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DOI: https://doi.org/10.30962/ec.v21i1.1402 | E-ISSN 1808-2599 |

A construção da norma algorítmica:


análise dos textos sobre o Feed
de Notícias do Facebook

ID 1402
Willian Fernandes Araujo

Resumo Introdução

Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.21, n.1, jan./abr. 2018.
O artigo analisa a construção do Feed de Notícias
nos textos públicos do Facebook. O objetivo do
O Feed de Notícias é a principal funcionalidade
estudo é entender e mapear as lógicas estabelecidas
nesses textos em relação ao uso e funcionamento do Facebook: uma lista de publicações de amigos,
do mecanismo. Foram analisadas 40 publicações
produtores de conteúdos e outros integrantes
em página institucional do Facebook, destinada a
apresentar e explicar as mudanças no mecanismo. desse populoso ecossistema disponível na
A análise foi orientada por um entendimento interface inicial do serviço. Uma das principais
performativo do texto inspirado pelos estudos de
ciência e tecnologia e pela Teoria Ator-Rede. Como
características desse mecanismo é seu sistema de
resultado da análise, foi observada a construção classificação: a lista de publicações criada pelo
de uma lógica normativa sobre o relacionamento
Feed de Notícias é organizada de acordo com a
entre os produtores de conteúdo e o sistema de
classificação do Feed de Notícias, nomeada no estudo relevância relativa e o potencial das publicações
como norma algorítmica.
para cada usuário ou usuária do serviço,
Palavras-Chave
produzindo o que o Facebook costuma chamar
Facebook. Feed de Notícias. Algoritmos.
de feed personalizado. Nas análises públicas
sobre esses processos de seleção e classificação,
a figura do algoritmo tende a surgir como agente
fundamental, como uma fórmula que comanda e
determina como essa definição do que é relevante
é feita. “O algoritmo do feed de notícias veicula o
que ‘pensa’ ser a sua opinião e a de seus amigos
e certamente não checa fatos” (CELLAN-JONES,
2016, documento online).

Willian Fernandes Araujo | willianfaraujo@gmail.com Introduzido no Facebook em 2006, o Feed de


Doutor em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do
Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil. Notícias marca o início da transformação na lógica
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de visibilidade e exposição dos usuários na web. Serviços como Facebook costumam produzir um
No início dos anos 2000, as estruturas de sites de significativo número de publicações online, as quais
redes sociais colocavam grande ênfase na ideia de buscam informar e instrumentalizar o uso de suas
perfil como espaço de manifestação do indivíduo. funcionalidades. Boas práticas, manuais ou dicas
Entretanto, a publicação de qualquer conteúdo e de como melhorar o uso dessas funcionalidades

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informação em um perfil não implicava o seu envio são alguns termos usados para designar essas
automático para os outros usuários do serviço. publicações, geralmente disponíveis em blogs
A introdução do Feed de Notícias significou o ou páginas oficiais das empresas. Esses textos
surgimento de um novo padrão que amplia a representam inscrições materiais que enquadram
exposição de conteúdos pessoais e que foi adotado certos entendimentos, por exemplo, classificando

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por “[...] quase todos os serviços sociais da web, alguns comportamentos ou usos como bizarros,
do Twitter ao Instagram e Pinterest”1 (HEMPEL, inapropriados, indesejados etc.
2016, documento online).
Diante disso, o objetivo do estudo é analisar
O que um mecanismo como o Feed de Notícias a construção do Feed de Notícias nos textos
faz ao definir o que é relevante para cada um de públicos do Facebook a fim de entender que
seus usuários não é algo estabelecido apenas lógicas são aí construídas em relação ao uso e
pela sua capacidade técnica em realizar essa funcionamento do mecanismo. Para isso, foram
função. Isto é, parte-se do entendimento que o analisadas todas as publicações na seção News
que os mecanismos fazem e seus usos esperados Feed FYI2 do Facebook Newsroom3, totalizando
são noções definidas em processos relacionais, 40 textos (até julho de 2017). Essa página
de negociação, que tem como parte importante institucional da empresa foi criada em 2013 para
a percepção dos usuários sobre o que cada apresentar e explicar as principais mudanças
funcionalidade representa e para que serve no mecanismo (FACEBOOK NEWSROOM, 2013).
(AKRICH; LATOUR, 1992). A análise foi orientada por um entendimento
performativo do texto inspirado pelos estudos de
O que plataformas digitais são e o que suas ciência e tecnologia e pela Teoria Ator-Rede.
funcionalidades fazem são valores construídos
também nos textos que apresentam, informam, Nessa perspectiva, textos são considerados
sugerem e ensinam sobre seus mecanismos. dispositivos mobilizados para estabelecer,

1   Todas as citações diretas de textos em língua estrangeira foram traduzidas livremente pelo autor.

2   Disponível em: <https://newsroom.fb.com/news/category/news-feed-fyi/>.

3   Disponível em: <https://newsroom.fb.com/>.


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performar ou reforçar determinada realidade, se que a atuação do Feed de Notícias como


como um cenário no qual se desenvolve uma mecanismo usado para selecionar o que será
ação. Ou seja, são como mediadores que visível aos usuários do Facebook não pode ser
informam, moldam, estabilizam e produzem completamente entendida sem levar em conta
práticas sociais, servindo como agentes móveis a mobilização desses textos que informam suas

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que estendem a agência da organização. Nesse práticas, estabelecendo determinadas lógicas
sentido, analisar esses textos representa o sobre o é considerado anormal.
processo de descrever os roteiros inscritos
neles, buscando tornar visíveis a geografia A lógica dos algoritmos:
de responsabilidades e as causalidades ou plataformas digitais e seus processos

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conhecimento sobre o mundo performado nesse computacionais de classificação
cenário (AKRICH, 1992).
O termo algoritmo tem apresentado sentidos
Como resultado da análise, é observada a interessantes para pensar as relações
predominância nesses textos de uma lógica contemporâneas que mantemos com as
específica chamada, neste estudo, de norma tecnologias digitais. Tornou-se algo rotineiro
algorítmica. Trata-se da definição de um ouvir relatos pessoais ou ler manchetes de
regime de conhecimentos que busca normatizar veículos de comunicação sobre algoritmos. Por
o relacionamento entre os produtores de exemplo, o chamado algoritmo do Facebook
conteúdo e o sistema de classificação do é uma entidade seguidamente invocada como
Feed de Notícias do Facebook. Essa norma responsável pelas ações nessa plataforma.
algorítmica costuma performar julgamentos Em uma busca rápida pelo termo no Twitter,
bastante específicos sobre que tipo de conteúdo é possível encontrar dezenas de milhares de
deve ser considerado normal e legítimo dentro publicações, como a reproduzida na Figura 1,
da classificação exercida pelo feed. Em um nas quais são expressas percepções de usuários
caráter punitivo, esses enunciados costumam comuns sobre as relações que estabelecem com a
condicionar a visibilidade no Feed de Notícias plataforma. Ou seja, como os usuários percebem
a seguir as regras que estabelecem, ameaçando o que o mecanismo faz ao definir o que será
com a invisibilidade comportamentos visível em seus feeds ou ao recomendar novos
considerados inadequados. Por fim, considera- conteúdos, amizades, anúncios etc.

4   Publicação foi usada no artigo com o consentimento do autor ou autora e anonimizada a seu pedido.
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Figura 1: Publicação de usuário ou usuária organizada, vista como legítima ou descartada


do Twitter sobre o ‘algoritmo do Facebook’4
como irrelevante (ANANNY, 2016). Trata-se de
um padrão tecnológico contemporâneo que
se dissemina pelos mecanismos que usamos
diariamente para realizar diferentes práticas.

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Nesse sentido, o termo algoritmo tem se
popularizado como uma forma de fazer referência
ao poder dos processos computacionais na vida
cotidiana. O uso do termo tem sido tão abrangente
que, como sugere Ziewitz (2015, p. 12), “[...] tem

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tomado o lugar de conceitos como ‘tecnologia’,
Fonte: Twitter (2017)
‘sistema’ ou ‘mídia digital’.”
De percepções pessoais sobre os usos das
plataformas digitais até a cobertura jornalística Na computação, algoritmo é uma entidade
sobre eleições presidenciais, algoritmos têm fundamental, que está na base de praticamente
ocupado a posição de sujeito nesses enunciados todas suas práticas (GOFFEY, 2008). Se
(ZIEWITZ, 2015), demonstrando a presença entendermos algoritmos como um conjunto de
de processos computacionais nas práticas instruções que fazem um computador realizar
cotidianas. A popularização do termo algoritmo determinada tarefa, é possível afirmar que
assim como o crescente debate em torno dos “Sem o algoritmo, não poderia haver computação”
processos computacionais de classificação (GOFFEY, 2008, p. 16). Portanto, esse conceito
e organização da informação não podem ser formal de algoritmo é uma ideia abstrata por trás de
explicados apenas pelo maior uso de tecnologias praticamente todos os programas de computador que
digitais. Isso se deve também a transformações conhecemos (SKIENA, 2008). Ao mesmo tempo, nos
na própria estrutura da web nas duas últimas mecanismos ditos algorítmicos com que interagimos
décadas, que colocaram sistemas algorítmicos diariamente, algoritmos são apenas parte desses
de classificação “[...] no centro da experiência processos, mas nunca o todo (DOURISH, 2016).
online cotidiana dos usuários” (SANDVIG,
2014, documento online). Isto é, boa parte da A forma como atuam as plataformas digitais
experiência online atualmente (como o Feed de com que interagimos não depende apenas de
Notícias) é mediada por processos computacionais tarefas computacionais bem definidas e expressas
semiautônomos que, ao analisarem uma ampla em linguagem de programação. A idealização
massa de dados sobre seus usuários, estruturam de algoritmo como uma essência formal do
como a informação é produzida, acessada, que fazem esses serviços, como uma fórmula
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secreta, não passa de uma simplificação que sempre em relação com pessoas. Ou seja, em fluxo
inviabiliza a análise crítica do padrão agencial e incorporados em espaços híbridos”.
desses mecanismos. Plataformas digitais como
o Facebook são uma complexa confluência de Diante desse cenário, diversos autores e autoras
aspectos diversos, computacionais ou não, têm questionado o uso autoevidente da noção de

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como mercados financeiros, anunciantes, leis, algoritmo em análises sociais e críticas (BOGOST,
computadores, redes, bancos de dados, servidores, 2015; CRAWFORD, 2016; DOURISH, 2016;
etc. (BOGOST, 2015). Por isso, seria uma tarefa GILLESPIE, 2016; KITCHIN, 2016; ZIEWITZ, 2015).
bastante complexa, mesmo para desenvolvedores e Assim, optar por não tomar algoritmo como algo dado
engenheiros, localizar o algoritmo do Facebook em é uma postura que busca reconhecer a diversidade

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algum lugar em específico nas estruturas físicas e de sentidos que o termo pode ter em sua existência
digitais que conformam o Feed de Notícias. empírica. Algoritmo não é um conceito explicativo,
mas, como sugere Ziewitz (2015), pode ser um
Para Bogost (2015), a idealização de algoritmo conceito sensibilizador: uma noção que deriva da
como um objeto único, simples e fácil de delimitar observação empírica de uma determinada realidade e
escorre entre os dedos quando olhamos para possibilita ao pesquisador novas vias de investigação
a realidade empírica. A figura do algoritmo do sobre seu uso (GIVEN, 2008). Tomar algoritmo
Google, exemplifica Bogost (2015), como o agente como conceito sensibilizador significa mapear sua
decisivo em cada busca no serviço, desaparece existência em um determinado contexto empírico,
quando passamos a observar a miríade de relações seguindo e registrando os valores, as lógicas e os
sociotécnicas que conformam o serviço. Não se entendimentos específicos que ele performa.
trata de negar os importantes efeitos da agência
computacional em diversos aspectos da vida Portanto, na análise proposta neste artigo,
coletiva, mas, sim, entendê-los como resultado algoritmo é observado como um conceito
de uma rede composta por pessoas, materiais, sensibilizador ao redor do qual é construída uma
processos, máquinas, padrões, protocolos etc. As reunião material e discursiva que constitui o
decisões incorporadas nesses mecanismos são processo de classificação realizado pelo Feed de
matéria de debate, disputa e contestação e estão Notícias do Facebook.
sempre sujeitas a testes e falhas (CRAWFORD,
2016). Por isso, Crawford (2016, p. 89) afirma A performatividade do texto na
que um entendimento livre de essencialismos construção de plataformas digitais
sobre algoritmos deve expandir o horizonte de
observação, incluindo “as muitas formas nas O que um mecanismo como o Feed de Notícias
quais algoritmos são raramente estáveis e estão faz, assim como os seus usos e apropriações,
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não é algo definido apenas pela capacidade alimentadas por plataformas digitais dependem
técnica do mecanismo em realizar determinada desse processo pró-ativo de indução à produção de
função. Isto é, o que mecanismos fazem e informações, corroborada por uma transformação
seus usos esperados são noções definidas em da noção de privacidade, reforçando estar em
processos relacionais, de negociação, que têm visibilidade como um valor positivo.

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como parte importante a percepção dos usuários
sobre o que cada funcionalidade representa e Portanto, o que plataformas digitais são e o
para que serve (AKRICH, 1992). Como sugere que suas funcionalidades fazem são valores
van Dijck (2013), não é possível compreender o construídos também nos textos que apresentam,
significado de compartilhar em sites de redes informam, sugerem, ensinam sobre seus

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sociais sem acompanhar o constante processo mecanismos. Serviços como Google e Facebook
de transformação da ideia de privacidade e do costumam produzir um significativo número
valor de estar em visibilidade. Compartilhar “não de publicações online a fim de informar e
é simplesmente algo que ‘está aí’ na sociedade e instrumentalizar o uso de seus serviços. Por
é refletido online. Em vez disso, os proprietários exemplo, o YouTube tem uma página de web
e os usuários têm negociado o significado de chamada Escola de Criadores de Conteúdo5,
compartilhar desde o início [do Facebook], em na qual são apresentadas diferentes técnicas,
Harvard, em 2004, até a sua estreia na Nasdaq em práticas, dicas, sugestões de como devem
2012” (VAN DIJCK, 2013, p. 46). ser produzidos os vídeos para a plataforma.
Em um dos cursos disponíveis, é destacada a
Plataformas digitais são, portanto, compostas postura que deve ser assumida pelos criadores
não apenas de seus arranjos materiais, mas de conteúdo diante do algoritmo do YouTube:
também, de forma inseparável, de discursos que “Em vez de se preocupar com o que o algoritmo
dão sustentação a determinadas práticas. Para ‘gosta’, é melhor focar no que o público gosta.
citar um exemplo, para compreender o fenômeno Se você fizer isso e as pessoas assistirem, o
da produção ubíqua de dados sobre as nossas algoritmo seguirá essas informações” (YOUTUBE,
vidas, é necessário ter em conta o imperativo 2017, documento online).
da visibilidade visível nos arranjos materiais e
discursivos das plataformas digitais: “somos Boas práticas, manuais ou dicas de como
encorajados a estar em visibilidade, a narrar e melhorar o uso dessas funcionalidades são alguns
a ser calculado” (BEER, 2016, p. 148). Nesse termos usados para designar essas publicações,
sentido, as grandes bases de dados mantidas e geralmente disponíveis em blogs ou páginas

5   Disponível em: <https://creatoracademy.youtube.com/page/education?tab=popular&hl=pt-BR>.


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oficiais das empresas. Esses textos representam determinada realidade, como um cenário no
inscrições materiais que enquadram certos qual se desenvolve uma ação. Ao optar por essa
entendimentos, por exemplo, classificando postura, pode-se considerar que os textos não
alguns comportamentos ou usos como bizarros, estão deslocados das práticas (NIMMO, 2011). Ao
inapropriados, indesejados etc. A partir desse contrário, são instrumentos que informam, moldam,

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entendimento, o que o Feed de Notícias faz é estabilizam e produzem práticas e, por isso, é difícil
também definido nos textos sobre o mecanismo. atualmente encontrar práticas dissociadas de
textos. Eles “tanto registram conversações passadas
Para entender e ser capaz de analisar os como instruem novas interações situadas” (PRIMO,
enquadramentos produzidos nesses textos, é 2015, p. 523), servindo como agentes móveis que

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necessário tomar seu caráter performativo e, estendem a agência da organização.
assim, abrir mão de qualquer projeto hermeneuta.
Trata-se de estudar esses textos não como janelas Portanto, “textos, como inscrições materiais
parciais para determinada realidade, mas como e móveis, são agentes ativos que reúnem,
mobilizações do mundo nas quais “os não- moldam e conectam práticas e, fazendo isso,
humanos são progressivamente inseridos no também performam objetos, constituem sujeitos
discurso” (LATOUR, 2001, p. 118). É necessário e inscrevem relações, domínios e fronteiras
girar o foco analítico e, em vez de considerá- ontológicas” (NIMMO, 2011, p. 114). Assim,
los um reflexo distorcido da realidade, passar a estudar as transformações no processo de
seguir as formas pelas quais textos performam classificação do Feed de Notícias a partir das
a realidade, por exemplo, realizando o trabalho publicações do Facebook significa seguir nessas
de definição da relação entre usuários e seus materialidades o processo de prescrição de uma
feeds. Ou seja, usando a metáfora apresentada por realidade específica, na qual entendimentos
Haraway (1992), é mudar o foco das questões de restritos são produzidos, como sobre a
reflexo para as questões de difração6: é deixar de incorporação de processos algorítmicos para
questionar se tal enunciado reproduz a realidade seleção de conteúdos considerados relevantes,
para mapear qual realidade produz. mais importantes ou de qualidade.

Nessa perspectiva, textos são mediadores Ao passo que esse giro do foco analítico é
que estabelecem, performam e prescrevem realizado, deixam-se de lado as questões

6   Nos fenômenos físicos, difração representa a mudança no deslocamento de uma onda, enquanto reflexão é a sua
retransmissão sem perdas. Nesse sentido, Haraway (1992, p. 300) considera difração como “um mapa de interferências,
não de replicações, de reflexos ou reproduções.”. Assumindo a metáfora da autora, acompanhar a difração é construir um
mapa das diferenças que um agente produz.
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hermenêuticas em favor de seguir e traçar o caráter inter-relacional dessas fontes empíricas.


“o trabalho de inscrição, tradução e mediação Melhor dizendo, o uso desse termo busca dar
performado por textos” (NIMMO, 2011, p. 114). ênfase ao seu papel como mediador, que sempre é
Trata-se de descrever os roteiros inscritos o resultado de determinado processo, mas também
nesses textos tornando visíveis a geografia estabelece agenciamentos que se estendem com

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de responsabilidades que atribuem a outros caráter produtivo. Logo, dispositivos textuais são
(humanos ou não humanos) e as novas redes nas quais são definidas “habilidades, ações
causalidades ou novas formas de conhecimento e relações de entidades heterogêneas” (CALLON,
sobre o mundo que decorrem desse cenário 1990, p. 136).
(AKRICH, 1992). Logo, a proposta metodológica

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de estudar os textos que compõem publicamente A noção de dispositivos textuais é empregada
o sistema de classificação do Feed de Notícias para designar os textos colocados em circulação
significa descrever como os atores são definidos, na web como agentes materiais e discursivos
quais são seus objetivos, o que acontece após suas que atuam na conformação do que é o Feed de
ações e o que se torna visível. Optar por seguir Notícias, performando visões particulares sobre,
esses textos como mediadores vai possibilitar por exemplo, quais são as posturas consideradas
observar “histórias que definem quem são os atores aceitas diante do processo de classificação
principais, o que acontece com eles, quais são os exercido pelo mecanismo. Ou seja, a análise aqui
desafios encontrados” (LATOUR, 1993, p. 9). realizada reconhece e busca descrever o caráter
performativo desses dispositivos na produção
Nesse sentido, textos são observados como material e discursiva do que um mecanismo como
dispositivos, simultaneamente materiais e o Feed de Notícias é e do que ele faz.
discursivos, que ajudam a transformar, reconfigurar
ou produzir redes que compõem mecanismos, Então, dispositivos textuais é o termo usado para
constituem usuários e reforçam ou reconfiguram fazer referência à gama de conteúdos digitais nos
práticas. Pensar o texto como dispositivo é quais o Feed de Notícias e seus componentes são
reconhecê-lo não apenas como o fruto ou a paulatinamente performados, como atores que têm
representação de determinada realidade, mas determinada agência, característica e relação com
também como agente produtor dessa realidade. Ou outros agentes incluídos nesses dispositivos.
seja, é entender como resultado, mas também como
ponto de partida (CALLON, 2002), como o ator que News Feed FYI e a construção da pesquisa
está associado a uma rede com outros atores, mas
que a expande ou a atualiza. Nesse sentido, o termo Para realização da análise proposta no estudo,
dispositivos textuais é aqui usado para evidenciar foram captadas, durante julho de 2017, todas
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as publicações da seção News Feed FYI7 do publicações usando-se as ferramentas de


Facebook Newsroom8, página institucional para pesquisa do referido software. Por exemplo,
publicações da empresa. Criada em 2013, essa ao longo da análise, foi possível observar o
seção é descrita como uma forma de “destacar as frequente uso dos verbos afetar (to affect)
maiores mudanças no Feed de Notícias e explicar e impactar (to impact) em sentenças que

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o pensamento por trás delas” (FACEBOOK abordam os efeitos das transformações no
NEWSROOM, 2013, documento online). Com Feed de Notícias. Como a Figura 2 pode
40 textos (até julho de 2017) publicados ao ilustrar, com a ferramenta de busca desse
longo de cinco anos (Ver gráfico 1), o News software, foi possível constatar que, em 27
Feed FYI representa um rico arquivo sobre as das 40 publicações, existe a utilização de

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transformações no Feed de Notícias, assim como sentenças que dão conta dos efeitos das
sobre a produção do seu sistema de classificação. transformações no mecanismo. Portanto,
mais que apenas garantir o armazenamento
Gráfico 1: Número de publicações por ano na e o acesso ao conteúdo empírico, a utilização
seção News Feed FYI do Facebook Newsroom
desse mecanismo proporcionou subsídios para
análise produzida no estudo.

Após a captação das publicações, cada


uma delas foi lida e analisada conforme
o entendimento performativo do texto. O
procedimento de análise realizado no estudo
é inspirado pelo estudo do texto científico
Fonte: Elaborado pelo autor de Latour (1993), assim como na semiótica
material de inspiração na Teoria Ator-Rede
As publicações encontradas nessa página foram (AKRICH, 1992; AKRICH; LATOUR, 1992).
captadas e armazenadas usando-se o software Tal procedimento consiste basicamente no
de gestão de conteúdo digital Evernote (Figura mapeamento da interdefinição dos atores
2). A partir do uso dessa ferramenta, foi possível e cadeias de tradução mobilizados nesses
organizar as publicações em ordem cronológica roteiros. Mapear a interdefinição dos atores
em um mesmo espaço digital. Ao mesmo tempo, representa traçar como os agentes são
foi possível realizar cruzamentos entre as definidos no interior dessas narrativas.

7   Disponível em: <https://newsroom.fb.com/news/category/news-feed-fyi/>.

8   Disponível em: <https://newsroom.fb.com/>.


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Figura 2: Reprodução da tela do software no qual


foram armazenadas as publicações analisadas

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Fonte: Elaborado pelo autor

Mais que apenas enumerar os atores dessas processo de composição de redes de mediação
narrativas, o objetivo é mapear como eles agem que, por exemplo, na construção do Feed de
nesses roteiros e, a partir dessas ações, que Notícias são mobilizadas para tornar conteúdo de
relacionamento estabelecem entre si: obediência, alta qualidade equivalente aos dados de aumento
discordância, indiferença, etc. do engajamento de usuários.

Cadeias de tradução é o termo usado por Bruno A definição do relacionamento


Latour (1993) para descrever os processos de entre os atores
produção de equivalência, geralmente através de
dispositivos de inscrição (SCHMIDGEN, 2014). Após a análise dos 40 textos publicados na sessão
Isto é, no contexto científico, pode-se exemplificar News Feed FYI do blog Facebook Newsroom, é
pela tradução de determinado fenômeno em um possível destacar a proeminência de prescrições
dado, através de mecanismos de inscrição como o bem específicas quanto ao relacionamento do
microscópio, por exemplo. Essa definição remete sistema de classificação do Feed de Notícias com
ao trabalho de produção de equivalências, de os outros atores dessa economia da visibilidade.
transformações ou deslocamentos. Trata-se do Nos cenários construídos nos dispositivos textuais
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analisados, as Páginas no Facebook são definidas Ao mesmo tempo, a noção de algoritmo surge
como atores que devem produzir conteúdo de como ator decisivo do sistema de distribuição do
alta qualidade para permanecer ou aumentar sua Feed de Notícias no início do período analisado
visibilidade. Logo, a cada atualização ou mudança (Ver Figura 3). O termo é usado como um agente
realizada nesse processo, o sentido do que é definidor de um conjunto de comportamentos,

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conteúdo de qualidade ou relevante é definido práticas e conteúdos que são definidos como
e reforçado por diferentes cadeias de tradução. dignos de visibilidade. “Nossa última atualização
Dessas definições é possível extrair uma lógica do algoritmo do Facebook ajuda a assegurar
bastante clara quanto ao funcionamento do Feed que o conteúdo orgânico que pessoas vejam
de Notícias: atores que não produzem conteúdos de das Páginas são os mais relevantes para eles”

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acordo com a definição de relevância ou qualidade (KACHOLIA, 2013, documento online). Como fica
desse sistema são afetados ou impactados com uma claro na Figura 3, o uso do termo algoritmo se dá
menor distribuição de seus conteúdos. essencialmente nos primeiros anos do período

Figura 3: Coletânea de sentenças nas quais o termo


algoritmo é empregado nos textos analisados

Fonte: Elaborado pelo autor


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analisado (de 2013 a 2015), não sendo verificado Assim como a noção de páginas de baixa
posteriormente. qualidade, outros conceitos valorativos sobre os
conteúdos que circulam no Feed de Notícias são
Há, no material empírico analisado, um definidos nos dispositivos textuais analisados.
conjunto de sentenças que visam a normatizar Um exemplo relevante que repetidamente aparece

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o relacionamento entre esses dois atores no material empírico analisado é a noção de
(Páginas e sistema de classificação do Feed caça-clique (click-baiting), como algo que
de Notícias) por meio da definição de uma busca ludibriar os usuários, fazendo-os acessar
série comportamentos, ações e conteúdos determinado conteúdo. Em 2014, uma atualização
definidos como aceitáveis. Essa lógica no Feed de Notícias foi anunciada no blog

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emergente dos dispositivos mobilizados tem analisado justamente com objetivo de evitar o que
um caráter punitivo, penalizando a subversão foi chamado de títulos caça-clique (click-baiting
dessas normas com menor distribuição e, headlines) em publicações de Páginas:
consequentemente, invisibilidade.
“Caça-clique” é quando o gestor de uma Pági-
na publica um link com um título que incentiva
As evidências empíricas da definição e as pessoas a clicar para ver mais, sem dizer
muita informação sobre o que vai ver. Mensa-
atualização dessas normas, como conjunto de
gens como essas tendem a ter muitos cliques,
práticas a serem seguidas, são abundantes nos o que significa que serão apresentadas a mais
pessoas, ficando no topo do Feed de Notícias.
dispositivos textuais analisados. Como ilustrado
(EL-ARINI; TANG, 2014, documento online).
na Figura 2, enunciados desse tipo, empregando
principalmente os verbos afetar (to affect) e
impactar (to impact), estão presentes em, ao Logo, ao definir que postagens com títulos
menos, 27 dos 40 dispositivos analisados. Por caça-clique são entidades infringentes ao código
exemplo, em maio de 2017, uma nova atualização performado pelo sistema de classificação do
foi informada com o objetivo de reduzir a Facebook, essas publicações passam a ser
circulação de links para páginas de baixa punidas com a invisibilidade. Ou, nos termos
qualidade. No dispositivo textual encarregado de do dispositivo, essas Páginas “devem ver sua
divulgar a atualização do sistema de classificação, distribuição cair nos próximos meses” (EL-ARINI;
essa lógica punitiva fica clara na seguinte TANG, 2014, documento online).
sentença: “Produtores de conteúdo que não usam
links para páginas de baixa qualidade podem ver Não apenas tipos de conteúdo considerados
um pequeno aumento no tráfego, enquanto os inadequados são mobilizados nesses textos.
que usam esses links devem ver um declínio no Comportamentos definidos como indesejados
tráfego” (LIN; GUO, 2017, documento online). também são definições encontradas na análise.
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Por exemplo, em junho de 2017, uma nova Por fim, é possível destacar que a definição do
atualização do sistema de classificação do relacionamento entre o sistema de classificação
Feed de Notícias foi implementada com o e as Páginas se manifesta de forma mais clara
objetivo de reduzir a visibilidade de usuários por meio de dicas ou estratégias para melhorar a
que “rotineiramente compartilham grandes distribuição, sendo essa uma noção construída

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quantidades de publicações por dia” com base na visibilidade (quantos usuários são
(MOSSERI, 2017, documento online). Na alcançados por determinado conteúdo).
publicação que divulga essa atualização, é
Você pode fazer isso ao seguir estas dicas na
mencionado que uma pesquisa conduzida pela criação de suas publicações:
empresa “mostra que links que esses usuários - Torne suas mensagens oportunas e relevantes

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compartilham costumam incluir conteúdos - Construa credibilidade e confiança com seu
público
de baixa qualidade como caça-cliques,
- Pergunte a si mesmo: “Será que as pessoas
sensacionalismo e informação equivocada” compartilhariam ou recomendariam esse con-
(MOSSERI, 2017, documento online). Com isso, teúdo a seus amigos?”
- Pense: “Será que o meu público quer ver isso
Páginas no Facebook que têm seus conteúdos
em seu Feed de Notícias?” (KACHOLIA, 2013,
compartilhados por usuários que apresentam documento online).
esse comportamento definido como inadequado
“podem ver uma redução da distribuição desses Portanto, o relacionamento entre Feed de Notícias
links” (MOSSERI, 2017, documento online). e produtores de conteúdos é construído nos textos
analisados de forma bastante específica, agindo
Outra característica relevante observada é para reforçar conceitos valorativos performadas
que esses conceitos valorativos (por exemplo, no mecanismo e punir usos marginais. Se o Feed
caça-clique) são construídos através de de Notícias é um sistema de distribuição que
cadeias de tradução que mobilizam práticas prescreve uma lógica – segundo a qual estará
de categorização e fatores estatísticos para visível quem ou o que obtiver mais reações no
construi-los computacionalmente. Portanto, sistema (como cliques, curtidas e comentários) –,
a definição do que é um conteúdo de baixa as definições em torno da relação com produtores
qualidade ou um título caça-clique é articulada de conteúdo agem para normatizar que essas
em dados, pesquisas e testes, que buscam dar reações sejam genuínas, e não fruto do apelo
sustentação a enunciados como este: “80% das literal ou da geração de dúvida. Portanto, é
vezes, pessoas preferem títulos que ajudem possível identificar não só a existência de uma
a decidir se querem ler todo o texto antes de lógica de visibilidade, mas também de políticas de
clicar na postagem” (EL-ARINI; TANG, 2014, gerenciamento dessa lógica, que reforçam alguns
documento online). de seus pontos, punindo condutas infringentes.
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A produção de uma norma algorítmica Logo, norma algorítmica representa a lógica


de visibilidade estabelecida nos dispositivos
Conforme a análise realizada no corpus empregados para construção do Feed de Notícias,
selecionado para o estudo, há, na definição do normatizando, principalmente, o relacionamento
relacionamento entre os atores, a produção entre produtores de conteúdo e o mecanismo.

ID 1402
de uma lógica específica, aqui nomeada
como norma algorítmica: é a definição do Além da capacidade técnica dos processos
relacionamento entre produtores de conteúdo computacionais empregados na seleção realizada
e sistemas de classificação do Feed de Notícias no Feed de Notícias, a definição do que é visível
no qual são definidos uma série de conteúdos, nesse ambiente passa também pela construção

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comportamentos, ações etc. consideradas como de uma rede que visa a reforçar entendimentos
legítimas. Os enunciados integrantes dessa específicos sobre, por exemplo, o que é relevante.
lógica têm duas principais características: Em outras palavras, o que o mecanismo faz
primeiro, constroem, por meio da mobilização também é produzido e reforçado por meio
de diferentes atores (dados, estatísticas, da mobilização de textos que informam suas
comportamentos, entrevistas etc.), uma série práticas, estabelecendo uma lógica punitiva
de definições valorativas sobre conteúdos que condiciona a visibilidade a seguir as regras
e comportamentos que devem ser banidos; estabelecidas. Como apresentado na análise, é
segundo, condicionam a visibilidade nesse possível situar a chamada norma algorítmica de
ambiente a seguir as regras estabelecidas e forma mais visível em enunciados definidos como
atualizadas na transformação do serviço. boas práticas (FACEBOOK BUSINESS, 2015)
ou na definição do impacto na visibilidade de
Portanto, norma algorítmica trata-se de uma Páginas diante das transformações no sistema de
lógica punitiva que penaliza sua subversão distribuição do feed (EULENSTEIN; SCISSORS,
com menor distribuição e, consequentemente, 2015). Esses enunciados, que atuam na produção
invisibilidade. Tentar enganar o sistema, de um domínio de conhecimentos específicos
solicitando explicitamente que usuários curtam considerados legítimos, também definem o
uma publicação, implica a classificação como relacionamento esperado entre produtores de
conteúdo não interessante e, portanto, menos conteúdo e o Feed de Notícias.
visível. O termo norma é usado no sentido que
é empregado na obra de Michel Foucault, que Nos textos analisados, são performados
o define como a base do estabelecimento de julgamentos específicos sobre o que são conteúdos
distinções entre o que é normal, anormal, de qualidade dignos de estarem no Feed de
aceitável, legítimo, etc (FONSECA, 2001). Notícias e conteúdos indesejados, definidos,
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por exemplo, como memes ou publicações os quais, se internalizados, podem produzir


caça-cliques. De forma geral, o que é definido novas e talvez inesperadas subjetividades”
como normal dentro dessa lógica tende a (INTRONA, 2016, p. 23). De forma similar,
ser designado por sua capacidade de gerar Bucher (2012, p. 118) considera que “algoritmos,
engajamento genuíno. Ou seja, aquele como os desenvolvidos pelo Google, moldam

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conteúdo que faz os usuários interagirem de fundamentalmente o conhecimento e significado
forma genuína, sem explicitamente solicitar das práticas online”.
que eles curtam ou compartilhem.
Uma vez que o Facebook é considerado por muitos
No momento em que esses mecanismos passam a como principal fonte de tráfego para produtores

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mensurar e classificar comportamentos, controlar de conteúdo (KAFKA, 2015), é possível afirmar que
e punir de acordo com o que é considerado a racionalidade emergente da norma algorítmica
legítimo se torna uma das práticas performadas passa a se incorporar nas maneiras como esses
no sistema de classificação do Feed de Notícias. produtores agem no Facebook. Essa normalização
O crescente uso de sistemas computacionais das práticas no Feed de Notícias pode ser
como tecnologias de governo tende a performar observada em diversos fenômenos empíricos. Para
domínios de conhecimento que separam o que citar um exemplo, Sardá et al. (2015) destacam
é legítimo do que deve ser considerado ilegítimo uma tendência de hibridização da linguagem
(INTRONA, 2015). jornalística no Facebook, chamada pelos autores
de buzzfeedização, a fim de ampliar a visibilidade
À medida que essa norma algorítmica passa no Feed de Notícias e acesso aos links de
a definir o que é legítimo e que, para estar em conteúdos publicados.
visibilidade no Feed de Notícias, é preciso seguir
as regras aí estabelecidas, esse domínio de Esse termo é usado pelos autores para designar
conhecimento tende a se internalizar nos sujeitos a transformação de estratégias clássicas do
em interação com o mecanismo (INTRONA, 2015). jornalismo, como clareza e objetividade dos
Isso é mais visível nas práticas de profissionais de títulos, a caminho de uma aproximação de
marketing e propaganda ou gestores de Páginas formatos característicos do BuzzFeed. Esse site
no Facebook. Nesse sentido, Introna (2015) norte-americano é conhecido pelo caráter viral de
afirma que o caráter performativo desse tipo de suas publicações (OREMUS, 2016), geralmente
conhecimento pode se incorporar às formas como em formatos de listas e com títulos enigmáticos,
os sujeitos entendem suas práticas e, mesmo, que alcançam uma significativa distribuição em
a si próprios. Por isso, esses processos “podem plataformas como o Facebook ao fazerem usuários
performar novos domínios de conhecimento, interagirem com suas publicações.
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Os efeitos dessa norma algorítmica também Na perspectiva construída nesse estudo, textos
podem ser observados com uma busca rápida são considerados dispositivos mobilizados para
na web: é possível listar inúmeras páginas de estabelecer, performar ou reforçar determinada
web sobre conhecimentos em torno da figura realidade, como um cenário no qual se
do algoritmo do Feed de Notícias. Geralmente desenvolve uma ação.

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voltados a profissionais de marketing e
propaganda, esses conteúdos posicionam o A análise realizada apresentou uma série
algoritmo como agente poderoso e, por sua vez, de características e recorrências das
sugerem relações diversas com esse ator: seguir narrativas construídas no corpus estudado.
suas normas, conhecê-lo, respeitá-lo, enganá- De forma principal, destacou-se a definição

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lo etc. Isto é, enquanto parte dos conteúdos do relacionamento entre produtores de
sugere seguir as normas a fim de não prejudicar conteúdo e o sistema de classificação do
uma marca (KELLY, 2016), outra parte propõe Feed de Notícias. A construção e definição
enganar ou hackear o algoritmo (KURTZ, 2013; desse relacionamento foi chamada de norma
OLHAR DIGITAL, 2014). algorítmica: um regime de conhecimentos
que performa julgamentos bastante
Ao mesmo tempo, essa relação entre específicos sobre o que é moralmente
norma algorítmica e os usos do Feed de considerado normal por meio de uma lógica
Notícias é marcada pelo dinamismo e pela punitiva que ameaça produtores de conteúdo
transformação. Ficam claras, na análise dos com a invisibilidade.
textos do corpus do estudo, as frequentes
transformações e atualizações promovidas no Por isso, considera-se possível afirmar que
sistema de classificação do Feed de Notícias a a forma como agem sistemas técnicos como
fim de barrar trapaças. o Feed de Notícias também é produzida
e reforçada na mobilização de textos que
Considerações finais informam suas práticas, estabelecendo
determinadas lógicas sobre, por exemplo,
O estudo teve como objetivo analisar as o que é considerado anormal. Logo,
publicações que têm, ao longo dos últimos anos, além da própria capacidade técnica dos
construído o Feed de Notícias e suas práticas processos computacionais, a definição do
nos espaços organizacionais do Facebook. A que é visível em ambientes como o Feed de
análise foi orientada por um entendimento Notícias passa também pela construção de
performativo do texto inspirado pelos estudos uma rede que visa a normalizar práticas e
de ciência e tecnologia e pela Teoria Ator-Rede. comportamentos.
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The Construction of an La construcción de la


Algorithmic Norm: an Analysis norma algorítmica: análisis
of the Texts About the de los textos sobre el Feed
Facebook News Feed de Noticias de Facebook

ID 1402
Abstract Resumen
This paper analyses the construction of the News El artículo analiza la construcción del Feed de
Feed in Facebook’s public texts. The objective is to Noticias en los textos públicos de Facebook. El
map the logics enacted in these texts in relation objetivo del estudio es entender y mapear las lógicas
to News Feed usage and operation. Forty texts of establecidas en estos textos en relación al uso y
a Facebook webpage announcing changes in the funcionamiento del mecanismo. Se analizaron 40

Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.21, n.1, jan./abr. 2018.
News Feed were analyzed. The study was based publicaciones en página institucional de Facebook
on a performative understanding of text inspired destinada a presentar y explicar los cambios en
by science and technology studies and the Actor- el mecanismo. El análisis fue orientado por un
Network Theory. The analysis describes the entendimiento performativo del texto inspirado
construction of normative logic concerning the por los estudios de ciencia y tecnología y por la
relationship between publishers and the News Feed Teoría del Actor-Red. Como resultado del análisis,
classification system, a construction which this se observó la construcción de una lógica normativa
paper calls the algorithmic norm. sobre la relación entre productores de contenido

Keywords y el sistema de clasificación del Feed de Noticias,

Facebook. News Feed. Algorithms. nombrado en el estudio como norma algorítmica.

Palabras-clave
Facebook. Notícias. Algoritmos.

Recebido em: Aceito em:


14 de agosto de 2017 05 de março de 2018
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Expediente E-COMPÓS | www.e-compos.org.br | E-ISSN 1808-2599


Revista da Associação Nacional dos Programas
A revista E-Compós é a publicação científica em formato eletrônico
de Pós-Graduação em Comunicação.
da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Brasília, v.21, n.1, jan./abr. 2018.
Comunicação (Compós). Lançada em 2004, tem como principal A identificação das edições, a partir de 2008,
finalidade difundir a produção acadêmica de pesquisadores da área passa a ser volume anual com três números.
de Comunicação, inseridos em instituições do Brasil e do exterior. Indexada por Latindex | www.latindex.unam.mx

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CONSELHO EDITORIAL Juliana Freire Gutmann, Universidade Federal da Bahia, Brasil
Laura Loguercio Cánepa, Universidade Anhembi Morumbi, Brasil
Ada Cristina Machado Silveira, Universidade Federal de Santa Maria, Brasil
Alda Cristina Silva da Costa, Universidade Federal do Pará, Brasil Leonel Azevedo de Aguiar, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil
Alfredo Luiz Paes de Oliveira Suppia, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Letícia Cantarela Matheus, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Ana Regina Barros Rego Leal, Universidade Federal do Piauí, Brasil Luciana Coutinho Souza, Universidade de Sorocaba, Brasil
Ana Carolina Rocha Pessôa Temer, Universidade Federal de Goiás, Brasil Maria Ataide Malcher, Universidade Federal do Pará, Brasil
André Luiz Martins Lemos, Universidade Federal da Bahia, Brasil Maria Elisabete Antonioli, Escola Superior de Propaganda e Marketing – SP, Brasil
Angela Cristina Salgueiro Marques, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil Maria das Graças Pinto Coelho, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil
Ângela Freire Prysthon, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil Marialva Carlos Barbosa, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil

Revista da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação | E-compós, Brasília, v.21, n.1, jan./abr. 2018.
Antonio Carlos Hohlfeldt, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Marcel Vieira Barreto Silva, Universidade Federal da Paraíba, Brasil
Arthur Ituassu, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil Marcia Tondato, Escola Superior de Propaganda e Marketing, Brasil
Bruno Campanella, Universidade Federal Fluminense, Brasil Marli Santos, Universidade Metodista de São Paulo, Brasil
Cláudio Novaes Pinto Coelho, Faculdade Cásper Líbero, Brasil Márcio Souza Gonçalves, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil
Cárlida Emerim, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil Mauricio Mario Monteiro, Universidade Anhembi Morumbi, Brasil
Carlos Eduardo Franciscato, Universidade Federal de Sergipe, Brasil Mayka Castellano, Universidade Federal Fluminense, Brasil
Danilo Rothberg, Universidade Estadual Paulista, Brasil Mozahir Salomão Bruck, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Brasil
Denise Tavares da Silva, Universidade Federal Fluminense, Brasil Nísia Martins Rosario, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil
Diógenes Lycarião, Universidade Federal do Ceará, Brasil Paolo Demuru, Universidade Paulista, Brasil
Eduardo Vicente, Universidade de São Paulo, Brasil Paula Melani Rocha, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil
Eliza Bachega Casadei, Escola Superior de Propaganda e Marketing – SP, Brasil Potiguara Mendes Silveira Jr, Universidade Federal de Juiz de Fora, Brasil
Eneus Trindade, Universidade de São Paulo, Brasil Priscila Ferreira Perazzo, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Brasil
Erick Felinto de Oliveira, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Brasil Rafael Cardoso Sampaio, Universidade Federal do Paraná, Brasil
Erly Vieira Júnior, Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil Rafael Tassi Teixeira, Universidade Tuiuti do Paraná, Brasil
Francisco de Assis, FIAM-FAAM Centro Universitário, Brasil Regiane Lucas Garcês, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
Francisco Elinaldo Teixeira, Universidade Estadual de Campinas, Brasil Regiane Regina Ribeiro, Universidade Federal do Paraná, Brasil
Francisco Gilson R. Pôrto Jr., Universidade Federal do Tocantins, Brasil Renata Pitombo Cidreira, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil
Frederico de Mello Brandão Tavares, Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil Renato Essenfelder, Escola Superior de Propaganda e Marketing, Brasil
Gabriela Reinaldo, Universidade Federal do Ceará, Brasil Roberto Elísio dos Santos, Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Brasil
Gilson Vieira Monteiro, Universidade Federal do Amazonas, Brasil Rodolfo Rorato Londero, Universidade Estadual de Londrina, Brasil
Gustavo Daudt Fischer, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil Roseli Figaro, Universidade de São Paulo, Brasil
Itania Maria Mota Gomes, Universidade Federal da Bahia, Brasil Simone Maria Andrade Pereira de Sá, Universidade Federal Fluminense, Brasil
Jiani Adriana Bonin, Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil Sofia Cavalcanti Zanforlin, Universidade Católica de Brasília, Brasil
José Afonso da Silva Junior, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil Sônia Caldas Pessoa, Universidade Federal de Minas Gerais, Brasil
José Luiz Aidar Prado, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Brasil Tatiana Oliveira Siciliano, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Brasil
Josette Maria Monzani, Universidade Federal de São Carlos, Brasil Thaïs de Mendonça Jorge, Universidade de Brasília, Brasil
Juçara Gorski Brittes, Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil Valquiria Michela John, Universidade Federal do Paraná, Brasil

CONSELHO CIENTÍFICO COMPÓS | www.compos.org.br


Cristiane Freitas Gutfreind, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul,
Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação
Brasil | Eduardo Antônio de Jesus, Universidade Federal de Minhas Gerais, Brasil |
Eduardo Morettin, Universidade de São Paulo, Brasil | Irene de Araújo Machado, em Comunicação
Universidade de São Paulo, Brasil | Miriam de Souza Rossini, Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, Brasil Presidente
Marco Roxo
COMISSÃO EDITORIAL
Igor Pinto Sacramento, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil | Kelly
Programa de Pós-Graduação em Comunicação – UFF
Cristina de Souza Prudencio, Universidade Federal do Paraná, Brasil | Osmar marcos-roxo@uol.com.br
Gonçalves dos Reis Filho, Universidade Federal do Ceará, Brasil | Rafael
Grohmann, Faculdade Cásper Líbero, Brasil | Thaiane Moreira de Oliveira, Vice-Presidente
Universidade Federal Fluminense, Brasil (editores associados) Isaltina Gomes
CONSULTORES AD HOC Programa de Pós-Graduação em Comunicação – UFPE
Afonso de Albuquerque, Universidade Federal Fluminense, Brasil | Cláudia Lago, isaltina@gmail.com
Universidade de São Paulo, Brasil | Cesar Baio Santos, Universidade Federal do Ceará,
Brasil | Eduardo Pellanda, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil Secretária-Geral
| Francisco Rüdiger, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil |
Gisela Castro
Karina Woitowicz, Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil | Luis Mauro Sa
Martino, Faculdade Cásper Líbero, Brasil | Norval Baitello Jr, Pontifícia Universidade Programa de Pós-Graduação em Comunicação
Católica de São Paulo, Brasil | Pedro Guimarães, Universidade de Campinas, Brasil e Práticas de Consumo – ESPM
EQUIPE TÉCNICA castro.gisela@gmail.com
Assistentes editoriaIS Márcio Zanetti Negrini e Melina Santos |
Revisão de textos Fátima Áli | EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Roka Estúdio CONTATO | revistaecompos@gmail.com