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14/05/2018 Espécies de posse no direito brasileiro

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jusbrasil.com.br
14 de Maio de 2018

Espécies de posse no direito brasileiro

Espécies de posse em matéria de Direito Civil.

Continuando meus estudos na matéria de Direito Civil, redigi agora sobre as


espécies de posse. Frisando, novamente, que o propósito da série pense rápido é
resumir um tema e não substitui uma pesquisa mais aprofundada do leitor
estudante de direito. Compartilho aqui para quem estiver interessado.

Posse direta e posse indireta


A posse direita refere-se a pessoa que está com a coisa; quando a coisa está sob o
poder imediato do possuidor direto. Já a posse indireta diz respeito ao possuidor
que exerce posse à distância, o proprietário. Nos dizeres de Carlos Roberto
Gonçalves:

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14/05/2018 Espécies
“A vantagem dessa divisão é que de possedireto
o possuidor no direito
e obrasileiro
indireto podem invocar
a proteção possessória contra terceiro, mas só este pode adquirir a
propriedade em virtude da usucapião. O possuidor direto jamais poderá
adquiri-la por esse meio, por faltar-lhe o ânimo de dono”

Tem posse indireta, por exemplo, um proprietário de um imóvel, e posse direta o


locatário que está morando neste imóvel. De acordo com nosso Código Civil:

“Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder,
temporariamente, em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta,
de quem aquela foi havida, podendo o possuidor direto defender a sua posse
contra o indireto.”

Posse justa e posse injusta


Diretamente de nosso Código Civil:

“Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.”

Ou seja, temos aqui uma ideia de legitimidade, de ausência de vícios; é uma posse
com todos os seus efeitos jurídicos. Quando ocorre violência, clandestinidade ou
precariedade temos a posse injusta. A clandestinidade abordada no código é
quando, por exemplo, A ocupa o imóvel de B às escondidas; a violência pode
ocorrer mediante uma ameaça, força física, entre outros; a precariedade ocorre
quando o agente de posse injusta recusa-se a devolver a coisa.

Esses três vícios não são os únicos que podem ocorrer. Há também outras
possibilidades como, por exemplo, quando o agente de posse injusta ocupa imóvel
alheio, mas não procura esconder o fato. Vale frisar que a posse injusta continua
sendo posse, pois depende de quem se está comparando. Pode ocorrer que B tenha
posse injusta frente a A, o proprietário, mas, por ter a coisa esbulhada de si, tenha
posse justa perante C, quem esbulhou.

Posse de boa-fé, posse de má-fé e posse sob


justo título
Pelo Código Civil:

“Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo


que impede a aquisição da coisa.

Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé,
salvo prova em contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta
presunção.”

Se o possuidor tem conhecimento sobre algum vício, temos a posse de má-fé.

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14/05/2018 Espécies
Sobre a posse com justo título: quando quemde posse
detémno direito
a posse brasileiro
também detiver justo
título de domínio, com presunção de boa-fé. Ou seja, se o possuidor, de boa-fé,
detiver um justo título, um elemento que representa o fundamento para adquirir a
posse, mesmo que haja vício nessa situação aparentemente legal, os efeitos
jurídicos são os mesmos devido a essa boa-fé.

Posse nova e posse velha


Essa distinção tem relação com prazos, para se analisar situações de fato e quando
houve remissão de vícios; é uma classificação quanto à idade da posse. A posse
nova é a de menos de ano e dia, e a posse velha é a de ano e dia ou mais.

O Código Civil não faz distinção de ambas, então cabe ao juiz avaliar a melhor
posse, a que não tiver vícios:

Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á


provisoriamente a que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de
alguma das outras por modo vicioso.

Para esclarecer melhor, um trecho do artigo do professor da Universidade Católica


de Pernambuco, Rafael de Menezes:

Outra coisa muito importante: estas ações [interdito proibitório, reintegração


de posse, manutenção de posse] devem ser propostas no prazo de até um ano e
um dia da agressão (art 924 do CPC), pois dentro deste prazo o Juiz pode
LIMINARMENTE determinar o afastamento dos réus que só tem detenção;
após esse prazo, o invasor já tem POSSE VELHA e o Juiz não pode mais deferir
uma liminar, e o autor vai ter que esperar a sentença que demora muito. A
liminar é uma decisão que o Juiz concede no começo do processo, já a sentença
é uma decisão que só vem no final do processo, após muitos prazos, audiências,
etc. E nesse tempo todo os réus estarão ocupando a coisa. Por isso é preciso
agir dentro do prazo de um ano e um dia (DETENÇÃO ou POSSE NOVA) para
se obter uma grande eficácia na prática. Se o réu tem POSSE VELHA, o Juiz
deve negar a liminar, mantendo o estado de fato, até que após formar todo o
processo o Juiz julgue o estado de direito (art 1211, súmula 487 STF). O
proprietário sempre vence o possuidor, afinal a posse é um fato provisório e a
propriedade é um direito permanente.

Posse natural ou civil (jurídica)


A posse natural é aquela decorrente de poderes de fato, material e efetiva sobre a
coisa. A posse civil ou jurídica é aquela que se adquire por força da lei, pelo título
(escritura pública).

Posse ad interdicta e ad usucapionem


https://nataliafoliveira.jusbrasil.com.br/artigos/436692999/especies-de-posse-no-direito-brasileiro 3/5
14/05/2018 A posse ad interdicta é aquela queEspécies
pode serde defendida
posse no direito brasileiro
pelos interditos através das
ações possessórias bastando a posse ser justa, mas que não conduzem a usucapião.

Já a posse ad usucapionem é aquela que prolonga-se pelo tempo definido em lei e


que dá ao seu titular a aquisição do domínio, ou seja, a que enseja o direito de
propriedade. Precisa preencher requisitos estabelecidos, como o de ter o animus
de dono, por exemplo, para que se configure.

Composse
A composse se configura quando duas ou mais pessoas são possuidoras da mesma
coisa. Ocorre, por exemplo, quando um casal em comunhão de bens adquirem uma
coisa comum. Qualquer um deles pode usar remédios possessórios frente a
terceiros, como leciona Carlos Roberto Gonçalves. De nosso Código Civil:

“Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada
uma exercer sobre ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos
outros compossuidores.”

Existe uma subdivisão da composse entre pro diviso e pro indiviso. Vejamos:

Pro diviso

Quando os compossuidores exercem poderes apenas sobre uma parte definida da


coisa. Cada um pode utilizar interditos no caso do outro atentar contra o exercício
da posse.

Pro indiviso

Ocorre quando os possuidores exercem simultaneamente os poderes de fato sobre


a coisa, como utilizar ou explorar o bem comum.

Fontes/referências/indicações:

Código Civil

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito das Coisas. São Paulo: Saraiva, 2012 -
(coleção Sinopses Jurídicas vol. 3).

GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil II Esquematizado. São Paulo:


Saraiva, 2014.

Texto de Wanildo José Nobre Franco

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14/05/2018 Texto de Dilvanir José da Costa Espécies de posse no direito brasileiro

Texto de Rafael de Menezes

Imagem: Pixabay

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