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© COMPUTADOR PORTATIL NA ESCOLA MUDANCAS E DESAFIOS NOS PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM Maria Euzaseti BIANCONCINI DE ALMEIDA Maris EusaBerre Briso.a Brito PRADO (oncanzaooras) Autores Férima Maria Basarint GEORGE FRANCA José ArMANDO VALENTE Leia Ramos: Maria Epitene Sawviano 0€ OuveiRA Maria ELIZABETH BIANCONCIN! DE ALMEIDA Maria EuisaBerre Brisota Brito PRaDo Mariene Anorave F. Borces Mariza Menoes: SOBRE OS AUTORES Fétima Maria Bagatini é professora de lingua inglesa no ensino fun- damental ¢ médio do colégio estadual Dom Alano Marie du Noday e em curso de formagio de professores do Instituto Federal do Tocantins des- de 2009. Licenciada em Letras pela Universidade Luterana do Brasil - ULBRA, Palmas-TO e especialista em lingua inglesa e metodologias de ensino-aprendizagem, pela Universidade Federal do Tocantins ~ UFT, e pelo Conselho Britinico. Participante em diversos congressos e seminérios nacionais ¢ internacionais. George Franga é graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina ~ UFSC, mestre em Engenharia de Producao e Sistemas — midia ¢ conhecimento pela mesma universidade e doutor pela Pontificia Universidade Catélica de S40 Paulo — PUC-SP em Educagio: Curriculo. E professor universitério ¢ atualmente pesquisa educacao a distancia, tec- / nologias educacionais ¢ contemporaneidade. Pesquisador do Projeto Um Computador por Aluno ~ UCA, da Universidade Federal do Tocantins. José Armando Valente ¢ livre docente do departamento de Multimeios, Midia e Comunicagio; pesquisador do Niicleo de Informatica Aplicada i Educagao ~ NIED, da Universidade Estadual de Campinas ~ Unicamp ¢ professor colaborador do Programa de Pés-Graduagio em Educagio: Cur- riculo da PUC-SP. Leila Ramos é licenciada em Pedagogia ¢ Administragio escolar pela Faculdade de Filosofia do Vale do Sao Patricio ~ FAFIC, Ceres, GO, ¢ especialista em Informatica na Educacio pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul — UFRS. Areas de atuago: educagao com énfase em tec- nologias educacionais, formacao de professores, gestéo escolar ¢ ensino ¢ aprendizagem. Maria Edilene Salviano de Oliveira é licenciada em Ciéncias Biolé- gicas pela Faculdade de Formagio de Professores de Araripina-PE. Atual- mente leciona biologia no colégio estadual Dom Alano Marie du Noday, no estado do Tocantins. ! Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida é doutora em Educacio pela Pontificia Universidade Catdlica de Sao Paulo, PUC-SP. Docente do Programa de Pés-Graduagao em Educagao: Curriculo ¢ membro do 6 o-comPutaDOR PoRTATILNA ESCOLA grupo de trabalho do Projeto UCA do MEC ¢ da Equipe de Formagéo Brasil do Projeto UCA-MEC. Maria Elisabette Brisola Brito Prado ¢ docente do Programa de Pés- -Graduagéo em Educagio Matematica da Universidade Bandeirante de ‘Sao Paulo — Uniban; pesquisadora do Niicleo de Informatica Aplicada & Educagao — NIED, da Universidade Estadual de Campinas ~ Unicamp, pesquisadora convidada da PUC-SP e membro da Equipe de Formacio Brasil do Projeto UCA-MEC. Marilene Andrade F. Borges € licenciada em Pedagogia ¢ Educagio, Fisica pela Universidade Federal de Minas Gerais ~ UFMG, mestre em “Tecnologias na Educagio pela Universidade de Brasilia - UnB, ainda nes- sa linha de pesquisa € doutora em Novas Tecnologias em Educagio pela Pontificia Universidade Catdlica de Sao Paulo, PUC-SP. Professora adjunta da Universidade Federal do Tocantins. Areas de atuagao: Educagao com énfase em tecnologias educacionais, formagio de professores, gestao ¢s- colar, ensino ¢ aprendizagem. Também é coordenadora e pesquisadora do Projeto Um Computador por Aluno ~ UCA, da Universidade Federal do, Tocantins ~ UFT. Mariza Mendes é mestre em Educacio pela Pontificia Universidade Catélica de Sao Paulo, PUC-SP, Formadora do Projeto Gestéo Escolar € Tecnologias na mesma universidade, membro do grupo de pesquisa em Novas Tecnologias - PUC-SP, consultora e docente dos cursos de forma- cio de professores do SENAC-SP em Novas Tecnologias e formadora do Projeto UCA. SUMARIO ‘Um laptop para cada aluno: promessas¢ resultados educacionais efetivos. José Armando Valente. 1.1 Inrodugio. 1.2 Breve histéria do Dynaboo! 1.3 Disseminagao dos laptops na educagio.. 1.4 Principais resultados do uso de laptops na educagio 1.5 A educagéo para a era da mobilidade. Referéncias Carfruto 2 Indicadores para a formagao de educadores para a integragéo do laptop na escola. Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida ¢ Maria Elisabette Brisola Brito Prado . 2.1 Introdugio. 2.2.As tecnologias e a formagio de educadores 2.3 O laptop educacional e a formagio de profissionais| da educagio . 2.4 Considerasées fina. Referéncias. Capfruto 3 Utilizacio do laptop educacional em sala de aula. ‘Mariza Mendes e Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida. 3.1 Introdugao. 3.2.0 laptop educacional em sala de aul: 3.3 Mecodologia da pesquisa 34 Resultados da pesquisa em sala de aula com 0 uso. do laptop educacional L2 0. COMPUTADOR PORTATILNA ESCOLA 3.5 Consideragdes finais Referénci Cavéruvo 4 © uso do laptop na escola: algumas implicagées na gestio € na pritica pedagégica. Maria Elisaberte Brisola Brito Prado, Marilene Andrade Ferrina Borges © George Frangat 4,1 Introdugio. 4.2 Desenvolvimento da pesquisa 4.2.1 Eixo da infraestrutura 4.2.2 Eixo da pritica pedagégica. 4.2.3 Dimensio da gestio 4.3 Consideragoes finais. Referéncias. Caniruto 5 Articulagio e sintonia das instancias de gestio: um camino a favor da formacio da escola para 0 uso dos laptops conectados. George Franca, Leila Ramos ¢ Marilene Andrade F. Borges.. 5.1 Introdusao. 5.2 Fundamentos tebricos.. a 5.3 Os processos de gest no Projeto UCA no colégio Dom Alano Marie du Noday, em Palmas. 5.4 Consideragées finais Referéncias Cariruto 6 A perspectiva do uso do computador no curso de biologia. Maria Edilene Salviano de Oliveira. 6.1 O ensino de biologia no contexto atual .. 6.2 Vivenciando a implantagio do Projeto UCA. 6.3 Aliando aprendizagem e computadores 6.4 Comegando um desafio, sumario 13 6.5 Como avaliar 0 pioneirismo?. 89 Referéncias. Carirovo 7 ‘A integragio das Tecnologias da Informacao ¢ Comunicagio ao ensino e aprendizagem de lingua estrangeira ~ ingles. Fétima Maria Bagatini 7.1 Contexto. 7.2. A lingua inglesa ¢ as diversas formas de comunicagio nos dias atuais..nnnnmm 7.3 Writing in English .vnmmnnsnnnne 7.4 The cine at school... 7.5 Consideragdes finais. Referencias: Cariruto 8 Aluno-monitor: trabalho colaborativo e soliddrio entre pares no cotidiano da sala de aula mediado pelas tecnologias. George Franga, Leila Ramos © Marilene Andrade F Borges. tne 10 8.1 O aluno-monitor na escola de educagao bisica.. 102 8.2 Monitoria na escola: um breve recorte serio 103 8.3 O processo da monitoria no colégio Dom Alano ‘Marie du Noday eae 105 8.4 Monitoria mediada pelas TIC: demandas desse tempo 108 8.5 Consideragoes fina earees 109 Referéncias. 112 APRESENTACAO A ideia deste livro surgiu durante a implantacio do Projeto UCA ~ Um Computador por Aluno, acéo conjunta da Presidéncia da Repiiblica e do Ministério da Educagio ~ MEC, como uma estratégia para proporcionar a inclusio digital do aluno oriundo das classes populares por intermédio da escola e a utilizacio dessa tecnologia nos processos de ensino, aprendiza- gem ¢ desenvolvimento do curriculo. A Fase 1 do projeto ocorreu a partir de 2007, com cinco experimentos em escolas piiblicas de diferentes regides do pais, que receberam laptops doados por distintos fabricantes. Desse modo, tinhamos os laptops disponiveis aos alunos, professores € a equipe gestora da escola, uma infraestrutura de acesso & Internet ban- da larga com conexio sem fio, rede de energia para suportar os laptops fancionando simultaneamente ¢ um projeto de formacio de professores para o uso pedagégico dessas tecnologias, que acontecia ao mesmo tem- po em que esses computadores comecavam a ser usados por todos. O uso do laptop na escola carrega consigo um conjunto de inovagoes tec- nolégicas relacionadas & concepséo da interface do dispositive por seu tama- tho, & construsio robusta para evitar quebras por queda, além das caracterfs- ticas técnicas de conectividade, interoperabilidade, mobilidade e imerséo. Tais aspectos impulsionam a inovacio pedagégica por meio da integragio da cul- tura tecnolégica na escola, evidenciada quando o laptop passa a ser usado em diferentes atividades, a qualquer momento, em miiltiplos espacos, permitindo desenvolver o didlogo social e a aprendizagem pessoal e coletiva. Para tanto & fundamental apoiar 0 trabalho do professor por meio de processos formativos. Essa concep¢io dialégica vai além do uso do laptop e envolve, sobretu- do, 0 desenvolvimento de novos contextos de aprendizagem com base na pritica social compartilhada, na produgio colaborativa de conhecimentos € na teflexio sobre essa propria pritica. Nas experiéncias do Projeto UCA iniciadas em 2007 em cinco escolas, a formacio continuada ¢ o servigo dos educadores apresentou caracterls- ticas diferenciadas conforme a orientacéo da universidade que assumiu a parceria com a escola. Projeto UCA da cidade de Palmas ocorreu no colégio Dom Alano Maric du Noday pertencente a Secretaria da Educagio do Estado do To- APRESENTAGAO cantins, e se constituiu a partir dos didlogos entre pesquisadores, docentes ¢ doutores egressos do Programa de Pés-Graduacao em Educagio: Cur- riculo, da Pontificia Universidade Catélica de Sao Paulo, PUC-SP, com 0s profissionais dessa rede de ensino. Nesse didlogo eram analisados os desafios, os possiveis avangos e as dificuldades que poderiam surgir no an- damento das ages do projeto, bem como as concepgées que o fundamen- tam ¢ a metodologia de formagio dos educadores (professores ¢ gestores da escola, profissionais que atuam em outras esferas da rede de ensino) que pudesse dar conta de orientar os professores quanto ao desenvolvimento das atividades pedagégicas por meio do laptop € os gestores no que se refe- re 4s mudangas do contexto escolar, bem como as decisdes necessdrias para ‘0 bom andamento do projeto. ‘Também participaram da formagio e das andlises sobre o andamento do Projeto UCA na escola, os profissionais que atuam em outras instincias da rede de ensino, ou seja, na Dirctoria Regional de Ensino ¢ na Secretaria da Educagio do Estado ~ SEDUG, para que pudessem acompanhar as ages da escola, analisar as repercuss6es no desenvolvimento do curriculo, na ava~ liagao e na gestio da sala de aula e da escola ¢ encaminhar as providéncias pertinentes & realizacao das ages, as quais nem sempre eram previsiveis © trabalho de assessoria e formacio realizado pela equipe de pesqui- sadores da PUC-SP permitiu gerar vasto material de referencia que se constitui como matéria-prima para a producio deste livro, cujo propé- sito é apresentar resultados e processos de um projeto de uso do laptop na escola na proporgio de um computador para cada aluno, professor € gestor da escola, a partir da andlise do experimento do Projeto UCA — ‘Um Computador por Aluno, desenvolvido no colégio Dom Alano Marie du Noday. ‘A cxperiéncia se constituiu a partir da chegada de laptops na escola em 2007, envolvendo desde a reorganizacao da infraestrutura tecnoldgica, os espacos da sala de aula, o processo de formacéo de professores, as relagies entre alunos, professores, outros profissionais da rede de ensino e a comu- nidade eo desenvolvimento do curriculo com 0 uso do laptop. © acompanhamento desse projeto ¢ 0 desenvolvimento da respectiva formacio realizada na modalidade hibrida, com agdes presenciais ¢ a dis- tancia, permite analisé-lo em todas as suas etapas, criar referéncias para 15 16 (0 COMPUTADOR PORTATL NA ESCOLA experiéncias correlatas, bem como trazer subsidios para as redes de ensino que tenham interesse em iniciativas semelhantes, uma vez que 0 uso do laptop nos processos de ensino ¢ aprendizagem é uma proposta que pode colocar a escola na cultura do século XXI, caracterizada pelo uso de i trumentos culturais que incorporam as tecnologias, linguagens ¢ midias digitais. O aleance das agées do Projeto Um Computador por Aluno nao pode ser analisado por resultados quantitativos, pois 0 que mais se destacou foi 0 interesse demonstrado por todos que fazem a comunidade escolar, espe- cialmente, gestores, professores ¢ alunos, em relagio ao uso do laptop nas atividades escolares e para além do seu cotidiano, uma vez. que rapidamen- te sdo identificadas as possibilidades de romper as barreiras da sala de aula ‘¢ 08 muros da escola e integrar a escola com o mundo, trazendo para seus espagos a linguagem ¢ as priticas sociais da geragao atual de estudantes. As organizadoras desta obra, Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida ¢ Maria Elisabette Brisola Brito Prado, trabalharam sem cessar durante a preparacio dos formadores para analisar os processos em desenvolvimen- to na escola, que passou a ter o laptop como um instrumento disponivel para uso em todo momento € qualquer espago; criar estratégias diddticas ‘que pudessem subsidiar os formadores dos professores para que estes se sentissem encorajados a incorporar 0 laptop na pritica pedagégica ¢ no desenvolvimento do curriculo; identificar os problemas emergentes e asses- sorar a escola na busca de solugées vidveis; desvelar novos temas ¢ questées sobre os quais é recomendével deter-se quando da claboracéo de novas propostas de insergao do laptop na escola e respectivas agées de formacio de educadores. © propdsito deste livro é 0 de ampliar 0 escopo da discussio sobre a complexidade da insergao do laptop na escola em suas diferentes dimen- s6es, analisar 0 processo desencadeado de formacao de educadores na ago, explicitar as concepgdes e metodologias orientadoras esse processo, com- partilhar as experiéncias vividas e apontar possiveis caminhos para a realiza- io de agées correlatas. O livro foi se compondo & medida que as agées sc realizavam no con- texto escolar a partir da colaboragao efetiva de profissionais que atuam em distintos espacos educativos, em um exercicio de coautoria entre a univer- sidade e a escola, a teoria e a pritica, a investigagio ¢ a ago. APRESENTAGAO Para abranger o contexto aqui retratado ¢ oferecer ao leitor uma ampla perspectiva sobre as mudangas ocorridas, o livro est estruturado em duas partes. A primeira parte, que abrange os capitulos de 1 a4, trata do cendrio internacional de uso de laptop na escola, da concepcéo e metodologia da formagio de educadores desencadeada no Projeto UCA no colégio Dom Alano Marie du Noday, da gestio da sala de aula com a presenca do laptop € da ressignificagéo da escola que utiliza o computador em suas praticas. A segunda parte, correspondente aos capitulos de 5 a 8, trata de relatos ¢ anilise de experiéncias evidenciadas no contexto do colégio, trazendo os olhares de distintos segmentos que compéem a comunidade escolar, entre (0s quais professores, gestores e alunos envolvendo os aspectos da formacéo, da gestio escolar, da pritica pedagdgica e das estratégias encontradas para apoiar o trabalho do professor em sala de aula com uso do laptop. Desse modo, cada capitulo trata de um aspecto considerado significa- tivo durante a fase inicial de implantagdo do Projeto Um Computador por Aluno, no contexto especifico de uma escola piblica, trazendo um es- pectro de concepgées ¢ experiéncias que permitem ao leitor ter uma visio abrangente do proceso de implantacéo de laptop na escola oferecendo- lhe condigées para recontextualizar as teorias e as priticas a situagoes congéneres. O Capitulo 1, de autoria de José Armando Valente, apresenta um breve histérico da implantacdo de projetos usando os laptops na situacdo de um computador por aluno em diferentes paises e analisa os principais resulta- dos obtidos por esses projetos, com énfase em aspectos a serem considera- dos em experiéncias correlatas, assim 0 uso dos laptops pode ser mais efeti- vo ¢ produzir melhores resultados nos processos de ensino e aprendizagem. O Capitulo 2, de Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida e Maria Elisabette Brisola Brito Prado, analisa a formagao de educadores ¢ 0 uso do laptop na escola, apresenta algumas implicagées envolvidas nesse pro- cesso e o design do curso desenvolvido na modalidade hibrida (presencial ea distancia) atendendo, assim, os profissionais de trés esferas distintas da gestio do sistema educacional da rede de ensino do estado do Tocantins, a partir do olhar desses educadores, que atuaram como formadores dos professores da escola. Considerando-se que o laptop na sala de aula traz uma fonte de informa- ges, de interacao e producio de conhecimentos nem sempre previsivel nos 17 18 co coMPUTADOR PORTATIL NA ESCOLA objetivos propostos no planejamento do professor, o Capitulo 3, de Mariza Mendes Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida, trata de uma pesquisa que traz subsidios ao professor para ele poder identificar a necessidade de criagao de estratégias de mediagao pedagégica ¢ assumir uma postura dife- renciada em relagio ao seu papel com flexibilidade ¢ abertura para gerir a sala de aula, lidar com novas questées que emergem no decurso da ago € integrar ao desenvolvimento do curticulo as informagées de diferentes fon- tes € 0 uso de distintas linguagens. No Capitulo 4, 0s autores Maria Elisabette Brisola Brito Prado, Marile- ne Andrade Ferreira Borges e George Franga pensam a escola ressignificada com enfoque na integragao entre trés dimensdes fundamentais na implanta- ‘cao do laptop, a saber: infraestrutura, gestdo escolar e pritica pedagdgica, bem ‘como a integragéo entre elas, pois cada dimensio realimenta e fornece supor- te as demais. Em seguida, 0 Capitulo 5, de George Franca, Leila Ramose Marilene Andrade F. Borges, apresenta alguns conceitos de gestio, eviden- ciando a importincia dela em projetos que utilizam as TIC e traz. um breve relato dos caminhos percorridos na gestéo do Projeto Um Computador por Aluno, identificando o desenvolvimento de uma nova cultura de gestéo de- ‘mocritica que procura articular-se com outras instancias de gestéo, as quais se voltam para a geragao de conhecimentos tanto na perspectiva dos pro- cessos de ensino ¢ de aprendizagem quanto no fornecimento de subsidios para tomada de decisées, melhorias ¢ encaminhamentos da propria gestao. O Capitulo 6, de Maria Edilene Salviano de Oliveira, analisa a pratica pedagégica de uso do laptop na disciplina de biologia ¢ os aspectos que emergem no desenvolvimento do curriculo, transformado pela situagio concreta de ensino e aprendizagem & medida que a professora se preocupa com as necessidades de aprendizagem dos alunos, além disso, leva em con- ta.as questoes que eles levantam, as demonstragdes de interesse pela desco- berta ¢ de prazet em assumir o papel de protagonista diante da realidade social ¢ da sociedade tecnolégica. Com foco na experiéncia em sala de aula, no Capitulo 7, a professora Fatima Maria Bagatini, apresenta uma discussio sobre a integrago do laptop ao ensino e & aprendizagem de lingua inglesa, também relata duas atividades desenvolvidas com estudantes de ensino médio e faz uma andlise dos resulta- dos obtidos, sugerindo que, além do desenvolvimento do conhecimento lin- guistico, o uso do laptop propiciou a melhoria da autoestima dos estudantes APRESENTAGAO a partir do momento em que tomaram consciéncia da autonomia de uso da lingua inglesa na prética social. Para concluir, no Capitulo 8, Marilene Andrade Ferreira Borges, Geor- ‘ge Franga ¢ Leila Ramos apresentam a experiéncia do aluno-monitor por turma, o qual desenvolve, de mancira espontinea, um trabalho colabora- tivo ¢ solidério dentro do espaco da sala de aula, de apoio ao trabalho do professor ¢ orientacéo dos colegas quanto ao uso do equipamento e suas funcionalidades, além de participar das atividades propostas pelo professor. Desse modo, as concepgées e priticas que compéem os capitulos deste livro constituem 0 cenétio genuino de uma escola que participou com co- ragem, esperanca e responsabilidade do momento inicial de implantagao do Projeto UCA — Um Computador por Aluno, e soube conviver com as dificuldades e avangos de uma trajetéria, tornando evidentes as possibili- dades da praxis que experimenta a mudanga. Neste ponto temos certeza de que a insergio do laptop na escola nos coloca diante de um novo contexto carregado de incertezas e desafios, mas também de um campo repleto de possibilidades ¢ aberturas para que pro- fessores, gestores e alunos sejam os protagonistas da mudanga na sala de aula e na escola, na direcdo da pedagogia da pergunta, preconizada por Paulo Freire, e da educacéo transformadora. Maria Elizabeth Bianconcini de Almeida Maria Elisabette Brisola Brito Prado 19 uM Um laptop para cada aluno: promessas e resultados educacionais efetivos José Armanpo VALENTE* a 1.1 INTRODUGAO A ideia de cada crianga ter 0 seu préprio computador & bem antiga ¢ foi idcalizada antes da existéncia dos microcomputadores. Ela foi proposta por Alan Kay, em 1968, apés ter visitado Seymour Papert no Massachusetts Institute of ‘Technology (MIT), quando esse pesquisador estava iniciando seu trabalho com a linguagem computacional LOGO. Kay ficou impressio—_ nado pelo fato de as asctangs uusarem 0 computador para resolver p: ‘A proposta de Kay foi materializada em 1972 com 0 qa oh, decnvclido pelo Learning Research Group (LRG), eado por oa mesmo, como parte do laboratério Xérox Park (KAY, 1975). © sonho de cada aluno ter 0 seu préprio computador comegou a ser concretizado em 1989 quando o Methodist Ladies’ College, em Melbour- ne, Austrilia, propés que cada aluna da 5* série tivesse 0 seu computador 1 E-mail: jalene@unicamp.be UM LAPTOP PARA CADA ALUNO pessoal. Essa experiéncia se estendeu para as demais turmas, até que todas as alunas da 5# & 12 série ivessem o seu préprio laptop. O Pdo denominado PC — Personal Computer foi levado a sério e 0s computadores ram literal- mente pessoais (STAGER, 2003). Desde 2001 diversas escolas ¢ sistemas ‘educacionais nos Estados Unidos da América também passaram a implantar Os amgumentor pas o uso dos lprops na siugio 11 em geral, sam sobre a melhora do desempenho do iscipli 4 : trabalho. No entanto, os resultados que mais se sobressaem das experiéncias tratadas na literatura indicam que a maior parte dos projetos esta em uma fase de adaptagio do uso da tecnologia (PENUEL, 2006) e que houve me- thora substancial em alguns aspectos, porém nenhuma va foi observada, especialmente nos resultados dos testes de avaliacao sol performance do aluno nas d Para alguns pesquisadores mais criticos essas evidéncias nao sto suficien- tes para justifcar os gastos e os problemas enfrentados na implantacao de projetos usando os laptops na stuagio 1-1. A maioria de vvé nos laptops uma gi cias na edueagéo, porém s “tem mostrado resultados insigy ‘plo, acredita que ganhos educacionais tém mais chance de acontecer com uum_processo instrucional mais individualizado ¢ baseado na resolugao de problemas do que na implantagio de laptops (WESTON; BAIN, 2010). Nesse capitulo é apresentado um breve histérico da implantacio de proje- tos usando os laptops na situagio 1-1, sio discutidos os principais resultados obtidos com esses projetos ¢ alguns aspectos a serem observados de modo que 0 uso dos laptops possa ser mais efetivo e produzir melhores resultados. 1.2 BREVE HISTORIA DO DYNABOOK A ideia do Dynabook foi materializada em 1972 quando Alan Kay apre- sentou um protétipo, desenvolvido como parte das atividades do Learning Research Group (LRG), um dos grupos de pesquisa do laboratério Xérox 24 22 29 FETA On © Sern come bn Su Aug Po? CO COMPUTADOR PORTATL NA ESCOLA Park (KAY, 1975). O Dynabook pode ser considerado 0 precursor dos lap- tops atuais. Segundo a concepgio de Kay ele deveria ser um computador portdtil, interativo e pessoal, acessivel como os livros. Deveria ser ligado a uma rede e oferecer aos usuitios facilidades de texto, imagem, audio ¢ animagio. Os laptops atuais tém todas essas caracteristica que estavam presentes na visio Kay, Entretanto, nas palestras e conversas sobre 0 Dyna- book, ele ainda acha que suas ideias permanecem como um sonho. (THE BOOK AND THE COMPUTER, 2002; KONGSHEM, 2003). O Dynabook foi criado pensando nas criangas € na educagao. A pro- posta era que cada crianga usasse esse computador para concretizar suas ideias por meio da construgao de simulag6es. Elas poderiam simular fend- menos de ciéncias, e com isso aprender sobre modelos, sobre os contetidos de fisica, quimica, biologia e sobre contetidos de matemética, usados no processo de modelagem. Assim, mais do que o hardware ou software, Kay idealizava seu computador portétil como um meio para expressar ¢ comunicar 0 que as criancas estavam_pensando — deveria ser como um instrumento musical, ps usuario desenvolve uma relagio pessoal 0 utiliza para fazer miisica. O Dynabook deveria ser um inst ‘cuja musica sao ideias (THE BOOK AND THE COMPUT! KONGSHEM, 2003). No entanto, como Kay tem manifestado em artigos ¢ entrevistas, nao adianta procurar a mtisica no piano, pois ela nao estd Ii. As ideias nao esto nos computadores, mas nas cabegas dos usudrios. Portanto, somente implantar ou prover acesso aos computadores ou laptops néo vai alterar a maneira como a educacio desenvolvida, muito menos que essa tec- nologia tenha um impacto significativo na performance dos alunos. Os_ computadores sé fazem sentido se forem implantados para enriquecer 0 ambiente de aprendizagem, e se nesse ambiente existir as condigSes para fayorecer 0 aprendizado d esse caso, os computadores sio ‘extremamente importantes para a criagio dessas condig6es ~ eles passam a ser necessétios como um instrumento musical para produzir musical Segundo a visio de Kay, esses ambientes de aprendizagem néo cs- to sendo implantados, muito pelo contrario, a maneira como, por exemplo, a ciéncia é tratada na escola, nao tem nenhuma relagéo com 0 fazer ciéncia. Nao é dada ao aluno a oportunidade de lidar com as in- certezas, os questionamentos, os modelos incompletos ou imprecisos, UM LAPTOP PARA CADA ALUNO que podem ser depurados com a ajuda das tecnologias, dos colegas, do professor ou de especialistas. Em geral, os computadores sio usados para acessat fatos jd confirmados, para reproduzir grande parte do que é feito com o lapis e papel, como pode ser apreendido dos diversos estudos relativos & implantacio dos laptops em algumas escolas. Nesse sentido realmente a concepgio de Kay sobre 0 Dynabook ainda per- manece como um sonho. Por outro lado, o desenvolvimento de novas propostas tecnolégicas, por exemplo, laptops mais baratos ¢ voltados para as necessidades educacionais e o grande desejo de provocar mu- dangas nos sistemas educacionais, tém contribuido para a disseminacao de projetos usando laptops na situagio 1-1. 1.3 DISSEMINAGAO DOS LAPTOPS NA EDUCAGAO ‘A partir da experiéncia da escola na Austrélia, a Microsoft langou em 1997 0 programa Anytime, Anywhere Learning, que implantow, ao longo de cinco anos, laptops em cerca de mil escolas nos Estados Unidos. Muitas escolas pitblicas nao tinham condigées de sustentar 0 projeto, desse modo ele foi descontinuado, porém em muitas outras 0 projeto continuou em si- tuag6es limitadas, Entretanto, como afirma Warschauer (2006), quase ne- nhuma documentagio foi gerada e pouco se sabe sobre essas experiéncias. A partir de 2001 diversos sistemas educacionais estaduais e algumas escolas piiblicas nos Estados Unidos da América comecaram a implantar © uso de laptops comerciais na situa¢so 1-1. O primeiro sistema estadual a embarcar nessa aventura foi o estado de Maine, com o projeto proposto pelo Maine Learning Technology Initiative (MLT1). Esse projeto teve ini- cio em 2001 ¢ implantou laptops em todas as escolas estaduais, onde todos 08 alunos da 74 e 8* série trabalham com o seu laptop pessoal. Outras iniciativas incluem 0 condado de Henrico, no estado da Virgi- nia, onde desde 2001 cerca de quatorze mil estudantes do ensino médio a partir de 2003, cerca de onze mil alunos da 6* a 8 series usaram laptops na situagéo 1-1. No estado do Texas, 0 Texas Technology Immersion Pilot (TIP) é um projeto piloto que implancou laptops em 21 escolas, em todas as 64, 74 ¢ 84 séries, Para efeito do estudo e processo de avaliagao do projeto foram escolhidas séries equivalentes de outras 21 escolas. Os laptops foram 23 ‘O.COMPUTADOR PORTATILNA ESCOLA implantados em 2003 ¢ as avaliag6es foram iniciadas no perfodo 2004- -2005 ¢ continuou em 2007-2008 (ETxTIP, 2008). Na Califyrnia, diversos distritos implantaram laptops em escolas pibli- cas. O distrito de Lemon Grove, em San Diego County, implantou laptops em todas as escolas (WESTON; BAIN, 2010). No Orange County foram implantados laptops em cinco escolas no perfodo de 2003-2004 e esse niimero aumentou para oito em 2005-2006 (WARSCHAUER, 2006). Na maioria dos casos, esses projetos foram financiados por uma combinagio de fontes, como industria tecnolégica, fundagées, governo federal e, em alguns casos, os préprios pais. Segundo Bebel e O'Dwyer (2010) ha um interesse crescente dos siste- mas educacionais de diversos paises € de estados ¢ munic{pios na implan- tagio de laptops para todos os alunos ou de projetos pilotos que procuram fornecer subsidios para estudos ou verificasdo da eficdcia do uso dessas tecnologias na educagio. Q advento de no 4s de microcompu- -omo laptops educacionais tipo XO da OLPC (One ClassMate da Intel, mais baratos do que os laptops comerciais e voltados para as atividades educacionais, tém facilitado a dis- seminagio dessa tecnologia nas escolas. Diversos paises da América do Sul como Uruguai ¢ Brasil, ow mesmo da Africa como Ruanda estéo implan- tando projeros pilotos ou criando condigées para que todos os alunos das escolas pubicas tenham o seu préprio laptop. No Uruguai, a implantacio do XO nas escolas do interior teve inicio em 2007 e em 2009 foi completa- da em todas as escolas da capital, Montevidéu, de modo que todos os alu- nos do ensino fundamental (22 & 9 série) tém o seu laptop XO (CEIBAL, 2010). No Brasil existem cinco experimentos usando laptops educacionais, uma escola em Porto Alegre e uma em Sao Paulo, que usam 0 XO; uma escola em Piraf (Rio de Janeiro) e outra em Palmas, que usam 0 ClassMate; ‘© uma escola em Brasilia, que usa o laptop Mobilis. Outra estratégia de implantagao de laptops nas escolas, diferente da situagéo 1-1, acontece em algumas escolas puiblicas de Portugal. A escola interessada e que apresenta ao governo um projeto pedagégico justifi- cando 0 uso dos laptops recebe 24 computadores portiteis, modelo de mercado, dos quais, dez sio para uso dos professores e 14 para atividades pedagégicas em salas de aula com os alunos ou em outros espacos da escola (ALMEIDA, 2008). UM LAPTOP PARA CADA ALUNO As justificativas para implantar projetos de uso de laptops na situagio 1-1 variam de acordo com as necessidades educacionais ¢ condigdes econd- micas ¢ sociais de cada estado. Por exemplo, Maine é um estado pequeno, basicamente de atividade rural, cuja educagao é considerada progressiva, os alunos tém bom desempenho nos testes nacionais e o sistema educacional ‘tem uma situagdo financeira controlada. A intengéo com 0 projeto dos laptops manter o estado em uma situacéo economicamente relevante. Por outro lado, a Califérnia é um estado grande, com 0 maior indice po- pulacional dos Estados Unidos, formada por minorias e imigrantes, ¢ cuja economia apresenta um poder global. As escolas tém problemas financei- 10s, as classes so numerosas, a performance dos alunos é baixa ¢ a educa- do é estritamente tradicional. O interesse dos projetos usando os laptops 6 entender como essas tecnologias podem auxiliar 0 processo educacional de alunos com bases culturais tio diversificadas. ‘Além dessas idiossincrasias, os projetos procuram justificar a implan- <8 dos laprops na situagéo 1-1 enfavizando os seguintes temas: como dos alunos, no sentido de fic _res;'complementar as atividades de aprendizagem baseadas em projetos, jd que 0 aluno poder usar o seu laptop para ter acesso a informacio, totaborer com outros colegas, interagir com especialistas e tonstruir co- nhecimentos; Ampliar a aprendizagem para além da sala de aula, pois os laptops possibilitam a aprendizagem em qualquer lugar ¢ a qualquer momento; tirar vantagem do momento em que os assuntos sio tratados em sala de aula para complementar o que esta sendo trabalhado, ter de se deslocar para outros ambiente ligital de 5 2 eal computadores esti cia cada profissional ter o seu computador, o que jé acontece em muitas profissées. Embora muito desses aspectos tena sido observado nos projetos im- plantados, outros nao foram beneficiados com o uso dos laptops, como é discutido a seguir. ‘aumentar os, ganhos educacionsis dos alunos, indicad pela melhora nos__ 25 y-v 2150 mw. 09 gPCTY waxy saehyptiow 26 0 coMPUTADOR PORTAMIL NA ESCOLA 1.4 PRINCIPAIS RESULTADOS DO USO DE LAPTOPS NA EDUCAGAO Com 0 intuito de verificar se os objetivos propostos esto sendo aten- didos, de entender qual 0 papel dos laptops no contexto educacional ¢ se a implantagéo de projetos dessa natureza produz impactos no ambito peda- g6gico, social ou mesmo na dinamica da escola, essas experiéncias tém sido ‘monitoradas ¢ avaliadas pelo proprio estado, ou pelos agentes financiado- res, além de ser usada como objeto de investigagao por inimeros pesqui- sadores, Por exemplo, o The Journal of Technology, Learning, and Assessment dedicou todo 0 ntimero de janeiro de 2010 ao tema do uso do laptop na situagéo 1-1, ou autores que procuram sintetizar os resultados de diversos artigos na drea (PENUEL, 2006). Os resultados das diferentes experiéncias descritas néo sio cem por cento favoraveis. Existem alguns aspectos mt ‘projetos que apresentam ganhos consideraveis, enquanto em outros 0 uso , dos laptops na situacéo 1-1 nao ima mudanga significativa. O primeiro problema com a maioria dos artigos é que abordam temas bastante variados, dificultando a comparacao entre eles ¢ a possibilidade de tirar conclusées mais sélidas. Outra dificuldade é o fato de esses projetos, ‘no momento em que foram implantados, néo terem tido a preocupagao de fazer uma avaliacio do desempenho dos alunos, ou mesmo das situagoes ‘educacionais da estrutura da escola ou da sala de aula, do papel do aluno dos gestores. Sem essa linha de base em relagio ao estado inicial do projeto é problemitico tirar conclus6es sobre o impacto que eles produziram, e se realmente produziram resultados significativos (PENUEL, 2006). Nio é intuito deste tépico fazer uma revisio da literatura, pois exis- tem diversos artigos que fazem esse trabalho (PENUEL, 2006; BEBEL; O'DWYER, 2010). Porém, alguns resultados podem ser considerados mais conclusivos e merecem ser mencionados. Penucl (2006) identificou tués conjuntos de estudos que permitem concluir que 0 uso dos laptops presenta resultados significativos na mudanga da dindmica da sala de aula eno préprio uso que os alunos fazem dos microcomputadores, além da pet ae ee melhora no letramento digital e na escrita. ‘Com relagio 3 dindmica da sala ¢ 0 uso que os alunos fazem dos laptops, Penuel (2006) descreve 0 estudo realizado por Russell, Bebel ¢ Higgins (2004) que compararam o desempenho de estudantes usando diferentes niimeros de laptops. Determinado grupo usou um laptop para cada quatro UM LAPTOP PARA CADA ALUNO alunos, outro, um para cada dois alunos e outro grupo na situagéo 1-1. O grupo de alunos que usou os laptops na situagao 1-1 teve varias vantagens comparado aos demais grupos: eles usaram os laptops muito mais na sala de aula para realizar atividades curriculares ¢ em casa para realizar as ativi- dades académicas, as atividades de escrita sempre inclu‘am os laptops, ¢ as aulas desse grupo tinham uma dinamica diferente, sendo que as instrugdes oferecidas pelos professores ocorriam em grupos de poucos alunos. Esses resultados sio comprovados por outros seis estudos que utilizaram pés- -testes (PENUEL, 2006). O outro conjunto de artigos permite entender que os laptops produ- zem resultados significativos na melhora do letramento digital dos alunos. Schaumburg (2001) realizou um estudo com alunos de ensino médio em ‘escolas da Alemanha, segundo o autor os alunos que usaram os laptops na situagio 1-1 tiveram melhora significativa comparados aos alunos do gru- po controle, especialmente no que se refere ao conhecimento do hardware, do sistema de funcionamento do laptop, de habilidades sobre os principais aplicativos, no uso da Internet e sobre conhecimentos bisicos de seguranga do computador. Diferentes estudos que também usaram grupo controle comprovaram esses resultados (PENUEL, 2006). Finalmente outro conjunto de estudos indica um efeito positivo na melho- ra da capacidade de escrita dos alunos que usaram laptops na situagao 1-1. Ne- inhum dos estudos analisados por Penuel sobre a questio da escrita havia feito 1s pré-testes para verificar realmente o quanto essa melhora foi significativa. Estudos comparando a performance dos alunos das 21 escolas do Texas indicam melhora significativa no letramento tecnolégico, principalmente dos alunos de classes econdmicas desfavorecidas; aumento significativo da frequéncia de uso dos laptops em sala de aula e das interagGes com colegas em atividades de pequenos grupos; alunos que usaram os laptops tiveram menos problemas de comportamento, mesmo nivel de satisfacio que 0 grupo controle e faltaram relativamente alunos de classes econdmicas desfavorecidas ¢ os considerados com maior. desempenho tiveram melhora significativa no teste de matematica; ¢ 0s que_ uusaram intensivamente os laptops, especialmente fora da escola, tiveram desempenho significativamente melhor nos testes de leitura e matemdtica. Por outro lado, esses estudos houve nenhuma melhora na atuagio dos alunos em estudos sociais, ciéncia e escrita (ETxTIP, 2008). 28 —ocowpuTaoor poRtén. NA ESCOLA Os estudos realizados por Warschauer (2006; 2008) tiveram 0 objetivo de investigar a questio do que ele denominou letramento (literacy), englo- bando leitura, escrita ¢ uso das Tecnologias da Informacio e Comunicagio, por exemplo, o uso dos laptops para acesso a informagio, & pesquisa e & co- municagio, além da representa¢io do conhecimento em diferentes mfdias. Para tanto ele acompanhou durante o periodo de 2003-2005 o trabalho de dez escolas, sendo trés de Maine (uma urbana, uma rural ¢ uma suburba- na) e sete da Califérnia (trés suburbanas ¢ quatro urbanas). Os resultados mostram que existe uma variacao considerdvel entre a implementagio dos laptops nas escolas: as localizadas em comunidades com baixo status socioe- conémico tiveram mais dificuldades para desenvolver e manter 0 programa F de uso dos laptops do que as escolas com maior status. Nao houve nenhuma 4 melhora significativa nos testes avaliando a leitura, a escrita e a lingua in- glesa. Porém os alunos tiveram melhora expressiva no uso dos laptops para interagir com outras pessoas, ¢ ‘¢ feedback do. profess material on-line, como a busca de informagio na forma de arquivos de 4udio, ¢ apresentar Mesmo em relagéo a leitura e a escrita os alunos estavam lendo e escre- vendo mais, melhorando esses aspectos de acordo com as revisdes de texto feitas pelo professor, produzindo uma escrita colaborativa ¢ auténoma via laptop. Os projeros dos alunos nao eram apenas realizados na escola, mas também complementados com atividades feitas em casa. Essas observagées estio bem préximas do que se espera de uma educagso voltada para o século XI, enfatizando a criatividade, a inovacao e a autonomia dos alunos. Outro dado importante é 0 fato de os professores serem menciona- dos em praticamente todos esses estudos como papel fundamental na im- plementagéo dos laptops na escola. Para tanto eles devem ser capacitados para saber usar os microcomputadores, desenvolver uma educagio mais centrada no aluno, poder ajudé-lo ¢ criar um ambiente de aprendizagem favordvel ao uso dessas novas tecnologias. Os professores mais preparados conseguem notar alguma melhora na visio que eles tém sobre 0 uso dos laptops, ademais de monitorar melhor o progresso dos alunos € como eles entendem ¢ aplicam os contetidos curriculares em situagées de resolugio de problemas (PENUEL, 2006; WINDSCHITL; SAHL, 2002). [As experiéncias com os laptops XO nas escolas do Uruguai mostram mu- dangas na dinimica estructural e social da sala de aula. Os alunos usam o lap- UM LAPTOP PARA CADA ALUNO top para realizar buscas de informagio na Internet e para processé-la na pro- ducio de trabalhos relacionados com a informago obtida. Por exemplo, se 0 tema é um escritor, dependendo da série e das atividades previstas no curri- culo, os alunos podem escrever uma frase ou textos mais elaborados sobre 0 que leram da obra desse autor e sobre seu proprio estilo literario. Além disso, 60s alunos podem levar seus laptops para casa ¢ € muito comum encontré- -los trabalhando em locais que tém acesso a Internet, por exemplo, na praca frente & escola ou frente a uma Lan House em um shopping. Literalmente é o exercicio do aprender a qualquer momento ¢ em qualquer lugar! Os cinco experimentos no Brasil foram implantados com 0 objetivo de fornecer subsidios para tomadas de decisio sobre como essas escolas deve- riam ser adequadas do ponto de vista da estrutura fisica e de alguns aspec- tos pedagégicos, dentre eles atividades a serem realizadas com os laptops € formagio dos professores ¢ gestores. Esses aspectos deveriam ser analisados para os trés modelos de laptops educacionais existentes no mercado. Os resultados foram alcangados ¢ com base nos dados observados nesses ex- perimentos foram gerados documentos para nortear a licitagio de compra de laptops para um projeto piloto a ser realizado em cerca de 350 escolas, e documentos sobre os principios do projeto, sobre a formagio de professores € gestores dessas escolas e sobre o processo de avaliacio a ser desenvolvido. ‘Além disso, essas escolas produziram resultados importantes, néo por outro motivo a experiéncia de Palmas esta relatada neste livro, tanto pelos pesqui- sadores quanto pelos professores que participaram da experiéncia. Os artigos analisados, principalmente os trabalhos de Warschauer (2006) ¢ de Weston e Bain (2010) discutem alguns pontos que devem ser superados para que a implantacio de laptops na situagéo 1-1 seja mais efetiva. O ponto claro é que a mobilidade, para ser efetivamente explorada, deve exigir uma nova visio de.educagio,.o.que.significa-criar ambientes. de aprendizagem cocres argumentos usados para justificar os pprojetos de uso do laptop na situagao 1-1. 1.5 A EDUCACAO PARA A ERA DA MOBILIDADE Estudos jd mostraram que a entrada dos laptops na escola, produz al- teragées em alguns aspectos mencionados no tépico anterior. O fato de os 30 o.cOMPUTADOR PORTATIL NA ESCOLA ais efetivos, decorre do estigio inicial joria dos estudos. A verdade & que, em geral, essas foram totalmente absorvidas e utilizadas para a criacio de ambientes de aprendizagem, como pensado por Kay. Fizemos um grande Japtops no prod: ‘que se encontra pprogresso, mas ainda nao chegamos ld! Warschauer (2006) notou que os estudantes e professores observados no seu estudo estavam em um estégio inicial de aprendizagem sobre como tirar proveito das facilidades do laptop. Weston e Bain ressaltaram que os oe ta stuagio I: em gerl,tém sido utilizados para armazenar in- 3 2 92 10 que se refere & producao de texto, em grande «| S% parte, substituindo o lépis e papel. Nenhuma dessas “inovagées” {), 6% lacionada com alteragées do processo de ensinar ¢ aprender. Elas simples-_ ‘ 3,5. _mente automatizam velhas p: a} ‘As mudangas devem abranger aspectos didaticos e pedagégicos, como a proposta de uma educacéo centrada no aluno e baseada em resolucéo de ' problemas ou projetos. lagem pedagégica for adc da'Se lappa podaon ex ici, funcionando comb rial pata sjudar gs alunos a pensar, resolver probler - tomar decisées, do mesmo modo que os instrumentos para fazer uma composi¢o musical. Para essa mudanga de abordagem ocorrer é necessério alterar certas es- truturas fisicas ¢ educacionais da escola, como os espacos ¢ os tempos ~ ter salas multiatividades, flexibilizar as tradicionais aulas de 50 minutos e, sobretudo, reestruturar 0 tempo do professor para que ele possa estudar, planejar e dialogar com os alunos para além do tempo € espaco da sala de aula. A mudanga estrutural implica também em mudangas conceituais sobre aprendizagem e em repensar curriculo atual, desenvolvido para a era do lipis e papel. Os laptops jamais poderio ser integrados as atividades curriculares se elas continuarem explorando somente o lépis ¢ papel para re- presentar ¢ explicitar os conhecimentos d As atividades ¢ os projetos desenvolvidos pelo aluno podem explorar novos letramentos e, portanto, as faclidades que os bp ops atuals oferecem, por 0 uso da imagem, do som, da ~~ Finalmente, repensar as teorias de aprendizagem para englobar as carac- teristicas da era da mobilidade, entendida nao sé pelo fato de usar tecnolo- UM LAPTOP PARA CADA ALUNO. 34. gias méveis, como os laptops ¢ os celulares, mas também pela mobilidade das pessoas e da informagio. Sharples, Taylor e Vavoula (2007) propoem uma teoria que explica a aprendizagem para a era da mobilidade, como < processos de vr aconhecer por meio de tecnologiasincerativas e conver expressar 0 que clas camper € com isso pensar abieie interagdes e reciprocamente construir novas conversagdes, as quais acontecem to sobre as agées que sio realizadas amo sobre teorias, explanagdes ¢ ( ideias que permitem discutir as implicagées das ages. Nesse sentido, os problemas e projetos que os alunos desenvolvem sio situagées ideais para promover essas conversagées. O contexto é 0 local no qual as conversacGes ocorrem. Porém, em ver de set fixo, ele é moldado pelo didlogo continuamente negociado entre as pessoas ea tecnologia. A aprendizagem nao ocorre apenas em determinado contexto, mas gera novos contextos por meio da interago continua que acontece com 0 uso das tecnologias. As salas de aulas tradicionais so fiun- dadas na ilusio de contextos estaveis, pois estio em um espaco fixo, com recursos comuns, alguns professores ¢ um curriculo que permite montar bases comuns a serem mantidas no dia a dia. Se algumas dessas caracteris- ticas sio removidas, como deve acontecer no caso da aprendizagem na era da mobilidade, entio devem ser previstos a criagéo de ilhas temporstias de contextos relativamente estaveis, os quais devem ser previstos, bem de- finidos e flexiveis (LUCKIN, et al., 2005). Por exemplo, os problemas ou projetos a serem trabalhados pelos alunos constituem parte do contexto. Eles no emergem espontaneamente, mas devem ser definidos em virtude do interesse do aluno ¢ da intencéo pedagdgica do professor, ¢ ajustado para que o nivel de dificuldade esteja de acordo com a zona proximal de cada aluno (ou coletivamente, da classe). Essas mudangas nao sao triviais ¢ implicam em novos papéis que os professores, os gestores, os alunos e os pais devem assumir. Como mencio- nado por Kay, as ideias nao esto nos laptops, mas na cabega das pessoas. Sio elas e nao a tecnologia que criard melhores condig6es para uma edu- cagio coerente as necessidades da era digital e da mobilidade. Referéncias ALMEIDA, M. E. B. Educacio e tecnologias no Brasil e em Portugal em trés momentos de sua histéria. Educapdo, Formagio &- Tecnologias, vol.1(1), abr. 2008. [on-line]. Disponivel em: hetp://eft.educom.pt/index.php/efi/article! viewFile/ 19/11. Acesso em: dez. 2009. BEBEL, D.; O'DWYER, L. M. Educational outcomes and research from 1:1 computing settings. Journal of Technology, Learning, and Assessment, 9(1), 2010. CEIBAL. Plan Ceibal. Disponivel em: hetp://www.ceibal.edu.uy/. Acesso em: fev. 2010. ETxTIR. Evaluation of the Texas Technology Immersion Pilot. Outcomes for the third year (2006-07). 2008. 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American Educational Research Journal, 39(1), 165-205, 2002. 33 pols Indicadores para a formacgao de educadores para a integracgao do laptop na escola Maria EuzaseTh BiaNconcin DE ALMEIDA v& Maria Evisaserre Brisota Brito PRADO” 2.1 INTRODUGAO © uso do computador na educagio bisica vem ocorrendo em nosso pais desde a década de 1980 e torna evidente que 0 ponto crucial € a formagao de educadores para que possam integrar essa tecnologia a0s pro- cessos de ensino ¢ aprendizagem. Nesse sentido varias iniciativas sao feitas tanto com o apoio de érgios do governo quanto de universidades piiblicas ¢ privadas. No entanto, hoje, estamos diane de um novo cen: colas ptiblicas esto reccbendo o laptop educacional para ser utilizado em uma nova configuragio do trabalho pedagégico, ou seja, cada aluno ¢ 0 professor passam a ter um laptop em suas méos na sala de aula, ‘A chegada do laptop na escola, mais especificamente na sala de aula, traz novos desafios em relagao a formagio de professores e de outros pro- fissionais que atuam em distintas esferas das redes de ensino para o uso do computador nas atividades pedagégicas ir além de experiéncias pontuais de 1 E-mail: betkaleidaepucspbr 2 Eemail: ere pradoggmailcom. INDICADORES PARA A FORMAGAO DE EDUCADORES professores abnegados que usam 0 computador no laboratério de informé- tica em momentos esporidicos ¢ previamente planejados ¢ se torne uma pratica corrente da cultura escolar que integra as tecnologias ao desenvol- vimento do curriculo. Na proposta do Projeto UCA ~ Um Computador por Aluno, iniciativa do Governo do Brasil coordenada pelo Ministério da Educacio, os laptops ficam disponiveis para professores e alunos utilizarem na propria sala de aula, Diante dessa nova situacio, a ecologia da sala de aula sofre alteragdes, demandando a criagio de diferentes estratégias pedagégicas ¢ de gestio para serem desenvolvidas pelos diversos atores do contexto da escola e das ‘varias instancias que compoem o sistema educacional. No processo de implantagio de um projeto dessa natureza, caracteri- zado por um amplo ¢ profundo escopo de inovagées, ficam evidenciadas em um primeiro momento as questées relacionadas & infraestrutura fisica tecnolégica, bem como a logistica do contexto escolar. Porém, na ocasiéo de colocar 0s laptops para serem utilizados em sala de aula o foco das preo- cupagées centra-se na urgéncia e na necessidade de preparar os educadores para atuarem com os laptops na pritica pedagégica. Em outras palavras, é esse momento, em que professores ¢ alunos interagem com o laptop na sala de aula, que 0 Projeto UCA ganha vida e comega a se concretizar na escola. Assim para viabilizar a implantacio do projeto no colégio estadual Dom ‘Alano Marie du Noday, de Palmas, no estado do Tocantins, foi necessério investir na formago dos educadores — professores ¢ gestores da escola — bem como de outros profissionais envolvidos no projeto que atuavam em varias instincias do sistema de ensino. Neste capitulo, a0 nos referirmos & formagio dos educadores desse co- ligio e da rede de ensino voltada para a integracéo do laptop na escola, procuramos trazer os prineipios norteadores do uso das tecnologias na educagio e a formagio de educadores com o intuito de subsidiar experién- cias semelhantes. Também destacamos a importancia do envolvimento da equipe gestora da escola (diretor e coordenadores) e de outros profissionais que atuem na rede de ensino, pois consideramos necessério que a formagéo englobe os profissionais das diferentes instancias que lidam com as ques- tes relacionadas & pritica escolar ¢ is politicas curticulares. 35 INDICADORES PARA A FORMAGAO DE EDUCADORES professores abnegados que usam 0 computador no laboratério de informa- tica em momentos esporidicos e previamente planejados ¢ se torne uma pritica corrente da cultura escolar que integra as tecnologias ao desenvol- vvimento do curriculo. Na proposta do Projeto UCA — Um Computador por Aluno, iniciativa do Governo do Brasil coordenada pelo Ministério da Educacio, os laptops ficam disponiveis para professores alunos utilizarem na prépria sala de aula, Diante dessa nova situacio, a ecologia da sala de aula sofre alteragbes, demandando a criagio de diferentes estratégias pedagdgicas e de gestio para serem desenvolvidas pelos diversos atores do contexto da escola e das varias instnclas que compéem o sistema educacional. No proceso de implantagio de um projeto dessa natureza, caracteri- zado por um amplo e profundo escopo de inovacdes, ficam evidenciadas m um primeiro momento as questées relacionadas a infraestrutura fisica € tecnolégica, bem como a logistica do contexto escolar. Porém, na ocasiao de colocar os laptops para serem utilizados em sala de aula o foco das preo- cupagées centra-se na urgéncia ¢ na necessidade de preparar os educadores para atuarem com os laptops na pritica pedagégica. Em outras palavras, & nese momento, em que professores ¢ alunos interagem com o laptop na sala de aula, que 0 Projeto UCA ganha vida ¢ comeca a se concretizar na escola, Assim para viabilizar a implantagao do projeto no colégio estadual Dom Alano Marie du Noday, de Palmas, no estado do Tocantins, foi necessirio investir na formagio dos educadores — professores ¢ gestores da escola — bem como de outros profissionais envolvidos no projeto que atuavam em varias instancias do sistema de ensino. Neste capitulo, a0 nos referirmos & formagio dos educadores desse co- leégio e da rede de ensino voltada para a integragio do laptop na escola, procuramos trazer os principios norteadores do uso das tecnologias na educagio e a formagio de educadores com o intuito de subsidiar experién- cias semelhantes. Também destacamos a importincia do envolvimento da equipe gestora da escola (diretor e coordenadores) e de outros profissionais que atuem na rede de ensino, pois consideramos necessirio que a formacio englobe os profissionais das diferentes instancias que lidam com as ques- tes relacionadas & pritica escolar e as politicas curriculares. 35, 36 0 computanor poRTAnL NA ESCOLA 2.2 AS TECNOLOGIAS E A FORMACAO DE EDUCADORES ‘As iniciativas de insergao de computadores no contexto da escola puiblica brasileira tiveram e ainda tém influéncias das ideias de Papert (1985), que sinalizam novas possibilidades de 0 professor desenvolver sua pritica com 0 aluno usando os recursos computacionais. Papert (1985) € Harel (1991) en- fatizaram o desenvolvimento de materiais ¢ a criagio de ambientes de apren- dizagem que permite aos sujeitos envolverem-se em atividades reflexivas. Sob esse enfoque, os materais, no caso os computadores, deve favorecer 20, ane un Se ais ped ales uanto 0 aprendersobre-o-pensar. Tiaa-se assim a i indi-on © in, 1350 ee que o aluno construindo algo que he tivae SS er (ACKERMANN, 2002). is ideias, embora reconhecidas pelos educadores, nao sio facilmente apreendidas ¢ incorporadas na pritica. Colocar em agio novos prinefpios pe- dagégicos nao é simples e tampouco acontece de maneira imediata. Frequen- { temente, a formacio de educadores voltada para o uso da tecnologia na escola aborda os principios da teoria construcionista, mas isso no garante que 0 pro- fessor reconstrua a sua pritica pedagdgica em consondncia com tais principios.. Essa questo vem sendo discutida e pesquisada por estudiosos (ALMEIDA, 2004; PRADO, 2003; VALENTE, 1999), os quais apontam a importancia__ de desenvolver a formagio do professor em uma perspectiva contextualizada, que durante a form maroc le possa vivenciar os principios construcionistas om seus alunos por meio 0 di ; Essa perspectiva de formasio tem mostrado (VALENTE; ALMEIDA, 2007), pois favorece ao professor refletir sobre a pritica e compreendé-Ia no sentido de reconstruf-la. Para essa reconstru- ¢4o tornar-se efetiva é necessério que a formagio contemple os diferentes / profissionais da gestdo, em especial, as liderancas, tais como diretores.« ; coordenadores peg ens das das res que atuam em istintas instincias,