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Sumário
I. Introdução................................................................................................................. 3
II. Empresa Júnior constitui ou não Instituição de Educação? .......................... 3
III. As Imunidades Tributárias das Empresas Juniores ........................................ 4
IV. Incidência de Tributos sobre Empresas Juniores: ........................................... 5
A) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins ............ 5
B) Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS/ISSQN ........................ 6
B.1) Declaração de Utilidade Pública e Isenção do ISS/ISSQN ......................... 7
V. Obrigações Tributárias Acessórias que uma Empresa Júnior deve cumprir
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A) Declaração de Imposto de Renda: ....................................................................... 8
B) Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) .................................................. 8
C) Escrituração Contábil ............................................................................................. 9
VI. Considerações Finais ............................................................................................. 9

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I. Introdução

Este Manual visa elencar as principais incidências de tributos sobre as


empresas juniores e abordar algumas das suas obrigações tributárias
acessórias a fim de sanar eventuais dúvidas sobre o assunto. Além disso,
estudaremos acerca das imunidades tributárias que gozam as empresas
juniores.
Devemos salientar que este Manual descreve de forma geral os tributos que
devem ser pagos pelas empresas juniores, contudo, cada região poderá haver
uma cobrança diferente. Desta forma, o Manual abordará de forma genérica os
principais tributos que incidem ou não sobre as empresas juniores e suas
atividades, sendo eles o IRPJ, CSLL, Cofins e ISS.

II. Empresa Júnior constitui ou não Instituição de Educação?

Muito se discutia entre os empresários juniores se estas empresas eram ou não


Instituições de Educação e, por consequência disso, gozavam da imunidade
tributária prevista no artigo 150, VI, alínea “c” da Constituição da República
Federativa do Brasil de 1988.
Contudo, com a Solução de Consulta 236/2011, da 9ª Região Fiscal, a Receita
Federal se posicionou estabelecendo que “não constitui instituição de educação,
para fins de imunidade tributária, a "empresa júnior", assim considerada a
associação civil sem fins lucrativos, constituída por alunos de graduação em
instituição de ensino superior, com a finalidade de desenvolvimento profissional
mediante a realização de projetos e prestação de serviços à comunidade”.
Desta forma, as empresas juniores gozam de certas imunidades tributárias por
constituírem associações civis sem fins lucrativos e não por serem instituições
de educação, como se discutia anteriormente.
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III. As Imunidades Tributárias das Empresas Juniores – Tributos que as
EJ’s não precisam pagar

Primeiramente, deve-se explicar singelamente que a imunidade tributária é uma


previsão em nossa Constituição Federal que proíbe a tributação de uma pessoa,
de uma atividade ou de um bem.
Considerando a importância das empresas juniores para a sociedade, uma vez
que realizam atividades de interesse coletivo e fornecem serviços e produtos
sem objetivo econômico, foram concedidas imunidades tributárias a estas
associações civis sem fins lucrativos, desobrigando-as do pagamento de alguns
tributos, conforme estabelecido em nossa Constituição Federal. Esta é uma
forma de incentivo às empresas juniores para que possam perpetuar no
mercado.
Segundo Solução de Consulta 236/2011 da 9ª Região Fiscal, as empresas
juniores não estão obrigadas do pagamento do Imposto de Renda de Pessoa
Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – CSLL, desde
que observados os requisitos previstos nos incisos do artigo 14 do Código
Tributário Nacional:“I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou
rendas, a qualquer título;II- aplicarem integralmente, no País, os seus recursos
na manutenção dos seus objetivos institucionais;III- manterem escrituração de
suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de
assegurar sua exatidão”.
Ou seja, as empresas juniores farão jus à imunidade tributária referente ao
Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição Social Sobre o
Lucro Líquido – CSLL, em razão da observância dos seguintes requisitos:
1)não-remuneração, por qualquer forma, de seus membros – os alunos que
compõem o quadro social da EJ – pelos serviços prestados;
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Neste item, devemos destacar que, segundo o CNEJ – Conceito Nacional de
Empresas Juniores, professores não podem ser membros de uma EJ. Desta
forma, pode haver a remuneração de professores como prestadores de serviços.
Neste caso, orienta-se que, na realização dos pagamentos a estes orientadores
contratados, sejam emitidas notas fiscais.
Entretanto, a remuneração dos alunos membros de EJs é expressamente
vedada pelo CNEJ.
2) destinação integral de seus recursos e de eventual resultado (superávit em
suas contas) na manutenção e no desenvolvimento dos seus objetivos sociais;
3) pela devida escrituração de receitas e despesas em livros, que é uma
obrigação tributária acessória.

IV. Incidência de Tributos sobre Empresas Juniores:

A) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins

A incidência de Cofins para Empresas Juniores é um assunto bastante


polêmico. Acredita-se que isto se dá em razão da Súmula 276 do Superior
Tribunal de Justiça, que determinava que “as sociedade civis de prestação de
serviços profissionais são isentas da COFINS, irrelevante o regime tributário
adotado”. Logo, com base neste entendimento do STJ, por muito tempo,
entendeu-se que associações civis, como as empresas juniores, eram isentas do
pagamento da Cofins. Entretanto, esta súmula foi cancelada, sendo hoje
obrigatório o recolhimento desta contribuição pelas EJ’s.
Com a Solução de Consulta nº 236/2011 da 9ª Região Fiscal, isto se tornou
mais claro, umas vez que esta determinou que empresas juniores não são
imunes nem estão isentas da Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social – Cofins, em razão do seu evidente caráter contraprestacional.
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Desta forma, as receitas decorrentes de prestação de serviços pela empresa
júnior, através da realização de projetos e prestação de serviços à comunidade
mediante pagamento, não estariam isentas da Cofins.

B) Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS/ISSQN

Em regra, as empresas juniores estão obrigadas ao pagamento do ISS. Contudo,


este é um imposto de competência municipal. Sendo assim, sua alíquota varia
de acordo com o município onde situa a empresa júnior ou, excepcionalmente,
segundo legislação tributária, onde o serviço é prestado. A regra geral, portanto,
é pagar o ISS ao município em que se situa. Alguns municípios possuem
isenção para associações formatadas juridicamente no modelo das empresas
juniores, podendo a Empresa Junior obter tal isenção. Se este for o caso, é
necessário obter da secretaria da fazenda municipal uma declaração expressa
desta isenção (ver a advertência do item B.1).
O Decreto-Lei n. 406, de 31 de dezembro de 1968, estabelece que alguns
serviços, se prestados por sociedades, ficam sujeitos ao imposto sobre serviços
cobrados em alíquotas fixas, calculado em relação a cada profissional
habilitado, sócio, empregado ou não, que preste serviços em nome da
sociedade, embora assumam responsabilidade pessoal, nos termos da lei
aplicável. Assim, é necessário que cada empresa júnior fique atenta para
verificar se o benefício do decreto lhe é aplicável e se lhe é vantajoso. No caso
de dúvida, escolha o pagamento pela alíquota variável por serviço.
Cada município tem uma sistemática de cobrança do ISS, apesar da maioria
deles hoje contar com a emissão da nota de prestação de serviço via internet,
devendo, cada empresa júnior ficar atenta à data de pagamento, usualmente
nos primeiros dias úteis do mês seguinte à prestação de serviço.

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B.1) Declaração de Utilidade Pública e Isenção do ISS/ISSQN

Em alguns municípios, entretanto, não há a obrigatoriedade de pagamento do


ISS. Desta forma, os empresários juniores devem, em um primeiro momento,
buscar saber se, no município onde está localizada a empresa júnior, este
imposto é cobrado.
Caso o município realize a cobrança do ISS, os empresários, que pretendam
obter a isenção deste imposto, deverão requerer a Declaração de Utilidade
Pública junto à Prefeitura local. Deve-se alertar também que cada Prefeitura
possui regras e requisitos próprios para concessão de tal benefício, assim, os
empresários juniores que almejam esta isenção tributária deverão pesquisar
quais são os requisitos estabelecidos pela Prefeitura local.

V. Obrigações Tributárias Acessórias que uma Empresa Júnior deve


cumprir

Tratamos até agora das obrigações tributárias principais, que têm como objeto
o pagamento do tributo.
Entretanto, existem também as obrigações tributárias acessórias, as quais não
possuem caráter pecuniário, ou seja, não têm como objeto a entrega de dinheiro
aos entes federativos – Município, Estado ou União – na arrecadação tributária,
mas dizem respeito a obrigações de fazer ou não fazer. Como exemplo de
obrigação tributária acessória, temos a entrega de declaração ao Fisco,
escrituração de livros e emissão de notas fiscais etc.
Entre as obrigações acessórias que as empresas juniores devem cumprir,
existem algumas que merecem maior atenção, como é o caso da Declaração de

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Crédito Tributários Federais – DCTF, que é uma obrigação mensal de todas as
pessoas jurídicas.
A DCTF conterá as informações relativas aos tributos e contribuições apurados
pela pessoa jurídica em cada mês, os pagamentos, eventuais parcelamentos e
as compensações de créditos, como as informações sobre a suspensão da
exigibilidade do crédito tributário. Esta declaração deve ser apresentada pelas
pessoas jurídicas até o 15º dia útil do 2º mês subsequente ao mês de ocorrência
dos fatos geradores.
Além disso, é importante lembrar que o descumprimento de obrigações
acessórias importa em multa de caráter tributário, que poderá ser cobrada
através de ações de execução fiscal, com possibilidade de haver penhora de
bens que compõem o patrimônio da EJ.

A) Declaração de Imposto de Renda:


Apesar de ser chamada de acessória, esta é uma obrigação independente da
obrigação principal. Neste sentindo, ainda que a empresa júnior não tenha que
recolher o Imposto de Renda deverá realizar a Declaração Anual de Isento.

B) Relação Anual de Informações Sociais (RAIS)


Todos aqueles que, independentemente de organização empresarial, tenham
mantido, como empregadores, qualquer relação de emprego durante o ano
devem apresentar a declaração anual à RAIS.
Aqueles que não apresentam empregados no ano-base devem declarar RAIS
negativa. Para as empresas juniores isto não é diferente. Estas também deverão
apresentar anualmente declaração negativa à RAIS, indicando que não possuem
empregados.

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C) Escrituração Contábil
De acordo com o artigo 195, Parágrafo Único, do Código Tributário Nacional, “ os
livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos
lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição
dos direitos tributários decorrentes das operações a que se refiram”.
No tocante deste assunto, os empresários juniores devem se atentar acerca da
elaboração e regularização de documentos como o plano de contas; as
demonstrações contábeis e financeiras, que deve conter o balanço patrimonial e
a demonstrações de déficit e superávit de exercício; folha de pagamento, em
caso de existência de empregados; cadastro de membros.
Neste ponto, é interessante ressaltar que a prescrição – perda do direito da
Fazenda Pública de cobrar o tributo – ocorre passados 5 anos contados da data
da constituição definitiva do crédito tributário.
Desta forma, aconselha-se que esta documentação deve ser guardada pela EJ
por cinco ano desde a constituição do crédito tributário e não do pagamento do
tributo, para garantir a comprovação de quitação das obrigações tributárias, em
casos de cobranças realizadas pelo fisco. Muitas vezes, a constituição do
crédito tributário se dá por decurso de prazo, após cinco anos do fato gerador,
devendo a EJ guardar a documentação por períodos superiores a cinco anos,
uma vez que a constituição do crédito pode ser posterior ao seu pagamento.
Assim, alguns documentos exigem o arquivo pelo prazo de até dez anos.

VI. Considerações Finais

Este Manual foi elaborado com o intuito de solucionar as dúvidas mais comuns
acerca da incidência de tributos em relação às empresas juniores e suas
atividades. Contudo, podem existir variações na cobrança de tributos de região
para região e é preciso ficar atento a isto. Contribuições previdenciárias, taxas,
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preços públicos e outras cobranças estatais podem ser devidos em razão da
natureza da atividade da empresa júnior.
Ademais, a Legislação Tributária Brasileira sofre constantes modificações ao
longo do tempo, assim, faz-se necessário, para um melhor desenvolvimento de
sua empresa júnior, atentar-se a estas alterações.
Esperamos que este material desenvolva maior segurança jurídica às empresas
juniores, mantendo-as firmes no caminho do sucesso. Desejamos ótimo
trabalho a todos os empresários juniores.
Juiz de Fora, 30 de julho de 2015.

Eduarda Gambogi Pereira Daniel Pimentel


Assessora de Regulamentação Coordenador de Regulamentação
regulamentação@brasiljunior.org.br regulamentação@brasiljunior.org.br

Michel Barros FelippeJabour


Colaborador

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