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Índice

Índice.................................................................................................................................3

Introdução..........................................................................................................................4

Objetivos............................................................................................................................4

Capitulo I - O Objecto do processo penal.........................................................................5

1.2 O Direito Processual Penal como parte do Direito Processual....................................6

1.3.1 O princípio da oficialidade.......................................................................................7

1.3.2 Princípio da Legalidade............................................................................................8

1.3.3 Princípio da acusação...............................................................................................9

1.4 Princípios relativos à prova.......................................................................................10

1.4.1 Princípio da investigação ou da verdade material..................................................10

Capitulo II - O Ministério Público...................................................................................11

1.1 Posição jurídica do Ministério Público no processo penal........................................11

1.1.1 O Ministério Público como órgão autónomo de administração da justiça.............11

1.2 Princípios fundamentais da sua actividade e estrutura..............................................11

1.3 Funções do Ministério Público no processo penal....................................................12

1.3.1 A direcção da instrução preparatória......................................................................12

1.3.2 Dedução da acusação e a sua representação em julgamento..................................13

Conclusão........................................................................................................................15

Referências Bibliográficas...............................................................................................17

Legislação....................................................................................................................17
Introdução

O objecto do processo penal, destina-se a aplicação do direito ao caso concreto. E esta


actividade de aplicação de direito tem por objecto a realidade dos factos. Assim, a
aplicação da norma pressupõe a verificação de facto previsto.

No presente trabalho

Objetivos

Geral:

Específicos

Metodologia de Pesquisa
Capitulo I - O Objecto do processo penal

1.1 Generalidades

No que concerne ao objecto do processo penal, este tem a ver com a matéria ou factos
concretos criminalmente censuráveis e em princípio devem constar da acusação e da
pronúncia.

Nestes termos, cabe ao Ministério Público a determinação dos factos que constituem
matéria para acusação e pronúncia ou seja do objecto do processo penal para que se dê
oportunidade a quem seja o visado oferecer a conveniente defesa.

É com a determinação do objecto do processo penal que melhor se pode averiguar e


decidir sobre a existência de elementos incriminadores, determinar o agente infractor e a
responsabilidade criminal do mesmo.

A determinação do objecto do processo – ou seja, da matéria à volta da qual se


desenvolvem as actividades processuais – é de extrema importância teórica e prática.

A estrutura do sistema processual penal vigente entre nós é basicamente acusatória, se


bem que integrada por um princípio de investigação. Isso implica que o tribunal só
possa intervir quando solicitado por uma acusação formulada por uma entidade dele
distinta e independente (o Ministério Público), e que o conteúdo da acusação delimita a
própria actividade processual do tribunal.

Existe assim uma identidade essencial entre o conteúdo da acusação, a pronúncia e a


sentença final, que constitui importante garantia para o arguido, na medida em que só
terá de defender-se do que é acusado (e pronunciado) e só pelo que é acusado poderá ser
julgado.

Disto resulta que a sentença final, salvo casos excepcionais que a lei expressamente
prevê, só pode condenar por factos constantes do despacho de pronúncia ou equivalente.
É o que dispõe o art. 447 do CPP: “O tribunal poderá condenar por infracção diversa
daquela por que o réu foi acusado, ainda que seja mais grave, desde que os seus
elementos constitutivos sejam factos que constem do despacho de pronúncia ou
equivalente”.
No comentário a este preceito legal, Beleza dos Santos escreve: “Este limite imposto ao
tribunal de julgamento representa uma justa garantia para o réu e tem uma justificação
fácil de ver. O réu não deve ser surpreendido por uma imputação de factos feita na
audiência de julgamento e tomada em consideração na sentença, quando por tais factos
não foi anteriormente pronunciado e não pôde, por isso, organizar e deduzir a sua defesa
a tal respeito, oferecer e produzir a respectiva prova, com os prazos devidos. A lei
ordena a notificação do despacho de pronúncia ou equivalente ao réu, sob pena de
nulidade (…) precisamente para que ele possa ter conhecimento dos factos que lhe são
imputados e com tempo necessário prepare a sua defesa. Por isso, haveria uma flagrante
incoerência e um manifesto contrário senso na lei se ela permitisse que o réu fosse
condenado por factos diversos daqueles que constassem da acusação de que foi
notificado e de que lhe deram cópia, por factos que ele desconhecia e que viriam a ser
imputados na audiência de julgamento e na sentença”.

Pode, pois, concluir-se que o objecto do processo penal é o facto (ou comportamento
humano) concreto, na sua existência real, que importa averiguar e cuja verificação é
pressuposto da aplicação da pena1.

O objecto do processo penal não se apresenta delimitado desde o início deste. É


susceptível de diferentes graus de apreciação, consoante a evolução que o próprio
processo vai tendo, quer dizer, de acordo com as fases em que se desenvolve. A um
primeiro juízo de suspeita sobre o facto, segue-se uma fase instrutória destinada
precisamente a obter a confirmação desse juízo de suspeita. Com a acusação e
pronúncia, o juízo de suspeita transforma-se num juízo de probabilidade. Por último,
para que a decisão final seja condenatória é necessária a formulação de um juízo de
certeza sobre o facto objecto do processo2. É no momento da passagem do juízo de
suspeita para um juízo de probabilidade – com o trânsito em julgado do despacho de
pronúncia ou equivalente – que se fixa, em termos definitivos, o objecto do processo.

1
- Ou, na definição de José da Costa Pimenta, “… é um conjunto de factos humanos, devidamente
situados no tempo e no espaço, que integram os pressupostos de que depende a aplicação ao seu autor de
uma pena ou medida segurança criminais” (in Introdução ao processo penal, Almedina, Coimbra, 1989,
pág. 22)
2
Sobre a distinção entre juízos de suspeita, de probabilidade e de certeza, a luz do Cavaleiro de Ferreira,
op. cit. págs. 33 e II Volume, pág. 283.
1.2 O Direito Processual Penal como parte do Direito Processual

No processo civil tem plena aplicação o princípio da disponibilidade do objecto


processual pelas partes – estas gozam da faculdade de fazer valer no processo as suas
pretensões ou de renunciarem a elas; no processo penal o objecto do processo é
indisponível pelos sujeitos processuais, pois de outra forma seria impossível satisfazer o
interesse da comunidade e do próprio Estado em esclarecer os crimes e punir os seus
responsáveis.

Portanto, em processo penal o juiz goza de uma ampla discricionariedade na apreciação


dos factos que constituem o objecto do processo, por força do princípio da investigação
ou da verdade material, o que não acontece no processo civil; entre os participantes,
não existe em processo penal uma verdadeira contraposição de interesses, pois, como
veremos na altura devida, o Ministério Público não actua no sentido de obter a
condenação do arguido a qualquer preço, mas está (como o acusador particular ou o
próprio defensor) obrigado a um dever de objectividade3 – contraposição de interesses
existe, sim, entre as partes no processo civil.

1.3 Princípios relativos à promoção processual

1.3.1 O princípio da oficialidade

No direito processual penal vigente o princípio da oficialidade pretende receber


consagração plena. A instrução preparatória acha-se por regra confiada a entidades
oficiais sem funções jurisdicionais, que devem promover oficiosamente o conjunto de
diligências destinadas a provar a culpa ou a inocência dos arguidos: (em regra ao
Ministério Público – arts. 12 e 14 do Dec. Lei 35007, de Outubro de 1945) que pode
delegar em certos casos nas autoridades policiais (art. 16) e excepcionalmente a outros
entes públicos.

O Dec. Lei 35007, através do seu art. 1°, acentua o carácter público da acção penal no
sentido de que o Estado é titular exclusivo da acusação penal, que exerce oficiosamente
por intermédio do M°P° (art. 16) ou, em casos particulares, (art 12) de outras entidades
oficiais, como as autoridades administrativas e outros organismos do Estado com
competência para a fiscalização de certa actividade ou da execução de regulamentos
especiais.
3
A LUZ DO art. 12, &1°, do Decreto-lei 35007, de 13 de Outubro de 1945.
De notar, porém, que este princípio da promoção oficiosa não se afirma sem limitações,
que podem ser de ordem legal ou de ordem jurisprudencial. São de ordem legal as
derivadas da existência de crimes semipúblicos e dos crimes particulares. As de ordem
jurisprudencial advêm do facto de se continuar a admitir amplamente a possibilidade de
os particulares assistentes acusarem por crimes públicos, mesmo nos casos em que o
M°P° se tenha abstido de acusar.

São crimes públicos aqueles em que o M°P° promove oficiosamente e por iniciativa
própria o processo penal e decide com plena autonomia – observando, porém,
estritamente o princípio da legalidade - da submissão ou não de uma infracção penal a
julgamento.

Crimes particulares, latu sensu, são aqueles em que a legitimidade do M°P° para por
eles acusar precisa de ser integrada por uma denúncia ou também por uma acusação
particular.

Para além destas razões, acresce, ainda, o princípio da legalidade, que vincula
estritamente o M°P° a dar acusação por todas as infracções cujos pressupostos considera
verificados.

1.3.2 Princípio da Legalidade

Com o princípio da perseguição oficiosa das infracções visa o Estado corresponder ao


seu dever de administração da justiça penal, de onde resulta a condenação de todos os
culpados, e somente deles, da prática de uma infracção. Daqui se extrai que a peça
fundamental deste processo – de modo contrário ao que acontece no processo civil,
onde se dá ao autor a faculdade de aquilatar da oportunidade de propositura da acção – o
princípio da legalidade.

A actividade do M°P° desenvolve-se, assim, sob a estrita vinculação da lei – daí o


princípio da legalidade – e não segundo considerações de oportunidade (ex. de ordem
política ou financeira – custas).

O princípio da legalidade impõe ao M°P° a obrigação de promover sempre a acção


penal, desde que existam os necessários elementos (art 165 do CPP). A este princípio
opõe-se o princípio da oportunidade, que dá ao M°P° competência para deixar de
exercer a acção penal quando razões de consciência pública assim o exijam, ou quando
se trate de infracções de pequena gravidade.

O princípio da legalidade preserva um dos fundamentos essenciais do Estado de direito,


na medida em que isenta a justiça penal de suspeitas e tentações de parcialidade e
arbítrio. Se acaso fosse permitida aos órgãos públicos encarregados do procedimento
penal apreciarem da conveniência do seu exercício e omiti-lo por inoportuno, avolumar-
se-ia o perigo de aparecimento de influências externas da mais variada ordem, na
administração da justiça penal e, mesmo que tais influências não lograssem impor-se,
ficaria irremediavelmente comprometida a confiança da comunidade na incondicional
objectividade e imparcialidade daquela administração. Vem, assim, o princípio da
legalidade em reforço e confirmação de uma máxima tão importante como a da
igualdade na aplicação do direito, máxima essa com foro constitucional na República de
Moçambique (a luz do arts 35, 59 n° 1, 234 n° 2 e 236 da CRM de 2004).

1.3.3 Princípio da acusação

A imparcialidade e objectividade que associados à independência são condições


indispensáveis de uma autêntica decisão judicial, só estarão assegurados quando a
entidade julgadora não tenha funções de investigação preliminar e acusação de
infracções mas apenas possa “…investigar e julgar dentro dos limites que são postos
por uma acusação fundamentada e deduzida por um órgão diferenciado (em regra, o
M°P° ou um juiz de instrução) ”4. É assim que modernamente se afirma o princípio da
acusação.

Da consagração deste princípio resultam substancialmente as seguintes implicações:

a) O tribunal a quem cabe o julgamento não pode, por sua iniciativa, começar uma
investigação tendente ao esclarecimento de uma infracção e a determinação dos
seus sujeitos. Tal só pode ter lugar numa fase processual cuja iniciativa e
direcção caiba a uma entidade diferente;
b) A dedução da acusação é pressuposto de toda a actividade jurisdicional de
investigação, conhecimento e decisão. Ela afirma publicamente que sobre
alguém recai uma suspeita tão forte de responsabilidade por uma infracção, que
impõe uma decisão judicial; e, por consequência, a afirmação pública e solene
de que a comunidade jurídica chama um seu membro à responsabilidade;
4
Figueiredo Dias, op. cit. pág. 136 e segs.
c) A acusação define e fixa, perante o tribunal, o objecto do processo. Num
processo de tipo inquisitório puro, a cognição do tribunal poderia dirigir-se
indiscriminadamente a qualquer suspeita de infracção ou de infractor, mesmo
que aquela não tivesse nenhum reflexo no contexto da acusação (se esta
existisse). Segundo o princípio do acusatório, pelo contrário - e esta é, sem
dúvida a sua implicação mais relevante -, a actividade cognitiva e decisória do
tribunal está estritamente limitada pelo objecto da acusação (e da pronúncia). É a
este efeito que alguns autores chamam de vinculação temática do tribunal e é
nele que se consubstanciam os princípios da identidade, da unidade ou da
indivisibilidade e do objecto do processo penal, isto é, os princípios segundo os
quais o objecto do processo deve manter-se o mesmo desde a acusação ao
trânsito em julgado da sentença, deve ser conhecido e julgado na sua totalidade
(unitária e indivisivelmente) e deve considerar-se irrepetivelmente decidido.

1.4 Princípios relativos à prova

1.4.1 Princípio da investigação ou da verdade material

Do princípio da verdade formal resultam certas consequências de que importa


assinalar as mais relevantes:

a) Na lógica da consequência anterior, está na circunstância de recair sobre as


partes todo o risco da condução do processo, através do ónus que sobre elas
incide, de afirmar, contradizer e impugnar: é a isto que se chama o princípio da
auto-responsabilidade probatória das partes. À sua luz terá o juiz de considerar
não necessitados de prova todos os factos que, apresentados por uma parte, não
sejam contraditados pela outra: sobre eles haverá acordo, expresso ou apenas
tácito por força de não- impugnação. Estes factos, possam embora não ser
verdadeiros, são tidos (valem) como tal para efeitos da decisão. É por isso se diz
que a sentença procura e declara a verdade formal.

b) Finalmente, sendo objecto do processo uma relação jurídica material


disponível, às partes pertence o direito de disporem do objecto do processo, quer
pondo-lhes fim através da desistência da instância, quer determinando o próprio
conteúdo da sentença de mérito através da confissão, da desistência ou da
transacção.
Capitulo II - O Ministério Público

1.1 Posição jurídica do Ministério Público no processo penal

1.1.1 O Ministério Público como órgão autónomo de administração da justiça

É através desta magistratura que se logra obter:


- A separação entre a entidade que preside à instrução preparatória e se encarrega da
acusação e a que julga e profere a decisão;
- A vinculação temática do tribunal ao objecto do processo, pela exacta delimitação dos
seus poderes cognitivos, o que constitui uma importante garantia de defesa do arguido e
dos seus direitos fundamentais.
A separação institucional e funcional entre o Ministério Público e o juiz não impede,
todavia, uma estreita correlacionação dos dois sujeitos dentro do processo penal. Trata-
se de duas entidades públicas, órgãos do mesmo Estado, às quais a lei confere a
categoria de magistraturas paralelas, como veremos adiante. As actividades por ambas
desenvolvidas convergem na prossecução de um mesmo fim: a administração da justiça
penal.
É este relacionamento estreito entre Ministério Público e juiz que torna difícil e muito
discutida a definição da posição jurídica do primeiro dentro do processo penal.
A questão, mais do que respeitar propriamente ao Direito processual penal, prende-se
com o Direito Constitucional e com a Organização Judiciária.
A função de administração da justiça ou administração judiciária, abrange toda a
actividade, estadual ou não, caracterizada pela sua estreita relacionação com o Direito
(no sentido e com o fim da sua realização no caso concreto) e subordinada aos valores
da verdade e da justiça. Desta função participam órgãos e entidades como os tribunais,
os notários, os defensores em processo penal, etc. Só uma parte do exercício desta
actividade se pode considerar jurisprudência (e, portanto, função judicial), enquanto a
outra constitui simplesmente administração da justiça.
O Ministério Público é, portanto, um órgão autónomo desta administração-autónoma,
no sentido de independente dos tribunais e dotado de estrutura e organização próprias.

1.2 Princípios fundamentais da sua actividade e estrutura

Como órgão de administração da justiça, o Ministério Público está incondicionalmente


vinculado aos valores da descoberta da verdade e da realização da justiça no caso
concreto, pois, daqui decorre a exigência de que, em todas as suas intervenções no
processo penal, obedeça a critérios de estrita objectividade jurídica.
Com efeito, ao Ministério Público compete trazer ao processo e ajudar a esclarecer, não
só os factos que possam demonstrar a culpa do arguido, mas também todos os indícios
da sua inocência ou da sua menor culpa.

Para que o Mistério Público possa cumprir o seu dever de objectividade, é necessário
que esteja assegurada a sua imparcialidade. Daí que os arts. 105 e 113 do CPP tenham
tornado extensivo aos agentes do MP o sistema de impedimentos e suspeições que
anteriormente vimos ser aplicável aos juízes.

Outra característica da actividade do Ministério Público, para além da objectividade e


da imparcialidade, é a da sua submissão à lei. Este dever de obediência à lei, de
conteúdo análogo ao que também verificámos impor-se ao juiz, revela-se através do
princípio da legalidade da promoção do processo penal.

Todas estas características se encontram proclamadas no art. 234, n° 2 da Constituição 5,


que estabelece: “No exercício das suas funções, os magistrados e agentes do Ministério
Público estão sujeitos aos critérios de legalidade, objectividade, isenção e exclusiva
sujeição às directivas e ordens previstas na lei”.

Quanto à estrutura do Ministério Público, e como reflexo dos critérios de actuação


acabados de referir, há que assinalar a sua autonomia em relação aos demais órgãos do
Estado – consagrada no art. 2, n° 2 da lei n° 22/2007, de 1 de Agosto) - incluindo os
tribunais.

1.3 Funções do Ministério Público no processo penal

1.3.1 A direcção da instrução preparatória

Como órgão encarregado de promover a perseguição dos crimes e outras infracções à lei
penal, compete ao Ministério Público, em primeiro lugar, proceder à sua completa
investigação e ao seu possível esclarecimento.

Para lhe permitir a plena realização desta finalidade, a lei atribui-lhe a direcção da
instrução preparatória – art. 14 do Decreto-lei n° 35007. Esta regra geral sofre, no
entanto, algumas restrições constantes dos preceitos seguintes do mesmo diploma legal.

5
- E aparecem reafirmadas na Lei Orgânica da Procuradoria-geral da República – Lei n° 22/2007, de 1
de Agosto, nomeadamente no seu art. 2, n° 2.
1.3.2 Dedução da acusação e a sua representação em julgamento

A legitimidade do Ministério Público terá de advir da natureza pública do crime, ou da


participação do ofendido se se tratar de crime semi-público, ou da participação e
acusação particular se tratar de crime particular.

Através da dedução da acusação, o Ministério Público chama a responder perante um


tribunal, em nome da sociedade, uma pessoa determinada sobre a qual recai a fundada
suspeita de ter cometido um crime. Com isto, o Ministério Público exprime a
necessidade, sentida pela comunidade jurídica, de punir, com a sanção prevista na lei, o
responsável por um dano àquele causado.

O Ministério Público não detém, todavia, o monopólio exclusivo da dedução da


acusação. Desde logo, nos crimes particulares a acusação principal – e que pode ser a
única – está a cargo dos próprios particulares (a luz do Art. 3, &único, do Decreto-Lei
n° 35007). Mas também, como vimos, outras entidades públicas gozam – nos termos do
art. 2 do mesmo diploma – de competência para, relativamente a certas infracções,
exercer a acção penal6.

A função do Ministério Público no que toca à acusação não se esgota, porém, na sua
dedução, mas abrange a sua representação em julgamento.

A representação da acusação em julgamento importa referir que não significa que


Ministério Público deva actuar cegamente, na tentativa de obter a todo o custo a
condenação do arguido e ver, assim, procedente a acusação deduzida. Pelo contrário, o
Ministério Público deve pautar a sua actuação em vista a descoberta da verdade e a
realização da justiça, baseando-se sempre nos critérios da objectividade e da legalidade
a que já nos referimos.

Esta forma de agir assume particular relevo e importância na fase das alegações orais
(arts. 467, 533, 539 e 559, in fine, do CPP), durante a qual deverá tomar posição, quer
sobre a questão-de facto, quer sobre a questão-de-direito.

6
- O que significa que essas autoridades realizam o acto processual correspondente à acusação – a luz do
Art. 543 e segs. do CPP. Para a forma de processo de transgressões, e art. 556 e segs. Para a forma de
processo sumário.
Conclusão

O Mº Pº não tem o domínio do objecto do processo como as partes no processo civil,


basta ver como referirmos, o princípio da legalidade e objectividade que norteia toda a
sua actuação e que se opõe à discricionariedade, desde que estejam reunidos todos os
pressupostos processuais, deve deduzir acusação, e este nunca deve ser retirada a partir
do momento em que o tribunal é chamado a decidir sobre ele, isto por um lado; por
outro lado, a confissão do réu não produz qualquer efeito processual quando
desacompanhada de outros elementos de prova, (Art. 174° do CPP), nem faz terminar o
processo (não há transacção do processo), assim como sobre o réu não recai nenhuma
responsabilidade pela não produção prova.

Dado que em processo penal reina o principio da investigação ou da verdade material


dentro da fase instrutória, este, permite ao tribunal que por iniciativa própria realize as
diligências que entender necessárias para a descoberta da verdade material do crime,
tendo em conta que “o principio da investigação pretende traduzir-se como o “... poder-
dever que ao tribunal incumbe de esclarecer e instruir autonomamente, mesmo para
além das contribuições da acusação e da defesa, o «facto» sujeito a julgamento,
criando aquele mesmo as bases necessárias à sua decisão”.7

Segundo o artigo 341, do C.Civil, “as provas têm por função a demonstração da
realidade dos factos”. Demonstrar a veracidade dos factos e alcançar a certeza sobre os
mesmos factos.

A decisão judicial é objectivo a que o processo visa lograr em função de duas partes: a
verificação dos factos que condicionam a aplicação da lei e aplicação da lei. O
conhecimento profundo do campo jurídico é condição fundamental para se lograr uma
boa decisão ou sentença.

Para termos o juízo de certeza é necessário considerar duas realidades distintas: o juízo
lógico e o juízo histórico. Enquanto que o juízo lógico respeita á exactidão de um
raciocínio, de uma operação mental, conduz necessariamente a uma certeza absoluta. O
juízo histórico reporta-se á verificação de um facto e, por essa razão, pode não conduzir
a um resultado seguro. Não acarreta uma certeza absoluta, mas relativa, não uma certeza

7
TRINDADE, João e MONDLANE, Luís, ob.cit., página 18
objectiva, mas uma opinião que não está isenta de falhas. Concluindo-se que, por vezes,
do juízo histórico pode lograr, como resultado, a dúvida.

O juízo lógico é hipotético, dá como verificadas certas premissas (os pressupostos do


facto) e incide sobre a relacionação daquelas com a conclusão.

Enquanto que juízo histórico é um juízo real, tem por objectivo aquelas premissas, não
incide sobre uma relação abstracta, mas sobre uma realidade concreta.

De um modo geral, a distinção entre juízo lógico e histórico corresponde à distinção


entre o juízo de direito e o juízo de facto. O juízo de direito é o juízo lógico.

Conclui-se que a prova não conduz à certeza absoluta e objectiva, Efectivamente ela não
está ao alcance dos meios inseguros de que o homem dispõe. A única meta possível é a
certeza subjectiva, a presunção da verdade, ou seja, a verdade relativa.
Referências Bibliográficas

BELEZA, Teresa Pizarro (1992,1993 e 1995). Apontamentos de Direito Processual


Penal (aulas teóricas dadas ao 5° Ano). Lisboa: AADL.
FIGUEIREDO DIAS, Jorge de (2010). Direito Processual Penal. Coimbra.
TRINDADE, João e Luís Mondlane (1995). Apontamentos de Direito Processual Penal.
Maputo

Legislação

Código de Processo Penal

Constituição da República de Moçambique - 2004

Decreto-Lei n° 35007 de 13 de Outubro de 1945.

Lei n° 22/2007, de 1 de Agosto