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Resumo

A República Democrática de São Tomé e Príncipe (R.D.S.T.P.) é um estado


relativamente pequeno e jovem fora do campo de visão das regiões e esferas de
influência importantes da política mundial.

Nas roças os serviçais trabalhavam em regime de trabalho forçado e desumano.


A crise de mão-de-obra é essencialmente provocada pela evolução do trabalho
escravo para o trabalho livre.

A liga dos interesses indígenas de São Tomé e Príncipe surgiu para defender as
injustiças sociais e promover ações em benefício dos nativos e defender os seus
direitos. Aliga deu grande importância a educação e instrução dos indígenas, na
resolução dos seus objetivos, teve de enfrentar injustiças em vários sectores da
sociedade colonial.

Devido aos ideais que defendiam e á sua atuação de defesa dos mesmos, a
organização teve um forte impacto junto da população, e em segregação racial
a liga foi como defensora e protetora dos interesses e direitos da população.

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Introdução

Nos finais do séc. XIX e princípios do séc. XX existiam nas duas ilhas, cerca de
800 roças, e podemos dizer que as estruturas das roças eram semelhantes
feudais. As roças enquanto centros de produção agrícola, tinham um local para
a transformação do cacau (cubas e secador, oficinas de diversos tipos:
mecânica, marcenaria etc…

Portugal para salvação da sua economia que decai bastante com a


independência do Brasil, em 1822, abriu o caminho aos produtores de cacau.

Perante essa situação, um Grupo de grandes proprietários agrícolas nativos


criaram em 1905 Caixa económica de são Tomé e Príncipe, com o objetivo de
criar a concentração financeira que lhes favorecesse capitais para investirem
nas suas propriedades entre os fundadores: João D`Alva, Miguel dos Anjos
Trovoada, etc…

Mais tarde com o surgimento da liga dos interesses indígenas, a caixa


económica desempenhou um papel importante no desenvolvimento social de
São Tomé e Príncipe, financiando a formação dos nativos no exterior e no
interior.

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Origem Da Liga Dos Interesses Indígenas

Os desmandos exercidos pelos colonos portugueses induziram os nativos de São


Tomé e Príncipe a criarem juntamente com os políticos a Africa Uniões
protonacionalistas que lhes permitissem combater as tiranias e crueldades na
qual eram vítimas e por consequência proporcionar-lhes melhoramento
sociopolítico, e foi aí em que 1912 surge a Junta de Defesa dos Direitos de Africa
(JDDA), é uma federação constituídas por todas as associações formadas na
Africa pelos nativos com os seguintes objetivos:

 Fiscalizar o povoamento dos estudantes africanos e protege-los contra


abusos e perigos.
 Promover a repatriação de todos africanos quando abandonados ou
entregues a perdição.
 Insurgir-se sempre em prol do direito e da justiça se olhar as diferenças
de religiões roça ou nacionalidade.
 Defender todas as províncias de Africa Portuguesa servindo de laços
paternal a união de todos os seus naturais, para estabelecer as condições
necessárias as consecução do marxismo da religião e liberdades tanto
económico como politico.

A junta de defesa dos Direitos de Africa defende e proclama ainda na política a


inauguração da liberdade, na igualdade e na moral a prática da solidariedade
entre todos os povos sem distinção da roça ou nacionalidade.

Liga Africana

As associações resultantes da cisão ocorrida em 1919 no seio da junta de defesa


dos direitos de africa (dissensão que foi liderada por Nicolau dos Santos Pinto) a
Liga Africana era uma organização protonacionista sediada na capital
portuguesa. Formada por indivíduos oriundos de África e agremiações
aderentes, perseguia diversos objetivos.

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 Promover o progresso moral e social da raça africana;
 Defender os direitos e legítimos interesses dos indígenas da Africa
Portuguesa;
 Federar todas as agremiações de africanos existentes nas colonias
portuguesas, servindo de laços fraternal a união de todos os seus
naturais;
 Promover a revogação de todas as leis de exceção na Africa Portuguesa e
a promulgação de outras leis tutelares dos direitos de propriedade dos
indígenas, não só contra a sua própria imprevidência, como também
contra a avidez dos elementos colonizadores, nacionais e estrangeiros,
 Conseguir que cada província envie a estudar na metrópole um
determinado número dos seus naturais, e que em todas sejam criadas e
difundidas escolas de ates e ofícios de comércio, de indústria de
agricultura, de belas artes e náutica;
 Manter relações com as sociedades similares do estrangeiro e com elas
cooperar nas realizações dos fins comuns.

A Liga Africana Utilizarias todos os meios de propaganda bem como de


expediente legal que julgasse convenientes, designadamente publicações,
conferencia congressos, inquéritos, representações aos poderes públicos,
fundação de escolas, bibliotecas e cooperativas. Mais compunha-se de um
conselho geral, juntas regionais e locais, associações aderentes, núcleo e
secções no estrangeiro, e possuía diversas categorias de sócios: fundadores,
ordinários beneméritos, honorários, aderentes, perpétuos e correspondentes.

Órgãos da Liga Africana

 Um Conselho Diretor Central;


 Um Conselho Economico e Financeiro Geral;
 Um Conselho de Educação e Propaganda Permanente;
 Um Conselho Geral, formado pela reunião destes tees corpos;
 Um Conselho Fiscal;

O Conselho Diretor Central, cuja sede estava radicada na capital portuguesa, era
o mais alto corpo gerente da Liga e compunha-se de sete membros efetivos, um
residente, um vice-presidente, dois vogais, dois secretários e um tesoureiro.

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Filiaram-se na Liga Africana varias organizações sediadas nas colonias
Portuguesas, designadamente a Liga dos Interesses Indígenas de São Tomé e
Príncipe, o Grémio Africano de Lourenço Marques, a Liga Africana de Angola.

Devido a agudização do processo de usurpação de terras levada a cabo pelos


proprietários europeus, contra as propriedades dos nativos nos finais do séc.:
XIX e sobretudo nos princípios do séc.: XX e também a autores injustiças socias
surgiu em 1910 a liga dos interesses indígenas de São Tomé e Príncipe, uma das
primeiras organizações nacionalistas do continente Africano

Liga dos Interesses Indígenas de São Tomé e Príncipe

Foi fundada por um grupo de prestigiados nacionalistas no mês de Outubro de


1910, pouco depois da implantação do regime republicano em Portugal e suas
colónias, A liga dos interesses indígenas de São Tomé e Príncipe foi, sem dúvida,
uma importante organização socio-politico-cultural deste arquipélago, tendo
protagonizado desenho notável e beneficiando inúmeros são-tomenses.
Organizou o recenseamento da população estudantil de São Tomé, constituiu
uma escola e criou uma secção de desporto e aula de dança.

A liga criou comissão permanente que tinha como objetivo opor-se a venda,
arrendamento ou hipoteca de terrenos dos nativos, sem justificação. Foi criado
igualmente na sede da liga um tribunal para solucionar contendas entre os
indígenas.

A liga tinha os seguintes fins:

 Propagação da instrução na classe indígena;


 A cooperação, convivência e proteção dos seus sócios no sentido de
facultar-lhes pelo trabalho e pela assistência mutua a instrução, o estado,
a economia e as diversões educativas;
 Promover tudo que tudo que direta ou indiretamente seja em beneficio
dos interesses indígenas a defesa dos seus direitos
 Criar uma companhia dos trabalhadores indígenas livres, convencendo-os
das vantagens do trabalho em comum, formando-se-lhes um
regulamento especial;

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 São absolutamente estranhos aos fins sociais e vedados ao exercício
delas quaisquer propostas, discussões, e manifestação com os interesses
da liga;

A Liga dos Interesses Indígenas -Projetos, Implantações e


Relações com o associativismo Africano

A liga dos interesses indígenas tentou privilegiar a instrução de cuja imperiosa


necessidade se propôs persuadir os ilhéus e acerca da qual tentou obter um
decidido empenho do poder.

A Liga dos Interesses Indígenas empenhou-se na defesa dos direitos dos ilhéus e
na promoção para, como se seria mais tarde, tornar cada santomense um livro
útil a si aos seus”. Revindicando o reconhecimento do seu protagonismo dispôs-
se a colaborar com as autoridades em consonância com o dever cívico de zelar
pela coisa pública que realizou-se em Outubro de 1911 a sua alegada
intromissão na esfera administrativa não era apreciada.

Entre os projetos da liga dos interesses indígenas realça-se os trabalhadores


livres, com que quis contribuir para a formação de um mercado de mão-de-
obra, em aparente convergência com roceiros e demais empregadores, e
esconjurar os preconceitos de matriz colonialistas que se abatiam sobre os
ilhéus.

A liga salvaguardava a sua condição de elementos da família localmente


proeminentes e de proprietários de comerciante e d interlocutores privilegiados
das autoridades. Novembro de 1913 foi sancionado o regulamento dos
trabalhadores indígenas que conforme os estatutos da liga dos interesses
indígenas almejava proporcionar um trabalho honesto e remunerador para o
bem dos trabalhadores e para dissolução de mão-de-obra.

Entre as possíveis causas do fracasso do desequilíbrio que os elevados salários


gerariam nas roças.

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Liga dos Interesses Indígenas- A Conflituosidade
Social e Politica

O choque do crescimento da afirmação política da raça negra com a crescente


popularidade das teses racistas levaria ao aumento já existem entre tensão
racial e pela concorrência no mercado do trabalho entre o Europeu e ilhéu.

Na verdade a Republica prolongou o conflito como exemplo a expropriação da


preterição dos ilhéus nos acesos e aos cargos públicos.

Os vários conflitos tiveram como base o racismo emergente que chocava com
os preconceitos acerca dos duvidosos sentimentos nacionalistas dos ilhéus, logo
rapidamente os mesmos entenderam que os independentes da ideologia
Republicana os Europeus evocavam a sua qualidade racial para ocultar os
direitos dos nativos.

Perante a causa a Liga dos Interesses Indígenas não teve então um


protagonismo relevante as defesas da imprensa nativa, a maior seria o
empenho contra o decreto de 2 de Novembro de 1913 que previa a obrigação
das terras de nativos nos quais tratava-se no entanto de uma lei que de exceção
porque essa mesma obrigação não se fazia sentir nas terras inultas abrindo o
caminho a proletarização dos nativos e fez com que o conflito agudiza-se.

Após a liga dos interesses indígenas desmentir o prometido apoio surge grande
revindicações em que o governador Pedro Boto Machado ensejo a um rol de
lamentação sobre as alegadas arbitrariedades.

Ignorou a lei em que em 1913 mandou realizar eleições municipais, a eleições


do representante colonial foi considerada uma burla vista e exclusão dos
nativos nativos no caderno eleitoral perante a situação, ouvia-se queixas do
governador em Lisboa dizendo que o mesmo estava forçando os ilhéus a lutar
para defenderes os seus direitos mas as queixas n ficariam por aqui. Nos finais
do 1914 na vila de Neves um acordo da relação de Luanda que restituía a posse
da terra a um nativo em desfavor do rendimento branco o mesmo não foi aceite
e os ilhéus invadiram a propriedade em causa tal foi o pretexto para o
governador enviar destacamento militar e ordenar o exalto a propriedade e
arrombamento as causa.

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Nessa operação teria morrido 22 pessoas e o número de prisioneiros
ultrapassou a meia centena.

A guerra trouxe relativa acalmia, não obstante as questões do imposto Indígena


e do saneamento da cidade, á última das quais subjazia a ideia de delimitação
dos bairros indígena e europeu, uma pendência que se arrastaria até 1926.Só
nesta altura, após o golpe de 28 de Maio, dezenas de casas dos nativos seriam
demolidas.

Os últimos anos da segunda década Novecentos trouxeram o aumento da


tensão. Em 1918, combinando o protesto de rua local com a intervenção junto
do poder em Lisboa, a liga dos interesses indígenas logrou travar a projetada
aplicação do imposto individual indígena, bem como suster veladas intenções
de demolição de prédios indígenas do centro da cidade.

Violências várias e alegadas ameaças de morte levaram o presidente da


assembleia geral da liga dos interesses indígenas a entregar-se na prisão.

Com efeito, na década de 20, o refluxo do Pan-africanismo, a gravidade dos


sucessivos conflitos e a percepção da inevitável repressão acentuaram a
orientação tradicional da liga, a saber, a da reivindicação legal. O discurso
agressivo – mais costumeiro em Lisboa- ficou para empenhos pessoais ou
restritas cumplicidades que nunca desarmaram e que teriam expressão no
efémero jornal nativo O combate.

A liga reivindicaria a plenitude dos direitos políticos, recomendando, ao mesmo


tempo, aos ilhéus a contenção e o não envolvimento em altercações. Mais
moderada do que a imprensa nativa, a liga quis-se sempre no campo da
legalidade, refutando acusações de envolvimento em tentativas
insurrecionárias.

Não se tratando de meras tácticas, tal posição resultava das multifacetadas


ligações dos São-tomenses à metrópole, assim como da calculada inviabilidade
do afrontamento da hegemonia europeia. Liga obrigou-se a uma ostensiva
adesão aos propósitos, figuras e efemérides nacionais. Esta postura não evitaria
a desconfiança do poder e dos europeus. Com o intento de remover quaisquer
obstáculos à sua hegemonia, as autoridades fariam da desconfiança em relação
aos propósitos da liga dos interesses indígenas um leitmotiv para a sua
dissolução.

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Dissolução da Liga dos Interesses Indígenas

A dissolução da liga, teve lugar no mês de Dezembro de 1926, ordenada pelo


governador Junqueira Rato, esta relacionada com as eleições para o Conselho
Superior das Colónias, realizadas no dia 14 de Novembro do referido ano.

Solicitado pela liga dos interesses indígenas de São Tomé e Príncipe e também
pelo Grémio Africano de S. Tomé, Aires Menezes candidatou-se a membro do
Conselho Colonial. Tinha como opositor Sebastião Barbosa, apoiado pelo
regime. Esta eleição ficou assinalada por um trágico acidente na Trindade. Uma
vez que decorria a votação com normalidade nesta vila, beneficiando esse
médico nativo, um grupo de indivíduos brancos surgiu de repente na sala e
deitou na urna um maço de votos favoráveis ao candidato do poder. Todos os
negros que estavam presentes insurgiram-se contra tal arbitrariedade. Situação
que originou agressões físicas, ferimentos e morte de um autóctone atingido
por um tiro no peito. Assim que a noticia desta ocorrência chegou a cidade de
São Tomé, vários comerciantes brancos invadiram a sede da liga dos interesses
indígenas e destruíram todo o recheio que nela existia.

Por ordem do governador, foi dissolvida no mês seguinte.

Além desse motivo, também contribuíram para a sua dissolução a valorização


da raça negra, bem como o melhoramento da condição de vida dos são-
tomenses, benfeitorias que desde sempre foram preconizadas por esta
organização, mais rejeitadas pelos representantes do poder colonial.

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Conclusão

Conclui-se que Interesses Indígenas sendo nesse caso, indígena sinónimo de


nativo ou de ilhéu, diríamos pois, que a designação reflete uma procura e nunca
suficientemente afirmada, demarcação dos ilhéus face aos serviçais das roças
que na terra acabavam por ser um pilar da hegemonia Europeia.

A expressão interesses indígenas remeteria a memória histórica das ilhas para a


proteção dos interesses locais. Por fim essa mesma expressão nomeava estes
como autores dos ataques dos ilhéus.

A liga dos Interesses Indígenas integrou-se no associativismo pan-africano


essencialmente apostando na valorização e o progresso da raça negra.

Conclui-se ainda que a Liga doa Interesses Indígenas surgiu aqui a além
subordinado das principais personagens locais.

Num certo sentido Liga dos Interesses Indígenas perdeu a visibilidade face a
alguns vultos de relevo no arquipélago como o associativismo na metrópole.

A liga dos interesses indígenas deixando de ser um emblema dos nativos não se
afirmou a sua pretendida função de liderança e via-se como objetivo em si
mesmo, como a sua sobrevivência enquanto centro aglutinador dos ilhéus
implicasse por si só um horizonte de futuro progresso.

Conclui-se ainda que não conseguiu concretizar as apostas de fundo na


promoção social mais ainda assim permaneceu como um emblema na memória
dos ilhéus seus contemporâneos.

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Bibliografia

Nacionalismo Politico--------Doutor Carlos Bené do Espirito Santos

Liga dos interesses indígenas -----Augusto Nascimento

www.google.com--- Historia de São Tomé e Príncipe

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