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JORNAL DA ALERJ

A S S E M B L É I A L E G I S L AT I VA D O E S TA D O D O R I O D E J A N E I R O
Ano VI N° 171– Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008
Rafael Wallace

Próxima estação: respeito


l NESTE NÚMERO Problemas enfrentados por usuários de transportes coletivos tornam-se
bandeira de luta dos deputados, que criticam o mau serviço prestado

P
Começam os
preparativos para
a quarta edição do recisa melhorar. Esta é a frase O JORNAL DA ALERJ listou as prin-
Parlamento Juvenil mais ouvida quando o assunto é cipais queixas dos usuários e ouviu os
PÁGINAS 3 o sistema de transportes aqua- deputados que, além de utilizarem os trans-
viário, metroviário, ferroviário e urbano portes fluminenses, criaram leis e projetos
Sugestões de do estado. Nos últimos meses, inúmeras para defender um dos mais básicos direitos
associações viram queixas têm chegado à Alerj dando conta do cidadão, o de ir e vir. Numa coisa, pelo
leis que beneficiam do colapso nestes serviços. Passageiros menos, todos os parlamentares concordam:
o cidadão fluminense reclamam das longas filas, de vagões e regras e normas básicas das concessões
PÁGINAS 4 e 5 embarcações lotados, de problemas na não estão sendo cumpridas, assim como
qualidade do ar e da falta de preparo das também estão sendo desrespeitados os
Olney Botelho equipes das concessionárias, dentre ou- passageiros. “O serviço hoje é pior do que
mostra que tros. O Poder Legislativo, que possui duas na época em que era administrado pelo
Política se faz com comissões específicas para tratar o tema, Governo”, reforça a presidente da Comissão
empreendedorismo embarcou nas denúncias e tem realizado de Defesa do Consumidor da Casa, deputada
PÁGINA 12 audiências, atos públicos e conferido, in Cidinha Campos (PDT).
loco, a má qualidade do atendimento. PÁGINAS 6, 7 e 8
2 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008

Frases Consulta popular Expediente

“ Não há um
município da Região
Metropolitana que
l Meu pai sofreu um ataque cardíaco dentro de um
shopping. Tivemos que pedir socorro e o transporte dele
até o hospital mais próximo demorou bastante. Gostaria
possa dizer que de saber se existe alguma lei que diga que o local deva
aplicará uma política ser responsável pelo socorro de seus clientes.
pública isolada.
Os problemas da
Liliane Neri, Curicica, Rio de Janeiro
ALERJ
cidade do Rio são Assembléia Legislativa
do Estado do Rio de Janeiro
metropolitanos; até o fechamento, para trans-
os problemas porte de pacientes em estado Presidente
do município de Deputado grave. Essa é uma lei que Jorge Picciani

Duque de Caxias Chiquinho da vai beneficiar muito a popu- 1ª Vice-presidente


Coronel Jairo
são metropolitanos, Mangueira lação. Não é a primeira vez
2º Vice-presidente
como também são (PMDB) que acontece um problema Gilberto Palmares
os de Niterói, São deste tipo, e os shoppings 3º Vice-presidente
Gonçalo, Nova simplesmente não assumem
4º Vice-presidente
Iguaçu, São João de nenhuma responsabilidade Gerson Bergher
Meriti e outros

Luiz Paulo (PSDB), afirmando
que os municípios têm que
l O projeto de lei
1.413/08, de minha autoria,
em tramitação na Assem-
em relação aos seus clientes.
A partir do momento em
que essa lei for aprovada, os
1ª Secretária
Graça Matos
2º Secretário
Zito
desenvolver uma ótica metropolitana bléia Legislativa, obriga os shoppings vão ser obrigados
das políticas públicas. 3º Secretário
grandes shoppings a terem a ter um médico e uma am- Dica


uma ambulância de plantão bulância para prestar aten-
A realidade é 4ª Secretário
desde o horário de abertura dimento imediato. Fabio Silva
que, em cada dez 1a Suplente
amputações de
membros inferiores,
Alô, Alerj “Ganhei bônus que me beneficiaram”
2 o Suplente
estima-se que sete Armando José

sejam decorrentes 3º Suplente


Pedro Augusto
de complicações

4º Suplente
André Pereira
Zô Guimarães

da diabetes Edino Fonseca

Nilton Salomão (PMDB), fazendo um


Dionísio, 26 anos,
JORNAL DA ALERJ
apelo às autoridades, para que o assunto teve o financiamento Publicação quinzenal
seja tratado com mais atenção. para a casa própria, do Departamento de
Comunicação Social da
em Caxias, aprovado Assembléia Legislativa do
Estado do Rio de Janeiro
Rafael Wallace
Jornalista responsável
Fernanda Pedrosa (MT-13511)

Coordenação: Geiza Rocha e


“Fiquei seis meses procurar o Alô, Alerj. Fiquei Everton Silvalima
tentando conquistar o fi- surpreso com a mudança de
Reportagem: Luciana Ferreira,
nanciamento que conce- conduta da financiadora, Fernanda Porto e Marcela Maciel
dia a minha casa própria. que se mostrava negligente
Estagiários: Ana Beatriz Couto,
A financiadora havia me anteriormente, e, dez dias Camila de Paula, Carla Boechat,
alertado que eu teria difi- depois do contato com a

Fabiano Veneza, Karina Moura,
É preciso culdades por não possuir o Alerj, aprovou o pedido que,
Natalia Alves e Zô Guimarães

estarmos vigilantes, perfil desejado, pelo fato de até então, o sistema não Fotografia: Rafael Wallace
atentos, e, se for o ser muito jovem, o que não aceitava. Ainda ganhei bô- Diagramação: Daniel Tiriba
caso, estabelecer me excluía dos requisitos nus que me beneficiaram,
uma comissão de exigidos. Tinha estabilida- e a aprovação da renda da Telefones: (21) 2588-1404/1383
acompanhamento de financeira comprovada e minha mulher em con- Fax: (21) 2588-1404
dessas legislações nunca tive dívidas em meu junto, que, antes, não era
Rua Primeiro de Março s/nº sala 406
CEP-20010-090 – Rio de Janeiro/RJ
que estão sendo nome. Mesmo que houves- permitida, passou a ser. Email: dcs@alerj.rj.gov.br
votadas em Brasília, se um motivo justo e legal Estamos muito satisfeitos
www.alerj.rj.gov.br

visando à alteração para negação do pedido, na casa nova. Tive total


dos royalties este deveria ser mencio- êxito com meu pedido
Impressão: Gráfica da Alerj


Coordenação: Leandro Pinho
de petróleo nado, pois eu merecia uma junto à financiadora, mas Montagem: Bianca Marques e
Rodrigo Graciosa
Sabino (PSC), sobre o movimento em resposta para tomar outra sei que não teria sem a
Brasília para busca de uma modificação medida. Foi aí que resolvi ajuda do Alô, Alerj.
da lei dos royalties do petróleo, o que Tiragem: 2 mil exemplares
traria prejuízo para o Rio de Janeiro.
Dúvidas, denúncias e reclamações: 0800 22 00 08
Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 3

Parlamento juvenil

Voto contra o aquecimento global

Zô Guimarães
Alunos da Escola
Técnica Henrique
Lage escolheram
um entre dois
candidatos a
parlamentar juvenil

Primeiro turno das eleições Para motivar os alunos e fazê-los se Arlindenor salienta que, nesta edição,
marca o início da quarta edição aprofundar em um assunto que mobiliza o número de participantes superou em
do projeto iniciado em 2003 o mundo todo, a Alerj lançou uma mesma 60% a edição anterior.
pergunta aos 523 inscritos neste primeiro Embora os projetos devam, obrigato-

C
M arcela M aciel turno das eleições juvenis: “O meio am- riamente, apresentar soluções e idéias
biente e o aquecimento global – qual a para a diminuição do aquecimento
om o primeiro turno das sua atitude?”. As oito fundações de Apoio global, o meio ambiente não reinará
eleições internas para o Par- à Escola Técnica do Estado (Faetecs) e absoluto. Para Mariana Silva Martins,
lamento Juvenil, foi dada os 180 colégios da rede estadual de Edu- de 15 anos, aluna da Henrique Lage,
a largada para a realização de mais cação responderam com a escolha, nos entender o processo de elaboração de
uma edição, a quarta, do projeto, que dias 28 e 30 de abril, do representante leis leva os estudantes a se interessarem
traz muitas novidades para 2008. Pela que elaborou a melhor resposta – ele irá mais por Política. “Toda a movimenta-
primeira vez, em cinco anos de criação, defender sua unidade no segundo turno ção, desde a eleição de nossos colegas
haverá um tema central que norteará do pleito, em 26 de maio. O processo de até a apresentação de suas propostas, a
os debates: o aquecimento global. “O votação movimentou as escolas. Na Es- realização de suas campanhas eleitorais
Parlamento Juvenil é um instrumento cola Técnica Henrique Lage, em Niterói, e a própria eleição, nos motiva muito.
de conscientização. Queremos que os cerca de mil estudantes escolheram entre Nossa empolgação nos faz participar do
estudantes cheguem aqui com idéias dois candidatos o parlamentar juvenil da projeto e isso faz pensar nos problemas
que incentivem a atitude de cada um instituição. e nos leva ao entendimento de como a
em relação ao meio ambiente, e, assim, Do total de inscritos em todo o esta- Política funciona”, avalia.
provocá-los e ver o que sugerem em do, apenas 190 foram selecionados para As eleições regionais desta quarta
relação ao consumo de energia, à uti- a próxima fase – desses, apenas 45 par- edição, quando os jovens receberão
lização da água, à destinação do lixo e ticiparão do Parlamento Juvenil, que será cursos de capacitação, irão ocorrer
a diversas outras questões que o tema realizado entre 23 e 29 de novembro de entre 1º de agosto e 30 de setembro de
abrange”, explica o coordenador-geral, 2008 na Alerj. O objetivo de centralizar as 2008. O Parlamento Juvenil foi criado
Arlindenor Pedro de Souza, que também idéias dos jovens estudantes em um úni- em 2003, pelo presidente da Alerj,
destaca a participação do Colégio de co tema, segundo o coordenador-geral, deputado Jorge Picciani (PMDB), com
Aplicação da Universidade do Estado do é motivar os jovens a elaborar propostas o objetivo de aproximar os alunos da
Rio (Cap-Uerj) como mais uma novidade que possam ajudar a modificar o desas- Política e de tornar os estudantes mais
desta nova fase. tre ambiental criado pelo aquecimento. participativos e conscientes.
4 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008

iniciativa popular

União que faz a força Divulgação Detran/RJ

A lei que obriga as oficinas mecânicas a afixarem os preços dos serviços em cartazes visíveis foi sugerida por alunas de um curso de mecânica

Associações e entidades de já teve dois projetos com essas caracte-


classe vêem suas sugestões rísticas aprovados no Plenário.
feitas ao Parlamento Algumas das sugestões acabam
transformarem-se em leis sendo avalizadas pelo Governo do es-
tado e se transformam em leis. Foi o

S
Da R edação que aconteceu com as alunas do curso
Mecânica do Batom, ministrado, em
e a Assembléia Legislativa 2005, pela Escola do Legislativo do Es-
do Rio é a Casa do Povo, nada tado do Rio em parceria com o Detran/
mais natural que associações RJ. Cansadas de serem enganadas em
de classes, moradores, grupos civis or- algumas oficinas, elas sugeriram ao
ganizados ou simplesmente um conjunto Parlamento a criação de um projeto para
de pessoas também sejam responsáveis a fixação, em lugares visíveis, da tabela
por muitas das reivindicações que se tor- de preços dos serviços automotivos.
nam leis e projetos de lei no estado. Nos A idéia foi encampada pelo deputado
últimos meses, propostas que nasceram
de idéias coletivas chegaram aos depu-
tados, que, sensibilizados, acabaram
Marco Figueiredo (PSC) e já se trans-
formou na Lei 5.216/08, sancionada pelo
governador Sérgio Cabral em 9 de abril.
“ Os estabelecimentos e oficinas
que realizam reparos ou revisão
em veículos que não cumprirem
transformando muitas delas em textos “O Executivo sinalizou a preocupação a lei estarão sujeitos a multas
legislativos. “Parte das idéias aparece com a transparência das informações que variam de 500 a mil Ufirs,
nas audiências que são realizadas aqui deste setor, que costumava tratar as dependendo da reincidência.
na Alerj e, com isso, vamos dando voz à mulheres com desrespeito e preconceito Estou muito satisfeito em
população que, muitas vezes, traz para ao alterar valores de serviços prestados contribuir para a solução de
os parlamentares questões e discussões
que desconhecíamos”, explica o depu-
tado Paulo Ramos (PDT), que, este ano,
para elas”, comemora o deputado.
Outra idéia coletiva que está vigoran-
do como lei surgiu das observações da
um problema recorrente
Deputado Marco
Figueiredo (PSC)

Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 11
5

iniciativa popular
l Sugestão legislativa
Associação de Diabetes de Teresópolis que foi aprovado pela Casa em 24 de

Fotos: Rafael Wallace


(ADT). Natural da cidade, o deputado abril. O deputado admite que a suges-
Nilton Salomão (PMDB) decidiu criar um tão partiu do Centro Campos da Paz de
projeto, junto aos ex-deputados Sérgio Proteção à Mulher. “Muitas mulheres já
Cabral e Paulo Pinheiro, para definição foram informadas sobre a importância
de uma política de prevenção e atenção da realização dos exames, mas não
integral aos portadores da doença. O encontram unidades de atendimento.
texto, que consta da Lei 3.885/02, ainda Esperamos, agora, que esse projeto se
não foi implantado. “Vou me reunir com torne lei e, assim, tenhamos uma vitória
o secretário de Estado de Saúde, Sérgio na luta”, invoca Maria Helena Campos
Côrtes, para discutir essa política, pois da Paz, responsável pelo centro.
o diabetes é uma epidemia”, alerta Sa- Outros que também poderão ser bene-
lomão, acrescentando que, hoje, cerca ficiados a partir de um projeto do deputa-
de dez milhões de pessoas vivem com do Paulo Ramos já aprovado e elaborado Desde 2001 funciona no
a doença no Brasil. A sanção da lei veio a partir de uma sugestão coletiva são os Congresso Nacional a Comissão
ao encontro de um desejo antigo dos animais. O projeto 1.044/07, que cria um de Legislação Participativa
diabéticos fluminenses. “Uma política selo a ser concedido às instituições que (CLP), criada para possibilitar a
desse tipo é muito importante, pois pode tenham investido em ações de defesa qualquer pessoa física ou jurídica
ajudar as instituições a manterem as dos animais, foi sugerido por alunos da a apresentação de propostas
doações e auxilia na divulgação de cam- turma de 2006 de Marketing da Faculda- legislativas. Durante esse tempo,
panhas educativas. O diabético precisa de Cândido Mendes. As ações coletivas 589 sugestões da sociedade foram
ter garantia de que pode levar uma vida não param por aí. A comemoração pelo apresentadas, sendo que 188 delas
normal”, assegura a presidente interina Dia dos Recicladores, a instalação de converteram-se em proposições
da ADT, Neiva Gonçalves Branco. brinquedotecas em hospitais, cotas para formais. Com base em todos esses
Numa das audiências da Comissão mulheres nos programas de esporte do dados, o deputado do Psol Marcelo
de Trabalho, presidida pelo pedetista estado e a permissão para a utilização Freixo (foto) protocolou um projeto
Ramos, surgiu a idéia da obrigatoriedade de bermudas por motoristas de ônibus e de resolução que acrescenta artigo
da realização de exames preventivos de táxis, dentre outros, também figuram ao Regimento Interno da Casa
de câncer de mama e do colo do útero como temas que associações consegui- possibilitando a participação
em servidoras públicas – a discussão ram transformar em projetos que estão da sociedade civil através de
desembocou no projeto de lei 1.144/07, tramitando na Alerj. Sugestão Legislativa, apresentada
por associação, órgão de classe,
sindicato ou entidade, sediados ou
com atuação no estado, desde que
regularmente constituídos e de fins
lícitos, com exceção de partidos
políticos representados na Alerj.
“Trata-se de proposição que
visa a aproximar a sociedade do
Parlamento, permitindo meios mais
acessíveis de submeter os pleitos à
apreciação legislativa, superando-
se o déficit participativo verificado
até aqui”, justifica o parlamentar.
Dessa forma, Freixo também quer
aumentar a participação popular, já
que, atualmente, além do contato
direto com os deputados e de

“ Caso o número de doentes


continue crescendo, do mesmo
modo que vem acontecendo
“ A responsabilidade social
é hoje uma das formas mais
utilizadas pelas empresas
outros canais criados pela Alerj,
como o Alô, Alerj, a proposição
de leis pode ser feita através de
com a dengue, o Governo do para obtenção de retorno com projetos de Iniciativa Popular. Para
estado não terá condições de relação à imagem de suas que um projeto dessa envergadura
dar suporte aos portadores de marcas e produtos. Instituições seja aceito, são necessárias
diabetes. A taxa de amputações que promovem ações na causa assinaturas de 0,2% do eleitorado
já é bastante elevada. São dados animal desenvolvem trabalho do estado – 21.783 pessoas no
que exigem atenção e ação
Deputado Nilton
Salomão (PMDB)
” significante
Deputado Paulo
Ramos (PDT)
” Rio –, distribuído em 10% dos 92
municípios fluminenses.
6 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 7

capa

Crônica de um caos anunciado


Acidentes nas barcas e má
Rafael Wallace Fabiano Veneza

qualidade do ar nas estações


do metrô são alguns dos
problemas enfrentados por
passageiros no estado

C
E verton S ilvalima ,
Natalia A lves e K arina Moura

om acidentes, atra-
sos, problemas de
acessibilidade e má
qualidade do ar res-
pirado no interior de
estações, não é muito difícil perceber
por que caminhos andam os transportes
no estado do Rio hoje. Especialistas co-
mentam que o futuro do sistema aponta

Fabiano Veneza
Enquanto usuários das barcas utilizaram
para a saturação, mas, a fim de evitar a Estação Praça XV (esq.) como palco
que o caos anunciado seja antecipado, para um ato público contra os serviços
deputados têm se mobilizado em favor prestados, passageiros do metrô, como as
da melhoria dos serviços. Para tanto, estudantes e irmãs Tiemi e Paula Martins
leis, abaixo-assinados, representações (alto), reclamam da qualidade do ar no
no Ministério Público (MP) e outros interior das estações. Após pesquisa
recursos já foram utilizados. “Estamos feita pela Uerj, onde os problemas foram
lutando pelo cumprimento do que está constatados, o deputado Fernando Gusmão
previsto nos contratos de concessão (dir.) apresentou projeto de lei obrigando
e pelo respeito à população que paga a concessionária Oporttrans a monitorar
altas tarifas por um serviço que tem o ar nas plataformas metroviárias.
sido mal prestado”, declara o deputado Aprovado em plenário, o projeto tornou-
Gilberto Palmares (PT), que preside se a Lei 5.212/08, que determina ainda
uma comissão especial para estudar as a divulgação dos resultados em painéis
condições e propor melhorias do sistema afixados em local visível
aquaviário do estado.
Os problemas ocorridos em águas Simão realizou ainda uma audiência anunciasse as audiências com a afixação Pelo menos duas vitórias já foram Segundo pesquisa da Universidade Tiemi Martins, 27 anos, e a irmã,
fluminenses com barcas e aerobarcos pública para discutir os novos acidentes de cartazes nas estações. conquistadas após a intervenção das do Estado do Rio (Uerj), seis das sete Paula, 22, usuárias do metrô. “Fica
deixaram nervosos muitos usuários das acontecidos em 2008 – um ano antes, Presidente da Comissão de Defesa do comissões da Alerj: a disponibilização estações do metrô analisadas estavam todo mundo dentro dos vagões lotados
concessionárias Barcas S/A e Transtur. uma série de problemas também afetou o Consumidor da Casa, a deputada Cidinha dos horários de chegada e partida das fora dos padrões para qualidade do respirando aquele ar, que, de acordo
Para discutir as queixas, que englobam, sistema aquaviário, deixando alguns fe- Campos (PDT) diz ser totalmente solidária barcas no site da Secretaria de Trans- ar. Apenas a Estação Cantagalo, em com a pesquisa, não está apropriado.
dentre outras, falta de informação sobre ridos nas travessias pela Baía de Guana- à insatisfação dos usuários das barcas. portes (www.transportes.rj.gov.br) e a Copacabana, mostrou-se satisfatória, Isso assusta”, garante Paula.
horário de partida das embarcações bara. “Fiz uma viagem com o secretário “Diariamente, recebo, em meu gabinete, retirada de painéis publicitários que ao contrário das estações Botafogo, Ca- Mas o ar não é o único calcanhar
e de ventilação no interior da Estação de Estado de Transportes, Julio Lopes, e e-mails que dão conta dos mais diversos impediam uma melhor circulação de tete, Carioca, Central, Estácio e Saens de Aquiles do metrô. De acordo com a
Araribóia, em Niterói, enormes filas pude perceber inúmeros problemas que casos de desrespeito aos passageiros. ar na Estação Araribóia. O problema Peña. “O monitoramento será feito em presidente da Comissão de Defesa da
nos horários de pico e superlotação das precisam ser urgentemente resolvidos. Temos que agir, pois não podemos deixar que envolve o ar respirado nas esta- tempo real e os resultados da medição Pessoa Portadora de Deficiência da Alerj,
embarcações, Palmares e o presidente Enviamos diversos requerimentos de que esse serviço vá por água abaixo”, ções também acomete outro meio de serão exibidos em painel digital ins- deputada Sheila Gama (PDT), várias
da Comissão de Transportes da Alerj, informação às concessionárias, que não indigna-se. Para que não ocorra o que teme transporte: o metrô. Para melhorar a talado em local visível, sempre lado estações dos sistemas metroviário, ferro-
deputado Marcelo Simão (PHS), foram foram respondidos”, revela o parlamen- a pedetista, o petista Palmares entrou, no situação, o governador Sérgio Cabral a lado com os parâmetros aceitáveis viário e urbano não contemplam rampas
à Praça XV, Centro do Rio, no dia 16 de tar. Membro da comissão da Alerj, o dia 30 de abril, com uma representação sancionou a Lei 5.212/08, de autoria do estabelecidos por lei”, diz Gusmão, nem elevadores para a acessibilidade de
abril, para conversar com a população. deputado Dionísio Lins (PP) uniu-se aos no MP em que exige uma maior fiscali- deputado Fernando Gusmão (PCdoB), que pretende fazer também com que PPDs. “É preciso conscientizar o poder
O petista conseguiu 2.666 assinaturas queixosos e jogou mais lenha na fogueira zação do sistema aquaviário por parte da que torna obrigatório o monitoramento a empresa implante um sistema de público, privado e a sociedade civil de
para um abaixo-assinado contra as pres- ao denunciar que as concessionárias Agência Reguladora de Serviços Públicos no interior das estações enterradas do controle dentro das composições. A que a acessibilidade não é apenas um
tadoras do serviço. estavam impedindo que o Legislativo Concedidos do estado (Agetransp). sistema metroviário. idéia foi aprovada pelas estudantes detalhe”, afirma Gama.
12
8 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008

capa
Zô Guimarães

l Deputados se unem à população

Fotos: Rafael Wallace


“Nosso objetivo é mobilizar “Fizemos um relatório
e unir os cidadãos sobre acessibilidade nas
Comissão quer serviços nos eixos fluminenses que utilizam estações de metrô com maior
o sistema aquaviário para demanda, tais como Botafogo
A Comissão de Transportes da Assembléia Legislativa lutarem por melhorias. e Catete, e pudemos perceber
do Rio, instalada em 14 de fevereiro de 2007, tem se dedicado Vamos realizar vários que a maioria não possui piso
a fiscalizar a qualidade dos serviços prestados pelas atos públicos. Estamos tátil e nem elevadores para
concessionárias em todo o estado. Em virtude dos problemas listando uma série de que os cadeirantes tenham
que têm acontecido, trabalho não falta. Composta pelos irregularidades cometidas acesso às plataformas.
deputados Marcelo Simão (PHS), presidente; Sula do Carmo pelas concessionárias, e Enviamos esse documento
(PMDB), vice-presidente; Mário Marques (PSDB), Paulo Melo colhendo assinaturas de para o governador, pois
(PMDB) e Dionísio Lins (PP), membros efetivos, a comissão usuários insatisfeitos. todo cidadão tem direito de
já abordou diversos temas ligados ao assunto. Dentre os que Assim vamos sensibilizar utilizar o meio de transporte
mereceram maior atenção estão a retirada de circulação de o poder público.” que preferir. ”
ônibus na Avenida Rio Branco (foto), a expansão do metrô e
a duplicação da Rodovia Presidente Dutra. Confira algumas Deputado Gilberto Deputada Sheila
ações da comissão: Palmares (PT) Gama (PDT)

 A primeira audiência da comissão debateu proposta


contida no programa Rio Bus, desenvolvido pela Prefeitura
do Rio entre 1997 e 2001, de livrar os prédios históricos
do corredor cultural do Centro do Rio do fluxo intenso
de veículos na Avenida Rio Branco, uma das mais
movimentada da capital.

 Na reunião que discutiu proposta de expansão do


metrô pela concessionária Opportrans, ficou claro para
o presidente da comissão que o plano não era o ideal.
Foram apresentadas, então, duas alternativas: uma de
construção de mais duas novas estações ligando a Linha “Durante a travessia no “A Comissão de Defesa do
2 à Praça XV e outra para finalizar os três quilômetros percurso Rio-Niterói, Consumidor da Alerj entrou
restantes da Linha 2. “Uma obra que irá demorar dois ouvimos várias queixas da com duas ações contra
anos para ser feita e só resolverá o problema por cinco população, sendo que muitas a concessionária Barcas
anos é paliativa”, sentenciou Marcelo Simão. se referiam ao afunilamento S/A, mas ainda não obteve
 A má qualidade na prestação dos serviços e os diversos e à superposição de filas. resposta. Estou no Rio há 35
acidentes envolvendo barcas na travessia da Baía de Por isso, sugerimos, junto anos e nunca vi um serviço
Guanabara já mobilizavam a comissão em abril de 2007, mês ao secretário Julio Lopes, tão ruim e desrespeitoso
em que ocorreram vários acidentes. A comissão fez reunião, a mudança do local das como o das barcas. As
participou de audiência pública na Agetransp e realizou bilheterias na Estação pessoas pagam para ter um
ações que contribuíram para que algumas barcas saíssem Praça XV, além do aumento atendimento que consegue
de circulação e uma ouvidoria fosse montada pela Secretaria da cobertura para ser pior do que na época
estadual de Transportes nas estações Praça XV e Araribóia. proteger os passageiros em que a responsabilidade
em dias de chuva ” era do estado.”
 No final do ano, a comissão transferiu seus trabalhos
para a Câmara de Vereadores de São João de Meriti, onde Deputado Marcelo Deputada Cidinha
foi apresentado um plano de duplicação de 4,5 quilômetros Simão (PHS) Campos (PDT)
da Rodovia Presidente Dutra.
Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 9

juventude

Comissão irá às ruas Zô Guimarães


Objetivo é conscientizar
jovens e utilizar a prevenção
como forma de combater
o uso de drogas no estado
“ Temos interesse
em ouvir a opinião
dos jovens para que
eles possam contribuir

I
Luciana A lmeida
na definição dos
procedimentos que a


r às ruas contra as drogas é a base do
programa que está sendo elaborado comissão irá adotar
pela Comissão de Prevenção ao Uso
de Drogas e Dependentes Químicos em Deputado José Nader (PTB)

Geral da Alerj. De acordo com o presidente


da comissão, deputado José Nader (PTB)
(foto), para estreitar o contato com os jo-
vens é fundamental ir até eles. “A comissão
irá promover palestras de conscientização
em escolas públicas e privadas. Espera-
mos, com isso, atuar na prevenção ao uso
de drogas de modo mais eficaz”, explicou o
parlamentar durante a audiência “Drogas:
o mal do século”, organizada pela comissão
no último dia 28 de abril, no Auditório Se-
nador Nelson Carneiro. A conscientização,
como pretendia o deputado, começou no
próprio encontro, que teve seu público
formado principalmente por estudantes Vida de Itaguaí, o psiquiatra e major ressaltou duas mudanças recentes no
universitários do curso de Serviço Social. do Exército Marco Barreto, o fato de se comércio de drogas: a estruturação do
“Temos interesse em ouvir a opinião dos discutir a dependência química em uma tráfico como uma empresa e a chegada
jovens para que eles possam contribuir Casa legislativa é importante pelo aspecto do crack ao Rio de Janeiro. “O perfil
na definição dos procedimentos que a “multifatorial” da doença. Segundo ele, a mudou. Se antes o traficante era um
comissão irá adotar, como a elaboração de dependência se baseia no tripé droga– jagunço da favela, que mal sabia falar,
leis, por exemplo”, convidou Nader. indivíduo–ambiente, sendo este último hoje ele está dentro das universidades,
Além de promover palestras, a comis- fator fortemente relacionado com a política. dos condomínios e do barzinho de sexta-
são também trabalha junto ao Poder Exe- “Na prevenção primária, que ocorre antes feira à noite. O tráfico busca oferecer
cutivo para ampliar o número de clínicas de o indivíduo experimentar a droga, o ao seu consumidor um produto de boa
e profissionais voltados para o cuidado poder público pode atuar na capacitação qualidade, trabalha com propaganda e
com dependentes químicos. “Atualmente de agentes multiplicadores. Na secun- tem estratégias de promoção de seus in-
o Estado do Rio só tem três clínicas, em dária, que é o tratamento, o estado deve tegrantes. Ele seleciona os trabalhadores
Barra Mansa, Campo Grande e Vassouras, fornecer assistência integral à saúde do e quer qualificação”, descreveu Matos.
e cada uma pode ter, no máximo, 90 leitos. dependente e treinar seus profissionais Para ele, no entanto, o maior perigo está
Além do número insuficiente de vagas, o para lidar com esta doença. Atualmente o na disseminação do uso do crack no Rio
estado ainda atrasa o pagamento destes dependente é estigmatizado e os atenden- de Janeiro. “Crianças de seis, sete anos,
locais de tratamento”, lamentou o deputa- tes não sabem para onde encaminhá-lo. estão trocando solventes por essa droga.
do. Para que o Poder Executivo regularize Em relação à terceira fase, da reabilitação Não nasceram criminosas. São crianças
esta situação, a comissão tem promovido e ressocialização, o poder público pode de rua, sem família ou com famílias que
reuniões com a Secretaria de Estado de influir em diversas áreas, seja através as tratam mal. São espancadas, obrigadas
Assistência Social e Direitos Humanos, de pequenos atos, como a gratuidade no a pedir dinheiro, passam fome e, quando
com o Tribunal de Contas do Estado transporte para dependentes em reabili- detidas, dividem o mesmo espaço com
(TCE) e com representantes de unidades tação, ou de programas mais complexos, homicidas. E, agora, passaram a consu-
hospitalares utilizadas para reabilitação, como os de capacitação ou requalificação mir crack. Que futuro podemos esperar
em busca de uma solução negociada. profissional”, detalhou Barreto. dessas crianças?”, alertou. Participou
Para o coordenador do Programa Pho- O problema do narcotráfico foi aborda- também da audiência a presidente da
enix Auto-Estima do Exército brasileiro e do durante a audiência pelo coordenador Comissão de Prevenção às Drogas da
membro do Centro de Atenção Psicosso- dos trabalhos da comissão, professor Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
cial de Álcool e Drogas (Caps-AD) Viva Ney Matos. Durante sua palestra, Matos vereadora Silvia Pontes (DEM).
10 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008

l curtas CULTURA
Zô Guimarães

Aberto à visitação
Para Rede de Educadores em Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac),
Museus é preciso diminuir Rita de Cássia Braga, afirmou que, ao
distância entre a educação ser convidada para coordenar o projeto
formal e a não-formal “Ajuda-me a lembrar”, da Prefeitura
de Itaperuna, no Noroeste fluminense,

O
Camila de Paula percebeu a interação entre alunos e
professores da rede de ensino municipal
Palácio Tiradentes abriu quando realizaram um levantamento da
suas portas, no dia 28 de memória local da cidade. Para otimizar as
abril, para o encontro da visitas guiadas, a coordenadora do Pro-
Rede de Educadores em Museus e grama Educativo do Espaço Oi Futuro,
Centros Culturais (REM). A reunião, Cristina Becker, propôs a implantação
que acontece todo mês em uma das 25 de um programa de visitação aos do-
Homenagem ao patrono instituições filiadas, foi realizada pela mingos. Segundo ela, o fato de as visitas
primeira vez na Alerj. O encontro, que precisarem ser agendadas em horário
Cerca de 300 policiais militares visa a promover a troca de experiências comercial atrapalha os estudantes. “Se
participaram, no dia 21 de abril, de entre professores e representantes de cada instituição dispusesse um domingo
uma cerimônia cívico-militar em museus e de outras instituições ligadas no mês para visitação agendada, seria
homenagem aos 216 anos da morte de à memória e ao patrimônio histórico e estabelecido um calendário que os pro-
Tiradentes, patrono das PMs de todo cultural fluminense, teve como tema o fessores poderiam cumprir”, ressalta.
o Brasil. Realizado nas escadarias do “Encontro com o Professor”. “Os museus Paulo Vinícius Melo, licenciando em
Palácio Tiradentes, o evento contou estão adotando uma postura amistosa História pela Universidade Gama Filho
com a presença do presidente da em relação à visitação e é importante e estagiário no Programa Educativo
Comissão de Segurança Pública que existam profissionais preparados da Fundação Casa de Rui Barbosa,
e Assuntos de Polícia da Alerj, para receber todos os públicos”, observa concordou com a coordenadora. “A
deputado Wagner Montes (PDT), e a coordenadora de Ações Educativas maioria dos meus colegas trabalha
do deputado Paulo Ramos (PDT), do Museu Histórico Nacional, Marcele durante o dia e estuda à noite e nunca
major-reformado da corporação, que Pereira, responsável pela REM. pode participar de uma visita guiada
representou o presidente da Alerj, Para o coordenador da Exposição realizada à tarde”, afirma.
deputado Jorge Picciani (PMDB). Permanente da Alerj, Fabio Guimenes, A Alerj, que se filiou à rede no ano
De acordo com o comandante-geral os museus do estado estão em um mo- passado, realiza desde 1998, a visita
da instituição, coronel Gilson Pitta mento de grande visibilidade, mas ainda guiada no Palácio Tiradentes. A monito-
Lopes, a data serve para preservar, na há muito o que discutir sobre a maneira ria da visita é feita por um grupo de alu-
PM, o ideal de liberdade legado por como a chamada educação não-formal nos de História da Uerj. No roteiro estão o
Tiradentes: “Reverenciar nosso patrono deve interagir com a educação formal. Plenário Barbosa Lima Sobrinho, o Salão
é demonstrar o quanto a sua luta é “Os professores precisam fazer com Nobre, a Biblioteca D. Maria Portugal e
importante para todos nós”, afirmou. que a visita guiada seja proveitosa”, a exposição “Pa-
acrescentou Marcele Pereira. O subco- lácio Tiraden-
Orçamento da UERJ ordenador da Exposição Permanente tes: Lugar de
do Palácio Tiradentes, Gilberto Catão, Memória do
A Comissão de Educação da Alerj, acredita que cabe à rede de educadores Parlamento
presidida pelo deputado Comte adotar políticas de aproximação com o Brasileiro”.
Zô Guimarães

Bittencourt (PPS), realizou, no dia 30 público e instituições de ensino, e que


de abril, uma audiência pública na elas devem se estender ao interior do
Capela Ecumênica da Universidade estado. “Tenho certeza que iríamos
do Estado do Rio, no Maracanã, para nos surpreender se fizéssemos uma
discutir a execução orçamentária da pesquisa comparativa com relação
instituição. O reitor Ricardo Vieiralves ao interesse deste público. Muitas
anunciou para maio a liberação de vezes, falta o acesso a um mu-
metade dos R$ 12 milhões que foram seu. A Exposição Itinerante
conseguidos a partir de intervenção da Alerj teve uma grande
da comissão. “Esses recursos serão aceitação nas cidades do
aplicados na construção do restaurante interior”, exemplifica.
universitário, no Hospital Universitário A pesquisadora do De-
Pedro Ernesto e em infra-estrutura”, partamento de Pesquisa e
explicou Bittencourt. Documentação do Instituto Fabio Guimenes salienta visibilidade de museus
Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008 11

trabalho

Discussão justa sobre demissões Rafael Wallace

O deputado Paulo Ramos (centro) convidou especialistas e diretores sindicais a fim de discutir dispensas arbitrárias nas empresas

Comissão realiza audiências públicas para mesmo com as garantias contidas na Constituição brasileira, a
tratar da ratificação das convenções da OIT ratificação das convenções seria de grande importância. “A 151
precisa ser ratificada porque explicita o direito à negociação co-

U
Natalia A lves letiva. Entendo que esse direito já é garantido pela Constituição,
uma vez que o direito de sindicalização e greve, na minha visão,
m amplo debate sobre as normas internacionais do está intimamente ligado ao da negociação coletiva”, esclarece o
trabalho. Este tem sido o principal objetivo da Co- procurador, acrescentando que as normas da OIT permitem acesso
missão de Trabalho, Legislação Social e Seguridade a esse tipo de negociação, porém são os países que integram a
Social da Alerj ao realizar audiências para discutir a ratificação das organização que devem garantir tais conquistas.
convenções 151 e 158 da Organização Internacional do Trabalho Segundo Nunes, a ratificação das convenções garantiria o
(OIT), que tratam, respectivamente, da demissão sem justa causa término da rotatividade empregatícia. “A demissão imotivada
nas relações trabalhistas em empresas públicas e em empresas tem resultado em mudanças constantes no mercado de tra-
de iniciativa privada. O assunto já vem tramitando no Congresso balho. Demitir, neste País, só depende da agilidade de quem
Nacional há cerca de um ano. “O fato de as convenções irá redigir a carta de demissão. E, normalmente,


estarem em tramitação no Congresso não garante que o novo contratado tem um piso salarial inferior
elas sejam votadas e ratificadas. Precisamos mobilizar Precisamos ao que foi demitido. Portanto a ratificação dessas
a classe trabalhadora para defender os seus direitos. mobilizar a classe convenções, e, mais ainda, o cumprimento dessa
A Constituição Federal de 88 confere essa proteção trabalhadora para garantia constitucional diminuirão a rotativida-
ao trabalhador, mas precisa de uma regulamentação defender os seus

de. O que não pode acontecer é a discussão da
através de lei complementar”, explica o presidente da direitos ratificação mascarar as garantias já existentes”,
comissão, deputado Paulo Ramos (PDT). Deputado Paulo Ramos (PDT) argumenta. As convenções estabelecidas em
A comissão realizou nos dias 18 de março e tratados internacionais só entram em vigor 12
29 de abril audiências bastante concorridas para aprofundar meses após a ratificação das mesmas pelo país signatário.
esse tema. Ramos esclarece que, para que as duas convenções Os sindicalistas comemoram as discussões. “Sabemos muito
tenham validade legal no País, elas precisam ser ratificadas bem da vantagem que é para os patrões a não ratificação dessas
pelos deputados federais e senadores. O pedetista comenta convenções, porque eles vão demitindo quem já conquistou
ainda que, concomitantemente, está em tramitação na Câmara seus direitos e contratando os que ainda não têm benefícios. Os
Federal o projeto de lei complementar 289/08, de autoria do contrários à ratificação alegam que a convenção aumentará o
deputado Augusto Carvalho (PPS-DF), que regulamenta o arti- desemprego. Mas o que percebemos é que 180 países no mundo
go 7º, inciso primeiro, da Constituição Federal e que também já acolheram essa normatização e não tiveram problemas”, diz
dispõe sobre a despedida arbitrária do trabalhador. o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil,
Na visão do procurador João Carlos Teixeira, do Ministério Carlos Antônio. O presidente do Sindicato dos Metroviários,
Público do Trabalho (MPT), e do representante da Superinten- Carlos Paes, rememora que, há cerca de um ano, o sindicato
dência Regional do Trabalho e Emprego, Carlos Eduardo Nunes, esteve em Brasília para debater o tema.
12 Rio de Janeiro, de 16 a 30 de abril de 2008

l ENTREVISTA olney botelho (PDT)

“Na Política,
Rafael Wallace

sabemos que não


conseguimos
avançar sozinhos”

E
Geiza R ocha

le começou mudando a iluminação e a calçada da


rua em que tinha uma pequena empresa. Depois
conquistou melhorias para o bairro, na cidade de
Nova Friburgo, onde fica sua padaria, a SuperPão, hoje referên-
cia no segmento de panificação. Ciente de que a atuação como
parlamentar poderia aprofundar mudanças nas regiões Serrana
e Centro-Norte do estado, o empresário Olney Botelho se filiou
em 2005 ao PDT. Eleito com 35.384 votos para seu primeiro
mandato, Botelho é autor de duas leis: uma que busca no in-
centivo à floricultura o desenvolvimento fluminense e outra que
estimula a leitura nas escolas a partir da criação da Semana do
Autor Fluminense. “Temos que dar oportunidade aos jovens de
ter acesso a um bom ensino”, acrescenta o deputado, que é fã
do senador Cristovam Buarque (PDT-DF).

Por que o empresário de- centenária da cidade. Em Friburgo tem uma grande qualificar para entrar no
cidiu entrar na Política? 2005, resolvi entrar na vida participação no mercado do mercado de trabalho. A
Acompanhei meu pai em pública e ingressar no PDT. estado, mas precisa agregar falta de oportunidade que
suas atividades junto às Acho muito importante esta valor ao produto. Hoje, 80% o jovem menos favorecido
associações de moradores. oxigenação na Política, e do mercado consumidor do tem me incomoda. Preci-
Depois de trabalhar sete que pessoas novas, que têm Rio são abastecidos por São samos ter escolas públicas
anos numa multinacional perfil comunitário, empre- Paulo. Temos todas as caracte- de qualidade e em horário
no Rio, voltei para Nova endedor, entrem rísticas ambientais integral para começarmos
Friburgo e comprei, junto na vida pública. e de mão-de-obra a diminuir a desigualdade
com minha família, uma
pequena empresa. O bairro
em que ela estava instalada
Como empresário,
“ Acho muito para vender estas
você pode provocar importante esta flores aqui, mas não
mudanças e como oxigenação na temos, por exemplo,
a partir da educação.

O senhor preside o Ins-


era muito ruim, escuro, não presidente de en- Política, e que em Vargem Alta, tituto de Panificação e
tinha segurança. Começa- tidade também, pessoas novas, internet e telefo- Confeitaria do estado.
mos a melhorar a empresa, mas como político que têm perfil nia. Meu objetivo Quais são as demandas
depois a calçada onde fi- você faz com que comunitário, com este projeto deste setor?
cava a empresa, depois o estas mudanças empreendedor, é dar condições A demanda é pela qualifi-
bairro. Sempre com a visão aconteçam num entrem na a estes floriculto- cação e por linhas de em-
de que sozinho não conse-
guimos avançar. Ingressei
na Federação das Indústrias
espaço de tempo vida pública
muito menor. ” res de melhorar
sua produção e
de competir.
préstimo, e o trabalho é o de
fomentar no empresário que
assume este negócio a von-
do Estado do Rio de Janeiro O senhor é autor de uma tade de crescer. A panifica-
(Firjan), fui presidente por lei que busca estimular Que emendas o senhor ção passa por um momento
quatro mandatos, presidi a floricultura. Por que irá apresentar ao Orça- difícil, mas que pode vir a
o Sindicato das Indústrias esta preocupação? mento de 2009? crescer com a criatividade
de Alimentação de Fribur- Desde cedo, fui obrigado a Hoje a habitação é um as- desses panificadores. Não
go, o Conselho Deliberativo olhar tudo que nos circunda, sunto importante na nos- dá para ficar só vendendo
da Associação Comercial e, quando você tem esta visão sa região, mas precisamos pão francês e reclamando
e sou vice-presidente do macro, precisa atuar para que trabalhar a qualificação de da vida. Tem que ser mais
Conselho Deliberativo da os setores se desenvolvam. mão-de-obra e dar opor- criativo, buscar atender a ne-
Euterpe, banda de música Na questão da floricultura, tunidade ao jovem de se cessidade do consumidor.