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DIREITO DO CONSUMO I

12 de Fevereiro de 2018
 DATAS DOS TESTES: 11 DE ABRIL & 30 DE MAIO;
 CÓDIGO CIVIL ANOTADO : DR ABILIO NETO; CLAUSULAS CONTRATUAIS GERAIS; MANUAL DO
DIREITO DO CONSUMO DO PROFESSOR JORGE MORAIS CARVALHO;
 Temas:
 O CONCEITO DE CONSUMIDOR;
 O PRINCÍPIO DA BOA-FÉ;
 AS CLÁSULAS CONTRATUAIS GERAIS NO ÂMBITO DO CONTRATO DE CONSUMO;
 AS PRÁTICAS RESTRITIVAS DO CONSUMO;
 OS MEIOS ALTERNATIVOS DE RESOLUÇÃO DE LITÍGIOS: ARBITRAGEM, A MEDIAÇÃO E A
CONCILIAÇÃO.
 “Consumidores são por definição e natureza, todos os cidadãos de uma determinada sociedade” –
John Kennedy; é discutível, nos todos os dias praticamos relações jurídicas de consumo. Produtor e
Prestador de serviços são opostos ao Consumidor.
 Produtor: comprar um automóvel na marca.
 Prestador de serviços: Comprar um casaco;
 Principio da autonomia privada dos contratos e liberdade de forma –> importante!
 Direito de arrependimento  14 dias seguidos!

Dia 21 de Fevereiro de 2018


TEMA: CONCEITO DE CONSUMIDOR
PEDIR À ELISA!!! (…)
 Situações:
o Atos de comércio, tem determinadas plataformas em que grandes superfícies …
 ELEMENTO OBJETIVO: o elemento objetivo esta relacionado com a própria atividade económica
desenvolvida e colocada à disposição do consumidor, sendo que a mesma pode apresentar duas
modalidades jurídicas, a saber:
1. O fornecimento de um determinado bem;
2. A prestação de um determinado serviço.
Igualmente, ao nível do elemento objetivo e em particular o que diz respeito ao fornecimento de
um bem, devemos ter em consideração o regime jurídico específico da responsabilidade civil contratual e
extra contratual do produtor.
(Em termos jurídicos, perante uma situação individual e concreta é necessário que se verifiquem 5
requisitos cumulativos, com vista à verificação de uma pessoa jurídica indemnizar outra …: facto jurídico,
voluntário, o qual compreende duas modalidades – 1) facto jurídico voluntário por ação e 2) facto jurídico
voluntario por omissão; ilicitude, que exprime uma violação de tal forma grave, intensa e censurável, que
toda a ordem jurídica e respetivos princípios e valores estão a ser colocados em causa; dolo/culpa, consiste
num juízo de censura sobre uma conduta, comportamento ou atitude de uma determinada pessoa; dano,
sendo que o dano reveste de duas modalidades – os danos patrimoniais e danos não patrimoniais ou
morais; nexo de causalidade, o nexo de causalidade entre o facto jurídico voluntário praticado e o dano
causado na esfera jurídica de uma pessoa, segundo a teoria da causalidade adequada, o facto praticado
tem de ser causa adequada para praticar aquele dano).
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 ELEMENTO TELEOLÓGICO  O elemento finalista ou teleológico diz respeito ao especifico uso e
finalidade que o consumidor utiliza , sendo que, a mesma pode ser ao nível de um uso privado ou
pessoal ou de um uso puramente profissional;
 ELEMENTO RELACIONAL  o quarto e ultimo elemento diz respeito aos específicos direitos e
obrigações que por força da relação jurídica de consumo nascem quer para o consumidor, quer para
a entidade que fornece o bem ou presta um determinado serviço. Igualmente, ao nível dos direitos
do consumidor, os quais têm inclusive consagração na nossa lei fundamental, nos termos do artigo
60.º da CRP e ao nível da legislação civil e ordinária, devemos destacar o chamado direito ao
arrependimento por parte do consumidor.
Dia 28 de Fevereiro de 2018

Comércio eletrónico no âmbito das relações de consumo

O comercio eletrónico consiste em todas as atividades que utilizem meios tecnológicos ou


eletrónicos, com vista ao fornecimento de bens ou de prestação de serviços á distância, neste sentido, e no
âmbito especifico do direito do consumo, podemos destacar 4 modalidades de comercio eletrónico, a
saber:

1. O comercio eletrónico entre empresa a empresa, ou seja, nesta modalidade uma determinada
empresa utiliza a sua própria rede de comunicação eletrónica privada, com vista a realizar uma
encomenda a um fornecedor, prestar um determinado serviço ou mesmo efetuar um pagamento,
através da chamada internet.

2. O comercio eletrónico entre empresa a consumidor, isto é, uma determinada empresa utiliza a
internet, um site ou as redes sociais, com vista a fornecer um bem ou prestar um serviço junto do
consumidor final. Esta modalidade é aquela que tem uma maior relevância no comercio atual e em
especial ao nível das grandes superfícies e dos centros comerciais.

3. O comercio eletrónico entre empresa a administração pública, ou seja, compreende todas as


situações de relações comerciais entre as empresas e determinados órgãos ou departamentos da
administração pública portuguesa, designadamente, ao nível dos anúncios de concursos e de
contratação pública.

4. O comercio eletrónico entre consumidor e a administração pública, ou seja, diz respeito aquelas
situações sobretudo ao nível do cumprimento das obrigações fiscais e da segurança social por parte
dos cidadãos vistos e analisados como cidadãos consumidores.

Qualquer modalidade de comércio eletrónico no âmbito do direito do consumo, pode suscitar três
desafios jurídicos que importa resolver, a saber:

1. A identidade das partes contratantes e da respetiva capacidade jurídica à com vista á resolução de
duvidas sobre a identidade das partes num contrato de consumo, deve os mesmos serem assinados
através da chamada assinatura digital, prevista no regime jurídico do decreto-lei nº290-D/99 o qual,
estipula os critérios e requisitos de segurança na colocação da mesma;

2. Ao nível da prova do contrato de consumo e em particular no que diz respeito aos direitos e deveres
das partes, bem como da data e do local da sua celebração à no que diz respeito ao segundo desafio
devemos aplicar as regras e princípios previstos na convenção de Viena sobre a venda de
mercadorias e de prestação de serviços, da qual Portugal é signatário e em particular a chamada

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teoria da receção negocial. Neste sentido, nos termos do artigo 224º CC, uma declaração negocial
apenas se considera perfeita e concluída quando chega ao conhecimento ou receção do seu
destinatário, produzindo os respetivos efeitos jurídicos apenas nesse momento.

3. Ao nível da legislação aplicável e da jurisdição competente no caso da existência de um litigio


jurídico entre as partes contratantes à ao nível da jurisdição competente, devem aplicar-se as regras
de competência internacional dos tribunais portugueses previstas no Código de Processo Civil, o
qual nos transmite a ideia que perante um contrato de consumo com conexões com uma ordem
jurídica estrangeira, os mesmos podem ser competentes para dirimir o litígio judicial. Igualmente,
devemos analisar nestas matérias determinadas clausulas do contrato de consumo e em particular
aquelas que dizem respeito aos chamados pactos privativos de jurisdição, em que na esmagadora
maioria das situações é competente o tribunal do domicilio convencionado do consumidor. Por
outro lado, ao nível da lei aplicável devemos socorrer das normas e princípios da convenção de
Roma, a qual nos diz que e competente a lei do país em que o consumidor tem o seu domicilio com
vista a resolução de uma divergência contratual entre uma empresa que fornece um bem ou presta
um serviço e o respetivo consumidor final.

Dia 5 de Fevereiro de 2018


CASO PRÁTICO
1. No dia 10 de Fevereiro de 2017, Bruno de Carvalho, cidadão famoso pelo seu vasto e extenso
currículo criminal, deslocou-se à loja da Sport Zone no centro comercial Colombo, com vista a
adquirir um fato de treino e ténis da marca denominada “Alvalade 21 – Esperança Eterna”. Em
face deste pedido a gerente da loja de nome Rita Marques, num tom correto e bem educada,
transmitiu-lhe que a mencionada marca era inexistente no mercado nacional, todavia, sugeriu ao
mesmo que adquirisse o equipamento com as mesmas características, mas da marca “Adidas”,
reconhecida no mercado pela sua excelente relação entre o preço e a qualidade. Em consequência
desta sugestão, Bruno de Carvalho de uma forma agressiva e incorreta, simultaneamente, começa
a negociar o preço fixado e indicado pela gerente da loja e menciona que pretende intentar uma
ação de responsabilidade civil contra a gerente da loja pelo péssimo profissionalismo e
igualmente pela diminuta quantidade de bens existentes e ao dispor dos clientes. Em face da
matéria de facto exposta, responsam a 3 questões:

a) Bruno de carvalho tem, em termos jurídicos, a qualidade de consumidor?


R: Consumidor, em termos jurídicos, “considera-se consumidor todo aquele a quem sejam
fornecidos bens, prestados serviços ou transmitidos quaisquer direitos, destinados a uso não profissional,
por pessoa que exerça com carácter profissional uma atividade económica que vise a obtenção de
benefícios”, tem sim qualidade de consumidor.
b) Análise do comportamento da gerente da loja e do Bruno de Carvalho.
R: A gerente da loja, Rita Marques, dotada de um profissionalismo louvável, apresenta um discurso
correto e bem articulado, de forma a explicitar de modo simples, correto e sucinto a realidade da situação
ao consumidor Bruno de Carvalho. Por outro lado, este último profere o seu discurso num tom
essencialmente agressivo e incorreto, provavelmente insatisfeito com a inexistência do produto desejado a
nível nacional, dirigindo efetivamente um certo tipo de ameaça contra a mesma, apresenta-se um

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consumidor de má-fé (artigo 227.º CC). Bruno de Carvalho efetivamente expressou a vontade de contratar
e de negociar, art. 224.º CC.
c) Viabilidade Jurídica de intentar, por parte de Bruno de Carvalho, a ação de
responsabilidade civil e consequente pedido de indemnização.
R: Não pode. O profissional de serviço em principio terá liberdade de estipulação relativamente aos
preços, sendo que a nível do comércio a retalho, que é o caso, estão cumpridos os pressupostos, logo ele
não pode exigir a negociação do preço, sendo que o mesmo esta bem estipulado e fixo. Por outro lado,
quanto à disponibilidade de bens presente na loja, no caso concreto, e relativamente à marca “Alvalade 21
– Esperança Eterna”, o consumidor não poderá exigir a sua disponibilidade uma vez que o mesmo não se
encontra disponível a nível nacional, e não só local.
Responsabilidade Civil  483.º, não estão reunidos os pressupostos.
RESPOSTA DO PROFESSOR:
i. Delimitação rigorosa da matéria de facto  tendo em conta a matéria de facto expendida no caso
prático, o cidadão Bruno de Carvalho tem a qualidade jurídica de consumidor, na medida em que
estão preenchidos os 4 elementos jurídicos dessa qualidade, ou seja, os elementos subjetivo (Bruno
de Carvalho tem personalidade e capacidade jurídica para os efeitos em causa, ou seja, para
contratar); o elemento objetivo (o fornecimento de um bem por parte da Sport Zone); elemento
teleológico (o bem adquirido é para um uso não profissional) e, por último, o elemento relacional
(na medida em que estabelece uma relação jurídica de consumo entre as partes, com direitos e
deveres recíprocos e materializada num efetivo contrato de consumo).
ii. Enquadramento Jurídico  tendo sido celebrado um contrato de consumo, pela forma verbal, o
mesmo, apesar de ser bilateral e sinalagmático, é perfeitamente válido e vinculativo para os direitos
e obrigações das partes contraentes, ao abrigo do princípio da liberdade de forma e o princípio da
autonomia derivada dos contratos, respetivamente, previstos nos artigos 219.º CC e 405.º CC. Neste
sentido, o comportamento de Bruno de Carvalho revela uma vontade inequívoca de contratar, mais
precisamente em adquirir uns ténis de uma determinada marca, todavia, o seu comportamento
incoerente e errático em termos posteriores para com a gerente de loja, revela uma violação dos
princípios e valores da Boa Fé, nos termos do artigo 227.º CC. Por outro lado, com o ato de
negociação do preço por parte de Bruno de Carvalho, tal corresponde a uma aceitação clara da
proposta contratual apresentada pela gerente de loja, todavia, sem cabimento o mesmo menciona
a sua vontade de intentar uma ação judicial, pelo que, devemos aplicar a disciplina jurídica do artigo
235.º CC e desse modo deve prevalecer a aceitação e vontade contratual inicial por parte de Bruno
de Carvalho na aquisição do mencionado bem.
iii. Conclusões  Por todo o exposto e ao nível das conclusões, Bruno de Carvalho não cumpre os
requisitos jurídicos da responsabilidade civil previstos no artigo 483.º CC, dado que apenas está
preenchido o requisito do facto jurídico voluntário por ação e sendo os mesmos cumulativos, não
assiste qualquer razão ou fundamento jurídico de intentar uma ação de responsabilidade civil e
consequente pedido indemnização contra a gerente de loja Rita Marques.

Dia 7 de Março de 2018


TEMA: DIREITO DO ARREPENDIMENTO
 Na sociedade contemporânea e no âmbito das relações de consumo, com uma frequência cada vez
mais significativa, os consumidores exercem o chamado direito de arrependimento e sem
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necessidade de indicação de qualquer motivo ou fundamentação subjacentes e cujo regime jurídico
encontra-se previsto no decreto de lei 133/2009 e em particular ao nível do seu artigo 17.º. Neste
sentido, qualquer consumidor pode revogar a sua proposta contratual perante a entidade que
presta o serviço ou fornece um determinado bem, no prazo de 14 dias seguidos e de acordo com o
estipulado numa diretiva comunitária relativa à defesa dos direitos dos consumidores, devendo ser
aplicável no que diz respeito ao modo de contagem do mencionado prazo, a regra prevista no artigo
279.º, al. e) do CC, que nos transmite a ideia caso o prazo termine num fim de semana ou em
feriado, transfere-se o seu termo para o primeiro dia útil imediatamente seguinte.
 Em termos práticos e rigoroso o mencionado prazo conta-se a partir da data da celebração do
contrato de consumo ou em alguns casos da data da receção pelo consumidor do exemplar do bem
previamente contratado, nos termos do artigo 17.º, n.º2 do Decreto-Lei 133/2009. Exemplo:
pedimos um bem pela internet, só quando ele chega à nossa posse é que se começa a contar o
prazo.
 Por outro lado, devemos ter em consideração que no caso dos contratos de consumo celebrados à
distância, o prazo de 14 dias deve ser articulado com o disposto no mencionado artigo 17.º, n.º2,
mas igualmente com o disposto no artigo 12.º, n.º2 do Decreto-Lei 42-A/2013, que reforça a ideia
que o prazo para exercício do direito de arrependimento por parte do consumidor só começa a
contar a partir do momento em que o consumidor recebe o exemplar contratado no domicílio
convencionado (no contrato de consumo). Por outro lado, a disciplina jurídica do direito ao
arrependimento, também pode ser exercida no âmbito dos contratos de crédito, nos termos do
artigo 17.º, n.º4, do Decreto-Lei 133/2009. Neste tipo de contratos , o consumidor terá de devolver
à instituição Bancária, não só o capital em dívida, ou seja, o montante do crédito concedido, mas
igualmente pagar juros à taxa legal relativos ao específico período temporal em que o valor foi
utilizado. Igualmente, nos termos do artigo 17.º, n.º 5, do Decreto-Lei 133/2009, para além da taxa
de juros estipulada na lei, pode ser imputada uma taxa de juro diversa , desde que a mesma tenha
sido acordada pelas partes contraentes.
 Por outro lado, o consumidor ao exercer o direito de arrependimento tem de devolver o montante
apurado de juros no prazo máximo de 30 dias seguidos, nos termos do artigo 17.º, n.º4, parte final
do Decreto-Lei 133/2009.
 Por último, no âmbito dos contratos de consumo podem existir os chamados contratos coligados,
em que o exercício do direito ao arrependimento apresenta algumas especificidades.
 CONTRATO COLIGADO  exemplo, contrato empréstimo no banco vem sempre acompanhado com
o de seguro, um está dependente do outro. Se o de empréstimo extinguir, o outro no caso concreto
também extingue. Ou seja, um exemplo clássico de um contrato coligado no âmbito das relações de
consumo, diz respeito à celebração de um contrato de crédito com uma instituição Bancária e em
simultâneo e de forma conexa é celebrado o chamado contrato secundário, por exemplo um
contrato de seguro de vida, cujas cláusulas e prestações estão numa relação de dependência com o
contrato principal, pelo que, o direito de arrependimento afeta ambos os contratos, nos termos do
artigo 18 do Decreto-Lei 133/2009, exceto se o consumidor pretender manter o contrato
secundário.
 Por último, podem existir os chamados casos de cumprimento antecipado do contrato de consumo
previsto no artigo 19.º do Decreto-Lei 133/2009. Nestas situações, existem interesses
contraditórios, na medida em que, a entidade financiadora tem interesse na manutenção do
contrato de consumo nos termos e com os prazos definidos inicialmente, ao passo que o
consumidor tem interesse em reduzir os seus encargos financeiros ou as prestações acordas,
beneficiando do direito ao arrependimento. Deste modo, o artigo 19.º, n.º1, diz-nos que o
consumidor tem o direito a todo o tempo e mediante um pré-aviso ao credor, com vista ao
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cumprimento antecipado do contrato de consumo, na medida em que o artigo 779.º do CC diz-nos
que um prazo contratual tem-se por estabelecido a favor do devedor, ou seja, do consumidor.
CASO PRÁTICO
1. Rita Serra, uma brilhante e reputada empresária portuguesa no âmbito do setor da atividade
económica no âmbito do entretimento e dos eventos, adquiriu em 8 de Fevereiro de 2018, através
do site denominado “Tentações e Fantasias Ocultas”, uma box e respetivo equipamento, com
vista à visualização de determinados canais. Deste modo, no dia 17 de Fevereiro de 2018, é
entregue na sua moradia na Quinta da Marinha em Cascais, a respetiva box, tendo um aviso de
receção sido assinado pelo seu jardineiro Gonçalo Lúcio.
No dia 19 de Fevereiro de 2018, Rita Serra juntamente com o seu namorado, preparavam-se para
visualizar os canais contratados e descritos por parte do fornecedor da box. Todavia, ao iniciar a
visualização aparecem unicamente diversos canais da National Geographic dedicados à vida
selvagem e simultaneamente aparece uma mensagem que os canais pretendidos estavam
codificados e para ter acesso aos mesmos, teria de efetuar o pagamento de uma mensalidade
extra no valor de 69 euros.
Perante, este comportamento da empresa fornecedora do mencionado bem, Rita Serra pretende
saber, se pode exercer o direito ao arrependimento e, por outro lado, se pode apresentar em
tribunal uma ação de responsabilidade civil e consequente pedido de indemnização.
R: Caso tenham mudado de ideia, os consumidores contam agora com um prazo uniforme em toda
a UE, de 14 dias (seguidos), para rescindirem o contrato de compra, sem encargos e sem necessidade de
justificação; Neste caso, está dentro do prazo, uma vez que se conta o prazo no dia em que é recebido a
encomenda, dia 8, e dia 19 é o dia em que pretendem exercer o direito ao arrependimento, supostamente ,
pois é no 12.º dia aquando da receção.
Quanto à responsabilidade Civil, Rita Serra nada pode fazer, pois não se encontram reunidos os
pressupostos presentes no artigo 483.º do CC que, em termos jurídicos, perante uma situação individual e
concreta é necessário que se verifiquem 5 requisitos cumulativos, com vista à verificação de uma pessoa
jurídica indemnizar outra: facto jurídico, voluntário, o qual compreende duas modalidades – 1) facto
jurídico voluntário por ação e 2) facto jurídico voluntario por omissão; ilicitude, que exprime uma violação
de tal forma grave, intensa e censurável, que toda a ordem jurídica e respetivos princípios e valores estão a
ser colocados em causa; dolo/culpa, consiste num juízo de censura sobre uma conduta, comportamento ou
atitude de uma determinada pessoa; dano, sendo que o dano reveste de duas modalidades – os danos
patrimoniais e danos não patrimoniais ou morais; nexo de causalidade, o nexo de causalidade entre o facto
jurídico voluntário praticado e o dano causado na esfera jurídica de uma pessoa, segundo a teoria da
causalidade adequada, o facto praticado tem de ser causa adequada para praticar aquele dano.
Resposta do professor:
I. Delimitação rigorosa da matéria de facto  Na sequência da análise da matéria de facto
expendida no caso prático, a Rita Serra tem a qualidade jurídica de consumidora, na medida em que
estão preenchidos os respetivos quatro elementos e, por outro lado, a consumidora Rita Serra
realizou um contrato de consumo por intermédio do comércio eletrónico, na modalidade empresa-
consumidor, com vista à entrega de uma determinada box.
II. Enquadramento jurídico 
III. Conclusões 

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Dia 12 de Março de 2018
TEMA: TEORIA GERAL DO CONTRATO DE CONSUMO
 Qual a forma do contrato de consumo? Nos termos do artigo 219.º do CC, é consagrado no direito
português o chamado princípio da liberdade de forma ou do caracter consensual dos contratos,
pelo que, a validade de uma declaração negocial não depende da observância de qualquer forma
especial, pelo que, na maior parte das situações, os contratos de consumo formam-se por mero
consenso. Todavia, a importância crescente do direito do consumo e da proteção dos direitos do
consumidor tem proporcionado o desenvolvimento do formalismos nos contratos de consumo.
Neste sentido, estão sujeitos à forma escrita, os contratos de crédito ao consumo, nos termos do
artigo 12.º do Decreto-Lei 133/2009, bem como os contratos de consumo que têm por objeto a
prestação de serviços telefónicos, têm de ter no mínimo uma forma escrita para a declaração do
consumidor, nos termos do artigo 5.º do Decreto-Lei número 24/2014, por outro lado, a imposição
de uma forma especial ou o cumprimento de uma formalidade mais específica, permite ao
consumidor uma decisão mais refletida e ponderada e igualmente facilita a prova da celebração do
contrato de consumo e das respetivas cláusulas em caso de litígio futuro. Mesmo no caso de um
contrato de consumo estar sujeito à forma escrita, a letra e espírito do artigo 221.º do Código Civil,
admite a validade jurídica de cláusulas que não constam no contrato, desde que cumpram 5
requisitos cumulativos, a saber:
i. Essas cláusulas não devem obedecer à forma exigida para o contrato de consumo;
ii. Essas cláusulas não podem incidir sobre o objeto principal do contrato de consumo, ou seja,
são as chamadas cláusulas acessórias;
iii. Essas cláusulas têm de ser anteriores à própria celebração do contrato de consumo;
iv. Essas cláusulas têm de corresponder à vontade real do autor da declaração;
v. A razão determinante da exigência de forma especial ou escrita nunca se pode aplicar a
essas cláusulas.
 Ver também artigo 220.º.
 No que diz respeito aos requisitos da proposta contratual, a mesma tem de ser completa, precisa e
formalmente adequada, sendo que qualquer contrato de consumo é sempre materializado em duas
declarações contratuais, ou seja, a proposta e a aceitação. Deste modo, quando mencionamos que
uma declaração negocial no âmbito de um contrato de consumo tem de ser completa, tal significa
que o prestador do serviço ou o fornecedor de um bem tem de incluir na declaração jurídica uma
solução para cada situação que possa ocorrer na futura relação contratual. Em termos práticos e
rigorosos, para apurar-mos se uma declaração negocial é completa temos de recorrer aos usos e
costumes daquele setor de atividade em concreto. Por outro lado, uma vez que o ato de aceitação
por parte do consumidor não permite, salvo algumas exceções, a inclusão de novas cláusulas
contratuais, tem de resultar da proposta todas as cláusulas que ambas as partes contraentes, ou
seja, o proponente e o futuro aceitante/consumidor, tenham entendido como necessárias e
essenciais para a obtenção de um acordo.
 Num contrato de consumo qual é o elemento mais importante e que as vezes há divergência entre o
consumidor e o prestador? O preço. Se não conseguirmos chegar a acordo relativamente ao preço,
ou se este não constar no contrato, o que fazer?  Artigo 883.º CC (articular com o artigo 1211.º
do CC) tem de se ter em consideração o que o mercado fixa e os usos e costumes; “o tribunal
decide segundo juízos de equidade” no artigo 883.º significa justiça no caso concreto, o juiz tem de
ver as especificidades naquele caso concreto para fixar o preço.
 No âmbito dos contratos de consumo, um dos elementos que pode suscitar divergências entre o
prestador de serviços e o consumidor, consiste precisamente no preço ou na falta da sua indicação,

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pelo que, a lei prevê critérios supletivos para a sua determinação quando este não resulte do
contrato de consumo, designadamente, o preço de mercado, o preço segundo os usos e costumes
comerciais e, por último, o preço ser fixado pelo próprio tribunal, segundo juízos de equidade, nos
termos dos artigos 883.º e 1211.º do CC. Por outro lado, nos contratos de consumo a lei tem uma
especial preocupação que o consumidor tenha conhecimento da proposta contratual e do respetivo
preço antes da sua aceitação. Neste sentido, devemos observar as normas especiais que impõem
um dever jurídico pré-contratual de indicação do preço, não podendo ser invocadas posteriormente
por parte do prestador de serviços ou do fornecedor de bens, para obstar à qualificação da sua
declaração como proposta contratual.
SUBTEMA: PROPOSTA CONTRATUAL
 Em termos jurídicos o convite para contratar distingue-se da proposta contratual, na medida em
que na primeira situação não é necessário que a declaração seja completa e, igualmente pode não
ser formalmente adequada à celebração do contrato de consumo. Por outro lado, apesar do convite
para contratar não constituir uma declaração diretamente integrada como parte de um futuro
contrato de consumo, os seus efeitos jurídicos podem ser significativos. Deste modo, além de gerar
responsabilidade pré-contratual, o seu conteúdo pode constituir uma parte significativa do
conteúdo de um futuro contrato de consumo. Em termos práticos, muitas relações de consumo,
nascem na sequência de, por exemplo, um pedido de orçamento por parte do consumidor com
vista à realização de uma obra, pedido este que constituiu em muitos casos um convite para
contratar, na medida em que, o consumidor reserva-se o direito de aceitar ou não a proposta e
preço contida no próprio orçamento.
 Uma outra situação distinta diz respeito à chamada proposta ao público, que consiste numa
modalidade de proposta contratual e que tem como principal característica, a indeterminação dos
seus destinatários  v.g. anúncio na televisão, é para um público vasto e não específico. Deste
modo, a proposta ao público distingue-se claramente do convite para contratar, na medida em que
estamos perante uma declaração negocial completa, precisa e formalmente adequada, não
devendo confundir-se com uma proposta contratual dirigida a uma pessoa desconhecida ou de
paradeiro incerto, situação esta prevista no artigo 225.º do CC, uma vez que esta tem um
destinatário específico. Igualmente, a chamada proposta ao público é claramente admitida e
consagrada no direito português, mais precisamente nos termos do artigo 230.º, n.º 3 do CC, sendo
uma proposta e uma prática cada vez mais comum, tendo em conta a generalidade dos contratos de
consumo e do objetivo da celebração de um maior número possível de contratos de consumo no
mais curto período de tempo.
 Apesar da proposta ao público ter um conteúdo geral e abstrato pode precisar um público mais
restrito, definindo na declaração contratual as pessoas a que se dirige, seja através de elementos
distintivos ou a referência a determinados gostos ou hábitos de consumo. Por outro lado, devemos
ter em consideração que essa precisão não pode colidir com o princípio da igualdade, previsto no
artigo 13.º da CRP e em termos de direito do consumo a lei número 14/2008 proíbe a discriminação
em função do sexo, no acesso a bens ou serviços, na medida em que uma proposta contratual em
que o proponente da mesma restrinja de forma injustificada os destinatários a pessoas de apenas
uma raça, etnia ou sexo pode ser discriminatória.

14 de Março de 2018

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Caso 1: Tânia Campos, uma brilhante advogada e com diversa obra publicada a nível nacional e
internacional, deslocou-se com o seu Porsche 911 turbo s a uma bomba de combustível da BP, com vista
a abastecer a sua viatura automóvel. Todavia, quando se preparava para iniciar o abastecimento, Renato
Gomes, um funcionário e engenheiro altamente especializado da BP, transmite á proprietária Tânia
Campos que tendo em conta as especificidades da viatura automóvel, o combustível mais indicado e
equilibrado seria o combustível denominado BP 98+, o qual produziria significativas melhorias no
consumo e na aceleração do automóvel. Em face de tal opinião, Tânia Campos abastece o automóvel
com o mencionado combustível e em consequência paga a mais por cada litro de combustível o
montante de 9 cêntimos por litro, ao contrario da sua vontade inicial. Todavia, passado uma semana ao
comprar uma revista de automóveis especializada, depara-se com um estudo cientifico e de comparação
de diversos combustíveis entre os quais aquele que lhe foi sugerido, tendo o mencionado estudo
chegado á conclusão que o combustível em causa, apesar de mais caro, não representava qualquer
vantagem para a viatura ao nível do consumo e da aceleração. Por todo o exposto, Tânia Campos
pretende saber se existe fundamento jurídico para intentar uma ação de responsabilidade civil contra a
BP e o seu funcionário Renato Gomes.

Resposta: tendo em conta a matéria de facto vertida no caso prático, Tânia Campos tem a qualidade
jurídica de consumidora, na medida em que os quatro elementos jurídicos caraterizadores desta figura
jurídica encontram-se integralmente realizados. Por outro lado, existe uma relação contratual entre a
consumidora Tânia Campos e a empresa BP, no âmbito do comercio tradicional e na qualidade de
fornecedora de um bem, ou seja, o combustível, pelo que, são aplicáveis as disposições legais do CC.
Aplica-se o artigo 253º nº2 do CC e não havendo um dever de elucidar pelo funcionário Renato Gomes, não
há responsabilidade civil.

Dia 19 de Março de 2018


SUBTEMA: A ACEITAÇÃO DA PROPOSTA CONTRATUAL
 Em termos jurídicos, a aceitação consiste numa declaração dirigida ao proponente, a qual reflete
uma concordância com todos os aspetos jurídicos contratualmente relevantes da proposta
apresentada, tendo como principal efeito a celebração do contrato de consumo. Em termos práticos
e rigorosos, a declaração apenas tem um valor de aceitação se cumprir dois requisitos cumulativos:
1) A conformidade com a proposta contratual;
2) A sua adequação formal;
 Deste modo, no comércio jurídico e na vida real é comum utilizar-se as palavras “aceito” ou “sim”,
todavia, todavia, o aspeto essencial consiste em que na sequência da proposta contratual e da
respetiva aceitação, as partes tenham acordado em todas as cláusulas que consideram necessárias
para existência de acordo nos termos do artigo 232.º do CC.
 Por outro lado, tal como a proposta pode conter hipóteses em alternativa, também a aceitação
pode implicar, dentro das várias hipóteses contidas na proposta, uma escolha a realizar por parte do
aceitante ou do consumidor. Um exemplo prático da mencionada afirmação, consiste no ato de um
consumidor ao aproximar-se de uma máquina de café, têm alternativa de optar por várias
qualidades de café.
 Igualmente, a aceitação não pode modificar os termos da proposta contratual, ou seja, o
consumidor não pode aumentar ou restringir o âmbito da proposta contratual. Ex: eu ir a um stand
do BMW, pedir um carro com certas qualidades, e quando chega esse carro, eu dizer que quero um
AUDI. Não posso, tenho de ir até ao fim.
 Pode no entanto, a modificação da proposta inicial ser de tal forma precisa, clara e objetiva,
situação essa que equivale a uma nova proposta contratual, também designada de contraproposta,
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nos termos do artigo 233.º CC. Exemplo: já não quero o carro, mas quero um jipe da BMW 
contraproposta.
 Igualmente, a aceitação por parte do consumidor pode ser emitida com base de uma condição
suspensiva, ou seja, a aceitação apenas é válida se a condição se verificar durante a vigência da
proposta contratual. Ex: eu aceito contratar mas estou dependente de uma certa aceitação, por
exemplo uma extensão da garantia do BMW; outro exemplo: só contrato com o stand se ele me
conseguir vender o meu BMW de 10 anos.
 Igualmente, e conforme mencionado, a aceitação deve ainda ser formalmente adequada, ou seja,
se o contrato de consumo estiver sujeito a uma forma especial ou escrita, também a aceitação tem
que revestir essa forma para um contrato ser eficaz. Por outro lado, na vida real a maior parte dos
contratos de consumo não estão sujeitos a uma forma especial ou escrita, contudo, é sempre
necessário que o prestador de serviços ou o fornecedor de bens interprete a proposta no sentido de
concluir se o seu sentido for relevante para a aceitação por parte do consumidor.
 Por outro lado, a aceitação de uma declaração também pode ser realizada de forma tácita, ou seja,
através do silêncio do consumidor, através do artigo 217.º, n.º1 do CC ou ainda em algumas
situações do comércio jurídico, em que pela sua natureza ou circunstâncias do contrato pode ser
dispensada a declaração de aceitação por parte do consumidor, nos termos do artigo 234.º CC. Ex :
dirijo-me um café, não digo nada mas como sou habitual, metem-me o café à frente e eu pago.
 Nos estabelecimentos em que funciona um sistema denominado de autosserviço, o mesmo deve
ser enquadrado como uma proposta dirigida ao público e em que a declaração do aceitante ou do
consumidor é normalmente tácita (não há palavras), constituindo o comportamento do consumidor,
a apresentação do bem na caixa para pagamento ou uma operação que permita na prática,
interpretar como uma aceitação da proposta, como por exemplo dirigir-se a uma estação de
combustível e iniciar o abastecimento da sua viatura automóvel. No caso do prestador de serviços
ou de fornecedor de bens pedir uma resposta imediata, a proposta contratual é eficaz, nos termos
do artigo 228.º, n.º1, al. b) do CC, ou seja, na prática impõe-se ao destinatário da proposta que
assim que receba ou tem conhecimento dessa mesma proposta, deve mencionar se a aceita ou não
nos termos do artigo 224.º CC.
 Por outro lado, nas relações jurídicas de consumo a iniciativa contratual parte, em quase todos os
casos por parte do profissional prestador de serviços ou fornecedor de um bem, através de um
estabelecimento comercial aberto ao público, ou através de uma página na internet. Nestes casos, a
lei impõe a este profissional um dever acrescido de comunicação e informação do conteúdo da sua
declaração negocial, ou seja, o fornecedor de bens ou prestador de serviços deve tanto na fase de
negociações como na fase de celebração de um contrato de consumo, informar o consumidor de
forma clara, objetiva e adequada, nomeadamente, sobre as características principais dos bens ou
serviços, a identidade do fornecedor de bens ou prestador de serviços, bem como o preço total dos
bens ou serviços, incluindo os montantes das taxas e impostos, os encargos suplementares de
transporte e as despesas de entrega, sob pena da existência de culpa e consequente pedido de
indemnização, nos termos do artigo 227.º do CC.
 Por outro lado, o prestador de serviços ou fornecedor de bens deve ainda indicar as modalidades de
pagamento e os respetivos prazos de entrega, bem como o sistema de tratamento das reclamações
realizadas por parte do consumidor, designadamente, da existência dos centros arbitragem de
resolução de conflitos de consumo, de que o profissional seja aderente.
 Por último, o prestador de serviços ou fornecedor de bens, deve mencionar a existência das
garantias de conformidade dos bens, com a indicação do respetivo prazo e quando for o caso, da
existência de serviços pós-venda e das respetivas garantias comerciais, com a descrição integral das
suas condições, termos e prazos contratuais.
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