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Não se preocupem!

Elben Lenz César

Ansiedade é a preocupação demasiada com as necessidades primárias e


as secundárias, as necessidades básicas e as supérfluas, as necessidades reais e as
imaginárias.

Se constante e prolongada, a ansiedade pode levar o ansioso a adquirir


úlcera, colite, asma, doenças do coração e outros distúrbios orgânicos. Mas, quando
não mistura os problemas de ontem com os problemas de hoje nem os problemas de
hoje com os problemas de amanhã, o não ansioso, então, em paz se deita e logo pega
no sono (Sl 4.8).

Fazer tempestade em copo d’água é muito mais comum do que se pensa.


Das 5.318 mulheres entrevistadas pela revista “Saúde” em 2013, quase um quarto
(21%) sente ansiedade. Outras estão estressadas (14%), apresentam fadiga (12%),
deitam e não conseguem dormir (7%) e vivem tristes (6%). Quais desses cinco
diferentes estados emocionais incomodam mais? Com palavras ternas, Jesus tentou
convencer a prestativa irmã de Maria e Lázaro de sua ansiedade: “Marta, Marta, você
está agitada e preocupada com muitas coisas, mas apenas uma é necessária!” (Lc
10.41).

No Sermão da Montanha, Jesus faz todo o esforço para acabar com a


ansiedade, seja qual for a sua natureza e a sua intensidade. A receita é simples: “Não
se preocupem!”, “Não se preocupem!”, “Não se preocupem!”. Não se preocupem com
as coisas básicas, como comer, beber e vestir, e muito menos com todas as demais
coisas. Vejam os passarinhos que voam no céu, vejam os macaquinhos que pulam de
galho em galho, vejam os peixinhos descendo o rio, vejam os jacarés nadando na
lama, vejam os gatinhos dormindo no sofá, vejam os lírios do campo, vejam os
girassóis da Rússia, vejam as vitórias-régias do Amazonas, vejam as árvores de ipê-
amarelo à beira das estradas, vejam as sequoias da Califórnia. Vejam aquele que criou
tudo isso, aquele que criou o homem e a mulher à sua semelhança, dando-lhes um
status que nenhuma outra obra da criação tem.

É curioso observar que a Bíblia tenta acabar com a nossa preocupação


excessiva, mas, ao mesmo tempo, diz que Deus se preocupa conosco: “Acaso, é com
bois que Deus se preocupa?” (1Co 9.9). Sob esta perspectiva do cuidado de Deus por
nós, o ser humano está debaixo de um amplo guarda-chuva e, quando enxerga isso,
se acalma.
A ansiedade só acaba com a contínua entrega de toda dificuldade, todo
aborrecimento, todo imprevisto, toda decepção, todo desafio, toda dor nas mãos de
Deus, por meio de orações precisas e corajosas. A oração é “a arte de entrar no Santo
dos Santos e se colocar na presença do próprio Deus em espírito, por meio da fé,
valendo-se do sacrifício vicário de Jesus, e falar com ele com toda liberdade”. Esse tipo
de oração pode ser feito tanto de joelhos e de olhos fechados, em casa, como de
olhos abertos, enquanto se caminha por uma rua qualquer. As orações podem ser
muito demoradas ou muito breves. O importante é tirar de seus ombros todos os
sustos e medos, colocando-os na presença de Deus. O Salmo 37 deve ser
constantemente lembrado. Ali estão os imperativos antidepressivos: “Confie no
Senhor” (v.3); “Que a sua felicidade esteja no Senhor” (v.4); “Ponha a sua vida nas
mãos do Senhor” (v.5); “Tenha paciência pois o Senhor cuidará [de você]” (v. 7); e
“Ponha a sua esperança no Senhor” (v.34). Quando a ansiedade começar a agitar o
coração para levar a pessoa à confusão mental e ao desespero emocional, a atitude
correta, inteligente e simples é abrir-se completamente diante do Senhor, sem
esconder dele coisa alguma.

Além do respaldo do Salmo 37, outras três passagens reforçam essa


atitude. Uma delas é: “Procurem a ajuda do Senhor; estejam sempre na sua presença”
(1Cr 16.11). A segunda, também muito conhecida, é a exortação paulina: “Não se
preocupem com nada, mas em todas as orações peçam a Deus o que vocês precisam
e orem sempre com o coração agradecido” (Fp 4.6). E a terceira é da lavra de Pedro:
“Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês” (1Pe 5.7).
Precisamos nos livrar do incômodo da ansiedade o mais depressa possível, mas sem
ansiedade!

Texto originalmente publicado na edição 347 de Ultimato. Março-Abril 2014.