Você está na página 1de 17

Resumos de Patologia Geral – 1º ano – 2º semestre

2º Frequência

AGENTES DE STRESS

1. Causas de doenças:
- Endógenas;
- Exógenas (agente físicos, agentes químicos e agentes biológicos);

- Agentes Físicos:

 Agentes mecânicos;
 Factores cosmo-meteorológicos;
 Vibrações;
 Radiações.

1. Agentes mecânicos
- A acção destes agentes físicos traduz-se por uma lesão traumática, que pode variar
consoante:
 Velocidade do agente;
 Direcção do agente causal;
 Modalidade da sua actuação (compressão, tracção e oscilação);
 Morfologia do agente agressor;
 Concomitância eventual de agentes múltiplos;
 Natureza dos tecidos orgânicos atingidos;
 Resistência arquitectural das áreas do esqueleto atingidas;
 Idade do indivíduo traumatizado.

- Agentes mecânicos produzem lesões locais e lesões gerais. Feridas e contusões são lesões
locais.

CONTUSÕES

- Não existe descontinuidade da pele, estão mais protegidas das infecções externas, podem
apresentar-se como:

Equimose  Extravasamento difuso de sangue por rotura de vasos, cuja coloração se vai
alterando com o tempo desde o cinzento azulado, esverdeado ao amarelo, traduzindo as
diversas fases do metabolismo local da hemoglobina (14dias);

Hematoma  Colecção localizada de sangue e área cavitária;

Necrose tecidular

Lesões graves dos órgãos profundos  Traumatismo dos órgãos intra-abdominais originando
hemorragia aguda grave do quadro de choque hipovolémico;

Fractura não exposta dos ossos sem feridas associadas podendo ser:
 Fractura completa – a solução de continuidade atinge toda a espessura do osso,
podendo ser ainda relativamente à sua orientação: transversais, longitudinais e
oblíquas;
 Fracturas incompletas ou em ramo verde – não atingem a espessura do osso, sendo
frequentes nas crianças;
 Fissuras, flexões e depressões ósseas;
 Fracturas complexas.

FERIDAS

- São lesões que destroem as células da pele facilitando infecções nos tecidos;

Feridas penetrantes (picada) – solução de continuidade provocada por um objecto perfurante,


cuja dimensão predominante é a profundidade;

Ferida incisa – lesão de bordos regulares cuja dimensão predominante é a longitudinal;

Ferida penetrante – quando atinge cavidades (ferida penetrante do tórax, do abdómen, etc.)

Ferida contusa – quando um agente contundente provoca uma solução de continuidade na


pele;

Ferida inciso-contusa – são as mais frequentes na nossa observação clinica, são feridas incisas
provocadas por objectos contusos;

Feridas por arma de fogo – em fundo de saco se apenas existir orifício de entrada, ou
penetrantes se existir orifício de entrada e de saída. Estes orifícios têm características
diferentes com importância para a medicina legal.

Feridas complexas:

- Feridas + Contusões: Lesões complexas que resultam da combinação das diversas causas,
exemplo destas situações são:

 Explosão – quer na água quer no ar, onde ocorre a súbita deslocação das massas dos
respectivos meios, provocando uma onda de pressão negativa, ou aspirativa. Estes
fenómenos dão origem a graves lesões quer a nível interno quer a nível externo.

Lesões gerais causadas por agentes mecânicos:

 Psiconeuroses – alterações do comportamento e quadros de ansiedade;


 Comoção cerebral – perda transitória de consciência pós traumática. Transmissão de
gradientes tensionais, devido aos movimentos a que é submetida a cabeça, até ao
tronco cerebral ou elevação brusca de tensão intra-craneana, também com
repercussões no tronco cerebral;
 Infecções – lesões dos tecidos, baixa das defesas se não tratada pode evoluir para
choque séptico;
 Sempre que sofremos uma pequena agressão há um efeito geral, é pequeno à medida
da agressão e do seu efeito. Por vezes é perceptível por nós como um pequeno aviso. O
calor estimula os receptores da dor e o cérebro manda tirar a mão, está tudo envolvido
mas quase de forma imperceptível. O diabético tem este circuito interrompido, tem
degenerescência das terminações nervosas e estas não detectam o calor e faz com que
este não tira o pé em contacto com algo quente ou de dentro de um sapato apertado,
o que o traumatiza de forma drástica.

Politraumatizado – é uma situação de apresentação muito variada onde podem existir todas as
lesões aqui mencionadas e muitas outras. Em caso de situação grave, a abordagem na sala de
emergência é sempre cumprindo a regra das prioridades na abordagem inicial. Os doentes
podem estar em choque de causa hemorrágica, choque neurogénico por fractura da coluna,
choque obstrutivo extra cardíaco por tamponamento cardíaco, cardiogénico se ocorreu um
enfarte.

2. Agentes Cosmo- Meteorológicos

- Biometereologia estuda os efeitos do meio ambiente sobre os seres vivos. Factores como:
temperatura, humidade, pressão e vento, contribuem para alterações no nosso organismo.

CALOR

- As defesas do organismo resultam em:

 Diminuição do metabolismo orgânico;


 Vasodilatação periférica inicial;
 Fenómenos circulatórios locais.

- Quando estes mecanismos de compensação são superados pela agressão, surgem


fenómenos patológicos;

Lesões locais:

QUEIMADURAS

Classificação segundo a profundidade:

 1º grau – atinge a epiderme;


 2º grau – atinge a epiderme e as camadas superficiais da derme;
 3º grau – atinge todas as camadas da pele;
 4º grau – atinge os tecidos abaixo da pele.

Classificação segundo a gravidade e percentagem de área superficial queimada:

 Queimadura benigna: < 10%;


 Queimadura grave: 10% - 30%;
 Queimadura muito grave: > 30%;

- Existem tabelas para calcular a área queimada, tabelas para adultos e crianças;

Fisiopatologia das queimaduras:


- O calor provoca intensa transudação nas respectivas áreas atingidas e em menor grau no
resto do corpo. A saída de líquidos através dos poros dos capilares para o espaço extravascular
vai diminuir a volémia e o doente pode entrar em choque hipovolémico. É necessário fazer a
abordagem pela regra das prioridades, como sempre! Agora que se perdem muitos líquidos
intra-vasculares, logo depois da abordagem ao doente devemos administrar grandes
quantidades de soros seguindo a regra de Parkland.

- 4ml / % de área queimada / kg de peso – metade desta quantidade administrada nas


primeiras 8 horas. Controlar sempre todos os parâmetros vitais, os guias de sucesso ou não da
nossa terapêutica, a diurese, evitando provocar um edema agudo do pulmão iatrogénico.

Consequências gerais do calor ao qual o organismo humano se adapta resumem-se:

 Vasodilatação intensa;
 Hipotensão arterial;
 Intensa sudorese;
 Choque hipovolémico;
 Golpes de calor – alterações surgem de forma rápida: cefaleias, vertigens, dificuldade
respiratória, perda de consciência e morte;
 Insolação – se acção do sol se faz sentir directamente sobre a cabeça: cefaleias,
convulsões e sinais de irritação meníngea.

FRIO

- As defesas do organismo são essencialmente:

 Aumento do metabolismo orgânico;


 Vasodilatação periférica inicial;
 Fenómenos circulatórios locais.

- Quando estes mecanismos de compensação são superados pela agressão surgem


fenómenos patológicos.

Consequências locais do frio:

 Inicialmente palidez causada pela vasoconstrição;


 Cianose consecutiva a uma ulterior vasodilatação ineficaz;
 Aparecimento de zonas eritemopapulosas;
 Aparecimento de vesículas sero-hemáticas;
 Necrose com eliminação dos tecidos;
 Após um período de dor a pele perde a sensibilidade;
 Fenómenos microcirculatórios locais: possibilidade de transudação plasmática,
trombose em pequenos vasos, anastomoses, artério-venosas nas extremidades, maior
consumo de glicose pelas células. Estes fenómenos agravam a anoxia local;
 Frieiras: lesões eritemopapulosas, cianóticas, pruriginosas, localizadas especialmente
nas extremidades como: dedos, pavilhão auricular, nariz.

Hipopressão do Meio Ambiente


- Se o homem ascende rapidamente a grandes altitudes pode ocorrer uma insuficiência
respiratória aguda (cianose, taquipneia, aumento do débito cardíaco, adejo nasal, etc.) por
défice de oxigénio;

Embriaguez das altitudes – sensação agradável, seguida por cefaleias, cianose rápida,
devido à falta de oxigénio;

Mal das montanhas – aumento compensador dos eritrócitos. A baixa pressão de oxigénio
é tolerada porque após períodos mais ou menos longos ou permanentes a este ambiente,
a falta de oxigénio nas artérias renais estimula o córtex renal a produzir eritropoietina. A
eritropoietina estimula a medula óssea a produzir mais eritrócitos, para que todo o
oxigénio presentes nos alvéolos seja captado com avidez. Esta poliglobulia aumenta a
viscosidade sanguínea favorecendo a formação de trombos. A poliglobulia faz surgir a
hipertensão por aumento do volume circulante, tão difícil de controlar, que por vezes é
necessária uma “sangria”.

Esta doença crónica manifesta-se por: tom vermelho da pele (pela queimadura solar e pela
poliglobulia), cefaleias, risco de tromboses, hipertensão, enfarte, insuficiência respiratória
crónica.

Hiperpressão do Meio Ambiente

- Os riscos aqui surgem durante o período de permanência em hiperpressão como o


período de descompressão ulterior. Também ocorrem fenómenos agudos e crónicos
dependendo da forma como o organismo é exposto.

Embriaguez das profundidades – euforia, alterações da consciência, fenómenos


alucinatórios, que se podem iniciar entre 35m e 60m de profundidade. Isto deve-se a uma
hipercapnia, com diminuição da sensibilidade dos centros respiratórios. Existe um aumento
de pressão de todos os gases que se difundem muito bem através da membrana alvéolo-
capilar;

 Na passagem de meios de hiperpressão para meios normais podem ocorrer vários


fenómenos: o azoto que sob hiperpressão é muito solúvel no sangue e no tecido
adiposo, na descompressão passa ao estado gasoso rapidamente provocando embolias
gasosas, quer nos vasos quer nos tecidos gordos como os nervos;

Embolia pulmonar aguda – situação aguda que ocorre na descompressão rápida e pode
levar à morte;

Doença dos mergulhadores – resulta dos danos provocados de forma lenta nos diversos
órgãos, pelas pequenas embolias gasosas de repetição nos pequenos vasos da retina, quer
no tecido adiposo lesando as fibras de mielina (nervos sensitivos e motores), na medula
óssea no tecido celular subcutâneo. As articulações também são atingidas de forma
electiva.

3. Vibrações

 Vibrações acústicas ou sons – entre 16 e 20000 ciclos/segundo;


 Ultra-sons – acima de 20000 ciclos/segundo;
 Infra-sons – abaixo de 16 ciclos/segundo.

Vibrações acústicas – transmissíveis através do material sólido, líquido e gasoso. Podem tornar-
se desagradáveis e passam a chamar-se ruído;

Trepidações – são vibrações apenas transmitidas por material sólido ou líquido, muitas vezes
responsáveis por alterações psíquicas ou neurológicas. As máquinas perfuradoras são um
exemplo;

 As suas repercussões patogénicas sobre o homem incidem quer na esfera psíquica


quer na somática.
 Ambientes de muito ruído ou determinados ruídos podem provocar uma psicose
aguda em certos indivíduos.

Doenças provocadas pelo ruído:

 Hipoacúsia – os pequenos ossos do ouvido interno ficam gastos com tanta vibração.;
 Doenças do foro psíquico – alterações do comportamento de todas as ordens e devido
a muitos factores associadas a uma sociedade que se move pelo stress, associada às
vezes a situações extremas como, bater em crianças de meses por ficar psicótico ao
ouvir o choro após um dia na fábrica de barulho e cansaço.

Comportamento Fisiológico perante o ruído:

- Vasoconstrição;

- Midríase (dilatação pupilar);

- Vigília ou menor profundidade do sono;

 Predomínio da acção do SIMPÁTICO

Comportamento perante o silêncio:

- Vasodilatação do território da artéria mesentérica;

- Aumento do peristaltismo nomeadamente o intestinal;

- Miose (menor diâmetro da pupila);

- Profundidade do sono;

 Predomínio do PARASSIMPÁTICO

Electricidade

 Electricidade natural – fulguração;


 Electricidade artificial;

- A corrente eléctrica em ambos os casos percorre o organismo ao longo do trajecto mais


curto, mas na dependência da diferente condutibilidade dos tecidos;
FULGURAÇÃO

Electricidade natural – RAIO – curta duração, mas elevada voltagem, intensidade e


frequência;

Quadro clínico:

 Paragem cardíaca;
 Paralisia dos músculos respiratórios;
 Queimaduras provocadas pelo efeito térmico do raio.

ELECTRICIDADE INDUSTRIAL

Os efeitos da corrente eléctrica no organismo dependem:

 Variedade da corrente – alterna ou contínua;


 Intensidade;
 Trajecto da corrente;
 Duração;
 Efeitos térmicos – queimaduras.

Corrente contínua – tem uma acção electrolítica intensa. Produz uma escara resistente, ácida,
por aniões, no local de entrada. Origina uma escara liquefeita, por catiões no ponto de saída.
Contracções musculares bruscas podem provocar o afastamento interrompendo assim a
corrente;

Corrente alterna – sem esta acção electrolítica, devido às alternâncias do sentido da corrente.
Tem efeito térmico intenso com necrose no ponto de entrada e de saída. Surgem contracções
musculares com tetanização podendo fazer perdurar o contacto com a corrente;

Intensidade – para uma mesma voltagem, a intensidade será tanto maior quanto menor for a
for a resistência do circuito (V = I x R)

- a pele seca oferece grande resistência;

- a pele húmida com água ou suor oferece pouca resistência.

Trajecto – se estiver órgãos vitais no trajecto:

 Bolbo – origina inibição do centro respiratório e carido-circulatório;


 Coração – origina arritmias.

Duração – a gravidade das lesões é directamente proporcional à duração do circuito eléctrico


fechado pelo Homem;

Consequências destas lesões:

 Paragem respiratória;
 Paragem cardíaca;
 Queimaduras de 4ª grau – em que os tecidos queimados não são claramente
visíveis. O trajecto da corrente causa lesões em profundidade. Não é
importante a regra de Parkland;
 A urina tem cor acastanhada da rabdomiolise (catabolismo das proteínas:
miosisna e actina, do músculo destruído).

4. Radiações

Radiações ionizantes:

 Radiações corpusculares (alfa,beta);


 Radiações electromagnéticas (raios x, raios gama, radiações cósmicas);
 Radiações luminosas: visíveis e invisíveis (ultravioleta, infravermelha).

- Radiações luminosas visíveis, têm reduzida acção patogénica. Pode eventualmente


desencadear uma crise convulsiva em epilépticos.

Efeitos agudos das radiações ultravioletas e infravermelhas:

- As consequências térmicas das radiações solares, devem-se fundamentalmente à sua área


infravermelha, como: golpe de calor, insolação, etc.

- As radiações ultravioletas ou actínicas, filtradas pelo vidro e em grande parte pela poluição
atmosférica, podem originar queimaduras. As queimaduras, por vezes graves, surgem no
decurso de exposições prolongadas, em zonas de atmosfera mais pura (montanha) ou em
zonas em que a sua reflexão lhe exacerba os efeitos (neve, areia e água);

- Queimaduras de vários graus, desde o eritema solar (áreas avermelhadas, edema, prurido e
posteriormente descamação e pigmentação), até à formação de flictenas, acompanhadas por
vezes de reacções gerais (arrepios, febre). Estes sintomas surgem nas primeiras 24 horas após a
exposição. A pigmentação à custa dos melanócitos, tem um efeito ulterior de protecção.

Efeitos crónicos das radiações ultravioletas:

- Lesões a nível da pele são:

 Efélides;
 Queratose senil;
 Tumor maligno da pele.

Fotossensibilidade

- Fotossensibilizadores são substâncias, endógenas ou exógenas, cuja presença condiciona um


efeito patogénico exagerado da luz em relação à intensidade da exposição;

5. Agentes Químicos

Definição de tóxico:

- Provocam lesões dependendo par além do estado do organismo, do tipo de tóxico


envolvido;
Tóxico é uma substância que em doses relativamente pequenas pode causar a morte ou
produzir doença através de acções químicas;

 A acção tóxica da substância depende das características físico-químicas desta, do


modo como é absorvida, como actua, como é eliminada e a que dose o organismo
se expôs. As manifestações do tipo alérgico são excluídas;
 Existem situações peculiares do organismo que o tornam mais sensível ou
resistente à acção do tóxico.

Efeito patogénico do tóxico depende:

 Natureza do tóxico;
 Dose;
 Via de absorção e excreção;
 Capacidade de neutralização.

- Todos estes factores determinam um conjunto de sinais e quadros clínicos variáveis, que ,
podem traduzir-se desde a morte súbita, até ás intoxicações agudas, sub-agudas e crónicas;

Tipos de tóxico:

Corrosivos:

 Ácidos e Alcalinos;
 Corrosivos com acção tóxica geral;

Gases:

 Irritantes;
 Asfixiantes;
 Gases com acção tóxica geral;

Compostos metálicos;

Compostos orgânicos;

Outros tóxicos.

Corrosivos:

- Podem ser orgânicos ou inorgânicos e actuam destruindo o protoplasma celular no ponto de


contacto, podendo alguns causar acções tóxicas generalizadas

# Alcalinos e Ácidos

- O factor tóxico comum é, respectivamente, a concentração de OH e H. quando o pH > 11,5 ou


o pH < 2,5 ocorrem alterações irreversíveis no protoplasma celular;

As diferenças entre as lesões provocadas pelos dois são:

 Alcalino – as lesões progridem em extensão directa, devido à solubilidade destes,


permitindo assim a difusão molecular de OH 2;
 Ácido – o H parece ser neutralizado no ponto de contacto sendo as escaras produzidas
mais limitadas e duradouras;

# Acção tóxica geral

- Para além das lesões extensas provocadas pelos químicos atrás referidos, existem outros tipos
de corrosivos que em pequenas doses e com efeitos locais ténues, determinando directamente
um efeito geral.

 Ácido oxálico para além de um efeito corrosivo local quando ingerido pode provocar
hipocalcémia grave devido à formação de oxalato de cálcio;
 Fenol provoca de forma súbita a morte por depressão do SNC;
 Permanganatos e cloratos originam fenómenos hemolíticos intra-vasculares e necrose
tubular aguda do rim;

Gases:

- As lesões químicas produzidas pelos gases podem ser locais (pele e mucosas) ou gerais,
devido à absorção;

Em relação ao modo de acção classificam-se em:

 Gases irritantes;
 Gases asfixiantes;
 Gases com acção tóxica geral;
 Gases de guerra.

# Gases Irritantes

- O amoníaco afecta a mucosa dos olhos e das vias respiratórias altas;

- O ácido sulfuroso afecta a mucosa da traqueia e brônquios principais;

- O nitrogénio afecta a parênquima pulmonar causando morte por edema hemorrágico agudo
do pulmão.

# Gases Asfixiantes

- O monóxido de carbono não provoca lesões locais, é frequentemente letal por interferir com
o aporte de oxigénio aos tecidos. Isto deve-se à maior afinidade deste para a hemoglobina que
o oxigénio;

- O ácido cianídrico sem acção local, inibe os fermentos oxidativos intra-celulares.

# Gases de Guerra

- Estas substâncias podem também apresentar-se no estado líquido ou mesmo sólido, actuam
de forma local ou geral;
- A mostarda nitrogenada pode ser absorvida por qualquer uma das vias, produz
degenerescência dos órgãos hematopoiéticos;

- Os organofosforados são considerados gases nervosos, cujo mecanismo é inibição das


colinesterases.

Compostos Metálicos:

- A sua acção é geral, interferem nos sistemas enzimáticos da célula. Os efeitos dependem da
dose e podem ser agudos ou crónicos;

Os órgãos atingidos são: SNC, o SN periférico, os órgãos de absorção e de eliminação. Actuam


bloqueando processos metabólicos celulares.

Compostos orgânicos:

 Forma aguda da intoxicação – depressão do SNC, convulsões, hemólise, maciça, lesões


parenquimatosas difusas, etc.;
 Forma crónica – depende da exposição repetida e não da acumulação do tóxico no
organismo como nos compostos metálicos;

As lesões são nos tecidos do fígado, rim, medula óssea, SNC e SN periférico.

 Hidrocarbonetos;
 Álcoois;
 Aldeídos;
 Acetonas;
 Éteres;
 Ésteres;
 Compostos aromáticos aminados ou nitrogenados.

Outros tóxicos:

 Barbitúricos;
 Analgésicos;
 Antitiroides;
 Insecticidas;

- Manifestam a sua acção tóxica quase sempre provocando depressão dos centros respiratórios
e circulatórios do bolbo;

Via de absorção dos tóxicos

- Via respiratória ou inalatória;

- Pele e mucosas;

- Via digestiva;

VIA INALATÓRIA

- Existem aspectos que facilitam a acção do tóxico:


 A superfície de trocas alvéolo-capilares é cerca de 140m2;
 Após a absorção pulmonar, o tóxico atinge o cérebro e outros órgãos sem passar eplo
fígado onde poderia eventualmente ser metabolizado;

- O grau de absorção e o efeito patogénico depende muito mais das características físicas
da substância do que das químicas.

 Partículas demasiado volumosas para poderem atingir zonas periféricas do


pulmão, tem menor potencial patogénico;
 O volume, a densidade e a área de superfície das partículas reagem em grande
parte a actividade biológica. Partículas de diâmetro < 5 micra não são perigosas;
 Os gases e vapores difundem-se de maneira mais intensa consoante: as suas
características físico-químicas, a dose e as diferenças de pressão entre o ar alveolar
e o compartimento vascular.

- Todos estes parâmetros se podem alterar dependendo de modificações fisiológicas e


patológicas.

 Aumento do débito cardíaco, aumento da frequência respiratória, aumento da


absorção do tóxico por esta via.

ABSORÇÃO POR VIA CUTÂNEA

- Poderão ser absorvidas pela pele: substâncias não polares, cujo cociente de relação éter /
água > 1 e alguns gases;

Situações favorecedoras:

 Existência de feridas;
 A maior solubilidade e as dimensões das partículas;

ABSORÇÃO POR VIA DIGESTIVA

- O intestino delgado é o local principal da absorção destas substâncias, mas não só. O álcool
etílico é absorvido na mucosa gástrica;

- A presença ou ausência de alimentos altera a absorção dos tóxicos;

- Os efeitos gerais do tóxico podem alterar-se pelo facto das substâncias absorvidas terem que
passar na circulação portal hepática. O fígado tem papel importante no metabolismo do tóxico,
desde a neutralização à sua transformação em outra que pode ter efeitos mais nefastos.

Via de Excreção dos tóxicos

TUBO DIGESTIVO – são excretados tóxicos insolúveis;

- Compostos metálicos;

- Compostos halogenados, como flúor, iodo e bromo são excretados pelas glândulas da mucosa
gástrica.
RINS – são eliminados por esta via substâncias solúveis;

PULMÕES – álcool, éter e substâncias voláteis;

PELE – bromo, iodo, arsénio e prata;

LEITE – morfina, álcool e nicotina;

SUOR – ácido benzóico e arseniatos.

INFLAMAÇÃO

Fisiopatologia da Inflamação

Infecção e Inflamação

 A inflamação é um estado patológico e é considerada uma das grandes defesas do


organismo. É uma reacção inespecífica, comum a muitas situações, por isso é estudada
pela Patologia Geral;
 A inflamação é um conjunto de fenómenos em que os capilares são os protagonistas,
por isso ela só ocorre em tecidos vascularizados;

Os fenómenos característicos da inflamação são:

- Agente agressor provoca lesão nas células endoteliais (epitélio dos vasos), estas emitem
sinais como mediadores químicos e começa uma sucessão de acontecimentos.

- Aumento do fluxo de sangue aos capilares, aumento da permeabilidade destes, aumento


da saída de líquido no capilar proximal e a não reabsorção no capilar distal ou venoso. Aqui
se entende o edema e o tumor. A dor resulta da compressão que o edema faz na
terminação nervosa.

Reacção inicial à agressão tecidular

 Vasodilatação;
 Rotura vascular e libertação de líquido rico em proteínas, o exsudado;
 Polimorfonucleares (neutrófilos, eosinófilos, monócitos), linfócitos e plaquetas são
células da corrente sanguínea, recrutadas para a zona de tecido lesado.
Importância dos mediadores da infecção, entre eles a histamina e a trombina.
Existem também células inflamatórias dos tecidos: macrófagos, fibroblastos e
mastócitos.
 Resolução do processo, supuração com formação de abcesso e empiema,
passagem à cronicidade;

Causas:
 Microorganismos patogénicos: bactérias e vírus. Estes dão origem à
infecção;
Nota: a infecção é a inflamação causada por microorganismos como
bactérias e vírus.
 Reacções de hipersensibilidade: reacção à tuberculina;
 Agentes físicos: trauma, radiações ionizantes, agentes meteorológicos;
 Agentes químicos: ácidos e alcalinos, toxinas bacterianas;
 Presença de tecidos necrosados.

 Abcesso na face: tumor, rubor, calor, dor e impotência funcional (sinais inflamatórios);

 Faringite: rubor devido ao aumento do fluxo sanguíneo, edema dos tecidos provocado
pela saída de líquido dos vasos, odinofagia, dificuldade na deglutição como impotência
funcional;
 Drenagem do abcesso: saída de pus, material resultante da necrose dos tecidos, das
células do organismo utilizadas para envolver o agressor e expulsá-lo do organismo.
Desta maneira isola o agressor, combate-o com as células de defesa que chegam com
uma maior vascularização e expulsa o agressor do organismo. A drenagem cirúrgica é o
tratamento pois facilita a tarefa do organismo;
 Amigdalite bacteriana: são visíveis placas de tecido necrosado;

- Aplicar os conhecimentos sobre a inflamação e adaptá-los ao local onde esta ocorre e a


função que afecta;

o Rinite: obstrução nasal, rinorreia, alteração da pele do nariz;


o Faringite: odinofagia (má alimentação, desnutrição, baixas de defesas), expectoração,
tosse;
o Laringite: alterações da voz como rouquidão, a afonia;
o Sinusite: cefaleias;
o Pneumonia: insuficiência respiratória aguda ou crónica, vários graus de dispneia,
expectoração, tosse, febre.

Nota: todas estas doenças podem ter um rebate geral, desde síndrome gripal a situações
de choque séptico.

- Após a fase aguda da inflamação, se existirem tecidos destruídos é necessário a


reparação. Esta reparação é feita à custa dos elementos do tecido conjuntivo: os
fibroblastos (as células) e as fibras de colagénio;

 São mais susceptíveis às infecções os doentes:


- Diabéticos;
- Síndrome de imunodeficiência;
- Todas as doenças pulmonares agravam com uma pneumonia. A pneumonia
instaura-se mais facilmente nestes doentes;
- Doentes com insuficiência cardíaca;
- Desnutridos.

NEOPLASIAS

Alterações das divisões celulares, alterações da arquitectura dos tecidos e neoplasias


- Neoplasia: é uma alteração no crescimento dos tecidos, adaptação celular;

 Um grande número de estímulos pode fazer um grupo de células alterar o


número das suas divisões mitóticas;
 O aumento das divisões pode originar células diferentes resultando uma
arquitectura diferente dos tecidos;

Nota: Neoplasia da língua – crescimento anormal com arquitectura dos tecidos desorganizada.
O tecido tumoral invade os outros tecidos;

Tipo de adaptação: depende da natureza da lesão e da capacidade da célula se dividir e


proliferar;

 Células permanentes: não se dividem e adaptam-se por hipertrofia – neurónios,


miocárdio e músculo esquelético;
 Células lábeis: dividem-se continuamente e adaptam-se por hipertrofia e hiperplasia –
medula óssea, tracto GI e epitélios;
 Células estáveis: dividem-se quando necessário e adaptam-se por hipertrofia e
hiperplasia – hepatócitos, músculo liso e fibroblastos;

Respostas de crescimento adaptativo:

 Hipertrofia – trabalho muscular aumentado;


 Hipotrofia – trabalho muscular diminuído;
 Hiperplasia – calos, endométrio, nódulos linfáticos, remoção de um dos rins
(hipertrofia + hiperplasia);
 Hipoplasia – desenvolvimento inadequado, estrutura imatura;
 Aplasia – ausência de desenvolvimento do órgão.
 Metaplasia – conversão reversível de um tipo de célula noutro, alteração do epitélio
ciliado pseudo estratificado respiratório por irritação do fumo do cigarro: redução da
função mucolítica e de limpeza;
 Displasia – menos reversível, alteração do tamanho, forma celular (pleomorfismo) e
arquitectura do tecido – lesão pré-cancerosa (bronquite crónica);

Tecido neoplásico

o Tumor benigno: células do tamanho, forma e arranjo arquitectural normal;


o Tumor maligno: células pleomórficas (vários tamanhos e formas), em configuração
desordenada (exame de papanicolau);
o Células anaplásicas: reverso da diferenciação com aumento da capacidade
reprodutiva e redução da especialização funcional;
o Estroma fibroso: tecido conjuntivo que suporta as células tumorais – tumores
densos. Os tumores malignos variam a capacidade de estimular os fibroblastos
para a produção dos componentes estromais;
o Estroma vascular: angiogénese: ao crescer o tumor precisa de mais nutrientes.
Formam-se novos vasos por acção de factores de crescimento endoteliais.

Características gerais das neoplasias benignas e malignas:


 Neoplasias benignas – tumores em que as células crescem mais rapidamente mas
mantêm-se semelhantes à original (são diferenciadas). Apenas invadem o espaço
onde crescem, muitas vezes bem separadas das estruturas vizinhas por uma
cápsula. Não têm disseminação sanguínea ou linfática, por isso não invadem os
órgãos à distância.

 Neoplasias malignas – tumores em que as células têm um grande número de


mitoses e alterações genéticas graves. A célula transforma-se ficando muito
diferente da original (são indiferenciadas). Invadem os tecidos vizinhos destruindo-
os e não são bem delimitadas. Podem ter disseminação sanguínea e linfática,
invadindo gânglios linfáticos e órgãos à distância.