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Capítulo II

Pensar verde, responsabilidade ambiental e


desenvolvimento sustentável são termos comuns no
ambiente de trabalho da Bio Extratus.
 Em 04/2010, a empresa passou por um processo de
auditoria realizado pela ABNT, a qual lhe concedeu a
Certificação ISO 14001.
Para conseguir esse Certificado, a Bio Extratus apresentou
evidências de todo o cuidado ambiental desempenhado pela
empresa ao longo de sua história, o que inclui: não fazer
testes em animais, projetos de recuperação de nascentes e
preservação da mata nativa, controle de todos os resíduos
sólidos, eficiente sistema de tratamento de efluentes,
treinamento e capacitação da equipe de colaboradores,
atendimento à legislação ambiental e rigorosos
procedimentos internos para prevenir a poluição.
O compromisso de desenvolvimento sustentável assumido
pela empresa induz os colaboradores a trabalhar em prol da
melhoria contínua e a se esforçar cada dia mais para
proteger o meio ambiente, fazendo deste um objetivo a ser
constantemente perseguido.
O tratamento de efluentes
Em 2002 a empresa inaugurou um processo de
tratamento de todos os resíduos, gerados nos processos
e atividades da empresa e recebeu o certificado de
licença ambiental da FEAM. Neste processo todo o
sistema de efluentes (industrial e sanitário) é canalizado
para tanques apropriados onde recebem um tratamento
adequado para devolver à natureza uma água
compatível ao meio ambiente.
A partir de 2006, devido o crescimento da empresa
houve a necessidade de ampliação do tratamento de
efluentes. Sendo assim, a empresa investiu em um novo
tratamento por processo biológico anaeróbico seguido
de valas de filtração onde todo o efluente é devolvido à
natureza como água reutilizável. A parte sólida do
efluente é retirada e transformada em adubo orgânico.
Todo processo é monitorado pelo laboratório da própria
empresa e de empresas credenciadas pela FEAM.
Paisagismo e Arborização

O investimento em paisagismo tornou o parque


industrial dessa empresa uma paisagem bonita de se
apreciar: belos gramados (que evitam a erosão),
bouganvilles coloridas, palmeiras, flores ornamentais…
Por possuir uma área bastante extensa a empresa
desenvolve atualmente um projeto de arborização que
inclui a plantação de árvores nativas como jacarandás,
mulatos, coqueiros e árvores frutíferas, atraindo
pássaros de várias espécies, oferecendo à natureza um
espaço para a preservação tanto da fauna quanto da
flora.
De acordo com Vera, no terreno de 150 mil alqueires,
há um trabalho constante de plantio de árvores cujos
frutos são consumidos no refeitório pelos funcionários.
Recuperação de nascentes de água

Outro investimento da empresa na


preservação ambiental é a recuperação de
nascentes de água, através da arborização e
da construção de um complexo de lagoas.
A preservação e os cuidados com a natureza
são para a Bio Extratus motivo de orgulho e
compromisso com a natureza, com toda a
sociedade atual e futura.
Novos Investimentos
A sustentabilidade em energia elétrica também fez parte do
novo projeto – a empresa investiu no maior sistema privado
de energia solar fotovoltaica do país. Para isso, foram
instalados mais de 2 mil módulos sobre a cobertura da fábrica
e o retorno do investimento deve ocorrer em até 10 anos.
Essa preocupação com a parte energética prova mais uma vez
o compromisso da Bio Extratus com o meio ambiente. “Já que
não temos mar e vento, aproveitamos o sol para gerar essa
energia 100% limpa”, afirma Lindouro.
Além de estar situada em um terreno com nascentes que
foram recuperadas e área verde totalmente preservada, os
empresários se orgulham de cuidar da natureza.
Mais um lado
Pensar na comunidade é outro ponto forte da
empresa. A Fundação Bio Extratus, criada em 2005,
teve como primeiro projeto social o Flauta Mágica,
que oferecia aulas de música para crianças de 8 a
12 anos. Depois, vieram outros e, atualmente,
existem o Arte & Dança, com aulas de expressão
corporal para crianças e adolescentes, e a Bateria
Colibri, que tem participantes de todas as idades.
Cada projeto atende cerca de 60 alunos e conta
também com o trabalho de voluntários. “No
decorrer desses anos, muitos alunos passaram pela
Fundação e, além de arte e cultura, conseguimos
contribuir para a formação desses cidadãos”, finaliza
Vera.
2.1 Evolução Histórica da Preocupação
Ambiental

Década Década Década Década Século


de 60 de 70 de 80 de 90 XXI
Fases da preocupação ambiental e
estágio evolutivos
 Primeira fase = início do século XX até
1972 – estágio reativo

 Segunda fase = 1972 até 1992 – estágio


preventivo

 Terceira fase = 1992 até os dias de hoje –


estágio proativo
2.2 Desenvolvimento Sustentável
Consumo e meio ambiente são indissociáveis. O
ato de consumir é inerente à espécie humana e
implica em fazer parte da cadeia trófica.
Significa, portanto, depender da natureza.
Consumir é uma ação individual. O consumo não
é inato e invariável, e sim é dinâmico e modifica-
se. As necessidades de consumo são culturais e
mutáveis. Logo, consumir é uma ação social.
Toda a sociedade tem uma forma própria de
governar a produção e de controlar a natureza.
São formas dinâmicas que originam novas
organizações sociais, econômicas e políticas.
Figura 2.1: Relação entre consumo e meio ambiente
Fonte: CTISM
2.2.2 Relações do sistema econômico
com o meio ambiente
 A atuação do sistema econômico é
baseada no sistema natural que lhe
sustenta, visto que ele interage com o
meio ambiente, utilizando recursos
naturais e devolvendo resíduos. Por sua
vez, o meio ambiente interage com a
economia, sendo fornecedor de insumos e
receptor de dejetos/resíduos resultantes
dos processos de produção e consumo
Figura 2.2: Relação entre sistema econômico e sistema natural
Fonte: CTISM
Crescimento econômico x
desenvolvimento econômico
Conservação x preservação
ambiental
 Visando uma melhor compreensão da
questão ambiental, é necessário conhecer
duas atitudes e posturas que dividem,
filosoficamente, os que se preocupam com
meio ambiente: a conservação e a
preservação ambiental.

 O preservacionismo
 A corrente conservacionista
Desenvolvimento Sustentável
O conceito de desenvolvimento
sustentável apresenta pontos básicos que
devem considerar, de maneira harmônica,
o crescimento econômico, maior
percepção com os resultados sociais
decorrentes e equilíbrio ecológico na
utilização dos recursos naturais. (Meyer, 2000)
Assume-se que as reservas naturais são finitas, e
que as soluções ocorrem através de tecnologias mais
adequadas ao meio ambiente - atender às
necessidades básicas usando o princípio da
reciclagem.
VÍDEOS RECICLAGEM
 O desenvolvimento sustentável requer o
aperfeiçoamento dos sistemas:
Sistema político
Sistema econômico
Sistema social
Sistema de produção
Sistema tecnológico
Sistema internacional
Sistema administrativo
A interligação dos sistemas cria um tripé que
apóia o desenvolvimento sustentável,
adotando medidas que envolvam o poder
público, a iniciativa privada e a sociedade.
Agenda 21
A Agenda 21 foi um dos principais resultados obtidos
da conferência Rio-92. É um documento que
estabeleceu a importância de cada país com o
compromisso de refletir, global e localmente, sobre a
forma pela qual governos, empresas, organizações
não governamentais e todos os setores da sociedade
poderiam cooperar no estudo de soluções para os
problemas socioambientais. Os temas fundamentais
da Agenda 21 estão tratados em 41 capítulos
organizados em um preâmbulo e quatro seções:
Dimensões sociais e econômicas; Conservação e
gestão dos recursos para o desenvolvimento;
Fortalecimento do papel dos principais grupos sociais;
e, Meios de implementação.
2.3 Gestão ambiental e
responsabilidade social empresarial
A incorporação da variável ambiental
dentro da gestão empresarial se tem
convertido em uma necessidade inexplicável
para aquelas empresas que não queriam
atuar e cumprir com as obrigações perante
a sociedade.
Esta incorporação se desenvolve
eficientemente com a inclusão do Sistema
de Gestão Ambiental, que deve
instrumentar-se mediante os meios e
estruturas necessárias para que não fique
só como uma mera declaração de intenções.
O sistema de gestão ambiental é um conjunto de procedimentos
que visa ajudar a organização empresarial a entender, controlar e
diminuir os impactos ambientais de suas atividades, produtos ou
serviços. Está baseado no cumprimento da legislação ambiental
vigente e na melhoria contínua do desempenho ambiental da
organização.
Os avanços ocorridos na área ambiental quanto
aos instrumentos técnicos, políticos e legais, são
inegáveis e inquestionáveis, em especial no que
se refere à consolidação de práticas e formulação
de diretrizes que tratam a questão ambiental de
forma sistêmica e integrada.
Neste sentido, o desenvolvimento da tecnologia
deverá ser direcionado para metas de equilíbrio
com a natureza e de incremento da capacidade de
inovação dos países em desenvolvimento, e o
programa será atendido como fruto de maior
riqueza, maior benefício social eqüitativo e
equilíbrio ecológico.
...parte-se do pressuposto de que haverá uma
maior descentralização do processo... que a
pequena escala será prioritária... aumenta a
participação dos segmentos sociais envolvidos,
prevalecendo as estruturas democráticas.
O retorno do investimento, antes, entendido
simplesmente como lucro e enriquecimento de
seus acionistas, passa, fundamentalmente, pela
contribuição e criação de um mundo sustentável.
(Donaire, 1999)
As estratégias de marketing ecológico, adotadas
pela maioria das empresas, visam a melhoria de
imagem tanto da empresa quanto de seus
produtos, através da criação de novos produtos
verdes e de ações voltadas pela proteção
ambiental. (Souza, 1993)
2.3.1.1 Aspectos e impactos
ambientais
Dano Ambiental
O art 3º, I, Lei nº
6938/1981 conceitua o
meio ambiente como
o conjunto de
condições, leis,
influências e interações
de ordem física,
química e biológica,
que permite, abriga e
rege a vida em todas
as suas formas.
“Dano é a lesão de interesses
juridicamente protegidos” (Severo, 1996)
Dano
no que se refere à
responsabilidade civil, “é toda ofensa
a bens ou interesses alheios
protegidos pela ordem jurídica”
(Costa, 1994)
Dano voltado para o meio ambiente
“Dano ambiental significa uma
alteração indesejável ao conjunto
de elementos chamados meio
ambiente, em seu aspecto amplo”
(Célia Braga – org)
Exemplos tristes...

Remoção do lixo contaminado


com césio 137. (Goiânia)

Em 11/2011, foi a vez do


petróleo causar estragos
ambientais sérios na Bacia
de Campos/RJ. Um
vazamento ocorrido no
campo de Frade, uma área
de exploração petroleira
offshore (em águas
profundas) gerou o
vazamento de milhares de
litros de petróleo no mar,
provocando um dos maiores
acidentes deste tipo no país.
Classificação (segundo Leite, 2003)
a)Quanto à amplitude do bem protegido:
1. Dano ecológico puro
2. Dano ambiental de maior amplitude
3. Dano individual ambiental ou reflexo
b)Quanto à reparabilidade e ao interesse
envolvido:
1.Dano ambiental de reparabilidade
direta
2.Dano ambiental de reparabilidade
indireta
c)Quantoà extensão do dano
ambiental:
1. Dano patrimonial ambiental
2. Dano extrapatrimonial ou moral
ambiental
d) Quanto aos interesses objetivados:
1.Dano ambiental de interesse da
coletividade
2.Dano ambiental de interesse
subjetivo fundamental
3.Dano ambiental de interesse
individual
Impacto
Ambiental
A expressão
A definição jurídica

“considera-se impacto ambiental qualquer


alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por
qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas, que direta
ou indiretamente, afetam-se: a saúde, a
segurança e o bem-estar da população; as
atividades sociais e econômicas; a biota; as
condições estéticas e sanitárias do meio
ambiente e a qualidade dos recursos naturais”.
O que caracteriza o impacto ambiental, são as
alterações que provocam desequilíbrio das
relações constitutivas do ambiente, tais como
as alterações que excedam a capacidade de
absorção do ambiente considerado.
Antes de se colocar em prática um projeto...
A maioria dos impactos se deve ao rápido
desenvolvimento econômico, sem o controle e
manutenção dos recursos naturais /
conseqüências.
Outras vezes as áreas são impactadas por
causa do subdesenvolvimento / conseqüências.
Os impactos ambientais mais significativos...
Principais impactos ambientais
a)Garimpo de ouro
b)Mineração industrial, Ferro, Manganês,
Cassiterita, Cobre, Bauxita, etc.
c)Agricultura e pecuária extensivas (grandes
projetos agropecuários)
d)Grandes Usinas Hidrelétricas
e)Pólos industriais e/ou grandes indústrias
f)Caça e pesca predatórias
g)Indústrias de Alumínio
h)Crescimento populacional vertiginoso (migração
interna)
ANTES...

Hoje: exploração excessiva


e desordenada dos recursos
naturais....
Alguns problemas resultantes....
Proteção ambiental no direito
brasileiro
O Direito Ambiental brasileiro
O desenvolvimento científico e a realidade
em que vivemos
Exploração desenfreada do meio ambiente
Diante desta realidade é concebido o
direito a um meio ambiente sadio como
um dos diretos de 4ª geração, direitos de
ordem pública titularizados por todos e
por ninguém especificamente (CF/88, art
225 - base constitucional da legislação
ambiental.)
...todos os danos devem ser
evitados, pela visão ética e de
eqüidade, assim como porque
tais elementos impactam
negativamente o patrimônio da
empresa.
Estado de Direito Ambiental
A concretização do Estado de Direito
Ambiental “converge obrigatoriamente
para mudanças radicais nas estruturas
existentes da sociedade organizada. E
não há como negar que a
conscientização global da crise
ambiental exige uma cidadania
participativa, que compreende uma
ação conjunta do Estado e da
coletividade na proteção ambiental”.
(Leite, 2003)
A proteção ambiental tem em vista os
reflexos das atividades do homem sobre
outros seres humanos, pois o meio ambiente
é um sistema formado por complexas e
recíprocas interações entre os elementos
naturais e os seres vivos.

❑Art 3º, Lei 6938/81


A noção leiga de meio ambiente e
degradação ambiental muito se
distancia da amplitude que lhe confere a
lei - todas as atividades humanas aptas
a gerar qualquer alteração ambiental
estão sob a alçada do direito ambiental,
mas, somente algumas recebem
previsão específica e sancionamento.
De qualquer forma, ainda assim, a
quantidade de situações potencialmente
passíveis de ensejar a proteção
ambiental e a responsabilização do
agente infrator é consideravelmente
maior do que costumeiramente
pensamos. Este aspecto merece
atenção: para trabalharmos na área
ambiental, temos de desconsiderar
muitas noções culturais “leigas” a
respeito da matéria.
Princípios do
Direito Ambiental
• Legalidade
• Supremacia do Interesse Público
• Indisponibilidade do Interesse Público
• Obrigatoriedade da Proteção Ambiental
• Prevenção e Precaução
• Obrigatoriedade da Avaliação Prévia em Obras
potencialmente danosa ao meio ambiente
• Publicidade
• Reparabilidade do dano ambiental
• Participação
• Informação
• Função sócio-ambiental da propriedade
• Poluidor-pagador
• Compensação
• Responsabilidade
• Desenvolvimento sustentável
• Educação ambiental
• Cooperação internacional
• Soberania dos Estados na Política Ambiental
Qual a diferença entre a prevenção e a
precaução?
O princípio da prevenção visa prevenir danos quando as
conseqüências da realização de determinado ato são
conhecidas - o nexo causal já foi comprovado, ou decorre
de lógica.
O princípio da precaução é utilizado quando não se
conhece, ao certo, quais as conseqüências do ato
determinado - ou seja, ele é imperativo quando a falta de
certeza científica absoluta persiste. Esta falta de certeza
não pode ser escusa para a não adoção de medidas
eficazes a fim de impedir a degradação.
"Em caso de certeza do dano ambiental, este deve ser prevenido,
como preconiza o princípio da prevenção. Em caso de dúvida ou
incerteza, também se deve agir prevenindo. Essa é a grande
inovação do princípio da precaução. A dúvida científica, expressa
com argumentos razoáveis, não dispensa a prevenção". (Paulo
Afonso Leme Machado)
Portanto, conclui-se que o princípio da
prevenção tem lugar para evitar
danos que são, ou poderiam ser
sabidos; enquanto o da precaução
opera quando não há certeza
científica quanto ao dano, mas faz
permanecer o dever de evitá-lo
2.3.1.2 Auditoria Ambiental
A auditoria ambiental é uma ferramenta
imprescindível para a verificação e fiscalização
das empresas e uma avaliação de seus
sistemas de gestão.
Permite avaliar o desempenho dos
equipamentos instalados, visando fiscalizar e
limitar o impacto de suas atividades sobre o
meio ambiente.
Deve ser independente, sistemática,
periódica, documentada e objetiva - realizada
por equipe multidisciplinar de auditores
(contábil, financeiro, econômico e ambiental).
As normas sobre auditoria ambiental
fornecem os princípios comuns gerais e os
procedimentos para a condução de auditorias
ambientais incluindo os critérios para
qualificação de auditores ambientais (NBR
ISO 19011:2012 e a NBR ISO 19015:2003).
A definição de auditoria ambiental pode
variar dependendo do seu âmbito de
aplicação.
Classifica-se as auditorias ambientais como
aquelas realizadas por órgãos fiscalizadores,
entidades de controle externo e empresas
privadas - cada tipo de auditoria apresenta
uma definição e objetivo específicos.
2.3.1.3 Avaliação de desempenho
ambiental
De acordo com a ABNT NBR ISO
14001:2004, o desempenho ambiental
traduz os resultados mensuráveis da
gestão de uma organização sobre seus
aspectos ambientais. No contexto de
sistemas da gestão ambiental, os
resultados podem ser medidos com base
na política ambiental, objetivos ambientais
e metas ambientais da organização e
outros requisitos de desempenho
ambiental.
2.3.1.4 Rotulagem ambiental
A rotulagem ambiental, ou ecolabeling, é
uma metodologia voluntária de certificação e
rotulagem de desempenho ambiental de
produtos ou serviços, que vem sendo
praticada ao redor do mundo.
É um importante mecanismo de
implementação de políticas ambientais dirigido
aos consumidores, auxiliando-os na escolha de
produtos menos agressivos ao meio ambiente
(ABNT, 2013).
Tem a função de comunicar os benefícios
ambientais do produto/embalagem,
objetivando aumentar o interesse do
consumidor por produtos de menor impacto,
levando a melhoria ambiental contínua
orientada pelo mercado.
Com a finalidade de harmonizar os programas
de rotulagem, previamente existentes, a série
ISO 14000 incluiu normas com validade
internacional, que são terminologias, símbolos,
testes e verificações metodológicas. Os rótulos
devem salientar as características ambientais
dos produtos por meio de expressões corretas
e comprováveis para o usuário.
a) Rotulagem ambiental do tipo I:
b) Rotulagem ambiental do tipo II:
c) Rotulagem ambiental do tipo III:
É definida pela ISO 14025, encontra-se em fase de
formatação pela ABNT, mas tem alto grau de
complexidade devido à inclusão da ferramenta
avaliação do ciclo de vida.
2.3.2 Responsabilidade social
empresarial
A responsabilidade social empresarial é um tema
de grande relevância - nos Estados Unidos e na
Europa, os fundos de investimento formados por
ações de empresas socialmente responsáveis tem
apresentado considerável crescimento.

Brasil
= década de 90 = trabalho do Instituto
Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas –
IBASE, na promoção do balanço social, é uma de
suas expressões e tem logrado progressiva
repercussão.
Normas e certificações foram criadas com
o objetivo de atestar que a organização,
além de ter procedimentos internos
corretos, participa de ações não lucrativas.
Estão relacionadas ao processo produtivo,
as relações com a comunidade e as relações
com os empregados - são analisadas as
relações trabalhistas, o respeito aos direitos
humanos, a contratação de mão de obra,
inclusive fornecedores, a gestão ambiental e
a natureza do produto/serviço.
 Normas brasileiras: ABNT NBR ISO
26000:2010
 Selos sociais no Brasil:
2.4 Avaliação de Impactos Ambientais
– AIA
Relação entre poluição e impactos
ambientais
Representação esquemática dos
conceitos utilizados em AIA
2.4.2 Legislação ambiental
O licenciamento ambiental federal foi
instrumentalizado pela PNMA (Lei 6.938/1981),
art. 9º.
O licenciamento e a revisão de atividades
efetivas ou potencialmente poluidoras foi instituído
pelo Decreto 99274/1990, Capítulo IV, artigo 17.
A construção, instalação, ampliação e
funcionamento de estabelecimentos e atividades
utilizadoras de recursos ambientais, consideradas
efetiva ou potencialmente poluidoras, bem com as
capazes, sob qualquer forma de causar
degradação ambiental, dependerão de prévio
licenciamento de órgão estadual competente,
integrante do SISNAMA, sem prejuízo de outras
licenças exigíveis.
 O licenciamento ambiental é de
incumbência compartilhada entre a União e
os Estados da Federação, Distrito Federal e
os Municípios, de acordo com as respectivas
competências.
 O objetivo do licenciamento ambiental é
regulamentar as atividades e os
empreendimentos que utilizam os recursos
naturais e que podem causar degradação
ambiental. É realizado em 3 partes:
 licença prévia
 licença de instalação
 licença de operação.
Vinculação do Licenciamento Ambiental
(LA) e Avaliação de Impactos Ambientais
(AIA): o Estudo de Impactos Ambientais (EIA) e
respectivos relatórios (RIMA) são exigidos no
processo de licenciamento ambiental em função
da dimensão e da significância dos impactos
relacionados às atividades do empreendimento.

Cabe ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente –


IBAMA, o licenciamento de empreendimentos de
significativo impacto ambiental, de âmbito
nacional e regional (CONAMA 237/97).
 Os empreendimentos ou atividades de
competência de Estados e Distrito Federal são
definidos pela Resolução CONAMA 237/1997.
Na outra ponta estão os Municípios que, por
delegação do Estado, podem licenciar
empreendimentos e atividades de menor porte e
com potencial de impacto ambiental local, cujas
alterações ambientais restringem-se aos limites do
município (Resolução CONAMA 237/1997).
Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança
(EIV): é um instrumento de política urbana
instituído pela Lei 10.257/2001 (Estatuto da
Cidade) - uma lei municipal definirá os
empreendimentos e atividades privados ou
públicos em área urbana que dependerão de
elaboração de estudo prévio de impacto de
vizinhança (EIV) para obter as licenças ou
autorizações de construção, ampliação ou
funcionamento a cargo do Poder Público municipal.
2.5 Processos produtivos e poluição
atmosférica
A atmosfera é essencial para a vida. Além de
funcionar como um escudo protetor para as espécies
vivas foi pela existência dela que se originaram as
primeiras formas de vida no planeta. A composição
da atmosfera é principalmente nitrogênio (N) e
oxigênio (O).
2.5.2 Poluentes atmosféricos
Um poluente atmosférico é qualquer forma de
matéria ou energia, em quantidade, concentração,
intensidade, intervalo de tempo ou demais
características que pode afetar a saúde, segurança e
bem estar da população.
Os poluentes primários são aqueles originados
diretamente das fontes de emissão. Eles são o
resultado de processos industriais, gases de
exaustão de motores de combustão interna, entre
outros. E, os poluentes secundários são aqueles
formados na atmosfera através da reação química
entre poluentes primários e constituintes naturais da
atmosfera.
2.5.2.3 Principais poluentes
atmosféricos
O nível de qualidade do ar resulta da
interação entre as fontes de poluição e a
atmosfera. Esse resultado determina o
surgimento de efeitos adversos da poluição do
ar sobre o homem, os animais, as plantas e os
materiais.
A medição da qualidade do ar é realizada
para um número restrito de poluentes que são
definidos devido a sua importância, assim
como pelos recursos disponíveis para seu
acompanhamento.
 Esses poluentes medidos são utilizados como
indicadores de qualidade do ar e usados
globalmente.
Eles foram escolhidos por causa da frequência
de ocorrência e dos efeitos adversos resultantes
e são:
◼material particulado (Partículas Totais em Suspensão (PTS),
Partículas Inaláveis (MP10), Partículas Inaláveis Finas (MP2,5)
e Fumaça (FMC))
◼compostos nitrogenados
◼dióxidos de enxofre
◼monóxido de carbono (CO)
◼dióxido de carbono (CO2)
◼metano (CH4)
◼componentes sulfurosos
◼ozônio e
◼ oxidantes fotoquímicos.
2.5.3 Efeitos da poluição atmosférica
A poluição atmosférica causa efeitos sobre a
saúde humana, assim como na fauna e
flora.
Os efeitos da poluição do ar podem alterar
as características da própria atmosfera,
ocasionando fenômenos como o efeito
estufa, a chuva ácida e a diminuição da
camada de ozônio.
2.5.3.1 Diminuição da camada de
ozônio

Reações químicas do ozônio na


estratosfera

Estrutura
da
atmosfera
Chuva ácida Efeito estufa

Smog
2.5.4 Controle de emissões
Tecnologias integradas: com a evolução da
tecnologia e a partir de um melhor entendimento
dos mecanismos de formação das emissões é
possível retardar a formação das emissões in situ,
através da oxidação e outras reações químicas.
 Tecnologias de final de linha.

Tecnologias de final de linha, como o


próprio nome diz, são tecnologias de
controle das emissões no final do
processo, sendo geralmente, muito
simples em termos de princípios
físicos e/ou químicos
2.5.5 Qualidade do ar e legislação
Os padrões de qualidade do ar são definidos
em legislação através de concentrações
máximas de poluentes na atmosfera para
determinados períodos de exposição, visando
a proteção da saúde das pessoas, animais e
plantas. Esses padrões são estabelecidos em
estudos científicos, que relacionam os efeitos
dos poluentes com a saúde ambiental. A partir
dessa relação são estabelecidos limites de
concentração, que garantem uma margem de
segurança adequada.
2.6 Gestão da qualidade da água

Distribuição da água no planeta


Ciclo da água
Distribuição da água no Brasil
2.6.2 Classificação e usos da água
Os principais usos da água são:
abastecimento doméstico; abastecimento público;
abastecimento industrial; abastecimento
comercial; abastecimento agrícola e pecuário;
recreacional; geração de energia elétrica; e,
saneamento.
A resolução CONAMA 357/2005 classifica os
corpos dágua, segundo a qualidade requerida
para os seus usos preponderantes, em treze
classes subdivididas em águas doces, águas
salinas e águas salobras.
2.6.3 Poluição da água

Despejos de esgoto na água (a) e


escoamento superficial de água
contaminada (b)
Fontes de
contaminação
das águas
subterrâneas
Classificação da poluição
hídrica

Zonas de depuração
Processo de eutrofização
Tipos de tratamento de efluentes
Lagoa aerada

Lagoa
fotossintética
Lagoa
anaeróbia

Lodo ativado
2.7 Resíduos sólidos e logística
reversa
Os resíduos sólidos são externalidades
negativas resultantes da atividade humana,
nos estados sólido ou semissólido, assim
também, como gases contidos em recipientes
e líquidos, cujas particularidades tornem
inviável o seu lançamento na rede pública de
esgotos ou em corpos d´agua, ou exijam para
isso soluções técnica ou economicamente
inviáveis em face da melhor tecnologia
disponível. Essa é a definição pela Lei
12.305/2010.
A logística reversa é um instrumento de
desenvolvimento econômico e social
caracterizado por um conjunto de ações,
procedimentos e meios destinados a
viabilizar a coleta e a restituição dos
resíduos sólidos ao setor empresarial, para
reaproveitamento, em seu ciclo ou em
outros ciclos produtivos, ou outra
destinação final, ambientalmente,
adequada. Concentra-se nos fluxos em que
existe valor a ser recuperado, possibilitando
a reentrada dos resíduos em uma cadeia de
abastecimento.
Fluxo de informações do
inventário de resíduos
2.7.4 Classificação dos resíduos sólidos
Os resíduos sólidos podem ser classificados
de acordo com a origem, tipo de resíduo,
composição química e periculosidade.
◼Classificação do lixo quanto à origem (domiciliar,
limpeza urbana, industrial, comercial, serviço de
saúde, transporte (portos, aeroportos, terminais
rodoviários e ferroviários), agro silvopastoril,
mineração e , construção civil.
◼Quanto à periculosidade os resíduos sólidos são
classificados pela ABNT NBR 10.004 em: Classe I –
Perigosos; Classe II – Não perigosos (Classe IIA –
Não inertes e Classe IIB – Inertes).
2.7.5 Tratamento dos resíduos
sólidos

Aterro sanitário
Esquema da unidade e
triagem e compostagem
de resíduos sólidos
domiciliares

Incineração
Biodigestão anaeróbia
2.8 Ecoeficiência
A ecoeficiência é alcançada através da
disponibilização de bens e serviços a preços
competitivos, que satisfaçam as necessidades
humanas e promovam a qualidade de vida.
Ao mesmo tempo, reduz os impactos ao meio
ambiente e a intensidade do uso de recursos
ao longo da vida útil do bem ou serviço, em
níveis equivalentes aos da capacidade de
suporte da Terra.
Tem o objetivo de promover a economia de
recursos, o incremento da produtividade e a
busca de competitividade.
Nesse contexto, a ecoeficiência é
implementada para otimizar processos,
transformando os subprodutos ou os resíduos
de uma indústria ou empresa em recursos
para outra, pela inovação que leva a produtos
com uma nova funcionalidade, e por aumento
de conhecimento e conteúdo de serviço.
A ecoeficiência baseia-se nos três pilares da
sustentabilidade: econômico, ambiental e
social.
Uma empresa ou processo ecoeficiente
precisa ser economicamente rentável,
ambientalmente compatível e socialmente
justo.
Fluxograma
qualitativo
do processo
de P+L
Absorção de carbono pelas
árvores

O Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) é uma ferramenta de


flexibilização incluída no Protocolo de Kyoto, em que os países ricos que
necessitam reduzir suas emissões de GEE investem em projetos nos
países em desenvolvimento, visando transferir suas obrigações. Trata-se
de subsídio na busca do desenvolvimento sustentável ao promover a
ecoeficiência, energias renováveis e projetos de reflorestamento, entre
outras ações.
Categorias de projetos: Tipos de projetos: Etapas dos projetos:
Setor 1. Geração de energia • Captura de gás em aterro
renovável e não renovável sanitário.
Setor 2. Distribuição de • Tratamento de dejetos
energia suínos e reaproveitamento
Setor 3. Demanda de de biogás.
energia. • Troca de combustível.
Setor 4. Indústrias de • Geração de energia por
produção. fontes renováveis
Setor 5. Indústrias químicas. (biomassa, energia eólica,
• Concepção do projeto.
Setor 6. Construção. pequenas e médias
• Preparo do Documento de
Setor 7. Transporte. hidroelétricas, energia
Concepção do Projeto (DCP).
Setor 8. Mineração e solar).
• Validação.
produção de minerais. • Compostagem de resíduos
• Obtenção da aprovação do
Setor 9. Produção de sólidos urbanos.
país anfitrião.
metais. • Geração de metano a
• Registro.
Setor 10. Emissões de gases partir de resíduos orgânicos
• Implementação do projeto.
fugitivos de combustíveis. (biogasificação).
• Monitoramento.
Setor 11. Emissão de gases • Pirólise de resíduos.
• Verificação e certificação.
fugitivos na produção e • Florestamento e
• Emissão dos RCEs
consumo de compostos de reflorestamento em áreas
(créditos de carbono).
enxofre. degradadas.
Setor 12. Uso de solventes.
Setor 13. Gestão e
tratamento de resíduos.
Setor 14. Reflorestamento e
florestamento.
Setor 15. Agricultura.
2.9 Responsabilidade ambiental no
âmbito jurídico
No Brasil o conceito de
responsabilidade ambiental, para
além do dever de reparação,
estabelece que os operadores
devem atuar de forma preventiva
quando se verificar uma ameaça
eminente de dano ao ambiente
ou de novos danos subseqüentes
a uma lesão já ocorrida. Esta
responsabilidade assenta
num critério de nexo de
probabilidade e não de
causalidade, ou seja, bastará
o fato danoso ser apto a
provocar uma lesão.
A responsabilidade ambiental in genere é
entendida como a imputação de
conseqüências ao infrator da legislação
ambiental.
Juridicamente, a infração ambiental pode ter
repercussão em três esferas distintas e
independentes ou uma pode ter repercussão
em outra - poderá ter reflexos penais, civis e
administrativos, conforme a natureza da
norma em pauta.
A apuração destas três modalidades de
responsabilidade não é feita por um mesmo
órgão, tem conseqüências jurídicas diversas,
ressalvando alguns pontos em comum.
Constatada a existência de uma infração
ambiental, terá uma série de procedimentos de
ordem legal e administrativa, respeitando-se o
principio da ampla defesa e do contraditório.
A apuração da responsabilidade em uma
esfera pode ter reflexos em outra, como por
exemplo, a condenação criminal, que torna
certa a obrigação de reparar o dano: “Verificado
o dano ambiental, coexistem a obrigação civil
de indenizar, a responsabilidade administrativa
e a penal.”
Responsabilidade Civil
Quando falamos em responsabilidade civil
decorrente de infração ambiental não estamos
falando em aspectos econômicos da questão,
que também estão presentes e que podem dar
ensejo à atuação do proprietário ou de terceiro
prejudicado.
◼Exemplo: a derrubada de uma área de mata
poderá ensejar responsabilização ambiental de
ordem civil e, além disso, uma ação de indenização
por parte do proprietário.
Sob a ótica do direito ambiental está em
apuração a conseqüência do ato sobre um
direito que é difuso ou coletivo e, não o
aspecto econômico, ao passo que o direito
civil apura o aspecto econômico.
Quando à forma de reparação do dano
poderá haver acordo, mas não sobre o direito
em si. Já na ação civil pública só cabe
reparação.
E ainda, não haverá extinção por desistência
da ação, a outra entidade ou ao Ministério
Público assumir o processo.
A responsabilidade geral encontra
previsão no art 14, § 1º, Lei nº
6.938/81:
“§ 1º - Sem obstar a aplicação das
penalidades previstas neste artigo, é o
poluidor obrigado, independentemente da
existência de culpa, a indenizar ou
reparar os danos causados ao meio
ambiente e a terceiros, afetados por sua
atividade. O Ministério Público da União e
dos Estados terá legitimidade para propor
ação de responsabilidade civil e criminal,
por danos causados ao meio ambiente.“
a responsabilidade civil por dano
ambiental é objetiva, pois não se há de
perquirir culpa ou dolo, bastando o nexo
causal.
A simples condição de proprietário não
basta para responsabilização por
eventuais danos ali existentes
até mesmo o adquirente pode ser
responsabilizado por danos já existentes
(somente em caso de omissão sua).
Embora a obrigação de reparação do
dano ambiental seja considerada uma
obrigação propter rem , o proprietário
somente poderá ser responsabilizado
por danos anteriormente existentes se
acaso se omitir, permitindo, por
exemplo, que seus perpetradores
continuem na prática, ou impedindo que
área se regenere.
“Conquanto seja objetiva a
responsabilidade por dano ambiental, não
se pode dispensar o nexo de causalidade,
que decorre do fato e da conduta
considerada lesiva, não podendo ser
responsabilizado quem já adquiriu o
imóvel totalmente desmatado e não
assumiu nenhum risco pela degradação
existente, pois é da norma constitucional
que ninguém será obrigado a fazer ou não
fazer alguma coisa senão em virtude de lei
nos casos desta ordem devem ser punidos
os infratores (CF/88, arts. 5º, Inc. II, e 225, § 3º)”.
É necessário, que o infrator tenha ciência
do fato, pois não pode ser responsabilizado
por dano cuja existência lhe é desconhecida,
havendo, porém, o dever do proprietário de
manter vigilância em sua propriedade, cuja
violação pode ensejar a configuração de
culpa. Desta forma, é afastada a
responsabilidade somente quando o dano é
decorrente de causas totalmente alheias à
condição de proprietário, como por exemplo,
a inesperada invasão da área.
No caso das reservas legais, o adquirente
tem, ou deve ter, conhecimento de que a
área de reserva encontra-se degradada, e ao
adquiri-la assume o ônus de recuperá-la.
A obrigação de reparação independe da
responsabilidade administrativa e penal
(art 225, § 3º, CF/88).
A quem compete a apuração da
responsabilidade civil por danos ao meio
ambiente? A constatação da existência de
danos pode ser feita por qualquer agente
estatal, notadamente aqueles que tem
por finalidade a fiscalização nesta área,
mas a apuração da responsabilidade civil,
entendida como o processo de
responsabilização, é levada a efeito pelo
Ministério Público (art 129, III, CF/88).
A notícia da existência de dano ambiental
pode chegar a este órgão por várias
formas (comunicação de cidadãos,
informação obtida em autos processuais,
ação de agentes públicos, etc.)
oportunidade em que passará a dispor de
dois mecanismos básicos de atuação, quais
sejam o inquérito civil e a ação civil
pública.
◼O Inquérito Civil é um procedimento
administrativo destinado a fornecer
elementos de informação para a formação
da convicção do órgão do Ministério Público,
podendo viabilizar, também, a composição
através de compromisso de ajustamento.
Admitindo o infrator, no inquérito civil, a
infração e os danos e concordando com a
obrigação de indenizá-los, abre-se
oportunidade de celebração de
compromisso de ajustamento, que
constitui título executivo extrajudicial (art
5º, § 6º, Lei nº 7.437/85).
A reparação do dano ambiental deve ser
feita mediante reparação específica e
relacionada ao dano em si. Isto porque,
estamos diante de interesses de toda a
coletividade e não há um interesse
econômico em pauta sob este prisma.
A transformação da obrigação de reparação
específica em pecuniária somente ocorrerá se
justificadamente impossível aquela, o que não
significa que a obrigação de reparação deve ter o
conteúdo inverso do dano – é que a reparação
específica absoluta quase nunca é possível.
◼Veja-se, por exemplo, a derrubada de uma área de
mata com árvores centenárias ou de outra com
vegetação em fase inicial de desenvolvimento.
◼O mesmo vale para um derrame de agente poluente
em curso de água causando queda da qualidade de
água. Embora a reparação possa fazer com a retomada
da qualidade da água, jamais se poderá aquilatar
efetivamente o dano causado, pois a morte de um peixe
significa milhares de alevinos a menos.
O que se quer dizer é que há sempre um dano
marginal, materializado no tempo perdido,
que jamais poderá ser recuperado.
Por isso é que se fala em possibilidade de
reparação específica de conteúdo diverso do
dano efetivado, pois são voltadas à temática
ambiental.
◼Nos desmatamentos, além da recuperação
da área, podemos arbitrar à doação de
mudas ao poder público para
reflorestamento; e,
◼No derrame do agente poluente, podemos
arbitrar a possibilidade de doação de
alevinos por período determinado.
Desta forma, ainda que a reparação
específica seja impossível, ou quando tenha
sido feita, mas restar um dano secundário, as
obrigações impostas devem ser relacionadas à
preservação ambiental, até para se evitar que
a questão ambiental se torne mais uma fonte
de arrecadação anômala.
Responsabilidade Penal
Está disciplinada na Lei nº 9.605/98 e está
calcada na culpabilidade, tanto da pessoa
física como da jurídica.
◼“quem, de qualquer forma, concorre para a
prática dos crimes previstos nesta Lei, incide nas
penas a estes cominadas, na medida da sua
culpabilidade” (art 2º, Lei nº 9.605/98).
A culpabilidade está fundamentada na
presença de elementos psicológicos (sentidos
pelos seres humanos - entes abstratos).
Quem tem ciência dos fatos, dos valores, e
determina sua conduta de acordo com uma
potencial consciência da ilicitude é uma
pessoa física. A pessoa jurídica é apenas um
ente abstrato, um instrumento da vontade de
seres humanos.
O artigo 173, § 5º, da CF/88, dispõe:
“Art. 173.
[...]
§ 5º - A lei, sem prejuízo da responsabilidade
individual dos dirigentes da pessoa jurídica,
estabelecerá a responsabilidade desta, sujeitando-
a às punições compatíveis com sua natureza, nos
atos praticados contra a ordem econômica e
financeira e contra a economia popular.”
Responsabilidade Administrativa
A responsabilidade administrativa decorre
de regras próprias e implica um “processo
administrativo” próprio, conforme previsto no
§ 4º, art 70: “As infrações ambientais são
apuradas em processo administrativo próprio,
assegurado o direito de ampla defesa e o
contraditório, observadas as disposições
desta Lei”.
Nenhuma relação direta tem com a
responsabilidade penal ou civil, até porque o
fundamento das obrigações pode não ser o
mesmo.
As infrações administrativas encontram
amparo no art 70, Lei nº 9.605/98:
“Considera-se infração administrativa
ambiental toda ação ou omissão que viole as
regras jurídicas de uso, gozo, promoção,
proteção e recuperação do meio ambiente.”
A constatação e apuração das infrações
ambientais será apurada pelas autoridades
referidas no § 1º, Lei nº 9.605/98, que são:
“os funcionários de órgãos ambientais
integrantes do Sistema Nacional de Meio
Ambiente - SISNAMA, designados para as
atividades de fiscalização, bem como os
agentes das Capitanias dos Portos, do
Ministério da Marinha”.
Normalmente, a partir da constatação do dano,
cumulada com a lavratura do Boletim de
Ocorrência Ambiental e do Auto de Infração, já
se inicia a apuração das responsabilidades civil e
penal, pois cópias destes documentos são
encaminhados ao Ministério Público para abertura
do inquérito civil, e cópias são remetidas para a
autoridade policial instaurar o pertinente
procedimento.
Na esfera administrativa, a constatação da
infração pode dar oportunidade à tomada de
medidas administrativas prévias como a
apreensão de coisas e animais, mas somente
após o processamento do feito, respeitando-se o
principio do contraditório e da ampla defesa, é
lícita a imposição de penalidade.
A responsabilidade administrativa é
independente - não há previsão de que o
resultado de eventual processo civil ou
criminal venha a interferir nesta.
A aplicação de sanções administrativas
também pode encontrar esteio em normas
estaduais e municipais, já que é
competência comum da União, Estados,
Distrito Federal e Municípios a proteção ao
meio ambiente (CF/88, artigo 23, inc. VI e
VII), havendo competência legislativa
concorrente para as questões ambientais
(CF/88, artigo 24, inc. VI).
Reconhecimento da receita
Iudicibus define receita como: A expressão monetária,
validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da
entidade, em sentido amplo (em determinado período de
tempo), que provoca um acréscimo concomitantemente no
ativo e no patrimônio liquido, considerado separadamente
da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do
patrimônio liquido provocados pelo esforço em produzir tal
receita.
No que tange ao conceito de receita, Iudicibus argumenta
que: (...) termos “ganho” uma receita, significa podermos
reconhecê-la, mas, mais profundamente, significa que
temos direito de fazê-lo, porque realizamos uma troca,
porque realizamos uma parcela substancial de um
compromisso com clientes, porque realizamos uma parcela
pre-combinada de um contrato de longo prazo com um
cliente, ou porque existem condições objetivas de atribuir
um valor de saída ao nosso estoque de produtos, mesmo
que não tenha sido vendido.
O Principio da Realização da Receita escolhe, como
ponto normal de reconhecimento e registro da receita
nos livros da empresa, aquele em que produtos ou
serviços são transferidos ao cliente, o que
normalmente coincide com o momento da venda.
Devemos observar as três condições que
determinam quando uma receita pode ser reconhecida
pela Contabilidade:
a) a transferência do bem ou serviço normalmente se
concretiza quando todo ou praticamente todo o
esforço para obter a receita já foi desenvolvido;
b) o ponto em que se configura com mais objetividade
e exatidão o valor de mercado (de transação) para a
transferência; e,
c) o ponto em que já se conhecem todos os custos de
produção do produto ou serviço transferido e outras
despesas ou deduções da receita diretamente
associáveis ao produto ou serviço.
Freqüentemente, as três condições anteriores
são observadas na transferência efetiva do
produto ou do serviço, entretanto, podem existir
situações em que a receita pode ser reconhecida
antes, durante e no final da produção, tais como:
1) As receitas serão reconhecidas
proporcionalmente a certo período contábil já
decorrido: esta situação consiste em reconhecer,
em cada período, uma parcela da receita total
(correspondente ao serviço total)
proporcionalmente a certo período ou evento
decorrido, em lugar de esperar ate o final para
reconhecê-la totalmente, de uma vez só. À
medida que as horas vão se acumulando, vai
também crescendo a receita, numa base continua
de tempo decorrido.
O Momento de Reconhecimento da Receita
Proveniente da Venda de Créditos de
Carbono: o Caso de uma Operadora de
Aterro Sanitário no Estado do Espírito Santo
trabalho ou todos os serviços, como um
todo, podem não estar terminados, ou o
contrato global pode cobrir um período
maior, mas presume-se que uma parcela da
receita possa ser reconhecida na proporção
direta do tempo decorrido. O valor da
receita a ser reconhecido não e,
necessariamente, proporcional ao esforço
realizado, nem mesmo, aos custos incorridos
no mesmo período, mas diretamente
proporcional ao tempo decorrido.
2) Produtos cuja produção e contratada para
execução a longo prazo: neste caso, as
receitas são reconhecidas proporcionalmente
as etapas físicas de produção completadas
(grau de acabamento) ou aos custos incorridos
no período de apuração, observadas as
seguintes condições:
a) o preço global do produto e determinado
objetivamente, mediante contrato ou a partir
da correção contratual de seu preço atual;
b) da mesma forma, a incerteza, com relação
ao recebimento em dinheiro da transação, e
mínima ou passível de boa estimativa; e,
c) os custos a ocorrer para completar a
produção são razoavelmente bem estimados.
3) O reconhecimento da receita antes da transferência
por valoração de estoques: este reconhecimento ocorre
para produtos cujo processo de produção encerra
características especiais, como crescimento natural ou
acréscimo de valor vegetativo (entidades agropecuárias,
produtoras de vinho, exploradoras de reservas florestais,
mineradoras, estufas de plantas, etc.). Ocorre ainda,
para outros produtos em que o valor de mercado e tão
prontamente determinável, que o risco da não venda e
praticamente nulo (como na mineração e lapidação de
metais e pedras preciosas). Assim, e possível, em
circunstancias bem determinadas, reconhecer receita
antes do ponto de transferência ao cliente, observadas
as seguintes condições:
a) os estoques, no final do período de apuração contábil,
são avaliados pelo valor de realização naquele momento,
desde que seja objetivamente determinável pelo
mercado e seja possível deduzir o necessário para o
acabamento e o suporte de todos os custos e despesas a
ocorrer para, efetivamente, se vender o produto; se este
estiver totalmente maturado ou acabado, deverão ser
deduzidas as despesas para vende-lo como produto
final;
b) a atividade e primaria e seu custo de
produção e muito difícil de ser
mensurado por não conter o custo de
oportunidade do capital aplicado na
obtenção do produto, ou seja, o custo se
revelasse muito pequeno em face do
valor liquido de realização caracterizado
na condição a; e,
c) o processo de obtenção de lucro
nessa atividade caracteriza-se muito
mais (podendo-se dizer quase que
unicamente) pela atividade física de
crescimento, de nascimento, de
envelhecimento ou outra qualquer, do
que pela operação de venda e entrega
do bem.
4) O reconhecimento da receita apos o período de transferência
do produto ou serviço: Somente em casos excepcionais, a
receita poderá ser reconhecida apos o ponto de transferência, a
saber:
a) no caso de ativo não monetário ser recebido em troca de uma
venda efetuada, se esse ativo não tiver um valor reconhecido de
mercado; nesse caso, o custo do ativo vendido e transferido para
o ativo recebido em troca, e somente quando este ultimo for
vendido, e que reconheceremos um resultado;
b) nos casos de venda a prazo, quando, mesmo por experiências
estatísticas, não for possível estimar a porcentagem dos
recebimentos duvidosos; e,
c) no caso de negócios altamente especulativos, em que os
recebimentos são realizados em prestações, e o recebimento das
prestações finais e duvidoso.
Os casos b e c são raros na pratica e não caracterizam indústria
ou setor econômico, mas sim alguma operação em particular de
uma empresa. Foram vistos casos em que a receita pode ser
reconhecida. Entretanto, de acordo com o Ibracon (2002, p.
341), “a receita não e reconhecida quando ha simplesmente a
intenção de adquirir ou fabricar as mercadorias para a entrega”.
Bibliografia
Artigos:
◼Responsabilidade Ambiental (Decreto-Lei n.º 147/2008, de
29/07/2008). Elaborado pela Equipa do Ideias Ambientais e,
publicado no site http://www.ideiasambientais.com.pt
◼Responsabilidade ambiental. Elaborado por Marcelo
Colombelli Mezzomo (Bacharel em Ciências Sociais e Jurídicas
pela Universidade Federal de Santa Maria-RS, Assessor
Jurídico do Ministério Público do Estado do Rio Grande do
Sul).
◼Responsabilidade civil ambiental. Elaborado em 06/2009, por
Ricardo Diego Nunes Pereira.
◼Gestão ambiental: um enfoque no desenvolvimento
sustentável. Elaborado por Maria Elisabeth Pereira Kraemer.
◼Site: http://www.institutocarbonobrasil.org.br