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A EVOLUÇÃO BIOLÓGICA NA ÓPTICA DE ALUNOS DO ENSINO


FUNDAMENTAL

Cristiane B. Luckmann1, Suelen B. Nobre2

Universidade Feevale – Novo Hamburgo/RS, Estudante do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas – e-


mail crisbluck@hotmail.com

Universidade Feevale – Novo Hamburgo/RS, Licenciada e Bacharel em Biologia, Mestre e Doutoranda em


Ensino de Ciências e Matemática, Professora do Curso de Licenciatura em Ciências Biológicas – e-mail
suelennobre@feevale.br

RESUMO
A evolução biológica é amplamente mencionada nos documentos norteadores da educação
nacional, inclusive sendo citada como eixo unificador dos conteúdos de Ciências Naturais. No
entanto, observou-se em investigações científicas que ainda são latentes as barreiras
epistemológicas e didáticas para o ensino de evolução. Diante deste cenário, optou-se por
analisar os conhecimentos prévios de discentes do 7º ano do ensino fundamental, da rede
pública de ensino de Estância Velha - RS, com intuito de aprimorar futuros planejamentos
didático-pedagógicos. Metodologicamente esta investigação caracteriza-se na perspectiva
qualitativa, com exploração da análise de conteúdo. Os instrumentos de coleta de dados foram
um questionário semiestruturado, desenvolvimento de uma sequência didática (teórico-
prática) e observações diretas no meio escolar. O grupo analisado foi composto por 24
estudantes, o perfil da turma revela uma predominância de meninos (58 %), na faixa etária 12-
13 anos (75 %). Inicialmente os discentes foram questionados sobre o que é a evolução
biológica? Constatou-se que os estudantes apresentam entendimento incipiente acerca da
temática, mais de 50% citaram definições como: “A evolução permite as mudanças para
sobrevivência dos seres vivos” e “Estudos sobre a evolução do ser humano”. Foi possível
notar nas falas dos alunos A1, A3, A20 e A23 a concepção que os mesmos têm sobre os
animais, quando citam seres humanos de forma separada de outros seres vivos, indicando que
não classificam a espécie humana como um animal. Os resultados de forma geral,
demonstraram que os alunos compreendem a Biologia Evolutiva como um conjunto de
processos que permitem a melhoria e/ou aprimoramento de características anatômicas e
fisiológicas dos organismos vivos. Observou-se ainda, que os níveis de aceitação da teoria
evolucionista estão intimamente influenciados pelos preceitos religiosos do grupo de
familiares dos estudantes, onde há constante dicotomia entre ciência e religião. Considera-se
pertinente o fomento de discussões sobre a história da ciência e suas contribuições diretas
para o desenvolvimento da sociedade contemporânea, acredita-se que este debate possa
corroborar para amenizar alguns conflitos culturais apresentados por alguns alunos que
entendem a evolução como oposta às suas convicções pessoais.

Palavras-chave: Biologia Evolutiva. Ensino de Ciências Naturais. Evolucionismo.

LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


Pesquisa no Processo Educativo em Biologia
Professora: Me Suelen Bomfim Nobre
2

ABSTRACT
Biological evolution is widely mentioned in the guiding documents of national education,
including being cited as the unifying axis of the contents of Natural Sciences. However, it has
been observed in scientific investigations that the epistemological and didactic barriers to the
teaching of evolution are still latent. Considering this scenario, it was decided to analyze the
previous knowledge of students of the 7th grade of elementary school, from a public school of
Estância Velha - RS, in order to improve future didactic-pedagogical plans. Methodologically
this research is characterized in the qualitative perspective, with exploration of content
analysis. The instruments of data collection were a semi-structured questionnaire,
development of a didactic sequence (theoretical-practical) and direct observations in the
school environment. The group analyzed was composed of 24 students, the profile of the
group reveals a predominance of boys (58%), in the age group 12-13 years (75%). Initially the
students were asked about what is biological evolution? It was verified that the students
present incipient understanding about the subject, more than 50% cited definitions such as:
"Evolution allows changes for survival of living beings" and "Studies on the evolution of the
human being." It was possible to note in the students' statements A1, A3, A20 and A23 the
conception they have about animals when they cite humans separately from other living
beings, indicating that they do not classify the human species as an animal. The results
generally showed that students understand Evolutionary Biology as a set of processes that
allow the improvement of anatomical and physiological characteristics of living organisms. It
was also observed that the levels of acceptance of evolutionary theory are intimately
influenced by the religious precepts of the group of students' families, where there is a
constant dichotomy between science and religion. It is considered relevant to foster
discussions about the history of science and its direct contributions to the development of
contemporary society, it is believed that this debate can corroborate to soften some cultural
conflicts presented by some students who understand evolution as opposed to their personal
beliefs.

Keywords: Evolutionary Biology. Teaching of Natural Sciences. Evolutionism.

INTRODUÇÃO

A Evolução Biológica atualmente consta na Base Nacional Curricular Comum BNCC


(Brasil, 2017) como conceito unificador de conteúdos de Ciências Naturais, sendo essencial
para o entendimento desta área da Biologia. Além disso, o assunto tem ganhado destaque no
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) dos últimos anos e, portanto, é fundamental
investir em metodologias que possibilitem aprofundar o ensino desta temática.
A evolução biológica, segundo Futuyma (2009, p.4) “num sentido mais amplo
significa descendência com modificação”, e nesse contexto está de acordo com Ridley (2006,
p. 28) que diz:

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Evolução significa mudança, mudança na forma e no comportamento dos


organismos ao longo das gerações. As formas dos organismos, em todos os níveis,
[...] podem ser modificadas a partir daquelas dos seus ancestrais durante a evolução.
O ensino de teorias evolutivas, traz grandes desafios tal como conciliar visões
científicas e religiosas, considerando-se que as concepções cristãs acerca da origem da vida
podem impedir que os professores trabalhem este conteúdo de forma imparcial e, conforme
Oleques (2010, p.18) salienta, “muitos não ensinam para evitar questões polêmicas” tendo
como resultado uma abordagem didático-pedagógica vaga desta temática.
A busca por metodologias que despertem o interesse do aluno e que sejam abordadas
de forma clara e precisa é de suma importância, pois o estudante inquisitivo e participativo
tem uma aprendizagem mais significativa. Como Delizoicov, Angotti e Pernambuco (2011,
p.131) afirmam, “nenhum aluno é uma folha de papel em branco em que são depositados
conhecimentos” e é essencial que o professor compreenda isso ao planejar suas aulas pois, de
acordo com Bizzo (2012, p. 66) “é importante entender que sem conhecer as ideias do
educando, é muito difícil transformá-lo” cabendo ao docente optar por métodos que
incentivem o aluno a buscar e construir seu próprio conhecimento.
Segundo Alencar et al. (2015) o uso de uma sequência didática, contendo diferentes
formas para abordar um conteúdo, torna as aulas mais interessantes e menos repetitivas,
despertando no aluno o desejo de desenvolver e ampliar seus saberes.
Este artigo apresenta conceitos de evolução e seleção natural, além das teorias
evolutivas, buscando identificar os conhecimentos de discentes do 7º ano do ensino
fundamental acerca do tema. Através de uma pesquisa qualitativa exploratória com uso de um
questionário semiestruturado, coleta de dados empíricos, registros e observações, e com a
aplicação de uma sequência didática para se trabalhar este conteúdo, foi possível reconhecer e
auxiliar a construção dos saberes dos alunos envolvidos.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Breve Contextualização sobre a Biologia Evolutiva

A Evolução Biológica é conhecida na Biologia como a mudança das características


hereditárias de uma população de seres vivos de uma geração para outra, fazendo com que as

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mesmas mudem e se diversifiquem ao longo do tempo. Conforme Futuyma (2009, p.4):


[...] um sistema em evolução é simplesmente aquele que descende de uma entidade,
de uma geração para outra, ao longo do tempo, e no qual as características das
entidades diferem através das gerações.
Portanto, evolução se trata de mudança; são alterações genéticas, anatômicas e
comportamentais que ocorrem ao longo de várias gerações, se acumulando no decorrer dos
anos, resultando em linhagens visivelmente diferentes, que levam então ao surgimento de
novas espécies. A este respeito, Ridley (2006, p.28) afirma, acerca dessas mudanças, que:
As formas dos organismos, em todos os níveis, desde sequências de DNA até a
morfologia macroscópica e o comportamento social, podem ser modificadas a partir
daquelas dos seus ancestrais durante a evolução.
Um dos cientistas precursores do evolucionismo foi o naturalista francês Jean Baptiste
Lamarck (1744-1829) que apresentou uma proposta com dois mecanismos. O primeiro
consistia na adaptação dos seres vivos para garantir a sobrevivência e está vinculado à lei do
uso e desuso cuja definição diz que o uso contínuo de uma determinada estrutura orgâ-nica
promoveria o seu desenvolvimento, enquanto o não-uso promoveria a sua atrofia. Conforme
Futuyma (2009, p.18):
Espécies em ambientes diferentes têm necessidades diferentes, e então usam certos
órgãos e apêndices mais do que outros. Os órgãos exercitados com maior
intensidade atraem mais do “fluido nervoso”, o qual os aumenta; inversamente,
órgãos menos usados tornam-se menores.
O outro mecanismo utilizado por Lamarck era a herança de características adquiridas,
onde frequentemente usou o exemplo do pescoço da girafa para discutir suas concepções.
Segundo Ridley (2006, p.31-32): “[...] as girafas ancestrais haviam se esticado para atingir
folhas mais altas nas árvores. O esforço fez com que seus pescoços se tornassem levemente
maiores. Seus pescoços mais longos foram herdados pela sua prole [...]”. Isto é, Lamarck
acreditava que todas as características adquiridas pela lei do uso e desuso seriam transmitidas
aos descendentes e, além disso, sugeria que a evolução ocorria por desejo ou esforço dos
organismos.
Nesse meio tempo, Charles Darwin (1809-1882), desenvolvia suas próprias
concepções ao encontrar, durante sua expedição a bordo do Beagle, diferentes tentilhões nas
Ilhas Galápagos. De acordo com Futuyma (2009, p.20): “[...] o ornitologista John Gould
ressaltou que os espécimes de pássaros [...] que Darwin catalogou em Galápagos eram tão
diferentes de uma ilha para outra que eles representavam espécies diferentes”. Isso fez com

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que Darwin chegasse à conclusão de que as espécies tinham sido originadas a partir de um
ancestral comum e que as alterações se deram devido às adaptações diferentes para cada
ambiente. Darwin acreditava que apenas os animais mais adaptados atingiam a idade adulta,
transmitindo suas características aos descendentes. Ele chamou esse princípio de seleção
natural. Segundo Ridley (2006, p. 34), “[...] devido à luta pela vida, formas que são mais bem-
adaptadas à sobrevivência deixam uma progênie maior e automaticamente aumentam em
frequência de uma geração para outra”.
Apesar de correto quanto ao mecanismo de seleção natural, devido à falta de
conhecimento sobre Genética, Darwin não conseguiu explicar como as características
vantajosas surgiam nos organismos e eram transmitidas.
Durante muitas décadas foram surgindo diversas teorias contrárias a de Darwin,
segundo Futuyma (2009, p.23) neste período “o pensamento científico sobre o mecanismo da
evolução permaneceu num estado de desarranjo incrível.” Esse conflito teve resolução apenas
na década de 30, com o surgimento do neodarwinismo, uma complementação do darwinismo
apoiado no desenvolvimento da Genética.
A síntese da teoria da seleção natural de Darwin com a teoria mendeliana da
hereditariedade, feita por eles, estabeleceu o que é conhecido como neodarwinismo,
teoria sintética da evolução ou síntese moderna. (RIDLEY, 2006, p.38)
Essa síntese resultou em uma teoria mais abrangente e embasada passando a ser,
portanto, mais aceita para explicar o processo evolutivo dos seres vivos e rejeitando as teorias
anti-darwinianas, reconhecendo como principais fatores evolutivos a mutação, a
recombinação gênica e a seleção natural. O processo de evolução biológica tem sido alvo de
grandes controvérsias no decorrer da história. Atualmente, é quase impossível abandonar as
ideias evolucionistas por uma ciência estática como as ideias criacionistas ou fixistas
pro-postas pelos religiosos.

O Ensino de Evolução Biológica

Para o ensino de Ciências Naturais, que é construído desde os anos iniciais do ensino
fundamental, cabe ao docente diagnosticar os conhecimentos prévios dos alunos e aproveitá-
los da melhor maneira pois, segundo Bizzo (2012, p.66) “é importante entender que sem
conhecer as ideias do educando, é muito difícil transformá-lo”. Também é preciso lembrar de

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respeitar a individualidade de cada um, para que se possa desenvolver uma aprendizagem
significativa. Sabe-se ainda que o professor não é detentor de todo o conhecimento, portanto,
a construção dos saberes se dá somando as contribuições de alunos e educadores sendo que,
ao final do processo, ambos terão aprendido algo novo.
Bernardes et al. (2016) destacam a importância do aluno como sujeito ativo
colaborando para o desenvolvimento do seu conhecimento científico. É preciso que o ensino
consiga articular os conteúdos trabalhados em sala de aula com o cotidiano dos alunos,
estimulando suas vivências.
O ensino de Evolução Biológica, apesar de um importante componente nos currículos
de Ciência e Biologia, sendo um eixo integrador de conteúdos, é um tema bastante polêmico e
causa receio em grande parte dos professores. É um assunto que tende a gerar discussões em
busca de um consenso e grande parte dos educadores veem neste fato um verdadeiro desafio
para se trabalhar a temática. De acordo com Oleques (2010, p.18) “muitos não ensinam para
evitar questões polêmicas”, deixando de ensinar conteúdos fundamentais para a compreensão
da Ciência como um todo.
O maior problema em trabalhar nesta temática envolve as concepções religiosas dos
alunos e às vezes da própria escola, que contrariam as teorias evolutivas, podendo gerar
conflitos. De acordo com pesquisa realizada por Licatti (2005), existem professores que não
conseguem conciliar suas visões científicas e religiosas, mas também há aqueles que
apresentam um ponto de vista mais integrador entre religião e ciência, respeitando as opiniões
dos alunos e ensinando a Evolução como não sendo uma verdade absoluta, trazendo ambas
concepções em um mesmo plano.
Um fator relevante para o sucesso no processo de ensino e aprendizagem é a escolha
correta de estratégias para se trabalhar determinados temas. O planejamento de uma
sequência didática permite deixar um pouco de lado as costumeiras aulas expositivas.
Segundo Alencar et al. (2015, p.8) “ a sequência didática deve conter várias formas de
abordagem do conteúdo, para que as aulas não se tornem entediantes e repetitivas”,
permitindo ao aprendiz a construção de seus saberes, tornando-o mais capaz de relacionar e
argumentar sobre as temáticas estudadas.
O ensino de Ciências possibilita trabalhar com diversas metodologias, como Bizzo

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(2012, p.65) afirma: “existe uma ampla gama de materiais à disposição do professor que
podem contribuir para a melhoria de seu trabalho”, sendo o educador responsável pela escolha
do que está dentro da realidade do ambiente em que leciona. De acordo com Bernardes et al.
(2016, p.3):
[...] o professor deve estimular a aprendizagem dos alunos, sendo o responsável pela
dinâmica do processo de aprendizagem. O professor deve propor novas formas de
ensinar favorecendo a participação e o interesse dos alunos.
Alencar et al. (2015) destacam a importância de sequências didáticas, fazendo uso de
modelos e jogos, para a construção dos saberes dos estudantes, pois estes métodos
possibilitam ao aluno complementar os conteúdos transmitidos pelo professor e relacioná-los
com o seu cotidiano.
Outra estratégia de ensino para a temática evolução, é a construção de cladogramas, a
qual permite elucidar a ancestralidade e as modificações sofridas pelos seres ao longo do
tempo de forma mais simples, possibilitando uma nova visão da natureza ao se compreender
melhor como ocorre o processo de evolução.
O uso de cladogramas como base para as aulas, além de solucionar más
interpretações sobre a teoria evolutiva, ajuda professores e estudantes a compreender
a evolução como um processo intensamente atuante na história da vida. (SANTOS;
CALOR, 2007, p.8)
Portanto, a escolha de estratégias diferenciadas, utilizando metodologias envolventes e
atraentes ao olhar do aluno, é fundamental para o sucesso no processo de ensino e
aprendizagem; é essencial sair da rotina de aula expositiva, permitindo que o aluno
desenvolva seus próprios conceitos.

METODOLOGIA

Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo qualitativo-exploratório, segundo


Prodanov e Freitas (2013, p. 70), este tipo de investigação “[...] considera que há uma relação
dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo
objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números”.
É, portanto, um método de investigação científica que se foca no caráter subjetivo do
objeto analisado, dispensando cálculos e estatísticas e envolvendo levantamento bibliográfico,
aplicação de questionário, análise de respostas e elaboração e sequência didática para o ensino

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da temática Evolução Biológica. Além disso, este estudo investigativo se baseia na coleta de
dados empíricos, registros em diário de campo e observações diretas da professora-
pesquisadora. A coleta de dados foi realizada pela autora no período de abril a junho de 2017
e foi aplicada a 24 alunos, do 7º ano do ensino fundamental, de uma escola municipal de
Estância Velha – RS, localizada na zona urbana.
O instrumento de coleta de dados foi um questionário semiestruturado, elaborado
dentro do contexto do sétimo ano, com base no conteúdo previsto (programático) para ser
estudado nesta série. O mesmo encontra-se no final do artigo como anexo 1.
Para avaliar as respostas dos estudantes, optou-se pelo método da análise de discurso
que, de acordo com Caregnato e Mutti (2006, p.2) “trabalha com o sentido e não com o
conteúdo do texto, um sentido que não é traduzido, mas produzido”. Ou seja, para considerar
as argumentações dos alunos, é preciso primeiro classificá-las, unindo-as por seu significado.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O grupo analisado é composto por 24 estudantes do 7º ano do ensino fundamental da


rede municipal de Estância Velha, RS. O perfil da turma revela uma predominância de
meninos (58 %) e de faixa etária 12-13 anos (75 %), ou seja, idade estimada para os alunos
desta série.
A primeira questão preocupou-se em levantar dados sobre a concepção de Evolução
Biológica por parte dos estudantes e obtiveram-se respostas com poucas variações, as quais
apresento de forma mais detalhada no quadro 1.
Quadro 1. Respostas da questão “O que você entende por Evolução Biológica?”

RESPOSTAS FREQUÊNCIAS
Evolução da vida. A10, A12, A13, A22
Evolução dos seres vivos. A1, A2, A3, A6, A17, A20, A21
Evolução do ser humano. A23
Mudanças e adaptações para sobrevivência. A8, A9, A14
Estudo da vida. A7, A11, A16, A24
Não sabe, não lembra ou não respondeu. A4, A5, A15, A18, A19
Fonte: dados da pesquisa.

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A maioria das respostas para esta questão mostrou um entendimento vago acerca do
tema, porém mais de 20% dos estudantes não souberam responder. Além disso, foi possível
notar nos alunos A1, A3, A20 e A23 a concepção que os mesmos têm sobre os animais,
quando citam seres humanos de forma separada de outros, indicando que não classificam a
espécie humana como um animal.
As respostas que mais se aproximaram do que Ridley (2006, p.28) afirma sobre
evolução, como sendo “mudanças entre gerações de uma população de uma espécie”, foram
dos estudantes A8, A12 e A14, que dizem que Evolução Biológica é a mudança que um ser
vivo sofre ao longo do tempo para se adaptar ao meio em que vive, que vai de encontro ao
que Futuyma (2009 p.24) retrata: “que é a conjunção de mutação e a seleção natural que causa
evolução adaptativa”.
Foi possível observar que os alunos não têm uma visão clara a respeito dos processos
que envolvem a evolução biológica, onde fica explícito que para eles as alterações sofridas
pelos seres vivos não acontecem ao acaso, discordando de Ridley (2006, p.105) que afirma:
A seleção natural produz evolução quando o ambiente muda; ela também produzirá
modificações evolutivas em um ambiente constante, caso surja uma nova forma que
sobreviva melhor do que a forma corrente da espécie.
A segunda pergunta era “O que contribuiu para que, no decorrer da história, alguns
animais tenham alterado seus hábitos, sofrido modificações anatômicas ou tenham deixado de
existir?”. Nesta questão, as respostas dos alunos A8, A9, A15, A20 foram as que mais
conciliaram com Futuyma (2009, p.712) que diz que “a extinção foi causada pelo insucesso
de se adaptar às mudanças no ambiente”, retratando também as alterações climáticas como
fator mais provável para deslocamentos e mudanças genéticas. As respostas dos alunos estão
dispostas no quadro 2.
Quadro 2. Respostas para a questão 2.

RESPOSTAS FREQUÊNCIAS
Mudanças climáticas, escassez de alimentos e adaptação. A8, A9, A15 e A20
A4, A7, A10, A11, A12, A13, A17,
Desmatamento, extinção, caça, poluição.
A19, A21, A22, A24
Falta de água e alimento, pessoas matando. A3
Alterações de hábitos para sobreviver. A1, A18
Evolução A14, A5

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Quadro 2. Respostas para a questão 2.


RESPOSTAS FREQUÊNCIAS
Doenças, extinção, miscigenação. A2
Mutação. A23
Não soube responder. A6
Fonte: dados da pesquisa.
Com base neste quadro, pode-se perceber que a maioria dos estudantes (46 %) vê as
adaptações e a extinção como algo causado pelo homem quando citam o desmatamento e a
poluição, não levando em consideração que estas modificações já ocorriam muito antes do
surgimento da espécie humana, como por exemplo, a extinção em massa no período
Paleozoico, sobre a qual Futuyma (2009, p. 176) destaca:
[...] essa extinção em massa pode ter sido a segunda maior de todos os tempos. Ela
pode ter sido causada por uma queda de temperatura e uma queda no nível do mar,
pois houve geleiras nesse período nas regiões polares dos continentes.
O discente A23, apesar de apresentar uma resposta extremamente breve “Mutação”,
não foge do que a teoria moderna da evolução reconhece, pois conforme Ridley (2006, p.51),
“as mutações mais importantes para a teoria da evolução são as que ocorrem na produção dos
gametas”. Além da mutação, o Neodarwinismo reconhece como principais fatores evolutivos
a recombinação gênica e a seleção natural, podendo se enquadrar no contexto deste último as
respostas de A1 e A18.
A terceira pergunta se tratava de uma situação-problema: “Em um gramado, existem
duas espécies de gafanhotos: uma população de gafanhotos verdes e uma população de
gafanhotos marrons. Eles vivem e se reproduzem neste ambiente até que surge um pássaro
que é seu predador. Ao final de alguns ciclos, qual das populações terá sobrevivido? Por
quê?” Nesta questão, 75 % dos estudantes responderam que o gafanhoto verde sobreviveria e
destes, 14 alunos associaram a sobrevivência à camuflagem no gramado. Os discentes A4,
A7, A12 e A18 responderam que o verde sobreviveria, porém, as explicações variaram. A4
disse: “É o verde porque eles são mais saudáveis que os marrons.”. A7 e A12 explicaram:
“É o verde porque não tem como o gramado ser marrom.”. Já a justificativa de A18 foi:
“Verdes, pois tem veneno.”. O aluno A15 respondeu que as duas espécies sobreviveriam, pois
o marrom poderia se camuflar na areia. Uma má interpretação da pergunta fez com que A5 e
A6 respondessem que o pássaro sobreviveria, pois comeria os gafanhotos. Os alunos A1, A19
e A23 não responderam.

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Na quarta questão, que perguntava sobre fósseis, A8, A9, A15 e A20 foram os
estudantes a responder de forma mais completa, mencionando o decorrer dos anos como fator
para a fossilização de animais, plantas e ossos. A5 e A6 não souberam responder e o restante
dos alunos se referem à fóssil como ossos antigos enterrados, algo bem comum no contexto
educacional, conforme Rodrigo, Lara e Suecker (2014, p.7):
É comum a associação da palavra fóssil apenas a ossos de dinossauros. Esse
equívoco possivelmente é resultado da superficialidade com que o tema é trabalhado
nas escolas. Os estudantes que apresentaram esta definição não abordam toda a
diversidade de vertebrados que existiram e ainda existem na Terra, desse modo
sugere-se que a resposta apresentada foi incompleta, não dando conta de todas as
possibilidades de fossilização que podem ocorrer com os seres vivos.
O questionário encerrou-se com a proposta de uma análise das características de
alguns animais para a construção de um cladograma. Com exceção de A6, A14, A10 e A24,
todos montaram cladogramas parecidos, com coerência nas linhagens evolutivas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente artigo levantou as principais concepções que um grupo de alunos do 7º ano


do ensino fundamental da cidade de Estância Velha tem sobre o tema Evolução Biológica.
Na análise das respostas, foi possível verificar que os estudantes, em geral, veem a
Biologia Evolutiva como um sistema que visa a melhoria de características dos seres vivos. Já
durante as aulas ministradas, perceberam-se as dificuldades dos alunos em compreender a
Seleção Natural, pois na concepção deles um indivíduo vai produzir uma prole adaptada a
uma determinada situação, forçada a isso ou por escolha própria. Notou-se que eles não
conseguem absorver a ideia de que as modificações ocorrem nos seres vivos por acaso e que,
quando vantajosas, são transmitidas aos descendentes.
Driblar as visões religiosas acerca da origem da vida também é um fator preocupante,
principalmente no ensino fundamental, onde ainda existe uma forte influência da família neste
sentido. É necessário ser imparcial, sem expor opiniões próprias que possam ofender os
estudantes que veem na religião a explicação para o surgimento da vida.
A utilização de metodologias alternativas no ensino de Evolução Biológica deve ser
estimulada nas instituições, pois o uso exclusivo de aulas expositivas-dialogadas torna a
disciplina cansativa e desinteressante ao olhar dos estudantes. A abordagem da temática de

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maneira diversificada, intercalando o método tradicional com jogos, experimentos e


atividades práticas, permite a relação teórico-prática dos conteúdos, facilitando a assimilação
por parte dos discentes. A utilização de experimentos e atividade prática trouxe resultados
positivos, pois, primeiramente, atraíram os estudantes para o aprendizado. O uso de jogos
didáticos também apresentou resultados positivos na construção do conhecimento dos alunos,
colaborando para uma melhor compreensão do tema.
Pode-se concluir que o ensino de Evolução Biológica é essencial para se trabalhar nas
disciplinas de Ciências e Biologia, porém, precisa ser abordado de uma forma mais lúdica no
ensino fundamental, pois a faixa etária em que se encontram a maioria dos discentes de 7º
ano, não permite trabalhos mais teóricos, em razão da faixa etária dos discentes.

REFERÊNCIAS

ALENCAR, Elisabete J. de; et al. Sequência didática para o ensino de classificação e


evolução biológica. V1, 2015. Disponível em:
<http://www.editorarealize.com.br/revistas/eniduepb/trabalhos/TRABALHO_EV043_MD1_
SA1_ID630_01072015142253.pdf> Acesso em: 10 jun 2017.

BERNARDES, L.S. et al. Uso de metodologias alternativas no ensino de ciências: um


estudo realizado com o conteúdo de serpentes. Revista eletrônica Ensino, Saúde e
Ambiente, V.9, nº 1, pp. 63-76, 2016. Disponível em:
<http://ensinosaudeambiente.uff.br/index.php/ensinosaudeambiente/article/view/476/234>
Acesso em: 09 jun 2017.

BIZZO, Nelio. Ciências: fácil ou difícil? 2ª edição. São Paulo: Biruta, 2012, 158p.

CAREGNATO, R.C.A,; MUTTI, R. Pesquisa qualitativa: análise de discurso versus análise


de conteúdo. Texto Contexto Enferm. 2006;15(4):679-84. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/tce/v15n4/v15n4a17> Acesso em: 19 jun 2017.

DELIZOICOV, D.; ANGOTTI, J.A.; PERNAMBUCO, M.M. Ensino de Ciências:


fundamentos e métodos. 4ª edição. São Paulo: Cortez, 2011. 366p.

FUTUYMA, D.J. Biologia evolutiva. 3ª edição. Ribeirão Preto: FUNPEC, 2009. 830p.

LICATTI, F. O ensino de Evolução Biológica no nível Médio: investigando concepções de


professores de Biologia. 2005, 242 f. Dissertação (Mestrado em ensino de Ciências e

LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


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LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


Pesquisa no Processo Educativo em Biologia
Professora: Me Suelen Bomfim Nobre
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ANEXOS
Anexo 1. Questionário aplicado para avaliar conhecimentos prévios.

LICENCIATURA EM CIÊNCIAS BIOLÓGICAS


Pesquisa no Processo Educativo em Biologia
Professora: Me Suelen Bomfim Nobre