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Personalidade de Deus

Em ponto algum a alma devota sente suas limitações mais do que quando confrontada com a
responsabilidade de apreensão devida da pessoa de Deus. O homem caído é incapaz, à parte da iluminação
divina, de compreender o Criador soberano e os salvos recebem tal conhecimento de Deus que são
experimentados somente através da obra iluminadora do Espírito Santo. Moisés possuía a herança da
verdade que pertencia ao povo escolhido e foi educado em tudo o que constituía a sabedoria do Egito;
todavia, quando permaneceu diante da sarça ardente, foi-lhe dito para tirar a sandálias dos pés.

Dessa forma todo o estudante deve assumir a sua responsabilidade individual em obter, pela oração e
meditação e pelo poder iluminador do Espírito Santo, os pensamentos corretos e os conceitos dignos de
Deus.

Deus declara na Escritura inerrante que o homem, diferente de outros seres deste mundo, é criado a Sua
própria imagem e semelhança (Gn 1.26,27 - Então disse Deus: “Façamos o homem à nossa imagem,
conforme a nossa semelhança... Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e
mulher os criou). Portanto, segue-se que há uma similaridade a ser vista entre Deus e o homem. Após essa
comparação, as escrituras procedem na apresentação da natureza e do caráter de Deus. Ele é uma pessoa
com faculdades e elementos constituintes que pertencem à Sua personalidade. Em Deus tais faculdades e
elementos são perfeitos num grau infinito, mas em sua natureza eles mantêm uma semelhança daquelas
faculdades e elementos imperfeitos que pertencem ao homem.

No assunto das faculdades e propriedades há uma semelhança, e nos atributos morais e mentais há uma
correspondência em sua natureza, embora eles sejam incomparáveis quanto ao grau de perfeição. A volição,
amor, verdade, fidelidade, santidade e justiça são realidades pertencem tanto a Deus quanto ao homem, e
embora o grau que elas representam possa ser imensuravelmente distante um do outro, a natureza dessas
características é a mesma em cada esfera.

Não é afirmado que a natureza corporal do homem esteja envolvida nessa comparação, visto que é atributo
de Deus ser espírito (Jo 4.24 - Deus é espírito, e é necessário que os seus adoradores o adorem em espírito e
em verdade). Portanto, segue-se que o delineio1 dessa semelhança deve ser restrito a parte imaterial do
homem. Os antropomorfismos2 são estabelecidos quando as características de Deus são afirmadas em
termos de elementos humanos. Esses frequentemente se estendem ao corpo humano e suas várias
propriedades, devendo ser observado que onde os membros físicos estão assim atribuídos a Deus não são
uma asserção3 direta de que Deus possui esses membros, ou forma corporal com suas partes; mas que Ele é
capaz de fazer precisamente aquelas coisas que são funções da parte física do homem. “Aquele que fez o
ouvido, não ouvirá? Ou aquele que fez o olho, não verá?” (Sl 94.9). O Dr. W.H. Griffith Thomas escreve: “Ao
se revelar, Deus tem de descer para perto das nossas capacidades, e usar a linguagem que pode ser
entendida”.

Uma pessoa pode ser definida como aquele ser vivente que possui intelecto, desejo e emoções; é capaz de
ter autoconsciência e autodeterminação; e tem natureza moral. Os elementos que combinam para formar a
personalidade são: intelecto, sensibilidade e vontade. O intelecto deve dirigir, a sensibilidade deve desejar, e
a vontade deve determinar a direção dos fins racionais. Não pode haver personalidade à parte desses

1 Delinear: Descrever, traçar.


2 Antropomorfismo: A atribuição da forma humana a Deus.
3 Asserção: Proposição que se julga verdadeira.
elementos. Pelo argumento cosmológico4 tem sido observado que há um criador que possui uma vontade de
autodeterminação.

De Deus é declarado que Ele é inteligente e onisciente: “Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; não
há limite ao seu entendimento” (Sl 147.5); “... diz o Senhor que faz estas coisas, que são conhecidas desde a
antiguidade” (At 15.18). De maneira semelhante, é declarado que Deus possui sensibilidade. Ele ama a
justiça e odeia a iniquidade. Ele possui ternas compaixões. O Seu amor infinito o moveu ao sacrifício extremo
pelo qual a redenção é proporcionada para o homem caído. E finalmente, o elemento de vontade é visto
como presente de Deus: “Mas nosso Deus está nos céus; ele faz tudo quanto lhe apraz” (Sl 115.3), “O meu
conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade” (Is 46.10), “... e segundo a sua vontade ele opera no
exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem possa lhe deter a mão, nem lhe dizer: Que
fazes?” (Dn 4.35).

O conceito comum é que a realidade primária é a matéria, ou a força das coisas tangíveis, e que as coisas do
espírito são fantasmagóricas5 e irreais. O teísmo bíblico contempla a pessoa de Deus como a realidade
primária e tudo mais, mesmo o homem, como um meio-termo da revelação e expressão da realização
divina. Quando Deus pela sua palavra afirma que fez o homem a sua imagem e semelhança, faz todas suas
criaturas aceitarem essa declaração como verdadeira e as fazem agir com base nessa afirmativa. Tal
aceitação não somente dá a Deus a posição mais importante em seu universo, mas também reconhece que
Ele é uma pessoa com todas as coisas que o termo sugere.

1 – Intelecto: O conhecimento de Deus é todo abrangente e infinito, a isso damos o nome de onisciência.

2 – Sensibilidade: É a faculdade de sentir. As sensibilidades são incluídas às formas mais elevadas de


sentimento e sustenta-se tanto para o racional quanto para o moral. Embora, uma diferença quanto ao grau
e à pureza essencial seja reconhecida entre a sensibilidade divina e humana, a realidade da divina não pode
ser questionada. Em Deus as emoções de amor e paciência, e os atributos de santidade, justiça, bondade,
misericórdia e fidelidade existem e vão mais além de indicar a verdadeira qualidade dEle.

Sua sensibilidade é tão bem definida quanto as outras partes essenciais da personalidade – inteligência e
vontade. O entendimento humano é incapaz de captar a profundidade da revelação apresentada nas
palavras de Cristo dirigidas ao Pai: “Porque tu me amaste antes da fundação do mundo”, e as dirigidas aos
homens: “Deus amou ao mundo”.

A sensibilidade de Deus inclui seu ser racional. No universo, Ele expressou o seu desejo supremo, e a
respeito do universo, em sua forma original, Ele pode dizer que “era muito bom”. Após contemplar a beleza
na criação, ninguém pode duvidar da natureza estética de Deus.

Há certos modos a serem observados a respeito da sensibilidade moral divina, e todos eles, por sua vez, são
atributos bem definidos em Deus:

 Santidade: As palavras hebraicas qadosh, “santo”; qodesh, “santidade”; e as palavras gregas


hagios e hagiosyne significam basicamente a separação do que é comum ou impuro e a
consagração a Deus (Lv.20.24-26; At 6.13; 21.28). Da ideia básica de separação do profano derivam
três aspectos de santidade nas escrituras: 1 – Divindade: Como Deus é transcendente6 e

4 Cosmológico: Ciência das leis que regem o universo.


5 Fantasmagórico: Vão; ilusório.
6 Transcendente: Sublime. Superior que está acima das ideias e conhecimentos ordinários. Excede os limites ordinários.
independente do universo que criou (1 Rs 8.27 – “...Eis que os céus, e até o céu dos céus te não
poderiam conter...”). Ele está separado de seus habitantes e é temido por eles (Êx 20.18-21). Sua
santidade é ativa. Como um motivo principal, ela incita7 tudo o que Deus faz, portanto, Ele é justo
em seus caminhos. Sua santidade não é gerada por um esforço mantido ou preservada pela
separação de outros seres. A santidade de Deus é intrínseca8, incriada e imaculada; ela é observável
em toda atitude e ações divinas. Ela abrange não somente sua devoção ao que é bom, mas é
também a verdadeira base e força do seu ódio por aquilo que é mau. Dessa forma, a santidade
torna-se equivalente à verdadeira Divindade, separando-O da impotência dos deuses dos egípcios
derrotados (Êx 15.11). O termo “Santo” em muitos trechos é sinônimo de “divino”, a exemplo 1 Sm
2.2 - “Não há santo [exclusivamente divino] como é o Senhor; porque não há outro fora de Ti”. A
santidade de Deus, portanto, é o que caracteriza Deus, e ela inclui todos os seus atributos.
2 – Santidade Cerimonial: Embora seja verdade que Deus, como “Alto e o Sublime” habita “em um
alto e santo lugar”, Ele também está com o “contrito e humilde de espírito” (Is 57.15). Isso significa
que Deus compartilha sua santidade com aqueles que fazem parte do relacionamento da aliança
com Ele. Estes também estão separados do mundo junto com Deus. Desta forma Deus estende sua
mão para alcançar outras pessoas e trazê-las ao seu estado, e à separação do mundo material que
Ele criou. Israel, portanto, é uma nação santa (Ex 19.6) e no NT os crentes são chamados de santo
(Rm 1.7), de nação santa (1Pe 2.9). No AT os objetos cerimoniais também são classificados como
santos ou sagrados, dedicados inteiramente ao uso de Deus. Assim tabernáculo foi santificado pela
glória shekinah de Deus, especialmente o santo dos santos (Êx 29.46-45; 40.34,35; Sl 93.5). Como
parte do santo relacionamento da aliança com Deus, Moisés prescreveu rituais de purificação
preparatórios para as cerimonias sagradas (Êx 19.14; 29.4; Lv 12-15)
3 – Pureza moral: Uma vez que essa associação cerimonial e essa comunhão trazida pela aliança
estão relacionadas ao Deus que também é justo e completamente isento de pecado, a santidade
adquire o significado de separação do pecado (Is 52.11; 2 Cr 6.17) e conformidade com os padrões
morais de Deus (Lv 20.7,8; Mt 5.48; 1Pe 1.15,16). Desde o inicio a vontade de Deus se opôs ao
pecado e procurou a justiça na raça humana (Gn 6.5,6). É a integridade moral ou a pureza de Deus
que o leva a se separar totalmente do mal (Hc 1.13). O castigo para as infrações morais do homem,
em ultima analise, deriva do fato da santidade de Deus (Ez 38.16,23; Am 4.2). A maior perda com tal
castigo é a sua separação do favor e da presença divina. No chamado de Isaías, a reação natural do
profeta à santidade de Deus (Is 6.3) foi a de experimentar a convicção sobre seu próprio pecado e a
consciência de ser imperfeito (v.5), de estar perdido, excluído ou arruinado (em hebraico, nidmeti).
No entanto, sua submissão resultou no seu perdão e na imputação de uma santidade moral sobre
sua pessoa através da expiação (v.7).
Como consequência, a santidade é a marca característica do crente, tanto no AT como no NT.
Aquele que esta no lugar santo para adorar a Deus deve ter as mãos limpas e um coração puro, e
não deve ter jurado enganosamente (Sl 24.3,4). Para habitar no monte santo de Deus - em Sua
presença – o crente deve caminhar com integridade (praticando a justiça) e não fazer mal ao seu
próximo (Sl 15). “Deus nos elegeu nele [em Cristo] antes da fundação do mundo, para que fossemos
santos e irrepreensíveis diante dele” (Ef 1.4). A nossa santificação é a vontade direta e perfeita de
Deus para nós (1Ts 4.3). Dessa forma, qualquer atividade da vida torna-se santa para os cristãos.
Pois, quando o objetivo do homem é o de estar em conformidade com Deus, que executa a justiça
moral sem parcialidade, a vida não pode ser divida entre o que é secular e o que é sagrado. A

7 Incitar: estimular, induzir, provocar.


8 Intrínseca: Que se encontra na essência ou na natureza de algo ou alguém = íntimo.
motivação que determina a nossa conduta ética e religiosa deve ser aquela que nos leva a responder
a graça de Deus, uma motivação que não é voltada a uma recompensa, mas que visa gratidão.

 Justiça de Deus: É um termo legal e refere-se ao caráter essencial do governo divino na mais alta
excelência adequada ao que esse governo desenvolve. É um atributo de Deus que manifesta a sua
santidade. Varias palavras bíblicas são traduzidas como justiça: hebraico: sedaqa, sedeq; grego:
dikaiosune, e têm frequentemente sentido de “retidão”.
Presumindo a doutrina de que Deus é um ser pessoal, Ele sempre age de forma coerente com as
exigências de seu caráter, conforme revelado em sua santa lei. Ele governa a sua criação com
retidão, Ele mantem a sua Palavra, retribui a todas as suas criaturas o seu direito. A justiça de Deus é
um correlato necessário de sua santidade ou excelência moral. Uma vez que Deus é infinitamente
perfeito, Ele deve ser imparcial em seus juízos e sempre tratar as suas criaturas com equidade. A
justiça divina é demonstrada no fato de que as leis justas são dadas aos homens e que a estas leis é
dada uma execução imparcial. A essa altura é bom observar que Deus tem o direito e autoridade
absoluta sobre as criaturas. Ele tem o perfeito direito de dispor de todas as suas obras como bem lhe
apraz (Sl 24.1).
A santidade dita que não haverá, da parte de Deus, nenhuma indulgencia para com o mal. É verdade
que Ele considera a nossa estatura e lembra-se de que somos pó; mas Deus nunca fecha os olhos ao
pecado. Não é dito que Deus seja misericordioso ou amável quando ele justifica aquele que crê em
Cristo; mas é dito que ele é justo (Rm 3.26). Com o mesmo fim, quando perdoa e limpa o cristão que
confessa seu pecado, é dito que Deus é fiel e justo (1 Jo 1.9; 1 Co 11.31,32). Quanto a satisfação
vicária, ela está no âmago da interpretação de Paulo do significado da morte de Cristo. Paulo
descreve um tratado sobre a justiça de Deus ao romanos (1.16,17), uma epístola que é vista como a
maior exposição do evangelho feita pelo apóstolo. A respeito da justiça ou retidão de Deus ele
declarou: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados
gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para
propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes
cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para
que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3:23-26).
A justiça de Deus tem muitas ramificações, mas ela é frequentemente discutida em relação ao
pecado do homem, e nesta relação é mais próxima em significado à severidade de Deus. Severidade
é o modo pelo o qual o pecador sente a justiça de Deus. A doutrina da satisfação vicária e
especialmente do inferno eterno, foram repudiadas como resquícios e vestígios do Deus irado do AT,
características incompatíveis com o Pai Celestial a quem o Senhor Jesus revelou, que ama todas as
suas criaturas. As Escrituras, porém, não sustentam tal bifurcação. O Deus de Jesus e dos apóstolos é
o mesmo apresentado no AT.
As escrituras não ensinam que a justiça de Deus seja puramente corretiva. Ela não é uma expressão
da benevolência de Deus. É a qualidade que faz parte de Deus, e que garante a todas as suas
criaturas que o pecado deve ser castigado por causa da sua inerente apostasia, e que a retidão deve
ser reconhecida e recompensada por causa do seu mérito e dignidade intrínsecos.

Justiça e juízo são a base do teu trono; misericórdia e verdade irão adiante do teu rosto. Salmos
89:14
Atributos de Deus
Embora inadequada, a concepção que o homem tem de Deus é medida por aquelas características que ele
atribui a Deus. A bíblia apresenta uma revelação que, embora limitada pelas restrições da linguagem, é de
uma pessoa, e essa revelação atribui a Ele aquelas qualidades elevadas que lhe pertencem. Essas qualidades
assim atribuídas são propriamente chamadas atributos.

Os atributos de Deus são as características distintas da natureza divina inseparáveis da ideia de Deus e que
constituem a base e apoio das suas várias manifestações às suas criaturas. Chamamo-los atributos porque
somos compelidos a atribuí-los a Deus como qualidades ou poderes fundamentais ao Seu ser a fim de dar
um relato racional de alguns fatos constantes nas auto revelações de Deus.

Não há nas escrituras nenhuma passagem que busca especificamente definir a Deus, mas a sua existência e
atributos são reconhecidos e aparecem à medida que o texto, em vários lugares e em múltiplos termos,
demonstra o que Ele é e o que Ele faz.

Logo, quando a mente finita entra na contemplação do infinito, todo o conhecimento adquirido é
considerado parcial, ou até mesmo insignificante. A respeito disso disse Davi: “Tal conhecimento é
maravilhoso demais para mim, elevado é, não o posso atingir” (Sl 139.6).

Onisciência: do Latim: omni-, “todo, completo”, mais scientia, “conhecimento”. Ele sabe TODAS as coisas.

Esse termo não aparece na bíblia em sua forma nominal, contudo as escrituras ensinam que Deus conhece
todas as coisas completamente e perfeitamente.

O intelecto humano dificilmente não é mais do que a capacidade ou prontidão em adquirir conhecimento,
conhecimento esse que quando adquirido e comparado com a onisciência, é até menos que elementar. O
entendimento de Deus é todo abrangente e infinito.

A onisciência de Deus abrange todas as coisas – do passado, do presente e do futuro, e o possível assim
como o real (Rm 4.17 – “... e chama as coisas que não são com se já fossem” e Is 46.10 – “Que anuncio o fim
desde o principio e desde a antiguidade as cousas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho será
firme, e farei toda a minha vontade”).

Seu conhecimento do que é real é verificado no fato dele conhecer: quando um pardal cai (Mt 10.29), o
número de fios de cabelo em nossa cabeça (Mt 10.30) o pensamento e intentos do coração (Sl 139.4), conta
o numero das estrelas chamando-as todas pelos seus nomes (Sl 147.4).

Onipotência: do Latim omni-, “todo, completo”, mais potens, “poderoso”. Ele é TODO poderoso, detendo
autoridade sobre todas as coisas e criaturas.

Refere-se ao poder infinito de Deus e é empregado na realização de tudo o que Deus quer. A onipotência de
Deus não significa que Ele faça qualquer coisa, uma vez que a onipotência é governada por Sua vontade, e a
sua vontade é governada pelo Seu caráter. Assim Deus não pode contradizer Seu caráter: Deus não pode
mentir – Tt 1.2 ou negar a si mesmo – II Tm 2.13.

O homem não pode fazer nada vir à existência por sua vontade, porem por Sua vontade e a partir do nada
Deus criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, somente com a palavra do seu poder, demonstrando grande
manifestação do seu poder.
Deus tem poder sobre: a morte – Lázaro há quatro dias morto e pela palavra de Jesus este tornou a vida (Jo
11.43), sobre os demônios – endemoninhado de Gadá (Lc 8.32), sobre as doenças – mulher que tinha fluxo
de sangue (Mc 5.28), sobre a natureza – tempestade sobre o barco dos discípulos (Mt 8.26).

As escrituras falam da onipotência de Deus de varias maneiras: nada é difícil para Deus (Gn 18.14), nada
pode atrapalhar seu proposito (Is 43.13), para Deus todas as coisas são possíveis (Mt 19.26). Que Deus com
seu punho mede as aguas, mede os céus a palmos e pesa montes e outeiros em balanças (Is 40.12).

Onipresença: do Latim omni-, “todo, completo”, mais praesentia, “presença”. Deus está presente em todos
os lugares a um só tempo.

Diferente do que o panteísmo entende – que Deus é tudo e tudo é Deus – e para que não se confunda Deus
e o mundo, é aconselhável definir a onipresença dizendo que todas as coisas são igualmente presente para
Deus e estão igualmente sob seu poder e autoridade. Há ainda a possibilidade de incorrer em outro erro,
quando tentamos entender a onipresença de Deus, em pensar que Ele está amplamente difuso no sentido
que somente uma parte dEle esteja presente em determinado local. Deus, contudo, está totalmente
presente em todos os lugares.

Ele está isento de todas as limitações de espaço. Ele é transcendente9 para o mundo como inerente10 a ele. A
respeito da sua transcendência escreveu o rei Salomão: “Mas, na verdade, habitaria Deus na terra? Eis que
os céus, e até o céu dos céus te não poderiam conter, quanto menos esta casa que eu tenho edificado” (I Rs
8.26). O Salmo 139.7,8 e 9 nos falam da inerência de Deus, sabendo que foi Deus quem criou todas as coisas
e ele as sustenta pela palavra do seu poder (Hb 1.3).

As aparições teofânicas11 descritas na palavra não pretendem estabelecer a localização de Deus em um local
especifico com exclusão de outros, mas que Ele apenas escolheu se revelar de uma forma particular, e em
um determinado local. Os altares e locais em que Deus habita (I RS 8.1; Jo 1.14; Ef 2.21,22) não o restringem
a lugares específicos, antes são, locais designados para a sua adoração.

A onipresença de Deus deve servir de grande temor para os homens, sabendo que nada lhe está encoberto
(Hb 4.13 “E não há criatura que não seja manifesta na sua presença; pelo contrário, todas as coisas estão
descobertas e patentes aos olhos daquele a quem temos de prestar contas”), mas ao mesmo tempo é
consolo para os justos visto que a presença pessoal de Deus lhe acompanha em todos as circunstancias e
lugares (Is 43,2; Dn 3.25).

Referências bibliográficas: Teologia Sistemática – Lewis Sperry Chafer. São Paulo: Hagnos,2003.
Teologia Sistemática – Augustus Hopkins Strong. Hangos, 2003.
Dicionário Bíblico Wycliffe – Charles F. Pfeiffer, Howard F. Vos, John Rea. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

9
Transcendente: Sublime. Superior, que está acima das ideias e conhecimentos ordinários. Que excede os limites
ordinários.
10
Inerente: Intimamente unido. Que faz parte de (pessoa ou coisa). = INSEPARÁVEL
11
Teofania: Aparição ou revelação de Deus.