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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA COMARCA DE


SEARA

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA


CATARINA, pelo titular da Promotoria de Justiça de Seara, com base nos
documentos que seguem e com fundamento nos arts. 5º, inciso XXXII,
129, incisos II e III, e 170, inciso V, todos da Constituição Federal, bem
como nos arts. 1º e seguintes da Lei nº. 7.347/85 e na Lei nº. 8.078/90
(Código de Defesa do Consumidor), propõe AÇÃO CIVIL PÚBLICA em
face de:

BANCO VOLKSWAGEN S.A., pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ sob o nº 59.109.165/0001-49, com endereço na
Rua Volkswagen, 291, 5º Andar, Bairro Jabaquara, São Paulo, SP, CEP
04.344-020.

1. Objetivo da ação

Esta ação tem por objetivo obter provimento jurisdicional que


proíba a requerida de cobrar tarifa de abertura de crédito e tarifa de
emissão de boleto bancário (com qualquer nome que vier a ter), em todos
os contratos vigentes e futuros na Comarca de Seara (Seara, Arvoredo e
Xavantina), inclusive em liminar.

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Objetiva também obter provimento que condene a requerida à


devolução em dobro dos valores cobrados dos consumidores da Comarca,
nos últimos cinco anos, a título de tarifa de abertura de crédito e tarifa de
emissão de boleto bancário.

Objetiva, por fim, a condenação de cada uma das requeridas


ao pagamento de indenização por danos extrapatrimoniais aos
consumidores lesados, no valor mínimo de R$ 500.000,00.

2. Fatos

O Procon de Seara recebeu reclamação do Sr. XXX, dando


conta de que o Banco Volkswagen S.A. havia cobrado em contrato de
financiamento de veículo duas tarifas ilegais: a) tarifa de abertura de
crédito no valor de R$ 300,00; b) tarifa de emissão de boleto bancário, no
valor de R$ 3,90 para cada um, totalizando esta última R$ 140,40.

Evidentemente, tais valores não haviam sido informados ao


consumidor no momento da contratação do financiamento do veículo,
acrescendo ilegalmente ao valor total do financiamento a quantia de R$
440,40.

O Procon notificou a requerida para devolução dos valores.

A requerida, no entanto, recusa-se a cumprir a ordem,


afirmando estar amparada em resoluções do Conselho Monetário
Nacional. Afirma também que as cláusulas que previam a cobrança
constaram claramente no contrato, e que o consumidor não pode reclamar
nada.

Diante da informação de que a cobrança não se limitava ao


caso do consumidor individual, mas atingia todos os consumidores que
contrataram financiamentos com a requerida, bem como aqueles que
venham a contratar no futuro, conferindo, portanto, caráter difuso ao
dano, o Procon remeteu a documentação ao Ministério Público,
representando pela adoção das medidas cabíveis.

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A forma de atuação da requerida deixa, caso não proibida


eficazmente pelo Poder Judiciário, importa prejuízo aos consumidores e
enriquecimento ilícito da demandada. Pouquíssimas pessoas chegam a
reclamar perante os órgãos de proteção ao consumidor, devido ao
diminuto valor das parcelas, fazendo com que o dano passe praticamente
impune.

A propositura desta ação coletiva, portanto, é necessária, até


mesmo para evitar a multiplicação de demandas individuais.

3. Direito

A cláusula que permite a cobrança da tarifa por emissão de


boleto e de tarifa de abertura de crédito (TAC) é manifestamente abusiva.
As cláusulas contratuais são consideradas abusivas, quando acarretam
desequilíbrio entre as partes, ferindo os princípios da boa-fé e da
equidade, sendo nulas de pleno direito, conforme norma inserta no art. 51,
inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor.

O fundamento da nulidade está em que não se pode atribuir


ao consumidor o dever de pagar tarifa que, por sua natureza, faz parte do
próprio negócio dos bancos e, em última análise, vem em seu próprio
benefício, configurando-se uma situação desfavorável ao consumidor,
incompatível com a boa-fé e com a eqüidade.

Em verdade, o consumidor está pagando por algo que não


adquire e o valor do preço da tarifa está sendo computado nas prestações
do bem, sem que o adquirente saiba do que efetivamente se trata.

Falta, assim, justa causa à cobrança de tais tarifas, pois é


certo que as despesas dos bancos – relativamente à concessão do crédito
e também à cobrança das parcelas – são inerentes à sua atividade.

Por outro lado, embora tais cláusulas constem no instrumento


contratual, é sabido que não puderam ser discutidas e negociadas pelo
consumidor, pois, tratando-se de contrato de adesão, são previamente

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inseridas, contrariando o disposto no art. 54 do Código de Defesa do


Consumidor, não permitido ao consumidor escolher ou negociar o seu
pagamento.

Dessa forma, a cobrança destes encargos está em desacordo


com o sistema de proteção ao consumidor e devem ser banidas da relação
contratual.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina vem reiteradamente


excluindo, inclusive de ofício, as tarifas de abertura de crédito e de
emissão de carnê (ou boleto) dos contratos de financiamento bancário,
conforme se observa dos seguintes precedentes:

As cláusulas que prevêem a cobrança das denominadas


TAC e TEC são nulas de pleno direito, devendo ser
expungidas de ofício da avença, em face da
abusividade que representam1.

Tarifa de cobrança de Boleto bancário. Inexigibilidade.


Encargo de responsabilidade da financeira que não
pode ser repassado ao consumidor2.

COBRANÇA DE TARIFA DE ABERTURA DE CRÉDITO E


TARIFA POR EMISSÃO DE CARNÊ. ENCARGOS QUE
INCUMBEM AO FORNECEDOR DO PRODUTO.
INTELIGÊNCIA DO ART. 51, INCISO XII, DO PERGAMINHO
CONSUMERISTA. VANTAGEM EXAGERADA.
IMPOSSIBILIDADE DE IMPOSIÇÃO DESSES ENCARGOS
AO CONSUMIDOR. EXEGESE DO INCISO IV DO
SUPRACITADO ARTIGO3.

O Superior Tribunal de Justiça decidiu, inclusive em demanda


proposta pelo Ministério Público, que não é possível transferir aos
consumidores despesas de notificação ou de emissão de documentos para
compensação, justamente o caso dos autos:

1
Apelação Cível n. 2007.024248-9, de São José, rel. Roberto Lucas Pacheco, j. 11.1.2008.
2
Apelação Cível n. 2006.028703-3, de Caçador, Nelson Schaeffer Martins, j. 3.5.2007.
3
Apelação Cível n. 2008.015394-1, de Capital, José Carlos Carstens Köhler, j. 1.12.2008.
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AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Ministério Público. Contrato bancário.


Financiamento imobiliário. O Ministério Público tem
legitimidade para promover ação civil pública contra o banco
que, na execução de contrato de financiamento para aquisição
de casa própria, transfere e cobra do cliente despesas não
autorizadas ou indevidas, tais como as de correio para a
notificação do devedor e a tarifa pela emissão de
documentos de compensação não autorizada4.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul também tem


determinado o afastamento da tarifa de abertura de crédito (TAC),
afirmando falta justa causa à contratação, já que a despesa para analisar
a capacidade econômica do mutuário deve ser debitada à conta da
instituição financeira, e não do consumidor:

A cláusula contratual que impõe o pagamento da "TAC",


portanto, à luz dessas considerações, enquadra-se entre
aquelas previstas no art. 51, IV, do Código de Defesa do
Consumidor, que impõe a pena de nulidade de pleno direito às
cláusulas contratuais que estabeleçam "obrigações
consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor
em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a
boa-fé ou a eqüidade": configura-se como iníquo o
regulamento negocial que impõe ao contratante a obrigação
de ressarcir as despesas feitas pelo contratado com o objetivo
de diminuir os riscos de sua atividade profissional5.

Diversas outras instituições financeiras foram alvo de ação


civil pública movida pelo Procon Estadual (a requerida não), ocasião em
que foi proferida sentença de procedência pelo Dr. Domingos Paludo
(Processo nº 023.06.364888-4).

Portanto, os valores cobrados dos consumidores de Seara


deverão ser devolvidos em dobro (art. 42, parágrafo único, do Código de

4
REsp 416298/SP, Relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar, Quarta Turma, j. 27.08.2002,
DJ 07.10.2002 p. 266.
5
Agravo de Instrumento, n. 70011856143, Comarca de Gravataí, rel. Des. Carlos Alberto
Etcheverry, Décima Terceira Câmara Cível, de 03.06.05.
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Defesa do Consumidor), corrigidos e atualizados a partir da cobrança, de


modo a ressarcir minimamente os consumidores lesados.

4. Indenização por danos extrapatrimoniais

Não basta, como é óbvio, a mera devolução em dobro dos


valores cobrados, obrigação que na verdade é pena imposta pelo
ordenamento civil ao fornecedor que extrapola os limites da cobrança.

Na situação configurada nos autos, é preciso reparar


integralmente os danos causados aos consumidores e, sob este aspecto,
vale lembrar que o art. 6º, VI, do Código de Defesa do Consumidor,
garante o direito básico do consumidor de obter “efetiva prevenção e
reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e
difusos”.

Isso porque, conforme se viu nos autos, a cobrança ilegal vem


ocorrendo mesmo contra jurisprudência pacífica. Nem ao menos diante de
notificação do Procon a requerida procurou adequar-se. A conduta,
pautada pela assunção do risco, lesa há tempos os honestos trabalhadores
rurais da região, que à custa de esforços pessoais pagam as tarifas como
se lícitas fossem.

A conduta da requerida, por isso mesmo, gera o dever de


indenizar, desta feita a título difuso. O dano causado é extrapatrimonial,
porque flagrantemente lesionada a confiança6 do consumidor, que tinha a
expectativa de estar sendo cobrado apenas dentro dos limites legais.

E, assentando-se o dano extrapatrimonial difuso justamente


na agressão a bens e valores jurídicos que são inerentes a toda a

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A confiança, ou boa-fé objetiva, é princípio da Política Nacional de Relações de
Consumo, conforme prevê o art. 4º, III, in fine, do CDC. Para Luiz Antônio Rizzatto Nunes,
“quando se fala em boa-fé objetiva, pensa-se no comportamento fiel, leal, na atuação de
cada uma das partes contratantes a fim de garantir respeito à outra. É um princípio que
visa garantir a ação sem abuso, sem obstrução, sem causar lesão a ninguém, cooperando
sempre para atingir o fim colimado no contrato, realizando os interesses das partes”
(NUNES, Luiz Antônio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São
Paulo : Saraiva, 2000. p. 108).
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coletividade, de forma indivisível, não há como negar que conduta como a


da ré abala o patrimônio moral da coletividade, pois é coletivo o
sentimento de ofensa e desrespeito que o cidadão e sua família acaba
experimentando com a prática abusiva.

Ao dissertar sobre o dano moral coletivo, o professor André de


Carvalho Ramos assinalou com muita propriedade: “Devemos considerar
que tratamento aos chamados interesses difusos e coletivos origina-se
justamente da importância destes interesses e da necessidade de uma
efetiva tutela jurídica. Ora, tal importância somente reforça a necessidade
de aceitação do dano moral coletivo, já que a dor psíquica que alicerçou a
teoria do dano moral individual acaba cedendo lugar, no caso de dano
moral coletivo, a um sentimento de desapreço e de perda de valores
essenciais que afetam negativamente toda uma coletividade. Imagine-se o
dano moral gerado pela propaganda enganosa ou abusiva, O consumidor
potencial sente-se lesionado e vê aumentar seu sentimento de
desconfiança na proteção legal do consumidor, bem como seu sentimento
de cidadania”7.

O valor da indenização a ser pleiteada, também por esses


motivos, deve levar em conta o desvalor da conduta, a extensão do dano
e o poder aquisitivo da requerida.

Não se pode conceber tenham lugar condutas como a da ré.


Numa sociedade democrática, onde se espera e se luta pelo
aperfeiçoamento dos mecanismos que venham garantir ao cidadão o
pleno exercício dos atributos da cidadania, ludibria o consumidor,
auferindo lucros exorbitantes a partir de práticas nitidamente contrárias à
legalidade. E sempre na esperança, como se confirmou nestes autos, de
que a resposta a ser dada pelo Judiciário fará valer a pena o risco.

É dentro desse mesmo contexto que não se pode esconder a


grande extensão do dano causado, pois além de agredir interesses
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Revista de Direito do Consumidor nº 25. Editora Revista dos Tribunais, p. 82.
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garantidos por lei ao consumidor, o procedimento denunciado gerou


sentimento de descrença e desprestígio da sociedade com relação aos
poderes constituídos.

A jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de


condenação do responsável por danos extrapatrimoniais coletivos:

DANO MORAL COLETIVO - POSSIBILIDADE - Uma vez


configurado que a ré violou direito transindividual de ordem
coletiva, infringindo normas de ordem pública que regem a
saúde, segurança, higiene e meio ambiente do trabalho e do
trabalhador, é devida a indenização por dano moral coletivo,
pois tal atitude da ré abala o sentimento de dignidade, falta de
apreço e consideração, tendo reflexos na coletividade e
causando grandes prejuízos à sociedade8.
Assim, presente o dano extrapatrimonial, consistente na lesão
da confiança depositada pelos consumidores no anúncio publicitário, e
presente o nexo de causalidade entre o dano e a conduta da requerida,
nasce o dever de repará-lo, cabendo indenização pelos danos causados.

Tal indenização, como é natural em sede de direitos difusos,


deverá reverter ao fundo de reconstituição de bens lesados (art. 13 da Lei
nº 7.347/85). Em Santa Catarina, o Fundo para Reconstituição dos Bens
Lesados foi criado pelo Decreto nº 1.047, de 10 de dezembro de 1987.

A jurisprudência tem abonado a tese de que a indenização por


danos morais independe da devolução em dobro do valor cobrado
abusivamente, já que as causas são diferentes: na devolução em dobro
aplica-se pena e ocorre parcialmente o ressarcimento do dano material
causado; na indenização por danos morais, protege-se outra esfera de
direitos, os direitos extrapatrimoniais, que devem igualmente ser
tutelados.

A nosso sentir, a indenização por danos morais não pode ser


inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), revertendo-se para o
fundo de que trata o artigo 13 da Lei n° 7.347/85.

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TRT 8ª R. - RO 5309/2002 - 1ª T. - Rel. Juiz Luis José de Jesus Ribeiro - j. 17.12.2002.
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5. Antecipação da tutela

Dispõe o Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 84,


§ 3º:

Art. 84 – Na ação que tenha por objeto o cumprimento da


obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela
específica da obrigação ou determinará providências que
assegurem o resultado prático equivalente ao adimplemento.
[...]
§ 3º Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo
justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao
juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação
prévia, citado o Réu.

No caso dos autos, a jurisprudência é pacífica em proibir a


cobrança das tarifas. Diversos consumidores da Comarca, inclusive alguns
que jamais serão identificados, vêm sendo prejudicados mensalmente
com a cobrança. O risco em aguardar-se decisão definitiva é imenso, já
que muito certamente o dano já terá ocorrido e a cobrança contra a
requerida se tornará custosa demais.

No que tange ao receio de ineficácia do provimento final, tal


requisito fica evidente à medida que, a continuar a cobrança das
prestações acrescidas de tarifas ilegais, somente restará a via do
demorado e ineficaz processo de execução, com os incidentes habilmente
manejados pelos grandes escritórios contratados pelas instituições
financeiras. E, naturalmente, pelo pequeno valor de cada prestação, os
consumidores não se interessarão pela busca de seu direito.

Caso Vossa Excelência entenda necessária justificação prévia,


o Ministério Público aponta como testemunha o chefe do Procon de Seara,
Sr. Clodoaldo Weber.

6. Conclusão

Diante de tudo o que foi exposto, o MINISTÉRIO PÚBLICO


DO ESTADO DE SANTA CATARINA requer:
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a) o recebimento e autuação da inicial;

b) a concessão de liminar para o fim de:

b1) proibir doravante a cobrança de tarifa de emissão de


boleto, tarifa de emissão de carnê, ou qualquer outra denominação que
venha a ter a tarifa, em todos os contratos celebrados pela requerida com
consumidores de Arvoredo, Xavantina e Seara, sob pena de multa de R$
50.000,00 por ocorrência;

b2) determinar que a requerida cesse em trinta dias as


cobranças de tarifas de emissão de boleto, tarifa de emissão de carnê, ou
qualquer outra denominação que venha a ter a tarifa, em todos os
contratos celebrados pela requerida com consumidores de Arvoredo,
Xavantina e Seara, ou em trinta dias da notificação do Procon de Seara
para este fim, tudo sob pena de multa de R$ 50.000,00 por ocorrência (a
requerida deverá cessar desde já; em caso de não cessar, o Procon a
notificará e deverá cessar em trinta dias);

b3) determinar à requerida que apresente cópia dos contratos


firmados nos últimos cinco anos na Comarca de Seara (Municípios de
Arvoredo, Xavantina e Seara), apresentando tabela com demonstrativo
dos valores cobrados a título de tarifa de abertura de crédito e de tarifa de
emissão de boleto (ou o nome que tiverem tomado), em 15 dias, sob pena
de multa de R$ 50.000,00 por dia;

c) a citação da requerida para apresentar a defesa que


entender pertinente;

d) a produção da prova que for necessária, indicando desde já


como testemunha o Senhor Clodoaldo Weber, Chefe do Procon de Seara,
com a inversão do ônus da prova, a teor do art. 6º, VIII, do Código de
Defesa do Consumidor;

e) a confirmação da liminar e a condenação da requerida a


devolver em dobro as tarifas de emissão de boleto, tarifa de emissão de

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carnê, ou qualquer outra denominação que venha a ter a tarifa, a todos os


consumidores dos municípios de Seara, Arvoredo e Xavantina, abarcando
o período de cinco anos a contar da citação;

f) a condenação da requerida ao pagamento de R$ 500.000,00


a título de danos extrapatrimoniais difusos, em favor do Fundo para
Reconstituição dos Bens Lesados foi criado pelo Decreto nº 1.047, de 10
de dezembro de 1987;

g) a condenação das requeridas em custas, despesas


processuais e honorários advocatícios (estes conforme art. 4º do Decreto
Estadual nº 2.666/04, em favor do Fundo de Recuperação de Bens Lesados
do Estado de Santa Catarina).

Seara, 8 de janeiro de 2009

Eduardo Sens dos Santos


Promotor de Justiça

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