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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

MBA EM SAÚDE MENTAL E ATENÇÃO PSICOSSOCIAL

Fichamento

Rede de Atenção Psicossocial: qual o lugar da saúde


mental?

Katiana Rodrigues dos Santos

Trabalho da disciplina: Clínica da Atenção Psicossocial

Tutor: Prof. Aline Monteiro Garcia

Fortaleza-ce
2018

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Fichamento:

Rede de Atenção Psicossocial: qual o lugar da saúde mental?

REFERÊNCIA:

QUINDERÉ. P.H.D; JORGE, M.S.B.; FRANCO, T.B. Rede de Atenção Psicossocial: qual o lugar
da saúde mental?. Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 24 [ 1 ]: 253-271, 2014.

RESUMO:

O artigo em questão relata sobre as redes de composição dos serviços de saúde. Os


autores expõem por não existir uma técnica autossuficiente para a elaboração do cuidado
integral como um todo. As redes são fundamentais, destacando a complexidade dos problemas
de saúde a diversidade e interdisciplinaridade dos indivíduos envolvidos. Os primeiros
movimentos para a construção das redes foi à descentralização no Brasil que auxiliou na
realização de intervenções em diversos pontos de atenção, por meio da hierarquização e
regionalização.
No projeto inicial do SUS o seu acesso se dava por níveis de atenção á saúde fosse
realizado de maneira piramidal, entretanto a forma de adoecimento não segue uma regra
única, dessa maneira se propõem naturalmente varias portas de entrada na aérea da saúde
mental. Criando um modelo circular referente a varias possibilidades de entrada e saída do
serviço que necessitar. È importante reconhecer a possibilidade de uma forma sem modelo,
que não segue uma ordem, em razão de que se cria um feito, no decorrer da experiência e do
trabalho de cada profissional e equipe, planejando o cuidado em saúde, que pode surgir de
varias maneiras em encaminhamentos, projetos terapêuticos, procedimentos algo que seja
voltado para o trabalho multiprofissional.
A finalidade do artigo era debater as interações entre as aéreas de complexidade no
sistema de saúde mental e entender a composição da rede de atenção à saúde mental no

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município de Sobral/CE. Foi realizado um estudo qualitativo, elaborado através de uma
entrevista semiestruturada e analisando a organização da rede de atenção integral a saúde
mental junto com coordenadores, usuários e trabalhadores dos serviços. No municio de Sobral
há varias portas de entrada para as demandas de saúde mental. Cada atendimento se adapta
para melhor responder as necessidades dos usuários das redes.

CITAÇÕES;

“Um primeiro movimento importante para a formação de redes se deu coma descentralização
da saúde no Brasil, a qual possibilitou maior aplicabilidade das ações locais, favorecendo o
surgimento de experiências exitosas nos vários setores da saúde e nos seus diversos níveis de
atenção, mediante processos de regionalização e hierarquização (FERLA; LEAL; PINHEIRO,
2006). No entanto, essas ações foram implementadas por procedimentos normativos, que
tentam organizar o fluxo das pessoas via sistema, ocasionando um enrijecimento da atenção à
saúde, ao se estruturar com base em um modelo piramidal de assistência (MATTOS, 2007).”
(p.254).

“O processo de referência e contrarreferência diz respeito aos procedimentos de


encaminhamento verificados de maneira verticalizada entre os níveis de complexidade do
sistema de saúde que ordena o fluxo dos pacientes tanto de cima para baixo quanto de baixo
para cima, de maneira que as necessidades de assistência das pessoas sejam trabalhadas nos
espaços tecnológicos adequados (CECÍLIO, 1997)”. (p.254).

“É preciso, portanto, reconhecer a existência de um tipo de rede que se constitui sem modelo,
que não parte de uma estrutura, pois se constrói em ato, com base no trabalho vivo de cada
trabalhador e equipe, mediante fluxos de conexões entre si, na busca do cuidado em saúde,
seja em encaminhamentos realizados, procedimentos partilhados, projetos terapêuticos que
procuram consistência no trabalho multiprofissional.” (p.255).

“As redes formadas dentro do sistema de saúde têm expressão no meio social, mediante
diversos agenciamentos; elas propiciam o surgimento de novos modos de relação, constroem-
se no meio social onde cada sujeito está inserido. Adaptam-se às novas possibilidades de
atuação dos sujeitos no campo de produção da vida, produzem múltiplas conexões e fluxos
construídos a partir de processos, que interligam os diversos atores, e criam linhas de contatos
entre os agentes sociais, que são a fonte de produção da realidade.” (p.256).

“Como proposto, o apoio matricial consiste num arranjo organizacional em saúde no qual uma
equipe dispensa apoio especializado a outra, com suporte de profissionais dotados de maior
habilidade em um dado conhecimento, possibilitando a construção de um projeto terapêutico
singularizado para os usuários (...). No apoio matricial em saúde mental, há a configuração da
construção de um projeto terapêutico amplo, onde a equipe de referência não apenas está
envolvida no caso, mas articula outros atores para a condução deste
(“CAMPOS, 1999).” (p.257).

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“A rede conformada entre os serviços, o domicílio e a comunidade deve servir para a
construção compartilhada do cuidado, incluindo a gestão autônoma de medicamentos
(PASSOS; CARVALHO; MAGGI, 2012).” (p.261).

“Segundo se percebe a atenção à saúde mental na rede de Sobral possui várias “portas de
entrada” para quem precisa de cuidados, e neste caso específico demonstra atuar de maneira
horizontalizada, aproximando-se de uma articulação em rede próxima da ideia de um modelo
rizomático, o qual se caracteriza, principalmente, como um sistema de múltiplas entradas,
conforme já discutido.” (p.263).

“A organização dos serviços de saúde mental de Sobral se aproxima de um tipo em que há


espaços para a constituição de redes mediante de conexões e fluxos produzidos pelos próprios
trabalhadores, no cuidado cotidiano, e dentro de um critério de liberdade que constitui o
trabalho vivo em ato. No entanto, como é preciso reconhecer, há vários tipos de redes
presentes no serviço, ao mesmo tempo. Esta multiplicidade é própria da saúde, desde que
analisada com foco na micropolítica do trabalho das equipes.” (p.263).

COMENTÁRIOS:

Os debates em relação ao funcionamento das redes em saúde mental deixaram


expressos no artigo deixou definida a função do trabalhador na constituição do cuidado aos
usuários dos serviços, além do que expos a importância do vinculo entre os serviços ofertados
e da participação dos usuários em seu cuidado, sendo que este é o sujeito principal no método
de construção do projeto terapêutico. No momento em que discutimos sobre saúde mental não
podemos deixar de mencionar e pensar sobre inclusão e inserção da comunidade e sociedade
que precisam estar presente em todas as atuações da saúde mental.
Um ponto de vista significativo foram os levantamentos de dados que o artigo nos
mostrou em relação ao município de Sobral/CE, apresentado pelos discursos das pessoas, o
que foi pronunciado na pesquisa referente ao trabalho em rede ser pensado na singularidade
de cada usuário, revendo a ideia do cuidado concentrado em um único serviço para o conceito
de que por meio das articulações dos vários níveis de complexidade e setores assistenciais
deve-se ofertar um atendimento de qualidade e integral para cada usuário portador ou não de
transtorno mental.

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IDEAÇÃO:

O texto nos traz uma analise sobre a atenção aos pacientes de saúde mental, e que a
clausura compulsória e arbitraria dos hospitais psiquiátricos não reconhece a complexidade e
autonomia do sujeito. O setor da saúde mental é um dos com menos relevância na assistência
á saúde aqui no Brasil. Podemos observar durante as falas que com dedicação e com
autonomia para atuar os profissionais por muitas vezes conseguem realizar o seu trabalho com
cuidado em relação aos usuários da rede. Apenas com a participação social, inserção da
sociedade e cuidados terapêuticos pensando no sujeito e com todos os seus determinantes
sociais é que o tratamento em saúde mental é possível não focando somente em
medicamentos, mas em conjunto de fatores e atividades que podem contribuir para a melhora
do sujeito. Devemos pensar na loucura como se fosse algo natural e encarar com a mesma
sociedade e não tratar somente o louco, mas fazer uma conscientização do que é a loucura na
sociedade me si.