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MENSAL

ANO XVIII
N.º 206
05/2018
€3.50
?ǕljNJDŽA

“Não vivemos à sombra dos louros


e não damos nada por garantido.”

DIMMU BORGIR KATAKLYSM GODSMACK


SEPTIC TANK SATANIC SURFERS AURA NOIR
EDITORIAL
JOSÉ MIGUEL RODRIGUES

Ʋy   ƱƥƭƳ 

LOUD!

NA TERRA
Rua Carlos Mardel, 32 - 3.º Esquerdo
1900-122 Lisboa
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O
que vemos quando imaginamos um país? Se pensarmos na Índia, o PUBLICAÇÃO MENSAL
mais certo é que a nossa mente se encha de cores vivas. Se pen- ISSN: 087-9531
sarmos em França, aquele aroma a pão quente estaladiço, pouca DEPÓSITO LEGAL: 152667/00
côdea e pouco miolo. A Austrália? Não há como não visualizar vas-
tas praias e desertos. Inglaterra? Chuva. Espanha? Tapas. Podíamos Registada na Entidade Reguladora para
a Comunicação Social sob o n.º 126774
estar aqui um parágrafo inteiro nisto. Há, no entanto, uma dessas
associações mentais que nos toca um bocadinho mais fundo. Isto TIRAGEM
porque, muitas vezes, a primeira coisa em que um estrangeiro pen- 15.000 exemplares
sa quando questionado sobre a Finlândia é o heavy metal. Sim, há
PROPRIEDADE
quem chute logo a sauna, os lagos e um frio desgraçado, mas a percentagem de gente
Pessoal do 13 – Publicações, Lda.
que menciona o “hevi”, como é conhecido naquelas paragens, é mesmo muito elevada. Até NIF: 510172342
UYERHS S UYIWXMSREHS RɩS KSWXE RIGIWWEVMEQIRXI HIWWI KɯRIVS IWTIGɳƤGS HI QɽWMGE S
que acaba por dizer tudo em relação à força da “marca”. DIRECTOR
José Miguel Rodrigues
É verdade que, no espectro em que nos movemos, seria inevitavelmente assim, mas [jmr@loudmagazine.net]
ETSWXS UYI WI Ƥ^ɯWWIQSW E TIVKYRXE E KVERHI TEVXI HSW RSWWSW PIMXSVIW TVSZɧZEQSW CHEFE DE REDACÇÃO
sem problema esta teoria. Quantos de vocês aí desse lado não pensaram já em, pelo José Carlos Santos
menos, umas duas ou três bandas desde que começaram a ler este texto? Amorphis. [jcs@loudmagazine.net]
Beherit. Impaled Nazarene. Children Of Bodom. Satanic Warmaster. Nightwish. Horna.
6ETXYVI ,-1 7EVKIMWX *MRRXVSPP &EVEXLVYQ )RƤQ WɩS ESW QMPLEVIW 1EMW UYI QYMXEW COLABORADORES

Pese o facto de ter sido divulgado há uns anos, de acordo com um mapa criado por um Carlos Guimarães, Emanuel Ferreira,
José Almeida Ribeiro, Luís Pires,
usuário do Reddit tendo por base os dados da Encyclopedia Metallum, os países com Luís Rattus, Marta Louro,
mais bandas de heavy metal per capita são todos países nórdicos gelados: Finlândia, Nelson Santos [ns@loudmagazine.net],
Noruega, Suécia, Islândia e, em menor grau, a Dinamarca. Na Finlândia há 53,5 bandas Pedro C. Silva, Pedro Pedra, Ricardo Agostinho,
de metal por cada 100.000 pessoas, na Suécia e Noruega, 27.2, e na Islândia, 22.7. Em Ricardo S. Amorim
comparação, os Estados Unidos e o Reino Unido, os países onde a tendência começou, FOTOGRAFIA
só atingem os 5.5 e 5.2, respectivamente. Catarina Torres, Estefânia Silva, Jorge Botas,
Pedro Almeida, Pedro Roque
É aceite de forma mais ou menos generalizada que a primeira banda de heavy metal criada
DESIGN
no país foram os Sarcofagus, que lançaram «Cycle Of Life», o disco de estreia, em 1980.
Joaquim Pedro
(IWHI IRXɩS S KɯRIVS JSM GVMERHS VEɳ^IW REW QEVKIRW HE MRHɽWXVME JSRSKVɧƤGE I HS KSWXS
QYWMGEP HSW ƤRPERHIWIW I E TEVXMV HSW W GSQIɭSY E EFVMV SW XIRXɧGYPSW TEVE E GSRUYMWXE ILUSTRAÇÕES
QYRHMEP *SM S UYI SW QɽWMGSW PSGEMW Ƥ^IVEQ HYVERXI QEMW HI YQE HɯGEHE E RɳZIP WSFVI- Bela Hilário, Stebba Ósk,
tudo, underground. Em 2006, deu-se o impensável, com a produção de peso daquelas pa- Pedro Silva
ragens a ganhar níveis de popularidade que, até então, ninguém ousava imaginar. Agora, as DEPARTAMENTO FINANCEIRO
opiniões dividem-se em relação ao que isso fez de bem ou mal à “cena” local, mas foi nesse Bernardo Serralha [bernardo.serralha@
ERS UYI E )YVSTE ƤGSY GLSGEHE UYERHS YQE FERHE TSYGS GSRLIGMHE GSQTSWXE TSV YRW loudmagazine.net], Pedro Oliveira
“monstros” estranhos, venceu o Festival Eurovisão da Canção com record de votos... E com [pedro.oliveira@loudmagazine.net]
um tema de heavy metal, num concurso tradicionalmente dominado pelo azeite habitual.
DEPARTAMENTO MULTIMEDIA
%PɯQ HI KEVERXMVIQ E TVMQIMVE ZMXɸVME HE *MRPɨRHME RE )YVSZMWɩS S UYI SW 0SVHM Ƥ^IVEQ JSM
Daniel Marujo
apresentar ao mundo o amor do país por um estilo musical visto como marginal. [daniel.marujo@loudmagazine.net]

Quando a banda vencedora retornou a casa, o primeiro-ministro Matti Vanhanen posou WEBDEVELOPER
com os “monstros” para uma foto e encantou os headbangers exibindo o sinal de “COR- Marco Morais
NOS!”. Nos anos seguintes, as bandas já internacionalmente famosas, estabeleceram [marco.morais@gmail.com]
YQE FEWI WɸPMHE TEVE E VITYXEɭɩS HS LIEZ] QIXEP ƤRPERHɰW I ETSMEHEW RYQE ZEKE HI IMPRESSÃO
QɽWMGSW QEMW RSZSW I IQ EWGIRWɩS XVERWJSVQEVEQ S ŰTIWSű RYQ HSW TVMRGMTEMW TVS- Jorge Fernandes, Lda.
HYXSW HI I\TSVXEɭɩS HE MRHɽWXVME QYWMGEP ƤRPERHIWE 5YIQ XEQFɯQ WEMY E KERLEV RS
QIMS HMWXS XYHS XIVɩS WMHS WIQ HɽZMHE EW RSWWEW IWXVIPEW HI GETE HIWXE IHMɭɩS  DISTRIBUIÇÃO
Não que os Amorphis estivessem a precisar de um empurrão extra naqueles anos, a fase VASP
mais “morna” do seu percurso já estava ultrapassada, mas pelo menos devem ter ganho
A LOU(IWGVIZIHIEGSVHSGSQEERXMKESVXSKVEƤE
alento para continuarem a manter a sua carreira na mó de cima. E com um bom gosto
assinalável, como prova «Queen Of Time».

4 LOUD!
ÍNDICE

#206
FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM 40

DIMMU BORGIR 42

AMORPHIS 4
FOTO: ROBERTO RAPOSO
NOTÍCIAS PLAYLISTS
POR NELSON SANTOS

JOSÉ MIGUEL RODRIGUES


HENRIK PALM – Many Days
MESSA – Feast For Water
MØL – Jord
SEPTIC TANK – Rotting Civilisation
WRECK AND REFERENCE – Alien Pains

JOSÉ CARLOS SANTOS


FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM – Hóstia
WAX FANG – La La Land
YOB – Our Raw Heart
WEATHERED STATUES – Borderlands
BODY VOID – I Live Inside A Burning House

CARLOS GUIMARÃES
JUDAS PRIEST – Firepower
KAMELOT – The Shadow Theory
ANGRA – Ømni
THERION – Beloved Antichrist
DEATHLESS LEGACY – Rituals Of Black Magic
5101(%#+0

RICARDO AGOSTINHO
WAYFARER – World’s Blood
ANNA VON HAUSSWOLFF – Dead Magic
PRIMORDIAL – Exile Amongst The Ruins

O
s CRUZ DE FERRO acabam de descente e Storm Legion, entre outros, e
lançar uma edição exclusiva em por Hugo “Boss” Conim dos Dawnrider, YOB – Clearing The Path To Ascend
AT THE GATES – Slaughter Of The Soul
vinil, de título «Imortal», encabeça- Dragon’s Kiss, Patrulha Do Purgatório e
da pelo tema retirado do álbum «Morre- Legion Of The Sadists. Foram antecipa-
remos De Pé» de 2015. O novo vinil de dos, em escuta online, três temas, dos
PEDRO ROQUE
12” é um ítem para coleccionadores com quais «Hit The Road» dá, desde logo, o GRIEF – Miserably Ever After
selo da Non Nobis Productions, incluin- mote para o excelente artwork que Ricar- TOTALITÄR – Sin Egen Motståndare
do uma versão de «A Lenda De El-Rei do Reis criou para este sucessor do EP HANK WOOD AND THE HAMMERHEADS
D. Sebastião», composto por José Cid «Low Life 69» de 2016. – Hank Wood And The Hammerheads
e originalmente lançado pelo Quarteto DEATH SIDE – Bet On The Possibility
1111 em 1967. O lado B deste disco com WREKMEISTER HARMONIES – The Alone
Rush
artwork de Samuel Lucas inclui uma ver-
WɩS WIQMEGɽWXMGE HI m+PɸVME %S 6I]| I

A
Equilibrium Music acaba de lan-
a demo HIm*ɽVME(MZMRE|)RUYER- çar o terceiro álbum dos URZE DE
LUÍS RATTUS
XS Nɧ TVITEVE QɽWMGEW TEVE YQ JYXYVS LUME, banda dark folk que “repre- SNIFFING GLUE – Red Light District
álbum, o grupo tem alguns festivais já senta uma homenagem ao passado, ins- THE MEMBERS – Uprhythm, Downbeat
agendados, como sejam o Laurus Nobi- pirada nas tradições ibéricas”. «As Árvores THE DAMNED – Tales From The Damned
lis Music e o XI Milagre Metaleiro. Estão Secas E Não Têm Folhas” inclui HÜSKER DÜ – Eight Miles High
doze novas composições guiadas por gui- GATANS LAG – Låt Mig Stanna Tre Dagar
XEVVEEGɽWXMGEIVEFIGEGSQVIGYVWSEKEM- I Himmelen Innan Djävulen Vet Att Jag Är Död
tas e vários instrumentos antigos de cor-

2
5 anos depois, é lançada uma nova das. Este sucessor do EP do ano passado,
versão do álbum de estreia dos m:S^IW2E2IFPMRE|ɯSWIKYRHSIɽPXMQS OS TOPS DO
LULU BLIND. Esta edição come- capítulo de uma ode ao Outono. Com in-
morativa de «Dread» tem a chancela da XVɳRWIGE PMKEɭɩS ɦ REXYVI^E E QɽWMGE HS
Rastilho e surge agora com novo artwork quarteto evoca os tempos em que o ho-
e os treze temas remasterizados. Foi o mem respeitava a terra, o oculto e as suas
ɽRMGS HMWGS TVSHY^MHS TIPS QEPSKVEHS origens. Estão planeadas algumas actua-
Zé Pedro e ressurge agora numa edição ções ao vivo para os próximos meses.
limitada de 500 unidades em vinil colo-
rido. Formados em 1990, os Lulu Blind
IQIVKMVEQ GSQ QɽWMGSW SVMYRHSW HE

S
cena punk lisboeta, incluindo Pedro Filete ete anos após o álbum de estreia, o 10 MELHORES DISCOS DOS
na guitarra e na voz e Tó Trips na guitar- projecto WISTFUL acaba de lançar
ra que, de resto, também verá a Rastilho o seu segundo álbum, de título «Me- AMORPHIS
editar uma nova prensagem do álbum «A tempsychosis». Falamos de post metal/
Bunch Of Meninos» dos seus Dead Com- blackgaze interpretado por um homem 01. Tales From
bo neste mês de Maio. só, no caso Alex Clément, actual membro The Thousand Lakes
de entidades como Sonneillon BM, Nefret 02. Elegy
e Ishkur. Neste novo trabalho mantêm- 03. Tuonela
-se as ambiências atmosféricas e quase
04. Eclipse

“C
loser To The Edge» é o título do desaparece a componente vocal. Wistful
novo álbum dos SON OF CAIN, tem sido um projecto estritamente de es- 05. Queen Of Time
a sair este mês com edição XɽHMS QEW S QɽWMGS HS 4SVXS TVIXIRHI 06. The Karelian Ishtmus
partilhada entre a Ragingplanet e a Half recrutar elementos para tocar ao vivo. A 07. Am Universum
Beast Records. É o segundo trabalho da edição é da chinesa Pest Productions. Os
08. Silent Waters
proeminente dupla nacional formada sete temas deste sucessor do disco ho-
por Alexandre “NH” Mota dos Corpus mónimo de 2011 estão indexados de I a 09. Skyforger
Christii, A Tree Of Signs, Morte Incan- VII, em numeração romana. 10. Under The Red Cloud

 LOUD!
FESTIVAIS EM 2018

FOTO: PEDRO ALMEIDA


O QUE É NACIONAL (TAMBÉM) É BOM

O
panorama de concertos pesados em Portugal está vivo e
recomenda-se. E nem só de grandes nomes da cena in-
ternacional se fazem os cartazes que levam gente a sair
de casa, um pouco por todo o país. São já muitos os eventos
HI SJIVXE EVXɳWXMGE UYEWI I\GPYWMZEQIRXI TSVXYKYIWE VIƥI\S
da crescente qualidade das nossas bandas e de organizações
GEHEZI^QEMWTVSƤWWMSREMWRSWIMSHSTVɸTVMSYRHIVKVSYRH9Q
desses exemplos é o Casaínhos Fest, que acaba de revelar o
alinhamento para a edição deste ano, a decorrer a 1 de Setembro
no Campo de Futebol daquela freguesia no concelho de Loures.
Bizarra Locomotiva, Ramp, Heavenwood e Hills Have Eyes se-
rão presenças fortes num evento em franco crescimento, a que
WINYRXEQSW6EWKS:MVEPEXE&EGOƥMT%VXMKS-RJVEOXSV'SR-
trasenso e Take Back!. Um mês depois, a 5 e 6 de Outubro, o
Pinhal Novo recebe mais um Festival Bardoada & ACJOI, onde
se destacam os Bizarra Locomotiva, The Parkinsons, Simbiose,
Besta, Serrabulho, Kandia, Grankapo, Dapunksportif, entre mui-
tos outros. Mais cedo, já a 2 de Junho, Lordelo será quase uma
convenção transmontana de rock e tatuagens, no III Ink n’ Roll,
encabeçado pelos Holocausto Canibal, WAKO e R.D.B.. Uma se-
mana depois, no Masmorra Fest II, em Almada, destacam-se os
Filii Nigrantium Infernalium, ao lado dos Perpetratör e Summon.
A 3 de Novembro, a Malveira acolhe o Oeste Underground III
com os Analepsy, Hourswill, Serrabulho e Prayers Of Sanity, ao
lado de muitas outras bandas lusas, bem como dos britânicos
Repulsive Vision e dos gregos Warhammer.
$+<#44#.1%1/16+8#
STUDIO REPORT

ASIMOV
apenas com uma guitarra e uma bateria, po-
dendo concentrar-nos não só em explorar
mais dos nossos instrumentos, sem que
fosse demasiado evidente que era só uma
guitarra e uma bateria, como também em
nível de composição. Assim, algo que grave-
mos pode ser mais facilmente replicado ao
vivo. Algumas das músicas dos álbuns ante-
Isaac Asimov (1919-1992) foi um escritor e bioquímico riores não são possíveis tocar em duo, pois
em gravação têm os vários elementos que
americano, nascido na Rússia, “apenas” um dos maio- compõem um álbum, baixo inclusive.”
TGUPQOGUFCNKVGTCVWTCFGƓEȖȒQEKGPVȜƓEC1U#5+/18 Estes concertos marcaram uma pausa nas
UȒQWOCDCPFCPCEKQPCNFGUVQPGTŬCRGPCUŭWOCFCU gravações de «Flowers», o tal quarto lon-
ga-duração do colectivo, que a LOUD! pôde
mais interessantes do panorama nacional, a espalhar escutar parcialmente, num momento em
que ainda não é certo que todos os temas
música psicadélica pelo mundo desde 2011 e já com gravados integrem o trabalho. Os mais
VTșUȐNDWPU(QOQU FGUEQDTKT Q RTȡZKOQ EXIRXSW Nɧ XIVɩS SYZMHS m7LEQER 7EGVMƤ-
ce», disponível no Bandcamp dos Asimov,
EMANUEL FERREIRA PEDRO ROQUE mas sob o nome Asimov And The Hidden
Circus, versão quinteto do colectivo em que
se juntam à violoncelista Joana Guerra e ao
“Os Asimov começam como duo porque, dois concertos, interrompendo as grava- guitarrista Pedro Madeira (ou Peter Wood),
em vez de enveredar pelo processo de pas- ções do quarto longa-duração do grupo. que tem também dado concertos a solo
sar por vários elementos até arranjarmos “O formato duo tem as suas limitações e com as suas composições. Esta encarna-
o ‘certo’, decidimos avançar um pouco por cremos que, a seguir ao «Truth», atingimos ɭɩSTVIWIRXIREɽPXMQEIHMɭɩSHS6IZIVIR-
quem estava disponível. Ou seja, eu e o João o nosso limite como duo,” continua o Car- ce, irá actuar a 25 de Maio no Sabotage,
Arsénio, baterista. Sempre tivemos na mira los. “Daí a tocarmos com mais gente, seria IQ 0MWFSE IWXERHS TPERIEHS XSGEV QɽWM-
tocar com mais gente, mas nunca encontra- YQTEWWSPʬKMGSIXMZIQSWSEGEWSHIƼREP- cas do álbum com a banda completa, con-
mos pessoas que nos parecessem ‘certas’.” mente encontrarmos um baixista no Rodrigo JSVQIS'EVPSWRSWGSRƤVQE3HMWGSIWXɧ
É assim que Carlos Ferreira, vocalista e Vaz, que era guitarrista dos The Blue Drones. com edição planeada para Outono/Inverno
guitarrista dos Asimov, nos apresenta esta Com mais músicos, há a possibilidade de HIWXI ERS EMRHE WIQ IHMXSVE GSRƤVQEHE
formação de trio em palco, que em inícios experimentar um pouco mais e de sermos “Estamos contentes com a relação com
de Abril se deslocou até Porto e Viana para mais livres, do que do que quando contamos a editora mas decidimos só pensar nesse

 LOUD!
assunto seriamente quando tivermos o
TVSHYXSƼREPTVSRXSEETVIWIRXEVűEƤVQE
o vocalista.

Voltando à Joana Guerra, violoncelo e


stoner poderá parecer uma combinação
estranha, mas tudo surge de um modo na-
tural, explica-nos o “Sr. Asimov”. “A Joana é
uma amiga nossa de longa data, com dois
álbuns a solo e participações em vários pro-
jectos. Já há alguns anos que falávamos
em tocar juntos e experimentar ver como
soaria, mas ainda não tinha sido possível
alinhar agulhas. Desta vez, tivemos o ma-
terial certo para ‘encaixar’ um violoncelo e
conseguimos arranjar um estratagema em
que seja possível termos horário e calendá-
rio para podermos tocar e gravar com ela.” A
agenda de todos os envolvidos nem sempre
possibilita a versão de quinteto, por isso
quando tal não seja possível, então aí será
Asimov e será só o trio.

Para lá das malhas já disponibilizadas no


YouTube, a celebratória «The Seeker» e a já
VIJIVMHEm7LEQER7EGVMƤGI|E039(EMRHE
escutou outros temas, numa sessão que
arrancou com «Head Phoenix», um belo
“Como os nossos meios são um bocado
instrumental, gravado ao longo do tempo,
QEWIQUYIEFEXIVMEƤGSYGSRGPYɳHERYQ
arcaicos, acabámos por desenvolver
só take, conforme sublinha o guitarrista. “A
primeira vez que o João ouviu nos headpho-
a sensibilidade que hoje temos e acho
nes, tocou logo a bateria e depois a Joana que resulta. Não estamos preocupados
gravou o violoncelo. Só agora estamos a ex-
perimentar com takes directos, mas sempre em ter o som mais definido do mundo,
gravámos directo, primeiro o baixo, depois
a bateria, guitarra, vozes, overdubs. Como mostramos o que somos na vida, acho eu.”
os nossos meios são um bocado arcaicos,
acabámos por desenvolver a sensibilidade
que hoje temos e acho que resulta. Não es- «May Forever Be Today» é algo mais psych do se ouve um disco, desse modo há espaço
XEQSWTVISGYTEHSWIQXIVSWSQQEMWHIƼ- soft rock, inspiração Barrettiana, mais pró- para ‘canção’ e para ‘exploração’. De momen-
nido do mundo, mostramos o que somos na ximo da estrutura de canção, menos explo- to, o que está gravado é o que nos foi mais
vida, acho eu.” Há em Asimov um misto de ratório, como nos explica Carlos: “Quando prático de concluir para o tempo que temos
LSRIWXMHEHIIWMQTPMGMHEHIUYIWIVIƥIGXI começámos a idealizar o álbum, a nossa para compor, ensaiar e gravar. Os temas que
no resultado dos temas, não que sejam tão ideia era fazer algo mais calmo, com elemen- ainda falta gravar talvez sejam os mais desa-
simples quanto isso, mas pelo menos apa- tos mais acústicos. Sendo como somos, tal ƼERXIWHSTSRXSHIZMWXEHEGETXEʡʝS:MWXS
rentam ser. Para o novo registo, produção e não aconteceu por enquanto. No entanto, que prezamos uma estética mais arcaica,
mistura levam a assinatura Asimov And The sempre tivemos a ideia de ‘canção’ como a quanto mais alinhado estiver tudo antes de
Hidden Circus, sendo o local de gravação o «She’s Heading West» nos nossos álbuns. gravar, melhor.” Já «The Curtain» foi gravado
IWXɽHMS>EQFME Creio que o importante é a dinâmica quan- num só take, um instrumental tão elementar
quanto catchy, e um dos melhores resulta-
dos desta gravação, que aos três minutos
possui um pormenor de guitarra que lhe
confere um colorido exótico e lhe dá um ca-
rácter hipnótico. «The Shallow Man» é mais
um dos temas gravados, com uma ambiên-
GMENYWXMƤGEHETSVXIVWMHSKVEZEHSREKEVE-
gem da banda. O processo de gravação é
sumariamente descrito: “A matéria-prima da
mistura já lá está, depois é só mais graves ou
agudos. Montamos a bateria, depois coloca-
mos os microfones de forma a captar tudo
para as pessoas ouvirem. Usamos um Okta-
va MK-219 de fabrico russo, a jóia da coroa
da captação, um microfone de condensador,
que na nossa opinião é muito versátil. Às ve-
zes, colocamos no meio da sala para gravar,
usamos outros truques, mas não vamos es-
tar a contar tudo… A nossa bateria, o que se
ouve é o som dela a ressoar, não é só a pan-
cada. Se o amp fez feedback antes de tirar
EUYIPIWSPSIEXʣƼGEFIQTEVEUYʤGSVXEV#
Foi assim que saiu.” GSRGPYMSQɽWMGS“Usa-
mos logo o melhor som de captação, se soa
rough, é porque é!”

LOUD! 9
colaboração prolonga-se para lá do trio, até
à Fora do Rebanho, associação em que par-
ticipam e que tem dado algumas cartas na
região, pois como nos explica, “é uma Asso-
GMEʡʝS'YPXYVEPWIQƼRWPYGVEXMZSWUYIENYHE
a dinamizar a cidade de Viseu no que toca
a toda a música alternativa, desde a banda
mais pesada de metal até ao rock/blues
mais ligeiro. Existe há cinco anos e temos
eventos mensais que vão variando de estilo
mês após mês. Basicamente temos ajuda-
do o interior a ter mais ‘movimento’ com as
melhores condições possíveis. Somos um
grupo de pessoas que não quer deixar esta
cidade adormecer!”

2S &ERHGEQT SW &EWEPXS HIƤRIQWI


como “stoner with metal and doom over the
edge”, mas questionado, António admite
XIVZɧVMEWMRƥYɰRGMEWŰTemos três pessoas
distintas na banda. O João, por exemplo,
ʣ FVEWMPIMVS XIQ YQE MRƽYʤRGME JSVXI HE
América do Sul, é muito mais aberto em
termos musicais”. O que une o trio, mais
UYISQIWQSKSWXSTIPEQɽWMGEɯEZSR-
tade de fazer algo diferente. Logo no início
perceberam que ia ser difícil ser unânime.
“Mas todos estávamos de acordo em remar
contra a maré, sentimo-nos bem em ser di-
ferentes,ű VIQEXE HIWEƤERXI S KYMXEVVMWXE
Quando se escuta qualquer um dos dois
XVEFEPLSW TIVGIFIWI FIQ UYI E QɽWMGE
é deixada correr livre, sem grandes preo-
cupações em construção de temas, um
certo espírito de jam session, embora com
características diferentes. “Não é uma jam

BASALTO
pura,” explica o António. “Mas mantemos
o espírito live, sempre de procurar e expe-
rimentar. Como somos nós que gravamos,
optámos por gravar por partes. Também
produzimos, era a primeira vez e tivemos
HMƼGYPHEHIWXʣGRMGEWUYIJSVEQHMJʧGIMWHI
ultrapassar. Resolvemos gravar por takes,

'TCWOCXG\WOXKUGGPUGWOCȖQTKCPQ mesmo mantendo o sentido live. Ao vivo,


vai soar igual. Por exemplo, onde há leads
GWODTCUKNGKTQ2QFKCEQOGȖCTCUUKOC de guitarra, não há guitarra ritmo por baixo,
pois somos apenas três.” As faixas são nu-
JKUVȡTKCFQU$CUCNVQVTKQFG8KUGWSWGVGO meradas, em romano, com as do segundo
álbum a retomarem a ordem onde o ante-
GOk&QGPȖCzQUGWUGIWPFQNQPICFWTCȖȒQ rior tinha terminado. “Esta opção partiu dos
ensaios, um pouco por brincadeira. Como
as nossas músicas não têm letra, come-
ormar uma banda em Viseu não é valores, ou então o estado de espírito,” expli- çámos a numerar cada uma. Este disco é

F fácil, aparentemente, conforme nos


conta António Baptista, guitarrista
dos BASALTO. “Não é mesmo. Mesmo as-
ca. Produzido em regime DIY, o grupo con-
tou com ajuda de amigos. “Pessoas que nos
ajudam: o meu tatuador fez o artwork, por
acompanhado de um texto escrito por um
amigo nosso, Martim Sousa, mas não é
nenhuma letra. As vozes que gravei, nes-
sim, hoje em dia tornou-se um bocadinho exemplo,” enaltece o António. “Há sempre te «Doença», são vozes sem letra, apenas
mais fácil, tem aparecido malta nova a tocar um amigo que dá dicas, outro que tem con- para criar um layer sobre aquele momento
e isso tem feito com que comecem a apa- tacto sobre onde fazer o CD, malta que tem de música. Sentimos que num dado ponto,
recer algumas bandas de diferentes estilos.
Difícil, ainda, é encontrar pessoas para géne-
VSWIWTIGʧƼGSW1EWSTIWWSEPNʛZEMIRGSR-
trando com quem fazer testes e até surgem
daí projectos novos, que tentamos explorar.”
“ Mantemos o espírito live, sempre
O guitarrista lá encontrou ele próprio as
pessoas certas eventualmente, formando
de procurar e experimentar.“
este trio com o baixista Nuno Mendonça e
João Lugatte na bateria. Juntos lançaram
o álbum homónimo, em Maio de 2016, e já lojas onde o coloca à venda. Sermos nós a precisava de uma voz gutural e metemos
em Fevereiro deste ano, «Doença», um título tratar de tudo não torna o projecto mais fácil, essas vozes. No primeiro disco, nem isso
aberto a interpretações. “Quando ouvirem o mas torna-o mais nosso. Dá-nos aquele gos- existia e começou aquela necessidade de
álbum, as pessoas vão interpretar de forma tinho, fazer as coisas assim. Também não tocar a um, a dois, e foi assim que surgiu a
diferente, podem pensar em doença física, vou dizer que vai ser sempre assim, mas até numeração e no segundo disco, seguimos
mental, ou da própria forma como a humani- agora ainda não apareceu alguém que nos esse conceito. No futuro, iremos ver se há
dade está doente, ou a sociedade e a falta de faça mudar este processo.” Este espírito de necessidade de mudar.” ='(?

 LOUD!
INVERNO
ETERNO
Uma das melhores bandas de black metal
nacionais vai-se juntar para um último
que gostavam do nosso trabalho, que nos
acompanhavam e apoiavam nos vários con-
certos, fossem eles em Faro ou em Braga, em
Beja ou no Porto, em Lisboa ou em Aveiro.
Isso foi de facto algo indescritível, algo que
EQPEGTVQ#PVGUFKUUQVKXGOQUVGORQRCTC nós agradecemos de forma imensa, sincera,
e de coração. Sentir que havia pessoas que
WOCȦNVKOCGPVTGXKUVCVCODȘO WI MHIRXMƼGEZEQ GSQ S UYI JE^ʧEQSW UYI
nos acompanhavam na ‘angústia’ e ‘des-
graça’, essa foi a melhor e mais honesta re-

É
já no próximo dia 26 de Maio, no RCA se pudesse realizar e pelo esforço de todos compensa que poderíamos ter tido.” Apesar
Club em Lisboa que “a sombra vai aca- para que fosse concretizável.” É-nos revela- de se darem todos muito bem, conforme
bar sem ser”, para parafrasear o lema do que não será só o «Póstumo» o visado garante o P. Teixeira entre risos, os Inverno
dado ao evento que vai ter lugar. Será o con- no concerto, que incorporará um misto dos )XIVRSXIVɩSEUYMSWIYTSRXSƤREP(MXSMWXS
certo de despedida dos INVERNO ETERNO, HSMWɧPFYRWEMRHEGSQQɽWMGEWUYIRɩSJS- há continuidade de outras formas. Todos
FERHE XSXEPQIRXI ɽRMGE RS TERSVEQE HS ram editadas. “Teremos alguns convidados, os membros da banda estão envolvidos
black metal português desde o seu apare- iremos transcender os discos e a marca dos noutros projectos, nomeadamente Artnis
cimento, já inactiva há alguns anos, mas dez anos que atinge. Iremos dar tudo o que (que já têm álbum de estreia gravado), os
que decidiu aproveitar a efeméride do déci- temos nos 75/80 minutos de set, tudo o que
mo aniversário de «Póstumo», o seu disco se acumulou nestes anos será expurgado de
HI IWXVIME TEVE WI NYRXEV YQE ɽPXMQE ZI^ vez,” revela ainda o vocalista de forma emo- “Tudo o que
em palco. “A ideia foi surgindo não de uma cional. O guitarrista P. Teixeira completa a
forma tão palpável, isto é, não no sentido de
‘vamos dar um último concerto’... falando por
ideia, em relação ao sentimento que a banda
tem em relação a esta grande noite que se
se acumulou
mim, foi quase uma necessidade, um achar
que algo estava incompleto, que não tinha
avizinha: “Tal como disse o Nada, penso que
WINEYQQMWXSHIXYHSƉEƼVQEƈ)RXYWMEWQE-
nestes anos será
sido enterrado devidamente,” explica-nos o
vocalista Nada em relação ao concerto que
dos por voltarmos a tocar juntos, e também
preocupados porque, como último concerto,
expurgado de vez.”
vai ainda ter a companhia dos Black Howling terá de ser um grande concerto, terá de ser
e dos Gaerea. “Havia algo que em mim não dos melhores.” regressados Bowelism (“Estamos a compor
estava em paz com isto, pela forma abrupta músicas novas, a apanhar antigas, a formação
com que tinha sido ‘encerrada’. Na altura o )Q EPXYVE HI HIWTIHMHE ƤREP Lɧ WIQTVI E antiga voltou, e agora o J. Vitorino está na ba-
desfecho deveu-se ao esgotar de toda a mi- tendência para fazer um balanço. Não acha- teria,” revela P. Teixeira), e… Foreste, que serão
nha energia, ao facto de Inverno Eterno me VɩS IWXIW QɽWMGSW UYI SW -RZIVRS )XIVRS XEPZI^SWƤPLSWIWTMVMXYEMWHSW-RZIVRS)XIVRS
ter drenado por completo. Dei tudo o que ti- teriam merecido um bocadinho mais de “A ideia surgiu para ‘fugir’ ao pensamento de se
nha, e isso começou a afectar todos de cer- atenção e de preponderância durante o seu voltar a Inverno Eterno,” diz o Nada. “Falei com
to modo. Na altura foi como a frase de Neil percurso? “Compreendo a tua pergunta, e o J. Vitorino, ele mostrou interesse e come-
Young: ‘it’s better to burn out than to fade falando pela nossa parte, foi assim que as çou a fazer umas músicas. Depois falei com o
away’. Passados dois anos, a necessidade coisas se foram desenrolando, num pequeno %RHVʣHSW&PEGO,S[PMRKIEUYMPSƼGSYEMRHE
de querer encerrar condignamente aquele ca- círculo,ű VIƥIGXI S 2EHE ŰAo início foi uma melhor. [risos]%GLIMUYIEMRHETSHMEƼGEVQEMW
pítulo começou a vir novamente ao de cima, opção nossa, mas mesmo quando isso dei- completo com o P. Teixeira e com o J. Teles,
e as ideias foram surgindo, até se chegar à xou de ser uma questão para nós, e as coisas falei com eles, mostraram interesse e aos pou-
sugestão deste concerto, tendo o mote do JSVEQƽYMRHSTSVWMEGLSUYIRʝSWIJSMQYM- cos começaram-se a construir as coisas, aos
«Póstumo» fazer dez anos. Falámos e todos to mais longe, se calhar seria uma questão poucos e muito lentamente. Para quem quiser
acederam para que isto pudesse acontecer; o de tempo para que tal acontecesse. O mais ouvir um esboço de algumas músicas, poderá
meu obrigado a eles por permitirem que isto importante, a meu ver, é que havia pessoas visitar o nosso Bandcamp.” =,%5?

LOUD! 
TOXIKULL
(C\GORCTVGFCGPȘUKOCXCICFGVJTCUJ Four é natural, sendo eles thrashers, mas
porquê este revivalismo? “Tem a ver com

PCEKQPCNGQPȦENGQFWTQUȒQFQKUKTOȒQU EW RSWWEW MRƽYʤRGMEW TSMW GSQIʡʛQSW E


ouvir heavy metal por aí. Metallica, depois

.GZ6JWPFGTG/KEJCGN$NCFG
cenas mais heavy como Judas Priest,űEƤV-
ma Blade. Lex concorda: “Passa um pou-

#UUKOOGUOQ
co por aquilo que ouvimos, sim. Thrash,
speed, agora estamos mais numa maré
de heavy, Judas Priest… Também vamos a
respeito dos nomes, há realmente a guitarra, mas para Lex, é algo natural. bandas de hoje em dia como Enforcer, Evil

A qualquer coisa de comic book hero


nestes rapazes de Cascais que for-
mam a alma dos TOXIKULL. Lex, irmão
“Comecei a tocar guitarra desde cedo e
GSQS WSY QEMW ZIPLS TEVIGI UYI Ƽ^ YQ
bom trabalho e ensinei aqui o pequenote,
Invader, por aí fora.”

Há que explicar que na formação original


mais velho, explica: “Como estou nos Mi- que agora é maior que eu,” explica entre dos Toxikull, Blade ainda não estava pre-
dnight Priest e lá têm nomes artísticos, re- risos. De facto, Lex começou bem novo sente, sendo o lugar, como já referido, ocu-
solvi trazer a ideia para aqui. Era para ser REQɽWMGESUYIPLITVSZSGSYHMWWEFSVIW pado por Sandmaster, hoje nos Okkultist.
Lex Steel mas fui investigar e era também com uma banda, terminando expulso e a Entretanto, Lex ocupa o lugar de vocalista
o nome de um actor negro de gay porn, o formar o seu próprio grupo, em gesto de nos Midnight Priest desde 2013, tendo
que não dava muito jeito.” Blade, também raiva. “Estava a começar, num grupo cha- gravado «Midnight Steel», o trabalho do
mado All In e a dar os primeiros passos. ano seguinte. Quanto a Toxikull, depois da
Não sabia mesmo cantar, e depois de um estreia, em 2016, com «Black Sheep», este
concerto correram comigo, só que a for- novo título, «The Nightraiser», é “apenas”
“O thrash nunca irá ma de o fazerem foi estranha. Criaram um um EP. “8IRXʛQSW HIƼRMV YQE IWXVEXʣKME”
grupo no Facebook e convidaram amigos explica Lex. “O disco anterior era um pouco
ter a dimensão de para escreverem que me queriam fora da
banda. Fiquei revoltado, também era puto,
mais hard rock, um heavy mais soft. Este
é um bocado diferente, no tipo de som, na
antigamente, mas aí com uns quinze anos, aquela raiva de
quando a namorada acaba contigo. E pron-
composição. Não queríamos passar logo
para um álbum diferente do anterior, agora

por outro lado, o que to, criei os Toxik Room.” Toxik Room é a
banda anterior, um pouco amadora, onde
que temos um som dentro do speed metal.
Por isso vamos tentar habituar as pessoas
tocavam covers. “Fixei a formação com com este EP e só depois partimos para o ál-
se faz agora é mais o Antim, The Viking, e o David, The Lorke, bum.” A respeito da popularidade do thrash,
bem como com o Leandro Sandmaster que Lex acha que não está a esmorecer. “Ainda
místico.” agora não está na banda. Todos quería-
mos trabalhar para aquilo e surgiu a ideia
há nomes novos a aparecer e a gravar dis-
cos do estilo. O thrash nunca irá ter a dimen-
de lançar um álbum. Já que era algo mais são de antigamente, mas por outro lado, o
guitarrista, completa: “Adaptámos isso a sério mudámos de nome, e como gosto que se faz agora é mais místico, só chega
aos Toxikull e também porque temos no- HINSKSWHITEPEZEWƼGSY8S\MOYPPʈtoxic a essas bandas quem está mesmo no un-
mes complicados para um estrangeiro pro- skull, mas uma só palavra, pois achamos derground, é mais puro. Há muita gente que
nunciar.” Irmãos no metal não é novidade, que as bandas com uma só palavra têm gosta de bandas porque é moda e nem co-
há os Van Halen, o Vinnie e Dimebag dos mais impacto.” Blade complementa: “Vê o nhece as músicas. Hoje em dia é diferente,
Pantera, mas normalmente em pares de Big Four, todas só de um nome, é o melhor tens de gostar para estares presente no un-
guitarra e bateria. Aqui os dois empunham caminho sem dúvida.” A referência ao Big HIVKVSYRHʈQEMWFSRMXS” ='(?

 LOUD!
VIOLATION
WOUND
/CKUWOOșUOCKUWOFKUECȖQEQO
Q%JTKU4GKHGTV0KPIWȘOHC\WOCGUVȐVWC
baixista e baterista respectivamente. Não
começámos a banda como uma rebeldia
contra nenhuma dessas coisas, mas queria
que as pessoas soubessem o que é que não
iríamos ser. E mesmo que quiséssemos ter
ao homem? penteados marados como essas bandas
modernas, acho que não dava, somos todos

D
esde Dezembro de 2017 que são já Violation Wound apareceram, já havia a ideia uns sacanas carecas!” Para além do trio de
três os lançamentos com o dedo do de que viriam mais discos e mais concertos base, há ainda alguns ilustres convidados
QɳXMGS QɽWMGS RSVXIEQIVMGERS 'LVMW a caminho nos anos seguintes? “Eh pá, ‘por no álbum, como o referido Dave Hill, par-
Reifert. A fechar o ano passado, um EP es- alturas de 2013’ soa mesmo estranho, parece ceiro de Chris nos Painted Doll, ou Athenar,
trondoso da sua banda de sempre, os Au- que foi noutro dia,” diz o talentoso norte-a- dos bem conhecidos Midnight. “O Athenar
topsy, «Puncturing The Grotesque». Em Fe- mericano, também ele já chegado à idade é um bom amigo, até tocámos com os Mi-
ZIVIMVSJSQSWWYVTVIIRHMHSWTIPEQEKRɳƤGE em que tudo parece que aconteceu noutro dnight no nosso primeiro concerto,” expli-
estreia dos Painted Doll, duo de homenagem dia. “Mas é verdade, já faz cinco anos que ca o Chris. “Por isso quando estávamos a
ao rock psicadélico dos anos 60 e 70, que decidimos começar esta coisa, e continua- KVEZEVSʛPFYQEGLʛQSWUYIIVEƼ\IXVE^ʤ-
Chris partilha com o comediante Dave Hill. mos fortes. Estamos na Peaceville, vamos -lo, juntamente com o Dave, para fazerem
Agora, para voltar a endurecer a questão, o tocar no Maryland Deathfest, é tudo muito umas cenas giras. Felizmente ambos esti-
habitual baterista/vocalista sai de trás do kit entusiasmante. Nada disto estava escrito ZIVEQ TEVE MWWS 3 (EZI ʣ YQ EƼGMSREHS
e volta a pegar na guitarra, para dar continui- em plano nenhum, escusado será dizer, mas de caos sonoro e está sempre pronto para
dade ao mau gosto evidenciado na estreia LSRIWXEQIRXIIWXEZEGSRƼERXIHIUYIʧEQSW o barulho!” Em relação à mudança para a
auto-intitulada dos VIOLATION WOUND, de ser uma banda badass, e mantenho-o!” guitarra, e como habitualmente, o homem
2014, com o novo «With Man In Charge». São
vinte descargas brutais de crust/punk meta-
lizado em 34 minutos que não vão deixar
nada em pé após a sua passagem. Como é
“A motivação é principalmente deixar
que há cabeça para isto tudo? “Gosto de vos
ajudar a manterem-se em actividade,” ri-se o
rasgar e criar música punk hardcore
Chris, quando lhe dizemos logo no princípio
da conversa que tem tido piada entrevistá-lo
que eu ache que seja altamente.”
quase todos os meses. “Sinceramente não
sei como isto tudo aconteceu tão rapida- Badass é uma boa forma de descrever a não está propriamente preocupado. “Claro
mente, mas sim, manter-me ocupado é es- javardeira que se ouve no disco novo, de que é diferente para mim, estou à frente do
sencialmente aquilo que tenho feito. Não sou facto. A posição da banda também é inte- palco e não atrás como é costume, mas já
bom em muito mais coisas que não sejam ressante, assumindo-se totalmente contra toco guitarra desde 1983, só que nunca o
castigar a minha voz e vários instrumentos, “a porcaria moderna, plástica e segura que tinha feito numa banda a sério até ter os
TSVMWWSQEMWZEPIETVSZIMXEVRʝSʣ#%ZMHEʣ passa por punk” hoje em dia. “Bom, a moti- Violation Wound. Tem sido essencialmente
curta e não me apetece nada desperdiçá-la vação é principalmente deixar rasgar e criar para efeitos de composição nos Autopsy.
a fazer coisas que não me apetece, e é me- música punk hardcore que eu ache que seja Mas gosto de me poder mexer mais em
lhor estar ocupado do que sentado à espera altamente,űWMQTPMƤGES'LVMWWIQKVERHIW palco e ver as pessoas do público. Normal-
que as coisas aconteçam. Gotta rocka rolla!” merdas. “Felizmente conhecia pessoal que mente só tenho luzes nos olhos e o resto da
Realmente, não há como discutir com isso. também curtia este tipo de coisa, nomea- banda à minha frente. Resumindo, tem sido
Será que, por alturas de 2013, quando os damente o Joe Orterry e o Matt O’Connell, altamente.” Até parece fácil! =,%5?

LOUD! 
FIVE FINGER DEATH PUNCH
Como vão as coisas, Jeremy?
Está tudo bem. Estamos a preparar-nos para
uma digressão, por isso estamos a aprender
XIQEWRSZSWIEEƤREVEPKYRWHIXEPLIWIWXɧ

FAÇA-SE tudo a correr bem!

Em relação ao novo disco «And Justice


For None», como se sentem em relação
a ele?
Este disco já está feito há algum tempo e
IWXEQSW WEXMWJIMXSW TSV ƤREPQIRXI S TSHIV

JUSTIÇA
1UPQTVGCOGTKECPQU(+8'(+0)'4&'#6*270%*
partilhar com as pessoas. Quando fazes um
novo álbum, isso acaba por ser uma imagem
daquele momento, do que sentes naquela
altura, da tua vida pessoal... e temos muito
SVKYPLS HS UYI Ƥ^IQSW HIWXE ZI^ )WXEQSW
sempre a pensar à frente, sempre a pensar no
que vamos fazer a seguir, e já estamos a viver
com este disco há tanto tempo... é certo que
para a maioria das pessoas é uma novidade,
I IWXEQSW I\GMXEHSW TSV TSHIV ƤREPQIRXI
RTGRCTCOUGRCTCGFKVCTQUGWUȘVKOQTGIKUVQFG partilhar este trabalho, mas como disse, já
QTKIKPCKUk#PF,WUVKEG(QT0QPGz1FKUEQLȐGUVȐ estamos a pensar no que fazer a seguir.

ITCXCFQJȐSWCUGFQKUCPQUOCUWORTQEGUUQLWFKEKCN Quando terminaram as gravações deste


EQOCGFKVQTCHG\EQOSWGQNCPȖCOGPVQHQUUGCFKCFQ disco?
Inicialmente terminámos em Dezembro de
#IQTCSWGGUVȐƓPCNOGPVGRTQPVQRCTCUGTOQUVTCFQ 2016... acho eu! [risos] Depois tivemos o pro-
CQOWPFQHCNȐOQUEQOQDCVGTKUVC,GTGO[5RGPEGT cesso em tribunal com a editora, que está
documentado online, onde basicamente es-
SWGPQUEQPVQWVWFQUQDTGGUVCPQXKFCFG távamos legalmente sob contrato, e tivemos

JORGE BOTAS

 LOUD!
de ultrapassar esse processo. Depois de Por falar no Ivan, sabemos que os últimos be. Lembro-me do soundcheck ao início do
tudo resolvido, tivemos de gravar mais umas dois anos têm sido bastante complicados dia e o Dimebag estava de lado no palco a
canções para colocar no disco e por isso ti- para ele... Como tem sido a reabilitação e ver-nos a tocar um tema muito rápido. No
ZIQSWHIZSPXEVEIWXɽHMS1EWNɧIWXEZEXIV- como está a situação neste momento? ƤREP IPI Wɸ HM^ME ŰToquem mais rápido! To-
QMREHS Lɧ EPKYQ XIQTS I ƤREPQIRXI IWXɧ O Ivan está actualmente num estado de es- quem mais rápido!“ Foi um momento muito
pronto para sair, depois de ultrapassadas as pírito como talvez nunca o tenha visto. Ele cool TEVE RɸW 2S ƤREP HE RSMXI HIQSWPLI
questões legais. Acho que ambos os lados está cheio de vontade de trabalhar, está em uma t-shirt da nossa banda e depois vimos
estão satisfeitos, querem seguir em frente e grande forma e tem treinado todos os dias. uma foto dele na revista Metal Maniacs com
colocar todo o esforço na promoção deste É bom ter o Ivan, a pessoa, de volta, perce- ela vestida. Foi um dos momentos altos da
novo disco. bes? Por isso, estou muito orgulhoso dos es- minha adolescência.
forços dele... todos estamos orgulhosos! Sei
2IWXIɧPFYQƤ^IVEQYQEZIVWɩSHIYQHSW que mentalmente ele está num bom lugar, Actualmente moras em Las Vegas, onde
meus temas preferidos fora do universo está entusiasmado para regressar à estrada lamentavelmente ocorreu aquele ataque no
do metal. Estou a falar, claro, de «Blue On e também está ansioso para que este disco ano passado. Estavas lá quando o tiroteio
Black» do Kenny Wayne Shepherd. Porque seja editado, tal como nós. Todos estamos aconteceu?
decidiram gravá-la? ansiosos para voltar ao activo. Felizmente não estava. Estava em digressão
Normalmente é o Ivan [Moody, vocalista] que com a banda, e ouvimos as notícias como
apresenta os temas que gostava de gravar, Neste disco, liricamente, o Ivan vai com todas as pessoas... começámos logo a ligar
e é também um grande fã do tema. Nós tudo no tema «Sham Pain»... seja a falar so- à nossa família e aos nossos amigos. Feliz-
também sempre gostámos mas pensámos bre os media, editoras... mente as pessoas mais próximas de mim
que, se íamos fazer uma versão desse tema, É isso que podemos esperar sempre do Ivan. estavam todas bem, mas foi uma coisa hor-
tínhamos que lhe dar um toque Death Punch )PI HM^ S UYI TIRWE WIQ ƤPXVS ?VMWSWA ɔ YQE rível e espero que não se repita em mais lado
IXSVRɧPSɽRMGS 7IEGEFɧWWIQSWTSV JE^IV das coisas que mais gosto nele, e todos nós nenhum, nunca mais!
YQEZIVWɩSMKYEPɦSVMKMREPRYRGEƤGEVMEXɩS gostamos, ele diz o que sente. Ele não quer sa-
boa, na minha opinião, porque normalmen- ber o que tu sentes, é uma forma de libertar o
te o artista original é que acerta em cheio! que está dentro dele. Acho que é uma aborda-
[risos] Nós queríamos que soasse à nossa gem honesta. Acho que podes sentir nas letras
banda e acho que o Ivan fez um excelente
trabalho, e é também uma das minhas prefe-
e no som o que está a sentir naquele momen-
to. Ele fez um grande trabalho neste disco!
“É um bom
ridas neste disco.
Há também outros temas muito interes- problema ter
temas que as
santes como o «Fake», «I Refuse» ou «Rock
Bottom»... achas que os fãs vão sentir a
mensagem?
%GLSUYIWMQ2YQEQɽWMGEGSQSEm*EOI|
consegues sentir aquela raiva e emoção. Acho
pessoas pedem
que é uma boa forma de começar o disco, e
dá o mote para o resto que vem a seguir. Acho
que vai ser um tema também muito bom ao
e ser difícil de
vivo e, eventualmente, também de abertura
nesse contexto, porque é essa a nossa ideia
escolher quais
neste momento. Tem muita energia, muita
raiva, e vai ser divertido! é que vão ser
Com a digressão prestes a começar e com
um disco para promover, vai ser fácil esco-
incluídos nos
concertos.”
lher um alinhamento?
Nós tentamos honrar cada álbum. Quere-
mos dar aos fãs um pouco de cada um de-
les e ainda tentamos promover o novo. Não
queremos tocar o álbum novo todo porque
EWTIWWSEWEMRHERɩSSGSRLIGIQWYƤGMIR- Tu que cresceste numa casa de artistas –
temente. Já vi artistas fazerem isso, mas TEM IWGVMXSV I QɩI EGXVM^ŷ 'SQS ɯ UYI XI
desejo sempre que pelo menos toquem al- tornaste num baterista de heavy metal?
guns temas mais conhecidos de quando eu Tudo começou por causa dos Kiss. Estava
era novo! [risos] Nós tentamos equilibrar as tão embrenhado nas capas dos discos que
coisas, com uma surpresa aqui ou ali, mas não conseguia parar de olhar para elas, na
já descobrimos a melhor maneira de fazer altura eram a cena mais cool que alguma
as coisas: tocamos temas que as pessoas vez tinha visto. A minha avó comprou-me
já pediram no passado e pelo meio incluí- um kit de bateria muito pequeno na Sears e
mos alguns temas novos. Mas é um bom que deve ter custado uns 80 dólares. Nes-
problema ter muitos temas que as pessoas se momento, tornei-me um elemento dos
pedem e ser difícil de escolher quais é que Kiss. Só pensava: “Eu estou nos Kiss e é isto
vão ser incluídos. que vou fazer!”

ɔ ZIVHEHI UYI ESW HI^EWWIXI ERSW EFVMW- E sendo grande fã dos Kiss, se tivesses que
te um concerto para os Pantera com a tua escolher um tema, qual seria?
banda antiga? Essa é uma pergunta complicada. Sabes.
É verdade, com os Cornucopia Of Death! [ri- Talvez a «Detroit Rock City».
sos] Eles eram a minha nova banda favorita
da altura e estavam a começar a dar cartas Eu quando era mais novo passava o tempo
IQXSHSPEHS2EZIVHEHIJSMRSɽPXMQSIW- em frente ao espelho, com a língua de fora,
pectáculo da digressão do «Cowboys From a pensar que era o Gene Simmons. [risos]
Hell», no meu estado natal de Indiana, eles 8SHSW RɸW Ƥ^IQSW MWWS %PMɧW IY EMRHE
tocaram em Indianapolis num pequeno clu- faço. [risos]

LOUD! 
SATANIC SURFERS

O PUNK(ROCK)
NÃO ESTÁ MORTO!
3WCPFQUGIQUVCOGUOQGHGTXKNJCPCUXGKCUȘFKHȜEKNPȒQ
XQNVCT(QKRTQXCXGNOGPVGQSWGUGPVKTCOQU5#6#0+%
574('45PQƓPCNFGSWCPFQUGTGWPKTCOCRȡUQKVQ
Rodrigo &SQ LSRIWXEQIRXI ƤUYIMEXɯWYV-
CPQUFGUKNșPEKQ/CKUWOCUXQNVCURGNQOWPFQSWGLȐ preso pela própria reunião. Isto não estava
EQPJGEKCQUGWGPȘTIKEQRWPMTQEMFGOGNQFKCUXKEKQUCU sequer na minha mente, muito menos um
álbum novo.
GGKUSWGUGITCXCWOPQXQȐNDWOQUȘVKOQk$CEM(TQO Andy: Quando demos as primeiras entrevis-
*GNNzVTC\FGXQNVCQITWRQUWGEQGORNGPCHQTOCGRTQPVQ tas, reparámos que todos os repórteres per-
KYRXEZEQ TSV QɽWMGE RSZE EPKS UYI RIQ
RCTCQSWGFGTGXKGT4C\ȣGURCTCWOCEQPXGTUCEQOQXQ- sequer tínhamos discutido dentro da banda.
ECNKUVC4QFTKIQ#NHCTQGEQOQDCKZKUVC#PF[&CJNUVTȤO Mas o Rodrigo tinha alguns riffs, que se tor-
naram em dezassete temas. [risos]
NELSON SANTOS Rodrigo: Sim, eu até comecei a escrever
algum deste material antes mesmo de
termos decidido fazer a reunião. Mal vol-
Como surgiu a ideia da reunião, há uns Andy: O Magnus [Blixtberg, guitarrista] ligou- XɧQSW E XSGEV ƤUYIM QEMW MRWTMVEHS QEW
anos? Já queriam reactivar os Satanic Sur- -me certo dia, quando estava à espera para a princípio não foi planeado para ser um
fers há mais tempo, ou foi mesmo o convite ensaiar com uma outra banda, a perguntar novo álbum dos Satanic Surfers. Estava só
TEVE YQ JIWXMZEP UYI JI^ E FERHE NYRXEVWI se eu estava interessado em pegar no baixo a fazer uns riffs, a tentar organizar umas
de novo em 2015? outra vez. E aqui estamos. Fiquei empolga- QɽWMGEW I KVEZIM EPKYQEWdemos na minha
Rodrigo: Basicamente, quando recebemos do a partir do momento em que ele me fez cave. Acho que assim que começámos a
a proposta para tocarmos no Montebello a pergunta. XSGEV NYRXSW XSHE E KIRXIƤGSYGSQTMGEI
Rockfest, no Canadá, eu tinha acabado de tudo encaixou.
sair dos Atlas Losing Grip. Uma vez que os Na altura, já tinham a intenção de compor
outros membros estavam numa de nos reu- e gravar material futuro, ou a ideia era sim- O título «Back From Hell» pretende ter algu-
nirmos, pensámos – porque não? Pode ser plesmente reunir a banda para um punhado ma relação com o vosso primeiro EP «Skate
engraçado. de concertos? To Hell»? Passaram por alguma espécie de

 LOUD!
UYIEWGSMWEWƤGEZEQTSVEPM)WXEZEJEVXS O punk (rock melódico) não está morto!
Andy: A energia já lá não morava e não está- Essa banda e os Bad Religion, por exemplo,
vamos para tocar mais, a não ser que sen- continuam a ser algumas das vossas princi-
tíssemos a coisa totalmente. Nessa noite, pais referências?
HITSMW HI IY HIM\EV E FERHE ƤUYIM QYMXS Rodrigo: Hummm… sempre curti Bad Re-
sentimental. Bebi demais e parti a louça toda PMKMSR 1EW GSQS TVMRGMTEP MRƥYɰRGME RɩS
com os Disrupt com o volume no máximo. GSRWMKSETSRXEVYQEFERHE7SYMRƥYIRGME-
HSTSVXSHEEQɽWMGEHIUYIKSWXS)MWWS
Entretanto, o que é que têm feito musical- equivale a um grande espectro de estilos.
mente, para além de voltarem com os Sa- Tudo desde cantautores, country fora-da-lei,
tanic Surfers? rock sulista, rock alternativo, alguma electro,
Rodrigo: Muita coisa. Tenho estado sem- hard rock, heavy metal, thrash/death/black
pre activo numa carrada de bandas mais metal, grindcore, hardcore, punk rock… Gos-
pequenas aqui da zona. Toquei bateria du- to do que gosto, independentemente do
rante alguns anos nos Kontrovers e depois género, seja underground ou mainstream.
nos Ursut com alguma da mesma malta. E tudo me toca, de certa forma. Mas não
Cantei e toquei bateria nos Widespread vou esconder que a minha maior inspiração
Bloodshed e numa banda hardcore chama- enquanto compunha o «Back From Hell» fo-
da Quick Fix, e também toquei guitarra nos ram os RKL. Foram sempre uma inspiração
Necrovation, banda de death metal. Isso e um dos meus favoritos no género.
JSM QYMXS Ƥ\I 4IWWSEP I\GIPIRXI I YQ HI- Andy: Os RKL são, indiscutivelmente, a me-
WEƤS TEVE QMQ %MRHE XSUYIM FEXIVME GSQ lhor banda de sempre. Já roubei algumas
os Venerea durante alguns anos e compus cenas aos Bad Religion e aos Good Riddance
e gravei um álbum com os Enemy Allian- também, mas quem nunca o fez?
ce, ainda por editar. [risos] Estive nos Atlas
Losing Grip, toquei bateria nos Sulphurous, Os Satanic Surfers, os No Fun At All e os
uma banda dinamarquesa de death metal… Millencolin, só para nomear alguns, ainda
esta lista podia continuar! Mas as minhas por cá andam. Acham que o punk-skate-ro-
principais bandas, actualmente, são Sata- ck sueco também já deixou a sua marca na
nic Surfers e Maligner, uma cena death/ história do rock com tudo o que vocês têm
thrash onde também sou baterista. feito ao longo dos anos?

“Acho que o punk/hardcore melódico


UWGEQLȐVGOFGƓPKVKXCOGPVGWO
capítulo na história do rock.
E é fantástico que muitas das bandas
ainda estejam activas.” – Andy Dahlström

Andy: Eu também tenho feito bastante mas, Andy 7MQ WIQ HɽZMHE 2S SYXVS HME IWXEZE
sobretudo, baixo nos Satanic Surfers, guitar- a ouvir Millencolin no Spotify e reparei que a
ra nos Sista Sekunden, bateria nos Terrible QɽWMGE QEMW XSGEHE HIPIW XIQ GIVGE HI 
Feelings e, ultimamente, embarquei numa milhões de plays. Acho que é a «No Cigar».
inferno entre 2007 e a reunião? Ou, obvia- narcisística carreira a solo que dá pelo deli- É de loucos! Poucas bandas do seu calibre
mente, é porque são “satânicos”?! cado nome de Andy The Band. XɰQ IWWIW RɽQIVSWŷ RIQ QIWQS SW 23*<
Rodrigo: É um pouco pela primeira razão, Mas sim, acho que o punk/hardcore melódi-
sim. Um amigo meu, o Mattias Persson, saiu- Reparo que já tocaram bastante em Espa- GS WYIGS Nɧ XIQ HIƤRMXMZEQIRXI YQ GETɳXYPS
-se com o título enquanto íamos a caminho nha nesta nova reencarnação, desde logo na história do rock. E é fantástico que muitas
de um concerto com a nossa banda Ursut. com o Resurrection Fest em 2015 e acabam das bandas ainda estejam activas hoje. Sin-
Estávamos a conversar sobre os anos que HI JE^IV YQE TIUYIRE HMKVIWWɩS TIPS TEɳW to-me orgulhoso por fazer parte disso.
passei nos Atlas Losing Grip, este regresso Fala-nos desses shows e, já agora, não deu
com Satanic Surfers e, uma vez que o nosso para vir um bocadinho mais para este, até Isto é para continuar? Ou seja, esta reunião
primeiro registo de sempre foi o «Skate To Portugal?... e álbum são para manter os Satanic Surfers
Hell», «Back From Hell» seria o título perfeito. Andy: Os concertos em Espanha, incluindo por perto por muito mais anos, ou ainda não
Até porque, de certa forma, estávamos a ten- a Galiza, País Basco e Catalunha, foram estão totalmente certos disso nesta altura?
tar captar algum desse feeling e a energia e a QEKRɳƤGSW 8IQSW ZMRHS E WIV QYMXS FIQ Rodrigo: Enquanto estivermos a passar um
inocência dos primeiros anos. acolhidos de volta por todos os fãs e es- bom bocado e a curtirmos a nossa compa-
tamos muito gratos por isso. Mas sim, de- nhia, tenho a certeza que vamos continuar.
5YEMW JSVEQ EW VE^ɺIW Nɧ EKSVE TEVE S víamos ter tocado em Portugal. Qualquer Estamos a manter as coisas num nível que
TVIQEXYVS ŰƤQű HE FERHE TSYGS XIQTS promotor daí está à vontade para contactar sirva todos os membros da banda. Não há
após lançarem o álbum anterior, «Taste o nosso agente Mutti – ou o David, em Es- pressão sobre ninguém. Não temos de fazer
The Poison»? panha – ofereçam-nos uma proposta que coisas que não queiramos. E já tenho tone-
Rodrigo: Toda a gente que estava no gru- não possamos recusar. [risos] Lembro-me ladas de material novo composto, portanto,
po, nessa altura, andava envolvida com que tocámos em Lisboa em 2006 com os espero que façamos mesmo mais edições!
outras bandas e cenas na vida. E, para ser Pennywise e foi selvagem! Andy: É para continuar. Vamos fazer mais
brutalmente honesto contigo, não parecia QɽWMGE RSZE I ZEQSW XSGEV FEWXERXI Man,
que alguém estivesse a dar aos Satanic Curiosamente, os Pennywise acabam de temos tanta cena excitante na forja, que é
Surfers alguma prioridade, portanto, decidi lançar um novo disco, tal como vocês. melhor nem começar… Fiquem atentos.

LOUD! 
GODSMACK
#RQKCFQUPWOCGZVGPUCNKUVCFGUWEGUUQUEQOGTEKCKU

IDADE IWKVCTTCUGUOCICFQTCUGTGHTȒGURGPUCFQURCTCUGTGPVQCFQU
em uníssono, os GODSMACK transformaram-se num dos
PQOGUOCKUHCEKNOGPVGTGEQPJGEȜXGKUFCIGTCȖȒQPWOGVCN
&GRQKUFGXȐTKQUCPQUFGFKITGUUȣGUKPKPVGTTWRVCUCDCPFC

DO GPVTQW GO JKCVQ G PC UGSWșPEKCFGWORGTȜQFQSWGUGTXKWPȒQ


Uȡ RCTC FGUECPUCTGO OCUVCODȘORCTCEQNQECTGOCXKFCGO
RGTURGEVKXC XQNVCTCO RQTƓOCQCEVKXQGO3WCVTQCPQU

ROCK FGRQKU GUVȒQ FG TGITGUUQCQUȐNDWPUEQOk9JGP.GIGPFU4KUGz


SWG ť UGIWPFQ Q NȜFGT G frontmanFQITWRQFG$QUVQP5WNN[
Erna – marca o início de um novo capítulo no seu percurso,
FWCU FȘECFCU FGRQKU FGVGTGONCPȖCFQCGUVTGKCJQOȡPKOC
JOSÉ MIGUEL RODRIGUES

 LOUD!
Achas que o «When Legends Rise» pode cho- expandir um pouco a nossa sonoridade. Foi Como sentes que a tua música tem evoluído
car alguns dos vossos fãs mais acérrimos? por isso que decidimos colaborar com o John ao longo dos anos?
Não sei, mas é possível que isso aconteça, Feldmann e o Erik Ron – que são dois com- Acho que a maior diferença é mesmo o facto
de facto. Há coisas neste álbum que vão, de positores fantásticos – e também com o Clint de estar mais velho. Já não sou aquele jovem
certeza, apelar aos seguidores de longa data Lowery, dos Sevendust, que é um amigo nosso irritado que costumava ser. Os anos passaram
dos Godsmack... O disco tem várias canções HIPSRKEHEXEIXIQYQESVIPLEQYMXSEƤREHE e, agora, estou muito mais velho... Tenho a mi-
directas, canções que estão cheias de bons para a melodia. E sim, respondendo ainda à RLEƤPLEILɧYRWERSWƤ^EPKYQEWQYHERɭEW
riffs e refrães potentes. No entanto, desta vez tua primeira questão, isso pode fazer-nos per- drásticas na minha vida, afastei-me de tudo o
também experimentámos ideias que, pro- der alguns fãs pelo caminho. Estes temas são, que era negativo, por isso estou num lugar bas-
vavelmente, não ousaríamos sequer testar WIQHɽZMHEQEMWGSQIVGMEMW2SIRXERXSKSW- tante melhor. Na verdade, se pensar bem nisto,
quando gravámos os primeiros álbuns e isso to sempre de pensar que, se perdermos um já não há muita coisa que me deixe realmente
poderá, certamente, ser um choque para to- fã antigo, podemos ganhar uns vinte novos. MVVMXEHSTSVMWWSEQɽWMGEUYIJEɭSEKSVEIZS-
HSWEUYIPIWUYIIWXEZEQɦIWTIVEUYIƤ^ɯW- Acho que temos essa capacidade... Daqui a luiu também nesse sentido. Apesar de estar
semos mais um disco semelhante a todos os uns dois ou três anos, podemos fazer as con- tudo um pouco mais brilhante e um pouco me-
UYI Ƥ^IQSW RS TEWWEHS 8VEFEPLɧQSW TSV tas e ver se o saldo foi positivo ou não. [risos] lhor, não vou começar de um dia para o outro a
exemplo, pela primeira vez com alguns com- IWGVIZIVGERɭɺIWWSFVIƥSVIWIEVGSɳVMWQEW
positores externos à banda e acho que isso 5YIV HM^IV UYI S SFNIGXMZS TEVE S RSZS ɧP- o novo álbum tem uma mensagem mais posi-
XVSY\IYQEGIVXEJVIWGYVEɦRSWWEQɽWMGE.ɧ bum era reinventarem o vosso som? tiva e acho que isso vai fazer com que tenha
o tinha feito no «Hometown Life», o meu se- Esse foi precisamente o objectivo a que nos também mais potencial comercial.
gundo álbum a solo, mas era algo que nunca propusemos desde o início – antes sequer de
tínhamos feito no contexto dos Godsmack. termos escrito uma nota que fosse. Para nós Este ano comemoram-se vinte anos da edi-
seria muito fácil, talvez até demasiado, con- ção do vosso álbum de estreia. Têm planos
)TSVUYIɯUYIHIGMHMVEQJE^ɰPSRIWXEEPXY- tinuar a escrever o mesmo disco, por assim para assinalar a efeméride?
ra da vossa carreira? dizer, ano após ano. O problema é que vamos Sinceramente, não. Não quero, aliás, falar
Não é que me sinta desinspirado ou algo ter sempre os mesmos resultados e isso não muito acerca disso. Não sou propriamente
desse género, mas basicamente senti – sen- nos interessa, porque vamos estagnar e deixar uma pessoa nostálgica e não quero correr se-
timos todos, aliás – que estava na altura de de crescer. Isso seria meio caminho andado quer o risco que isso ofusque o novo álbum.
TEVESƤQTEVEWIVLSRIWXS2ɩSQIMQEKMRS Este ano e o próximo vão ser passados na es-
a querer continuar a fazer isto se não puder trada, a tocar estes temas novos. É nisso que
estabelecer novas metas e novos objectivos. me quero focar agora. Daqui a uns cinco anos
Portanto, a partir deste ponto vamos tentar talvez façamos alguma coisa nesse sentido,
sempre reinventar o nosso som, o visual e o mas os meus planos não passam por perder
espectáculo em palco. Se tudo correr bem, muito tempo a revisitar o passado.
vamos conseguir criar uns novos Godsmack a
GEHEZI^UYIKVEZEVQSWQɽWMGERSZE Preferes olhar para a frente que para trás,
é isso?
Notas que, há semelhança do que aconteceu Basicamente é isso, de facto. É fantástico
contigo, o público também está a mudar? pensar que a carreira dos Godsmack já
7IQHɽZMHE(IWHIUYISRSWWSTVMQIMVSHMW- dura há mais de duas décadas, mas acho
GS JSM IHMXEHS Lɧ ZMRXI ERSW S TɽFPMGS HSW que ainda não estamos onde queremos
Godsmack mudou muito. Felizmente, hoje realmente estar. A minha vida como artista,
em dia há toda uma nova geração que está GSQSQɽWMGSXIQWMHSYQEPYXEGSRWXER-
a começar a descobrir-nos. Sei que muita te para tentar fazer sempre melhor que no
gente vai achar estranho que eu diga isto, ɽPXMQS ɧPFYQ TEVE XIRXEV EPGERɭEV RSZSW
mas de certa forma não foi assim tão posi- níveis e objectivos. Além disso, sinto que
tivo termos lançado o primeiro álbum naque- ainda temos muito trabalho a fazer pela
la altura. O nu-metal estava em alta e, como frente, e provavelmente é por isso que não
JE^ɳEQSWQɽWMGETIWEHEGSQVIJVɩIWSVIPLY- me faz sentido estar a perder tempo a re-
dos e melodias, a imprensa colocou-nos logo visitar coisas que já estão feitas. Ainda há,
aquele rótulo. E, por um lado, isso foi óptimo, por exemplo, países onde nunca estivemos
não o nego. Fartámo-nos de vender discos, e sinto que precisamos de tocar lá para ex-
tivemos muito sucesso e, provavelmente, não pandirmos a nossa base de fãs. A verdade é
seríamos a banda que fomos hoje se aquele que há sempre algo que estamos ansiosos
álbum não tivesse sido editado naquela al- por fazer, coisas novas que nos vão man-
tura. Por outro lado, foi uma merda, porque tendo muito entusiasmados. Estamos, sem
nós nunca fomos uma banda de nu-metal e UYEPUYIVHɽZMHERYQETSWMɭɩSGSRJSVXɧZIP
ƤGɧQSWTEVEWIQTVIEWWSGMEHSWEYQVɸXYPS e muitíssimo gratos por tudo o que atingi-
que acabou por tornar-se pejorativo. É óbvio mos, mas também não queremos sentir-
que, com o passar dos anos, as pessoas co- -nos demasiado confortáveis, percebes?
meçaram a perceber que o que fazemos é, 5YERHS YQ QɽWMGS WI WIRXI HIQEWMEHS
para pôr as coisas nos termos mais simples, GSRJSVXɧZIP ƤGE TVIKYMɭSWS HITSMW UYER-
LEVHVSGO)MWWSɯƤ\ITSVUYIIYRYRGEUYMW HS ƤGE TVIKYMɭSWS GSQIɭE E ERHEV TEVE
ser categorizado de forma estanque e este trás. E se há algo de que tenho a certeza
novo álbum é mais um passo decisivo para a nesta altura da minha carreira, é que quero
nossa emancipação. continuar sempre a andar para a frente.

“É fantástico pensar que a carreira dos


Godsmack já dura há mais de duas dé-
cadas, mas acho que ainda não estamos
onde queremos realmente estar.”
LOUD! 


Napalm Death
k(CUVKPI1P&GEGRVKQPz
[Fear, Emptiness, Despair, 1994]
)WXIHMWGSɯUYEPUYIVGSMWE(EQɽWMGEESGSRGIMXS
PɳVMGSUYIɯGSQSYQKVMXSHIEPIVXEɦMRGSRWIUYɰRGME
GSQTSVXEQIRXEPHSWIVɯYQɧPFYQTSWWYMXSHSWSW
IPIQIRXSWGLEZIHEFERHEHIWHIEI\XVIQMHEHIIPIQIRXEVHSm7GYQ|EXɯɦ
WSPMHI^IWXVYXYVEPHSm,EVQSR]'SVVYTXMSR|EGSTPERHSEZIMEI\TIVMQIRXEPI
MRHYWXVMEPHSI\KYMXEVVMWXE.YWXMR&VSEHVMGO

)QFƔGUJ
k%JTKUVDCKV4KUKPIz
[Streetcleaner, 1989]
)TSVJEPEVRSQIWXVI&VSEHVMGOEUYMWIKYISWIYTVSNIG-
XSQEMWEGPEQEHS)WXIWIRLSVɯMRGERWɧZIPIETVIWIRXE
QYMXEUYEPMHEHIREWWYEWEFSVHEKIRWQYWMGEMWũEWYE
FILIPE PMRKYEKIQɽRMGEWIVZIHIMRWTMVEɭɩSTEVEQYMXSWEVXMW-
XEWHIRXVSIJSVEHSKɯRIVS4IWWSEPQIRXIXIRLSYQGEVMRLSIWTIGMEPTSVIWXI

CORREIA
[CONCEALMENT /
HMWGSHIZMHSɦWYEGSQTSWMɭɩSZMWGIVEPITSHIVSWEUYITSVWMREPɯZMGMERXI

WELLS VALLEY]
LADO B
Swans
k*CNH.KHGz
Assim que a LOUD!
[Cop, 1984]
me fez o convite 4SVQEMWEFWYVHSUYIZSWTEVIɭEWɸGSRLIGMSW7[ERW
para compilar IQHYVERXIYQEWIWWɩSHS039((.(ITSMWHMWWS
a mixtape fui imediatamente JYMMRZIWXMKEVEJYRHSIWXEFERHEIEHSVIMSXVEFEPLSHIPIWɔYQHEUYIPIWHMWGSW
UYIRSWJE^XIVEUYIPEWIRWEɭɩSUYIEƤREPIQNɧWIJE^MEQGSMWEWQIWQS
MRZEHMHSTSVYQEMRƤRMHEHIHITSWWMFMPMHEHIW
QYMXSTIWEHEW(ITSMWHISYZMV7[ERWREɳRXIKVETIVGIFMUYIIVEQEFEWIHI
– discos, temas e compositores, ocorreram-me os mais QYMXEWFERHEWUYIQIMRƥYIRGMEVEQITEWWIMEKSWXEVEMRHEQEMWHIPIW
HMZIVWSWIHMZIVKIRXIWIPIQIRXSWQEWWIRHSVIEPMWXEWEFME
UYIRɩSMVMEGSRWIKYMVMRGPYMVXYHS2SQIEHEQIRXIFERHEW Blut Aus Nord
k6JG%JQKT1H6JG&GCFz
UYIEHSVS7IMUYIIWXEIWGSPLEHIXIQEWIɧPFYRWRɩSZEMWIV
[The Work Which Transforms God, 2003]
JIMXETEVEXSHSWSWSYZMHSWIKSWXSWQEWEVVMWGSIHIWEƤSEW 8EQFɯQGSRLIGMSW&PYX%YW2SVHXEVHMEQIRXIEɳTSV
vossas mentes a trespassarem para esta dimensão sónica. ZSPXEHI)WXEŰTɯVSPEűJSMQITEVXMPLEHETSVYQ
EQMKSIEWWMQUYISYZMSWTVMQIMVSWWIKYRHSWHEm8LI
'LSMV3J8LI(IEH|ƤUYIMHIMQIHMEXSVIRHMHSɦUYIPE
WSRSVMHEHI&YV^YQmeets+SHƥIWL2EQMRLESTMRMɩSWɩSYQEHEWQIPLS-
LADO A VIWFERHEWJVERGIWEWHIFPEGOQIXEPHEEGXYEPMHEHI

Voivod Incantation
k2U[EJKE 8CEWWOz k#DQNKUJOGPV1H+OOCEWNCVG5GTGPKV[z
[Dimension Hatröss, 1988] [Mortal Throne Of Nazarene, 1994]
A primeira banda que me ocorre conseguiu provar ao ɔYQHEUYIPIWɧPFYRWWYNSWITɽXVMHSWGSQYQETVS-
PSRKS HE WYE GEVVIMVE UYI EƤREP RɩS I\MWXIQ PMQMXIW HYɭɩSHMJYWEQEWXEQFɯQYQEWMRGIVMHEHIɽRMGEI
TEVE E GVMEXMZMHEHI I UYI S QIXEP XEQFɯQ TSHI WIV YQ PIXEP3W-RGERXEXMSRGSRWIKYIQHEVEWIRWEɭɩSUYISW
KɯRIVS QYWMGEP EVVSNEHS I ZERKYEVHMWXE 3W :SMZSH XIQEWRSWEVVEWXEQWIQHɸRIQTMIHEHITEVEYQTɨR-
ETSRXEVEQ YQ RSZS GEQMRLS TEVE XSHE YQE ZEKE HI EVXMWXEW UYI HIEQFY- XERSFIQRIKVSIGPEVSWIQJYRHS7EPMIRXSEm%FSPMWLQIRX3J-QQEGYPEXI
lava à procura do “je ne sais quoiű UYI WMQTPIWQIRXI RɩS I\MWXME RSW JSVQE- 7IVIRMX]|TIPSWWIYWVMJJWHIZEWXEHSVIWIEWYERIKVMXYHIEFWSPYXE
XSW GSRZIRGMSREMW HS KɯRIVS
Laibach
Ved Buens Ende k8CFG4GVTQz
k+ 5CPI (QT 6JG 5YCPUz [Nova Akropola,1986]
[Written In Waters, 1995] 4EZSVSWSɯSXIVQSUYIYWSTEVEHIWGVIZIVIWXIHMWGS
3 TVMQIMVS GSRXEGXS UYI XMZI GSQ SW :IH &YIRW )RHI m2SZE%OVSTSPE|ɯYQHSWQEMSVIWQEVGSWHEQɽWMGE
HIYWI RS ERS HI  I EGSRXIGIY GSQ E QEUYIXE MRHYWXVMEPMRGSQTVIIRHMHSTSVQYMXSWQEWEHSVEHS
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KYMHSV HE WSRSVMHEHI HIWXIW RSVYIKYIWIW I S m;VMXXIR IREQMRLELYQMPHISTMRMɩSɯHEUYIPIWɧPFYRWUYIWIXɰQHISYZMVRIQ
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QEHEW EXSREMW I TVSKVIWWɺIW VɳXQMGEW UYEWI PMXɽVKMGEW 9Q HMWGS UYI TSWWYM
XERXS HI IXɯVIS GSQS HI WMRMWXVS Thormenthor
k&KUUQNXGF+P#DUWTFz
Scott Walker [Dissolved In Absurd, 1991]
k,QNUQP #PF ,QPGUz 4EVEEGEFEVGSQGLEZIHISYVSWIKYIQSWŰRSWWSWű
[The Drift, 2006] 8LSVQIRXLSVUYIWɩSTMSRIMVSWREJYWɩSHIEXLQIXEPGSQ
%Xɯ SYZMV S m8LI (VMJX| RɩS WEFME UYI IVE TSWWɳZIP XVERW- IPIQIRXSWEZERXKEVHI5YIQWIVIGSVHEWEFIUYIRSMRɳ-
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UYI IWXI XVEFEPLS GVME I TSV MWWS QIWQS WI KSWXEQ HI IWXMQYPEV EW ZSWWEW XIQEXɳXYPSm(MWWSPZIH-R%FWYVH|(IWXEGSEVIIHMɭɩSHS)4IQUYIMRGPYM
QIRXIW RɩS LIWMXIQ IQ SYZMPS SJIRSQIREPXIQEm%FWSVFIH -R4VMZEP8LSYKLXW3R%4EPI(E[R |

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saber mais sobre os quatro de Albacete, que continuam
CCRQUVCTPCCLWFCFGWORTQFWVQTRQTVWIWșU
EMANUEL FERREIRA

 LOUD!
Este novo trabalho, é um passo adiante em não o podíamos terminar antes de começa- 2ɩS ETIREW Ƥ^IQSW YQ EGɽWXMGS RS re-
relação a «Hidden Evolution»? rem as gravações deste álbum. Esperamos cord store day do ano passado, 24 de Abril
Concordo. Naturalmente que à época, «Hid- ter isso à venda por altura do Natal. Será um de 2017, em Madrid. Não concebo este tipo
den Evolution» nos parecia o nosso melhor pouco estranho, teres à venda um disco ao HIGERɭɺIWGSQSEGɽWXMGEWTEVEQMQWɩS
disco até à altura, mas com o tempo olha- vivo, relativo a uma digressão e já estares temas eléctricos que, para pores o som
mos para ele e o que vemos é um álbum de noutra, mas também será uma edição muito QEMW FSRMXS GSPSGEW EPKYQE GSMWE EGɽWXM-
passagem, um ponto para evoluir e chegar limitada, apenas 1.000 cópias para distribuir ca. Também é mais uma ideia do David, o
a «Cabaret De La Guillotine», um melhor tra- em todo o mundo, será mais uma peça de outro guitarrista.
balho. colecionador que um disco normal, por isso
não será um grande problema. (EɽPXMQEZI^UYIXIZMRɩSTEVIGIWXIQYMXS
Neste disco optaram por trabalhar no vosso contente com o tratamento que recebiam
próprio estúdio e só depois recorreram aos :SGɰW Nɧ Ƥ^IVEQ HMZIVWEW ZIVWɺIW HI FER- em Espanha. Como está essa situação?
trabalhos do Daniel Cardoso, não foi? HEWQEWEQIPLSVUYIZSWZMJE^IVEXɯEKS- Estamos contentes, não me devo ter expli-
Sim, foi a primeira vez que pudemos contar ra, «Be Quick Or Be Dead» dos Iron Maiden, cado bem, mas é verdade que muitos secto-
com o nosso home studio, e o Daniel aju- nunca apareceu gravada. Vai ser esse live res não tratam os grupos espanhóis como
dou-nos a fazer o set up todo, a escolher que a vai revelar? eles merecem. Por seres espanhol, não inte-
micros e equipamento. Nessa altura ele nem Não. Também é uma das minhas favoritas, ressa quanto vendes ou se és popular, vais
sabia que ia misturar e masterizar o álbum. por vezes as circunstâncias levam a que ƤGEV WIQTVI RE TEVXI HI FEM\S HS GEVXE^
Foi bom poder gravar no nosso próprio es- não se façam as coisas como queremos IRUYERXSSWKVYTSWIWXVERKIMVSWƤGEQIQ
XɽHMS TSVUYI TYHIQSW VIKVEZEV GSMWEW UYI SYSWXIQTSWJE^IQGSQUYIƤUYIQYPXVE- cima. Muitas vezes, grupos que não conse-
achávamos poderem resultar melhor de passadas, mas vou contar-te um pequeno guem vir em tour, porque nem 100 bilhetes
outra forma. Quando estás fora de casa e a segredo – temos na cabeça, algum dia, iriam vender. Penso que deveria ser disso
TEKEVƤGEWWIQTVIGSQEPKYQEWWMXYEɭɺIW não sei quando, mas espero que dentro de que me queixava. Há ainda muito a fazer
em que não estás totalmente contente, pois pouco tempo, podermos fazer um disco para que isso mude, embora este ano algu-
sabes que estás a gastar dinheiro se fores ou uma pequena digressão, fazendo ape- ma coisa já tinha mudado, com o tratamen-
fazer mais tentativas. Desta vez, pudemos nas versões. Será Angelus Apatrida como to que recebemos no cartaz do Resurrection
JE^IVXYHSGSQQEMWGEPQEIƤGEVHSMWQI- tribute band, mas não como essas bandas e do Download, em que o nosso nome já
ses a gravar. Creio que valeu a pena, e depois tributo que há agora, Fake Metallica ou Fake tem destaque e leva o logótipo.
o Daniel fez um trabalho maravilhoso na par- AC/DC ou Fake Iron Maiden. Tocar os nos-
XI ƤREP KSWXEQSW QYMXS HIPI ɯ YQ KɯRMS I sos temas favoritos é algo que gostaríamos Como reagiste à passagem dos Metallica
sabe que já é para nós mais um elemento muito de fazer e aí voltaria a entrar a «Be TSV)WTERLEEJE^IVZIVWɺIWHSW&EVSR6SNS
dos Angelus Apatrida. Quick Or Be Dead», «Domination», «Master e Obus?
Of Puppets» e outros temas que tocámos [risos] É engraçado que fales disso. Não
O álbum leva o nome «Cabaret De La Guillo- no grupo quando éramos mais novos. pude ir ver porque as entradas eram
tine», mas dentro, nomearam a faixa-título
como «Sharpen The Guillotine».
Era o título que pensávamos dar ao disco,
mas quando estudámos a revolução fran-
cesa e toda a história sobre a guilhotina, en- “Por seres espanhol, não interessa
contrámos este nome curioso, não porque
seja bonito fazer temas sobre a morte ou de-
capitações, mas porque havia um restauran-
quanto vendes ou se és popular,
te, numa zona de França, com esse nome,
em que as pessoas iam comer e beber, vais ficar sempre na parte de baixo
enquanto apreciavam as decapitações. Pa-
receu-me mórbido e sarcástico, algo engra-
çado, mas também sério. Escolhemos então
do cartaz, enquanto os grupos
esse título, além de que o tema “guilhotina”
nos parece bastante universal. E, sendo es-
estrangeiros ficam em cima.”
panhóis, pareceu uma boa ideia colocar um
nome francês.
muito caras e eu não queria pagar tanto.
O vosso disco está previsto para ser lan- Neste disco, usam guitarras acústicas e têm %GLIM RSVQEP UYI Ƥ^IWWIQ ZIVWɺIW HIW-
çado a quatro de Maio, data da revolta mesmo uma balada em «Farewell». Como ses grupos, pois gostemos ou não, são as
de Haymarket, sobre a qual fala o vosso irão reagir os thrashers mais old school? bandas mais famosas de Espanha. Agora
último tema, «Martyrs Of Chicago». É pro- Este tipo de canções, que sempre quise- temos outros que tentam lutar para que
positado? mos fazer, sempre existiram no thrash, os nomes mais famosos sejam outros e
[risos] Não, hoje comemora-se no dia 1 como «Fade To Black» dos Metallica, ou façam esquecer essas que na sua época
de Maio, por isso dia do trabalhador, mas «Cemetary Gates» dos Pantera. Canções estiveram muito bem, mas que já não
é apenas uma coincidência. Sabes bem com sentimento e também partes mais pe- têm muito que mostrar nos dias de hoje.
como trabalham as editoras, lançando os WEHEWUYIƤ^IVEQWIQTVITEVXIHERSWWE Para o melhor ou para o pior, essas ban-
discos novos às quintas, e caiu no quatro cultura. Nunca tinha surgido a oportunidade das são as que ainda representam Espa-
de Maio, porque na semana anterior a edito- até agora de fazer algo assim e creio que é nha, com todo o meu respeito, Baron Rojo
ra já tinha um lançamento, e na outra tam- um dos melhores temas do disco, pelo me- tem um dos melhores discos do metal
bém. Como tínhamos de avançar para a nos para mim, além de que tem uma men- espanhol, «Volumen Brutal». A Espanha
HMKVIWWɩSIYVSTIMEƤGSYSUYEXVSHI1EMS sagem muito bonita, pois está dedicada à QYHSYQYMXSRSWɽPXMQSWERSWũIQ
Mera casualidade. memória de um amigo nosso que faleceu Madrid, o cartaz da digressão de Metalli-
há pouco mais de um ano e a letra fala dos ca representava um toureiro com a ban-
Tinha a impressão que, depois de «Hidden ɽPXMQSW QSQIRXSW UYI XMZIQSW GSQ IPI deira espanhola. Isso já não representa
Evolution», o vosso plano era editar um dis- quando o fomos visitar ao hospital, antes a Espanha de hoje, pegam nos tópicos
co ao vivo e não um de estúdio. O que se de morrer. Creio que as pessoas irão gostar. mais fáceis para fazer essas coisas, e
passou? acabam por representar pouco da popu-
O live é um projecto que tornámos algo pes- A vossa experiência com um concerto acús- lação. Espero que as pessoas descubram
soal e do qual queríamos ser nós a tratar, XMGSLɧYRWXIQTSWXIZIEPKYQEMRƥYɰRGME que Espanha é muito mais que touros ou
mas prolongou-se demasiado no tempo e no uso de guitarras acústicas em estúdio? Baron Rojo.

LOUD! 
LOUD! DJ

Marocas na voz.
Um dos porta-estandartes actuais Geres bem as duas bandas, Jony?

FQHCOQUQGJKUVȡTKEQOQXKOGPVQ
Jony:5YERHSIRXVIMTEVE8VMRXE

9QJSMIWTIGMEPQIRXIGSQTPMGEHS
JCTFEQTGFG.KPFCC8GNJC.8*% IYGVIWGMESYZMPSWJSMSTVMQIMVS
GSRGIVXSHILEVHGSVIEUYIJYMWIM
RCTCQUCOKIQUQU/14&#ǻ#LȐ EWPIXVEWHIXVɧWTEVEEJVIRXIHI
XSHSWSWɧPFYRWŷ
NGXCOVTG\GCPQUFGGZKUVșPEKC Foito:ɔYQEŰHEUYIPEWűFERHEW)Y
GVIWGMGSQ8VMRXE
9QGSRLIɭSEW
a demolir palcos um pouco por JSVQEɭɺIWXSHEW
VQFQQRCȜU%JGIQWCCNVWTCFGWO TRINTA & UM
Às vezes o pessoal de fora de
Lisboa não tem bem a noção da
momento decisivo na sua carreira m,SQIQ(I&EVVS| dimensão da importância dos Trinta
5YERHSSWQɽWMGSWHIQSRWXVEQ & Um, não é?
ťCRTGUGPȖCPQVGOȜXGN.17&К TVISGYTEɭɩSESWIVIQHIWEƤEHSW Foito:7MQIJE^IQTEVXIHEUYIPE
&,6GPVCPFQVGTCNIWOCUCHGV[KP TIPS039((.GSWXYQEQSWXIRXEV
XVERUYMPM^ɧPSWHM^IRHSUYIEXɯZEM
ŰJEQɳPMEűHI0MRHEE:IPLEɯEUYIPE
FERHEGSQEUYEPGVIWGIQSWXSHSW
numbersVTQWZGTCOVTșUGNGOGPVQU WIVJɧGMP2IWXIGEWSRɩSTSHIVɳE- Lembro-me que a primeira vez que
QSWQIWQSXIVYQGSQIɭSQEMW SWZMEMRHES>ɯ+SFPMRIWXEZERE
QXQECNKUVC(QKVQQDCKZKUVC,QP[ JɧGMPNɧUYIS.SR]XSGEEGXYEP- FEXIVME)WXɩSRESVMKIQHIXYHS
EUYIPEWQEXMRɯWES(SQMRKSRE
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VIWMWXMQSW %GEHIQMEIHITSMWXYHSSVIWXS
Bruno, aka,C[$%QOQUGORTG ZɰQHEɳ
Jony:)QVIPEɭɩSESW1SVHEɭE
Jony:?VMWSWA)YRɩSTSWWSJEPEV
fazem, ultrapassaram mais este WSFVIMWXS GPEVSUYIEMRƥYɰRGMEɯRSXɸVME
QEWIWXERHSREWHYEWFERHEW
FGUCƓQEQOFKUVKPȖȒQ
Foito:)YEXɯXVSY\IEt-shirtIXYHS
Querem melhor começo? XEQFɯQWSYGETE^HIHM^IVUYI
Jony:7ɸRɩSWIMHM^IVSERSŷQEWɯ LɧFEWXERXIWHMJIVIRɭEWIRXVIIPEW
Em,SQIQ(I&EVVS| ETIWEVHMWWS8ɰQSQIWQSXMTS
Foito:RɩSɯ#3KVERHI HIGEZEPKEHETSVIJIMXSHIXIVQSW

 LOUD!
GVIWGMHSIQ0MRHEE:IPLEQEWRɩS Foito:)\SHYW# QYMXS ZEPSV IQ 1SVHEɭE UYI ɯ S
JE^IQEWGSMWEWHEQIWQEJSVQE Jay:ɔ7PE]IV JEGXS HI XSHSW I\QIQFVSW MRGPYɳHSW
(IUYEPUYIVQERIMVEIQ1SVHEɭE Foito:*I^QIPIQFVEV)\SHYWEPME XIVQSW WIQTVI TEVXMGMTEHS RE GVMEɭɩS
RYRGERSWTVISGYTɧQSWQYMXSGSQ GIVXEEPXYVE HE QɽWMGE 2ɩS JSM YQ SY HSMW RɩS
isso, as coisas saem-nos sempre E o thrash, é importante para vocês? JSM XVEFEPLEV IQ GEWE JSM XVEFEPLEV RS
REXYVEPQIRXI Foito:%RXIWHIGSQIɭEVESYZMVLEV- IWXɽHMS PIZEV YQ VMJJ TEVE I\TPSVEV-
Jay:%ZS^TSVI\IQTPSɯ HGSVISYZMEXLVEWL)\SHYW3ZIVOMPP QSW NYRXSWŷ HITSMW GEHE YQ EGEFE
GSQTPIXEQIRXIHMJIVIRXIIE %RXLVE\8IWXEQIRXŷ TSV XVE^IV GSMWEW HI EGSVHS GSQ E WYE
EƤREɭɩSHIKYMXEVVEXEQFɯQ Tudo menos os Slayer? [risos] TIVWSREPMHEHI 9RW QEMW TEVE S QIXEP
Foito:?VMWSWA2ɩSPIQFVSQIHI IY XEPZI^ QEMW TEVE S TYRO I IWWE
KSWXEVHSm7SYXL3J,IEZIR|ŷ+SWXS QMWXYVE ɯ UYI ɯ Ƥ\I ɯ MRXIVIWWERXI
HEEXMXYHIQEWWIQTVIKSWXIMQEMW Foito: 7SQSW GMRGS IPIQIRXSW I XS-
OZZY OSBOURNE HESRHEHSW)\SHYWIEWWMQXLVEWL HSW XɰQ KSWXSW HMJIVIRXIW GEHE YQ
m'VE^]8VEMR|
(SɧPFYQm&PM^^EVH3J3^^|?A TYVSIHYVS8EQFɯQKSWXEZEHE XVE^ S WIY GYRLS TIWWSEP 7IQTVI JSM
Mesmo em offETMEHEVIGSVVIRXI ZIVXIRXIHIGVSWWSZIVHSW%RXLVE\ EWWMQ HIWHI S MRɳGMS
HS3^^]3WFSYVRIIWXEZEEHEVS WYVKMVEQSW73(XEQFɯQHEɳI -WWS VIƥIGXIWI XEQFɯQ RS ZSWWS
QSXIɦGSRZIVWETSVMWWSEGLɧQSW HITSMWETEWWEKIQTEVESLEVHGSVI público? Há essa mistura?
UYIIVEEPXYVEHIEGEFEVGSQE IWXɧPMKEHEEIWXIWKSWXSW3W'VS- Jony: 2YRGE XMRLE TIRWEHS RMWWS
FVMRGEHIMVEHEQIPLSVJSVQE3 1EKWTSVI\IQTPSWɩSYQEFERHE HIWWE JSVQE QEW WMQ 7IQ HɽZMHE
LSQIQEXɯZIQGɧTIPETVMQIMVE HILEVHGSVIGSQTPIXEQIRXIthrasha-
ZI^IXYHSIQFVIZITSVMWWSXIQSW da RSMRɳGMS,SYZIYQEJYWɩS
essa desculpa. IRXVISXLVEWLISTYRORSMRɳGMSHS
MADBALL LEVHGSVI%WKYMXEVVEHEWHSXLVEWL
m7IX-X3JJ| Foito:%MEMEMŷ?EUYERHSHSŰEMEMEMű SWXIQEWQEMWGYVXSWIQEMWWMQTPIW
Do álbum «Set It Off» [1994]
HS3^^]A HSTYROŷ
)WXEFIPIGMHEEGSRƤERɭEGSQYQE Jay:?KIVERHSVMWEHEKIRIVEPM^EHEA Jay:3XLVEWLXMRLEIVEQYMXSQEMW
VIJIVɰRGMETVɸ\MQEHSGSVEɭɩSWEPXI- )RXɩSMWXSɯUYIɯ3^^]3WFSYVRI WSPSWŷ
QSWS%XPɨRXMGSIQFYWGEHISYXVEW Tanto falaram nele, que o invoca Foito:2ɩSIWXEQSWEJEPEVHIWSPSW
GIREW,'MQTSVXERXIW:IQPSKSɦ ram! .&2ɩSIWXEQSW?VMWSWA
MHIMES2=,'ITSVXERXSEXIVVIQSW Jay: ɔEm'VE^]8VEMR|GSQS6ERH] Jony:)PIɯSERXMWSPSW
RSW1EHFEPPIRSTVMQIMVSXIQEHS 6LSEHW Foito:-WXSƤGENɧKVEZEHSSTVɸ\MQS
WIYTVMQIMVSɧPFYQŰEWɯVMSű Jony:4SVMWWSɯUYIIYUYIVMEUYIXY ɧPFYQHI1SVHEɭERɩSZEMXIVWSPSW
ZMIWWIW?VMWSWA Jay::EMZEM RATOS DE PORÃO
Jony: ?HYVERXIEintroA3^^]3WFSYV- Qual era a private joke com o Ozzy, Jony:3UYIZEPIɯUYIWSQSWGMRGS m7SJVIV|
RI?VMWSWA EƤREP# LɧQEMWEQERHEV?VMWSWA (S ɧPFYQ m%REVOSTLSFME| ?A
Foito:)YGSRLIɭSMWXS3RI0MJI Jony:*SMYQEFVMRGEHIMVEUYIXMZI- 4EVE XIVQMREV YQE FERHE EFWSPY-
'VI[# QSWRSGEQMRLSTEVEEUYM XEQIRXI YRMZIVWEP I XVERWZIVWEP .ɧ
Jay:)WXEMRXVSHYɭɩSɯQIJEQMPMEV Foito:'SQFMRɧQSWUYIWILSYZIWWI WYWTIMXɧZEQSW UYI S JSWWI QEW XI-
7YMGMHEP# HɽZMHEWIVE3^^]3WFSYVRI?VMWSWA QSW XMHS E GSRƤVQEɭɩS XSXEP RIWXEW
Não, mas continuem. 5YERHSRIRLYQHIRɸWWSYFIVɯ WIWWɺIW HI 039( (. 7INE UYEP JSV
Jony:)WXSYZSWEHM^IVUYIɯ3^^] 3^^]QIWQSUYIRɩSXIRLEREHEE S KɯRIVS HI IPIMɭɩS S background
3WFSYVRI?VMWSWA ZIV1EWTVSRXSTIPEZS^GLIKEZEPɧɔ QYWMGEP SY SYXVSW KSWXSW UYI WI
Foito: We don’t fake it, we just take HEUYIPEWZS^IWUYIQIWQSUYIRɩS XIRLEŷ 6EXSW ɯ 6EXSW
it. [sincronizado com a voz do disco, WIGSRLIɭEREHEHEGIREHIPIUYERHS
TVSZERHSUYIGSRLIGIA IPIGSQIɭEEGERXEVMHIRXMƤGEWIPSKS Foito: 6EXSW HI 4SVɩS %HSVS ZɰPSW
Jony:ɔ1EHFEPP Jony:)YGSRLIɭSYQFSGEHMRLSHI ao vivo.
Foito:1EHFEPP4VMQIMVSɧPFYQm7IX &PEGO7EFFEXLWɸ Jony: 0IQFVEWXI HS GSRGIVXS ɦ
-X3JJ|&SQɯSTVMQIMVSɧPFYQ Mas mais depressa vais ouvir Circle LAMB OF GOD ɽPXMQE HE LSVE# 2E %GEHIQME
ŰSƤGMEPűTVSRXS1EWIWXEMRXVSHYɭɩS Jerks do que o Ozzy, imaginamos? m0EMH 8S 6IWX| Foito: 4SMW JSM WIKYRHE HEXE HI
ɯQYMXSTEVIGMHEGSQYQEHI3RI Jony:7MQWIQHɽZMHE?VMWSWA (S ɧPFYQ m%WLIW 3J 8LI ;EOI| ?A VENEHE Ű5YIVIQ ZMV EFVMV#ű )L Tɧ
0MJI'VI[3QIYTVMQIMVSGSRGIVXS 1ERXIRHSRSW XIMQSWEQIRXI RS QIXEP 6EXSW ɯ 6EXSW
HI1EHFEPPJSMRE-RGVɳZIP%PQEHIR- GVIQSW UYI IWXE WIVɧ XEPZI^ YQ TSYGS Jony: :MQ HMVIGXEQIRXI HS 6IWYVVIG-
WIIWXEZEQTEVEEɳZMRXISYXVMRXE QEMW GSRWIRWYEP EXɯ TSVUYI MRGSVTS- XMSR RSZI LSVEW HI ZMEKIQŷ PIQFVS-
TIWWSEWRSQɧ\MQS9QQɰWHITSMW VEQ ZɧVMEW GEVEGXIVɳWXMGEW HS TYRO I HS QI HI IWXEV IRGSWXEHS ɦ TEVIHI E
IWXEZEQPɧSW7MGO3J-X%PPGSQ LEVHGSVI %PMɧW S TVɸTVMS FEM\MWXE .SLR XSGEV ?VMWSWA
YQEWTIWWSEWTEVEEɳ 'EQTFIPP Nɧ SW HIWGVIZIY GSQS ŰYQE Foito: 1EW KVERHI GSRGIVXS 6(4
Jay:-WWSJSMQMPRSZIGIRXSWIUYER- FERHE TYRO UYI XSGE QIXEPű ɯ KVERHI SRHE PIQFVSQI UYERHS
XSW#?VMWSWA PERɭEVEQ S m6(4 %S :MZS| ZMIVEQ
Foito:.ɧJSMLɧQYMXSXIQTS?VMWSWA Jony: ?VIJIVMRHSWI ɦUYIPEW WɽFMXEW XSGEV ɦ -RGVɳZIP GSRGIVXS QEMW ZMS-
Mas está bem presente, pelos RSXEW EKYHEWA 3 (IVMW ɯ UYI IWXEZE PIRXS UYI IY Nɧ EWWMWXM
vistos. São uma referência impor WIQTVI E JE^IV MWXS E KS^EV ?VMWSWA O «Ao Vivo» é um disco que marca
tante? Jay: ɔ 0EQF 3J +SH# totalmente uma geração.
Foito:&SQIYUYERHSGSQIGIME É sim senhor! Está encontrado o Foito: 3 GSRGIVXS RE -RGVɳZIP JSM QIW-
SYZMVLEVHGSVIGSQIGIMTSVSYZMV SLAYER especialista de metal. QS YQ QɰW HITSMW JSM YQE PSYGYVE
QYMXEFERHEUYINɧXMRLEEGEFEHS m&PEGO 1EKMG| Jony: ɋ TEVXMHE IVE TEVE ZMVQSW Wɸ +IRXI E EXMVEVWI Pɧ HI GMQE S +SVHS
*SMREEPXYVEIQUYIGSQIɭEVEQE (S ɧPFYQ m7LS[ 2S 1IVG]| ?A RɸW SW HSMW QEW IY MRWMWXM UYI IPI ɦ JVIRXI E HM^IV Űcuidado, aguenta aí!”,
ETEVIGIVSW1EHFEPPSW7MGO3J-X%PP *IMXE E TMEHE GSRXMRYIQSW RS IRXER- ZMIWWI ETIVXIM GSQ IPI ɦ ɽPXMQE HE MRGVɳZIP 3 GSRGIVXS JSM UYEWI E GɸTME
a nova vaga de Nova Iorque. Mas eu XS RE WIRHE HS QIXEP I MKYEPQIRXI LSVE 3W 1SVHEɭE EGEFEQ WIQTVI HS HMWGS ) ɯ YQE FERHE UYI EKVEHE
SYZMEQYMXSQEMW+SVMPPE&MWGYMXW PIRHɧVMS 7EFI WIQTVI FIQ SYZMV YQ TSV TY\EV TEVE S QIXEP ERXIW HIPI E XSHE E KIRXI E ŰKVIKSW I XVSMERSWű
7IGSRHW&EH&VEMRWŷ,EZMEYQE HSW QIPLSVIW QEPLɺIW EPKYQE ZI^ XɳRLEQSW S (IVMW WIQTVI LSYZI YQE Sobretudo nesta fase do
PSNEIQ'EVRE\MHIUYIXMRLEQYMXE IWGVMXSW TIPSW 7PE]IV S UYI RɩS ɯ MRƥYɰRGME HI QIXEP RS RSWWS WSQ TI- «Anarkophobia», muito crossover.
GIREERXMKE dizer coisa pouca. PEW TIWWSEW UYI XɰQ IWXEHS RE FERHE Jony: ɔ FERHE UYI EHSVS 4SV EGE-
Jony:%4SMRX&PERO8ERXSW'(WUYI Foito: 8MZIQSW WIQTVI EUYIPE KYMXEV- WS S UYI GSRLIɭS QIPLSV EXɯ ɯ S
GSQTVIMEɳŷ Jay: %GLS UYI ZSY EHMZMRLEV SYXVE VEHE EUYIPE TMXEHE HIWXI XMTS HI TIWS m,SQIQ -RMQMKS (S ,SQIQ| QEW
UYI IY GSRLIɭS MWXS Jony: ,ɧ YQE GSMWE E UYI IY HSY KSWXS HI XSHSW.

LOUD! 
BAD WOLVES

A GUERRA DOS
RENEGADOS
Provavelmente ainda desconhecidos da grande
maioria dos nossos leitores, os norte-americanos Olhas para esta banda como uma espécie
BAD WOLVES prometem transformar-se num caso de “novo começo” na tua carreira?
Não sei se poderei dizer que é um novo co-
de sucesso. Com Zoltan Bathory, dos Five Finger Death meço, porque estive envolvido numa série
Punch, a actuar como seu manager, a banda inclui na de bandas ao longo dos anos e já faço isso
há imenso tempo. Portanto, gosto de pen-
formação alguns músicos bem conhecidos – a saber, sar que a experiência que fui acumulando já
deve contar para alguma coisa. [risos] Não
o vocalista Tommy Vext (ex-Divine Heresy e Snot), sei, man... Às vezes acho que sou como um
o baterista John Boecklin (ex-Devildriver), o guitarrista jogador de futebol. Fui jogando em várias
equipas ao longo da minha carreira, mas ha-
Doc Coyle (ex-God Forbid), o guitarrista Chris Cain (dos via falhas, por isso andei até agora à procura
Bury Your Dead) e o baixista Kyle Konkiel (ex-In This de um grupo de “jogadores” sem defeitos e
que tivessem capacidade para competir na
Moment). O lançamento de estreia do quinteto norte- ƤREP4IVGIFIWSUYIUYIVSHM^IV#4EVEQMQ
os Bad Wolves são isso e sinto-me muito
-americano chama-se «Disobey» e vai agradar aos fãs afortunado por estar na banda com estes ti-
dos projectos em que estiveram envolvidos no passado. pos. Todos trabalhámos no duro para fazer
o melhor álbum possível e, pelo caminho,
No entanto, como nos explicou Vext, os quinze temas ajudámo-nos a crescer como músicos, o
que é óptimo.
deste primeiro disco também vão muito além disso.
Como é que entraste na equipa? Pelo que
JOSÉ MIGUEL RODRIGUES sei, o projecto começou com o John...

26 LOUD!
trabalhar nos arranjos e a direcção de gran- que os Bad Wolves soam como soam exac-
HI TEVXI HS QEXIVMEP EPXIVSYWI WMKRMƤGEXM- tamente por causa disso.
vamente. Para eu me sentir confortável a
cantar tivemos de estruturar as canções de .ɧLɧUYIQWIVIƤVEEZSGɰWGSQSYQEWY-
outra forma, menos abstracta, por isso ten- per-banda.
támos fazer as coisas tendo isso em mente. Isso é estranhíssimo! Quando penso numa
O objectivo passava por fazermos um disco super-banda, penso nos Audioslave, por
que tivesse elementos com que já trabalhá- exemplo. Ou nos Them Crooked Vultures,
mos no passado, mas não nos queríamos cenas desse género, bastante maiores do
ƤGEVTSVEɳ4IVGIFIQSWHIWHIPSKSUYISW que provavelmente alguma vez seremos.
Bad Wolves teriam de funcionar como uma Quando ouço alguém dizer uma cena dessas
lufada de ar fresco. limito-me a encolher os ombros porque, ver-
HEHI WINE HMXE ƤGS WIQ WEFIV S UYI HM^IV
Foi fácil encontrarem os outros músicos É confuso. É óbvio que, por um lado, é lison-
para completarem a formação da banda? jeador, é muito bom ouvir isso, mas não te-
Digamos que não foi complicado. O Doc e nho nenhum trono em casa, onde me sento
o John são amigos há doze anos, e eu sou a pensar que sou um deus do rock ou o que
amigo do Doc há mais de quinze, por isso quer que seja. [risos] Nós estamos agora a
abordámo-lo de imediato. Ouviu um só tema lançar o nosso álbum de estreia e nenhum
I ƤGSY PSKS WYTIVIRXYWMEWQEHS GSQ E LM- de nós tocou em nenhuma banda extraor-
pótese de colaborar connosco, por isso de- dinariamente famosa, por isso queremos ir
cidimos seguir em frente com ele como gui- avançando passo a passo, sem estar a criar
tarrista. Pouco tempo depois começámos a demasiadas expectativas.

“É muito bom ouvir que somos uma


super-banda, mas não tenho nenhum
trono em casa onde me sento a pensar
que sou um deus do rock.”
ensaiar com o Chris e o Kyle, que foi a última A verdade é que os singles de avanço ao
peça para completar o puzzle. Fechámo-nos ɧPFYQ XɰQ WMHS FIQ VIGIFMHSW WSFVIXYHS
na sala de ensaios, escrevemos mais de vin- a versão da «Zombie», dos The Cranber-
te temas e, depois, escolhemos os melhores ries. Porque é que decidiram revisitar este
para o álbum. Por isso, diria que sim foi tema?
simples encontrar as pessoas certas para Quando era miúdo adorava os The Cranber-
formar os Bad Wolves. ries e, para mim, as letras desse tema são
intemporais. A canção é uma mensagem
Pode dizer-se que houve uma boa química universal do que podem ser as consequên-
entre os cinco desde o início? cias dos danos colaterais e, provavelmen-
Fez tudo sentido desde o primeiro momen- te, por muito triste que isto seja, nunca
to, a nível musical e não só. Acho que o fez tanto sentido como em 2018 esses
.SLR WIQTVI JSM QYMXS MRƥYIRGMEHS TIPSW danos colaterais, sejam de que natureza
Faith No More que são uma banda que forem, são algo com que somos forçados
Correcto! O John começou a escrever os pri- todos temos em comum e que adoramos a lidar quase diariamente. O terrorismo a
meiros temas no início de 2016... Acho que – e, depois de ter tocado tanto tempo com nível global, a brutalidade policial, todos
escreveu uns onze ou doze temas e, depois, os Devildriver, quis fazer música que fosse estes tiroteios em massa aqui nos Estados
decidiu gravar uma maqueta. Na altura eu um pouco mais melódica e orelhuda. E o Unidos... São tudo situações geradas pelo
estava a trabalhar noutro projecto, o Doc ti- engraçado é que eu, depois de ter estado ódio e as letras do «Disobey», mais que
nha outra banda, o Kyle estava nos Vimic e nos Divine Heresy e numa série de outras um apelo gratuito à rebelião, são uma ten-
o Chris andava em tour como técnico de gui- bandas extremas durante grande parte da tativa de pôr as pessoas a pensar no que
tarra de um famoso artista pop... É engraça- minha carreira, estava numa fase da vida se passa actualmente no mundo, por isso
do, porque sou amigo do John há uma série em que também sentia essa necessidade. fez todo o sentido gravarmos a versão da
de anos e, eventualmente, ele pediu-me para Queria estar envolvido num projecto em «Zombie». E, confesso, inicialmente esta-
tentar criar as linhas vocais para um tema, que pudesse cantar mais e os Bad Wolves va inseguro, não tinha a certeza se íamos
que acabou por transformar-se na «Learn To transformaram-se no veículo perfeito para conseguir fazer justiça à versão original.
Live». Achei logo o resultado fantástico, ele chegarmos aos nossos objectivos. Quer dizer, esse disco vendeu milhões de
também, e a ideia de criar uma banda surgiu cópias... Estávamos a correr um grande
nesse momento. Hoje em dia, há um líder no grupo? risco ao pegar numa canção que era per-
Na verdade há três líderes nos Bad Wolves. feita na versão original. Foi exactamente
Sentes que a visão mudou de alguma forma [risos] Eu sou líder, o John é um líder e o Doc por isso que entrámos em contacto com a
a partir do momento em que tu e os outros também mas, apesar de termos todos uma Dolores [o’Riordan], para termos a bênção
músicos começaram a envolver-se no pro- personalidade predominantemente alfa, as dela. Para nós, foi uma honra perceber que
cesso de composição? coisas até funcionam bem. É como se tivés- KSWXSY HS UYI Ƥ^IQSW ES TSRXS HI UYIVIV
Sim, sem dúvida. Acho que o plano original semos uma espada e a fossemos passando colaborar connosco... Infelizmente acabou
do John passava por fazer algo mais pro- uns aos outros, algo assim. Cada um de nós por não se concretizar, porque ela faleceu
gressivo e até experimental, mas depois eu é especialista, por assim dizer, num assunto entretanto, mas foi mesmo muito especial
fui com ele para o estúdio, começámos a diferente e os três completamo-nos. Acho ter a sua aprovação.

LOUD! 27
INFRAKTOR

SUPER
MOTIVADOS
PSGEPM^EɭɺIWKISKVɧƤGEWGSQSFEXIVMWXES
Chico, em Santa Maria da Feira, o Ricardo no
Porto e o Miguel em Braga. Há aqui uma sim-
biose e todos têm a mesma garra de levar
Infraktor para a frente; nesse aspecto, sim,
podemos dizer que somos uma super-ban-
da, pois encontrámos um grupo de pessoas
excepcionais que se dão bem e estão todas a
remar para o mesmo lado, cinco amigos que
É uma estreia, e também o regresso aos palcos, de músi- ouvem metal com muita paixão.

cos com nome feito em outros grupos. Chamam-se O parto deste disco foi lento… cerca de dois
anos, com mudanças de formação pelo
INFRAKTOR e o título do primeiro registo de longa-dura- meio.
ção é «Exhaust», uma forte primeiro título é «Exhaust», Demos o nosso primeiro concerto em Janei-
ro de 2017, nas Metal Battles para o Wacken,
uma forte aposta no som mais extremo que se faz por cá. no RCA, e nessa altura já tínhamos termina-
do as gravações no Ultrassound, com o Pete,
O guitarrista Carlos Almeida explicou-nos tudo. que tinham começado em Setembro do ano
anterior. Já tínhamos contactos com a Rasti-
EMANUEL FERREIRA lho e havia prazos que nos levaram a pensar
que o disco estaria terminado por essa altu-
ra. Entretanto houve várias coisas a aconte-
Primeiro disco, mas com o passado dos guitarrista.” Foi assim que as coisas começa- GIVIXYHSEXVEWSYQEWƤGɧQSWGSQZSRXE-
seus elementos, pode falar-se em “super- ram. Fui logo dizendo que teria de ser uma de de nos mostrarmos ao público e, durante
-banda”? GSMWEEWɯVMSIRɩSYQTVSNIGXSTEVEƤGEVRE 2017, demos cerca de um concerto por mês.
Não diria uma super-banda, mas sim, temos garagem; ele alinhou e resolvemos falar com Entretanto, contactámos o Miguel Tereso da
elementos que já estiveram em nomes com uns músicos aqui na Gafanha da Nazaré. O Demigod Recordings e dos Primal Attack, a
alguma dimensão no panorama nacional. Hugo alinhou, mas o resto dos músicos ti- quem entregámos a conclusão do trabalho.
Tenho uma perspectiva humilde, somos ape- nha sempre qualquer coisa prioritária aos Foi a melhor coisa que nos aconteceu, pois
nas um conjunto de amigos e músicos que ensaios da banda e tivemos de começar a ETVSHYɭɩSƤREPHSHMWGSƤGSYI\EGXEQIRXI
se juntaram para fazer uns temas. O Hugo, procurar novos elementos. Pelas mais varia- como pretendíamos.
nosso vocalista, decidiu fazer uma banda, das razões, o pessoal foi entrando e saindo,
e falou comigo. Até foi curioso porque não um emigrou, outro foi pai, coisas por aí. Os O trabalho dele na produção dos Primal At-
nos conhecíamos, tínhamos apenas estado músicos foram saindo e nunca desistimos, tack, pesou na escolha?
juntos com um grupo de amigos, a tocar estivemos ano e meio a tocar apenas eu, o Completamente. Tanto o de Primal Atta-
covers, mas tudo numa garagem, por diver- Hugo e o baterista, até encontrarmos músi- ck como de Analepsy, foram decisivos na
são. Depois disso, víamo-nos em concertos, cos que tivessem o mesmo mindset e esti- nossa escolha. Mais recentemente, escutei
tudo casual. Só mais tarde nos cruzámos e vessem dispostos a alinhar neste tipo de outras coisas que ele produziu e manteve a
ele disse-me: “vou fazer uma banda e tu és o música. Se repararem, somos de diferentes qualidade, trabalhos que estão fabulosos.

28 LOUD!
Portugal é pequenino, quase uma aldeia, e é YQEƤKYVEHIQSRɳEGEEZEVVIVETEMWEKIQ “apenas” um primeiro lançamento. A uma
fácil ver quem anda por aí e o seu trabalho. É o escape, como um vulcão que tem um dia dada altura duvidámos disso, pois ouvimos
Foi também assim que chegámos ao Pete, de rebentar. Não é um disco conceptual, não tantas vezes a música que gravámos, que
hoje estamos bem entregues ao Miguel, mas há aqui um tema em particular, é mesmo um HYZMHɧQSWHSMQTEGXSVIEPHSUYIƤ^IQSW
ele ajudou-nos bastante na pré-produção. O catalisador. mas hoje acredito que construímos aqui o
Miguel, apesar de jovem, foi extremamente início de algo consistente.
TVSƤWWMSREP RSW TVE^SW VIWTSRHIRHS WIQ- Já falámos na editora, e penso que sin-
pre rapidamente, algo muito raro nos dias de tam a responsabilidade de se estrearem Como convidado, o Raça, vocalista dos Re-
hoje, mesmo noutros campos. Lembro-me logo num selo já com pergaminhos, em volution Within.
que na primeira revisão ao disco que nos en- lugar de apostarem apenas na edição de Surgiu da forma mais natural possível, já to-
viou, deixou-nos logo impressionados. autor. dos o conhecíamos e eu vi um dos primei-

Um disco que se intitula «Exhaust»…


4SHIXIVHSMWWMKRMƤGEHSWXERXSTSHIEPYHMV
à exaustão, de cansaço, como no sentido de
IWGETIɔIWXIɽPXMQSWMKRMƤGEHSUYITVIXIR-
“Portugal é pequenino, quase
demos referir, «Exhaust» como escape. Isto
surgiu um bocadinho por sugestão do Chi- uma aldeia, e é fácil ver quem
co, nosso baterista, que disse ser um nome
Ƥ\ITEVEYQEFERHEIIYVIWTSRHMUYIIVE
o título para o nosso álbum, pois tinha tudo
anda por aí e o seu trabalho”
EZIVUYIVGSQEQɽWMGEUYIƤ^IQSWEUYM
quer com o sentimento que nos percorria.
Estivemos todos parados, antes de come- Sim, temos plena consciência disso e traba- ros concertos com os Revolution Within, no
çar este grupo. Eu estive quatro anos sem lhamos todos os dias para isso, abdicando Colinas Bar, onde aconteceu tanta coisa a
fazer nada na música, antes de começar, HI ZMHE TIWWSEP I EXɯ TVSƤWWMSREP 7IRXM S nível de metal. Hoje ambos os grupos divi-
completamente mergulhado em trabalho. O peso dessa responsabilidade. Chegou a dem a sala de ensaios, e partilhamos um
Hugo já não tinha banda há mais anos ainda, estar em cima da mesa a possibilidade de espaço comum, em que nos cruzamos mui-
e o Ricardo e o Chico já tinham saído dos uma edição de autor, caso a Rastilho não tas vezes. O convite não vem só daí, pois
Pitch Black há mais de quatro anos. Curio- pegasse no trabalho, pois queríamos andar também estive cerca de ano e meio como
samente, todos recusaram o convite, à pri- com isto para a frente. Claro que ter o selo baixista da banda, por isso surgiu tudo de
meira vez, para vir tocar em Infraktor. Penso da maior editora independente em Portugal, forma natural. Desde uma fase inicial, que
que todos acabaram por vir, porque tinham traz outra responsabilidade, o que acaba por achei que se houvesse uma música para
energia acumulada e a paixão pelo metal ser bom, servindo para impulsionar o nosso ter um convidado, ela seria a «Ferocious
nunca morreu. O bichinho estava lá sempre trabalho e faz-nos querer dar o nosso me- Intent», imaginei logo o Raça a fazer uma
a morder, quase como uma droga; quem lhor. Sentimos que não é só mais um lan- desgarrada com o Hugo. Ele tem sido uma
pisa o palco, acaba por querer sempre voltar çamento e tivemos noção disso desde que pessoa que nos ajuda imenso e peço desde
e sente-se nostálgico quando está do outro fomos para estúdio gravar e entregámos já desculpa por ter metido todos os Revolu-
PEHS)JSMYQƥY\SHIIRIVKMEUYIIVERIGIW- uma pré-produção ao Pete. Ele disse logo tion Within nos agradecimentos e não ter-
sário libertar, até mesmo a própria capa com que tinha potencial para ser mais do que mos citado o Raça em particular.

LOUD! 29
KATAKLYSM

ETERNOS Passaram 25 anos desde o lançamento do


vosso primeiro EP, «The Mystical Gate Of
Reincarnation». Como tem sido esta jorna-

INTRUSOS
da para os Kataklysm?
Tem sido surreal, para ser honesto. Quando
começámos, tínhamos o sonho de fazer isto
para sempre, de fazer coisas grandes, mas
a realidade é algo muito diferente, e a maior
parte das bandas sonham com o mesmo,
porém não chegam aos 25 anos de carreira.
Tem sido uma longa jornada, com muitos al-
tos e baixos, em que temos aprendido muito
Dentro do espectro do death metal, os KATAKLYSM e temos vindo a adaptar-nos às mudanças
sempre foram uma banda à parte. Demasiado me- desta indústria. O mais importante é que nos
XIQSW QERXMHS ƤɯMW E RɸW QIWQSW EUYMPS
lódicos para os fãs da onda mais brutal, demasiado em que acreditamos e julgo que tanto tem-
po depois ainda conseguimos ser relevantes.
pesados para os adeptos da vertente mais melódi- Fico feliz por termos começado tão novos,
ca, relevantes para quem gosta dessa mistura a que quando andávamos na secundária, porque
assim ainda nos sobra mais algum tempo
juntam groove e peso em doses massivas. O voca- para fazermos o que mais gostamos.
lista Maurízio Iacono ligou-nos de Chicago, onde :SGɰW WIQTVI WIKYMVEQ S ZSWWS TVɸTVMS
reside, para nos explicar porque razão considera o caminho dentro do death metal, nunca se
MRXIKVEVEQ RYQE GIRE SY KɯRIVS IWTIGɳƤ-
novo «Meditations» como um passo decisivo para co. Desta vez queriam fazer algo ainda mais
se afastarem ainda mais dos seus pares. único e especial?
É precisamente isso, daí haver um tema no
disco que se chama «Outsider». Por alguma
JOSÉ ALMEIDA RIBEIRO razão, é muito bom para nós sermos dife-

30 LOUD!
cia a banda, mas para ele também foi um de- vamos o pequeno-almoço e começávamos
WEƤSTSVUYIEWWMQUYISYZMYSQEXIVMEPHMWWI em jam RE GEZI I HI VITIRXI ƤGɧZEQSW E
logo: “Porra, isto é muito pesado!” O resultado olhar uns para os outros porque não tínhamos
ƤREP ƤGSY MRGVɳZIP EGLS UYI XIQSW YQ HMWGS ideias. Chegávamos às 13h00 e não tínhamos
com um som muito moderno e que não soa a nada que se aproveitasse e então abríamos
mais ninguém, neste momento. É único! umas cervejas e decidíamos que o dia de tra-
balho tinha acabado, porque se não há inspi-
1EWIPIXIZIEPKYQEMRƥYɰRGMEREGSQTSWM- ração, não podemos forçá-la. Além disso, se
ɭɩSHSWXIQEW#4EVXMGMTSYRIWWEJEWISYWɸ fosse preciso, no dia seguinte escrevíamos
foi incluído depois, para tentar atingir esse duas canções em 24 horas. Havia dias em que
som que pretendiam? estávamos simplesmente SR ƼVI. Há temas
Quando terminámos o disco queríamos emblemáticos dos Kataklysm que foram es-
alguém que fosse capaz de traduzir correc- critos em duas ou três horas. A «In Shadows
tamente em termos sonoros, aquilo que tí- & Dust», por exemplo. Neste disco isso acon-
nhamos feito em termos de composição. Em teceu com a «Narcissist», porque percebemos
EPKYRWHMWGSWEGSRXIGIYRSWSTVSHYXSƤREP que tinha de ser bem directa, era aquilo, não
não soar exactamente ao que escrevemos, precisávamos de acrescentar mais nada.
porque, por exemplo, algumas melodias não
se evidenciavam como nós queríamos. Desta Tendo em conta o som muito moderno do
vez pretendíamos um grande foco no ritmo e álbum, sentes que é um passo arriscado
uma bateria gigantesca, e quando ouvimos o que vos pode custar alguns fãs mais tradi-
que ele fez com os Anthrax e com os Stone cionalistas?
Sour, não tivemos dúvidas de que seria a pes- Acho que o som é muito moderno, de facto,
soa certa para conseguir tudo isso com um no entanto a música mantém tudo o que
toque orgânico. Corresponde à forma muito sempre fomos. É verdade que isso pode
orgânica como foi composto também. Foi o acontecer, mas ao mesmo tempo a arte não
primeiro disco em dez anos que escrevemos tem piada nenhuma sem um mínimo de ris-
juntos, na mesma sala. Não fazíamos isso co. É importante arriscarmos, sem isso não
desde o «In The Arms Of Devastation», que há evolução, e os Kataklysm estão agora
já é de 2006, porque vivemos todos em cida- no 12.º álbum e precisam de encontrar for-
des diferentes e nos últimos discos usámos mas de se sentirem relevantes e não anda-
muito a tecnologia para juntarmos as peças. VIQ E VITIXMV S UYI Ƥ^IVEQ RS TEWWEHS 7I

“Sempre adorei a parte perigosa


do metal. Quando os Deicide
apareceram, tive medo!”

rentes. Nunca soámos como nenhuma outra E isso também nos torna mais preguiçosos, por um lado respeitámos a nossa história,
banda. Carregas no play e não vais dizer que IWWE TEVXMPLE HI ƤGLIMVSW 2ɩS UYI MWWS XIRLE por outro encontrámos uma forma de fazer
parece Cannibal Corpse ou In Flames ou Chil- algum mal, mas queríamos mesmo voltar algo diferente. Temos várias canções bem
dren Of Bodom. Sempre fomos um híbrido de aos velhos tempos, quatro tipos numa sala acima das 200 batidas por minuto, rápidas,
várias ideias e estilos, mas sempre soámos a de ensaios, a atirar ideias uns aos outros en- extremas. Uma canção como a «Guillotine»
Kataklysm, mesmo tendo passado por fases quanto bebemos umas cervejas. é completamente in your face, e a «In Limbic
diferentes. É difícil descrever-nos comparan- Resonance» é quase como se recuássemos
HSRSW GSQ SYXVEW FERHEW 1IWQS WI Ƥ^IV- Achas que é por isso que o disco saiu tão quinze anos. As palavras-chave deste disco
mos uma versão de Slayer, por exemplo, soa diverso? são diversidade e honestidade.
a Kataklsym! [risos] A questão é: para fazer Acho que sim, porque fomos para este tem-
uma banda que soa a Cannibal Corpse ou Su- po juntos de mente muito aberta às ideias Sentes que o espírito rebelde do metal
ffocation ou qualquer coisa do género, não é uns dos outros. Queríamos respeitar os nos- mudou muito desde os tempos em que
QIPLSV ƤGEV GSQ SW SVMKMREMW# )WXEQSW GSR- sos fãs mais antigos e as nossas raízes e ao eras um fã?
tentes com o nosso papel de outsiders, de lí- mesmo tempo tentar coisas novas. Sinto. Eu sempre adorei a parte perigosa do
deres daquilo que fazemos, e acho que neste metal, quando era novo, adorava a autentici-
álbum também demos um passo para essa Como foi voltar a ter toda a banda unida a dade das bandas. Acho que agora há muita
diferenciação com a escolha de um produtor GSQTSV# %PKYQ ITMWɸHMS QEVGERXI# falsidade em muitas das bandas que vão
que usualmente não trabalha neste subgéne- Primeiro que tudo, para conseguirmos fazer surgindo, é tudo muito plástico. Toda a cena
ro em particular. Todas as bandas usam os isso, ainda temos de desfrutar da companhia satânica para mim sempre foi uma espécie
mesmos cinco ou seis produtores – e, não YRW HSW SYXVSW ) ES ƤQ HI  ERSW ɯ UYE- de fantasia a que achava piada, mas quando
me interpretes mal, a nossa experiência com se como um casamento, não é fácil quando os Deicide apareceram, tive medo! A sério...
o Andy Sneap no último álbum foi incrível, um passas mais tempo na estrada com os outros [risos] Quando o «Legion» foi lançado, ver
dos melhores produtores que há por aí, sem tipos do que estás em casa com a tua famí- aquele tipo com a cruz invertida queimada
dúvida –, mas quando acabámos de compor lia. Felizmente, ainda temos essa ligação de na testa era impressionante, havia mesmo
o disco, decidimos que queríamos uma abor- irmandade no seio da banda, sobretudo nos um elemento de perigo. Agora é chover no
dagem fora da caixa, queríamos experimentar. últimos três anos, com a entrada do Oli Beau- molhado, ninguém quer saber de mais um
%GEFɧQSWTSVIRXVIKEVEQMWXYVEƤREPES.E] doin [baterista], que se tornou um de nós, a tema sobre religião. Para mim é redundante!
Ruston, que trabalhou com os Anthrax e com UYɳQMGE IWXɧ HIƤRMXMZEQIRXI Pɧ ɔ IRKVEɭEHS O metal tem de recuperar um pouco da lou-
os Stone Sour, ou seja, com um background porque grande parte do disco foi criado na cura e da dureza que tinha nos anos 80 e 90.
mais rock e menos death metal. Ele já conhe- minha casa em Chicago. Acordávamos, tomá- Mas isso é só a minha opinião.

LOUD! 31
Corria o ano de 1994 quando os membros dos
Cathedral decidiram criar um side project de
crust punk para se divertirem. Dezanove anos
depois, os Cathedral terminaram, e Lee Dorrian,
Gaz Jennings, Scott Carlson e o produtor de
«The Last Spire», Jaime Gomez Arellano, lá
ITCXCTCOƓPCNOGPVGWO'2\KVQPWOCVCTFG
Só 24 anos depois, ou seja, agora, os SEPTIC
6#0-VșOƓPCNOGPVGWOFKUEQCUȘTKQk4QVVKPI
Civilisation». Dorrian, o lendário vocalista, fala-
nos de todo este estranho percurso.
JOSÉ CARLOS SANTOS

32 LOUD!
É esquisito teres agora um disco dos Septic veria. E também surgiram espontaneamen-
Tank, tantos anos depois de terem formado te – para aí 80% destas letras ocorreram-me
esta banda? numa tarde, sentei-me e escrevi. Quando tens
É um bocado. Especialmente agora que nos QYMXEWGSMWEWUYIXIMVVMXEQƤGEQEJYRHEHEW
perguntam coisas sobre isso em entrevistas. PɧHIRXVSRɩSɯ#1EMWGIHSSYQEMWXEVHIXɰQ
Porque obriga-nos a pensar nisso, e isto sem- que sair. E ter uma banda deste género é uma
TVI JSM EPKS UYI Ƥ^IQSW WIQ TIRWEV QYMXS boa ideia para as libertar.
Nunca foi algo de sério ou com alguma
continuidade, até porque nunca houve essa É algo de que sentias falta? Ou sempre
oportunidade. Suponho que agora, não tendo consideraste as tuas letras como algo com
os Cathedral – e não é que de repente tenha essa função?
ƤGEHS GSQ MQIRWS XIQTS PMZVI TSVUYI RɩS &SQ XEQFɯQ RɩS ɯ UYI WINE EPXE ƤPSWSƤE
ƤUYIM QIWQS ?VMWSWA ũ  ENYHE E UYI XIRLE- São só observações básicas das coisas que
QSWJIMXSEPKSƤREPQIRXIQEWTEVEWIVWMR- vejo à minha volta. Diria que com os With The
cero, os Septic Tank não são uma banda que Dead acontece algo parecido, mas são escri-
nos tome muito tempo. Bem sei que há um tas de forma mais cínica. Ou mais niilista, é
buraco de quase 25 anos entre o primeiro en- o termo mais correcto. Mas escrevo mais ou
saio e o primeiro disco, mas tudo foi escrito e menos da mesma maneira nessa banda, ape-
gravado muito rapidamente. Metade dos te- sar de a aproximação ser diferente de muitas
mas foram escritos durante a gravação, aliás. formas. Acho acima de tudo que, quando se
Todo o processo demorou cinco dias. chega a este ponto, com esta idade e expe-
riência, com tudo o que já passei, começa-se
.ɧɯYQEZERɭSIQVIPEɭɩSES)4HI a perceber algumas coisas que eram obstá-
que foi numa tarde, não foi? culos à criatividade. Passei imenso tempo a
Sim, escrito, gravado e misturado numa tarde. pensar sobre o que fazia, preocupado como
Parece-me que… bom, se conseguimos fazer ia ser recebido, se o disco que estávamos a
as coisas desta forma, e se resulta, porquê fazer fazia sentido a seguir ao anterior, toda
JE^IV HI SYXVE QERIMVE# )WXI XMTS HI QɽWMGE IWWE QIVHE %S ƤQ HI QYMXSW ERSW E JE^IV
sai-nos muito naturalmente. Não que tenha- isso, a ansiedade diminui, e deixa-se de tentar
mos passado anos a tocá-la, mas é algo que forçar que tudo aquilo que se faz seja incrível,
está dentro de nós. Tudo aquilo de que gos- RɩSWIVZITEVEREHE7ɩSGSMWEWUYIWMKRMƤ-
távamos quando éramos mais jovens, todas cam muito quando se é jovem, mas a partir “Se a tua vida
as bandas que se pode dizer que este álbum de uma certa idade percebe-se que muito
VIJIVIRGMEWMKRMƤGEZEQQYMXSTEVERɸWUYER-
do tínhamos catorze ou quinze anos. Pode-se
daquilo que considerávamos importante é
na realidade bastante trivial, quando olhamos
é ditada pelo
argumentar que é um álbum que tenta estar
num determinado local, numa determinada
para a bigger picture.
número de likes
época, e que ignora tudo aquilo que aconteceu Mesmo assim, continuas a ter muitas coisas
na música desde então, e… se calhar é verda- que te irritam. Não na banda, mas à tua volta. que tens num post,
de. Mas who fucking cares# ?VMWSWA 2ɩS SYɭS As letras não são “bonitas”, de facto. Con-
hardcore moderno, não tenho qualquer inte- tinuas, de certa forma, a incitar à rebelião? então, desculpa lá,
resse nisso. A única maneira que tínhamos de A questão é diferente – é mais se nos per-
JE^IVYQɧPFYQEWWMQɯGSQSSƤ^IQSWRɩS
poderia soar de outra forma. Instintivamente,
QMXMQSWƤGEV^ERKEHSWSYWIHIM\EQSWUYI
as coisas nos passem por cima. Ou então
mas a tua vida
a nossa tentativa de fazer um álbum deste es-
tilo ia sempre soar a isto.
tolerar algo, mas ter um ponto de vista ob-
jectivo sobre essa questão, e isso já é im- é muito triste.”
portante. Não é fácil, muitas vezes, para as
O que nos leva a uma questão interessante pessoas resistirem às situações em que se
ũ ƤGE E WIRWEɭɩS HI UYI WI XMZIWWIQ PSKS encontram, revoltarem-se com as injustiças Às vezes parece que nada muda. Em aspec-
gravado um disco quando formaram os Sep- que acontecem, e é preciso compreender to nenhum. Mesmo politicamente, substitui
XMG8ERORSWERSWRɩSWIVMEEWWMQXɩSHMJI- isso. Muita gente ou não tem energia para Reagan/Thatcher por Trump/May em muitas
rente do que é o «Rotting Civilisation». Achas? isso, ou está demasiado ocupada só a tentar PIXVEWHIWWEEPXYVEIƤGEQ EGXYEMWŷ
Pois não, aliás, acho que teria sido exacta- sobreviver. Pessoalmente, uma das piores Há muita raiva nas pessoas, e há muitos miú-
QIRXI MKYEP %W MRƥYɰRGMEW WɩS EW QIWQEW coisas que vejo hoje em dia nas pessoas dos a lutar contra. É fácil tornarmo-nos cí-
que já tínhamos nessa altura. Desde bandas é o narcisismo. Vejo muita coisa boa que nicos, mas mesmo assim na altura tudo me
como Slaughter ou Celtic Frost, e Repulsion o Facebook e demais redes sociais trouxe- parecia diferente. Havia muita acção directa,
como é natural, até outras referências in- ram, mas infelizmente acho que o negativo muito confronto físico com a polícia. Bandas
teiramente óbvias como Discharge, muito supera largamente o positivo. As pessoas GSQSSW'SRƥMGXIWXMZIVEQREPMRLEHEJVIRXI
hardcore europeu, punk californiano, bandas tornaram-se obcecadas consigo próprias, dessa mentalidade, e para o bem e para o mal,
GSQS*MREP'SRƥMGXSY%XXMXYHI%HNYWXQIRXE e escrevi mesmo um par de canções sobre funcionou. Encorajou muita gente, eu incluí-
mentalidade é essa. Dito isto, não nos esque- isso no álbum. Temos um cenário de guerra do, a sair de casa e a fazer alguma coisa. Só
çamos que este é o nosso primeiro álbum. Se e dor à nossa volta, e as pessoas só querem que não durou. Imagino que haja música por
Ƥ^IVQSW SYXVS I IWTIVS UYI MWWS EGSRXIɭE tirar fotos a elas próprias a fazer beicinho, aí hoje em dia a ter efeitos parecidos, mas eu
isto é apenas um ponto de partida musical. é doentio. Todas as ansiedades, falta de não a vejo. Mas também tenho quase 50 anos,
GSRƤERɭERIGIWWMHEHIHIWIVIQEHSVEHEW já não tenho dezassete. Já não tenho energia
Achas que é possível evoluir, dentro dos tudo isso foi trazido para a superfície pela para ir ser preso por algo em que acredito –
QIWQSWTEVɨQIXVSWIMRƥYɰRGMEW# mentalidade imposta pelas redes sociais. E S UYI RɩS UYIV HM^IV UYI RɩS S Ƥ^IWWI 1EW
Acho que sim, e de várias formas. Espero, no se a tua vida é ditada pelo número de likes não tenho essa vitalidade, apesar de manter
entanto, que a coisa que não seja derivativa que tens num post, então, desculpa lá, mas a os meus ideais. Quando estás todos os dias a
neste disco sejam as letras. O conteúdo temá- tua vida é muito triste. Dito isto, eu costuma- encontrar coisas que estão erradas e a tentar
tico foi a única coisa que não modelei em mais va sair muito à noite e sentar-me a observar corrigi-las, constantemente, isso não é bom.
ninguém, nem tentei copiar nenhuma tendên- as pessoas, e a vaidade já nessa altura era Se tudo o que vês, todos os dias, são as coisas
GME)WXMPSZSGEPWMQZɧVMEWMRƥYɰRGMEWGPEVEW ridícula. E já escrevia canções sobre isso, so- erradas do mundo… Claro que não podemos
ninguém está a negar isso, mas liricamente, bre a esterilidade social. Acho é que agora é MKRSVEVMWWSQEWƤGEVSFGIGEHSXSVREXIYQE
não tentei escrever como outra pessoa escre- tudo mais visível. vítima de ti próprio. Não é saudável.

LOUD! 33
AMORPHIS
TEMPOS DE GLÓRIA

Os AMORPHIS estão a viver uma boa fase. «Under The


Red Cloud» marcou os 25 anos de carreira da banda
ƓPNCPFGUCGHQKFGWOCHQTOCIGTCNEQPUKFGTCFQEQOQ
um dos melhores discos que já lançaram, elevando a
fasquia em termos de expectativas dos fãs para o 14.º
NQPICFWTCȖȒQ0WOCPQKVGFGƓPCNFG(GXGTGKTQGEQO
uns gélidos -18º no exterior, em Helsínquia, a LOUD! teve
uma amena conversa com o baterista Jan Rechberger
e com o guitarrista Tomi Koivusaari, ambos membros
fundadores, sobre o muito aguardado «Queen Of Time».
Ficámos a saber que é uma versão 2.0 do disco anterior,
que o produtor Jens Bogren já se tornou quase um
sétimo elemento da banda e muito, muito mais.
JOSÉ ALMEIDA RIBEIRO

34 LOUD!
O
«Under The Red Cloud» foi um disco
HIKVERHIWYGIWWSTEVEZSGɰW'SQS
foi lidar com a pressão de terem de
fazer algo tão bom ou melhor?
Jan Rechberger: Como sabes essa é uma
questão típica, sobretudo quando vimos de
um disco que, como disseste, teve tão boas
críticas da imprensa e foi tão bem recebido
pelos fãs. Diria que não pensamos dessa
maneira, de que temos de superar o disco
anterior.
Tomi Koivusaari: Na verdade pensamos, mas
é subconscientemente...
Jan: Pois, talvez. Sabemos que temos de
escrever um disco e a música surge natu-
ralmente. Queremos fazer as melhores can-
ções possíveis, mas ao compormos não va-
mos estar a comparar o que estamos a criar
GSQSUYIƤ^IQSWRSTEWWEHS
Tomi: Desta vez foi diferente, porque foi a
segunda ocasião em que trabalhámos com
o Jens [Bogren, produtor] e se da primeira
ainda estávamos a aprender os métodos
dele, desta vez já sabíamos com o que po-
díamos contar.
Jan(ESYXVEZI^ƤGɧQSWGLSGEHSWHIWXE
vez foi fácil. [risos] Quer dizer, fácil não foi
porque trabalhar com ele nunca é fácil, ele é
um produtor mesmo muito exigente e isso
é bom, aliás foi por isso que o contratámos.
Ou seja, ele também serve como controlo
de qualidade, o que retira parte dessa pres-
são. Acabou por ser mais relaxado, apesar
de tudo.
Tomi: O mais stressante foi acabarmos uma
digressão de quase dois anos seguidos num
Sábado e começarmos a trabalhar em estú-
dio numa segunda-feira. Não tivemos tempo
sequer para respirar.

Como é que conseguiram ter material tão


rápido se passaram tanto tempo na estra-
HE# :SGɰW WɩS YQE FERHE IQ UYI UYEWI
toda a gente contribui em termos de com-
posição, certo? E o regresso do Olli-Pekka
Laine [baixista] ainda reforçou o número de
gente a escrever...
Tomi: Fomos compondo entre digressões
ao longo de dois anos, no pouco tempo que
tivemos livre, e fomos gravando demos, por-
tanto quando nos juntámos ao Jens já não
vínhamos do zero.
Jan: Está mais ou menos estabelecido que
a maioria das canções são escritas pelo
Santeri [Kallio, teclista] e pelo Esa [Holopai-
nen, guitarrista], mas aqui o Tomi também
contribuiu e o Olli também escreveu uma
das canções, o que me parece fantástico

LOUD! 35
porque acaba por haver muita diversidade vou pôr um quarteto de cordas árabe”. E nós desde que respeite a atmosfera do todo.
na composição. olhámos uns para os outros e pensámos: Jan: O Jens gosta de levar o seu tempo para
pois, está bem. Nem ligámos ao que disse, ter o melhor de nós, mas por outro lado tam-
Para o disco anterior compuseram vinte mas a verdade é que ele colocou lá esses bém gosta de ser rápido a decidir. Às vezes
temas e depois escolheram os melhores elementos adicionais que enriquecem muito tenho dez ideias diferentes para uma batida
dez. Como foi com o «Queen Of Time»? S HMWGS I UYERHS SYZMQSW S VIWYPXEHS ƤREP e não sei qual é a melhor e aí é óptimo ter-
Aproveitaram material que sobrou do disco ƤGɧQSWGLSGEHSW)IPIVIWTSRHIYŰEu dis- QSWYQTVSHYXSVUYIXIHM^PSKSŰƤGEGSQ
anterior? WIZSWQEPXE” [risos] esta, esquece as outras”.
Tomi: Acho que tínhamos dezoito no início e Tomi: Muitas dessas coisas estavam criadas
acabámos com treze e depois escolhemos por nós nos teclados, ele só construiu por Imaginam-se a trabalhar sem produtor ou
as melhores dez. cima das melodias que já tínhamos, dando mesmo sem o Jens no futuro, depois de
Jan: O que não é aproveitado é lixo. Não ser- mais vida ao que estava criado. ele assumir um papel tão relevante neste
viu, não é usado. disco?
O Jens tem fama de ser muito rígido, como Tomi: Podíamos pensar em trabalhar sozi-
E nunca se arrependem? ZSGɰWQIWQSWNɧVIJIVMVEQɔTVIGMWSQYM- RLSW TSVUYI WIQTVI S Ƥ^IQSW % TVMQIMVE
Jan: É uma boa questão, mas sinceramente XETEGMɰRGMETEVEPMHEVGSQEPKYɯQXɩSI\M- vez que tivemos um produtor foi mesmo o
não. gente? Jens. No «Circle», o Peter Tägtgren foi um
Tomi: Faz parte do processo pensar muito Jan: Para mim, sim e não. Há uma razão pela engenheiro de som...
nisso, não faria sentido depois de excluirmos qual escolhemos produtores. Porque eles Jan: Também tivemos um tipo no «Am Uni-
um tema, irmos aproveitá-lo. Foi excluído por vão ter uma visão que nós que criámos os versum».
alguma razão. temas não conseguimos ter. Ele ouve coi- Tomi: Sim, mas foi só a produzir vozes... No
Jan: Provavelmente, cada um de nós tem os sas que nós não ouvimos, porque temos o entanto, respondendo à tua questão, se con-
seus temas preferidos e muitas vezes não ouvido e a mente viciada. Portanto, não me tinuarmos a fazer este tipo de som será mui-
WɩSSWQIWQSW1EWRSƤREPHSHMELɧYQE importo de ter alguém com esse grau de exi- to difícil que não continuemos com o Jens.
razão para não serem eleitos. E agora tam- gência a puxar por mim. Nunca se sabe. Se o próximo disco for punk,
bém temos o Jens. Se tivermos dúvidas, ele Tomi: Quando trabalhamos sem produ- acho que conseguimos tratar de tudo sozi-
toma essa decisão por nós. tor, instala-se o caos, porque perdemos o nhos. [risos]
Jan: Ele subiu muito os nossos padrões de
*SMHMJɳGMPHIƤRMVSEPMRLEQIRXSHSHMWGS# exigência. Há uma diferença enorme entre
Jan: Havia várias opiniões sobre esse trabalhar com um produtor e com um enge-
tema, já depois de o Jens ter escolhido o
alinhamento. Cada um ditava sua senten- “Há muito mais nheiro de som, entre alguém que intervém
e tem voz activa na tua música e alguém
ça e expusemos essas dúvidas ao Jens. que se limita a captá-la. E há muitos enge-
Passado uns dias recebemos um e-mail guturais do que nheiros de som que se auto-intitulam pro-
dele a dizer: “(ITSMWHIYQEWʣVMEVIƽI\ʝS dutores, mas estão muito longe de o ser. O
S EPMRLEQIRXS GSRXMRYE I\EGXEQIRXI S
mesmo.” [risos]
inicialmente melhor do Jens é que teve uma contribuição
enorme para o disco, sem desvirtuar mini-
Tomi: Há seis opiniões diferentes sobre
quase todos os temas e por isso gosta-
planeámos e mamente o que somos, sem beliscar a alma
dos Amorphis.
mos de ter alguém externo a aconselhar-
-nos. Não entregamos esse papel a qual- o Jens é o grande 5YɩS EFVERKIRXIW WɩS EW ZSWWEW MRƥYɰR-
quer pessoa, a uma pessoa que se esteja cias musicais nesta altura e de que forma
a marimbar e escolha aleatoriamente. Sa-
bemos que o Jens pensa mesmo no que
responsável por WIVIƥIGXIQRIWXIHMWGS#
Tomi: Toda a boa música que ouvimos, seja
é melhor para o disco e para nós. E se ele
decidiu assim é porque, muito provavel-
isso” – Tomi ela de que estilo for, nos inspira. E tudo o
que nos inspira pode determinar o que va-
mente, era mesmo o melhor alinhamento mos criar.
possível. Jan: Diria que nunca fomos tão abrangentes
Jan: Nada é circunstancial com ele, não toma nos nossos gostos musicais e nunca fomos
decisões com base em palpites aleatórios. rumo, não sabemos quem é responsável tão diversos na nossa música. Não nos
Tudo tem uma razão de ser e ele consegue pelo quê, às vezes até nos esquecíamos preocupamos com estilos, porque sabemos
fundamentar todas as opções que toma, de colocar partes das músicas que já tí- adaptar o que nos inspira ao nosso contexto
mesmo que nós por vezes nem lhe pergun- nhamos composto. Tê-lo connosco facilita e àquilo que são os Amorphis. Daí teres tan-
temos o porquê. muito mais o processo do que complica e tas melodias e harmonias étnicas, muito folk,
Tomi: Todos concordámos qual seria o tema alivia-nos muito. death metal, por aí fora.
de abertura, por exemplo. Era o que tinha em Jan: Reduz o nosso stress e aumenta o dele,
mente e foi o mesmo que o Jens escolheu. porque é um perfeccionista! Desde o «Silent Waters» que as vossas le-
Jan: Sim, também era o meu. Assim que tras são escritas por alguém que não per-
SYZMEQMWXYVEƤREPISTSHIVHIWWEGERɭɩS Este é um disco muito forte como um tence à banda, o escritor Pekka Kainulainen.
não tive dúvidas de que tinha de ser a pri- todo, mas também pelas prestações indi- Sentem sempre uma ligação com o que eles
meira do álbum. Já sobre o resto do disco viduais das guitarras, da bateria e da voz. vos apresenta?
estava bastante confuso, para mim havia Como encontram o equilíbrio para evoluir Jan: Na minha opinião, temos uma liga-
várias hipóteses. enquanto banda e conseguirem assinar ção invisível com o Pekka. É algo muito
prestações tão inspiradas também a um difícil de explicar e percebo que também
O álbum tem muita variedade e é fácil iden- nível individual? seja difícil de entender para quem está de
XMƤGEV XIQEW IQ JYRɭɩS HI GEVEGXIVɳWXMGEW Jan: Para mim a performance tem sempre fora. A verdade é que funciona sempre.
IWTIGɳƤGEWHIGEHEYQ:SGɰWWIQTVIUYM- de honrar a composição. É importante nun- Óbvio que é um processo muito compli-
seram ter todos esses elementos distintos ca nos esquecermos que fazemos parte de GEHS TSVUYI IPI IWGVIZI IQ ƤRPERHɰW I
ou foi mais o Jens que pintou o quadro des- um grupo, não estamos ali a tocar para nós depois temos de traduzir para inglês e há
sa forma? mesmos. muitos arranjos e muitas mudanças de
Jan: Algumas coisas fomos nós, mas para Tomi: Por vezes, menos é mais... palavras que se repetem ou são retiradas,
ser sincero diria que a maior parte dessas Jan: Na maior parte das vezes, aliás. mas sempre com a preocupação de não
ideias mais fora da caixa vieram da cabeça Tomi: É uma questão de sensibilidade. Per- mudar o sentido do que foi escrito por ele.
do Jens. Lembro-me de lhe mostrarmos a ceber os timings para poderes acrescentar O Tomi [Joutsen] também faz um trabalho
demo de uma canção e ele dizer logo: “aqui um pormenor ou fazer algo mais técnico, excelente a esse nível.

36 LOUD!
LOUD! 37
Tomi: Quando começámos a trabalhar com tocar o «Tales From The Thousand Lakes» mos opostos na nossa música. Acho que o
o Pekka ele limitava-se a fazer traduções do RE ɳRXIKVE IQ  XEQFɯQ GSRXVMFYMY «Circle» marcou uma diferença em termos
«Kalevala». Depois pedimos-lhe para come- para esse reforço de peso? de peso e agora com o Jens esse peso saiu
çar a escrever coisas dentro desse estilo, Tomi: Não, porque sempre tocámos temas reforçado. A nossa ideia inicial era fazer
HIRXVS HS QIWQS IWTɳVMXS I ƤGEQSW WIQ- desse disco ao longo de todas as fases algo mais leve e não tão extremo, porém
pre deslumbrados com o que nos apresen- da nossa carreira. Tocá-lo na íntegra não com o toque do Jens e depois de ele ouvir
ta. Por vezes há palavras que não podemos fez diferença. Houve sempre seis canções as canções acabámos por ir por caminhos
colocar na música e temos de arranjar uma desse disco que faziam parte do nosso mais selvagens.
substituição. EPMRLEQIRXS %GLS WMRGIVEQIRXI UYI ƤGɧ- Tomi: Sobretudo a nível vocal. Há muito mais
Jan: Sim, havia uma letra que tinha a palavra mos mais pesados com a entrada do Tomi guturais do que inicialmente planeámos e o
cafetaria. E dissemos, “dude RʬW RʝS TSHI- [Joutsen] em 2004. Mas não posso negar Jens é o grande responsável por isso. E ain-
QSWXIVETEPEZVEGEJIXEVMERYQEPIXVERSWWEƉ que tocar esses temas ao vivo ajudou-nos HEFIQƤGSYXYHSI\GIPIRXIEIWWIRɳZIP
[risos] São meros pormenores, no geral, a for- a relembrar como é divertido termos esse
ma como escreve é fascinante. peso na nossa música. Quem teve a ideia de convidar a Anneke
Jan: Diria que não foi decisivo, mas certa- van Giersbergen para cantar na «Amongst
(IWHI S m8LI &IKMRRMRK 3J 8MQIW| ZSGɰW mente foi mais um passo nessa direcção, Stars»?
XɰQZMRHSEƤGEVQEMWTIWEHSW%RHEVIQE de termos mais contrastes e mais extre- Tomi3ERSTEWWEHSRS:IVɩSƤ^IQSWYQ

8 LOUD
concerto especial e a Anneke participou. The Giant», que para mim tem tudo. feito e desfrutar com aquilo que já criaste,
%GLSUYIHIWHIEɳƤGSYEMHIMEHIIPETSHIV Tomi: Essa seria a minha segunda escolha, certo?
cantar num disco nosso. Já a conhecemos mas diria que é a «The Bee», porque repre- Jan: Sim, claro, só acho que podemos fazer
há muitos anos e só nos cruzamos de vez senta o que é o disco e tem praticamente ainda melhor. Eu sei que isto pode parecer
em quando... todos os elementos que depois estão es- excessivo, até porque o disco ainda nem
Jan: Sim, agora tínhamos uma grande can- palhados ao longo do álbum, mas também sequer saiu, mas é como me sinto. Todas
ção que estava mesmo a pedir uma voz algumas coisas que nunca tínhamos feito as bandas dizem que o seu último disco é
feminina e por isso nem houve hesitações. ERXIVMSVQIRXI %GLS UYI ɯ YQ IWTIPLS ƤIP incrível. E eu não estou a dizer que não é!
Ligamos-lhe e ela aceitou logo. deste disco e também por isso é o tema de Só que já penso que no próximo ainda fa-
abertura e aquele que mostrámos primeiro remos melhor.
Nesta altura, qual é a vossa canção preferi- ao mundo. Tomi: Eu percebo o Jan porque estou
HEHSHMWGSITSVUYɰ# satisfeito com o disco, mas assim que o
Jan: Foda-se, essa pergunta é tão difícil. [ri- Os Amorphis ainda vos fazem sonhar temos pronto, desligo dele. Talvez daqui
sos] Para mim ainda está tudo muito fresco muito? a dez anos já consiga desfrutar sem es-
e vou precisar de conviver e tocar mais es- Tomi: Não sonhamos com grandes suces- tar a pensar que podemos fazer melhor
XIWXIQEWTEVEHIƤRMVSQIYJEZSVMXSQEW sos. Tentamos fazer sempre melhores ál- a seguir.
a escolher um agora diria que é o «Heart Of buns e acho que sonhamos fazer sempre o
melhor disco possível, porque é isso que nos Que álbuns vossos vos provocaram uma
dá satisfação. sensação de desilusão uns anos depois?
Jan: Acho que sonhamos de uma forma Há algum que achavam incrível quando o
realista. Não vivemos à sombra dos louros gravaram e depois passados uns anos per-
e não damos nada por garantido. Não esta- GIFIVEQUYIEƤREPŷRɩSIVEEWWMQXɩSFVM-
mos propriamente a dormir numa cama de lhante? [risos]
rosas. [risos] Nunca estou totalmente satis- Jan: Para ser honesto nunca ouço os nos-
feito com nada do que fazemos e acho que sos discos. Claro que toco algumas can-
somos ávidos. Gosto de pensar em mim ções ao vivo, mas nunca os ouço. Acho
como um músico ambicioso numa banda que é uma boa questão, porque cada
ambiciosa. Isso é algo que nunca muda. O HMWGSVIƥIGXISIWXEHSHIEPQEHEFERHE
novo disco representa uma melhoria em nos tempos em que o criou. E raramente

“Nunca estou totalmente satisfeito


com nada do que fazemos e acho
que somos ávidos. Gosto de pensar
em mim como um músico ambicioso
numa banda ambiciosa. Isso é algo
que nunca muda.” – Jan

relação ao anterior e espero que o próximo é igual ou sequer parecido. Acho que nem
represente o mesmo em relação a este. É nunca tinha pensado nisto nesses termos.
um processo que nunca acaba. Parece-me impossível comparar certos ál-
buns e até algo injusto, porque muitos são
Com o que é que não estás satisfeito, totalmente diferentes.
Jan? Tomi: Acho importante que quando aca-
Jan: Precisávamos de mais uma semana bas de escrever um disco estejas real-
de conversa para falar sobre isso… [risos] mente convencido de que é o teu melhor,
Como músico no que toca à minha perfor- mesmo que não seja e mesmo que pas-
mance, aos arranjos da música, às opções sado uns tempos venhas a perceber isso.
UYI Ƥ^ Lɧ WIQTVI EPKS TEVE GSVVMKMV WIQ- Tens tempo para perceber e para apren-
pre algo para melhorar... der o que podes fazer diferente para me-
Tomi: Acho que o que o Jan está a tentar lhorar. Respondendo à tua questão, diria
dizer é que nunca podemos chegar ao ponto que no «Am Universum» não estivemos
em que dizemos: ƈ4VSRXS ʣ MWXS 2ʝS TSHME tão focados como deveríamos, o «Far
WIV QIPLSV HS UYI MWXSƉ Pode ser sempre *VSQ 8LI 7YR| ƤGE YRW JYVSW EFEM\S TSV
melhor. causa das vozes e acho que o «The Be-
Jan: Sim, temos de olhar sempre para o ginning Of Times» talvez seja demasiado
futuro, acreditar que há novas coisas para pesado e longo.
explorar, novos detalhes para experimentar Jan: Sim, concordo, é demasiado para di-
e, claro, sermos críticos com o nosso pró- gerir. Tem alguns temas muito bons, mas
prio trabalho. como um todo podia funcionar melhor. No
entanto, para algumas pessoas é o melhor
Sim, mas achar que podes fazer melhor disco de sempre e eu não lhes quero tirar
RɩS WMKRMƤGE UYI RɩS TSWWEW ƤGEV WEXMW- isso. [risos]

LOUD! 39
FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM

CO GLOM A O
TIC-A
ǽUGIWTQCƓTOCTSWGPȒQJȐPGPJWOCDCPFCPQOWPFQRCTGEKFCUGSWGT
L
com os FILII NIGRANTIUM INFERNALIUM. Nem musicalmente, nem
de outra maneira qualquer. Enchemo-nos de coragem, engolimos uma
«Hóstia», e fomo-nos meter no meio do tiroteio verbal necro-católico que
é uma conversa com o Monsenhor Belathauzer, o Helregni aka Rick Thor
e, excepcionalmente, porque a LOUD! consegue coisas que mais ninguém
consegue, o misterioso e reclusivo baterista Arrno Maalm. Preparem-se.
JOSÉ CARLOS SANTOS ESTEFÂNIA SILVA

Então… chegada do presidente. Chegou o senhor do RMƼGEV SW LSQIRW TSV GMRGS QIWIW” Isto é
Belathauzer: Então vá, começa! Ou queres que pão de deus! genial, é literatura hilariante.
RɸW TVɸTVMSW RSW IRXVIZMWXIQSW# 6MGO )RXVI- Arrno: Tens noção que isto vai correr muito
vista-me. Ou não, eu entrevisto. Helregni! É %MRHE WI ZIRHIWWIQ EUYM LɸWXMEW 3PLE TSV QEP RɩS XIRW#
uma honra estar convosco, hoje, neste dia. falar nisso… [nisto, o Belathauzer coloca
Helregni: É natural. uma bíblia em cima da mesa] Até agora, tudo perfeito, por mim. Mas isto
Belathauzer: É a primeira vez que entrevisto Arrno: Olha que eu tenho uma igualzinha, ɯ WIQTVI EWWMQ GSQ ZSGɰW#
uma lenda viva do metal nacional. Como é que mas está escrita de lado. Arrno: É, é.
ɯ S ɽPXMQS HI 6EZIRWMVI ɯ QIPLSV UYI S HI *MPMM# Belathauzer (SMVEHE XEQFɯQ GSQS E QMRLE# Helregni: Tendencialmente.
5YEP ɯ UYI TVIJIVIW# :IRSQ % SY :IRSQ &# E com mapas. Isto é uma edição muito boa.
Helregni: Não sei, porque o último de Raven- Helregni 8SHSW SW FSRW PMZVSW HI ƤGɭɩS XɰQ 4SV MWWS ɯ UYI ZSGɰW HIQSVEQXIQTSEXIV
sire ainda está a ser composto. QETEW RS ƤQ discos prontos, não é?
Belathauzer: Olha aqui, Abadom, Apoliom… Helregni: É um caos. Às vezes a ordem sai do
Acho que ele prefere Perpetratör. é o Apocalipse 9:11. Vamos começar a en- caos. Às vezes é o caos que sai da ordem.
Belathauzer: Ah! Muito boa resposta de saída! trevista com esta citação: “E tinham caudas Belathauzer: Não, nós demoramos porque…
[entretanto chega o baterista Arrno Maalm, WIQIPLERXIW ʚW HSW IWGSVTMʮIW I EKYMPLʮIW a arte precisa de tempo. A arte boa precisa
apropriadamente munido de um… pão de nas suas caudas…” de tempo. E a arte má, precisa ainda de mais
deus] Mas olha, agora já podemos começar Helregni 'SPLɺIW REW WYEW GEPɭEW# tempo. A arte péssima, que é o nosso caso,
a sério. Estávamos só a fazer tempo para a Belathauzer: “…e o seu poder era para da- precisa pelo menos de cinco a seis anos.

40 LOUD!
Belathauzer: Não, de maneira nenhuma. A Os-
mose é a editora dos nossos pesadelos mais “Esta banda somos
húmidos! Aliás, a Osmose já lançou quatro dis-
cos nossos, mas foram tão underground, que
nem a própria Osmose chegou a perceber.
nós, nós somos
Belathauzer: A Osmose é uma editora que
qualquer pessoa com dois dedos de testa
esta banda, e o
percebe que… Eh pá, eu comprei o primei-
ro lançamento da Osmose quando saiu, o mundo algum dia
«Worship Him» dos Samael.
Helregni: É uma editora que nos diz muito
porque lançou muita coisa boa que é uma
será esta banda
referência incontornável para os Filii. A van-
tagem é que poderemos através deles ter um
também.”
tipo de exposição lá fora que não temos des-
de há muitos anos. Desde a demo.
Belathauzer 3W *MPMM ZɩS WIV ƤREPQIRXI YQE WSPSW E WɯVMS I GSQ EW PIXVEW HIƤRMXMZEQIR-
banda ecuménica, espalhada pelos cinco te fechadas… até à próxima gravação. E as
continentes. Vamos ter cada vez mais fãs, e JSXSKVEƤEW WɩS SFZMEQIRXI QYMXS QIPLSVIW
acima de tudo, mais pessoas que nos odeiem. Por exemplo, eu tenho o cabelo comprido! E
Helregni: Há anos, houve um concerto em o resto é bom!
que ele diz – “TEVE S ERS UYI ZIQ ʛPFYQ
novo na Osmose!” Para aí em 2010. Eu pen- É quase como termos dois discos novos de
sei, este gajo diz esta merda e o pessoal vai uma assentada, então?
pensar que é verdade. A verdade é que se Belathauzer: Eu devo dizer uma coisa: o
cumpriu a profecia! «F.D.P.» pode-se ouvir, mas só a partir do
Arrno: Nostradamus não falhou! «Hóstia» e do «Fellatrix», e em parte do «Por-
Helregni: Nós-tardamos, mas não falhamos! nokrates», é que me comecei a sentir 100%
satisfeito com a minha voz. Consigo ser um
Belathauzer, quanto tempo demoras a es- TWMGSTEXE WIQ TIVHIV E ZS^ ES ƤQ HI ZMR-
crever as letras de um disco? Quem conver- te minutos. Consigo fazer uma variedade
WEYQFSGEHSGSRXMKSƤGEGSQEWIRWEɭɩS ZSGEP WYƤGMIRXIQIRXI PYRɧXMGE I S XVEFEPLS
que és capaz de escrever um álbum inteiro do Fernando Matias ajudou muito também.
de letras em cinco minutos. O Matias vê-se mesmo que tem aquela alma
Belathauzer: Se tomo algum tipo de calman- milagrosa. Ele não inventa pães, ele pega na
XI#4SVI\IQTPSLɧFSGEHSIWXMZIEPMWIRXE- massa original e multiplica-os.
do e escrevi várias ideias para letras. Escrevo
Foram mesmo estes anos todos de volta da um verso acoli, outro acolá, um ano tem 365 E agora? Mais não-sei-quantos anos até ao
m,ɸWXME|# dias e portanto eu devo escrever uns 365 ver- TVɸ\MQS HMWGS#
Belathauzer: A «Hóstia» sempre esteve den- sos por ano. Daí, aproveitam-se uns dez, ou Belathauzer: Sim! Nós não editamos almôn-
tro de nós. Dentro do nosso sangue, e tam- 66,6, ou pior, e depois vão-se fazendo. Mas degas, não editamos supositórios. Demorará
FɯQHISYXVSWƥYɳHSWGSVTSVEMWGYNEI\TVIW- WɩSWIQTVIQSHMƤGɧZIMW%WPIXVEWWɸWIHI- o tempo que tiver a demorar.
são será pouco recomendável para leitores e ƤRIQRSQSQIRXSHEKVEZEɭɩS Helregni: Só deus sabe. E se calhar nem ele.
leitorinhas mais jovens. Helregni: E nem assim. As letras que vêm Belathauzer: Esta banda somos nós, nós so-
Helregni: A «Hóstia» surgiu como uma ejacu- no álbum são as letras que eram na altura mos esta banda, e o mundo algum dia será
lação por parte do Belathauzer. Houve uma em que fomos para estúdio gravar. Depois esta banda também. Nós vamos chegar aos
altura em que, tal como se se tivessem ali- continuam a mudar. Aliás, a nova versão do patamares mais extremos da estupidez e do
nhado os planetas de Satanás, ele nos con- «Fellatrix» tem algumas letras que entretanto metalismo profundo.
tactou e disse, “vamos para estúdio e vamos sofreram alterações.
compor um álbum!” E rapidamente, aliás, :SGɰW MVVMXEQ YQ FSGEHS ɦW ZI^IW WI QI
mais rapidamente do que em qualquer outra &SE *EPIQSW HS m*IPPEXVM\| 2ɩS Wɸ Lɧ E permitem. Dá a sensação que, se esta ban-
altura na história dos Filii… m,ɸWXME| RSZE E WEMV ZME 3WQSWI GSQS da fosse menos “ocasional”, poderia chegar
Belathauzer: Esse dia foi o 11 de Setembro de também uma reedição do «Pornokrates: muito mais longe. Com a qualidade que tem.
2016. Tive uma revelação do Espírito Santo. Deo Gratias», e sim, essa regravação do Helregni: Percebo o que queres dizer. Mas as
Lembro-me, liguei-vos e disse isso. E em dois «Fellatrix», que me parece particularmente coisas são como são. É indissociável desta
meses e meio compusémos isto tudo por re- relevante. banda esse caos… tudo é imprevisível, tudo é
velação do Espírito. Belathauzer: O «Pornokrates» é só uma ree- impossível de determinar. Nada é certo. Se ca-
ArrnoɔMRGVɳZIPƤ^IQSWYQɧPFYQHSW^IVS dição, porque estava bom como estava na lhar, se pensarmos nisso, isto da Osmose po-
aos 100% em dois meses e meio. altura. O Hervé, da Osmose, quis reeditar dia ter acontecido antes. Mas não aconteceu
Belathauzer: Sim, mas um zero que tinha porque é um gajo com pés e cabeça, que porque a banda é uma espécie de massa dis-
muito substracto prévio. Depois, foi neces- adora o nosso som. O «Fellatrix» não é uma JSVQI UYI HMƤGMPQIRXI GSRWIKYI IWXEV XIQTS
sário eu ir até ao Vaticano e benzer o meu regravação. WYƤGMIRXI RYQE JSVQE QMRMQEQIRXI WɸPMHE
caderno de letras e apontamentos musicais, Helregni: É a gravação original, feita a poste- Belathauzer: Ao contrário das fezes. Nós, na
o tipo de acordes, a musicalidade… nós gos- riori. verdade, somos…
tamos muito de música. Belathauzer: É a gravação que deveria ter Helregni 9QE IWTɯGMI HI HMEVVIME MEW HM^IV#
Helregni: Até houve uma ou outra letra que acontecido naquela época, que por razões Belathauzer: Não, nós somos uma espécie de
IWGVIZIWXIPɧIQ6SQERɩSJSM# que não vale a pena rever, que seria peno- plasma. Um necro-plasma, uma substância
Belathauzer: Foi, na igreja de Sant’Agostino. so, não foi devidamente feita na altura. Gra- ZIVVMRSWE ƥYɳHE ZMWGSWE UYI ZEM EWWYQMRHS
O próximo disco será provavelmente integral- vou-se uma demo, que tem um título que formas de várias pessoas humanas, e agora
mente escrito em italiano. se pode resumir em «F.D.P.», siglas do que a GLIKɧQSW ɦ JSVQE ƤREP
gente quiser. A vida é o que nós quisermos. Helregni: Ao conglomerado!
A Osmose não vos pediu para mudar o Agora isto, é o «Fellatrix». Grande vantagem: Belathauzer: Exacto! Fomos plasma, demo
idioma do disco, imagino? E aproveitem a não há merdinhas bonitinhas de cabeleirei- tape, cadáver, e… sei lá! Que se foda! Estou a
dica para falar da importância de estarem ros, não há aquelas melopeias meio pirosas. tentar fechar bem isto, mas não consigo. Eu
nessa editora. É um álbum de metal, com tomates, com só sei abrir!

LOUD! 41
DIMMU BORGIR
Finalmente um novo álbum de originais.
É verdade! Temos andado numa tour de
promoção, a dar entrevistas todos os
dias, e ainda não me cansei de falar sobre
Há sombras misteriosas à espreita nos cantos mais re- o disco. E não consigo esconder o meu
entusiasmo, confesso. [risos] Sei que to-
cônditos e obscuros desta fria Primavera de 2018; uma dos os músicos dizem isto, que estão en-
força capaz de distorcer a nossa própria concepção do tusiasmados, que querem tocar os temas
ao vivo, isso tudo... No meu caso, é exac-
espaço e do tempo. Ao longo de sete anos, um ensurde- tamente o que se passa. Pode até soar a
cliché, mas é o que sinto no meu âmago.
cedor silêncio sepulcral encheu os corredores de uma Sinto-me muito satisfeito por termos feito
das maiores forjas de metal extremo do universo, mas este disco totalmente nos nossos termos
e por termos tido todo o tempo necessá-
os DIMMU BORGIR renasceram das cinzas mesmo a rio para garantir que fazíamos um gran-
de álbum. Não ter um deadline concreto
tempo de celebrarem – com pompa e circunstância, pode ser um problema, mas para nós,
como é seu apanágio – os primeiros 25 anos de uma desta vez, teve mesmo de ser assim. Isso
deu-nos oportunidade de analisar tudo
carreira sempre em crescendo. O guitarrista e compo- EXɯESQEMWɳRƤQSTSVQIRSVũIRɩSIW-
sitor Sven Atle Kopperud, mais conhecido por Silenoz, tou a exagerar se disser que analisámos
tudo ao detalhe. Para quem está de fora
ajudou-nos a fazer um ponto de situação em relação à EXɯ TSHI TEVIGIV UYI RɩS Ƥ^IQSW REHE
nos últimos sete anos, mas quisemos
que é hoje uma das mais infames bandas norueguesas manter um PS[TVSƼPI para nos podermos
e ainda arranjou tempo para dissecar o muito aguar- concentrar totalmente na composição e
gravação deste registo.
dado retorno aos discos de originais, uma obra de arte
viciosa e intemporal chamada «Eonian».
JOSÉ MIGUEL RODRIGUES

DIABOLUS
IN MUSICA
42 LOUD!
Acho que já havia, inclusivamente, quem tados. E, caso tudo corra bem, vão dar esta ma para muitas bandas, mas felizmente nós
achasse que estavam sem inspiração. espera como compensada. até conseguimos concentrar-nos no que fa-
Bem, nós, como quaisquer outros artistas, ^IQSW QIPLSV I Ƥ^IQSW GLIKEV S FEVGS E
temos períodos em que estamos mais ins- Tiveram, basicamente, de passar todo o bom porto.
pirados e outros em que estamos menos tempo necessário a trabalhar estes temas?
inspirados, mas neste caso nem sequer Isso mesmo. E posso dizer sem grande Tens estado atento às reacções que os sin-
se tratou disso... Não é que tenhamos tido exagero que, se não estivéssemos 100% glesHIEZERɭSXɰQKIVEHS#
de enfrentar uma crise de writer’s block ou WEXMWJIMXSWGSQSVIWYPXEHSƤREPEMRHEIWXE- Vai sempre haver quem se queixe de qual-
algo do género. Acho, inclusivamente, que ríamos a trabalhar no álbum. Estaríamos a quer coisa, isso é inevitável. E, na verdade,
aproveitámos bem os períodos de maior dar o melhor de nós para o aperfeiçoarmos, tento, tanto quanto possível, manter-me
inspiração nestes anos que conduziram às para o melhorarmos... para o aproximarmos afastado do que se escreve sobre os Dim-
gravações do «Eonian». Para além disso, an- da perfeição. mu Borgir nas redes sociais. É algo com
dámos a tocar regularmente ao vivo até 2014 enorme potencial para se tornar tóxico... Se
e, sempre que terminamos uma tour, temos 2ɩSIVEHSHSQɳRMSTɽFPMGSUYIXVɰWHIZS- nos deixarmos afectar pelo que dizem de
um período de descanso, em que voltamos GɰWXMRLEQWMHSTEMWIRXVIXERXS nós, estamos lixados. Nestes últimos anos,
a casa e reagrupamos. Serve, basicamente, Não, não é algo que tenhamos o hábito de acumulámos milhares de novos seguidores
para nos afastarmos durante umas semanas mencionar na imprensa. [risos] nas nossas plataformas digitais e, cada um
de tudo e todos. [risos] Desta vez aconteceu à sua maneira, todos são especialistas em
que um desses períodos se esticou mais um -WWS TIVGIFIWI QEW ɦ QIHMHE UYI ZEMW Ƥ- relação a esta banda, por isso se começa-
bocado. Entretanto três membros do grupo cando mais velho, as responsabilidades vão- mos a prestar atenção ao que dizem, esta-
foram pais e estivemos a trabalhar no DVD -se alterando e, às vezes, as prioridades tam- mos perdidos. Sinto que as pessoas já nem
[NR: «Forces Of The Northern Night»], que foi bém. De que maneira é que as vossas vidas sequer se dão ao trabalho de ouvir um disco
ƤREPQIRXIIHMXEHSRSERSTEWWEHS%GVIHMXS TIWWSEMWXɰQMQTEGXSRSW(MQQY&SVKMV# HS MRɳGMS ES ƤQ ERXIW HI S GVMXMGEV TIVGI-
que os nossos fãs, depois de terem convivi- A vida vai acontecendo, de facto; e acaba- FIW# 3YZIQ QIXEHI HS single e, sem que
do com este disco durante uns tempos e de mos por ser confrontados com alguns de- IWWIXIQEWIUYIVXIRLEGLIKEHSESƤQNɧ
já o terem entranhado na pele, nos vão per- WEƤSWGSQSɯɸFZMS2SIRXERXSEGLSUYI estão a criticar o álbum tendo por base um
doar por todo o tempo que estivemos afas- IWWIWHIWEƤSWEGEFEQTSVWIVQYMXSTSWM-
tivos porque nos obrigam a sair da nossa
zona de conforto – e é aí que a melhor arte
é feita. O facto de ser pai alterou muita coisa
na banda. Sinto que, de certa forma, tenho
“Sinto que as
mais energia que nunca. Às vezes pode ser
desgastante, porque ter uma criança é qual-
pessoas já nem
quer coisa – elas não param! Pelo que me
toca, no entanto, tento canalizar essa fonte
sequer se dão ao
de energia da forma mais positiva possível,
transferindo-a para a minha faceta criativa. trabalho de ouvir
Sinto que a mudança me tem feito muito
bem. Passei anos a pensar que colocar uma um disco do início
CQƓOCPVGUFG
criança neste mundo era um acto incrivel-
mente egoísta, mas no momento em que
QIXSVRIMTEMTIVGIFMUYIEƤREPIVEI\EGXE-
mente ao contrário. o criticar.”
Mudaste, portanto, de opinião.
Sim, é a coisa menos egoísta que podes fa-
^IV 8IV YQ ƤPLS ɯ GSQIɭEVIW E TIRWEV IQ pedaço de uma canção. Não faz sentido –
mais alguém que não apenas em ti próprio. e, pelo que me dá a parecer, também não há
Para algumas pessoas, pode ser um proces- mesmo volta a dar a isto.
so de adaptação bem complicado, mas eu,
felizmente, decidi tomar este passo e... só Até há... Basta que não leias o que se escre-
me fez bem, acredita. ZIRS*EGIFSSORS=SY8YFIIEƤRW
É exactamente o que faço. [risos] Para nós,
A tua criação mais recente chama-se, no que somos quem mais interessa, este ál-
entanto, «Eonian» – e demorou sete anos a bum já é uma enorme vitória. Nem que seja
germinar. É caso para te sentires aliviado? só pelo facto de termos conseguido atingir
Claro, sinto um profundo entusiasmo e, por o objectivo a que nos propusemos, que era
outro lado, também estou muito aliviado. Co- fazer o melhor álbum possível dos Dimmu
meçámos a desenvolver as primeiras ideias Borgir neste momento. Também é um cliché
para o disco em 2012 e escrevemos várias dizer isto, mas é a mais pura das verdades...
canções em 2013, mas fomos sempre me- Tudo o que acontecer a partir da data de
xendo nelas ao longo dos últimos anos. A edição vai ser um bónus, porque nós já es-
estrutura principal não mudou assim tanto, tamos mesmo muito satisfeitos com o que
manteve-se mais ou menos a mesma na conseguimos atingir.
maioria dos casos, mas trabalhámos muito
os arranjos e tudo o mais. Foi um processo Sabemos que é impossível agradar a toda
laborioso e, às tantas, pensávamos que não EKIRXIIESPSRKSHSWERSWZSGɰWRYRGE
o íamos conseguir acabar, mas nunca desis- TEVIGIVEQWIUYIVETSWXEHSWIQJE^ɰPS
timos e aqui estamos. Por isso sim, por um Nem um pouco, não. [risos]
lado é um alívio. No entanto, também tenho
a certeza que estas músicas só soam como Foi por isso que, desta vez, decidiram não
WSEQTSVUYIƤ^IQSWEUYIPETEYWEKVERHI trabalhar com uma orquestra?
e nunca estabelecemos um deadline a não De certa forma, sim – foi uma decisão
WIVNɧREVIGXEƤREPHSTVSGIWWS'SQSHMW- bem consciente da nossa parte. Conti-
se, não ter um deadline pode ser um proble- nuamos a usar sons, samples e arranjos

LOUD! 43
orquestrais, mas as bibliotecas de som leceram para estes temas desde o início? devia ter logo de antemão já estávamos
actuais são incrivelmente reais e não É difícil explicar isto, mas nós tentamos a falhar, porque íamos ter de operar den-
achámos que fosse necessário estarmos sempre que a música venha até nós, por tro de certos limites e isso não é algo que
a trabalhar outra vez com uma orquestra assim dizer, em vez de irmos nós ao en- nos agrade. Nunca quisemos estabelecer
completa. Além disso, o «Forces Of The contro da música. Nunca nos sentamos limites para o que fazemos. Aliás, por mui-
Northern Night» serviu como um fechar a decidir que tipo de canção vamos fazer, to paradoxal que isto possa soar, a regra
de capítulo para nós. Fizemos tudo o que sempre foi não seguir quaisquer regras,
queríamos fazer com uma orquestra a sé- para ser sincero. [risos] Desde que come-
rio e, às tantas, percebemos que o disco ɭɧQSWEFERHEUYMWIQSWMVRSWHIWEƤER-
novo tinha de ser mais um trabalho de
banda. Ainda assim, colaborámos com
“Nunca quisemos do a nós próprios a cada passo – é por isso
que estamos constantemente a atirar-nos
um coro... Os coros sempre foram uma para “fora de pé”. O novo álbum não é, ob-
parte importante da nossa música e de- estabelecer viamente, uma excepção a essa regra.
cidimos apostar nesse elemento. Pela pri-
meira vez temos um coro a cantar mais do
que apenas melodias. No «Eonian» o coro
limites para Para ti, é fácil teres uma visão objectiva da
música que fazem?
canta algumas letras e considero que isso
fez uma diferença abismal no resultado. o que fazemos.” Acho que nenhum músico tem facilidade
IQ EJEWXEVWI S WYƤGMIRXI TEVE GSRWIKYMV
Se calhar há quem vá dizer que o coro tem ver as coisas de forma totalmente objecti-
um papel muito dominante neste disco – va, mas nós, como produzimos os nossos
e têm razão, porque tem mesmo. Foi, no que tipo de som os álbuns devem ter ou discos, somos forçados a isso. Passa tudo
entanto, assim que decidimos escrever o algo desse género. A verdade é que nós por libertarmo-nos do ego, para depois ter-
«Eonian». O objectivo era esse, portanto. nunca estabelecemos uma fórmula e isso mos uma perspectiva externa do que são
é o melhor, porque nos permite enveredar as canções em que estamos a trabalhar.
Na altura em que lançaram o álbum ao vivo, pelas mais variadas direcções dentro do Geralmente as bandas têm um produtor
HMWWIWXI UYI S TVɸ\MQS HMWGS HI SVMKMREMW contexto do que são os Dimmu Borgir. Se que lhes diz quando os temas estão termi-
seria mais cru. Foi essa a visão que estabe- decidíssemos que tipo de som um disco nados, mas no nosso caso temos de ser
RɸWEJE^IVMWWS)WMQɯWIQTVIYQHIWEƤS
curioso, mas depois destes anos todos já
o fazemos de uma forma muito natural. O
Jens [Bogren, engenheiro de som] foi uma
ajuda crucial nesse aspecto; empurrou-nos
aos nossos limites físicos e mentais, mas
conseguiu captar na perfeição a visão que
tínhamos para o material.

O press release que acompanha este disco


descreve-o como uma espécie de regresso
às raízes e um passo em frente para a vossa
sonoridade. Concordas?
Lá está, não nos sentámos a planear deta-
lhadamente um regresso ao passado ou o
que quer que fosse, mas o facto de termos
mantido o espírito aberto durante todo
o processo de composição permitiu-nos
criar espaço para fazermos a ligação entre
o presente e o passado. E de uma forma
muito saudável, deixa-me que te diga. Hou-
ve uma fase da nossa carreira em que só
queríamos olhar em frente, mas 25 anos de
banda depois, estamos 100% confortáveis
com o passado. No «Eonian» há canções
em que adoptámos uma aproximação
mesmo muito old school, numas de forma
mais óbvia e noutras de forma um pouco
QEMWGEQYƥEHE1EWIWWITMWGEVHISPLS
está lá. Basicamente é mais uma home-
nagem ao fundo de catálogo dos Dimmu
Borgir que uma tentativa desesperada de
VIGVMEVEPKSUYINɧƤ^IQSWGEWSGSRXVɧVMS
acho que não o teríamos feito porque não
nos interessa estarmos a repetir-nos.

Acaba também por essa uma oportunidade


para honrarem as vossas raízes, não?
Sem dúvida! Acho que é uma excelente
forma de prestar “tributo” ao género que
nos viu nascer no início dos 90s – usámos
muitas guitarras e cordas dissonantes,
que eram algo muito comum em algumas
das bandas norueguesas de black metal
naquela altura. Se há uma coisa de que
tenho a certeza é que, digam o que disse-
rem, nunca iremos esquecer aquelas que
são as nossas raízes.

44 LOUD!
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AURA NOIR

O CORAÇÃO
DA BESTA
Regressam os AURA NOIR após uma ausência longa
demais para o nosso gosto – o (quase) auto-intitulado
«Aura Noire» é o primeiro disco em mais de seis anos,
mas de facto valeu a pena a espera. Uma obra que
é descrita pelos seus autores como perfeitamente
representativa da essência da banda, e inevitavelmente
um dos melhores discos de black/thrash do ano,
RQFGOQUCƓTOCTFGUFGLȐ%QPXGTUȐOQUEQOQLȐOGKQ
português Rune “Blasphemer” Eriksen sobre isto tudo.
JOSÉ CARLOS SANTOS

46 LOUD!
Ainda há pouco tempo te tivemos nestas pre fazer os riffs mais feios e as batidas
páginas a falar dos “teus” Earth Electric, e mais sujas de sempre, claro! [risos]
já aqui estás outra vez, num registo um bo-
cado diferente. É complicado, gerir pelo me- Há que dizer que os métodos seguidos re-
nos duas bandas com bastante actividade? sultaram em pleno. O disco é refrescante-
A única coisa que eu quero mesmo fazer é mente… “simples”, e isto dito no melhor dos
espalhar o meu trabalho pelo maior número sentidos. Não há excessos desnecessá-
de pessoas possível, por isso nunca é uma rios, nem em termos de som nem de com-
coisa má. Ainda por cima adoro viajar, só posição. Isto, para alguém que já escreveu
posso mesmo ver tudo isto como algo bom. alguns dos temas mais complexos que a
Claro que por vezes requer alguma gestão música extrema já conheceu, é curioso.
cuidadosa, é preciso muito equilíbrio para Tenho várias aproximações à composição,
tudo funcionar, mas faz-se. E também, de e a que acho mais fácil é realmente a que
certa forma – e talvez haja quem discorde do tenho com os Aura Noir. É mais baseada
que vou dizer –, não acho que haja uma dis- numa certa energia do que outra coisa
tância tão grande entre as duas bandas. Es- qualquer. Lembro-me de tempos passados,
tilos diferentes, sim, mas o espírito é seme- quando estava a escrever o « Grand Decla-
lhante. Tocar dois concertos seguidos, por ration Of War» e outros discos assim, era
exemplo, não me faz diferença com qual das de facto muito complicado. Eu tornava tudo
bandas estou a tocar. Essa diferença só se muito complicado. Construir coisas em cima
sente quando o trabalho criativo está envolvi- HI SYXVEW GSMWEW MRƤRHEZIPQIRXIŷ %UYM S
do. Se estou em casa a trabalhar em música objectivo é mesmo apanhar a vibe do riff. E
nova e de repente tenho que saltar para um falando por mim, é um processo que cresce
palco no dia seguinte com outra banda, aí mais e mais dentro de mim à medida que o
sim, é complicado gerir mentalmente. tempo passa. Tenho cada vez menos tempo
para o bullshit extra – é deixar a música ser
Falando então em processo criativo, como é música, deixá-la falar da forma como sai cá
que foi o do «Aura Noire»? de dentro. Não analisar demais, não pensar
Começou em Portugal, curiosamente – fo- demais, não tentar deturpar algo que já soa
mos os três para Albufeira passar algum bem quando se faz pela primeira vez, só para
tempo, para começar a trabalhar em mate- tentar “encaixar” noutro sítio qualquer. Por
rial novo, e foi aí que o “trabalho pesado” ver- exemplo, no «Aura Noire» não há overdubs.
dadeiramente começou. Foi no ano em que O que se ouve é uma guitarra do princípio ao
tocámos no Extreme Metal Attack, no Side B,
por isso… 2015. Já há quase três anos. Houve
ƤQ HI GEHE XIQE 2ɩS Lɧ ŰGSQTSWMɭɩS IW-
GSRHMHEűRɩSɯWMRJɸRMGSRɩSLɧYQWIQƤQ
“Queremos
muitos concertos, muitas tours que se foram de horas gastas a tentar construir uma coisa
metendo pelo caminho ao longo dos anos, e esperta. E é um sentimento bestial, fazer as sempre fazer
as coisas acabam por demorar sempre mais coisas assim. Talvez hoje em dia estejamos
tempo do que imaginamos. E também outra
coisa que concordámos logo desde o início –
a assistir a mais música deste género a rea-
parecer, mas ainda tenho a sensação que a
os riffs mais feios
de que este disco ia ser feito inteiramente por
nós. Ao contrário do anterior, o «Out To Die»,
maior parte do que ouvimos não é assim.
e as batidas mais
por exemplo, onde tudo foi muito apressado 8IQ EPKYQ WMKRMƤGEHS TEVXMGYPEV UYI S
e feito em cima da hora. De repente a editora álbum tenha aquele título? Tem a ver com sujas de sempre!”
disse-nos que tinha marcado voos para um essa simplicidade também?
monte de jornalistas irem ouvir o disco numa Há riffs de nós os três por todo o disco, mui-
determinada data, e tivemos que marcar a ta coisa que escrevemos em casa. Lembro-
mistura e masterização à pressa por causa -me de escrever alguns dos riffs da «Mor- Que já aconteceu há 22 anos…
disso. A certa altura sentimos que não tínha- dant Winds», o Aggressor fez alguns para a Não quero pensar nisso! [risos] O tempo voa,
mos controlo de nada, com esse disco, e por «Grave Dweller», o Apollyon fez boa parte da man. Lembro-me como se tivesse sido on-
causa dessa experiência, acordámos os três «Hell’s Lost Chambers» e também da «Sha- tem. Foi um período de enorme inspiração.
de que desta vez ia ser diferente. Continuo des Ablaze»… só alguns exemplos de como Tinha acabado de me juntar aos Mayhem
satisfeito com o «Out To Die», atenção, mas todos contribuímos com algo nosso para o também, e o «Black Thrash Attack» foi feito
quando as coisas acontecem dessa forma, todo, e é realmente parte da razão porque imediatamente depois. Eram dias de muito
ƤGEWIQTVIEUYIPIWIRXMQIRXSHIUYITSHɳE- decidimos dar esse título ao disco. Auto-in- poucas preocupações. Tem sido uma gran-
mos ter feito ainda melhor. Para este álbum, titulado, mas “bem escrito” desta vez, com o de viagem! Ainda não estou propriamente na
demorámos o tempo que achámos necessá- ŰIű RS ƤQ ?VMWSWA ɔ QIWQS YQ TVSHYXS HI altura em que me sento e abro uma garra-
rio em todos os aspectos – não só em ter- nós os três, e não poderia ter saído desta for- JEHIZMRLSHS4SVXSTEVEƤGEVEVIQSIVSW
mos composicionais, mas também na mis- ma sem qualquer um de nós. A certa altura, dias passados, e espero que ainda passem
tura, no processo de gravação. Trabalhámos sentimos que estávamos a tocar em algo muitos anos até esse momento, mas o que
imenso em arranjos, por exemplo… A maioria que era mesmo a essência dos Aura Noir, e quero é continuar a cavalgar esta onda. Mes-
das partes, incluindo guitarra, bateria e voz, foi daí que surgiu o título, ideia do Aggressor. mo com os Aura Noir, sinto que ainda temos
foram regravadas algumas vezes, para atin- imenso por dizer, e isso é um sentimento
girmos o som que realmente queríamos. É nesse sentido que surgiram algumas com- muito bom.
parações com o «Black Thrash Attack»?
Era esse o único objectivo que tinham para Éramos muito jovens e tínhamos pouca ex- Não vai ser difícil, então, arranjar sucessor
este disco, ou havia mais coisas combina- TIVMɰRGME UYERHS Ƥ^IQSW S RSWWS TVMQIMVS para um disco que já parece marcante na
das previamente? álbum, mas o «Aura Noire» deu-nos uma es- carreira da banda?
Não, mais nada, pelo menos pessoalmente… pécie de alegria, se é que posso usar essa Não, para mim é só mais um capítulo. Estou
ou, dito de outra forma, para mim o objectivo palavra, em tudo semelhante à que o «Black GSRƤERXI UYI ZEQSW GSRWIKYMV GVMEV QEXI-
é sempre o mesmo, que é escrever um mon- Thrash Attack» proporcionou nessa altura. rial tão bom ou melhor. Sei o que posso fa-
te de grandes canções memoráveis, que real- Quando tínhamos as nossas sessões a to- zer, e sei o que os outros tipos podem fazer
mente representem a banda na altura da sua car juntos na preparação deste novo disco, também. E isto vale tanto para os Aura Noir
edição. Para mim, este álbum soa aos Aura senti-me sempre a regressar aos mid-90s, e como para as minhas outras bandas, e estou
Noir em 2018. Aparte disso, queremos sem- para essa gravação em particular. ansioso por tudo o que está para vir!

LOUD! 47
DISCO
O

FILII NIGRANTIUM
INFERNALIUM «Hóstia»
[Osmose Productions]

GEVSWɯHM^IVQYMXS%ƤREPUYERXSWKVYTSWLɧTSV

N
ão seria muito complicado passar este pa- Uma coisa é certa, no entanto nunca valeu a
rágrafo introdutório a tentar perceber o que pena chorar sobre o leite derramado e, além dis- aí em relação aos quais possamos dizer isto? Não
seria hoje o underground nacional se, nos so, todos estes raciocínios revisionistas que nos estranhamente, porque é do que se trata aqui, es-
idos de 90, o bom do Hervé tivesse oferecido um assaltam fazem pouco sentido quando a altura é, tes onze temas novos são um testemunho dessa
contracto aos Filii. Com os Moonspell na Adipoce- sem dúvida, digna de celebração. Mais de duas dé- atitude. Uma órgia de metal verdadeiro, com umas
re e os Filii (e os Decayed, já agora, que receberam cadas, uma demo, três EPs, três splits e três álbuns pitadas de punk... e ainda mais.
uma proposta na altura) na Osmose, a “cena” nacio- depois de se terem mostrado ao mundo em todo o
nal seria certamente vista com outros olhos cá den- seu esplendor necro GLIKEQ TSV ƤQ ES PYKEV SRHI Mantendo inalterado o ADN que há muito lhes corre
XVSIPɧJSVE%L8EQFɯQTSHɳEQSWTSRHIVEVEGIV- sempre deviam ter estado. Esta blasfema «Hóstia» nas veias, aquele espírito selvático que parece estar
ca do que teria acontecido se, ao longo das últimas primeiro de três lançamentos planeados pelo WIQTVI TVIWXIW E HIWGEVVMPEV SYɭEWI E VIGXE ƤREP
décadas, esta gente tivesse mantido uma carreira selo francês para os próximos tempos, entre os da «Santa Misericórdia»), a «Hóstia» faz-se de thrash
mais constante. O que seria agora deles se, em vez quais se contam a regravação de «Fellatrix» e a em esteróides nesse tema (com solo javardo incluí-
das paragens, dos hiatos, do pára/arranca, tives- reedição do «Pornokrates: Deo Gratias» em vários do), puro heavy metal na «A Morte É Real (Para Já)»
sem estado a malhar no aço ininterruptamente? formatos funciona como o proverbial chuto no e sempre de black metal nas cordas vocais. Essas
rabo de uma cena vergada a rótulos, a modas e à são, no entanto, só três das óbvias pontas deste de-
Nós, como tantos outros, não fomos abençoados arte da imitação barata. gredo. Durante os 38 minutos que dura, o quarto ál-
com esse desejado poder da adivinhação que FYQHSW*MPMMGSRHIRWEXYHSSUYIHIQIPLSVƤ^IVEQ
tantos julgam ter, por isso provavelmente nunca Não pretendemos pintar os Filii Nigrantium Infer- ao longo dos anos e ainda os mostra a pisar solo
vamos chegar a uma resposta para qualquer uma nalium como uma banda extremamente original e UYI RYRGE XMRLEQ GEPGEHS GSQ XERXE IƤGɧGME RS
destas perguntas, mas – por muito que achemos inovadora, eles próprios sabem que não o são e passado. Ouçam-se o tremolo picking da «Lactância
que Belathauzer e companhia já mereciam estar fazem questão de apregoar as suas referências a Pentecostal», a estranheza satânica da «SMRT», o
num plateau diferente em termos de exposição – alto e bom som, mas a verdade é que nunca hou- dedilhado acústico da «Autos De Fé» ou o compasso
não há como dar-lhes todo o valor que merecem ve, não há e, provavelmente, nunca vai haver no EVVEWXEHSRSƤREPHSXIQEXɳXYPS UYIɯYQQMQS ũ
por nunca terem vergado “a mola”. Acima de tudo, mundo uma banda igual a esta. Trata-se de gente os Filii gravaram o seu álbum mais equilibrado. Se a
LɧUYIETPEYHMPSWTSVWIXIVIQQERXMHSƤɯMWESW que anda nestas lides há décadas, que tem uma vossa “cena” é a fusão de heavy, thrash e black metal
seus princípios e continuarem a criar a partir do personalidade vincada e que sabe exactamente enxertado de punk, solos a preceito, secção rítmica
caos e da desordem; sobretudo numa altura em GSQS TIKEV RSW IPIQIRXSW UYI HIPIW Ƥ^IVEQ SW sólida, um twist e ainda uma das vozes mais cortan-
que o metal parece ter perdido muito do perigo metalheads que são, atirá-los para o caldeirão ne- tes cultivadas em solo nacional, então... Atirem-se a
que o caracterizava na génese. gro e sacarem de lá uma poção muito sua. E isso, ele, porque “não há futuro!”. [9] J.M.R.

48 LOUD! PEDRO SILVA


‘77 nome e uma reputação. Ago-
«Bright Gloom» ra, este «Ghosts Of The Time-
[Century Media] less Void» vem provar que o
Os ‘77 já cá andam há uns quinteto composto por Tom,
anos e, apesar da relativa Mirko, Robert, Stefan e Mihai
proximidade (são de Barce- continua a crescer exponen-
lona), nunca tiveram grande cialmente – tanto em termos
impacto por cá, talvez por culpa dos seus primeiros de presença como de poder.
três álbuns serem uma cópia quase descarada dos Ao longo de onze temas, os
AC/DC. No anterior «Nothing’s Gonna Stop Us», de músicos fazem tudo o que
NɧGSQIɭEVEQEMRGSVTSVEVSYXVEWMRƥYɰRGMEW está ao seu alcance para
na sua sonoridade, sendo um ponto obrigatório aproximar da perfeição um
de passagem para este «Bright Gloom». Gravado som que, apesar de conter
à moda antiga (banda ao vivo em estúdio e com elementos bem conhecidos,
material analógico), neste disco nota-se bem o não é propriamente fácil de
corpo sonoro típico das edições dos anos 70. Se rotular de forma estanque.
EMWXSEPMEVQSWEQMWXYVEHIMRƥYɰRGMEWUYIZEMHI Isto porque, apesar das
Black Sabbath (a começar pela voz), The Who, Thin raízes vincadas no punk e
Lizzy aos The Stooges, temos em 2018 um álbum no hardcore (como atestam
que nos transporta de forma mais do que credível as melodias neo-crust em
para o ano celebrado no nome da banda. Os ma- «Concrete Veins» e «Quick-
nos Armand (voz e guitarra ritmo) e LG (guitarra sand»), a banda alemã nunca
solo) Valeta são responsáveis por momentos como se furtou a aventurar-se por
os rasgos de rockalhada em «It’s Near» ou «Fooled outros territórios, como são
By Love», pelos andamentos mais sabbathianos de os casos do death e do black
m;LSŭW*MKLXMRK;LS|SYm&I'VYGMƤIH|SYTIPSW metal. É, de resto, o que lhes
devaneios rock’n’roll de «Make Up Your Mind». Sim, permite criar verdadeiras
em 1977 já se fazia boa música. [7.5] C.G. bombas refractárias, que tan-
to alternam viciosos d-beats
ALKALOID com blastbeats demolidores
«Liquid Anatomy» (em «Revelation Of Deformi-
[Season Of Mist] ty») como misturar gélidas
Editada pela própria banda descargas de tremolo picking
em 2015, a estreia «The EƤEHSGSQbreakdowns que
Malkuth Grimoire» apresen- não soariam deslocados num
tou o arrojo necessário para qualquer disco de deathcore
convencer a reputada Season Of Mist a recrutar («Republic Of Hatred»). No
os Alkaloid para o seu catálogo, sendo «Liquid ƤREPSUYIƤGEɯQIWQS
Anatomy» o primeiro resultado dessa união. Dis- um petardo de extremismo
secados os longos e ambiciosos 64 minutos des- hiper-dinâmico, que encap-
ta cacofonia sonora servida por gente relacionada sula em 42 minutos algumas
com os Obscura, Necrophagist, Dark Fortress, das mais interessantes
God Dethroned ou Blotted Science, percebemos abordagens ao género feitas
o interesse gerado. «Liquid Anatomy» representa durante as últimas décadas.
o antagonismo da música imediata e de que hoje [7.5] J.M.R.
gostamos e amanhã já esquecemos. Aqui a aten-
ção e a dedicação do ouvinte é colocada constan-
temente à prova, quer pela duração dos temas,
que alcança o cúmulo nos dezanove minutos de
«Rise Of The Cephalopods», quer pela profundida-
de do conceito inerente à música, quer pela com-
plexidade de texturas musicais concentradas num
só tema, ora palmilhando terrenos nos quais o
death metal mais agressivo reina, até à envolvên- ANGELUS APATRIDA
cia de momentos de progressiva delicadeza que «Cabaret De La Guillotine» e o torna um dos melhores trabalhos dos cerca de
RɩSƤGEVMEQHIWPSGEHSWHIRYQUYEPUYIVHMWGS [Century Media] dezoito anos de carreira do grupo. [8.5] E.F.
HSW']RMG3VIWYPXEHSɯEFVERKIRXIIHIWEƤERXI Este é, talvez, o disco que se esperaria já há
SWYƤGMIRXITEVERSWHIM\EVɦTVSGYVEHIQEMW algum tempo destes espanhóis. «Cabaret De La ASTRODOME
qualquer coisa nova a cada audição, num álbum Guillotine» revela-se um trabalho maduro, onde «II»
que cresce de forma desmesurada se lhe dermos o colectivo faz a ponte entre o thrash clássico [HeviSike]
o espaço e a atenção necessárias. [8] R.A. e uma faceta mais melódica, mais negra até, Gravado e misturado por
deixando-se de temas directos e quadrados. Marco Lima (Sulfur Giant,
ANCST Desta vez, com o “nosso” Daniel Cardoso apenas 10000 Russos) e masteriza-
«Ghosts Of The Timeless Void» a misturar e masterizar, o grupo resolveu tratar da do por Jonas Munk (Causa
[Lifeforce] própria produção e aplicar mais tempo na compo- Sui, El Paraiso Records), este segundo longa-dura-
Quiçá um dos nomes mais sição, melhorando assim a qualidade e variedade ção dos portuenses Astrodome aprofunda ainda
trabalhadores e produtivos dos temas. Soando como uma mistura entre Krea- mais a veia space rock já seguida no anterior disco.
da sua geração, os Ancst têm tor e Testament, este «Cabaret…» acaba por resul- Referir Pink Floyd ou King Crimson não passa disso
vindo a traçar a sua rota as- tar mais variado e evita a monotonia do último par mesmo, meras referências, para orientar quem não
cendente de forma incrivelmente consistente desde de trabalhos do quarteto liderado por Guillermo conhece o trabalho deste quarteto. «II» é um álbum
que, há cerca de seis anos, se juntaram na cidade Izquierdo. Isso é bom, porque se traduz num salto que explora paisagens sonoras, umas vezes numa
de Berlim sob a designação Angst. O colectivo fez, qualitativo, como no caso de «Witching Hour». toada mais psych, como em «Dawn Gardens», ou-
no entanto, muito mais do que apenas mudar de Apesar da entrada acústica do disco, ou da pre- tras mais dentro do já referido space rock, como na
nome e, apoiado em seis lançamentos partilhados, sença de um tema calmo como «Farewell», há ain- abertura, com «Mirage». No momento em que lerem
sete EPs e um excelente álbum de estreia (o explo- da thrash acelerado e duro, como é o caso de «The isto, o grupo já terá terminado a sua segunda di-
sivo «Moloch», de há dois anos), estabeleceu um Die Is Cast», o que dá várias dimensões ao álbum gressão europeia, sem que seja dada grande conta

LOUD! 49
do seu trabalho nos media nacionais. Algo de que tentou matar, está a servir dezassete anos por e outras tantas modas, o que dá hoje, a músicos
muitos dos recentes nomes sofrem, numa geração isso e escrevem uma canção chamada «Remem- desses tempos, um know how acumulado e mais
desconhecida, que habita no lado oculto da música ber When». Ou fazem a vossa versão de «Zom- YQEWɯVMIHIMRƥYɰRGMEWWEYHɧZIMW2SWUYMR^I  
portuguesa. E é pena, pois ouve-se «Sunrite» e bie», enviam-na para a Dolores O’Riordan e, no dia temas de «Disobey», com produção de alto cali-
percebe-se o muito que estes Astrodome têm para que era suposto a vocalista dos The Cranberries FVIXERXSSYZMQSWYRW7XSRI7SYVGSQEƤREɭɩS
HEVƤGERHSETIREWSWIRɩSHIESZMZSEMRHEWIVIQ gravar a sua parte… ela morre. Isso e mais uma Meshuggah, como recebemos espasmos de djent
melhores que em disco. [8] E.F. boa porção de metal moderno emocional, mas ou melodia para passar numa rádio rock. Lobos
adulto, está disponível em «Disobey», a estreia bons. [7.5] N.S.
BAD WOLVES da “nova” banda californiana Bad Wolves. Na
«Disobey» verdade, falamos de gente com provas dadas em BEHEMOTH
[Eleven Seven] grupos como Snot, DevilDriver ou God Forbid. O «Messe Noire»
Há bandas que dizem ter baterista John Boecklin e o vocalista Tommy Vext [Nuclear Blast]
temas “muito pessoais”. são as principais mentes por trás do quinteto, Não estranhem se reconhe-
Agora, imaginem que o algo que, se surgisse no apogeu do nu-metal, cerem o título deste registo
vosso irmão gémeo vos seria revolucionário. Já passaram muitos anos ao vivo como o nome da
terceira faixa do último
disco de originais da banda, «The Satanist», já de
%ƤREPm1IWWI2SMVI|RɩSɯREHEQEMWHS

AT THE GATES que a gravação dum concerto – perdão, duma


missa negra – celebrado em Varsóvia, Polónia, em
2016. Percebe-se a carga simbólica que tem tocar
«To Drink From The Night o referido álbum na íntegra, ainda mais no país
natal, uma vez que fora um marco representativo
Itself» da vitória de Nergal, membro fundador da banda,
na luta contra uma doença tão destrutiva como
[Century Media] um cancro. No entanto, e por muito que não se
negue a excelente qualidade tanto da gravação

N
ós não pedimos assim tanto, vendo bem. Assim que o tema-tí- como da prestação de uma banda da qual já não
tulo dispara, depois de uma curta intro, a referência a um tema restam dúvidas, não deixa de ser simplesmente
que todos vão reconhecer imediatamente é clara. Mais do que isso, é desavergonhada. Quase que isso. Talvez o formato vídeo deste lançamento
imaginamos o Tompa a piscar-nos o olho, com aquele ar tranquilamente bem-disposto, numa de “é isto, valha mais a pena, porque para ouvir essas nove
não é?” É mesmo isto, é, amigo Tomas. Podem desenvolver à vontade a teoria de que foi o brilhantismo músicas basta pegar no original. Além disso,
HSW%X8LI+EXIWUYISVMKMRSYYQEWɯVMIHIWPEZEHEHIƤPLSWFEWXEVHSWIWTMVMXYEMWUYIWɸGSTMEVEQSW mesmo sem este alinhamento em concreto, nada
riffs mas que se esqueceram da alma, podem questionar na boa a relevância do regresso da banda à pro- substitui a verdadeira experiência de sentir o
HYɭɩSHMWGSKVɧƤGEHITSMWHIERSWHIEYWɰRGMETEVXMGYPEVQIRXIHITSMWHSEWWMQEWWMQUYIJSMSɧPFYQ impacto dos Behemoth ao vivo. Sempre é um item
de regresso (o «At War With Reality» ainda hoje divide boa parte da redacção da LOUD!, confessamos), de colecção para os fãs mais acérrimos. [6] P.C.S.
QEWRSƤREPHIGSRXEWŷHɰIQRSWYQEGEZEPKEHEHIWXEWYQEm7PEYKLXIV3J8LI7SYP|^EHE com uns
ajustes para 2018, aquela gritaria do Tompa sempre a debitar coisas inteligentes e de inspiração literá- BLESSTHEFALL
ria, e nós derretemo-nos logo. É como uma mantinha quente a envolver-nos numa tarde de Inverno, é «Hard Feelings»
instantaneamente confortável, e não queremos saber mais de evoluções ou de vanguardismos ou de [Rise]
merdas que, neste contexto, são indiferentes. Os At The Gates são bons é nisto, e vão ser sempre, e nós Apesar de serem muitas
ZEQSWKSWXEVWIQTVIIRUYERXSSƤ^IVIQ%XɯTSVUYIIWWIfeeling dado logo a abrir pelo tema-título se vezes alvo de chacota por
mantém, essa urgência e essa aura tão típica dos At The Gates que adorávamos nos anos 90. Mesmo parte dos ferrenhos do
GSQYQSYHSMWXIQEWRSQIMSHSWHS^IUYITSHMEQTIVJIMXEQIRXIXIVWMHSHIM\EHSWREKEZIXES género, a verdade é que os
FEPERɭSƤREPɯXVIQIRHEQIRXITSWMXMZS(ITSMWHEɦEPXYVETVISGYTERXIWEɳHEHIYQHSWKɯQISW norte-americanos Blessthefall construíram car-
o guitarrista Anders Björler, o restante núcleo duro – conforme Tompa himselfRSWGSRƤHIRGMSYRE reira e reputação como uma das propostas mais
passada edição – dos suecos parece ter recuperado fogo, foco e paixão, voltando aqui a um ponto alto acessíveis saídas do movimento metalcore – ao
UYINɧWITIHMEHIWHISWIYVIKVIWWS7IQUYIVIVFEXIVQYMXSRSWIRWEFSVɩSIQEWXMKEHSm%X;EV;MXL ponto de, durante a audição deste disco, levan-
6IEPMX]| INɧFEXIRHS GSRWXEXEWIUYIm8S(VMROŷ|XIQI\EGXEQIRXIQEMWWIKYRHSWHIHYVEɭɩS tarmos o sobrolho mais que uma vez quando nos
do que o seu antecessor, mas pelo entusiasmo com que é entregue e que provoca no ouvinte, parece é lembramos que as bandas que estiveram na géne-
UYIEGEFETEVEEɳZMRXIQMRYXSWQEMWGIHSɔWIQTVITIVMKSWSJE^IVIWXIXMTSHIGSQTEVEɭɺIWQEWSW se deste tipo de coisa, como os Killswitch Engage,
melhores momentos deste disco, como o referido tema-título, «Palace Of Lepers», «Daggers Of Black IVEQMRƥYIRGMEHEWTIPSW%X8LI+EXIW4SMWFIQ
,E^I|SYm%0EF]VMRXL3J8SQFW|GEHEYQEGSQSWIYIWXMPSQYMXSTVɸTVMSHIRXVSHSYRMZIVWS%X8LI se esses são os nomes em que pensas quando se
+EXIWJEGMPQIRXIXIVMEQIRXVEHEHMVIGXERSm7PEYKLXIV3J8LI7SYP|SYTEVXMGYPEVQIRXIRSm8IVQMREP fala em metalcore, o mais certo é que os Bless-
7TMVMX(MWIEWI|2ɩSRSWSGSVVIQIPLSVVIGSQIRHEɭɩSUYIIWWE [8.5] J.C.S. thefall nunca tenham sido, nem nunca venham a
ser, a tua banda favorita. «Hard Feelings», o sexto
álbum de estúdio para os músicos do Arizona,
move-se em terrenos familiares e, à excepção de
uma costela electrónica mais vincada, raramente
chega sequer a empurrar os limites do que fazem
para novo território, apoiando-se no registo meló-
dico do vocalista e teclista Beau Bokan para fazer
passar a mensagem e embelezar uma sucessão
de riffs sincopados. Sim, é impossível não sentir
uma pontinha de vergonha alheia ao ouvir o bom
do Beau a berrar “You can’t say shit ya little pale
bastard, and fuck all y’all, suck my dick!” na «Cut-
throat» – e, claro, é por estas e por outras que
os cépticos nunca vão baixar a guarda –, mas a
mistura de versos marcantes, gang vocals, linhas
de guitarra produzidas na perfeição e melodias
orelhudas garantem que temas como «Sleepless
In Phoenix» e «Feeling Low» estejam destinados
a ser entoados em uníssono ao vivo. O resultado
é previsível, mas conserva o charme necessário
para se manter interessante. [6.5] J.M.R.

50 LOUD!
BLOOD TSUNAMI Majesty» dos Gnaw Their
«Grave Condition» Tongues, o som toma
[Soulseller] conta de nós mesmo que
«Grave Condition» é o quar- não saibamos exactamente
to lançamento dos norue- MHIRXMƤGEVUYIQSYSUYIɯ
gueses Blood Tsunami, que que está a fazer esse som.
contam com Faust (ex-Em- Só que, com os The Body,
peror) na bateria. «Poison Tongue», primeiro tema, não é só desgosto e dor
transporta-nos logo para o universo mais genérico que se sente, é a euforia
do thrash, em que facilmente podemos reconhe- quase doentia da beleza
GIVEMRƥYɰRGMERSXɸVMEHIFERHEWGSQS7PE]IVI passageira que dá o toque
Whiplash. Ao longo do álbum, os músicos mantém ƤREPHIFVMPLERXMWQSES
essa sonoridade clássica mas polida, onde a pro- disco. Mais um desses,
dução acaba por tirar alguma piada, especialmente portanto. Onde vai parar
para quem procura algo mais “raw”. A destacar-se esta gente? [9] J.C.S.
exactamente pela diferença está o tema «For Faen
M,†PZIXI|ũUYEWIGSQSWIEPKYɯQXMZIWWIXVSGE-
do de CD sem que reparássemos, de repente esta-
mos perante um tema de crust punk bem conse-
guido, se bem que ainda com o selo de “genérico”.
2SƤREPHIGSRXEWm+VEZI'SRHMXMSR|IWXɧPSRKIHI
ser um álbum terrível, mas também não está perto
de ser excelente. É bem conseguido, com riffs e
solos interessantes, um baterista de topo, onde o BONFIRE
ponto fraco será a voz, já para não mencionar uma «Temple Of Lies»
escrita um tanto infantil, não querendo repetir a [AFM]
palavra “genérica”, no que toca às letras. [5] M.L. (SW&SRƤVIUYIJSVEQYQHSWRSQIWQEMSVIW CONJURER
HSQIXEPKIVQɨRMGSRSƤREPHEHɯGEHEHI «The Mire»
THE BODY só resta o fundador e guitarrista Hans Ziller, [Holy Roar]
«I Have Fought Against It, But I mas ao ouvir este «Temple Of Lies» percebemos Há uns anos o movimento
Can’t Any Longer.» que esta formação actual (enriquecida com o de peso britânico não tinha
[Thrill Jockey] portento vocal que é Alexx Stahl) tem a capaci- muito do que se orgulhar,
Continua a ser fascinante dade de ombrear em termos musicais com esse mas a situação tem vindo a
testemunhar as constantes período áureo. Após a introdução surge o te- inverter-se. Com bandas como Employed To Serve e
mutações dos The Body. ma-título com uma pujança que nos conquista, Venom Prison a captarem a imaginação de toda uma
Mesmo quem se perdeu de amores pelo «All The tal a sua intensidade. Em «On The Wings Of An nova geração de fãs de música extrema, actualmente
Waters Of The Earth Turn To Blood», que terá sido Angel» já temos a sonoridade típica do grupo, a “cena” no Reino Unido acaba por ser tão diversa
a mais predominante porta de entrada para boa com a melodia a impor-se, seguindo-se depois e inspiradora como qualquer outra. De formação
parte do número considerável de fãs que o duo do compassado «Feed The Fire», um impressio- relativamente recente, os Conjurer são outro nome a
norte-americano carrega consigo hoje em dia, nante «Stand Or Fall». As baladas também estão juntar a uma cada vez mais extensa lista de bandas
reconhecendo que havia aqui qualquer coisa de aqui, bem representadas por «Coming Home» e a manter debaixo de olho e, tomando este álbum
muito diferente e de muito fora da caixa já nessa «I’ll Never Be Loved By You», antes de uma «Fly de estreia a título de exemplo, é fácil prever um
altura, teria sido difícil prever que em menos de Away» que é um verdadeiro hino ao hard rock. «I futuro risonho para estes jovens músicos oriundos
uma década o Chip King e o Lee Buford se iriam Help You Hate Me» e a power ballad «Crazy Over de Rugby. «The Mire» apresenta sete temas que
transformar em… tudo o que já se transformaram, You» encerram um disco que se torna imperdí- combinam de forma muito inteligente djent, doom,
sempre na vanguarda do que de melhor se faz no vel para os fãs de hard’n’heavy. [9] C.G. sludge, black, post metal e até grindcore, ao longo
experimentalismo extremo. A título de referência, de 44 minutos em que o quarteto saltita entre com-
podem-se traçar alguns paralelos com a carreira BONG passos arrastados e monolíticos («Hadal»), texturas
do Mories, dos Gnaw Their Tongues (em cujo «Thought And Existence» melancólicas («Hollow», «Thankless») e blastbeats
último disco o Chip lá atira uns guinchos bestiais, [Ritual] furiosos («Choke», «Retch») com uma facilidade
curiosamente). Mas os The Body são mais expan- Ao oitavo longa-duração, impressionante. Por esta descrição não deve ser
sivos. Fazem mais colaborações que parece que os Bong desenvolveram difícil adivinhar que o som dos Conjurer está pejado
deixam, cada uma delas, a sua marca profunda, uma classe raramente de referências a outras bandas, mas esse patchwork
IXɰQYQETEPIXEHIMRƥYɰRGMEWQEMWZEWXEEMRHE vislumbrada nestas encru- – que, nas mãos de músicos menos habilidosos,
(é conhecido o amor de King pela pop açucarada, zilhadas do doom, drone e psicadélico. Revela- soaria certamente a bagunça – surge aqui alicerçado
que continua a misturar como ninguém no meio dora disso mesmo, é a introdução ao primeiro por uma cortina de metal progressivo que, apesar de
da lama e da angústia), mas a vontade de explorar dos dois temas de «Thought And Existence», em tresandar a uma versão mais pesada dos The Ocean,
novas formas de criação a cada passo é seme- UYIEWMRSWIEƤRWEVEYXSWWIWIKYIYQEIXɯVIE JE^IQGSQUYIm8LI1MVI|ƥYEHIJSVQEREXYVEP SY-
lhante. «I Have Fought Against It…» (um título que é voz a informar que tudo se passou como num ça-se «Of Flesh Weaker Than Ash», onde conseguem
uma frase retirada da carta de suicídio de Virginia sonho em que lá se vão as leis do pensamento resumir num só tema tudo o que fazem melhor) e
Woolf) baralha tudo aquilo que achávamos que e da existência e nos debruçamos naquilo que soe minimamente individual para não os descartar-
sabíamos acerca dos The Body, outra vez. Com o coração realmente anseia. Só então entra a mos como clones. Portanto, agora é só esperarmos
uma distância aparentemente ainda maior entre distorção, o envolvente riff de glacial mutação, que se libertem um pouco mais das suas referências
os extremos utilizados – as vozes e as melodias o apelo ao consciente e ao inconsciente. Da para lhes darmos mais que um... [7] J.M.R.
açucaradas (lá está) das convidadas Chrissy Wol- percussão esparsa de «The Golden Fields»,
pert e Kristin Hayter convivem com noise agreste passamos ao subtil mas constante embalo de THE DAMNED
e frequentemente com os guinchos desesperados «Tlön, Uqbar, Orbis Tertius», título da história de «Evil Spirits»
do Chip, que parece que cada vez viaja um bocado 1940 de Jorge Luis Borges. Nela, o argentino [Spinefarm]
mais longe nas profundezas do seu estômago, ou crítica, através da parábola, a doutrina subjecti- Uma década passada após
alma, ou ambos, para os ir buscar. A própria cons- vista de onde eventualmente surgiu a praga do o último disco de estúdio
trução dos temas é desconcertante, atingindo-se pós-modernismo. O excelente álbum do quar- dos lendários The Damned
por vezes harmonias sublimes através de pouco XIXSFVMXɨRMGSWYVKMYGSQSYQEVIƥI\ɩSWSFVI e eis que Captain Sensible,
mais que samples, electrónica solta ou instrumen- os mesmos temas, tendo assim o mérito de se Dave Vanian e companhia
XEɭɩSTSVZI^IWHMJɳGMPHIMHIRXMƤGEV SYZIQWI sublimar não só ao nível da construção estética resolvem brindar-nos com mais uma soberba
instrumentos de sopro, a certas alturas, por exem- em si mesma mas da subjacente discussão TVSZEHIZMXEPMHEHIIWSFVIXYHSHIƤHIPMHEHI
plo). Mais uma vez, um pouco como no «Genocidal conceptual. [8] L.P. para com o seu legado e a sua devota base de

LOUD! 51
fãs. Dizer que «Evil Spirits» não belisca em nada que escutamos em «1755» dos Moonspell, sendo
LUÍS RATTUS esse legado e que apresenta uns The Damned que muito do material dos portugueses acaba por
iguais a si próprios será o melhor elogio que lhe soar mais pesado que o dos noruegueses. Claro
podemos deixar. Igual elogio será pensar que um que o black metal não está erradicado do som e
fenómeno global como os Ghost jamais existiria do conceito dos Dimmu Borgir, basta ouvir os riffs
na forma como o conhecemos se estes veteranos e os tempos “rápidos” de músicas como «Æthe-
não tivessem criado aquilo que de uma forma ric» e «Lightbringer», mas até parece que Daray
imaculada voltam a recriar com dez canções do foi aconselhado a não dar asas ao seu talento,
QEMWVIƤREHSIWEVGɧWXMGSTYROVSGOI\IGYXEHS em detrimento de umas teclas “cósmicas” que se
por um dos poucos pioneiros do género ainda no ouvem mais que qualquer outra coisa e remetem
activo. O piscar de olho aos primeiros discos é para Covenant (ou The Kovenant, onde até tocou
assumido e palpável, potenciado por uma produ- Geir Bratland). «Eonian» pode até impressionar
ção a cargo de Tony Visconti que encontra o equi- produtores de Hollywood interessados numa
líbrio perfeito entre o lado orgânico de um disco ousada banda-sonora para uma trama sobre o
captado ao vivo em estúdio sem grandes artifícios lado negro do cosmos, mas não vai abanar tantos
e o brilhantismo de pormenores e melodias que pescoços como esta banda já fez abanar. [7] N.S.
o adornam e lhe conferem o desconcertante
requinte que constitui a identidade de uma banda DYLAN CARLSON
incontornável. [7.5] R.A. «Conquistador»
[Sargent House]
SYSTEMIK VIØLENCE
DEATH. VOID. TERROR. Conhecido como membro
«To The Great Monolith» fundador dos Earth – pio-
ete anos depois de «Cambia Il Vento», os italia- [Iron Bonehead] neiros do drone, a início,

S nos BOMBER 80 lançam o seu segundo álbum


«Contro Il Tempo», através da Hellnation. A ban-
da de Florença teve tempo para preparar com calma
A estreia dos Death. Void.
Terror., parte do Helvetic
Underground Committee,
com uma eventual expan-
são mais psicadélica –, é num registo ligeiramente
diferente que o músico edita o seu quarto álbum
e primor a edição, que sendo num vinil com uma cui- é agradavelmente inaces- de originais – primeiro somente com o seu nome
dada apresentação, inclui também a versão em CD. O sível. O disco consiste em dois temas nos quais próprio. Gravado já há dois anos com a produção
som segue a linha streetpunk que sempre praticaram, riffs de black e death metal são encharcados em de Kurt Ballou, guitarrista dos Converge, conta
com temas simples, directos, com coros cheios e re- delay e feedback, e se vão sucedendo sem aparen- ainda com a contribuição de Emma Ruth Rundle
frães sing-along. Ideal para fãs de bandas como Los te estrutura – objectivo a que a banda se propõe e e até de Holly Carlson, sua esposa, que inclusiva-
Fastidios ou Bull Brigade. Palavras de ordem cantadas para cujo sucesso contribui o afundar na mistura mente surge na capa. A semelhança a trabalhos
com o orgulho de uma contra-cultura que teima em não de uma percussão entre o blastbeat e o arrítmico. anteriores estende-se apenas pelo trabalho de gui-
abandonar as ruas. Como os próprios dizem: l’amore O problema é que o disco também se propõe a tarra, cunho pessoal do próprio, que se deixa soar
mio non muore! ultrapassar o conceito de canção, a transcender entre feedbacks e notas prolongadas, aos quais
convenções de composição e performance, e a se junta uma imagética algo western, até mesmo
Quem não demorou tanto tempo para lançar novo ultrapassar ainda as noções do que é aceitável xamânica, onde a procura por novos horizontes
material foram os ARMS RACE. «The Beast E.P.» é o IQŰGPEWWMƤGEɭɺIWLYQERMWXEWHIKɯRIVSű)RƤQ entre desertos permanece inalcançável e distante,
novo trabalho dos auto proclamados reis do New Wave uma parvoíce entre a hipérbole e o pretensiosis- como uma viagem que teima em não acabar. Não
Of British Hardcore, com edição através da fantástica mo desenfreado. É uma aproximação gira mas ɯEWWMQHIIWXVERLEVUYIEMRƥYɰRGMEHSJSPGPSVI
La Vida Es Un Mus (uma das melhores editoras punk muito limitada à fronteira com o noise e o drone americano – palpável até, por um lado, pelo nome
da actualidade, sem qualquer dúvida). Quatro temas PSƼ, tanto na forma como no conteúdo. Ainda por «Conquistador» e, por outro, pelas subtilezas folk
que mantêm os Arms Race no campeonato de bandas cima é uma fronteira já mais que explorada por entre um Neil Young e um Townes Van Zandt –
como Violent Reaction ou The Flex, hardcore punk ar- discos mais perturbadores e interessantes, bas- TVSZIRLEIQTEVXIHEƤGɭɩSHIWERKYIMRHɳKIRE
rasador com uma voz gutural e um feeling a lembrarem tando para tal conclusão olhar para as carreiras em «Meridiano De Sangue», obra literária de Cor-
as velhas bandas hardcore vindas de Boston nos anos do Mories e do Evil, entre muitos outros. [5.5] L.P. mac McCarthy. Deixem-se levar pelo minimalismo
80. In your face! sónico destas paisagens áridas. [7] P.C.S.
DIMMU BORGIR
Com a produção de Rafael Rodrigues, Wilson Soares «Eonian» FIVE FINGER DEATH
e Maria João Frade, MANIFESTO SUBURBANO é um [Nuclear Blast] PUNCH
novo canal YouTube onde mensalmente se vão dando e Após quase oito anos de «And Justice For None»
promovendo notícias do nosso underground. O projec- espera, os Dimmu Borgir [Eleven Seven]
to visa não só dar exposição a velhas e novas bandas, HɩSRSWƤREPQIRXIYQ Já todos viram acontecer:
mas também a salas, promotores, editoras, fanzines e novo álbum. A julgar pelo uma máquina de inúmeros
tudo o que seja relevante no circuito alternativo. O pri- single de avanço, «Interdimensional Summit», cavalos atravessa-se no ca-
meiro programa já está no ar com a promessa de que parecem existir já muitos fãs descontentes com minho, faz meia dúzia de manobras ilegais e quando
os próximos irão elevar a fasquia a nível de qualidade a direcção tomada pelos noruegueses e, embora em pleno asfalto, com uma recta pela frente, desa-
técnica e editorial. WIXVEXIETIREWHIYQXIQEƤGEHIWHINɧEGSR- celera e resolve apreciar a paisagem, cruise control
ƤVQEɭɩSHIUYIEQEMSVMEHSQEXIVMEPGSRXMHSIQ mode. É um pouco isso que se passa com este «And
«Make Punk Raw Again» dá nome ao split 7” que ainda «Eonian» alinha mais por esse lado de orques- Justice For None», que até arranca bem, com dois
se encontra fresco nas ruas, editado pela Raw’N’Roll, trações catchy, do que propriamente pelo gene malhões daqueles que colocam milhares aos saltos,
entre os tripeiros DOKUGA e os alfacinhas SYSTE- black metal do grupo que, na verdade, tem vindo «Fake» e «Top Of The World», mas ao quarto tema,
MIK VIØLENCE. Do lado dos Dokuga encontramos a sofrer forte erosão ao longo dos anos. Resu- já desacelera e entra pelo território das baladas,
a entrega de sempre, com os berros inconformados mindo, bem mais sinfónico que cru/evil, mas bem como «Sham-pain», o primeiro single, só porque tem
de Kisto e uma muralha sonora com referências às feito. O problema é que, a dado momento, parece que ser. Com vários discos de platina, é compreen-
guitarras samurai de bandas como Death Side a pis- que estamos a ouvir uma banda e uma orquestra sível que se imponha ir a todo o mercado, mas que
car o olho ao punk escandinavo. Os Dokuga são já em simultâneo… e a orquestra sobrepõe-se à tira a pica ao álbum, isso nem se duvida. E ao sexto
a referência do punk do Porto, dignos herdeiros da banda, algo que não devia acontecer. Este tipo de tema já estamos na segunda balada, «I Refuse»,
bandeira passada pelos Renegados De Boliqueime. metal costumava equivaler a guitarras fortes, uma pelo meio com uma «Fire In The Hole» que rouba
Da parte dos Systemik Viølence é-nos entregue mui- bateria orgânica, voz cavernosa… Neste décimo o ritmo a temas de Manson, e a voz grave de Ivan
ta sujidade e violência gratuita. Quatro camafeus que álbum dos Dimmu Borgir, as cordas de Silenoz e Moody, toda embrulhadinha em piano e guitarras
se comprometem a ser os Kuro da Picheleira ou os Galder estão algo ofuscadas pelas cordas eru- acústicas. Muito lindo, um daqueles momentos para
+-71 HE 'SZE HS :ETSV 4YRO HIWEƤEHSV GSQ EXMXY- ditas sintetizadas, e a voz de Shagrath soa por acender o isqueiro ou ligar a câmara do telemóvel,
de rude e som cru. No total são três temas para cada vezes até obliterada por tanto coro. Aliás, vários TEVEYQHEUYIPIWZɳHISWQEPƤPQEHSWUYIRMRKYɯQ
banda, para ouvir alto e com a certeza de que se vão são os momentos em que o Schola Cantrum Choir vai ver. E é esta a máquina oleada dos Five Finger
chatear muitos vizinhos. nos remete para um arranjo vocal semelhante ao Death Punch, que, ao sétimo disco, continuam

52 LOUD!
a levantar a bandeira do rock, com alguma legitimi- naut das atmosferas cativantes e dos crescendos GRAYCEON
dade, diga-se, mas sem a garra in your face de ou- emocionais. «Oisín», o tema de fecho, encerra «IV»
tros nomes. Para além dos ƼPPIVW habituais, há ainda uma parábola de dor e fragilidade quando se [Translation Loss]
a repetição da versão dos Offspring, «Gone Away», perde um primo com apenas sete anos de idade, As duas bandas não são,
já inserida na colectânea «A Decade Of Destruction», mas deixa uma porta aberta ao pensamento – há objectivamente, tão pare-
bem como o piscar de olho ao mercado country algo do outro lado? Deste, há uma banda madura cidas assim, mas não há
com «Blue On Black», um original de Kenny Wayne e respeitada pelo que é; uma das principais enti- como não emparelhar os
Shepherd. Bem produzido, com música catchy e dades instrumentais. [7.5] N.S. Grayceon com os SubRosa, pelos semelhantes
alguns temas fortes e interessantes, «And Justice espaços que habitam na nossa cabeça assim
*SV2SRI|ƤGERSIRXERXSɦWSQFVEHSWXVEFEPLSW GODSMACK que os seus expansivos temas se começam a
da banda do início desta década. [7.5] E.F. «When Legends Rise» desenvolver. «No Help For The Mighty Ones», dos
[Spinefarm] SubRosa, e «All We Destroy», destes Grayceon,
GOD IS AN ASTRONAUT Nova editora, quatro anos saíram próximo um do outro em 2011, e entraram
«Epitaph» de espera e o resultado é instantaneamente para o coração de quem teve
[Napalm] um disco bem orelhudo, a sorte de os ouvir na altura – e se os primeiros
Não será de estranhar ver «When Legends Rise», que já editaram mais dois discos deste então e se
uma banda de post rock bem se poderia intitular «Bulletproof», represen- tornaram gigantes, dos Grayceon apenas um EP
como God Is An Astronaut tando o estado actual do colectivo. Essa é no pequenito e um silêncio preocupante durante sete
num catálogo como o da entanto “apenas” mais uma das grandes malhas anos. Percebemos que a vocalista/violoncelista
Napalm Records. Até porque o álbum anterior destes Godsmack, num disco variado, que sabe Jackie Perez Gratz, que já tocou com os Neurosis,
«Helios | Erebus» denotava já um acréscimo de ir a vários campos e capaz de ser catchy sem se tem mais que fazer com os Giant Squid, acima de
peso no som da banda irlandesa. Porém, nem é comprometer com um determinado estilo. Após tudo, e outros projectos onde se tem metido, mas
exactamente por esses caminhos que vagueia a o abandono da Universal, e quando se esperavam é muito bom saber que os Grayceon continuam
novidade «Epitaph». Neste entretanto, a tragédia as habituais saídas, dramas e tudo o mais, o a existir. E de boa saúde, também – «IV» é um
assomou à família dos irmãos Torsten e Niels quarteto liderado por Sully Erna concebeu um sucessor perfeito para «All We Destroy», e apesar
Kinsella e a criatividade resultante é marcadamen- XVEFEPLS GSIVIRXI I TVSƤWWMSREP EPKYVIW IRXVI de não ter um malhão surreal como foi «Shell-
te melancólica. O artwork de capa idealizado pelo Trivium e Avenged Sevenfold, num som reju- mounds», pelo menos à primeira vista, até é mais
artista francês Fursy Teyssier (dos Les Discrets) venescido, próprio para grandes espaços, com coeso e vai mais fundo na exploração musical de
indicia, desde logo, que algo menos uplifting está refrães fáceis, que transformam cada malha num um estilo muito próprio. Tal como nesse álbum
para acontecer nas melodias deste nono disco. potencial hit, explicando os vinte milhões de dis- anterior, é o violoncelo o principal veículo de con-
)SXIQEXɳXYPSHIEFIVXYVEGSRƤVQES)WXIɯ cos já vendidos pelos anteriores títulos. Aqui tudo dução da melodia, mas aqui usado de forma mais
o tempo do luto para os manos Kinsella, que já funciona bem, até na balada «Under Your Scars», diversa e frequentemente mais intensa. É possível
nos deram muitos cortes de respiração em modo em que vão à cartilha de outro famoso grupo de que nunca tenhamos usado a expressão “riffs
êxtase (ouvide «All Is Violent, All Is Bright»). «Epi- Boston e roubam o crescendo de «Dream On». de violoncelo” nesta revista antes, mas é uma
taph» é um álbum de progressão, de rearranjo Em «When Legends Rise», os Godsmack não adequada estreia neste caso. Também as vozes
GVMEXMZSIMRƥI\ɩSTEVEQIERHVSWQEMWSFWGYVSW pretendem inventar a roda – optam antes por apresentam maior dinâmica que anteriormente,
mas estes não deixam de ser os God Is An Astro- KYMEV YQ *IVVEVM [9] E.F. e acima de tudo, aquele ambiente meio poético,
PEDRO PEDRA meio etéreo, que no entanto nunca perde o contra- Youngblood, que sempre soube rodear-se de bons
BELA HILÁRIO ponto do peso e da suave opressividade (passe o músicos e manter intocável a identidade musical
paradoxo), tão característico dos Grayceon, está dos Kamelot. A chegada de Tommy Karevik há seis
MRXEGXS I EXɯ VIƤREHS ɔ TSɯXMGS WIQ WIV PEQI- anos atrás foi disso exemplo, pois este vocalista
chas, é neoclássico e sonhador mas também é sueco consegue cantar com a mesma elegância
doom. É genial, é o que é. [8.5] J.C.S. e suavidade de Roy Khan, e acrescenta ainda uma
força vocal que não existia previamente. «The
GROUPER Shadow Theory» é a prova de tudo o que se referiu
«Grid Of Points» acima, um disco à Kamelot, com tudo o que de po-
[Kranky] sitivo isso representa. Oiça-se «Ravenlight», «Kevlar
Liz Harris está de regresso, Skin» ou «The Proud And The Broken», e será difícil
depois de quatro anos vol- RɩSƤGEVIQIRVIHEHSWTIPEMRXVMRGEHEXIMEQYWMGEP
vidos sobre «Ruins». Esse da música dos Kamelot. Ou se preferirem algo
registo anterior marcou um mais ligeiramente directo têm uma «Amnesiac»,
abandono das paisagens mais ambientais do shoe- a «Static» ou mesmo a «Verpertine», e para além
gaze, pulverizadas até por algum experimentalismo disso temos ainda a presença feminina de Lauren
a roçar o drone, que tinham vindo a ser exploradas Hart (Once Human), com os seus grunhidos em
em diversos lançamentos já desde 2005. Em con- «Phantom Divine» e «Mindfall Remedy», e de Jenni-
trapartida, revelou uma faceta muito mais despida fer Haben (Beyond The Black) potenciando ainda
GRAVEHILL
da autora, com delicadas composições ao piano mais a graciosidade de «In Twilight Hours». É o
a serem acompanhadas por suaves harmonias melhor disco de sempre dos Kamelot? Quase de
ZSGEMW GSQS UYI RYQE WMQTPMƤGEɭɩS HE JɸVQYPE certeza que não, mas este «The Shadow Theory»
valanches de riffs, montanhas coroadas de até então usada em prol de um som mais orgânico. mantém bem alto o nível a que o grupo de Thomas

A criaturas desviantes e veneradoras do mal per-


petuam ritos aos cadáveres e prezam o mestre
chifrudo para obterem a sua salvação. Esta descrição
É nessa toada que se segue este novo «Grid Of
Points» ao longo de pouco mais de vinte minutos,
mantendo a instrumentação ao mínimo através do
Youngblood nos tem habituado. [9] C.G.

KNELT ROTE
ɯ GEXEPMWEHE TSV YQE EVXI KVɧƤGE MVVITVIIRWɳZIP UYI RSW dedilhar solto e espaçado das teclas, só de si car- «Alterity»
explode nos ouvidos em tons de death, thrash e black regadas de melancolia, para serem acompanhadas [Nuclear War Now!]
metal que só os GRAVEHILL nos conseguem retratar por sussurros angelicais, por vezes sobrepostos Parece que nem no espec-
no mais recente «The Unchaste, The Profane & The como coros, dos quais nem é preciso acompanhar tro da música extrema os
Wicked». Uma banda ávida de saltar da campa directa- as letras para sentir um turbilhão de emoções. STSWXSWGSRWIKYIQƤGEV
QIRXI TEVE E ZSWWE NYKYPEV 3W ISRATHOUM, por sua Não é necessariamente triste, embora possa ser desavindos muito tempo. A
vez, baralham-nos os sentidos com o seu «Channeling solitário, reconhecer que há uma certa leveza no fusão de géneros semelhantes na essência, mas
Death And Devil». Rudeza abrilhantada com ambiên- conceito de ausência sentida, de vazio presenciado totalmente diferentes na abordagem e execução,
cias frias e cortantes, bem como ritualísticas muito que permanece à deriva a cada escuta. E quando tem vindo a tornar-se cada vez mais comum – e
regadas com agressividade sanguinária. Uma dádiva tudo termina, até o silêncio é esmagador. [8] P.C.S. não há como combater isso. Os puristas podem
de coração à adoração infernal. enfurecer-se tanto quanto quiserem, mas o caldei-
GUS G. VɩSIWXɧEƤGEVGEHEZI^QEMSVIGSQETEWWEKIQ
Os CONVOCATION assombram-nos com o disco de «Fearless» dos anos, as ténues linhas que separam os sub-
estreia intitulado «Scars Across». Um hino divino ao [AFM] KɯRIVSWIWXɩSEƤGEVGEHEZI^QEMWHMJɳGIMWHI
doom metal pesadão e lento, com ambiências me- 1YMXSW ƤGEVEQ E GSRLIGIV discernir. Criados originalmente como um projecto
lancólicas, mas daquelas capazes de nos arrancar as este guitarrista grego aquan- de power electronics, os Knelt Rote acabaram por
lágrimas dos olhos e de as cristalizar no tempo e es- do da sua passagem pela tornar-se uma besta mais complexa com o passar
paço. Não esperem nada mais do que ruína e angústia banda de Ozzy Osbourne, dos anos. Incorporando elementos de black, death,
pois aqui a esperança morreu antes mesmo de ter tido mas o seu currículo com bandas como Firewind, war metal e grindcore no seu som, com registos
oportunidade de nascer. Também os SHEIDIM pro- Dream Evil ou Nightrage, só para citar algumas, GSQSm-RWMKRMƤGERGI|Im8VIWTEWW|SXVMSHI
põem-nos «Infamata», o sucessor do seu primeiro lon- tornam-no num dos mais importantes guitarristas 4SVXPERHEƤVQSYWIGSQSYQETVSTSWXEI\XVIQE-
ga-duração. Quatro temas novos muito bem produzi- do metal actual. «Fearless» é o seu quarto álbum QIRXIHIWEƤEHSVEIEGMQEHIXYHSHIZEWXEHSVE
dos mais uma intro servem perfeitamente para garantir em nome próprio e tem como novidade manter a Seis anos depois de nos terem furado pela última
que a banda continua no bom caminho do black metal mesma voz ao longo do disco, gravado pelo power vez os tímpanos sem misericórdia, os músicos
cheio de melodias negras e pujança obscura. trio formado por Gus G., Will Hunt (Evanescence, norte-americanos voltam à carga com «Alterity»
ex-BLS) na bateria e Dennis Ward (Pink Cream 69 e e nem precisam de meia-hora para nos deixar o
Os BEORN’S HALL encantam com o seu segundo Unisonic) que assume aqui, para além das habituais cérebro em papa. Ao longo de sete temas, quase
registo. Este fascínio pela mitologia nórdica encontra funções de baixista, o papel de vocalista. Temas todos de duração abaixo dos três minutos, criam
aqui uma das melhores propostas nos últimos tempos. como «Mr. Manson», «Don’t Tread On Me» ou «Chan- um remoinho de violência sónica intensa, e capaz
O facto de parecer fácil fazê-lo é em última instância ces» (esta última uma grande malha) trazem-nos de tirar o fôlego ao mais calejado dos fanáticos de
ultrapassado pela imagem que a música nos transmi- um metal pesado e com groove onde os dedos de música extrema. Apoiado numa atitude feroz e em
te. «Estuary» remete-nos para o primitivismo barbárico Gus G fervilham constantemente nos solos e peque- rugidos uivantes, alicerçados por arpeggios disso-
necessário, mas mais que isso transborda de tradição nos apontamentos que vão surgindo. Os instrumen- nantes e uma dose de groove punitivo, o grupo cria
folclórica e da importante atmosfera que credibiliza a tais («Fearless» e «Thrill Of The Chase») são outro mais um monstro de vários tentáculos. [8] J.M.R.
essência da banda e da sua música. momento à parte mas a surpresa do disco vai para
a versão de «Money For Nothing» dos Dire Straits. LECHEROUS NOCTURNE
Uma bomba caiu-nos, sem aviso prévio, quando escu- Um disco que prova que Gus G, apesar de tudo, tem «Occultaclysmic»
támos o lançamento seminal dos MENDACIUM. É que motivos para não ter receio do futuro. [7.5] C.G. [Willotip]
«Decimating Titans» trespassa-nos com a sua violên- «Occultaclysmic», o quar-
cia absurda apresentando-nos um black death metal KAMELOT to álbum dos Lecherous
tenebroso e gigantesco criado pela mente do único «The Shadow Theory» Nocturne, primeiro desde
Vanus Mendax. Sem dúvida, um projecto a seguir com [Napalm Records] há cinco anos, é blackened
mais atenção. Finalmente, já é do ano passado, mas Na passagem do milénio, os death metal à la Angelcorpse, embora um pouco
os TEMPLE OF VOID têm que ser do vosso conheci- Kamelot editaram uma série menos caótico. A banda da Carolina do Sul gosta
mento dado que «Lords Of Death» tem muito potencial de discos que cimentaram de velocidade, por vezes a níveis alucinantes, como
para agradar. Num género só, death metal demolidor. uma sonoridade muito acontece na estonteante chacina que é «Quantum
Já muitas vezes expressei que a velocidade não é tudo, própria, um power metal melódico, progressivo Mysticism», mas consegue juntar de forma compe-
pelo que caso pretendam ser esmagados por uma e maduro, onde os arranjos se tornam parte im- tente técnica, agressão pura e melodia. As presta-
overdose de peso descomunal encontram nesta edição prescindível do esqueleto de cada música. Desses ções individuais são tremendas e, como banda, há
muitos motivos para tal. Horns up for metal! tempos só restou na banda o guitarrista Thomas uma enorme coesão. No entanto, a falta de foco da

54 LOUD!
maioria destes temas, que disparam em demasiadas gente crescida e sabida em várias áreas do metal t-garde – até porque é muito mais do que ambos
HMVIGɭɺIWEGEFETSVHMƤGYPXEVEQIQSVM^EɭɩSIJE^ e que, aqui, está como peixe na água. «Carnage» –, pode ser por si só uma aventura. Com membros
GSQUYIm3GGYPXEGP]WQMG|HMƤGMPQIRXIWIGSRWMKE é o segundo álbum de um grupo criado há apenas que, sem mencionar projectos anteriores, fazem
distinguir da concorrência. Se cada uma das múlti- três anos com o propósito de fazer algo de que se parte de bandas como Esoteric, The One, Macabre
plas secções de cada tema fossem mais distintas gosta muito, sendo-se plenamente sucedido nesse Omen, Omega Centauri, Acherontas e Ancient As-
entre si, talvez o contraste entre elas ajudasse o objectivo e deixando mais uns quantos felizes pelo cendant, talvez já dê para vislumbrar um pouco a
ouvinte a reter algo, só que como esse não é o caso, meio. Falamos de Christofer Barkensjö, requisitado HMWTEVMHEHIHIMRƥYɰRGMEWUYIEPɯQHETERɸTPMEHI
ainda nos estamos a afeiçoar a um riff e já levámos baterista que já passou pelos Grave e está hoje nos black metal, ainda alcançam o death metal e até o
com outro diferente, mas quase igual. Conclusão: Witchery, Niklas Sandin, baixista dos Katatonia, doom – tudo atado por um ADN bem progressivo.
GLIKEQSWESƤQHSHMWGSITSYGSSYREHEƤGSY aqui guitarrista, e Tomas Akvik, actualmente nos Ainda assim, e mesmo que conheçam a gradação
Não querendo ser injusto nem redutor em relação ao Bloodbath ao vivo. LikWMKRMƤGEGEHɧZIVIQWYIGS de sonoridade entre os dois discos antecessores,
trabalho dos Lecherous Nocturne, que é sem dúvida portanto, esperem aquela podridão do início dos somente através de um exercício de comparação
extremamente sólido e a espaços impressionante no 90s, mas com uma clareza lancinante, mais uma será possível deixar-vos uma descrição mais certei-
que toca à habilidade dos instrumentistas, só isso gravação de belo efeito no estúdio Dugout, na ra. Ora vejam lá se me acompanham. Imaginem que
não basta para fazer um disco de destaque num sequência dos bons resultados obtidos nos dois úl- os Blut Aus Nord, cansados daquelas descargas
subgénero tão saturado como este. [6] J.A.R. timos trabalhos dos Witchery. Lento, rápido ou em explosivas, decidiam ir buscar um órgão de tubos
TEWWEHEHFIEXm'EVREKI|ɯEHIPMGMSWEGEVRMƤGMRE aos séculos passados, incorporar aqueles cânticos
LIK nostálgica que desejam… e um pouco mais. [8] N.S. à The Ruins Of Beverast, aprender estruturas com
«Carnage» os Cynic ou os Atheist, prestar homenagem aos
[Metal Blade] LYCHGATE Virus/Ved Buens Ende e misturar tudo como os
Alguém pediu death metal «The Contagion In Nine Steps» 1EYHPMR3J8LI;IPP2ɩSƤGEVEQGYVMSWSW#7IVɩS
à moda de Estocolmo com [Blood Music] no mínimo, surpreendidos. Primeiro estranha-se,
aquele HM-2 a soar híper (IƤRMVSWSQHSW0]GLKEXI depois entranha-se. [7.5] P.C.S.
genuíno em 2018, velha sem cair num simplista black
guarda, the good old way#%ɳSXIRW0MOɯIWWEFER- metal atmosférico ou num NAPALM DEATH
da. E, pasme-se, são mesmo de Estocolmo. Trio de famigerado black metal avan- «Coded Smears And More
Uncommon Slurs»
[Century Media]
%SƤQHIERSWHIZMHESW

AURA NOIR Napalm Death continuam a


elevar cada vez mais a fas-
quia no que toca à música extrema. «Apex Predator
– Easy Meat» mostrou isso mesmo, e caso sobrem
«Aura Noire» dúvidas, basta apanhar um concerto do grupo
[Indie Recordings] inglês para que todas elas sejam suprimidas. Em
«Coded Smears And More Uncommon Slurs» temos
uma colectânea de material nunca antes lançado

I
maginem que os Aura Noir recuavam aos tempos de «Black
e algumas covers gravadas entre 2004 e 2016. No
Thrash Attack» para compor nessa era, com a maturidade que
que toca aos Napalm Death, já todos sabemos com
têm agora. O resultado deveria ser o que se ouve aqui: maior
o que contar: crítica social embutida em sarcasmo
diversidade entre temas e um aumento da atmosfera, com algumas canções a mostrarem uma
e desdém é injectada no ouvinte da mesma forma
TVSJYRHMHEHIIYQEWSƤWXMGEɭɩSUYIRYRGEERXIWXMZIVEQESRɳZIPHEGSQTSWMɭɩS)QFSVEWEM-
a que nos habituaram. Riffs rápidos e agressivos,
FEQEIWTEɭSWQERXIVEIRIVKMETYROUYIWIQTVISWGEVEGXIVM^SYƤGEGPEVSUYIm%YVE2SMVI|ɯ
complementados com a furiosa voz de Barney, que
um disco menos primitivo e muito mais pensado e trabalhado do que o anterior «Out To Die». Uma
parece conter em si toda a raiva do mundo. No
GERɭɩSGSQSm,IPPŭW0SWX'LEQFIVW|TSVI\IQTPSɯHSQEMWWMRMWXVSITVSKVIWWMZSUYINɧƤ^IVEQ
entanto, se já estamos a contar com certos aspec-
não em termos técnicos, mas pela história que parece contar e pela capacidade de nos mergulhar
tos no que toca à sonoridade da banda, é em temas
IQEFWSPYXEIWGYVMHɩS7SFVIXYHSRSWTVMQIMVSWXVɰWXIQEWSYZIQWIVMJJWUYITSHMEQIWXEVRYQ
GSQSm4LSRIXMGW*SV8LI7XYTIƤIH|Im'PSYHW3J
trabalho recente dos Darkthrone (entre o «Circle The Wagons» e o «Arctic Thunder»), caso dos que
Cancer/Victims Of Ignorance» que nos surpreende-
povoam a primeira metade da excelente «Grave Dweller», onde juntam ao seu black/thrash carac-
mos. Desde intros thrashy a fugir à sonoridade da
XIVɳWXMGSYQŰLIEZ]HSSQűHEUYIPIUYIS*IRVM^KSWXEEKSVEHIGVMEV2ɩSVIWXIQHɽZMHEWRSIR-
banda a piano clássico, esta compilação oferece o
tanto, acerca da identidade bem vincada dos Aura Noir, que apesar do incremento de passagens a
aquecimento ideal até ao próximo longa-duração, e
meio-tempo, continuam a saber ser tão ou mais selvagens do que eram antes. «The Obscuration» é
só demonstra que os Napalm Death estão longe de
FPEGOIRIHXLVEWLQIXEPJVIRɯXMGSIHMVIGXEQIRXIɦNYKYPEVm7LEHIW%FPE^I|EYQIRXEEMRHEQEMWE
se tornarem obsoletos. [8] M.L.
fasquia em termos de intensidade, e a tresloucada «Mordant Wind», a malha mais intrincada e me-
nos ortodoxa de todo o disco, deve ter deixado o Blasphemer com os dedos em sangue. De resto,
NECROS CHRISTOS
SKYMXEVVMWXEɯQIWQSEƤKYVEQEMSVTIPEHMZIVWMHEHIHIIWXMPSWUYIMQTVMQIREGVMEɭɩSVɳXQMGEI
«Domedon Doxomedon»
pela qualidade superior dos solos. Junte-se a essa inspirada prestação das seis cordas, a corrosiva
[Sepulchral Voice]
ZS^HI%TSPP]SRQEMWI\TVIWWMZEHSUYIRYRGEISTVEKQɧXMGSFEM\SHI%KKVIWWSVIIWXɩSVIYRM-
O terceiro álbum dos Necros
dos os condimentos para um dos momentos mais altos da carreira do trio noruguês. [8.5] J.A.R.
Christos encerra a carreira
HMWGSKVɧƤGEHEFERHE
levando ao extremo as carac-
terísticas que desenvolveram ao longo da mesma.
Como sempre, são nove canções de death metal,
desta feita com o carácter progressivo mais vincado
(perfazem hora e meia), intercaladas por interlúdios
«Gate Of …» e «Temple …», nove de cada para ênfase
WMQFɸPMGS%PMKEɭɩSIRXVIXIQEWɯQEMWƥYMHEHS
que nunca, como se vê na passagem do quarto
«Temple» para a fantástica «Seven Altars Burn In
Sin», e a presença de elementos clássicos persas
e indianos é transversal ao álbum, tanto nos apon-
tamentos acústicos (veja-se o sétimo «Temple»),
como no death metal propriamente dito, seja pelos
ritmos presentes em diversos temas como por pas-
WEKIRWGSQSEFVMPLERXIIRXVEHETEVESWSPSƤREPHI
«The Heart Of King Solomon In Sorcery». Acima de

56 LOUD!
tudo, é um disco de uma riqueza de arranjos excep- um caminho longo e difícil para chegarem onde não há lugar para novidades radicais, mas se
cional e que concilia o melhor dos dois lados da estão hoje. No seu lugar, muitas bandas teriam a fórmula resulta, então termos o 25.º aniver-
FERHERYQƤREPHIGEVVIMVEEWWSQFVSWS7ɸQIWQS certamente desistido depois de terem de lidar sário do «Horrorscope» e o 30.º do «Feel The
ao alcance da elite do género. [9] L.P. com a morte de um dos elementos fundadores Fire» reunidos num só espectáculo pode ser
ainda antes do seu primeiro álbum ser editado, uma mais-valia. Motivos de peso que fazem
NINE O NINE mas estes músicos provaram ser feitos de a diferença nesta dupla captação e edição
«The Time Is Now» YQE ƤFVE MRZYPKEVQIRXI JSVXI ES STXEVIQ TSV replicando toda a maturidade, experiência e
[Raising Legends] continuar em frente apesar dos trágicos obstá- produção de um dos maiores ícones do thrash
Tó Pica é daqueles músicos culos com que foram sendo confrontados. Dois metal mundial. [7] P.P.
motivados por fazerem anos depois de ter sido editada, a estreia «The
sempre algo diferente e Embodiment Of Hate» continua a soar como ROSS THE BOSS
a diversidade dos grupos um autêntico testemunho do que é transformar «By Blood Sworn»
por onde tem passado fala por si. Nine O Nine, o sentimentos negativos em catarse, um monu- [AFM]
mais recente projecto do guitarrista português, é mento selvagem de dor transformada em força Custa um bocado atirar
distinto de tudo o que fez até hoje e, se há alguma bruta, numa visão própria do que é hoje o bla- críticas menos positivas
proximidade sonora, é com o álbum a solo lançado ckened death metal. Apesar dos 24 meses que para cima de uma “banda”
em 2016. Mesmo assim, «The Time Is Now» é passaram entretanto, pouco parece ter mudado chamada Ross The Boss
outra coisa. Falamos de rock/metal que tanto pode no universo de Eric e Tim, os dois estrategas quando o antigo guitarrista dos Manowar é
derivar para caminhos mais alternativos, como em desta obscura entidade. Pese a produção mais precisamente a única coisa imaculada no meio
cambiantes mais experimentais num «Big Event» equilibrada e um pouco menos lamacenta, «With disto tudo, mas a realidade é o que é. Para não
de belo efeito. Ou seja, o próprio álbum é amplo e Inexorable Suffering» parte do ponto em que ir mais atrás, já quando nos visitaram há pouco
variado em géneros. Naturalmente, como banda nos tinham deixado em 2016, com temas como mais de um ano, se percebeu que Ross The
que é, Nine O Nine arquitecta-se também a partir m%VXMƤGMEP 4YVKEXSV]| m0EF]VMRXL (MWSVMIRXEXMSR| Boss, a banda, não é grande coisa. Dessa noite,
dos pilares criativos dos outros dois músicos ex- I m8LI (IGE] 1E\MQ| E EƤVQEVIQRSW GSQS aproveitou-se, lá está, a presença do lendário
perientes aqui em acção – Sérgio Duarte na voz e mestres intocáveis na arte de fazer death metal guitarrista, que apesar de mais envelhecido do
Arlindo Cardoso na bateria. Talvez porque o registo dissonante e cavernoso de qualidade superior. que seria de esperar e com um ar meio deso-
de Sérgio não é assim tão distante do irmão Rui, e Misturando riffs serpenteantes que podiam ter rientado, lá se conseguiu manter totalmente
por Pica ter passado uns bons anos nos Ramp, há sido arrancados aos piores pesadelos dos In- “na batata”, uma performance interessante do
momentos como «The Way Back Home» que aca- cantation e vocalizações guturais que deixariam baterista também ex-Manowar Rhino (entretan-
bam para nos evocar a banda do Seixal. Bem con- o H.P. Lovecraft orgulhoso, os músicos de Los to substituído por Lance Barnewold, que gravou
seguida está também a versão de «Never Let Me Angeles cospem meia-hora de peso monolítico, este «By Blood Sworn» e já foi substituído
Down Again», original dos Depeche Mode e, quiçá equilibrado na ténue linha que separa o OSDM XEQFɯQ  I EGMQE HI XYHS EUYIPIW QEPLɺIW
por sugestão subconsciente, o riff do tema seguin- HS KVMRH I HS FPEGO QIXEP 2S ƤREP m;MXL -RI\S- imortais dos Manowar, esses sim a verdadeira
te, «Aquilam», remete-nos para Paradise Lost light. rable Suffering» alcança um equilíbrio perfeito estrela da noite. O habitualmente talentoso
Em Nine O Nine, Tó Pica relembra-nos que boas entre brutalidade e atmosfera, entre punição baixista Mike LePond revelou-se um erro de
guitarras não se resumem a bons solos (até nem visceral e intensidade emocional. [8] J.M.R. casting um bocado triste, e especialmente o
LɧQYMXSWEUYM I7ɯVKMS(YEVXIGSRƤVQEUYIWIVME
um desperdício não o termos a cantar em inglês
neste género. Estamos convictos que um segundo
trabalho será ainda mais sólido, mas só um trio de
músicos astutos consegue pôr cá fora um trabalho
destes, apenas um ano após a formação. [7] N.S.

NOCTURNAL GRAVES T O DR I N K F ROM T H E N IG H T I T S E L F


«Titan» OVERKILL
[SOM – Underground Activists] «Live In Overhausen» Out on May 18 th!
Entre riffs ferozes e blastbea- [Nuclear Blast]
ts constantes, os veteranos Ter 38 anos de
australianos abrem caminho idade como banda
para pequenos solos e linhas é obra. Se a essa
melódicas que se distribuem equilibradamente um efeméride somar-
pouco por todo o disco. Essas melodias são quase mos dezoito álbuns
totalmente silenciadas a partir do momento que a de estúdio e mais
cavernosa voz entra. «Resistance» é uma mistura quatro ao vivo,
implacável de death e black metal, enquanto que sem contar com
«Ecdysis, Shedding Weak Flesh» foge um pouco inúmeros EPs pelo
ao padrão geral – apesar da parafernália de gui- meio, este sim-
tarras e batida igualmente intensa, esta é a faixa ples exercício de
mais melódica de todo o álbum. E é mau? Não, a aritmética assume
banda soube perfeitamente como utilizar a melo- proporções épicas.
dia sem se dispersar do objetivo. Também «And Os Overkill têm uma
Hell Followed Them» se destaca, sendo o perfeito vida inteira susten-
exemplo da combinação de black, death e thrash tada nesta carreira
à semelhança de uns Bestial Warlust. Em «Titan» musical e como
temos talvez o trabalho mais bem conseguido tal é de prever que
até agora pelos Nocturnal Graves, rejeitando uma ao gosto pelo que
The new studio album by the
certa tendência que existe para o uso descabido de fazem se associem pioneers of melodic Death Metal.
melodia, ou até mesmo do contrário. [7] M.L. calendários edito-
riais. O que é que DARK, DYNAMIC AND ALL-PERVASIVE!
OUR PLACE OF WORSHIP este disco ao vivo
IS SILENCE tem que os restan- Available as limited Mediabook 2CD, Jewelcase CD,
«With Inexorable Suffering» tes não tenham é a Gatefold LP, Deluxe Boxset and as Digital Album.
[Translation Loss] pergunta que os fãs
Oriundos do Sul da Califór- do grupo preten-
nia, os Our Place Of Wor- dem ver respondi-
ship Is Silence percorreram da. Certamente que

w w w.CE N TURYMEDI A .com


espalhafatoso vocalista Marc Lopes mostrou do pela sua participação no musical «We Will Rock variadas no meio da escuridão total. Os Summon
estar muito longe dos requisitos mínimos para You») ao qual se juntou essa personagem chama- fazem-se valer disso e tudo indicava que, após a
a função. Ninguém pedia um novo Eric Adams, da The Duchess, uma vocalista que soa a tudo me- estreia com «Aesthetics Of Demise», o monstro
mas caramba, escusava de estar tão longe. E nos a uma vocalista de rock. Isto não é uma críti- fosse crescer para domínios ainda mais profundos.
isto pode parecer que não tem nada a ver com ca, pois a tonalidade soul e clássica da voz de The É por isso que «Parazv Il Zilittv» não é surpreen-
o disco que é suposto estarmos a analisar, mas Duchess é um dos principais motivos que tornam HIRXIIGSRƤVQESUYIERXIVMSVQIRXIWITVIZME
infelizmente tem tudo, porque é só transferir estes Space Elevator minimamente interessantes. Uma banda com ideias estruturadas e orientadas
todas essas opiniões para «By Blood Sworn» O disco começa bem com um «Take The Pain» que para a negritude transformam os Summon numa
e tudo se mantém. As composições são com- nos remonta aquele rock grandioso de uns Queen, poderosa proposta, ocultamente perigosa e bes-
petentes, sem serem nada de especial, longe passando depois para os ritmos funk mas cheio tial. Ao ritmo deste trabalho somos engolidos na
de uns Manowar (é chato estar sempre a bater de pormenores estilísticos de «Talk Talk». «World matéria negra do abismo, onde a escuridão habita
nesta tecla, mas tem que ser essa a fasquia), Of Possibilities» e «The One That Got Away» são em todos os caminhos e variantes até à sua saída,
mesmo da fase pós-«The Triumph Of Steel» dois temas que, se um leitor mais “conservador” IQFSVEIWXEɽPXMQEWINEETIREWYQEƤKYVEHI
quando a coisa começou a descambar um QYWMGEPQIRXIHE039(SYZMWWIEWWMQEWIGS estilo pois, na verdade, não existem alternativas
bocado, e quando há alguns assomos daquele sentir-se-ia indisposto e a questionar o porquê de para escapar às tormentas e punições eternas aqui
heavy metal a sério de punho no ar, quando o estar a ler uma crítica a este disco nestas páginas. reservadas. Em conclusão e num impuro momento
bom do Ross lá saca um riff ou uma melodia E se dúvidas houvesse, o melhor é não escutarem de graça conspurcada, é de saudar a contínua
“daquelas” que nos voltam a remeter até a 30 os seguintes «Crazies», «We Can Fly» e «All This EƤVQEɭɩSMRXIVREGMSREPHI4SVXYKEPRSWXIVVIRSW
e tal anos atrás, lá vem a vozinha paper thin Time» (neste podem passar logo para os 3:45). mais obscuros do metal extremo. [8] P.P.
do Lopes a estragar tudo, já para não falar da %XɯESƤQHSHMWGSWEJEQWIYQm*EV%[E]&S]|
produção manifestamente infeliz. Dá-se as duas ou um «W.Y.T.A.T.» mas acreditem que têm que ter VARATHRON
SYXVɰWZSPXMRLEWHETVE\IIƤGEWIGSQTSYGE uma abertura musical enorme para conseguirem «Patriarchs Of Evil»
vontade de voltar a ouvir isto, ainda por cima SYZMVIWXIHMWGSHSTVMRGɳTMSESƤQ4SVHIWGEVKS [Agonia]
com tantos discos bons dos Manowar que es- de consciência, atribui-se aqui uma nota tendo em Apresentar os Varathron
tão mesmo aqui ao lado na prateleira. Desculpa conta apenas os atributos musicais e não o estilo ao grande público é redun-
lá Ross, a culpa não é tua. [4] J.C.S. da banda. [7] C.G. dante. Não é um chavão,
simplesmente é assim.
SPACE ELEVATOR SUMMON Uma banda que já existe desde 1988 está isen-
«II» «Parazv Il Zilittv» ta de uma formalidade como esta, ainda mais
[Steamhammer/SPV] [Iron Bonehead] fazendo parte do núcleo duro da vaga iniciática
Com o álbum de estreia a A música tem destas coisas, do black metal grego ao lado dos Rotting Christ,
datar de 2014, esta banda a beleza de nos arrastar, Necromantia, Thou Art Lord, Zemial e Agatus,
surgiu da mente do guitar- perfeitamente vendados, entre outros. Detentores de uma identidade muito
rista David Young (conheci- para as paisagens mais própria e muito provavelmente criadores da ac-
tual estética sonora helénica, ao sexto disco de
originais continuam a demonstrar o que sabem
fazer de melhor. Esta capacidade de misturar

VRASUBATLAT agressividade com melodia e, ao mesmo tempo,


evocar ambientes épicos, mas sempre com uma
aura oculta bastante vincada e muito distantes de
serem melosos representa a marca dos Varathron.

E
m 2015, um murmúrio surgiu no underground norte-americano: a )WXERSZETVSTSWXEEƤVQEWIGSQSQEMWYQTEW-
secção rítmica dos Ash Borer tinha criado uma editora para lançar WSTEVEEGSRƤVQEɭɩSHSWIYPIKEHSQYWMGEPIɯ
uma série de projectos mais extremos, a Vrasubatlat. Os quatro tão pertinente como os seus anteriores registos
lançamentos desse ano, dois de black metal (Uškumgallu), um de black porque transporta a essência da sua musicalidade
death (Serum Dreg), e um split de power electronics (Mróz) e black punk mística para as artes negras do presente. [8] P.P.
(Utzalu), deixavam claro que esta malta estava a transbordar criatividade
e que não seria surpreendente que a banda original se tornasse numa WAYFARER
mera curiosidade de menor relevância artística, como aliás veio a acon- «World’s Blood»
XIGIV8VɰW TVSPɳƤGSW ERSW HITSMW GLIKEQ ESW ZMRXI PERɭEQIRXSW GSQ [Profound Lore]
três discos fantásticos que têm em comum uma excelente produção, não Para além de partilharem
no sentido de ser limpa – que não o é – mas no sentido de conciliar a mesma cidade, Denver, e
uma sonoridade francamente suja com uma notável clareza na captação o mesmo estado, Colora-
de cada instrumento. O primeiro, «Lustful Vengeance», marca o regresso do, com os seminais Wo-
dos SERUM DREG, em silêncio desde a demo acima referida. São seis venhand, os Wayfarer partilham ou devemos
XIQEWHIWIPZɧXMGEKPSVMƤGEɭɩSESLIHSRMWQSVITPIXSWHIVMJJWZMGMERXIW HM^IVEWWMQMPEQ#ũXSHEYQEMRƥYɰRGMEIWTMVM-
que não são nem puramente black nem death metal, antes um misto que tual e sonora que ligam inevitavelmente esses
remete para os primórdios de ambos os géneros. «Lustful Vengeance» é dois nomes situados em ambientes sonoros
também motivo de destaque por ter a malha mais catchy do reportório extremados. «World’s Blood» tem o black metal
da editora, «Death Ritual», que é daquelas canções a que inevitavelmen- a correr-lhe nas veias, embora cada vez mais
te voltamos repetidamente depois do disco terminar. [8] Já os DAGGER dissimulado e injectado de uma aura fantasma-
LUST, chafurdam sem misericórdia nas decadentes consequências do górica e de um peso intimidante que tem nos
hedonismo desenfreado em «Siege Bondage Adverse To The Godhead». Neurosis ou nos Panopticon faróis a conside-
O álbum destaca-se pela inclusão de elementos de power electronics no VEV1EMWHSUYIEMQTVIWWMSRERXIƥYMHI^GSQ
caldeirão de death/grind e black metal que tinham desenvolvido nas duas que são ultrapassados os mais de dez minutos
demos anteriores. Tal inclusão conspurcou o som do trio, tendo ainda de três dos cinco temas que compõem este
permitido um reduzir de adesão a estruturas rítmicas nas composições. terceiro disco de originais, impressiona verda-
Por sua vez, isso permite à música transmitir uma sensação de deprava- deiramente a alma que é deixada nas melodias,
ção descontrolada que há muito pretendiam. [8.5] Finalmente, há «Into nas ambiências criadas, na profundidade das
Vermilion Mirrors» de ADZALAAN, o projecto a solo do principal compo- vozes e no peso demolidor, quer nos momentos
sitor da editora, R.. O ano passado, a banda estreara-se com uma demo nos quais as guitarras e a bateria estremecem
homónima de black metal sinuoso. Desta feita, o R. incluiu uma boa dose de death metal e o resultado é o chão, quer nos momentos em que estas
um dos melhores discos do colectivo, perto do nível de «Rotten Limbs In Dreams Of Blood». Nele, há como estão em silêncio. «World’s Blood» transmite
que um canalizar dos diversos estados de espírito explorados ao longo destes anos para um processo de solenidade, inspiração e uma profunda devoção
VIƥI\ɩSIUYIRɩSEFHMGERHSHERIKVMXYHIUYIIWTIVEQSWHIWXEQEPXEEWWYQIEWWMQYQGEVɧGXIVXVMYRJEP pelos espíritos que evoca. Quando assim é, a
(e.g. «Vermilion In Absentia») pouco habitual até aqui. [9] Que venham mais vinte. [L.P.] magia acontece. [8.5] R.A.

58 LOUD!
EMANUEL FERREIRA STEBBA ÓSK

NECROPHAGIA
«Season Of The Dead»
[New Renaissance Records, 1987]

Vê-se a capa e espera-se algo brutal, mas durante dois minutos escu- VEV-WGEVMELI\-QQSVXEPI1MVEM/E[EWLMQEQIRXSVHSWNETSRIWIW
XEWIYQEKYMXEVVEEGɽWXMGEHIHMPLEHEPIRXEQIRXI3XIQEm7IEWSR3J 7MKLSUYIENYHEETIVGIFIVSMQTEGXSUYI2IGVSTLEKMEXIZIRS
The Dead» termina os seus três minutos com um misto de invocação YRHIVKVSYRHQYRHMEP7IVMEIWXEJSVQEɭɩSVIJIVMHEGSQSEFredia-
IWSRWQMWXIVMSWSWUYIRSWVIQIXIQTEVEYQMQEKMRɧVMSHIƤPQIHI blo EraUYIZMVMEE4SVXYKEPEHI1EMSHIRYQGEVXE^UYI
XIVVSV)VKYIWIm*SVFMHHIR4PIEWYVI|ITIVGIFIWIUYISWQɽWMGSW MRXIKVSYEMRHE)\QSVXIQ2IGVSWIISWMRIZMXɧZIMW,SPSGEYWXS'ERM-
HSW2IGVSTLEKMEIVEQWɯVMSWJɩWHIm,IPP%[EMXW|HSW7PE]IVQYMXEW bal. Zé Pedro, baixista destes últimos, recordou-nos recentemente a
ZI^IWHIGEPGEHSREGSRWXVYɭɩSHIXIQEWETEVHSWXVEFEPLSWHSW relação com os Necrophagia: “Éramos correspondentes, e foi bas-
'IPXMG*VSWXm7IEWSR3J8LI(IEH|ɯSHMWGSHIIWXVIMEHIWXEFERHE XERXIKVEXMƼGERXIWIRXMVUYISIRXYWMEWQSRIWXEGSRZIVKʤRGMEIQ
HI;IPPWZMPPI3LMSGSQWIMWQEUYIXEWIRXVIIWIQTVIRS TEPGSJSMREZIVHEHIVIGʧTVSGSIXEQFʣQFEWXERXIIZMHIRXITSV
GEQTSQEMWI\XVIQSHSXLVEWLQIXEPLSNIJEGMPQIRXIGPEWWMƤGEHE TEVXIHS/MPPNS]UYIIRHIVIʡSYEPKYQEWHIHMGEXʬVMEWHYVERXISset.
como um dos primeiros nomes do death metal. Na realidade é mais Falámos do decorrer da tourEXʣʚHEXEQEWEWYEMRGSRXSVRʛZIP
a temática das letras e o visual da capa que ajudam a essa inscrição, QYWE.IRRE.EQIWSRQSRSTSPM^SYSWXʬTMGSWHIGSRZIVWEWI-
embora «Reincarnation» ou «Terminal Vision» facilmente se possam KYMRXIWXIRHSTEVXMPLEHSEPKYRWEWTIGXSWHIIPIZEHSVSQERXMWQS
descrever como death, um termo quase desconhecido à época. HEVIPEʡʝSUYIIRXʝSHIGSVVME1YMXSWHIWGSRLIGIQXSHSSGEVM^
TMSRIMVSUYISW2IGVSTLEKMEXMZIVEQTIPEMQEKʣXMGEgore, pela
Inscritos na New Renaissance Records, os Necrophagia acabaram a MRGSVTSVEʡʝSHIsamplesHIƼPQIWHIXIVVSVIQIWQSTIPEWSRSVM-
JE^IVYQXVEFEPLSQEMWthrashy que o revelado nas maquetas, mais HEHIIQWMXIRHSWMHSTIVGYVWSVIWHISYXVSWRSQIW”
TVɸ\MQEWHSUYIHITSMWWIHIƤRMVMEGSQSHIEXLQIXEP2SIRXERXS
tal como nas maquetas, há toda uma referência ao gore e a zombies 0SRKIHIWIVYQHMWGSHEXEHSESPSRKSHSWWIYWQMRYXSWHI
UYIIVEUYEWIMRɯHMXEIETIREWIRGSRXVEZETEVEPIPSIQ7PE]IV'SQ HYVEɭɩSm7IEWSR3J8LI(IEH|GSRWIKYIVIZIPEVWIHMZIVWMƤGEHSI
a vaga inicial de death metal, rapidamente surgiria «Ready For Dea- terminar em grande com «Painful Discharge», tema complexo, com
XL|IQKVEZEHSERXIWHIWXIm7IEWSRŷ|QEWTVIXIVMHSTSVWIV HMZIVWEWVIJIVɰRGMEWQYWMGEMWITEWWɳZIPHIZɧVMEWGPEWWMƤGEɭɺIW
demasiado extremo à época. Quer pela temática das letras, quer pela 6IKYPEVQIRXIVIIHMXEHSTSWWYMTIPSQIRSWSR^IIHMɭɺIWIQZɧVMSW
trilha sonora, os Necrophagia sempre estiveram à frente do seu tempo, formatos, incluindo um duplo-CD de 2007. Dos seis títulos que se se-
a par de uns Holy Terror, por exemplo. Porém, em 1987 o grupo viria a KYMVMEQSɽPXMQSHIɯm7IEWSRŷ|IWXIɯSXɳXYPSUYITIVQERI-
terminar, curiosamente quando outros nomes como Possessed, Death ce como um clássico, não só pelo seu conteúdo, mas também pelo
ou Obituary ajudavam a consolidar o estilo em que estes tinham sido que ele representa, incluindo a sua célebre lista de agradecimentos,
TIVGYVWSVIW8EPZI^TSVMWWSSWXIQEWTSVIPIWKVEZEHSWXSVREVEQWI IQUYIYRWHIWGSRLIGMHSWɦɯTSGEWɩSVIJIVMHSW)YVSR]QSYWI
muito populares no underground, tornando a banda mítica. Necrobutcher, ou Necrocutcher como erradamente aparece.

)Q4LMP%RWIPQSIWXEFIPIGIVME Além do referido vocalista, a for-


EQM^EHIGSQ/MPPNS]IHIWIRZSPZIVMEQ QEɭɩSUYIKVEZSYm7IEWSRŷ|IVE
uma parceria que passou não só por constituída por Bill James, baixista,
uma segunda vida dos Necrophagia, .SI&PE^IVFEXIVME0EVV]1EHMWSR
mas também pela edição de vários KYMXEVVMWXE/MPPNS]JSMSɽRMGSIPIQIR-
títulos e fundação de uma editora, to que seguiu carreira e participaria
a Housecore/Baphomet Records. nas restantes formações, além de
Anselmo tocaria mesmo guitarra, em integrar outros projectos, alguns com
estúdio, com o pseudónimo Anton Anselmo, ou músicos próximos do
'VS[PI])QETEVGIVMEEGEFEZE WIYGɳVGYPS/MPPNS]HIWIYRSQI*VERO
HMWWSPZMHEQEW/MPPNS]ETVSZIMXSYS Pucci, viria a falecer a 18 de Março
empurrão para se manter activo, com deste ano, aos 51 anos de idade. Fica
YQEJSVQEɭɩSIQUYIZMVMEQEƤKY- a nossa homenagem.

LOUD! 59
METALHEAD
theDEADstore
Quem já entrou num festival
ou concerto do underground,
de certeza que já deu com
a sua cara, normalmente
numa banca de venda de
merchandise da Metalhead.
Jó é já um “velho” persona-
gem da cena underground,
umas vezes no palco com
os seus Theriomorphic, ou-
tras fora dele. Agora, com
a abertura da theDEADstore,
há mais um motivo para
ser ele o convidado deste
mês na LOUD!.
EMANUEL FERREIRA

ntegras aquele grupo de fãs que rodeou tura era um género que começava a aparecer das, Incarnated, Filii Nigrantium Infernalium,

I o Quorthon quando ele veio cá, registado


num célebre vídeo que está no YouTube…
7MQ IQ  IWXMZI REW HYEW WIWWɺIW UYI
nos topsGSQ&SR.SZM)YVSTIŷ(ITSMWYQ
amigo mostrou-me uma cassete dos Iron Mai-
den e, no dia seguinte, estava a pedir para me
(IGE]IH 7EGVIH 7MR 3 6YM (MEW HSW 2IGVS-
philiac, dava-me umas aulas em casa dele.

IPIJI^YQEIQ%PQEHESYXVEIQ0MWFSE*SM KVEZEVIQXYHSUYIXMZIWWIQHIPIW)Q Theriomorphic é a tua referência, enquanto


também o dia em que conheci o Fernando já conhecia malta que tinha bandas e em músico – quando começou a experiência?
dos Moonspell, acho que ainda na fase Mor- sequência da sessão de autógrafos do Quor- )QHIMSɽPXMQSGSRGIVXSGSQ2IGVSXI-
bid God. Ia um grupo com eles, seguimos para thon, comprei uma guitarra, que não sabia VMYQTSVUYIWIRXMEUYIIWXEZEEUYIVIVJE^IV
Almada e depois para a seguinte em Alvala- XSGEV9QEQMKSGSRZMHSYQITEVEJE^IVYQE algo em que não era acompanhado. Já tinha
de. Dessa sessão saíram vários músicos que banda, só para dar uns toques, e começou por letras e músicas que usei em Theriomorphic,
viriam a ter protagonismo no meio nacional. aí. Aquilo era no quarto de um, o outro tocava TSVUYI Nɧ WEFME S UYI UYIVME JE^IV TSV MWWS
baixo, e como ele não aparecia, passei para a acabou por ser uma continuação para mim.
Quando começas na música, e como músico? ZS^ (IQSW QIMEHɽ^ME HI GSRGIVXSW RYQE Desenhei o logótipo da banda, fui compondo
'SQIGIMESYZMVLIEZ]QIXEPIQREEP- altura em que estavam a aparecer várias ban- e procurando pessoas que depois também

“Em 1986, um amigo


mostrou-me uma
cassete dos Iron
Maiden e, no dia
seguinte, estava
a pedir para me
gravarem tudo que
tivessem deles.”
60 LOUD!
QIENYHEVEQ7ɸIQXMZIQSWEJSVQE- criança, gostam de ver as peças e perceber Outra vertente do passado, que estás a reto-
ção completa e local de ensaio, e começá- WIWIVZIQIGSQSVIWYPXEQ7IGEPLEVESW mar, passa pelas excursões.
mos a dar os primeiros concertos. A partir TSYGSWMVIQSWJE^IVGSMWEWUYINɧEGSRXI- As excursões começaram em 2003 com a
daí tudo se começou a encaminhar. ciam nas lojas anteriores. 9RHIV)ŭ:IRXSWIETVMQIMVEZMEKIQES;E-
cken. O Joaquim Pedro estava a reactivar a
Um processo que foi sempre longo, lembro- A roupa para criança, em que por cá foram 9RHIV[SVPH ũ )RXYPLS -RJSVQEXMZS RE WYE
-me de uma altura em que o álbum estava percursores, funciona? encarnação como revista a cores, e a excur-
gravado e demorou a sair. 7MQ 2ɩS HMKS UYI XIRLEQSW WMHS TIVGYV- são em que eu habitualmente viajava já não
Um bocadinho, a maqueta foi gravada em sores; mas através das excursões ao es- WI VIEPM^EVME IRXɩS IPI HIWEƤSYQI TEVE E
1999/2000, depois com trabalho e condi- trangeiro e locais como o Hellfest, fomos JE^IVQSW RɸW TEVE ENYHEV E ƤRERGMEV S EV-
ɭɺIWƤRERGIMVEWIQKVEZɧQSWXIQEW percebendo que isso existia. No Hellfest há VERUYI HE VIZMWXE *M^IQSW WIXI ZMEKIRW ES
para o álbum, mas com o orçamento não YQEQEVGEE1IXEP/MHWHEUYEPXɳRLEQSW Wacken e a alguns concertos e festivais fora
GSRWIKYMQSWJE^IVPSKSEIHMɭɩS)WXMZIIR- GSQTVEHSGSMWEWTEVESRSWWSƤPLS5YERHS I HIRXVS HS TEɳW EPɯQ HS 7;6 EXɯ 
volvido numa editora para lançar isso, mas XMZI E TVMQIMVE PSNE IQ  Nɧ LEZME Nessa altura, o JP estava a viver em Aveiro e
TIKɧQSWRSHMRLIMVSTEVEJE^IVYQJIWXMZEP quem perguntasse por artigos para criança, decidimos que seria o nosso último Wacken.
UYIRɩSGSVVIYQYMXSFIQIƤGɧQSWWIQHM- pois quem procurava algo mais temático ti- Com a distância, já não funcionávamos tão
nheiro para a gravação e editora. Depois, ao RLEHMƤGYPHEHIWIQEVVERNEV5YERHSEVVER- bem como equipa. Nasceu então a Meta-
ouvir as gravações, mudámos de ideia quan- cámos, tivemos de pôr os artigos para adulto PLIEH )ZIRXW UYI WI estreou na última edi-
to à qualidade e, com outro guitarrista, ga- um bocado de parte, para investir nos artigos ɭɩSHS'ESW)QIVKIRXI3VKERM^IMEMRHESMXS
nhámos outra qualidade e regravámos tudo, de criança. Começámos com uns cinco de- viagens ao Hellfest, até 2017, tendo como o
com arranjos e solos superiores. Isto já em senhos e quando aumentámos a variedade, QSQIRXSQEMWEPXSEIHMɭɩSHIIQUYI
GSQSɧPFYQEWEMVETIREWIQ percebemos que tinha bastante saída, diria levámos três autocarros, com 150 pessoas a
mesmo que, nos festivais, metade das ven- bordo. Para este ano, estamos a tentar levar
Pelo meio começas a aparecer nos festi- das são artigos para criança, até porque YQ KVYTS ES 6SGO *IWX IQ &EVGIPSREɄ %
vais, não como visita, mas com uma banca há mais bancas com artigos de adulto. Foi MetalLIEH )ZIRXW EGEFSY TSV WIV XEQFɯQ
de merchandise. Como surge isso? também uma questão de oportunidade, se E ŰEKɰRGMEű WSF E UYEP SVKERM^S GSRGIVXSW
Foi um bocado por acaso, quando saiu o pri- tivéssemos começado antes, se calhar não IWTSVɧHMGSWIUYIJE^EHMZYPKEɭɩSHEWRSW-
meiro disco, trabalhava em design e paginação teríamos tido tanto sucesso. sas actividades, da loja, dos Theriomorphic e
de revistas. A empresa foi comprada por outra também de outros eventos.
e o meu lugar estava ocupado, acabando por
WEMVIQ7YVKMYETSWWMFMPMHEHIHIEFVMV
E7LST&M^EVVIYQETIUYIREPSNEIQ0MWFSE
REVYEHI7&IRXSIJSMTSVEɳUYIGSQIɭSY
EJE^IVEWTVMQIMVEWt-shirts da Metalwear, ao
princípio Metalhead – metal wear. Como esta
QEVGE IWXEZE MRHMWTSRɳZIP TEVE VIKMWXS ƤGSY
depois Metalwear, embora continuemos a fa-
^IVQSHIPSWGSQETEPEZVE1IXEPLIEHMRWTM-
VEHSWRSWTVMQIMVSWUYIƤ^IQSW3MRɳGMSJSM
com uma edição de Theriomorphic e em 2007
YQEIHMɭɩSIWTIGMEPTEVES7;6%TEVXMVHEɳ
foi a questão não só de ter a loja aberta, mas
XEQFɯQ JE^IV JIWXMZEMW TSMW Wɸ XIV E TSVXE
EFIVXERɩSIVEWYƤGMIRXI*SMIWWERIGIWWMHE-
de de chegar mais aos clientes que ainda hoje
RSW PIZE ESW JIWXMZEMW )WWE PSNE IVE E QIMEW
com outra pessoa, em que cada um investia
na sua área, depois passei para a Cave com a
sala de ensaios e com o Nocturnus Horrendus
HSW 'SVTYW 'LVMWXMM )VEQ WIQTVI IWTEɭSW
partilhados com outras pessoas e empresas.
Com a crise, tivemos de fechar a loja e só os
festivais sustentaram a coisa.

Mas hoje abriste uma nova loja, a the-


DEADstore?
7MQRIQGSQIɭSYTSVWIVYQEPSNEJSMEXɯ
uma coisa repentina. A Ana, minha esposa,
estava sem trabalhar e criámos a marca
Little Headbanger, com peças para criança,
RE EPXYVE YQE I\XIRWɩS HS UYI JE^ME GSQ
E 1IXEP[EVI (ITSMW GSQIɭɧQSW E JE^IV
desenhos mais abrangentes no campo do
rock e chegámos a uma altura em que fa-
^ME WIRXMHS GVMEV YQE QEVGE MRHITIRHIRXI
A loja surge mais como necessidade de ter
um espaço para trabalhar e onde guardar
material. Acaba por ser mais fácil ter as coi-
sas expostas, para procurar e encontrar. A
MHIMERYRGEJSMJE^IVYQEPSNEQEWEGEFSY
EZMVTSVEVVEWXS5YIPY^SRHIZMZSRɩSɯS
local ideal para ter uma loja comercialmen-
te viável, embora algumas pessoas pos-
sam passar aqui para não pagarem portes
de correio. Apesar de termos a loja online,
as pessoas, principalmente nas peças de

LOUD! 61
LIVE&LOUD!

MOITA VADER

METAL FEST
18.04.06-07 – Largo do Pavilhão Municipal BIZARRA
LOCOMOTIVA
de Exposições, Moita FOTOS: SÓNIA FERREIRA

DIA 1
Quinze anos de Moita Metal Fest, com um crescimento conquistado com muito esforço e dedica-
ção. Não basta apenas pedir que se apoie a cena nacional, é preciso apresentar razões de valor
EGVIWGIRXEHSUYINYWXMƤUYIQSGVIWGMQIRXS)WXIERSRɩSJSMI\GITɭɩS2STVMQIMVSHMEETIWEV
de tocarem menos bandas e das actuações começarem mais tarde, o público compareceu em
peso. A noite teve um bom início com os Dark Oath e com o seu death metal melódico que convi-
da mais à contemplação do que propriamente ao movimento entre o público. Todavia a reacção
foi positiva. Aliás, esse é um dos pontos que devemos já deixar bem claro. Não houve uma banda
que tivesse, em ambos os dias, uma má reacção. Nem sequer uma reacção mais morna. É o
espírito do Moita. Um espírito onde podemos ter os Sacred Sin a tocar antes dos Viralata. Se os
primeiros mostraram estar uma temível máquina de debitar death metal clássico cada vez mais
EƤREHESWWIKYRHSWQSWXVEQUYIWɩSQIWXVIWIQWEFIVPMHEVGSQSTɽFPMGSIIQTY\EVTSVIPI SUICIDAL ANGELS
Uma autêntica festa. Nem com a entrada dos defensores da fé negra, Filii Nigrantium Inferna-
lium, o ambiente mudou. Apesar do azar de ter partido uma corda, Belathauzer e companheiros
espalharam a fé e até houve um momento solene em que o vocalista atirou o corpo de Cristo
(pão) para o público. As primeiras bandas internacionais seriam também as últimas da noite.
Suicidal Angels, a banda grega de thrash metal, foi uma autêntica máquina debulhadora provo-
cadora de circle pits e stage dives, embora nesse aspecto tenham levado uma abada por parte
dos The ExploitedGSQYQ;EXXMI&YGLEREGXMZSSWYƤGMIRXITEVERSWJE^IVIWUYIGIVSEXEUYI
cardíaco que sofreu há três anos atrás em Portugal. Foi um festival de clássicos punk/hardcore, e
YQGSVVSTMSHIJɩWEIRXVEVIEWEMVHSTEPGSEXɯUYIRSƤREPHSGSRGIVXSIWXEZEQQEMWTIWWSEW
em cima do palco do que aquelas a apreciar o concerto. Épico, Moita style.

DIA 2
Seria difícil superar o dia anterior, mas havia ainda muita boa música reservada para a autêntica
maratona do segundo dia, começando com o heavy/thrash metal dos Toxikull que teve um
bom número de espectadores. A sua música certamente merece isso. Algo bastante diferente
foram os Wells Valley com o seu som angular e dissonante, que mesmo assim não deixaram
de dar uma boa actuação e de recolher boas reacções. Os Low Torque mostraram também
estar em forma com o seu stoner metal musculado, enquanto os Dead Meat deram a sova de
death metal que esperávamos. Os Equaleft intercalaram temas do seu álbum de 2014 com
temas novos do álbum que deverá sair ainda este ano e os Terror Empire deram mais uma lição
de thrash metal. Os Malevolence foram a primeira banda estrangeira do segundo dia,e embora
tenham sido competentes e provocado animação, não nos convenceram por completo. Para os
For The Glory seria uma actuação especial, já que foi o seu último concerto. As emoções es-
XEZEQɦƥSVHETIPIIMWWSWɸJI^GSQUYIQɽWMGEWGSQSm0MWFSR&PYIW|WSEWWIQEMRHEQEMW
fortes. Por falar em forte, Switchtense. Com uma actuação cheia de estaleca e poder, a banda
“da casa” teve um grande impacto no público. As mudanças estilísticas eram uma constante
e os Iberia seriam tão bem recebidos como os Benighted, embora tenhamos que admitir que
os segundos provocaram mais animação em frente ao palco. O death/grind da banda francesa
MQTVIWWMSRSYTIPEIƤGɧGMEITIPETIVJIMɭɩS)TIVJIMɭɩSɯSUYITSHIQSWEXVMFYMVESGSRGIVXS
dos Bizarra Locomotiva que tiveram honras de cabeça de cartaz. Apesar de Rui Sidónio não ter
ƤGEHSWEXMWJIMXSGSQSWSQHITEPGSRɩSXMZIQSWVE^ɩSHIUYIM\E)GSQSRERSMXIERXIVMSVS
palco foi envolvido por uma multidão enquanto se cantava «O Anjo Exilado» e «O Escaravelho».
Um atraso descomunal para o início do concerto dos VaderJSMNYWXMƤGEHSTIPSI\GIPIRXIWSQ THE EXPLOITED
UYIXMZIVEQESVIZMWMXEVSGPɧWWMGSm8LI9PXMQEXI-RGERXEXMSR|IGSQQEMWEPKYRWI\XVEW9QƤ-
nal adequado para uma excelente edição, talvez a melhor de sempre, do Moita Metal Fest. [F.F.]

62 LOUD!
FIELDS OF
THE NEPHILIM
+ BAL ONIRIQUE
18.03.31 – Hard Club, Porto

A
um sábado véspera de Páscoa, vários milhares, num Coli-
seu praticamente esgotado, recebiam Machine Head, mas
umas centenas de metros mais abaixo, já quase no rio de
ouro, celebrava-se uma cerimónia mais singela, despida de cha-
vões, adrenalina e testosterona, mas em que a música falava por
si, perante um público, porventura mais envelhecido, muito dele
deslocado centenas de quilómetros, mas que não se importou de
ir até ao Mercado Ferreira Borges, reverenciar os quatro vultos que
em pouco mais de uma hora, recriaram a história do gothic rock,
soando tão actuais como há décadas atrás. Os portuenses Bal
Onirique estiveram na abertura e deram mais em palco do que re-
ceberam do público, num concerto que começou cedo. O arranque
dos Fields Of The Nephilim deu-se com «Dawnrazor», mostrando
como o quinteto liderado por Carl McCoy sabe bem do revivalismo
daqueles que os procuram, «Elizium» foi visitado através de «For
Her Light», e ao terceiro tema, chegava-se ao clássico «Nephilim»,
através de «Love Under Will», antecedendo «Moonchild», primeiro
grande momento da noite, com o seu ritmo a mover todos os cor-
pos. A luz ia providenciando todo o movimento de palco, enquan-
to os vultos dos músicos, quase estáticos, iam criando tapetes
sonoros, onde as melodias originais eram servidas com alguma
electrónica que as tornava actuais, como se «Zoon» abençoasse
a cerimónia. «Mourning Sun» encerrou os primeiros 60 minutos e
seguiram-se dois temas para encore, «Vet For The Insane» e «Last
Exit For The Lost», encerrando a segunda de duas datas desta
Black Easter Tour, que também comtemplou a cidade de Madrid.
7SYFIETSYGSQEWJSMFSQQYMXSFSQ [E.F.]
FOTO: EMANUEL FERREIRA

O
s Avelion foram responsáveis pelos primeiros acordes da noite,
com o seu metal progressivo a mostrar alguma originalidade.
Infelizmente a qualidade técnica do guitarrista Leonardo Freg-
gi não teve na voz de William Verderi o melhor contraponto, motivado
TIPEHMƤGYPHEHIUYIEFERHEXMRLEIQWISYZMVIQTEPGS(ITSMWHSW
italianos surgiram os mais experientes Halcyon Way, com um power
metal americano muito permeável a outros estilos como o progres-
sivo e até mesmo ao uso de guturais. Ouvimos temas dos seus três
álbuns bem como «10000 Ways» que fará parte do próximo lança-
mento. A experiência pessoal em ver Geoff Tate ao vivo nunca foi
das melhores e as expectativas para ouvi-lo a interpretar na íntegra o
icónico «Operation: Mindcrime» eram realmente baixas. Mas música
após música tornou-se evidente que a voz de Tate está melhor do
que nunca, com uma perfeição e limpidez inatacáveis. «Revolution
'EPPMRK|SYm7YMXI7MWXIV1EV]| GSQEƤPLE)QMP]EEGSQTERLEVS
vocalista) deixaram todos de queixo caído. E ouvir «The Needle Lies»
ou «I Don’t Believe In Love» tornaram-se momentos que só foram
suplantados pelo fenomenal «Eyes Of A Stranger». Os Angra traziam

ANGRA
na bagagem o novo «Ømni» e «Travelers Of Time» foi a primeira
amostra. Com o simpático Fabio Lione a comunicar quase sempre
em português foi evidente que, apesar de ser um tremendo vocalis-
ta, quando tentou cantar «Nothing To Say» lhe faltaram os agudos

+ GEOFF TATE’S do André Matos. Tirando este pormenor (que se repetiria em «Carry
On»), a actuação dos Angra conseguiu cativar os presentes com no-
vas malhas como «War Horns» e «Insania», ou com a inevitável «Lis-
OPERATION: MINDCRIME bon» (cuja letra foi mudada para “here in Porto”). Para o encore ƤGSY
reservado o momento do discurso e actuação de Rafael Bittencourt
+ HALCYON WAY + AVELION com «Lullaby For Lucifer», bem como «Rebirth» e a dupla «Carry On»
Im2SZE)VE|1YMXSWHSWUYITVIJIVMVEQƤGEVIQGEWEXɰQFSRWQS-
18.03.29 – Hard Club, Porto tivos para se arrependerem da decisão. [C.G.]

FOTO: DARYA LYUTA LOUD! 63


C
FOTO: ESTEFÂNIA SILVA

hega-se a uma certa (antigu)idade, e já tre- fácil. Não há uma batidazinha de referência para ir
memos quando vemos um cartaz com 500 abanando a cabeça para quem não conhece. Terem
bandas (ou duas, é praticamente a mesma conseguido agarrar o público pelo pescoço mesmo
coisa em efeitos práticos) a tocar antes daquelas assim diz tudo sobre o impacto que têm neste mo-
que efectivamente lá estamos para ver, em claro re- mento. “We’re very glad to be here, this club is real-
gime de buy-on com controlo de qualidade nulo. E ly cool. Oh, and this song is about rejecting christ,”
depois aparecem uns suíços (com um brasileiro no dispara o vocalista Dylan Walker em deadpan total
baixo, perfeito para a comunicação com o público ERXIWHIQEMWYQQEPLɩSI\IQTPMƤGERHSTIVJIMXE-
nacional) chamados Omophagia a contrariar todo mente a atitude despreocupada mas de intensidade
o nosso cinismo, e essas são as alturas boas. Fa- máxima dos Full Of Hell. Para superar isto, só mes-
tiotas cagadas de sangue, death metal brutal mas QS YQE QɧUYMRE HI KYIVVE EƤREHE RE TIVJIMɭɩS
nunca aborrecido, foram mais do que competentes e calha bem que os Immolation são mesmo isso.
e mereciam uma casa melhor a assistir, apesar da Pessoalmente, iria a um concerto da banda de Nova
hora agradavelmente pontual a que tocaram. Os Iorque e adorava na mesma se só aparecesse o Ro-

IMMOLATION Monument Of Misanthropy foram um longo bocejo,


IYQEHEUYIPEWUYIGSRƤVQEQSGMRMWQSHEMHEHI
por isso passemos à frente para quem verdadeira-
mente interessa – os Full Of Hell, que parecem cres-
bert Vigna em palco, tocando guitarra como quem
tenta manejar a cana de pesca ao apanhar um qual-
quer peixe demoníaco de oito toneladas. É de longe
um dos melhores guitarristas da história do metal
+ FULL OF HELL cer a cada vez que nos visitam. É normal, se calhar extremo e não cansa vê-lo tocar. Felizmente, não
até cresceram mesmo literalmente, já que são quase só o resto da banda acompanha-o em talento e em
+ MONUMENT OF MISAN- todos de idade irritantemente tenra ainda, mas neste dedicação, mas também o seu catálogo. Podia-se
momento atingem uma dimensão em palco impres- atirar dois ou três títulos como pontos altos, mas é
THROPY + OMOPHAGIA sionante. Alternando as descargas de raiva descon-
trolada, expelidas através de fragmentos de death e
irrelevante. Desde «The Distorting Light» até «Immo-
lation», que é como quem diz da primeira à última,
18.03.24 – RCA Club, Lisboa grind oblíquos, com os já esperados momentos de foi tudo gigantesco, do melhor que o death metal
ruído abrasivo, não são uma banda propriamente tem para oferecer. Podem voltar já amanhã. [J.C.S.]

BELL WITCH
+ LÖBO
18.03.23 – Centro Cultural, Cartaxo

A
impossibilidade de permanecermos para sempre imó-
veis, dormentes perante o luto, impele-nos para os inexo-
VɧZIMWVMXQSWHEREXYVI^E3MQTMIHSWSƥSVIWGIVHE4VM-
mavera surge, então, como uma dolorosa imposição a que nin-
guém poderá escapar, nem mesmo os estilhaços da memória

AUGUST BURNS
que de alguma forma nos parecem confortar no lento torpor.
A beleza da profunda elegia que os Bell Witch nos entregaram
em palco brota da violência das mesmas cinzas, no mesmo
movimento implacável e belo, da escuridão para a luz. Um

RED + THE VOYNICH CODE


parto das ruínas. Espectros negros cerimoniais preenchem
a sala, a cada dedilhar de Dylan Desmond, por entre pesa-
HSWWMPɰRGMSWUYIRSWTSWWMFMPMXEQEYWGYPXEVYQEMRƤRHɧZIP
desolação que jaz inaudita. Nas imagens projectadas persis-
+ BORDERLANDS tem olhos cortantes que nos parecem olhar directamente no
meio da escuridão, convocando-nos para um abismal mergu-
18.04.04 – RCA Club, Lisboa FOTO: MARTA LOURO lho de alma. Uma vela negra indicia a derradeira homenagem
a Adrian Guerra, opaca em «Mirror Reaper». Solenes coros li-
XɽVKMGSWEƥSVEQWIWYPGSWMQTIXYSWSWHI.IWWI7LVIMFQER

A
té parece mentira pensar que já foi há dez anos que os August Burns Red se estrea- MRXIRWMƤGEQWIMRHY^MRHSYQEETEVIRXITYVMƤGEɭɩS&IVVSW
ram com duas datas em Portugal e que precisariam de editar mais cinco discos de dilacerantes perscrutam as trevas, reclamando uma absolvi-
originais até voltarem a pisar palcos nacionais. A noite antecipava-se numa mistura ção. A beleza que testemunhamos brota justamente da au-
IRXVIEZSRXEHIHIQEXEVWEYHEHIWIEHIPLIWQSWXVEVEVKYQIRXSWWYƤGMIRXIWTEVEUYI sência, da falta. Este avassalador ecoar parece ferir-nos com
tamanha teimosia em regressar não se repita. Na abertura estiveram duas bandas lisboe- a iminente ideia de renovação da vida. Surgem imagens de
tas de metalcore progressivo: os Borderlands, focados na apresentação do seu «Voice edifícios destruídos, mineiros cobertos de sujidade e imersos
Of The Voiceless», exibiram um admirável equilíbrio das cadências mais pesadas com na luta pela sobrevivência, locomotivas que colidem no fervor
apontamentos mais melódicos, e os The Voynich Code, com «Aqua Vitae» ainda fresco, industrial, casas em chamas, sonhos desfeitos que agravam
fustigaram a plateia com o seu deathcore repleto de pormenores técnicos, chamando EGEHɰRGMESEFWYVHSHEGMZMPM^EɭɩSEWSPMHɩSRSƤQ2YQ
Jake Luhrs para a sua participação em «Delusion». Chegado o momento para o metalcore arrastado lamento dolente, os Bell Witch ofereceram-nos
singular dos norte-americanos, foi principalmente no mais recente «Panthom Anthem» uma devoção de coração aberto, uma passagem pela fen-
que recaiu a atenção, com tiro de partida para os ritmos gingões de «King Of Sorrow», da de destroços, deixando-nos suspensos, atentos ao nosso
passando pela expansão melódica de «The Frost», o frenesim matemático de «Invisible próprio pulsar. Antes, os LÖBO apresentaram pujantes riffs
Enemy», a emoção post hardcore de «Float» e, já em encore, a esmagadora «Dangerous», de ímpeto galopante e atmosferas vertiginosas que escala-
confessada favorita do já referido líder da banda. Mesmo assim ainda houve margem para ram com elegância montanhas boreais longínquas. Somos
revisitar todos os álbuns anteriores até «Messengers» e até uma reentrada em palco com acalentados por uma intensa submersão num sonho laten-
um assombroso solo de bateria por parte de Matt Greiner. Que eram excelentes músicos te, mas em vigília, pois cada passo que seguimos parece
NɧRɩSLEZMEQHɽZMHEWQEWEIJIVZIWGIRXIVIEGɭɩSHSTɽFPMGSGSRƤVQSYS[P.C.S.] carregar o peso do mundo. [Pedro Coragem]

64 LOUD!
MACHINE HEAD
18.03.30 – Coliseu dos Recreios, Lisboa

A
VIEGɭɩSESm'EXLEVWMW|JSMXYHSQIRSWGSRWIRWYEPQEWXEPJEGXSRɩSWIVIƥIGXMYRE
adesão de público ao Coliseu dos Recreios, que não estando a rebentar pelas costuras
como acontecera nas últimas visitas da banda norte-americana, não deve ter andado
muito longe de esgotar. Com um cenário a lembrar o que se vê no vídeo-clip do tema que dá
nome ao mais recente álbum, Robb Flynn e companhia escolheram a excelente «Imperium»
para abrir hostilidades, seguida de «Volatile», o primeiro de seis temas que tocaram do disco
que vieram a Lisboa promover. Nesse primeiro teste à capacidade do «Catharsis» para se
aguentar entre clássicos da banda, «Volatile» defraudou expectativas. Não que o público pa-
recesse queixar-se, mas logo a seguir, a reacção a «Now We Die», primeiro momento de can-
XSVMEKIRIVEPM^EHEJSMFIQQEMWIJYWMZE4SVIWXEEPXYVESWSQNɧWIXMRLEIUYMPMFVEHSIƤGEVE
claro que os Machine Head continuam a ser uma máquina muito bem oleada, estejam a tocar
malhões como «Beautiful Morning» ou a apelar ao adolescente que persiste em cada um dos
seus fãs (mesmo os mais velhos), com «The Blood, The Sweat, The Tears» e «Kaleidoscope»,
dois temas com o seu quê de nu-metal, e nem por isso menos poderosos. Resultado: plateia
toda aos saltos. As épicas «Clenching The Fists Of Dissent» e «Darkness Within» trouxeram
mais profundidade e emoção ao concerto, com todo o público a entoar a plenos pulmões o
refrão desta última. Por falar em refrão, o de «Catharsis» também foi cantado como se já fos-
se clássico, antes de um dos momentos mais pesados da noite, a sempre devastadora «Ten
Ton Hammer». Os Machine Head já pareciam embalados para uma actuação irrepreensível
EXɯHIGMHMVIQXSGEVm-W8LIVI%R]FSH]3YX8LIVI#|UYIGSRƤVQEESZMZSWIVYQEHEWTMSVIW
canções que alguma vez compuseram, ganhando, a par de «Behind The Mask», o destaque
como pior momento da noite. Um curto solo de bateria de Dave McClain antecedeu a sequên-
cia «Bulldozer», «Killers & Kings» – com direito ao maior circle pit da noite – e «Davidian», que
terminou com desenfreado headbanging ao som daquele breakdown ƤREP QSRWXVYSWS HS
emblemático tema de 1994. Veio uma pausa mais prolongada e, no regresso para o encore,
os Machine Head brindaram o público com a enfadonha «Behind The Mask», em contraste
absoluto com o se seguiu, talvez a melhor sequência de todo o concerto: «Heavy Lies The
Crown» fez em Lisboa a estreia mundial ao vivo, causando impacto imediato, «Aesthetics Of
Hate» teve groove a rodos, «Game Over» comprovou que é dos melhores temas que gravaram
REɽPXMQEHɯGEHEƤGERHSTEVEEZIPLMRLEm3PH|ITEVEEIQFPIQɧXMGEm,EPS|SGSRHɩSHI
fecharem com chave de ouro uma prestação impecável em termos técnicos. Foram quase
três horas de concerto e, talvez por isso, Robb Flynn esteve menos falador entre temas do
que costuma ser habitual. Mera constatação de facto, sem interferência no espectáculo, que FOTO: CATARINA TORRES
WɸƤGSYŰQERGLEHSűTIPEMRGPYWɩSHIXIQEWEFWSPYXEQIRXIHMWTIRWɧZIMWIQHIXVMQIRXSHI
tantos outros tão mais relevantes. Voltem sempre. [J.A.R.]

A
bertura perfeita para a dupla infernal que se seguiria, os “novos” Ne-
FOTO: ESTEFÂNIA SILVA crobode – entre aspas porque, de novo, só mesmo a banda, já que os
seus elementos são bem conhecidos de outras lides. Não interessa
quem, ainda que eles não se escondam. É mais uma ausência de imagem,
sem Facebook nem entrevistas nem merdas, mas também sem fatinhos
nem máscaras nem merdas. Sem merdas, concluindo. A música debitada
TIPSXVMSɯSVIƥI\STIVJIMXSHEEXMXYHIYQEGVYI^EFIQWYNEETMWEVXIV-
ritórios calcinados pelos Von ou Beherit, cujo clássico «Gate Of Nanna»
foi (des)agradavelmente recriado. O ponto alto da noite veio logo a seguir,
talvez para surpresa de alguns, mas certamente só os que não ouviram o
incrível «The Blade Philosophical», dos canadianos Rites Of Thy Degrin-
golade. Liderados pelo seu estrondoso baterista (característica, de resto,
partilhada com o headliner) Paulus Kressman, também dos Amphisbaena
II\;IETSRIRXVISYXVEWGSRWIKYIQVITVSHY^MVƤIPQIRXIEUYIPETEVIHI
densa de negritude e toada ameaçadora que criam em disco. Com a parti-
cularidade de os quatro integrantes da banda (R.R. dos Dire Omen junta-se
ao trio de base ao vivo) serem vocalistas, a dinâmica gerada é impressio-
nante, sem confusões, tudo no seu sítio, e tudo optimizado para máximo
impacto. Nos momentos de maior turbilhão, chegam a dar ares aos Absu,
mas num registo menos espalhafatoso, apesar de sempre expansivo pela
gritaria desenfreada de Kressman por trás do kit. Um concerto explosivo,

PROFANATICA
que deixou os Profanatica um bocado “esvaziados”, apesar do cariz mítico
já granjeado pela banda de Paul Ledney. Ainda assim, conseguiram ser uns
dignos sucessores do grande momento que se tinha vivido com os cana-
HMERSWETIWEVHEGYVXEHYVEɭɩSHETVIWXEɭɩSIHEWIRWEɭɩSUYIƤGSYRS
ar de que esperavam mais do público português. Não sabemos bem o quê,
+ RITES OF THY DEGRINGOLADE diga-se – não ia desatar tudo à porrada perante a mostra de frieza gélida e
GEPGYPMWQSIQSGMSREPHSWHSMWQIQFVSWUYIƥERUYIEVEQSJEQSWSFEXI-

+ NECROBODE rista, que bem podiam ir ganhar uns trocos para a baixa a fazer de homem-
-estátua. Isto é um elogio, diga-se – a prestação dos Profanatica ganhou,
e muito, com a postura rígida que a banda demonstrou, cabendo o espaço
18.03.21 – Le Baron Rouge, Barcarena todo para os malhões que todos conhecemos e que foram furiosamente
VITVSHY^MHSWɔTIREUYIXIRLEQƤGEHSXERXSWHIJSVE[J.C.S.]

LOUD! 65
AGENDA

sp] /
Marthyrium [Esp] / Perpetratör / Summon / Archaic
Tomb – Another Place, Almada Masmorra Fest II
09 – Wrath Sins / Sotz’ – Hard Bar, Bustos, Aveiro
16 – Cruz de Ferro / Coldsteel Device / Scarmind –
A062, Caldas da Rainha
16 – Teenage Bottlerocket [E.U.A.] / Viralata / Suspeitos
do Costume – Titanic Sur Mer, Lisboa
27 – Marilyn Manson [E.U.A.] – Campo Pequeno, Lisboa
27 – Baroness [E.U.A.] / (…) – Lisboa Ao Vivo, Lisboa
30 – Pain Of Salvation [Sue] / Forgotten Suns – RCA 06.27 – BARONESS
Club, Lisboa
30 – Wrath Sins / Sotz’ – Texas Bar, Leiria

JULHO 10 – Cradle Of Filth [Ing] / Converge [E.U.A.] / Moonspell


05.10 – BULLET 02 – Ozzy Osbourne [Ing] / Judas Priest [Ing] – Altice
Arena, Lisboa / Masterplan [Ale] / Attic [Ale] / Serrabulho / Dollar
07 – Vizir / Dead Meat / Congruity / Grievance / Llama / Invoke / Blame Zeus / In Vein / (…) –
Dawn Of Ruin – A.C.D.R. Brunheiras, Vila Nova de Quinta do Ega, Vagos Vagos Metal Fest
Milfontes 10/11 – Kadavar [Ale] / Nebula [E.U.A.] / Conan [Ing]
10 – Kiss [E.U.A.] / Megadeth [E.U.A.] – Estádio / Earthless [E.U.A.] / Ufomammut [Ita] / Mantar
MAIO Municipal, Oeiras [Ale] / Naxatras [Gre] / Purple Hill Witch [Nor] /
05 – Basement Torture Killings [Ing] / Foetal Juice [Ing] 11 – Scorpions [Ale] / The Dead Daisies [E.U.A.] – Atavismo [Esp] / Ruff Majik! [A.S.] / (…) – Moledo,
/ Analepsy / Black Alley Lobotomy Estádio Municipal, Oeiras Caminha SonicBlast ‘18
– Metalpoint, Porto Clash Of The Slashers 13 – Iron Maiden [Ing] / Tremonti [E.U.A.] / The Raven 11 – Kamelot [E.U.A.] / Sonata Arctica [Fin] / Enslaved
05 – Childrain [Esp] / Primal Attack / Blame Zeus / Inner Age [Ing] – Altice Arena, Lisboa [Nor] / Carach Angren [Hol] / Dagoba [Fra] / Bölzer
Blast / Impera – RCA Club, Lisboa 13 – Queens Of The Stone Age [E.U.A.] / (…) – Passeio [Sui] / Holocausto Canibal / Simbiose / Gwydion /
05 – Saturnia – Music Box, Lisboa Marítimo, Algés NOS Alive 2018 Wicked Inc. [Esp] / Lost In Pain [Lux] – Quinta do
10 – Bullet [Sue] / Screamer [Sue] / Rexoria [Sue] 14 – Pearl Jam [E.U.A.] / At The Drive-In [E.U.A.] / (…) – Ega, Vagos Vagos Metal Fest 2018
– RCA Club, Lisboa Passeio Marítimo, Algés NOS Alive 2018 12 – Suicidal Tendencies [E.U.A.] / Ensiferum [Fin] /
12 – Annihilation / Grog / Burn Damage 14 – Moonspell / Ledderplain – Peso da Régua 5ª Municipal Waste [E.U.A.] / Ross The Boss [E.U.A.] /
– Stairway Club, Cascais Concentração Motard do Douro Integrity [E.U.A.] / Sinister [Hol] / Memoriam [Ing] /
13 – Graham Bonnet Band [Ing] – RCA Club, Lisboa 17 – Wrath Sins / Sotz’ – DRAC, Figueira da Foz Feed The Rhino [Ing] / Rasgo / Dark Embrace [Esp]
19 – Tank [Ing] / Killer [Bel] / Witchtower [Esp] / 26 – Infraktor / Cruz de Ferro / Booby Trap / Atreides – / Stonerust – Quinta do Ega, Vagos Vagos Metal
Attick Demons / Alkateya / Wanderer Famalicão Laurus Nobilis Music 2018 Fest 2018
– Another Place, Almada Metal Keeper Fest II 27 – 7ITXMGƥIWL [Gre] / Equaleft / Crisix [Esp] / Hills 24 – Ulver [Nor] – Teatro José Lúcio da Silva, Leiria
19 – WAKO / Terror Empire / Destroyers Of All / Booby Have Eyes / Web / Nine O Nine / In Vein / Sotz – Extramuralhas
Trap / The Blood Of Tyrants – Hard Bar, Bustos, Famalicão Laurus Nobilis Music 2018
Oliveira do Bairro 27 – Moonspell / Blame Zeus / Daniel’s Dead Bird –
SETEMBRO
19 – Annihilation / Grog / Burn Damage Campo do Gerês, Gerês Rock Fest 01 – Bizarra Locomotiva / Ramp / Heavenwood / Hills
– A9 Bar, Santarém 28 – Dark Tranquillity [Sue] / Tarantula / Mata-Ratos / Have Eyes / Rasgo / Viralata / &PEGOƥMT / Artigo 21
19 – Wrath Sins / Sotz’ – Stairway Club, Cascais The Temple / Revolution Within / Low Torque / The / Infraktor / Contrasenso / Take Back! – Campo
25 – Mata-Ratos / Taberna – A9 Bar, Santarém Godiva / Legacy Of Cynthia – Famalicão Laurus Futebol S.C. Casaínhos, Loures Casaínhos Fest
25 – Capitão Fantasma – Mercado Negro, Aveiro Nobilis Music 2018 24 – Batushka [Pol] / (…) – RCA Club, Lisboa
26 – Dokuga / Systemik Viølence / Dr. Bifes 25 – Batushka [Pol] / (…) – Hard Club, Porto
& Os Psicopatas / Bad! – Disgraça, Lisboa AGOSTO 29 – Fleshcrawl [Ale] / (…) – Stairway Club, Cascais
30 – Fleshcrawl [Ale] / (…) – Metalpoint, Porto
26 – Inverno Eterno / Black Howling / Gaerea 09 – Orphaned Land [Isr] / Dust Bolt [Ale] /
– RCA Club, Lisboa Theriomorphic / Analepsy / (…) – Quinta do Ega,
29 – Sekhmet [R.C.] / Kraake [R.C.] / Capela Mortuária Vagos Vagos Metal Fest
OUTUBRO
– RockStar Pub, Braga Thrash In Black 05/06 – Simbiose / Serrabulho / Besta / Kandia /
30 – Sekhmet [R.C.] / Sonneillon BM / Kraake [R.C.] / Grankapo / Reality Slap / Tales For The Unspoken
Ascetic – Metalpoint, Porto Porto Black Metal / Since Today / Dapunksportif / The Year / (…) –
Pinhal Novo Festival Bardoada & AJCOI
JUNHO 13 – Desalmado [Bra] / Besta / Surra [Bra] – Sabotage
01 – Corpus Christii / Flagellum Dei – Metalpoint, Porto Club, Lisboa
02 – Corpus Christii / Flagellum Dei – RCA Club, Lisboa 20 – Annihilation / Grog / Burn Damage – Cave Avenida,
02 – Holocausto Canibal / WAKO / R.D.B. / Strikeback / Viana do Castelo
In Vein / OAK – C.C. Lordelense, Lordelo, Vila Real 21 – Annihilation / Grog / Burn Damage – Metalpoint,
III Ink n’ Roll Porto
02 – Annihilation / Grog / Burn Damage – Cabra Negra,
Marinha Grande NOVEMBRO
02 – Terror Empire / Primal Attack / Infraktor – DRAC, 03 – Repulsive Vision [Ing] / Serrabulho / Analepsy /
Figueira da Foz Hourswill / Warhammer [Gre] / Prayers Of Sanity
02 – Capitão Fantasma – Stairway Club, Cascais / Undersave / Gaerea / Oppidum Mortuum / Fear
05 – Nine Eleven [Fra] / Løvve [Fra] – A9 Bar, Santarém The Lord / (…) – Pavilhão Multiusos, Malveira Oeste
07-09 – Grave [Sue] / Caliban [Ale] / Slapshot [E.U.A.] Underground III
/ No Turning Back [Hol] / Gama Bomb [Irl] / 06.01/02 – CORPUS CHRISTII
Knuckledust [Ing] / (…) – RCA Club, Lisboa
Hell Of A Weekend

PRÓXIMA LOUD! #207


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66 LOUD!
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