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PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE BLUMENAU

PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL DA ___ VARA DE


BLUMENAU

O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL E O MINISTÉRIO


PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA, por seus Órgãos de
Execução signatários, com fundamento nos artigos 127 e 129, inciso
III, da Constituição da República Federativa do Brasil; artigo 25,
inciso IV, alínea “a”, da Lei n.º 8.625/93; artigo 6º, inciso VII, alínea
“c” da Lei Complementar n. 75/93; artigo 1º, inciso II e artigo 5º,
com destaque ao §5º, ambos da Lei n.º 7.347/85 e artigos 81,
parágrafo único, inciso II e artigo 82, inciso I, ambos da Lei n.º
8.078/90, e ainda com base no procedimento administrativo anexo,
propõem AÇÃO CIVIL PÚBLICA, em defesa do direito dos
consumidores de Blumenau e Pomerode, em face de:

AGÊNCIA NACIONAL DE TELECOMUNICAÇÕES -


ANATEL, pessoa jurídica de direito público federal, sob Regime
Autárquico Especial, com CNPJ/MF 02.030.715/0001-12, na pessoa
do seu presidente, com sede na SAS, Quadra 6, Bloco H, Ed. Sérgio
Motta, CEP 70313-900, em Brasília/DF;

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BRASIL TELECOM S.A., pessoa jurídica de direito


privado, inscrita no CNPJ sob nº 76.535.764/0322-66 e inscrita no
Estado sob o n.º 25.042.764-8, com sede na Avenida Madre
Benvenuta, 2080, Bairro Itacorubi, na cidade de Florianópolis/SC,
CEP 88.035-900, pelos a seguir deduzidos fundamentos de fato e de
direito.

1. Objetivo da ação

A presente ação civil pública objetiva obter provimento


jurisdicional que obrigue a empresa Brasil Telecom S.A. a tarifar
como locais as chamadas telefônicas realizadas entre Pomerode e
Blumenau e entre Blumenau e Pomerode, com a cominação de
multa em caso de descumprimento da obrigação.

Tendo em vista que tanto a Brasil Telecom S.A. quanto a


Agência Nacional de Telecomunicações têm, pelo menos desde 2 de
dezembro de 2004, a obrigação de alterar a forma de tarifação de
chamadas de telefônicas entre os dois municípios, tem esta ação
também o objetivo de obter provimento que constitua as requeridas
na obrigação solidária de reparar os danos patrimoniais e
extrapatrimoniais até o momento causados aos consumidores.

2. Síntese fática

Entre o centro de Blumenau e o de Pomerode há


aproximadamente 25 km de distância, trecho equivalente ao do
centro de Florianópolis até seu bairro de Jurerê, por exemplo. Por
outro lado, o bairro mais afastado de Blumenau, a Vila Itoupava, fica
a aproximadamente 30 km do centro de Blumenau. A ligação entre
Blumenau e Pomerode se faz por trajeto que inicia em Blumenau na
BR 470, seguindo posteriormente pela SC-418 até Pomerode.
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Em todo o trajeto, como é notório, a região tem grande


densidade populacional e inúmeras empresas instaladas. A partir de
Blumenau o comércio de veículos novos e usados, grandes empresas
têxteis como a Karsten S.A., gigante no ramo, todo o pequeno
comércio e as residências tradicionais que já fazem parte da cultura
da região do Vale do Itajaí preenchem a paisagem de forma
constante, podendo-se falar em verdadeira área conurbada1, ou seja,
um conjunto só entre as duas cidades, em continuidade, em
seqüência, praticamente como se estivesse ainda em um bairro de
Blumenau.

Já em Pomerode, a poucos metros da divisa entre os


municípios, está situada a empresa Weiku do Brasil, multinacional
alemã na área de PVC, seguida pela empresa Kyly Ltda., produtora e
exportadora de roupas infantis, demonstrando novamente a
continuidade urbana.

Outra prova disso é que a distância entre a última


casa da cidade de Blumenau na SC-418 e a primeira casa da
cidade de Pomerode, também na SC-418, não passa de 60
metros, como comprova o croqui elaborado pela Secretaria
Municipal de Planejamento de Pomerode (fl. 26). E a proximidade
das residências e empresas instaladas ao longo da SC-418, entre os
dois municípios, é constante, como comprovam as fotografias
também anexas a esta petição inicial (fl. 27-31).

Não bastasse isso, demonstra também essa conurbação o


fato de a Lei Complementar Estadual nº 162/1998 reconhecer

1
Colhe-se do Aurélio Eletrônico: Verbete: conurbação: conjunto formado por uma cidade
e seus subúrbios, ou por cidades reunidas, que constituem uma seqüência, sem contudo,
se confundirem.

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Pomerode como integrante da região metropolitana de


Blumenau2. Ademais, o Código de Zoneamento de Pomerode
considera o trajeto entre os municípios como área urbana. Em
Pomerode, a SC-418 é denominada como rua XV de Novembro,
a mesma onde está instalada a prefeitura e o fórum, e onde
o Código de Zoneamento considera Zona Industrial de classe
1, ou seja, com número de empregados superior a 900 e com
movimento de mais de vinte caminhões por dia, e Zona
Residencial de nível 3, ou seja, área residencial uni e
multifamiliar de média e alta densidade3.

A continuidade, como também é notório, se evidencia


pelas estreitas relações econômicas entre uma cidade e outra. Ao
passo que Blumenau dispõe aos cidadãos de Pomerode comércio e
serviços mais complexos, Pomerode serve ao povo de Blumenau por
seus restaurantes, suas empresas e suas indústrias, que empregam
grande quantidade de blumenauenses. Há, na verdade, profunda e
permanente relação entre Pomerode e Blumenau, não só no aspecto
cultural, mas também no aspecto econômico, relação idêntica à que
há entre os bairros mais afastados de Blumenau e o Centro.

E esta relação íntima entre os municípios, como já se


espera estar claro neste momento, é gerada exatamente pela
continuidade urbana entre os municípios, fato admitido pela
própria Anatel, em resposta a questionamento formulado
pelo Ministério Público. Segundo relatório de fiscalização nº 53,
datado de 30 de julho de 2004, foi “constatada continuidade
2
Art. 6º da Lei Complementar Estadual nº 162/1998: “O Núcleo Metropolitano da Região
Metropolitana do Vale do Itajaí será integrado pelos municípios de Blumenau,
Pomerode,Gaspar, Indaial e Timbó”.
3
Art. 12 e anexos da Lei Complementar Municipal nº 28/96, de Pomerode – vide anexos.

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urbana na área limítrofe, através do bairro Testo Salto (não


cadastrado no STAA) pertencente à localidade sede de
Blumenau, com o bairro Testo Central (não cadastrado no
STAA) pertencente à localidade sede de Pomerode (VIA SC-
418)” (fl. 64).

Em decorrência desses fatos, como se verá a seguir, tem


a Anatel a obrigação de determinar à Brasil Telecom S.A. que tarife
as ligações entre Blumenau e Pomerode como locais, e não como de
longa distância, como vem procedendo até o momento em
desrespeito ao Direito do Consumidor e aos próprios regulamentos.

Na prática, os consumidores de ambos os municípios não


terão de se utilizar dos códigos de longa distância nacional (14 ou
21) e as tarifas telefônicas diminuirão consideravelmente, fato da
mais alta relevância em tempos em que os valores por chamada
alcançam patamares absurdos.

Deve-se frisar, por fim, que, em tratamento claramente


anti-isonômico, a Anatel e a Brasil Telecom S.A. consideram o
município de Gaspar como área contínua a Blumenau, mas, sem
qualquer razão plausível, não conferem o mesmo tratamento a
Pomerode, igualmente cidade da região metropolitana de Blumenau,
conforme texto da Lei Complementar Estadual nº 162/98.

Por outro lado, não apontam qualquer dificuldade em


tarifar como locais as ligações entre o centro de Blumenau e o
distante bairro de Vila Itoupava, que dista mais de 30 km.

4. Direito

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Em 3 de junho de 2004, depois de longas batalhas


políticas e judiciais entre os Municípios, Estados, Anatel e Ministério
das Comunicações, editou-se a Resolução nº 373/2004, da Agência
Nacional de Telecomunicações, instituindo-se o Regulamento sobre
Áreas Locais para o Serviço Telefônico Fixo Comutado – STFC.

A Resolução nº 373/2004, em síntese, determina os


critérios para que a tarifação de ligações entre uma e outra
localidade sejam ou não consideradas de longa distância ou locais.

Para tanto, no art. 3º inicialmente a Resolução fixa alguns


conceitos que, por amor à clareza, devem ser neste momento
transcritos:

a) área local – área geográfica contínua de prestação de


serviços, definida pela Agência segundo critérios técnicos e
econômicos, onde é prestado STFC [telefonia fixa] na modalidade
local;

b) localidade – toda a parcela circunscrita do território


nacional que possua um aglomerado permanente de habitantes,
caracterizada por um conjunto de edificações, permanentes e
adjacentes, formando uma área continuamente construída com
arruamentos reconhecíveis, ou dispostas ao longo de uma via de
comunicação, tais como capital federal, capital estadual, cidade,
vila, aglomerado rural e aldeia;

c) área de continuidade urbana – resultado da fusão de


duas ou mais localidades de forma a constituir um todo
continuamente urbanizado, podendo, entretanto, ocorrer
descontinuidade de até 1000 (mil) metros ou por motivo de acidente
aquático, como rio, lago, baía ou braço oceânico.
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Assim, diante da sistemática da Resolução nº 373/2004,


em princípio a área local de tarifação equivale à área geográfica de
um município, sendo que, por exceção, pode a área local equivaler à
área geográfica de um conjunto de municípios.

Assim está redigido o art. 4º da Resolução nº 373/2004:


“Área local é definida como a área geográfica de um Município ou de
um conjunto de Municípios”.

A partir deste conceito, a própria Resolução nº 373/2004


estabeleceu o rol de conjuntos de municípios que inicialmente
entendia como constituindo um todo urbano contínuo.

Em Santa Catarina, por exemplo, foram assim


consideradas como de área local o conjunto de municípios formado
por Biguaçu, Florianópolis, Palhoça e São José; o conjunto de
municípios formado por Guaramirim, Jaraguá do Sul e Schroder; e o
conjunto de municípios formado por Araquari, Joinville e Garuva. Tais
informações constam no Anexo I da Resolução nº 373/2004,
reproduzido parcialmente nestes autos.

No entanto, apesar de haver nítida continuidade urbana


entre Pomerode e Blumenau, fato admitido até mesmo pela Agência
de Telecomunicações, como se viu, quando da edição da Resolução
nº 373/2004, a Anatel deixou de conferir tratamento local nas
ligações realizadas entre Pomerode e Blumenau, diferentemente do
que fez entre Blumenau e Gaspar, acarretando inúmeros e notórios
prejuízos.

Em outras palavras, apesar de a própria Anatel


reconhecer que há continuidade urbana entre Blumenau e
Pomerode, por motivos que se desconhece – e que talvez melhor
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seja nem conhecer – deixou de determinar à concessionária de


telefonia fixa a tarifação como local, beneficiando unicamente à
Brasil Telecom S.A. em detrimento de toda a população envolvida.

Restaria apenas desafiar por completo a Resolução nº


373/2004 e argumentar que, por ser contraditória em si mesmo,
deve ser adequada pelo Poder Judiciário.

No entanto, a própria Resolução abre espaço para essa


adequação, ao prever que a Agência, de ofício ou mediante
provocação da concessionária, poder incluir “localidades de áreas
locais distintas que, a qualquer instante, se enquadrem na definição
de áreas com continuidade urbana”4.

O canal para tal adequação está aberto pela norma do


art. 9º da Resolução: “O procedimento de revisão de áreas locais e
das situações de tratamento local inclui a realização de consulta
pública que pode ser iniciado por solicitação da concessionária ou
por iniciativa da Anatel”.

A regra é complementada pelo §2º: “Localidade que, na


data de vigência deste regulamento, reúnam as condições previstas
nos incisos II e III do art. 7º, e que não estejam relacionadas no
Anexo II, podem ser incluídas a qualquer tempo no referido Anexo
pela Anatel, sem necessidade de realização de Consulta Pública”.

E, por fim, o §3º do art. 9º da Resolução obriga as


concessionárias a prestar as informações referentes às localidades,

4
Art. 7º, III, da Resolução nº 373/2004: “Art. 7º. Serão observados os seguintes critérios
para efeito de prestação do STFC: [...] III – devem ter tratamento local e ser incluídas no
Anexo II as localidades de áreas locais distintas que, a qualquer instante, se enquadrem
na definição de áreas com continuidade urbana”.

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informação que, segundo resposta da Anatel, até o momento não foi


prestada pela Brasil Telecom S.A.

Assim, em síntese: a) para a Resolução 373/2004, as


áreas com continuidade urbana devem ser consideradas como área
local, sujeitas, portanto, a tarifação local; b) Pomerode e Blumenau
são áreas com continuidade urbana, como comprova o croqui, as
fotografias, a Lei Complementar nº 162/98 e o relatório de
fiscalização apresentado pela própria Anatel; c) no entanto, a Anatel
permite, e a Brasil Telecom exige, tarifas de longa distância entre
Pomerode e Blumenau; d) a Resolução nº 373/2004 impõe à Anatel e
à Brasil Telecom o dever de reformular o sistema de áreas locais
quando houver comprovada continuidade urbana, como é o caso dos
autos.

Outra conclusão não é possível: tanto a Anatel como a


Brasil Telecom S.A. ferem severamente o direito de todos os
consumidores do serviço de telefonia fixa em Blumenau e Pomerode
que desejem comunicar-se entre si, onerando injusta e
excessivamente a prestação do serviço pela exigência de tarifa
adicional por chamada de longa distância.

Fere a Anatel, portanto, a própria Lei Geral de


Telecomunicações, que impõe a si a obrigação de defesa do
consumidor, de redução das desigualdades regionais e
sociais e de repressão ao abuso do poder econômico. Vale
transcrever o dispositivo da Lei nº 9.472/97:

Art. 5º - Na disciplina das relações econômicas no setor de


telecomunicações observar-se-ão, em especial, os princípios
constitucionais da soberania nacional, função social da
propriedade, liberdade de iniciativa, livre concorrência,
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defesa do consumidor redução das desigualdades


regionais e sociais, repressão ao abuso do poder
econômico e continuidade do serviço prestado no regime
público.
Além desse dispositivo, o art. 38 da Lei nº 9.472/97
determina que a “atividade da Agência será juridicamente
condicionada pelos princípios da legalidade, celeridade, finalidade,
razoabilidade, proporcionalidade, impessoalidade, igualdade,
devido processo legal, publicidade e moralidade”, princípios
indubitavelmente desprezados com a atitude das requeridas.

No entanto, a Agência Nacional de Telecomunicações e a


empresa Brasil Telecom S.A. fazem pouco caso da legislação
brasileira e de seus próprios regulamentos, isolando aos poucos a
cidade de Pomerode de sua irmã Blumenau. E esta prática, não é
demais salientar, é absolutamente arbitrária, porque Pomerode
preenche todos os requisitos ditados pela própria Agência
Reguladora.

Pelo que se nota da Resolução nº 85/1998 (fl. 15) que


dispõe sobre o Regulamento do Serviço Telefônico Fixo Comutado,
pesa muito mais para a Anatel para definir a área local, o interesse
econômico do que a situação fática e geográfica do Município, pois
no artigo 4º expressa o Regulamento a seguinte definição:

Art. 4º. As Áreas Locais são definidas pela Agência,


considerando:
I - o interesse econômico;
II - a continuidade urbana;
III – a engenharia das redes de telecomunicações; e
IV – as localidades envolvidas.”

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Ao Poder Judiciário cumpre reparar a ilegal arbitrariedade.


É inadmissível que empresas concessionárias de serviços públicos,
essenciais à população, atuem de forma tão ilegal, afastando as
famílias, pessoas ligadas por laços bem mais estreitos do que se
pode aferir numa simples reflexão, de forma a prejudicar o comércio,
a integração regional e dificultar o progresso que tem como
premissa a comunicação entre os cidadãos.

Em outras ocasiões a que foi chamado a decidir sobre a


questão, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região não titubeou
diante de tamanha injustiça. Num primeiro caso, julgado em 2004
pela 4ª Turma do TRF, reconheceu-se que, por imperativo do
princípio da isonomia, “Se o município de Guaíba, limítrofe do
Município de Eldorado do Sul e mais distante de Porto Alegre do que
esse, recebe tratamento de área conurbada, justamente por compor
a região metropolitana de Porto Alegre, não há como sustentar que o
Município de Eldorado do Sul tenha qualquer outra restrição ou
limitação que impeça o mesmo tratamento”5.

Igual foi o entendimento da 4ª Turma em decisão recente,


de 16 de novembro de 2005, quando decidiu que também o
Município de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, deve
ser submetido a regime tarifário local e não de longa distância6.

Não há dúvidas, portanto, que a ação das requeridas


desrespeitou direitos básicos dos consumidores. Dentre as violações,
podemos destacar os artigos 39 e artigo 51 da Lei n.º 8.078/90, que
rezam:

5
AC nº 2002.71.00.014675-5/RS, rel. Valdemar Capeletti, j. 30.6.2004.
6
AI nº 2005.04.01.051616-3/SC, rel. Valdemar Capeletti, j. 16.11.2005.

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Art. 39. É vedado ao fornecedor de produtos ou serviços,


dentre outras práticas abusivas: [...]
V - exigir do consumidor vantagem manifestamente
excessiva;

Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas


contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços
que: [...]
IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas,
que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou
sejam incompatíveis com a boa-fé ou a eqüidade; [...]
§ 1°. Presume-se exagerada, entre outros casos, a vantagem
que: [...]
III – se mostra excessivamente onerosa para o consumidor,
considerando-se a natureza e conteúdo do contrato, o
interesse das partes e outras circunstâncias peculiares ao
caso.

No caso em exame, há claro abuso na definição do


sistema de tarifação pela Anatel, em evidente e desmedida
vantagem da Brasil Telecom S.A., tudo em prejuízo dos usuários de
telefonia fixa, especialmente dos residentes em Pomerode.

Veja-se que situações como a engenharia de redes não


podem ser suscitadas para justificar a atual situação porque, em
casos semelhantes, a tarifação é local e não há qualquer dúvida de
ser esta a solução mais justa7. Veja-se, por exemplo que se um

7
Veja-se que no Informe nº 312, da Anatel, ficou consignado que “4.2.8. A continuidade
urbana, em face de sua importância como parâmetro definidor de área local, e o fato de
localidades de municípios distintos pertencerem à mesma área local, na data da vigência
do regulamento, foram considerados, no projeto, como condição necessária e suficiente
para que seja aplicado tratamento de área local à prestação de serviços de
telecomunicações em localidades com essa característica, em qualquer situação, mesmo
quando a continuidade urbana seja observada entre localidades de áreas de numeração
distintas” (fl. 51).

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morador do bairro Vila Itoupava, em Blumenau, distante mais de


30km do centro de Blumenau, discar para a Justiça Federal, pagará
uma ligação local, ao passo que se um morador do bairro Testo
Central, em Pomerode, fizer a mesma ligação, embora esteja a
pouco mais de 15 km do centro de Blumenau, pagará uma ligação
de longa distância.

Diante desses fatos, e da injustiça que representa a falha


no sistema de tarifação imposto pela Agência Nacional de
Telecomunicações aos consumidores do serviço de telefonia fixa na
região, é imprescindível a urgente tutela jurisdicional para o fim de
compelir as requeridas a considerarem como locais todas as ligações
realizadas entre Pomerode e Blumenau.

4.1. Responsabilidade por danos patrimoniais e extrapatrimoniais –


difusos e individuais homogêneos

O art. 20 do Código de Defesa do Consumidor disciplina


que “o fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade
que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor,
assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as
indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo
o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha: [...] II – a
restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada,
sem prejuízo de eventuais perdas e danos; III – o abatimento
proporcional do preço”.

Por outro lado, os incisos IV e VI do art. 6º do Código de


Defesa do Consumidor erigem à categoria de direito básico do
consumidor a proteção contra a métodos coercitivos ou desleais,
bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no

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fornecimento de produtos ou serviços”, bem como a efetiva


prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais,
inclusive sob o aspecto coletivo e difuso.

Por tudo que se viu até o momento, o serviço de telefonia


fixa prestado pela segunda requerida com a chancela da primeira
está em desacordo com a legislação e com os regulamentos
vigentes.

Os consumidores lesados, portanto, substituídos nesta


Ação Civil Pública pelo Ministério Público, têm o direito de ser
reparados dos danos patrimoniais sofridos, ou seja, têm direito à
restituição dos valores cobrados por tarifas de longa distância desde
a data em que passou a ser possível à Brasil Telecom e à Anatel a
modificação do sistema em Blumenau, ou seja, a partir de 2 de
dezembro de 2004 (180 dias da vigência da Resolução nº 373/2004,
conforme §3º do art. 9º).

Para tanto, após a constituição do título executivo judicial


que condene genericamente8 a requerida à restituição ou ao
abatimento proporcional do preço, poderão as vítimas ou seus
sucessores, ou ainda o próprio Ministério Público, liquidar a sentença
e executá-la.

Mas, além do dano individual homogêneo acima tratado,


a prática abusiva gerou também responsabilidade civil a título
difuso, porquanto lesou número indeterminável de pessoas em
montante indivisível.

8
Art. 95 do Código de Defesa do Consumidor: “Em caso de procedência do pedido, a
condenação será genérica, fixando a responsabilidade do réu pelos danos causados”.

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De fato, uma vez posto em prática o sistema de tarifação


anti-isonômico pelas requeridas, mesmo com o dever de adequá-lo
(§3º do art. 9º da Resolução nº 373/2004), é evidente que
quantidade indeterminável de interessados deixou de efetuar
ligações, pagou mais caro por ligações realizadas em telefones
públicos (pessoas que jamais poderão ser identificadas), e, enfim,
perdeu dinheiro por força do sistema de tarifação.

A conduta das requeridas, de igual forma mas por outra


causa, gera o dever de indenizar, desta feita a título difuso. O dano
causado é extrapatrimonial, porque flagrantemente lesionada a
confiança9 do consumidor através da geração de uma expectativa
não confirmável objetivamente. Pôs-se em xeque, assim, a
credibilidade da relação jurídica existente entre os consumidores e
entre a requerida10, pois tinham em mente estar diante de tarifação
legal – ou pelo menos autorizada pela Anatel mediante obediência a
critérios justos.

E, assentando-se o dano extrapatrimonial difuso


justamente na agressão a bens e valores jurídicos que são inerentes
a toda a coletividade, de forma indivisível, não há como negar que
conduta como a das rés abala o patrimônio moral da coletividade,
pois é coletivo o sentimento de ofensa e desrespeito que o cidadão e
9
A confiança, ou boa-fé objetiva, é princípio da Política Nacional de Relações de
Consumo, conforme prevê o art. 4º, III, in fine, do CDC. Para Luiz Antônio Rizzatto Nunes,
“quando se fala em boa-fé objetiva, pensa-se no comportamento fiel, leal, na atuação de
cada uma das partes contratantes a fim de garantir respeito à outra. É um princípio que
visa garantir a ação sem abuso, sem obstrução, sem causar lesão a ninguém, cooperando
sempre para atingir o fim colimado no contrato, realizando os interesses das partes”
(NUNES, Luiz Antônio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. São
Paulo : Saraiva, 2000. p. 108).
10
Veja-se que segundo o art. 29 do Código de Defesa do Consumidor, equiparam-se aos
consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas comerciais
previstas nos arts. 30 e seguintes: oferta, publicidade, práticas abusivas, cobrança de
dívidas e bancos de dados e cadastros de consumidores.

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sua família acabam experimentando com a prática enganosa a que


foram expostos.

Ao dissertar sobre o dano moral coletivo, o professor


André de Carvalho Ramos assinalou com muita propriedade:
“Devemos considerar que tratamento aos chamados interesses
difusos e coletivos origina-se justamente da importância destes
interesses e da necessidade de uma efetiva tutela jurídica. Ora, tal
importância somente reforça a necessidade de aceitação do dano
moral coletivo, já que a dor psíquica que alicerçou a teoria do dano
moral individual acaba cedendo lugar, no caso de dano moral
coletivo, a um sentimento de desapreço e de perda de valores
essenciais que afetam negativamente toda uma coletividade.
Imagine-se o dano moral gerado pela propaganda enganosa ou
abusiva. O consumidor potencial sente-se lesionado e vê aumentar
seu sentimento de desconfiança na proteção legal do consumidor,
bem como seu sentimento de cidadania”11.

O valor da indenização a ser pleiteada, também por esses


motivos, deve levar em conta o desvalor da conduta, a extensão do
dano e o poder aquisitivo da requerida.

Não se pode conceber que numa sociedade democrática,


onde se espera e se luta pelo aperfeiçoamento dos mecanismos que
venham garantir ao cidadão o pleno exercício dos atributos da
cidadania, inclusive com a efetiva implementação da legislação
consumerista, onde estão esculpidas garantias básicas ao
consumidor como o respeito à vida, à saúde, à dignidade, à
adequada informação acerca do produto, tenham lugar condutas

11
Revista de Direito do Consumidor nº 25. Editora Revista dos Tribunais, p. 82.

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como as das rés, que, ludibriando o consumidor, auferem lucros


astronômicos cobrando tarifas que jamais seriam devidas.

É dentro desse mesmo contexto que não se pode


esconder a grande extensão do dano causado, pois além de agredir
interesses garantidos por lei ao consumidor, o procedimento
denunciado gerou sentimento de descrença e desprestígio da
sociedade com relação aos poderes constituídos e ao sistema de um
modo geral.

A jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de


condenação do responsável por danos extrapatrimoniais coletivos:

DANO MORAL COLETIVO - POSSIBILIDADE - Uma vez


configurado que a ré violou direito transindividual de ordem
coletiva, infringindo normas de ordem pública que regem a
saúde, segurança, higiene e meio ambiente do trabalho e do
trabalhador, é devida a indenização por dano moral coletivo,
pois tal atitude da ré abala o sentimento de dignidade, falta de
apreço e consideração, tendo reflexos na coletividade e
causando grandes prejuízos à sociedade12.
Assim, presente o dano extrapatrimonial, consistente na
lesão das normas aplicáveis ao sistema de tarifação de telefonia
fixa, e presente o nexo de causalidade entre o dano e a conduta da
requerida, nasce o dever de repará-lo, cabendo indenização pelos
danos causados.

O Ministério Público, portanto, entende ser devida


indenização aos consumidores que, embora não identificáveis, foram
enganados pela conduta das requeridas.

12
TRT 8ª R. - RO 5309/2002 - 1ª T. - Rel. Juiz Luis José de Jesus Ribeiro - j. 17.12.2002.
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PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE BLUMENAU
PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

Tal indenização, como é natural em sede de direitos


difusos, deverá reverter ao fundo de reconstituição de bens lesados
(art. 13 da Lei nº 7.347/85). Em Santa Catarina, o Fundo para
Reconstituição dos Bens Lesados foi criado pelo Decreto nº 1.047, de
10 de dezembro de 1987.

Por fim, saliente-se que, por se tratar de interesses


difusos, somente com a publicação da sentença em jornal de grande
circulação no Estado de Santa Catarina é que terão os consumidores
afetados verdadeiras condições de buscarem o ressarcimento
individual.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul já se


posicionou nesse sentido: “Ação Civil Pública e coletiva. Proibição de
estabelecimento no Estado do Rio Grande do Sul e indenização pelos
prejuízos causados. Publicação da sentença e extensão aos
consumidores não identificados na ação. A divulgação da sentença
de procedência da ação civil pública e coletiva, por meio de edital,
se faz imprescindível para conhecimento das vítimas em geral, a fim
de que, em liquidação, provada a lesão, possam habilitar-se no
processo a fim de receber o valor da indenização devida”13.

5. Antecipação da tutela específica da obrigação de fazer e de não


fazer

Segundo dispõe o art. 84 do Código de Defesa do


Consumidor, “na ação que tenha por objeto o cumprimento da
obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica
da obrigação ou determinará providências que assegurem o

13
TJRS, Apelação Cível nº 599262870, rel. Henrique Osvaldo Poeta Roenick, j. 5.8.1999,
14ª Câmara Civil.

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PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

resultado prático equivalente ao do adimplemento”. Para tanto,


“sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado
receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a
tutela liminarmente ou após justificação prévia, citado o réu”.

No caso dos autos, pretende-se, além das indenizações,


comando judicial que determine, desde já, o cumprimento de
obrigação de fazer, consistente em alterar o sistema de tarifação
para permitir ligações telefônicas locais entre os
consumidores de Pomerode e os de Blumenau.

O fundamento da demanda (fumus boni juris) é relevante,


como apontado, até porque há farta jurisprudência a respeito,
inclusive no Tribunal Regional Federal da 4ª Região. O periculum in
mora também é justificado, pois uma vez exigida tarifa superior à
devida, será improvável que os consumidores consigam futuramente
ver-se ressarcidos dos valores cobrados indevidamente.

Saliente-se, ainda, que por se tratar de questão


diretamente afeta à economia de duas cidades, o dano não é
experimentado apenas pelos consumidores do serviço de telefonia
fixa, mas colateralmente pela população em geral, notadamente
quando por via reflexa serviços se tornam mais caros em
decorrência das altas tarifas.

Deve, portanto, ser imposta multa diária às rés,


entendendo o Ministério Público ser suficiente e compatível com a
obrigação valor não inferior a R$ 15.000,00 (quinze mil reais) por dia
de atraso, para cada uma das requeridas.

Por outro lado, frise-se não haver perigo algum de


irreversibilidade do provimento antecipatório, porque, de qualquer
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PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE BLUMENAU
PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

forma, podem ser facilmente reavidos os valores que deixarem de


ser cobrados, bastando para tanto a inclusão do débito nas faturas
seguintes.

7. Pedidos

Ante o exposto, o Ministério Público Federal e o Ministério


Público do Estado de Santa Catarina requerem:

a) o recebimento e autuação da presente ação civil


pública;

b) a publicação de edital nos termos do art. 94 do Código


de Defesa do Consumidor;

c) a antecipação dos efeitos da tutela para determinar a


imediata sustação da cobrança de tarifas de longa distância sobre
ligações telefônicas realizadas entre terminais telefônicos instalados
na cidade de Pomerode e Blumenau, com a eliminação da
necessidade de discagem do código de operadora para ligações
locais, concedendo-se, para tanto, prazo não superior a 30 (trinta)
dias para a efetiva implantação da obrigação de fazer;

d) seja a co-demandada Brasil Telecom obrigada a inserir


nas faturas dos consumidores dos Municípios de Blumenau e
Pomerode a seguinte inscrição: “De acordo com decisão proferida
pela Justiça Federal, a pedido do Ministério Público Federal e do
Ministério Público do Estado de Santa Catarina (Promotoria de
Pomerode), foi suspensa a cobrança de tarifa de longa distância
(interurbano) nas ligações entre os municípios de Pomerode e
Blumenau”;

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PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE BLUMENAU
PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

e) a fixação de multa diária, para cada requerida, de R$


15.000,00 (quinze mil reais), para caso de descumprimento da
decisão de antecipação de tutela – no caso da Anatel, a multa deve
ser pessoal ao Presidente da Agência;

f) a citação das demandadas para, em assim querendo,


responderem aos termos da presente demanda, sob pena de revelia,
confissão e aceitação do pedido;

g) sejam deferidos todos os meios de prova admitidos em


direito, especialmente pericial, a ser especificada no curso da ação;

h) seja determinado à Brasil Telecom S.A. que informe por


escrito e em meio eletrônico os valores cobrados de cada um dos
consumidores de Blumenau e Pomerode nas ligações de longa
distância realizadas entre um e outro município e vice-versa, para
fins de ulterior liquidação;

i) ao final, sejam julgados procedentes os pedidos,


tornando definitiva a antecipação da tutela, com os seguintes
provimentos judiciais:

i1) a declaração da ilegalidade da cobrança de tarifas por


ligações telefônicas efetuadas para e por terminais instalados na
cidade de Pomerode, como se de longa distância fossem,
relativamente ao município de Blumenau;

i2) a condenação da Anatel a incluir no Anexo I da


Resolução nº 373/2004 a cidade de Pomerode como município da
área local de Blumenau, sob pena de cominação da multa diária no
valor de R$ 30.000,00 (dez mil reais);

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PROCURADORIA DA REPÚBLICA NO MUNICÍPIO DE BLUMENAU
PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE POMERODE

i3) a condenação ao ressarcimento do dano


extrapatrimonial, em valor a ser arbitrado pelo juízo em montante
não inferior a R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a ser pago
solidariamente pelas duas requeridas, bem como aos danos
patrimoniais causados aos consumidores a serem identificados,
computados a partir de 2 de dezembro de 2004, conforme cálculo a
ser realizado posteriormente à prestação das informações pela
concessionária (pedido ‘i’);

j) a condenação das requerida em custas, despesas


processuais e honorários advocatícios (estes conforme art. 4º do
Decreto Estadual nº 2.666/04, em favor do Fundo de Recuperação
de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina).

Dá-se à causa o valor de R$ 530.000,00 (quinhentos e


trinta mil reais).

Pomerode/Blumenau, 13 de janeiro de 2006

Eduardo Sens dos Santos João Marques Brandão Néto


Promotor de Justiça Substituto Procurador da
República

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