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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

PRÓ-REITORIA ACADÊMICA - PRAC


COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO

EDIVALDO FERREIRA DE ARRUDA

O APOCALIPSE DE JESUS CRISTO

RECIFE/2016
Em “Apocalipse: uma assembleia litúrgica interpreta a história”, H. Vanni
analisa o livro de Apocalipse, fazendo a menção inicial da imprevisibilidade do autor,
sobretudo, pelo fascínio que a obra provoca no leitor. Vanni também sugere que o
gênero literário da obra é apocalíptico, conquanto outros traços característicos dão um
tom mais abrangente. Ele considera o aspecto de revelação e exortação fundamentais.
A estrutura de Apocalipse, segundo Vanni, tem uma parte de fácil percepção: as
Sete Cartas (Ap 1.4-3.22); e a segunda seção do livro uma parte desigual, mas que não
prejudica a unidade da obra. Em relação à linguagem, a despeito de ser coerente com o
grego helenístico, o autor expressa características próprias que transcende os limites da
significação gramatical, o que tem provocado reações diversas nos estudiosos da obra.
Com referência à autoria de Apocalipse, há fortes indicativos que apontam para João, o
autor do Quarto Evangelho, apesar das críticas contrárias a ambas quanto ao conteúdo e
ao estilo literário. Por se tratar de temas proféticos, Vanni sublinha as referências ao AT
como conexão entre a figura soberana de Deus Pai com a “fisionomia neotestamentária
inequívoca” do Cristo (o Filho). Assim, os elementos veterotestamentários consiste na
base sobre a qual o autor esboça a Cristologia. Os anjos são citados como manifestação
da ação de Deus. A Igreja é enfatizada tanto em sua forma litúrgica como em seu lugar
ideal, representando, por um lado as comunidades de fé local e, por outro, a Igreja do
porvir frente às forças oponentes deste mundo. A escatologia, de acordo com Vanni,
ocupa o lugar de destaque no Apocalipse. Ele coloca que nas concepções apocalípticas
sempre há espaço para entendimento de uma escatologia presente e uma futura, a julgar
pelo uso diversificado dos tempos verbais; embora para alguns críticos os fatos de que
trata Apocalipse são do momento do autor e, para outros, futurísticos. O autor ainda faz
menção da ênfase dada à purificação interior da comunidade, necessária para entender,
por meio de reflexões, as circunstâncias adversas do mundo exterior.
Concluindo, o autor analisa os critérios hermenêuticos do Apocalipse, enfatiza o
fato de literatura complexa, carregada de símbolos, que dão um tom de realismo, por um
lado e de expressão simbólica, por outro lado. Essas distinções não são tão inteligíveis
quanto possa parecer. Contudo, Vanni considera que “a hermenêutica do Apocalipse é
em grande parte uma releitura do Antigo Testamento”.
Na análise de Vanni, o encontro do leitor com o livro de Apocalipse é marcado
pela imersão em um universo repleto de aspectos temporais, situações cúlticas que põe
em evidência a forte ligação do autor com o contexto veterotestamentário. Obrigando o
leitor a entender, sobretudo, a dimensão simbólica dos elementos presentes no texto.