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SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

HISTÓRIA - LICENCIATURA

TATIANE DA SILVA BORRÉ SANTOS

FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA

Parauapebas/PA
2016
TATIANE DA SILVA BORRÉ SANTOS

FUNÇÃO SOCIAL DA ESCOLA:

Trabalho apresentado ao Curso História - Licenciatura da


UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a
disciplina Sociedade Educação e Cultura, Educação
Inclusiva, Língua Brasileira de Sinais – Libras, Seminário
na Prática I, Educação a Distância.

Prof. Wilson Sanches, Regina Celia Adamuz, Sandra C.


Malzinoti vedoato, Marlizete Cristina Bonafini Steinle

Parauapebas/PA
2016
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3
2 DESENVOLVIMENTO ......................................................................................... 4
2.1 Que escola é está hoje? ................................................................................... 4
2.1.1 Escola e o acesso a Cultura ......................................................................... 5
3 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 7
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 8
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1 INTRODUÇÃO

A escola desenvolve um importante papel pautado na realidade, visando


transformação dos indivíduos e da sociedade, pois compreende que a
realidade não é algo pronto e acabado. Dentro desse contexto, a escola tem
um incontestável papel social no desenvolvimento de processos educativos, na
sistematização e socialização da cultura historicamente produzida pelos
homens, levando a inclusão através da quebra de paradigmas e do ensino as
diversas culturas e proporcionando um espaço de socialização que muitas
vezes é negligenciando fora do contexto escolar.
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2 DESENVOLVIMENTO

Nossa história nem de longe foi bonita e sem maculas.


Nos primeiros anos do Brasil, a educação que predominava era extremamente
exclusivista, onde descendentes de escravos e mulheres não tinham o direito a
aprender e aos pobres restava algumas escolas que só ensinavam a ler, escrever e
contar. Nesse contexto nasce um vislumbre distorcido da escola brasileira.

“Segundo o relatório de Liberato Barroso, apoiado em dados oficiais, em


1867, apenas 10% da população em idade escolar se matricularam nas
escolas primárias” (ARANHA, 2008, p. 223)1.

2.1 QUE ESCOLA É ESTÁ HOJE?

Em busca de uma escola para todos, em 1932, é escrito o Manifesto dos


Pioneiros da Educação Nova, que defendia a educação gratuita, publica, obrigatória,
laica, sem discriminação de cor, sexo, ou tipo de estudo, foi um grande passo para a
nova educação brasileira. Em 1987, o marco se deu através do Manifesto a Nação,
documento que exigia a garantia de alguns princípios, como educação sendo direito
de todos e dever do Estado, sendo adotado pela Carta Magma em 1988.
Como continuação desse processo, o Brasil passou por muitos percalços na formação
de sua identidade escolar e ainda continua na tentativa de oferecer um ensino de
qualidade de forma inclusiva e social.
O rápido crescimento do acesso escolar, não permitiram que as adequações e
medidas educacionais acompanhassem a necessidades imediatistas, e nesse
processo negligenciou-se a qualidade do ensino oferecido. Definitivamente as salas
superlotadas e o ensino generalizado promovido pela obrigatoriedade escolar,
trouxeram a luz problemas que, ao longo dos anos, tem sido amplamente debatido.
No artigo Função social da Escola e organização do trabalho pedagógico, José
Geraldo Silveira Bueno, descreve a contradição e os desafios enfrentados pela escola.
De um lado a transformação, a promoção a autonomia e o incentivo a liberdade
(Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica -2013 pg. 19)2 e do outro, a
necessidade de uma sociedade capitalista de apenas replicar conhecimentos de
forma a produzir indivíduos capazes de exercer suas atividades. Bueno, deixa claro
que a “universalização do acesso ao ensino obrigatório”, causou grandes problemas
para o sistema educacional.
Destacando o processo seletivo escolar, em forma de exclusão, onde indivíduos
provenientes de estruturas desfavoráveis, com menos acesso à cultura, passavam por
seleções que resultavam em baixo rendimento com consequente repetição e
desistência escolar, enquanto outros com acesso à cultura, de uma realidade
econômica mais favorecida, encontram maior facilidade em assimilar o ensino e
continuavam seus currículos escolares sem nenhum problema. Esse fracasso escolar
fez com que um novo modelo fosse implantado, onde o que prevalece é a continuidade
do aluno no programa escolar, sem a preocupação com a absorção do ensino. A
escola, sozinha, não é capaz de eliminar a desigualdade e a injustiça social, porem a
escola é capaz de compensar as dificuldades individuais oferecendo uma educação
de qualidade, considerando as diferenças de interesses, de ritmo, de cultura, de
classes sociais, etc., que existem dentro de um ambiente escolar, com participação
democrática, permitindo que se manifeste as diversidades e proporcionando a
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inclusão da comunidade. Cabe aqui ressaltar que a escola é um espaço de


socialização que pode ou não desenvolver o indivíduo socialmente. Para tanto é
necessário atravessar paradigmas, através de sua própria história, cultura local, ter
participação ativa da comunidade e construir uma organização política pedagógica
que promova uma inclusão genuína, proporcionando aos seus alunos um processo
de socialização e de aprendizagem de qualidade.
Bueno, em seu artigo, apresenta uma concepção crítica da escola, trazendo
em seu texto uma visão de transformação escolar, ressaltando que “a baixa qualidade
de ensino no Brasil é fruto de políticas educacionais que, apesar do discurso
democratizante, não privilegiaram a elevação da qualidade de ensino para todos,
cujos problemas afetaram, de forma mais drástica, as escolas públicas que se
voltaram ao atendimento de alunos oriundos das camadas populares. ”3 Na concepção
critica a educação é vista como um fator de transformação social e sendo o ponto
central para a construção das novas condições da vida humana, dando ao indivíduo,
tanto a formação básica e a técnica, permitindo ao mesmo, escolher em qual papel
melhor se enquadra na sociedade, divergindo da concepção positivista, onde o Estado
é o responsável pela educação do indivíduo, levando-o a se adaptar e cumprir as
regras estabelecidas, a fim de manter o status quo, para Bueno, “cada escola é uma
instituição social ímpar, única, com características próprias, fruto de sua história e das
relações sociais ali estabelecidas”, independente dos aspectos em comum que
possuam, por pertencerem a um sistema de ensino, cada escola é única e isso reforça
a concepção que cabe a essa escola o processo de se desenvolver a fim de se tornar
um ambiente que estimule a formação do indivíduo como cidadão.

2.1.1 Escola e o acesso a Cultura

Outra função da escola que contribui para a inclusão e desenvolvimento do


indivíduo é o acesso à cultura e a criação de um espaço de socialização. Sabendo
que os indivíduos não nascem portadores de cultura e que ela é aprendida no decorrer
da vida, as vezes imposta pela sociedade onde esse indivíduo está inserido, o acesso
à cultura, dentro do convívio escolar, permitirá que os indivíduos aprendam novas
experiências, capacidades, habilidades, valores, símbolos, normas, hábitos e
costumes, que lhes ajudará na socialização dentro da sociedade, respeitando as
diferenças e proporcionando uma construção da cidadania.
Através do projeto político pedagógico a escola definira um percurso escolar
de forma a distribuir nas disciplinas escolares esse conhecimento ao indivíduo,
considerando as suas devidas particularidades e individualidade. Ao proporcionar o
acesso à cultura, e criar um espaço de socialização aos indivíduos, a escola precisa
se adaptar as devidas particularidades de cada aluno, sendo necessário adequações
pedagógicas e de estrutura.
Segundo o último levantamento realizado pelo IDEB 4, das 183.487 escolas
(públicas e privadas) existentes no Brasil, apenas 26% (47.282 escolas) possuem
dependências acessíveis aos portadores de deficiência, esses dados demostram que
o pais avançou em inclusão social e de pessoas com necessidades especiais, porém
ainda há muito a fazer. O ensino de História é uma das disciplinas que contribui
ativamente para o acesso à cultura, levando em conta que se discute os
acontecimentos ocorridos nas mais diversas regiões e eras.
Nas escolas da minha região5 o incentivo o acesso á cultura e o espaço social tem
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transformado a vida de muitos indivíduos, através de músicas, teatros, trabalhos


artesanais e práticas esportivas a escola tem procurado proporcionar aos alunos
novas experiências, além de se preocupar com ações realizadas em conjunto com a
comunidade, criando um relacionamento mais próximo, através de cursos, palestras
e práticas esportivas. Frequentemente são abordados temas sobre a violência, uso
abusivo de drogas, racismo, bullying, sexualidade, gravidez na adolescência e meio
ambiente, mas deixa a desejar em temas como conflitos religiosos, desigualdades
sociais, machismo e homofobia. Temas que, se não orientados, são agentes
causadores de exclusão social e preconceito.
Através dos projetos políticos pedagógicos, que em sua maior parte, são construídos
por professores, pais, servidores, estudantes e o gestor escolar, a escola tem
procurado desenvolver formas de atuarem nesses temas, para combater a exclusão
e o preconceito existente.
Já no atendimento as pessoas com necessidades especiais, as escolas,
possuem apenas condições mínimas, sendo que, não possuem adaptações
necessárias a acessibilidade, aprendizagem e adaptações para pessoas com
deficiências visuais, físicas, auditivas ou intelectual, gerando grande exclusão destes
na educação regular, seja pelo pouco investimento em reformas a fim de receber
pessoas com necessidades especiais de ensino ou ainda pela falta de profissionais
qualificados para atender as necessidades desses indivíduos.
“...os sistemas de ensino, não estão preparados para acolher todos, acabam
realmente excluindo os casos que por sua complexidade, não tem condições de
atender, eximindo-se, a escola e os professores do trabalho de pesquisa e
soluções mais apropriada. ” 6 Ribeiro, 2003, p.47.

Essa afirmação reflete muito a realidade encontrada na minha região, onde, muita das
vezes, os pais e responsáveis de uma pessoa com necessidade especial necessitam
recorrer a seus direitos constitucionais, para que seus filhos/dependentes possam
cursar o ensino em classes regulares. A APAE7 local, que desempenhava um papel
importante na luta pelo direito da pessoa com necessidade especial de 0 a maiores
de 18 anos, teve que remanejar todas as suas atividades, deixando o atendimento da
pessoa com necessidades especiais menor de 18 anos a cargo do município, devido
à falta de recursos para manter os atendimentos.
Assim a escola local evoluiu, tem buscado oferecer acesso á cultura e criado um
espaço social para seus indivíduos, porém os desafios permanecem e ainda há muito
a fazer para se proporcionar a inclusão dos grupos menos favorecidos, oferecer um
ensino de qualidade e de inclusivo.
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3 CONCLUSÃO

A escola se tornou muito mais que um local de transmissão de conhecimento.


Hoje a formação do cidadão, a inclusão social, o acesso à cultura e a responsabilidade
de construir pensadores, fazem da escola uma instituição de grande importância nas
fases básicas do ensino de um indivíduo. Esse desafio faz com que olhemos para a
escola com uma visão crítica, transformando a visão engessada e segregada da
escola em um universo de relacionamento social. Para que a inclusão aconteça deve
ser garantida a aprendizagem de qualidade a todos os alunos, respeitando suas
limitações e individualidade, para isso, é preciso que os professores e gestores
escolares se especializem, devendo criar uma boa rede de apoio entre alunos,
familiares e a comunidade.
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REFERÊNCIAS

1. http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/educacao/0337.html Acessado
em 01/10/2016 as 00:10
2. http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alia
s=15548-d-c-n-educacao-basica-nova-pdf&Itemid=30192 Acessado em
16/10/2016 as 23:26
3. Função Social da Escola e Organização do trabalho pedagógico – Silveira
Bueno, José Geraldo – Educar; Curitiba, nº 17, p.109, 2001, Editora da UFPR
4. http://academia.qedu.org.br/censo-escolar/notas-tecnicas/ Acessado em
31/10/2016 as 19:54
5. http://www.qedu.org.br/cidade/3382-parauapebas/pessoas/diretor Acessado
em 31/10/2016 as 20:54
6. Educação Inclusiva e língua Brasileira de Sinais - Vaguia, Edilaine e Malzinoi
Vedoato, Sandra Cristina, 2014 – p.36
7. http://pebinhadeacucar.com.br/maes-de-criancas-especiais-temem-fim-do-
atendimento-na-apae-parauapebas/ Acessado em 31/10/2016 as 21:20