Método Dalcroze:
educação musical para o corpo e a mente
Biografia
Émile Henri Jaques Dalcroze, nasceu em Viena no ano de 1865. Começou seus estudos de música
aos seis anos de idade. Aos 10 anos, mudou-se para a Suíça, país de origem de seus familiares. Passando a
morar em Genebra, foi lá também que se formou em piano e composição no conservatório sob orientação de
Hugo de Senger ; buscou também consolidar sua carreira como artista fazendo estágios em Paris e Viena,
onde teve orientação de Gabriel Fauré, Albert Lavindneck, entre outros.
Nomeado como professor da cadeira de Harmonia teórica, em 1892 deu aulas durante 18 anos. E
constatou que o conservatório, apesar de formar extraordinários executantes, esses infelizmente não eram
músicos completos, passando então a dedicar os primeiros dez anos de trabalho na elaboração da Rítmica.
Inicialmente conhecido como ginástica rítmica, que valoriza inteiramente os exercícios corporais buscando
uma inter-relação entre o cérebro, ouvido e a laringe. Transformando todo o organismo no que ele
denominava de “ouvido interno”.
Encontrou muita dificuldade em ter seu sistema aceito por colegas e diretores do conservatório.
Uma delas, numa cidade de forte tradição calvinista, causava escândalo no início do século XX. Quando as
moças de boa família eram convidadas a retirarem os sapatos durante as aulas. Proposto por Dalcroze, com
intenção de proporcionar aos seus alunos maior conforto durante os exercícios corporais. Diante dessas
resistências, Dalcroze vai à Alemanha, em 1910, onde começa a dirigir um instituto inteiramente destinado
ao estudo da rítmica, onde pôde reunir música, dança e teatro. O instituto de Hellerau, foi inaugurado em
1911, o momento mais celebrado desse instituto viria dois anos depois; na encenação da ópera Orfeu e
Eurídice, de Gluck. Em 1913, com a primeira Guerra Mundial as atividades do instituto foram paralisadas, e
de volta para casa, graças a alguns amigos compatriotas Jáques Dalcroze pôde inaugurar no dia 14 de outubro
de 1915 o Institut Jaques- Dalcroze, em Genebra. Onde é oferecido cursos para formações de professores de
rrítmica, e também para um amplo público.
Dalcroze faleceu em 1950, em Genebra, próximo ao seu aniversário, onde completaria 85 anos de
vida, deixando o material didático de muito valor e uma nova maneira de ensinar a rítmica.
O Instituto Jaques-Dalcroze de Genebra
Criado em 1970 através da uma iniciativa privada, o Instituto Dalcroze faz parte de uma
federação de escolas de música na Genebra, esse instituto é o principal responsável por
orientar todas as escolas de música.
Entre um corpo docente especializado e um corpo discente extenso, o Instituto Dalcroze oferece
em sua grade curricular, cursos de solfejo, euritmia, piano e improvisação ao piano. Independente da fase do
aluno, seja ela infantil, adolescente ou adulta, para cada uma delas terá uma oferta de acordo com sua idade.
Para as crianças, em especial, os estudos não são densos ou teóricos, inclusive se comtempla a primeira
infância, que vai dos 3 aos 6 anos de idade, onde a criança experimenta de forma muito lúdica o contato com
experiências musicais. O simples ato de ouvir, cantar, dançar, torna esse momento uma grande oportunidade
da criança conviver com a música. Ainda aqui são trabalhados ritmos, percepção, improvisação, de forma
adequada a realidade infantil. Aos 7 as crianças passam a ter contato com o piano, não para executar grandes
peças, mas para conhecer o instrumento, aproximar-se, conhecer sua sonoridade e desenvolver a musculatura.
Somente a partir dos 15 anos é que a criança passa de forma mais autônoma escolher um instrumento de
estudo.
Para os adultos é oferecida uma formação não somente para músicos ou para educadores musicais,
mas para amantes da música, dançarinos, atores que possivelmente sejam propensos a licenciatura em
música, pois todos esses métodos levam a caminhos educativos.
A escola profissional é dividida em três níveis, para adultos com diferentes interesses,
necessidades e experiências: a Licença para ensinar eurritmia e solfejo; o Diploma Superior (curso de 1 ou 2
anos após a Licença). Para receber a certificação o aluno deve comprovar seu conhecimento em eurritmia,
solfejo, improvisação, piano, expressão corporal, pedagogia, harmonia, percussão, dança folclórica, é
necessário que ele saiba improvisar ao piano, pois nem sempre é possível encontrar exemplos musicais com
ritmo flexível, ou seja, com mudança de fórmulas de compasso repentinas, accelerandos e ritardandos
freqüentes, alternância constante de sons e pausas, etc...
O método Dalcroze se faz muito presente na fala de Izaira Silvino quando ela diz que aprendeu a
ser professora em sala de aula, pois quanto mais se ensina mais se aprende pois isso proporciona crescimento
reflexão das suas praticas pedagógicas e desenvolvimento de suas habilidades musicais.
O método Dalcroze
Dalcroze concebeu como um treinamento que reinteragia corpo e mente. Seu método propõe uma
educação musical baseada na audição, com a participação de todo o corpo, tendo o pressuposto de que o som
é percebido por outras partes do corpo além do ouvido. Vivenciar o intelecto e sentidos sincronizados.
Dalcroze percebeu que seus alunos apresentavam dificuldades nas apresentações vocais,
instrumentais e musicais. Assim, Dalcroze elabora uma lista de problemas que denomina arritmia musical.
*Improvisação: Combinação das noções adquiridas na rítmica e no solfejo e sua exteorização musical.
Euritimia
A euritimia consiste basicamente em traduzir o som em ações físicas, interligando funções
psíquicas e motoras (psicomotricidade), funções essas que são cotidianas como um simples andar, correr,
pular e etc.
Dalcroze teve grande influência da teoria de François Delsarte que falava sobre a educação do
gesto e sua importância mais do que a palavra propriamente dita, e ele percebeu a significância dos estudos
dos movimentos observando pessoas em determinados espaços e seus comportamentos. O resultado dessas
observações são suas duas leis, da Correspondência e da Trindade. A primeira lei afirma que todo manifesto
corporal antecede um manifesto interior de espirito, o gesto ou a voz nascem de uma emoção, pensamento ou
sentimento e que qualquer movimento seria ocasionado por esse fatores. A segunda lei afirma que o homem
é constituído por três elementos: a vida, a alma e o espirito que são representadas através do corpo e
manifestadas através da voz (vida), da palavra (espírito) e do gesto (alma).
Os estudos de Delsarte influenciaram a dança moderna e muitos estudiosos do século XX, como
exemplo Rudolf Steiner e sua esposa Marie Stainer que deram o nome de euritmia, por causa de uma dança
que surgia, porém já tinha um conceito desde sua Época Clássica na Grécia.
Para Dalcroze o corpo e voz são considerados os primeiros instrumentos musicais, e desde muito
cedo poderia se iniciar na educação musical, para que se pudesse desenvolver e estimular a concentração , a
memória e a audição interna, através de reações corporais e os devidos estímulos sonoros.
Solfejo
O solfejo dalcroziano consiste na aplicação dos princípios da rítmica ao solfejo, que deve ser
vivido antes de ser lido e analisado, ou seja, o solfejo oral e corporal vem antes do escrito. O aluno deve ter a
oportunidade de cantar, mover-se, gesticular, reger e tocar instrumentos de percussão. É através do solfejo
que o aluno desenvolve o ouvido interno, a afinação, a aptidão vocal, a respiração, a leitura e a interpretação.
Os exercícios de solfejo melódicos e rítmicos são acompanhados de gestos, marcando os
compassos e as pulsações, indicando as frases através das mudanças de direção. Deve-se buscar a interação
entre a experiência auditiva e a experiência física.
A experiência do solfejo parte de uma prática que consiste em reconhecer o desenho melódico da
melodia independente da altura. O solfejo é, portanto, relativo. O aluno deverá reconhecer as melodias
ascendentes e descendentes que são tocadas no piano, através do movimento corporal que posteriormente
será expresso por meio de símbolos escritos. Então, desenha gráficos que representam o movimento da
melodia, preenche as notas que faltam numa "escadinha" de notas, entre outras atividades. Aplicam-se
também, desenhos como linhas curtas e longas, "estrelinhas" pretas e brancas, e uma série de outros modelos
gráficos para reconhecer a duração das notas dentro de uma pulsação.
Exercícios de solfejo
1.Jogo de notas.
2.Continuar o mesmo desenho melódico segundo as notas propostas e, em seguida, cantar, com ou sem o
nome das notas.
Somente depois dessa etapa os alunos aprendem o nome das figuras rítmicas, partindo da semibreve
e da mínima, avançando para a semínima e a colcheia. Aos poucos a altura da melodia é definida por meio de
uma única linha. A introdução da pauta ocorre em seguida, sem, contudo acrescentar uma clave. Trata-se de
reconhecer e saber desenhar as notas nas linhas. Posteriormente, as claves de sol e de fá são apresentadas
simultaneamente. Desde o início, o aluno aprende a solfejar nas duas claves. A primeira escala aprendida no
solfejo será a de Dó Maior, passando em seguida para a escala de sol maior e fá maior e assim
sucessivamente, utilizando o ciclo das quintas.
Paralelamente ao ensino da leitura melódica, o aluno pratica a leitura rítmica sem altura definida,
alternando as mãos esquerda e direita em exercícios de leitura a duas vozes. Os gestos de regência que
descrevem os compassos das melodias cantadas ou tocadas no piano pelo professor são praticados
simultaneamente com as leituras rítmicas e melódicas. O repertório utilizado no solfejo consiste em melodias
criadas pelo professor, assim como canções infantis e do folclore de diferentes países. Nos níveis mais
avançados de solfejo, o aluno é incentivado a solfejar melodias complexas do repertorio de música erudita
ocidental. Embora caminhe para o cromatismo, até o quarto ano de solfejo elementar o aluno não pratica o
solfejo atonal.
Improvisação
Na metodologia de Dalcroze a improvisação é a junção das experiências com o solfejo e a
eurritimia.
Dalcroze percebeu que seus alunos não conseguiam ouvir pela escuta interna ou mental, a música
que estava escrita na partitura impressa fez Dalcroze perceber que os estudantes tocavam o que liam de forma
mecânica e pouco musical, e ele percebeu que o que faltava nos estudantes era a coordenação entre corpo,
mente, olhos e ouvidos necessário para aprender um repertorio ou tocar bem.
Para Dalcroze a improvisação é a manifestação do conhecimento, além do desenvolvimento com o
corpo “rítmica” e com a voz “melódica” ele também escolheu o piano para ajudar nessa prática da
improvisação como forma de expressão, porque o estudo da improvisação com o piano mostra de forma mais
clara o toque do corpo e também tem uma relação muito próxima com o corpo porque ele marca os
movimentos e a improvisação é o elemento mais importante nessa prática pelo fato de ser uma criação.
Independente de talento, os alunos podem ser treinados para apresentar uma peça mostrando suas
expressões musicais e assim também compartilhando algo de sim com os outros e essas possibilidades de
expressar tudo o que foi aprendido são infinitas.
Os conceitos de tempo, espaço e energia são traspostos para o piano. O tempo o elemento mais
importante, porque o aluno não pode parar no meio de uma improvisação para fazer alterações, a sua
composição deve seguir.