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Georg SIMMEL. O Âmbito da Sociologia (1917)

- O conceito de sociedade: precária articulação de problemas diversos


(p. 08)
- A sociedade é cada um dos incontáveis agrupamentos e
configurações constituídos para além das formas individuais de
existência (p. 11)
- O “indivíduo” é um objeto da vivência – a forma pela qual cada um
sabe da unidade de si mesmo e do outro EM situação de influência
recíproca (p. 12)
- O indivíduo apresenta-se como uma composição [Ex. a construção
da “história de vida”] de qualidades, destinos, forças e
desdobramentos históricos específicos (p. 13)
- Indivíduo e sociedade são recortes temáticos. Só os propósitos
específicos de pesquisa decidem se a realidade será investigada em
um sujeito individual ou coletivo. Ambas são igualmente “pontos
de vista” (como modos de observação) (p. 15)
- O conceito de sociedade significa a interação psíquica entre
indivíduos (p. 15)
- Os laços de associação entre os homens são incessantemente feitos
e desfeitos, para que então sejam refeitos (marcados pela fluidez e
pela pulsação) (p. 17)
- A sociedade significa sempre que os indivíduos estão ligados uns
aos outros pela influência mútua que exercem entre si e pela
determinação recíproca que exercem uns sobre os outros (p. 17)
- A sociedade é funcional: é algo que os indivíduos fazem e sofrem
ao mesmo tempo (SOCIAÇÃO) – interligação por meio de relações
mútuas entre os indivíduos, compondo unidades (p. 18)
- A sociedade é um acontecer, que tem uma função pela qual cada
um recebe de outrem ou comunica a outrem um destino e uma forma
(p. 18)
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- Objeto de estudo da sociologia: o que ocorre com os seres


humanos e suas regras quando formam grupos e são determinados
pela existência em grupo? (p. 19)
- Linguagem, religião, estados e cultura material, por exemplo, são
criações oriundas das relações recíprocas entre os seres humanos,
permanentemente reconstituídas por meio da sucessão de gerações
(p. 21)
- A sociologia se aclimata a cada campo específico de pesquisa
(economia, geografia, história, etc.) – adota o método indutivo em
todos os seus problemas (p. 22)
- Cada aspecto econômico, político, jurídico, religioso e cultural são
simultaneamente atravessados pelo social (determinação tecida no
interior de outras determinações de outras áreas) (p. 26)
- Os fatos sociais não são somente sociais. Há sempre um conteúdo
objetivo de tipo sensorial, espiritual, técnico ou psicológico
socialmente corporificado (p. 33)
- Apesar das diferenças entre os grupos sociais, existem os mesmos
modos formais de comportamento dos indivíduos entre si
universalmente: dominação, subordinação, concorrência, imitação,
divisão do trabalho, etc. (Presente em comunidades religiosas,
políticas, etárias, culturais, etc.) (p. 34)
- A sociologia é uma ciência específica em seu modo particular de
responder às questões de pesquisa (conceitos, axiomas e
procedimentos) (p. 35)
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Norbert ELIAS. A Sociedade dos Indivíduos (1939)

- Uso indiscriminado da palavra sociedade (p. 13) [Perguntar o que


é sociedade]
- As transformações históricas independem das intenções de qualquer
pessoa em particular (p. 13)
- Adeptos compreensões da relação entre indivíduo e sociedade: 1)
Obscura a ligação entre atos e objetivos individuais e as formações
sociais; 2) Como vincular as forças produtoras das formações sociais
às metas e atos dos indivíduos (p. 15)
- O todo é diferente da soma de suas partes: ele incorpora leis de um
tipo especial. Dão origem a uma unidade de potência maior,
incompreensível quando suas partes estão isoladas, sem relação
entre si (p. 16)
- Rompimento da visão antitética entre indivíduo e sociedade:
nenhum dos dois existe sem o outro – formam um “sistema solar”,
ou “sistemas solares que formam a Via-Láctea” (o indivíduo só existe
na companhia dos outros e a sociedade só se produz como conjunto
de indivíduos) (p. 18)
- Pairando sobre a liberdade individual permanece uma ordem oculta
e não diretamente perceptível pelos sentidos, mas vivido
continuamente (no comportamento cotidiano, nas trocas, nos rituais,
no trabalho, etc.) (p. 21)
- Laços invisíveis ligam os indivíduos no turbilhão da diversidade:
laços de trabalho, propriedade, afetos, etc. (p. 22)
- Existem redes de dependência que estruturam, cada uma a seu
modo, a forma de associação entre seres humanos (povos
caçadores/coletores, comunidades de base agrícola, sociedade
industrial de classes, etc.) (p. 22)
- Ocorre, portanto, uma ligação funcional preexistente entre as
pessoas (p. 22)
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- Todas as funções interdependentes entre os indivíduos (profissões,


papeis familiares, vínculos religiosos, etc.) são funções que uma
pessoa exerce para as outras (um indivíduo para outros indivíduos) –
funções ao mesmo tempo relacionadas com terceiros (p. 23)
- Cada pessoa singular está presa por viver em permanente
dependência funcional das outras (ela é um elo nas cadeias que ligam
outras pessoas) (p. 23)
- Não são cadeias visíveis e tangíveis, MAS sim elásticas, variáveis e
mutáveis. Trata-se de uma rede de funções, que as pessoas
desempenham umas em relação a outras (o que é a própria
sociedade) (p. 23)
- Estruturas sociais: leis autônomas das relações entre as pessoas
individualmente consideradas (p. 23)
- A estrutura não é outra coisa senão a das relações entre as
diferentes partes (indivíduos, grupos e instituições). Para
compreendê-la deve-se pensar em termos de relações e funções (p.
25)
- O modo como os indivíduos se portam é determinado por suas
relações passadas ou presentes com outras pessoas (ex. gestos
relacionados com os outros – interação) (p. 26)
- A propriedade relacional por meio da sociedade é uma condição
fundamental da existência humana (presença de diversas pessoas
inter-relacionadas) (p. 27)
- É apenas na sociedade que a criança pequena se transforma num
ser mais complexo (forma pela qual se reproduzem as relações
estruturais ao longo do processo histórico – mudança – sociedades
frias e sociedades quentes) (p. 27) (p. 42)
- A própria condição da “individualidade” só é possível para a pessoa
que cresce num grupo, numa sociedade (p. 27)
- As pessoas mudam sempre em relação umas às outras, moldando-
se e remoldando-se em relação umas às outras (fenômeno reticular,
em rede, interação, relação recíproca) (p. 29)
- A sociedade é uma rede, em que o indivíduo precisa ser adaptado
ao outro e vice-versa (p. 30)
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- Os indivíduos ocupam lugares socialmente designados, moldados


pela estrutura específica da rede social (p. 31)
- O indivíduo sempre existe, no nível mais fundamental, na relação
com os outros (p. 31)
- Quanto mais individualista, mais é estruturalmente complexa é a
sociedade (p. 32)
- A individualidade se processa no contexto da competição e das
tensões entre os vários grupos sociais (p. 33)
- As propriedades psíquicas e orgânicas dos seres humanos assumem
seu caráter individual EXATAMENTE dentro e através de relações com
os outros (p. 35)
- As funções psicológicas (como o inconsciente) são formas
particulares de auto-regulação da pessoa em relação a outras pessoas
e coisas (moldagem sociogênica – ex. a fala) (p. 36)
- Os indivíduos partem de uma rede de pessoas que existem antes
dele, para uma rede que ele ajuda a formar (p. 35)
- Cada pessoa só é capaz de dizer “eu” se e porque pode, ao mesmo
tempo, dizer “nós”. Até mesmo a ideia “eu sou” e “eu penso”
pressupõe a existência de outras pessoas e um convívio com elas (p.
57)
- Ideias, convicções, afetos, necessidades e traços de caráter
produzem-se no indivíduo mediante a interação com os outros (p. 36)
- É esse entrelaçamento incessante, mutável, maleável e sem começo
que determina a natureza e a forma do ser humano individual (p. 36)
- Psique, sociedade e história são complementares, só podendo ser
estudadas em conjunto (p. 38)
- Os seres humanos são parte de uma ordem natural e de uma ordem
social (formação do homo sapiens) (p. 41)
- O que molda e compromete o indivíduo com a sociedade é a
vinculação dos seus desejos e comportamentos com os das outras
pessoas, dos vivos, dos mortos e dos que ainda não nasceram – ou
seja, a dependência dos outros e a dependência que os outros têm
dele (p. 43)
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- Característica da vinculação do indivíduo à sociedade: formas de


divisão entre as pessoas (p. 44)
- As forças que impelem às redes sociais alteraram a forma e a
qualidade do comportamento humano, impelindo os homens em
direção à civilização (ambiente que as pessoas formam umas para as
outras) (p. 45)
- Forma-se, desse modo, um continuum de seres humanos
interdependentes num movimento próprio e mutante (p. 46)
- História: sistema de pressões exercidas por pessoas vivas sobre
pessoas vivas (p. 47)
- Os indivíduos isolados não têm como transgredir as leis autônomas
da rede social, das quais provêm seus atos e para qual eles são
dirigidos (sua margem de decisão depende da estrutura e da
constelação histórica da sociedade) (p. 48) (p. 49)
- Poder – extensão especial da margem individual de ação associada
a certas posições sociais, i.e., oportunidade social ampla de
influenciar a auto-regulação e o destino de outras pessoas (p. 50)
- O indivíduo é, ao mesmo tempo, moeda e matriz da sociedade
(auto-regulação e regulação dos outros) (p. 52)
- A sociedade não apenas produz o semelhante e o típico, mas
também o individual (o grau variável de individuação entre os
membros de grupos e camadas diferentes) (p. 56)
- O entrelaçamento das necessidades e intenções de muitas pessoas
sujeita, cada uma delas individualmente a compulsões (imposição
interna) que nenhuma pretendeu (p. 58).