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COM

PERGUNTAS PARA STEPHEN HAWKING


WILLIAM LANE CRAIG

Bem vindo a “Defendors”, a aula semanal do Dr. William Lane Craig na Igreja Batista de JF,
em Atlanta. Para mais informações sobre os assuntos que o Dr. Craig aborda, visite nosso
Website “ReasonableFaith.Org”. Você encontrará artigos, debates fascinantes, downloads de
áudio e vídeo, fóruns interativos e muitos outros recursos. 1

Nessa semana, nós fomos inundados com perguntas sobre o novo livro de Stephen
Hawking e Leonard Mlodinow “O Grande Design”, que está para ser lançado mais tarde
nessa semana. E muitas pessoas ficaram preocupadas com as manchetes que leram, artigos
de jornais... eu ouvi na CNN que houve até um editorial do Wall Street Journal retirado do
livro... dizendo “porque Deus não criou o universo.” E as pessoas queriam saber “Como
você responde a essas declarações do Stephen Hawking? Isso representa uma mudança da
sua posição anterior... como você responderia?”

Bem... Seria prematuro eu dar algum tipo de resposta ao novo livro de Hawking antes do
livro ser lançado e eu ter a chance de realmente ver o livro. Então, o que eu pensei em fazer
antes de ter a chance de ler o livro foi sugerir algumas questões que você deve fazer
enquanto você considera as declarações deste novo livro.

Ao ler os artigos que apareceram no Wall Street Journal e outros lugares, não me pareceu
que esse livro está dizendo alguma coisa que já não foi dita no best seller anterior de
Hawking “Uma Breve História do Tempo.” Naquele livro, você lembra, ele faz a famosa
pergunta “Que lugar, então, há para um Criador?” E ele declarou, na verdade, que a ciência
moderna não permite lugar para um Criador do universo. E eu não vejo nada diferente
nesse novo livro do que foi dito em “Uma Breve História do Tempo.” Lá, Hawking, se me
lembro bem, usa gravidade quântica para explicar a origem do universo, apelando para o
modelo que ele desenvolveu com James Hartle na Universidade de California Santa
Barbara. E ele usa a gravidade quântica para explicar como o universo veio à existência a
partir do nada. E então ele apela para a hipótese dos Múltiplos Mundos para explicar/lidar
com a fina sintonização do universo.

1
Esta aula pode ser encontrada em áudio aqui: http://www.rfmedia.org/blog/audio/rf_audiocast-2010-09-
06-51320.mp3 Ou no blog http://deusemdebate.blogspot.com/
Então, no primeiro caso, Hawking afirma o começo do universo, mas acha que a gravidade
quântica explica a sua origem e, segundo, ele afirma que existe a fina sintonização do
universo para a vida inteligente, mas apela para a hipótese dos Múltiplos Mundos e o
Princípio Antrópico para lidar com ela. Então, não há nada que eu possa ver até agora que
seja realmente diferente ou novo neste novo livro “O Grande Design.” O que eu encorajo
que os leitores façam é primeiro ler “A Veracidade da Fé Cristã” (Vida Nova, 2004) onde eu
interajo com as visões de Hawking sobre a origem do universo e a fina sintonização do
universo e, à luz dessa discussão, façam as seguintes perguntas, enquanto vê o novo livro
de Hawking:

(1) Que novos desenvolvimentos, que novas teorias são apresentadas nesse novo livro?
É apenas uma re-explicação do modelo Hartle-Hawking e da hipótese dos Múltiplos
Mundos, ou há algo novo aqui? Se não há nada de novo, está tudo bem! Mas, então
queremos perguntar: como o Professor Hawking responde às críticas da sua nova obra que
foram feitas no ínterim. Há muitas respostas na literatura às declarações anteriores de
Hawking, então: Ele responde a essas críticas e, nesse caso, como?

(2) Sobre a declaração de que o universo veio a existir espontaneamente do nada, o


professor Hawking escreve no artigo do Jornal Wall Street: “Como avanços recentes na
cosmologia sugerem, as leis da gravidade e da teoria quântica permitem que universos
apareçam espontaneamente a partir do nada. Criação espontânea é a razão porque existe
algo em vez de nada, porque o universo existe, porque existimos.”

Agora, o que precisamos perguntar ao Professor Hawking aqui é: Como está sendo usada a
palavra “nada” nessas declarações? Pela palavra “nada”, ele quer dizer o que o metafísico
ou filósofo diz, ou seja, “não ser”? Ele quer dizer literalmente “nada” no sentido de “não
ser”? E, se ele está usando nesse sentido filosoficamente correto, então ele precisa lidar com
os problemas metafísicos de como seres podem surgir de não ser. Se a teoria dele sugere
que seres surgem literalmente de não ser, sem nenhum tipo de causa, então isto eu acho
que é metafisicamente problemático e requer uma explicação. Um problema que seria
levantado é: Por que então só há universos desse tipo vindo à existência a partir da não
existência? Porque não surge... qualquer coisa? Porque não bicicletas, ou Beethoven, ou
cerveja preta? Se universos podem passar a existir da não existência, sem uma causa, por
que qualquer coisa não passa a existir da não existência, sem uma causa? Você não pode
dizer que isto é devido apenas a certas limitações da gravidade quântica, porque, se
realmente há não existência, não há gravidade quântica. Não há nada, e o “nada” não pode
ser limitado, porque o “nada” não é uma coisa, é um “não ser”. Então, ele precisa lidar com
estes problemas metafísicos...

Agora, se ele está usando a palavra nesse sentido filosoficamente acurado, a declaração no
artigo “As leis da gravidade e da Teoria Quântica permitem que universos apareçam
espontaneamente do nada” é em si mesma contraditória. Porque, se há leis da gravidade e
física quântica, então não é verdade que “Não há nada.” Então, a declaração é em si mesma
contraditória. Ele não pode dizer que as leis da gravidade explicam a origem do universo a
partir do nada, porque as leis da gravidade são apenas equações matemáticas e, como tais,
elas são objetos abstratos, que não aparecem em relações causais. Então, ele deve estar
dizendo que existe uma espécie de estado quântico, não apenas “nada.” Mas, se ele está
usando a palavra “nada” aqui não nesse sentido filosófico, mas apenas referindo-se a um
estado quântico em que o conceitos clássicos de espaço e tempo na Teoria da Relatividade
Geral, então não é verdade que estamos falando de “nada”! Então, há algo e você precisa
explicar a origem do universo a partir do nada, pois há algo.

E uma pessoa deveria perguntar: então, porque não pensar que Deus o criou? Porque Deus
não poderia ter criado os estados quânticos primordiais? Com base em quê Hawking diz
que Deus não criou algo, não criou o universo?” Então, acho que essa primeira declaração...
requer que se façam muitas perguntas, muitos exames, para ser entendida.

(3) O que dizer da sua declaração sobre a fina sintonização do universo e a explicação
dela pela hipótese dos Múltiplos Mundos? É isso o que ele tem a dizer no artigo do Jornal
Wall Street:

“Nosso universo parece ser um dentre muitos, cada um com várias leis diferentes. Essa
idéia do multiverso não é uma noção inventada para explicar o milagre da fina
sintonização, é uma consequência predita por muitas teorias na cosmologia moderna. Se
é verdade, ela reduz o Princípio Antrópico Forte ao Fraco, ou seja: se há muitos universos
aleatoriamente ordenados com suas constantes e quantidades, então, por mero acaso, se
esses universos estão ordenados em um número infinito, aparecerão universos finamente
sintonizados nesse conjunto de mundos e, assim, observadores que deverão ver seu
universo em particular como consistente com sua existência. Então, por mero acaso, estes
observadores vão existir, e a fina sintonização não precisa de mais explicações do que
Acaso!”

Agora, aqui novamente perguntas precisam ser feitas ao professor Hawking, e precisamos
ver se elas são abordadas no livro. Primeiro: não é suficiente simplesmente afirmar a
hipótese dos Múltiplos Mundos como uma possibilidade, nós queremos saber por que
pensar na hipótese dos Múltiplos Mundos é superior ao teísmo. Porque pensar que o
postulado dos Múltiplos Mundos é melhor do que o de um único Designer Cósmico? Em
particular, que mecanismo existe para explicar a origem dos Múltiplos Mundos? Que
mecanismo traz esses Múltiplos Mundos à existência? E, quando identificarmos esse
mecanismo, precisamos perguntar: ele é finamente sintonizado também? Se esse próprio
mecanismo produtor dos múltiplos mundos exibe fina sintonização, então na verdade a
fina sintonização não foi explicada, foi apenas empurrada um pouco mais além. Então, nós
precisamos perguntar se esse mecanismo que gera os múltiplos mundos é em si mesmo um
que não tenha qualquer fina sintonização envolvida.

Nós também precisamos fazer ao professor Hawking a pergunta: que evidência há de que
estes múltiplos mundos, se eles existem, são aleatórios em suas constantes e quantidades?
Se as constantes e quantidades apenas ocorrerem repetitivamente nesses múltiplos
mundos, então isso não faz nada para explicar a fina sintonização do universo. Mas que
razão há para acreditar que estas constantes e quantidades são aleatoriamente arranjadas ao
longo dos múltiplos mundos?

E porque deveríamos pensar que esses múltiplos mundos são infinitos em número, em vez
de finitos em número? Na verdade, quando você se lembra do Teorema de Borde-Guth-
Vilenkin, que prova que qualquer universo que esteja na média em qualquer estado de
expansão, não pode ser infinito no passado, mas deve ter um começo definido, e que este
teorema se aplica ao multiverso, então isso significa que o próprio multiverso, esse conjunto
de mundos, não é infinito no passado, mas teve um início. Então, precisamos perguntar:
como nós sabemos que não há apenas um número finito de outros mundos que foram
gerados até agora? E se for esse o caso, então porque pensar que há universos finamente
sintonizados que apareceram no conjunto de mundos? Qual é a evidência para isso? Que
garantia existe?

Além disso, nós gostaríamos de saber como Hawking responde à objeção de Roger Penrose
à hipótese dos Múltiplos Mundos. No seu livro “A Estrada Para a Realidade”, Penrose
argumenta que, se somos apenas um membro aleatório de um conjunto de mundos, então é
incompreensivelmente mais provável que estivéssemos observando um universo muito
diferente do que o que de fato observamos. Então, nossas observações tornam
esmagadoramente mais provável que não haja um conjunto de mundos, nossa observação
fortemente refuta a hipótese do Conjunto de Mundos. E Penrose então argumenta que esse
apelo aos Múltiplos Mundos e ao Princípio Antrópico é pior do que inútil para explicar a
fina sintonização do universo para a vida inteligente. Então, nós queremos perguntar: como
Hawking responde à objeção de seu colega Roger Penrose à hipótese dos Múltiplos
Mundos como explicação da fina sintonização.

Agora, nós vamos esperar a resposta dessas perguntas com a respiração suspensa. E eu
acho que é provavelmente por isto que esses “teasers” estão publicando isso na mídia
antes do lançamento: eles fazem você querer ler o livro e ver como o professor Hawking
defenderá suas declarações e ver como ele responderá essas perguntas. Então, quando o
livro for lançado, nós revisitaremos essas perguntas, e veremos se e como o professor
Hawking respondeu a elas.