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MATÉRIAS-PRIMAS

INTRODUÇÃO:
Quando se planeja uma indústria de cerâmica deve-se considerar o custo do
produto final. Portanto, é necessário que se conheça as argilas e as demais matérias-
primas, no tocante às suas propriedades, os tratamentos prévios necessários, os gastos
envolvidos na extração e transportes, que também afetam o custo do produto final. A falta
de controle de algumas das características das matérias-primas significa uma queda na
qualidade do produto final. Sabe-se que as argilas possuem propriedades variadas, que
dão lugar a planejamentos diferentes de indústrias cerâmicas. Estes planejamentos
envolvem a seleção de equipamentos adequados, como por exemplo, as máquinas de
moagem e preparação de massas, etc.
O termo “material argiloso” pode ser aplicado a qualquer material natural de
granulometria fina e de textura terrosa ou argilácea, independentemente da composição
ser essencialmente de argilominerais. As argilas, folhelhos e argilitos são materiais
argilosos; os solos podem ser também incluídos desde que tenham textura argilosa e
contenham um teor elevado da fração argila.
Caulins, bentonitas, ball-clays, argilas refratárias, flint-clays, terras fuler são tipos
especiais de argilas que têm definições particulares, que podem apresentar variações, quer
devido ao emprego tecnológico da argila, quer devido à origem geológica ou à
composição mineralógica da argila.

SILICATOS ARGILOSOS

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1. ARGILA

1.1 Conceitos:
a - São silicatos hidratados de alumínio, geralmente cristalinos, denominados
argilominerais, podendo conter ferro, cálcio, magnésio, etc., cuja forma mais pura é a
caulinita:
Al2O3.2SiO2.2H2O;
b - Segundo Grim, argila é um material natural, terroso, de granulação muito fina,
diâmetro <5µm, que quando umedecido com água torna-se plástico. Além dos
argilominerais, geralmente as argilas possuem outros minerais, como quartzo, pirita, mica,
sais solúveis, etc. Esses materiais proporcionam às argilas as mais diversas propriedades
e comportamentos físicos e físico-químicos.
c - “As argilas são rochas naturalmente finamente divididas, com elevada
porcentagem de partículas cristalina de argilominerais; essas partículas passam totalmente
na peneira USS nº 325 (abertura de 44m) e têm, naturalmente, forma lamelar ou fibrosa,
decorrente da estrutura cristalina peculiar do argilomineral” (1).
d - BÍBLIA: Jeová Deus fez o homem do pó da terra - Gênesis, cap. 10; 2-7.
e- ARGILA: substância terrosa, esbranquiçada, formada de sílica e alumina. Barro,
terra (do latim - argilla) - Candido de Figueiredo: Novo Dicionário da Língua Portuguesa;
3ª Ed., Portugal - Brasil Sociedade Editora, Lisboa, 1899.
f - “Venham fazer tijolos e queimá-los no fogo e os usemos em lugar das pedras”.
(Gênesis, cap. XI, versículo 3).

1.2 Noções sobre a Formação das Argilas:


As argilas são partículas provenientes da decomposição de rochas ígneas primárias,
tais como granitos, feldspatos e pegmatitos. Esta decomposição ocorreu pela ação

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química da água, do dióxido de carbono, dos ácidos húmicos e raramente dos gases de
enxofre, flúor, auxiliados por temperaturas elevadas.
As rochas básicas, das quais se formaram as argilas, são os alumino-silicatos
complexos. Durante o envelhecimento os alumino-silicatos hidrolizaram-se e os íons
alcalinos formaram sais solúveis e foram lixiviados pelas águas.
O material restante compõe-se de alumino-silicatos hidratados, de composição e
estrutura variáveis e sílica livre (quartzo). Esse material é mais refratário que a rocha
original, no qual permaneceram restos de rochas inalteradas, como feldspatos, mica e
quartzo. Sistematicamente é muito difícil classificar as argilas, pois elas são conhecidas
por vários nomes, alguns são baseados nas suas propriedades, outros na sua aplicação,
aparência, etc. Procura-se uma classificação lógica, baseada nas suas propriedades,
composição e história geológica.
De acordo com sua geologia, as argilas classificam-se em residuais e sedimentares.
As argilas residuais não foram transportadas pelos agentes naturais e portanto,
encontram-se no local de sua formação. As argilas sedimentares foram transportadas de
seu lugar de formação pelos agentes naturais. As argilas residuais podem ser removidas
do seu local de formação em estado comparativamente puro, enquanto que as argilas
sedimentares são raramente puras. Estas receberam durante o seu transporte as
impurezas, que são difíceis de serem removidas, devido ao tamanho da partícula ser
semelhante ao da argila. Durante o transporte, as argilas sedimentares estão sujeitas a
uma abrasão constante, que reduz o tamanho de suas partículas, tornando-as irregulares,
as quais são bem menos cristalizadas que as argilas residuais.

1.3 Impurezas e suas influências:


As argilas estão quase sempre acompanhadas de certa quantidade de materiais
estranhos (impurezas), que se misturam durante a sua formação. Alguns são constituídos

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de resíduos minerais provenientes das rochas originais, outros se juntaram às argilas
durante o seu transporte pelas águas, ou ainda trazidos pelas águas de infiltração Esses
minerais são a sílica livre, que está presente em todas as argilas, as micas, os feldspatos,
os calcários, os óxidos de ferro, o rutilo, a pirita, etc. As impurezas encontram-se em
quantidade e granulometria bastante variáveis, desde fragmentos grandes, até os
impalpáveis, que dificilmente são separáveis por processos mecânicos. As impurezas
finas e inseparáveis modificam bastante as propriedades das argilas.
Esta modificação depende da quantidade e qualidade destas impurezas. As
modificações se constituem na diminuição da retração, do ponto de fusão e na formação
de diversas cores. Toda argila está composta principalmente de argilominerais, que
servem de aglutinante para os elementos não plásticos que a constituem. Os
argilominerais são partículas extremamente finas e de natureza cristalina que conferem às
argilas as suas propriedades mais notáveis, como a plasticidade, a retração, a resistência
mecânica, etc. Os principais argilominerais são a caulinita, a montmorilonita, ilita, clorita,
etc., os quais caracterizam as argilas em refratárias, caulins, argilas de várzea, folhelhos
argilosos, bentonita, etc.
A argila deve ter pelo menos 30% de argilominerais para se adequar à moldagem. A
redução da plasticidade é devida à presença de areia, calcários, pirita, mica, etc., os quais
dificultam o processo de moldagem, dependendo da sua quantidade e granulometria
presentes na argila. Quando o calcário está presente nas argilas, na forma de grânulos,
este deve ser moído bem fino e homogeneamente misturado à massa argilosa, a fim de
reagir com os demais componentes da mesma, formando um composto estável, caso
contrário, os grânulos de calcário, que se encontram numa forma instável na massa
queimada, reagem com a umidade ambiente, produzindo o hidróxido de cálcio, que se
expande, destacando-se da peça, deixando uma cratera. O calcário pode ser identificado
rapidamente com ácido clorídrico diluído (1:1), pela efervescência produzida durante a
saída de CO2 . A pirita, pelo sazonamento, decompõe-se em sulfato ferroso, que pela
dissolução se distribui uniformemente na argila, evitando-se a fusão local do óxido

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ferroso durante a queima. A identificação da pirita é feita com ácido clorídrico diluído
(1:1), desprendendo gás sulfídrico, que tem odor de “ovo podre”. Os minérios de ferro
são identificados atacando-os com ácido clorídrico e em seguida reagindo os cloretos
formados com um reagente específico, o tiocianato de potássio ou ferrocianeto de
potássio, dando uma coloração característica do ferro III.
O teor de matéria orgânica é muito pequeno nos caulins residuais e muito grande
nas argilas plásticas. Esta matéria orgânica ocorre na forma de linhito, de ceras e de
derivados do ácido húmico. Foi demonstrado que o linhito tem efeito marcante sobre as
propriedades das argilas plásticas e que uma estimativa do teor de matéria orgânica pode
ser obtida a partir do teor de carbono, além da influência sobre a capacidade de troca de
cátions. O linhito é um produto da decomposição de matéria vegetal, particularmente da
madeira, que é constituída inicialmente por ceras, resinas, celulose, hemicelulose e
lignina. O ácido húmico é uma substância marrom escura, possuindo propriedades ácidas;
pode ser extraído da turfa, do solo e do linhito, por meio de solução alcalina.
A eflorescência é um problema que está intimamente ligado com a composição
química, embora envolvendo as condições de queima e as propriedades físicas da argila.
Este defeito caracteriza-se por manchas brancas de sais depositados na superfície do
corpo cerâmico. As argilas que contém sais solúveis, quando misturadas com água para
fazer moldagem, os sais entram em solução com a água. Durante a secagem, pela
evaporação da água, os sais ficam retidos na superfície da peça, manchando-a de branco.
Trata-se de sulfatos de magnésio, cálcio, sódio, potássio e ferro, sendo que o sulfato de
magnésio se encontra com mais freqüência. Algumas argilas contém pirita, que forma
H2SO4 sob condições atmosféricas e o H2SO4 torna-se reativo com os componentes
básicos como MgO e CaO, etc., para formar sulfatos solúveis. Quantidades extremamente
pequenas de sais pode causar problema sérios, como por exemplo, 0,1% já é o suficiente.
O sazonamento das argilas nos depósitos, possibilita a solubilização e lavagem dos sais
solúveis pelas águas das chuvas, como também a decomposição da pirita em H2SO4. As
eflorescências podem ser atribuídas às seguintes causas:

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a) Sais solúveis presentes nas matérias-primas: argilas;
b) Sais solúveis provenientes das águas paradas;
c) Óleos lubrificantes das máquinas (estampos), que contém enxofre, que no contato com
a massa, reage com o Ca e Mg formando o sal;
d) Os gases da secagem, provenientes da queima dos óleos, quando são sulforosos,
contactando-se com a umidade ambiente forma o H2SO4 e consequentemente sulfatos
solúveis. O mesmo problema pode ocorrer durante a queima.
Algumas medidas corretivas podem ser tomadas para resolver o problema:
a) Secagem e queima das peças, tão rápido quanto for possível, para reduzir a quantidade
de manchas;
b) Sazonamento das argilas por mais de seis meses, para decompor as piritas e lavagem
os sais solúveis pelas águas;
c) Temperatura de queima mais elevada;
d) Queima em condições redutoras para fundir e distribuir uniformemente as manchas;
e) Converter os sais solúveis, pela adição de reagentes. Exemplo: BaCO 3 adicionado
como pó, à argila, conforme reação:
BaCO3 + MgSO4 BaSO4 + MgCO3

1.4 Classificação das Argilas para Uso Cerâmico:


Para o uso cerâmico, as argilas podem ser classificadas em:
 refratárias;
 argilas fundentes;
 argilas aglomerantes.
As argilas de maior emprego em cerâmica vermelha são as fundentes e
aglomerantes. Estas argilas são classificadas em silicosas, ferruginosas e calcárias,
segundo a predominância de sílica, óxidos de ferro e cálcio. O teor de impurezas é
bastante variável, o qual determina a fusão numa faixa de temperatura entre 1.200ºC e
1.450ºC. Quando a temperatura de queima se aproxima da temperatura de fusão, ocorre a

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super-queima. Neste caso, a cor de queima torna-se vermelho escura, marrom e preta; as
peças apresentam arredondamento das arestas e chegam a colar entre si, pela fusão
superficial. No caso das argilas calcárias, além dos inconvenientes acima, ocorre o
inchamento devido a formação de bolhas internas. Dependendo do tipo, qualidade e
quantidade de impurezas presentes nas argilas (micas, piritas, calcários, areia, sulfatos
alcalinos, óxidos e hidróxidos de ferro, matéria orgânica), estas são utilizadas na
fabricação de tijolos, blocos cerâmicos, telhas, manilhas, ladrilhos cerâmicos e cerâmica
artística.
É evidente que as argilas de granulometria mais fina, contendo pouco calcário, e
quantidades apreciáveis de ilita, caulinita, montmorilonita e clorita, são empregadas na
fabricação de produtos de acabamento. Convém frisar aqui, que argilas calcárias, ditas
marnosas (fusíveis), fundem subitamente numa certa temperatura, produzindo as
deformações nas peças cerâmicas, enquanto que as argilas alcalinas (vitrificáveis) toleram
intervalos de temperatura de queima bem amplos, sem correr os riscos de deformações
nas peças cerâmicas. Neste caso, as argilas alcalinas (predominantemente ilíticas,
contendo clorita, montmorilonita e caulinita) são aconselhadas para fabricação de grês
cerâmicos, onde se requer temperaturas relativamente elevadas e a cor de queima deve
ser vermelha ou branca, em alguns casos.
Nas massas de piso do tipo “cottoforte” e de “majólica”, utilizam-se as argilas
calcárias, ou sejam marnosas, contendo teores elevados de argilominerais, como por
exemplo a ilita, montmorilonita e clorita, em presença dos feldspatos sódicos e quartzo.
Em geral, na prática das cerâmicas, procura-se fazer uma mistura entre as argilas,
para se compor uma massa. Neste caso, considera-se a qualidade das argilas no tocante a
plasticidade, cor após queima, resistência mecânica, contração e composição
mineralógica, visando obter um produto final dentro das especificações previstas, sem
deixar de lado as dificuldades que podem ocorrer durante o processo cerâmico.
Geralmente as argilas encontram-se em baixadas, as margens de rios e em morros.
Estas apresentam-se com teores de umidade e de matéria orgânica menores, em relação

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àquelas de várzeas. Algumas são bastante plásticas, outras com pouca plasticidade;
apresentam as mais variadas cores, sendo cinza, amarela, verde, preta e na maioria dos
casos, vermelhas. As argilas bem plásticas e de elevada resistência mecânica a cru, são
denominadas de argilas aglomerantes. Estas argilas são aplicadas nas massas de telhas,
ladrilhos cerâmicos, manilhas, etc., onde as peças requerem boa resistência mecânica à
“verde” e a seco, garantindo o seu manuseio durante os processos de secagem,
esmaltação e enforna, evitando-se assim as eventuais quebras. São argilas sedimentares,
cauliníticas e ilíticas, ricas em matéria orgânica e que apresentam granulometria bem fina.

1.5 Propriedades das Argilas:


Plasticidade: acredita-se que não existe uma definição concreta para a plasticidade
da argila, pois é algo que se pode obter por comparação de uma argila com outra. No
entanto, o comportamento de uma argila durante a moldagem é determinado pela sua
plasticidade obtendo-se precisamente os melhores resultados com as argilas de
plasticidade média. A plasticidade é uma propriedade característica da argila úmida, que
permite sua deformação sem rachaduras e retém sua nova forma quando a força
deformadora é removida. A plasticidade está associada com a estrutura lamelar dos
minerais de argila e pelo modo com que os filmes de água estão ligados nas partículas de
argila.
Em seu estado natural, as argilas contém água nos vazios entre as partículas,
adsorvida na superfície dos argilominerais e sob forma de hidroxilas (grupos OH¯ ) no
retículo cristalino das partículas dos argilominerais. A natureza da água adsorvida e os
fatores que influem na camada de água adsorvida à superfície dos argilominerais são os
fatores fundamentais que determinam certas propriedades dos sistemas argila-água, tais
como plasticidade, viscosidade, tixotropia, poder de aglutinação e resistência mecânica a
cru. Essa água pode ser eliminada pelo aquecimento entre 100ºC e 150ºC; a água de
hidroxila é eliminada em temperaturas superiores a 300ºC.

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As porcentagens de impurezas contribuem para a mudança da plasticidade da
argila, segundo sua composição, devido a isto, existe argilas “magras”, comumente
chamadas de arenosas e argilas plásticas ou muito plásticas. Essas argilas são
perfeitamente utilizadas na fabricação de produtos estruturais, porém, segundo sejam
“magras” ou plásticas, é preciso dispor de máquinas adequadas.
Pode-se avaliar a plasticidade das argilas, sem o uso de aparelhagem e nem de
cálculos. Faz-se uma bola com a massa pastosa e comprime-a até metade do seu
diâmetro, se não produzir nenhuma rachadura profunda, indica que a argila é
suficientemente plástica para ser trabalhada numa maquinaria normal de cerâmica. A
quantidade de água para umedecer a argila não deve ultrapassar de 30%, ou seja, um
terço do peso da argila. Após amassar a argila, faz-se um cilindro de diâmetro qualquer e
procede-se o estiramento, observando se diminui o diâmetro sem se romper, neste caso, a
argila é plástica. Segundo a argila, plástica ou “magra”, terá maior ou menor capacidade
de absorção de água. A argila plástica dificulta a penetração da água no seu interior,
porque a sua constituição resulta impermeável. Por outro lado, as argilas “magras”
permitem facilmente a introdução da água no seu interior. Daí resulta que a forma de
tratar as argilas é diferente, pois as argilas plásticas para se tornarem homogêneas com a
água, necessitam de amassamentos mais eficientes e o uso de marombas à vácuo, para
que a água vaporizada penetre em todas as partículas. Segundo estudos realizados por
Atterberg e Casagrande, a plasticidade pode ser avaliada pelo índice de plasticidade, Pi =
LL - LP, isto é, o limite líquido menos o limite de plasticidade. Limite líquido (LL) é o
ponto de passagem do estado plástico ao líquido. É medido pela quantidade de água
contida na massa, no momento que adquire a fluidez. Limite de Plasticidade (LP) é o
ponto de passagem do estado plástico ao semi-plástico, mede-se pela quantidade de água
no material, no momento que perde a plasticidade, deixando de ser moldável. Pi, do ponto
de vista da plasticidade aplicada à moldagem, são valores importantes de se ter em
consideração. O LP nos dá uma idéia da mínima quantidade de água para efetuar a
moldagem e LL a máxima quantidade, sem que se forme uma barbotina. O valor de Pi nos

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dá uma idéia da própria plasticidade da argila e não deve ser inferior a 10 e nem superior
a 30, devendo estar compreendido normalmente entre 15 e 25.
Poderia se dizer que as tensões internas e a resistência a de formação de uma argila
se incrementam com aumento da plasticidade, porém, outros fatores influem, tais como, a
compactação na saída do molde, que depende da pressão de extrusão e a velocidade de
saída, e estas por sua vez da porcentagem de umidade.
A resistência mecânica à flexão a seco e a contração, quando relacionadas nos dão
uma idéia bastante clara da plasticidade da argila e portanto, da dificuldade de extrusão. A
pressão de extrusão é baixa, quando se adiciona água à massa. As pressões de extrusão
variam quando se varia a argila e o tipo de peça. As contrações abaixam com as maiores
pressões de extrusão, no entanto, quando se varia a umidade da argila ocorrem variações
na pressão de extrusão, como também nas características físicas da peça, quanto às
contrações e consequentemente fissuras e rupturas. As resistência mecânica à flexão,
tanto em seco, quanto em queimado, praticamente não variam, com a pressão de
extrusão. Com o aumento de pressão de extrusão, aumenta-se a massa específica aparente
da massa.

Classificação das argilas quanto ao Pi:

Argilas “magras” : 10 a 12
Argilas Plásticas : 14 a 16
Argilas Excessivamente Plásticas : 18 a 25

Correlação entre plasticidade e resistência à flexão a seco e contração a seco:

Plasticidade Resist. fl. seco Contr. seco Observações

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Misturar com outras
Pouco Plástica até 30 Kgf/cm2 3 a 5% argilas cauliníticas, de
granul. fina.
2
Plast. Normal 30 a 60 Kgf/cm 4 a 7% Argilas ilíticas
Argilas
Plast. Alta 60 a 80 Kgf/cm2 7 a 9% ilíticas/montmoriloníticas.
Argilas montmoriloníticas.
Plast. muito Alta 80 a 140 Kgf/cm2 8 a 11% É quase imprescindível
desplastificar.

Contração: é uma característica típica das argilas; consiste na diminuição das suas
dimensões, depois de moldada em estado plástico. Parte da contração ocorre durante a
secagem e parte ocorre durante a queima. A constante evaporação da água da superfície e
do interior do corpo argiloso produzem um movimento de aproximação entre as
partículas, provocando uma perda de volume e consequentemente a contração. Este
movimento é cessado quando todas as partículas estiverem juntas, então, a massa argilosa
perde toda a sua plasticidade e experimenta uma contração total de secagem. A
quantidade de água que ainda resta na massa argilosa, depois de cessada a contração de
secagem, pode ser retirada sem que ocorra variação de volume. A sua saída deixa na
massa uma certa quantidade de poros abertos, o que explica a textura porosa do corpo
argiloso, quando está bem seco. A contração que ocorre durante a queima é pouco
importante, no caso das massas queimadas em baixa temperatura, onde os corpos
cerâmicos são porosos. No caso das massas vitrificadas, ocorre a formação de vidros que
preenchem os poros abertos, produzindo contração e consequentemente alguma
deformação do corpo cerâmico, em condições desfavoráveis de queima. As duas
contrações somadas, a de secagem e a de queima, denomina-se contração total. A
contração de secagem é reduzida quando ocorre a presença de materiais desplastificantes
às argilas. O conhecimento e determinação da contração tem por finalidades determinar

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as dimensões dos elementos para formação das peças cerâmicas, além de se avaliar as
propriedades da plasticidade e composição granulométrica das argilas.

MATÉRIAS-PRIMAS NÃO PLÁSTICAS

FILITOS

Os filitos são rochas metamórficas constituídas basicamente de caulinita, quartzo e


mica finamente dividida, chamada usualmente de sericita, responsável pelo teor de óxido
de potássio (K2O), que é fundente. Os filitos são substitutos parciais de feldspatos e de
argilas, embora sejam de plasticidade e resistência à flexão baixas. cerâmicas. A mica
muscovita apresenta a seguinte fórmula molecular: K2O.3Al2O3.6SiO2.2H2O. O filito que
contém mica muscovita finamente moída (sericita), sinteriza em temperaturas da ordem
de 1100ºC, devido ao teor de K2O que pode atingir até mais ou menos 6%, proveniente da
mica. A presença de maior quantidade de mica, juntamente com óxido de ferro, além de
baixar a temperatura de sinterização, proporcionam uma cor de queima intensa das
massas.
Os filitos, quando crus, assemelham-se aos caulins, porém, apresentam colorações
variáveis, conforme o teor de impurezas presentes, neste caso podem ser de coloração
vermelha, branca, branco-acinzentada, amarela e verde, cores essas intensificadas pelo
teor de umidade presente.
A dificuldade principal no emprego desses materiais, especialmente nas massas que
queimam brancas, resida na variação do teor de ferro e de metais alcalinos nas diferentes
estratificações encontradas nas jazidas. O ferro proporciona uma cor de queima escura.
Assim, a prática industrial no emprego desses materiais consiste em escolhê-los de modo
que, adicionados a uma determinada massa cerâmica, façam resultar uma composição

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química dentro de uma faixa de valores preestabelecidos para as porcentagens de ferro e
de metais alcalinos.
Os filitos apresentam as seguintes propriedades:
a) Apresentam baixa retração de secagem e de queima, facilitando a secagem e queima
rápidas dos corpos cerâmicos;
b) Apresentam reduzida plasticidade, portanto tem baixa resistência mecânica a cru;
c) Favorecem os ciclos de queima rápida;
d) Sinterizam em baixa temperatura, com comportamento fluxante mais ativo do que os
feldspatos;
e) Desagregam facilmente em água;
f) Defloculam facilmente;
g) Apresentam baixos teores de resíduos nas malhas 180 e 200, freqüentemente inferiores
a 1% e raramente atingem 5%;
h) Aumentam a velocidade de sinterização ou de vitrificação das massas cerâmicas;
i) São de modo geral bastante friáveis, com grau de coesão semelhante ao dos caulins
primários, porém o filito de São Roque apresenta-se como rocha dura, pouco friável.
Características químicas e físicas de alguns filitos:

% Itapeva Stº. Antº. do S. Roque Campo Largo


Monte
P.F. 3,8 4,00 2,90 4,70
SiO2 64,0 64,3 67,6 72,0
Al2O3 23,4 22,8 21,1 18,0
Fe2O3 1,60 1,60 1,60 2,00
CaO 0,50 0,50 0,40 0,50
MgO 0,70 1,20 0,70 0,50
K2O 4,20 3,90 4,80 1,30
Na2O 0,10 0,10 0,13 0,07
pH 5,3 4,9 6,4 5,1
MER 2,74 g/cm3 2,70 g/cm3 2,53 g/cm3 2,53 g/cm3
TRF (1285ºC) 750 Kgf/cm2 588 Kgf/cm2 - 396 Kgf/cm2
A (%) 1285ºC 0 0 - -
Rs (%) 110ºC 3,0 2,9 - 4,0
Rq (%) 1285ºC 10 10 0,2 9,2

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 < 2 m 20% 30% - 35%
 < 5 m 50% 53% - 55%
 < 10 m 71% 72% - 75%

Uso dos filitos:


O filitos são usados nas massas de grés, faianças, ladrilhos, azulejos e, mais
raramente, em materiais refratários.
As principais jazidas de filitos encontram-se nos estados de São Paulo, nas regiões
de Itapeva, Pirapora, Piedade, São Roque e Santana do Parnaíba; Minas Gerais: região do
Stº Antônio do Monte, perto de Belo Horizonte e Estado do Paraná: região de Campo
Largo.
Os filitos de Itapeva (queimam claro) hoje são usados pela maior parte dos
produtores de revestimentos e sanitários. Também são usados como enchimento de
adubos, defensivos e rações.

QUARTZO: SiO2

Do ponto de vista químico, o quartzo é o óxido de silício cristalizado. Sua fórmula


é o SiO2. Costuma-se denominar sílica os compostos de fórmula SiO2. É ingrediente
importante das massas cerâmicas, por esta razão a indústria de cerâmica denomina-se
indústria dos silicatos.
Encontra-se normalmente na forma de areia e sofre complicadas modificações
cristalinas nas diversas temperaturas. Estas modificações são acompanhadas de mudanças
de volume, como por exemplo na conversão do quartzo  (beta) em tridimita, a expansão
é de aproximadamente 15%. Estas mudanças provocam esforços internos nas massas
cerâmicas, dificultando seu uso nos casos onde ocorrem diferenças bruscas de
temperatura.
É uma matéria-prima complementar de grande importância, que se comporta como
desplastificante das massas, como componente refratário e como componente fundente,

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pela sua ação com os óxidos básicos, formando fases vítreas. É abundante na natureza, de
boa estabilidade e dureza. Adicionado às massas diminui sua facilidade de trabalho e
retração de secagem. Facilita a secagem e a resistência da massa queimada, proporciona
tenacidade e dureza e consequentemente todas as propriedades de resistência mecânica
da massa.
A sílica pode ser encontrada cristalizada:

- Nas rochas ígneas sob forma de quartzo e sob forma vítrea;


- Nas rochas sedimentares com sedimentos livres ou areias e como arenitos;
- Nas rochas metamórficas derivadas por metamorfismo de rochas ígneas e
sedimentares e como uma rocha metamórfica chamada quartzito.

Do ponto de vista mineralogênico, o quartzo é um dos últimos minerais a se formar na


consolidação de um magma granítico. Geralmente é irregular e anédrico, adaptando-se
aos interstícios deixados entre os demais minerais formados ou segregados. Somente
forma cristal bem desenvolvido quando tem oportunidade de crescer em cavidades ou
fraturas. Habitualmente é incolor ou branco mas, frequëntemente, é colorido devido a
diversas impurezas que podem ocorrer em proporções muito pequenas. Isto torna possível
a existência de variedades de cores diversificadas, mesmo mantendo a composição
química muito próxima de 100% de SiO2. Este fenômeno é evidenciado nas análises de
outros óxidos, conforme descreve a Tabela 01.

Tabela 01: Análises Químicas de algumas variedades de Quartzo

Quartzo
Óxido Incolor Esfumaçado Róseo Amestisa
Li2O 0,0005 0,0004 0,0038 -
Na2O 0,0002 - 0,0011 -

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K2O 0,0002 - 0,0001 -
Al2O3 0,0008 0,0008 0,0001 0,0004
Fe2O3 - 0,0005 0,0003 0,0216
MnO2 0,00002 0,00004 0,00005 -
TiO2 0,0001 0,0002 0,0015 0,0004

AÇÃO DO CALOR SOBRE A SÍLICA:

A forma estável da sílica à temperatura ambiente é o quartzo . Por aquecimento a


573ºC este se transforma rápida e reversivelmente em quartzo  (beta), com aumento de
volume de 2%. Aquecendo-se rapidamente este se fundirá um pouco abaixo de 1460ºC,
mas se o aquecimento for lento, o quartzo  se transforma em tridimita 2 a 870ºC, com
aumento de volume de 12%, depois em cristobalita  a 1470ºC, com aumento de volume
de 5%, esta por sua vez se funde a 1710ºC.
Todas as mudanças são reversíveis em condições adequadas de resfriamento lento
e da presença ou ausência de outras substâncias, porém sob condições de resfriamento
diferentes, a sílica pode deter-se em uma das formas de temperatura superior, isto é, sílica
vítrea, cristobalita ou tridimita.
Por resfriamento as formas de alta temperatura de tridimita e cristobalita, se
transformam rapidamente nas formas de temperatura inferior a 163 e 117ºC,
respectivamente.
A cristobalita contrai 5%, de tal modo que, introduzindo-se a matéria-prima na
forma de quartzo, o produto depois da queima pode ser quartzo , tridimita , cristobalita
 ou sílica vítrea; cada uma tem sua massa específica real (MER) correspondente. Neste
caso, o corpo cerâmico sofre tensões cada vez que se produz mudanças repentinas de
volume.

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Quando se aquece a sílica cristalina em presença de fundentes, a temperatura de
fusão é mais baixa e os cristais tendem a dissolver-se no vidro formado.
A velocidade que ocorre a formação do vidro é determinada não só pelo tamanho
da partícula, mas também pela estrutura das próprias partículas.
Um quartzo, cuja estrutura esteja interrompida por inclusão de impurezas,
especialmente mica, ou pelas condições de sua cristalização, se dissolverá e reagirá mais
facilmente que uma areia de quartzo pura.
A sílica finamente moída é o componente principal das massas cerâmicas,
aproximadamente de 20 a 50%. Pode-se introduzir na forma de areia moída, quartzo,
arenito, quartzito, etc.

Alguns exemplos de análises química do quartzo:

Amostra
quartzito areia de quartzo quartzo róseo
Característi
ca
P.F. - 0,04 0,07
SiO2 97,4 99,7 99,0
Al2O3 0,73 0,07 1,02
Fe2O3 0,78 0,02 0,05
TiO2 0,11 0,03 n.d.
CaO - traços ausência
MgO - traços 0,10
K2O - traços 0,03
Na2O - traços 0,03

Aplicações:
São muitas as aplicações do quartzo. Cerâmica, manufatura de vidros refratários
silicosos, porcelanas. Além disso, há uma variedade de aplicações: ornamentação,
produção de argamassa e concreto, tintas, abrasivos, pedra de construção, pavimentação,
pó para filtração, produtos de isolamento, equipamentos ópticos, lâmpadas especiais,

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fontes de luz monocromática, cunhas transparentes para microscópios de polarização,
instrumentos piezelétricos, eletrônica, osciladores de rádio-transmissão e rádio-recepção
para frequência fixa, detectores de ondas compressionais devido a movimentos
submarinos, medição de pressões instantâneas e elevadas como explosões nucleares e
disparos de canhões, tubos dilatométricos, saponáceos, massa para preparação de
madeiras, em moinhos de bolas (seixos), etc...
O quartzo usado pelas indústrias cerâmicas no início provinha principalmente de veios,
pegmatitos e areias de praias. Atualmente quase todo ele provém de arenitos, quartzitos e
areias de praia.
Cristais de quartzo ocorrem no Brasil, em várias regiões, principalmente nos Estados de
Minas Gerais, Bahia e Goiás, dentro de veios de quartzo encaixados em calcáreos, xistos
e arenitos. O auge da mineração de cristais de quartzo se deu durante a Segunda Guerra
Mundial, estando hoje reduzida a uns poucos garimpos que produzem principalmente
lascas e cristais para coleções.
As reservas de areias de praias no Brasil são extremamente grandes, nas praias dos
mares, rios e lagos, são usadas hoje principalmente pela indústria vidreira e são extraídas
apenas de praias do mar. Como existem cada vez mais restrições quanto a extração de
areia das praias, a solução foi a exploração de quartzitos e arenitos que também são
abundantes em todo o Brasil.

CARBONATOS (Calcita, Magnesita, Dolomita)

O óxido de cálcio, CaO, é obtido pela decomposição dos calcários pelo calor,
conforme a reação:
CaCO3 850ºC CaO + CO 2

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O calcário é uma substância natural da mais alta importância para as indústrias e
ocorre em jazidas sedimentares formando bancos ou camadas mais ou menos regulares e
extensas, que se exploram a céu aberto.
O calcário é um carbonato de cálcio, ora puro, ora contendo proporções de ferro,
manganês, sais alcalinos, magnésio, sílica, alumina, argila, etc. É introduzido nas massas
sob forma de pó fino e às vezes pelas próprias argilas, como compostos de cálcio. Se a
argila contiver calcário, a mesma deverá ser cuidadosamente moída e homogeneizada,
para que o calcário reaja quimicamente com os componentes presentes. É um fundente
enérgico e se combina com as argilas e caulins formando silicatos alumino-cálcicos. A
mistura mais fusível, ou seja, com ponto de fusão mais baixo, ponto eutético, do sistema
“cal-sílica-argila” tem a fórmula:
2,9 CaO.Al2O3.7,2 SiO2
A adição de 1% de calcário numa massa tem o mesmo poder fundente que 10% de
feldspato, em temperaturas acima de 1100ºC. A utilização de dolomita, CaCO 3.MgCO3,
nas massas, amplia o intervalo de queima em 1 ou 2 cones. O uso de calcário nas massas,
torna-as mais claras e melhora a dilatação térmica, além de aumentar a resistência
mecânica. A magnésia, MgO, é encontrada em algumas argilas, ou sob forma de dolomita,
porém em pequenas quantidades. É também fundente, sempre em misturas, agindo da
mesma forma que o óxido de cálcio.
O carbonato duplo se comporta no aquecimento como uma mistura de ambos
carbonatos, já que calcinando a 750ºC se consegue transformar o MgCO3 e obter o
CaCO3 sem que se decomponha. Este se decompõe aos 910ºC. Com um aquecimento de
longa duração, a temperaturas baixas, se consegue decompor o CaCO3 à partir dos
550ºC.
Um dos empregos mais importantes do calcário é na fabricação do cimento
Portland (mistura de cal, alumina e sílica); entra na fabricação do vidro, do cloreto de

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cálcio, anidrido carbônico, carbureto de cálcio, na agricultura e nas massas cerâmicas em
geral.
Nos últimos anos o carbonato de cálcio precipitado está substituindo o caulim
como enchimento de papel, principalmente em funçãoda mudança do processo de
fabricação de papel que por pressões ambientais está passando de ácido para básico. Esse
carbonato de cálcio precipitado é feito de usinas satélites junto às plantas de fabricação
de papel e usam a precipitação o gás carbônico excedente dessas plantas.
No vidro do tipo sílica-soda-cal, que é o que mais se fabrica é o insumo de maior
consumo depois da sílica. Algumas fábricas usam calcáreos calcíticos, e outras,
principalmente as de vidro plano, dolomitos. Em ambos os casos o teor de ferro deve ser
abaixo de 0,05%.
Na indústria de revestimentos os calcários são usados para a fabricação de azulejos
e alguns tipos de pisos. Na indústria de porcelana e louça de mesa ele é usado nas massas
do tipo faiança.
Os dolomitas e as calcitas são usadas na preparação das fritas e esmaltes.
A magnesita que até o final do século passado era descrita como um mineral raro.
O seu consumo de importância cresceu a partir de 1930, primeiro na preparação de sais
de magnésio para usos medicinais, depois para obtenção de magnésio metálico e
finalmente na indústria dos refratários básicos.
As jazidas de calcários encontram-se nos vários estados do Brasil, como por
exemplo, no estado de S. Paulo: São roque, Sorocaba, Pirapora, etc.; no estado de Minas
Gerais: B. Horizonte, Caieira, Carandaí, etc.; na Bahia: Bonfim, Campo Formoso, Bom
Jesus dos Meiras, etc.; Rio Grande do Norte: Ceará Mirim, Pau dos Ferros, etc.
Análises químicas de calcários altamente magnesianos:

Amostras 1 2 3
Composição
(%)
P.F. 42,6 43,9 44,1

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SiO2 2,60 2,30 4,20
Al2O3 4,10 2,70 0,50
Fe2O3 0,70 1,00 tr.
CaO 30,1 32,8 30,4
MgO 18,9 17,5 21,7

TALCOS:
Talco e esteatita são rochas secundárias formadas por diversas interações da água
junto com sais de magnésio, sobre as rochas primárias. São formas diferentes de silicato
de magnésio hidratado, tendo uma composição que varia entre os limites:
3 MgO.4 SiO2 .H2O e 4 MgO .5 SiO2 .H2O
31,8% 63,5% 4,7% 33,5% 62,7% 3,8%

É um mineral mole, de cor que varia entre o branco e o verde claro; é gorduroso ao
tato. No caso em que o mineral é lamelar e muito mole, denomina-se talco; a variedade
impura é conhecida como pedra-sabão; as variedades compactadas e relativamente puras
são conhecidas como esteatita. É usado em quantidades moderadas nas massas
cerâmicas, por sua influência nas propriedades físicas porém, não deve exceder à 10%,
salvo nas monoqueimas, onde é utilizado até 40% (azulejos). O uso de talco nas massas é
devido a ação fundente do MgO, reduzindo parcialmente o feldspato, para se obter um
determinado grau de vitrificação. Seu uso diminui a expansão das massas porosas, pela
ação da umidade e consequentemente os gretamentos tardios. Melhora a resistência
mecânica, a resistência ao ataque dos ácidos, diminui a porosidade e melhora a
resistência ao choque térmico. Apresenta a desvantagem de dificultar parcialmente o
trabalho das massas plásticas. A temperatura de vitrificação dos talcos oscila entre
1270ºC e 1350ºC e que por ser intervalo curto, deve-se diminuir o intervalo de queima.
As impurezas que se encontram no talco são a alumina, o ferro, a cal e os álcalis, os quais
agem como fundentes, além do ferro proporcionar uma cor de queima vermelha, menor
absorção de água e maior retração. Quantidades elevadas de cal diminui o intervalo de

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queima e até reduz a temperatura de queima, por outro lado a cal melhora a resistência
mecânica das massas. O tamanho e a forma das partículas interferem na retração de
queima.
Caraterísticas químicas e físicas de talcos:
% P. Grossa Itapeva Bahia Pedra sabão Esteatita
P.F. 4,88 10,4 6,90 12,0 4,85
SiO2 61,8 49,1 53,7 40,9 49,8
Al2O3 1,60 1,50 6,00 4,30 11,8
Fe2O3 0,48 4,00 0,90 9,44 1,07
CaO tr. 5,01 tr. 6,35 1,22
MgO 31,1 30,1 32,3 26,2 30,3
K2O 0,07 0,05 - 0,05 -
Na2O 0,10 0,18 - 0,18 -

MER: 2,60 a 2,80 g/cm3. Dureza: 1 na escala de Mohs.


Ponto de fusão: 1490ºC Dilatação linear: 4,5 x 10-6ºC-1.
O talco tem usos variados, como enchimento de cosméticos, feltros, tintas, papel,
como matéria para estatuaria e confecção de objetos utilitários e de adorno, para dar
polimento em arroz e na indústria cerâmica, nas massas para melhorar o choque térmico,
e na fabricação de materiais refratários.
Os principais depósitos de talco no Brasil, se encontram no Estado do Paraná, na
região de Ponta Grossa, no Estado da Bahia, na região de Brumado, no Estado de Minas
Gerais, na região de Ouro Branco. Neste Estado também estão os principais depósitos de
pedra-sabão.
Já existem no Brasil usinas para micronização e estudos para o beneficiamento de
talco por flotação.
WOLASTONITA

É um mineral constituído de silicato de cálcio fibroso, de origem natural (também


obtido artificialmente) e apresenta a fórmula: CaSiO3 ou CaO. SiO2, contendo 51,72% de
SiO2 e 48.28% de CaO.

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Propriedades
a) ponto de fusão: 1.540ºC
b) MER: 2.90 g/cm3
c) dureza Mohs: 4,5 a 5,0
d) pH de composição a 10%: 10,1 a 10,3
e) transição (calor) forma ß para α: 1.200ºC
f) CPE cone 18 (1.506ºC)
Apresenta intensa ação fundente, baixando o ponto de maturação das massas. Ao
contrário do carbonato de cálcio, não desprende gás por aquecimento, por isso, pode ser
usada em massas de monoqueima, em baixas temperaturas, onde a temperatura de fusão
do vidrado é inferior à de decomposição do carbonato. Quanto substitui outros fundentes,
aumenta a resistência em até 50%, devido à natureza fibrosa das partículas de
Wolastonita. Reduz a contração de queima e melhora a resistência ao choque térmico,
diminuindo o gretamento dos vidrados cerâmicos.
Substitui parcialmente o feldspato, especialmente nas massas brancas de piso e
azulejo.
Recentemente, verificou-se que adições de 1 a 3% de wolastonita em massas
argilosas apresentam melhorias na conformação, secagem, queima e na qualidade das
peças acabadas.
Devido ao tipo acicular das partículas de wolastonita, entende-se que o trançado
destas agulhas abre espaços na massa argilosa, facilitando a saída do vapor de água,
durante a secagem e início do ciclo de queima. O mesmo se observa com os componentes
da combustão, durante os estágios finais da queima.
Segundo pesquisas de Packson e Vukovich, adições de 1 a 3% de wolastonita
aumentaram a resistência de massas argilosas em até 40% e dobraram a velocidade de
queima entre 500 e 600ºC. A redução de expansão por unidade (autoclave) foi de 30% até
66% para as respectivas adições.

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BIBLIOGRAFIA

SANTOS, Léia M. das Neves dos, PRACIDELLI, Sebastião. Matérias-primas da


Escola SENAI “Mário Amato”; São Paulo: 1992. (Digitado)
MACKEVICIUS, Roberto. Geologia e mineralogia da Escola SENAI “Mário Amato”;
São Paulo: 1992. (Digitado)
GIARDULLO, Paschoal. “Minerais industriais para uso da indústria cerâmica”. Recife:
1996. (Digitado)

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