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Apostila Básica de Violão Popular

Resumo para aulas


Organização e Edição: Jefferson Ferreira

Breves – PA
2018
1. UM BREVE HISTÓRICO DAS NOTAS MUSICAIS

A origem dos nomes das notas se deve à Europa do século XVII e à importância da igreja na
formação da cultura e do pensamento intelectual e artístico da época.
Na Itália, em meados de 1600, viveu o monge Beneditino Guido D’Arezzo, ele era uma
figura religiosa dedicada à música. Foi ele quem deu nome às notas musicais, a partir das primeiras
sílabas de cada linha do seguinte hino a São João Batista:

HINO A SÃO JOÃO BATISTA


Ut queant laxis Para que nós, servos, com nitidez
Resonare fibris E língua desimpedida
Mira gestorum O milagre e a força dos teus feitos
Famuli tuorum Elogiemos,
Solve polluti Tira-nos a grave culpa
Labil reatum da língua machada
Sancte Ioannes Ó São João!
Esse hino costumava ser entoado pelos coros de meninos. Assim Guido deu às notas os
nomes: Ut – Ré – Mi – Fá – Sol – Lá, acrescentando depois, para completar a escala o SI,
proveniente das primeiras letras de “Sancte Ioanne” (São João). Algum tempo depois ele
substituiria a sílaba Ut, pela dificuldade de se pronunciar, pela sílaba Dó, retirada de seu próprio
nome Guido.
Existem alguns registros que dizem que a substituição do nome da nota
Ut pela Dó, não foi feita pelo próprio Guido D’Arezzo, mas sim, posteriormente, pelo maestro
italiano Giovanni Battista Doni , que teria utilizado a primeira sílaba de seu sobrenome.
2. ESTRUTURA MUSICAL
Música: È arte de combinar sons de uma maneira agradável;
Melodia: É combinação de sons sucessivos;
Harmonia: É a combinação de sons simultâneos;
Ritmo: É a duração e acentuação dos sons e das pausas descrito em [1].
Tudo que podemos ouvir são sons, alguns agradáveis outros não, como: gritos, freadas de
pneus, vidro quebrando, etc. Quando selecionamos de forma harmoniosa esses sons em melodia
transformamos em música.
Os sons podem ser divididos em duas categorias:
Tonantes: São sons com variação de tonalidade entre grave e agudo, como qualquer
instrumento musical, exceto os percussivos.
Não Tonantes: São sons que não tem essa variação de tonalidade e produzem sons simples
como qualquer barulho, característicos dos instrumentos percussivos.
2.1. Notas Musicais
São sons tonantes organizados por uma escala, na qual temos 7 notas musicais:
DÓ – RÉ – MI – FÁ – SOL – LÁ – SI
Cada nota está relacionada com uma frequência de som que ouvimos.

Nota Frequência
Dó 261 Hz
Ré 293 Hz Observação: Veja a tabela, cada nota tem uma frequência
relativa. Acontece que está frequência pode dobrar o valor, e
Mi 329 Hz então esta nota repete-se de forma mais aguda, por exemplo,
Fá 349 Hz uma oitava de Dó perceba que dobrou a frequência para 522 Hz.
Sol 391 Hz
Lá 440 Hz
Si 493 Hz
Dó 522 Hz

2.2. Sustenido e Bemol


Durante muito tempo essas notas musicais eram soberanas. Mas com a evolução da música,
percebeu-se que havia uma variação sonora entre algumas notas, ou seja, entre uma nota e outra
existia um som (semitom ou meio tom). Assim com passar do tempo esse som foi chamado de
sustenido ou bemol.
Sustenido: (#) quando está à frente entre uma nota e outra.
Bemol: (b) quando esta à atrás entre uma nota e outra.
Exemplo:
(Ascendente) DÓ - DÓ# - RÉ - RÉ# - MI - FÁ - FÁ# - SOL - SOL# – LÁ – LÁ# - SI – DÓ...
(Descendente) SI – SIb – LÁ – LÁb – SOL – SOLb – FÁ – MI – MIb – RÉ – RÉb – DÓ...
Observações:
 Não existe semitom entre Mi e Fá e entre Si e Dó. Consequentemente não temos as notas
Dób e Fáb.
 Sustenido e bemol são nomes diferentes, porém,
representa a mesma nota musical, este fenômeno
muito comum nomeado de Notas Enarmônicas. Veja
as possíveis enarmonias:

Dó# Réb
Imagem 01: Intervalo sustenido
Ré# Mib

Fá# Solb

Sol# Láb

Lá# Sib

Imagem 02: Intervalo bemol

Concluimos que a escala geral das notas é formada por 12 semitons.

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
Dó Dó# Ré Ré# Mi Fá Fá# Sol Sol# Lá Lá# Si
ou ou ou ou ou
Réb Mib Solb Láb Sib

2.3. Variação Tonal


É a principal relação da música, justamente por determina a variação de tonalidades das
notas graves e agudas. O grave é tonalidade grossa e baixa, enquanto que a aguda é o tom alto e
fino.
GRAVE DÓ - DÓ# - RÉ - RÉ# - MI - FÁ - FÁ# - SOL - SOL# – LÁ – LÁ# - SI – DÓ... AGUDO
Com isso podemos afirmar que Mi e mais agudo que Dó (ascendente) e Lá mais grave que
Dó (descendente) e assim por diante.
2.4. Cifras
É um sistema de notação musical usado para indicar através de símbolos ou letras as notas a
serem executadas por um instrumento.

NOTAS LÁ SI DÓ RÉ MI FÁ SOL
CIFRAS A B C D E F G
2.5. Entendendo de Tom, Acorde e Escala
Tom ou Tonalidade refere-se a uma escala de valores que selecionam os acordes que tenham
relação entre si para formar a sequência deles nas músicas. Por exemplo, cada acorde tem uma
escala onde se encontram as notas que tem relação com ela, essas notas são como seus parentes
(notas primas) e a partir dessa escala, formam-se os acordes relativos à sua tonalidade.
Acorde é o conjunto de duas ou mais notas musicais. O violão pode ser tocado “cifrado” ou
“solado”, quando se toca “cifrado” é necessário usar os acordes que recebem os mesmos nomes das
notas musicais. Se juntarmos, por exemplo, as notas G – B – D teremos um acorde que, por ocasião
será o acorde de Sol maior (G). Os acordes possuem várias variações tonais (maior, menor e
dissonantes).
Escala é uma sequência ordenada de tons por alguma característica. Existem vários tipos de
escalas, nós vamos estudar duas: A cromática e a diatônica (de onde irão surgir os nossos acordes).
Escala cromática: É formada por 12 sons ou 12 tonalidades.
C – C# - D – D# - E – F – F# - G – G# - A – A# - B
Na escala cromática quando avançamos uma nota nós dizemos que avançamos meio (1/2)
tom, quando avançamos duas notas dizemos que avançamos um (1) tom. Se avançarmos três notas
dizemos que avançamos um tom e meio, e assim por diante, valendo também para o caso de voltar
notas.
Escala Diatônica Maior: é uma escala de oito notas, com cinco intervalos de tons e dois
intervalos de semitons entre as notas. Através delas formamos acordes maiores:

C – 1 tom – D – 1 tom – E – 1 semitom – F – 1 tom – G – 1 tom – A – 1 tom – B – 1 semitom – C


Escala Diatônica Menor: Da mesma forma que a diatônica maior, porém a disposição dos tons e
meios tons são diferentes.

A – 1 tom – B – 1 semitom – C – 1 tom – D – 1 tom – E – 1 semitom – F – 1 tom – G – 1 tom – A


2.6. Diapasão
É o valor original das notas, ou seja, a altura do tom padrão em tudo o mundo para a
afinação dos instrumentos, fazendo haver uma unidade musical. Por exemplo, o G do saxofone deve
ter a mesma altura de tom que o G dos demais instrumentos, como o violão, o piano, etc. Desta
forma, não há conflitos quando dois ou mais instrumentos tocarem juntos.
Diapasão é também um pequeno instrumento que reproduz as notas padrão para ajudar a
afinar os instrumentos pelas notas originais.
3. ANATOMIA DO VIOLÃO

7 9

Imagem 03: Corpo do violão.

1) Mão: Extremidade superior do braço onde se encontram fixada as tarraxas ou cravelhas.


2) Tarrachas ou Cravelhas: Mecanismo giratório que serve para afinar as cordas, tencionando-
as (sentido anti-horário) ou distendendo-as (sentido horário).
3) Pestana ou Capotraste (Capo= cabeça/ traste da cabeça): Peça alongada de material plástico,
ou de fibra de carbono que possui pequenos veios por onde passam as cordas.
4) Trastes: Série de filetes metálicos perfilados ao longo da escala que servem para delimitar os
sucessivos semitons (as notas de cada casa) do “sistema temperado” (sistema que divide a
escala musical em 12 doze sons sucessivos dispostos e igualdade de distância entre si).
5) Casa: Espaço delimitado por dois trastes, onde os dedos “pisam” para produzir o som das
notas.
6) Escala: Parte superior do braço onde ficam fixados os trastes e onde e executam os solos e
os acordes.
7) Cavalete: Peça de madeira por onde passam as cordas, que serve para ajustar também
“afinação de oitava”.
8) Braço: Peça única geralmente de madeira onde se localiza as casas e os trastes.
9) Boca: Orifício localizado no corpo do violão por onde o som se propaga.
4. POSTURA
Segundo [2] para que se tenha a firmeza necessária na hora de tocar o violão é fundamental
uma boa postura. O aluno deve procurar se sentar de modo que tenha firmeza e apoio ao corpo e até
de certa forma, elegante. Por isso o instrumentista deve estar sentado com as costas retas. De modo
que a coluna esteja bem apoiada sobre a cintura, ereta e confortável. O violão deve repousar sobre
uma de suas pernas sendo que, nesse ponto, existem duas possibilidades mais utilizadas: na
primeira, o violão repousa sobre a perna direita, esta postura é mais usada pelos violonistas
populares. Já na segunda, o violão repousa sobre a perna esquerda, esta postura é mais utilizada por
músicos eruditos, sendo qe o violão deve ficar levemente inclinado e a perna esquerda um pouco
mais alta do que a direita. É importante frisar que, qualquer uma das formas escolhida pelo aluno,
está correta.

Imagem 04: Postura de violonistas eruditos e populares respectivamente.

4.1. Mão Direta

P – Polegar
I – Indicador
M – Médio
A – Anular
MI – Mínimo

Imagem 05: Anatomia da Mão direta.

4.2. Mão Esquerda

P – Polegar
1 – Indicador
2 – Médio
3 – Anular
4 – Mínimo

Imagem 06: Anatomia da Mão esquerda.


5. AS CORDAS DO VIOLÃO

1ª – E
2ª – B
3ª – G
Primas
4ª – D
5ª – A
6ª – E Imagem 07: Cordas soltas de baixo para cima.
Bordões

6. AFINAÇÃO

Imagem 08: Tablatura para afinação de Lá 440 Hz.

1º Passo: Afine a 5ª corda com o diapasão ou qualquer afinador eletrônico. O som dos dois
deve ficar igual;
2º Passo: Prenda a 6ª corda na 5ª casa e faça com que o som dela fique igual ao som da 5ª
corda, já afinada.
3º Passo: Em seguida, afine a 4ª corda. Pressione a 5ª corda na 5ª casa e iguale o som das
duas;
4º Passo: Para afinar a 3ª corda, proceda da mesma maneira. Pressione a 4ª corda na 5ª casa
e aperte ou afrouxe a corda Sol até que as duas fiquem com o mesmo som;
5º Passo: Afine a 2ª corda fazendo com que seu som fique igual da 3ª corda pressionada na
4ª casa.
6º Passo: O som da 1ª corda deve ficar ao da 2ª corda pressionada na 5ª casa.
7. INTERVALO
É à distância ou diferença de altura tonalidade entre duas notas dadas.
Imagem 09: Intervalos de 2ª maior e menor, sentido
ascendente e descendente.

8. TABLATURA
A tablatura é uma representação do braço do violão que indica qual a corda e a casa que
deve ser tocada de forma clara e objetiva. As linhas horizontais representam as cordas e,
sobrepostos às linhas, são colocados números que representam a casa onde a nota se encontra.

Imagem 10: Tablatura de exercício de coordenação motora.

8.1. Coordenação Motora


1 1–2–3–4
2 1–2–4–3
3 1–3–2–4
4 1–3–4–2
5 1–4–3–2
6 1–4–2–3

Os exercícios acima devem ser praticados lentamente, preocupando-se principalmente em


produzir um som claro e um ritmo contínuo e uniforme.
Observação: Tocar a partir da 1ª corda as fórmulas quatro vezes.
9. FORMAÇÃO DE ACORDES – Tríades
Em [3] os principais acordes são as Tríades, formada pela superposição de duas terças,
formando um acorde de três sons, ou seja, acorde composto por três notas. As tríades se classificam
em maior, menor, aumentada e diminuta. Eles são criados a partir da escala diatônica, tomando-se a
1 (nota fundamental ou tônica), 3 terça e 5 quinta nota da escala.
Veja os tipos básicos de tríades:
Maior: 1 – 3 – 5
Menor: 1 – b3 – 5
Aumentada: 1 – 3 – #5
Diminuta: 1 – b3 – b5
Aplicação das respectivas tríades acima: C/ Cm/ C(#5)/ Cº
10. PRÁTICA! Aplicação das Tríades
 Acordes Maiores
11. APLICAÇÃO DAS TRÍADES (Continuação)
 Acordes Menores

 Acordes Sustenidos/Bemóis Maiores


 Acordes Sustenidos/Bemóis Menores

 Acordes Aumentados
 Acordes Diminutos

12. CAMPO HARMÔNICO


O campo harmônico é o campo de acordes utilizando-se as notas da escala, que podem, ou
até mesmo devem ser usados para compor a harmonia de uma música.
 Campo harmônico maior

Os exemplos seguintes estão em C, D e E respectivamente.

Formula da T T S T T T S
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala C Dm Em F G A Bº C

Formula da T T S T T T S
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala D Em F#m G A B C#º D
Formula da T T S T T T S
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala E F#m G#m A B C# D#º E

Importante: Os próximos campos harmônicos maiores ficam para exercícios!

 Campo harmônico menor

Os exemplos seguintes estão em C e D respectivamente.

Formula da T S T T S T T
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala Cm Dº Eb Fm Gm Ab Bb Cm

Formula da T S T T S T T
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala Dm Eº F Gm Am Bb C Dm

Importante: Os próximos campos harmônicos menores ficam para exercícios!

13. FORMAÇÃO DE ACORDES – Tétrades


Em [3] os Tétrades são formados pela superposição de três terças, formando um acorde de
quatro sons, ou seja, acorde composto por quatro notas. As tétrades se classificam em sétima maior,
menor com sétima, dominante, diminuta e etc. Eles são criados a partir da escala diatônica,
tomando-se a 1 (nota fundamental ou tônica), 3 terça e 5 quinta e 7 sétima nota da escala.
Veja os tipos de tétrades:
Sétima Maior: 1 – 3 – 5 – 7
Menor com sétima: 1 – b3 – 5 – b7
Dominante: 1 – 3 – 5 – b7
Diminuta: 1 – b3 – b5 – bb7
Menor com sétima maior: 1 – b3 – 5 – 7
Meio-diminuta: 1 – b3 – b5 – b7
Sétima maior e quinta aumentada: 1 – 3 – #5 – 7
Segue a aplicação cifrada das respectivas tétrades acima:
C7M/ Cm7/ C7/ Cº/ Cm(7M)/ Cm7(b5)/ C7M(#5)
14. APLICAÇÃO DAS TRÉTADES
 Acordes com Sétima Maior (7M)

 Acordes Menor com Sétima (m7)


 Acordes Dominantes (7)
 Acordes Diminutos (º)

 Acordes Menores com Sétima Maior (m(7M))


 Acordes Menores com Sétima e Quinta Diminuta ou Meio-Diminuto (m7(b5))
 Acordes com Sétima Maior e Quinta Aumentada (7M(#5))

15. Campo Harmônico com aplicação de Tétrades

 Campo Harmônico Maior

Os exemplos seguintes estão em C e D respectivamente.

Formula da T T S T T T S
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala C7M Dm7 Em7 F7M G7 Am7 Bm7(b5) C7M

Formula da T T S T T T S
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala D7M Em7 F#m7 G7M A7 Bm7 C#m7(b5) D7M

 Campo Harmônico Menor

Os exemplos seguintes estão em C e D respectivamente.


Formula da T S T T S T T
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala Cm7 Dm7(b5) Eb7M Fm7 Gm7 Ab7M Bb7 Cm7

Formula da T S T T S T T
Escala
Graus I II III IV V VI VII VIII
Escala Dm7 Em7(b5) F7M Gm7 Am7 Bb7M C7 Dm7

Exercícios:

1) Escreva todos os Campos Harmônicos Maiores e Menores com aplicação das tétrades?
2) Escreva os Campos Harmônicos Maiores dos acordes sustenidos/bemóis com aplicação das
tétrades?
3) Escreva os Campos Harmônicos Menores dos acordes sustenidos/Bemóis com aplicação das
tétrades?
4) Através dos estudos dos intervalos realizados. Quais são os nomes das notas dos intervalos
abaixo:

Exemplo: b3 de C?

R – A terça menor da tônica Dó é Mib.


a) b7 de Bb f) 7 de E
b) b3 de G# g) 3 de Eb
c) #5 de D h) bb7 de Db
d) bb7 de F# i) 5 de F
e) b5 de G j) b3 de D#

16. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


[1] CHEDIAK, Almir. Harmonia e Improvisão. 15. ed. vol.1. Rio de Janeiro: Lumiar
Editora, 1986.
[2] Coleção Aprenda Fácil Violão. São Paulo: Escala Editora, 2011.
[3] FARIA, Nelson. Acordes, Arpejos e Escalas para violão e guitarra. Rio de Janeiro:
Lumiar Editora, 1990.