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Literatura

Homero Gomes de Faria Junior


Livro do Professor

Volume 2
Livro de
atividades
©Shutterstock/Raquel Pedrosa

Dados Internacionais para Catalogação na Publicação (CIP)


(Maria Teresa A. Gonzati / CRB 9-1584 / Curitiba, PR, Brasil)

F224 Faria Jr., Homero Gomes de.


Literatura : livro de atividades : Homero Gomes de Faria Jr. –
Curitiba : Positivo, 2017.
v. 2 : il.
ISBN 978-85-467-1668-5 (Livro do aluno)
ISBN 978-85-467-1479-7 (Livro do professor)
1. Ensino médio. 2. Literatura – Estudo e ensino. I. Título.
CDD 373.33
©Editora Positivo Ltda., 2017
Proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio, sem autorização da Editora.
Estrutura do
03
texto poético
Estrutura do texto poético

versos livres: não


apresentam rimas

estrofe: verso: cada linha


conjunto de do poema,
versos de extensão variada
versos brancos: o
número de sílabas
poéticas não é regular,
cada verso da estrofe tem
Estrutura do um número de sílabas
texto poético poéticas diferente

ritmo: alternância entre


rima: semelhança
sílabas fortes
de sons em versos
e fracas e a sua
diferentes e/ou entre
repetição periódica
palavras nos versos

metrificação: contagem
do número de sílabas
existentes em cada
verso

Escansão: processo de dividir


di idi os versos em sílabas poéticas.
Contam-se as sílabas do verso apenas até a última sílaba tônica da última palavra desse verso.
Duas ou mais vogais, posicionadas no fim de uma palavra e no início da palavra seguinte,
unem-se em uma só sílaba métrica.

2 Volume 2
Estrutura da narrativa

personagens: protagonista, antagonista


narrador: onisciente, observador
Elementos da narrativa tempo: cronológico, psicológico, histórico
espaço: onde ocorre a ação
ponto de vista: foco narrativo de 3ª. ou de 1ª. pessoa

cronológico: sucessão temporal dos


acontecimentos narrados

histórico: época ou período em


tempo que a história se desenrola

psicológico: subjetividade do
personagem ou narrador

Narrador-observador: 3.ª pessoa,


sem onisciência (observa e narra os
fatos “de fora”)

Narrador-personagem:1.ª pessoa,
ponto de vista participa da história, narra o que observa e
o que sabe a partir de seu ponto de vista

Narrador onisciente: explora pensamentos


e sentimentos dos personagens, mas não
participa da história

Figura de linguagem

Figuras de linguagem

Paronomásia onomatopeia hipérbole sinestesia antítese paradoxo ironia

reprodução de exagero expressa o


palavras que aproximação palavras que
sons parecidos proposital de mistura de contrário ou algo
imitam sons entre palavras estabelecem
em palavras com fatos, ideias impressões bem diferente
de animais, de com sentido uma contradição
significados para dar mais sensoriais daquilo que se
objetos contrário entre si
diferentes ênfase quer comunicar

Literatura 3
figuras de linguagem

metáfora metonímia

uso de uma substituição de pode ser de


expressão em uma palavra ou vários tipos: parte
corresponde a
lugar de outra expressão por pelo todo; autor
uma comparação
havendo uma outra com a qual pela obra; marca
não explícita nem
relação entre os há relação de pelo produto;
marcada no texto
sentidos dessas proximidade de continente pelo
expressões significados conteúdo; etc.

Intertextualidade
Referência direta ou indireta a outro texto, com intenções distintas: homenageá-lo, criticá-lo, ironizá-lo, relê-lo.

Períodos literários

4 Volume 2
Atividades
1. Leia o poema a seguir de Manoel de Barros e responda às questões de 1 a 5 a respeito do texto e das estruturas do
gênero poético.

Matéria de poesia
I Tudo aquilo que a nossa
Todas as coisas cujos valores podem ser civilização rejeita, pisa e mija em cima,
disputados no cuspe à distância serve para poesia
servem para poesia
Os loucos de água e estandarte
O homem que possui um pente servem demais
e uma árvore O traste é ótimo
serve para poesia O pobre-diabo é colosso
[...]
Tudo que explique
As coisas que não levam a nada o alicate cremoso
têm grande importância e o lodo das estrelas
serve demais da conta
Cada coisa ordinária é um elemento de estima
[...] Pessoas desimportantes
dão pra poesia
Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma qualquer pessoa e escada
e que você não pode vender no mercado Tudo que explique
como, por exemplo, o coração verde a lagartixa da esteira
dos pássaros, e a laminação de sabiás
serve para poesia é muito importante para a poesia
[...]
O que é bom para o lixo é bom para a poesia
BARROS, Manoel de. Matéria de poesia. São Paulo: LeYa, 2013. p. 9-12. (Biblioteca de Manoel de Barros)

a) Esse poema é metalinguístico. Para explicar esse conceito, basta perceber a constante repetição de um único verso
no poema e sua relação com o que está sendo dito pelo eu lírico. Informe, a seguir, que verso é esse e explique o
assunto de que trata o texto.
O verso que foi repetido durante todo o poema é “serve para poesia” e mostra, desde a primeira estrofe, que o assunto do poema

é o próprio poema, ou melhor, o fazer poético para o eu lírico. Metalinguístico, nesse contexto, pode ser explicado como um texto

poético que delimita as maneiras de se fazer poesia, ou o que “serve para poesia”.

b) Para o eu lírico, o que “serve para poesia”? Assinale (V) para as respostas verdadeiras e (F) para as falsas.
I. ( F ) Acontecimentos heroicos. VI. ( V ) Tudo o que for inútil.
II. ( V ) Coisas de pouco valor. VII. ( F ) Histórias de uma nação.
III. ( V ) Uma planta. VIII. ( F ) Civilizações antigas e impérios.
IV. ( F ) Figuras políticas importantes. IX. ( V ) O que é renegado pela sociedade.
V. ( F ) Sentimentos nobres. X. ( V ) Toda sujeira descartável.

Literatura 5
c) Comente o título do poema tendo em vista o assunto tratado no texto.
O título Matéria de poesia faz referência ao material, conteúdo de que é feito ou do que poderia ser feito um poema, de acordo com

o eu lírico. O poema, portanto, é uma enumeração em verso desses possíveis materiais a serem utilizados.

d) Informe as estruturas (estrofe, verso, metrificação, rima e ritmo) utilizadas no texto Matéria de poesia, de Manoel
de Barros.
São 11 estrofes (do trecho transcrito) não regulares, ou seja, cada uma possuindo uma quantidade variável de versos. A metrificação

não é padrão. Cada verso, portanto, tem uma quantidade específica de sílabas melódicas. Rimas não foram utilizadas neste

poema. Embora não haja um padrão de versos nem de sílabas melódicas, há um ritmo próprio no poema, principalmente pela

repetição do verso “serve para poesia”.

e) Manoel de Barros faz uso da figura de linguagem chamada anáfora, que é a repetição de uma palavra, ou de frases
ou versos, de modo parcial ou total em um texto. Explique como esse recurso aparece e como é utilizado.
A anáfora, no poema, está mais presente na repetição do verso “serve para poesia”, mas também na repetição, no início de duas

estrofes, do verso “tudo que explique”.

(UFPB) Leia a crônica a seguir, de Carlos Drummond de Andrade, e responda às questões 2, 3 e 4.

Calça literária
É assíduo leitor de blusas, camisas, saias, calças estampadas. Não lhe escapa um exemplar novo. Parece
desligado, e observa tudo. Segundo ele, as peças de indumentária, masculina e feminina, ostentando
símbolos e nomes de universidades americanas, manchetes, páginas de jornal, retratos de Pelé e Jimi
Hendrix, apelos ao amor que não à guerra, etc., há muito deixaram de ser originais. [...] Hoje, lê-se mais
nos tecidos do que nos livros, e não é ler apenas, é ver cinema e televisão, pois os corpos, ao se moverem,
dinamizam as figuras estampadas.
[...]
− Ontem eu li uma calça comprida, de mulher, que à primeira vista não tinha nada de especial. Estava
escrita como tantas outras. Mas o texto (não confundir com textura) me chamou a atenção. Geralmente,
calças e blusas não são literárias. Trazem notícias, anúncios, slogans, mas versos, ainda não tinha visto.
Pois essa tinha poemas em português, de Camões ao Vinicius.
[...]
− Foi a primeira calça literária, totalmente poética, do meu conhecimento. Feita em São Paulo? Talvez.
Caracteres pretos sobre fundo branco. Versos em todas as direções. De Bilac, de Cecília, de Bandeira, de
Castro Alves, de Fernando Pessoa. Uma antologia, bicho. Sem ordem, naturalmente. Escuta aí: Onde vais
à tardezinha, morena flor do sertão? O que eu adoro em ti é a vida. Aqui outrora retumbaram hinos. Oh
abelha imaginativa! O que o desejo inventa... Vou-me embora pra Pasárgada. Amor é fogo que arde sem
se ver. Ninguém sonha duas vezes o mesmo sonho. No monte de amor andei, por ter de monteiro fama,
sem tomar gamo nem gama. Clorindas e Belindas brincam no tempo das berlindas. Eu tenho amado
tanto e não conheço o amor. Estrela Vésper do pastor errante. ’Tamos em pleno mar: dois infinitos ali se
alteiam...

textura: tecido.
monteiro: aquele que caça nos montes.
tomar: capturar.
gamo: veado.

6 Volume 2
[...] Mas que seja infinito enquanto dure. Cantando espalharei por toda parte. Tudo não escondido
perde a graça. O cinamomo floresce em frente do teu postigo. Crisântemo divino aberto em meio da
solidão... Tinha uma pedra no meio do caminho.
[...] Os poetas que tratem de defender seus direitos autorais. A menos que considerem uma honra
vestir de versos as mulheres.
cinamomo: arbusto.
postigo: pequena janela.
ANDRADE, Carlos Drummond de et al. Para gostar de ler: crônicas. São Paulo: Ática, 1979. p. 62-64.

2. No trecho “Hoje, lê-se mais nos tecidos do que nos livros...”, o autor
a) afirma que calças e blusas não têm que ser literárias.
X b) amplia o conceito de leitura.
c) considera uma honra vestir de versos as mulheres.
d) entende que as peças de indumentária masculina e feminina devem informar mais que os livros.
e) vê que a leitura só se dinamiza com as figuras estampadas.
3. Em “Calça Literária”, o verso citado de Vinicius de Moraes, “mas que seja infinito enquanto dure.”, extraído do famoso
“Soneto da fidelidade”, expressa as ideias de temporalidade do amor e desejo de aproveitar a vida, enquanto é pos-
sível. Essas ideias também se encontram em alguns dos versos de “Marília de Dirceu”.

I. O tirano Amor risonho De quem nem sequer temos a memória!


Me aparece e me convida Só podem conservar um nome eterno
Para que seu jugo aceite; Os versos, ou a história.
E quer que eu passe em deleite
O resto da triste vida IV. Ah! enquanto os Destinos impiedosos
Não voltam contra nós a face irada,
II. O tempo não respeita a formosura; Façamos, sim façamos, doce amada,
E da pálida morte a mão tirana Os nossos breves dias mais ditosos.
Arrasa os edifícios dos Augustos, Um coração, que frouxo
E arrasa a vil choupana. A grata posse de seu bem difere,
A si, Marília, a si próprio rouba,
III. Que belezas, Marília, floresceram, E a si próprio fere.

(Trechos extraídos de GONZAGA, Tomás Antônio. Marília de Dirceu. 31. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002.)

As duas ideias referidas ocorrem ao mesmo tempo na(s) estrofe(s):


a) I e II. d) I e III
b) II e IV. e) II e III
X c) IV
4. O significado do verso – “O tempo não respeita a formosura” – é mantido na estrutura:
a) O tempo enaltece a formosura.
b) O tempo cura a formosura.
c) O tempo enfatiza a formosura.
d) O tempo revigora a formosura.
X e) O tempo desgasta a formosura.

Literatura 7
(FGV – SP) Texto para a questão 5.

Pastora de nuvens, fui posta a serviço


por uma campina tão desamparada
que não principia nem também termina,
e onde nunca é noite e nunca madrugada.

(Pastores da terra, vós tendes sossego,


que olhais para o sol e encontrais direção.
Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.
Eu, não.)

(Cecília Meireles)

Esse trecho faz parte de um poema de Cecília Meireles, intitulado “Destino”, uma espécie de profissão de fé da autora.
5. Considerando-se as figuras de linguagem utilizadas no texto, pode-se dizer que
a) as duas estrofes são uma metáfora de um pleno sentimento de paz.
X b) o texto revela a antítese entre dois universos de atuação, com diferentes implicações.
c) há, nos versos, comparação entre atividades agrícolas e outras, voltadas à pecuária.
d) o verso “Sabeis quando é tarde, sabeis quando é cedo.” contém uma hipérbole.
e) as estrofes apresentam, em sentido figurado, a defesa da preservação das ocupações voltadas ao campo.
6. (UFAM) Para responder à questão 6, leia antes o poema “Tecendo a manhã”, de João Cabral de Melo Neto, abaixo
transcrito:

Um galo sozinho não tece uma manhã: 2


ele precisará sempre de outros galos. E se encorpando em tela, entre todos,
De um que apanhe esse grito que ele se erguendo tenda, onde entrem todos,
e o lance a outro; de um outro galo se entretendendo para todos, no toldo
que apanhe o grito que um galo antes (a manhã) que plana livre de armação.
e o lance a outro; e de outros galos A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que com muitos outros galos se cruzem que, tecido, se eleva por si: luz balão.
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

Outras afirmativas se fazem a respeito do poema:


1. Na primeira estrofe, não há rimas, pois não se pode caracterizar como tal a repetição de palavras.
2. Na segunda estrofe, observa-se que a palavra “toldos” faz parte de uma rima toante, enquanto “armação” e “balão”
constituem a rima perfeita do poema e, por isso mesmo, classificam-se como rima consoante.
3. A supressão de palavras na estrofe inicial justifica-se como uma forma de reprodução do canto dos galos: antes de
cessar o canto de um, já o canto de outro dá prosseguimento ao som.
4. Uma aliteração, formada pela constância de duas consoantes sonoras (“t” e “d”), é a base rítmica da segunda
estrofe.

8 Volume 2
Estão corretas:
a) apenas 2 e 4 c) apenas 2 e 3 e) 1, 3 e 4
X b) 1, 2 e 4 d) apenas 1 e 3
7. (UFRS – RS) Leia os versos abaixo, do poema “Chama e Fumo” de Manuel Bandeira.

Chama e fumo
1 Amor – chama, e, depois, 4 Gozo cruel, ventura escassa, 7 A cada par que a aurora enlaça,
fumaça... 5 Dono do meu e do teu ser, 8 Como é pungente o entardecer!
2 Medita no que vais fazer: 6 Amor - chama, e, depois, 9 O fumo vem, a chama passa...
3 O fumo vem, a chama passa... fumaça... [...]

Assinale a alternativa correta sobre os versos citados.


X a) Através de uma linguagem concisa e metafórica, os versos abordam o tema do amor – em sua intensidade e efe-
meridade.
b) Os versos se apresentam numa linguagem elaborada e explícita, contrariando a tendência à síntese inerente ao
gênero lírico.
c) As quadras que compõem as estrofes do poema são irregulares quanto à métrica e às rimas.
d) Os versos 07 e 08 contêm imagens visuais em que o poeta descreve um par amoroso, alternadamente, ao ama-
nhecer e ao crepúsculo.
e) O poeta expressa, em versos decassílabos, o desejo de que o amor permaneça eternamente vivo.
8. (UnB – DF)

Mãos dadas
1 Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
4 Estão taciturnos, mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
7 Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
10 Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente

A obra literária em versos tem ritmo e metro distintos do texto em prosa. Com relação às características do texto
literário e tendo por base o poema MÃOS DADAS, julgue os itens a seguir:
0) O poema é composto por duas estrofes assimétricas.
1) Os versos não obedecem a um esquema métrico constante nem a um ritmo regular.
2) As estrofes são constituídas por versos brancos.
3) Há um paralelismo rítmico, com uma gradação semântica, em “o tempo presente os homens presentes, a vida
presente”.

Literatura 9
9. (FUVEST – SP)

“[...] Escobar vinha assim surgindo da sepultura, do seminário e do Flamengo para se sentar comigo à
mesa, receber-me na escada, beijar-me no gabinete de manhã, ou pedir-me à noite a bênção do costume.
Todas essas ações eram repulsivas; eu tolerava-as e praticava-as, para me não descobrir a mim mesmo e
ao mundo. Mas o que pudesse dissimular ao mundo, não podia fazê-lo a mim, que vivia mais perto de
mim que ninguém. Quando nem mãe nem filho estavam comigo o meu desespero era grande, e eu jurava
matá-los a ambos, ora de golpe, ora devagar, para dividir pelo tempo da morte todos os minutos da vida
embaçada e agoniada. Quando, porém, tornava a casa e via no alto da escada a criaturinha que me queria
e esperava, ficava desarmado e diferia o castigo de um dia para outro.
O que se passava entre mim e Capitu naqueles dias sombrios, não se notará aqui, por ser tão miúdo e
repetido, e já tão tarde que não se poderá dizê-lo sem falha nem canseira. Mas o principal irá. E o prin-
cipal é que os nossos temporais eram agora contínuos e terríveis. Antes de descoberta aquela má terra da
verdade, tivemos outros de pouca dura; não tardava que o céu se fizesse azul, o sol claro e o mar chão,
por onde abríamos novamente as velas que nos levavam às ilhas e costas mais belas do universo, até que
outro pé de vento desbaratava tudo, e nós, postos à capa, esperávamos outra bonança, que não era tardia
nem dúbia, antes total, próxima e firme [...]”.

(Fragmento do livro Dom Casmurro, de Machado de Assis)

A narração dos acontecimentos com que o leitor se defronta no romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, se faz
em primeira pessoa, portanto, do ponto de vista da personagem Bentinho. Seria, pois, correto dizer que ela apresenta-se:
a) fiel aos fatos e perfeitamente adequada à realidade;
X b) viciada pela perspectiva unilateral assumida pelo narrador;
c) perturbada pela interferência de Capitu que acaba por guiar o narrador;
d) isenta de quaisquer formas de interferência, pois visa à verdade;
e) indecisa entre o relato dos fatos e a impossibilidade de ordená-los.
10. (UEL – PR) A questão refere-se a uma estrofe, transcrita abaixo, do poema de Fernando Pessoa.

MAR PORTUGUÊS
Ó mar salgado, quanto do teu sal Valeu a pena? Tudo vale a pena
São lágrimas de Portugal! Se a alma não é pequena.
Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quem quer passar além do Bojador
Quantos filhos em vão rezaram! Tem que passar além da dor.
Quantas noivas ficaram por casar Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Para que fosses nosso, ó mar! Mas nele é que espelhou o céu.

PESSOA, F. Mensagem. In: Mensagem e outros poemas afins seguidos de Fernando Pessoa e ideia de Portugal. Mem Martins: Europa-América [19-].

Em relação aos mesmos versos da questão anterior [“Ó mar salgado, quanto do teu sal / São lágrimas de Portugal”],
ocorrem, respectivamente, duas figuras de linguagem nomeadas:
a) Metáfora e onomatopeia.
b) Catacrese e ironia.
c) Anacoluto e antítese.
d) Sinédoque e aliteração.
X e) Pleonasmo e metáfora.

10 Volume 2
04
Trovadorismo

Contexto histórico mundial

perdurou do século XII ao século XIV

sistema político: feudalismo

papel predominante da Igreja Católica

reconquista da Península Ibérica – Cruzadas


Idade Média
teocentrismo e espiritualismo

monopólio das artes e das letras nos mosteiros

formação de novas línguas


cultura predominantemente oral

primeiros textos em língua portuguesa


(galego-português)

Poesia medieval portuguesa


Trovadores: poeta medieval – compunha, tocava, cantava

etapas da
coita: dor de
aproximação
amor
amorosa

amor cortês

amor
eu lírico: voz inacessível
masculina

Literatura 11
Cantigas
origem provençal
eu lírico masculino
objeto de desejo: a dama (“senhor”)
de amor vassalagem amorosa
coita – dor de amor/amor cortês
mulher idealizada
ambiente palaciano
líricas

origem lusitana (galego-portuguesa)


eu lírico feminino
objeto desejado: o “amigo”
de amigo
amor real – concreto
mulher sofre pelo amor ausente
ambiente popular, rural
paralelismo – par de estrofes como
unidade rítmica
cantigas

eu lírico masculino
crítica indireta
de escárnio
ironia e ambiguidade
não revela o alvo da crítica

satíricas

crítica direta
zombaria e difamação
de maldizer
temática e linguagem fescenina (vulgares)
menciona o alvo da crítica

Novelas de cavalaria

NOVELAS DE CAVALARIA

Características Principais obras


narrativas que abordam aventuras de cavaleiros medievais
A demanda do Santo Graal
contam grandes feitos dos cavaleiros mesclados às
Tristão e Isolda
histórias de amor
Amadis de Gaula
histórias de amor idealizadas e realizadas

12 Volume 2
1. Os dois textos a seguir, que servirão de base para responder às questões de 1 a 5, estão separados por seis séculos,
entretanto, aproximam-se tematicamente. O primeiro é uma letra de música (“Sozinho”, de Peninha). O segundo texto
é de Nuno Fernandes Torneol, “Cantiga de amor de refrão”.

Sozinho Cantiga de amor de refrão


Às vezes no silêncio da noite Se em partir, senhora minha,
Eu fico imaginando nós dois... mágoas haveis de deixar
Eu fico ali sonhando acordado, a quem firme em vos amar
juntando foi desde a primeira hora,
o antes, o agora e o depois. se me abandonais agora,
ó formosa! Que farei?
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim? Que farei se nunca mais
Estou me sentindo muito sozinho! contemplar vossa beleza?
Morto serei de tristeza.
Não sou e nem quero ser o seu dono... Se Deus me não acudir,
É que um carinho às vezes cai bem! nem de vós conselho ouvir,
Eu tenho meus desejos e planos ó formosa! Que farei?
secretos
A Nosso Senhor eu peço
Só abro pra você e mais ninguém quando houver de vos perder,
Por que você me esquece e some? se me quiser comprazer,
E se eu me interessar por alguém? que a morte me queira dar.
E se ela de repente me ganha? Mas se a vida me poupar,
ó formosa! Que farei?
Quando a gente gosta
é claro que a gente cuida Vosso amor me leva a tanto!
Fala que me ama, Se, partindo, provocais
só que é da boca pra fora... quebranto que não curais
Ou você me engana, a quem de amor desespera, contemplar: apreciar, admirar.
ou não está madura! comprazer: deleitar, satisfazer.
de vós conselho quisera:
quebranto: maldição.
Onde está você agora? ó formosa! Que farei?
Peninha. Sozinho. Intérprete: Peninha. In: PENINHA. Sonhos e TORNEOL, Nuno Fernandes. In: CORREIA, Natália (Adaptação).
sucessos. [S.l]: Warner Music, 2004. 1 CD. Faixa 2. Cantares dos trovadores galego-portugueses. 2. ed. Lisboa: Editorial
SOZINHO de PENINHA (Aroldo Alves Sobrinho) Estampa, 1978. p. 217.
Copyright 1996, PEERMUSIC DO BRASIL EDIÇÕES MUSICAIS LTDA

a) Qual é o tema compartilhado pelos dois textos?


A ausência da pessoa amada.

b) Os dois textos se dirigem a um interlocutor. Informe quem é.


O interlocutor, nos dois textos, é a pessoa amada.

c) Na letra da música de Peninha, o eu lírico conjectura sobre o futuro do seu relacionamento, tal como na cantiga de
Torneol. Como são caracterizados os relacionamentos em cada texto?
Em cada um dos dois textos, o eu lírico está sozinho, sem a pessoa amada, sem entender o abandono (se é que a solidão dele pode

se configurar assim), desejando o reencontro com ela, e fala sobre o futuro, mostrando desespero e expectativa.

Literatura 13
d) Nos dois textos, há a utilização de anáfora. Que versos são repetidos em cada um deles e que ideias levantam?
Avalie as afirmativas a seguir, considerando o tema de cada canção em relação à figura de linguagem utilizada,
marcando (V) para verdadeiro e (F) para falso.
( F ) No primeiro texto, o verso repetido é “Onde está você agora?”, enquanto no segundo é “ó formosa! Que fa-
rei?”, e as ideias que levantam são, sobretudo, o desejo de solidão e dúvida sobre o que fazer com a liberdade
conquistada.
( V ) Na letra da música de Peninha, o verso repetido mostra a aflição da constante ausência da pessoa amada, do
desejo de tê-la por perto.
( V ) No texto de Torneol, o verso que se repete demonstra que ocorre incerteza sobre o que fazer do futuro diante
da possibilidade da distância entre os amantes, da partida de sua “senhora”.
( V ) O eu lírico da canção de Peninha questiona onde a amada está e o de Torneol pede conselho sobre o que fazer
de seu futuro sem a amada.
e) Para ser classificado como “cantiga de amor”, existem alguns elementos estruturais que caracterizam o poema. Ana-
lise-os no texto de Torneol.
F I. O eu lírico desdenha do amor e da presença da amada, mesmo com a possibilidade da perda.
V II. O trovador sempre se dirige à amada de maneira respeitosa, como pode ser observado pela menção à “senhora minha”.
V III. Há o sofrimento amoroso pela perda da amada, sem a qual o eu lírico não saberá o que fazer da vida.

F IV. Os elementos da poesia trovadoresca são o amor e a sátira, tal como acontece no poema de Torneol.

Assinale, a seguir, as alternativas que julgam adequadamente os itens anteriores.


a) Não são corretos os itens I e III. c) Não são corretos os itens II e IV.
X b) São corretos os itens II e III. d) São corretos os itens I e IV.
2. (MACKENZIE – SP)
Assinale a alternativa incorreta a respeito do Trovadorismo em Portugal.
X a) Durante o Trovadorismo, ocorreu a separação entre poesia e a música.
b) Muitas cantigas trovadorescas foram reunidas em livros ou coletâneas que receberam o nome de cancioneiros.
c) Nas cantigas de amor, há o reflexo do relacionamento entre o senhor e vassalo na sociedade feudal: distância e
extrema submissão.
d) Nas cantigas de amigo, o trovador escreve o poema do ponto de vista feminino.
e) A influência dos trovadores provençais é nítida nas cantigas de amor galego-portuguesas.
3. (UFPA) Amor, desamor e ciúme; frequente inspiração na vida popular, bem como a exploração de eu feminino indicam
cantigas de:
X a) amigo. c) amor. e) maldizer.
b) amor e amigo. d) escárnio.
4. (MACKENZIE – SP) Assinale a afirmativa correta em relação ao Trovadorismo.
X a) Um dos temas mais explorados por esse estilo de época é a exaltação do amor sensual entre nobres e mulheres
camponesas.
b) Desenvolveu-se especialmente no século XV e refletiu a transição da cultura teocêntrica para a cultura antropocêntrica.
c) Devido ao grande prestígio que teve durante toda a Idade Média, foi recuperado pelos poetas da Renascença,
época em que alcançou níveis estéticos insuperáveis.

14 Volume 2
d) Valorizou recursos formais que tiveram não apenas a função de produzir efeito musical, como também a função de
facilitar a memorização, já que as composições eram transmitidas oralmente.
e) Tanto no plano temático como no plano expressivo, esse estilo de época absorveu a influência dos padrões estéti-
cos greco-romanos.
5. (PUC – RS) O paralelismo, uma técnica de construção literária nas cantigas trovadorescas, consistiu em:
a) unir duas ou mais cantigas com temas paralelos e recitá-las em simultaneidade.
X b) um conjunto de estrofes ou um par de dísticos em que sempre se procura dizer a mesma ideia.
c) apresentar as cantigas, nas festas da corte, sempre com o acompanhamento de um coro.
d) reduzir todo o refrão a um dístico.
e) pressupor que há sempre dois elementos paralelos que se digladiam verbalmente.
6. (UFMG) Nas mais importantes novelas de cavalaria que circularam na Europa medieval, principalmente como propa-
ganda das Cruzadas, sobressaem-se:
a) as namoradas sofredoras, que fazem bailar para atrair o namorado ausente.
X b) os cavaleiros medievais, concebidos segundo os padrões da Igreja Católica (por quem lutam).
c) as namorada castas, fiéis, dedicadas, dispostas a qualquer sacrifício para ir ao encontro do amado.
d) os namorados castos, fiéis, dedicados que, entretanto, são traídos pelas namoradas sedutoras.
e) os cavaleiros sarracenos, eslavos e infiéis, inimigos da fé cristã.
7. (PUC – RS) As narrativas que descrevem as lutas dos cruzados envolvem sempre um herói muito engajado na luta
pela cristandade, podendo ser a um só tempo frágil e forte, decidido e terno, furioso e cortês. No entanto, com relação
à mulher amada, esse herói é sempre:
a) pouco dedicado. X c) devotado. e) n.d.a.
b) infiel. d) indelicado.
(UEMS) Observe com atenção os poemas que seguem e responda à questão.

Noutro Dia, quando m’ eu espedi* *despedi-me


De mia senhor, e quando mi’ houv’ a ir* *tive de ir
E me non falou, nem me quis oir*, *ouvir
Tan sem ventura foi que non morri,
Que, se mil vezes podesse morrer,
Meor* coita me fora de sofrer” *menor
U lh´eu dixi: “com graça*, mia senhor! *com licença
Catou-m’* un pouco e tece-mi en desden *olhou-me
E, por que mi non disse mal nen bem,
Fiquei coitad’ e com tan gran pavor
Que, se mil vezes me fora de sofrer!
E sei mui bem, u* m’ eu dela quitei *quando
E m’ end* eu fui, e non mi quis falar, *dali
Ca, pois * ali non morri com pesar *desde que
Nunca jamais com pesar morrerei,
Que, se mil vezes podesse morrer,
Meor coita me fora de sofrer.
COELHO, D. João Soares. In.: SPINA, Segismundo. (Org.). Presença da literatura portuguesa:
era medieval. 7. ed. São Paulo: Difel, 1981. p. 44.

Literatura 15
Cantar de Amor
Quer’eu en maneyra de proençal
Fazer agora hum cantar d’amor ...
D. Dinis
Mha senhor, com’oje dia son,
Atan cuitad’ e sem cor assi!
E par Deus non sei que farei i,
Ca non dormhoá mui gran sazon.
Mha senhor, ai meu lum’ e meu bem,
Meu coraçon non sei o que tem.

Noit’e dia no meu coraçon


Nulha ren se non a morte vi,
E pois tal coita non mereci,
Moir’eu logo, se deus mi perdon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu bem
Meu coraçon non sei o que tem.
Des oimais o viver m’e prison:
Grave diáquel en que naci!
Mha senhor, ai rezade por mi,
Ca per’ço sem e per’ça razon.
Mha senhor, ai meu lum’e meu bem
Meu coraçon non sei o que tem.
BANDEIRA, Manuel. Lira dos cinquenta anos. Rio de Janeiro:
José Olímpio, 1960. p. 56.

Levando em conta a leitura dos textos elencados e mobilizando seus conhecimentos no que se refere à Evolução dos
Movimentos Literários, é correto afirmar:
a) Os Movimentos literários permanecem estanques dentro de um limite temporal definido, fato importante para a de-
limitação das principais características de cada movimento e, principalmente, para a constatação da imutabilidade
das tendências literárias.
b) Os Movimentos literários são definidos pelo cotejo das manifestações artísticas de um determinado período his-
tórico, sendo, portanto, natural que não existam possibilidades de movimentos complexos ou de uma gradativa
retomada de tendências anteriores em novos movimentos.
c) O poema “Cantar de amor” de Manuel Bandeira comprova que não existe evolução entre os Movimentos literários.
Estes se sobrepõem uns aos outros sem, contudo, estabelecerem uma mútua influência. Dessa forma, as ten-
dências permanecem confinadas a um dado período histórico, fato, inclusive, comprovado pela distância entre o
poema de João Soares Coelho e a obra de Manuel Bandeira.
X d) Os Movimentos literários, embora circunscritos a um determinado período histórico, apresentam um complexo jogo
de influências e interdependências, fato que possibilita pensar em um constante diálogo entre tendências e, con-
sequentemente, compreender que uma nova corrente se forma por meio da interação com uma ou mais correntes
anteriores, formando os elementos constitutivos da tradição literária.
e) O Trovadorismo perde sua importância na medida em que está restrito aos limites históricos do início do milênio. A
emotividade, o saudosismo, a busca pela religiosidade, entre outros comportamentos refletem uma tendência vista
somente nesse movimento literário. Essa ideia comprova a ingenuidade de Manuel Bandeira ao retomar, no século
XX, uma forma de composição usada no século XI.

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