Você está na página 1de 58

L.

L.
C.

C.
ius

ius
nic

nic
BASICÃO DE EDO
Vi

Vi
Vinicius Cifú Lopes
3

3
01

01
Versão Preliminar
c2

c2
r

r
na

na
mi

mi
eli

eli
Pr

Pr

ii
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Índice 115

L.

L.
C.

C.
Sumário

ius

ius
Apresentação v

nic

nic
0 Qual é o assunto 1
0.1 O que são as equações diferenciais . . . . . . . . . . . . . . 3
0.2 De onde elas vêm . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
Vi

Vi
0.3 O que são PVIs e TEUs . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
0.4 Coisas que já sabemos fazer . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

1 Primeira ordem 23
3

3
1.1 Separação de variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
01

01
1.2 Dinâmica populacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
1.3 Equações lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
1.4 Equações exatas e fatores integrantes . . . . . . . . . . . . . 41
c2

c2
1.5 Substituições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
r

r
1.6 Modelagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

2 Ordens superiores 57
2.1 Formas geral, normal e linear . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
2.2 Independência linear de funções . . . . . . . . . . . . . . . . 59
na

na
2.3 Wronskiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
2.4 Espaço de soluções da equação linear . . . . . . . . . . . . . 67
2.5 Coeficientes constantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
mi

mi
2.6 Gravitação universal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81
2.7 Osciladores harmônicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
2.8 Coeficientes variáveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
eli

2.9 Equações e métodos especiais . . . .

Algumas respostas e indicações


. . . . . . . . . . . . . 103

107
eli
Pr

Pr
Créditos e referências 113

iii iv
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
particular, mostram que a série
1 1 1 1
+ 2 + 2 + ... + 2 + ...

L.

L.
12 2 3 n
converge a algum número real, mas esses testes não dizem qual é esse limite.
Gente graúda como Leibniz e Jacques Bernoulli não soube determiná-lo.

C.

C.
Capítulo 0 Então Leonhard Euler encontrou um caminho: Queremos somar inver-
sos de quadrados ou, afinal, somar inversos. Naquela época, eram muito
populares as relações de Girard para polinômios de grau arbitrário e algu-
mas de suas conseqüências; Euler pensou na soma dos inversos das raízes de

ius

ius
Qual é o assunto um polinômio, que é igual ao oposto (“menos”) do coeficiente do termo linear
dividido pelo coeficiente do termo constante. (Cheque isso para ax2 +bx+c:
aprendemos que as raízes x1 , x2 satisfazem x1 + x2 = −b/a e x1 x2 = c/a;

nic

nic
dividindo uma relação pela outra, vem (x1 + x2 )/x1 x2 = (−b/a)/(c/a);
simplificando, obtemos (x2 )−1 + (x1 )−1 = −b/c, como enunciado.)
Começamos por estabelecer o que são as Equações Diferenciais Ordiná- No nosso caso, Euler precisava determinar um polinômio com raízes

Vi

Vi
rias e por que devemos estudá-las. Apresentaremos também conceitos e 12 , 22 , 32 , . . . , n2 , . . ., de modo que a soma de seus inversos (precisamente
definições úteis por todo o curso. a série procurada) seria obtida pela relação de Girard. Claro, nenhum
Não só neste capítulo, observaremos passagens que podem parecer es- polinômio tem um número infinito de raízes, então deveremos operar com
tranhas ou errôneas, por exemplo, reescrever dxdy
= y 0 como dy = y 0 dx. Há um “polinômio de grau infinito”. Por outro lado, funções trigonométricas
3

3
muitos outros “deslizes” que podem e devem ser notados. Recorremos ao têm raízes que se distanciam regularmente; por exemplo, as raízes do seno
01

01
bom senso e boa vontade do estudante (que aprenderá muito mais ao tentar são
justificar cada passagem) ou, onde se aplica, a esta observação em [FiNe]: 0, ±π, ±2π, . . . , ±nπ, . . .
Não queremos 0 em nossa lista de raízes, porque não sabemos tomar seu
c2

c2
O rigor que a Análise ganhava no decorrer do século XIX inverso; então podemos considerar a função (sen θ)/θ, cujas raízes são as
começou a pôr em dúvida certos métodos. . . Os teoremas de
r

r
mesmas excetuando-se 0.
existência e unicidade de solução surgem nessa fase. . . . sua Euler foi um grande manipulador de séries de potências e provavelmente
busca através de processos informais se torna justificável e pro- lhe era mais natural lidar com a série em vez da própria função. Neste caso,
missora, uma vez que a “solução” assim obtida pode ser verifi- podemos obtê-la dividindo-se a série de sen θ pelo próprio θ:
cada a posteriori.
na

na
sen θ θ2 θ4
É com esse espírito que algumas técnicas que estudaremos são relaxadas, =1− + − ...
θ 3! 5!
porque a corretude de suas conclusões pode ser estabelecida depois. Isso
Eis um “polinômio de grau infinito”, mas não exatamente aquele que pro-
mi

mi
não significa que deveremos abandonar o rigor matemático totalmente! Os
curamos. Mais interessante do que as raízes a intervalos de comprimento π
“deslizes” deverão sempre ser justificáveis ou formalizáveis, ficando todo o
seriam os seus quadrados
raciocínio “sob controle”.
eli

eli
Em resumo, usaremos nossos conhecimentos de Cálculo para descobrir (±π)2 , (±2π)2 , . . . , (±nπ)2 , . . . ,
coisas e, depois, prová-las.
A título de exemplo, visitaremos uma passagem da História da Mate- mais parecidos com os números originais. Substituindo θ2 = x, temos
Pr

Pr
mática (veja [BoMe]) sem relação direta com EDOs: x x2
Certos testes de convergência, aqueles usando integrais impróprias em 1− + − ...
3! 5!

1 2
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
cujas raízes são tais quadrados; esse é outro “polinômio de grau infinito”. A 4: Por exemplo, y 0 = 2y é uma equação diferencial. Uma solução possível é
soma dos inversos de suas raízes é, portanto, y(x) = e2x : de fato, y 0 (x) = e2x · 2 = 2y(x), ou seja, satisfizemos a equação
ao substituir y por e2x .

L.

L.
1 1 1  −1/3!  1
+ + . . . + + . . . = − = , 5: As equações diferenciais ordinárias, conhecidas por EDOs, são aquelas
π2 (2π)2 (nπ)2 1 6
em que não ocorrem derivadas parciais, ou seja, buscam-se funções de ape-

C.

C.
o que leva a nas uma variável como raízes das equações. Muitas vezes, porém, operar
1 1 1 1 π2 com derivadas parciais é parte central da resolução de uma equação. Quanto
+ 2 + 2 + ... + 2 + ... = .
1 2 2 3 n 6 ao co-domínio, há equações ordinárias (ou ainda, sistemas de EDOs) que
se referem a funções vetoriais em vez de funções de valores reais.

ius

ius
Nesse raciocínio, Euler aplicou regras de polinômios de grau finito a
séries, sem qualquer justificativa. Contudo, havendo um “candidato” (π 2 /6) Desse modo, as seguintes equações são diferenciais ordinárias: yy 0 = 0,
a ser o limite da série, provar que a série converge a esse mesmo valor é y + y 00 = 3x, sen y 0 = x2 + 2, y 00 = ln |y + x|, onde se buscam soluções
0
uma tarefa mais simples.

nic

nic
da forma y(x), e o sistema Ẏ = 31 −52 Y , em que a incógnita tem a forma
y1 (t) 
vetorial Y (t) = y2 (t) .
0.1 O que são as equações diferenciais 6 Notações para derivadas: Dada uma função suficientemente diferen-
Vi

Vi
ciável f , escrevemos f 0 , f 00 , f 000 para indicar as funções que são sua primeira,
O conceito de equação diferencial é melhor explicado por partes: segunda e terceira derivadas. Para uma derivada de ordem superior, diga-
mos n, escrevemos f (n) ; quando a derivada é feita em relação à variável x,
1: Uma equação envolve coeficientes e funções conhecidos e uma ou mais dnf
temos f (n)
= dxn . (Note que f (0) é a própria f .) Freqüentemente, quando
incógnitas cujos valores devemos determinar. Por exemplo, 2x + 3 = 5 é
3

3
a variável t é usada como tempo, usamos pontos em vez de linhas: ẏ, ÿ;
uma equação, e x = 1 é sua única solução ou raiz no conjunto lR. Outros
01

01
cuidado para enxergá-los! Enfim, é comum encontrarmos equações diferen-
exemplos são t2 + 6 = 5t e x3 sen(x4 ) = 1, enquanto podemos construir
ciais na forma a dx + b dy = 0, que significa a + by 0 = 0 após a divisão por
inúmeras equações fáceis ou difíceis de resolver, com muitas, poucas, uma
dx.
única ou nenhuma solução.
c2

c2
Alguns textos antigos usam y VIII em vez de y (8) . Há autores que adotam
∂y
r

r
2: Diferencial denota um conceito matemático muito próximo ao de deri- a convenção de indicar ∂x por yx ou yx0 (sendo preciso tomar cuidado com
vada; portanto, espera-se que em uma equação diferencial constem deriva- o que se lê), especialmente quando são muitas as variáveis envolvidas.
das. (As expressões dy e dx são exemplos de diferenciais; [Suv] introduz
Ainda com respeito a notação, explicamos que exp(x) e ex são a mesma
o Cálculo por meio delas.) Como derivada de constante é zero, as equa-
coisa, a função exponencial com base e = 2,71828 . . . A notação “exp” é
ções diferenciais só teriam valor prático se, de algum modo, funções fossem
vantajosa quando o argumento envolve frações e integrais, o que acontecerá
na

na
derivadas e, mais propriamente, essas funções não estivessem pré-fixadas.
bastante em nosso estudo.
Assim, trabalharemos com incógnitas que são funções.
Determine se as funções indicadas são soluções das equações dadas:
mi

mi
3: Em cursos introdutórios de Cálculo, já trabalhamos com problemas as- 7: y 0 + y tg x = 0, y = cos x.
sim, quando procuramos responder à pergunta: “Qual é a função cuja deri- Solução: A função dada é y = cos x e sua derivada é y 0 = − sen x. Para
vada é f (x) ?” Desenvolvem-se mesmo diversas técnicas de primitivização tal y, portanto, temos
eli

para solucionar esse problema.


Outra questão familiar é, em Física, determinar leis de movimento de
corpos submetidos a configurações variadas de forças, e tais leis são funções, eli y 0 + y tg x = − sen x + cos x tg x = 0.
Pr

Pr
geralmente de uma variável real (tempo) a variáveis reais (coordenadas no Assim, a função proposta satisfaz a equação dada, ou seja, é uma solução
espaço). sua.

3 4
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
8: (y 0 )2 = 5x2 y, y = x3 . 17: Equações da forma apresentada são bastante difíceis de serem estuda-
Solução: Dada y = x3 , temos y 0 = 3x2 . Substituindo-se, o lado es- das, como observaremos na Seção 0.4 (“funções implícitas”). Portanto, no
querdo da equação fica 9x4 e o direito iguala 5x5 . Esssa expressões não são que segue, estudaremos equações

L.

L.
iguais e concluímos que tal função não é solução da equação dada. 
Detalhe: Poderíamos obter expressões diferentes em cada lado, mas y (n) = f x, y, y 0 , . . . , y (n−1) ,
ainda assim elas serem equivalentes e a função ser realmente solução da

C.

C.
ditas na forma normal (de ordem n). Em geral, suporemos que f é contínua
equação. Para certificar-se, mostre que 9x4 e 5x5 são iguais apenas para
em uma região U , isto é, um subconjunto aberto e conexo de lRn+1 .
um número finito de valores de x e, portanto, não são equivalentes.
18: Assim, uma equação de primeira ordem na forma normal é
9: y 00 − y = 0, y = 5ex . 12: 2xy 0 = 6y, y = −x2 .

ius

ius
10: y 00 − y = 0, y = xex . 13: (2x + y) dx + x dy = 0, y = −x. y 0 = f (x, y),

11: 2xy 0 = 6y, y = 7x3 . 14: ẍ = −ω 2 x, x = A cos(ωt + θ0 ). onde f : U → lR e U é uma região em lR2 .

nic

nic
A mais simples de todas é quando f depende somente de x:
Trabalharemos preferencialmente com soluções y(x) : I → lR, onde o
domínio I é um intervalo aberto. Contudo, considerar equações e soluções y 0 (x) = f (x) para todo x em um certo intervalo.
complexas, ou de outras formas, é válido e importante campo de estudos.
Vi

Vi
Vamos formalizar as definições, a título de fixação? Suas soluções são as primitivas de f !

15 Definição: Por uma equação diferencial ordinária de ordem n, enten-


0.2 De onde elas vêm
3

3
demos uma relação na “forma geral”
01

01
 Devemos nos perguntar qual é o significado ou a razão de ser do conceito
F x, y, y 0 , . . . , y (n) = 0,
de derivada que, afinal, constitui o material das equações diferenciais.
que envolve uma função F de n + 2 variáveis definida em um conjunto D, Para isso, reveremos vários exemplos tradicionais de problemas que po-
c2

c2
uma variável independente x, uma função incógnita y = y(x) e as primeiras dem ser expressos em termos de equações diferenciais. Para escrevê-las,
r

r
n derivadas de y. (F pode estar “disfarçada” como uma simples adição ou não são necessárias técnicas sofisticadas e, por isso mesmo, eles figuram em
não depender de algumas derivadas!) Muitas vezes usaremos t no lugar de textos de introdução ao Cálculo. (Veremos na Seção 1.1, detalhadamente,
x e, por sua vez, x no lugar de y. o método de resolução utilizado.)

16: Resolver essa equação significa encontrar um intervalo aberto I no eixo 19: Por definição,
na

na
Ox e uma função ϕ : I → lR tal que: dy ∆y(em a) y(a + h) − y(a)
y 0 (a) = (a) = lim = lim .
(i) ϕ(x), ϕ (x), . . . , ϕ (x) existam para cada x ∈ I, isto é, ϕ seja n vezes
0 (n) dx x→a ∆x(em a) h→0 h
mi

mi
derivável em todo o seu domínio;
Isso é um número, enquanto y 0 ou y 0 (x) é a função que associa a cada a o

(ii) x, ϕ(x), ϕ0 (x), . . . , ϕ(n) (x) ∈ D para cada x ∈ I, de modo que pos- valor y 0 (a).
samos calcular F nessa (n + 2)-upla; Mostra-se que a função
eli


(iii) F x, ϕ(x), ϕ0 (x), . . . , ϕ(n) (x) = 0 também para cada x ∈ I.
eli L(x) = y(a) + y 0 (a) · (x − a)
Pr

Pr
Uma tal função ϕ é chamada solução da equação, ou ainda “curva integral”, é a melhor aproximação linear à função y(x) em torno de a e seu gráfico é
e geralmente indicada apenas y. a reta tangente ao gráfico de y pelo ponto (a, y(a)).

5 6
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
20 Aspecto geométrico: ([Suv]) Considere esta propriedade: Cada ponto 22: Mostramos que as curvas com a propriedade enunciada são todas hi-
de uma certa curva no plano Oxy é o ponto médio do segmento tangente à pérboles de uma certa forma. Devemos mostrar que, reciprocamente, todas
curva por esse mesmo ponto e limitado pelos eixos cartesianos. essas hipérboles têm aquela propriedade? Como fazê-lo?

L.

L.
Neste momento, pode ser difícil esquematizar essa propriedade em um
Nos próximos exercícios (23–25), forme as equações diferenciais que des-
gráfico. (Tente!) Experimentaremos conhecer essas curvas abstratamente:
crevem as curvas planas em Oxy com as propriedades descritas. Basta
Seja (x, y) um ponto de uma dessas curvas e suponha que a tangente à

C.

C.
obter as equações, não é preciso resolvê-las.
curva traçada por ele intersecte os eixos nos pontos A = (a, 0) e B = (0, b).
Da hipótese de (x, y) ser o ponto médio entre A e B, deduzimos que A = 23: Em cada ponto, a reta tangente passa pela origem. (Em outras palavras:
(2x, 0) e B = (0, 2y). Para que A e B estejam ambos bem determinados, a melhor aproximação linear em cada ponto sempre “vale zero no zero”.)

ius

ius
sempre devemos ter x, y 6= 0.
0−2y
O coeficiente angular da tangente AB é 2x−0 ou, simplesmente, −y/x. 24: Em cada ponto, a distância ao longo da tangente até o eixo das abscissas
Lembramos, agora: “A derivada da função em um ponto é o coeficiente é constante 1.
angular da tangente ao gráfico por aquele ponto.” Em nosso caso, isso 25: Em cada ponto, a distância ao longo da tangente até o eixo das abscissas

nic

nic
significa que y 0 = −y/x, ou seja, é igual à distância do ponto à origem.
xy 0 + y = 0; 26 Aspecto dinâmico: Descobriu-se, laboratorialmente, que a velocidade
de desintegração radioativa é proporcional à quantidade (em uma medida
Vi

Vi
essa é a equação diferencial ordinária que descreve as curvas com a propri- adequada) da substância radioativa existente.
edade enunciada. Suponhamos que nos instantes t e t + ∆t a quantidade de material
radioativo era Q e Q+∆Q, respectivamente. O quociente ∆Q ∆t é a velocidade
21: Vamos já resolver essa equação, retornando-a à forma
3

3
média de desintegração da substância, durante o intervalo de tempo ∆t, e
seu limite dQ
dt é a velocidade instantânea de desintegração no instante t. Por
01

01
dy y
=− . hipótese, Q diminui quando t aumenta e, então, dQ
dx x dt é negativa; também por
hipótese, essa derivada é proporcional a Q. Representando-se o coeficiente
Separamos as variáveis e integramos:
c2

c2
de proporcionalidade por α > 0, sendo essa a escolha de sinal comum em
Z Z Física, temos
r

r
dy dx dy dx
=− ⇒ =− ⇒ ln |y| + C1 = − ln |x| + C2 . dQ
y x y x = −αQ
dt
Podemos chamar C2 − C1 de uma nova constante C: ou, simplesmente, Q̇ + αQ = 0, que é a equação diferencial do decaimento.
Note bem que foi preciso considerar a velocidade instantânea de desin-
ln |xy| = C,
na

na
tegração, dada pela derivada, e não a velocidade média entre o começo e o
fim do processo.
ou seja, |xy| = eC e então xy = ±eC . Novamente, ±eC é um número
não-nulo arbitrário, que chamamos de K, e a solução é 27: A quantidade de uma substância específica enquanto se desintegra, em
mi

mi
função do tempo, será solução da equação diferencial obtida. Essa “lei
y = K/x. de desintegração” deverá ter como parâmetros a quantidade inicial Q0 da
amostra e a “meia-vida”, ou seja, o período durante o qual se desintegra a
eli

Portanto, as curvas com a propriedade descrita são hipérboles cujas


assíntotas são os próprios eixos cartesianos. Agora, sabendo disso, esque-
matize a propriedade enunciada. eli
metade da quantidade inicial do material.
Separamos e integramos, simplificando como com a equação anterior
anterior:
Pr

Pr
Atenção: Note que K pode ser negativa; isso é resultado das primitivas dQ
calculadas e ocorrerá com freqüência em nossos estudos. = −α dt ⇒ ln Q = −αt + C ⇒ Q = eC−αt .
Q

7 8
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
(Como Q > 0, não tomamos seu módulo em ln Q, nem pomos Q = ±eC−αt .) Indicação: Sendo x a posição do ponto móvel, a segunda lei de Newton
Partindo do valor inicial Q0 para t = 0, determinamos C por substituição: escreve-se F = mẍ e a lei gravitacional diz |F | = GM m/x2 . Por que esse
módulo é importante? Como podemos eliminá-lo?

L.

L.
Q0 = eC−α0 ⇒ C = ln Q0 ⇒ Q = Q0 e−αt .
32: Um poço fino é perfurado ao longo do diâmetro de um planeta esférico e
Indicando a duração da meia-vida por τ e substituindo na lei determi- sólido de raio R e densidade uniforme δ, sem rotação. Determine a equação

C.

C.
nada, temos Q0 /2 = Q0 e−ατ , donde τ = (ln 2)/α; isso requer o conheci- diferencial que rege o movimento de uma sonda ao longo do eixo Ox do
mento de α. Em geral, quem é conhecido é o próprio τ , então isolamos poço, com origem no centro do planeta. O que acontece se a sonda passar
α = (ln 2)/τ e finalmente pelo centro do planeta ou pela superfície?
Lembrete: Se a sonda estiver no poço, sofre ação gravitacional da parte

ius

ius
Q = Q0 e−t(ln 2)/τ . esférica do planeta mais próxima do centro, não da casca esférica exterior.
33: Como em outras áreas do Cálculo e da Matemática, alguns problemas
28: Uma amostra contendo 0,500mol de césio 137 — o mesmo elemento do sugeridos (sejam geométricos ou mecânicos) aparentemente são esdrúxulos

nic

nic
acidente radiológico de Goiânia em 1987 — é mantida selada por dois anos, e sem interesse. Isso é apenas aparência! Enunciados muito surreais podem
verificando-se então que ela ainda contém 0,478mol desses átomos. A partir ser oriundos de diversas situações de engenharia e projeto, mas estar apre-
desses dados, estime a meia-vida do césio 137. sentados em forma “fechada”. Nosso objetivo é formar, resolver ou estudar
equações diferenciais, independentemente de motivação, embora freqüente-
Vi

Vi
29: Um piscicultor deseja baixar a concentração de sal, inicialmente 36g/L,
de um dique de criação de 5.000m3 . Ele abrirá uma comporta que escoa mente o problema possa ser esclarecido por sua própria origem.
100L/s do dique e, simultaneamente, abastecerá o dique com água doce (de
concentração salina desprezível) a partir de uma fonte com a mesma vazão.
0.3 O que são PVIs e TEUs
3

3
Forme a equação diferencial que descreve a concentração x de sal no dique
01

01
ao longo do tempo, assumindo homogeneização imediata da água. Em algumas aplicações do estudo de Equações Diferenciais, não estamos
Indicação: O volume de água no dique permanece constante. Durante preocupados em encontrar todas as soluções de uma dada equação, mas em
um intervalo de tempo ∆t, se supusermos a concentração x constante, per- determinar qual delas se ajusta aos nossos dados experimentais, como vimos
c2

c2
dem-se 100x∆t gramas de sal, de modo que ∆x ≈ −100x∆t/5.106 em nos problemas 27 e 30.
r

r
gramas por litro. Essa variação é aproximada porque x varia durante ∆t: Consideremos esse assunto mais detalhadamente, começando por recor-
a água salobra e a água doce são trocadas simultaneamente, enquanto que dar este problema de Física colegial:
a variação calculada corresponde a primeiro escoar toda a água salobra e
então repor o volume com água doce. Tomando ∆t → 0, a aproximação 34: Determine a lei do Movimento Retilínio Uniformemente Variado de
torna-se precisa, mas a equação fica diferencial. um ponto material com aceleração escalar γ constante, conhecendo-se sua
posição e sua velocidade iniciais.
na

na
30: Com a mesma técnica usada nos exemplos desta seção, resolva a equação Solução: Utilizemos as funções s(t), V (t) para designar a posição e a
obtida no exercício anterior e determine quanto tempo a operação tomará velocidade no tempo. Como
R a velocidade é a derivada da posição, ṡ = V ,
para a concentração baixar a um terço da original. desejamos escrever s = V (t) dt.
mi

mi
Mas a integral indefinida é uma família de funções, enquanto s é uma
Nos próximos problemas (31–32), não é preciso resolver as equações única função. Um modo correto de expressar aquela idéia é através do ajuste
diferenciais, apenas obtê-las: da constante de integração, fixando-se uma primitiva qualquer. Porém, qual
eli

31: Um ponto material move-se ao longo de uma reta sob ação exclusiva da
atração gravitacional exercida por outro ponto material, fixado na origem. eli
primitiva escolher? (Veja que (x − 1)−1 e (x − 1)−1 x são diferentes, mas
têm a mesma derivada.) Usamos, para isso, uma integral definida:
Pr

Pr
Z t
Determine a equação diferencial que rege seu movimento. Ela é válida para
descrever o movimento na origem? Por quê? s(t) = V (u) du + A
0

9 10
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
 s(x) 
para alguma constante A ∈ lR. A escolha do limite inferior da integral é 37: ([Gui]) Determine as funções s, c tais que c(x)
seja solução do PVI
arbitrária e feita para facilitar os cálculos seguintes; o limite superior é a " # " #
variável independente estudada; a variável de integração deve ser uma nova 0 1 0

L.

L.
0
letra “muda”. Lembre que, de fato, essa integral definida é uma função de Y = Y e Y (0) = .
−1 0 1
t com derivada V e deverá diferir de s, que tem a mesma derivada, apenas
por uma constante (o valor A). Solução: Multiplicando as matrizes do sistema, obtemos as equações

C.

C.
Do mesmo modo, a aceleração é a derivada da velocidade: V̇ = γ, de s0 (x) = c(x) e c0 (x) = −s(x), assim como as condições iniciais s(0) = 0 e
modo que c(0) = 1. Em algumas situações, fazer isso explicitamente pode não ajudar
Z t
em nada, mas aqui não temos outras opções.
V (t) = γ du + B = γt + B

ius

ius
0
Para começar, observamos que
com B ∈ lR. Então também (s2 + c2 )0 = 2ss0 + 2cc0 = 2sc + 2c(−s) ≡ 0,
Z t

nic

nic
t2 de modo que s2 + c2 é constante. Para determinar o valor dessa constante,
s(t) = (γu + B) du + A = γ + Bt + A.
0 2 calculamos a nova função onde temos informação: s(0)2 + c(0)2 = 1, de
modo que s2 + c2 ≡ 1. De onde veio essa função s2 + c2 , ou melhor,
Resta determinar A e B. Costuma-se, porém, fixar que s(0) = s0 e como determinar uma função semelhante para um novo problema em mãos,
Vi

Vi
V (0) = V0 , para facilitar a inclusão de valores experimentais ou a interpre- somente muita prática e inúmeras tentativas frustradas poderão explicar.
tação da fórmula. Das expressões acima para s e V , substituindo-se t = 0, Agora, tentemos determinar essas funções desconhecidas comparando-as
obtemos A = s0 e B = V0 e podemos reescrever com outras que tenham as mesmas propriedades. Aqui, pensa-se em seno e
3

3
cosseno por causa de s2 + c2 = 1 e as derivadas de s, c serem o que são! Mas
t2 como mostraremos que devem necessariamente ser seno e cosseno? Tome
01

01
s(t) = γ + V0 t + s0 .
2
h(x) = (s(x) − sen x)2 + (c(x) − cos x)2 ;
35: Determine A e B quando s(t0 ) = s0 e V (t0 ) = V0 para um instante t0
c2

c2
arbitrário. obtemos
r

r
h0 (x) = 2(s(x) − sen x)(c(x) − cos x) + 2(c(x) − cos x)(−s(x) + sen x) ≡ 0.
O problema que pede s(t) de modo que s̈ = γ, s(t0 ) = s0 , ṡ(t0 ) = V0 é
um exemplo de PVI: Então h é constante e calculamos h(x) ≡ h(0) = 0. Por h ser real e ser
uma soma de quadrados, cada termo deverá ser zero: s(x) − sen x ≡ 0 e
36: Em geral, para uma equação de ordem n, é preciso informar valores para
c(x) − cos x ≡ 0, então s(x) ≡ sen x e c(x) ≡ cos x.
na

na
as derivadas de ordens 0 a n − 1 da solução, de modo a fixar uma função
específica (em vez de uma família de funções) como solução da equação. 38: Identifique ou formule um PVI para cada um dos problemas 26–32.
Quando esses n valores são informados no mesmo ponto, isto é, sob o Quais são as interpretações das condições iniciais?
mi

mi
mesmo valor da variável independente, então se trata de um problema de
39: Dê o significado de um PVI que fosse formulado para os problemas
valor inicial, ou simplesmente “PVI”. Nos termos da definição em 15–16, o
estudados em 20–??. A respeito de 20, fixe condições literais e resolva-o de
PVI é dado por um vetor a0 ∈ lRn e um ponto inicialx0 ∈ I; a solução ϕ
acordo com a solução apresentada para a equação diferencial.
eli

deve satisfazer também ϕ(x0 ), ϕ0 (x0 ), . . . , ϕ(n−1) (x0 ) = a0 .


Quando se especifica, para uma equação de ordem n, os valores da solu-
ção em n pontos distintos, trata-se de um problema de valores de contorno, eli
40: Uma cultura de bactérias continha inicialmente um milhão de germes.
Após uma hora, a população chegou a oito milhões. Se a taxa de cres-
Pr

Pr
ou de fronteira. Isso é usual para equações de segunda ordem com valores cimento da cultura for proporcional ao número de germes, determine em
especificados nas duas extremidades de um intervalo de definição. quanto tempo a população já havia dobrado.

11 12
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Sugestão: Releia 26 e 27. Esquematize isso em um diagrama. Adapte essa descrição a equações de
graus mais altos.
41: Via de regra, a solução geral de uma equação diferencial ordinária tem

L.

L.
tantas constantes arbitrárias quanto é a ordem da equação. Derivando-se 50: Na hipótese somente de existência, sem unicidade, as curvas podem
essa solução geral o quanto for necessário e substituindo-se os dados do PVI, apenas se tangenciar.
obtém-se um sistema algébrico que determina os valores dessas constantes

C.

C.
univocamente.

Supondo já obtida a solução geral, como indicada, obtenha os valores dos 0.4 Coisas que já sabemos fazer
parâmetros a partir das condições iniciais e encontre a solução específica:

ius

ius
Conhecendo o Cálculo básico e usando a manipulação algébrica escolar,
42: y = A cos x, y(π) = 3. 43: y = A sen x, y(π) = 4. já podemos resolver ou estudar algumas equações diferenciais e, também,
44: y = (C − x2 )/2x, y(x0 ) = y0 . aprender raciocínios e detalhes que serão úteis posteriormente. Esta seção

nic

nic
explora essas aplicações e técnicas.
45: y = A sen(x − θ0 ), y(π) = 1, y 0 (π) = 0. Na Seção ??, apresentaremos engenhos que “resolvem” equações diferen-
ciais ordinárias. O leitor com interesse em máquinas e mecanismos já pode
46: y = A sen(x − θ0 ), y(0) = 0, y 0 (0) = 2. estudar essa seção e interpretar visualmente como relacionam-se os termos
Vi

Vi
47: y = Ae2x + Bxe−x + cos x, y(0) = 0, y 0 (0) = 1. de uma equação diferencial.

Este é um bom momento para esclarecer o que serão os TEUs de que 51 TFC: Dada f : ]a, b[ → lR contínua e um ponto (x0 , y0 ) ∈ ]a, b[ × lR,
tanto falaremos:
3

3
existe uma única y : ]a, b[ → lR derivável tal que y 0 (x) = f (x) para todo
x ∈ ]a, b[ e y(x0 ) = y0 .
01

01
48: Um Teorema de Existência e Unicidade, ou simplesmente “TEU”, enun-
Solução: Primeiramente, note que esse enunciado é um TEU; o PVI
cia sob quais hipóteses um PVI tem solução (daí o termo “existência”) e
em questão é y 0 = f , y(x0 ) = y0 .
essa solução é única. (Para uma equação algébrica ax2 + bx + c = 0, um
c2

c2
Pelo Teorema Fundamental do Cálculo,
enunciado análogo é este: “Se b2 = 4ac, então existe uma única solução
r

r
real.”) Z x
Nesse caso, a variável dependente regida pela equação diferencial tem y(x) = y0 + f (s) ds
seu comportamento totalmente determinado pelas condições iniciais. Cos- x0

tuma-se dizer que “o futuro é totalmente previsível e o passado é totalmente


conhecido”, especialmente quando a variável independente mede tempo. é solução tanto da equação y 0 = f como da condição y(x0 ) = y0 . Para saber
na

na
Provaremos tais teoremas em várias situações. porque escrevemos tal integral assim, reveja a resolução do problema 34.
Essa solução ao PVI é única: suponha w : ]a, b[ → lR tal que também
49 Curvas não se cruzam: Suponha que valha um TEU para uma equa- w0 = f . Então (w − y)0 = w0 − f = 0, ou seja, w − y = k constante real. Se
mi

mi
ção y 0 = f (x, y) com certa f : lR2 → lR. Chame os gráficos das soluções ainda w(x0 ) = y0 , temos k = (w − y)(x0 ) = 0, donde w = y.
dessa equação de “curvas”. Mostre e lembre sempre que:
52: O mesmo raciocínio já prova mais: Se, analogamente, z satisfaz z 0 (x) =
(i) por cada ponto do plano, passa alguma curva;
eli

(ii) duas curvas jamais se cruzam, juntam ou separam; portanto, eli


f (x) e z(x0 ) = z0 , novamente temos: (y − z)0 = 0, então y − z é constante,
donde y − z = y(x0 ) − z(x0 ) = y0 − z0 . Assim, se as condições iniciais y0 , z0
estão próximas, as soluções y, z estão uniformemente próximas e, melhor
Pr

Pr
(iii) as curvas são paralelas (não necessariamente equidistantes) e formam ainda, diferem por uma constante — ou seja, as soluções para diferentes
uma “foliação” (partição) do plano. valores iniciais são todas translações verticais umas das outras:

13 14
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
então qualquer que seja o número c temos f (c, c0 ) 6= c00 , isto é, f (c, 0) 6= 0.
Porque f é contínua e f (·, 0) nunca se anula, então f (y(x), 0), como função
de x, também é contínua e é sempre positiva ou sempre negativa. Assuma

L.

L.
y0
f (y(x), 0) > 0; o outro caso pode ser tratado analogamente.
z0 y Suponha que y(x) é uma solução periódica, isto é, existe T > 0 tal que
y(x + T ) = y(x) para qualquer x. Em [0, T ], por ser contínua, a função

C.

C.
z y tem um ponto de máximo x1 ; então, y 0 (x1 ) = 0. (Caso x1 seja um dos
extremos do intervalo, periodicidade de y ainda garante y 0 (x1 ) = 0.) Agora,
substituímos x1 na própria equação para determinar que y 00 (x1 ) > 0.

ius

ius
Pelo “teste da segunda derivada”, x1 também é ponto de mínimo local
de y. Assim, y é constante em [0, T ]. Como y é periódica, concluímos que
ela deve ser constante em todo lR, contrariando a hipótese inicial.
a x0 b

nic

nic
56 Continuidade: Vimos em 55 que a solução da equação diferencial deve
53 TVM: Se f : lR → lR for contínua em [a, b] e derivável em ]a, b[, então ser de classe C 2 e fizemos uso fundamental desse fato. Vamos, então, rever
existe c ∈ ]a, b[ tal que f (b)−f (a) = f 0 (c)·(b−a). Esse é o Teorema do Valor o raciocínio:

Vi

Vi
Médio. Convença-se disso por uma ilustração e estude a demonstração em (i) A equação diferencial dada é de segunda ordem, então qualquer solu-
seu texto favorito de Cálculo. ção y(x) dessa equação, para realmente ser solução (por substituição),
Ele já é usado em 51, formalmente, na demonstração da unicidade. deverá ser derivável duas vezes.
3

3
54: O mesmo problema de existência e unicidade proposto em 51, conside- (ii) Isso requer que y 0 seja derivável e, portanto, contínua; analogamete,
rando-se a equação y 0 = ky com k ∈ lR.
01

01
y deve ser derivável e contínua.
Solução: Verifique que ekx é uma solução de y 0 = ky. (Na Seção 1.1,
veremos como encontrar essa primeira solução.) Se y é solução, (iii) Como f, y, y 0 são todas funções contínuas, então também a composição
c2

c2
f (y(x), y 0 (x)) é contínua como função de x. Mas, de acordo com a
(ye−kx )0 = y 0 e−kx + ye−kx (−k) = kye−kx − kye−kx = 0, equação dada, essa função é y 00 (x). Concluímos que y 00 também é
r

r
contínua, ou seja, que y é de classe C 2 .
isto é, ye−kx = C para alguma constante C. Logo, y(x) = Cekx . Impondo
y(x0 ) = y0 , vemos que C = y0 e−kx0 e então y(x) = y0 ek(x−x0 ) , unicamente Conclusão: Os detalhes variam de equação para equação, assim como
determinada. Se existir x tal que y(x) = 0, então y0 = 0 e portanto y ≡ 0. os domínios das funções envolvidas, mas, geralmente, uma solução de uma
Gráficos: Trace os gráficos correspondentes a alguns (x0 , y0 ), em cada equação diferencial ordinária deverá ser derivável em algum domínio e,
na

na
caso k > 0, k = 0 e k < 0 separadamente. Observe que, pela existência assim, contínua nele.
demonstrada, uma curva passa por cada ponto de ]a, b[ × lR; pela unicidade,
Algumas soluções de equações diferenciais são descritas por expressões
essas curvas não se intersectam.
mi

mi
diferentes em subconjuntos de seus domínios. Os parâmetros que surgem
Vejamos mais alguns usos do ferramental de Cálculo: nessas descrições podem ser conhecidos através do valor inicial dado e im-
pondo-se continuidade. Determine-os a seguir:
eli

55: Seja f : lR2 → lR contínua. Prove que se a equação y 00 = f (y, y 0 ) não


tem soluções constantes, então ela também não tem soluções periódicas.
Solução: Já que y 00 = f e f é contínua, deduzimos que y deve ser eli
57: Considere 
x + A se x 6 0,

Pr

Pr
diferenciável duas vezes e y 00 deve ser contínua, ou seja, qualquer solução y(x) = Bx2 se 0 < x 6 2,


da equação é de classe C 2 . Como a equação não admite solução constante, C/x se x > 2,

15 16
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
com y(1) = 3. Note: Isso significa que f não pode “saltar” entre Cg e −Cg, exceto
Solução: A condição y(1) = 3 aplica-se à expressão y(x) = Bx2 , donde onde f e g tiverem raízes.
3 = B · 12 e obtemos B = 3. Para que y seja contínua em x = 0, devemos √ √

L.

L.
ter 0 + A = B · 02 , donde A = 0. Em x = 2, devemos ter B · 22 = C/2, 67: (f )2 = g equivale a f = g ou f = − g, desde que f ou g sejam
donde C = 24. contínuas e não se anulem.

C.

C.
58: Considere  68: Uma função contínua que satisfaz uma equação algébrica quadrática

A − x
2
se x 6 −1, é igual a uma das duas expressões dadas pela fórmula da Bhaskara, onde
y(x) = B(x + 2) se −1 < x 6 1, estas não se anularem.

 Kx
se x > 1,

ius

ius
e Aplicaremos estas últimas análises, ou outras similares, às soluções de
com y(0) = 6. equações diferenciais que devem ser contínuas, como discutimos acima. Elas
também valem para o estudo de funções e soluções implícitas, que veremos
59: Considere a seguir. Por exemplo:

nic

nic
(
A cos(πx) se x 6 1,
y(x) = 69 Solução singular: Considere x(y 0 )2 + 2xy 0 − y = 0.
Bx + B/x se x > 1,
Essa equação é quadrática em y 0 ; isolando esta derivada, obtemos (por
Vi

Vi
com y(1) = −3. continuidade):
r
Na resolução em 21, transformamos as constantes de integração a fim 0 y
y = −1 ± 1 +
de simplificar as expressões resultantes. Mesmo no Cálculo básico, quando x
3

3
do cálculo de primitivas, operamos assim algumas vezes: é a chamada “ab- que requer x 6= 0 e 1 + y/x > 0. Essas são duas equações homogêneas (na
sorção de constantes”. Mostre que estas substituições são válidas: nomenclatura da Seção 1.5) que estudaremos em 204 e 206. Porém, há mais
01

01
60: −K/3, com K ∈ lR, equivale a C, com C ∈ lR. a ser discutido aqui:
Solução: De fato, C = −K/3 e K = −3C definem funções lR → lR Em x = 0, qualquer solução deverá satisfazer y = 0, como se deduz por
c2

c2
inversas uma da outra. substituição na equação original.
Quando 1 + y/x < 0, o discriminante da equação quadrática é negativo
r

r
61: eK , com K ∈ lR, equivale a C, com C > 0. e não há valor real de y 0 possível para tais valores de x e y, de modo que
não há função real derivável que possa satisfazer a equação diferencial dada.
62: ln K, com K > 0, equivale a C, com C ∈ lR. Isso prova que esse caso realmente não admite soluções.
(A+BC)4 (A+BC)4 +1 Se 1 + y/x = 0, ou seja, y = −x, então as duas equações homogêneas
63: C 2 +D 2 , com A, B, C, D ∈ lR, equivale a k, com k > 0. E ?
na

na
C 2 +D 2 acima são a mesma equação y 0 = −1, de que a mesma função y = −x é
64: A cos θ + B sen θ, com A, B ∈ lR, equivale a k cos(θ − θ0 ), com k > 0 e solução; essa é chamada solução singular da equação original. Note √ que
0 6 θ0 < 2π. ela não é dada,√com nenhum valor de C, pelas soluções C ± 2 Cx (se
mi

mi
Sugestão: Teste seu raciocínio com − cos θ = cos(θ ± π). x > 0) e −C ∓ 2 −Cx (se x < 0) das equações homogêneas, coletivamente
chamadas solução geral da equação dada.
Há simplificações análogas que dependem da continuidade de funções: Sabemos ainda que não podemos usar a fórmula de Bhaskara onde se
eli

65: |f (x, y)| = K, com K > 0, equivale a f (x, y) = C, com C ∈ lR, desde
que f seja contínua. Dê um contra-exemplo com f descontínua. eli
anular. Aqui, isso ocorre quando y = 0 e outras informações deverão ser
utilizadas se um PVI especificar y(x0 ) = 0. Note que a solução constante
0 é dada por C = 0 na solução geral e que, para qualquer valor de C, a
Pr

Pr
66: |f | = eK g, com K ∈ lR, equivale a f = Cg, com C ∈ lR, desde que f e solução geral anula-se somente quando x → 0, permitindo a “troca” de uma
g sejam contínuas e não se anulem. expressão por outra.

17 18
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
70 Verificação: Na Seção 0.1, verificamos se algumas funções eram, ou não, Substituindo-se o valor inicial dado, temos y0 = −1/C ou C = −1/y0 .
soluções das equações dadas. Fazíamos uma “checagem” similar quando cal- Se y0 6= 0, isso resolve o problema; se y0 = 0, observamos que a solução
culávamos primitivas, derivando o resultado de nossa conta e comparando-o singular constante 0 é obtida tomando-se y0 → ±0 e C → ∓∞. Ambos os

L.

L.
com a função original. casos são contemplados na fórmula final
Esse procedimento é importante e deve ser sempre feito, não apenas por
y0
si, mas porque pode consistir em um passo adicional na resolução de uma y(x) = ,

C.

C.
1 − y0 x
equação.
obtida multiplicando-se numerador e denominador por −y0 .
71 Exemplo: Os métodos que estudaremos nap Seção 1.5 permitirão encon-
Para y0 = 0, essa função está definida em todo o eixo Ox. Para y0 6= 0,
trar a seguinte solução para a equação y 0 +1 = 1 + y/x, de que já falamos

ius

ius
seu maior domínio é lR − {1/y0 }. Procuremos agora o maior intervalo I que
acima: √ possa ser usado como domínio de y. Note que, para o PVI fazer sentido,
y(x) = K 2 − 2K x
precisamos que I contenha o ponto inicial 0. Concluímos assim:

nic

nic
para x > 0 (veremos isso em 204, juntamente com o caso x < 0).
• se y0 > 0 então I = ]−∞, 1/y0 [;
Substituindo na equação, assumindo x > 0, vem:
r √ • se y0 < 0 então I = ]1/y0 , ∞[;
1 x + K 2 − 2K x
Vi

Vi
− 2K √ + 1 = ⇒ • se y0 = 0 então I = lR.
2 x x
√ p √
x−K (K − x)2 73: Dado o PVI y 0 = 2xy 2 , y(0) = y0 , determine o maior intervalo sobre o
⇒ √ = √ ⇒
x x qual uma solução pode estar definida.
3

3
√ √
⇒ x − K = |K − x|. Há um exercício variante da verificação de soluções: Forme equações
01

01
diferenciais, eliminando os parâmetros constantes, cujas soluções sejam as
Essa última identidade — e, portanto, o fato da função proposta ser real-
√ funções y(x) indicadas a seguir.
mente solução da equação dada — somente pode ser verdadeiro se K 6 x.
c2

c2

Para tanto, ou K 6 0 e essa condição vale para todo x > 0, ou K > 0 74: y = C x.
r

r
e essa condição somente vale para x > K 2 . Assim, o domínio de validade Solução: Temos
da solução depende da constante envolvida, ou seja, do valor inicial em um √
PVI. C C x y
√ y0 = √ = √ · √ = ,
√ caso, podemos escrever K = − C com C > 0 e escrever
No primeiro 2 x 2 x x 2x
y(x) = C + 2 Cx para x > 0, o que altera
√ significativamente a forma√ da
de onde obtemos 2xy 0 = y com o parâmetro C eliminado.
na

na
solução. No segundo, escrevemos K = C com C > 0 e y(x) = C − 2 Cx
apenas para x > C. 75: y = Cx.
Atenção: Derivando os dois lados, temos y 0 = C; essa é uma equação
mi

mi
Essa conclusão chama a atenção para outro assunto:
diferencial, mas há dois inconvenientes: (i) produziu-se uma equação para
72 Intervalo de definição: Dado o PVI y 0 = y 2 , y(0) = y0 , descubramos cada valor do parâmetro C, em vez de uma única equação, enquanto C
o maior domínio conexo (intervalo) que uma solução pode ter. continua a aparecer; (ii) as funções y = Cx + D também satisfazem essa
eli

Para resolver essa equação, podemos proceder como na Seção 0.2: inte-
gramos y −2 dy = dx, obtendo −y −1 = x + C, donde eli
equação, assim como y 00 = 0.
Pr

Pr
−1
y(x) = .
x+C

19 20
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
76: y = 8x + C. 79: y = Cx2 . 89 Função Inversa: Sejam Ω intervalo aberto e f : Ω → lR de classe C k .
Se x0 ∈ Ω é tal que f 0 (x0 ) 6= 0, então existem intervalos abertos U, V de
77: y = ax + b. 80: y = Ce3x . modo que x0 ∈ U , f (x0 ) ∈ V , f |U : U → V é uma bijeção e sua inversa é

L.

L.
78: y = ax2 + bx + c. 81: y = A sen(5x − θ). de classe C k .

82: x2 + y 2 = R2 (onde a função y é dada implicitamente, veja a seguir). 90 Função Implícita: Sejam Ω região de lR2 e f : Ω → lR de classe C k . Se

C.

C.
(x0 , y0 ) ∈ Ω é tal que f (x0 , y0 ) = 0 e ∂f
∂y (x0 , y0 ) 6= 0, então existem região
Finalmente, abordamos o assunto de funções implícitas prometido: 2
W ⊆ lR e intervalo aberto U de modo que (x0 , y0 ) ∈ W , x0 ∈ U e, para todo
Mostre que, para cada equação diferencial abaixo, a relação indicada é x ∈ U existe único g(x) ∈ lR tal que (x, g(x)) ∈ W e f (x, g(x)) = 0; a função
“integral”, isto é, se a segunda igualdade define implicitamente uma função g : U → lR assim definida é de classe C k e g 0 (y0 ) = − ∂f ∂f

ius

ius
∂x (x0 , y0 )/ ∂y (x0 , y0 ).
y(x), então essa função é solução da primeira equação. Já fizemos algo
parecido em Cálculo básico: é a chamada derivação implícita, quando basta 91: Dê contra-exemplos de funções cujas derivadas não respeitem as condi-
derivar os dois lados de uma igualdade. ções de cada teorema.

nic

nic
83: (3x − 2y)y 0 = 2x − 3y, x2 − 3xy + y 2 = C. 92: Dê contra-exemplos para enunciados “globais” de ambos os teoremas.
Solução: Derivando a segunda igualdade com respeito a x, obtemos
2x − 3(y + xy 0 ) + 2yy 0 = 0, ou seja, 2x − 3y = 3xy 0 − 2yy 0 = (3x − 2y)y 0 ,
Vi

Vi
como desejado.
84: (5x − 3y 2 )y 0 = 3x2 − 5y, x3 + y 3 = 5xy.
3

3
85: x = yy 0 , x2 − y 2 = C.
01

01
86: x2 y 00 + 3xy 0 + y = 0, x = 2exy .
87: Chamamos atenção para esses problemas porque, em geral, expressar
c2

c2
a solução de uma equação diferencial explicitamente, embora desejável, é
r

r
impraticável. Por exemplo, expressar y como função de x em sen(xy) =
cos(x/y) ou em x = y 3 − ey é tarefa complexa, que não temos como estudar
enquanto nos preocupamos com as equações diferenciais em si.
Veja os pontos 118 e 173 como exemplos de soluções dadas nessa forma.
Alguns textos, como [Dem], [BoDi] e [ZiCu], fornecem várias respostas em
na

na
forma implícita.
88: Entretanto, os Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa per-
mi

mi
mitem-nos, respectivamente, estudar o comportamento local das soluções
dadas por essas expressões. Na Seção 1.4, por exemplo, ao provarmos um
TEU no item 183, faremos uso desses teoremas.
eli

Enunciaremos versões univariáveis desses resultados tradicionalmente


expostos em cursos finais de Cálculo (como [Rud]), mas importantes não só eli
Pr

Pr
em Análise, como também em outras disciplinas, como Mecânica e Geome-
tria Diferencial.

21 22
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Esse “desmembramento” das diferenciais pode parecer misterioso ao es-
dy
tudante de Cálculo, para quem foi sempre dito que dx deveria ser tratado
como um único “bloco” e não como uma fração. Ao demonstrar o TEU,

L.

L.
veremos como esse procedimento se justifica.
95: Para integrarmos, é fundamental que cada lado da equação contenha

C.

C.
Capítulo 1 apenas uma variável. Assim, nem toda equação tem variáveis separáveis e,
caso tenha, isso pode não ser aparente: Procure sempre fatorar a expressão
dada para verificar a possibilidade de separar as variáveis!

ius

ius
(Nota: Não conhecemos a referência bibliográfica para o próximo exem-
Primeira ordem plo, mas preferimos adotá-lo por sua simplicidade e pela discussão lógica e
gráfica que permite.)

nic

nic
96 Exemplo: x(1 + y 2 ) dx − y(1 + x2 ) dy = 0, y(x0 ) = y0 .
Rearranjando a equação dada, obtemos
As equações de primeira ordem são aquelas que envolvem apenas a variá-
vel independente, a função incógnita e sua primeira derivada. Estudaremos dy x 1 + y2
Vi

Vi
= ·
diversos tipos dessas equações cujas soluções podem ser escritas explicita- dx 1 + x2 y
mente, começando pelas de variáveis separáveis, que já utilizamos no zeré-
de variáveis separáveis, mas essa operação requer que a solução y(x) não se
simo capítulo. Cada forma específica comporta uma demonstração particu-
anule. Suponha, então, que y(x) = 0 para algum valor de x: substituindo
3

3
larizada de um TEU, mas apresentaremos também um estudo qualitativo
na equação original, vem x(1+02 )−0(1+x2 )y 0 = 0, ou simplesmente x = 0.
geral e abstrato para a forma normal das EDOs de primeira ordem.
01

01
Assim, toda solução que se anula só poderá fazê-lo na origem e doravante,
portanto, assumimos y0 6= 0 e que y não se anula.
1.1 Separação de variáveis Agora, isolamos e integramos:
c2

c2
Z Z
r

r
y x
93: Uma equação de variáveis separáveis tem a forma 2
dy = dx ⇒
1+y 1 + x2
dy ⇒ 12 ln(1 + y 2 ) = 12 ln(1 + x2 ) + C ⇒
(VS) = f (x) · g(y), y(x0 ) = y0 ,
dx
⇒ 1 + y 2 = k(1 + x2 ) onde k > 0.
onde já incluímos um PVI.
na

na
1+y02
São casos particulares as equações autônomas (que veremos em 127, Substituindo a condição inicial y(x0 ) = y0 , obtemos k = 1+x20
, ou seja,
ainda nesta seção, com f ≡ 1) e o cálculo de primitivas (com g ≡ 1). s
mi

mi
94: Para resolvê-la, basta desmembrar as diferenciais e passar todas as 1 + y02
y=± (1 + x2 ) − 1;
ocorrências de cada variável (x, y) para cada lado da igualdade: 1 + x20
dy
eli

g(y)
= f (x) dx.

Desse modo, podemos integrar ambos os lados usando técnicas de Cálculo eli
também concluímos que o sinal a tomar deverá ser o mesmo de y0 .
Análise gráfica: É fácil rearranjar a identidade obtida na forma tradi-
cional da equação de hipérbole: y 2 − kx√
2
= k − 1.
Pr

Pr
básico e, então, isolar y em termos de x. A constante de integração terá Se k > 1, podemos calcular y(x) = ± kx2 + k − 1; cada sinal especifica
seu valor determinado pelo PVI. uma função que descreve um ramo inteiro e está definida em todo o lR.

23 24
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Quando 0 < k < 1, há um intervalo onde kx2 +k−1 é negativo, de modo 98: y 0 tg x = y. 104: x2 y 0 − y = 1 − xy 0 .
que os ramos correspondem somente a funções definidas em semi-retas.
Como devem ser funções, cada uma descreve apenas metade de um ramo. 99: x dy + y dx = 0. 105: xy 0 = y 2 + 1.

L.

L.
Não há solução nos vértices dos ramos, de acordo com nossa discussão 100: xyy 0 = 1 − x2 .
inicial. 106: y 0 = (1 + sen x)y.
Para k = 1, temos y = ±x e podemos distinguir entre essas possibilida- 101: y 0 = ex−y .

C.

C.
des usando a condição inicial, já que assumimos y0 6= 0: se y0 = x0 então 102: (xy 2 + x) dx + (x2 y + y) dy = 0. 107: y = (1 − sen x)y .
0 2

y(x) = x; se y0 = −x0 então y(x) = −x. Como essas retas passam pela
origem, podemos tomá-las como soluções definidas em todo o lR. 103: y 0 − e−y + 1 = 0. 108: y 0 = y −1 (sen x − 1).

ius

ius
Concluímos com o seguinte esquema:
Resolva os problemas de valor inicial:
y

1
109: x dy + y dx = 0, y(2) = 4. 112: x2 dy − y 2 dx = 0, y(1) = 1.
k>

=
k
=

k
nic

nic

1

110: x dy + y dx = 0, y(0) = 0. 113: y 0 = 2 y ln x, y(1) = 1.


p
111: x2 y 0 − y = 1 − xy 0 , y(1) = 3. 114: (x2 +1)y 0 = 1 − y 2 , y(1) = 1.

Vi

Vi
Discutiremos a existência e a unicidade de soluções de (VS) em dois
0<
k< k <1 casos: (i) assumindo que g não se anula e, depois, (ii) assumindo que as
1 0< raízes de g são isoladas e trabalhando nelas.
3

3
x 115 TEU: Sejam f : ]a, b[ → lR contínua e g : ]c, d[ → lR contínua que não
se anula. Então, para cada ponto (x0 , y0 ) do retângulo R = ]a, b[ × ]c, d[,
01

01
(VS) tem uma única solução y : I → ]c, d[, onde I é um intervalo aberto
contido em ]a, b[ e contendo x0 .
c2

c2
r

r
d
R
y
1

k
1
=

=
k>
k

(x0 , y0 )
1

c
na

na
Atenção: As soluções com k = 1 são retas, ou seja, são hipérboles
degeneradas. Contudo, não são as assíntotas das demais hipérboles que I
particionam o plano. Mostre, com as fórmulas básicas de Geometria Analí-
mi

mi
a b
tica, que as assíntotas da hipérbole 1 + y 2√= k(1 + x2 ) são retas passando
pela origem e com coeficiente angular ± k. Desse modo, as hipérboles Observe, em 96, os gráficos e os domínios das soluções com 0 < k < 1:
não têm as mesmas assíntotas e “fecham-se” progressivamente conforme elas não estão definidas em todo lR e são um exemplo de que, aqui, não
eli

são mais afastadas da origem.


97: Faça o mesmo estudo algébrico e gráfico para o PVI x dx + y dy = 0, eli
podemos pretender que I seja todo o intervalo ]a, b[.
A demonstração desse TEU será feita em dois pontos:
Pr

Pr
y(x0 ) = y0 .
116 Existência: Sejam F, G primitivas de f, g1 , respectivamente; isso é
Resolva estas equações por separação de variáveis: garantido pela continuidade destas duas funções. A função G é estritamente

25 26
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
monótona pois sua derivada g1 não se anula e então, por continuidade, tem 120: Se g(y0 ) = 0, então a função constante y0 é solução do PVI (VS);
sempre o mesmo sinal. Assim, sua imagem é um intervalo aberto J e existe note que sua derivada é zero em x0 (e sempre). Qualquer outra solução y
a função inversa G−1 : J → ]c, d[. também terá y 0 (x0 ) = 0 em vista da equação:

L.

L.
Como derivada de constante é zero, podemos transladar F verticamente
de modo que F (x0 ) = G(y0 ). Porque F é contínua, existe então um inter- y 0 (x0 ) = f (x0 ) · g(y(x0 )) = f (x0 ) · g(y0 ) = f (x0 ) · 0 = 0.
valo aberto I tal que x0 ∈ I ⊆ ]a, b[ e ainda F [I] ⊆ J.

C.

C.
Assim, podemos definir y : I → ]c, d[ simplesmente como a composição Assim, como veremos nos exemplos-exercício abaixo, nas raízes de g pode
y = G−1 ◦ F . Note que obtemos y(x0 ) = y0 . ocorrer (ou não) o seguinte fenômeno: há soluções cujos gráficos tangenciam
a reta horizontal y = y0 e, desse modo, são tangentes também entre si. (Não
Para verificar a solução, derivamos a identidade F = G ◦ y utilizando a
há soluções que se cruzam.)

ius

ius
Regra da Cadeia:
Já que vale o TEU entre as raízes de g, são únicas as soluções entre as
1 retas horizontais definidas por essas raízes, e são obtidas pelo método que
f = F 0 = (G ◦ y)0 = (G0 ◦ y) · y 0 = · y0 , discutimos acima. Assim, caso alguma solução conflua com, ou bifurque de,
g◦y

nic

nic
uma das soluções constantes, deverá assumir a forma dada pelo método.
donde y 0 = f · (g ◦ y), como desejado. Conclusão: Para g com raízes isoladas, (VS) sempre tem ao menos
uma solução e as únicas soluções possíveis da equação dada são
117 Unicidade: Continuemos trabalhando com as mesmas primitivas F, G
Vi

Vi
acima, mas agora suponhamos que temos uma solução y qualquer. Mostra- (i) as funções constantes que são raízes de g (são as soluções singulares,
remos que, em I, essa função y é igual à mesma solução G−1 ◦ F que já também chamadas equilíbrios da equação) e
calculamos. (ii) aquelas dadas pelo método de separação de variáveis (são as regulares),
3

3
Nesse intervalo, podemos calcular (G ◦ y) − F e derivá-la. Vem
embora (VS), como um PVI específico, possa ter não apenas uma solução.
01

01
0 01 Conhecendo-se as soluções regulares, devemos inspecioná-las para veri-
(G ◦ y) − F = · y0 − f = 0
g◦y ficar se incluem, em sua forma, as singulares, mas isso é diferente da pos-
c2

c2
sibilidade de aquelas tangenciarem estas. Se isto não acontecer, conclui-se
porque y é solução de (VS). Desse modo, (G ◦ y) − F é constante e seu valor por um TEU irrestrito.
r

r
é, por substituição, G(y(x0 )) − F (x0 ) = 0. Concluímos que G ◦ y = F e
basta calcular G−1 em ambos os lados dessa igualdade. Resolva cada uma das equações abaixo com a condição y(x0 ) = y0 e
identifique qual das situações descritas acima ocorre.
Destacamos o seguinte escólio, que explica a abundância de soluções
dadas implicitamente: 121: y 0 = −xy −1 . 124: y 0 = 1 + y 2 .
na

na
Rx 122: y 0 = 2xy 2 . 125: y 0 = 3y 2/3 .
118: Se G0 = 1/g, obtemos a solução implícita G(y) = x0 f (t) dt + G(y0 ).
123: y 0 = x−1 y. 126: y 0 = x−2 .
mi

mi
119: Agora, consideramos o caso em que g tem raízes e, portanto, não se
pode calcular 1/g; assumiremos ainda que essas raízes são todas isoladas. No restante desta seção, concentraremos nossa atenção em um caso par-
(A maioria das questões práticas satisfaz essa condição.) ticular muito útil da forma (VS) e em uma modalidade típica de aplicações
eli

Pode-se aplicar o TEU anterior nestas restrições do domínio de g:

(i) em um intervalo aberto entre quaisquer duas raízes consecutivas de g; eli


desse tipo de equações.

127: Uma equação autônoma é aquela em que a variável independente não


Pr

Pr
consta explicitamente e tem a forma y 0 = g(y). Note que essa equação tem
(ii) se g(y0 ) 6= 0, em um intervalo aberto contendo y0 onde g não se anule. variáveis separáveis!

27 28
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
128: Suponha que g : I → lR é contínua e não se anula, sendo I um intervalo y
aberto. De acordo com o TEU para (VS), fixado (x0 , y0 ) ∈ lR × I, o PVI
y 0 = g(y), y(x0 ) = y0 tem uma única solução definida em um intervalo y3
g

L.

L.
aberto contendo x0 . y y2
y1 y2 y3
129: Mostre que podemos assumir x0 = 0.

C.

C.
y1
130: As equações autônomas surgem especialmente na descrição de fenô-
menos naturais que descrevem a evolução de alguma quantidade ao longo
do tempo, mas em que a marcação do tempo, em si, é irrelevante. 133: Essa análise sugere a seguinte classificação dos equilíbrios:

ius

ius
Por exemplo, nos pontos 26 e 27, conhecemos a equação de decaimento
radioativo
• estável se g > 0 antes (à esquerda, ou abaixo) do equilíbrio e g < 0
ln 2 depois (à direita, ou acima) dele;
Q̇ = − Q

nic

nic
τ • instável se g < 0 antes e g > 0 depois;
em termos da meia-vida τ da substância em estudo. Evidentemente, tanto
a condição de valor inicial Q(0) = Q0 como a solução Q = Q0 e−t(ln 2)/τ • semiestável em outros casos.
envolvem a variável t que mede o tempo, mas a equação diferencial indica Ou seja, o equilíbrio é estável (y2 no exemplo) ou instável (y1 , y3 no exem-
Vi

Vi
a taxa de variação de Q apenas em termos de condições contemporâneas plo) quando as soluções em seu entorno aproximam-se ou afastam-se, res-
(no caso, o próprio valor de Q). Em outras palavras, o fenômeno estudado pectivamente. A terceira possibilidade não é contemplada no exemplo
e a equação obtida não dependem de um “calendário” específico. e ocorre quando as soluções em um lado do equilíbrio aproximam-se dele,
O ponto anterior sugere que, nesse caso, não há perda de generalidade
3

3
enquanto as do outro lado afastam-se.
em supor-se sempre o instante inicial sendo 0.
01

01
Identifique e classifique os equilíbrios destas equações:
Como exemplos, na próxima seção, daremos destaque a modelos popula-
cionais e epidemiológicos, mas voltaremos a encontrar equações autônomas 134: y 0 = 2y(1 − y). 136: ẋ = ln(x − 2).
c2

c2
em outras aplicações. 135: y 0 = −3y(y − 1)(y + 2)2 . 137: ẋ = sen(2x) cos x.
r

r
131: A título explanatório, digamos que g está definida em toda a reta 138: Mostre que todas as soluções entre os mesmos dois equilíbrios conse-
real e tem três raízes reais y1 , y2 , y3 . Sabemos que as funções constantes cutivos (ou abaixo do menor equilíbrio, ou acima do maior equilíbrio) são
correspondentes são soluções de y 0 = g(y) e já as chamamos de equilíbrios todas translações horizontais umas das outras.
dessa equação. Outras soluções podem ou não tangenciar com, confluir
com, ou birfucar-se de cada equilíbrio.
na

na
1.2 Dinâmica populacional
132: Em caso negativo. quando nenhuma solução corta as retas y = y1 ,
y = y2 e y = y3 , a situação é descrita pelo diagrama abaixo. Ele assume Os modelos de dinâmica populacional são excelentes exemplos de equa-
mi

mi
que as soluções estão definidas e são contínuas em toda a reta real e ilustra ções autônomas justamente por não dependerem de calendários. Aqui, estu-
estes fatos: daremos a formulação de alguns desses modelos e ilustraremos o estudo de
equações autônomas através desses casos específicos. Qual modelo usar ou
eli

• já que y 0 = g(y), a solução é crescente ou decrescente conforme g é


positiva ou negativa;
eli
montar depende, afinal, de diversas hipóteses particulares de cada estudo e
cada ciência.
Pr

Pr
• já que y 00 = g 0 (y) · y 0 , os pontos de máximo e mínimo de g indicam 139: Embora populações sejam intuitivamente medidas por variáveis dis-
alguns dos valores de inflexão das soluções. cretas (cujos valores são números naturais), elas podem ser representadas

29 30
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
por variáveis contínuas x(t) que, na perspectiva deste assunto, são mais Por exemplo, se a taxa de mortalidade (proporcionalmente à população)
suscetíveis às ferramentas do Cálculo. Partes fracionárias, especialmente for constante, então o termo −bx (onde b > 0) é somado ao termo de
de números grandes, podem ser simplesmente ignoradas. crescimento, assim: os dois modelos anteriores ficam

L.

L.
Outras quantidades frequentemente representadas assim são: propor-
ções de indivíduos com certas características, dentre toda a população; ẋ = ax − bx = (a − b)x,
probabilidades de eventos; concentrações ou densidades populacionais; bio- ẋ = ax2 − bx.

C.

C.
massa (soma das massas, ou outra medida qualquer, de todos os indivíduos
da população); totais de capital e montante; até massas d’água ou tamanhos Outro caso são as situações de grande violência, como guerras civis ou
de ambientes ou corpos isolados. criminalidade. O mesmo raciocínio do ponto anterior pode ser usado para

ius

ius
justificar o termo −bx2 para as perdas por morte, proporcionalmente aos
Trabalharemos sempre com a condição inicial x(0) = x0 ; para outros encontros entre dois indivíduos da população. Obtemos
valores do instante inicial, procede-se por translação horizontal da solução,
como vimos em 129, ou adota-se uma convenção manual como “1990 é o ẋ = ax − bx2 ,

nic

nic
ano base”, de modo que 2015 corresponde a t = 25.
ẋ = ax2 − bx2 = (a − b)x2 .
140 Malthus: A velocidade de crescimento proporcional à própria popula-
ção é o postulado mais simples desse estudo. Ele corresponde à equação Resolva essas quatro equações e identifique se há mudanças estruturais
Vi

Vi
em suas soluções, com relação às anteriores. Estude ainda a conseqüência
ẋ = ax das hipóteses a > b e a < b.

com uma constante de proporção a > 0. A solução 143 Verhulst: Populações muito grandes enfrentam escassez de alimentos
3

3
e espaço e têm seu crescimento dificultado e freado. Um modo de incorporar
x(t) = x0 eat esse fato ao modelo malthusiano é impor um redutor M − x que diminuirá
01

01
a taxa de crescimento quando x está muito próximo de um limitante M ,
descreve o famoso “modelo de crescimento exponencial”. embora seja menor:
A mesma expressão é válida quando a < 0, hipótese de interesse em
c2

c2
ẋ = a(M − x)x.
casos como o decaimento radioativo ou a autofagia.
r

r
Essa é a chamada “equação do crescimento logístico” ou, simplesmente,
Experimentaremos algumas variações desse postulado e do modelo: equação logística.
Ela é aplicada com sucesso em diversos estudos demográficos e também
141: Se, em uma população de x indivíduos, há sempre x/2 machos e x/2 na modelagem de epidemias, em que x mede a proporção de infectados e a
fêmeas, podemos supor que a taxa de crescimento ẋ seja proporcional ao disseminação cresce proporcionalmente ao número (100%−x)x de encontros
número de encontros entre machos e fêmeas que resultam em acasalamento.
na

na
entre não-infectados e já infectados. Pode ainda ser interpretada segundo
Esse número, por sua vez, é proporcional aos números de machos e fêmeas, nossa experimentação anterior, quando posta na forma
então ẋ deve ser proporcional a (x/2)(x/2), ou simplesmente
mi

mi
ẋ = aM x − ax2 = αx − βx2
ẋ = ax2
(tomando-se a = β e M = α/β) que representa crescimento malthusiano
para a > 0. (Resolva essa equação.)
eli

eli
com mortalidade por violência.
142: Um modelo cuidadoso incorporará não somente o aumento populacio-
144: Resolva a equação de Verhulst por separação de variáveis, obtendo
nal por nascimentos, mas também as perdas por falecimentos e até os fluxos
Pr

Pr
migratórios. Diversas expressões podem ser usadas para representá-los, de M
acordo com as hipóteses feitas e a ciência estudada. x(t) = .
1 − C exp(−M at)

31 32
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Use a condição inicial x(0) = x0 para determinar C e reformule x como • ẍ < 0 quando M/2 < x < M .

M x0 Observe que não determinamos os pontos t onde as primeira e segunda


x(t) = .

L.

L.
x0 + (M − x0 ) exp(−M at) derivadas anulam-se, mas os valores x nesses pontos. Assim, contrariamente
ao hábito dos cursos de Cálculo, marcamos esses valores de interesse no eixo
Essa forma da solução inclui ambos os equilíbrios 0 e M ; mostre que, para das ordenadas, não no das abscissas.

C.

C.
outros valores de x0 , ela nunca iguala nem 0 nem M , provando “existência
e unicidade” sempre. 147: O valor M/2 pode ser interpretado assim, no contexto de contágio
epidêmico mencionado na introdução à equação: ao atingir mais de 50% da
Assumiremos doravante a, M > 0. população suscetível, o contágio deve desacelerar.

ius

ius
Inicialmente, há poucos portadores da doença e a disseminação é lenta,
145: Podemos estudar o comportamento dessa função e esboçar seu gráfico embora se acelere com o aumento dos portadores, porque há mais e mais
utilizando as técnicas de Cálculo elementar. Por exemplo, assumindo 0 < portadores contaminando indivíduos sãos. Quando 50% da população está
x0 < M , mostre que: contaminada, a disseminação tem velocidade máxima, mas deve iniciar sua

nic

nic
(a) x está definida para todo t ∈ lR; desaceleração porque, com a diminuição da parcela sã, encontros entre por-
tadores e não-portadores tornam-se progressivamente menos frequentes.
(b) sempre 0 < x < M ;
Vi

Vi
148: A análise acima fez uso fundamental da hipótese 0 < x0 < M , que im-
(c) lim x(t) = 0, plicou que 0 < x(t) < M para todo instante t. Ela foi o que, em particular,
t→(−∞)
garantiu valor sempre positivo para o denominador de x(t) e a continuidade
lim x(t) = M. dessa solução em toda a reta real.
3

3
t→(+∞)
Em geral, devemos considerar quando o denominador anula-se:
Entretanto, como veremos no próximo ponto, não é preciso manipular
01

01
a fórmula explícita e complicada de x para efetuar a análise das primeira e x0 + (M − x0 ) exp(−M at) = 0.
segunda derivadas.
Resolvendo em t, obtemos
c2

c2
146: Já conhecemos a primeira derivada ẋ, dada pela própria equação:
−1  x0 
r

r
T = ln ,
ẋ = a(M − x)x > 0 ⇒ x é estritamente crescente Ma x0 − M

(para a, M > 0). De modo análogo, calculamos chamado ponto de turbulência. Sua existência requer x0 /(x0 − M ) > 0 e,
por sua vez, isso equivale às opções x0 > M ou x0 < 0 (porque assumimos
na

na
ẍ = d d
− x)x] = M > 0).
dt ẋ = dt [a(M
= a(0 − ẋ)x + a(M − x)ẋ = 149: O gráfico da solução x(t), quando há turbulência, tem dois ramos, à
= a[−a(M − x)x] + a(M − x)[a(M − x)x] = maneira das hipérboles: um para t < T e outro para t > T ; um está abaixo
mi

mi
do equilíbrio 0 e outro acima do equilíbrio M . (A correspondência entre as
= a2 (M − x)(M − 2x)x.
duas dicotomias depende do sinal de x0 .)
(Os colchetes indicam as substituições de ẋ por a(M −x)x, para a derivação A solução somente está continuamente definida no intervalo que contiver
eli

e para eliminar as duas ocorrências após a derivação.) Então temos


ẍ = 0 quando x = M/2 (e nos casos x = 0, M que descartamos);
eli
o instante inicial 0, seja ]−∞, T [ ou ]T, ∞[. Distinguem-se, portanto, duas
situações:
Pr

Pr

(a) x0 > M , donde x0 /(x0 − M ) > 1 e T < 0; a solução está definida con-
• ẍ > 0 quando 0 < x < M/2; tinuamente em ]T, ∞[ e tem o gráfico superior no diagrama a seguir;

33 34
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
mostre que x

t=T
x0

L.

L.
lim x(t) = ∞,

C.

C.
t→T +
lim x(t) = M. x=M
t→(+∞)

ius

ius
x = M/2

nic

nic
x0
(b) x0 < 0, donde x0 /(x0 − M ) < 1 e T > 0; a solução está definida
x=0
Vi

Vi
continuamente em ]−∞, T [ e tem o gráfico inferior no diagrama a
t
seguir; mostre que
3

3
01

01
lim x(t) = 0,
t→(−∞)
c2

c2
lim x(t) = −∞.
t→T −
Lembre que, especificamente nesta equação, os gráficos curvos das solu-
r

r
ções não-constantes não interceptam as retas dos equilíbrios. Isso acontece
no diagrama em vista de arredondamentos nos cálculos feitos pelo programa
gerador da imagem e, mais notoriamente, porque as linhas impressas têm
uma largura não-nula.
na

na
151: O que muda se tomarmos a < 0 e/ou M < 0 ? Mostre que, então, o
(Ao cruzar T , a solução salta para um ramo do outro lado da faixa [0, M ].) equilíbrio M identifica um “limiar” a partir do qual uma população pode
prosperar ou extinguir-se.
mi

mi
Em muitos casos, se o número de indivíduos estiver abaixo de um “limiar
inferior” ainda positivo, então a reprodução e o crescimento são inviabiliza-
eli

150: A análise restante é similar à anterior, notando-se que ẋ < 0 e calcu- eli
dos e a população extingue-se. Vejamos:

152: Suponha M > L > 0, onde L é o limiar. Mostre que o modelo


Pr

Pr
lando-se o sinal de ẍ. Concluímos que o equilíbrio 0 é instável e o equilíbrio
M é estável. Este diagrama resume nossos resultados: ẋ = a(M − x)(x − L),

35 36
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
com equilíbrios L, M , reduz-se à equação de Verhulst. 1.3 Equações lineares
153 Volterra: Se acrescentarmos o redutor x − L, que corresponde à difi-
158: Uma equação de primeira ordem da forma

L.

L.
culdade de crescimento quando x é (maior que, mas) muito próximo de L,
obtemos
y 0 = p(x) · y + q(x)
ẋ = a(M − x)(x − L)x.

C.

C.
Determine e classifique os equilíbrios dessa equação e verifique o que é chamada linear. Quando q ≡ 0, trata-se de uma equação linear homogê-
ocorre quando x0 < L. Resolva-a explicitamente e analise sua solução com nea que tem variáveis separáveis.
as mesmas técnicas que usamos no estudo da equação de Verhulst. Comecemos imediatamente por um TEU. Sua demonstração é construtí-

ius

ius
Há duas variações do modelo de Verhulst que incorporam caça preda- vel, isto é, apresenta uma fórmula para a função procurada. Porém, não há
tória ou extração sustentável de recursos renováveis. Lembramos que essa necessidade de memorizá-la: aprecie o “método da variação das constantes”
equação já tem uma taxa de mortalidade intrínseca (βx2 , acima), então utilizado para deduzi-la e reproduza-o nos exercícios propostos.

nic

nic
identificamos explicitamente um termo adicional: 159 TEU: Suponha que p, q : I → lR são contínuas sobre um intervalo
154: Se a extração ocorrer a um número fixo de indivíduos por unidade de aberto I. Dados x0 ∈ I e y0 ∈ lR, existe única y : I → lR de classe C 1 tal
tempo, vem que y 0 = py + q e y(x0 ) = y0 .
Solução: Inicialmente, considere a parte homogênea y 0 = py, cuja solu-
Vi

Vi
ẋ = a(M − x)x − b
ção por separação de variáveis é
para alguma constante b > 0. Rx 
Determine e classifique os equilíbrios dessa equação. Mostre que um dos y(x) = y0 exp x0 p(s) ds .
equilíbrios está entre 0 e M e, para esse valor x
b, determine b em termos dos
3

3
coeficientes intrínsecos a, M . O que é necessário para que a extração seja Aqui e abaixo, usamos o TEU para (VS) com a hipótese de p contínua; essa
01

01
sustentável a essa taxa? expressão inclui a solução constante 0 (pondo-se y0 = 0) e nenhuma outra
solução se anula.
155 Schaefer: Se a extração ocorrer com facilidade proporcional ao tama- Neste momento, substituímos y0 pelo símbolo C: agora, procuraremos
c2

c2
nho da população, ou seja, “quanto mais houver, mais fácil caçar”, obtemos soluções da equação completa, na forma
r

r
ẋ = a(M − x)x − bx Rx 
y(x) = C(x) exp x0 p(s) ds ;
onde novamente b > 0. este é o chamado método da variação das constantes em que supomos C fun-
Determine e classifique seus equilíbrios. Qual valor de b permite caça ção de x, isto é, “C varia com x”. (Pospomos para o Capítulo 2, ponto 339,
renovável, sem alteração da população? uma motivação e um contexto para essa idéia.)
na

na
Finalizamos esta seção com diversos problemas que têm o mesmo espí- Calculamos a derivada do produto:
rito do estudo de dinâmica populacional: Rx  Rx 
y 0 (x) = C 0 (x) exp x0 p(s) ds + C(x) exp x0 p(s) ds p(x).
mi

mi
156: Um cometa esférico e homogêneo é vaporizado pelo calor solar. Ele
perde massa proporcionalmente a sua exposição à radiação solar, ou seja, Também temos, por substituição,
seu volume decresce em uma velocidade proporcional à área de sua super- Rx 
p(x)y(x) + q(x) = p(x)C(x) exp p(s) ds + q(x).
eli

eli
x0
fície. Escreva e resolva a equação diferencial que rege o raio do cometa em
função do tempo, com o PVI que associa R0 ao raio na origem dos tempos. Assim, conhecemos os dois lados da equação y 0 = py + q. Cancelando-se os
termos com p, sobra
Pr

Pr
157: Mostre que o mesmo modelo descreve a evaporação da água contida
Rx 
em uma taça cônica a uma temperatura constante. q(x) = C 0 (x) exp x0 p(s) ds ,

37 38
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
cuja solução, isolando-se C 0 e integrando-se, é 2o passo: Escreva y(x) = C(x) exp(x − cos x) e derive, substituindo na
Rx Rr  equação original:
C(x) = C(x0 ) + x0 q(r) exp − x0 p(s) ds dr.

L.

L.
y 0 (x)
Retornando C(x0 ) = C = y0 , obtemos a solução procurada z }| {
C 0 (x) exp(x − cos x) + C(x) exp(x − cos x)(1 + sen x) =
Rx  Rx Rx  | {z }

C.

C.
y(x) = y0 exp x0 p(s) ds + x0 q(r) exp r p(s) ds dr, compare isto. . .
p(x) y(x) q(x)
como se pode verificar por substituição. z }| { z }| { z }| {
Para provarmos a unicidade, suponha que tenhamos soluções y1 , y2 para = (1 + sen x) [C(x) exp(x − cos x)] + [cos x] .
| {z }

ius

ius
o mesmo PVI. Observe que yR = y1 − y2 satisfaz y(x0 ) = 0 e y 0 = py. Como . . . e isto
x
no início, y(x) = y(x0 ) exp x0 p(s) ds e substituindo y(x0 ) = 0 informa
Cancelando, obtemos
y = 0, ou seja, y1 = y2 .

nic

nic
C 0 (x) exp(x − cos x) = cos x
160 Exemplo: (y 0 + 5)x = 2y.
Ao isolarmos y 0 , obtemos a equação linear y 0 = 2x−1 y − 5. (Lembre que, e então Z x
porque dividimos por x, a expressão para a solução quebra-se na origem.)
C(x) = cos s exp(cos s − s) ds + K.
Vi

Vi
1o passo: A parte homogênea é y 0 = 2x−1 y, que pode ser resolvida por π
separação de variáveis: Essa é uma integral mais difícil que não é, agora, nossa preocupação; deixe-
dy dx mo-la indicada. Note que utilizamos o ponto inicial π como limite inferior
=2 ⇒ ln |y| = 2 ln |x| + C1 ⇒ y = Cx2 . de integração, o que facilitará o último cálculo da resolução.
3

3
y x
3o passo: Substitua C(x):
01

01
2o passo: Fazemos a “variação da constante”, ou seja, tomamos a função
y(x) = C(x) · x2 . Substituindo-a em y 0 = 2x−1 y − 5, obtemos y(x) = C(x) exp(x − cos x) =
Z x
c2

c2
0 2
C (x) · x + C(x) · 2x = 2x −1 2
· [C(x) · x ] − 5. = K exp(x − cos x) + exp(x − cos x) cos s exp(cos s − s) ds.
r

r
π

Note que o somando 2xC(x) aparece em ambos os lados dessa igualdade. Agora y(π) = e implica e = Keπ+1 + eπ+1 0, donde K = e−π e obtemos
Após eliminá-lo, determinamos C(x): Z x
y(x) = exp(x − π − cos x) + exp(x − cos x) cos s exp(cos s − s) ds.
C 0 (x) · x2 = −5 ⇒ C 0 (x) = −5x−2 ⇒ C(x) = 5x−1 + K. π
na

na
3o passo: Finalmente, concluímos que Resolva estas equações lineares:
162: y 0 = y tg x + 4 sen x. 164: y 0 = x−1 y + x.
mi

mi
y(x) = C(x) · x2 = 5x + Kx2 .
163: y 0 = 2y + e3x . 165: ṡ sen t + s cos t = 1.
Verifique diretamente que y = 5x + Kx2 é solução de (y 0 + 5)x = 2y.
166: ([Dem]) Dadas três soluções particulares y1 , y2 , y3 de uma equação
eli

(Não temos referência para o próximo exemplo.)

161 Exemplo: y 0 = (1 + sen x)y + cos x, y(π) = e. eli


geométrico para isso.
−y1
linear de primeira ordem, prove que yy32 −y 1
é constante e dê um significado
Pr

Pr
1o passo: Resolva primeiro apenas a parte homogênea y 0 = (1+sen x)y, Há outro método de resolução, que aprenderemos detalhadamente na
de variáveis separáveis, obtendo y(x) = C exp(x − cos x). próxima seção, mas que já se pode utilizar aqui:

39 40
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
167 Fator integrante: Dada a equação y 0 = py + q, suponha que uma 172: Portanto, caso verifiquemos que
função ξ satisfaça ξ 0 = −pξ no mesmo intervalo de definição de p, q. Mostre
que, então, vale (ξy)0 = ξq. ∂p ∂q
=

L.

L.
∂y ∂x
168: Desse modo, podemos resolver y 0 = py + q assim:
para uma equação qualquer, vale a pena procurarmos a função f (que pode

C.

C.
(1) resolva ξ 0 = −pξ por separação de variáveis; existir ou não). Como
R veremos nosR próximos exemplos, para determiná-
-la, calculamos f = q dx ou f = p dy, tratando a outra variável como
(2) escolha a solução não-nula ξ mais simples (chamada fator integrante); constante.

ius

ius
(3) determine y como o quociente por ξ de alguma primitiva de ξq. 173: A equação f (x, y) = K define soluções implícitas da equação exata,
Mostre que esse método produz a mesma fórmula para a solução geral que sendo f como acima, porque, pela Regra da Cadeia,
obtivemos no TEU e utilize-o para resolver novamente os exemplos e os ∂f ∂f dy
p + qy 0 = d

nic

nic
+ · = dx f (x, y(x)) = 0.
exercícios. ∂x ∂y dx

Note que, dada a condição inicial y(x0 ) = y0 , temos K = f (x0 , y0 ).


1.4 Equações exatas e fatores integrantes
Vi

Vi
174 Exemplo: (3x2 + 4xy) dx + (2y + 2x2 ) dy = 0, y(1) = −2.
∂p ∂q
Identificamos p = 3x2 + 4xy e q = 2y + 2x2 e verificamos que ∂y e ∂x
169: Uma equação são iguais (ambos valem 4x), então tentaremos encontrar f .
p(x, y) dx + q(x, y) dy = 0 Já que ∂f∂x = p, integramos
3

3
Z
(ou p + qy = 0), com p, q definidas em uma região U ⊆ lR2 , é chamada
01

01
0
f = p dx = x3 + 2x2 y + A(y).
exata se existir f : U → lR diferenciável tal que
Note que integramos p com respeito a x, então aparece uma constante de
c2

c2
∂f ∂f
=p e =q em todo U . integração A, mas A é constante apenas com relação a x, podendo depender
∂x ∂y
r

r
de y, de Rmodo que escrevemos A = A(y). Também poderíamos experimen-
170 Note bem: Em alguns momentos, y é a variável com respeito à qual tar f = q dy + B(x).
se toma uma derivada parcial; em outros, y é uma função de uma única Agora utilizamos a outra condição: ∂f
∂y = q reescreve-se
variável x e tem sua derivada usual. Quando derivamos f quanto a x,
tratamos apenas da derivada parcial quanto a essa variável, não quanto à 2x2 + A0 (y) = 2y + 2x2 ,
na

na
parte implícita em y, exceto em 173, onde calcularemos a derivada total.
donde A0 (y) = 2y e então A(y) = y 2 + C. Assim, obtemos
171: Suponha que p, q são de classe C 1 em U . Se p dx + q dy = 0 é exata
mi

mi
com f como acima, então f (x, y) = x3 + 2x2 y + A(y) = x3 + 2x2 y + y 2 + C.

∂p ∂2f ∂q Verificamos que, realmente, ∂f ∂f


∂x = p e ∂y = q; afinal, fizemo-lo para que
= = .
eli

∂y ∂x∂y ∂x

Se U é simplesmente conexo (como lR2 e qualquer retângulo ou disco), então eli


funcionasse!
Fazendo f = K, obtemos x3 + 2x2 y + y 2 = D, onde absorvemos as
constantes. Com o ponto inicial (1, −2), calculamos D = 1, de modo que
Pr

Pr
∂p ∂q
a identidade ∂y = ∂x é suficiente para exatidão, como se mostra no Cálculo
de várias variáveis. x3 + 2x2 y + y 2 = 1

41 42
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013

e tem-se y = −x2 ± x4 − x3 + 1 pela fórmula quadrática. Para determinar 177: y dx + x dy = 0. 180: 2xy 2 dx + 2x2 y dy = 0.
o sinal, conferimos novamente com o valor inicial y(1) = −2, satisfeito
apenas por 178: y cos x dx + sen x dy = 0. 181: y 0 = 3x−1 y.

L.

L.
p
y = −x2 − x4 − x3 + 1. 179: 3e3x y dx + e3x dy = 0. 182: y 0 = −(y + 1)/(x + 1).
175 Exemplo: (8x3 y + 3x2 y 2 ) dx + (2x4 + 2x3 y) dy = 0. O método dos exemplos e exercícios pode ser aplicado sempre; demons-

C.

C.
∂p ∂q
Temos p = 8x3 y + 3x2 y 2 e q = 2x4 + 2x3 y, com ∂y e ∂x iguais (são traremos um TEU de modo a ver como a solução é dada diretamente pelo
8x3 + 6x2 y). Integramos Teorema da Função Implícita:
Z
f = p dx = 2x4 y + x3 y + A(y); 183 TEU: Sejam p, q : R → lR de classe C 1 , onde R é o retângulo dado por

ius

ius
∂p ∂q
a < x < b e c < y < d, tais que ∂y = ∂x . Suponha ainda que q nunca se
impomos anule em R. Então por cada ponto (x0 , y0 ) ∈ R passa uma única solução
∂f de p dx + q dy = 0.
= q ⇒ 2x4 + x3 + A0 (y) = 2x4 + 2x3 y ⇒

nic

nic
∂y Solução: Como R é simplesmente conexo, então a equação é exata em
⇒ A0 (y) = 2x3 y − x3 ⇒ R, ou seja, existe f : R → lR de classe C 2 tal que ∂f ∂f
∂x = p e ∂y = q. Veja
∂f
⇒ A(y) = x3 y 2 − x3 y + C; que ∂y (x0 , y0 ) = q(x0 , y0 ) 6= 0: pelo Teorema da Função Implícita, existe
um intervalo I contendo x0 e uma função y : I → lR tal que f (x, y(x)) =
Vi

Vi
obtemos f (x0 , y0 ) para todo x ∈ I.
f (x, y) = 2x4 y + x3 y + A(y) = 2x4 y + x3 y 2 + C; Já vimos que essa função deve ser solução de p + qy 0 = 0. Quanto ao
escrevemos f = K, ou seja, valor inicial, temos f (x0 , y(x0 )) = f (x0 , y0 ); como ∂f
∂y = q, contínua sem
3

3
zeros, a função f (x0 , ·) é estritamente monótona em y0 e então y(x0 ) = y0 .
2x4 y + x3 y 2 = D, Para demonstrar a unicidade, suponha que y1 , y2 sejam soluções do
01

01

de onde resolvemos y = −x ± x−2 x6 − Dx. mesmo PVI. Subtraindo as equações, obtemos q(y1 − y2 )0 = 0. Porque q
não se anula, concluímos que y1 − y2 é constante, ao longo de um intervalo,
No próximo exemplo, fazemos a integral de q quanto a y. Em geral,
c2

c2
e igual a y1 (x0 ) − y2 (x0 ) = 0.
pode-se escolher qual integral é mais simples para trabalhar.
r

r
Agora, passamos ao segundo tópico desta seção:
176 Exemplo: (x2 + 1)y 0 = x2 − 2xy.
∂p ∂q
Temos p = 2xy − x2 e q = x2 + 1 com ∂y e ∂x iguais (são 2x). Para 184: Diz-se que µ : U → lR6=0 é fator integrante de p dx + q dy = 0 se
achar f , fazemos Z
(µp) dx + (µq) dy = 0 for exata em U .
f= q dy = (x2 + 1)y + B(x);
na

na
∂f
Qualquer solução dessa equação exata será solução da original.
já que p = ∂x , obtemos
185: Se µ é fator integrante, então
mi

2xy − x2 = 2xy + B 0 (x),

mi
∂(µp) ∂(µq)
donde B 0 (x) = −x2 e B(x) = −x3 /3 + C. Então = .
∂y ∂x
eli

eli
f (x, y) = (x2 + 1)y − x3 /3 + C
O que se basta saber sobre U, µ, p, q para isso e para a recíproca?
e a solução é y = (D + x )/3(x + 1).
3 2
186: Mostre que se
Pr

Pr
Verifique a condição necessária para exatidão e resolva pelo método ∂p
∂y − ∂q
∂x
exposto acima: ϕ=
q

43 44
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
só depende de x, então a equação admite um fator integrante µ que só resolvendo em y √
e escolhendo a solução que satisfaça y(2) = 1, obtemos
depende de x e tem-se também que dµdx = µϕ. y(x) = −x + x−3 x8 + 40x3 .
Sugestão: Aplique a regra de derivação do produto à equação em 185

L.

L.
e imponha ∂µ/∂y = 0. 190 Exemplo: (x2 + y 2 ) dx + (x3 + 3xy 2 + 2xy) dy = 0.
Com p, q correspondentes, vemos que essa equação não é exata, que
187: No caso de ϕ e, portanto, µ dependerem apenas de x, resolvemos a

C.

C.
equação de variáveis separáveis µ0 = µϕ obtendo uma fórmula explícita ∂p
− ∂q
−3x2 − 3y 2
∂y ∂x
para o fator de integração: =
q x3 + 3xy 2 + 2xy

µ(x) = exp ∫ ϕ(x) dx . depende de ambos x, y, mas que

ius

ius
Escolha a primitiva (ou a constante de integração) mais simples; por ∂q ∂p

que qualquer uma serve? ∂x ∂y
=3
p

nic

nic
188: Analogamente, se
∂p
− ∂q e isso independe de x, ou seja, apesar de constante, “depende apenas de y”.
∂y ∂x
θ= Assim, tomamos o fator integrante µ = e3y e a equação
p
Vi

Vi
depende apenas de y, um fator integrante µ pode ser obtido como solução e3y (x2 + y 2 ) dx + e3y (x3 + 3xy 2 + 2xy) dy = 0
de dµ
dy = µθ, assim: 
µ(y) = exp ∫ θ(y) dy . é exata. Sua solução deve ser indicada implicitamente:
3

3
189 Exemplo: (8xy + 3y 2 ) dx + (2x2 + 2xy) dy = 0, y(2) = 1. e3y (x3 + 3xy 2 ) = C.
01

01
∂p
Temos p = 8xy + 3y 2 , donde ∂y = 8x + 6y, e q = 2x2 + 2xy, donde
∂q
∂x = 4x + 2y; então a equação não é exata. Porém, Determine um fator integrante e resolva:
c2

c2
∂p ∂q
∂y − ∂x 8x + 6y − 4x − 2y 2 191: (3y 3 − x) dx + 3xy 2 dy = 0. 195: ẋ = (x2 − 1)/tx.
r

r
= =
q 2x2 + 2xy x 192: (3xy − 4y) + (2x2 − 4x)y 0 = 0. 196: (xy 2 + 5) dx + 3x2 y dy = 0.
e a equação tem um fator de integração µ que só depende de x. Para 193: y sec x dx + sen x dy = 0. 197: (x + y + 4) + (3x + 1)y 0 = 0.
encontrá-lo, pomos
dµ 2 194: y 0 = 3y 2 −x2
198: y 0 = x+y+2
=µ· , 2xy . x+1 .
na

na
dx x
donde µ(x) = Cx2 por separação de variáveis; escolhamos C = 1. 199: Revisite o ponto 167 sob a ótica desta seção: Obtenha a solução geral
A nova equação é da equação linear
mi

mi
y 0 = p(x) · y + q(x)
(8x3 y + 3x2 y 2 ) dx + (2x4 + 2x3 y) dy = 0
usando fatores integrantes; compare-os com os obtidos naquele ponto.
eli

e é exata: nós a resolvemos em 175. Lá, determinamos f (x, y) = 2x y+x y


eli Sugestão: Reescreva-a como
4 3 2

com ∂f ∂f
∂x = µp e ∂y = µq. Já que, no ponto inicial, f (2, 1) = 40 (ponto
inicial), a solução é dada implicitamente por [p(x) · y + q(x)] dx + (−1) dy = 0
Pr

Pr
2x4 y + x3 y 2 = 40; e mostre que ela tem um fator integrante dependente apenas de x.

45 46
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
1.5 Substituições Não nos esquecemos de determinar y:

Estudaremos, nesta seção, outras formas de equações que podem ser r


x2 + Kx−2

L.

L.
transformadas em, ou estudadas com, equações das formas básicas que já y = xz = ± .
2
conhecemos. Note que mudaremos o significado de algumas letras.
Começamos com as equações “homogêneas” e apresentamos, a título de p

C.

C.
exemplo para as demais substituições, um estudo teórico de redução aos 204 Exemplo: y 0 + 1 = 1 + y/x.
resultados obtidos para equações de variáveis separáveis. Essa equação quase já está na forma y 0 = f (y/x) e requer x 6= 0, isto é,
x < 0 ou x > 0.
200 Homogeneidade: Uma equação y 0 = g(x, y) é homogênea se vale √

ius

ius
Pondo z = y/x, obtemos z + xz 0 + 1 = 1 + z, ou seja,
g(ax, ay) = g(x, y) para qualquer a 6= 0.
Atenção: Conhecemos na Seção 1.3 as equações lineares homogêneas, dz dx
que são bem diferentes. De fato, o adjetivo “homogêneo” costuma-se referir √ = .

nic

nic
1 + z − (1 + z) x
mais a elas do que a estas que vemos agora.

201: Mostre que toda equação homogênea pode ser reescrita na forma y 0 = Isso pode ser integrado com a substituição u = 1 + z (ou z = u2 − 1),
f (y/x) e reciprocamente. resultando em
Vi

Vi
Cuidado: O que acontece com x = 0 ?
−2 ln |1 − u| = ln |x| + C0 ,
202: Mostre que a substituição intuitiva z = y/x transforma a equação
y 0 = f (y/x) na de variáveis separáveis z 0 = x−1 (f (z) − z), onde z(x) será a donde
3

3
função incógnita.
01

01
K
u=1− p ,
203 Exemplo: xyy = x − y .
0 2 2
|x|
Se x = 0 ou y = 0, vemos que então ambos x, y = 0; com isso em mente, K2 2K
c2

c2
isolamos y 0 . z= −p
|x| |x|
r

r
Veja que ( √
x2 − y 2 1 − (y/x)2 K 2 − 2K x se x > 0,
y0 = = : ey= √
xy (y/x) −K 2 + 2K −x se x < 0.
o primeiro quociente mostra que a equação dada é homogênea pela definição
e o segundo, que coloca y 0 em função de y/x, pode ser obtido dividindo-se Relembre no ponto 71 como concluir essa resolução quando x > 0. No
na

na

ambos numerador e denominador por x2 . caso x < 0, √vem analogamente y(x) = −C − 2 −Cx para x < 0 ou
Efetuamos a substituição indicada, seja y = xz no primeiro quociente y(x) = C + 2 Cx para x 6 C.
ou y/x = z no segundo, e separamos as variáveis:
mi

mi
Mostre que estas equações são homogêneas e resolva-as:
0 1 − z2 1 − 2z 2 z dz dx
z + xz = ⇒ xz 0 = ⇒ = . p
1 − 2z 2
eli

eli
z z x 205: xyy 0 = x2 + y 2 . 206: y 0 + 1 = − 1 + y/x.
Integramos e obtemos z:
207: Suponhamos f definida em ]a, b[. Então a função f (y/x) está definida
Pr

Pr
r
1+ Kx−4 entre as retas y = ax e y = bx. Esse domínio G deverá conter o gráfico de
− 41 ln |1 − 2z 2 | = ln |x| + C ⇒ 1 − 2z 2 = Dx−4 ⇒ z = ± . qualquer solução de y 0 = f (y/x):
2

47 48
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Isso foi observado por Leibniz.

x
y=b
Resolva as seguintes equações, servindo-se da observação de Leibniz:

L.

L.
213: y 0 = ay − by 2 (essa é uma forma da equação de Verhulst que já
y resolvemos por separação de variáveis).
(x0 , y0 ) Indicação: Temos k = 2 e obtemos z 0 = −az + b, que é linear (mas,

C.

C.
G
como a, b são constantes, também é autônoma). Após os cálculos devidos
y = ax
para sua solução, obtemos
a
y = z −1 =

ius

ius
.
b − Ce−ax
214: y 0 = x−1 y + y 3 . 215: y 0 = xy + 2y π .
216 Riccati: Suponha que yp é uma solução particular já conhecida de

nic

nic
208: Deduza um TEU específico a partir daquele de separação de variáveis:
Suponha que (x0 , y0 ) ∈ G e que f é contínua com f (u) 6= u para todo y 0 = f (x) + g(x)y + h(x)y 2 ,
u ∈ ]a, b[; então existe uma única solução de y 0 = f (y/x) com gráfico em G
por exemplo, se f = 0 então yp = 0. Mostre que a substituição y = yp +z −1
passando por esse ponto.
Vi

Vi
transforma-a na equação linear
Eis outras substituições interessantes:
z 0 = [−g(x) − 2yp (x)h(x)]z − h(x).
209 Combinação linear: Considere a equação y 0 = f (ax + by) com a, b
3

3
constantes reais. Mostre que a substituição intuitiva z = ax+by transforma 217 Ortogonalidade: Suponha dada uma equação de primeira ordem na
forma geral
01

01
essa equação na autônoma z 0 = a + bf (z).
F (x, y, y 0 ) = 0.
Resolva estas equações por esse método:
Cada solução dessa equação descreve, com seu gráfico, uma curva no plano;
c2

c2
210: y 0 = (sen(4x − 2y))−1 + 2. assumindo um TEU, essas curvas são todas paralelas e particionam o plano.
r

r
Solução: Com z = 4x − 2y temos Forme agora a equação
F (x, y, −1/y 0 ) = 0
z 0 = 4 − 2y 0 = 4 − 2[(sen z)−1 + 2] = (sen z)−1 ,
(para a mesma F ), ou seja, simplesmente substitua cada ocorrência de y 0
donde sen z dz = −2 dx. Então − cos z = −2x + C e concluímos que literalmente por −1/y 0 . As curvas descritas por essa equação, sob certas
condições, também foliam o plano.
na

na
4x − z 1
y= = 2x − 2 arccos(2x − C). Mostre que essas duas famílias de curvas são ortogonais, isto é, qual-
2
quer curva da primeira família e qualquer curva da segunda família, nos
211: y 0 = 2 + (3x − 5y)2 . pontos onde se encontrarem, têm tangentes perpendiculares. Por exemplo,
mi

mi
as linhas de força de um campo elétrico e as linhas equipotenciais, em um
212 Bernoulli: Dada a equação
plano contendo cargas dispersas, devem ser ortogonais.
y 0 = f (x)y + g(x)y k , O procedimento de substituir y 0 por −1/y 0 é chamado determinação das
eli

onde k 6= 1 e as funções f, g são contínuas, mostre que a substituição


z = y 1−k transforma-a na equação linear
eli
trajetórias ortogonais.
Finalmente, apresentamos um método de substituição intuitivamente
Pr

Pr
óbvio quando um problema pode ser melhor formulado, entendido ou resol-
z 0 = (1 − k)f (x)z + (1 − k)g(x). vido em outro sistema de coordenadas:

49 50
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
218 Mudança de coordenadas: Dadas as fórmulas usuais para coorde- 1.6 Modelagem
nadas polares versus retangulares,
Nesta seção, damos destaque a aplicações, problemas e exercícios que

L.

L.
x = r cos θ, y = r sen θ, envolvem equações de primeira ordem; aqui os agrupamos por assunto, sem
p
θ = arctg(y/x), r = x2 + y 2 , os dispersar nas diversas seções de métodos de resolução.
Relembramos que, em Física, as constantes de proporção (como a de

C.

C.
compute Avogrado ou a de Planck, sejam adimensionais ou não) são sempre positivas
e a multiplicação por −1, quando ocorre, sempre é indicada explicitamente
dx = cos θ dr − r sen θ dθ, dy = sen θ dr + r cos θ dθ
com o sinal negativo.
x dy − y dx x dx + y dy

ius

ius
dθ = p , dr = p .
2
x +y 2 x2 + y 2 221 Esfriamento: Newton formulou a seguinte lei sobre o esfriamento
natural de um corpo previamente aquecido: A variação da temperatura do
Indicação: Pela Regra da Cadeia, por exemplo, dx = ∂x
∂r dr + ∂x
∂θ dθ. corpo é proporcional à diferença entre essa temperatura e a do ambiente;

nic

nic
219: Converter a equação y 0 = f (x, y), de que se buscam soluções y(x), seja α o valor absoluto dessa constante de proporcionalidade.
para coordenadas polares significa escrever Com atenção aos sinais, determine a equação diferencial que rege a
temperatura T do corpo, em função do tempo t, sendo a temperatura do
sen θ dr + r cos θ dθ ambiente igual a A(t).
Vi

Vi
= f (r cos θ, r sen θ)
cos θ dr − r sen θ dθ
222: Suponha que a situação descrita tenha início em t = 0, com T (0) = T0 .
por substituição, em que se buscam soluções r(θ). (Podemos sempre sim- Note que, portanto, a equação e suas soluções somente são válidas para
plificar |r| = r: por quê?) t > 0. O corpo, no “passado” t < 0, não esquenta indefinidamente porque
3

3
220 Exemplo: ([Dem]) (x2 + y 2 ) dx − xy dy = 0. nem a equação tem validade, nem a situação era a mesma, nem a lei de
01

01
Por substuição, temos esfriamento aplica-se.

r2 [cos θ dr − r sen θ dθ] − r2 sen θ cos θ[sen θ dr + r cos θ dθ] = 0. 223: Suponha agora que o corpo é originalmente mais frio que o ambiente
c2

c2
e, então, que ele se aquece gradualmente; assuma uma lei análoga à do
Isso se simplifica como esfriamento, com a mesma constante de proporcionalidade. Mostre que
r

r
r2 cos3 θ dr − r3 sen θ(1 + cos2 θ) dθ = 0, a mesma equação vale também para esta segunda situação, estudando os
sinais de ambos os lados.
que é de variáves separáveis: Desse modo, a equação é válida qualquer que seja a comparação entre
dr  1 1  T e A ou mesmo caso seus gráficos se cruzem.
na

na
= sen θ + dθ.
r cos3 θ cos θ 224: Identifique a forma dessa equação e resolva o PVI com T (0) = T0 .
Sua solução é r(θ) = C exp(1/2 cos θ)/| cos θ| com C > 0. Para voltar às
2
225: Simplifique a solução sob a hipótese de A ser constante (por exemplo,
mi

mi
coordenadas retangulares, substituímos algumas expressões:
em um frigorífico) e observe que a convergência T (t) → A é exponencial-
 r mente rápida, mas somente se dá com t → ∞, isto é, o equilíbrio térmico
r = C exp 12 (tg2 θ + 1) · ,
|x| nunca é atingido em tempo finito ou, aproximadamente, só ocorre após
eli

donde
ln |x| = K1 +
1  y2  y2
+ 1 = K2 + 2 . eli
certo tempo.

226: A lei de Newton é geralmente formulada apenas para A constante. An-


Pr

Pr
2 x 2 2x
p teriormente, extrapolamos sua validade usando a equação diferencial para
Assim, a solução é y = ± 2x (ln |x| + K).
2
representar somente uma “fotografia” da dinâmica envolvida: a derivada é

51 52
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
uma velocidade instantânea, não média. Porém, a adequação dessa extra- 230: Em termos formais, a quantidade de radiação absorvida é αIh, onde
polação à realidade, ou seja, a confirmação dessa teoria, requer experimen- α é uma constante positiva de proporção, I mede a incidência radioativa e
tação em ambientes de temperatura variável! h é a espessura fina da lâmina de chumbo.

L.

L.
227: Suponha que dois corpos, com temperaturas T1 (t), T2 (t), são colocados 231: Se metade das partículas radioativas incidentes são absorvidas por
em contato, formando um sistema termicamente isolado, no instante t = 0; uma certa chapa padronizada, quanto de radiação atravessará uma barreira

C.

C.
sejam T10 , T20 os valores iniciais. Podemos prosseguir com a extrapolação, com três vezes sua espessura?
assim, supondo que cada corpo atua como “ambiente” para o outro. Escreva Veja: Não faça uma simples regra de três, porque as chapas considera-
as duas equações diferenciais que regem T1 e T2 , assuma o mesmo valor de das não são lâminas finas! De fato, a barreira não poderá absorver 150%
α para ambas as equações e mostre que das partículas incidentes. . .

ius

ius
Sugestão: Divida a barreira em três chapas idênticas à padronizada e
(a) a soma T1 + T2 é constante com valor T10 + T20 ;
use a fração que atravessa cada chapa como total incidente para a próxima
(b) não há mudança de temperatura (ou seja, as variações são zero) pre- chapa.

nic

nic
cisamente quando T1 = T2 ;
232: Esse método sugerido permite responder a mesma pergunta para uma
(c) essa temperatura de equilíbrio vale 21 (T10 + T20 ). barreira de espessura qualquer?

Vi

Vi
228: Refaça o ponto anterior usando constantes diferentes α1 , α2 para as 233: Para uma barreira de chumbo de espessura arbitrária, seja I(x) a
equações e mostrando que α2 T1 + α1 T2 é constante. Qual é a temperatura quantidade de radiação que atravessa essa chapa até a profundidade x.
de equilíbrio? (Pomos I(0) = I0 , que é o total incidente.) Então, para h pequeno, a
quantidade que chega a x + h é aquela I(x) menos a quantidade absorvida
3

3
Mostre ainda que se m1 , c1 são a massa e o calor específico do corpo
de temperatura T1 e, analogamente, m2 , c2 referem-se a T2 , então devemos na região entre x e x + h, que corresponde a uma lâmina fina.
01

01
tomar α2 = m1 c1 e α1 = m2 c2 . Deduza a equação diferencial da permeabilidade e resolva-a; verifique
sua concordância com o cálculo em 231.
229 Permeabilidade: Assumiremos esta lei: A quantidade de radiação
c2

c2
absorvida ao passar por uma lâmina fina de chumbo é proporcional à quan- Nos próximos pontos, estudaremos alguns circuitos elétricos simples,
r

r
tidade de radiação incidente e à espessura da lâmina. formando e resolvendo equações diferenciais que regem a corrente elétrica
As razões que levam a essa formulação são as seguintes: Se cada partí- nesses circuitos. Embora tentemos motivar algumas dessas equações, não
cula radioativa tiver uma probabilidade independente ε de ser absorvida, daremos ênfase nem às leis físicas subjacentes, nem à análise física posterior
então a absorvição é proporcional à incidência. Porém, ε é muito pequena — como o cálculo da potência desenvolvida ou da energia dissipada pelo
para uma lâmina fina, porque as partículas têm grande energia. Se supu- efeito Joule, ambos muito curiosos —, porque esses estudos cabem melhor
na

na
sermos uma segunda lâmina idêntica atrás da primeira, a proporção das em um texto especializado como [Tip].
partículas que incidem sobre essa segunda lâmina é 1 − ε e a daquelas que
a atravessam é, novamente, 1 − ε desse número, ou seja, 234 RC: Este circuito liga, em série, uma chave interruptora, um resistor
mi

mi
com resistência R e um capacitor de capacitância C, ambas R, C constantes
(1 − ε)(1 − ε) = 1 − 2ε + ε2 positivas. Quando o circuito fechar, a corrente elétrica sempre satisfará
I = U/R = Q/RC: é a carga Q armazenada no capacitor (±Q em cada
eli

das partículas originais. Como ε2 é muitíssimo pequeno, podemos des-


prezá-lo: ao dobrar a espessura da lâmina fina, simplesmente dobramos a
probabilidade de absorção. eli
lado) que gera a diferença de potencial U no circuito. Suponha que, no
instante t = 0, tenhamos Q(0) = Q0 e então a chave seja fechada: a corrente
inicial é I0 = Q0 /RC e, conforme t aumenta, o capacitor descarrega-se e
Pr

Pr
A mesma lei descreve diversos fenômenos de permeabilidade, como a Q diminui. Como corrente significa carga deslocada por unidade de tempo,
intensidade da luz solar em diferentes profundidades do mar. temos I = −Q̇, onde o sinal indica a diminuição de Q.

53 54
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Assim, determinando a corrente em função do tempo.
Q̇ = −Q/RC, Q(0) = Q0 .
240: Determine o valor de equilíbrio Ifinal da corrente no circuito, quando
Resolva esse PVI, obtendo a carga e (por derivação) a corrente como funções

L.

L.
a força contra-eletromotriz é nula. Essa é a corrente final do circuito.
do tempo. Graficamente, como se comporta a descarga do capacitor?
241: Estude o circuito LR com fonte de força eletromotriz alternada:
235: Suponha agora que o capacitor esteja descarregado (Q0 = 0) e que se

C.

C.
insira nesse circuito, em série, uma fonte de força eletromotriz, que origina LI˙ + RI = E0 cos(ω0 t).
uma diferença de potencial constante E. Assim, o circuito formado é de
corrente contínua quando se fecha a chave em t = 0 e inicia-se a carga do Retornaremos a esse tópico na Seção 2.7, a respeito dos circuitos LC e
capacitor. Agora, I = Q̇ e E = UR + UC = RI + Q/C, de modo que

ius

ius
LCR, quando pudermos estudar as equações de segunda ordem pertinentes.
Q̇ = E/R − Q/RC.

Resolva o PVI dessa equação com Q(0) = 0, determinando a carga e a

nic

nic
corrente como funções do tempo e traçando seus gráficos. Qual é a corrente
inicial?

Vi

Vi
236: Suponha que o capacitor esteja carregado, ou seja, Q0 6= 0: o sinal de
Q0 depende da polaridade da conexão; conforme for positivo ou negativo,
a carga aumentará sempre ou primeiro diminuirá (em valor absoluto), para
anular-se, e então crescerá com polaridade oposta.
3

3
Resolva esse novo PVI e determine graficamente o comportamento das
soluções dependendo do sinal de Q0 .
01

01
237: Qual será a carga completa do capacitor? Em quanto tempo obteremos
90% dessa carga?
c2

c2
238: Estude o circuito RC com uma fonte de força eletromotriz alternada,
r

r
isto é, que origina a diferença de potencial E(t) = E0 cos(ω0 t):

RQ̇ + Q/C = E0 cos(ω0 t).

239 LR: Ligamos, também em série, uma chave interruptora, uma fonte
na

na
de força eletromotriz E, um resistor com resistência R e um indutor de
indutância L, todas E, R, L constantes positivas.
O indutor é uma espira ou solenóide que, sob a passagem de corrente
mi

mi
elétrica, gera um campo magnético. Se a corrente variar, a variação cor-
respondente do campo opõe-se à variação da corrente, gerando uma força
˙ (Se I cresce, então o indutor atua como um resistor
contra-eletromotriz LI.
eli

e a queda de potencial é LI˙ > 0; se I diminui, então o indutor atua como


um gerador e a “queda” é LI˙ < 0.)
Então E = UR + UL = RI + LI. ˙ Resolva o PVI eli
Pr

Pr
LI˙ + RI = E, I(0) = 0,

55 56
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
242 TEU: Suponha dados uma função f (x, y0 , y1 . . . , yn−1 ) e um vetor
(x0 , a0 , a1 , . . . , an−1 ). Assuma que tanto f como suas derivadas

L.

L.
∂f ∂f
,...,
∂y0 ∂yn−1

C.

C.
Capítulo 2 sejam funções contínuas em uma vizinhança desse vetor. Então existe δ > 0
e existe uma única função y : ]x0 − δ, x0 + δ[ → lR que é solução do PVI na
forma normal


ius

ius
Ordens superiores y (n) = f x, y, y 0 , . . . , y (n−1) ,
y(x0 ) = a0 , y 0 (x0 ) = a1 , . . . , y (n−1) (x0 ) = an−1 .

nic

nic
Uma mesma teoria dará conta das equações de segunda, terceira e outras Contudo, devemos reforçar as diferenças de interpretação em relação à
ordens, embora seja um pouco distinta do corpo de conhecimento que já teoria de primeira ordem:
Vi

Vi
desenvolvemos para a primeira ordem e refira-se a uma forma mais restrita
243: Nas condições do TEU, os gráficos de soluções da mesma equação de
de equações. Poderemos, também, esclarecer alguns dos métodos que já
segunda ordem podem cruzar-se, mas não podem ser tangentes. Por quê?
vimos e que podiam parecer “mágicos”, como a variação de constantes.
3

3
As equações com que mais nos ocuparemos, neste capítulo, têm uma
01

01
forma ainda mais especial:
2.1 Formas geral, normal e linear
244: Uma equação da forma
Relembramos de nosso capítulo introdutório que uma equação diferen-
c2

c2
cial ordinária de ordem n, em que a incógnita é uma função y(x), pode ser pn (x)y (n) + pn−1 (x)y (n−1) + . . . + p1 (x)y 0 + p0 (x)y = R(x)
r

r
estudada abstratamente na forma geral
 é chamada linear. Assumiremos que as funções-coeficiente p0 , . . . , pn e a
F x, y, y 0 , . . . , y (n) = 0.
função R são contínuas em um intervalo aberto I ⊆ lR.
Também recordamos que, mais comumente, estudamos a forma normal Quando tratarmos de segunda ordem, escreveremos py 00 + qy 0 + ry = R.

na

na
y (n) = f x, y, y 0 , . . . , y (n−1) , Essas equações merecem tanto destaque por sua ampla variedade de
aplicações e pela simplicidade da teoria que trata de sua solução. Além
de interesse próprio, aplicabilidade freqüente e, em último caso, obtida da
disso, como exemplificaremos em 414 e na Seção ??, auxiliam o estudo
mi

mi
forma geral pelo Teorema da Função Implícita para um estudo local.
qualitativo de equações mais complexas via linearização.
Sabemos, ainda, que a qualquer equação de ordem n podemos impor
condições 245 Superposição: Suponha que a, b ∈ lR e que yR e yS são soluções,
eli

y(x0 ) = a0 , y 0 (x0 ) = a1 , . . . , y (n−1) (x0 ) = an−1 ,


especificando os valores da função incógnita e suas derivadas, até ordem eli
respectivamente, das equações lineares
Pn
i=0 pi y (i) = R e
Pn
i=0 pi y (i) = S.
Pr

Pr
n−1, em um mesmo ponto. Dar a equação juntamente com essas condições Pn
é propor um “problema de valor inicial” (PVI). Mostre que ayR ± byS é solução de i=0 pi y (i) = aR ± bS.

57 58
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
2.2 Independência linear de funções há receita para encontrar tais valores, além de explorar os zeros das fun-
ções. Caso as funções fossem linearmente dependentes, o sistema teria uma
Faremos bom uso dos conceitos de dependência e independência linear solução não-trivial, mas seria preciso verificar que a combinação linear cor-

L.

L.
de funções, de modo que já os apresentamos aqui. A linguagem teórica respondente sempre se anula para qualquer valor de x. (Quando tratarmos
adequada para a formulação do que aprenderemos é aquela básica de Álge- do “wronskiano”, apresentaremos um cálculo simples para decidir sobre a
bra Linear sobre espaços de funções, como em [CoLo]; não há necessidade, dependência linear de funções, que lamentamos que não seja ensinado nos

C.

C.
porém, de aprendê-la antecipadamente. cursos elementares de Álgebra Linear.)
Suponha que f1 , . . . , fn são funções sobre o mesmo domínio X e com
valores reais: 250 Exemplo: As funções 5 (constante), 6 sen2 x e 2 cos2 x são linearmente
dependentes.

ius

ius
246: Diz-se que f1 , . . . , fn são linearmente dependentes (LD) caso
Para tanto, devemos procurar escalares c1 , c2 , c3 , não todos nulos, tais
n  Pn o que
(∃c1 , . . . , cn ∈ lR) algum ci 6= 0 e (∀x ∈ X) i=1 ci fi (x) = 0 ,

nic

nic
c1 (5) + c2 (6 sen2 x) + c3 (2 cos2 x) = 0
isto é, existe um modo não-trivial de termos c1 f1 + . . . + cn fn = 0.
para qualquer valor de x. Tomando x = 0 ou x = π
2 ou x = 4,
π
obtemos o
247: As funções f1 , . . . , fn são linearmente dependentes se e somente se sistema
Vi

Vi
pelo menos uma delas escreve-se como combinação linear das demais (262). 5c1 + 2c3 = 0, 5c1 + 6c2 = 0, 5c1 + 3c2 + c3 = 0,
(Este é a operação tradicional de “dividir pelo coeficiente não-nulo e passar
para o outro lado”.) que é indeterminado; uma possível solução é dada por c1 = 6, c2 = −5 e
c3 = −15. Agora, verificamos que realmente
3

3
248: Diz-se que f1 , . . . , fn são linearmente independentes caso
01

01
n Pn  o 6(5) − 5(6 sen2 x) − 15(2 cos2 x) = 0
(∀c1 , . . . , cn ∈ lR) (∀x ∈ X) i=1 ci fi (x) = 0 ⇒ c1 = . . . = cn = 0 ,
para qualquer x, o que conclui o raciocínio. Também podemos, a partir
c2

c2
isto é, a única possibilidade de termos c1 f1 + . . . + cn fn = 0 é a trivial. dessa equação, determinar uma função como combinação linear das demais,
r

r
249 Exemplo: As funções x e cos x são linearmente independentes. por exemplo,
Para mostrá-lo, suponhamos que c1 , c2 ∈ lR são tais que (6 sen2 x) = 65 (5) − 3(2 cos2 x).

c1 (x) + c2 (cos x) = 0 Decida se cada conjunto de funções é linearmente dependente ou não:


na

na
para qualquer valor de x. Em particular, com x = 0 ou x = π/2 obtemos, 251: 0, 5x e −2x3 . 256: x e ex .
respectivamente,
252: 2 sen(x2 − 1) e −3 sen(x2 − 1). 257: ex e e2x .
mi

mi
0c1 + 1c2 = 0, (π/2)c1 + 0c2 = 0.
253: x − 4 e x + 5. 258: sen x e cos x.
Esse é um sistema de equações com incógnitas c1 , c2 cuja única solução 254: x − 4, x e x + 5. 259: x e sen x.
eli

é (0, 0). Portanto, pela definição, {x, cos x} é um conjunto linearmente


independente.
Note: Foi preciso encontrar valores de x, em número igual ao das fun- eli
255: x e x2 . 260: x, ex e sen x.
Pr

Pr
ções apresentadas, de modo que se obtivesse um sistema com única solução O resultado a seguir é o mais importante em nosso estudo. Muito mais
(0, 0), nesse caso em que as funções são linearmente independentes. Não que saber demonstrá-lo, é importante entendê-lo:

59 60
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
261: Considere estas funções: 264: Caso f1 , . . . , fn sejam linearmente independentes, diz-se que o con-
junto {f1 , . . . , fn } é uma base de V . Seu número n é chamado dimensão
eλ1 x , xeλ1 x , . . . , xk1 eλ1 x , de V e denotado dim V . (Para isso, mostra-se que n independe da escolha

L.

L.
.. das funções geradoras, enquanto independentes.)
.
eλm x , xeλm x , . . . , xkm eλm x , 265: Suponha que f1 , . . . , fn constituam uma base do espaço V e que

C.

C.
f : X → lR seja uma outra função (pertencente, ou não, a V ). Então o
eα1 x cos(β1 x), xeα1 x cos(β1 x), . . . , xl1 eα1 x cos(β1 x), conjunto das funções
eα1 x sen(β1 x), xeα1 x sen(β1 x), . . . , xl1 eα1 x sen(β1 x),
g = c1 f1 + . . . + cn fn + f,

ius

ius
..
.
para quaisquer escolhas dos valores reais de c1 , . . . , cn , é simplesmente indi-
eαn x cos(βn x), xeαn x cos(βn x), . . . , xln eαn x cos(βn x), cado V + f . Esse é um exemplo de espaço afim e é uma translação de V ,

nic

nic
eαn x sen(βn x), xeαn x sen(βn x), . . . , xln eαn x sen(βn x). com a mesma dimensão. (Se f ∈ / V , ele não é um espaço vetorial.)

Assuma que k1 , . . . , km , l1 , . . . , ln são números naturais, que λ1 , . . . , λm são 266: Mostre que, nessas condições, toda função g ∈ V + f pode ser escrita
reais distintos e que α1 + β1 i, . . . , αn + βn i são complexos distintos e não de maneira única como g = c1 f1 + . . . + cn fn + f , ou seja, se supusermos
Vi

Vi
conjugados, sendo α1 , β1 , . . . , αn , βn ∈ lR. Sob tais condições, o conjunto também g = b1 f1 + . . . + bn fn + f então deveremos ter cada bi = ci .
dessas funções é linearmente independente.
Essas definições e a teoria de espaços vetoriais são inspiradas pelos con-
Precisaremos de mais estas definições, para as quais suponha fixadas as juntos de vetores geométricos. Utilizamos essa interpretação para resumi-
3

3
funções f1 , . . . , fn : X → lR: las, com dimensão n = 2, neste diagrama:
01

01
262: Se c1 , . . . , cn são números reais, então podemos formar a função
f c1 f1 + c2 f2 + f
V +f
c2

c2
g = c1 f1 + . . . + cn fn ;
r

r
diz-se que as funções originais geram (linearmente) g ou que g é combinação
linear delas. (Note que c1 , . . . , cn são constantes, embora arbitrários.)
f2
0
263: O conjunto V de todas as funções geradas por f1 , . . . , fn , para quais-
f1 c1 f1 + c2 f2
quer escolhas dos valores reais de c1 , . . . , cn , também é dito gerado por V
na

na
elas. Ele pode ser gerado por vários outros conjuntos de funções. Note que
sempre: No restante desta seção, teceremos alguns comentários sobre espaços
de funções para o estudante que já teve contato básico com a linguagem
mi

mi
(i) a função constante nula pertence a V ;
necessária, a título de firmar sua interpretação.
(ii) f1 , . . . , fn ∈ V ;
267: Em Álgebra Linear, trabalha-se com somas finitas; não há séries infi-
eli

(iii) somas e múltiplos de funções em V também pertencem a V ;

(iv) ou seja, V é fechado sob combinações lineares.


eli
nitas porque não há noção de convergência. Assim, toda combinação linear
tem um número finito de termos.
Pr

Pr
268: Um conjunto de vetores S é linearmente independente se, para quais-
Assim, V é um exemplo de espaço vetorial. quer n > 1 e v1 , . . . , vn ∈ S distintos, os únicos escalares c1 , . . . , cn que

61 62
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Pn
satisfazem i=1 ci vi = 0 são c1 = . . . = cn = 0. Observe que n é finito, 274: Sejam f1 (x) = x2 e f2 (x) = x |x|. Mostre que:
mas arbitrariamente grande.
(a) f1 e f2 são linearmente dependentes no intervalo ]0, 1[;

L.

L.
269: Mostre que um conjunto de vetores é linearmente independente se e
somente se todo subconjunto finito seu é linearmente independente. (b) f1 e f2 são linearmente independentes no intervalo ]−1, 1[;
270: Mostre que, no caso de S ser finito, basta verificarmos a condição para (c) o wronskiano de f1 e f2 é identicamente nulo, calculando-o separada-

C.

C.
n = |S|. mente para x > 0 e x < 0;
271: O conjunto das funções X → lR é um espaço vetorial sobre lR, porque
sabemos somar essas funções e multiplicá-las por escalares (números reais); (d) f1 e f2 não podem ser ambas soluções de py 00 + qy 0 + ry = 0 em ]−1, 1[

ius

ius
essas operações são feitas ponto a ponto e resultam em funções também da se p, q, r forem funções contínuas nesse intervalo.
forma X → lR. Esse espaço é indicado lRX . 275: Assuma que y1 , . . . , yn sejam soluções de
Se X é um subconjunto aberto de lR, então cada conjunto C n (X), das
funções de classe C n com domínio X, é um subespaço vetorial de lRX ,

nic

nic
pn (x)y (n) + pn−1 (x)y (n−1) + . . . + p0 (x)y = 0,
porque as combinações lineares de funções contínuas ou n vezes deriváveis
são também contínuas ou n vezes deriváveis. com p0 , . . . , pn : I → lR contínuas e pn sem zeros. Mostre que, se essas
Pelo mesmo motivo, a operação de derivação é uma transformação linear soluções são linearmente independentes, então W (y1 , . . . , yn )(x) 6= 0 para
Vi

Vi
C n+1 (X) → C n (X). todo x ∈ I.
Solução: Suponhamos W (y1 , . . . , yn )(x0 ) = 0 para algum x0 ∈ I. Con-
sideremos este sistema linear algébrico, com incógnitas c1 , . . . , cn :
2.3 Wronskiano
3

3
c1 y1 (x0 ) + . . . + cn yn (x0 ) = 0
Trabalharemos sobre um intervalo aberto I ⊆ lR.
01

01
c1 y10 (x0 ) + . . . + cn yn0 (x0 ) = 0
272: Define-se, para f1 , . . . , fn : I → lR de classe C n−1
, o wronskiano de
..
ordem n .
c2

c2

f1 (x) fn (x) (n−1)
r

r
··· c1 y 1 (x0 ) + . . . + cn yn(n−1) (x0 ) = 0

f10 (x) ··· fn0 (x)
Seu determinante é W (y1 , . . . , yn )(x0 ) = 0; logo, ele tem pelo menos uma
.. .. ..
W (f1 , . . . , fn )(x) =
. . . .
solução c1 , . . . , cn não-trivial. Com esses valores, definimos
(n−2) (n−2)
f1 (x) ··· fn (x)
(n−1)
na

na
f y = c1 y1 + . . . + cn yn .
(x)
(n−1)
1 (x) ··· fn
Por superposição (245), y é uma solução da equação do enunciado. Também
Note que W (f1 , . . . , fn ) é uma função contínua I → lR.
temos
mi

mi
273: Mostre que se {f1 , . . . , fn } é um conjunto linearmente dependente en- (i)
y (i) (x0 ) = c1 y1 (x0 ) + . . . + cn yn(i) (x0 ) = 0
tão W (f1 , . . . , fn ) é identicamente nulo. Equivalentemente, se existe x ∈ I
tal que W (f1 , . . . , fn )(x) 6= 0, então {f1 , . . . , fn } é um conjunto linearmente para todo 1 6 i 6 n − 1. Pelo TEU, y ≡ 0, de modo que {y1 , . . . , yn } é
eli

independente.
Veremos em 274 que a recíproca não é verdadeira. Porém, para um eli
linearmente dependente.

276: Conclua que, com a hipótese em 275 e o fato em 273, se o wronskiano


Pr

Pr
conjunto de soluções de uma certa equação diferencial, mostraremos que anula-se em um ponto então ele se anula em todo o intervalo de definição e
vale a equivalência “LD ⇔ W ≡ 0”. as funções são linearmente dependentes.

63 64
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
277: Novamente na situação de 275, mostre que o wronskiano das soluções 279 Derivação do wronskiano: Dado W = W (f1 , . . . , fn ), calculamos
por sua vez é solução de pn w0 + pn−1 w = 0. W 0 pelo ponto anterior:
Para 2a ordem: Temos n = 2, a equação py 00 + qy 0 + ry = 0 e as

L.

L.
soluções y1 , y2 . Escrevemos f0 ··· fn0 f1 ··· fn f1 ··· fn
1

f10 ··· fn0 f10 ··· fn0 f10 ··· fn0
y y
.. .. .. .. .. .. .. .. ..

C.

C.
1 2
= y1 y20 − y10 y2 , . . . +. . .+ . + . .
. . .
W = W (y1 , y2 ) = 0
y1 y20
(n−2) (n−2) (n−1) (n−1) (n−2) (n−2)
f1 · · · fn f1 · · · fn f1 · · · fn
(n−1) (n−1) (n)
de modo que f · · · f
(n−1)
n
f · · · f
(n−1)
n
f · · · f
(n)
n

ius

ius
1 1 1

W 0 = y10 y20 + y1 y200 − y100 y2 − y10 y20 = y1 y200 − y100 y2 Todos esses determinantes, exceto o último, são nulos porque têm linhas
repetidas. Então a derivada do wronskiano é obtida derivando-se apenas e

nic

nic
e então simplesmente a última linha:

pW 0 = y1 (py200 ) − y2 (py100 ) = f1 ··· fn


= y1 (−qy20 − ry2 ) − y2 (−qy10 − ry1 ) = f10 ··· fn0
Vi

Vi

= −q(y1 y20 − y10 y2 ] = −qW. . .. ..
W 0 = .. . . .

(n−2) (n−2)
Em geral: Mostraremos esse fato nos próximos pontos. f1 · · · fn
(n)
3

3
f ··· fn
(n)
1
278 Derivação de determinantes: Seja (fij ) uma matriz quadrada de
01

01
ordem n, onde as entradas fij são funções deriváveis em algum intervalo. 280: Verifique que o análogo não vale para derivadas de ordens mais altas.
Seja D(x) = det(fij (x)). Então D é derivável e
281: Para concluir, retomando-se a situação de 275, temos:
c2

c2
D0 (x) = D1 (x) + . . . + Dn (x),
r

r
y ... yn y1 ... yn
1
. .. .. ..
onde Di é o determinante da matriz obtida de (fij ) derivando-se a i-ésima . .. ..
0 . . . . . .
linha. pn W = = =
y (n−2) · · · y (n−2) (n−2)
y1 ···
(n−2)
yn
Solução: O determinante é uma certa soma de produtos, cada qual, 1

n
(n) (n) Pn−1 (i) Pn−1 (i)
quando derivado, torna-se outra soma de produtos, bastando então reorga- pn y1 . . . pn yn − i=0 pi y1 . . . − i=0 pi yn
na

na
nizar os termos. Simbolicamente, isso pode ser feito a partir da definição de
y ... yn y ... yn
determinante e deixamos a cargo do estudante de Álgebra verificá-lo. Eis 1 1
. .. . ..
uma alternativa: . .. . ..
mi

mi
. . . . . .
Consideraremos as entradas fijPtambém como variáveis. Seja Vij o = −pn−1 − pn−2 (n−2) − ...
y (n−2) · · · y (n−2) y · · · y
(n−2)
n
cofator da entrada fij : então D = j=1 fij Vij quando se desenvolve pela 1 n 1 n
(n−1) (n−1) (n−2) (n−2)
linha i. Note que Vij não depende de fij , donde ∂D/∂fij = Vij . Agora, y1 . . . yn y1 . . . yn
eli

usamos a Regra da Cadeia:


n X  X eli
O segundo termo e os seguintes são todos nulos porque têm repetição de
linhas. Logo, pn W 0 + pn−1 W = 0.
Pr

Pr
X ∂D dfij X X n n
D0 = · = 0
Vij fij = 0
fij Vij = Di .
i,j
∂fij dx i,j i=1 j=1 i=1 Resolvamos essa equação explicitamente:

65 66
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
282 Abel, Liouville: Fixe x0 ∈ I. Por separação de variáveis, a solução Deduza isso como um caso particular de 242. Mostraremos posterior-
de pn w0 + pn−1 w = 0 que passa pelo ponto (x0 , w(x0 )) é dada por mente () que y está definida sobre todo I.
 Z xp

L.

L.
n−1 (s)
 286: Quando R ≡ 0, dizemos que a equação linear é homogênea. Caso
w(x) = w(x0 ) exp − ds . contrário, a equação é não-homogênea. A parte homogênea da equação é
x0 pn (s)
obtida substituindo-se R por 0.

C.

C.
Utilizando diretamente o TEU de equações de variáveis separáveis, vemos Pesquisaremos esses dois tipos em sequência:
que essa é a única solução possível no caso de pn , pn−1 contínuas e pn sem
raízes. Assim, sem recorrer a sua definição por determinante, podemos 287: Defina Ln : C n (I) → C(I),
calcular

ius

ius
n
X
 Z xp  Ln (f ) = pj f (j) .
n−1 (s)
W (y1 , . . . , yn )(x) = W (y1 , . . . , yn )(x0 ) exp − ds j=0
x0 pn (s)
Mostre que Ln “preserva combinações lineares”, ou seja, é uma transforma-

nic

nic
quaisquer que sejam as soluções y1 , . . . , yn da equação linear dada. ção linear. Mostre que sua imagem está contida, de fato, em C(I).

283: Isso fornece outra demonstração de que o wronskiano das soluções da 288: O núcleo de Ln é

Vi

Vi
equação em 275 ou é zero em todo I ou nunca se anula em I. Nuc(Ln ) = { f ∈ C n (I) | Ln (f ) = 0 },
precisamente o conjunto das soluções (definidas em todo I) da parte ho-
2.4 Espaço de soluções da equação linear mogênea da equação linear. A superposição, nesse caso, expressa o fato de
3

3
Nuc(Ln ) ser subespaço vetorial de C n (I) (isto é, ser fechado sob combina-
Esta seção apresenta a equação diferencial linear de ordem superior e
01

01
ções lineares). No próximo ponto, mostraremos que dim Nuc(Ln ) = n.
caracteriza o conjunto de suas soluções como um espaço afim — ou seja,
uma translação de um espaço vetorial — cuja dimensão é igual à ordem da 289: A equação diferencial Ln (y) = 0 tem n soluções linearmente indepen-
equação. Tal resultado teórico é essencial para, posteriormente, podermos dentes y1 , . . . , yn sobre I. Mais ainda, se y é uma solução de Ln (y) = 0
c2

c2
resolver ou mesmo compreender a resolução dessas equações. sobre I, então existem escalares C1 , . . . , Cn univocamente determinados tais
r

r
que y = C1 y1 + . . . + Cn yn .
284: Uma equação da forma Solução: Fixe x0 ∈ I. Para cada 1 6 j 6 n, consideremos o PVI

pn (x)y (n) + pn−1 (x)y (n−1) + . . . + p1 (x)y 0 + p0 (x)y = R(x) Ln (y) = 0, y (k) (x0 ) = δj(k+1) para 0 6 k 6 n − 1,

onde δuv = 10 se
se u 6= v é o usual delta de Kronecker. Pelo TEU, existe uma
u=v
na

na
é chamada linear. Assumiremos que as funções-coeficiente p0 , . . . , pn e a
função r são contínuas em um intervalo aberto I ⊆ lR. única solução yj : I → lR desse PVI.
Use o wronskiano para mostrar que {y1 , . . . , yn } é linearmente indepen-
mi

mi
285 TEU: Assumiremos que pn nunca se anula em I. Sob essa condição, dente. Alternativamente, suponhamos que c1 y1 (x) + . . . + cn yn (x) = 0 para
fixados x0 ∈ I e c0 , . . . , cn−1 ∈ lR, existe δ > 0 tal que ]x0 − δ, x0 + δ[ ⊆ I todo x ∈ I. Calculando essa combinação linear em x0 , obtemos
e existe uma única solução y do PVI :1
 :0
 :0

c1 ·  (x
y1 0 ) + c2 ·  (x
y2 (x
yn
0 ) + . . . + cn ·  0 ) = 0,
eli

n
X
pj y (j) = R, y(x0 ) = a0 , . . . , y (n−1) (x0 ) = an−1
eli
de modo que c1 = 0 e, portanto, c2 y2 + . . . + cn yn = 0. Derivando, obtemos
também c2 y20 (x) + . . . + cn yn0 (x) = 0 para todo x ∈ I. Novamente,
Pr

Pr
j=0

definida em ]x0 − δ, x0 + δ[. (x


y20 
c2 ·  :1
 (x
yn0  :0

0 ) + . . . + cn ·  0) = 0

67 68
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
e obtemos c2 = 0. Procedendo assim, concluímos que todo cj = 0. Desse modo, o conjunto das soluções de Ln (y) = R é o espaço afim
Dada a solução y : I → lR de Ln (y) = 0, tome Cj = y (j−1) (x0 ) para
1 6 j 6 n e defina z = C1 y1 + . . . + Cn yn . Por superposição, z é uma Nuc(Ln ) + yp ,

L.

L.
solução de Ln (y) = 0. Pelo modo como definimos cada yj , temos
com dimensão n.
n
X n
X

C.

C.
z (k) (x0 ) =
(k)
Cj yj (x0 ) = y (j−1) (x0 )δj(k+1) = y (k) (x0 ) 293 Resumo: Para resolver a equação linear Ln (y) = R de ordem n, de-
j=1 j=1 vemos resolver a parte homogênea Ln (y) = 0, cuja solução geral yh admite
n constantes a determinar, e encontrar alguma solução particular yp da
para 0 6 k 6 nP − 1. Logo, y e z são soluções do mesmo PVI e o TEU equação original. A solução geral será yh + yp .

ius

ius
implica y = z = j Cj yj . O termo yh pode ser escrito como combinação linear (nas constantes
Porque a base {y1 , . . . , yn } é linearmente independente, são únicos os a determinar) de n soluções da parte homogênea que sejam linearmente
escalares Cj para cada solução y. independentes.

nic

nic
290: Em resumo, Nuc(Ln ) tem dimensão n. Mostre então que, se conhe- Caso se especifique também um PVI, devemos determinar os valores das
cermos uma base qualquer para Nuc(Ln ), a solução geral de Ln (y) = 0 é n constantes substituindo os valores iniciais em yh + yp e suas derivadas,
escrita como combinação linear dessa base. (Esse cuidado é necessário por- não apenas em yh (a não ser que a equação original seja homogênea, quando
obviamente podemos tomar yp = 0).
Vi

Vi
que as funções básicas que realmente encontraremos não são as utilizadas
na demonstração acima.) Resolver essas equações, para obter yh e yp , é o que faremos nas próximas
291: Os coeficientes C1 , . . . , Cn têm o mesmo papel, aqui, que a constante seções.
de integração nas equações de primeira ordem.
3

3
Por exemplo, digamos que uma base de soluções seja {1, x, cos x} e que
2.5 Coeficientes constantes
01

01
se queira satisfazer os valores iniciais y(π) = 0, y 0 (π) = 2, y 00 (π) = −1.
Então escrevemos y(x) = C1 1 + C2 x + C3 cos x, donde y 0 (x) = C2 − C3 sen x Nesta seção, trataremos das equações lineares com coeficientes constan-
e y 00 (x) = −C3 cos x. Por substituição, temos o sistema
c2

c2
tes, para as quais podemos encontrar todas as soluções explicitamente.
Lembramos que devemos encontrar (i) uma base de soluções da parte
r

r
1C1 + πC2 − 1C3 = 0, C2 + 0C3 = 2, 1C3 = −1.
homogênea e (ii) uma solução particular da equação original, para então
Sua solução consiste de C1 = −1 − 2π, C2 = 2, C3 = −1 e obtemos a (iii) escrever a solução geral.
solução específica y(x) = (−1 − 2π) + 2x − cos x. 294: Recorde que as soluções da equação de primeira ordem y 0 + ky = 0
Finalmente, voltamo-nos a equações não-homogêneas: são da forma y(x) = Ce−kx .
na

na
292: Se yp é uma solução particular (ou específica, ou sem coeficientes a 295: A equação de segunda ordem ay 00 + by 0 + cy = 0, onde a, b, c são
determinar) da equação linear Ln (y) = R, então a solução geral tem a constantes reais e a 6= 0, tem soluções exponenciais?
mi

mi
forma Solução: Escrevendo y(x) = eλx , temos y 0 (x) = λeλx e y 00 (x) = λ2 eλx .
y = C1 y1 + . . . + Cn yn + yp , Substituindo na equação, obtemos aλ2 eλx + bλeλx + ceλx = 0, ou seja,
(aλ2 + bλ + c)eλx = 0. Como a exponencial nunca se anula, concluímos que
eli

onde C1 , . . . , Cn são constantes a determinar e {y1 , . . . , yn } é um base do


espaço de soluções de Ln (y) = 0.
De fato, se y também é solução de Ln (y) = R, então a diferença y − yp eli
y(x) = eλx é solução da equação se e somente se λ for uma raiz do chamado
polinômio característico P (t) = at2 + bt + c.
Pr

Pr
é solução da parte homogênea (ou seja, Ln (y − yp ) = 0) e pode ser escrita Note que os coeficientes de P (t) = at2 + bt1 + ct0 são os mesmos da
como a combinação linear C1 y1 + . . . + Cn yn . equação ay (2) + by (1) + cy (0) = 0.

69 70
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
As raízes desse polinômio podem ser encontradas pelo método de Bas- 301: Suponha R, S, u, v funções reais definidas em um mesmo intervalo. Se
khara, que nos permite saber se elas são reais, distintas, ou complexas. R+Si é contínua e se u+vi é uma solução complexa de ay 00 +by 0 +cy = R+
Digamos que sejam λ1 e λ2 : Si, então u e v são soluções reais de ay 00 + by 0 + cy = R e ay 00 + by 0 + cy = S,

L.

L.
respectivamente.
296: Se λ1 , λ2 são reais e distintas, obtemos duas soluções da equação: eλ1 x Indicação: A função complexa u + vi pode ser vista como uma função
e eλ2 x . Elas são linearmente independentes, porque uma não é múltipla lR → lR2 , ou seja, uma curva no plano à qual se aplica o Cálculo geométrico,

C.

C.
da outra. Portanto, {eλ1 x , eλ2 x } é uma base para as soluções da equação com derivação linear e feita componente a componente.
proposta. Note: Vale também o resultado mais geral, análogo, a respeito de uma
Atenção: Isso só vale quando podemos aplicar nosso estudo anterior. equação linear qualquer.
Aqui, precisamos ter λ1 , λ2 raízes reais para que y1 , y2 sejam funções reais.

ius

ius
Voltamos às raízes do polinômio característico:
297 Exemplo: 3y − 13y + 12y = 0.
00 0
302: Se λ1 , λ2 são raízes complexas, elas são conjugadas e podemos escrever
O polinômio característico é P (t) = 3t2 − 13t + 12, cujas raízes são 3 e λ1 = α + βi e λ2 = α − βi com α, β ∈ lR e β > 0.

nic

nic
4/3, distintas e simples. Então uma base do espaço de soluções é dada por
303: Sabemos, por substituição, que e(α+βi)x é uma solução complexa de
{e3x , e4x/3 } e a solução geral é y(x) = C1 e3x + C2 e4x/3 .
ay 00 + by 0 + cy = 0. Porém, essa exponencial é igual a
298 Exemplo: y 00 − 5y 0 = 0. eαx eiβx = eαx [cos(βx) + i sen(βx)] = [eαx cos(βx)] + [eαx sen(βx)]i.
Vi

Vi
As raízes do polinômio característico P (t) = t2 − 5t são 0 e 5. Então as
Então, pelo que vimos, eαx cos(βx) e eαx sen(βx) são soluções reais dessa
soluções básicas são e0x e e5x , ou seja, uma das soluções básicas é a função
equação. Usamos o wronskiano para determinar que elas são linearmente
constante 1; de fato, qualquer constante é solução dessa equação e a solução
independentes:
geral é y(x) = C1 + C2 e5x .
3

3

eαx cos(βx) eαx sen(βx)

01

01
299: Se λ1 , λ2 são raízes reais, mas idênticas, isto é, se λ = λ1 = λ2 é uma αx = e2αx β 6= 0.
αe cos(βx) − βeαx sen(βx) αeαx sen(βx) + βeαx cos(βx)
raiz dupla do polinômio característico, então, do mesmo modo, sabemos
que eλx é solução. Logo, {eαx cos(βx), eαx sen(βx)} é uma base para o espaço das soluções
c2

c2
Como λ é raiz dupla do polinômio, então não somente aλ2 + bλ + c = 0, reais da equação.
r

r
mas também 2aλ + b = 0, como mostra o método de Bhaskara quando o
304 Exemplo: y 00 + 2y = 0.
discriminante é nulo.
Aqui,
√ o polinômio característico é P (t) = t + 2, cujas raízes complexas
2
Use isso para verificar, por substituição direta, que também xeλx é
são ±i 2, cuja√ parte0xreal, incidentalmente,
√ é nula. As soluções básicas
solução (veja também 431).
são e0x cos(x
√ 2) e e sen(x
√ 2), de modo que a solução geral é y(x) =
Novamente, as duas soluções são linearmente independentes porque não
na

na
C1 cos(x 2) + C2 sen(x 2).
são múltiplas entre si. Então {eλx , xeλx } é uma base para as soluções da
equação dada. 305 Conclusão: Para resolver a equação ay 00 + by 0 + cy = 0, primeiro
encontramos as raízes do polinômio característico P (t) = at2 + bt + c. A
mi

mi
300 Exemplo: 2y 0 = 5y + y 00 /5. solução da equação é então dada em termos delas, assim:
Na forma em que estamos trabalhando e multiplicada por 5, essa equa-
ção fica y 00 − 10y 0 + 25y = 0. Seu polinômio característico é P (t) = raízes solução geral
eli

t2 − 10t + 25, cuja única raiz é dupla e vale 5. Então uma base é {e5x , xe5x }
e a solução geral é y(x) = C1 e5x + C2 xe5x .
eli reais distintas λ1 , λ2
real dupla λ
C1 eλ1 x + C2 eλ2 x
C1 eλx + C2 xeλx
Pr

Pr
Para lidar com as raízes complexas, precisamos considerar também fun- complexas α ± βi C1 eαx cos(βx) + C2 eαx sen(βx)
ções e equações com valores complexos; façamo-lo brevemente neste ponto:

71 72
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Não demonstraremos a conclusão análoga para ordens maiores que 2, cujas raízes são 0 (dupla) e 2 + 3i, 2 − 3i (simples). Então
mas convém entendê-la bem:
{1, x, e2x cos 3x, e2x sen 3x}

L.

L.
306: Analogamente, dada
é uma base do espaço de soluções e a solução geral é
(n)
an y + . . . + a0 y = 0 com a0 , . . . , an ∈ lR e an 6= 0,
y(x) = C1 + C2 x + C3 e2x cos 3x + C4 e2x sen 3x.

C.

C.
formamos o polinômio característico P (t) = an tn + . . . + a1 t + a0 . Liste as
309 Exemplo: y (5) + 8y 000 + 16y 0 = 0.
raízes reais de P como λ1 , . . . , λp , com multiplicidades k1 , . . . , kp , respecti-
O polinômio característico é
vamente, e as raízes complexas em pares conjugados µ1 , µ∗1 , . . . , µq , µ∗q , com

ius

ius
multiplicidades l1 , . . . , lq , respectivamente. Então P (t) = t5 + 8t3 + 16t = t(t4 + 8t2 + 16) = t(t2 + 4)2 .

P (t) = an (t − λ1 )k1 . . . (t − λp )kp (t − µ1 )l1 (t − µ∗1 )l1 . . . (t − µq )lq (t − µ∗q )lq . Suas raízes são 0 (simples) e 2i, −2i (duplas), de modo que

nic

nic
Escreva µj = αj + βj i com αj , βj ∈ lR e βj > 0. Uma base para o espaço {1, cos 2x, x cos 2x, sen 2x, x sen 2x}
de soluções da equação dada constitui-se das funções
é uma base do espaço de soluções. A solução geral é

Vi

Vi
λ1 x λ1 x k1 −1 λ1 x
e , xe ,..., x e ,
y(x) = C1 + C2 cos 2x + C3 sen 2x + C4 x cos 2x + C5 x sen 2x.
..
. Determine a solução geral destas equações:
λp x λp x kp −1 λp x
e , xe ,..., x e ,
3

3
310: y 00 − 5y 0 + 6y = 0. 320: y 000 + y 00 − 6y 0 = 0.
α1 x α1 x l1 −1 α1 x
e cos(β1 x), xe cos(β1 x), . . . , x e cos(β1 x),
01

01
α1 x α1 x l1 −1 α1 x 311: y 00 − 4y 0 + 4y = 0. 321: y 000 + 2y 00 − y 0 − 2y = 0.
e sen(β1 x), xe sen(β1 x), . . . , x e sen(β1 x),
.. 312: y 00 − 9y = 0. 322: y 000 + y = 0.
c2

c2
.
313: y 00 + 9y = 0. 323: y 000 − 3y 00 + 3y 0 − y = 0.
r

r
eαq x cos(βq x), xeαq x cos(βq x), . . . , xlq −1 eαq x cos(βq x),
eαq x sen(βq x), xeαq x sen(βq x), . . . , xlq −1 eαq x sen(βq x). 314: y 00 − 4y 0 + 5y = 0. 324: y (4) − 6y 00 + 9y = 0.
315: y 00 − 3y 0 + 2y = 0. 325: y (4) + 6y 00 + 9y = 0.
Indicação: É preciso verificar que (i) todas essas funções são soluções
da equação dada, que (ii) elas são linearmente independentes entre si e que 316: y 00 + 2y 0 + y = 0. 326: y (4) = 0.
na

na
(iii) há precisamente n delas.
317: y 00 − 2y 0 + 5y = 0. 327: y (4) − 2y 00 = 0.
307: Ou seja: Tome cada “solução primária” e ou e cos(βx) ou e sen(βx), λx αx αx
mi

mi
como fizemos para segunda ordem, e multiplique por 1, x, . . . , xk−1 , onde 318: 2y 00 − 4y 0 + 8y = 0. 328: y (5) + 2y 000 + y 0 = 0.
k é a multiplicidade da raiz correspondente no polinômio característico, Pn 
319: y 000 − y 0 = 0. 329: j=0 nj y (j) = 0.
gerando k soluções básicas.
eli

308 Exemplo: y (4) − 4y 000 + 13y 00 = 0.


O polinômio característico é
eli Resolva os problemas de valor inicial:
330: 3y 00 − 13y 0 + 12y = 0, y(0) = 1, y 0 (0) = 2.
Pr

Pr
Solução: Conforme 297, a solução geral é y(x) = C1 e3x + C2 e4x/3 ,
P (t) = t4 − 4t3 + 13t2 = t2 (t2 − 4t + 13), de modo que y 0 (x) = 3C1 e3x + 34 C2 e4x/3 . Substituindo, encontramos as

73 74
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
equações 1C1 + 1C2 = 1 e 3C1 + 43 C2 = 2, que são resolvidas simultane- onde substituímos as constantes C1 , C2 por funções, assim como na Se-
amente por C1 = 2/5 e C2 = 3/5. Assim, a solução específica do PVI é ção 1.3. Em termos técnicos, procuramos uma solução não apenas no su-
y(x) = 52 e3x + 35 e4x/3 . bespaço vetorial gerado por y1 , y2 , mas em todo o ideal que elas geram no

L.

L.
anel C 2 (I).
331: y 00 − 6y 0 + 8y = 0, y(0) = 1, y 0 (0) = −2. Lagrange observou que impor a condição adicional C10 y1 + C20 y2 = 0
simplifica enormemente os cálculos:

C.

C.
332: y 00 − 4y 0 + 4y = 0, y(0) = 5, y 0 (0) = 0.
yp0 = C10 y1 + C1 y10 + C20 y2 + C2 y20 = C1 y10 + C2 y20
333: y 00 + 4y = 0, y(0) = 3, y 0 (0) = 0.
e então
334: y 00 − 4y = 0, y(0) = 0, y 0 (0) = 0.

ius

ius
yp00 = C10 y10 + C20 y20 + C1 y100 + C2 y200 .
335: y 00 − 4y 0 + 5y = 0, y(π/2) = 0, y 0 (π/2) = eπ . Como desejamos ayp00 + byp0 + cyp = R, substituímos:
336: y 000 − 3y 00 + 3y 0 − y = 0, y(1) = 2, y 0 (1) = −1, y 00 (1) = 0. a(C10 y10 + C20 y20 + C1 y100 + C2 y200 ) + b(C1 y10 + C2 y20 ) + c(C1 y1 + C2 y2 ) = R.

nic

nic
Agora, continuando a considerar equações lineares com coeficientes cons- Já que Ci (ayi00 + byi0 + cyi ) = 0 para ambos i = 1, 2, simplificamos para
tantes, aprenderemos a determinar uma solução particular da equação não- obter a(C10 y10 + C20 y20 ) = R.
-homogênea. Lembramos a forma em consideração: Assim,
Vi

Vi
" #" # " #
y1 y2 C10 0
ay 00 + by 0 + cy = R(x), ou em geral an y (n) + . . . + a0 y (0) = R(x) = .
y10 y20 C20 R/a
onde os coeficientes são constantes.
3

3
Esse sistema linear funcional tem determinante W = W (y1 , y2 ), que nunca
se anula. Sua solução, portanto, é dada por
01

01
337: Pelo princípio da superposição (245), se R é uma soma algébrica de

várias funções Rj , então podemos quebrar a questão em vários “subpro- 1 0 y2 y2 R 1 y1 0 y1 R
0 0
blemas”, procurando uma solução de cada equação ay 00 + by + cy = Rj C1 = =− e C2 = = .
c2

c2
W R/a y20 aW W y10 R/a aW
e tomando a soma algébrica dessas soluções como solução particular de
r

r
ay 00 + by + cy = R. (Ou seja, calculando as funções em cada x, temos um sistema determinado
338: Note que se R é constante e se c 6= 0 (ou a0 6= 0) então a função cujas soluções, pelo método de Cramer, também dependem de x.) Desse
constante y = R/c (ou y = R/a0 , respectivamente) resolve a equação. modo, obtemos C1 , C2 integrando-se tais expressões: quaisquer primitivas
bastarão, de modo que convirá tomar as mais simples (e sem constantes de
Estudaremos dois métodos diferentes para encontrar a solução particu- integração).
na

na
lar: A variação das constantes, de Lagrange, sempre conduz a uma solução
340 Exemplo: y 00 − 3y 0 + 2y = sen x.
mas requer integrações que, freqüentemente, podem ser complicadas. Já
Já sabemos determinar bases para as soluções da parte homogênea: a
utilizar os coeficientes indeterminados requer, às vezes, estimativas iniciais
mi

mi
mais simples é {ex , e2x }, cujo wronskiano é
ou “chute” para ser menos trabalhoso.

ex e2x
339 Lagrange: Dada ay 00 + by 0 + cy = R, seja {y1 , y2 } uma base do espaço
W = x = e3x .
eli

eli e 2x
de soluções de sua parte homogênea; então escrevemos yh = C1 y1 +C2 y2 . O 2e
método da variação das constantes, ou dos parâmetros, propõe determinar
uma solução da equação original com a forma De acordo com Lagrange, temos
Pr

Pr
e2x sen x e−x
yp (x) = C1 (x)y1 (x) + C2 (x)y2 (x) C10 = − = −e −x
sen x ⇒ C1 = (sen x + cos x),
1e3x 2

75 76
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
onde integramos por partes (duas vezes), por exemplo. Analogamente, Obtemos o sistema
    
ex sen x −e−2x 1 cos x sen x C0 0
C20 = −2x
  1  

L.

L.
= e sen x ⇒ C 2 = (2 sen x + cos x), 
1e3x 5 0 − sen x cos x  C 0  =  0  .
   2  
de modo que uma solução particular para a equação dada é 0 − cos x − sen x C30 x2

C.

C.
e−x −e−2x Como W = 1, vem
(sen x + cos x) · ex + (2 sen x + cos x) · e2x = 1
10 sen x + 3
10 cos x
2 5

e a solução geral é 0 cos x sen x

ius

ius
x3
C10 (x) = 0 − sen x cos x = x2 ⇒ C1 (x) = ,
2 3
y(x) = D1 ex + D2 e2x + 1
10 sen x + 3
cos x x − cos x − sen x

nic

nic
onde os parâmetros D1 , D2 são constantes arbitrárias.
1 0 sen x

341: Generalize o método de Lagrange para equações de ordem arbitrária. C20 (x) = 0 0 cos x = −x2 cos x ⇒

0 x2 − sen x
Vi

Vi
342 Exemplo: y 000 + y 0 = x2 .
A equação homogênea associada tem base {1, cos x, sen x} com wronski- ⇒ C2 (x) = −x2 sen x − 2x cos x + 2 sen x,

ano
1 cos x 0
1 cos x sen x
3

3
C3 (x) = 0
0
− sen x 0 = −x2 sen x ⇒
W = 0 − sen x cos x = 1.
01

01
0 − cos x x2
0 − cos x − sen x
⇒ C3 (x) = x2 cos x − 2x sen x − 2 cos x.
Procuramos uma solução particular
c2

c2
Então
r

r
yp (x) = C1 (x) + C2 (x) cos x + C3 (x) sen x.
x3
Lagrange impõe yp (x) = · 1 + (−x2 sen x − 2x cos x + 2 sen x) · cos x +
3
+ (x2 cos x − 2x sen x − 2 cos x) · sen x =
C10 (x)1 + C20 (x) cos x + C30 (x) sen x = 0,
x3
na

na
= − 2x
donde yp0 (x) = −C2 (x) sen x + C3 (x) cos x, e impõe também 3

C10 (x)0 + C20 (x)(− sen x) + C30 (x) cos x = 0, e a solução geral é
mi

mi
x3
donde yp00 (x) = −C2 (x) cos x − C3 (x) sen x e y(x) = D1 + D2 cos x + D3 sen x + − 2x
3
eli

yp000 (x) = −C20 (x) cos x + C2 (x) sen x − C30 (x) sen x − C30 (x) cos x.

Para que yp000 + yp = x2 , portanto, devemos ter eli


com D1 , D2 , D3 constantes arbitrárias.

Determine a solução geral de cada equação:


Pr

Pr
−C20 (x) cos x − C30 (x) sen x = x2 .

77 78
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
343: y 00 − 3y 0 + 2y = e−5x . 349: y 00 − 4y 0 + 4y = x2 . Este método, ao contrário do de Lagrange, não requer integração, mas
aplica-se apenas a algumas formas da função r. Pode-se, caso se intua uma
344: y 00 + y 0 − 6y = sen x. 350: y 00 − y = xex . forma mais restrita para yp , eliminar diversos coeficientes imediatamente e

L.

L.
345: y 00 + y 0 − 6y = 5e2x . 351: y 00 + y 0 − 2y = 8 sen 2x. aliviar o trabalho, embora isso torne o método mais artesanal.

346: y 00 − 5y 0 + 6y = 12. 352: y 00 + 9y = cos 2x. 360 Exemplo: y 00 + y = 4x sen x.

C.

C.
O polinômio característico é t2 + 1. Temos
347: y 00 + 2y 0 + y = 8ex . 353: y 00 + y = 4x sen x.
R(x) = 4x sen x = (4x1 + 0)e0x sen(1x)
348: y − 2y + y + 6 sen x = 0.
00 0
354: y − 8y = e .
000 2x

ius

ius
e 0 + 1i tem multiplicidade 1 como raiz do polinômio. Então procuramos
355: y 00 − 3y 0 + 2y = 70(e−5x + sen x).
yp (x) = x1 (b1 x + b0 )e0x cos(1x) + x1 (d1 x + d0 )e0x sen(1x) =
356: y 00 + y 0 − 6y = 100(e2x + sen x + 3).

nic

nic
= (b1 x2 + b0 x) cos x + (d1 x2 + d0 x) sen x.
Resolva os problemas de valor inicial:
Com essa expressão, calculamos
357: y 00 − 4y = x2 e2x , y(0) = 1, y 0 (0) = −1.
Vi

Vi
yp00 + yp = (2b1 + 6d1 x + 2d0 ) cos x + (−4b1 x − 2b0 + 2d1 ) sen x
358: y 00 − 3y 0 = x + cos x, y(π/2) = 0, y 0 (π/2) = π.
359 Coeficientes indeterminados: Este método afirma que, caso R te- (verifique!), que desejamos que valha 4x sen x. Para tanto, comparamos os
nha uma das formas coeficientes de cada termo:
3

3

2b1 + 2d0 = 0
01

01
R(x) = (ck xk + . . . + c1 x + c0 )eαx cos(βx) ou ( 



2b1 + 6d1 x + 2d0 = 0 6d1 = 0
R(x) = (ck xk + . . . + c1 x + c0 )eαx sen(βx), ⇒
−4b1 x − 2b0 + 2d1 = 4x 
 −4b1 = 4
c2

c2


que são bastante frequentes em aplicações, então uma solução particular da −2b0 + 2d1 = 0
r

r
equação linear tem a forma semelhante
Assim, obtemos b1 = −1, b0 = 0, d1 = 0, d0 = 1 e
yp (x) = xl (bk xk + . . . + b1 x + b0 )eαx cos(βx) +
yp (x) = −x2 cos x + x sen x
+ xl (dk xk + . . . + d1 x + d0 )eαx sen(βx).
e a solução geral é
na

na
Encontram-se l, b0 , . . . , bk , d0 , . . . , dk assim:
(i) se k = 0, mantenha b0 , d0 , que se tornam constantes multiplicativas; y(x) = D1 cos x + D2 sen x − x2 cos x + x sen x.
mi

mi
(ii) l será a multiplicidade (possivelmente 0) de α + βi como raiz do po- 361 Exemplo: y 00 − y = x2 ex .
linômio característico; O polinômio característico é t2 − 1. Temos
eli

(iii) b0 , . . . , bk , d0 , . . . , dk serão os mais simples que satisfaçam o sistema


induzido por substituição de yp . eli R(x) = x2 ex = (1x2 + 0x + 0)e1x cos(0x)

e 1 + 0i tem multiplicidade 1 como raiz do polinômio. Então procuramos


Pr

Pr
Referência: Uma discussão aprofundada, com argumentação formal e
abstrata, é feita em [BoDi], Seção 3.5. yp (x) = x1 (b2 x2 + b1 x + b0 )e1x cos(0x) = (b2 x3 + b1 x2 + b0 x)ex ,

79 80
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
onde não escrevemos um termo com sen(0x) porque este fator o anularia. 365: Derivando quanto a t, obtemos
Substituindo-se, calculamos
ẋ = ṙ cos θ − rθ̇ sen θ,

L.

L.
yp00 (x) x 2
− yp (x) = e [6b2 x + (6b2 + 4b1 )x + (2b1 + 2b0 )], ẏ = ṙ sen θ + rθ̇ cos θ
que devemos igualar a x2 ex . Isso é feito comparando-se o coeficiente de e então

C.

C.
cada termo:
6b2 = 1, 6b2 + 4b1 = 0, 2b1 + 2b0 = 0. ẍ = r̈ cos θ − 2ṙθ̇ sen θ − rθ̈ sen θ − r(θ̇)2 cos θ,

Esse sistema é resolvido por b0 = 1/4, b1 = −1/4 e b2 = 1/6, de modo que ÿ = r̈ sen θ + 2ṙθ̇ cos θ + rθ̈ cos θ − r(θ̇)2 sen θ,

ius

ius
ou seja,
yp (x) = ( 16 x3 − 14 x2 + 14 x)ex
ẍ cos θ + ÿ sen θ = r̈ − r(θ̇)2 ,
e a solução geral é

nic

nic
ẍ sen θ − ÿ cos θ = −2ṙθ̇ − rθ̈.
y(x) = D1 ex + D2 e−x + ex (2x3 − 3x2 + 3x)/12.
366 2a lei de Newton: Temos sempre

Vi

Vi
362: Resolva os exercícios anteriores utilizando, agora, o método dos coefi- d 2

cientes indeterminados. F = m dt 2 (x, y) = (mẍ, mÿ).


| {z }
aceleração
3

3
2.6 Gravitação universal 367: Quando o campo é centrífugo, isto é, a força atua no mesmo sentido
do raio vetor, vale F = |F |(cos θ, sen θ); quando o campo é centrípeto, vale
01

01
Aqui, nosso objetivo é descrever a órbita de um planeta, cometa ou ou- F = −|F |(cos θ, sen θ).
tro corpo qualquer em torno de um sol ou grande massa central situada na Então ẍ = ± |F | |F |
m cos θ e ÿ = ± m sen θ em que o sinal é positivo quando
c2

c2
origem de um sistema de coordenadas, órbita essa regida exclusivamente o campo é centrífugo e negativo no caso centrípeto: substituindo, obtemos
pela força gravitacional newtoniana. Também deduziremos a equação dife-
r

r
rencial de todas as órbitas de um corpo em um campo de forças central ou r̈ − r(θ̇)2 = ±|F |/m,
radial, de modo geral. 2ṙθ̇ + rθ̈ = 0.
Usaremos as letras m, M para designar tanto as massas desses corpos,
como eles próprios, e consideraremos M grande o suficiente para que a força Desse sistema, derivamos a conservação do momento angular e a equação
exercida por m seja desprezível e não o mova da origem. de Binet, que serão as únicas a serem utilizadas no restante do raciocínio.
na

na
363: Em um espaço tridimensional, o movimento de uma partícula sujeita 368 Conservação angular: O momento angular de m é
a uma força central é plano, isto é, a trajetória e o centro da força estão
mi

mi
contidos em um único plano. Veja [FiNe], p. 156. L = mrV = mr2 θ̇

364: Desse modo, podemos limitar-nos a um plano de trabalho descrito em (onde V é sua velocidade linear). Vemos que
eli

coordenadas cartesianas (x, y) ou nas polares associadas via x = r cos θ,


y = r sen θ; suporemos sempre que r > 0 porque M ocupa a origem.
eli L̇ = d 2
dt (mr θ̇)

de modo que L é constante.


= 2mrṙθ̇ + mr2 θ̈ = mr(2ṙθ̇ + rθ̈) = 0,
Pr

Pr
O que procuramos são funções vetoriais (x(t), y(t)) ou (r(t), θ(t)) que
descrevem a posição de m em um instante t. 369: Há, portanto, duas possibilidades:

81 82
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
Se L = 0, então θ̇ = 0 e m move-se em linha reta radial, afastando-se 372: No caso particular da força gravitacional F exercida por M sobre m
ou caindo em M . em (x, y), seu valor absoluto é |F | = GM m/r2 e o campo é centrípeto.
Se L 6= 0, então ou θ̇ > 0 ou θ̇ < 0 (já que mr2 > 0), fazendo com que Assim,

L.

L.
θ seja sempre estritamente crescente ou decrescente. Assim, um corpo em GM m
F = −|F |(cos θ, sen θ) = − 2 (x, y).
órbita não inverte o sentido de sua translação. (x + y 2 )3/2

C.

C.
370 2a lei de Kepler: A área varrida pelo raio vetor de m entre os instantes 373 1a lei de Kepler: Com z = 1/r e |F | = GM m/r2 , obtemos da
t0 e t é equação de Binet esta equação linear de 2a ordem:
Z θ(t)
[r(θ)]2
A(t) = dθ, d2 z GM m2

ius

ius
θ(t0 ) 2 + z = .
dθ2 L2
onde integramos em coordenadas polares. (Cuidamos que a área é coberta
uma única vez porque θ̇ tem sempre o mesmo sinal.) Então A parte homogênea tem solução geral zh = C1 cos θ + C2 sen θ, que pode
ser reescrita como zh = −k cos(θ − θ0 ) com k > 0; a escolha desse sinal será

nic

nic
[r(t)]2 justificada a seguir. Por outro lado, uma solução particular da equação
Ȧ(t) = θ̇(t) = L/2m original é a constante zp = GM m2 /L2 . Logo,
2

Vi

Vi
e concluímos pela constância da velocidade areolar. Isso implica que m 1
= −k cos(θ − θ0 ) + GM m2 /L2 ,
tem velocidade menor no ponto da órbita mais afastado de M e velocidade r(θ)
maior no ponto mais próximo.
ou seja,
3

3
371 Binet: Note que E/k
r(θ) =
1 − E cos(θ − θ0 )
01

01
−1
d
dθ (r ) = −r−2 dθ
dr
= −r−2 dr dθ
dt / dt = −r
−2
ṙ/θ̇ = −mṙ/L;
se definirmos E = kL2 /GM m2 > 0.
logo, Escreva uma solução análoga para um campo centrífugo.
c2

c2
d2 −1 d
dθ 2 (r ) = dθ (−mṙ/L) = −(m/L)( ddtṙ / dθ
dt ) = −mr̈/Lθ̇. 374 Cônicas: Mostre que isso é a equação de uma cônica de excentricidade
r

r
Substituindo do sistema, vem E > 0 com um foco em M e sendo θ0 o ângulo entre seu eixo principal e
o das abscissas. (A cônica é uma parábola se E = 1, elipse se E < 1, ou
d2
dθ 2 (r
−1
) = −m[r(θ̇)2 ± |F |/m]/Lθ̇ = −1/r ∓ |F |/Lθ̇. hipérbole se E > 1.) Conclua que planetas não caem em espiral.
Indicação: Consideremos o caso da elipse, quando E < 1. Uma apli-
Então, para r em função de θ, temos
na

na
cação bruta das transformações de coordenadas, ou uma espiada apressada
em um formulário, pode induzir-nos a trabalhar com a origem no centro
d2  1  1 m|F |r2 da elipse (a tradicional fórmula x2 /a2 + y 2 /b2 = 1), mas em nosso caso
+ =∓ ,
mi

mi
2
dθ r r L2 a origem está no foco onde se encontra M . Outra dificuldade é que uma
em que o sinal é negativo no caso de campos centrífugos. mudança de coordenadas envolve um cálculo que, começado do jeito errado,
pode ser muito trabalhoso.
eli

Até aqui, trabalhamos com qualquer campo central: a equação de Binet


e a 2a lei de Kepler são gerais.
Agora, veremos como a lei da gravitação universal de Newton mantém eli Suponhamos, porém, que a elipse tenha √
menor b. Então√ sua excentricidade é E =
semi-eixo maior a e semi-eixo
a2 − b2 /a, a distância entre
seus focos é 2 a2 − b2 , e a soma das distâncias de um ponto na curva aos
Pr

Pr
os corpos em órbitas, que são secções cônicas, descritas pelas três leis de focos é 2a. Uma delas é r, de modo que a outra (no lado oposto ao foco em
Kepler. M ) é 2a − r. O ângulo entre o raio vetor de medida r e o eixo principal,

83 84
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
dependendo das posições relativas, é θ − θ0 ou θ0 − θ ou 2π − θ + θ0 , todos 378 Dedução da gravitação universal: Postula-se que a força gravita-
com mesmo cosseno. Do triângulo formado pelos dois focos e o ponto da cional é atratora, ao longo da reta entre os dois corpos, ou seja, o campo
curva, obtemos gravitacional é (central) centrípeto. Calculamos Ȧ = L/2m e, assim, a

L.

L.
 p 2  p  2a lei de Kepler afirma que L é constante.
(2a − r)2 = 2 a2 − b2 + (r)2 − 2 2 a2 − b2 (r) cos(θ − θ0 ). A 1a lei informa que elipses

C.

C.
E/k
Simplifique e resolva em r para determinar r(θ) = onde E < 1
1 − E cos(θ − θ0 )
b2 /a E/k
r= = , satisfazem a equação de Binet para campos centrípetos. Porém,

ius

ius
1 − E cos(θ − θ0 ) 1 − E cos(θ − θ0 )
d2  1  1
em que definimos k = E/[a(1 − E 2 )]. + = (k/E)(E cos(θ − θ0 )) + (k/E)(1 − E cos(θ − θ0 )) = k/E,
dθ2 r r

nic

nic
375: Quais são as possíveis trajetórias de um elétron defletido por uma donde k/E = m|F |r2 /L2 .
carga negativa? Enquanto mostrávamos a 3a lei de Kepler, calculamos
376 Periodicidade: Quando E < 1 e a órbita é elíptica, mostre que r é T2 4π 2 m2 4π 2 m2
Vi

Vi
2
periódico em função de t. (Abaixo, chamaremos T a esse período.) = a(1 − E ) = (E/k)
a3 L2 L2
Solução: Quando a órbita é uma elipse (E < 1), a função r(θ) está
definida para todos os ângulos (seu denominador nunca se anula) e é ex- exclusivamente a partir da velocidade areolar. Agora, assumindo essa lei,
plicitamente periódica quanto a θ, com período 2π. Porque a velocidade escrevamos T 2 /a3 = CM constante: obtemos
3

3
areolar é constante, o tempo necessário para o raio vetor varrer toda a elipse
4π 2 m2 L2 4π 2 m
01

01
é sempre o mesmo independentemente do ângulo inicial. Isso corresponde CM = · = .
a uma translação completa, ao longo da qual θ aumenta ou diminui 2π e, L2 m|F |r2 |F |r2
assim, r é periódico também quanto a t. Pelo princípio da ação e reação de Newton, m também atrai M gravita-
c2

c2
a
377 3 lei de Kepler: Mostremos que a razão T /a é a mesma para
2 3 cionalmente com uma força de mesmo módulo |F |. Por simetria, então,
r

r
qualquer corpo em torno de M , sendo T o período de translação e a o 4π 2 m 4π 2 M
raio médio de uma órbita elíptica (ou seja, seu semi-eixo maior). (Sejam · 2 = |F | = ·
CM r Cm r2
também, como acima, b seu semi-eixo menor e E sua excentricidade.)
Vimos que a velocidade areolar é constante L/2m, de modo que πab/T = em que Cm é outra constante. Note que cada constante depende apenas
L/2m. Então T = 2πabm/L e
na

na
do corpo correspondente. Portanto, tomando m = 1, deduzimos que CM =
C1 /M ; definindo G = 4π 2 /C1 e retomando m arbitrário, obtemos
T2 4π 2 m2 b2 4π 2 m2
= = a(1 − E 2 ) =
4π 2
mi

mi
a3 L2 a L2 m GM m
|F | = · 2 = .
4π 2 m2 4π 2 m2 L2 4π 2 C1 /M r r2
= 2
(E/k) = 2
· 2
=
L L GM m GM
Encerramos nossos cálculos com duas extensões da teoria desenvolvida:
eli

é constante e independe de m e a.
Reciprocamente, a lei da gravitação de Newton é uma conseqüência da eli
379 Movimento de M : Supusemos sempre que M não se movia e per-
manecia como centro de nosso sistema de coordenadas. Contudo, pode-se
Pr

Pr
astronomia de Kepler; tal fato tem grande valor científico e histórico, porque requerer o estudo de órbitas quando m é comparável com M : por exemplo,
se deduz uma lei geral e teórica a partir de leis experimentais específicas: nos casos Terra–Lua, Sol–Júpiter, estrelas binárias, etc. O que se pode

85 86
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
supor, nesses casos, é que o centro de massa de M e m tem movimento linearização (que consiste em substituir o termo real pelo linear) simplifica
inercial, isto é, retilíneo e uniforme. enormemente sistemas complexos, a um certo preço.
Alterações: Qualquer referencial inercial, agora, é igualmente ade-

L.

L.
quado. Deve-se descrever o movimento de m, M por vetores Vm , VM , respec- 383: O oscilador é forçado se houver parte não-homogênea em sua equação,
tivamente; as velocidades e acelerações pertinentes são V̇m , V̇M e V̈m , V̈M . geralmente uma expressão senoidal, chamada força excitadora:
Desse modo, pode-se escrever a segunda lei de Newton para m e M , com as

C.

C.
aẍ + bẋ + cx = R(x).
forças −GM m(VM − Vm )/|VM − Vm |3 e −GM m(Vm − VM )/|Vm − VM |3 , res-
pectivamente. Subtraia essas equações e conclua que as duas primeiras leis Vamos estudar todas essas classes, uma por vez:
de Kepler não sofrem modificação, enquanto que a terceira transforma-se

ius

ius
em T 2 /a3 = 4π 2 /G(M + m). 384: A equação aẍ + cx = 0 com a, c >p0 tem polinômio característico
P (u) = au2 + c com raízes complexas ±i c/a, de modo que sua solução
380 Relatividade: Considerando-se efeitos relativísticos, a equação de
geral é
Binet transforma-se na equação de Schwarzschild que não é linear: sua re-
p  p 

nic

nic
solução complica-se, mas pode-se fazer uma boa aproximação para explicar x(t) = C1 cos t c/a + C2 sen t c/a =
a discrepância da órbita de Mercúrio. Veja [FiNe], p. 174–176, e [O’Ne],
= A cos(ωt + θ),
p. 372–380. Nessa teoria, também, corpos que transladam dispendem ener-
gia mecânica na forma de ondas gravitacionais e, portanto, planetas caem p
Vi

Vi
onde ω = c/a e A, θ são constantes a determinar, com A > 0. Chamam-se
em espiral, embora seu tempo de queda seja muito superior à duração do
A de amplitude, θ de fase e ω de frequência angular do oscilador.
Universo.
385: Mostre que x é periódica com período T = 2π/ω, ou seja, ω = 2πf
3

3
onde f = T −1 é a frequência do oscilador harmônico.
2.7 Osciladores harmônicos
01

01
386: Por simples derivação, obtêm-se estas expressões para a “velocidade”
Osciladores harmônicos correspondem a classes especiais de equações e a “aceleração” do oscilador:
lineares de 2a ordem com coeficientes constantes, que descrevem diversos
c2

c2
fenômenos físicos de interesse. ẋ(t) = −ω A sen(ωt + θ) = Aω cos(ωt + θ + π2 ),
r

r
Primeiramente, apresentaremos a teoria geral dos osciladores harmôni-
ẍ(t) = −ω 2 A cos(ωt + θ) = Aω 2 cos(ωt + θ + π).
cos, para depois contextualizar alguns exemplos. Convencionaremos que
x(t) é a função modelada pela equação em termos do tempo. Desse modo, ẋ tem fase atrasada π/2 em relação a x e amplitude Aω,
381: O oscilador harmônico simples é a família de fenômenos descritos pela enquanto ẍ tem fase atrasada π em relação a x e amplitude Aω 2 .
equação
na

na
Vemos também que ẍ = −ω 2 x, sendo esse um modo comum de apresen-
aẍ + cx = 0,
tar-se o oscilador.
sendo as constantes a, c estritamente positivas.
mi

mi
387: Os valores iniciais tradicionais são x(0) = x0 e ẋ(0) = v0 . Então
382: Também se estuda o oscilador amortecido com equação
x0 = A cos(ω0 + θ) = A cos θ,
eli

eli
aẍ + bẋ + cx = 0, v0 = Aω cos(ω0 + θ + π2 ) = −Aω sen θ,
onde ainda b é uma constante positiva.
o que permite determinar A e θ, ou mostrar diretamente que
Pr

Pr
Em estudos aplicados, o termo bẋ pode ter outra forma, mais com- v0
plexa, dependendo da modelagem feita. Veremos em 414, porém, que a x(t) = x0 cos(ωt) +
ω
sen(ωt)

87 88
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
(caso ω = 0 então x = x0 ). 393: Novamente se define a energia
388: A energia do oscilador harmônico é definida assim: E = 12 a(ẋ)2 + 12 cx2 .

L.

L.
E = 12 a(ẋ)2 + 12 cx2 . Agora temos
Os termos EC = a(ẋ) /2 e EP = cx /2 são chamados energias cinética e
2 2
Ė = ẋ(aẍ + cx) = ẋ(−bẋ) = −b(ẋ)2 6 0,

C.

C.
potencial, respectivamente.
No caso de alguns fenômenos mecânicos, como 402, essa definição mo- de modo que E é decrescente.
tiva-se somando-se a energia cinética usual e uma energia potencial igual,
em valor absoluto, ao trabalho efetuado sobre a massa a da origem 0 até o 394: Também para o oscilador amortecido, define-se a quantidade

ius

ius
valor atual de x: p
Z x Z x Z x ωnat = c/a,
T= “força” ds = (as̈) ds = (−cs) ds = − 21 cx2

nic

nic
0 0 0
chamada frequência angular natural do oscilador e obtida desprezando-se o
amortecimento.
já que as̈ + cs = 0. Em geral, seja qual for o fenômeno estudado, podemos
definir E e suas componentes cinética e potencial como acima. 395: A oscilação é forçada quando uma força excitadora senoidal com pe-
Vi

Vi
ríodo próprio é aplicada ao oscilador:
389: Temos
aẍ + cx = F0 cos(ω0 t),
Ė = 21 a · 2ẋẍ + 12 c · 2xẋ = ẋ(aẍ + cx) = 0,
3

3
com F0 , ω0 constantes positivas. (Isso assume que a força excitadora tem
de modo que E é constante. Calculando-a em t = −θ/ω, por exemplo,
valor máximo justamente em t = 0; em uma situação prática, basta trans-
01

01
obtemos
cA2 ladar horizontalmente a solução que obteremos.)
E = 12 a(ẋ)2 + 12 cx2 = 12 a(0)2 + 12 c(A)2 = ,
2 396: Caso se deseje estudar uma força excitadora constante, basta pôr
c2

c2
ou seja, a energia é proporcional ao quadrado da amplitude. ω0 = 0, de modo que a solução particular é x = F0 /c constante.
r

r
390: Resolver a equação aẍ + bẋ + cx = 0, com b > 0, requer conhecer o Doravante, assumiremos ω0 > 0:
sinal de b2 − 4ac para que se determinem as raízes de P (u) = au2 + bu + c.
Frequentemente, suporemos que b é muito pequeno, correspondente a 397: Suponha que ω0 6= ω, isto é, as frequências da força excitadora e do
um amortecimento ligeiro. Desse modo, b2 − 4ac < 0 e as raízes de P (u) oscilador são distintas. Verifique por substituição que
são complexas com parte real −b/2a. A solução geral então é
na

na
F0
√ r xp (t) = cos(ω0 t)
−bt/2a 4ac − b2 c b2 a(ω02 − ω 2 )
x(t) = Ae cos(ωt + θ), onde ω = = − 2,
2a a 4a
mi

mi
é uma solução particular dessa equação, conhecida como solução de estado
ou seja, agora ω depende também de b, mas ainda é constante. permanente.
391: Faça o gráfico de x(t) para t > 0, encapsulando-o entre os gráficos de 398 Ressonância: Quando ω0 = ω, isto é, a frequência da força excitadora
eli

Ae−bt/2a e −Ae−bt/2a . Note, agora, que A é a amplitude máxima válida


apenas para t = 0 (realizada se θ = 0). eli
é igual à frequência do oscilador, diz-se que ocorre ressonância.
Obtenha para esse caso, pelo método dos coeficientes indeterminados, a
solução particular
Pr

Pr
392: Se b2 −4ac > 0, mostre que x converge ao equilíbrio (valor 0) conforme F0 ω
t → ∞ e que x troca de sinal no máximo uma vez para t > 0. xp (t) =
2c
t sen(ωt),

89 90
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
cujo comportamento leva a amplitudes cada vez maiores. Mostre que a Nesse caso, a amplitude A0 = F0 /bω0 é a máxima possível. A fase do
energia desse oscilador é, a partir de certo valor para t, sempre crescente e oscilador está atrasada π/2 em relação a da força excitadora F0 cos(ω0 t);
ilimitada. porém,

L.

L.
(Um mecanismo ou estrutura que esteja submetido a um tal oscilador F0 F0
ẋp (t) = − sen(ω0 t − π2 ) = cos(ω0 t),
não aguentará estresses crescentes e colapsará.) b b
de modo que a velocidade do oscilador está em fase com a força excitadora,

C.

C.
399: Devemos ainda estudar o oscilador amortecido forçado: ou seja, o movimento nunca se opõe à força, possibilitando a absorção
máxima de energia.
aẍ + bẋ + cx = F0 cos(ω0 t)
Mais uma vez, os estresses serão crescentes, mas de modo diferente:

ius

ius
um valor muito pequeno de b faz a solução evoluir rapidamente para uma
com as mesmas convenções anteriores. Defina os seguintes valores:
amplitude muito alta.
(
√ F0
se ω0 6= ωnat ; Já resolvemos a equação de Binet (371) por uma mudança de variáveis

nic

nic
A0 = a2 (ω02 −ωnat
2 )2 +b2 ω 2
0
F0
se ω0 = ωnat ; que a torna um oscilador harmônico simples. Os seguintes exemplos apresen-
bω0
tam diversas outras manifestações dos osciladores harmônicos. Complete
e  os detalhes da formulação, se necessário:
Vi

Vi
]−π, − 2 [ se ω0 > ωnat ;
 π
 bω0  402: Suponha que um bloco de massa m desloca-se sobre um trilho hori-
θ0 = arctg π
2 ) ∈ {− 2 } se ω0 = ωnat ;
a(ω02 − ωnat  π zontal, atado a uma mola com constante elástica k. Fixe como origem a
]− 2 , 0[ se ω0 < ωnat . posição do bloco quando a mola tem seu comprimento natural e assuma
3

3
Verifique, então, que que o bloco apenas se desloca em um intervalo pequeno, de modo a sempre
valer a lei de Hooke e nunca torcer ou inverter a mola, ou colidir com o
01

01
xp (t) = A0 cos(ω0 t + θ0 )
ponto fixo da outra extremidade.
é uma solução particular dessa equação, novamente chamada “solução de Se o bloco mover-se exclusivamente sob ação da força elástica, temos,
c2

c2
estado permanente”. pela 2a lei de Newton e porque a força elástica opõe-se ao movimento,
r

r
400: Já a solução xh (t) = Ae−bt/2a cos(ωt + θ) da parte homogênea é cha- mẍ = −kx, donde mẍ + kx = 0,
mada transiente, porque seu valor é desprezível após um intervalo de tempo,
amortecida que é pelo fator b. Assim, a solução completa que é um oscilador harmônico simples. A discussão sobre energia, acima,
vale literalmente.
x(t) = xh (t) + xp (t) ≈ xp (t)
na

na
403: Se o movimento do bloco sofrer atrito do trilho, suporemos que esse
é inicialmente complicada, mas seu comportamento converge ao de xp (t); atrito seja proporcional à velocidade do bloco, mas oposto: então
em particular, sua frequência converge à mesma da força excitadora.
mi

mi
mẍ = −kx − bẋ, logo, mẍ + bẋ + kx = 0,
401 Ressonância: Quando ω0 = ωnat , isto é, a frequência da força excita-
dora é igual à frequência natural do oscilador, novamente ocorre ressonân- que é um oscilador harmônico amortecido.
eli

cia.
Temos, por substituição e simplificação, eli Descreva um sistema massa-mola, como este, mas em que haja força
excitadora.
Note: Se o atrito for muito grande, torna-se estático e a equação não se
Pr

Pr
F0 aplica, de modo que a solução não tem sentido, ou seja, o bloco permanece
xp (t) = cos(ω0 t − π2 ). em repouso e não se dirige ao equilíbrio.
bω0

91 92
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
404: Suponha, agora, que o bloco esteja suspenso pela mola e que se mova quedas de potencial no resistor, no capacitor e no indutor são, respectiva-
verticalmente. Assuma que a mola não tenha massa. Sendo g a aceleração mente RI, Q/C e −LI, ˙ donde
gravitacional e supondo que o eixo esteja orientado para cima, temos

L.

L.
Q
LQ̈ + RQ̇ + =0
mẍ = −kx − mg. C

C.

C.
Determine a mudança de variável que transforma essa equação em uma de e Q é um oscilador harmônico amortecido com
oscilador harmônico simples, sem excitação nem amortecimento. r
1 R2 1
405 MCU: Suponha que um pino é fixado à borda de um toca-discos ou ω= − e ωnat = √
LC 4L2 LC

ius

ius
roda de ceramista e iluminado por uma fonte de luz de raios paralelos.
Mostre que o movimento de sua sombra reta em uma parede é um oscilador e I é sua “velocidade”. Trata-se de um circuito de corrente enfraquecendo-se,
harmônico simples. alternada para valores usuais de R e “contínua” quando R é muito grande.

nic

nic
406: Na situação descrita no ponto 32, assuma que a sonda permanece 409: Agora, suponha que se insira nesse circuito, ainda em série, uma fonte
sempre no interior do túnel, ou seja, no interior do planeta. Identifique o de força eletromotriz alternada, isto é, que origina a diferença de potencial
oscilador harmônico associado. E(t) = E0 cos(ω0 t). Então RI + Q/C + LI˙ = E, donde
Vi

Vi
Na Seção 1.6, estudamos os circuitos elétricos RC e LR. Podemos com-
Q
pletar esse estudo, agora, com os circuitos LC e LCR, que são regidos por LQ̈ + RQ̇ + = E0 cos(ω0 t)
osciladores harmônicos. Relembre o funcionamento de capacitores e indu- C
tores, respectivamente, em 234 e 239. e Q é um oscilador harmônico amortecido e forçado e, mais uma vez, I é
3

3
sua “velocidade”. (Lembramos que uma força eletromotriz contínua pode
01

01
407 LC: Ligamos, em série, uma chave interruptora, um indutor de indu-
ser estudada com ω0 = 0.)
tância L e um capacitor de capacitância C, ambas L, C constantes positivas.
Então, sendo Q a carga armazenada no capacitor e I a corrente no circuito, Finalmente, estudaremos o oscilador harmônico associado ao movimento
c2

c2
temos I = Q̇ e LI˙ + Q/C = 0, isto é, a diferença de potencial no indutor pendular. Trabalharemos sempre com um pêndulo de haste rígida com com-
neutraliza aquela no capacitor, donde
r

r
primento R e toda a sua massa m concentrada pontualmente na extremi-
dade livre; pêndulos reais são conhecidos em [Tip].
LQ̈ + Q/C = 0.
Deduziremos a equação do movimento de um pêndulo pela análise das
O PVI usual é dado por Q(0) = Q0 , carga armazenada inicialmente no energias envolvidas no processo, sendo desnecessário o estudo de configura-
capacitor, e I(0) = 0, quando a chave é fechada no instante t = 0. √ ções de forças.
na

na
Assim, Q é um oscilador harmônico com frequência angular ω = 1/ LC
410 Pêndulo simples: Aqui, supomos que a haste revolve sem qualquer
e I é sua “velocidade”. Como I é senoidal, trata-se de um circuito de corrente
atrito. Postulamos que o pêndulo move-se em um plano e que pode ficar em
alternada: o indutor “facilita tanto” a descarga do capacitor que termina
mi

mi
repouso em duas posições: a “estável” (em termos práticos) é a do pêndulo
por transferir a carga inteira para a outra folha do capacitor, espelhando
pendurado, e a “instável”, em que a haste sustenta a massa, é impossível no
a situação inicial; o capacitor carrega-se e descarrega-se, sempre oscilando
caso de um pêndulo de fio esticado.
entre +Q0 e −Q0 .
eli

As energias elétrica e magnética do circuito interpretam as energias


potencial e cinética que discutimos acima. eli Note: No vocabulário das Seções 1.1 e ??, esses pontos não são singu-
laridades atratoras ou repulsoras, mas do tipo elíptico: a massa do pêndulo
oscila em torno da posição “estável”, ou no complemento de um entorno da
Pr

Pr
408 LCR: Este circuito conecta, também em série, um resistor de resistên- “instável”. O pêndulo não só pode oscilar comumente, como também partir
cia R ao circuito LC acima, sendo ainda R constante positiva. Então as de perto da posição instável e quase dar a volta, em grande amplitude, ou

93 94
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
girar sem inverter o sentido de rotação, com velocidade máxima no ponto considerar, portanto, a posição vertical ou horizontal da extremidade com
do equilíbrio estável e mínima no outro. massa m, deveremos manipular


L.

L.
411: Seja α o ângulo da haste com a vertical (0 na posição estável), consi- cos α = cos A cos(ωt + θ) .
derando-se também alguma orientação para α positivo ou negativo. Então Por mais estranho que seja, não há nada errado nisso.
a velocidade angular do pêndulo é α̇ e a velocidade linear da massa m é
Embora a equação linear seja muito mais simples de resolver e estudar,

C.

C.
V = α̇R. Consideremos as energias cinética EC = mV 2 /2 e potencial EP da
massa m: se E é a energia mecânica total do sistema, portanto constante, enquanto sua solução seja uma aproximação muito boa ao que efetivamente
temos E = EC + EP . (Estas não são as energias associadas ao oscilador ocorre, é importante lembrar que o sistema original não é linear e tem um
harmônico como definimos acima.) comportamento muito diferente. Isso é relevante não apenas em Física e nas

ius

ius
mais diversas engenharias, mas também em diversos estudos econômicos,
412: Adotamos a convenção de que EP = 0 para o ponto mais baixo da demográficos e situacionais, onde a tomada de decisão governamental ou
trajetória do pêndulo. Verifique, assim, que EP = mgR(1 − cos α). As pos- corporativa deve estar atenta a fatores de caos.

nic

nic
sibilidades que descrevemos ocorrem conforme E = 0 (equilíbrio estável), 415: Podemos também considerar a equação original, sem linearização:
E = 2mgR (equilíbrio instável), 0 < E < 2mgR (oscilações) ou E > 2mgR r
(giros completos). 2g
α̇ = ± K + cos α,
R
Vi

Vi
413: Então
1 2 2
+ mgR(1 − cos α) = E. onde K = (2E/mR2 ) − (2g/R) é constante. Essa é uma equação de 1a or-
2 m(α̇) R
dem; com qual método podemos resolvê-la?
Derivando quanto ao tempo e simplificando, obtemos
416 Pêndulo amortecido: No pêndulo simples, a energia total se man-
3

3
Rα̈ + g sen α = 0. tinha constante. Passemos a supor que o pêndulo sofre algum atrito ou
01

01
amortecimento e que isso implica em uma perda de energia, até o instante
Essa não é uma equação de oscilador harmônico, porque não é linear. t, de EA (t) > 0 (sendo EA (0) = 0). Temos, portanto, EC + EP + EA = E0 ,
onde E0 é constante igual à energia inicial do sistema.
c2

c2
414: Para pequenas amplitudes α, substituiremos sen α por sua melhor
417: Suponha, por exemplo, que a força resistiva seja proporcional à velo-
aproximação linear:
r

r
cidade da extremidade do pêndulo: |F | = kV com k > 0. Então a energia
L(α) = sen 0 + [sen0 0](α − 0) = α. perdida é igual ao trabalho que essa força realiza do instante inicial até o
instante considerado, digamos t1 :
É isso que embasa a expressão sen α ≈ α, de modo que à equação do pêndulo Z Z t1 Z t1 Z t1
simples corresponde o oscilador harmônico, ou equação linearizada, EA (t1 ) = |F | ds = |F | · ds dt = |F |V dt = kV 2 dt,
na

na
dt
trajetória 0 0 0

Rα̈ + gα = 0 donde
ĖA = kV 2 = k(α̇)2 R2 .
mi

mi
que descreve o fenômeno físico aproximadamente. Sua solução é
Como anteriormente, derivamos EC + EP + EA = E0 e simplificamos para
α(t) = A cos(ωt + θ) obter
kR
eli

com ω =
Física.
p p
g/R, ou seja, o período é T = 2π R/g, como aprendemos em
eli Rα̈ +
m
α̇ + g sen α = 0,
cuja linearização é o oscilador amortecido
Pr

Pr
Note: Nessa solução, α é um ângulo descrito em termos trigonométri- kR
Rα̈ + α̇ + gα = 0.
cos, cujos argumentos é que esperaríamos que fossem ângulos. Se quisermos m

95 96
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
2.8 Coeficientes variáveis Expandindo o determinante e substituindo expressões em x para y1 , y10
e a integral, obtemos uma equação de primeira ordem cuja incógnita é y2 .
Agora, trataremos das equações lineares em geral, cujos coeficientes Basta, portanto, resolvê-la segundo os métodos do Capítulo 1.

L.

L.
podem ser funções da variável independente: Para que y2 seja independente de y1 , devemos ter W (y1 , y2 ) 6= 0. Para
pn (x)y (n) + . . . + p1 (x)y 0 + p0 (x)y = R(x), isso, impomos W (x0 ) = 1 ou outra constante não-nula que simplifique
os cálculos, assim como um valor simples para x0 , desde que no domínio

C.

C.
em particular as equações de segunda ordem correspondente.
p(x)y 00 + q(x)y 0 + r(x)y = R(x). 419 Exemplo: (x + 1)y 00 − (x + 2)y 0 + y = 0, conhecendo y1 (x) = ex .
Nosso paradigma de resolução original ganhará novos detalhes: Substituindo, verificamos que y1 é realmente solução dessa equação.

ius

ius
Note que p(x) = x + 1 anula-se em x = −1, de modo que devemos
(i) Para encontrar n soluções linearmente independentes y1 , . . . , yn da estudar a equação separadamente em ]−∞, −1[ e ]−1, ∞[. Trabalhemos
parte homogênea, deveremos: primeiro com ]−1, ∞[:

nic

nic
(a) obter uma solução (não-nula), assunto da próxima seção; Fixamos x0 = 0 ∈ ]−1, ∞[ e W (x0 ) = 1, de modo a anular a primitiva
abaixo e facilitar os cálculos. A formulação acima torna-se
(b) calcular as demais, o que faremos na “redução de ordem” a seguir.

ex y (x)  Z x −(s + 2)  Z x  1  
(ii) Para determinar uma solução particular yp da equação original, se
Vi

Vi
2
x = 1 exp − ds = exp 1 + ds .
não for homogênea, o método de Lagrange funcionará exatamente e y20 (x) 0 s+1 0 s+1
como já o conhecemos, mas o dos coeficientes indeterminados exigirá
adaptações. Portanto,
3

3
 x 
(iii) Então escreveremos a solução geral y = C1 y1 + . . . + Cn yn + yp . ex y20 − ex y2 = exp s + ln |s + 1| 0 = exp(x + ln |x + 1|),
01

01
Em vista desse roteiro, começamos por assumir que é dada uma solução
ou seja,
não-trivial da parte homogênea da equação linear de coeficientes variáveis.
y20 − y2 = eln |x+1| = x + 1
Notemos de passagem, porém, que realmente não é válido estudar as raízes
c2

c2
de um “polinômio característico” como para coeficientes constantes: já que trabalhamos com x > −1. Essa é uma equação de primeira ordem:
r

r
Contudo, é comum que a equação homogênea tenha, de fato, soluções como aprendemos na Seção 1.3, sua solução é
exponenciais e trigonométricas, mas precisamos de outros caminhos para
encontrá-las exatamente. Nossa abordagem será via redução de ordem para y2 (x) = −(x + 2) + Cex .
estender uma solução dada a uma base de soluções da equação homogênea:
Podemos tomar C = 0, porque precisamos de uma única expressão para y2 ,
na

na
418 Redução da 2a ordem: Suponha já conhecida uma solução y1 de e obtemos a solução geral
p(x)y 00 + q(x)y 0 + r(x)y = 0: y(x) = C1 ex + C2 (x + 2)
mi

mi
devemos determinar outra solução y2 , linearmente independente de y1 , para
da equação dada, onde absorvemos o sinal em C2 .
formar a base {y1 , y2 }.
Para resolver no domínio ]−∞, −1[, note (pelo Teorema do Valor Inter-
Vimos em 277 que o wronskiano W = W (y1 , y2 ) deve satisfazer a equa-
mediário) que existe x0 < −1 tal que x0 + ln |x0 + 1| = 0; não é preciso
eli

ção pw0 + qw = 0 e, então, ser dado pela solução de Abel–Liouville (282).


Explicitamente, temos

 Z x q(s) 
eli
explicitá-lo para conduzir cálculos como os acima e obter a equação

y20 − y2 = −x − 1, com solução y2 (x) = x + 2 + Cex .


Pr

Pr
y (x) y (x)
1 2
0 = W (x) = W (x 0 ) exp − ds .
y1 (x) y20 (x) x0 p(s) Novamente, a solução geral é y(x) = C1 ex + C2 (x + 2).

97 98
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
420 Exemplo: y 00 + 4xy 0 + (4x2 + 2)y = 0, com y1 (x) = exp(−x2 ). 432: Conhecidas n − 1 soluções linearmente independentes de uma equação
Verifique que y1 é solução da equação dada. Desta vez, temos linear homogênea de ordem n, o cálculo do wronskiano e o uso da solução
de Abel–Liouville como acima induzem uma equação linear não-homogênea

L.

L.
e−x2 y2 (x)  Z x 4s  de ordem n − 1 para a n-ésima solução.
2
= 1 exp − ds = e−2x ,
−2xe−x2 y20 (x) 0 1
433: Suponhamos conhecida uma solução y1 da equação linear homogênea.

C.

C.
2 2 2 Então as substituições y = y1 Z e z = Z 0 reduzem a ordem em uma unidade,
ou seja, e−x y20 + 2xe−x y2 = e−2x , donde preservando linearidade e homogeneidade.
2 Solução: Por indução, mostra-se que
y20 + 2xy2 = e−x .

ius

ius
i
X
2 
Uma solução dessa equação, também pela Seção 1.3, é y2 (x) = xe−x , de y (i) = (y1 Z)(i) = i
j
(j)
y1 Z (i−j)
modo que a solução geral da equação dada é j=0

nic

nic
2 2
y(x) = C1 e−x + C2 xe−x . para cada 0 6 i 6 n. Substituindo todos y (0) , . . . , y (n) na equação original,
obtemos uma equação da forma
Dada uma solução das partes homogêneas, determine a solução geral
destas equações: qn (x)Z (n) + . . . + q1 (x)Z 0 + q0 (x)Z = 0.
Vi

Vi
421: xy 00 − (x + 2)y 0 + 2y = 0, y1 = ex . Já que y = y1 é solução da equação original, então Z = 1 é solução desta
422: xy 00 + (x − 1)y 0 − y = 0, y1 = x − 1. equação, de modo que q0 (x) = 0. Logo, pondo z = Z 0 , obtemos
3

3
423: xy 00 + 3y 0 = 0, y1 = 1. qn (x)z (n−1) + . . . + q1 (x)z = 0,
01

01
424: (x − 1)y 00 − xy 0 + y = 0, y1 = x. como desejado.
c2

c2
425: x2 y 00 + xy 0 − 4y = 0, y1 = x2 . 434: Vejamos isso explicitamente para o próprio caso n = 2, da equação
py 00 + qy 0 + ry = R: com y = y1 Z, temos
r

r
426: xy 00 − y 0 + 4x3 y = 0, y1 = sen(x2 ).
y 0 = y10 Z + y1 Z 0 e y 00 = y100 Z + 2y10 Z 0 + y1 Z 00 .
427: (x2 + x)y 00 − (x2 − 2)y 0 − (x + 2)y = x(x + 1)2 , y1 = ex .
428: x2 y 00 + xy 0 − 4y = 10x3 , y1 = x2 . Substituindo-se em py 00 + qy 0 + ry = 0, vem
na

na
429: x2 y 00 − 2y = −2x, y1 = x−1 . p(y100 Z + 2y10 Z 0 + y1 Z 00 ) + q(y10 Z + y1 Z 0 ) + r(y1 Z) = 0,

430: x2 y 00 − xy 0 + y = x, y1 = x. ou seja,
mi

mi
431: Quando a, b, c são constantes reais, sendo a 6= 0, e λ é raiz dupla do [py1 ]Z 00 + [2py10 + qy1 ]Z 0 + [py100 + qy10 + ry1 ]Z = 0,
polinômio P (t) = at2 + bt + c, aprendemos que eλx é solução da equação
ay 00 + by 0 + cy = 0 e verificamos que xeλx também é solução. Como podería- onde o terceiro coeficiente é nulo porque y1 é solução da equação original.
eli

mos, inicialmente, encontrar esta solução, conhecendo apenas eλx ? Mostre


os detalhes do cálculo. eli
Assim, com z = Z 0 ,

[py1 ]z 0 + [2py10 + qy1 ]z = 0,


Pr

Pr
Quanto a reduzir uma ordem arbitrária ou maior que 2, temos as se-
guintes possibilidades: que é uma equação linear homogênea de ordem 1.

99 100
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
435: Resolva os exercícios anteriores utilizando, agora, este método para (Isso posto, poderíamos dividir toda a equação por p(x).) Observe que,
redução de ordem. nesses intervalos, y1 , y2 estão definidas, de classe C ∞ , e W realmente não
se anula.

L.

L.
Finalmente, para determinar a solução particular, fazemos as seguintes Então, pelo método de Lagrange de variação das constantes, procuramos
observações, válidas também para ordens superiores: uma solução particular da equação original tendo a forma yp (x) = C1 (x)ex +
436: Novamente, quando R é uma soma algébrica de várias funções Rj , C2 (x)x−1 , para o que devemos ter

C.

C.
procuramos uma solução de cada equação py 00 + qy + ry = Rj : sua soma
x−1 · x(x + 1)2
algébrica será solução particular de py 00 + qy + ry = R. C10 (x) = − = xe−x ,
(x2 + x) · [−ex (x−1 + x−2 )]
437: Se o parâmetro r não se anular e a razão R/r for constante, então a

ius

ius
própria função constante y = R/r é solução de py 00 + qy 0 + ry = R. donde C1 (x) = −(x + 1)e−x (integrando-se por partes), e

438: O método da variação das constantes de Lagrange (descrito em 339 e ex · x(x + 1)2
C20 (x) = = −x2 ,

nic

nic
seguintes) aplica-se também às equações de coeficientes variáveis, bastando (x2 + x) · [−ex (x−1 + x−2 )]
novamente que se conheça uma base de soluções da parte homogênea. A
demonstração é idêntica à do caso de coeficientes constantes. donde C2 (x) = −x3 /3. (Aqui, ignoramos as constantes de integração.)
Então a solução geral é
Vi

Vi
439: Especificamente para uma equação de segunda ordem com a base
{y1 , y2 } e W = W (y1 , y2 ), temos y(x) = D1 ex + D2 x−1 + [−(x + 1)e−x ]ex + [−x3 /3]x−1 =
= D1 ex + D2 x−1 − (1 + x + x2 /3),
1 0 y2 y2 R 1 y1 0 y1 R
3

3
0 0
C1 = =− e C2 = = ,
W R/p y20 pW W y10 R/p pW onde agora D1 , D2 são parâmetros arbitrários, mas constantes.
01

01
onde agora também p depende de x. 442: Para usar o método dos coeficientes indeterminados, digamos que
já suspeitássemos de um polinômio de grau 2 como solução da equação:
c2

c2
440: Também o método dos coeficientes indeterminados (359) aplica-se ao escrevemos
r

r
novo caso, embora os coeficientes da equação devam ser considerados na yp (x) = ax2 + bx + c
proposta de uma forma para a solução particular, porque não há “receita”
específica a seguir, apenas prática. onde a, b, c são constantes a determinar. Como então yp0 (x) = 2ax + b e
yp00 (x) = 2a, substituindo na equação devemos ter
441 Exemplo: (x2 + x)y 00 − (x2 − 2)y 0 − (x + 2)y = x(x + 1)2 , conhecendo
a base {ex , x−1 } para a parte homogênea. (x2 + x)(2a) − (x2 − 2)(2ax + b) − (x + 2)(ax2 + bx + c) = x(x + 1)2 ,
na

na
Deve-se verificar que realmente y1 (x) = ex e y2 (x) = x−1 são soluções de
(x + x)y 00 − (x2 − 2)y 0 − (x + 2)y = 0, o que podemos fazer por substituição.
2 ou seja,
mi

mi
Também se verifica, usando-se por exemplo o wronskiano, que y1 , y2 são
linearmente independentes. De fato, temos (−3a)x3 + (−2b)x2 + (6a − 2b − c)x + (2b − 2c) = x3 + 2x2 + x.

ex x−1 Comparando-se esses polinômios, temos −3a = 1, −2b = 2, 6a − 2b − c = 1
eli

eli

W (x) = W (y1 , y2 )(x) = x = −ex (x−1 + x−2 ) 6= 0. e 2b − 2c = 0, de modo que a = −1/3, b = −1 e c = −1, tal qual deduzimos
e −x −2
acima.
Pr

Pr
Cabe uma nota: p(x) = x2 +x anula-se em x = −1 e x = 0, de modo que Resta o problema de determinar y1 , isto é, uma primeira solução explí-
devemos estudar a equação separadamente em ]−∞, −1[, ]−1, 0[ e ]0, ∞[. cita (e não-nula) da parte homogênea da equação linear:

101 102
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
P∞ P∞
443: Em alguns casos, isso pode ser feito com o próprio método dos coefici- polinômio gigante: y 0 = n=1 nan xn−1 e então y 00 = n=2 n(n−1)an xn−2 .
entes indeterminados, aplicado à parte homogênea. (O método de Lagrange Substituímos as séries na equação e reindexamos as séries de modo que to-
produz apenas a solução trivial.) Também se podem tentar outros métodos, das tenham as potências na mesma forma; como nossa equação envolve

L.

L.
P∞
como a determinação de série de potências, que estudaremos na próxima apenas y 00 e y, re-escrevemos y = n=2 an−2 xn−2 . (Caso houvessem co-
seção. eficientes funções na equação envolvendo x, também desenvolveríamos em
séries e multiplicaríamos dentro das somas.) Temos

C.

C.
∞ ∞ ∞
2.9 Equações e métodos especiais X
n(n − 1)an xn−2 = −
X
an−2 xn−2 ⇒
X
(n(n − 1)an + an−2 )xn−2 = 0.
n=2 n=2 n=2
Esta seção considera equações de diversas formas. Em particular, para

ius

ius
algumas equações lineares homogêneas de coeficientes variáveis, apresenta Já que a série obtida é nula, anulamos cada coeficiente seu, formalmente
ao menos uma solução, cumprindo com uma pendência da seção anterior. e sem considerar convergência: n(n − 1)an + an−2 = 0 para cada n > 2.
Ainda, apresentamos outros métodos de resolução que também podem ser Vemos que an = −an−2 /(n(n − 1)), de modo que se n é par então an =
(−1)n/2 a0 /n! e se n é ímpar então an = (−1)(n−1)/2 a1 /n!. Assim,

nic

nic
aplicados a equações de primeira ordem.

X ∞
X ∞
X
444 Euler: Sejam a, b, c constantes quaisquer, para as quais consideramos y= an xn = (−1)k a0 x2k /(2k)! + (−1)k a1 x2k+1 /(2k + 1)! =
a equação linear homogênea n=0 k=0 k=0

Vi

Vi
= a0 cos x + a1 sen x,
ax2 y 00 + bxy 0 + cy = 0.
em que rearranjamos a série sem preocupação com convergência. Obtivemos
Forme o polinômio Q(t) = at + (b − a)t + c (que não se chama “polinômio
2 uma família de funções candidatas a solução da equação dada; verificamos
3

3
característico”) e mostre que: que é o que de fato ocorre, e procedemos normalmente para determinar
soluções restantes; também podemos estudar o raio de convergência da
01

01
(a) xλ é solução dessa equação se e somente se λ é raiz de Q; série obtida na solução. Quanto ao PVI, substituímos os valores iniciais na
série obtida e suas derivadas, obtendo 1 = a0 00 + a1 0 e 0 = a0 0 + a1 00 ;
(b) se (b − a)2 = 4ac e λ é a raiz dupla de Q, então xλ ln |x| também é
c2

c2
logo, a0 = 1 e a1 = 0, com y = cos x.
solução da equação;
r

r
Frequentemente, uma série de potências tem um número finito de coefi-
(c) se as raízes de Q são complexas α±βi, com α, β reais, então xα cos(β ln x) cientes não-nulos, ou seja, é simplesmente um polinômio. Aqui estão alguns
e xα sen(β ln x) são soluções dessa equação quando x > 0. exemplos relacionados a equações diferenciais:
445 Exemplo: x2 y 00 − 6xy 0 + 12y = 0. 447 Legendre: Considere, para cada n ∈ lN, a equação
Formamos o polinômio 1t2 + (−6 − 1)t + 12 = t2 − 7t + 12, cujas raízes
na

na
(1 − x2 )y 00 − 2xy 0 + n(n + 1)y = 0 :
são 3 e 4. Assim, as funções linearmente independentes x3 e x4 formam
uma base para as soluções dessa equação. (a) Prove que essa equação possui uma solução polinomial de grau n,
chamada polinômio de Legendre, por substituição abstrata.
mi

mi
Determinar séries de potências por substituição na equação dada é um
(b) Determine os polinômios de Legendre de graus 0 até 4 usando o mé-
procedimento similar ao método dos coeficientes indeterminados. Eis o
todo dos coeficientes indeterminados.
exemplo clássico:
eli

446 Potências: y 00 = −y, y(0) = 1, y 0 (0) = 0.


Solução: Escrevemos umaP∞série de potências com centro no ponto ini-
eli
(c) Mostre, por indução, que o polinômio de Legendre de grau n é dado
pela fórmula de Rodrigues
Pr

Pr
cial dado: neste caso, y = n=0 an (x − 0)n . Derivamos a série termo a 1 dn  
· n (x2 − 1)n .
termo, formalmente e sem compromisso com convergência, como se fosse um (2n)! dx

103 104
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
(d) Pesquise aplicações dessa equação e desses polinômios, assim como
diversas propriedades interessantes, na Internet.

L.

L.
448 Hermite: Mostre que, se n ∈ lN, a equação

y 00 − 2xy 0 + 2ny = 0

C.

C.
possui uma solução polinomial de grau n, o polinômio de Hermite.
Há dois casos em que se pode reduzir a ordem de uma equação diferencial

ius

ius
com a forma propícia. Lembre que a forma geral da equação de segunda
ordem é F (x, y, y 0 , y 00 ) = 0, para a qual se procuram soluções y(x). É com
essas letras que rotulamos os casos abaixo:

nic

nic
449 Ausência de y: Suponha que y não conste na equação: diz-se que “a
variável dependente está ausente” e escreve-se F (x, y 0 , y 00 ) = 0.
Substitua z = y 0 e z 0 = y 00 , obtendo a equação F (x, z, z 0 ) = 0, que é de
primeira ordem. A solução procurada y será uma primitiva de z.
Vi

Vi
450 Ausência de x: Este é o caso de equações “autônomas” que corres-
pondem a “fenômenos independentes de calendário”. Se “a variável inde-
pendente (x) estiver ausente”, temos F (y, y 0 , y 00 ) = 0 e fazemos z = y 0 e
3

3
notamos que
01

01
dz dz dy dz
y 00 = z 0 = = · = z.
dx dy dx dy
c2

c2
Assim, a nova equação é F (y, z, z dydz
) = 0, onde a variável independente
agora é y, de primeira ordem.
r

r
Atenção: Não se trata de achar z como função de x. Pelo método
proposto, após determinarmos z(y), devemos resolver a equação y 0 = z(y),
ou seja, separar as variáveis assim:
dy
na

na
= dx
z(y)

e integrar ambos os lados quanto a x. (Enfim, vemos que há duas equações


mi

mi
de primeira ordem a resolver.)
O motivo de não considerarmos F (y, z, z 0 ) = 0 é que essa é apenas uma
equação com duas incógnitas, as funções y(x) e z(x).
eli

eli
Pr

Pr

105 106
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
rivada, dada por f , no ponto comum. 58: A = 4, B = 3, K = 2 ln 3.
59: A = 3, B = −3/2. 73: Caso y0 6= 0, a solução é y = −(x2 − y0−1 )−1 ;
se y0 = 0 então y ≡ 0 é solução. Assim,
i temos em geral
2 −1
h y = y0 (1 − y0 x )

L.

L.
−1/2 −1/2
definida em todo lR se y0 6 0; em −y0 , y0 (que contém o ponto
inicial) se y0 > 0. 75: y = y 0 x: substitua y 0 = C. 76: y 0 = 8. 77: y 00 = 0.

C.

C.
78: y 000 = 0. 79: y 0 = 2y/x: multiplique y 0 = 2Cx por x e substitua y.
Algumas respostas e 80: y 0 = 3y. 81: y 00 = −25y. 82: y 0 = −x/y. 86: Derive uma vez,
substitua 2exy por x e derive novamente. 91: Para o Teorema da Inversa,

indicações tome f (x) = x2p : vem f 0 (0) = 0; por menor que seja U , não há bijeção.

ius

ius
97:p Sol.: y = ± x0 + y0 − x . 98: xy = C sen x. 99: y =
2 2 2
p C/x. 100: y =
± 2 ln |x| − x + C. 101: y = ln |e + C|. 102: y = ± C/(x2 + 1) − 1.
2

103: y = ln |1 − C/ex |. 104: y = (Cx − 1)/(x + 1). 105: y = tg(ln |x| + C).

nic

nic
106:
p y = C exp(x − cos x). 107: y = −(x + cos x + C) . 108: y =
−1

Apresentamos as respostas para uma parcela representativa dos exercí- ± C − 2(x + cos x). 109: y = 8/x. 110: y = 0. 111: y = (7x−1)/(x+1).
cios. Em geral, abreviamos as demonstrações e as soluções finais. 112: y = x. 113: y = (x ln x − x + 2)2 . (Na resolução aparecem dois va-
lores possíveis para a constante de integração, mas y = (x ln x − x)2 não
Vi

Vi
9: Sim. 10: Não. 11: Sim. 12: Não. 13: Sim. 14: Sim. 23: xy 0 = y. é solução porque x ln x −√x é negativa em torno de x = 1 e não iguala

24: y 2 (1+(y 0 )−2 ) = 1. 25: (y 0 )2 x2 = y 2 . 28: 30,8 anos. (Medições precisas y.) 114: y = (x + 1)/ 2 + 2x2 . 121: g(y) = y −1 definida em ]−∞, 0[
dão 30,17 ± 0,03 anos.) 29: ẋ = −2.10−5 x. 30: Separe: dx −5 e ]0, ∞[, onde
p nunca se anula; então o TEU aplica-se em cada intervalo.
x = −2.10 dt.
3

3
Integre: ln x = −2.10 t + C, donde x(t) = K exp(−2.10 t) com K > 0.
−5 −5 Sol.: y = ± x22 + y02 − x2 . 122: g(y) = y 2 definida em lR; não se anula em
]−∞, 0[ e ]0, ∞[, onde se aplica o TEU; sol. regulares y = −(x2 −x20 −y0−1 )−1
01

01
(Note x > 0.) Determine K com x(0) = 36 e resolva x(t) = 12. 31: Sendo
s(x) = ±1 o sinal de x, temos mẍ = −s(x)GM m/x2 . (Se x > 0 ou x < 0 não incluem sol. singular y = y0 = 0 e nunca a interceptam (porque nunca
então F < 0 ou F > 0, resp., porque a força gravitacional é atratora.) Sim- se anulam). Isso prova um TEU geral. (Note: a forma y = y0 /(1 − y0 x2 )
inclui todas as soluções.) 123: g(y) = y definida em lR; não se anula
c2

c2
plificando: ẍx|x| igual a uma constante estrit. negativa. Não vale no centro
em ]−∞, 0[ e ]0, ∞[, onde se aplica o TEU; soluções regulares y = xy0 /x0
r

r
porque se assumiu x 6= 0 para escrevê-la; a força atratora aí será infinita.
32: ẍx|x| = −GR3 δ4π/3 para x > R ou x < −R e ẍ = −xGδ4π/3 para incluem sol. singular y = y0 = 0 e nunca a interceptam quando y0 6= 0
−R 6 x 6 R. (Usamos x|x| em vez de x2 (s(x))±1 .) Ao passar pelo centro (porque x 6= 0). Isso prova um TEU geral (mas para x < 0 ou x > 0).
ou pela superfície, a sonda continuará seu movimento sem perturbação. No 124: g(y) = 1 + y 2 definida em lR e nunca se anula; o TEU aplica-se sem-
centro, a equação permanecerá válida porque a força atratora será contínua pre. Sol. y = (y0 + tg(x − x0 ))/(1 − y0 tg(x − x0 )). 125: g(y) = y 2/3
definida em lR; não se anula em ]−∞, 0[ e ]0, ∞[, onde se aplica o TEU; sol.
na

na
e nula. Na superfície, a lei do movimento (solução da equação) mudará por- 1/3
que a equação mudará. 35: A = s0 +γt20 /2−V0 t0 e B = V0 −γt0 ; fatorando- regulares y = y0 + (x − x0 )3 não incluem sol. singular y = y0 = 0, mas
-se, s(t) = γ(t−t0 )2 /2+V0 (t−t0 )+s0 . 39: Trata-se de fixar um ponto pelo a interceptam em x = x0 , de modo que não há um TEU geral. Note
0 se x 6 1,
mi

mi
qual a curva passa. Sol. para 20: y = x0 y0 /x. 40: Vinte minutos: Seja x(t) ainda: as sol. podem bifurcar, como y = 0 e y = (x−1)3 se x > 1, ou
o tamanho da população em função do tempo. O enunciado informa ẋ = αx confluir. 126: g(y) = 1 definida em lR e nunca se anula; o TEU apli-
com cte. α > 0. Então x(t) = keαt com cte. k > 0 (porque x > 0). Dados ca-se sempre (mas para x < 0 ou x > 0). Sol. y = y0 + x−1 0 − x
−1
.
eli

numéricos implicam 1 = keα0 e 8 = keα1 ; determine k, α e resolva 2 = keαt

eli
129: Se y1 satisfaz y = g(y) e y(0) = y0 , então y2 (x) = y1 (x − x0 ) satisfaz
0

para obter t. Note também: a população dobra três vezes em 1h, então do- y 0 = g(y) e y(x0 ) = y0 . 134: 0 instável; 1 estável. 135: −2 semiestá-
bra uma vez a cada 31 h; não há proporção direta. 42: y = −3 cos x. 43: Não vel; 0 instável; 1 estável. 136: 2 semiestável. 138: Use o TEU e 129.
Pr

Pr
existe função. 44: y = (2x0 y0 +x20 −x2 )/2x. 45: y = sen(x−π/2) = − cos x. 141: x = (x−1 0 − at)
−1
. 144: Dica: obtenha (x − M )x−1 = 1 − M x−1 e
46: y = 2 sen x. 47: y = −e2x + 2xe−x . 50: Porque terão a mesma de-

107 108
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
isole esse x. 145: Dica: como exp(−M at) > 0, o denominador é sempre podemos escrever na forma normal
> x0 > 0, donde 0 < x < M . 152: Basta estudar o “saldo viabilizante”
y = x−L, donde ẏ = a(M −L−y)y. 154: É preciso, primeiramente, trazer  R(x) − pn−1 (x)y (n−1) − . . . − p0 (x)y
y (n) = f x, y, y 0 , . . . , y (n−1) =

L.

L.
.
a população a x b, aguardando seu crescimento sem extração caso x0 < x b. pn (x)
155: Imponha ẋ = 0. 156: r(t) = R0 − kt. 162: y = (K − cos 2x)/ cos x.
163: y = e3x + Ke2x . 164: y = Kx + x2 . 165: s = (t + K)/ sen t. Nesse caso,

C.

C.
166: Basta derivar o quociente; substituindo yi0 = pyi + q anula o nume- ∂f p0 ∂f p1 ∂f pn−1
rador. As distâncias verticais entre os gráficos das soluções guardam entre f, =− , = − ,..., =−
∂y pn ∂y 0 pn ∂y (n−1) pn
si uma relação constante, então as soluções aproximam-se ou afastam-se

ius

ius
simultaneamente. 178: y = k/ sen x. 180: y = ±kx. 181: y = Cx3 . são contínuas em I × lRn . 290: Digamos base {z1 , . . . , zn }: escreva cada
182: y = (C − x)/(x + 1). 191: Fator x2 ; sol.: 4
] .
3 1/3
√ y = [(x − K)/4x −1/2 yj em termo das zk , então uma comb. linear das yj é também das zk .
192: Fator K|4 − 2x| −1/2
: simplifique compK = 2 e escreva-o |x − 2| . 310: y = C1 e2x + C2 e3x . 311: y = C1 e2x + C2 xe2x . 312: y = C1 e3x +
Integre ∂f /∂y = q “novo”. Sol.: y = C/x |x − 2|. 193: Fator sec x; sol.: C2 e−3x . 313: y = C1 cos 3x+C2 sen 3x. 314: y = C1 e2x cos x+C2 e2x sen x.

nic

nic

y = C/ tg x.√ 194: Fator x−4 ; sol.: y = ± x2 − Cx3√ . 195: Fator t−3 ; 315: y = C1 ex +C2 e2x . 316: y = √ C1 e−x +C2 xe−x .√317: y = C1 ex cos 2x+
sol.: x = ± 1 − 2Ct2 . 196: Fator x −4/3
; sol.: y = ± Cx−2/3 + 10x−1 . c2 e sen 2x. 318: y = C1 e cos 3x + C2 ex sen 3x. 319: y = C1 +
x x

197: Fator (3x + 1)−2/3 ; sol.: y = C(3x + 1)−1/2 − (x + 15)/4. 198: Fa- C2 ex + C3 e−x . 320: y = C1 + C2 e2x + C3 e−3x . 321: Note P (1) = 0
Vi

Vi
tor (x + 1)−2 ; sol.: y = (x + 1)(ln |x + 1| − C) − 1. 201: Dada g, tome e fatore. Sol.: y = C1 ex + C2 e−x + √C3 e
−2x
. 322: Note√ −1 raiz simples:
f (s) = g(1, s) e use a = x−1 ; dada f , tome√ g(x, y) = f (y/x). 202: Derive fatore. Sol. y = C1 e +C2 e cos( √
−x x/2
3x/2)+C3 e√x/2 sen( 3x/2).

323: √y =
y = xz e iguale
√ a f (z). 205: y = ±x 2 ln x + C. √ 206: Analog. a 204,
x x
C1 e +C2 xe +C√ 3 x e . 324: y√= C1 e
2 x 3x
+C2√xe 3x
+C3 e √ +C4 xe− 3x .
− 3x

y = C − 2 Cx para 0 < x < C e y = −C + 2 −Cx se −C < x < 0. 325: y = C1 cos 3x + C2 sen 3x + C3 x cos 3x + C4 x sen√ 3x. 326: √y =
3

3
√ √ √
211: y = 3x/5 − 7 tg(−x 35 + C)/5 5. 212: Multiplique a equação C1 + C2 x + C3 x2 + C4 x3 . 327: y = C1 + C2 x + C3 e 2x + C4 e− 2x .
01

01
por y −k e calcule z 0 em separado. 214: y = (C/x2 − 2x/3)−1/2 . 215: y = 328: y = C1 + C2 cos x + C3 P sen x + C4 x cos x + C5 x sen x. 329: Mostre
[C exp(x(1 − π)) − 2x − 2/(1 − π)]1/(π−1) . 221: Ṫ = −α(T − A). 224: Li- P (t) = (t + 1)n . Sol. y =
n−1 j −x
. 331: y = 3e2x − 2e4x .
Rt j=0 Cj+1 x e
near: por variação da constante, T (t) = e−αt T0 + e−αt 0 αeαs A(s) ds. 332: y = 5e − 10xe . 333: y = 3 cos 2x. 334: y = 0. 335: y =
2x 2x
c2

c2
225: T (t) = A + e−αt (T0 − A). 228: A energia térmica do sistema −e2x cos x. 336: y = ex−1 + 5xex−1 − 4x2 ex−1 . 341: Dica: forme
r

r
m1 c1 T1 + m2 c2 T2 é constante. 231: Um oitavo. 233: Temos I(x +
   
h) = I(x) − αI(x)h. Divida por h e tome h → 0: I 0 = −αI. Solução: y1 (x) ··· yn (x) 0
I(x) = I0 e−αx . Assumindo I(1) = I0 /2, vem α = ln 2 e I(3) = I0 /8.  0  0  
 y1 (x) ··· yn0 (x)  C1  0 
234: Q(t) = Q0 exp(−t/RC) e I(t) = I0 exp(−t/RC). 235: Q(t) =     
 .. .. ..   ..   .. 
EC(1 − exp(−t/RC)) e I(t) = E exp(−t/RC)/R. 236: Q(t) = EC −  . . .  .  =  . .
na

na
   
(EC − Q0 ) exp(−t/RC) e I(t) = (EC − Q0 ) exp(−t/RC)/RC. 239: I(t) =  (n−2) (n−2)   
y1 (x) · · · yn (x) Cn0  0 
E(1 − exp(−Rt/L))/R. 240: Ifinal = E/R. 243: O PVI de segunda (n−1) (n−1)
ordem especifica os valores da solução e de sua derivada em um ponto. y1 (x) · · · yn (x) r/a
mi

mi
Se duas soluções têm o mesmo valor em um ponto, deverão ter deriva-
das distintas aí. 251: LD: 1(0) + 0(5x) + 0(−2x3 ) = 0. 252: LD: 343: y = D1 ex + D2 e2x + e−5x /42. 344: y = D1 e2x + D2 e−3x − (7 sen x +
3(2 sen(x2 − 1)) + 2(−3 sen(x2 − 1)) = 0. 253: LI. 254: LD: x = cos x)/50. 345: y = D1 e2x + D2 e−3x + xe2x . (A sol. particular pode con-
eli

9 (x + 5) + 9 (x − 4). 255: LI. 256: LI. 257: LI. 258: LI. 259: LI.
4 5

260: LI. 273: Suponha LD: uma das funções escreve-se como combina-
ção linear das demais. Então também uma coluna da matriz é combinação
eli
ter −e2x /5; absorva-o em D1 .) 346: y = D1 e2x + D2 e3x + 2. 347: y =
D1 e−x + D2 xe−x + 2ex . 348: y = D1 ex + D2 xex − 3 cos x. 349: y =
D1 e2x + D2 xe2x + (2x2 + 4x + 3)/8. 350: y = D1 ex + D2 e−x + (x2 − x)ex /4.
Pr

Pr
linear das demais e o determinante anula-se. 285: Com pn nunca zero, 351: y = D1 ex + D2 e−2x − 52 (3 sen 2x + cos 2x). 352: y = D1 cos 3x +
D2 sen 3x + 51 cos 2x. 353: y = D1 cos x + D2 sen x + x sen x − x2 cos x.

109 110
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013
(A sol. particular pode
√ √ absorva-o em D1 .) 354: y =
conter cos x/2;
D1 e2x + D2 e−x cos 3x + D3 e−x sen 3x + xe2x /12. 355: y = D1 ex +
D2 e2x + 7 sen x + 21 cos x + 5e−5x /3. 356: y = D1 e2x + D2 e−3x + 20xe2x −

L.

L.
14 sen x − 2 cos x − 50. (A sol. particular pode conter −4e2x ; absorva-o em
D1 .) 357: y = 12831 2x
e + 128 97 −2x
e + e2x (x3 /12 − x2 /16 + x/32). 358: y =
1
(π /24 − π/3 + 8/27) + (7π/18 + 1/270)e3x−3π/2 − 10
2
(cos x + 3 sen x) −

C.

C.
x /6 − x/9. 385: Faça ω(t + T ) + θ = (ωt + θ) + 2π. 392: Dois casos:
2

b2 = 4ac (amortecimento crítico) tem sol. x = (C1 + C2 t) exp(−bt/2a),


que só troca sinal em t > 0 se√−C1 /C2 > 0, e b2 > √ 4ac (superamorteci-

ius

ius
mento) tem sol. x = [C1 exp(t ∆/2a) + C2 exp(−t ∆/2a)] exp(−bt/2a),
que só troca sinal em t > 0 se −C2 /C1 > 1. 404: Dica: Translade x para
que a origem seja onde o bloco permanece em equilíbrio, isto é, a mola é
esticada apenas pelo peso do bloco. 421: y = C1 ex + C2 (x2 + 2x + 2).

nic

nic
422: y = C1 (x − 1) + C2 e−x . (Use x0 = 1; para integrar xe−x /(x − 1)2 ,
faça e−x /(x − 1) + e−x /(x − 1)2 e integre o 2o termo por partes, cancelando
o 1o .) 427: Confira 441. Para encontrar y2 = x−1 , a redução de ordem
Vi

Vi
requer: para integrar (x2 − 2)/(x2 + x), escreva-a 1 − (2/x) + 1/(x + 1);
exponencie a primitiva Robtendo ex (x + 1)x−2 ; na eq. 1o ordem, integre
e−x (x + 1)x−2 fazendo e−x x−2 dx por partes que já indica toda a pri-
mitiva. 428: y = C1 x2 + C2 x−2 + 2x3 . 429: y = C1 x2 + C2 x−1 + x.
3

3
430: y = C1 x + C2 x ln x + (ln x)2 /2. 447: 1, x, 3x2 /2 − 1/2, 5x3 /2 − 3/2,
01

01
35x4 /8 − 15x2 /4 + 3/8.
c2

c2
r

r
na

na
mi

mi
eli

eli
Pr

Pr

111 112
c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013 c
B. EDO 2013 Vinicius Cifú Lopes. Versão preliminar: UFABC, 2o quad. 2013