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Com a vigência da Lei nº 13.

467/2017, diversos aspectos da legislação trabalhista


brasileira foram modificados, sendo em alguns pontos ampliados o direito dos
trabalhadores e em outro enfraquecidos, dentre as quais se destacam adiantes:
a) FRACIONAMENTO DAS FÉRIAS: Antes da alteração, o período de férias
só poderia ser gozado de uma única vez. A partir da alteração o trabalhador
pode dividir as férias em até três períodos, desde que um dos períodos não seja
inferior a quatorze dias corridos e os demais não inferiores a cinco dias
corridos, cada um.
Comentários: esse ponto da reforma foi bastante favorável para o trabalhador,
que agora pode usufruir de suas férias em até três vezes ao ano, conforme as
necessidades do trabalhador.

b) REDUÇÃO DO INTERVALO: Antes da alteração, o intervalo mínimo


intrajornada era de 1 (uma) hora para os trabalhadores em jornada acima de 4
horas, não podendo esse intervalo ser reduzido, sob pena de a empresa sofrer
consequências judiciais onerosas. Com a alteração, ampliou o poder do
sindicato em negociar com os empresários, via convenção ou acordo coletivo,
a redução do intervalo para 30 minutos, desde que a jornada diária supere 6
horas.
Comentários: Esse ponto ampliou o poder de negociação do sindicato,
permitindo que a própria categoria profissional decida sobre o intervalo que
melhor convém aos trabalhadores, sem gerar ônus financeiro aos empresários,
sendo favorável aos profissionais

c) JORNADA ESPANHOLA (12X36): Antes da alteração, para que uma


empresa pudesse contratar um profissional na jornada 12hx36h era preciso que
fosse previsto em lei ou ajustada exclusivamente mediante acordo coletivo de
trabalho ou convenção coletiva de trabalho. Com a mudança, a empresa pode
negociar em acordo individual de trabalho a fixação desse tipo de jornada, sem
a intervenção de um sindicato.
Comentários: A mudança flexibilizou a jornada de trabalho, permitindo que o
próprio profissional em conjunto com a empresa possa decidir a jornada de
trabalho que melhor atenda aos seus interesses, sem que seja imposto por
sindicato, sendo favorável aos profissionais e aos empresários.

d) IMPOSTO SINDICAL ANUAL: Uma vez ao ano, no mês de março, as


empresa eram obrigadas a descontar do trabalhador 1/30 do salário mensal do
trabalhador. Com a mudança, o desconto passou a ser facultativo, só podendo
ser descontado se o trabalhador anuir.
Comentários: a mudança possibilitou ao trabalhador decidir sobre o poder de
descontar ou não a contribuição, homenageando o princípio da liberdade de
associação sindical previsto na Organização Internacional do Trabalho, sendo
favorável ao trabalhador.
e) DEMISSÃO POR ACORDO: Não havia essa previsão, por isso ou a empresa
demitia sem justa causa, arcando com os elevados custos demissionais, ou o
trabalhador pedia para sair do emprego, perdendo diversas verbas
remuneratórias.
Comentários: Por não haver demissão por acordo, era comum o trabalhador
“fazer corpo mole” no trabalho para ser demitido e receber todas as verbas
devidas. Com a mudança, esse impasse diminiu, podendo ser feito mediante
acordo das duas partes, e garantindo o pagamento pela metade da indenização
de FGTS (40%) e do aviso prévio indenizado. Esse aspecto ambas as partes,
sendo essa mudança um ponto de equilíbrio dos interesses do trabalhador e
empregado.

f) TERCEIRIZAÇÃO DA ATIVIDADE FIM: Antes das alterações não era


possível terceirizar atividade fim (atividade principal do empregador), mas
somente atividade meio, como atividades de limpeza e segurança.
Comentários: Tal mudança vulnera o trabalhador, que passar a não ter vínculo
direto com a empresa que de fato presta serviço, mas para um empresa
interposta (terceiro).

g) JORNADA PARCIAL: Antes a jornada parcial era de aquela de até 25h


semanais, em que o período de férias anual era de até 18 dias/ano. Com a
mudança, a jornada parcial passou a 30h semanais, e o período anual de férias
foi ampliando para 30 dias.
Comentários: Antes da reforma os trabalhadores da jornada parcial tinham
suas férias limitadas a 18 dias/anos, já com a mudança equiparou-se o período
de férias com os demais trabalhadores, passando a ser de 30 dias/ano,
ampliando assim o direito dos trabalhadores.

h) BANCO DE HORAS: Antes da alteração o sistema de banco de horas só era


permitido se fosse instituído mediante convenção ou acordo coletivo. Com a
mudança, admite-se também que o funcionário de forma individual decida
com o patrão se quer aderir ao regime de banco de horas. Para esclarecer, o
regime de banco de horas é aquele em que há dias que o trabalhador ultrapassa
as 8h diárias (sem receber hora extra pelo excedente) e em outros trabalha
menos de 8h.
Comentários: A modificação enfraqueceu o poder dos sindicatos e favoreceu
a liberdade de escolha do trabalhador, sendo um aspecto favorável ao
trabalhador, mas que deve ser exercido com cautela, de modo a evitar que a
empresa engane o trabalhador deixando de pagar hora extras devidas se as
horas não forem compensadas na forma da lei.

i) TRABALHO EM CASA: A reforma regulamentou o trabalho em casa,


denominado teletrabalho, sendo definido como a prestação de serviços
preponderantemente fora das dependências do empregador, com a utilização
de tecnologias de informação e de comunicação que, por sua natureza, não se
constituam como trabalho externo.
Comentários: o teletrabalho foi bastante favorável para as empresas, sendo
mais seguro para as empresas implementar seus programas de trabalho remoto
e usufruir dos benefícios desta modalidade, diminuindo os custos com a
estrutura de trabalho no interior da empresa e por não ter que pagar horas
extras. Espera-se que assim aumente as oportunidades de emprego.

j) FALTA A AUDIÊNCIA: O trabalhador que ajuizar uma reclamação


trabalhista e que faltar a audiência será condenado a pagar as custas do
processo, ainda que receba Justiça Gratuita, a não ser que justifique a ausência
no prazo de quinze dias. Antes, a ausência a audiência tinha como
consequência apenas o arquivamento do processo.
Comentários: A mudança evita que o trabalhador que entre com uma ação
judicial e que depois falte a audiência, por arrependimento, não seja
penalizado. Com a mudança, espera-se que diminua a quantidade de ações sem
cabimento jurídico na justiça.