Você está na página 1de 9
Sidney Antonio da Silva. 4 PERUANOS EM MANAUS, BOA VISTA E PARACAIMA: TRAJETORIAS E PROCESSO: IDENTITARIOS presenca peruana nas cidades de Manaus, Boa Vista e Paca AM: 1 € relativamente recente, ou seja, remonta as décadas 1980 e 1990 do século passado. Contudo, é na década de 2000 qt tal presenga se intensificou e se consolidou como uma imigragio vol tada para alguns setores do mercado de trabalho local, tais com comércio, satide, educagao, gastronomia, entre outros. As razées os levam a sair do Peru sio miltiplas, porém a busea de novas 0 tunidades no mercado de trabalho brasileiro acaba prevalecendo com 4 principal justificativa para emigrar. Oriundos, em grande parte di Amazonia peruana ou da capital, Lima, parte deles vislumbra et ‘Manaus o centro mais importante da Amazdnia brasileira, um ly para reconstruirem suas vidas. Outros seguem o caminho rumo: extremo norte do Brasil, passando por Boa Vista e chegando a caraima, na fronteira com a Venezuela. E, portanto, objetivo de trabalho reconstruir as trajetérias realizadas por eles tanto no esp: geogrifico, quanto sociocultural, buscando entender o papel das des sociais no direcionamento dos fluxos migratérios, bem como. (re)construgio de novas identidades, num contexto marcado por mt tiplos estranhamentos. ‘A partir da observagio in loo, realizada em diferentes moment nas cidades de Manaus, Boa Vista e Pacaraima, abrangendo hom 258 | Sidney Antonio da Silva mulheres adultos e independentemente da sua condigio juridica, buscar-se-d por meio de uma anslise comparativa apontar diferencas e semelhangas dos processos identitirios empreendidos por eles nos contextos em foco.! Considerando que as identidades esto sujeitas a constantes reconstrugées, tomamos como referencia o conceito tra~ balhado por Stuart Hall, para o qual a identidade torna-se uma cele~ brasio mével, formada e transformada continuamente em relagio as formas pelas quais somos representados ou interpelados nos sistemas culturais que nos rodeiam” (2006, p. 13). Tal conceito permite olhar estes processos identitirios a partir de diferentes perspectivas, tanto do ponto de vista dos imigrantes, quanto do ponto de vista da socieda- de envolvente, evitando, assim, o risco da sua essencializagao, que no pior dos casos, abre espaco para a estigmatizacao e intolerancia, alias, cada vez mais presente nos contextos migratérios contemporineos. © contexto amazénico Grande parte dos peruanos que vivem na Amazénia brasileira € oriunda da Amazénia peruana. Isto se deve, em parte, pela facili- dade de acesso ao territério brasileiro, ou seja, através da malha flu- vial que liga os dois paises. Outros, como os oriundos de Lima, a capital do Peru, ou de outras cidades, como Yurimaguas, Pucallpa, Huancayo, seguem até Iquitos, capital da regiio de Loreto, e dai tomam um barco até a fronteira brasileira, passando pela pequena cidade de Santa Rosa, do lado peruano e depois Tabatings, do outro lado do rio Solimdes. Em Tabatinga cles seguem de barco até Manaus pelo rio Solimées, numa viagem de pelo menos 72 horas. Outros entram pela fronteira com o estado do Acre, partindo de Cusco em avido até Puerto Maldonado. Depois seguem pela estrada do Pacifi- co ate Inapari, cidade vizinha a Assis Brasil, no Acre. Jé no Brasil, alguns seguem para as cidades acrianas de Brasileia e Rio Branco, outros seguem até Manaus (AM) (Santos, 2011, p. 37). Para os que * Em Boa Vista o wabatho de campo fi facilitado pela mestrnéa Alessandra Rut igo, a quem sou muito grato, pois. sem a sua meso, o contato com os peruanos tr sido’ mato mai dtl ¢ demorado Peruanos em Manaus, Boa Vista ¢ Pacaraima | 259 seguem até Boa Vista (RR), a capital amazonense é apenas um lugar de passagem, ou de tentativas de insergo no mercado de trabalho local. De Manaus a Boa Vista sio mais 700 quilometros, feitos, em geral, de énibus, pela BR 174. De Boa Vista a Pacaraima sio mais 215 quilémetros, feitos de dnibus ou pelo sistema de lotacio, ofere- cido por alguns taxis da capital roraimense. Na fronteira com o Brasil eles recebem um visto de turista, po- dendo permanecer no pais até noventa dias, sendo renovavel por mais noventa dias. Entretanto, apés 0 vencimento deste periodo, grande parte deles permanece indocumentada, pois o Estatuto do Estrangeiro nda vigente no pais, 86 permite a regularizagao mediante o casamento com cénjuges brasileiros ou em base a filho nascido em tertitério nacional. Como grande parte deles nio se enquadra em nenhuma dessas exigéncias, a solucdo é esperar uma possivel anistia, que tem sido oferecida pelo governo brasileiro de dez em dez anos, A tiltima foi em 2009, e cerca de 45.000 estrangeiros foram beneficiados, Do ponto de vista numérico ¢ dificil quantificar a presenga pe~ ‘uana em terras amazonenses. Dados da Fundagio Joaquim Nabuco apontavam para a presenga de 40,000 imigrantes (regulares ¢ irregu- ares) no Amazonas em 2000. Ja a Policia Federal em 2010 apontava para um modesto nimero de 15.369 imigrantes regulares em todo 0 estado. Os peruanos representam, segundo esta fonte, uma pequena parcela, cerca de dois mil. Tal dado revela a discrepancia entre os ‘imeros fornecidos pelas fontes oficiais e de outras instituiges nao governamentais, pois aquelas no captam os que esto em situacio inregular. De qualquer forma, o Brasil e, particularmente, a Amazi~ nia tem sido 0 destino de muitos peruanos, que desiludidos com a situagio econdmica, politica e social do seu pais, comesaram a vis- Jumbrar novas possibilidades de emigracao, a partir da década de 1980. Entre os principais destinos, segundo o Ministério das Rela- ses Exteriores do Peru (2003), esto: Estados Unidos, Argentina, Venezuela, Espanha, Ieilia, Japéo entre outros. No Brasil aparece 0 modesto ntimero de 25,000 emigrados. Contudo, dados da Pastoral dos Migrantes apontavam para um contingente de 15.000 peruanos 260 | Sidney Antonio da Silva somente na Triplice Fronteira entre o Brasil, o Peru ¢ a Colombia (Silva, 2010, p. 207). é periodo de entrada no Brasil levantado pela nossa pesquisa ‘mostra que a maioria deles emigrou entre as décadas de 1990 e 2000, que o pico da emigragio se dew a partir do ano 2000. Segundo Huallpa (2008), somente em 2007 se estimava que mais de 177.000 pessoas nascidas na Amaz6nia peruana viviam no exterior (2008, p. 107). Se, por um lado, segundo o mesmo autor, peruanos dessa re- gio emigram para a Amazénia brasileira, por outro, o inverso tam- bém acontece. A Amazénia peruana tem recebido imigrantes do Brasil, Coldmbia, Estados Unidos e Canad, bolivianos, entre ov- tos, As atividades que 0s atraem so as relacionadas a extragio ée petréleo, projetos de infraestrutura ¢ extragio de madeira, ‘A “preferéncia” pela Amaz6nia brasileira se deve, em parte, pelo fato de que estes deslocamentos tém baixo custo de locomosao, ja que grande parte dos percursos € feita em barco ¢ pelo pouco contro- Ie nas regides de fronteira, Os centros urbanos que mais concentram peruanos so Manaus (AM) ¢ Boa Vista (RR). Além dessas duss capitais, outras pequenas cidades também atracm imigrantes, como €o caso de'Tabatinga ¢ Benjamim Constant (AM), na fronteira com o Peru, e Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, Nessas c- dades fronteitigas, o que atrai os peruanos sfo as chances de trabalho no comércio, tanto formal quanto informal. Além dessas possibili- dades, outros setores do mercado de trabalho também oferecem ¢- pagos, como € 0 caso dos trabalhadores da satide, médicos ¢ enfer- meiros, os quais se fazem presentes, particularmente, nas pequenas cidades do interior da Amazénia, onde ha demanda dessa mio de obra, A educagio, a gastronomia ¢ o setor de servicos, também atra- ‘em profissionais peruanos(as). Seja em Tabatings, Manaus, Boa Vista ou Pacaraima, eles c- ‘megam como vendedores ambulantes pelas tuas e feiras livres e de- pois abrem pequenos negécios, voltados, em geral, para o mercalo do artesanato, de roupas, CDs, bijuterias, gastronomia, movelaria, hortifrutigranjeiros e servigos em geral. Peruanos em Manaus, Boa Vista ¢ Pacaraima | 261 O perfil desses imigrantes que foi se construindo desde os anos 80, se enquadra no ja conhecido perfil das migragées laborais que marcaram o continente sul-americano nas iltimas décadas do século passado. Em geral eles sio jovens, solteiros, do sexo masculino e femi_ nino, numa faixa etaria que vai dos 20 aos 35 anos, com nivel de es colaridade médio, equivalente 20 segundo grau no Brasil Entretanto, € possivel encontrar também imigrantes com o primeiro grau incom- pleto ¢ com idade ja mais avangada, acima dos sessenta anos, indicando tum provesso de migrasio da familia ampliada, Nesse caso, algum fi Iho jem condigao melhor, comeca a trazer outros membros de euas familia, entre eles irmios ¢ pais. Contudo, para os imigrantes nessa faixa etitia, o proceso de insercio num novo contexto As vezes & pro- blemético sja pela dferengas cultura, seja pela pouca qualifcasto, fato que acaba incidindo na qualidade de suas vidas. F.o caso do Sr. Vicente, natural de Ayacucho, de 67 anos de idade e com nivel de escolaridade priméria. Atualmente vive em Pacaraima e cuida de um Pequeno negocio do filho, Tendo de pagar um aluguel mensal de auinhentos reais pelo local onde vive e trabalha, ele lamentou 20 pes- 4uisador pouca atengio do filho,casado com uma brasileira, F para completar sua dramitica situago, convidou-me para ver a esposa na utra parte da casa, a qual passa o dia na cama, pois esti muito doente. Esse exemplo revela a importancia das redes sociais no dire cionamento © manutengio dos fluxos migratérios. A maioria dos ‘entrevistados disse ter algum tipo de contato no Brasil antes de emi- ‘sr, seja um familiar ou um amigo, facilitando-lhes a insergio, tanto em Manaus, quanto em Boa Vista ou Pacaraima, E evidente que tais reds acabam eriando também relagoes de dependéncia, em que 0 favor (dom) pode transformar-se em divida, prendendo e subjugan- do quem o recebe. E 0 que constatou Silva (1997), no contexto das confeeges em Sio Paulo, onde as relasées de compadrio e amizade se confunclem com os interesses econdmicos dos empregadores boli- vianos. Tanto em Manaus quanto em Boa Vista, foram constatadas situagdes andlogas, em que a ajuda inicial dada por um parente pode converter-se numa relaio de exploracio e dependéncia, 262 | Sidney Antonia da Sifoa E sabido que a condigio de indocumentagio vivida inicialmente pela maioria deles pode corroborar para a emergéncia e prolonga- mento de tais relagbes. Contudo, importa lembrar que @ Cie imadangs do eat juitica do inigrante no sign grania de rudanga na sua qualidace de vida, Isso porque grande parte deles confines vnclada ao mercado de bal informal, ea pel gran de oferta de trabalho, em geral compatriots, seja por vslumbrar um breve retorno ao pais de origem. A regularizagao de sua situagio, pode, outrossim, abrir novas portas para o mercado de trabalho, ge- rantir direitos sociais, como 0 acesso a educagio, a ey para a compra da casa propria, sonho de todos ees, que oa a acaba pesando no orsamento doméstico. Essa é uma das sae pe aquais muitos preferem os barros mais afastados para viver. Em Boa Vista, além das pensoes p:6ximas as reas centrais, eles esto presen tesem bso como Libre, Bust, Raia do sol, Conjunto Ci- dadao, Sio Bento, 31 de Margo, Caimbé, entre outros (Santos, 2011, p. 41). J& em Manaus, eles esto mais espalhados pelos bairros da zona leste, norte e centro-sul da cidade, onde se concentram as ofer- tas de trabalho, sobretudo, no comércio. rajetrias e suas representagdes a or mais que seja decisio individual, a migragao implica sem pre um processo de mio dupla, pois ela envolve tanto a ae partida quanto a de chegada. Isso porque, segundo Sayad ¢ 298) ° ‘emigrante seri sempre um imigrante, vivendo a ambiguidade do = pertencimento, pois ela conduz a contradigao constitutiva da con fio do migrante: “ser jgnorada enquanto proviséria , a0 mesmo compos nfo se confessar enquanto transplante definitivo” (1998, p. 46). Ta siuagio permite dizer que para oimigrante nad parece ser defin- tivo, mas sim marcado pela transitoriedade, Nessa perspectiv, ta _jet6rias devem ser entendidas como uma “série de posigdes sucessi- ‘vamente ocupadas por um mesmo agente ou grupo num espago, modificado por ele mesmo e submetido aincessantes trunsformages (Bourdicu, 1986, p. 71). Nesse contexto, é importante considerar as Peruanosem Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 263 imagens construidas pelos imigrantes sobre o pais de destino, mes- mo antes de emigrar. Tais imagens contribuem para a elaboragio de seus sonhos, ou de sua “ilusio migratéria”, podendo tornar-se reali- dade ou nao. Considerando que muitos deles realizam seus desloca mentos em etapas, ou seja, da zona rural do Peru para algum centro urbano, que pode ser Lima, a capital do pais, ou algum centro regio- nal, como é 0 caso de Iquitos, e depois para outros centros urbanos no Brasil, é possivel que tais imagens sofram virias ressignificagGes. O primeiro impacto é de ordem espacial, pois as distincias entre as cidades amaz6nicas jé um é um fator de estranhamento e alumbra~ ‘mento. Para alguns, Manaus estaria mais préxima da fronteira com 0 Peru, do que realmente esti. Depois de trés dias de viagem o transeunte chega a uma cidade, marcada pelas contradigdes econémicas ¢ sociais elas quais passou 20 longo de sua historia, desde a época do fausto, Propiciado pela riqueza do lites, passando pelo period de estagna Sf0 € pelo ressurgimento com a implantagio da Zona Franca, em 1967. Para outros, o estranhamento é, sobretudo, de ordem cultural, pois a imagem que se tem do Brasil é a veiculada pelos meios de comunicasao, ou seja, como o pais do “carnaval e do futebol”. Para Marl, de 35 anos, original de Iquitos e ha dez. anos em Boa Vista, essa imagem mudou tio logo ela cruzou as fronteiras geogrificas dos dois paises. Eo que ela afirmou: ‘pensei que todos eram pretos, mas quando cheguei a realidade nao era esta. Minha ideia mudou. E um lugar onde eu plantei minha arvore para ficar. Vou para o Peru s6 ‘matar a saudade de pai, mie e parents’. De modo geral as imagens que eles tém do Brasil so positivas, sendo representado como um pais onde “hay mucho trabajo”. A ideia de que no Brasil hi muitas oportunidades de emprego Parece nfo se apoiar na realidade, pois, mesmo sendo uma grande cidade, com um pujante polo industrial, alguns peruanos disseram preferir Boa Vista em vez da capital amazonense. Uma das razbes poderia ser a “tranquilidade” que a capital de Roraima Ihes pode oferecer. Entretanto, tudo indica que tal ‘preferéncia” tem a ver com as redes socizis que sto estabelecidas entre eles e em razio das difi- 264 | Sidney Antonio da Silva culdades de insergo num grande centro urbano como Manas, onde a competigdo comercial entre os pr6prios peruanos pode a ‘0 que afirmou Jamiro de 46 anos, original de San Martin, ha ea anos em Boa Vista e vendedor ambulante numa calgada central e Boa Vista. Enguanto vendia os seus produtos, tenteientrevisté-o, ‘Assim se expressou cle: “Brasil es el mejor pais que yo achei para trabajar, De vez em quando la policia molesta. La prefectura esti intentando nos tirar daqui. Mas a gente tem fanili,flho para sus- teary por eso vai tentan. Venter que pear de estar a mas de uma década no Brasil, e’e ainda mistura os dois idiomas, falando: “ aoe ha sete anos em Manaus, o qual havia passado primeiro por Tabatinga, onde trabalhou na compra e venda de pro- dutos hortifrutigranjeiros ¢ depois em Tefé (AM), no ramo da im- portagio de rouas afm: que Manas € melhor porque h mais oportunidades de negécios. E evidente que quem chega a um gran de centro como Manaus com algum capital, as possibilidades de suces- 0 sio maiores, 0 que nio scontece com a maioria dos peruanos(as). Para Carmen, por exemplo, natural de Cusco, a qual veio com trés flhos pequenos eteve de lar sozinha para cuidar dees, a stuagto€ bem diversa ¢, av mesmo tempo, adversa por scr mulher e por estar condigdo de imigrante. . ston qe viem na ona coma Venema ssn sio marcadas pelas oxcilagies das moedas de ambos os paises, pois quando uma moeda se valoriza 0 comércio fica mais vantajoso de um Jado e menos do outro, Com a valorizagio da moeda brasileira 0 comércio de Pacaraima pissa por momentos dificeis, pois para os ‘venezuelanos os produtos brasileiros estio mais caros. Bo que e fatizou Rocio de 66 anos, natural de Chimbote (costa peruana) « ha dois anos em Pacaraima. Ela veio sozinha visitar 0 irmio e acabou feando, Comerou vendenio como amblante nar ago cupa tum boxe num espago que a prefeitura construiu para os camel6s, denominado de “Centro de Artesanato”, Para ela existe na fronteira ‘uma “mafia de cambistas”, tornando 0 cambio desfavorivel. Diante Peruanos em Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 265 dessa situagio ela disse que nio pretende ficar em Pacaraima, por estar indocumentada, Situaglo semelhante é a relatada por Gisele, de 36 anos, casada e natural de El Callao, préximo a Lima. Ela veio em 2000 a convite dos seus pais que moravam em Boa Vista, Em Pacaraima ela trabalha na loja do marido que vende artesanato pe- ruano e brasileiro. Segundo Gisele, os peruanos no foram contem- plados com os boxes no Centro de Artesanato que foi construido pela prefeitura local, porque tinham de votar no prefeito. Como 0 Estatuto do Estrangeiro, vigente no pais desde 1980, nao concede este direito aos estrangeiros, cles ficaram de fora. O mesmo aconte- ceu com o senhor Vicente, jé mencionado anteriormente. No seu caso a situagio € ainda pior, pois, segundo cle, teria pago uma quan- tia de doze mil reais 4 prefeitura pelo boxe, mas ainda nfo o recebeu, A tazio seria a sua situagao juridica de indocumentagio no Brasil. Com a anistia de 2009 cle conseguiu o protocolo que devera ser renovado em 2011, Diante da sua situago desfavorivel ele pensa ira Manaus tentar algo melhor. Jé Gisele pensa ir a Ita, onde tem uma ima, Para os mais jovens a fronteira seria também um lugar de pas~ sagem, pois as oportunidades de estudo e trabalho sio pequenas, as quais se ampliariam em grandes centros urbanos, como Manaus ou em outras cidades do Sudeste do pais. ‘Nessa perspectiva, para alguns peruanos de Pacaraima a fron- seria um lugar transitério €, ao mesmo tempo, mareado pela liminaridade, pois nela o estranho, o diferente é geralmente classifi- cado como “perigoso”, como “invasor” de um espago “sagrado”, que do ponto de vista do Estado-nasao pertence aos brasileiros, Ea per- cepglo de Manoel, natural do Ceara e ha dez anos na cidade, Para cle ‘08 peruanos “sio ambiciosos, chegam e vio invadindo”. Invasor, es trangeiro, imigrante ou simplesmente peruano? Essas so algumas das categoria utilizadas para se classificar aquele que veio de longe, de terras, muitas vezes, desconhecidas e tidas como “exéticas”. Iss0 coloca a problema das identidades no mundo contemporiineo, ques- ‘io da qual nos ocuparemos a seguir. 266 | Sidney Antonio da Siloa As identidades no contexto migratério ‘Tida como um dos fendmenos mais antigos e, 20 mesmo tem- po, mais contempordneos da historia da humanidade, a migragio tem sido abordada a partir de varios enfoques no ambito das ciéncias sociais, indo desde os que atribuem ao individuo a total liberdade de escolha para onde deseja ir, até os que a vem como resultante tio somente de fatores estruturais, Entretanto, “a imigracio nfo € apenas ‘um deslocamento de pessoas e grupos no espaco, atravessando fron teiras intemnacionais; tem sua prépria temporaidade e paradoxos, produz mudangas sociais ¢ culturais, novas identidades, conflitos” (Seyferth, 2007, p. 26). Seu cariter multifacetado dificulta sua apre~ ensio enquanto totalidade, questio essa pretendida pelos estudos ancorados na teoria da assimilago. Importa lembrar que desde 0 estudo de Thomas ¢ Znaniecki em seu jé cléssico The Polish peasant in Europe and America, tal teoria influenciou os estudos de imigragio desde 0s anos 20 do século passado, e teve como um dos seus formuladores Robert Redfield, no contexto da Escola de Chicago. ‘No Brasil, segundo Seyferth (2007), Emilio Willems, foi o primeiro a utilizé-la e a entendia como um processo integrativo em que aca~ bavam prevalecendo os padrées do grupo dominante, mas sem que sem que isso significasse a perda de todas as caracteristicas culturais, do grupo minorititio, Com a nova perspectiva tedrica inaugurada por Burth ¢ Abner Cohen, no inicio dos anos 70, a partir dos conceitos de grupo étnico c etnicidade, temos um novo despertar pelos estudos de imigragio no pais. © foco agora ja nao é a questio da preservagao da cultura, ‘enquanto elemento definidor da identidade étnica, ja que ela & cons- tantemente reiventada, mas as formas de organizagio do grupo que iio definir suas fronteiras, ou seja, os critérios de inclusio ¢ exclusto, bem como sua relago com os demais grupos. ‘No contexto que estamos focando, o da imigragio peruana na Amazdnia, os processos identitirios assumem varios significados, em raza de fatores geogrificos, socioculturais e politicos e, como tais, 36 Peruanos em Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 267 ee | podem ser compreendidos a partir do didlogo com os sistemas cultu- tais onde esto inseridos esses imigrantes. Nossa experiéncia em campo sevelou que as formas pelas quais os peruanos sio representados depen dem da circunstincia ¢ do lugar. Se, num grande centro como Ma- naus, onde a presenga peruana tende a se diluir ou passar “desperce- bida’, seja pela dimensio espacial da cidade ou pelas semelhancas fenotipicas com a populacao local, 0 mesmo nao ocorre numa regito de fronteira, como € 0 caso da Triplice Fronteira (Brasil, Peru, Co- Iombia) ou da fronteira Brasil/Venezuela, No caso daquela fronteira, jé analisada por Silva (2008b), bra- sileiros e colombianos se unem para acusar os peruanos por tudo de ruim que acontece no lugar. Além disso, as epresentagdes sobre eles assumem uma conotacio étnico-racial, jé que sio identificadas como “personas de La Sierra”, ou seja, camponeses e indigenas (20088, p. 43). JA no caso da outta fronteira norte, os peruanos sio confundidos com os venezuelanos em virtude do fator linguistico comum a am- bos. Como as relagdes entre brasileiros e venczuelanos na fronteira tém sido marcadas por conflitos, em razio da forma como a Guarda Nacional daquele pais trata os brasileiros, cxigindo propinas dos que circulam pelas estradas daquele pais, a ideia generalizada que se tem €ade que os venezuelanos “tratam mal os brasileiros”. Segundo Gisele que mora em Pacaraima, ja aconteceram casos em que brasileiros agrediram peruanos pensando que eram venezuelanos. Em Boa Vista, por sua vez, a dinamica identitéria assume ou- tros matizes, isso porque, além de peruanos ¢ venezuelanos, ha ou- ‘0s grupos de imigrantes na cidade, como ¢ 0 caso dos colombianos, equatorianos, bolivianos, guianenses, entre outros. Esses iltimos, por serem negros € pobres, so responsabilizados com frequéncia pelos brasileiros e peruanos pelo trifico de drogas e contrabando de merca- dorias na cidade, Tuis acusagdes, acabam por estigmatizé-los , trans- formé-los no “bode expiatério” dos problemas do lugar e, ao mesmo tempo, como categoria diferenciadora nas relagées identitarias locais. O lugar ocupado por esses imigrantes no mercado de trabalho local é portanto, um elemento diferenciador entre eles, jé que os 26B | Sidney Antonio da Silva ‘venezuelanos sio vistos como comerciantes bem-sucedidos, donos de lojas, os peruanos como ambulantes nas ruas e feiras livres? e os guianenses como possiveis traficantes. Entretanto, na relagio assimé- trica entre brasileiros e peruanos, esses procuram remarcaras diferengas daqueles evocando um suposto ethos do trabalho como balizador entre as nacionalidades. E 0 que sugere Nelson, 38 anos, natural de Lima e comerciante em Boa Vista hi dois anos. Assim disse ele: ‘A veces veo peruanos caminando por la calle y después de un cierto tiempo ya estan con motos y carros. Hay brasilefios que no tienen nada, quedan mucho tiempo esperando alguna cosa del gobierno. Por eso no son empreendedores como los perua~ nos”. E acrescentou: “Veo los peruanos que vienem acé com- prar todos sudados, cansados, pero cuando abren la cartera, tienen mucha grana” (Nelson, Boa Vista, margo de 2011). Em geral a visio predominante encontrada no senso comum & a de que os imigrantes “roubam’ as oportunidades de empregos dos brasileiros, o que nem sempre é verdade, ja que eles, em geral, preen- chem vagas que os brasileros no pretendem ocupar, em razdo das condigdes em que Ihes sio oferecidas. Jé o imigeante na sua condi¢a0 de vulnerabilidade nao tem muitas possibilidades de escolha. S6 lhes resta enfrentar empregos mal remunerados ou inventar outras estra~ tégias de sobrevivéncias. B claro que quando cles comesam a ocupar espacos disputados pela populagao local, como € 0 caso do comércio em Boa Vista, a reacdo de um maranhense pode ser elucidativa. Quan- do indagado sobre a presenga de imigrantes na cidade ele disse enfati- ‘camente: “Deveria expulsar a todos. Nada contra, mas dentro da lei". Tal visio também pode ser confirmada na fala de uma peruana de 66 anos de idade e morada de Pacaraima. Ela afirmou ja ter passado "Taos os domings aon ma nH no bina Tansey New, a ada de "Pen doe Garnier’. Nela€ pone constr ios peruanos que vendem, ton eel, coups feruments, psn, apo, pas, Algo dees vem hat fund cen da cidade dante a semana Pernanes em Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 269 por situagdes constrangedoras, tendo de ouvir insultos de brasileiros gue Ihe diziam: “Por que saem dos seus paises? Nio tem o que co- mer? Por que nio te vis?". Tais reagdes revelam o incdmodo € as ameagas que tal presenca pode ensejar. Se no ambito das relagées de trabalho a competigao dificulta a relagdo entre brasileitos e peruanos, no ambito das trocas culturais elas parecem ser mais tranquilas ¢ interessantes, pois quando per~ guntados sobre o que os brasileiros sabem do Peru, eles dizem que querem conhecer as rufnas de Machu Picchu, que gostam da culiné- ria peruana, da misica andina, entre outras coisas. Isso revela que 03 canais de diélogo entre ambas as culturas si0 ainda pequenos, mas poderiio se aprofundar, & medida que as relagdes econdmicas, politi- cas e culturais entre os dois paises se ampliarem. Um exemplo disso €0 festival da Confraternidade Amazénica que acontece todos os anos na Triplice Fronteira Brasil/Colombia/Peru no final do més de jutho. A festa € realizada em Leticia, cidade colombiana contigua a ‘Tabatinga, e reine grupos de dangas tipicas dos trés paises. Além disso, a cada ano ¢ escolhida a senerita confraternidad, a jovem mais fo, a qual assume 2 snissav de trabalhar pela unito dos povos amazénicos (Silva, 2010, p. 216). A festa passa a ser, portanto, uum espago de afirmagio identitéria nfio apenas dos diferentes grupos que participam do evento, mas também de uma identidade comum 2 todos, ou seja, enquanto amaz6nidas. Da mesma forma em Pacaraima haa realizagio do micaraima, um carnaval fora de época, do qual os ‘yenezuclanos participam ¢ animam a cidade, Isto revela que as fron- teiras sio também lugares de encontro e de trocas simbélicas, Em Manaus o processo de afirmagio e reconstrucio identitiria se amplia, em razao do leque de espagos piblicos construidos e apro- priados pelos peruanos na cidade, entre eles os restaurantes voltados para a comunidade, porém, nao de forma exclusiva, Nesses espagos é possivel encontrar peruanos que viver na cidade, mas também bra- sileiros ¢ imigrantes de outras nacionalidades, os quais apreciam a culindtia peruana. No ambito da miisica temos ce dai resi~ dentes na cidade, mas também outros que passam por Manaus apenas 270 | Sidney Antonio da Sitoa para uma curta temporada em busca da divulgagao de seus trabalhos fe para ganhar algum dinheiro, Entre os grupos mais conhecidos te- ‘moso Salazar, responsivel para animar as noites latinas, todas as quin- tas-feiras, numa conhecida cervejaria da cidade. Além desses espa- ‘508, a Pastoral do Migrante, localizada em duas igrejas de Manaus, ‘uma no centro (Nossa Senhora dos Remédios), ¢ a outra (So Geral- do), na zona centro-sul da cidade. Nessa iltima, uma vez por més acontece uma missa voltada para os imigrantes que vivem na cidade, rezaca em espanhol e francés, em razdo da recente presenca haitiana. E neste local que os peruanos festejam uma de suas devogdes mais populares no Peru, a festa do Seior de los Milagros. Realizada no tlti- ‘mo domingo do més de outubro, 0 ponto central da festa é a pro~ cissio com o pesado andor do santo pelas ruas de Lima, acompanha- da pelos devotos que se vestem na cor morada (roxo), para pagar as suas promessas. Em Manaus também se faz este ritual ¢, além das priticas devocionais, hi também comidas tipicas, entre elas o ceviche (peixe cru marinado no limao), achicha morada (bebida doce de milho roxo), tudo animado com muita musica e dangas de diferentes partes do pais. Jaiem Boa Vista, ao contririo de Manaus, os espacos piblicos conquistados por eles se reduzem, o que poderia ser explicado pela ‘menor presenga de peruanos na cidade e também pelo seu cariter mais recente. A maioria afirmou no conhecer lugares de encontro do grupo, como restaurantes e bares, ¢ também ter poucas amizades com os compatriotas. Quando perguntados se participavam de algu- ‘ma festa peruana, a resposta era a ja conhecida “falta de tempo”. Tal afastamento pode ser interpretado como uma forma de proteger-se do preconceito que Ihes é atribuido pelo contexto local, inclusive pelos meios de comunicagao social, como é 0 caso do radio. Segundo Juen, de 35 anos ¢ ha quatro em Boa Vista, ha um programa numa radio local, denominado de “mete bronca”, © qual estaria incenti- vando o preconceito contra os imigrantes. Nesse sentido, poderia~ mos dizer que 08 espagos de sociabilidade ficam circunscritos a0 Ambito do privado, como a venda de comidas tipicas na casa de algum Peruanos em Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 270 | | compatriota, em que as relagdes de amizade e parentesco passam a ser fundamentais. Da mesma forma, a festa do Serir de los Milagros, realizada pelos profissionais da satide, néo é uma festa aberta 4 co- munidade, mas fica restrita a este grupo de peruanos de condigio social diferenciada, Nesse contexto, os espagos de afirmagao identitiria dependem da circunstincia e da motivagio para serem acionados, fazendo do jogo identitario uma “celebragao mével” e surpreendente, Pois, segundo Nelson, ‘no es el pais que hace uno, es la persona que hace el lugar”. Consideragées finais A trajet6ria da imigragao peruana, seja em Manaus, Boa Vista ou Pacaraima, mostra que, apesar das dificuldades enfrentadas por cada um desses imigrantes, algo eles tém em comum — o desejo de teconstruirem suas vidas no Brasil, Entretanto, como vimos, nem todas trajetérias sio marcadas pelo tao almejado sucesso, fato esse que os leva a rever suas trajetérias, Regressar ao pais de otigem ou partir para outro lugar? A primeira opcio parece estar fora de cogita~ $40, pois, se, por um lado, € preciso considerar que as expectativas depositadas naquele que emigrou sio muitas, inclusive, em alguns 2805, hi um investimento do grupo familiar no seu empreendimen- to migratério, por outro, é preciso avaliar também a situago socio econdmica do pafs de origem, em geral, nada promissora. Descartada esta possibilidade, s6 Ihes resta permanecer onde esta ou partir para alhures em busca de novas oportunidades. Vale lembrar que essa lltima opgio é uma escolha cada vex mais distante, em razio das crescentes restrigdes & imigrasio, impostas pelos paises receptores de migrantes. Nessa perspectiva, o Brasil continua sendo para maioria dos peruanos(as), ainda que em suas representacdes, 0 pais onde a realizagio dos seus projetos de vida pode vir a se tornar realidade. Contudo, a sua permanéncia no pais implica a Tuta pela cida~ dania plena, o que significa direitos civs, sociais, culturaise politicos respeitados, o que nem sempre acontece, jé que no Brasil imigrante rio pode exercer a cidadania politica através do voto. A indocumen- 272 | Sidney Antonio da Sikoa a tagZo ou a impossibilidade de renovarem os seus pedidos de perma- néncia no Brasil, por nfo terem uma atividade laboral formal, os coloca numa condigao de vulnerabilidade, inviabilizando, dessa for~ ‘ma, seus projetos pessoais e familiares. Além disso, terlo de lutar para desconstrur os preconceitos que lhes sio atribuidos pela socie- dade local, ato este que incide diretamente nos processos identitirios empreendido por eles em suas trajetérias amazénicas. Referéncias 7 —_ BARTH, F. Los grupos éinicos y sus fromteras. México: Fondo de Cultus Econémica, 1976. BOURDIEU. P-“Lillusion biographique”. In: Actes dela recherche en Sciences Sociales, jun., n.* 62/63. Paris, 1986, pp. 69-72. A CARMO,R. L. JAKOB, A. A.E.“A migragto estrangeira recente na Ama ‘ina legal brasileira” In: ARAGON, Luis (org,). Migragdointernacia- nal na Pan-Amazinia, Beléen: Naca/UFPA, 2009, pp. 205-19. EMMI, Maia. "isos gets interacionas para a Amana brasie- ado final do século XIX ao inicio do século XX: 0 cxso dositalianos”. In: ARAGON, Luis (org). Migragio internacional na Pan-Amazénia. Belém: [Naea/UFPA, 2009, pp. 263-79. ; HALL, 8. A identidade cultural na pés-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, aie IM. Abordagens pre brea migragao interna rcia M. Abordagenspreliminaresebre a migragiointernacio~ oa annodaponanaen Hanan TCC Mana Uoeniad Fed tal do Amazonas, 2004. _— —"Mobilidade humana na triplice fronteira Peru-Colémbia-Brasil e seus reflexos na cidade de Manaus”. In: VV.AA, Mundos em movimento, Santa Maria: Ed. da UFSM, 2007. : value SANTOS, Alessandra, R. Trajetérias migratsrias«identidades reveladas: a ipresenca de peruanosem Boa Vste-RR. Monografia de conchusao de cur $0 em Ciencias Socisis. Boa Vista: Universidade Federal de Roraima, 2011 a ‘SANTOS, Carlos A.dos; BRASIL, Mania C.8¢ MOURA, Helio A. “Persona non gratae? ~a imigrasio indocumentada no estado do Amazonas’. In “Migragées nternacionais: contribuigées para politcas, Brasilia: CNPD, 2001, pp. 479-88. _ . SANTOS, Funclene R“Migrago transfronesiga na Venemusa’ In: Fst- dies toansades, ol. 20,2.° 57. Sio Paulo: Edusp, 2006, pp. 197-208, Peruanos em Manaus, Boa Vista e Pacaraima | 273 SAYAD. Abdelmalek, 4 imigracdo ou os paradaxos da alteridade. Sio Paulo: Edusp, 1998, =2"O retomo”. Sto Paulo, Thavessia, aimero especial, 2000. SEYFERTH. G. "Os estudos da imigragio no Brasil: notas sobre uma produ- ‘lo multidisciplinar’ In: VV.AA. Mundosem movimento. Santa Maria: Ed. UFSM, 2007, pp. 15-44 SILVA, Sidney A da. Cesturando sonbos. Trajetria de um grupo de bolivianos ‘¢m Sao Paulo, Sio Paulo: Ed. Paulinas, 1997. —-"Os hispano-americanos ea construgio da cidadania”. In: PINSKY, Jaime (org, Pratcadecidadania, S20 Paulo: Contexto, 2004, pp. 55-67. Faces da latinidade. Os hispano-americanos em Sto Paulo. Textos Nepo,n.° 55. Campinas: Nepo/Unicamp, 2008a. —-"‘Nacionalidade e etnicidade na Triplice Fronteira Norte”. In: Cadernos Gera, vol. 19, 1, jun, 2008b, —. “Hermanos amazénicos: processos identitarios eestratégias de mobilidade entre peruanos e colombianos em Manaus”. In: SILVA, S. A. (or Migrantesem contxtosurbanes: uma abordagem interdsciplinar. Mans Edua, 2010, pp. 205-21 —"Priticasculturas urbanas: caso das festas populares". In: SILVA, Sidney As SANTOS, Gilton M. & DIAS JUNIOR, Carlos M. (orgs). dmazi- nia e outros temas. Colegio de Textos Antropol6gicos, Manaus: Edu, 2010, pp. 253-69, —-“Migrasio internacional recente na Amazénia: 0 caso dos hispano-ameri- ‘canos". Contexto Internacional, vol, 33,n. 1, jan.-jun. 2011, pp. 155-77. 274 | Sidney Antonio da Siloa