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Exercício cap.

15 - Mesclagens conceptuais e âncoras materiais, do livro Language,


Mind and Culture (KÖVECSES, 2006).

Por Morgana Leal

Exercício 5, p. 293.

Um adulto diz sobre um menino no Halloween: “Nós temos um pequeno Darth Vader
aqui”. O que acontece em termos de espaços input relevantes e mesclagem?

No capítulo 15, Kövecses amplia a discussão de espaços mentais para a


mesclagem, que é uma integração conceptual na qual os espaços mesclam seus
conteúdos conceptuais. Por mesclar, entende-se que os significados que emergem
dos espaços mentais não apenas projetam mapeamentos entre eles, mas que
mesclam características de um e/ou do outro domínio para deles emergirem novos
significados. A integração conceptual trabalha com quatro ou mais espaços - espaço
input 1 e 2, espaço genérico e espaço mescla -, sendo chamada também de Modelo
de Redes.
Fauconnier e Turner (2002, apud Kövecses, 2006) categorizaram 4 tipos
diferentes de redes: a rede simples, a rede espelhada, a rede de escopo simples e a
rede de escopo duplo ou múltiplo. Mas as redes de integração conceptual também
podem aparecer como objetos físicos em uma cultura: a mesclagem resulta em
materiais físicos, ou “âncoras materiais”, e esses objetos, por sua vez, mantêm e
reforçam os processos cognitivos de mesclagem nessas formas físicas.
O exemplo proposto pelo exercício, portanto, se constitui em uma âncora
material. Em um MCI (modelo cognitivo idealizado) de Halloween, no qual
compartilhamos o conhecimento de que crianças se vestem de personagens,
incluindo vilões e mocinhos, temos um “pequeno Darth Vader”, um exemplo de como
a mesclagem se materializa no mundo real. A mesclagem é representada pelos
diagramas que se seguem.
Crianças se Espaço Genérico
vestem de
personagens
no
Espaço Input 1 Halloween Espaço Input 2

Darth Vader
Menino
Grande,
Pequeno
adulto
Real
Vilão
Fantasiado
Ficcional
No
Roupa
Halloween
característica

Pequeno Espaço Mescla


Darth Vader

O diagrama representa os dois espaços input, o espaço genérico e o espaço


mescla do exemplo “Temos um pequeno Darth Vader aqui”. A mescla está
materializada no mundo real, pois temos uma integração conceptual que acontece
de verdade. Para entendermos a estrutura emergente “um pequeno Darth Vader”,
sofremos os processos cognitivos que integram o conhecimento de uma criança (por
isso o “pequeno”), dentro de um espaço genérico no qual crianças se vestem de
personagens diversos no período do Halloween, com o conhecimento de quem é
Darth Vader (grande, adulto, vilão, ficcional e que tem uma roupa bastante
característica).
A estrutura emergente, portanto, agrega alguns conhecimentos dos dois
espaços input e do espaço genérico, emergindo em uma mesclagem no mundo real,
um objeto do mundo físico, uma âncora material cultural. É necessário salientar,
também, que somente através do conhecimento compartilhado culturalmente de
Halloween e do personagem Darth Vader da cultura pop é que temos a
compreensão da mesclagem. Sem esse conhecimento compartilhado, a sentença
proposta pelo exercício não faz sentido.