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RECEITA FEDERAL

direito tributário

conceito e classificação dos tributos

RECEITA FEDERAL direito tributário conceito e classificação dos tributos
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino S UMÁRIO Conceito e Classificação
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino S UMÁRIO Conceito e Classificação

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

SUMÁRIO

Conceito e Classificação dos Tributos

4

Definições Iniciais

12

1.

Direito e as Relações Jurídicas

12

1.1.

Direito Público e Direito Privado

13

1.2.

Direito Tributário

14

2. Estado

16

3. Receitas Públicas

16

Conceito e Classificação dos Tributos

21

1. Conceito de Tributo

21

2. Classificação dos Tributos

38

 

2.1.

Quanto ao Objetivo da Instituição

39

2.2.

Quanto à Atuação Estatal na Ocorrência do Fato Gerador

44

2.3.

Quanto aos Aspectos Pessoais do Contribuinte

46

2.4.

Quanto à Pessoa que Suporta o Ônus do Tributo

48

2.5.

Quanto ao Destino Legal do Produto da Arrecadação

50

3.

Espécies de Tributos

52

3.1.

A Natureza Jurídica do Tributo

58

3.1.1. A Disciplina do Artigo 4º do CTN

58

3.1.2. A Pentapartição e a Inaplicabilidade do Art. 4º do CTN

60

3.1.3. Possibilidades de Cobrança em Prova

62

 

3.2.

Impostos

67

3.2.1.

O Princípio da Capacidade Contributiva

68

3.2.1.1. Capacidade Contributiva e Progressividade

72

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 3.2.1.2. Capacidade Contributiva e
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 3.2.1.2. Capacidade Contributiva e

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

3.2.1.2. Capacidade Contributiva e Seletividade

74

3.2.1.3. Aplicação do Princípio da Capacidade Contributiva

75

3.2.1.4. A Progressividade e os Impostos Reais

79

3.3.

Taxas

82

3.3.1. Taxa de Serviço

84

3.3.2. Taxa de Polícia

94

3.3.3. A Base de Cálculo das Taxas

102

3.3.4. Taxas de Serviço x Preços Públicos

107

3.4.

Contribuição de Melhoria

109

3.4.1. Princípio do não Enriquecimento Injusto (ou Sem Causa)

111

3.4.2. Requisitos para a Cobrança

112

Resumo

121

Questões de Concurso

129

Gabarito

148

Questões Comentadas

149

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS

Olá, amigo(a) concurseiro(a)!

Seja muito bem-vindo(a) ao Gran Cursos e ao nosso curso de Direito Tributário

para o concurso de Auditor-Fiscal da Receita Federal.

Agora que você já deu o primeiro passo, iniciamos juntos uma jornada rumo à

aprovação.

Estudar para a Receita Federal não é tarefa das mais fáceis. Os concursos apre-

sentam um elevado grau de dificuldade nas provas e o nível de conhecimento dos

candidatos também é alto. Por isso, torna-se necessária uma preparação com pla-

nejamento e muita disciplina.

A preparação do candidato, hoje em dia, não deve se limitar à simples leitura do

material. O nível de preparação dos concorrentes não permite mais que você seja

aprovado(a) em algum certame apenas livrando a nota de corte. É necessário fazer

a diferença nas matérias-chave.

E, sem dúvida, o Direito Tributário representa um dos diferenciais da prova.

Mas, não é só isso. O Direito Tributário o(a) acompanhará durante toda a sua car-

reira. A sua aprovação será apenas o início. Após a posse, o Direito Tributário será

ferramenta de trabalho na carreira tributária e aduaneira da União.

Nessa linha, buscaremos, aqui, detalhar todo o conteúdo programático da ma-

téria, numa linguagem simples e objetiva, sem, contudo, ser superficial.

Nosso curso busca contemplar a atual forma de cobrança da Esaf, banca exa-

minadora do concurso. Trata-se de um curso completo, que aborda a visão clássica

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino da matéria aliada à jurisprudência
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino da matéria aliada à jurisprudência

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

da matéria aliada à jurisprudência dos Tribunais Superiores (STF e STJ), bem como

o estilo Esaf de cobrar a matéria, por meio da resolução de centenas de questões.

Buscarei atender tanto aos concurseiros do nível mais básico, ou seja, os que

estão vendo a matéria pela primeira vez, quanto aos com conhecimento mais avan-

çado, que desejam fazer uma revisão completa e detalhada da matéria. Mas, isso

é possível?

Uma das dificuldades na preparação para concursos é encontrar um material

que possa atender, por completo, candidatos do nível básico até o avançado.

Tenho percebido essa dificuldade entre os concurseiros. Acompanhando os fó-

runs especializados, é possível ver indicações do tipo: “se você for iniciante, utilize

o livro tal e quando estiver mais avançado, use o livro tal

”.

Diante desse fato, nosso objetivo é oferecer um curso completo, que atenda aos

mais variados níveis de candidatos e aborde tudo de forma bem detalhada, inclusi-

ve os posicionamentos doutrinários e jurisprudenciais.

Além disso, resolveremos centenas de questões, com foco total na Esaf, banca

examinadora do concurso, de tal forma que você ficará realmente preparado(a)

para fazer a prova.

Por fim, não podemos deixar de direcionar nosso estudo para a jurisprudência

do STF e do STJ, tendo em vista o excesso de cobrança desse material nas provas

da Receita Federal.

Assim, em cada aula do nosso curso teremos os seguintes módulos:

Módulo teórico: abordagem completa da matéria, vídeos complementares e

questões intercaladas com a teoria. Durante essa abordagem teórica, tere-

mos questões de várias bancas, e não apenas da Esaf. O intuito é apresentar

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todos os detalhes da matéria; DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino
todos os detalhes da matéria; DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

todos os detalhes da matéria;

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Módulo questões Esaf: bateria de, no mínimo, 25 questões, com foco total

na Esaf. Ao longo do curso, serão 325 questões da banca, totalmente co-

mentadas.

Apresentação do Professor

Antes de iniciar os comentários sobre o funcionamento do nosso curso, gostaria

de fazer uma breve apresentação pessoal.

Sou Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil e pós-graduando em Direito Tri-

butário. Atuei, inicialmente, como parecerista em processos tributários, bem como

na orientação aos contribuintes acerca de questões que envolviam a interpretação

da legislação tributária, mais precisamente referentes ao Imposto de Renda Pessoa

Física e Jurídica (IRPF e IRPJ).

Após um período como parecerista, passei a exercer minhas atividades na ma-

lha fiscal e na fiscalização do imposto de renda pessoa física. Atualmente, exerço

minhas funções no julgamento de processos do Simples Nacional.

Porém, antes de tomar posse no meu atual cargo, passei por uma verdadeira

jornada como concurseiro. Nesse intervalo, obtive aprovação nos seguintes certa-

mes:

Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil 2009, 68º lugar, 5ª maior nota na-

cional na prova discursiva;

Agente Fiscal de Rendas da SEFAZ/SP (ICMS/SP), 2009;

Analista Tributário da Receita Federal do Brasil (ATRFB), 2009;

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• Auditor-Fiscal de Ipojuca/PE, 2009; DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George
• Auditor-Fiscal de Ipojuca/PE, 2009; DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George

Auditor-Fiscal de Ipojuca/PE, 2009;

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Auditor-Fiscal de Abreu e Lima/PE, 2008 (1º lugar);

Gestor da Secretaria de Administração/PE, 2009;

Assistente Técnico Administrativo do Ministério da Fazenda, 2009.

Minha experiência como professor iniciou em 2012 no Estratégia Concursos,

onde permaneci até 2014, saindo para dedicar-me à coordenação pedagógica do

site Concurseiro Fiscal, que posteriormente expandiu para o Atitude Concursos.

Desde então, conto com centenas de alunos aprovados em todo o Brasil, em con-

cursos de alto nível como os da Receita Federal e dos fiscos estaduais e municipais.

Sou autor dos seguintes livros:

estaduais e municipais. Sou autor dos seguintes livros: Espero dividir com você a experiência de quem

Espero dividir com você a experiência de quem já foi concurseiro e enfrentou

diversas provas.

Vou me dedicar para disponibilizar o melhor material de Direito Tributário. Esse

é o diferencial que quero oferecer para a sua preparação.

Espero, assim, dividir com você a experiência de quem já foi concurseiro e en-

frentou diversas provas.

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Conteúdo e Cronograma das Aulas DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino
Conteúdo e Cronograma das Aulas DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Conteúdo e Cronograma das Aulas

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Nosso curso será dividido em 13 aulas, de acordo com o cronograma abaixo:

AULA 1 — Definições iniciais. Conceito e classificação dos tributos.

AULA 2 — Competência tributária.

AULA 3 — Limitações constitucionais ao poder de tributar. Imunidades. Princí-

pios constitucionais tributários.

AULA 4 — Tributos de Competência da União. Imposto sobre a Importação. Im-

posto sobre a Exportação. Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Imposto

sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Imposto sobre Produtos Indus-

trializados. Imposto sobre Operações Financeiras. Contribuições Sociais. Contri-

buição para o Pis/Pasep. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social

– Cofins. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Contribuições sociais previstas

nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art.11 da Lei n. 8.212, de 24 de

julho de 1991, e as instituídas a título de substituição. Contribuições por lei devidas

a terceiros (art.3º, § 1º, da Lei n. 11.457, de 16 de março de 2007). Contribuições

de Intervenção no Domínio Econômico.

AULA 5 — Tributos de competência dos Estados. Tributos de Competência dos

Municípios.

AULA 6 — Simples Nacional. Repartição das receitas Tributárias.

AULA 7 — Legislação Tributária. Constituição. Emendas à Constituição. Leis

Complementares. Leis Ordinárias. Leis Delegadas. Medidas Provisórias. Tratados

Internacionais. Decretos. Resoluções. Decretos Legislativos. Convênios. Normas

Complementares. Vigência da Legislação Tributária. Aplicação da Legislação Tribu-

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino tária. Interpretação e Integração
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino tária. Interpretação e Integração

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

tária. Interpretação e Integração da Legislação Tributária.

AULA 8 — Obrigação Tributária Principal e Acessória. Fato Gerador da Obrigação

Tributária. Sujeição Ativa e Passiva. Solidariedade. Capacidade Tributária. Domicílio

Tributário.

AULA 9 — Responsabilidade Tributária. Conceito. Responsabilidade dos Suces-

sores. Responsabilidade de Terceiros. Responsabilidade por Infrações.

AULA 10 — Crédito Tributário. Conceito. Constituição do Crédito Tributário. Lan-

çamento. Modalidades de Lançamento. Hipóteses de alteração do lançamento.

AULA 11 — Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Modalidades.

AULA 12 — Extinção do Crédito Tributário. Modalidades. Pagamento Indevido.

Exclusão do Crédito Tributário. Modalidades.

AULA 13 — Garantias e Privilégios do Crédito Tributário. Administração Tributá-

ria. Fiscalização. Dívida Ativa. Certidões Negativas.

Conforme exposto, abordaremos cada tópico do conteúdo programático, anali-

sando detalhadamente e vendo como a Esaf costuma cobrar em suas provas.

Metodologia Utilizada

A nossa didática será direcionada para o desenvolvimento da teoria intercalado

com questões comentadas à medida que os temas forem sendo apresentados, de

modo a unir a teoria e a prática de prova, fazendo com que você tenha uma visão

completa do assunto.

Isso ajuda muito na preparação, já que somente o estudo da teoria pode se tor-

nar cansativo, com muitos detalhes que acabam por confundir o aluno.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Nesse primeiro momento de abordagem
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Nesse primeiro momento de abordagem

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Nesse primeiro momento de abordagem teórica, veremos questões de diversas

bancas e não apenas da Esaf. O intuito é facilitar o aprendizado, já que as questões

serão selecionadas a fim de que a teoria seja fixada.

Durante a exposição da teoria, todas as questões apresentadas serão comen-

tadas. Após a conclusão de cada módulo teórico, teremos um bloco de, no mínimo, 25 questões exclusivamente da Esaf para que você as resolva, proceda à correção pelo gabarito e revise por meio dos comentários apresentados no final. Ou seja, nosso curso será composto de teoria + 325 questões comentadas. É um verdadeiro arsenal de questões, capaz de deixá-lo(a) preparadíssimo(a) para a prova!

Legislação Aplicável

Como base do nosso estudo, utilizaremos frequentemente a Constituição Fede- ral e o Código Tributário Nacional (CTN – Lei n. 5.172, de 25 de outubro de 1966). Por isso, é recomendado que você os tenha sempre que for acompanhar as aulas, de preferência impressos (ou em PDF), pois podem ser feitas anotações e desta- ques para consultas posteriores. Você pode acessá-los e imprimi-los nos seguintes links:

Constituição Federal de 1988

Código Tributário Nacional

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Abordagem DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Estudar Direito Tributário
Abordagem DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Estudar Direito Tributário

Abordagem

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Estudar Direito Tributário para o concurso da Receita Federal não pode ser res- trito à leitura da Constituição e do CTN. As provas evoluíram bastante e exigem do candidato, muitas vezes, entendi- mentos que não constam nas leis, mas estão firmados em discussões judiciais ou

defendidos por doutrinadores.

Partindo dessa constatação, se faz necessária uma abordagem completa, que

contemple esses entendimentos. Sendo assim, sempre que o assunto exigir, apre-

sentarei os posicionamentos dos Tribunais Superiores (jurisprudência do STF e do

STJ) e entendimentos doutrinários que ilustrem o tema em discussão.

Ademais, quando estivermos diante de temas mais polêmicos, buscarei explorar

qual o entendimento aceito pela banca, para que você não tenha dúvida na hora

da prova.

Assim, dada a importância da nossa matéria e feitas as considerações sobre o

nosso curso, vamos ao que interessa!

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino DEFINIÇÕES INICIAIS 1. Direito e
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino DEFINIÇÕES INICIAIS 1. Direito e

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

DEFINIÇÕES INICIAIS

1. Direito e as Relações Jurídicas

O convívio dos indivíduos em sociedade somente é possível a partir do estabe-

lecimento de regras que definam os limites de fazer ou deixar de fazer algo, bem

como as obrigações a que se sujeitam cada um dos integrantes em prol do interes-

se comum.

Nesse sentido, não há que se falar em sociedade dissociada do Direito, ainda

que este não esteja contemplado em normas escritas. É possível, por exemplo, que

o Direito seja manifestado nos costumes ou regras de conduta não escritas, mas

cuja disciplina é observada pelos membros de uma sociedade organizada. O Direito

compreende três acepções: sentido subjetivo, sentido objetivo e sentido didático.

Vejamos as definições de cada uma dessas acepções.

Em sentido subjetivo, o Direito assegura ao indivíduo a fruição daquilo que lhe

pertence, ou seja, é possível o exercício de tudo o que o convívio em sociedade lhe

permite. É o caso do direito de ir e vir ou liberdade de locomoção em todo o terri-

tório nacional, assegurado no art. 5º, XV, da Constituição Federal. Em linguagem

mais popular, é o “meu direito”, o “seu direito”, “o direito dos outros”

Do ponto de vista objetivo, o Direito compreende o conjunto de regras e nor-

mas que compõem o ordenamento jurídico, regulando as relações entre os indiví-

duos e assegurando meios que permitam a solução de conflitos. Trata-se, pois, do

arcabouço de normas, apresentadas sob as mais variadas formas possíveis (leis,

costumes, decisões judiciais etc.), impostas pela sociedade a fim de resguardar e

manter o equilíbrio dos interesses da própria sociedade.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Já em sentido didático, o
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Já em sentido didático, o

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Já em sentido didático, o Direito é a ciência que estuda as normas e as relações

jurídicas delas decorrentes. No exercício do direito subjetivo, o indivíduo pode aca-

bar extrapolando o direito de outrem, o que daria início a um conflito de interesses.

Exemplificando: imagine um acidente de trânsito envolvendo dois veículos,

no qual cada um dos motoristas afirma estar certo e o outro errado. Já pensou na

confusão?

Assim, do direito subjetivo (cada motorista defendendo que tem direito ao re-

paro do seu carro) nascem as relações jurídicas.

Por conseguinte, o Direito, como ciência, estuda não apenas o Direito em seu

sentido objetivo (leis e normas), como também sua acepção subjetiva (aplicação

das leis e normas ao caso concreto, assegurando que o indivíduo tenha seu direito

respeitado).

1.1. Direito Público e Direito Privado

A classificação do Direto em ramos dá-se, inicialmente, pela distinção entre o Direito Público e o Direito Privado. Os elementos diferenciadores estão relacionados às partes envolvidas na relação jurídica, ao conteúdo da norma e aos interesses tutelados por essa norma. No Direito Público, a norma tende a regular um interesse, direto ou indireto, do próprio Poder Público, caracterizado pela predominância da imperatividade, sem que haja margem para manifestação de vontade dos particulares. Assim, tem-se uma norma de Direito Público quando uma das partes envolvidas for a própria Ad- ministração Pública, na defesa dos seus interesses diretos ou indiretos. Nesse ramo do Direito, classificam-se o Direito Administrativo, o Direito Penal, o

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Direito Constitucional, o Direito
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Direito Constitucional, o Direito

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Direito Constitucional, o Direito Tributário, entre outros que revelem a supremacia do interesse público sobre o interesse particular dos indivíduos. Já no Direito Privado, há predominância dos interesses particulares e as normas são caracterizadas pela igualdade entre as partes, não havendo imperatividade, mas liberdade de manifestação de vontade. Compreende as normas que regulam as relações entre particulares, ou entre estes e as pessoas jurídicas de Direito Pú- blico, quando atuam despidas dessa qualidade, agindo como se particular fosse. Abrange, por exemplo, o Direito Civil e o Direito Comercial.

1.2. Direito Tributário

Como visto, o Direito Tributário é um dos ramos do Direito Público. Há que se observar, contudo, que o Direito é uno. A classificação em ramos ou disciplinas tem

finalidade meramente didática.

Seria impraticável estudar as relações jurídicas sob as diversas óticas possíveis

da vida em sociedade, sem que houvesse uma reunião das normas pelos aspec-

tos que lhes são comuns. Cabe ao Direito Penal, por exemplo, o estudo das rela-

ções decorrentes das infrações cometidas e as respectivas punições aplicadas pelo

Estado. Logo, levam-se em consideração as características das relações jurídicas

disciplinadas pelas normas, de modo a congregá-las em um ramo didaticamente

autônomo.

Essa autonomia, como exposto, é meramente didática, eis que os diversos ra-

mos do Direito se interligam, dada a unicidade da ciência jurídica. Muitas vezes,

como veremos ao longo do nosso estudo, o Direito Tributário recorre a conceitos

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino previstos em normas de outros
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino previstos em normas de outros

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

previstos em normas de outros ramos do Direito. Estudaremos, por exemplo, que

para entendermos em sua inteireza o imposto sobre a transmissão de bens por

causa mortis ou doação (ITCMD), faz-se necessário buscar, no Direito Civil, as de-

finições que envolvem a transferência da propriedade.

No Direito Tributário, ramo didaticamente autônomo do Direito Público, o objeto

de estudo é a relação jurídica entre o Estado e o sujeito passivo da relação tribu-

tária. Em outras palavras: a relação entre o fisco e os contribuintes. Essa relação

compreende não apenas a cobrança, mas inicia com a instituição do tributo em

lei, passando pela fiscalização e pela arrecadação dos valores. Com isso, torna-se

nítido que o objeto de estudo do Direito Tributário é extenso, vale dizer, vasta é a

legislação tributária, tendo em vista a incidência da tributação sobre as mais diver-

sas atividades, bens e rendas dos cidadãos, o que enseja um verdadeiro aparato

legislativo.

Ademais, considerando que a relação tributária envolve o pagamento de valores

de forma compulsória, o Direito Tributário é, dos ramos do Direito, no qual as con-

trovérsias são mais acentuadas. Ao sentir nas finanças o impacto negativo da tribu-

tação, milhares de contribuintes recorrem às instâncias administrativas e judiciais

para discutir os valores cobrados. Essa realidade enseja uma grande estrutura para

julgar as lides, tanto na esfera judicial como também nos órgãos administrativos

de julgamento.

Podemos perceber que a relação jurídico-tributária envolve uma gama de órgãos

e instituições, além de uma complexa legislação, capaz de permitir a arrecadação

e, consequentemente, o funcionamento de todo o Estado. Todos esses elementos

são objeto de estudo do Direito Tributário.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Todavia, vale destacar que não
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Todavia, vale destacar que não

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Todavia, vale destacar que não está compreendida neste universo a destinação

dos valores arrecadados. A decisão do Estado sobre a aplicação dos recursos ar-

recadados com os tributos se distancia da seara tributária e passa a ser objeto de

estudo do Direito Financeiro.

2. Estado

Dispõe a Constituição Federal que todo o poder emana do povo, que o exerce

por meio de representantes eleitos ou diretamente. Nesse sentido, há o Estado

Democrático, no qual o exercício do poder decorre da representatividade popular.

O Estado constitui a estrutura politicamente organizada, que exerce o poder so-

bre um povo e em favor do próprio povo, em determinado território. Desse modo, o

Estado existe para cumprir os interesses de toda a coletividade. Constitui, portanto,

pessoa jurídica de Direito Público.

Ao longo do nosso curso, faremos uso do termo Estado para designar o territó-

rio que apresente organização política, social, jurídica e administrativa, seja qual

for a esfera de governo. Nessa linha, muitas vezes, usaremos o termo Estado para

designar a União Federal, outras vezes os Estados-membros, o Distrito Federal ou

os Municípios.

3. Receitas Públicas

Diariamente, nos deparamos com notícias que retratam aumentos dos gastos

públicos, referentes a investimentos nas áreas de educação, saúde e infraestrutura.

Percebermos que o governo precisa arrecadar para custear essas despesas. Para

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino satisfazer o bem comum, ou
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino satisfazer o bem comum, ou

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

satisfazer o bem comum, ou seja, atender o interesse da coletividade, se faz ne-

cessário o ingresso de recursos nos cofres públicos.

Os tributos representam, sem dúvida, a fonte mais expressiva de receita para

o Estado, necessária para cobrir todos esses gastos. Contudo, é importante perce-

bermos que, apesar de representarem uma parcela significativa da arrecadação, os

tributos não constituem a única receita do Estado.

Isso porque o Estado se vale de duas formas distintas para captar recursos e po-

der conferir à coletividade o atendimento das suas necessidades. Para entendê-las,

precisamos analisar as formas de atuação do Estado.

O Estado existe para o atendimento do interesse público (interesse primário).

No entanto, como garantir o atingimento desse objetivo quando os interesses indi-

viduais divergem do interesse público?

É justamente para conferir à Administração Pública a garantia de atuar em prol

do interesse coletivo que o ordenamento jurídico lhe atribui uma série de prerroga-

tivas (privilégios). Trata-se do regime jurídico-administrativo, regido pelas normas

de Direito Público, por meio do qual o Estado ocupa posição de superioridade em

relação ao particular.

Exemplificando: em determinado Município, um bairro da periferia apresenta

grande demanda da população em relação a serviços de saúde. Suponha que exista

um terreno pertencente à prefeitura numa das vias principais desse bairro e de fácil

acesso para todos os moradores. A localização é ideal para a construção de um pos-

to de saúde. A área, porém, não é suficiente para a construção do posto, havendo

necessidade de aquisição de uma casa que fica ao lado do terreno. Os moradores

dessa residência têm o direito à propriedade, mas em decorrência do princípio da

supremacia do interesse público sobre o privado, o Estado reveste-se de poderes

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino que tornam possível o atendimento
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino que tornam possível o atendimento

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

que tornam possível o atendimento do fim comum, qual seja: a construção do pos-

to de saúde. Para isso, pode desapropriar esse imóvel, a fim de promover a cons-

trução e atender ao interesse de toda a coletividade.

Por outro lado, o Estado também pratica atos em que não se reveste de tais

poderes, pois não atua em nome do interesse público primário, mas no interesse

da própria Administração Pública (interesses secundários).

Seria o caso em que a prefeitura pretende alugar um imóvel para o funciona-

mento de um de seus órgãos. O órgão público não atua em posição de superiori-

dade em relação ao proprietário do imóvel. Assim, não poderia obrigá-lo a alugar

seu bem, caso não fosse do seu interesse. Trata-se, portanto, de um ato regulado

preponderantemente pelas normas de Direito Privado, caracterizado pela isonomia

entre as partes. Nessa situação, o Estado despe-se da sua condição de superiorida-

de e atua como se particular fosse.

Dos atos praticados pelo Estado, seja agindo em posição de superioridade (po-

der de império), seja em nível de igualdade com os particulares, pode resultar o in-

gresso de receitas nos cofres públicos. Agindo para a consecução dos seus interes-

ses primários, o Estado obtém receitas por meio de coerção dos particulares. Seria

o caso da aplicação de uma multa de trânsito, por exemplo. Agindo em condições

de igualdade, o Estado pode receber rendimentos de uma aplicação financeira, da

mesma forma que as demais pessoas. Partindo desse ponto, surgiu a classificação

das receitas públicas em receitas originárias e receitas derivadas.

As receitas originárias têm origem nas relações regidas preponderantemente

pelo Direito Privado, nas quais o Estado não se reveste do poder de império e age

em condições de igualdade com o particular, obtendo valores por meio da explora-

ção do próprio patrimônio. É o caso do aluguel de um prédio público. Nesse caso,

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino o Estado não pode obrigar
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino o Estado não pode obrigar

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

o Estado não pode obrigar ninguém a optar pelo seu imóvel. O particular o faz por

vontade própria, por meio de contrato firmado em condições de igualdade entre as

partes. Da concretização desse ato resulta uma receita de aluguel para o Estado,

classificada como receita originária. Da mesma forma seria classificada uma receita

resultante de aplicação financeira.

Já as receitas derivadas, como o próprio nome diz, derivam do poder de impé-

rio do Estado, ou seja, das relações de Direito Público, nas quais a Administração

atua em posição de superioridade, buscando o atendimento do interesse público. É

o caso dos tributos que, como veremos mais adiante, resultam de uma imposição,

não havendo qualquer opção dos contribuintes. Trata-se de obrigação, necessária

para que o Estado possa arrecadar e fazer face às demandas populares e à ma-

nutenção da máquina estatal. Outro exemplo de receita derivada seria uma multa

aplicada por infração à legislação, situação em que o infrator não pode se recusar

ao pagamento.

Para guardar bem esses conceitos, vamos esquematizar o que foi visto até aqui:

conceitos, vamos esquematizar o que foi visto até aqui: O conteúdo desta aula em pdf é

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Apesar de ser uma classificação
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Apesar de ser uma classificação

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Apesar de ser uma classificação de fácil entendimento, não é raro ser cobrada

em concursos. Vejamos.

não é raro ser cobrada em concursos. Vejamos. 1. (ESAF/APOF/SEFAZ/SP/2009) Constituem modalidade de

1. (ESAF/APOF/SEFAZ/SP/2009) Constituem modalidade de receita derivada, ex-

ceto:

a) tributos

b) penalidades pecuniárias

c) multas administrativas

d) taxas

e) preços públicos

c) multas administrativas d) taxas e) preços públicos Letra e. A questão exigiu simplesmente o que

Letra e. A questão exigiu simplesmente o que acabamos de estudar. Deve-se marcar a úni- ca opção que contém uma receita originária, já que as outras quatro constituem as chamadas receitas derivadas. Conforme estudaremos logo mais, as alternativas “a” e “d” apresentam tributos (na “a”, temos o gênero; na “d”, a espécie taxa), portanto, receitas derivadas, já que obtidas por meio do poder coercitivo do Estado. As alternativas “b” e “c” também contêm exigências que decorrem de imposição le- gal pelo Estado. Tanto as penalidades pecuniárias quanto as multas administrativas constituem uma exigência que surge em função do descumprimento de determina- da norma. Sendo assim, o Estado se vale da posição de superioridade para impor ao infrator as referidas exações.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Já os preços públicos surgem
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Já os preços públicos surgem

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Já os preços públicos surgem em decorrência da manifestação de vontade do parti- cular, apresentando natureza contratual e não impositiva, conforme veremos mais adiante em maiores detalhes.

Com efeito, concluímos que os tributos, apesar de contribuírem para o ingresso sig- nificativo de recursos nos cofres públicos, não são a única fonte de receita do Estado.

públicos, não são a única fonte de receita do Estado. Não há como negar a grande

Não há como negar a grande participação dos tributos (e demais receitas deriva- das) na arrecadação dos entes federados, sendo responsáveis pela manutenção da imensa maioria dos gastos do governo. Contudo, outras formas de ingresso, mais precisamente as receitas originárias, ainda que em volume bem menor, também

abastecem os cofres públicos.

Conceito e Classificação dos Tributos

1. Conceito de Tributo

De acordo com o que estudamos acima, os tributos compõem as receitas deri-

vadas, sendo, portanto, instituídos em função do poder de império do Estado para

custear os gastos públicos.

A definição de tributo está expressa no Código Tributário Nacional. Daí, verifica-

mos que a definição de tributo é legal, ou seja, é expressa em lei. Então, vamos à

nossa primeira consulta ao CTN.

No art. 3º, o Código define tributo:

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Art. 3º Tributo é toda
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Art. 3º Tributo é toda

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Observamos na definição legal de tributo um conjunto de termos que precisam

ser analisados individualmente para que possamos entender melhor o alcance do

seu conceito. Dessa forma, vamos separar as expressões e estudá-las de forma

particular.

Tributo é toda prestação:

Pecuniária;

Compulsória;

Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir;

Que não constitua sanção de ato ilícito;

Instituída em lei;

• Cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

Tributo é Prestação Pecuniária

A expressão prestação pecuniária significa que o tributo é algo pago em dinhei-

ro. Basta imaginarmos quando cumprimos o nosso papel de contribuintes.

Alguma vez você, consumidor e contribuinte de fato do ICMS, já pagou o impos-

to incidente sobre as suas compras no supermercado com parte das mercadorias?

Imagine só no momento do pagamento, o operador do caixa, ao registrar 1 quilo

de farinha, lhe informa que 170 gramas ficarão retidos para pagar o ICMS

Seria inviável, não é mesmo? Por isso, a própria definição de tributo prevê sua

quitação em dinheiro.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino E, ainda que não tivéssemos
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino E, ainda que não tivéssemos

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

E, ainda que não tivéssemos acabado de ler essa disposição do CTN, não seria

difícil chegar a essa conclusão a respeito do caráter pecuniário do tributo. Já que

o Estado precisa arrecadar para abastecer os cofres públicos e, assim, atingir o

interesse da coletividade, é certo que precisa de recursos dotados de liquidez,

vale dizer, que estejam livres e disponíveis em caixa para fazer face aos gastos

públicos.

Como veremos mais à frente no nosso curso, o CTN prevê que o pagamento

do tributo pode ser efetuado em cheque. Isso não significa que o tributo deixa de

ser prestação pecuniária. Primeiro, porque o cheque é uma ordem de pagamento à

vista, possuindo a mesma aceitação do pagamento em moeda. Em segundo lugar,

o próprio Código se apressa em definir que quando o tributo for pago em cheque,

apenas será considerado extinto (quitado) quando a ordem de pagamento (che-

que) for compensada.

Tributo é Prestação Compulsória

A Constituição Federal determina, no art. 5º, II, que ninguém será obrigado a

fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.

Por conseguinte, verifica-se que o caráter compulsório do tributo decorre da sua

instituição em lei. Ou seja, a lei é capaz de inovar no ordenamento jurídico, crian-

do direitos e obrigações para os administrados. Sendo assim, a compulsoriedade

nada mais é do que a confirmação do vínculo obrigacional a que o contribuinte se

submete por força de lei.

Temos, com isso, que a imposição do tributo não resulta da vontade do contribuin-

te, mas, como visto, do poder de império do Estado, que o exerce por meio das leis.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A Administração Pública precisa
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A Administração Pública precisa

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

A Administração Pública precisa arrecadar para custear suas despesas e, para

isso, institui os tributos, obrigando aqueles previstos em lei (os contribuintes) ao

pagamento.

Você já foi questionado(a) alguma vez se gostaria de pagar o imposto de ren-

da? Ou já chegou alguma correspondência da prefeitura lhe pedindo, por favor, que

ajude com alguma doação para o IPTU?

Não, amigo(a)! Isso porque o Estado não precisa pedir um favor para você

contribuir, pois uma vez instituído o tributo, que pela própria definição legal é uma

prestação compulsória e independente da vontade do contribuinte.

As obrigações, em geral, podem surgir de duas formas: por expressa determi-

nação legal ou por uma manifestação de vontade da pessoa.

Quando alguém é obrigado a fazer algo em virtude de lei, temos a obrigação ex

lege, ou seja, que decorre diretamente da lei, independentemente da vontade. É

o caso dos tributos. Ninguém paga tributo porque quer, mas porque é obrigado a

contribuir para a consecução do bem comum.

Já na situação em que alguém se obriga por manifestação de vontade, a obriga-

ção não decorre de forma direta da lei, mas porque a pessoa aceitou a obrigação.

Seria o caso de um contrato de aluguel, por exemplo. É inegável que quem assumiu

a responsabilidade de pagar o aluguel tem a obrigação de pagar. Essa obrigatorie-

dade, contudo, não decorre diretamente da lei, mas diretamente do contrato. Ora,

ninguém é obrigado a firmar contrato de aluguel. Se o fez foi por força da própria

vontade. Por isso, as obrigações contratuais ou aquelas assumidas pela vontade do

agente são chamadas de obrigações ex voluntate.

Alguns autores, como Paulo de Barros Carvalho, entendem que todas as obri-

gações decorrem de lei e que não deveria existir a classificação em duas espécies.

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Vejamos os argumentos do autor: DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino
Vejamos os argumentos do autor: DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Vejamos os argumentos do autor:

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

“ não há que se imaginar obrigações, no direito brasileiro, que não sejam ex lege.

Algumas requerem, de fato, a presença do elemento ‘vontade’ na configuração típica do acontecimento, enquanto outras não”. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 24ª ed., 2012, p. 59)

Há que se ressaltar, porém, que em se tratando de provas para concursos, não

prevalece esse entendimento. As bancas têm seguido a doutrina dominante, capi-

taneada por Hugo de Brito Machado:

“Certo, porém, é que a palavra compulsória está utilizada na definição legal de tributo para qualificar a obrigação jurídica que nasce independentemente da vontade

A distinção essencial há de ser vista no momento do nascimento da obrigação, e não no

momento de seu adimplemento. Por isso é que se explica a clássica divisão das obriga- ções jurídicas em legais, ou ex-lege, e contratuais, ou decorrentes de vontade.

É certo que as prestações contratuais também são obrigatórias, mas a obrigatoriedade,

nesse caso, nasce diretamente do contrato, e só indiretamente deriva da lei. Na pres- tação tributária, a obrigatoriedade nasce diretamente da lei, sem que se interponha qualquer ato de vontade daquele que assume a obrigação.” (MACHADO, Hugo de Brito. Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. I, 2ª ed. 2007, p. 89)

Tributo é Prestação em Moeda ou Cujo Valor nela se Possa Exprimir

Não se pode deixar de verificar que há uma redundância nessa expressão. Aca-

bamos de estudar que o tributo é prestação pecuniária. Logo, não seria necessário

destacar que é uma prestação em moeda. Nota-se certo exagero do legislador

nesse ponto.

Além disso, definir que tributo é prestação cujo valor pode ser expresso em mo-

eda já foi motivo de controvérsias. Afinal, você conhece algo que não possa ter seu

valor expresso em moeda nos dias atuais?

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Se pararmos para pensar, chegaremos
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Se pararmos para pensar, chegaremos

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Se pararmos para pensar, chegaremos à conclusão de que praticamente todos

os bens podem ser avaliados monetariamente. Até o nosso trabalho é avaliado em

expressão monetária, basta lembrarmos de que é quantificado pelo salário que re-

cebemos.

Analisar as situações sob esta ótica poderia nos levar à conclusão equivocada

de que o tributo poderia ser pago em bens (in natura) ou em trabalho (in labor).

Contudo, não é desse modo que ocorre a tributação. Imagine um médico que

possui um consultório próprio e nele trabalha, de segunda a sábado, das 8h às 18h,

auferindo, obviamente, seus rendimentos. Será que a União, ao cobrar o imposto

de renda desse médico, poderia exigir que o pagamento ocorresse por meio da

prestação de serviços em instituições públicas de saúde, atendendo pacientes do

SUS aos domingos?

Ora, essa situação seria inviável por dois motivos. Primeiro, apesar da grande ne-

cessidade de profissionais de saúde para atender no SUS, o governo precisa de recur-

sos financeiros para cobrir seus gastos. De outro lado, o médico não poderia se sujeitar

a mais de uma jornada, dessa vez aos domingos, seu único dia de folga, para pagar

seus tributos. Isso acabaria se transformando em uma pena de trabalho forçado.

Definitivamente, não foi esse o conceito trazido pelo CTN. Caso contrário, deve-

ríamos classificar a prestação do serviço militar obrigatório como tributo, o que é

inaceitável em nosso ordenamento.

A interpretação desse item aponta para a possibilidade de se adotar indexado-

res para quantificar os tributos.

Esclarecendo: vamos analisar o que ocorreu em nosso país há algum tempo e

fixaremos o entendimento.

Do final da década de 80 até meados da década de 90, a inflação atingia níveis

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino altíssimos. Assim, C$500,00 um dia
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino altíssimos. Assim, C$500,00 um dia

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

altíssimos. Assim, C$500,00 um dia já não valiam a mesma coisa no dia seguinte.

Suponha, agora, um tributo lançado em um determinado dia com vencimento para

15 dias. O valor do tributo na data do pagamento seria irrisório em comparação

com o que realmente era devido na data do lançamento. Com isso, o governo teria

uma grande perda na arrecadação, o que geraria um verdadeiro rombo nos cofres

públicos.

A fim de amenizar os efeitos dos altos índices inflacionários, foram criados al-

guns indexadores. A UFIR, por exemplo, que foi criada pela Lei n. 8.383/1991, com

o

seguinte enunciado:

Art. 1º Fica instituída a Unidade Fiscal de Referência-UFIR, como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos e de valores expressos em cruzeiros na legislação tributária federal, bem como os relativos a multas e penalidades de qualquer natureza.

Assim, o tributo era calculado em UFIR e o montante era apurado convertendo

o

valor para a moeda corrente. Como a UFIR era atualizada diariamente ou men-

salmente, dependendo da época, o valor do tributo não sofria com o impacto infla-

cionário.

Depreende-se daí o sentido da expressão “cujo valor nela se possa exprimir”, a

saber: a utilização de índices ou indexadores a fim de quantificar o tributo, já que sua

conversão em moeda é instantânea, sendo necessária uma simples multiplicação.

Com o advento da Lei Complementar n. 104/2001, outra controvérsia foi levan-

tada. Esta lei acrescentou o inciso XI ao art. 156 do CTN, permitindo a dação em

pagamentos em bens imóveis como forma de extinção do crédito tributário (vere-

mos esse assunto em mais detalhes quando abordarmos o tema crédito tributário).

A grande discussão girou em torno do aparente conflito entre essa nova forma

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino de quitação do tributo (através
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino de quitação do tributo (através

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

de quitação do tributo (através da entrega de bens imóveis) e a previsão do art. 3º

do CTN de que o tributo é pago em moeda.

Teria, então, a LC n. 104 derrogado (revogado parcialmente) a parte do art. 3º

do CTN de que tributo é prestação em moeda? Negativo!

A segunda parte da expressão prevista no art. 3º (“ou cujo valor nela se pos-

sa exprimir”) permite o uso de algo que possa ter seu valor expresso em moeda.

Logicamente, como vimos, não se pode valer dessa previsão para quitar o tributo

com a dação de bens ou a prestação de serviços. Contudo, como existe a previsão

do próprio CTN, é válida a quitação do tributo por meio da dação em bens imóveis.

Vale destacar que apenas o próprio CTN pode dispor sobre as formas de extin-

ção do crédito tributário (quitação do tributo) e que não houve, com o surgimento

dessa nova hipótese, a derrogação de qualquer expressão do art. 3º do Código.

Tributo é Prestação que não Constitua Sanção de Ato Ilícito

O tributo, como veremos mais adiante com a devida profundidade, surge com

a ocorrência de uma situação prevista em lei (fato gerador) e não por ter o contri-

buinte cometido alguma infração. Tributo não é punição.

Na ocorrência de alguma infração à legislação, há diversas maneiras de o Estado

penalizar o infrator, tais como multas, perdimento de bens, entre outras.

Essa expressão do art. 3º é de fundamental importância para entender que tri-

buto e multa não se confundem. São dois institutos distintos.

As multas, inclusive as tributárias, surgem em virtude do descumprimento da

legislação, o que as caracteriza como sanção (punição) ao ato ilícito (descumpri-

mento da lei). Ou seja, a multa é exatamente o que o tributo não pode ser: sanção

por ato ilícito.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A fim de ilustrar a
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A fim de ilustrar a

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

A fim de ilustrar a diferenciação entre tributo e multa, analisemos um trecho de

decisão do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 94.001/SP. Eis o voto

do relator, Ministro Moreira Alves:

O art. 3º do CTN não admite que se tenha como tributo prestação pecuniária compul- sória que constitua sanção de ato ilícito. O que implica dizer que não é permitido, em nosso sistema tributário, que se utilize de um tributo com a finalidade extrafiscal de se penalizar a ilicitude. Tributo não é multa, nem pode ser usado como se o fosse. Se o município quer agravar a punição de quem constrói irregularmente, cometendo ilícito administrativo, que crie ou agrave multas com essa finalidade. O que não pode – por ser contrário ao art. 3º do CTN, e, consequentemente, por não se incluir no poder de tributar que a Constituição Federal lhe confere – é criar adicional de tributo para fazer as vezes de sanção pecuniária de ato ilícito.

Se a ação do contribuinte é ato lícito e se enquadra na norma de incidência do

tributo, sofrerá a tributação, já que apenas os atos lícitos podem figurar como fato

gerador de tributo. Entretanto, pode ocorrer a tributação até mesmo sobre rendi-

mentos obtidos em atividades ilícitas.

O que é isso, professor? Agora complicou!?! Estamos estudando que tributo não

é sanção por ato ilícito. Como pode afirmar que os rendimentos decorrentes de ati-

vidades ilícitas podem ser tributados? Permita-me explicar.

A conduta ilícita em si jamais poderá ser tributada, vale dizer, nenhuma conduta

ilícita poderá corresponder ao fato gerador de um tributo. Por exemplo, fazer circu-

lar entorpecentes (traficar drogas) não pode ser fato gerador do ICMS. Um matador

de aluguel não pode ser considerado contribuinte do ISS, ainda que tenha prestado

um “serviço” ao contratante.

Isso se explica pelo fato de que o Estado não pode ser conivente com a prática

de atos que ele mesmo combate. Tributar o ilícito seria promover a ilicitude e ainda

arrecadar com isso.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Entretanto, há que se observar
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Entretanto, há que se observar

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Entretanto, há que se observar que, a partir de uma conduta ilícita, o praticante

do ato pode auferir rendimentos.

Utilizemos os mesmos exemplos que acabamos de ver. O traficante com certeza

aufere rendimentos advindos do tráfico. Da mesma forma, o matador de aluguel

também recebe pelo seu “serviço”. Os atos de traficar e de matar por encomenda,

analisados em si, não podem ser tributados, eis que constituem atos ilícitos.

Por outro lado, auferir rendimentos, analisado como fato isolado e consequente

do primeiro ato (traficar ou matar), não é um ato ilícito. Sendo assim, a norma de

incidência tributária vislumbra, tão somente, os aspectos econômicos da situação

que configura o fato gerador.

Logo, a tributação da renda que tenha origem em ato ilícito não representa pu-

nição por esse ato. Ao cobrar imposto de renda do traficante, a União não estará

punindo o tráfico. A punição pela atividade ilícita virá na esfera penal. O tributo

surge pela ocorrência do fato gerador (obter rendimentos).

Com efeito, podemos constatar que ocorrem dois atos concomitantes nessas

atividades: um ilícito (traficar, matar etc.), cuja consequência é a punição na esfera

penal, e outro lícito (auferir rendimentos), cuja consequência é a tributação dos

rendimentos.

Mas, agindo assim, o Estado não estaria abastecendo os cofres públicos com

recursos oriundos de atividades criminosas, combatidas pelo próprio Estado? Isso

não seria ilegal?

Como explicamos, o ato de auferir rendimentos não é ilegal, é lícito, ainda que

tenha decorrido de uma atividade ilícita praticada anteriormente. Não obstante, a

eventual dúvida que possa pairar sobre uma suposta ilegalidade dessa tributação,

o tema há que ser analisado sob a ótica da isonomia.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Imagine só: você que estuda
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Imagine só: você que estuda

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Imagine só: você que estuda anos para passar num concurso, consegue a tão

sonhada aprovação e, quando recebe o primeiro salário de fiscal, percebe que o

imposto de renda levou uma boa parcela. Agora, pense naquele traficante que re-

cebeu três vezes mais que seu salário em apenas um dia de “trabalho”.

Seria justo não exigir o imposto de renda dele? Sem dúvida iria configurar uma

afronta ao princípio constitucional da isonomia, segundo o qual, em linhas gerais,

não se pode conferir tratamento desigual entre contribuintes.

Nesse sentido, já se posicionou o STF e é o que a doutrina costuma chamar de

“ilicitude subjacente”. Guarde bem essa expressão!

Toda essa explicação tem fundamento legal. Trata-se do conhecido princípio tri-

butário do pecunia non olet, ou simplesmente non olet, previsto no art. 118 do CTN:

Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindo-se:

I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsá- veis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.

A origem desse princípio nos remete aos primórdios da tributação, mais espe- cificamente ao Império Romano. A expressão significa: dinheiro não cheira. Vamos entender.

Havia sido instituído em Roma tributo exigido pelo uso das latrinas públicas.

Inconformado com aquela forma humilhante de abastecer os cofres públicos, o

filho do imperador Vespasiano teria lhe questionado acerca dos motivos daquela

imposição. Prontamente, o pai apresentou uma moeda de ouro e perguntou-lhe se

cheirava. O filho lhe respondeu “não cheira” (non olet). Com isso, demonstrou o

imperador que o dinheiro arrecadado com determinada situação não trazia consigo

o mau cheiro da sua origem.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Em termos atuais, o tributo
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Em termos atuais, o tributo

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Em termos atuais, o tributo não traz consigo a ilicitude subjacente do ato que

deu origem aos rendimentos.

É muito comum ver esse assunto ser cobrado em prova. Veja só:

muito comum ver esse assunto ser cobrado em prova. Veja só: 2. (ESAF/ANALISTA DE COMÉRCIO EXTERIOR/ACE/MDIC/2012)

2. (ESAF/ANALISTA DE COMÉRCIO EXTERIOR/ACE/MDIC/2012) Segundo a defini-

ção de tributo presente no Código Tributário Nacional, uma de suas características

é a de não constituir sanção por ato ilícito. Assim sendo, julgue como Falso (F) ou

Verdadeiro (V) os itens a seguir e assinale a opção correta.

I – Ainda no caso de furto de sinal por “clonagem”, o ICMS − Imposto sobre

Circulação de Mercadorias e Serviços − é devido sobre o serviço de telefonia

móvel onerosamente contratado de operadora por usuário.

II – A renda obtida com o tráfico de drogas deve ser tributada, já que o que se

tributa é o aumento patrimonial, e não o próprio tráfico.

III – No caso de importação ilícita, reconhecida a ilicitude e aplicada a pena de

perdimento, não poderá ser cobrado o imposto de importação, já que “impor-

tar mercadorias” é elemento essencial do tipo tributário. IV – As vendas inadimplidas equivalem às vendas canceladas para fins de incidên- cia tributária, eis que no sistema tributário nacional, embora tenha consagra- do o regime de competência como a regra geral de apuração dos resultados, o inadimplemento constitui hipótese de cancelamento de venda, e não tendo ingressado a receita de venda, não há que se falar em tributação.

a) F, V, V, F

b) V, V, V, F

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino c) F, V, V, V
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino c) F, V, V, V

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

c) F, V, V, V

d) V, F, V, F

e) V, V, F, F
e) V, V, F, F

Letra b. Essa questão ilustra tudo o que acabamos de ver. Analisemos cada assertiva. I – Certo. O fato de o usuário ter sua linha clonada não afasta a incidência do ICMS sobre o serviço de comunicação contratado. II – Certo. Conforme exposto, a tributação dos rendimentos ocorre independente- mente da licitude ou ilicitude do ato praticado pelo contribuinte. Trata-se do princí- pio do non olet, previsto no art. 118 do CTN. Sendo assim, os rendimentos advin- dos da exploração do tráfico de drogas são tributáveis, porquanto não se confunde a atividade ilícita do contribuinte com o fato tributário de auferir rendas. III – Certo. Como vimos, o ato ilícito não pode constituir o fato gerador do tributo. O tributo não pode ser sanção por ato ilícito. A ação ilícita analisada isoladamente está sujeita apenas à punição, que no caso em questão culminou no perdimento das mercadorias.

IV – Errado. Se a empresa deixou de receber os valores dos seus clientes, isso

não significa que estará dispensado da tributação. A cobrança dos valores pelas

respectivas vendas é algo que faz parte da relação comercial, mas pouco importa

para a relação tributária.

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Tributo é Prestação Instituída em Lei DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George
Tributo é Prestação Instituída em Lei DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George

Tributo é Prestação Instituída em Lei

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Esse item do conceito de tributo confirma seu caráter compulsório que estuda-

mos há pouco. Em outras palavras, para que seja compulsório, se faz necessária a

instituição mediante lei, visto que apenas a lei é veículo normativo apto para inovar

no ordenamento jurídico, criando direitos e obrigações para os administrados, vale

dizer, é instrumento dotado de abstração e generalidade.

É importante destacar que a expressão lei faz referência a ato normativo com

força de lei, o que inclui as medidas provisórias. Essa disciplina do CTN encontra

guarida no art. 150, I, da Constituição Federal:

Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:

I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;

Por conseguinte, a instituição do tributo pode ocorrer mediante lei ordinária

ou lei complementar, a depender do tributo, ou, ainda, ato normativo com força

de lei, que é o caso das medidas provisórias, conforme disposição do art. 62, da

CF/1988,caput e § 2º:

Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada.

Sendo assim, é vedada a instituição de tributos por atos infralegais, aqueles que

se encontram hierarquicamente abaixo das leis, como é caso dos decretos.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A FCC tem adotado, nas
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A FCC tem adotado, nas

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

A FCC tem adotado, nas provas, uma nomenclatura bastante interessante para

afirmar esse item do art. 3º do CTN. Tem sido comum nas provas dessa banca,

aparecer nas alternativas a expressão “tributo está submetido à reserva legal”.

Está perfeita essa colocação da banca! Mas o que isso significa? Isso confirma

tudo o que foi exposto até aqui. Estar submetido à reserva legal significa que, para

ser instituído, o tributo precisa estar previsto em lei em sentido estrito, ou seja, lei

propriamente dita (ordinária ou complementar) ou ato normativo com força de lei,

capaz de inovar no ordenamento jurídico, criando para os administrados direitos e

obrigações.

Sendo assim, amigo(a), quando se deparar com uma questão que apresente

essa expressão, não tenha dúvida: marque-a como correta!

Tributo é Prestação Cobrada Mediante Atividade Administrativa Plena-

mente Vinculada

De acordo com o que estudamos no Direito Administrativo, os atos administra-

tivos podem ser classificados em vinculados ou discricionários, de acordo com a

margem que a lei confere ao servidor para decidir certos elementos.

Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello, “atos vinculados seriam aqueles

em que, por existir prévia e objetiva tipificação legal do único possível comporta-

mento da administração em face de situação igualmente prevista em termos de

objetividade absoluta, a administração ao expedi-los não interfere com apreciação

subjetiva alguma”.

Para o renomado autor, atos discricionários “seriam os que a administração pra-

tica com certa margem de liberdade de avaliação ou decisão segundo critérios de

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino conveniência e oportunidade formulados
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino conveniência e oportunidade formulados

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

conveniência e oportunidade formulados por ela mesma, ainda que adstrita à lei

regulamentadora da expedição deles” (Elementos de Direito Administrativo. 1980,

p. 61).

A cobrança do tributo é vinculada, conforme determinação do CTN. Ou seja, não

resta qualquer margem de decisão para a autoridade que irá efetuar o lançamento

do tributo. Todos os aspectos do tributo (fato gerador, alíquota, base de cálculo,

contribuintes) são definidos na legislação e cabe à autoridade que efetuará o lan-

çamento obedecer à lei.

Ademais, não pode o servidor, na atividade de cobrança do tributo, decidir qual

o valor vai cobrar e de quem vai cobrar. Ele está estritamente vinculado à determi-

nação legal.

Analisadas as partes que compõem o conceito de tributo, vamos resumir de

forma gráfica:

o conceito de tributo, vamos resumir de forma gráfica: Uma informação importante que podemos abstrair do
o conceito de tributo, vamos resumir de forma gráfica: Uma informação importante que podemos abstrair do

Uma informação importante que podemos abstrair do esquema acima é que, para se inserir no espectro do tributo, a prestação deve cumprir todas as exigências do CTN, art. 3º, totalizando seis características.

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Não fosse assim, muitas prestações
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Não fosse assim, muitas prestações

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Não fosse assim, muitas prestações poderiam, equivocadamente, ser classifica- das como tributo, atendendo apenas parte do art. 3º do Código Tributário Nacional, o que não é suficiente. Como exemplo, poderíamos tomar o serviço militar obrigatório, os trabalhos nas eleições e o FGTS. Sobre os dois primeiros, conforme já estudamos, não representam prestação pecuniária. Não há que se falar em natureza tributária para prestações em serviços (in labor) ou em bens (in natura). Vejamos como já foi cobrado em prova.

bens ( in natura ). Vejamos como já foi cobrado em prova. 3. (ESAF/TÉCNICO DA RECEITA

3. (ESAF/TÉCNICO DA RECEITA FEDERAL/2000/ADAPTADA) Julgue a seguinte as- sertiva. A prestação de serviço militar é compulsória e não constitui sanção a ato ilícito, porém não tem a natureza de tributo porque não é prestação pecuniária.

natureza de tributo porque não é prestação pecuniária. Certo. Como acabamos de destacar, para ser considerada

Certo. Como acabamos de destacar, para ser considerada tributo, a prestação deve se en- quadrar em todas as exigências previstas na definição do art. 3º do CTN. Apesar do serviço militar obrigatório atender a alguns preceitos do art. 3º do CTN, elimina-se do conceito de tributo, eis que não se trata de prestação pecuniária. Quanto ao FGTS, podemos perceber que, para as empresas, representa uma prestação pecuniária, compulsória, instituída em lei, cobrada de forma vinculada e não constitui sanção por ato ilícito. Seria o FGTS pago pelas empresas uma espécie de tributo? A resposta é negativa, mas já houve muita controvérsia sobre o tema.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Apesar de se enquadrar quase
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Apesar de se enquadrar quase

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Apesar de se enquadrar quase que perfeitamente no conceito de tributo previsto no art. 3º do CTN, o FGTS é recolhido pelas empresas a favor dos seus empregados e os valores compõem um fundo, cuja destinação acaba sendo individualizada em conta exclusiva para cada empregado. Sendo assim, a prestação é excluída do conceito de tributo eis que não repre- senta receita pública, mas depósito em conta vinculada do trabalhador. O Supremo Tribunal Federal já havia firmado entendimento nesse sentido, mesmo antes da atual Constituição, no RE 100.249/SP, citado pelo TRF da 4ª Região:

“As contribuições para o FGTS não têm natureza tributária. O FGTS, originalmente con- cebido como substitutivo da estabilidade no emprego, tem natureza social trabalhista e destina-se a constituir um pecúlio para o trabalhador. O fato de as contribuições serem cobradas e sua aplicação ser administrada pelo Estado não as transforma em receita pública, como já afirmou, enfaticamente o Supremo Tribunal Federal (Pleno, RE 100.294/SP, Min. Oscar Correa, Rel. p/ acordão Min. Neri da Silveira, DJ de 01- 07-1988, p. 16903).” (excerto do voto do Des. Fed. Antônio Albino nos autos do AI 2005.04.01.054558-8/RS, 2ª T do TRF4, ago/06)

Pacificando definitivamente o tema, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou, em 2008, a Súmula n. 353:

Súmula n. 353/STJ As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições para o FGTS.

2. Classificação dos Tributos

Agora que já estudamos em detalhes a definição de tributo, vamos verificar

como eles podem ser classificados a partir de vários aspectos.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Legalmente, não há uma
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Legalmente, não há uma

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Legalmente, não há uma classificação dos tributos, ou seja, a lei não estabelece

a divisão dos tributos em classes. O CTN até apresenta uma divisão dos impostos

pelo aspecto econômico da sua incidência, mas de pouca importância em se tratan-

do de prova para concursos.

O Código classifica os impostos em: impostos sobre o comércio exterior, im-

postos sobre o patrimônio e a renda, impostos sobre a produção e a circulação e

impostos especiais.

Essa classificação está em desuso. Além disso, há que se observar que divide

apenas os impostos e não os tributos em geral.

A separação dos tributos em função de determinados aspectos tem origem na

doutrina, tanto do próprio Direito Tributário como de outros ramos do Direito, como

o Direito Financeiro, por exemplo, que estuda, dentre outros temas, as receitas

públicas.

É de grande importância entender essa classificação, pois a compreensão das

normas relativas a vários temas aqui estudados depende do tipo de tributo sobre o

qual incidirá a norma, como por exemplo a progressividade e a seletividade, temas

que serão estudados mais adiante.

Vejamos, então, como podem ser classificados os tributos.

2.1. Quanto ao Objetivo da Instituição

Vimos que os tributos constituem a fonte de receita mais expressiva do Estado. Logicamente, o principal objetivo da instituição de um tributo é arrecadar, abaste- cer os cofres públicos a fim de satisfazer o interesse da coletividade.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Isso mesmo! É o principal
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Isso mesmo! É o principal

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Isso mesmo! É o principal objetivo, mas não é o único. Nem sempre os tributos são criados com a finalidade exclusiva de arrecadar. A tributação interfere, muitas vezes, no comportamento dos contribuintes, principal- mente naqueles tributos que incidem sobre o consumo. A redução das alíquotas do IPI já levou milhares de consumidores às lojas para aproveitar os preços reduzidos. Quem nunca viu a propaganda: “aproveite os últi- mos dias de IPI reduzido e leve seu carro 0km por R$ 20.000,00”? Sem dúvida, a instituição de um tributo ou a alteração das suas alíquotas inter- fere no comportamento dos consumidores. Os estudiosos das finanças públicas de- fendem que o ideal seria a tributação neutra, ou seja, um sistema em que a carga tributária não interferisse nas escolhas dos contribuintes. Mas, infelizmente, não é o que ocorre em nosso país. Vamos, então, entender como funciona a classificação dos tributos nesse aspecto. Quanto ao objetivo da instituição os tributos podem ser fiscais, extrafiscais ou parafiscais. Tributos fiscais: os tributos são considerados fiscais quando seu principal ob- jetivo é arrecadar, gerar renda para que o Estado possa abastecer os cofres pú- blicos e assim cobrir seus gastos. Como exemplo podemos destacar o ICMS, que garantiu o ingresso de R$ 111.768.300.000 aos cofres do Estado de São Paulo, de janeiro a novembro de 2015, segundo o SEFAZ/SP. Um valor bastante expressivo,

não é mesmo?

Tributos extrafiscais: podem ser classificados nessa categoria os tributos cuja

finalidade principal não é arrecadar, mas regular algum setor econômico ou social,

influenciando no comportamento do mercado. É o caso do imposto de importação

que, muitas vezes, serve para proteger a indústria nacional.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Vamos utilizar um exemplo,
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Vamos utilizar um exemplo,

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Vamos utilizar um exemplo, desconsiderando a incidência de princípios tribu-

tários que estudaremos na próxima aula, como o não confisco. Suponhamos que

houve um aumento gigantesco das importações de tênis da China, em decorrência

do baixo valor. A indústria nacional não tem condições de competir com os preços

baixos dos produtos chineses, já que paga muitos encargos trabalhistas, tributos,

insumos caros etc. Com essa oferta de produtos a preços baixos no mercado na-

cional, a indústria brasileira não teria condições de se manter em operação, suas

vendas certamente iriam cair muito.

A fim de proteger a indústria nacional, garantindo a manutenção de empregos

e a aplicação de recursos na economia do país, a União pode elevar a alíquota do

imposto de importação incidente sobre esses produtos.

Imaginemos que um calçado nacional custe R$ 100 para o consumidor final e

que os chineses custem R$ 40, com mais R$ 20 de imposto de importação (descon-

sidere os demais encargos). Teríamos, então, uma alíquota de 50% para o imposto

de importação. Com o impacto das importações para a indústria nacional, o gover-

no federal resolve elevar a alíquota do imposto para 200%.

Assim, o valor do produto chinês passaria a ser de R$ 120 (R$ 40 do produto e

R$ 80 de imposto).

Ora, quem estava optando por adquirir os calçados chineses apenas pelo preço,

certamente vai mudar de atitude, já que o nacional passou a ser mais em conta.

Verifica-se que o intuito do governo com a elevação da alíquota do imposto de

importação não foi aumentar a arrecadação. Essa, inclusive, pode até diminuir,

tendo em vista a redução significativa na quantidade de importações de calçados

chineses.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino O objetivo foi, claramente, proteger
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino O objetivo foi, claramente, proteger

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

O objetivo foi, claramente, proteger a indústria nacional e manter os recursos

circulando na nossa economia. Esse é o caráter extrafiscal do tributo.

Ressaltamos que o caráter fiscal ou extrafiscal de um determinado tributo

define sua finalidade principal, mas não caracteriza a sua plenitude. O que isso

significa? Que nenhum tributo será completamente fiscal ou completamente

extrafiscal.

Como vimos, não existe tributo neutro por inteiro. Acabam interferindo, de al-

guma forma, no comportamento dos contribuintes, dependendo da carga suporta-

da e da situação econômica de cada um.

Assim, ainda que um tributo tenha sido criado com o objetivo de arrecadar, não

deixará de ter uma parcela de extrafiscalidade. Da mesma forma, um tributo extra-

fiscal resulta em valores arrecadados para os cofres públicos. É o que ensina Paulo

de Barros Carvalho:

“Não existe, porém, entidade tributária que se possa dizer pura, no sentido de realizar tão só a fiscalidade, ou, unicamente, a extrafiscalidade. Os dois objetivos convivem har- mônicos, na mesma figura impositiva, sendo lícito apenas verificar que um predomina sobre o outro.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 21ª edição. Saraiva, 2009, p.256)

Podemos concluir que um tributo é preponderantemente fiscal ou preponderan-

temente extrafiscal.

É de extrema importância conhecermos os impostos cujo caráter é predominan-

temente extrafiscal, pois muitos dos princípios constitucionais tributários podem

ter sua aplicação excetuada em virtude dessa característica. São eles: Imposto de

Importação (II), Imposto de Exportação (IE), Imposto sobre Operações de Crédito,

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Câmbio e Seguro ou Relativas
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Câmbio e Seguro ou Relativas

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários (IOF), Imposto sobre

Produtos Industrializados (IPI).

Embora nossa Constituição não confira uma disciplina específica a respeito da

extrafiscalidade, é possível observar em diversos dispositivos que autorizam a ado-

ção da extrafiscalidade para diversos tributos, além daqueles predominante extra-

fiscais por natureza, citados acima.

No art. 149, há a previsão da competência para a União instituir Contribuição de

Intervenção no Domínio Econômico (Cide), tributo que é instituído justamente com

o intuito de promover a extrafiscalidade. Outra disposição constitucional é direcio-

nada ao Imposto Territorial Rural (ITR), prevendo a aplicação de progressividade

das alíquotas a fim de desestimular as propriedades improdutivas (art. 153, § 4º,

I). Previsão semelhante ocorre para o IPTU, que pode ter alíquotas progressivas no

tempo, caso o proprietário não promova o adequado aproveitamento da sua pro-

priedade (art. 182, § 4º, II).

Para finalizar nossa análise sobre o conceito e amplitude da extrafiscalidade,

vejamos a lição esclarecedora de Alessandro Mendes Cardoso:

“Uma característica marcante do sistema fiscal no Estado Democrático de Direito é o seu emprego com finalidade extrafiscal. Nesse paradigma, efetivamente, o tributo, além da função arrecadatória, é desenvolvido como instrumento de obtenção de certos fins constitucionais, sendo meio de intervenção do Estado em áreas específicas da vida so- cial. Essa função é mais nítida e desenvolvida na esfera econômica, em que o tributo é importante elemento para a consecução dos objetivos da política econômica do Estado. Entretanto, a sua utilização extrafiscal vem sendo desenvolvida em outras áreas – por exemplo, na chamada ‘tributação ambiental’. A instituição de tributo de característica

extrafiscal tem, portanto, a sua validade vinculada a que este trabalhe realmente na

consecução dos objetivos constitucionais que justificam a sua existência (segundo uma

análise de meios e fins), sendo que o tributo deve ser razoável e proporcional e respeitar

os limites fixados pelos princípios do não confisco e do mínimo-existencial.” (CARDOSO,

Alessandro Mendes. O dever fundamental de recolher tributos no Estado Democrático

de Direito. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014, p.194)

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Tributos parafiscais : ocorre a
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Tributos parafiscais : ocorre a

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Tributos parafiscais: ocorre a parafiscalidade quando o ente que detém a

competência para instituir determinado tributo delega a outra entidade a capacida-

de para fiscalizar e cobrar, além de destinar a esta entidade os recursos arrecada-

dos para o desempenho das suas atividades institucionais. É o caso dos órgãos de

fiscalização dos conselhos de classe: Crea, CRC, CRM etc., que cobram as contri-

buições dos profissionais e têm o produto da arrecadação revertido para o desen-

volvimento das suas atividades institucionais.

o desen - volvimento das suas atividades institucionais. Essa expressão “parafiscal” parece estar em desuso pela

Essa expressão “parafiscal” parece estar em desuso pela doutrina majoritária. Al-

guns entendem que a parafiscalidade não seria uma finalidade. A finalidade seria

arrecadar, ainda que distribuindo o resultado da arrecadação. Com isso, o objetivo

seria fiscal, não havendo que se falar em parafiscalidade como objetivo.

De qualquer modo, críticas doutrinárias à parte, a parafiscalidade ainda tem

sido objeto de questões de prova, bastando que o candidato conheça as duas ca-

racterísticas marcantes: delegação da capacidade tributária ativa e destinação do

produto da arrecadação à entidade.

2.2. Quanto à Atuação Estatal na Ocorrência do Fato Gerador

Esta classificação leva em consideração a atuação estatal na situação que dá

origem ao surgimento do tributo, ou seja, o fato gerador. Nessa linha, temos os

tributos vinculados e os não vinculados.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Tributos vinculados : são aqueles
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Tributos vinculados : são aqueles

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Tributos vinculados: são aqueles cujo fato gerador ocorre em função de al-

guma ação estatal relativa ao contribuinte. É o caso das taxas pela prestação de

algum serviço público, como a taxa de coleta de lixo, por exemplo. Note que, nesse

caso, houve uma ação do Estado para fazer surgir o tributo, sendo, portanto, clas-

sificado como vinculado.

Grande parcela da doutrina costuma chamar os tributos vinculados de con-

traprestacionais, em virtude da contraprestação estatal que gera a sua cobrança.

Classificam-se nessa categoria as taxas e as contribuições de melhoria.

Nos tributos vinculados, dada a atuação do Estado na situação que faz nascer

a obrigação tributária, podemos afirmar que seu fato gerador é um fato do Estado,

ou seja, o contribuinte demanda uma atuação estatal e, a partir dela, tem-se a

ocorrência do fato gerador do tributo.

Tributos não vinculados: são os que surgem devido a alguma ação do próprio

contribuinte, independentemente de qualquer ação do Estado. É o caso dos impos-

tos. Tomemos como exemplo o imposto de renda. Um trabalhador recebe o seu

salário já com o desconto do imposto, que foi retido na fonte. Mas o que o governo

fez em troca para que ele conseguisse obter aquela renda? Absolutamente, nada!

O que o Estado fez para que você conseguisse adquirir seu veículo? Coisa algu-

ma! Mas a propriedade de veículo automotor enseja o nascimento da obrigação de

pagar o IPVA.

Nos tributos não vinculados, dada a ausência de qualquer ligação entre o fato

gerador e a atuação estatal, podemos afirmar que o fato gerador é um fato do con-

tribuinte.

Então, guarde bem esses conceitos:

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 2.3. Quanto aos Aspectos Pessoais
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 2.3. Quanto aos Aspectos Pessoais

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 2.3. Quanto aos Aspectos Pessoais do Contribuinte

2.3. Quanto aos Aspectos Pessoais do Contribuinte

Estudaremos mais adiante a figura do contribuinte, ou seja, aquele que, se-

gundo o CTN, tem relação pessoal e direta com a situação que representa o fato

gerador da obrigação tributária.

Assim, é ocontribuinte do IPVA o proprietário do veículo; é contribuinte do ISS

o prestador do serviço; é contribuinte do IPI o industrial ou a ele equiparado.

A classificação em relação aos aspectos pessoais do contribuinte tem aplicação

mais direcionada aos impostos. A doutrina utiliza o art. 145, § 1º, da Constituição

Federal como fundamentação para essa classificação. Segundo o dispositivo, sem-

pre que possível, os impostos terão caráter pessoal. Por isso, é bastante comum

encontrarmos essa classificação aplicada aos impostos e não aos tributos em geral.

Com isso, temos os impostos pessoais e reais. Impostos pessoais são aqueles em que, de acordo com os preceitos constitucio- nais, nos quais devem ser levados em consideração os aspectos pessoais do contri-

buinte, mais especificamente o patrimônio, os rendimentos e a atividade econômica.

É o caso do imposto de renda, que leva em consideração, por exemplo, a quantidade

de dependentes, as despesas com educação e saúde, entre outros aspectos. Nessa linha, duas pessoas que obtenham o mesmo rendimento (fato gerador do imposto de renda) podem ser tributadas de formas diferentes, já que serão levados

em consideração os aspectos pessoais dos contribuintes.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Seria o caso de dois
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Seria o caso de dois trabalhadores de uma mesma empresa e ocupantes do

mesmo cargo, com salários absolutamente iguais. O primeiro possui esposa e dois

filhos, paga plano de saúde e escola. O outro é solteiro e vive com os pais, sem

arcar com qualquer despesa.

A legislação permite que o primeiro possa deduzir os gastos com educação e

saúde, além de um desconto fixo por dependente. Desse modo, apesar de auferir o

mesmo rendimento, o primeiro trabalhador irá pagar menos imposto, já que seus

aspectos pessoais foram levados em conta na tributação.

Entretanto, como a própria CF/1988 define, nem sempre é possível adotar cri-

térios pessoais na cobrança do imposto. Vamos imaginar um concurseiro fiscal que

se preparou durante três anos e conseguiu ser aprovado no concurso tão sonhado.

Que alegria! Nomeado e com um bom salário na conta, nosso amigo vai ao sho-

pping comprar uma TV LED Ultra HD/4K 3D de 84”, por módicos R$ 40.000,00.

Chegando ao caixa, feliz da vida, será que o atendente iria fazer perguntas ao nos-

so amigo, do tipo: “Você tem filhos? Paga plano de saúde?” para poder calcular qual

seria o ICMS cobrado naquela TV? Óbvio que não!!!

Concluímos que, para apurar o ICMS daquela venda, nenhum aspecto pessoal

do consumidor (contribuinte de fato do ICMS) foi levado em consideração. O ICMS

pago naquela TV é o mesmo para um rico empresário e para um trabalhador que

juntou anos aquele valor. Estamos diante de um imposto real, pois incide sobre

bens e não leva em consideração aspectos pessoais do contribuinte.

Há muitas críticas da doutrina acerca dessa classificação, principalmente em se

chamar de “reais” os impostos que incidem sobre bens (apesar da origem latina do

nome: res = coisa). Uma parcela entende que essa nomenclatura é inadequada e

deveria ser alterada de impostos reais para impostos objetivos, já que neles ape-

nas é levado em conta o objeto da tributação. Concluem esses doutrinadores que

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino os impostos pessoais também podem
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os impostos pessoais também podem ser considerados de impostos subjetivos, eis

que neles são considerados os aspectos do sujeito passivo da relação tributária.

Não obstante essa crítica, em prova de concurso público é amplamente explora-

da a nomenclatura usual, a saber: impostos reais e impostos pessoais, assim como

esclarece Luiz Felipe Difini:

“Como noção, pode-se dizer que impostos reais são aqueles que incidem sobre um obje-

to material, uma coisa (res, em latim); impostos pessoais, aqueles em que a tributação

Exemplo de

imposto pessoal é o imposto de renda. De impostos reais, o IPI, o ICMS e os impostos sobre o patrimônio (IPTU, ITR, etc.).” (DIFINI, Luiz Felipe Silveira. Manual de Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2003, p. 28)

incide devido a certas características da pessoa do sujeito passivo. [

]

2.4. Quanto à Pessoa que Suporta o Ônus do Tributo

Vimos, de forma bem resumida, que o contribuinte é aquele que, segundo o

CTN, tem relação pessoal e direta com a situação que representa o fato gerador

da obrigação tributária. Ou seja, é contribuinte do IPVA o proprietário do veículo,

é contribuinte do ISS o prestador do serviço, é contribuinte do IPI o industrial ou a

ele equiparado.

Ocorre que nem sempre o contribuinte definido em lei é quem suporta o ônus

da tributação. Muitas vezes, o tributo é repassado para uma pessoa (seja física ou

jurídica) que, não sendo contribuinte, acaba arcando com o valor do tributo.

A partir daí, os tributos podem ser classificados como diretos ou indiretos.

Tributos diretos são aqueles em que o contribuinte definido em lei arca com o

ônus da tributação. Como exemplo, há o IPVA, no qual o proprietário do veículo é

quem tem o dever legal de efetuar o pagamento e, de fato, é ele quem o faz.

Já os tributos indiretos são aqueles em que esse ônus pode ser transferido

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino para terceiro, que, apesar de
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para terceiro, que, apesar de não ser contribuinte, acaba suportando a carga tri-

butária. É o caso do ICMS. Nele, o contribuinte é o que fez circular a mercadoria,

a empresa comercial. Quando você compra uma roupa, por exemplo, no seu preço

está embutido o valor referente a 17% de ICMS e quem arcou com esse custo foi

você. O lojista, que é o contribuinte de direito, acabou repassando o valor do tri-

buto para o consumidor.

Perceba que a partir daí podemos identificar duas espécies de contribuinte: o

contribuinte de direito e o contribuinte de fato.

O contribuinte de direito é aquele previsto em lei, ou seja, que tem a obrigação

legal de pagar o tributo. O contribuinte de fato é aquele que arca com o ônus da

tributação.

Podemos concluir que, nos tributos diretos, o contribuinte de direito e o contri-

buinte de fato são a mesma pessoa. Por outro lado, nos tributos indiretos o contri-

buinte de fato e o de direito são pessoas distintas.

Assim, temos:

de fato e o de direito são pessoas distintas. Assim, temos: O conteúdo desta aula em

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 2.5. Quanto ao Destino Legal
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e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 2.5. Quanto ao Destino Legal do Produto da Arrecadação

2.5. Quanto ao Destino Legal do Produto da Arrecadação

Estudamos há pouco que os tributos podem ser vinculados ou não vinculados,

a depender da atuação estatal na ocorrência do fato gerador. Outra classificação,

oriunda do Direito Financeiro, divide os tributos pela destinação do produto da ar-

recadação.

O destino da arrecadação, ou seja, onde serão aplicados os recursos arreca-

dados, ou em linguagem mais simples e direta: o que o Estado vai fazer com o

dinheiro, não importa mais para o Direito Tributário. Trata-se de objeto de estudo

do Direito Financeiro.

Sob a ótica desse ramo do Direito, os tributos podem ser de arrecadação vin-

culada ou não vinculada.

É importante, nesse momento, distinguirmos os tributos vinculados e não vin-

culados (que já estudamos) dos tributos de arrecadação vinculada e não vinculada.

Vale destacar mais uma vez para evitar confusão.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A classificação dos tributos em
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e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino A classificação dos tributos em vinculados e não

A classificação dos tributos em vinculados e não vinculados leva em consideração a

influência ou não do Estado no fato que deu origem à cobrança do tributo.

Já a classificação em tributos de arrecadação vinculada e não vinculada observa o

destino da receita arrecadada. Não se trata mais de tributo, pois o destino da arre-

cadação é objeto do Direito Financeiro e não Tributário.

Tributos de arrecadação vinculada: nos quais os recursos arrecadados têm

uma destinação específica e não podem ser utilizados livremente pelo ente tribu-

tante. Temos como exemplo os empréstimos compulsórios, cujos detalhes veremos

mais adiante.

Tributos de arrecadação não vinculada: nos quais o ente tributante é livre

para aplicar os recursos arrecadados da forma que melhor entender. É o caso dos

impostos.

Diante de tantos critérios para classificar os tributos, faz-se necessário agrupar

as classificações. De forma esquematizada, temos:

Quanto ao objetivo da instituição

FISCAL

EXTRAFISCAL

PARAFISCAL

Ex.: ICMS

Ex.: II

Ex.: Crea

Tem por objetivo arrecadar, abastecer os cofres públi- cos.

Visa regular algum setor econômico ou social, influen- ciando no comportamento do mercado.

O ente que detém a competência delega a outra enti- dade a capacidade para fiscalizar e cobrar, além de destinar os recursos arrecadados.

Quanto à atuação estatal

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino   O fato gerador ocorre
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O

fato gerador ocorre em função de alguma ação esta-

 

VINCULADO

tal relativa ao contribuinte.

Ex.: Taxas

NÃO VINCU-

Surge devido a alguma ação do próprio contribuinte, independentemente de qualquer ação do Estado.

Ex.: Impos-

LADO

tos

 

Quanto aos aspectos pessoais do contribuinte

 

PESSOAL

Os aspectos pessoais do contribuinte são levados em consideração na tributação.

Ex.: IR

REAL

Incide sobre bens e não leva em consideração aspec- tos pessoais do contribuinte.

Ex.: IPTU

 

Quanto à pessoa que suporta o ônus da tributação

 
 

O

contribuinte definido em lei é aquele que arca com o

 

DIRETO

ônus da tributação.

Ex.: IPVA

 

O

ônus é transferido para terceiro, que, apesar de não

 

INDIRETO

ser contribuinte, acaba suportando a carga tributária.

Ex.: ICMS

Quanto ao destino legal do produto da arrecadação

 

ARRECADAÇÃO

VINCULADA

Os recursos arrecadados têm uma destinação especí- fica e não podem ser utilizados livremente pelo ente tributante.

Ex.: Emp.

compulsó-

rios

ARRECADAÇÃO NÃO VINCU- LADA

O ente tributante é livre para aplicar os recursos arre- cadados da forma que melhor entender.

Ex.: Impos-

tos

3. Espécies de Tributos

O art. 5º do Código Tributário Nacional define que:

Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.

Para o CTN, essa lista é taxativa ou numerus clausus. O que isso significa? Que

para o Código, essa lista não comporta extensão. Sob a ótica do CTN não existe

outra espécie tributária a não ser as expressamente relacionadas: impostos, taxas

e contribuições de melhoria.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Essa classificação do CTN foi
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Essa classificação do CTN foi denominada de teoria tripartida, ou tripartição das

espécies tributárias.

Ocorre que o CTN foi publicado em 1966, bem antes da atual disciplina cons-

titucional. Pelo novo regramento, a partir de 1988, com a promulgação da atual

Constituição, vamos perceber que esse dispositivo do CTN perdeu força.

A Constituição Federal de 1988 estabelece no art. 145:

Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I – impostos;

II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou po-

tencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos

à sua disposição;

III – contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas.

“Mas, professor! O art. 145 da Constituição Federal confirmou o art. 5º do CTN,

de que as únicas espécies tributárias são impostos, taxas e contribuição de melho-

ria. O que foi que mudou?”

A leitura do artigo acima, de forma isolada, pode levar a uma conclusão preci-

pitada de que o rol de espécies seria taxativo como propõe o CTN, ou seja, de que

são essas três as únicas espécies tributárias. Não está correta essa conclusão.

O art. 145 visto acima, que define impostos, taxas e contribuição de melhoria

como espécies tributárias, está inserido no Capítulo denominado “Do Sistema Tri-

butário Nacional”. Nesse mesmo Capítulo, a Carta Magna prevê, nos arts. 148 e

149:

Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compul-

sórios:

I – para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino II – no caso de
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino II – no caso de

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II – no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacio- nal ( ) Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de interven- ção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, (

Não é difícil perceber que não faria sentido a menção a outras espécies (em-

préstimos compulsórios e contribuições) no Capítulo denominado Sistema Tributá-

rio Nacional se elas não fossem espécies tributárias. Seria uma grande incoerência

do constituinte originário.

Percebe-se que, com o novo regramento constitucional, passamos a ter cinco

espécies tributárias e não apenas três. É o que chamamos de teoria pentapartida,

ou pentapartição das espécies tributárias.

Já houve muita discussão acerca da aceitação da pentapartição. Doutrinadores

como Hugo de Brito Machado, por exemplo, não classificam os empréstimos com-

pulsórios como espécie tributária autônoma.

Discussões doutrinárias à parte, o tema foi pacificado pelo Supremo Tribunal

Federal após reiteradas decisões e esse entendimento é o que prevalece em se

tratando de prova de concurso. Vejamos a fundamentação da Corte Suprema no

julgamento do RE 146.733-9/SP, no voto condutor do Min. Moreira Alves:

De efeito, a par das três modalidades de tributos (os impostos, as taxas e as contribui- ções de melhoria) a que se refere o art. 145 para declarar que são competentes para instituí-los a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, os artigos 148 e 149 aludem a duas outras modalidades tributárias, para cuja instituição só a União é compe- tente: o empréstimo compulsório e as contribuições sociais, inclusive as de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Podemos resumir as espécies
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Podemos resumir as espécies

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Podemos resumir as espécies tributárias por meio de esquemas, para ficar mais

claro. Primeiramente, vejamos a divisão segundo o Código Tributário Nacional:

vejamos a divisão segundo o Código Tributário Nacional: De acordo com a disciplina constitucional inaugurada em

De acordo com a disciplina constitucional inaugurada em 1988, temos:

com a disciplina constitucional inaugurada em 1988, temos: Em se tratando de prova de concurso, o

Em se tratando de prova de concurso, o candidato deve ficar atento para identi-

ficar qual das classificações está sendo exigida. Vejamos como o tema foi cobrado

em dois concursos distintos aplicados pela Fundação Getúlio Vargas.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino 4. (FGV/JUIZ SUBSTITUTO TJ/AM/2013) A

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4. (FGV/JUIZ SUBSTITUTO TJ/AM/2013) A Constituição da República prevê, em seu art. 145, que “A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos:

I – impostos; II – taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contri- buinte ou postos a sua disposição; III – contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas”. Isso significa que

a) estas são as únicas espécies tributárias admitidas pela Constituição.

b) estas são as únicas espécies tributárias admitidas pelo Supremo Tribunal Federal.

c) estas são as espécies tributárias que podem ser instituídas tanto pela União

quanto pelos Estados/DF e Municípios, sem prejuízo de outras previstas na própria Constituição da República.

d) estas são as espécies tributárias que podem ser instituídas tanto pela União

quanto pelos Estados/DF e Municípios, sem prejuízo de outras previstas na Consti- tuição dos Estados ou nas Leis Orgânicas dos Municípios.

e) os empréstimos compulsórios e as contribuições sociais não têm natureza tributária.

e as contribuições sociais não têm natureza tributária. Letra c. Essa questão retrata a tendência das

Letra c. Essa questão retrata a tendência das bancas examinadoras em cobrar o entendi- mento dominante acerca das espécies tributárias, incorporado em nosso ordena- mento com a nova ordem constitucional inaugurada em 1988. Esse posicionamento se tornou majoritário após decisão do STF pacificando a controvérsia.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Trata-se da teoria pentapartida, que
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Trata-se da teoria pentapartida, que

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Trata-se da teoria pentapartida, que aponta para a existência de cinco espécies tributárias: impostos, taxas, contribuição de melhoria, empréstimos compulsórios e contribuições especiais.

5. (FGV/FISCAL DE RENDAS/SEFAZ/RJ/2007) O art. 5º do Código Tributário Nacio- nal determina que os tributos se dividem em:

a) impostos, contribuições sociais, contribuições de melhoria e empréstimos com-

pulsórios.

b) impostos, taxas, contribuições sociais e contribuições de melhoria.

c) impostos, taxas, contribuições sociais, contribuições de melhoria e empréstimos

compulsórios.

d) impostos, taxas, contribuições sociais e empréstimos compulsórios.

e) impostos, taxas e contribuições de melhoria.

Letra e.
Letra e.

Nessa questão, o enunciado foi bem taxativo: “o art. 5º do Código Tributário Na-

Observa-se que o candidato é remetido à definição do

CTN. Quando a questão exigir dessa forma, temos que nos desprender do que diz a doutrina ou a jurisprudência. Devemos, então, seguir à risca o que estabelece a lei. Numa primeira análise, o candidato que conhece as teorias tripartida e pentaparti- da e sabe que em nosso ordenamento atual predomina esta última, poderia marcar de forma precipitada a alternativa “c”. No entanto, a questão pede que se responda de acordo com o CTN e, segundo o seu art. 5º, as espécies tributárias são apenas os impostos, as taxas e as contri-

cional determina que

”.

buições de melhoria.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Logo, é de grande importância
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Logo, é de grande importância

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Logo, é de grande importância guardar o seguinte: quando uma questão vier de forma expressa citando “segundo a lei” ou “segundo a jurisprudência” ou, ainda “segundo a orientação dos Tribunais Superiores” ou expressões semelhantes, a resposta deve seguir a “pista” que foi dada no enunciado.

3.1. A Natureza Jurídica do Tributo

Acabamos de estudar que são cinco as espécies tributárias, de acordo com a teoria pentapartida decorrente da disciplina constitucional atual. Mas como identifi- car em que espécie se enquadra um determinado tributo? Como saber se estamos diante de uma taxa ou de um imposto, por exemplo? É preciso, portanto, identificar a natureza jurídica do tributo, ou seja, enquadrá-lo em uma de suas espécies. Esse tema ainda é muito discutido e, para entendê-lo por completo, precisamos passar por dispositivos legais, pela disciplina constitucional e pela jurisprudência dos tribunais superiores. Vamos analisar detalhadamente o assunto para que o entendimento fique bem cla- ro e possamos, ao final, saber como o tema pode ser cobrado em prova pelas bancas.

3.1.1. A Disciplina do Artigo 4º do CTN

O CTN estabelece, no art. 4º, a forma como determinamos a natureza jurídica do tributo. Vejamos:

Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la:

I – a denominação e demais características formais adotadas pela lei. II – a destinação legal do produto da sua arrecadação.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Na inteligência do CTN, pouco
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Na inteligência do CTN, pouco

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Na inteligência do CTN, pouco importa o nome, as formalidades ou o destino

do produto da arrecadação. O que vale para identificar a espécie tributária é o fato

gerador do tributo.

Fato gerador é o evento previsto na lei instituidora do tributo que, uma vez

ocorrendo no caso em concreto, gera para o contribuinte o dever de pagar. Por

exemplo, o fato gerador do imposto de importação é a entrada no território na-

cional de produtos estrangeiros. Assim, quando alguém importa uma mercadoria,

está ocorrendo no mundo real aquela hipótese prevista em lei, o fato gerador do

imposto.

A disciplina do art. 4º do CTN traduz, na realidade, um princípio universal e que

é muito explorado na contabilidade: o princípio da prevalência da essência sobre

a forma. Não são os aspectos formais que irão definir a espécie tributária, mas o

aspecto material.

É verdade que a própria lei que institui o tributo já lhe dá um nome: imposto

sobre serviços de qualquer natureza, taxa de coleta de lixo etc. Entretanto, não

podemos considerar que o nome, sendo aspecto formal, traduza a natureza jurídica

do tributo. Essa é a inteligência do CTN.

Exemplificando: imagine que um Município qualquer institua a taxa de coleta

de lixo, definindo que o fato gerador é ser proprietário de imóvel urbano. Ora, esse

tributo já existe. Trata-se do IPTU. Logo, essa taxa na realidade é um imposto dis-

farçado de taxa.

Com efeito, podemos verificar que o nome não define a natureza jurídica do

tributo. Tampouco o destino do valor arrecadado, pois, como vimos, é objeto do

Direito Financeiro, não estando mais vinculado à relação tributária.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Conforme estudamos, o CTN adota
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Conforme estudamos, o CTN adota

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Conforme estudamos, o CTN adota a teoria tripartida. Por isso, essa regra é ple-

namente válida para determinar a natureza jurídica do tributo se estivermos diante

de apenas três possibilidades. Ou seja, para diferenciar um imposto de uma taxa

ou de uma contribuição de melhoria, basta olharmos para o fato gerador.

Isso porque esses três tributos, originariamente previstos no CTN como únicas

espécies tributárias, têm fatos geradores bem característicos, conforme veremos

mais à frente.

Sendo assim, analisando apenas o fato gerador, é possível diferenciá-las e de-

terminar a sua natureza jurídica.

3.1.2. A Pentapartição e a Inaplicabilidade do Art. 4º do CTN

Com o advento da pentapartição, os empréstimos compulsórios e as contribui-

ções acabaram impedindo a aplicação plena do art. 4º do CTN. Isso ocorre porque

o fato gerador desses tributos não tem características próprias, na grande maioria

dos casos se apresentam como fatos típicos de impostos.

Sendo assim, fica impossível identificar a natureza jurídica apenas pelo fato ge-

rador. Faz-se necessário analisar o destino legal da arrecadação.

Professor, agora complicou! O CTN não diz que o destino legal do produto da

arrecadação é irrelevante para determinar a natureza jurídica do tributo? Isso mes-

mo! E é aí que está o problema.

Toda a discussão acerca da validade ou não das disposições do art. 4º do

CTN é por conta do destino legal da arrecadação. Enfim, ele deve ser verificado

ou não?

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Considerando que os empréstimos
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Considerando que os empréstimos

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Considerando que os empréstimos compulsórios e as contribuições especiais

são espécies tributárias, cujos fatos geradores podem assumir natureza de imposto

na grande maioria dos casos, é de extrema importância analisar o destino legal do

produto da arrecadação para determinar a sua natureza jurídica.

Ademais, o próprio regramento constitucional traça como elemento característi-

co desses tributos justamente a destinação dos recursos arrecadados. Por exemplo,

a Constituição define no art. 195:

Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:

I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, inciden- tes sobre:

a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício.

Podemos perceber que a contribuição do empregador sobre a folha de salários é

vinculada ao financiamento da Seguridade Social. Logo, importa verificar o destino

legal da arrecadação.

Essas espécies tributárias têm por característica fundamental a aplicação dos

recursos vinculada a determinado fim. Por isso, destinar legalmente os recursos

arrecadados para algo que não atenda ao fim previsto na Constituição tornaria in-

válido o tributo.

Destarte, o destino legal da arrecadação é requisito constitucional para a

validade das contribuições especiais e para os empréstimos compulsórios. Por

conseguinte, a instituição desses tributos deve observar essa diretriz consti-

tucional, sob pena de qualquer desvio por parte do legislador tornar o tributo

inconstitucional.

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DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Observe, que é o destino
DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino Observe, que é o destino

DIREITO TRIBUTÁRIO Conceito e Classificação dos Tributos Prof. George Firmino

Observe, que é o destino legal que importa, vale notar, é o legislador, na institui-

ção do tributo, que deverá observar a diretriz constitucional e vincular a destinação

dos recursos. Se o tributo for instituído em plena consonância com a Constituição

Federal, mas o gestor aplicar os recursos em atividade diversa do previsto, o tri-

buto não será inconstitucional. Nesse caso, a falta foi do gestor público, sendo-lhe

imputada a responsabilidade na gestão.

Por fim, podemos concluir com a lição de Leandro Paulsen, que resume de forma

bem esclarecedora tudo o que vimos até aqui:

“A ‘destinação legal’ ou ‘finalidade’ é, atualmente, critério importantíssimo para identi- ficar determinadas espécies tributárias como as contribuições especiais e empréstimos compulsórios, pois constitui seu critério de validação constitucional. A competência é atribuída em função das finalidades a serem perseguidas.” (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 15ª ed. Livraria do Advogado, 2013, p. 670)

3.1.3. Possibilidades de Cobrança em Prova

As disposições do art. 4º do CTN são amplamente cobradas em prova. Quase

que a totalidade das questões da Esaf exigiu a literalidade do Código, nas quais o

candidato deveria responder que a natureza jurídica específica do tributo é determi-

nada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la

a denominação e demais características formais adotadas pela lei ou a destinação

legal do produto da sua arrecadação.

Vejamos a forma clássica de se cobrar a matéria.