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NÚCLEO DE SINES

5 PASSOS PARA A DISCIPLINA

Técnicas de identificação e controlo de comportamento

Os problemas comportamentais manifestados pelos alunos/formandos em contexto de sala de


aula podem, como sabem, apresentar-se de uma variedade de formas: interrupção da aula,
perturbação dos colegas, agressão verbal chegando por vezes à agressão física. É um problema
transversal a todos os níveis de ensino e é sem sombra de dúvida um dos maiores desafios
para os professores/formadores.

Muitos alunos/formandos chegam-nos com uma série de desafios e desvios de carácter


emocional, o que muitas vezes nos dá a percepção de que os mesmos pareçam complexos e
por vezes sente-se impotência em corrigi-los.

Identificação de problemas de comportamento e intervenções adequadas podem ser


controlados quando a função do comportamento apresentado pelo aluno é explorado mais
detalhadamente pelos adultos responsáveis pela gestão da sala de aula.

De forma a clarificar os problemas de comportamento para que seja mais fácil controlá-los irá
ajudar certamente seguindo os 5 passos abaixo:

1) Fazer uma lista dos problemas de comportamento do aluno, sendo o mais objectivo
possível.
a) Comportamentos observáveis (Ex: insultar um colega)

Especular sobre comportamentos de ordem emocional pode tornar este processo pouco
objectivo portanto devemo-nos cingir apenas às evidências.

2) Escolher 2 comportamentos alvo que deseja corrigir e listar a frequência com que
estes ocorrem.

Da listagem de comportamentos desviantes apresentados pelo aluno deve escolher


APENAS 1 ou 2 comportamentos alvo; aqueles que interferem mais com a aprendizagem
do aluno e da turma.

Muitos alunos apresentam vários problemas de comportamento, porém, na gestão da


disciplina devem ser abordados 1 a 1 “step by step”.

Depois de seleccionados os comportamentos, certifique-se que os mesmos são descritos


de forma adequada, conforme especificado no Passo 1 (o que se vê/ouve na sala de aula) e o
Passo 2: com que frequência eles ocorrem (1 vez por semana, 3 vezes ao dia,…).

Estes dados observáveis servirão como base para que posteriormente se controle o
comportamento identificado de forma mais eficaz.
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3) Identificar todos os “pontos de gatilho”, ou seja, o que desencadeia o
comportamento seleccionado previamente.
Onde ocorre o comportamento? Na sala de aula, na oficina, na aula de educação física,
no espaço de convívio exterior e que depois seja transposto para a sala de aula…
Quando é que o comportamento ocorre? de manhã? de Tarde? Em todas as aulas? Em
aulas específicas? Em trabalho de grupo? Entre transição de aulas? no início da aula?
durante a execução de tarefas solicitadas?

É muito importante nesta fase ter também em conta os problemas de relacionamento


e identifica-los: Com os formadores? com os colegas? Só com colegas do sexo oposto?
Com algum formador em específico? Só com os alunos mais novos? Etc

4) Fazer o levantamento dos possíveis “ganhos” que os alunos/formandos têm quando


apresentam problemas de comportamento:
a) Para chamar a atenção dos colegas
b) Para chamar a atenção dos adultos
c) Para pertencer a um grupo
d) Para obter uma recompensa tangível
e) Para evitar a realização de um trabalho ou uma actividade indesejável
f) Para evitar o fracasso (por não tentar)
g) Para controlar e ganhar um sentido de poder (praticando bullying, ou sendo
desafiador)
h) Para auto-estimular (quando as actividades são mais lentas e o aluno está
“entediado”)
i) Para obter reconhecimento do grupo

Depois de identificado um (ou mais) possíveis motivos para o comportamento em questão,


descreva mais detalhadamente sobre as razões que são aparentemente específicas para
aquele aluno.

5) Desenvolver uma estratégia para colmatar as necessidades que o aluno/formando


está expressar através do comportamento apresentado.

Esta estratégia envolve ajudar os alunos a encontrarem novos comportamentos que


satisfaçam as necessidades que estão a ser procuradas de forma menos correcta , ou pode
envolver também o professor alterar a sua abordagem de ensino e relacionamento com
esses alunos tornando-se mais claro levá-los a alcançar a identificação das suas
necessidades.

Deixo alguns exemplos de ideias de como fazer com que o próprio problema de
comportamento aponte qual a intervenção a utilizar:

a) Se os problemas de comportamento ajudam os alunos a chamar a atenção do


professor, instruí-los sobre os comportamentos adequados que podem usar para
chamar a sua atenção. Defina as consequências para os problemas de comportamento
inadequados e reforce os comportamentos esperados.
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b) Se o problema de comportamento ajuda o aluno a “esquivar-se” da tarefa, porque a
actividade é indesejável, então junto da tarefa acrescente uma recompensa desejável
(seleccionada pelos alunos) de modo que os instigue a fazerem um esforço extra para
obtê-la.

c) Se o problema de comportamento ajuda o aluno a não realizar a tarefa (devido ao


medo do fracasso), então ensine-o a ser resiliente, motive-o a prosseguir mesmo
perante os erros, celebre e reconheça os seus progressos e realizações. No início aceite
trabalhos e tarefas parcialmente concluídos.

d) Se o problema de comportamento ajuda o aluno a chamar a atenção do professor


então utilize técnicas em que dê ao aluno mais atenção aos comportamentos positivos
e menos atenção aos problemas de comportamento (ignorar estrategicamente).

e) Se o problema de comportamento faz com que o aluno raramente execute tarefas


dentro da sala de aula (devido a dificuldades de aprendizagem) tente adequar os
conteúdos curriculares de uma forma mais personalizada a chamada “diferenciação
pedagógica”.

f) Se o problema de comportamento do aluno faz com que ele ganhe uma sensação de
poder, então canalize essa predisposição de liderança para que esse aluno possa
alcançar esta mesma sensação a executar actividades que sejam positivas e
proveitosas para o grupo.

g) Se o problema de comportamento auxilia o aluno a obter a atenção do grupo então


possibilite outras formas em que ele possa obter esta atenção de forma dirigida e
planeada pelo formador e não pelo próprio aluno.

Mónica Vaz Neves

Psicóloga do Nucleo Cenfim de Sines e Grândola