativação
velaram
para
ção
alimentos,
exames
lógica.
mecanismo
pessoas
entre depessoais
etiologia
banana;
hiperergia
para
ode que (egoísmo,
odaprognóstico.
ao
da
atraso
laboratório
de
aparecimento
aluética;
alérgico.
sereação,
família ciúmes,
aparecimento
para
outro
sífilis,
haviam
mental. irritabilidade),
aentretanto,
Mas
lado,
Asem
não
fazia
admitiram
laranja
dos
A
comportado
princípio,
os
da
as
qualquer
corroboravam
pensar
sintomas
existência
e oprovas
testes
asma,
os
para que
numa eradificultavam
tratamento
baseados
como
modificação
asmatiformes
pediatras
de
cutâneos
oalimentares
qualquer
Bacilo
condição
7alergenos
tão
nacasos sua
específico adaptação
assistentes
intradérmicos
coli
nos
reduzido,
epositividade
não
outra
hereditária
ade
nos
e sintomas.aoeambiente.
evidenciaram
ingestão
reação
asma
propocionou
ahipótese
testes.
queapenas
possibilidade
dasbrônquica
duvidosa
daqueles
permitia
Restava
tornava
Outros
sôro-O
a rendimento escola
etio-
rela-
re-
F o m o s convidados a assistir à paciente no q u a r t o ano de evulução
d a e n f e r m i d a d e , a p ó s h a v e r e m f a l h a d o t o d o s os r e c u r s o s t e r a p ê u t i c o s
usados habitualmente nesses casos. A a n a m n e s e d e m o n s t r a v a o a g r a -
vamento progressivo dos sintomas, não havendo dados que pudessem fa-
zer p e n s a r n a possibilidade de remissão espontânea. E m j u n h o d e 1945,
é p o c a e m q u e foi i n i c i a d o o t r a t a m e n t o p s i c o l ó g i c o , a p a c i e n t e e n c o n t r a v a -
s e e m c o n d i ç ã o d e i n v a l i d e z , p e r m a n e n t e m e n t e r e t i d a a o leito, e m e s t a d o
d e g r a n d e astenia e com sintomas sincopais que exigiam intervenção médica
v i t a m foi c o n s i d e r a d o r e s e r v a d o , p e l o clínico q u e a a s s i s t i a .

A a n a m n e s e psicossomática evidenciou q u e a a s m a de S. M . havia


aparecido u m ano após o nascimento de sua irmã menor, n a ocorrência de
u m a c o q u e l u c h e , q u e a m b a s a p r e s e n t a r a m q u a s e c o n c o m i t a n t e m e n t e .Verif
c o n s e q ü ê n c i a de u m susto d e t e r m i n a d o pela percepção de u m incêndio.
P o r outro lado, o c o m p o r t a m e n t o da menina d u r a n t e as crises era p o r
demais dramático e deixava transparecer, ao lado do sentimento de culpa
e d o e s t a d o a n s i o s o , c e r t a t e n d ê n c i a a e x i g i r todas a s a t e n ç õ e s e c u i d a d o s
dos familiares.

O estudo da personalidade da enferma evidenciou: exagerada depen-


dência emocional em relação à m ã e , situação esta facilitada pela atitude
materna, excessivamente protetora; egocentrismo; ciúmes da irmã com
a g e n i t o r a e c o m tôdas a s p e s s o a s q u e p r o d i g a l i z a v a m c a r i n h o s à c a ç u l a ;
agressividade, traduzida em impulsos inconscientes e involuntários, apli-
c a d o s p r i n c i p a l m e n t e à p e s s o a d a i r m ã e d a m ã e ; a n s i e d a d e , q u e se a c e n -
t u a v a p o r o c a s i ã o d a s c r i s e s d i s p n e i c a s ; f a l t a d e c o n f i a n ç a e m si m e s m a ;
tendência ao isolamento.
A análise da situação psicológica revelou que a experiência t r a u -
mática,
grande
dirigidas
revivida
dos,
com
sonho
ruin",
existia, aparentemente
asmatiformes
navam
gratificação
as
ao
da, acompanhada
mesmo
atenções
respiração
aoauma
ansiedade ainicial,
conscientemente,
em
contra
necessidade
nascimento
mais
esse
tipo
opurtunidade
do
uma
ofereciam
dos
desejo
difícil,
desejadodesencadeadora
pensamento
de
e fantasia
irmã;
da
de
familiares.
de
servia
dependência
monopólio
e um
caçula
ampla
de
pela
procurar
da
que
onírica
de da
sentimento
autopunição
seguindo-se
vivência
efoi
paciente,
aAde primeira
utilização
base
materna,
ciúmes.
que
oexperiência
lembrado criáe
transferência
amparo
àdese
de
qual
euma
isto asmatiforme
realização
secundária,
medo
ocasião
acompanhou
por
culpabilidade;
seja
domaterno;
cena
é, afetiva
S.em (incêndio),
nascimento
odependência
para
de
M.
de
de
seguida
isto
de
que
fantasias
como
obter
fêz-se
que
desviar aparecia
autopunição;
ansiedade,
é,
da
nesse
ao
afetiva
o"uma
os freqüentemente
obedecendo
irmã
proporcio-
da
agressivas
despertar,
tipo
ataques
mesmo
cousa
chia-
irmã
níti-
que
foi
de em sonh
C o m o conseqüência do tratamento, n ã o apenas desapareceu o q u a d r o
a s m á t i c o , c o m o se m o d i f i c o u a p e r s o n a l i d a d e d a p a c i e n t e e seu c o m p o r -
t a m e n t o p e r a n t e a v i d a , o b t e n d o - s e m e l h o r a j u s t a m e n t o f a m i l i a l , social
e escolar. D o p o n t o de vista pedagógico, m e r e c e realce o fato de h a v e r
S . M . , q u e fora a n t e r i o r m e n t e j u l g a d a o l i g o f r ê n i c a p e l o s p a i s e p r o -
fessores, h a v e r conseguido realizar progressos realmente notáveis.
O e s t u d o dos casos referidos n a l i t e r a t u r a e a nossa experiência
leva-nos a admitir, na asma brônquica, mesmo q u a n d o parece evidente
a existência de u m estado alérgico, a possibilidade da a t u a ç ã o de u m e l e -
m e n t o p s i c o l ó g i c o , i m p r e s c i n d í v e l p a r a q u e o s a t a q u e s a s m á t i c o s se d e -
sencadeiem, seja p o r sua ação isolada e a u t ô n o m a (hipótese e m q u e a
alergia seria apenas coincidência), seja t o r n a n d o o indivíduo mais s e n -
sível à a ç ã o d e d e t e r m i n a d o a l é r g e n o .
A c o m p r e e n s ã o da vida psicológica dos e n f e r m o s asmáticos p a r e c e
i n d i c a r e s t a r e m eles s u j e i t o s a u m c o n f l i t o h u m a n o u n i v e r s a l , e n t r e a
tendência ao estado de dependência m a t e r n a e o u t r a s atitudes emocio-
nais, q u e são incompatíveis com tal dependência. E x p r e s s ã o do c o n -
flito, a c r i s e d e a s m a r e p r e s e n t a r i a s i m b o l i c a m e n t e u m g r i t o i n i b i d o ,
u m a linguagem sintomática, p o r meio do qual o indivíduo protestaria
contra o afastamento da mãe.
O s resultados obtidos c o m o t r a t a m e n t o psicológico nos a s m á t i c o s
autorizam a seguinte conclusão de o r d e m geral e obrigatória: em todos
os p o r t a d o r e s d e a s m a b r ô n q u i c a d e v e m o s a d o t a r a o r i e n t a ç ã o e s t a b e -
l e c i d a p e l a m e d i c i n a p s i c o s s o m á t i c a , i s t o é, a o m e s m o t e m p o q u e p r o -
c u r a m o s evidenciar os fatores orgânicos, anatômicos e funcionais, a o
mesmo t e m p o que analisamos as alterações metabólicas e consideramos
os fatores constitucionais, devemos realizar cuidadosa anamnese psico-
lógica, n o s e n t i d o d e v e r i f i c a r a p r e s e n ç a d e f a t o r e s e m o c i o n a i s c a p a z e s
de explicar ou de contribuir p a r a o a p a r e c i m e n t o d o q u a d r o a s m a t i f o r m e .
O raciocínio
permitirá
quais clínico,
os tratamentos
resolver,baseadono em
clínicos tais
habituais
pontodados, não apenas
se tenham
de vista colocará
revelado o médico em
terapêutico,
ineficazes, condições
certas de compreender
condições nas a patogenia de ce
SUMMARY AND CONCLUSIONS

T h e p r e s e n t p a p e r t a k e s u p t h e s t u d y a n d t r e a t m e n t of a c a s e of
b r o n c h i a l a s t h m a in a g i r l 13 y e a r s o l d , w h o , i n a d d i t i o n t o t h e " r e s p i ­
r a t o r y neurosis", possessed also unpleasant personal characteristics ( e g o ­
tism, jealousy, irritability) which m a d e adaptation to her surroundings
v e r y difficult. T h e c h i l d ' s p r o g r e s s in s c h o o l , e v e n b e f o r e t h e o n s e t of
t h e a s t h m a , w a s so s l o w s h e w a s t h o u g h t t o b e b a c k w a r d . The presen­
c e of 7 c a s e s of b r o n c h i a l a s t h m a i n t h e f a m i l y w o u l d l e a d o n e t o t h i n k
of a hereditary condition, a n d to m a k e the prognosis seems even m o r e
doubtful. A t f i r s t , o n t h e b a s i s of p o s i t i v e s y p h i l i s in t h e p a t i e n t ' s
b l o o d s t r e a m a y e a r b e f o r e t h e o n s e t of t h e illness, a t t e n d i n g p e d i a t r i c i a n s
c o n s i d e r e d t h e p o s s i b i l i t y of a s y p h i l i t i c o r i g i n . H o w e v e r , a l t h o u g h
a p p r o p r i a t e t r e a t m e n t resulted in a negative blood reaction, n o change
w a s o b s e r v e d in t h e a s t h m a t i c s y m p t o m s . A l l e r g y r e m a i n e d . B u t t h e
s k i n t e s t s r e v e a l e d s e n s i t i v i t y o n l y to o r a n g e a n d B a c i l l u s coli a n d a
doubtful reaction for b a n a n a ; on the other hand, food tests showed n o
r e l a t i o n t o t h e a p p e a r a n c e of a s t h m a t i c s y m p t o m s . F r e q u e n t l a b o r a ­
t o r y t e s t s of v a r i o u s k i n d s , X - r a y s , e t c . g a v e n o c l u e a s t o a p o s s i b l e
cause.
W e w e r e a s k e d t o see t h e p a t i e n t i n t h e f o u r t h y e a r of h e r illness,
a f t e r all o t h e r t h e r a p e u t i c m e a s u r e s g e n e r a l l y u s e d i n s u c h c a s e s h a d
f a i l e d . T h e c a s e h i s t o r y s h o w e d a p r o g r e s s i v e w o r s e n i n g of t h e s y m p ­
t o m s , w i t h n o i n d i c a t i o n o f t h e p o s s i b i l i t y of a s p o n t a n e o u s c u r e . In
t h e w i n t e r of 1 9 4 5 , w h e n p s y c h o l o g i c a l t r e a t m e n t w a s b e g u n , t h e p a ­
t i e n t h a d r e a c h e d a s t a g e of i n v a l i d i s m , w a s c o n f i n e d t o h e r b e d , in a
s t a t e of g r e a t g e n e r a l w e a k n e s s a n d w i t h o c c a s i o n a l s t a t e s o f c o l l a p s e
w h i c h required u r g e n t medical attention, artificial feeding, stimulants
a n d s e d a t i v e s . H e r c o n d i t i o n w a s s o s e r i o u s , t h a t little h o p e w a s h e l d
o u t f o r life itself b y t h e a t t e n d i n g p h y s i c i a n .
A p s y c h o s o m a t i c s t u d y of t h e c a s e r e v e a l e d t h a t S . M . ' s a s t h m a
h a d a p p e a r e d o n e y e a r a f t e r t h e b i r t h of h e r little s i s t e r , d u r i n g a n
a t t a c k of w h o o p i n g c o u g h , w h i c h b o t h h a d a t t h e s a m e t i m e . I n a d d i ­
t i o n , t h e f i r s t a s t h m a t i c a t t a c k h a d s u p e r v e n e d a s a c o n s e q u e n c e of a
s u d d e n fright caused b y a fire. O n the other h a n d , the child's behavior
d u r i n g t h e c r i s e s w a s e x c e s s i v e l y d r a m a t i c , a c o o m p a i n e d b y f e e l i n g s of
g u i l t a n d g r e a t a n x i e t y , a n d a t e n d e n c y t o e x a c t all t h e a t t e n t i o n a n d
s o l i c i t u d e of t h e f a m i l y .
T h e s t u d y of t h e p a t i e n t ' s p e r s o n a l i t y b r o u g h t o u t t h e f o l l o w i n g
t r a i t s : exaggerated emotional dependence on the mother, fostered by an
excessive
in herself;protective
people
anxiety, who attitude
aheightened
tendency
dealt onthe
theor
to isolation.
atwith part of
time theofmother;
showed the
anyegocentrism;
affectionjealousy
dyspneic for ofthe
crises; the little
lack ofsister
younger shown
confidencein relation to the mot
child;
T h e a n a l y s i s of t h e p s y c h o l o g i c a l s i t u a t i o n of o u r p a t i e n t r e v e a l e d
t h a t t h e a p p a r e n t l y initial t r a u m a t i c e x p e r i e n c e , w h i c h s e t o f f t h e f i r s t
a s t h m a t i c c r i s i s — a f i r e — a p p e a r e d f r e q u e n t l y in d r e a m s a c c o m p a ­
nied by great emotion, a n d served as basis for building u p aggressive
fantasies against the y o u n g e r sister. T h a t the sister's birth w a s revived
in a relatively t r a n s p a r e n t d r e a m accompanied b y anxiety, wheezing,
dyspnea and fear which carried over into the w a k i n g state, w i t h the
n e e d to s e e k t h e m o t h e r ' s p r o t e c t i o n ; t h a t i n t h i s d r e a m t h e s i s t e r ' s
birth was characterized as "something bad", and this thought was fol­
l o w e d by a scene involving self-punishement; that there w a s a c o n s ­
c i o u s f e e l i n g of g u i l t ; t h a t t h e a s t h m a t i c a t t a c k w e r e u t i l i z e d f o r a
s e c o n d a r y p u r p o u s e , t h a t of s e l f - p u n i s h m e n t , a n o p p o r t u n i t y t o s e c u r e
t h e t y p e of g r a t i f i c a t i o n m o s t d e s i r e d b y t h e p a t i e n t , t h a t of d r a w i n g t h e
a t t e n t i o n a n d s o l i c i t u d e of t h e f a m i l y a w a y f r o m h e r litle s i s t e r . The
a f f e c t i v e t r a n s f e r e n c e f o l l o w e d t h e s a m e p a t t e r n of d e p e n d e n c e o n t h e
mother, with the desire to monopolize attentions, and jealousy.
N o t only did the asthmatic s y m p t o m s disapear completely, as a
c o n s e q u e n c e of t h e t r e a t m e n t , b u t t h e p a t i e n t ' s p e r s o n a l i t y a n d a t t i t u d e
t o w a r d s life c h a n g e d , a n d a b e t t e r a d j u s t m e n t t o f a m i l y , social a n d
s c h o o l e n v i r o n m e n t s w a s a c h i e v e d . I t is a n o t e w o r t h y f a c t t h a t , w h e r e a s
S. M . h a d p r e v i o u s l y b e e n c o n s i d e r e d b a c k w a r d b y p a r e n t s a n d t e a c h e r s ,
she h a s since p r o g r e s s e d astonishingly in h e r studies.
T h e s t u d y of c a s e s f o u n d in t h e l i t e r a t u r e of t h i s illness a n d o u r
p e r s o n a l e x p e r i e n c e s l e a d u s t o t h e c o n c l u s i o n t h a t in c a s e s of b r o n ­
c h i a l a s t h m a , e v e n w h e n t h e e x i s t e n c e of a n a l l e r g i c s t a t e s e e m s e v i d e n t ,
t h e p o s s i b i l i t y of t h e a c t i o n of a p s y c h o l o g i c a l e l e m e n t r e s p o n s i b l e f o r
t h e o n s e t of t h e a t t a c k s s h o u l d b e c o n s i d e r e d . I t r e m a i n s t o b e s e e n
w h e t h e r t h e p s y c h o l o g i c a l f a c t o r is t h e c a u s a t i v e a g e n t , in w h i c h c a s e
t h e a l l e r g y i s o n l y a c o i n c i d e n c e , o r w h e t h e r , p o s s i b l y , it m a y m a k e t h e
individual m o r e sensitive to a certain allergen.
A n u n d e r s t a n d i n g of t h e p s y c h o l o g i c a l l i f e of a s t h m a t i c p a t i e n t s
would seem to indicate t h a t they are subject to a universal h u m a n c o n ­
flict b e t w e e n t h e t e n d e n c y t o a o t h e r e m o t i o n a l a t t i t u d e s w h i c h a r e i n ­
compatible w i t h such dependence. T h e asthmatic attack, a n expression
of t h e c o n f l i t , w o u l d s y m b o l i c a l l y r e p r e s e n t a n i n h i b i t e d c r y , a s y m p ­
t o m a t i c l a n g u a g e , b y m e a n s of w h i c h t h e i n d i v i d u a l p r o t e s t s a g a i n s t
separation from the mother.
R e s u l t s o b t a i n e d w i t h p s y c h o l o g i c a l t r e a t m e n t of a s t h m a t i c s w o u l d
j u s t i f y t h e f o l l o w i n g g e n e r a l a n d o b l i g a t o r y c o n c l u s i o n : I n all c a s e s o f
asthma
functional
factors,
vation
might
only
inexplicable
treatments we should
permit
explain
ofwe adopt
havefactores,
the
cases,
failed
must
thethe the
case,
utterlytechnique
physician
but
atonset
and
tothe
inbe established
willtreated
of
order
same
study
toallow
the byuncover
psychosomatic
successfully.
understand
to
time
metabolic
symptoms.
conditions
makethe any
ain
Such medicine,
alterations
origin
careful
which
emotionalthat is,factores
a ofprocedure while
psychological
all
andcertain
usual we attenpt
not to discover organic
constitutional
will
otherwise
clinical
obser­
which
R. João Alfredo, 25 (Tijuca) — Rio de Janeiro