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ESQUADRIAS USADAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL


ESQUADRIAS

Histórico e definição

No início da civilização humana, a moradia, em seu primeiro estágio,


caracterizava-se por possuir uma pequena abertura, preenchido por um
elemento, em madeira, denominado de porta, que propiciava a entrada e
saída de seus moradores. No segundo estágio de moradia do ser humano -
cabanas ou choças – as habitações apresentam o surgimento de uma
pequena abertura para entrada de luz, caracterizando as primeiras janelas.
Nos demais estágios de habitação, as esquadrias consolidaram-se como
componentes básicos das edificações residenciais. (D’ÁVILA, 2000 apud
FERNANDES, 2004, p.22).

Santiago (1996, apud Fernandes, 2004, p.22), define simplificadamente que


“as esquadrias são componentes das edificações, que ligam e integram os espaços
e as pessoas. Cada ambiente de uma edificação possui uma função que,
consequentemente, exige diferenciadas tipologias de esquadrias”. O termo
esquadrias é geralmente utilizado para designar janelas e portas.
Em síntese, denomina-se esquadria o elemento de vedação usado no
fechamento de vãos que propicia a circulação de pessoas, luz (caráter de
luminosidade e térmico) e ar (caráter térmico). São exemplos de esquadrias: portas
e janelas, os quais são os dois exemplos que receberão melhor tratamento no
presente trabalho pois são itens tradicionais em construções, de segurança de uma
edificação, visto que podem controlar a entrada e saída de pessoas e também
contribuem para diminuir a deterioração da residência diante das intempéries
climáticas. Também são exemplos de esquadrias: telas, alçapões, brises, grades,
portões, cobogós, entre outros. A figura 1 apresenta o fluxo propiciado por
esquadrias.
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Figura 1 - Função das esquadrias.

Segundo elucida Fernandes (2004, p. 15):

A esquadria pode ser considerada como o componente que apresenta


maior número de funções e o seu estudo, em muitos casos, não recebe
atenção semelhante. O custo deste componente da edificação residencial é,
relativamente, significativo, variando de 5 a 14% do custo total, mas pode
ser aumentado quando projetado, produzido ou instalado sem eficácia,
tornando-se um elemento gerador de desconforto do espaço construído. Em
muitos casos, a especificação de esquadrias padronizadas é adotada de
forma indiscriminada para qualquer região do país. Como resultado pode
ocorrer a incompatibilidade entre esses componentes e variáveis, tais como
o meio ambiente, o clima, os acessórios, as ferragens, a legislação, o
usuário, etc.

As esquadrias são normalizadas pela NBR 10821 - Esquadrias externas para


edificações (ABNT, 2011-B) a qual se divide em três partes: terminologia; requisitos
e classificação; e métodos de ensaio. Dependendo da matéria-prima constituinte da
esquadria, podem ser inclusas outras normas, como o vidro na NBR 7199/89 -
Projeto, execução e aplicações de vidro na construção civil (ABNT, 1989) e também
dependendo do tipo de esquadria, como a janela necessita de caixilhos para
guarnição, deve-se levar em conta a NBR 10821/1: Caixilhos para edificações –
Janelas (ABNT, 2011-A).
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Em síntese, as esquadrias devem apresentar: estanqueidade à água e ao ar


(devem proteger o ambiente contra calor, frio e infiltrações); resistência suficiente
para se manter intacta no transporte, execução em obra, resistir a agentes
atmosféricos; resistência ao vento; e por fim, comportamento acústico, a fim de
reduzir a propagação sonora originada do ambiente externo (ZULIAN et al., 2002)
Cada material que será estudado no decorrer do trabalho trará uma maior ou menor
performance frente às funções que a esquadria deve obedecer.
As esquadrias podem ser divididas em diferentes formas, de acordo com o
tipo de material, a qual é a divisão principal utilizada no trabalho: alumínio, metal,
PVC, madeira e vidro, quanto a sua função (serão apresentadas, principalmente,
portas e janelas) e forma de abertura. A seguir serão apresentadas as três divisões
supracitadas, começando pela função, seguido pela forma de abertura e por fim e
com mais importância serão apresentados os materiais constituintes.

Classificação quanto à função das esquadrias

A classificação quanto à função baseia-se no caráter funcional da esquadria.


É a divisão tipicamente conhecida, composta pelas tradicionais portas (função de
circulação de pessoas, separação de ambientes) e janelas (circulação de ar e
luminosidade), além de grades (caráter de proteção da edificação, geralmente
constituídas de metal), cobogós (superfície vazada, com função de aeração,
luminosidade e estético; possuindo como matéria-prima cimento, cerâmica ou outros
materiais), alçapão (possibilita acesso a porão e sótão) e brise-soleil (elemento com
caráter de proteger da luminosidade e calor).
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Importante salientar que portas e janelas podem ser regulamentadas por


instrumentos legais, que tem como propósito determinar dimensões e requisitos
mínimos para a execução de projetos de modo a garantir padrões de segurança,
habitabilidade e conforto (SILVA 1982 apud FERNANDES, 2004).
Desse modo, algumas das escolhas durante o projeto e a execução ficam
restritas aos padrões determinados em legislação.
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Na cidade de Santa Maria existe o Código de Obras e Edificações do


Município de Santa Maria (Lei Complementar nª 070, de 04 de novembro de 2009),
que possui algumas previsões nesse sentido. Por exemplo, o artigo 105 do referido
código determina que:

Art. 105. Não pode haver aberturas para iluminação e ventilação em


paredes levantadas sobre a divisa do terreno ou a menos de 1,50m (um
metro e cinquenta centímetros) de distância da mesma.
Parágrafo único. As janelas cuja visão não incida sobre a linha divisória,
bem como as perpendiculares, não podem ser abertas a menos de 0,75m
(setenta e cinco centímetros) da divisa (SANTA MARIA, 2009, p. 28).

De mesmo modo, observam-se limitações em relação ao tamanho das portas


em determinados locais, tendo como objetivo garantir a acessibilidade, conforme
pode ser observado no artigo 175 do Código de Obras e Edificações do Município de
Santa Maria no qual consta que “portas situadas nas áreas comuns de circulação,
bem como as de ingresso na edificação e nas unidades autônomas, devem ter
largura livre mínima de 0,80 m (oitenta centímetros)” (SANTA MARIA, 2009, p. 47).
Ademais, acerca das determinações para vãos de ventilação e iluminação, o
que pode englobar esquadrias, a lei municipal santa-mariense define que:

Art. 104. A soma total das áreas dos vãos de iluminação e ventilação de um
compartimento tem seus valores mínimos expressos em função da área
deste compartimento, conforme tabela seguinte:

Compartimento Vãos mínimos de Vãos mínimos de


iluminação Ventilação
Principal 1/6 1/12
Secundário(exceto garagens) 1/12 1/24
Garagens -- 1/20

Parágrafo único. Nos ambientes integrados, permitidos, o vão de iluminação


e ventilação deve ser igual à soma dos vãos de iluminação e ventilação das
dependências que integrarem e formarem o conjunto (SANTA MARIA,
2009, p. 28).

Já no código de obras municipal de Porto Alegre, estabelecidas pela Lei


Complementar 284, de 27 de outubro de 1992, observam-se determinações
esparsas por toda a lei, referindo, por exemplo, que as janelas devem permitir a
renovação do ar, em pelo menos 50% da área mínima exigida; ter área para
ventilação superior a 0,40 m² em qualquer compartimento; ter as vergas das janelas
posicionadas acima de 2,20 m do piso; ter entradas de ar localizadas, no máximo, a
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0,30 m do piso, em compartimentos que tiverem janelas com peitoril superior a 3,00
m; ter área total das janelas dos compartimentos principais superior à fração de 1/6
da área do piso para iluminação e, consequentemente, de 1/12 para ventilação; ter
proteção térmica e luminosa externa, como venezianas, persianas ou similares nas
janelas de dormitório (PORTO ALEGRE, 1992).
Especificamente, acerca das portas o Código de Edificações de Porto Alegre
estabelece que qualquer porta deve ter altura mínima de 2,00 m; que porta de
entrada deve ter largura mínima de 90 cm; as portas de dormitórios devem ter
largura mínima de 80 cm; as de sanitários devem ter largura mínima de 60 cm
(PORTO ALEGRE, 1992).

Classificação quanto à forma de abertura

A classificação das esquadrias quanto à forma de abertura baseia-se no


método em que ocorre a abertura das folhas ou caixilhos, geralmente por
movimentos de rotação, translação e ou movimentos combinados de ambos. Dentre
os modelos predominantes no cenário nacional, destacam-se:
- De abrir ou pivotante: exemplo tradicional, na qual a esquadria, por meio de
dobradiça, gira proporcionando a abertura do vão. Quando se utiliza pivô ao invés de
dobradiça, denomina-se pivotante. A figura 4 apresenta um exemplo de esquadria
de estilo abrir.

Figura 4 - Janela de abrir.


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Janelas de abrir/pivotantes podem ser formadas por diversos números de


folhas. Folhas são as superfícies principais da esquadria, por exemplo, quando a
janela abre-se em duas abas, temos 2 folhas. A abertura das folhas podem ser
internas e externas, facilitando a limpeza e estanqueidade da região protegida pela
esquadria. A principal desvantagem do uso desse tipo de janela diz respeito à
aeração do ambiente, pois não há um controle adequado da entrada de ar no
cômodo guarnecido pela esquadria.
- De correr: é o exemplo tão tradicional quanto às esquadrias de abrir, pois
são as esquadrias que “correm” no sentido lateral de acordo com a superfície que a
guarnece, podendo ser apoiadas ou suspensas em trilhos com auxilio de acessórios.
Possui vantagens similares às esquadrias de abrir, porém alguns fabricantes limitam
a abertura até outra folha da esquadria, reduzindo cerca de 50% a possibilidade de
entrada de ventilação. Tal limitação é solucionada quando há um trilho que se
prolonga após a limitação do corpo da esquadria, tornando a folha “escondida”. O
principal problema apresentado em sua longevidade é o desgaste da superfície que
a sustenta, pois com o decorrer do tempo os trilhos inferiores se deterioram
permitindo a infiltração de água e o aparecimento de fissuras. Um exemplo é
apresentado na figura 5.

Figura 5 - Janela de correr de madeira.


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- Basculante: outro tipo constantemente presente nas mais diversas


edificações, as esquadrias basculantes (geralmente janelas e tipicamente utilizada
em banheiros) são caracterizadas pela abertura parcial devido à presença de pivôs
na lateral que possibilitam a projeção interna ou externa ao ambiente. Sua principal
desvantagem é a necessidade de modulação especial, pois possui dimensões
inferiores às janelas tradicionais. A figura 6 apresenta um exemplo de janela
basculante.

Figura 6 - Janela basculante de alumínio.

- Guilhotina: a janela do estilo guilhotina é um dos tipos que vêm caindo em


desuso, antigamente eram utilizadas em moradias e atualmente são encontradas
com mais frequência em casas de campo e hotéis-fazenda. Possuem como
característica a abertura ao deslizar verticalmente uma folha sobre outra, com um
melhor controle de aeração ao ser comparada com janelas de abrir e correr. São
esquadrias que levam certo risco, principalmente em cômodos que possuem a
presença de crianças, pois estas podem destravar a trava de segurança que as
mantém seguras e abertas. Um exemplo é ilustrado na figura 7.
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Figura 7 - Janela do tipo guilhotina.

- Esquadrias Fixas: possuem funções meramente estéticas ou de iluminação.


São comuns em corredores e escadas.
-Maxim-ar: São caracterizadas por serem semelhantes às basculantes, com
translação em torno de eixo horizontal, podendo ser para dentro ou fora da
edificação a sua projeção. Pode ter sua abertura regulada, pois possui uma
corrediça em suas laterais (a basculante só possui um pivô). São fáceis de limpar e
possuem boa estanqueidade. A figura 9 ilustra uma janela maxim-ar.
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Figura 9 - Janela maxim-ar.

- Camarão: são esquadrias que também são conhecidas como sanfonas,


caracterizadas pela presença de mais que uma folhas as quais permitem a dobra e
corrida, possibilitando uma quase que completa abertura dos vãos. Necessitam de
trilhos, inferiores ou superiores para efetuar o correto sanfonamento e a
possibilidade de abertura. Possuem vantagens semelhantes às janelas de correr,
porém podem tornar-se dificultosas com o passar do tempo, pois emperram com
certa facilidade com intempéries e limpeza ineficiente.. A figura 10 apresenta um
diagrama de dobras de uma janela sanfonada.

Figura 10 - Janela sanfonada.


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Classificações quanto à matéria-prima

A classificação quanto à matéria-prima será a classificação utilizada para


realizar um detalhado estudo das esquadrias em geral. Os diferentes materiais, além
de possuírem diferentes características, são facilmente adaptáveis em diferentes
tipos de abertura e podem ser utilizados, quase sempre, diferentes materiais para
diferentes funções.
Assim, as matérias-primas tornam-se o principal diferencial na comparação
das esquadrias, possuindo distintos valores no comércio e, para uma correta
escolha no uso da esquadria na obra, deve-se conhecer os materiais presentes no
mercado da construção civil brasileira. No transcorrer do trabalho, serão
apresentadas as cinco matérias-primas mais utilizadas no cenário nacional: madeira,
alumínio, metal, PVC e vidro, exemplificadas nos dois elementos mais comuns:
portas e janelas.
As matérias-primas possuem distintas particularidades, possuindo diferentes
elasticidades, conforto termo acústico, resistência às intempéries e agentes
biológicos, garantia do produto, enfim, uma infinidade de características que devem
ser analisadas para a correta escolha por parte do profissional. Nos próximos
capítulos serão apresentados os materiais e suas singularidades.
ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO

O histórico do uso das esquadrias de alumínio no país já é antigo, desde 1940


pode-se encontrar fábricas com produção de esquadrias deste material, porém não
existiam perfis extrudados, ou seja, as chapas eram cortadas e trefiladas (espécie
de dobras) até chegar ao tipo de perfil que se desejava. Este processo era
demorado e muitas vezes ocorriam defeitos, com dobras imprecisas, sendo
melhorado somente em 1952 quando os Estados Unidos difundiram ao mundo a
técnica de extrusão (ASA ALUMINIO, 2006).
Extrusão, de acordo com a NBR 6599 (ABNT, 2000), é o processo
metalúrgico que consiste na deformação plástica a quente do material, fazendo-o
passar, pela ação de um pistão, através de um orifício e uma matriz que apresenta o
contorno da secção do produto a ser obtido.
O uso do alumínio é difundido no mundo devido às suas características, tais
como: aparência limpa e moderna, é um material leve, facilitando sua execução e
não acrescentando muita sobrecarga à edificação. Além disso, possui defesa natural
à ação da água e, consequentemente, à corrosão, propiciando maior longevidade
quando em comparação a esquadrias de metais e de madeiras mais simples,
necessitando uma menor manutenção. A fim da obtenção de um melhor caráter
estético ou de uma maior vida útil, pode facilmente receber pintura eletrostática ou
anodização, conferindo ao material final uma maior resistência frentes às
intempéries (ASA ALUMINIO, 2006)
Além de possibilitar vários acabamentos e ser de um material extremamente
durável, a esquadria de alumínio é geralmente muito precisa e estanque (com
exceções das janelas padrão de má qualidade que são vendidas em diversos
centros de construção no país). O alumínio oferece muitas opções de acabamento e
não enferruja, sendo adequado para construções à beira-mar, por exemplo.
Este material é extremamente leve, facilitando a fabricação, instalação e
funcionamento do produto, além disso, diminui o peso nas estruturas principais dos
edifícios.
Sintetizando toda a introdução acima, a utilização do alumínio em esquadrias
pode ser justificada pelas suas vantagens: resistência à corrosão, baixo peso,
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característica estética, disponibilidade no mercado, ser reciclável, fácil moldagem


(podendo ser transformado em diversas formas), variedade dos acabamentos de
superfície, tecnologia moderna, fácil manutenção, durável, boa vedação.

Fabricação das esquadrias de alumínio

A fabricação de esquadrias em alumínio é bem difundida em todas as regiões


do país, estando presente em quase todo o território nacional. As fábricas produzem
todas as classificações de esquadrias trabalhadas no presente trabalho, como
portas e janelas, como ilustrado na figura 16.

Figura 16 - Tipos usuais de esquadrias de alumínio.


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Na fabricação das esquadrias de alumínio estão presentes máquinas como:


policorte (serra de disco), entestadeira, pantógrafo, curvadeira, estampo, entre
outras (ASA ALUMINIO, 2006). A figura 17 ilustra uma fábrica de esquadrias de
alumínio.

Figura 17 - Fábrica de esquadrias de alumínio.


.

Segundo Almeida (1991 apud Santos, 2004, p.52), “o processo de fabricação


de perfis para esquadrias, através da extrusão, produz barras com comprimentos
médios de 6 metros.” O processo de extrusão consiste basicamente nas seguintes
etapas: os lingotes de alumínio são transformados em tarugos cilíndricos, com
posição química de acordo com sua aplicação.
A extrusão é dada por meio de prensas hidráulicas, nos quais os tarugos são
introduzidos e prensados passando através de uma matriz que dá a forma ao perfil,
como apresentado na figura 18.
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Figura 18 - Processo de extrusão do alumínio.

As fases de fabricação, apresentadas por Almeida (1991 apud Santos, 2004),


podem ser sinteticamente demonstradas nas seguintes etapas:
1º passo: Preparação - É a etapa de avaliação da função da esquadria,
dependendo de seu projeto. Levam-se em conta a região de utilização do caixilho,
pé direito da edificação, dimensões e futuros acabamentos do vão.
2º passo: Usinagem - Nesta etapa ocorre as operações de usinagem, em que
as barras de alumínio necessitam de um tratamento de vaselina líquida para a
proteção na fabricação durante o manuseio do material. Dentre os tipos de
processos tem-se cortes (por meio de serras circulares) e estampagem (operação
realizada através de ferramentas especiais para cada tipo de furo, rasgo ou
encaixe). Os dois processos são importantes para a fabricação dos caixilhos de
alumínio, necessitando de precisão para tornar o produto final estanque e nas
dimensões pretendidas para a execução em obra.
3° passo: Montagem – Após as operações de corte e usinagem dos perfis, é
feito a montagem do quadros, com auxilio de acessórios (geralmente macho e cunha
ou parafusos). Após a montagem ocorre a instalação das ferragem e demais
acessórios.
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Execução em obra das esquadrias de alumínio

Para a execução das esquadrias de alumínio em obra utiliza-se contramarco


cortado a 45º e fixado com macho e cunha. A figura 19 ilustra o macho e cunha.

Figura 19 - Exemplo de macho e cunha.

Almeida (1991 apud Santos, 2004) define que o contramarco é um quadro


suplementar de alumínio, chumbado diretamente na alvenaria a fim de garantir uma
vedação e exatidão no preenchimento do vão, racionalizando o processo de
execução e evitando possíveis locais vazados ou não alinhados, ou seja,
proporciona a exatidão nas dimensões de projeto além de garantir prumo, nível e a
proteção na fase de acabamento. O contramarco também permite acabamentos
finais no vão sem prejuízo, pois a esquadria só é adicionada após a colocação
deste.
A figura 20 apresenta um exemplo de chumbamento de contramarco de
alumínio.
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Figura 20 - Chumbamento de contramarco de alumínio.

Também se utiliza na execução de esquadrias de alumínio o marco, que é o


quadro que fica aparente, na periferia da região da esquadria. Marco e contramarco
podem possuir diferentes funções de acordo com a forma de abrir de peças de
esquadrias, por exemplo, caso a esquadria seja do tipo “abrir” marco e contramarco
funcionam como batentes, em caso de portas/janelas de correr, funcionam como
trilhos para a corrida das folhas. A união dos quadros pode ser de duas formas, com
corte a 45º, como o contramarco (também fixado com o macho e cunha) ou com
usinagem a 90º, unido com olhal e parafusos. (ALMEIDA, 1991 apud SANTOS,
2004).
Continuando a execução das esquadrias de alumínio, temos elementos como
folhas, vidros e outros acessórios que se diferenciam de acordo com o fabricante do
material, como borboletas, trincos e roldanas. As folhas podem necessitar de
encaixes para baguetes de alumínio para a fixação de vidros ou estes serão
instalados com o auxílio de gaxetas de borracha ou massas de silicone. Por fim,
após a instalação de folhas e vidros resta somente um acabamento final que pode
ser feito por meio de arremates (ALMEIDA, 1991 apud SANTOS, 2004).
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Também se deve salientar que a esquadria de alumínio necessita de um


tratamento para proteção a fim de evitar possíveis danos como corrosão e uma
deterioração da sua superfície. Frente a isto, têm-se três possibilidades de
tratamento para evitar que danos ocorram e diminuam a vida útil da estrutura:
anodização, coloração inorgânica eletrolítica e pintura eletrostática (ALMEIDA, 1991
apud SANTOS, 2004).
Primeiramente, a anodização tem a função de conferir melhor padrão estético
final à esquadria e também proporcionar melhorar proteção frente à corrosão,
maresias e quaisquer outros ataques que a esquadria possa ser submetida. O
processo de anodização se dá através de um banho de ácido eletrolítico com tensão
de alimentação na faixa de 14 a 20 volts e intensidade de corrente de 1,5 A/dm²
proporcionando um aquecimento do banho (ALMEIDA, 1991 apud SANTOS, 2004).
Além disso, têm-se cuidados como temperatura entre 18 e 20ºC e
refrigeração com ar contínua. Com este ambiente criado, há decomposição do ácido
e uma reação que gera óxido de alumínio, conhecido como alumina que possui a
característica de ser mais resistente que o material inicial. Após o processo de
anodização deve ocorrer a selagem que é descrita como uma etapa complementar e
obrigatória, pois confere uma melhor resistência à corrosão atmosférica. O processo
de selagem é sinteticamente descrito como um mergulho do alumínio anodizado em
uma cuba d’água (destilada ou dionizada) levado à ebulição (98 a 100 graus
Celsius). Nestas condições a alumina se hidrata e aumenta seu volume, o que
acarreta o fechamento total de seus poros. A figura 21 apresenta uma estrutura de
alumínio sendo anodizada.

Figura 21 - Alumínio sendo mergulhado em tamque para anodização.


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A segunda forma de proteção é a coloração inorgânica eletrolítica que se


baseia no uso de corrente alternada que acaba por atrair sais metálicos para o fundo
dos poros. A diversidade de tons se dá devido à quantidade de sais metálicos
utilizados no processo.
A última forma de proteção é a pintura eletrostática, sendo o processo mais
utilizado na proteção e decoração do alumínio.

O processo de aplicação da pintura é realizado em uma cabina utilizando


uma pistola de ar comprimido de baixa pressão. Em sua ponta existem dois
eletrodos ligados uma fonte de alta voltagem (até 90 mil volts).
Ao passar por ela, o pó recebe uma carga positiva e, pelo princípio de
atração eletromagnética, é atraída pela peça metálica ligada a terra. Este
princípio oferece ao produto segurança de uma cobertura perfeita e
uniforme, mesmo nas reentrâncias e cavidades de difícil acesso, cobrindo-
as com uma camada que pode variar de 40 a 100 micra.
O sistema de pintura eletrostática exige que a peça passe por um pré-
tratamento antes de ser pintada, eliminando-se resíduos como óleo, graxa,
sujeira e remoção de oxidação. Após o pré-tratamento, a peça vai para a
cabina de pintura e depois para uma estufa a uma temperatura de
aproximadamente 230º à 250º C, por um tempo de 15 a 30 minutos, onde é
feita a polimerização do produto. (ALMEIDA, 1991 apud SANTOS, 2004,
p.57).

A pintura eletrostática também é conhecida como sendo o processo chamado


de lacagem e a imagem 22 pode ilustrar a pintura.
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Figura 22 - Pintura eletrostática

As principais vantagens da pintura eletrostática são: acabamento homogêneo,


pintura total da esquadria, aderência elevada, resistência a impactos, a ferrugem e a
altas temperaturas.
A figura 23 mostra um comparativo da pintura final, comparando alguns tipos
de anodização com a pintura eletrostática.

Figura 23 - Comparação de proteção de alumínio.


3. ESQUADRIAS METÁLICAS DE FERRO E AÇO

As esquadrias metálicas são esquadrias tradicionais, muito utilizadas


antigamente e que, atualmente, vêm perdendo espaço para novas tecnologias,
como esquadrias de PVC.
A fácil disponibilidade no mercado com custos relativamente baixo torna o
ferro uma matéria prima bastante competitiva para a indústria de esquadrias, pois o
material apresenta a propriedade de ser facilmente personalizado, tornando-se uma
boa opção para obras onde se necessita de um dimensionamento particular da
esquadria. Porém o fato de o material ser susceptível aos efeitos da corrosão,
necessitando de constante manutenção, acaba muitas vezes contribuindo para a
escolha de outro material.
O aço, que possui características semelhantes ao ferro, porém com melhor
desempenho frente às intempéries, ainda é tido como uma boa alternativa na hora
da escolha do material utilizado em obra, sendo utilizado em diversas tipologias de
esquadrias, porém apresenta custo superior ao ferro (FLEXEVENTOS, 2006 apud
HUTH, 2007).
Como o presente trabalho prioriza portas e janelas, a presença de esquadrias
metálicas nestas duas tipologias se dá em maior volume na produção de janelas,
enquanto portas metálicas, atualmente, são pouco encontradas em residências de
médio a alto padrão.
O aço utilizado em esquadrias é composto por ferro, carbono e uma leva de
outros materiais em menor quantidade, como silício, cobre e manganês. Cada
elemento, quando adicionado à liga metálica, confere certa particularidade, por
exemplo, a adição de cobre confere ao aço uma maior resistência frente à corrosão,
proporcionando uma maior durabilidade ao material. A adição de zinco, comumente
chamada de galvanização, também confere ao aço maior resistência frente ao
ataque corrosivo, além de proporcionar uma melhor aparência ao produto (ORSE,
2004).
As esquadrias de aço e ferro, assim como os outros tipos apresentados no
presente trabalho, devem apresentar eficácia frente aos seguintes aspectos:
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- estanqueidade ao ar e água (deve apresentar vedação adequada);


estanqueidade a agentes externos e pó (proteger contra a entrada de animais e
sujeira originadas do meio externo);
- isolamento térmico e acústico (não deve transmitir com facilidade o calor
nem propagar sons para o ambiente interno);
- satisfatória aeração (proporcionar a circulação do ar, podendo alternar o
fluxo dependendo do modo de sua abertura/fechamento);
- satisfatória iluminação (permitir a entrada de luz);
- resistência própria (apresentar resistência para não se degradar durante o
transporte,
- resistência quanto à presença de cargas de vento, independente da altura
de utilização desta esquadria;
- devem ser de fácil manuseio, execução e manutenção.
A figura 26 apresenta um exemplo de esquadrias de ferro e aço facilmente
encontradas no cenário nacional atual.

Figura 26 - Exemplo de esquadria de ferro e aço.

As esquadrias de ferro e aço são recomendadas para quaisquer ambientes,


exceto em regiões litorâneas em que este é submetido à maresia e pode perder sua
durabilidade. O aço define uma estrutura robusta ao produto final, possuindo maior
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resistência a impactos quando comparado aos outros materiais em estudo, como o


alumínio e o PVC.
As desvantagens na utilização de janelas e portas em aço são, além do custo,
o aspecto não tão atraente e um menor conforto térmico acústico quando
comparado ao alumínio e ao PVC. Já o ferro possui menor custo, porém apresenta
menor resistência a impactos e à corrosão, necessitando de maior manutenção.
Uma característica diferente dos outros materiais é que as portas metálicas
possuem tipologias nem sempre encontradas em outras matérias-primas, como as
portas corta-fogo. O quadro 1 apresenta os tipos de portas metálicas encontradas na
construção civil nacional.

Quadro 1 - Tipos de portas metálicas.

Tipo de porta Sistema e características Indicação e uso


locais onde há brusca
variação de temperatura,
folhas, batentes e
com fluxo intenso de
Giratória sistemas em função do
pessoas (lojas, metrôs) e
uso
mais recentemente em
segurança bancária
sistemas com rodízios,
Garagens, indústrias e
De correr mecanismos de controle
comércio
para abrir e fechar
Folhas de aço com núcleo
isolante e incombustível
com fechaduras e
dobradiças especiais que todas as edificações nas
Portas corta-fogo mantém a porta sempre quais é obrigatório o uso
fechada, como opcional de portas corta-fogo
podem ter molas e
sistemas de alarme
eletrônico
vários sistemas
mecanizados ou não
De suspender garagens
(articulada, deslizante e
basculante)
sistemas de correr
Cortinas verticais, articuladas, de lojas, galpões e depósitos
enrolar, embutir, etc...
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Fabricação de esquadrias metálicas

As esquadrias de aço são geralmente produzidas em perfis “I”, “T” e “L”,


podendo ser encontrados também perfis em chapas de aço ou tubulares enquanto
as estruturas de ferro são geralmente fabricadas em barras circulares, por se
tratarem, geralmente, de grades. O ferro também é encontrado na fabricação de
janelas, pois o aço, embora mais durável, não apresenta facilidade em ser modulado
e, assim, é encontrado em dimensões específicas. As estruturas de ferro também
possuem baixo custo de produção, tornando o produto final mais barato que a
maioria dos outros materiais.
Os passos para fabricação de esquadrias metálicas são basicamente
semelhantes aos descritos na fabricação de quadros de alumínio. A imagem 27
ilustra os passos para produção de esquadrias metálicas.

Figura 27 - Fluxograma de produção de esquadria de ferro/aço.

A principal diferença na produção dá-se na fase de limpeza e proteção, na


qual o aço sofre o processo de galvanização. Galvanização é o processo de
revestimento de um metal por outro mais nobre a fim de proporcionar melhor
resistência frente à corrosão ou até mesmo conferir melhor aparência ao metal.
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Execução em obra de esquadrias metálicas

Para a execução das esquadrias de aço e ferro deve-se prestar atenção nas
características de fábrica, pois a estrutura vem composta por acessórios, como
grapas e chumbadores, que servem de guia para a fixação da esquadria. Também
se deve cuidar o armazenamento das peças em obra, evitando empilhamento, e a
conferência no ato do recebimento quando comprada. Em síntese, pode-se dizer
que a execução de esquadrias de aço e ferro é dada pelas seguintes etapas:
1º Passo: Conferência das medidas de projeto e das medidas em obra (a
abertura do vão deve apresentar, geralmente, uma folga de 2,0 cm a cada lado para
preenchimento) a fim de evitar maiores problemas caso o vão não esteja correto.
Também se deve verificar a conformidade de vergas (em portas) e contravergas (em
janelas), a imagem 28 demonstra como deve se apresentar a alvenaria antes da
fixação.

Figura 28 - Alvenaria antes da fixação da esquadria.


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2º Passo: Deve-se centralizar a posição da esquadria no vão, conferindo


nivelamentos e correto posicionamento do peitoril, do prumo, e das possíveis
diferenças de cotas, como o assentamento de um futuro piso.
3º Passo: Deve-se calçar vergas e contravergas em suas regiões periféricas,
com distância de 60 cm entre os diferentes calços. Não deve ocorrer presença de
calço na região central, somente em posições laterais, permitindo, após a execução,
o correto funcionamento de abertura que a esquadria conter. Após o calçamento,
deve-se verificar níveis e prumos novamente.
4º Passo: Chumbar e parafusar a esquadria, fixando-a e testando sua
abertura. Também deve-se verificar todo o quadro da esquadria a fim de evitar que
esta apresente algum problema antes do preenchimento final de argamassa.
5º Passo: Preencher a folga da esquadria e vão com argamassa (traço 1:3) a
fim de conferir estanqueidade à estrutura. Este passo deve ser extremamente
cuidadoso a fim de evitar a penetração de água e o surgimento de possíveis
infiltrações.
6º Passo: Secagem da argamassa e proteção final da esquadria, protegendo
ela contra a corrosão e o ataque de agentes externos. Também deve-se cuidar para
que a esquadria pronta não seja prejudicada com a presença de pó de cimento, cal
e outros materiais. Para isto, geralmente a esquadria é plastificada.
4. ESQUADRIAS DE VIDRO

O uso do vidro na construção civil cresceu rapidamente a partir do século XX,


devido a diversas pesquisas tecnológicas que permitiram o desenvolvimento deste
produto, deixando de ser produzido artesanalmente e passando para produção
massiva. Por definição o vidro trata-se de uma substância inorgânica, homogênea e
amorfa, obtida através do resfriamento de uma massa de fusão, sendo que, em
decorrência disso, suas principais qualidades são a transparência e a dureza
(BUENO, 2000).
O vidro é utilizado primeiramente pela qualidade da transparência, sinônimo
de luz e de comunicação. Huth, (2007, p. 24), descreve: “é o único material que
possibilita a visualização do produto que ele contém ao mesmo tempo em que o
protege contra radiações que o deteriorariam”.
Outra propriedade importante é a dureza deste material, o vidro não é poroso
e nem absorvente, trata-se de um bom isolante acústico, com baixo índice de
dilatação e condutividade térmica (BUENO, 2000).
.
Adicionalmente, o vidro exerce a função de equilibrar a temperatura e a
luminosidade nos ambientes, podendo tanto favorecer quanto impedir a passagem
de luz e calor. Em regiões de baixas temperaturas, indica-se a utilização de vidros
incolores que permitem a máxima entrada de luz e calor. Já em regiões de
temperaturas elevadas, deve-se optar por tipologias termoabsorventes, que
restringem a entrada de calor. Com isso, ocorre uma redução significante no
consumo energético, pois reduz a necessidade de sistemas artificias de calefação.
(BUENO, 2000).
O vidro encontra-se na construção civil sob diversas formas, como em
janelas, portas, blocos, elemento decorativo, divisória, entre outros. As esquadrias
de vidro, especificamente, adequam-se perfeitamente em diversos tipos de obras,
sejam elas residenciais, comerciais e industriais
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Em síntese, podemos destacar que a importância do vidro na composição das


esquadrias está relacionado às seguintes propriedades: Transparência, dureza,
proteção contra radiação solar, isolamento térmico e acústico, além do valor estético
que os diversos tipos de vidros proporcionam nos acabamentos.
A figura 29 apresenta a fachada de uma moderna edificação executada com
vidro.

Figura 29 - Fachada moderna executada com vidro.

São várias as tipologias de vidros disponíveis no mercado. O vidro sem


nenhuma espécie de transformação é chamado recozido, devido ao seu processo de
fabricação. A partir desse, são produzidos todos os outros diversos tipos de vidros.
Dentre os principais tipos de vidros utilizados nas edificações, destacam-se os
vidros de segurança, que possuem características favoráveis à resistência mecânica
e proporcionam padrões de segurança superior ao vidro comum. As esquadrias de
vidros de segurança são indicadas para áreas de maior risco de acidentes, sujeitos a
impactos, choques térmicos ou utilização sob condições adversas, que requeiram
resistência mecânica (BUENO, 2000).
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Bueno (2000, p.35) esclarece que “a diferença fundamental entre o vidro de


segurança e o comum é que ao ser fraturado o vidro de segurança produz
fragmentos menos suscetíveis de causar ferimentos graves do que o vidro comum.”
Os vidros de segurança são basicamente dois: o aramado e o laminado
(HUTH, 2007).
O vidro laminado caracterizam-se por possuir duas ou mais lâminas de vidro
interligadas, sob calor e pressão, por uma película. Oferecem boa segurança, pois,
ao se quebrarem, os cacos do vidro ficam grudados na película e não se dispersam
pelo ambiente. Assim como o vidro temperado, o vidro laminado não pode ser
cortado na obra, devendo ter suas dimensões especificadas previamente (BUENO,
2000).
O vidro aramado, por sua vez, é incorporada uma rede metálica de malha
quadrada, tendo como principal característica a resistência ao fogo e diminui o risco
de acidentes, pois ao ser quebrado, não estilhaça, sendo que os fragmentos de vidro
mantem-se presos à tela metálica (BUENO, 2000).
Outro tipo de vidro muito utilizado com diferentes aplicações são os vidros
temperados, o qual tem sua resistência aumentada pela têmpera, processo no qual
o material é aquecido a uma temperatura critica e depois resfriado rapidamente.
Estre processo faz com que ocorram tensões residuais de compressão na sua
superfícies e tensões de tração na parte internas, aumentando consideravelmente
sua resistência mecânica, sendo que o vidro apresenta grande resistência as
tensões de compressão (HUTH, 2007).
São indicados para locais susceptíveis a impactos, choques térmicos e
principalmente onde se deseja o máximo de transparência com o mínimo de
elementos estruturais de sustentação. Um exemplo comum de utilização são em
fachadas de edifícios e vitrines (BAUER, 1994 apud HUTH, 2007).
Outro ponto da versatilidade das esquadrias de vidro se dá pelas diversas
possibilidades de acabamento que ele apresenta, podendo ser incolor ou colorido,
serigrafado, impresso, reflexivo, fosco, dentre outros beneficiamentos que possuem
função estética e funcional.
Os vidros coloridos, serigrafados, pintados a frio ou impressos são muito
utilizados em fachadas e vitrines, servindo a fins comerciais e publicitários, podendo
estampar identidade visual de empresas.
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Ademais, importante mencionar que o vidro colorido também pode cumprir


uma função estética adicional, que é a de influenciar nos padrões de iluminação do
ambiente em que é aplicado.

Uma desvantagem do vidro é que em locais em que a segurança do imóvel


deve ser maior, a utilização de portas e janelas de vidro pode não ser uma boa
opção, já que deixa o local mais exposto, posto que grande parte dos vidros
possibilita visão completa dos ambientes, e podem ser estilhaçados facilmente.
Para atenuar parcialmente esse problema, no que se refere à exposição do
interior do imóvel, uma alternativa são as esquadrias de vidro impresso, serigrafados
ou refletivo, que contribuem significativamente para aumentar a segurança quando
se faz uso desse material na aplicação de esquadrias, conforme fica demonstrado
nas figuras 32 e 33.

Figura 32 - Efeito do vidro impresso em esquadria.

Figura 33 - Vidro refletivo em esquadria.


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Fabricação e execução de esquadrias de vidros

O vidro é obtido através da fusão, em altas temperaturas, de uma mistura de


materiais como sílica (areia), potássio, alumina, sódio (barrilha), magnésio e cálcio.
Apresentam propriedades que os tornam elementos importantes na composição de
diversas tipologias de esquadrias utilizadas na construção civil. A execução das
esquadrias de vidros pode ser através de caixilhos ou autoportante.
Para execução onde se utiliza caixilhos, Zulian et al. (2002) orientam os
seguintes cuidados:
- Utilização de mão de obra treinada, preferencialmente por profissionais da
própria empresa fornecedora do material.
- O vidro, após o recebimento deve ser armazenado, devendo ser posicionado
verticalmente com leve inclinação.
- Utilização de massa na parte interna e externa do caixilho, mesmo com a
utilização de baguetes.
- Após a instalação do vidro, sinalizá-lo com um “X”, de maneira que fique bem
visível, afim de evitar acidentes.
- Na limpeza final, tomar cuidado para não utilizar produtos químicos, que
possam danificar o vidro. Deve-se utilizar apenas água detergente neutro, ou
produtos limpa vidro apropriados.
Nas instalações autoportantes (quando não são utilizados caixilhos), Bauer
(1994 apud Huth, 2007) explica que: a instalação de vidros autoportante é feita
através de ferragens metálicas fixadas diretamente no vidro e na estrutura de
sustentação, ou seja, as ferragens fazem a ligação direta desses elementos,
transmitindo os esforços sem a utilização de caixilhos de outros materiais. Entre as
ferragens e o vidro, devem-se utilizar materiais imputrescíveis, não higroscópicos
que não escoem ou desgastem com o passar do tempo para garantir melhor
funcionamento da esquadria.
5. PATOLOGIAS RELACIONADAS ÀS ESQUADRIAS

Assim como os demais elementos construtivos, as diversas tipologias de


esquadrias também sofrem com manifestações patológicas ao longo de sua vida útil.
Seja por falhas durante a produção e execução ou devido a condições climáticas
desfavoráveis, é necessário conhecer os principais fatores que interferem na
funcionalidade e durabilidade das esquadrias, afim de que se possa evitar a
ocorrência de futuros problemas.
Uma manifestação patológica bastante comum nas edificações ocorre na
interface esquadrias/alvenaria. O aparecimento de fissuras inclinadas nos vértices
superior e inferior dos vãos das esquadrias são causadas por sobrecargas
uniformemente distribuídas. Para evitar essas manifestações deve-se utilizar vergas
e contra-vergas prolongadas além do vão, para que se tenha uma melhor
distribuição de esforços (MOCH, 2009).

Figura 34 - Fissura devido a ausência de contraverga.


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Outra patologia bastante comum está presente nas esquadrias de madeira, as


quais apresentam vulnerabilidade a diversos agentes externos.
A presença de umidade, a radiação solar e agentes biológicos como fungos e
insetos, atacam facilmente os elementos constituintes da madeira, ocasionando
primeiro a perda de suas características estéticas e posteriormente sua degradação.
A melhor solução para preservação da madeira e a manutenção preventiva,
visto que existe no mercado uma vasta linha de produtos que quando aplicados
corretamente aumentam a vida útil da madeira. No entanto, deve-se salientar que a
aplicação destes produtos deve ser rotineira. Na figura 36 é possível observar uma
porta de madeira em estado de degradação.

Figura 35 - Processo avançado de degradação em esquadria de madeira.

Já as esquadrias constituídas por materiais metálicos são susceptíveis a outro


tipo de patologia, a corrosão. Estre processo acorre devido a exposição do metal
com o ambientes externo, onde há presença de grande numero de soluções
aquosas. A corrosão é o processo de deterioração progressiva do metal proveniente
de uma reação química ou electroquímica que transforma o ferro em oxido de ferro
hidratado (ferrugem). A melhor solução para sanar os efeitos da corrosão é a
intervenção preventiva, através de pintura. A pintura tem a função não somente
estética, mas de proteger e isolar o metal de todo e qualquer contato com o meio
externo ao qual o material está exposto.
A figura 36 demonstra o processo avançado de corrosão em uma porta de
ferro.

Figura 36 - Corrosão em esquadria de ferro.