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Humanização das empresas

Cada vez mais as empresas de diversos setores buscam seus diferenciais


competitivos e sua sobrevivência em um mercado mais seletivo e atento a outras
questões que não apenas preço. Além do lucro as empresas são feitas de gente e
para gente, a humanização nas relações, seja ela com funcionários, clientes,
fornecedores, acionistas, governo e a sociedade é uma questão de visão, pois
estamos agora diante de um novo modelo estratégico que não tem mais volta e a ele
chamamos de boa cidadania corporativa.

Durante muito tempo as empresas para serem competitivas deveriam ter produtos
com qualidade, preço bom e serviços agregados, mas isso agora é apenas uma
obrigação. Hoje o mercado pressiona por melhorias nas relações e atingi-la será fator
de sucesso, reconhecimento e respeito. O mundo corporativo tem mais algumas
coisas com que se preocupar: preservação do meio ambiente e melhoria da qualidade
de vida dos seus funcionários e da comunidade que está inserida. Essa pressão vem
do poder que as empresas conquistaram nos últimos 30 anos, pois são elas as
protagonistas que geram empregos, conhecimento, tecnologias e concentram as
pessoas inovadoras que fazem as coisas acontecerem. Portanto, empresas
socialmente responsáveis geram valor principalmente para si próprias.

Manter um ambiente de trabalho agradável e confortável, benefícios estimulantes,


respeito a opiniões e iniciativas criativas não são atitudes “boazinhas”, mas sim
estratégias e as empresas já sabem muito bem que funcionários e clientes felizes
geram mais lucros. E isso é comprovado a cada ano na análise concorrida das
“Melhores empresas para você trabalhar”, das revistas "Exame" e "Você S.A., que
avaliam a excelência nos ambientes de trabalho e melhoria constante na relação com
os clientes finais responsáveis por aumentar suas rentabilidades. Para Cristina Leão,
consultora empresarial e dona da Recicle Gente, as empresas de um modo geral,
pensam em cuidar melhor dos seus funcionários não só para vê-los mais sorridentes,
como também para retê-los. “Hoje em dia, todo mundo presta a atenção em como as
pessoas se sentem nos seus locais de trabalho. É o termômetro da felicidade que
agrega valor ao atendimento e faz as pessoas quererem fazer parte daquele mundo,
incorporando os valores que sustentam aquele bem estar percebido e as fidelizam,
explica. E isso vale para todos aqueles que de alguma forma sofrem os impactos de
suas ações. “Empresas cidadãs atraem e retêm talentos, seus colaboradores querem
vestir a camisa e fazer parte fazer parte de uma história bonita, em uma empresa
correta”, finaliza Cristina.

Cada vez as empresas inovam mais em tecnologias complexas, tentando aprimorar a


comunicação e as relações internas e externas, para agilizar processos e envolver
maior número de pessoas. Verifica-se que ao longo de tantas inovações, o que
realmente se consegue são afinidades frágeis e virtuais, onde os 55% do processo
corporal na comunicação é jogado fora. Dentro de uma organização, muitas vezes, o
diálogo com pessoas da mesma área, sentadas na mesma sala é realizado por email.
Segundo alguns consultores empresariais, se email fosse muito bom seria inteiro e
não “email”. Olhar mais para as pessoas como pessoas, na sociedade ou dentro de
uma corporação, é uma necessidade cada vez maior nos nossos dias. Segundo o
consultor Marco Vidon, “não podemos continuar pensando em pessoas como meros
números, que se comportam de acordo com estereótipos pré-definidos e acordados, e
desprovidas de emoções e sentimentos próprios. As empresas precisam se
humanizar”, declara.
Da frieza da tecnologia a relação respeitosa de uma das melhores empresas para se
trabalhar segundo a revista Exame, valorizar o ser humano, respeitar sempre as
necessidades e peculiaridades de cada indivíduo e buscar o melhor que cada um pode
oferecer são os princípios da premiadíssima empresa de TI Nasajon e segundo Carla
Coelho, supervisora de RH, “esse processo de humanização é reconhecido por
diversas premiações e pode ser visto no dia a dia de trabalho. A empresa realiza
várias ações nesse sentido, mas é o relacionamento diário entre diretores, gerentes e
demais colaboradores que deixa transparecer o resultado dessa cultura”, declara.

Entre os benefícios de se trabalhar na Nasajon, destaca-se a Sala Zen, onde os


funcionários contam com um espaço para relaxar, tirar um sono após o almoço, aliviar
uma dor de cabeça ou qualquer outro motivo que justifique sua presença ali. “É usado
com freqüência, mas com bom senso. Em nenhum momento, em seus sete anos de
existência, foi necessário instituir regras de uso do espaço, que serve e agrada a
todos”, revela Carla e acrescenta que a empresa disponibiliza um canal neutro e
permanente para os funcionários expressarem qualquer tipo de insatisfação, conflito
ou dificuldade no ambiente de trabalho, sem o desconforto de enfrentar algum tipo de
constrangimento. “O trabalho é realizado por uma psicóloga e é muito bem aceito”,
garante Carla. A empresa também compreende que tão importante quanto cuidar da
mente é incentivar uma boa relação com o corpo. As campanhas que incentivam uma
postura física correta e a Ginástica Laboral fazem muito sucesso. Esse trabalho é
realizado por uma fisioterapeuta, que também possui equipamentos para realizar
sessões de fisioterapia quando necessário. Mas Carla assegura que a integração dos
funcionários é fundamental para tornar o ambiente de trabalho mais humano e por isso
desenvolve o Nasagente Miúda, que tem a finalidade de trazer os filhos dos
colaboradores para conhecer o local de trabalho de seus pais. “Eventos de integração
como passeios a sítios, de barco, jantares de confraternização etc são comuns para
fomentar a integração e lazer dos funcionários e seus familiares”, afirma.

A doutora em Sociologia, especialista em temas empresariais, Ana Maria Kirschner,


defende a tese de que a empresa é um sistema social que ultrapassa os objetivos
econômicos, e que é ao mesmo tempo socializador e socializado, com contínua
interação com a sociedade. “Hoje em dia as empresas tem maior responsabilidade
social e ambiental e, além disso, um comportamento mais ético e transparente.
Valorizam a cooperação entre os funcionários, a negociação de interesses e o respeito
entre chefes e seus subordinados para garantir a motivação”, defende Ana Maria e vai
além, para ela esse ajuste nas relações sociais de trabalho, é uma forma de suscitar a
complementaridade de ações coletivas, a solidariedade, a comunicação e a
criatividade dentro do sistema social da empresa.

“É dever da empresa responsável fazer as pessoas acreditarem e participarem na


construção de uma mundo mais humano”, declara o professor de ética profissional na
Puc-RJ, João Sucupira. Para ele hoje há grupos que visam à humanização das
empresas e “buscam outro sentido para produtividade a partir da visão do ser humano
como pessoa”. E seja lá qual o motivo que as fazem ter essa consciência, esse é o
caminho das melhores empresas para se trabalhar e são elas que terão o respeito e a
admiração da sociedade cada dia mais antenada e preocupada com a construção de
um mundo melhor e mais humanizado.