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MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA

EXCELENTÍSSIMA SENHORA JUÍZA DE DIREITO DA COMARCA DE


POMERODE

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA


CATARINA, por seu Promotor de Justiça ao final assinado, com
fundamento nos arts. 127 e 129, III, da Constituição da República, bem
como no art. 82, I, do Código de Defesa do Consumidor e nos art. 3º da
Lei nº 6.938/8 e na legislação municipal e estadual em vigor, propõe
AÇÃO CIVIL PÚBLICA, em defesa dos direitos e interesses do
moradores da rua Max Marquardt, em Pomerode, em face de:

MUNICÍPIO DE POMERODE, pessoa jurídica de direito


público, inscrito no CNPJ sob o nº 83.102.251/0001-04, domiciliada na
rua XV de Novembro, 525, em Pomerode;

DAARTI COMERCIAL LTDA., pessoa jurídica de direito


privado, representada por seu sócio-gerente Rangel Dário Bonatti,

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inscrita no CNPJ sob o nº 81.854.580/0001-86, domiciliada na rua


Castelo Branco, 145, em Pomerode;

AGROPECUÁRIA POMMERLINK LTDA., pessoa jurídica de


direito privado, representada por seu sócio-gerente Vilmar Link,
domiciliada na rua Hermann Weege, 1.551, Pomerode.

1. Objeto da ação

Esta ação civil pública tem por objetivo obter provimento


jurisdicional que declare a ocorrência de dano ambiental pelas práticas
das empresas Daarti Comercial Ltda. e Agropecuária Pommerlink Ltda.
em se utilizarem de área residencial para, em descordo com a
legislação municipal vigente, depositar materiais de construção e fazer
trafegar veículos pesados.

Visa também esta ação obter indenização pelos danos


extrapatrimoniais causados pela prática ilegal das empresas e pela
conivência do Município, geradora de transtornos e desconfortos pela
poluição sonora e atmosférica causada (ruído, poeira, sujeira).

2. Síntese da lide

Em 18 de abril de 2005 aportou na Promotoria de Justiça da


Comarca representação dos moradores da rua Max Marquardt, em
Pomerode, dando conta de que há mais de sete anos vêm buscando
resolver os problemas que têm sido causados na vizinhança pelo
tráfego intenso de veículos pesados, de poeira e de lama.

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Relatam que em 1998 conseguiram, com cooperação


mútua, a aplicação de camada asfáltica na rua Max Marquardt. No
entanto, embora todos os vizinhos tenham aderido ao plano do
Município, a Agropecuária Pommerlink não demonstrou interesse,
deixando de cooperar com os custos da obra.

Demonstrando má-fé, todavia, passou a Agropecuária a


utilizar-se da rua asfaltada para permitir o acesso de seus pesados
caminhões ao galpão onde carrega e descarrega produtos. Como a rua
é projetada para suportar apenas seis toneladas de carga por eixo,
assim o fez em desacordo com a legislação vigente, que proíbe o
trânsito de veículos que possam ocasionar danos à via pública (art. 14 da

Lei Complementar nº 31/96).

Não bastasse isso, pouco tempo depois outra empresa, a


Daarti Comercial Ltda. construiu depósito de materiais de construção
no terreno que fica ao final da rua Max Marquardt e passou a utilizar a
via para transportar caminhões carregados de areia, brita, cimento,
telhas, madeira e outros materiais de construção sabidamente
pesados. Evidentemente, os caminhões, além de extrapolarem o peso,
causam ruído excessivo no trajeto e carregam barro e poeira em seus
pneus, culminando assim por poluir o ambiente.

Como se verá adiante, a empresa Daarti Comercial Ltda.


não poderia ter-se instalado no local, pois se trata de área residencial
de uso exclusivamente uni e multifamiliar.

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Igualmente não poderia a Agropecuária Pommerlink Ltda.


fazer seus caminhões passarem pela rua que não suporta o peso e
fatalmente se danificará com a atitude.

Por diversas vezes os moradores e esta Promotoria de


Justiça tentaram em vão utilizar-se das vias extrajudicias cabíveis para
sanar o problema.

Em 30 de julho de 2003 foi a empresa notificada pelo


Município de Pomerode a evitar o carreamento de materiais para as
propriedades vizinhas e para os logradouros, conforme determina o art.
42 do Código de Obras do Município de Pomerode. Foi, na mesma
ocasião, notificada a não embaraçar ou impedir o livre trânsito
pedestres nos passeios públicos, uma vez que estava depositando
material sobre as calçadas (art. 14 do Código de Posturas).

A mesma notificação, desta feita relativamente apenas ao


carreamento de barro, foi reiterada em 18 de março de 2005 pelo
Município de Pomerode.

Em 6 de maio de 2005 esta Promotoria de Justiça


recomendou ao Prefeito Municipal de Pomerode que notificasse a
empresa a transferir o depósito de materiais de construção do local,
revogando-se o alvará de localização e funcionamento até então
irregularmente expedido, pois as simples notificações que até então
vinham sendo emitidas não se demonstravam suficientes.

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Em resposta a esta recomendação da Promotoria de Justiça,


o Município de Pomerode novamente notificou a empresa a transferir
seu depósito de materiais para local compatível em trinta dias. Em
seguida, sobreveio ao Procedimento Administrativo instaurado no
Ministério Público informação de que referido prazo havia sido
estendido para sessenta dias.

Aguardou-se pacientemente o elástico prazo e novamente


se verificou que nada havia sido feito pela empresa para dar fim ao
problema ambiental que causava. Assim, e já vislumbrando eventual
inércia da Administração Municipal em por bem fazer cumprir sua
própria legislação, a Promotoria de Justiça recomendou a interdição do
estabelecimento, providência que já deveria ter sido tomada pelo
Município quando da primeira notificação.

Tal recomendação novamente não foi atendida. Apenas


recebeu esta Promotoria de Justiça na data de hoje cópia de “acordo
extrajudicial” firmado pelo Município com a empresa e que, na prática,
concede novo prazo de sessenta dias para promover a mudança de
local de suas instalações físicas.

Verifica-se, assim, que além de haver nítida infringência ao


bom senso, a empresa Daarti não se demonstra preocupada com as
conseqüências que sua atitude pode gerar: responsabilidade
administrativa, civil e criminal.

Por sua vez, os órgãos competentes do Município de


Pomerode, embora tenham as mais diversas explicações para o fato

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(mau tempo, dificuldades financeiras da empresa, demora em


encontrar local adequado, burocracia), vêm sendo evidentemente
desidiosos no exercício de uma de suas mais importantes atividades,
que é o ordenamento da cidade (art. 2º do Estatuto da Cidade).

Por esses motivos, a providência requerida nestes autos é


necessária, uma vez que nenhum dos órgãos executivos competentes
adotou as providências para de forma rápida e eficaz evitar os
transtornos que vêm sendo causados aos moradores da rua Max
Marquardt.

Quanto à Agropecuária Pommerlink Ltda. há ainda que se


deixar claro que sem sombra de dúvidas sua conduta não se pautou
pela boa-fé. A empresa, sabendo que faria uso da via para fazer chegar
os caminhões com produtos em seu pátio, e que o asfaltamento da via
lhe traria grandes vantagens, mesmo assim optou por não cooperar
com os demais moradores no rateio dos custos do asfaltamento. Agora,
depois de tudo concluído, depois dos esforços das famílias para
trazerem mais conforto a suas residências, tem a Agropecuária a
desfaçatez de utilizar-se da via em flagrante desacordo com sua
capacidade.

3. Direito

3.1. Embargo judicial da obra

Para a Lei nº 6.938/91, considera-se poluição a “degradação


da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou
indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da

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população; b) criem condições adversas às atividades sociais e


econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as
condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem
matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais
estabelecidos” (art. 9º, III).

No caso dos autos, a atividade das empresas Daarti e


Agropecuária Pommerlink causa flagrante prejuízo ao bem-estar da
população residente nas suas proximidades, além de criar condições
adversas às atividades sociais mais simples do dia a dia da
comunidade, como por exemplo a limpeza das casas.

De fato, ao fazer seus caminhões transportarem


diariamente, durante os horários mais inconvenientes, areia, barro,
cimento, telhas e outros materiais pesados pela pequena rua Max
Marquardt, a empresa Daarti e a Agropecuária Pommerlink geram
poluição ambiental, impedindo o sossego das famílias e o perfeito
ordenamento urbano.

Mas não é só este dispositivo legal que infringem as


requeridas.

A Lei Complementar nº 28, do Município de Pomerode, que


institui o código de zoneamento e uso do solo na cidade, determina em
seu art. 11 que as “zonas residenciais (ZR) são destinadas
predominantemente ou exclusivamente à função habitacional, com
densidades diferenciadas em função da capacidade de suporte das
áreas e das Diretrizes do Plano Diretor”.

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A mesma Lei Complementar considera haver três espécies


de zonas residenciais, dentre elas a Zona Residencial 3 (ZR3), que
compreende “área residencial uni e multifamiliar de média e alta
densidade” (art. 12, III).

Nessa área, conforme dispõem as tabelas anexas à Lei


Complementar nº 28, são inadequadas atividades de “comércio
atacadista”, ou seja, “armazéns, atacadistas, depósito para materiais
de construção e ferragens”.

Ora, ao observar que a rua Max Marquardt é considerada


ZR3, as atividades do galpão da empresa Daarti na rua Max Marquardt
são evidentemente inadequadas, pois lá justamente vêm sendo
depositados materiais de construção para revenda posterior.

Igualmente foi constado por ofício da empresa que realizou


a pavimentação asfáltica que a via é dimensionada para “tráfego leve
(média de três caminhões diários), para eixo padrão de 8,2T bruta por
eixo ou de 6T de carga por eixo”. Em outras palavras, há nítida
desobediência à legislação municipal, que assegura ao Município o
dever de “impedir o trânsito de qualquer veículo ou meio de transporte
que possa ocasionar danos à via pública” (art. 15 da Lei Complementar nº
1
31/96) .

1
Embora a redação do art. 15 da Lei Complementar Municipal disponha que o município
“poderá” impedir o trânsito, é evidente que tal comando contém verdadeira obrigação,
porque não se compadece com a ordem constitucional a passividade do município em
permitir a dilapidação do patrimônio público, conduta que pode configurar inclusive ato de
improbidade administrativa (art. 10, X, da Lei nº 8.429/92).

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Pois bem. Constatada a ocorrência de infração à legislação


municipal, a própria Lei Complementar nº 28 determina que se imporá
administrativamente “cassação do respectivo alvará, embargo
administrativo, demolição de obras e aplicação de multas, conforme
estipulado no Código de Obras” (art. 39).

Por sua vez, o Código de Obras do Município de Pomerode é


claro em determinar que as obras serão embargadas, sem prejuízo de
multa, quando “estiverem causando danos ao meio ambiente ou à via
pública, tendo sido previamente notificados” (art. 192, VI, da Lei
Complementar Municipal nº 30/96).

Portanto, sem sombra de dúvidas é imperiosa a interdição


das atividades do galpão da empresa Daarti na rua Max Marquardt,
pois a um só tempo causa dano ambiental e desobedece
flagrantemente a legislação urbanística municipal.

Igualmente é necessária ordem judicial que impeça a


Agropecuária Pommerlink de fazer passar veículos com peso superior a
seis toneladas de carga por eixo, mormente quando tem outra
passagem – não asfaltada – que poderá utilizar.

3.2. Danos extrapatrimoniais

Mas, diante de tamanha resistência e descaso com o


ordenamento jurídico nacional e municipal, que obrigou as vítimas do
dano ambiental a se socorrerem do Ministério Público e do Poder
Judiciário para verem amparado seu direito básico ao meio ambiente

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equilibrado e saudável (art. 225 da Constituição da República) faz-se necessária


ainda a imposição de condenação por danos extrapatrimoniais.

Isso porque, embora a lesão econômica aos moradores da


rua Max Marquardt não seja perceptível, a lesão moral é evidente.
Além das inúmeras idas à prefeitura para solicitar providências, das
conversas com o representante do Ministério Público e dos incômodos
que a simples presença de caminhões em áreas residenciais provoca,
viram os moradores desrespeitado seu direito fundamental ao
bem-estar e ao equilíbrio fundamental.

Para que não se tenha dúvidas do direito dos lesados – ora


substituídos pelo Ministério Público – vale transcrever o disposto no §1º
do art. 14 da Lei nº 6.938/81, que dispõe sobre a Política Nacional do
Meio Ambiente:

Sem obstar a aplicação das penalidades previstas neste artigo, é


o poluidor obrigado, independentemente da existência de culpa,
a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a
terceiros, afetados por sua atividade. O Ministério Público da
União e dos Estados terá legitimidade para propor ação de
responsabilidade civil e criminal, por danos causados ao meio
ambiente.

Tal regra decorre diretamente daquela do §3º do art. 225 da


Constituição da República, que determina que “as condutas e
atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e
administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados”.

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E, quanto à reparação do dano extrapatrimonial, também


em sede constitucional se colhe ser “assegurado o direito de resposta,
proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral
ou à imagem”, texto que a doutrina ensina não se resumir às condutas
lesivas à honra (calúnia, injúria ou difamação), mas que se estende a
toda sorte de ilegalidades.

Limongi França, por exemplo, ensina que o dano moral é


“aquele que, direta ou indiretamente, a pessoa física ou jurídica, bem
assim a coletividade, sofre no aspecto não econômico de seus bens
jurídicos”2.

Convém lembrar, por outro lado, que nada há no


ordenamento jurídico que vede a concessão de indenização por danos
extrapatrimoniais coletivos (no caso, individuais homogêneos), porque
é intuitivo que se várias pessoas são individualmente lesadas em
pequenas parcelas o conjunto de lesões é mais grave que a mera soma
delas.

Exemplo clássico disso é o dado em sede de direito coletivo


de consumo: a diminuição de um grama em cada saco de arroz não
gera grande lesão ao consumidor, mas causa dano coletivo de grande
monta, passível inclusive de prisão, por configurar crime contra as
relações de consumo (art. 7º, II, da Lei nº 8.137/90).

Cabe bem aqui a transcrição da conhecida lição do


professor André de Carvalho Ramos sobre o dano extrapatrimonial:
2
MORAES, Alexandre. Constituição do Brasil interpretada. 5ª. ed. São Paulo : Atlas, 2005. p.
209.

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“Devemos considerar que tratamento aos chamados interesses difusos


e coletivos origina-se justamente da importância destes interesses e da
necessidade de uma efetiva tutela jurídica. Ora, tal importância
somente reforça a necessidade de aceitação do dano moral coletivo, já
que a dor psíquica que alicerçou a teoria do dano moral individual
acaba cedendo lugar, no caso de dano moral coletivo, a um sentimento
de desapreço e de perda de valores essenciais que afetam
negativamente toda uma coletividade. Imagine-se o dano moral gerado
pela propaganda enganosa ou abusiva, O consumidor potencial sente-
se lesionado e vê aumentar seu sentimento de desconfiança na
proteção legal do consumidor, bem como seu sentimento de
cidadania”3.

O valor da indenização a ser pleiteada, também por esses


motivos, deve levar em conta o desvalor da conduta, a extensão do
dano e o poder aquisitivo das requeridas, e não somente o dano
individualmente sofrido pelas vítimas.

Não se pode conceber que numa sociedade democrática,


onde se espera e se luta pelo aperfeiçoamento dos mecanismos que
venham garantir ao cidadão o pleno exercício dos atributos da
cidadania, inclusive com a efetiva implementação da legislação
ambiental, onde estão esculpidas garantias básicas do cidadão como o
respeito à vida, ao bem-estar e à dignidade, tenham lugar condutas
como as dos requeridos.

3
Revista de Direito do Consumidor nº 25. Editora Revista dos Tribunais, p. 82.

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Por isso a jurisprudência tem reconhecido a possibilidade de


condenação do responsável por danos extrapatrimoniais coletivos:

DANO MORAL COLETIVO - POSSIBILIDADE - Uma vez configurado


que a ré violou direito transindividual de ordem coletiva,
infringindo normas de ordem pública que regem a saúde,
segurança, higiene e meio ambiente do trabalho e do
trabalhador, é devida a indenização por dano moral coletivo, pois
tal atitude da ré abala o sentimento de dignidade, falta de apreço
e consideração, tendo reflexos na coletividade e causando
grandes prejuízos à sociedade4.

Assim, presente o dano extrapatrimonial, consistente no


incômodo, na perturbação do sossego, na descrença nas autoridades, e
presente o nexo de causalidade entre o dano e as condutas dos
requeridos, nasce o dever de repará-lo, cabendo indenização pelos
danos causados, motivo pelo qual entende-se ser devida indenização
em favor de todos os moradores da rua Max Marquardt.

4. Pedidos

Ante o exposto, requer o Ministério Público:

a) o recebimento e processamento da presente ação civil


pública;

b) a concessão de liminar, inaudita altera pars, para:

b1) interditar de imediato o depósito da empresa Daarti


Comercial Ltda. da rua Max Marquardt;

4
TRT 8ª R. - RO 5309/2002 - 1ª T. - Rel. Juiz Luis José de Jesus Ribeiro - j. 17.12.2002.

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b2) determinar à ré Daarti que em 45 dias definitivamente


deixe de utilizar o imóvel da rua Max Marquardt e passe a ocupar local
urbanisticamente adequado, sob pena de multa de R$ 500,00 por dia
de atraso, multa esta a ser revertida em favor do Fundo de
Recuperação de Bens Lesados;

b3) determinar à Agropecuária Pommerlink Ltda. que não


faça transitar caminhões com mais de seis toneladas de peso por eixo
na rua Max Marquardt, sob pena de multa de R$ 500,00 por
infringência;

b4) determinar ao Município de Pomerode que fiscalize o


escorreito cumprimento das medidas dos itens “b1, b2 e b3”, sob pena
de multa pessoal ao prefeito de R$ 100,00 por dia de atraso;

b5) determinar à empresa Daarti Comercial Ltda. que


coloque em 48h pelo menos quatro folhas de papel do tipo A4 nas
paredes de seu galpão, todas plastificadas ou de qualquer modo
protegidas da ação da chuva e dos ventos, em local visível ao público,
da seguinte inscrição: “Estabelecimento interditado por decisão judicial
proferida na Ação Civil Pública Ambiental nº XXX, promovida pelo
Ministério Público do Estado de Santa Catarina”, em fonte times new
roman, tamanho 36;

c) a citação dos requeridos para, querendo, apresentarem a


defesa que entenderem pertinente;

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d) a inversão do ônus da prova, por ocasião do ingresso na


fase probatória5, se for o caso;

e) a condenação das empresas Daarti Comercial Ltda. e


Agropecuária Pommerlink Ltda. a solidariamente indenizarem os danos
extrapatrimoniais advindos de suas condutas, mediante pagamento de
indenização no valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) por família que
comprovar residência na rua Max Marquardt no período de janeiro de
1998 à data da interdição;

f) sejam tornadas definitivas as liminares concedidas,


proibindo-se a ré Daarti de utilizar o imóvel da rua Max Marquardt
como depósito de materiais e a Agropecuária Pommerlink de fazer
transitar caminhões com peso acima de seis toneladas por eixo, sob
pena de multa de R$ 500,00, por dia de atraso na primeira hipótese, e
por ocorrência na segunda hipótese;

f) a condenação dos requeridos a ratearem as custas e


despesas processuais, excluídos os honorários advocatícios, por força
do art. 44, I, da Lei nº 8.625/93.

Dá-se à causa o valor de R$ 24.000,00 (vinte e quatro mil


reais).

Pomerode, 3 de outubro de 2005

Eduardo Sens dos Santos

5
Hugo Nigro Mazzilli entende que o momento adequado para a declaração da inversão do
ônus da prova é o momento da produção da prova, e não o da sentença, como parte da
doutrina tem apregoado, pois é ilógico que somente quando finda a instrução processual
tenham as partes conhecimento da forma como devem conduzir a produção. MAZZILLI, Hugo
de Nigro. A defesa dos interesses difusos em juízo. 17ª ed. São Paulo : Saraiva, 2004. p. 164.

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Promotor de Justiça Substituto

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