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As lições da revolução

educacional finlandesa para o


mundo
, diretor de centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação
RIO - No ranking do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos)
2009, aplicado em 65 países pela Organização para Cooperação e
Desenvolvimento Econômico, a Finlândia alcançou o 3º lugar. O país chama a
atenção não só pelos bons resultados, mas por apresentar um modelo diferente
dos outros líderes do ranking, China e Coreia do Sul. No lugar de toneladas de
exercícios e de um ritmo frenético de estudo, na Finlândia, há pouco dever de
casa, e a maior preocupação é com a qualidade dos professores e dos ambientes
de aprendizado. Não há avaliações periódicas padronizadas de alunos e docentes,
que não recebem remuneração por desempenho. E todo o sistema escolar é
financiado pelo Estado.
Em seu livro, “Finnish lessons: what can the world learn from educational
change in Finland?” (em uma tradução livre, Lições finlandesas: o que o mundo
pode aprender com a mudança educacional na Finlândia?), Pasi Sahlberg, diretor
de um centro de estudos vinculado ao Ministério da Educação do país, diz que o
magistério é a carreira mais popular entre os jovens e que a transformação no
Brasil deve começar pela igualdade de acesso a um ensino de qualidade.
O GLOBO: A Finlândia ocupa a 3 posição no ranking do Pisa (Programa
Internacional de Avaliação de Alunos), entre 65 países avaliados pelo exame da
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No
entanto, nem sempre foi assim. Quando começou a transformação na educação
finlandesa?
PASI SAHLBERG: A grande transformação do sistema educacional finlandês
começou no início da década de 1970, quando foi criado o sistema de ensino
obrigatório de nove anos. Todas as crianças do país passaram a estudar em
escolas públicas parecidas e de acordo com o mesmo currículo nacional. O
principal objetivo desse modelo era igualar a oportunidade de acesso a uma
educação de qualidade e aumentar o nível educacional da população. Assim, a
reforma educacional não foi guiada pelo sucesso escolar e, sim, pela
democratização do acesso a escolas de qualidade. Esse movimento continuou nos
anos 90, com a necessidade de uma população mais preparada para o mercado de
trabalho.
O GLOBO: Quais foram as bases da revolução educacional finlandesa? Quais
são seus pontos fortes?
SAHLBERG: O compromisso da sociedade finlandesa pela igualdade de acesso
a uma educação de qualidade foi decisivo. A Finlândia com seus 5 milhões de
habitantes não pode perder nenhum jovem. Todos precisam ter uma educação de
qualidade. Os pontos fortes do sistema finlandês são o foco nas escolas, para que
elas possam ajudar as crianças a ter sucesso; educação primária de alta qualidade,
que dê uma base sólida para as etapas seguintes do aprendizado; e a formação de
professores em universidades de ponta, que tornaram a profissão uma das mais
populares entre os jovens finlandeses.
O GLOBO: No Brasil, muitas políticas públicas sofrem com a falta de
continuidade. Isso acontece na Finlândia? O que fazer para garantir a
continuidade?
SAHLBERG: A Finlândia manteve uma política pública estável desde a década
de 70. Diferentes governos nunca tocaram nos princípios que nortearam a
reforma, apenas fizeram um ajuste fino em alguns pontos. Essa ideia de uma
escola pública de qualidade para todos os finlandeses foi um consenso nacional
construído desde a Segunda Guerra Mundial. É o que no livro eu chamo de
“sonho finlandês”.
O GLOBO: O mundo parece buscar uma fórmula mágica para a educação.
Existe uma fórmula válida para todos?
SAHLBERG: Não, não existe nenhuma fórmula mágica nem um milagre secreto
na educação finlandesa. O que fizemos melhor do que outros países foi entender
qual é a essência do bom ensino e do bom aprendizado. As crianças devem ser
vistas como indivíduos que têm diferentes necessidades e interesses na escola.
Ensinar deve ser uma profissão inspiradora com um grande propósito de fazer a
diferença na vida dos jovens. Infelizmente, esses princípios básicos deram lugar a
políticas regidas pelo mercado em vários países. Essa lógica de testar estudantes
e professores direcionou os currículos e aumentou o tédio em milhões de salas de
aula. A fórmula para uma reforma da educação em muitos países é parar de fazer
essas coisas sem sentido e entender o que é importante na educação.
O GLOBO: O que foi feito na Finlândia e que poderia ser reproduzido em
outros países em desenvolvimento, como o Brasil?
SAHLBERG: A pergunta deve ser o que é possível aprender com a experiência
finlandesa, não reproduzir. Primeiro, a experiência da Finlândia mostrou que é
possível construir um modelo alternativo àquele que predomina nos Estados
Unidos, na Inglaterra e em outros países. Mostramos aqui que reformas guiadas
pelo mercado, com foco em competição e privatizações não são a melhor
maneira de melhorar a qualidade e a equidade na educação. Segundo, é
importante focar no bem-estar das crianças e no aprendizado da primeira
infância. Só saudáveis e felizes elas aprenderão bem. Terceiro, a Finlândia
mostrou que igualdade de oportunidades também produz um aumento na
qualidade do aprendizado. É preciso que o Brasil combata essa desigualdade de
acesso. Só um plano de longo prazo para a educação e compromisso político
possibilitarão que os resultados sejam alcançados.
O GLOBO: Os professores ocupam um papel importante no sistema finlandês.
Como prepará-los bem? Um salário atrativo é importante?
SAHLBERG: Professores são profissionais de alto nível, como médicos ou
economistas. Eles precisam de uma sólida formação teórica e treinamento
prático. Em todos os sistemas educacionais de sucesso, professores são formados
em universidades de excelência e possuem mestrado. O salário dos professores
deve estar no mesmo patamar de outras profissões com o mesmo nível de
formação no mercado de trabalho. Também é importante que professores tenham
um plano de carreira, com perspectivas de crescimento e desenvolvimento.
O GLOBO: No Brasil, poucos jovens são atraídos pelo magistério. A carreira
atrai muitos jovens na Finlândia?
SAHLBERG: O magistério é uma das profissões mais populares entre os jovens
finlandeses. Todo ano, cerca de um a cada cinco alunos que terminam o ensino
médio tem a carreira como primeira opção. Há dez vezes mais candidatos para
programas de formação de docentes para educação infantil do que vagas nas
universidades. A Finlândia tem o privilégio de poder controlar a qualidade dos
professores na entrada e depois garantir que só os melhores e mais
comprometidos serão aceitos nessa profissão nobre.
O GLOBO: A inclusão das novas tecnologias nas salas de aula vem sendo muito
debatida. Como você vê esse processo? Como isso é feito na Finlândia?
SAHLBERG: Tecnologia é parte das nossas vidas e é usada nas escolas
finlandesas. Professores na Finlândia usam tecnologia para ensinar de maneiras
muito diferentes. Alguns, a utilizam muito e outros raramente. Aqui a tecnologia
é uma ferramenta, mas o foco continua sendo na pedagogia entre pessoas, sem
tecnologia. A tecnologia não deve guiar o desenvolvimento educacional e, sim,
ser uma ferramenta como várias outras.
O GLOBO: Retomando o título do seu livro, quais são, afinal, as principais
lições do sistema de educação finlandês?
SAHLBERG: A mais importante das lições é que há uma alternativa para se
chegar ao sucesso prometido por reformas guiadas pelo mercado. A Finlândia é o
antídoto a este movimento que impõe provas padronizadas, privatização de
escolas públicas e remunera os professores com base em avaliações de
desempenho que se tornou típico de diversos sistemas educacionais pelo mundo.
No período de 27 de abril a 14 de maio, um grupo de educadores participou da viagem educacional à
Escandinávia, interessados em conhecer detalhes do modelo educacional da Finlândia e da Suécia e
identificar as principais razões do sucesso na avaliação do PISA. Destaca-se, o orgulho de todos por ter
feito parte da primeira missão brasileira a ser oficialmente recebida pelos governos dos dois países.

Na Suécia houve um encontro especialíssimo, no Palácio Real de Estocolmo, com a Rainha Silvia, filha
de brasileira e pai alemão, viveu em São Paulo dos 4 aos 13 anos, fala o português sem sotaque, é
adorada pelos suecos, tem 3 filhos, e sua filha primogênita, a Princesa Vitória, é a primeira na linha de
sucessão ao trono sueco.

A Escandinávia possui hoje o mais elevado padrão de vida, mesmo entre as nações desenvolvidas. Nos
últimos 30 anos, a Finlândia vem se destacando positivamente no cenário europeu e a educação tem
papel fundamental na obtenção desse status quo . Hoje, esses países, e especialmente a Finlândia, que
obteve a primeira colocação no exame do PISA, constituem modelos de excelência na educação e
despertam grande interesse de governos, educadores, economistas e empresários do mundo todo.

A comitiva, formada por mais de 70 educadores de várias regiões do Brasil, participou de seminários
sobre o sistema educacional sueco e finlandês e realizou visitas a dezenas de escolas, com objetivo de
conhecer e comparar o papel do Estado e da escola privada, a capacitação e o papel fundamental do
professor, o grau de autonomia dado às crianças e aos jovens, a inclusão natural de todos os estudantes,
inclusive dos imigrantes, o sistema de avaliação das escolas.

Para ampliar ao máximo a visão sobre o sistema sueco e finlandês, foram incluídas visitas a instituições
de ensino de diferentes níveis, do pré-escolar à universidade, pública e privada, de periferia e de bairros
tradicionais.

Sobre o PISA
O PISA, sigla de Programme for International Student Assessment , é uma avaliação internacional da
qualidade da educação, patrocinada pelos países participantes da OCDE – Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico, com coordenação nacional a cargo do INEP – Instituto
Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, órgão vinculado ao Ministério da
Educação.

A avaliação feita no PISA ocorre a cada ciclo de 3 anos, com um plano estratégico que se estenderá até
2015. As áreas principais, a que se dedicam 2/3 do tempo das provas são: Leitura, em 2.000, Matemática,
em 2003 e Ciências, em 2006.

No ano de 2006, 56 países membros da OCDE e países convidados, que é o caso do Brasil, participaram
da avaliação do PISA. Em cada país são avaliados entre 4.500 a 10.000 alunos, de 15 e 16 anos, das 7ª.
e 8ª. séries do ensino fundamental e do 1º. e 2º. anos do ensino médio, de escolas públicas e privadas.

O PISA tem uma particularidade, se comparado ao nosso SAEB, (*) Sistema de Avaliação da Educação
Básica: a prova abrange, não somente os domínios curriculares, que é o caso do SAEB, mas,
especialmente, os conhecimentos relevantes e as habilidades necessárias à vida adulta, com ênfase no
domínio dos procedimentos, compreensão dos conceitos e capacidade para responder a diferentes
situações do dia-a-dia.

(*) Em 2005, a Portaria Ministerial n.º 931 alterou o nome do histórico exame amostral do Sistema
Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), realizado desde 1990, para Avaliação Nacional da
Educação Básica (Aneb). Por sua tradição, entretanto, o nome do Saeb foi mantido nas publicações e
demais materiais de divulgação e aplicação deste exame.

Sobre a Finlândia

De um lado, ao extremo norte, a Finlândia faz fronteira com a Suécia, e de outro, em quase toda a sua
extensão, com a Rússia. Helsinque, sua capital, é banhada pelas águas pouco salgadas do mar Báltico, e
por esta razão se congela no inverno com uma camada de mais de 2 palmos de gelo. Neste período, os
finlandeses praticam esqui sob o mar congelado, e alguns, os mais corajosos, fazem furos no gelo para
pescar salmão.

Devido à inclinação do eixo da terra, uma vez ao ano, entre os dias 17 e 24 de junho, a Finlândia fica
exposta ao sol 24 horas por dia – é o sol da meia-noite. Este período é tão importante que há festival de
danças típicas ao ar livre para celebrá-lo.

Ao longo dos tempos, Suécia e Rússia dominaram a Finlândia – são 800 anos de história com a Suécia e
100, com a Rússia. Após a revolução russa, em 1917, a Finlândia ficou independente, portanto, apenas
há 90 anos!

A população da Finlândia é de 5.200 milhões de habitantes e de Helsinque, 560 mil. Para efeito de
comparação entre as cidades de referência, Estocolmo tem 900 mil, Oslo 529, Berlim 3.300 milhões e St.
Petersburgo, 4.660 milhões, que juntas não alcançam a população de São Paulo!

E obrigado em finlandês é kyytus !

A Educação na Finlândia

A nossa comitiva foi privilegiada ao ter tido não apenas um, mas dois encontros com Mrs. Eeva Pentilla,
uma das mais respeitadas vozes em Educação da União Européia e responsável pelas escolas de
Helsinque. Mrs. Pentilla, nos fez dois longos e apaixonantes relatos sobre a educação de seu país e nos
confidenciou que pouco antes de sair o resultado do exame do PISA havia marcado uma reunião para
discutir alguns pontos que considerava que não estavam nada bons nas escolas de Helsinque!! - Foi uma
surpresa o 1º. lugar, não somos muito bons em matemática, gastamos mais tempo ensinando línguas,
disse.

O sistema educacional da Finlândia é pequeno se comparado a muitos estados brasileiros. São 161
escolas básicas, as comprehensive schools – de 7 a 16 anos e 38 escolas secundárias, que totalizam
pouco mais de 70 mil estudantes. Soma-se a este sistema os 26 mil alunos matriculados nas 37 escolas
vocacionais ou técnicas, 130 mil nas 31 politécnicas e 176 mil nas 20 universidades.
No período em que a Finlândia fez parte da Suécia, a educação era feita pela igreja, que exigia que toda
pessoa que quisesse se casar na igreja deveria saber ler. Saber ler é fazer parte da sociedade, é muito
importante um indivíduo ser aceito pela sociedade, ser aceito pelo vizinho, afirmam os finlandeses. Assim,
esta idéia persiste até hoje, a única mudança é que a sociedade não quer só; saber ler, quer também
a conclusão de todo o ciclo escolar básico.

Em 1970 houve uma grande revolução na educação finlandesa. Isso foi necessário pois no antigo sistema
20% no máximo completava o ciclo básico. Em 20 anos a Finlândia reverteu significativamente essa
porcentagem. Já em 2004, as estatísticas mostraram que 9 alunos estavam fora da escola, e atualmente,
12 alunos. Notem, não estou me referindo à porcentagem! E esses 12 alunos têm ocupado o tempo de
vários educadores buscando diferentes formas do sistema educacional reabsorvê-los.

No antigo sistema só a educação primária de 6 anos era gratuita, o restante da educação era paga. Em
1970, a educação básica passou a ser obrigatória e gratuita e com 9 anos de escolaridade e
funcionamento das 8 às 15 horas. Também são gratuitos, durante os primeiros 9 anos, o transporte, a
refeição e todo o material escolar. Após este período, os alunos têm que pagar os livros.

Na Finlândia, não se ensina a ler no ensino pré-escolar - a criança tem o direito de ser criança por mais
tempo, ensinam, e está pronta para aprender a ler a partir dos 7 anos, afirmam.

Respondendo sobre a principal diferença entre o sistema educacional sueco e finlandês, Mrs. Pentilla deu
o seguinte exemplo: se pais suecos saem para esquiar com o filho e o filho cai, eles correm para acudir;
pais finlandeses, na mesma situação, simplesmente olham e dizem: - se levanta você é capaz, você
consegue. Assim, a palavra de ordem no sistema educacional finlandês é: AUTONOMIA.

Existem escolas privadas na Finlândia, as independentes, como são chamadas. Todas são gratuitas,
totalmente financiadas pelo Estado e abertas ao controle do Estado. A expansão do ensino privado é
bastante incentivada pelo governo - só o setor privado reúne condições para atender às necessidades de
uma sociedade que demanda por serviços educacionais cada vez mais diversificados.

Os reitores das escolas independentes, assim como os das públicas, são executivos recrutados no
mercado, que têm que provar, ano a ano, que aplicaram bem os recursos recebidos para continuar no
cargo.

Na Finlândia as escolas são consideradas um ótimo local para se trabalhar. Muitos querem atuar nas
escolas, especialmente na docência. O prestígio dos professores é alto. Esses profissionais são
valorizadíssimos e é comum auferirem salários superiores aos dos reitores, e ganham ainda mais aqueles
que ensinam nos dois primeiros anos iniciais, considerados os mais importantes na motivação da
aprendizagem. Se não forem adequados, podem interferir negativamente em todos os anos seguintes,
afirmam. Os professores que atuam no nível fundamental contam com um suporte de psicólogos para
atendê-los.

Se alguns alunos têm continuamente problemas de aprendizagem, a escola dispõe de professores


especiais para recuperá-los. Na prática, se a dificuldade é em matemática, o aluno vai estudar com um
professor especializado em problemas de aprendizagem, não com um professor de matemática. E a
“recuperação” não ocorre após as aulas: mais tempo não motiva a criança ao aprendizado, pelo contrário,
só faz cansá-la ainda mais. Também não são dados muitos exercícios aos alunos com dificuldades de
aprendizagem - a quantidade de tarefa escolar é de acordo com as necessidades de cada um. E,
ademais, as aulas e os exercícios escolares são organizados de tal forma que o aluno tenha tempo para o
lazer.

Os alunos com dificuldades de aprendizagem não muito severas, estão integrados na mesma turma, e
neste caso, a classe conta com um professor assistente. Pode ocorrer de ter 2 ou 3 professores em sala
de aula. Para aqueles com dificuldades mais sérias, há escolas especializadas que funcionam dentro das
escolas normais.

A formação do professor é feita na universidade que dura de 5 a 6 anos, a do professor-assistente, nas


escolas politécnicas. Assim como a dos médicos é na universidade e a dos enfermeiros, na politécnica.

Em Helsinque para cada 800 alunos há um psicólogo e um assistente social, com locais de trabalho
próprios dentro das escolas. Todos os alunos quando ingressam na escola têm uma entrevista com o
psicólogo e com o assistente social. Graças a essa rotina de entrada, mais tarde, se eventualmente
vierem a precisar de ajuda, não se sentirão estigmatizados pois já os conhecem.

As mulheres finlandesas são consideradas “beges”, ou seja, são as que menos gastam com cosméticos
em toda a União Européia, por outro lado, são bem motivadas para os estudos. Segundo resultado de
uma pesquisa, elas atribuem muito valor ao homem que esteja no mesmo nível intelectual. Do universo
feminino 70% tem curso superior, contra 40% do masculino, e a tendência é aumentar, na medida em que
as mulheres vêm obtendo melhores resultados nos históricos escolares.

Muitos homens, por não terem cursado a universidade nem a escola politécnica, estão fora do mercado
de trabalho. Isso pode ser uma das causas pela qual a Finlândia enfrenta um problema bastante sério – o
alto índice de suicídio, especialmente dos homens entre 20 e 30 anos. Diante disso, os responsáveis pela
educação vêm desenvolvendo intensamente ações para ampliar a participação masculina no ensino
superior.

Um dos aspectos que contribuíram para os excelentes resultados no PISA é o nível de formação das
mães, que é alto na Finlândia. Cabe mais à mãe e não aos pais, a responsabilidade em motivar os filhos
à aprendizagem. Soma-se aos bons resultados os alunos serem motivados, permanentemente, a ler
muito.

É um mau exemplo na Finlândia os pais levarem as crianças de carro à escola. Elas são levadas a se
virarem por si mesmas.

Uma tradição finlandesa muito popular é o hábito de se fazer sauna. Como a escola deve ser uma
extensão da casa e toda casa tem sauna, então na escola também deve haver uma. E regularmente
alunos e professores fazem sauna, e não são encontros puramente festivos ou de lazer, são
oportunidades para contextualização de conhecimentos.

Não há câmeras espalhadas pelas escolas, em hipótese alguma. As escolas são ambientes familiares -
se não há câmeras nas casas não haveria razão de tê-las nas escolas. Em algumas escolas, alunos,
professores, e funcionários, tiram os sapatos ou tênis com intuito de fazerem menos barulho e também
para se sentirem mais confortáveis como se estivessem em casa.

Registra-se que durante as visitas às escolas não houve citação de nomes de teóricos que dão
sustentação ao ensino na Finlândia. Enfaticamente é reforçada a autonomia dos professores, a confiança
depositada neles no fazer bem o trabalho de ensinar. Há métodos de alfabetização específicos para
ensinar famílias de imigrantes, outros, para ensinar crianças com maior nível de informação e domínio da
língua, enfim, a educação é individual não é algo que se faça em massa.

Sobre a Suécia

A capital do Reino da Suécia é Estocolmo, que está construída sob 14 ilhas e há muitas e muitas pontes.
É considerada a Veneza do Norte.

A religião dominante é luterana (94%) católica (4%) e outras (2%). As três coroas é o símbolo da Suécia.

Dizem os suecos que é mais barato manter a monarquia do que mudar o presidente de 4 em 4 anos, e as
primeiras-damas a fazerem as mudanças nas cortinas, nos sofás...

A Educação na Suécia

A Suécia conquistou a 10ª. posição na avaliação do PISA, e de uma forma geral, há muita similaridade
nos dois sistemas de ensino, assim, muitas situações encontradas nas escolas da Finlândia se repetem
nas da Suécia e vice-versa.

Tal como na Finlândia, o sistema escolar sueco está baseado na autonomia . Desde 1991, foi delegada
muita responsabilidade para as escolas, para os gestores e para a municipalidade. O governo e o
parlamento ditam a forma e os objetivos a seguir e as escolas devem fazer avaliação periódica para
constatar se as exigências legais estão sendo seguidas.

Nos últimos 20 anos houve muita modificação na pré-escola. Segundo a legislação sueca, se os pais
querem trabalhar a comuna tem que garantir a integração da criança na escola. Assim, a pré-escola tem 2
funções: permitir que os pais trabalhem e garantir a possibilidade de inserção da mulher no mercado de
trabalho. Para isso, as escolas infantis funcionam das 6:30 às 18:30 horas. Estão integradas no ensino
infantil 98% das crianças com 3 e 4 anos.

Formação Técnica
A partir de 1980 houve uma mudança de paradigma na formação profissional dos técnicos – aformação
profissional , dá lugar à preparação profissional. Antes, os alunos só aprendiam a trabalhar com as mãos.
Para ser um cidadão, não se pode ter conhecimentos só da prática. Há que se dominar a língua e se ter
conhecimentos matemáticos. Hoje, 1/3 dos estudos é teórico. Os empregadores consideram que os
estudantes de hoje não são tão rápidos no ofício. Por meio de encontros e reuniões, as escolas buscaram
a mudança de mentalidade dos empresários para melhor aceitação e conseqüentemente manutenção do
emprego desse novo técnico. O professor tem como uma de suas atribuições visitar freqüentemente as
empresas em busca do ajuste da formação. E a formação pedagógica desses professores deve ser
garantida pela escola.

Todas as escolas fundamentais, secundárias ou pós-secundárias funcionam em período integral – das 8


às 15 horas.

A licença maternidade é longa na Suécia – 14/16 meses. É um direito da criança e não dos pais. É a
criança que tem o direito de estar junto dos pais por mais tempo.

No período de 1991 a 2006 cresceu muito o número de escolas privadas na Suécia, e,

assim como na Finlândia, são totalmente gratuitas. A razão principal dessa expansão, se deve ao
incentivo dado pelo governo, por entender que as escolas independentes podem atender melhor as
diferentes peculiaridades e anseios da comunidade, e ainda, permitir a livre escolha do aluno, que por
meio de um “ vaucher” decide onde quer estudar.

Há uma escola, por exemplo, só para alunos que têm pais trabalhando no exterior e pais do exterior
trabalhando na Suécia. Numa outra escola, a peculiaridade é a prova de música ser eliminatória para o
acesso. Os alunos fazem “cursinho” de canto, se quiserem estudar nesse tradicional ginásio. Já numa
outra, que tem por missão ser uma escola politécnica européia: não se aceita professores americanos,
latinos ou asiáticos, por exemplo, nem alunos de outra nacionalidade que não a dos países europeus, e
os temas estudados são de interesse tão somente da Europa.

Nas escolas, mesmo nas mais elitizadas, é comum ter oficinas e cozinhas para que os alunos, a partir de
13 anos, aprendam a consertar bicicletas, aparelhos domésticos, entendam os fundamentos da hidráulica,
da elétrica, da mecânica, preparem o almoço e lanche, etc. É o conceito da autonomia presente. E
atenção: meninos e meninas participam!

Como cada aluno traz o seu vaucher , mais aluno significa mais dinheiro para a escola, aí se estabelece a
concorrência entre as escolas. A escola que não atrai um número mínimo de alunos é fechada, assim,
para se tornar mais competitiva a qualidade e os feitos das escolas são bastante divulgados.

As razões do sucesso das melhores escolas são atribuídas à escolha meticulosa dos professores. Eis as
características de um bom professor:

 possuir amplo conhecimento da matéria;


 dar ao aluno a responsabilidade de seus estudos;
 ser colaborador com seus colegas professores;
 ter uma perspectiva alargada para ensinar.

Embora a direção das escolas tenha autonomia para determinar a quantidade de alunos em cada sala de
aula, a média é em torno de: 17 nas escolas infantis; 20 nas escolas fundamentais e 30 nas secundárias.
O percentual de alunos que termina o liceu, o equivalente ao ensino médio, e vai para o ensino superior é
de 44%. Todavia, nem sempre basta ter o diploma e boas notas pra ingressar na universidade, às vezes,
é preciso vir de uma escola renomada. É assim, por exemplo, na conceituada universidade de pesquisa
de Estocolmo, a Royal Institute of Technology – RTH, pronuncia-se kô-te-rro, que exige, digamos
assim, pedigree no diploma do ensino médio. A RTH atua com foco em Arquitetura e Engenharia, tendo
por missão “excelência em educação, pesquisa e empreendedorismo”. Suas áreas mais procuradas são:
Arquitetura e Energia, e mais ultimamente, a tendência é para a área de Ecologia Industrial. Constitui área
de interesse em todas as disciplinas da RTH o tema Desenvolvimento Sustentável.
Os reitores têm total autonomia na aplicação dos recursos recebidos da administração central, e a
quantidade não está vinculada aos resultados de desempenho. Implicitamente isso quer dizer
que todas as escolas têm que ser competentes na sua finalidade última. As palavras mais importantes
que os reitores devem conduzir seus alunos a serem são: competentes , ativos e curiosos , e tudo isso
tem que ser buscado de forma agradável.

Educação Multicultural

Na Suécia, 87% dos estudantes têm outra língua materna. Há princípios que regem o bem estar da
criança na escola, e, um deles, é ter a própria língua falada na escola. Se a língua for “viva” em casa ela
deverá ser dada na escola. Por conta disso, o ensino da língua ocupa um espaço muito especial na
Suécia. Para se ter uma idéia dessa especialidade, há um departamento pertencente à Secretaria de
Educação de Estocolmo que tem 430 professores para atender as escolas em 52 diferentes línguas. E
para se ensinar a língua é preciso que o professor seja do país de origem. Assim, há muitos professores
estrangeiros na Suécia. Como exemplo, numa das escolas visitadas havia mais de 20 idiomas
representados! Investe-se muito dinheiro na formação dos professores de línguas.

Avaliação das Escolas na Suécia

O primeiro nível de avaliação é feito pela própria escola e um dos pontos essenciais que deve ser levado
em consideração é o atendimento dos objetivos propostos pela escola.

Assim acontece a inspeção das escolas:

 os inspetores se apresentam à escola e informam que entre 2 a 8 meses retornarão para visitá-la
 avaliam in loco a qualidade da escola: olham o site , a relação da escola com os pais, com a família,
assistem aulas, entrevistam professores e alunos
 são discutidos com a escola os principais pontos e apresentam um relatório de 15 páginas, com
considerações sobre os pontos fortes e fracos e os pontos que necessitam de mudança
 após 6 ou 8 meses da visita, se reúnem com os professores, alunos e diretores para checar o que foi
feito, tendo por base o relatório feito durante a visita.
As visitas de inspeção das escolas são feitas ao longo de 3 anos. Os inspetores são bem vindos,
especialmente pelas escolas particulares, pois têm neles um consultor de graça. Às escolas é solicitado
que coloquem nos seus sites os relatórios de avaliação, no entanto, só 20% o fazem, geralmente as
melhores avaliadas. Anualmente as escolas têm que entregar à administração central o “Quality Report”,
e não existe avaliação de professores separadamente, a avaliação é da escola.

Ênfases
Existem três assuntos que tanto escolas suecas como finlandesas dão muita ênfase –religião, línguas e
arte.

Religião - o ensino religioso é obrigatório. A todos os alunos se ensina a religião, de cada um deles. A
partir de 3 alunos de uma determinada religião, a escola deverá se organizar para oferecer a religião
deles, e não precisam ter a mesma idade para compor a turma.

Línguas – aos 9 anos de idade toda criança deve começar o aprendizado de uma segunda língua. Se
aos 9 anos um aluno escolher outra língua que não o inglês, aos 10, obrigatoriamente deve escolher o
inglês. Assim, todos, sem exceção, devem alcançar conhecimentos iguais em duas línguas, sendo o
inglês uma delas. Além disso, aos 11 anos, cerca de 70% escolhem uma terceira língua. Entre os alunos
do liceu, mais da metade aprendem 4 línguas! Há uma preocupação do sistema educacional no ensino da
língua materna aos imigrantes. Pesquisas comprovam que uma pessoa perde 40% de sua inteligência se
ela não fala a sua língua materna. Ademais, a língua materna é a língua dos sentimentos. Quando um
imigrante chega à Finlândia, passa um ano estudando na sua língua materna para se habituar à cultura,
aos costumes e muito intensivamente à língua finlandesa. Depois disso, estará apto para ir à escola que
escolher. A Finlândia faz isso também por questões econômicas, é preciso que haja pessoas com boa
formação em qualquer ocupação, seja ela qual for.
Artes – a arte está por toda parte em todas as escolas, com funções altamente educativas e culturais. Há
exposições de fotos, desenhos, pinturas, esculturas, instalações, concertos musicais, mostras de textos
literários, poesias, etc. Nas paredes das salas de aula, nas portas, nos corredores, nos pátios, estampam-
se muitas informações sobre o mundo das artes. Essa profusão de cores, formas, designs , ativam
diferentes funções do cérebro.

Por fim, a Finlândia afirma que é a escola que tem a responsabilidade pela aprendizagem do aluno e não
a família; esta se responsabiliza pela criação. Diferentemente do nosso país que constitucionalmente diz
que a educação é dever, também, da família. O que temos assistido nas últimas três décadas, são
centenas de milhares de famílias e de escolas colhendo juntas os frutos amargos da incompetência da
arte de ensinar.

Em 2003, a avaliação aplicada pelo Ministério da Educação, por meio do SAEB, reafirma o péssimo
desempenho das escolas: 95,2% das crianças concluem a 4ª. série sem saber ler nem escrever
adequadamente e 96,8% dos adolescentes concluem a 8ª. série sem raciocínio básico de matemático! O
desempenho do Brasil no PISA não poderia ser diferente diante desse cruel cenário nacional – está
posicionado na rabeira do mundo!

Para que as escolas brasileiras possam melhorar seus indicadores de qualidade não há mágica, é preciso
muito esforço de todos, no entanto destaco como prioritário: 100% de atenção ao novo curso de
Pedagogia, que desde 2006 é responsável pela formação dos professores que vão atuar nas cinco séries
iniciais do Ensino Fundamental, e foco dos gestores das escolas na eficácia da alfabetização.

Na última sexta-feira, dia 24 de Abril, assisti em companhia de meu colega de trabalho Rômulo Faria,
palestra proferida pelo Professor Doutor Pasi Sahlberg, especialista em educação, professor universitário
e ex-assessor do ministério da educação de seu país, a Finlândia. Sua apresentação foi precedida pela
fala do Cônsul finlandês em São Paulo que igualmente discorreu, de forma bastante breve, sobre os
avanços notáveis da educação em seu país.

A Finlândia, país nórdico, de aproximadamente 5 milhões e meio de habitantes é hoje detentora dos
melhores resultados mundiais em educação de acordo com o PISA, exame internacional aplicado a um
grupo de aproximadamente 60 países que avalia os conhecimentos dos alunos das respectivas redes de
ensino de cada nação, por amostragem, em Ciências, Matemática, Leitura e Escrita.

País pouco conhecido para estes lados do Atlântico, a Finlândia tem despertado a atenção dos
especialistas em educação e motivado vários países a enviar delegações com a finalidade de verificar a
estrutura e o funcionamento do sistema educacional finlandês. O professor Pasi Sahlberg visitou nosso
país e esteve também em Brasília, a convite de autoridades do Ministério da Educação a fim de dar a nós,
brasileiros, uma melhor compreensão das particularidades da educação em seu país.

Ciente da falta de informação acerca da Finlândia em outras regiões do mundo – Sahlberg


esclareceu de forma bastante agradável e interessante a evolução do país ao longo dos últimos 40 anos,
passando de país eminentemente agrário e industrial para uma moderna sociedade da Era da
Informação, com mão de obra local extremamente qualificada e habilitada para os desafios do Século
XXI. A Finlândia, por exemplo, é a terra natal da Nokia, a maior fabricante e vendedora de aparelhos
celulares do mundo.

Esta introdução fez-se necessária até mesmo como elemento esclarecedor das diferenças
efetuadas na sociedade finlandesa em virtude de investimentos e alterações nos rumos da educação
daquele país. Mudanças que estão sendo implementadas desde o início dos anos 1980, por exemplo,
com a criação de leis que aumentaram o nível de exigência quanto à formação dos professores do Ensino
Básico (Educação Infantil e Ciclo I do Ensino Fundamental). Passou a ser obrigatório que estes docentes
da rede pública finlandesa não apenas tivessem formação universitária em Pedagogia e Licenciaturas
para trabalhar como professores, mas que avançassem em seus estudos com especializações e titulação
de mestrado.

Este dado é igualmente esclarecedor e importante quanto a, em especial, dois pontos: a


necessidade de formação mais sólida (e sempre contínua) dos educadores e o fato de que qualquer
mudança em educação se processa ao longo de um período de tempo maior do que aquele que a maior
parte das pessoas de nosso país pensa. Para atingir o atual estágio de evolução e resultados notáveis
que possui, a Finlândia iniciou a reformulação de seu sistema educacional há aproximadamente 30 anos
e, para tanto, firmou-se compromisso nacional em torno da questão, independentemente de qualquer
interesse ou bandeira político-partidária.

No caso da formação dos professores, indo além da graduação, exigindo-se pesquisa, produção de
artigos, elaboração de teses e dissertações, criando entre os educadores a mentalidade e a prática
perene da pesquisa e atualização, os finlandeses apenas realizaram aquilo que todos nós, especialistas
em educação, advogamos a tempos, ou seja, o mais elementar dos conceitos rumo à educação de
qualidade: escola de ponta é aquela que tem professores engajados e competentes, técnica e
pedagogicamente. Não é preciso reinventar a roda e, destaque-se que esta lógica é válida não apenas
para os educadores que estão na sala de aula com os alunos, mas para todos aqueles que trabalham em
escolas, entre os quais, destaque todo especial aos gestores.
Entre os outros aspectos marcantes da educação finlandesa que merecem destaque podemos
chamar a atenção para as seguintes informações que nos foram dadas pelo professor Pasi Sahlberg:

 A Finlândia não se preocupa em educar alguns, mas sim a todos. As escolas (aulas, alimentação,
recursos materiais, transporte) são responsabilidade do Estado.
 O país oferece oportunidades iguais a todos e incentiva as pessoas a encontrarem seus talentos.
 Educação é trabalhada como compromisso coletivo e nacional, com a divisão de responsabilidades entre
todos os envolvidos. Com isto não apenas o governo, os gestores das escolas ou os professores, mas
também os próprios alunos, seus pais e toda a comunidade.
Há também o que foi chamado pelo professor Sahlberg de paradoxos da educação finlandesa que
igualmente merecem nossa atenção e apreciação, a saber:
 Paradoxo 1 – “Less is More” (Quando menos é mais...) – O que se procura reforçar com esta afirmação é
o conceito de que educação de qualidade não significa necessariamente grande volume e/ou quantidade
de aulas, exercícios, tarefas. De acordo com as palavras do professor Sahlberg, os finlandeses acreditam
que “não adianta encher os alunos de aulas ou exercícios, eles não irão aprender mais por causa disso”.
Eles acreditam, por experiência, ser de fundamental importância que os educadores tenham plena
consciência do seu trabalho e que, certamente, o tempo disponível para pesquisa, leitura, planejamento e
intercâmbio que surge ao não se sufocar o aluno com tantas atividades deve ser (e, na Finlândia é)
utilizado para a concretização desta ação mais consciente e objetiva dos professores.

 Paradoxo 2 – “More learning with less testing” (Aprende-se mais com menos avaliações) – Não há
“standardized tests” ou testes nacionais padronizados. O tempo gasto para avaliar é deslocado para
ações de ensino-aprendizagem, o que diminui o stress geral dos estudantes e aumenta
consideravelmente a atenção despendida pelos educadores com o ensino propriamente dito.
 Paradoxo 3 – “Equity Through Diversity” – (Igualdade na Diversidade) – Os finlandeses tiveram um
crescimento expressivo na quantidade de imigrantes que entraram no país ao longo das últimas duas
décadas. Esta diversidade étnica e cultural, comprovada a partir de dados e estatísticas apresentados na
palestra, é vista como oportunidade para o crescimento tanto dos nativos da Finlândia quanto dos que no
país se estabeleceram e estão criando raízes. A diversidade é elemento importante para o crescimento da
nação, creem os finlandeses.

 Paradoxo 4 – “The better a high school graduate is, the more likely she wants to become a teacher” -
(Quanto melhor é uma estudante ao finalizar o Ensino Médio, maior o desejo desta se tornar professora) –
De acordo com os dados do país, entre 20 e 25% dos formandos do Ensino Médio quer ser professor. A
profissão é valorizada não apenas em termos financeiros, com boa remuneração, mas porque os
professores são considerados socialmente como muito importantes para o futuro da nação (Estão em
segundo lugar no ranking nacional finlandês de confiabilidade, perdendo apenas para os policiais!). Se
não bastasse isto, a consideração com os educadores é tão grande, e igualmente é tão reconhecida a
qualidade de sua formação, que muitos deles são contratados por grandes empresas (como a própria
Nokia, por exemplo), pois são profissionais que sabem lidar com pessoas, planejar, orientar ações,
demonstram criatividade...

Para finalizar, destaco o pensamento que nos foi apresentado logo ao início da palestra do
professor Pasi Sahlberg e que utilizei como subtítulo deste Editorial já que, creio, ilustra bem aquilo que
pensam os finlandeses e também a minha pessoa quanto à educação:

“Tudo é possível em educação se sabemos o que estamos fazendo” (Prof. Dr. Pasi Sahlberg)
A Suécia é o país que mais investe em educação no mundo
(*) Nelson Valente
A Suécia é o país que mais investe em educação. Só em 2005, gastou 7,6% do seu Produto Interno Bruto
nessa área, superando os Estados Unidos, a França, o Japão e a Itália, que aplicaram índices inferiores
do seu PIB no mesmo setor. Com uma população de 8,4 milhões de habitantes, o país passou por uma
intensa reforma educacional, a partir dos anos 50. Hoje, dedica nove anos à escolarização obrigatória,
que abrange alunos dos sete aos dezesseis anos de idade; dispõe de classes integradas para o ensino
médio, objetivando acomodar indivíduos a partir dos 16 anos; possui um sistema municipal de educação
de adultos oferecendo a mesma qualidade-padrão dada aos mais jovens; e conta com um nível superior
aberto a qualquer um, com qualificações bastante diversificadas. Todas as crianças entram no pré-escolar
pelo menos um ano antes de iniciar a escolarização obrigatória. As instituições que realizam esse
trabalho não pertencem ao sistema regular de ensino, mas a programas governamentais de auxílio à
criança. A parcela do orçamento voltada para o ensino é distribuída de tal forma que aumenta os
incentivos, estimulando os estudantes. A pré-escola, a educação obrigatória e o ensino médio são
controlados pelas autoridades municipais, mas os gastos com a manutenção são divididos com o Estado.
As escolas são gratuitas e seus alunos recebem ainda o material escolar, a refeição e o transporte.
Existem poucas escolas particulares. Os pais dos estudantes recebem o salário-família, que é idêntico
para todos, até que os dependentes completem 16 anos. A partir daí, os jovens que desejam continuar os
estudos recebem bolsas. Chegando ao nível superior, essas bolsas passam a ser empréstimos
reembolsáveis.
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As administrações municipais proporcionam a um número cada vez maior de crianças atendimento


durante todo o dia e atividade fora do horário escolar, por preços módicos. A educação em nível
universitário é totalmente controlada pelo governo, existindo mais de 30 instituições que proporcionam
ensino gratuito. Na Suécia, as pessoas com retardamento mental cursam uma escola especial, que não é
apenas um direito, mas faz parte da escolarização obrigatória, na faixa dos 7 aos 21 anos. A integração
entre o ensino regular e o especial cria condições para uma cooperação mútua, oferecendo aos
deficientes mentais as mesmas facilidades de que dispõem os outros estudantes. Observando o sistema
educacional sueco, nota-se uma forte preocupação em manter um currículo homogêneo, igual para todas
as escolas do país. Ele contém exigências expressas quanto às tarefas escolares, de maneira que elas se
adaptem às necessidades intelectuais e sociais dos alunos. O objetivo principal do governo é beneficiar o
desenvolvimento da personalidade da criança, aumentar suas possibilidades de uma boa colocação no
mercado de trabalho e garantir uma intensa participação na vida da comunidade. Para um país das suas
dimensões, o sistema funciona de modo bastante adequado, o que resulta na posição invejável da Suécia
no conceito internacional. (*) é professor universitário, jornalista e escritor
O SISTEMA DE EDUCAÇÃO NA SUÉCIA *

A - PRINCÍPIOS, ORGANIZAÇÃO E ADMINISTRAÇÃO

1 – Os Princípios Fundamentais

O acesso de todos os cidadãos a uma educação equivalente,


independentemente do sexo, de grupos étnicos, e de classe social; uma escola
obrigatória (de nove anos) e uma escola secundária superior (de três anos)
compreensivas, abertas a todos os jovens; a co-educação; a validade nacional
dos currícula, tanto para a escola obrigatória como para a não obrigatória, são
princípios fundamentais do sistema educativo da Suécia.

Por outro lado, a escola especial para indivíduos portadores de deficiência, a


escola Sami para a única minoria claramente definida no país, a educação de
adultos, com diversidade de opções, e integrada no sistema de ensino público,
e a formação contínua, igualmente oferecida em todo o país numa grande
multiplicidade de formas, contribuem para a solidez de um sistema
estruturalmente uniforme em todos os níveis em que se desenvolve.

2. A Distribuição de Responsabilidades

Ao parlamento e ao governo cabe a responsabilidade global pela educação na


Suécia. O governo planifica e toma iniciativas legislativas que submete como
propostas ao parlamento, um trabalho em que é apoiado por cerca de duzentas
comissões, constituídas, geralmente, por parlamentares de diferentes partidos,
por representantes de diferentes organizações sociais, por funcionários
públicos experientes e por especialistas em diferentes áreas.

Toda a educação e a formação vocacional sueca se encontram sob jurisdição


do Ministério da Educação e Ciência, com apenas duas excepções - a
formação em ciências agrárias, feita no âmbito do Ministério da Agricultura, e
a formação para o emprego, uma responsabilidade do Ministério do Trabalho.

A implementação das leis específicas para a educação, aprovadas pelo


parlamento, é uma competência do próprio estado, dos conselhos regionais,
dos municípios e de organização privadas.

Por tradição fortemente centralizado, o sistema de educação sueco tem


passado por reformas profundas que operaram alterações no papel
desempenhado pelo estado. No essencial, o governo e o parlamento definem
os grandes objectivos nacionais, cabendo às autoridades administrativas
nacionais e locais e aos responsáveis das diferentes instituições as tarefas de
assegurar a implementação das actividades que conduzem à obtenção desses
objectivos.

2.1 - A Administração (a nível central)

Para além da competência em termos da aprovação das leis, também o


financiamento da educação incumbe ao parlamento. Através de portarias e da
definição de linhas gerais de orientação, o governo decide sobre a distribuição
das verbas aprovadas. Cabe também ao Governo a definição dos curricula.

O trabalho de monitorização e de avaliação de todas as actividades educativas,


bem como o desenvolvimento de todo o sistema de educação e a concessão de
apoio financeiro aos estudantes competem a agências governamentais,
imediatamente subordinadas ao Ministério da Educação e Ciência. De entre
elas, destacam-se a Agência Nacional para a Educação, a principal autoridade
central em matérias de investigação, de supervisão e de formação contínua dos
professores.

No que respeita à monitorização e avaliação das universidades e dos colégios


universitários, a Agência Nacional para o Ensino Superior é responsável pelas
questões da qualidade da educação, investigação, coordenação e distribuição
de certos fundos, informação e reconhecimento de graus, bem como pelo teste
de aptidão universitária.

Uma outra entidade de relevância é a Comissão Nacional de Apoio ao


Estudante, a quem compete a administração e a avaliação do apoio financeiro
aos estudantes no âmbito da educação obrigatória, tanto na Suécia como no
estrangeiro.

Às agências nacionais compete ainda a elaboração de relatórios e de propostas


orçamentais a apresentar anualmente ao governo, para além da
obrigatoriedade de regularmente fornecerem ao parlamento e ao governo um
quadro abrangente da situação educativa do país.

2.2 - A administração (a nível local)

Com a excepção da educação de nível superior, praticamente toda a educação


pública na Suécia se encontra sob jurisdição municipal, incluindo a
responsabilidade pelo pessoal docente, transferida em 1991 do estado para as
autarquias.

Os municípios e os conselhos regionais são apoiados por comissões que


garantem a operacionalidade do sistema, nomeadamente em termos das
construções e do equipamento, da qualidade dos corpos docentes das escolas e
da sua formação contínua, do financiamento. Estas comissões asseguram deste
modo a obtenção de padrões nacionais equivalentes.

No essencial, o trabalho das comissões de apoio aos municípios e aos


conselhos regionais assenta na elaboração de um plano de trabalho com base
no curriculum e nas prioridades locais, bem como na sua monitorização e
avaliação.

2.3 - A Administração (a nível institucional)

O sistema de educação superior foi profundamente reformado em 1993,


alterando o papel tradicionalmente desempenhado pelo estado. Para as
universidades e colégios universitários transitaram matérias até então na
dependência do parlamento e do governo, nomeadamente a organização dos
estudos, a utilização dos recursos disponíveis e a estrutura institucional.

3. O Financiamento

3.1 - O financiamento da educação não superior na Suécia é partilhado pelo


estado e pelas administrações locais. Saliente-se, contudo, que os subsídios
estatais aos municípios (que são um suplemento do financiamento do poder
local) não pressupõem o estabelecimento de condições prévias. Dito de outro
modo, os municípios têm a capacidade de distribuir os fundos recebidos de
forma livre, podendo o estado agir apenas em caso de afastamento, por parte
do poder local, das regras gerais do sistema.

Para além dos subsídios de funcionamento geral, o estado atribui ainda aos
municípios subsídios especiais para investigação e desenvolvimento, o mesmo
acontecendo em relação aos docentes e aos alunos com deficiência intelectual.

Os materiais de ensino e a alimentação na escola obrigatória são geralmente


gratuitos, um princípio válido também em alguns municípios para a escola
secundária superior. Os municípios são ainda obrigados a fornecer transportes
gratuitos aos alunos da escola obrigatória, desde que ela se situe na área da
sua residência.

Para todos os alunos com idades compreendidas entre os 16 e os 20 anos que


frequentem a escola secundária superior existem também subsídios estatais,
uma medida aplicável também aos alunos de escolas privadas (independentes)
se o seu trabalho for supervisionado pelo estado.

3.2 - A educação superior é financiada directamente pelo estado. A partir de


1993, a atribuição de fundos às universidades e aos colégios universitários é
feita directamente pelo parlamento, com base em propostas do governo, e
materializa-se num contrato de três anos que assenta no princípio dos
resultados conseguidos, avaliados pelo número de créditos conseguidos pelos
alunos (60%) e pelo número de alunos a estudarem a tempo inteiro em cada
uma das instituições (40%).

As instituições de educação superior que são administradas por entidades


locais (por exemplo, os Colégios de Ciências da Saúde) também obtêm
subsídios estatais.. Os custos não cobertos pelos fundos públicos são
suportados por cada conselho regional e por cada município.

4 - Corpos consultivos

De acordo com a lei, as organizações de professores e de outros funcionários


têm o direito à informação e à participação na tomada de decisões. Por outro
lado, ao responsável pela escola compete a informação e a consulta aos alunos
e aos pais em matérias de importância para os alunos e para toda a instituição.
Muito influentes na vida escolar são as associações de pais, frequentemente
em ligação estreita com os professores.

Desde 1996 que, em regime experimental, e por um período de cinco anos,


uma lei governamental obriga os municípios a estabelecerem comissões locais
constituídas por professores principais, representantes do pessoal não docente
e por pais, sendo estes a maioria.

No âmbito da educação superior, os sindicatos têm a capacidade para influir


em decisões. Do mesmo modo, os conselhos de direcção das universidades e
dos colégios universitários são constituídos por uma maioria de representantes
do comércio, da indústria, dos municípios e dos conselhos regionais.

No que se refere aos estudantes, eles estão presentes (com pelo menos dois
representantes) em todos os conselhos e na direcção das universidades e dos
colégios universitários.

As associações de estudantes da educação superior funcionam como


sindicatos, competindo-lhes a nomeação dos seus representantes nos corpos
dirigentes das universidades e dos colégios universitários e uma
responsabilidade elevada nos serviços e actividades sociais.

Em cada instituição podem existir uma ou mais associações de estudantes.

5 -As Instituições Privadas de Educação

Têm-se alterado nos últimos anos as regras para a abertura de instituições


privadas (independentes) no mundo da educação. Contudo, a percentagem de
alunos inscritos neste sector no âmbito da escola obrigatória e da escola
secundária superior é apenas de 2%. Saliente-se o facto de cerca de metade
das escolas independentes terem como característica fundamental uma
orientação pedagógica específica, por exemplo, o método Montessori, o
método Rudolf Steiner, entre outros.

As instituições independentes (ou privadas) têm de assentar, tal como as


públicas, em valores democráticos. Na tolerância.

A lei sueca impõe aos municípios a concessão de subsídios às escolas


independentes de educação obrigatória, de acordo com os mesmos critérios
utilizados para as instituições dos próprios municípios. A atribuição de
subsídios às escolas privadas obriga a que o ensino nelas ministrado seja
gratuito. Por outro lado, a inspecção da actividade escolar, nestas condições, é
uma competência municipal.

Existem dois tipos de escolas independentes que oferecem uma educação não
obrigatória - as escolas secundárias superiores independentes, em que os
alunos obtêm uma formação equivalente à que é ministrada nas escolas
públicas do mesmo nível de ensino, e as escolas "suplementares" privadas,
com cursos que podem ser frequentados por detentores do diploma da escola
secundária superior, ou por indivíduos com experiência profissional. No caso
de o governo definir que estes cursos constituem um complemento real e
valioso da educação anterior, as escolas "suplementares" podem ser
subsidiadas pelo Estado.

No âmbito da educação superior são muito poucas as instituições privadas. As


que existem são obrigadas a garantir os princípios fundamentais da educação
do país.

B - O ACTUAL QUADRO DO SISTEMA

O quadro 1 esquematiza a realidade actual do sistema educativo da Suécia.


Nas páginas seguintes analisar-se-á o fundamental dos diferentes tipos de
escolas que o integram.
In: "The Swedish Education System". Swedish Ministry of Education and Science, August 1997

1. Existem 45 diplomas, a maior parte deles sendo programas de formação de médicos e de professores.

1 - A EDUCAÇÃO PRÉ-ESCOLAR

1.1 - Sector Público de Apoio à Criança

A educação pré-escolar na Suécia está integrada no sector público de apoio à


infância, com objectivos definidos pelo parlamento, cabendo ao Ministério da
Educação e Ciência, desde 1 de Julho de 1996, a responsabilidade pela
preparação de legislação específica.

A supervisão, tanto das instituições de educação pré-escolar como de todos os


restantes sectores de apoio à criança em termos nacionais, é uma competência
da Agência Nacional de Educação desde 1 de Janeiro de 1998.

O sector público de apoio à infância, que é co-educacional, está aberto a todas


as crianças cujos pais se encontrem a trabalhar/estudar, sendo financiado pelo
orçamento dos municípios e por propinas pagas pelas famílias. Contudo,
quando esse serviço de apoio assume a forma de pré-escola, ele é gratuito para
as crianças com 6 anos e para as que são portadoras de deficiência.

Desde 1 de Janeiro de 1995, os municípios estão obrigados a oferecer a todas


as crianças com idades compreendidas entre 1 e 12 anos, desde que os pais se
encontrem a trabalhar/estudar, em lugar, quer no sector público, quer no
privado, um objectivo atingido já em mais de 90% do país, equivalente a
14.830 instituições.

Os serviços de apoio à infância assumem formas diversificadas, destacando-se


os seguintes:

centros de dia - (7.680 em 1995; frequência - 361.000).

Destinados a crianças entre os 0 e os 6 anos, cujos pais se encontrem a


trabalhar/estudar, encontram-se abertos todo o ano, de segunda a sexta-feira,
geralmente entre as 06:30 e as 18:30 horas, com grupos de crianças com
idades distintas.

grupos em tempo parcial - (1.000 em 1995; frequência - 65.000).

Frequentados por crianças entre os 4 e os 6 anos, funcionam durante todo o


ano escolar e as crianças reunem-se durante três horas por dia, ou de manhã,
ou à tarde.

pré-escola aberta - para crianças em idade pré-escolar.

Acompanhadas pelos pais ou por outro familiar, as crianças frequentam esta


pré-escola alguns dias por semana.

O objectivo principal da pré-escola é a integração social da criança, uma


tarefa planificada em cooperação com as famílias e que deve ter como
referências o meio social de origem das crianças, os seus interesses,
experiências e necessidades especiais.

Áreas principais de actividade na pré-escola: actividades culturais (língua,


drama, música, arte, pintura, cerâmica, estudos sobre a natureza e a vida
comunitária) através do jogo e de tarefas do dia-a-dia. Para além destas, e ao
longo do ano, há actividades de ar livre.

Será importante destacar que a pré-escola não ministra educação escolar per
se, preocupando-se sobretudo com a aprendizagem preparatória para a escola
obrigatória.

centros post-escola - (2.780 em 1995; frequência - 210.000)

Para crianças entre os 6/7 e os 12 anos. Abertos antes e depois da escola, e


durante as férias, oferecem actividades e opções de aprendizagem, em
aditamento ao currículo escolar.

1.2 - Professores e Auxiliares


O pessoal que trabalha nos centros de apoio infantil, professores, auxiliares,
instrutores recreativos, são funcionários públicos dos municípios.

Nos centros designados por pré-escola aberta o pessoal é constituído por


professores e auxiliares, sendo o seu trabalho frequentemente apoiado pelos
pais. De forma diversificada, este pessoal coopera com os professores dos
primeiros anos da escola obrigatória.

A formação dos professores da pré-escola e a dos instrutores recreativos é


feita em universidades e nos colégios universitários em cursos com a duração
de três anos. Os auxiliares recebem a formação em programas de estudo de
três anos oferecidos pela escola secundária superior.

A responsabilidade pela formação contínua cabe aos municípios.

Em 1995, o pessoal em serviço em todo o país, no âmbito da educação pré-


escolar, atingia 88.700, constituíndo os professores e os instrutores recreativos
51.380, e os auxiliares, 33.380.
NOTA: Já depois de elaborado este capítulo, tivemos acesso a uma informação (Le Magazine-Éducation, Formation et Jeunesse en
Europe, Secção "Le point sur les réformes de l’éducation") sobre uma alteração de fundo no âmbito do ensino pré-escolar na Suécia: o
governo trabalha actualmente na sua integração no ensino obrigatório a fim de desenvolver as actividades pedagógicas nos dois sectores. A
Agência Nacional de Educação será responsável pela supervisão, avaliação e desenvolvimento das actividades pré-escolares e dos centros de
dia para as crianças em idade escolar.

2- A EDUCAÇÃO OBRIGATÓRIA

(PRIMÁRIA E SECUNDÁRIA INICIAL)

2.1. Os princípios e a diversidade do Sistema

Introduzida formalmente na Suécia em 1842, o processo de reforma da


educação obrigatória, tendo em vista o seu alargamento, iniciou-se em 1940.
Em 1962, o parlamento votou a obrigatoriedade de uma escola compreensiva
de nove anos, gratuita e para ambos os sexos, a sua total implementação tendo
ficado concluída no ano lectivo de 1972/73.

Em 1985, o parlamento sueco definiu as quatro grandes finalidades a atingir


na educação obrigatória: igualdade de oportunidades de acesso no sector
público da educação; a oferta, a nível nacional, de uma formação equivalente;
a formação científica dos alunos por forma a torná-los cidadãos responsáveis;
o desenvolvimento dos valores democráticos - inviolabilidade da vida
humana, liberdade e integridade pessoais, igualdade humana universal,
igualdade entre homens e mulheres, solidariedade para com os mais fracos e
desfavorecidos

O sistema público de educação obrigatória compreende a escola regular


(dentro do país e em outros estados onde vivam comunidades suecas de
dimensão significativa), a escola Sami (para crianças de língua Sami, no norte
do país) (1), as escolas especiais (para crianças deficientes auditivas, de visão
ou de linguagem) (2), a escola para crianças com deficiência intelectual (3) .
As famílias suecas podem, contudo, optar por inscrever os seus filhos em
escolas independentes (privadas) (4)

Inicialmente prevista para crianças e jovens entre os 7 e os 16 anos, a partir de


1991, e na condição de as famílias o desejarem e os municípios terem
capacidade de resposta, as crianças com 6 anos de idade podem iniciar esta
escolaridade.

A partir de 1 de Julho de 1997, os municípios ficaram obrigados a aceitar


todas as crianças de 6 anos, se essa for a vontade manifestada pelos pais.

Os dados estatísticos referentes ao ano lectivo de 1995/96 mostram uma


frequência total de 938.700 alunos (4.934 escolas), 130 dos quais
frequentando a escola Sami, e 20.250, instituições independentes (238
escolas). O número de professores era de 83.230, sendo a ratio professor/aluno
de 7.9/100 nas escolas municipais do sector público, e de 8.7/100 nas escolas
independentes.

2.2 - A organização

A responsabilidade da organização do sector público da escola obrigatória


compete ao governo e ao parlamento. O estado define objectivos e linhas de
orientação e os municípios implementam-nos.

Tendencialmente descentralizador, em termos de tomada de decisões, o


sistema de escolaridade obrigatória da Suécia é coordenado, a nível nacional,
pelo Ministério da Educação e Ciência, competindo-lhe a definição de
responsabilidades e de competências.

À autoridade administrativa central - a Agência Nacional para a Educação,


com onze gabinetes regionais, cabem as tarefas de monitorização e de
avaliação do sistema escolar, a supervisão das actividades educativas, a
apresentação de propostas de desenvolvimento, a organização de programas
de formação de gestores escolares e de formação contínua de professores.

A implementação prática da escolaridade é uma responsabilidade conjunta dos


municípios e das famílias. O poder local tem, deste modo, uma liberdade
ampla em questões de administração educativa. Quando em 1991 lhe foi
atribuída a competência para a nomeação de professores, os municípios
adquiriram a responsabilidade total pela organização e implementação da
actividade escolar.
2.3 - A Estrutura da Formação

Em Dezembro de 1993, o parlamento aprovou legislação específica que


estabelecia novas linhas de orientação curricular para o conjunto do sistema
escolar sueco, o que significou, na prática, a necessidade de alterações
extensas tanto no currículo como nos programas, nos calendários e no sistema
de avaliação da escola obrigatória.

O novo sistema tornou-se efectivo em 1995/96 para os sete primeiros anos,


alargando-se à educação de deficientes intelectuais, às escolas especiais e ao
conjunto da escola Sami.

A escola obrigatória deixou de estar dividida em níveis. Os programas


nacionais para cada disciplina definem os objectivos que devem ser atingidos
pelos alunos no final do quinto e do nono anos, uma medida que abre a
possibilidade de uma avaliação à escala nacional no final de cada um desses
anos.

Aos professores foi dada uma grande liberdade de planificação do seu ensino
e de escolha dos seus métodos de trabalho, bem como de selecção de
conteúdos.

De modo a assegurar padrões equivalentes em todo o país, foi aprovado pelo


parlamento um quadro orientador da organização do trabalho escolar: criação
de seis áreas no conjunto curricular - skills básicos (sueco, matemática e
inglês), estética, ciências sociais, ciências naturais, língua de opção individual
dos alunos; obrigatoriedade de um mínimo de docência para os nove anos de
escolaridade em unidades de sessenta minutos (6.665 horas); a possibilidade
de dilatar este número por livre iniciativa das autoridades competentes locais;
a possibilidade de alargar as disciplinas optativas; a liberdade de os docentes
poderem distribuir o tempo da sua leccionação para cada ano de escolaridade;
o aumento do tempo de ensino para a segunda língua estrangeira; a introdução
da língua espanhola como alternativa ao alemão e ao francês no conjunto das
disciplinas optativas que cada município é obrigado a oferecer; a possibilidade
de inclusão de uma terceira língua estrangeira como disciplina de opção.

Nos seis primeiros anos de escolaridade o ensino é fundamentalmente de


professor único, existindo, contudo, professores específicos para as áreas de
educação física, de educação artística e de música. Nos anos posteriores, o
número de professores por classe é mais elevado, muitos deles com
especialização em duas ou três áreas científicas.

Em termos de avaliação do rendimento escolar, existem três níveis de


classificação por disciplina: Aprovação, Aprovação com Distinção,
Aprovação com Distinção Excepcional.
Os exames finais nacionais em Sueco, Inglês e Matemática asseguram uma
avaliação assente em critérios de equivalência. Para além desta disposição, as
classificações finais assentam em critérios de avaliação nacionalmente
definidos.

2.4 - O Ano Lectivo

Dividido em dois semestres (o primeiro, de fins de Agosto até finais de


Dezembro; o segundo, desde o princípio de Janeiro ao começo de Junho, mas
podendo variar de município para município), o ano lectivo tem a duração de
quarenta semanas, com um número de dias de aula (de segunda a sexta-feira)
compreendido entre 178 e 190.

O período distribui-se pelos dois semestres: no segundo, há duas semanas de


férias, uma em Fevereiro/Março, coincidindo com a época dos desportos de
inverno; a outra, coincidindo com a Páscoa.

Um dia de aulas não pode exceder a duração de oito horas, no caso dos alunos
mais velhos; seis horas, para os mais novos (os alunos dos dois primeiros anos
de escolaridade).

2.5 - A Formação de Professores

A formação de professores da Educação Obrigatória é feita nas universidades


e nos colégios universitários em cursos que têm entre 3 ½ e 4 ½ anos de
duração, de acordo com as especialidades. Uma certificação equivalente
habilita os cidadãos da União Europeia e da EFTA a ensinar na Suécia.

Em 1988/89 foi introduzido um novo programa integrado de formação que, no


fundamental, determina: a) a frequência de cursos de 3 ½ - 4 anos para os
candidatos a professores nos sete primeiros anos da escolaridade obrigatória,
com especialização em uma ou duas áreas científicas, e com a possibilidade
de escolha entre três diferentes variantes do curriculum básico; b) a
especialização dos futuros professores do quarto ao nono anos em uma de
cinco áreas científicas, em cursos com a duração de 3 ½ a 4 ½ anos, em
função da especialização, com a possibilidade de alargar a formação
específica que os qualificará para a docência na educação secundária superior.

Comum às duas formações, a formação pedagógica e didáctica num curso


com a duração de um ano.

A partir do ano lectivo de 1992/93 foi introduzida na Suécia uma formação


alternativa para os professores dos quarto ao nono anos de educação
obrigatória - uma preparação científica com cadeiras em combinações
diferenciadas, seguida de um ano de preparação pedagógica.
A responsabilidade pela formação contínua dos professores cabe aos
municípios. Desde Janeiro de 1991 que os professores são funcionários
municipais.

À Agência Nacional para a Educação compete a responsabilidade de assegurar


a oferta de cursos de formação contínua em todas as regiões do país. Às
autoridades locais de educação incumbe a obrigatoriedade de manter todo o
pessoal docente adequadamente preparado.

As universidades e os colégios universitários oferecem este tipo de formação


em cursos de duração variável, desde uma a vinte semanas. Ao comité de
educação local cabe a decisão de quais os professores que deverão frequentá-
los.

3- A EDUCAÇÃO SECUNDÁRIA SUPERIOR

3.1 - A Estruturação

Na década de setenta assistiu-se na Suécia à unificação da escola secundária


superior e iniciou-se um processo de alterações, que prosseguiram na década
seguinte, tendentes a conciliar as necessidades do mercado de trabalho e do
ensino superior com as expectativas dos jovens. Uma reforma da estrutura da
escola secundária superior, iniciada no final dos anos oitenta, conduziu a um
novo sistema de educação introduzido em 1992/93, estabelecendo-se então
que a sua total implementação deveria estar concluída no ano lectivo de
1995/96.

Aproximadamente 98% dos alunos que concluem a escola obrigatória


concorrem à escola secundária superior, sendo aceites na sua maioria. A
aprovação nas disciplinas de Sueco, Inglês e Matemática na escola obrigatória
é condição necessária de acesso desde 1993.

A grande maioria dos estudos secundários superiores é feita em escolas


municipais (5). Há, contudo, sectores (agricultura, arboricultura, horticultura,
etc.) que estão organizados em escolas sob supervisão dos conselhos
regionais.

O sector privado da educação secundária superior existe nas grandes áreas


urbanas, não atingindo os 11% de instituições e os 2,5% de alunos.

Toda a educação secundária superior municipal é feita em regime de co -


educação, sendo inteiramente gratuita.

Os dados estatísticos referentes ao ano lectivo de 1995/96 revelam: que o


número de escolas existentes no país era de 640, 70 das quais no sector
privado; que no conjunto de toda a formação secundária superior havia
312.400 alunos inscritos, encontrando-se 284.500 nas escolas municipais,
20.700 nas escolas regionais e apenas 7.200 nas escolas independentes
(privadas); que o número total de professores se cifrava em 29.200, havendo
um ratio professor/aluno de 6.9 nas escolas municipais, de 8.5 nas escolas
regionais e nas escolas independentes; que nos programas de estudo
académicos as turmas não excediam os trinta alunos, reduzindo-se esse
número para dezasseis nos estudos vocacionais.

3.2 - A Organização do Estudo

A educação secundária superior introduzida em 1992/93 organiza-se em


dezasseis programas nacionais de estudo com três anos de duração. Catorze
desses programas têm uma orientação vocacional - artes, comércio e
administração, construção e engenharia civil, engenharia eléctrica, actividades
recreativas com crianças, desporto, bibliotecas, processamento, venda e
distribuição de alimentos, cuidados de saúde, hotelaria e restauração, entre
outros.

Dois programas destinam-se à preparação dos candidatos à universidade. Um


deles, na área das ciências, para prosseguimento de estudos em matemática,
ciência e tecnologia; o outro, em ciências sociais, para candidatos a estudos
superiores em economia, línguas, etc.

Pela importância que assume no mundo actual, caracterizado pela formação


de grandes blocos regionais políticos e económicos, sublinha-se que num
número ainda limitado de escolas a formação secundária superior pode ser
feita em língua inglesa, o idioma de mais ampla comunicação nos nossos dias.

Existe ainda a possibilidade de os alunos optarem por programas especiais,


com um plano de estudos construído em regime de cooperação
alunos/instituição, para além de programas individuais, destinados a
indivíduos ainda indecisos quanto à(s) área(s) que desejam seguir, deixando-
lhes aberta a possibilidade de transferência posterior para um dos dezasseis
programas nacionais.

Os municípios devem oferecer uma selecção compreensiva dos programas


nacionais. Dois ou mais municípios poderão constituir uma região de
cooperação para um programa nacional.

A maior parte dos programas nacionais ramifica-se nos 2º. e 3º. anos, podendo
ainda os municípios criar ramificações adaptadas às necessidades e às
condições locais.
Aos alunos é dada uma possibilidade alargada de selecção do conteúdo da sua
própria formação, bem como a de influenciar as condições de aprendizagem e
as formas de avaliação.

3.3 - O Curriculum

O conjunto curricular é constituído, desde 1 de Julho de 1994, por oito


disciplinas comuns (cerca de um terço do número total de horas dos
programas) e por disciplinas específicas.

Todos os alunos têm ainda de desenvolver um trabalho de projecto durante o


curso, para além de trabalho prático relacionado com as disciplinas que são
leccionadas. Está aberta também a possibilidade de escolha individual de
disciplinas adicionais dentro dos programas nacionais.

3.4 - Os Horários

Podendo diferir de acordo com cada programa, o tempo total de leccionação


pode ir de 2.150 horas (artes, ciências sociais e ciências naturais) a 2370. Pelo
menos, quinze semanas da formação em catorze dos programas nacionais, e
algumas semanas também nos restantes, deverão ser destinadas à formação
num local de trabalho, cabendo à instituição a tarefa de colocação dos alunos e
também a sua supervisão.

3.5 - A Formação de Professores

As disciplinas de formação geral da escola secundária superior são regidas por


professores com formação universitária em duas ou três áreas científicas e
com preparação pedagógica e didáctica de um ano.

Constituem requisitos mínimos de formação, quatro anos de estudos


superiores, dois deles na área principal, um ano e meio para as restantes
disciplinas (dois anos, no caso das línguas modernas, sueco e disciplinas de
índole artística, cívica e prática).

A formação vocacional é dada por professores com qualificações avançadas


em economia e tecnologia, ou por professores vocacionais com formação em
teoria vocacional. A formação pedagógica e didáctica é-lhes também exigida,
bem como uma experiência prática ampla no seu sector específico.

3.6 - A Orientação (de Estudos e Vocacional)

Tendo como objectivo o apoio para os estudos subsequentes dos alunos, as


instituições de ensino secundário superior oferecem orientação para os estudos
em geral, a par de uma orientação vocacional. Esta, preocupada tanto com o
mercado de trabalho como um todo como com os sectores individuais de
actividade, constituindo o contacto com a vida real uma parte integrada da
formação.

A cooperação entre as escolas e a vida activa é estabelecida por intermédio de


comités vocacionais conjuntos.

3.7 - A Avaliação

A avaliação do trabalho escolar é um processo contínuo, não havendo,


portanto, lugar a exames, sendo as classificações, numa escala de quatro
níveis (reprovado, aprovado, aprovado com crédito, aprovado com distinção),
atribuídas na conclusão de cada um dos cursos e do respectivo trabalho de
projecto e não às disciplinas individuais no fim de cada período de trabalho.

4 - A EDUCAÇÃO DE ADULTOS

4.1 - A Diversidade do Sistema

O sistema de escola pública para adultos compreende a educação municipal, a


de deficientes intelectuais, o ensino da língua sueca para imigrantes, e ainda as
escolas nacionais. Com a excepção destas últimas, toda a educação de adultos
é gerida pelos municípios.

4.1.1 - A Educação Municipal de Adultos

A educação municipal de adultos existe na Suécia desde 1968 e conduz à


habilitação de qualificações formais em áreas individualizadas podendo,
contudo, conceder equivalência ao certificado final da escola obrigatória e/ou
da escola secundária superior.

Organizada em cursos separados, os alunos podem estudar em regime de


tempo inteiro ou de tempo parcial, conjugando o emprego e o estudo. Não são
exigidos requisitos ou exames de acesso.

Desde o ano lectivo de 1992/93, a educação municipal de adultos inclui a


educação básica, a educação secundária superior e a educação suplementar.

A primeira confere conhecimento e competências iguais às oferecidas no


conjunto de escola obrigatória; a educação secundária superior de adultos
oferece os mesmos programas e disciplinas da escola secundária superior
regular, com a excepção de disciplinas das áreas de desporto e de estética.

De modo a ir ao encontro de necessidades individuais, os municípios


procedem geralmente a alterações nos horários (incluindo a redução de
número de aulas).
Possibilitar a frequência de cursos vocacionais não existentes na escola
secundária regular é o objectivo da educação suplementar de adultos,
promovendo competências profissionais acrescidas ou preparando-os para
uma nova actividade no mundo do trabalho.

4.1.2 - A Educação de Adultos Deficientes Intelectuais

No essencial, esta educação é equivalente à que é fornecida a crianças


deficientes intelectuais na escola obrigatória e à educação vocacional da
escola secundária superior para jovens deficientes intelectuais.

Ela é organizada em termos de programas nacionais, mas basicamente


adaptada às situações específicas dos alunos. O núcleo de disciplinas básicas
do currículo é igual, mas os programas são próprios. A duração da formação é
de 3.600 horas, 15% deste tempo sendo passado num local de trabalho. A
oferta desta educação engloba igualmente programas com um desenho
curricular específico e individualizado.

4.1.3 - O Ensino da Língua Sueca para Imigrantes

Aos municípios suecos incumbe a obrigatoriedade de oferta de cursos básicos


de língua sueca, geralmente com a duração de 525 horas.

4.1.4 - A Educação Nacional de Adultos

Existem na Suécia duas escolas nacionais para adultos que oferecem, parcial
ou totalmente, o ensino à distância. Os participantes são recrutados a nível
nacional, privilegiando-se aqueles que por razões várias se encontram
impossibilitados de frequentar os cursos municipais de educação de adultos.

4.1.5 - Outras Formas de Educação de Adultos

A forma mais tradicional de educação de adultos é a educação popular


organizada por 136 liceus populares, geralmente residenciais, administrados
por governos locais ou por entidades privadas. Estas escolas oferecem cursos
de longa e de curta duração podendo alguns deles qualificar os alunos para
entrarem na universidade.

A frequência das aulas é gratuita mas o alojamento e a alimentação está a


cargo dos alunos.

Para além destes liceus populares, existem no país onze associações de adultos
que organizam cursos correspondentes aos que são oferecidos pelo sistema
escolar e pelo ensino superior.
Tanto para os liceus populares como para estas associações de educação são
atribuídos subsídios pelo estado e pelo municípios.

4.1.6 - A Frequência

Em 1995/96, a educação municipal de adultos envolvia 211.000 cidadãos. Por


outro lado, nas escolas nacionais adquiriam formação 12.300 alunos, sendo de
3.600 o número de adultos com deficiência intelectual integrados neste tipo de
educação. 51.500 imigrantes seguiam cursos de língua sueca. Liceus
populares e associações de educação de adultos registavam, neste mesmo ano
lectivo, 35.000 alunos.

5- O ENSINO SUPERIOR

5.1 - A Amplitude do Sistema e os seus objectivos

Com a criação, em 1977, de um sistema integrado e uniforme para todos os


tipos de educação terciária, uma política de admissão mais ampla, uma
distribuição geográfica alargada e a criação de oportunidades para a educação
recorrente pôs-se termo a um sistema de educação fortemente centralizado
ditado pelo parlamento e implementado pelo Ministério da Educação e
Ciência. Simultaneamente, assistiu-se ao reforço das relações entre o ensino
superior, a investigação e a sociedade.

O ensino superior passou a abranger as universidades tradicionais, os diversos


institutos profissionais e os colégios universitários, bem como um conjunto de
programas regidos noutros tipos de ensino post-secundário. Em síntese,
passou a não existir distinção entre ensino universitário e não universitário,
isto é, o sistema de educação não é um sistema binário.

A maior parte dos programas ficou sob jurisdição do Ministério da Educação e


Ciência, competindo à Agência Nacional para o Ensino Superior a avaliação e
a supervisão das universidades e dos colégios universitários, a introdução de
inovações e a melhoria dos métodos de ensino, bem como a informação
relativa a programas de estudo, a questões de ensino superior de natureza
internacional, etc., outros, sob a supervisão do Ministério da Agricultura. Os
conselhos regionais ficaram com os programas paramédicos.

A reforma de 1993 possibilitou a organização local dos estudos e dos cursos,


tendo sido oferecida aos estudantes possibilidades alargadas de escolha dos
seus percursos.

Igualmente, foram definidos como objectivos do ensino superior: a oferta de


educação e o desenvolvimento da investigação; a implementação da formação
artística; a ênfase na qualidade e na utilização efectiva dos recursos
disponíveis; a igualdade entre homens e mulheres; o desenvolvimento da
compreensão dos outros povos, das suas culturas; o aprofundamento das
relações internacionais.

5.2- As Instituições de Ensino Superior

5.2.1 - As Instituições Públicas


A primeira universidade sueca foi fundada em 1477, em Uppsala, durante o
período de governo, como Protector, de Sten Sture, o Velho. No século XVII,
na Era do Grande Poder, e numa tentativa de aprofundamento de influência
nos territórios recentemente conquistados, foram criadas as Universidades de
Tartu, na Estónia, em 1632, Turku (Åbo), na Finlândia, em 1640.Lund, na
Suécia, foi criada em 1688.

No final do século XIX foram fundados os colégios universitários de


Estocolmo e de Göteborg, sendo-lhes concedido o estatuto de universidades
nos meados do século XX. As instituições de ensino superior de Umeå e de
Linköping tornaram-se universidades em 1965 e em 1975, respectivamente.

Existem actualmente na Suécia seis universidades com várias faculdades -


Estocolmo, Uppsala, Lund, Göteborg, Umeå e Linköping, a Universidade de
Tecnologia de Luleå e a Universidade Sueca de Ciências Agrárias. Estas
instituições têm a seu cargo uma disponibilidade financeira permanente para a
investigação e para a formação post-graduada.

Em diferentes zonas do país estão instalados dezasseis colégios universitários,


vinculados às universidades em termos de investigação, sendo ainda estaduais
pequenas instituições constituídas por uma única faculdade - o Instituto
Karolinska (Medicina e Medicina Dentária), o Real Instituto de Tecnologia, o
Instituto de Educação de Estocolmo e o Colégio Universitário de Educação
Física e Desportos - e sete pequenos colégios universitários em Estocolmo,
todos na área das Artes.

5.2.2 - Instituições Regionais

Dezanove colégios de Ciências da Saúde funcionam sob os auspícios de


conselhos regionais. Como já ficou referido acima, eles oferecem programas
preparatórios para trabalhar nas profissões paramédicas.

5.2.3 - Instituições Privadas

Instituições privadas de ensino superior são a Escola de Economia de


Estocolmo e o Colégio Universitário de Jönköping. A primeira, sob a forma
de fundação, com apoio governamental; a segunda, transferida do sector
público em 1944, também sob a forma de fundação.

5.3 - O Acesso ao Ensino Superior

A responsabilidade pela admissão e selecção dos candidatos ao ensino


superior fica, pela reforma de 1993, a cargo das instituições, as quais decidem
sobre o número de vagas nos diferentes programas e sobre os critérios que
podem ser aplicados: classificações anteriores; avaliação nos testes de aptidão;
entrevista; experiência de trabalho, entre outros.

Condições necessárias são, contudo, ter-se completado um programa nacional


de três anos de educação secundária superior (ou formação equivalente,
nacional ou estrangeira); possuir-se um domínio muito bom de língua inglesa.
Para os estudantes estrangeiros é também condição necessária para o acesso
ao ensino superior ter conhecimentos de língua sueca, por exemplo através da
frequência de um curso com um ano de duração.

5.4 - A Frequência

Nos anos setenta e oitenta, a despeito de uma crescente procura, as instituições


de ensino superior tinham uma capacidade constante para receber entre 40.000
e 45.000 novos estudantes/ano.

A partir de 1991, a expansão firme do número de vagas para a formação


inicial cifrou-se em aumentos de 30%, e no ano lectivo de 1995/96
encontravam-se inscritos 15.500 indivíduos em estudos de post-graduação,
285.800 na formação inicial, e 27.000 em programas de ensino à distância.

5.4.1 - Estudantes Estrangeiros na Suécia

Num estudo realizado em 1993, verificou-se existirem 11.000 estudantes


estrangeiros inscritos em instituições de ensino superior na Suécia, um
número que correspondia a 5% da frequência total e que, na sua maior parte
era constituído por imigrantes e refugiados, bem como por estudantes inscritos
em programas de mobilidade (3.900), frequentando, sobretudo, cursos de
ciências sociais, engenharia e humanidades.

5.4.2 - Estudantes Suecos no Estrangeiro

Devido a uma política liberal de apoio, o número de estudantes suecos que


frequentam instituições de ensino superior no estrangeiro é muito elevado,
cifrando-se em cerca de 18.000 no ano lectivo de 1994/95, dois terços dos
quais mulheres. 3.200 destes alunos estavam integrados em programas de
intercâmbio, sobretudo no programa ERASMUS (2.302), frequentando
principalmente cursos de humanidades, administração e ciências sociais.

Os destinos mais significativos são tradicionalmente os países europeus


(França, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Suíça e Itália), seguindo-se-lhes
os E.U.A., com 4.694 estudantes, ainda no ano lectivo de 1994/95.

5.5 - O Ano Escolar


Dividido em dois semestres, de meados ou finais de Agosto a meados de
Janeiro, e de Janeiro ao início de Junho, o ano lectivo no ensino superior tem a
duração de quarenta semanas, com uma média de quarenta horas de estudo
semanais, incluindo a preparação para os exames. No Natal as aulas são
interrompidas durante duas semanas.

5.6 - Cursos e Qualificações

Todos os curricula dos cursos são estabelecidos por cada universidade ou


colégio universitário, estando toda a formação inicial disponível na forma de
programas de estudo ou de cursos unidisciplinares, estes com uma duração de
entre cinco semanas e um ano e meio.

O tempo de estudo é medido em pontos, equivalendo o tempo total de um


semestre a vinte pontos.

Muitos programas incluem um estágio prático na indústria ou no sector


público, uma obrigação que pode decorrer durante as férias de verão. Uma
grande parte do trabalho de tese ou de projecto é desenvolvida em muitos
cursos no último semestre.

Todos os cursos têm exames contínuos, escritos ou orais, não havendo exames
finais, o que significa que os alunos têm de, semestralmente, dar provas do
conhecimento adquirido.

Existem dois tipos de graus - os gerais e os profissionais.

Os primeiros, vão de um Diploma (no final de um programa com pelo menos


dois anos de estudo e oitenta pontos) ao grau de Bacharel (cento e vinte
pontos em três anos de estudo, incluindo sessenta pontos na disciplina
principal e dez numa tese) e, finalmente, ao grau de Mestre (cento e sessenta
pontos em quatro anos de estudo, sendo oitenta deles obtidos na disciplina
principal e numa tese ou em duas. Alguns graus profissionais (por ex., em
engenharia, agricultura, direito, psicologia, medicina, etc., requerem entre 180
e 220 pontos, podendo o tempo de formação atingir cinco anos e meio. Outros
exigem apenas 40 pontos.

5.7 - O Financiamento

O ensino superior é gratuito. Existem ainda para todos os estudantes com


menos de 45 anos, comprovadamente carenciados de apoio, esquemas de
apoio financeiro por parte do governo - bolsas e/ou empréstimos.

O apoio concedido consiste numa bolsa a fundo perdido e de um empréstimo


num valor mais substancial. Actualmente, o valor das bolsas é de 17.750
coroas (cerca de 408.000$00) por ano académico, atingindo os empréstimos
45.780 coroas (cerca de 1.052.000$00. O pagamento do empréstimo só
começa meio ano após a última fatia recebida, e a amortização é estabelecida
em 4% do rendimento anual. A taxa de juro é estabelecida anualmente pelo
governo, não sendo o seu pagamento redutível em termos de IRS. Os
empréstimos concedidos aos estudantes ficam cancelados à morte ou quando
se atingir os 65 anos de idade.

A Importância do Domínio de uma Língua de Comunicação


Internacional

Nos grandes espaços políticos e económicos do mundo actual a


utilização de uma língua de ampla comunicação é imprescindível.
Alguns dados sobre o papel da língua inglesa na educação sueca
comprovam bem a preocupação e o realismo com que o país planifica a
formação dos seus jovens e da população em geral:

Na Escola Obrigatória

o Obrigatoriedade de aprendizagem da língua inglesa como


primeira língua estrangeira, geralmente a partir do 3º. ano
de escolaridade, e, em algumas instituições, logo a partir
do 1º. ano.
o Com 480 horas curriculares, a língua inglesa surge como
a terceira disciplina com mais peso, depois da língua
sueca e da Matemática.
o No final do 9º ano, há exames nacionais em apenas três
disciplinas - sueco, inglês e matemática. O exame
nacional garante a comparabilidade de formação a nível
do país.

Na Escola Secundária Superior

o A partir do ano lectivo de 1998/99, só poderão ter acesso


a esta escola os alunos que tenham tido aprovação nos
exames nacionais, no final da escolaridade obrigatória,
em Sueco, Inglês e Matemática:
o A língua inglesa faz parte das disciplinas do núcleo
curricular fundamental. São-lhe destinadas 110 horas
(tantas como para a Matemática). A língua sueca, como
L1 ou L2, dispõe de 200 horas.

 Existe a possibilidade de uma educação bilingue, tanto na escola


obrigatória como na secundária superior, isto é, o inglês erigido à
condição de língua de ensino em algumas disciplinas.

No Ensino Superior

o Uma das condições de acesso à universidade é a posse de


um domínio elevado da língua inglesa.
o Uma grande parte da literatura obrigatória encontra-se
disponível em língua inglesa.
o De entre os requisitos mínimos para a atribuição de um
diploma universitário em Educação, necessário para a
docência na escola secundária superior, salienta-se a
frequência de dois anos de línguas modernas.
UNIRONDON CENTRO UNIVERSITÁRIO

ACADÊMICA: ADRIANA DE SOUZA MATTOS

DOSCENTE: ROSANA

DISCIPLINA: CTS

COMPARANDO A EDUCAÇÃO NA FINLANDIA E SUÉCIA

CUIABÁ
02-12-12