Você está na página 1de 579

POLÍCIA

FEDERAL
DELEGADOEAGENTE

Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 1 22/3/2012 15:54:20


Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 2 22/3/2012 15:54:20
Ana Flávia Messa
Ricardo Antonio Andreucci
Daniel Wagner Haddad

POLÍCIA
FEDERAL
DELEGADOEAGENTE

2012

Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 3 22/3/2012 15:54:22


ISBN 978-85-02-16964-7

Rua Henrique Schaumann, 270, Cerqueira César — São Paulo — SP Messa, Ana Flávia
CEP 05413-909
PABX: (11) 3613 3000 Polícia federal : delegado e agente. / Ana Flávia Messa, Ricardo Antonio
SACJUR: 0800 055 7688 Andreucci, Daniel Wagner Haddad. – São Paulo : Saraiva, 2012.
De 2ª a 6ª, das 8:30 às 19:30
saraivajur@editorasaraiva.com.br 1. Serviço público. Brasil – Concursos.
Acesse: www.saraivajur.com.br

Filiais
AMAZONAS/RONDÔNIA/RORAIMA/ACRE Índice para catálogo sistemático:
Rua Costa Azevedo, 56 – Centro 1. Brasil: Serviço público – Concursos 354.81003
Fone: (92) 3633-4227 – Fax: (92) 3633­‑4782 – Manaus
BAHIA/SERGIPE
Rua Agripino Dórea, 23 – Brotas
Fone: (71) 3381­‑5854 / 3381­‑5895
Fax: (71) 3381-0959 – Salvador
BAURU (SÃO PAULO)
Rua Monsenhor Claro, 2-55/2-57 – Centro
Fone: (14) 3234-5643 – Fax: (14) 3234-7401 – Bauru
CEARÁ/PIAUÍ/MARANHÃO
Av. Filomeno Gomes, 670 – Jacarecanga Diretor editorial  Luiz Roberto Curia
Fone: (85) 3238-2323 / 3238-1384 Gerente de produção editorial  Lígia Alves
Fax: (85) 3238-1331 – Fortaleza
Editor  Roberto Navarro
DISTRITO FEDERAL
Assistente editorial  Thiago Fraga
SIA/SUL Trecho 2 Lote 850 – Setor de Indústria e Abastecimento
Fone: (61) 3344-2920 / 3344-2951 Produtora editorial  Clarissa Boraschi Maria
Fax: (61) 3344-1709 – Brasília Preparação de originais  A na Cristina Garcia
GOIÁS/TOCANTINS Maria Izabel Barreiros Bitencourt Bressan
Av. Independência, 5330 – Setor Aeroporto Daniel Pavani Naveira
Fone: (62) 3225-2882 / 3212-2806 Projeto gráfico  Mônica Landi
Fax: (62) 3224-3016 – Goiânia
Arte e diagramação Cristina Aparecida Agudo de Freitas
MATO GROSSO DO SUL/MATO GROSSO
Edson Colobone
Rua 14 de Julho, 3148 – Centro
Fone: (67) 3382-3682 – Fax: (67) 3382-0112 – Campo Grande Revisão de provas Rita de Cássia Queiroz Gorgati
MINAS GERAIS Cecília Devus
Rua Além Paraíba, 449 – Lagoinha Paula Brito Araújo
Fone: (31) 3429-8300 – Fax: (31) 3429-8310 – Belo Horizonte Serviços editoriais Camila Artioli Loureiro
PARÁ/AMAPÁ Vinicius Asevedo Vieira
Travessa Apinagés, 186 – Batista Campos Capa  Guilherme P. Pinto
Fone: (91) 3222-9034 / 3224-9038
Fax: (91) 3241-0499 – Belém Produção gráfica  Marli Rampim
PARANÁ/SANTA CATARINA
Rua Conselheiro Laurindo, 2895 – Prado Velho
Fone/Fax: (41) 3332-4894 – Curitiba
PERNAMBUCO/PARAÍBA/R. G. DO NORTE/ALAGOAS
Rua Corredor do Bispo, 185 – Boa Vista
Fone: (81) 3421-4246 – Fax: (81) 3421-4510 – Recife
RIBEIRÃO PRETO (SÃO PAULO) Data de fechamento da edição: 20‑3‑2012
Av. Francisco Junqueira, 1255 – Centro
Fone: (16) 3610-5843 – Fax: (16) 3610-8284 – Ribeirão Preto
Dúvidas?
RIO DE JANEIRO/ESPÍRITO SANTO
Rua Visconde de Santa Isabel, 113 a 119 – Vila Isabel Acesse www.saraivajur.com.br
Fone: (21) 2577-9494 – Fax: (21) 2577-8867 / 2577-9565 – Rio de Janeiro
RIO GRANDE DO SUL
Av. A. J. Renner, 231 – Farrapos
Fone/Fax: (51) 3371-4001 / 3371-1467 / 3371-1567 – Porto Alegre
SÃO PAULO Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio
Av. Antártica, 92 – Barra Funda ou forma sem a prévia autorização da Editora Saraiva.
Fone: PABX (11) 3616-3666 – São Paulo A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n. 9.610/98 e
punido pelo artigo 184 do Código Penal.
132.905.001.001

Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 4 22/3/2012 15:54:22


A P R ES E N TAÇÃO

Nesta obra retrata-se o universo jurídico de matérias exigidas para os concursos da Polícia Federal. Uma produção
intelectual destacada e uma publicação conjunta que encontram lastro mesmo diante de dificuldades evidentes para
uma obra tão inovadora. Trata-se de um trabalho de três valorosos profissionais da área do direito, com importante
experiência acadêmica, o que lhes permite adentrar em universos multidisciplinares, surpreendendo a capacidade de
concisão. Ana Flávia Messa, Ricardo Antonio Andreucci e Daniel Wagner Haddad conseguem, com a intensidade re-
querida e criatividade, abordar todo o conjunto de normas e regras que é o objeto de indagações nos concursos para
agentes e autoridades policiais federais, facilitando, à exaustão, a tarefa do candidato que deixa de enfrentar uma árida
via crucis na busca de toda informação relevante. A virtude desta obra é justamente o fato de ser acessível a todos os
interessados com a marca da simplificação do difícil período preparatório dos concursos públicos para a Polícia Federal.
Propõe um apreciar, de forma mais direcionada e simplificada possível, dos assuntos que se inter-relacionam e que
devem ser tratados de modo único. Direito Constitucional, Penal, Processual, Administrativo, Previdenciário, entre
outros, condensados de maneira inteligente num único documento. Além disso, ao iniciar os capítulos, remete o leitor
a conteúdo enxuto, mas abrangente, tentando esgotar toda a informação necessária para o aprimoramento facilitado.
Uma rica e bem idealizada manifestação de autores importantes que trazem, com sapiência, temas teóricos e de apli-
cação concreta. Sem dúvida, quer pelo conteúdo, quer pela forma, excede qualquer padrão já idealizado, porquanto
concebida e visualizada de forma simples, objetiva e racional, o que torna a obra merecedora de atenção geral de can-
didatos a concursos tão importantes. Não há dúvida de que será objeto da atenção dos interessados ao ingresso na nobre
carreira da Polícia Federal. O mundo de hoje, complexo e marcado pela velocidade na obtenção de informações, obri-
ga o redesenho e a simplificação dos meios, instando estudiosos à busca do mais adequado, mediante linguajar abran-
gente, atual e objetivo, viabilizando, de maneira única, o estudo de conhecimentos dogmáticos afinados com as reali-
dades e as exigências atuais. Dentro desse aspecto, o livro, científico, enriquece porquanto condensa a literatura
jurídica existente e consegue, ao mesmo tempo, racionalizar o trabalho do estudioso. Converge, pois, para a escorrei-
ta percepção irrestrita da vigência do direito positivo, além de apreciar os temas sob a ótica das garantias dos cidadãos
e das obrigações e responsabilidades de todos para o bem-estar coletivo. Expressa, em verdade, conhecimento impor-
tante dos autores sobre o que pretenderam abordar, e ousar, de molde a revelar um magistério de notória e futura in-
cidência. Revela, enfim, um ensaio nada estático, mas dinâmico, exatamente desenvolvido como projetado. Em suma,
uma preocupação com a inserção de todos os temas em um sistema metodológico ativo, de tal maneira que é possível
transpor o suposto problema da aridez da diversidade normativa e conceitual. A objetividade necessária permite aos
candidatos dos concursos públicos da Polícia Federal um juízo de certeza quanto a sua adequação, abrangência e precisão.
 
 
Fausto Martin De Sanctis
Desembargador Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.       

Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 5 22/3/2012 15:54:22


Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 6 22/3/2012 15:54:22
SUMÁRIO

direito administrativo................................. 10 Criança e adolescente....................................... 387


Crime organizado.............................................. 403
direito Constitucional................................ 54
Crimes de preconceito de raça e cor.................. 414
Crimes hediondos............................................. 421
Direito Civil................................................... 136
Desarmamento................................................. 432
Direito comercial e empresarial................ 154 Drogas............................................................. 443
Fiscalização na elaboração de substâncias en-
direito penal
torpecentes...................................................... 485
Parte geral........................................................ 166 Infrações penais de repressão uniforme............. 488
parte especial................................................... 216 Interceptação de comunicações telefônicas........ 489
“Lavagem” de dinheiro...................................... 494
Crimes contra o Patrimônio................................ 252
Meio ambiente.................................................. 499
Prisão temporária.............................................. 509
Crimes contra a administração pública................ 304
Relações de consumo....................................... 513
Direito Processual Penal............................ 348 Serviços de vigilância........................................ 521
Sistema Financeiro Nacional.............................. 524
Legislação PENAL especial Tortura............................................................. 539

Abuso de autoridade......................................... 380 Direito Previdenciário................................. 546


Apresentação e uso de documentos de identifica-
ção pessoal...................................................... 385 Direito Tributário......................................... 560

Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 7 22/3/2012 15:54:23


Policia Federal - Delegado e Agente 001-008.indd 8 22/3/2012 15:54:23
9

DIREITO ADMINISTRATIVO

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 9 22/3/2012 15:56:58


D I R E I TO A D M I N I S T R AT I VO

1. ESTADO E GOVERNO A função pública é a atividade exercida no cumpri‑


mento do dever de alcançar o interesse público, median‑
te o uso dos poderes conferidos pela ordem jurídica. Nos
1.1 Conceito dias atuais, no mundo ocidental, prevalece a afirmação
Quanto ao seu conceito de Estado, podemos afir‑ de que existem três funções no Estado: a legislativa, a
mar que é variável em conformidade com o enfoque de administrativa ou executiva e a jurisdicional. Tais fun‑
análise: ções são distribuídas entre três poderes, de forma pre‑
a) Enfoque sociológico: é corporação territo‑ dominante e não exclusiva. A divisão orgânica foi ideali‑
rial dotada de um poder de mando originário; zada por Montesquieu visando impedir a concentração
b) Enfoque político: é a comunidade de homens de poderes para preservar a liberdade dos homens contra
fixada sobre um território com potestade supe‑ os abusos e tiranias dos governantes. No Direito positivo
rior de ação, de mando e de coerção; foi adotada a fórmula do barão de maneira temperada, de
forma que cada poder teria funções típicas e atípicas.
c) E nfoque jurídico: é pessoa jurídica de direito
público interno. Como ente personalizado, pode Os critérios de distinção das funções do Estado
atuar no campo do direito público e no direito são: a) orgânico ou subjetivo: a função é identificada pelo
privado, mantendo sempre sua única personali‑ sujeito que produz a função; b) objetivo: leva em conta a
dade de direito público. atividade. O critério objetivo é subdivido em dois: 1)
Governo é o terceiro elemento essencial do Estado, material ou substancial: a função é identificada pelos
caracterizado pelo fato de ser supremo e dotado de coa‑ seus elementos intrínsecos; 2) formal: a função é identi‑
ção irresistível em relação aos indivíduos e grupos que ficada pelo tratamento normativo. O critério aceito pela
formam sua população, e ser independente em relação maioria doutrinária é o objetivo formal: a) legislativa: é
ao governo de outros Estados1. Governo é a gestão dos exercida por normas gerais, normalmente abstratas, que
negócios públicos. inovam inicialmente a ordem jurídica, isto é, que se fun‑
dam de forma direta e imediata da CF; b) jurisdicional:
1.2 Elementos é exercida por decisões que resolvem controvérsias com
força de coisa julgada; c) administrativa: é exercida pelo
Quanto à sua estrutura, o Estado é constituído dos
Estado ou quem lhe faça as vezes na intimidade de uma
seguintes elementos: a) Povo: componente humano do
Estado; b) Território: base física; c) Governo Soberano: ele‑ estrutura e regime hierárquicos e que no sistema consti‑
mento condutor que detém e exerce o poder de autode‑ tucional brasileiro se caracteriza pelo fato de ser desem‑
terminação e auto­‑organização do povo. penhada por comportamentos infralegais ou, de forma
excepcional, infraconstitucionais, submissos todos ao
1.3 Poderes controle de legalidade do Judiciário.
Quanto à sua vontade, o Estado a manifesta pelos
1.4 Organização
poderes do Estado, que são o Legislativo, o Executivo e
o Judiciário. São imanentes e estruturais, com funções Quanto à sua organização, podemos afirmar que
típica e atípica. A função típica do legislativo é elaborar pode ser feita de duas maneiras:
lei. A do executivo é converter a lei em atos individual e a) pelo conteúdo, a organização pode ser:
concreto. A do judiciário é a aplicação coativa da lei aos a1) política: é matéria constitucional e abrange a
litigantes. divisão do território nacional, a estruturação dos pode‑

1
AZAMBUJA, Darcy. Teoria Geral do Estado. São Paulo: Globo, 1998.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 10 22/3/2012 15:56:58


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 11

res, a forma de governo, o modo de investidura dos go‑ que divide a Administração Pública em direta ou centra‑
vernantes e os direitos e garantias dos governados; lizada e indireta ou descentralizada (leva em conta o
a2) administrativa é matéria legislativa para execu‑ grau de complexidade). A divisão horizontal ingressou
ção de serviços públicos; na ordem jurídica brasileira com o Decreto­‑Lei n.
b) pela forma, a organização pode ser: 200/67 que sistematizou a estrutura da Administração
Federal e estabeleceu as diretrizes para a reforma admi‑
b1) vertical: é o reconhecimento da existência de
nistrativa.
mais de um governo dentro do país, quais sejam, o fede‑
ral, estadual, distrital e municipal; A divisão horizontal está contida em cada parte da
divisão vertical; noutros termos a divisão de Adminis‑
b2) horizontal: é o reconhecimento de que o Esta‑
tração Pública em direta e indireta existe nos quatro
do exerce três funções básicas e distintas: legislar, exe‑
níveis da federação: federal, estadual, distrital e muni‑
cutar e julgar.
cipal.
2. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 2.2.4 Entidades
No Direito, a expressão entidade ou ente, significa
2.1 Significados: A Administração Pública é uma ex-
pessoa jurídica pública ou privada. Existem duas espé‑
pressão que possui dois significados:
cies de Entidades:
a) Subjetivo ou orgânico ou formal: é identificar
a) Política: é a que possui capacidade para legislar;
quem é a Administração Pública. É um conjunto de pes‑
no Direito Brasileiro, os artigos 1º e 18, ambos da Cons‑
soas jurídicas, órgãos e agentes que exercem a função
tituição Federal, prescrevem que são entidades políticas
administrativa. a União Federal, os Estados­‑Membros, o Distrito Fede‑
b) Objetivo ou funcional ou material: é identificar a ral e os Municípios.
atividade da Administração Pública. É a função adminis‑ b) Administrativa: é a que possui capacidade para
trativa. administrar ou aplicar leis. Podem ser: – estatais: União,
Estados, Distrito Federal e Município; – autárquicas:
2.2 Sentido subjetivo de Administração Pública
são as autarquias e agências; – fundacionais: são as fun‑
Em nome do princípio da Separação de Poderes, dações públicas; – empresariais: são as empresas públi‑
podemos afirmar que os três poderes do Estado (Execu‑ cas e as sociedades de economia mista.
tivo, Legislativo e Judiciário) exercem função adminis‑
trativa: os Poderes Legislativo e Judiciário, de forma 2.2.5 Governo e Administração Pública
atípica, e o Poder Executivo, de forma típica.
ITENS GOVERNO ADMINISTRAÇÃO
2.2.1 Função administrativa pelo Legislativo
PÚBLICA
É exercida pelo Legislativo quando organiza os seus FUNÇÃO é o que exerce a é quem exerce a
serviços internos, através das secretarias e da prática dos função política, ou função administrativa,
atos administrativos pelos parlamentares (leis de efeito seja, a condução ou seja, o
política dos desempenho legal e
concreto). negócios públicos, técnico dos serviços
através de um públicos em geral,
2.2.2 Função administrativa pelo Judiciário conjunto de poderes através de um
É exercida pelo Judiciário quando organiza os seus e órgãos conjunto de órgãos
constitucionais. instituídos para a
serviços internos, através das secretarias e da prática dos
consecução dos
atos administrativos pelos magistrados, como provimen‑ objetivos
to de cargos na magistratura. governamentais.
CARACTERÍSTICA é o que conduz a é que executa as
2.2.3 Função administrativa pelo Executivo vida de um povo, decisões
fixando diretrizes de governamentais;
Dentro do Poder Executivo, a função administrati‑
comportamento e desempenha as
va é exercida pela Administração Pública, que, por sua organização; é diretrizes de
vez, pode ser dividida de duas formas: a) Vertical: é a quem toma as comportamento e
que divide a Administração Pública em federal, estadu‑ decisões organização fixadas
al, distrital e municipal; é a divisão que decorre da for‑ fundamentais para o pelo Governo.
ma federativa do Estado Brasileiro; b) Horizontal: é a povo de um país.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 11 22/3/2012 15:56:59


12 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

TIPO DE ATIVIDADEPolítica e Neutra e vinculada 2.3.6 Administração e propriedade


discricionária O administrador é o que cuida dos bens e interesses
TIPO DE CONDUTA Independente hierarquizada
alheios, possuindo, desta forma, poderes de zelo e con‑
TIPO DE Constitucional e Técnica e legal.
servação de bens e interesses. O proprietário é o que
RESPONSABILIDADE política.
cuida dos bens e interesses próprios, possuindo, dessa
forma, poderes de disponibilidade.
2.3 Sentido objetivo de Administração Pública
3. DIREITO ADMINISTRATIVO
2.3.1 Conceito
A função administrativa é exercida pelo adminis‑ 3.1 Conceito
trador público, que a exerce representando os interesses
É ramo do Direito Público (além do interesse públi‑
da coletividade, através do cumprimento fiel dos precei‑
co estar presente em toda e qualquer de suas regras ou
tos do Direito e da Moral administrativa que regem a sua
relação jurídica, um dos polos da relação jurídica é a Ad‑
atuação. A função administrativa é a atividade exercida
ministração Pública) formado por um conjunto de nor‑
no cumprimento do dever de alcançar o interesse públi‑
mas jurídicas que regem a Administração Pública.
co, mediante o uso dos poderes conferidos pela ordem
jurídica. O Direito Administrativo adota o modelo europeu
continental, pois tem como inspiração as regras do Di‑
2.3.2 Natureza e fins reito Administrativo francês. O Direito Administrativo
O exercício da função administrativa representa brasileiro adota o sistema administrativo inglês ou judi‑
para o administrador público, um múnus público, ou cial, pois os únicos órgãos que decidem algo com atribu‑
seja, um encargo de conservação, defesa e aprimoramen‑ to de coisa julgada são os do Judiciário.
to dos interesses da coletividade. Todos os poderes e de‑ A doutrina aponta três marcos históricos no surgi‑
veres do administrador público são outorgados e exerci‑ mento do Direito Administrativo: a) o fim do absolutis‑
dos em benefício do bem comum da coletividade mo; b) o surgimento da teoria da separação de poderes;
administrada. c) o surgimento do Estado de Direito.
A boa compreensão do Direito Administrativo exi‑
2.3.3 Características ge o entendimento dos seguintes critérios de interpreta‑
É uma atividade concreta, pois executa a vontade ção: a) existência de desigualdade jurídica entre a Admi‑
da lei, submetida a regime jurídico de direito pú‑ nistração Pública e o administrado; b) existência da
blico e que visa à satisfação direta e imediata dos presunção de legitimidade dos atos da Administração
fins do Estado, que é conservar o bem­‑estar individu‑ Pública; c) existência dos poderes discricionários para a
al e o progresso social. Administração Pública.
2.3.4 Abrangência
3.2 Fontes do Direito Administrativo
A função administrativa abrange o exercício das se‑ São fontes: a) lei, fonte primária, abrangendo desde
guintes atividades: a) fomento: é a concessão de incenti‑ a Constituição até os regulamentos executivos; b) dou‑
vos pelo Poder Público aos interessados colaboradores
trina; c) jurisprudência; d) costume.
do interesse público; b) polícia administrativa: é a limi‑
tação da liberdade e propriedade do particular em nome
do interesse público; c) serviço público; d) intervenção: 4. PRINCÍPIOS DO DIREITO ADMINISTRATIVO
é a interferência do Estado no domínio econômico. a) Legalidade: o administrador só pode agir con‑
forme a lei. A vontade da Administração Pública
2.3.5 Administração Pública e Administração Pri- é a vontade da lei. A atividade administrativa é
vada sublegal ou infralegal, já que a Administração
Na Administração Pública, o administrador recebe age secundum legem, expedindo comandos com‑
as ordens de instruções de como agir, das leis e regula‑ plementares à lei.
mentos. E sua finalidade de atuação é buscar o bem co‑ b) Supremacia do interesse público: o inte‑
mum da coletividade administrada. Na Administração resse público prevalece sobre o individual, res‑
Privada, o administrador recebe as ordens e instruções peitados os direitos e garantias fundamentais;
de como agir, do proprietário. E sua finalidade de atua‑ toda atuação administrativa deve visar o interes‑
ção é buscar satisfazer os interesses do proprietário. se público.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 12 22/3/2012 15:56:59


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 13

c) Moralidade: os administradores devem agir l) Proporcionalidade: não agir com excesso


de maneira ética. desnecessário.
d) I mpessoalidade: A administração não pode m) C  ontrole ou Tutela: a Administração Públi‑
atuar para beneficiar ou prejudicar pessoas de‑ ca direta tem o poder de fiscalizar se a Admi‑
terminadas, mas sempre visar o interesse públi‑ nistração Pública indireta está ou não cumprin‑
co. Os atos e provimentos administrativos são do as finalidades previstas na lei de sua criação.
imputáveis ao órgão ou entidade da Administra‑ É controle finalístico.
ção Pública. Na publicidade dos órgãos públicos n) C  ontrole judicial dos atos administrati‑
não pode constar nome, símbolos e imagens do vos: “A lei não excluirá da análise do Po­der Ju‑
administrador público visando sua promoção diciário lesão ou ameaça a direito” (art. 5º,
pessoal. XXXV, da CF).
e) Publicidade: Os atos da Administração Pública o) Hierarquia: é a existência de relação de coor‑
devem ser divulgados ressalvadas as hipóteses de denação e subordinação entre os órgãos da Ad‑
sigilo previstas em lei: a) segurança nacional; b) ministração Pública. Não se aplica para as fun‑
Investigações policiais; c) resguardo do sigilo da ções típicas judiciais ou legislativas.
fonte quando necessário ao exercício profissio‑ p) P  oder­‑dever: A administração tem o poder e
nal; d) defesa da intimidade ou interesse social. o dever de agir, dentro de sua competência esta‑
f) Finalidade: A Administração Pública deve belecida em lei.
atender ao interesse público visado pela lei, se‑ q) E  ficiência: A Administração Pública deve
não é caracterizado como abuso de po­der, acar‑ exercer as suas atividades visando obter melho‑
retando a nulidade do ato. res resultados para o interesse público (preste‑
g) Indisponibilidade: A Administração Pública za, perfeição e rendimento funcional). A estru‑
não tem livre disposição dos bens e interesses tura administrativa deve ser moderna.
públicos, porque atua em nome de terceiros, na r) Especialidade: As entidades da Administração
condição de gestor da coisa pública. O poder de Pública indireta devem cumprir as suas finalida‑
alienar, renunciar ou transacionar sempre de‑ des previstas na lei de sua criação.
penderá de lei. s) P resunção de legitimidade e veracidade:
h) Continuidade:  Os serviços públicos devem os atos da Administração Pública são presumi‑
ser prestados de maneira adequada não podendo dos verdadeiros e feitos de acordo com a lei. É
sofrer interrupções, pois há prejuízo para a cole‑ presunção relativa.
tividade. Não caracteriza interrupção quando:
a) houver emergência; b) após aviso prévio por 5. ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA
razões técnicas ou de segurança das instalações;
c) após aviso prévio por inadimplemento do 5.1 Centralização e descentralização
usuário. A centralização administrativa ocorre quando o Es‑
i) Autotutela: é a possibilidade de a Administra‑ tado executa suas tarefas por meio dos órgãos e agentes
ção Pública rever os seus próprios atos, ou seja, integrantes da Administração Direta. Não há transferên‑
anular os atos ilegais e revogar os atos inconve‑ cia de competência de uma pessoa para outra.
nientes ou inoportunos. Abrange, outrossim, a A descentralização ocorre quando o Estado (União,
ideia da autoexecutoriedade em relação ao zelo Distrito Federal, Estados ou Municípios) desempenha
dos bens públicos. É prevista nas Súmulas n. 346 algumas de suas funções por meio de outras pessoas ju‑
e 473, ambas do STF. rídicas. Há transferência de uma pessoa para outra. Pode
j) Motivação (fundamentação): A Adminis‑ ser: a) política: ocorre quando o Estado Federal transfe‑
tração deve indicar os fundamentos fáticos e jurí‑ re para a União, Distrito Federal, Estados e Municípios
dicos de seus atos e decisões. É uma formalidade poderes políticos e administrativos; b) administrativa:
necessária para que haja controle de sua atuação ocorre quando os entes federativos transferem poderes
em prol do interesse público. administrativos para outras pessoas jurídicas.
k) Razoabilidade: A administração deve agir A descentralização administrativa, por sua vez,
com bom senso e não de forma ilógica ou incon‑ pode ser feita de três maneiras: a) territorial: a União
gruente. transfere para os Territórios Federais a capacidade admi‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 13 22/3/2012 15:56:59


14 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

nistrativa genérica; b) funcional: o ente federativo trans‑ em virtude de autorização legislativa, para o desenvolvi‑
fere a titularidade e execução do serviço por lei a outra mento de atividades que não exijam execução por órgãos
pessoa jurídica de direito público ou privado (outorga); ou entidades de direito público, com autonomia admi‑
c) por colaboração: o ente federativo transfere a execu‑ nistrativa, patrimônio próprio gerido pelos respectivos
ção do serviço por contrato administrativo ou ato unila‑ órgãos de direção e funcionamento custeado por recur‑
teral para pessoa jurídica de direito privado (delegação). sos da União e de outras fontes.
As atividades da Administração Federal obedecerão
5.2 Concentração e desconcentração aos seguintes princípios fundamentais:
A Concentração administrativa ocorre quando a) Planejamento: visa promover o desenvolvi‑
dentro da pessoa jurídica não há divisão interna de servi‑ mento econômico­‑social do País e a segurança
ços. Na Desconcentração há distribuição de competên‑ nacional, norteando­‑se segundo planos e pro‑
cias dentro da mesma pessoa jurídica. Tanto a concen‑ gramas elaborados, e compreenderá a elabora‑
tração como a desconcentração são técnicas admi- ção e atualização dos seguintes instrumentos
nistrativas existentes na Administração direta e indireta. básicos: plano geral de governo; programas ge‑
rais, setoriais e regionais, de duração plurianual;
5.3 Organização administrativa da União
orçamento­‑programa anual; programação fi‑
O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da nanceira de desembolso;
República auxiliado pelos Ministros de Estado. O Presi‑
b) Coordenação: ocorre mediante a atuação das
dente da República e os Ministros de Estado exercem as
chefias individuais, a realização sistemática de
atribuições de sua competência constitucional, legal e
reuniões com a participação das chefias subordi‑
regulamentar com o auxílio dos órgãos que compõem a
nadas e a instituição e funcionamento de comis‑
Administração Federal.
sões de coordenação em cada nível administrati‑
A Administração Federal compreende: a) Adminis‑
vo. No nível superior da Administração Federal,
tração Direta, que se constitui dos serviços integrados
a coordenação será assegurada através de reuni‑
na estrutura administrativa da Presidência da República
ões do Ministério, reuniões de Ministros de Es‑
e dos Ministérios; b) Administração Indireta, que com‑
tado responsáveis por áreas afins, atribuição de
preende as seguintes categorias de entidades, dotadas de
personalidade jurídica própria: Autarquias; Empresas incumbência coordenadora a um dos Ministros
Públicas; Sociedades de Economia Mista e Fundações de Estado, funcionamento das Secretarias Ge‑
públicas. As entidades compreendidas na Administração rais e coordenação central dos sistemas de ativi‑
Indireta vinculam­‑se ao Ministério em cuja área de com‑ dades auxiliares. Quando submetidos ao Presi‑
petência estiver enquadrada sua principal atividade. dente da República, os assuntos deverão ter sido
Em face do Decreto­‑Lei n. 200/67, considera­‑se: previamente coordenados com todos os setores
a) Autarquia – o serviço autônomo, criado por lei, com neles interessados, inclusive no que respeita aos
personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, aspectos administrativos pertinentes, através de
para executar atividades típicas da Administração Públi‑ consultas e entendimentos, de modo a sempre
ca, que requeiram, para seu melhor funcionamento, ges‑ compreenderem soluções integradas e que se
tão administrativa e financeira descentralizada; b) Em‑ harmonizem com a política geral e setorial do
presa Pública – a entidade dotada de personalidade Governo. Idêntico procedimento será adotado
jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e nos demais níveis da Administração Federal, an‑
capital exclusivo da União, criado por lei para a explora‑ tes da submissão dos assuntos à decisão da auto‑
ção de atividade econômica que o Governo seja levado a ridade competente. Os órgãos que operam na
exercer por força de contingência ou de conveniência mesma área geográfica serão submetidos à coor‑
administrativa podendo revestir­‑se de qualquer das for‑ denação com o objetivo de assegurar a progra‑
mas admitidas em direito; c) Sociedade de Economia mação e execução integrada dos serviços fede‑
Mista – a entidade dotada de personalidade jurídica de rais.
direito privado, criada por lei para a exploração de ativi‑ c) Descentralização: será posta em prática em
dade econômica, sob a forma de sociedade anônima, três planos principais: dentro dos quadros da
cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria Administração Federal, distinguindo­‑se clara‑
à União ou à entidade da Administração Indireta; d) mente o nível de direção do de execução; da Ad‑
Fundação Pública – a entidade dotada de personalidade ministração Federal para a das unidades federa‑
jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, criada das, quando estejam devidamente aparelhadas e

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 14 22/3/2012 15:56:59


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 15

mediante convênio; da Administração Federal processos e supressão de controles que se verifi‑


para a órbita privada, mediante contratos ou carem como puramente formais ou cujo custo
concessões. Em cada órgão da Administração seja evidentemente superior ao risco.
Federal, os serviços que compõem a estrutura
central de direção devem permanecer liberados 5.4 Administração Pública direta ou centralizada
das rotinas de execução e das tarefas de mera É o conjunto de órgãos que integram as pessoas po‑
formalização de atos administrativos, para que líticas do Estado. Estão inseridos na chefia do executivo e
possam concentrar­‑se nas atividades de planeja‑ nos órgãos auxiliares da chefia do executivo. Enquanto a
mento, supervisão, coordenação e controle. A Administração Direta é composta de órgãos internos
Administração casuística, assim entendida a de‑ do Estado, a Administração Indireta se compõe de
cisão de casos individuais, compete, em princí‑ pessoas jurídicas. Cabe ressalvar que a Administração
pio, ao nível de execução, especialmente aos Pública direta existe não apenas no Poder Executivo, mas
serviços de natureza local, que estão em contato também nos demais poderes, Legislativo e Judiciário,
com os fatos e com o público. Compete à estru‑ pois todos os poderes exercem função administrativa.
tura central de direção o estabelecimento das
Órgãos públicos são centros de competência cria‑
normas, critérios, programas e princípios, que
dos para o desempenho de funções estatais. São unida‑
os serviços responsáveis pela execução são obri‑
des abstratas que possuem funções, cargos e agentes. Os
gados a respeitar na solução dos casos individuais
órgãos públicos não têm personalidade jurídica nem
e no desempenho de suas atribuições. Ressalva‑
vontade própria; não possuem patrimônio próprio; po‑
dos os casos de manifesta impraticabilidade ou
dem firmar contratos de gestão e todos os seus atos são
inconveniência, a execução de programas fede‑
imputados à pessoa jurídica de que fazem parte.
rais de caráter nitidamente local deverá ser dele‑
gada, no todo ou em parte, mediante convênio, Quanto à estrutura, os órgãos podem ser: simples
aos órgãos estaduais ou municipais incumbidos (não há subdivisões internas) e compostos (há subdivi‑
de serviços correspondentes. sões internas); quanto à atuação funcional: singulares
(único agente) e colegiados (mais de um agente); quanto
d) D elegação de competência: será utilizada
à esfera de ação: centrais (atuam no território nacional)
como instrumento de descentralização adminis‑
trativa, com o objetivo de assegurar maior rapi‑ e locais (atuam em parte do território nacional); quanto
dez e objetividade às decisões, situando­‑as na à posição estatal: subalternos (atribuições de mera exe‑
proximidade dos fatos, pessoas ou problemas a cução, reduzido poder decisório), superiores (atribui‑
atender. É facultado ao Presidente da República, ções de direção e controle, não têm autonomia adminis‑
aos Ministros de Estado e, em geral, às autorida‑ trativa nem financeira), autônomos (atribuições
des da Administração Federal delegar compe‑ diretivas, ampla autonomia) e independentes (atribui‑
tência para a prática de atos administrativos, ções em subordinação hierárquica, representam os po‑
conforme se dispuser em regulamento. O ato de deres do Estado e estão previstos na CF).
delegação indicará com precisão a autoridade Na esfera federal, a estruturação da Administração
delegante, a autoridade delegada e as atribuições direta é composta pela Presidência da República, Vice-
do objeto de delegação. -Presidência da República, Ministros e órgãos de apoio
e) Controle: deverá exercer­‑se em todos os níveis (assessoria em geral). Nas esferas estadual, a Adminis‑
e em todos os órgãos, compreendendo, particu‑ tração Direta será composta pela Governadoria do Esta‑
larmente: 1) o controle, pela chefia competente, do, pelos órgãos de assessoramento direto do Governa‑
da execução dos programas e da observância das dor e pelas Secretarias Estaduais; e na esfera municipal,
normas que governam a atividade específica do pela Prefeitura, pelos órgãos de apoio direto ao Prefeito
órgão controlado; 2) o controle, pelos órgãos e pelas Secretarias Municipais.
próprios de cada sistema, da observância das
normas gerais que regulam o exercício das ativi‑ 5.5 Administração Pública indireta
dades auxiliares; 3) o controle da aplicação dos É o conjunto de pessoas jurídicas administrativas
dinheiros públicos e da guarda dos bens da (não têm capacidade de legislar), com personalidade ju‑
União pelos órgãos próprios do sistema de con‑ rídica própria (aptidão para adquirir direitos e contrair
tabilidade e auditoria. O trabalho administrati‑ obrigações) que, vinculadas à Administração Direta,
vo será racionalizado mediante simplificação de têm a competência para o exercício, de forma descen‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 15 22/3/2012 15:56:59


16 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

tralizada, de atividades administrativas. A Adminis‑ Na Administração Indireta, são características co‑


tração Indireta é composta da seguinte forma: a) autar‑ muns: a) possuir personalidade jurídica própria; b) pos‑
quias; b) fundações públicas; c) agências; d) empresas suir patrimônio próprio; c) vinculação à Administração
públicas; e) sociedades de economia mista; f) consórcios Pública Direta.
públicos. a) Autarquias
Ficam excluídas da estrutura da Administração In‑ 1. Conceito: são pessoas jurídicas de direito públi‑
direta empresas exploradoras de atividade econômica co criadas por lei para exercer funções próprias do Esta‑
que estão sob controle acionário do Estado e as do, que requeiram uma especialização.
entidades paraestatais, pessoas jurídicas de direito 2. Criação: é feita por lei específica, sem necessida‑
privado, instituídas e controladas por particula‑ de de registro. A iniciativa da lei para criação de autar‑
res, que desempenham atividades de interesse público, quia é do chefe do Poder Executivo.
sem intuito lucrativo, recebendo diversos incentivos do 3. Regime de pessoal: os funcionários são estatutá‑
Estado para seu funcionamento; possuem as seguintes rios ou celetistas e estão sujeitos à proibição de acumula‑
ção remunerada de cargos;
características: a) Natureza: são pessoas jurídicas de di‑
reito privado; b) Serviço: desenvolvem atividades de in‑ 4. Privilégio Tributário: são imunes aos impostos;
teresse público, mas não exclusivas do Estado; c) Auto‑ 5. Licitação: estão sujeitas à licitação;
nomia administrativa: capacidade de organizar seus 6. Dirigentes: a competência para a nomeação é do
serviços internos; d) Autonomia financeira: capacidade Chefe do Executivo; sua investidura é feita na forma da
de gerir os seus próprios recursos financeiros. Os recur‑ lei ou do estatuto;
sos financeiros são as contribuições parafiscais; e) Base 7. Responsabilidade: objetiva;
jurídica: o documento que rege a entidade paraestatal é 8. Organização: é feita por atos administrativos;
o estatuto; f) Fins: não têm fins lucrativos; g) Natureza: 9. Bens: públicos;
não integram nem a Administração Direta nem a Indire‑ 10. Regime jurídico: de direito público;
ta; estão ao lado do Estado; fazem parte do terceiro se‑ 11. Finanças: têm capacidade financeira própria;
tor; h) Espécies: são ordens e conselhos profissionais, 12. Notas: a) o STF não permite a criação de autar‑
organizações sociais, organizações da sociedade de inte‑ quia interestadual; b) se for geográfica, tem capacidade
resse coletivo, serviços sociais autônomos e fundações administrativa genérica; se for institucional, tem capaci‑
de apoio às instituições de ensino superior; i) Termo: são dade administrativa específica; c) quando a autarquia é
denominadas pessoas de cooperação governamental, porque caracterizada por uma reunião de pessoas, que unem
colaboram com o poder público, executando atividade seus esforços para atender seus objetivos próprios, é cor‑
caracterizada como serviço de utilidade pública; j) Cria‑ porativa; se, por sua vez, for caracterizada por uma reu‑
ção: depende de lei; k) Personalidade jurídica: é de di‑ nião de bens, é fundacional.
reito privado e se inicia com a inscrição e seu estatuto no b) Fundações Públicas
cartório; l) Regime jurídico: estão vinculadas ao Minis‑ 1. Conceito: são pessoas jurídicas de direito públi‑
tério da respectiva área. Prestam contas ao Tribunal de co criadas por lei para exercer atividade educacional ou
Contas. O regime jurídico é de direito privado com nor‑ cultural ou de pesquisa ou de assistência social.
mas de direito público no uso dos recursos, prestação de 2. Criação: é feita por lei específica, sem necessida‑
contas e fins institucionais; m) Licitação: não estão su‑ de de registro. A iniciativa da lei para criação de autar‑
jeitas ao dever de licitação; n) Estado: recebem fomento quia é do chefe do Poder Executivo.
do Estado; o) Instituição: por particulares; quando a en‑ 3. Regime de pessoal: os funcionários são estatutá‑
tidade privada preenche os requisitos legais para ser pa‑ rios ou celetistas e estão sujeitos à proibição de acumula‑
raestatal recebe título de utilidade pública, certificado ção remunerada de cargos;
de fins filantrópicos e qualificação de organização social; 4. Privilégio tributário: são imunes aos impostos;
p) Objeto: atividade social que representa a prestação de 5. Licitação: estão sujeitas à licitação;
um serviço de utilidade pública, beneficiando certos gru‑ 6. Dirigentes: a competência para a nomeação é do
pamentos sociais ou profissionais; q) Valores remanes‑ Chefe do Executivo; sua investidura é feita na forma da
centes dos recursos ou superávit: serão revertidos para lei ou do estatuto;
melhoria, aperfeiçoamento e maior extensão da própria 7. Responsabilidade: objetiva;
entidade; r) Controle: são vinculadas ao Ministério da 8. Atos e contratos: são administrativos; estão su‑
respectiva área. Prestam contas ao tribunal de contas. jeitos ao controle judicial;

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 16 22/3/2012 15:56:59


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 17

9. Bens: públicos; ção de serviços públicos, sob o regime de concessão


c) Empresas públicas ou permissão).
1. Conceito: são pessoas jurídicas de direito priva‑ f) Consórcios públicos: são pessoas de direito públi‑
do criadas por autorização contida em lei para exercer co ou de direito privado decorrentes de contratos
serviço público ou atividade econômica; firmados entre entes federativos, após autorização
2. Criação: é feita por autorização da lei específica, legislativa de cada um, para gestão associada de ser‑
com necessidade de registro; viços públicos e de objetivos de interesse comum dos
consorciados, através de delegação e sem fins econô‑
3. Regime de pessoal: os funcionários são celetistas
micos.
e estão sujeitos à proibição de acumulação remunerada
de cargos;
6. PODERES ADMINISTRATIVOS
4. Privilégio Tributário: são imunes aos impostos;
5. Licitação: estão sujeitas à licitação; na atividade 6.1 Introdução
econômica só tem licitação para as atividades­‑meio; São os instrumentos de trabalho que o administra‑
6. Regime jurídico: se prestar serviço público, será dor público usa para realizar o bem comum. São enten‑
regime de direito público; se exercer atividade econômi‑ didos como deveres, pois são exercidos em benefício da
ca, será regime híbrido, ou seja, privado parcialmente coletividade. Podem ser usados de forma isolada ou
derrogado por normas de direito público; cumulativa. São inerentes à Administração da União,
7. Responsabilidade: objetiva; dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
8. Forma societária: qualquer forma admitida pelo Podem ser: a) quanto à organização e disci‑
Direito; plina: poder hierárquico e disciplinar; b) quanto à
9. Bens: públicos; finalidade normativa: poder regulamentar; c)
quanto à limitação aos direitos individuais: po‑
10. Notas: a) o capital é totalmente público; b) du‑
der de polícia; d) quanto à liberdade de atuação:
rante o estado de sítio, a empresa pública sofre interven‑
vinculado e discricionário.
ção.
d) Sociedades de economia mista 6.2 Poder hierárquico
1. Conceito: são pessoas jurídicas de direito priva‑ Hierarquia é a relação de coordenação e subordina‑
do criadas por autorização contida em lei para exercer ção existente entre os diversos órgãos e agentes da Ad‑
serviço público ou atividade econômica; ministração Pública. Em razão da hierarquia, surge para
2. Criação: é feita por autorização da lei específica, o superior hierárquico os poderes de delegar, avocar,
com necessidade de registro; disciplinar, ordenar, normatizar, controlar, comandar e
3. Regime de pessoal: os funcionários são celetistas revisar. A relação hierárquica é acessória da organização
e estão sujeitos à proibição de acumulação remunerada administrativa, porque não existem apenas órgãos hie‑
de cargos; rárquicos, mas também órgãos paritários.
4. Privilégio Tributário: são imunes aos impostos; Os subordinados têm sempre o dever de acatar e
cumprir as ordens de seus superiores hierárquicos, salvo
5. Licitação: estão sujeitas à licitação; na atividade
quando manifestamente ilegais; nesse caso o subordina‑
econômica só tem licitação para as atividades­‑meio;
do tem o dever de representar.
6. Dirigentes;
Diferenças entre subordinação e vinculação
7. Responsabilidade: objetiva;
8. Atos e contratos: são administrativos; estão su‑
ITENS SUBORDINAÇÃO VINCULAÇÃO
jeitos ao controle judicial; CARÁTER interno Externo
9. Bens: públicos; SUJEITO ATIVO Administração direta Administração direta
10. Notas: a) o capital é totalmente público. ou indireta
SUJEITO PASSIVO Órgãos Administração
e) Agências: são pessoas jurídicas de direito público indireta
consideradas como autarquias especiais. Podem ser FUNDAMENTO Poder hierárquico Poder de controle
executivas (podem celebrar contrato de gestão e exe‑ ou tutela
cutam atividades administrativas) e reguladoras QUANTIDADE DE Uma mesma pessoa Duas pessoas
(controlam pessoas privadas incumbidas da presta‑ PESSOAS JURÍDICAS distintas

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 17 22/3/2012 15:56:59


18 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

6.3 Poder disciplinar 6.5 Poder de polícia


Sua finalidade é apurar infrações funcionais e apli‑ a) Conceito: atividade estatal consistente em limi‑
car as penalidades aos servidores e demais pessoas sujei‑ tar o exercício dos direitos individuais em bene‑
tas à disciplina administrativa. Inclusive o judiciário e fício do interesse público. Há o conceito legal no
Ministério Público no aspecto funcional da relação de art. 78 do CTN.
trabalho. O ato disciplinar deve ser motivado mencio‑
nando sempre o fundamento legal e a causa da sanção b) F undamento: É a supremacia do interesse públi‑
disciplinar. A Administração não pode escolher entre co sobre o particular.
punir ou não punir tendo conhecimento da falta do ser‑ c) Objeto: atividades que possam afetar os interes‑
vidor, sob pena de cometer o crime do art. 320 do CP e ses da coletividade.
praticar ato de improbidade administrativa. d) Competência: todas as entidades federativas, obser‑
Existe um grau limitado ao definir as espécies de vadas as regras de competência previstas na CF.
penalidades disciplinares, ao arrolar as hipóteses enseja‑ e) Atributos do poder de polícia: discricionarieda‑
doras da penalidade de demissão, mas na aplicação da pe‑
de: nem sempre o poder de polícia é sempre dis‑
nalidade tem liberdade para analisar a natureza, gravida‑
de, dano, as circunstâncias e os antecedentes funcionais. cricionário; será apenas quando a lei deixar para
a Administração Pública liberdade de aprecia‑
Diferenças entre o poder disciplinar e o po‑
der punitivo do Estado ção; autoexecutoriedade: é a possibilidade de a
Administração Pública impor seus atos sem pre‑
cisar de ordem judicial. Só existe quando houver
ITENS PODER DISCIPLINAR PODER PUNITIVO
previsão legal ou quando não previsto em lei for
SUJEITO Administração Poder Judiciário
PRESSUPOSTO Ilícito administrativo Ilícito penal
urgente para assegurar a segurança da coletivida‑
OBJETIVO Punição interna Convívio social de; coercibilidade: é a possibilidade de a Admi‑
TIPO Ilícito funcional Crime ou contravenção nistração Pública impor seus atos, independente‑
mente do consentimento do administrado.
f) Limites do poder de polícia: a) observância do
6.4 Poder regulamentar devido processo legal; b) observância do princí‑
Poder normativo: é o poder do Executivo de editar pio da proporcionalidade: adequação entre a res‑
atos normativos gerais e abstratos. Uma das espécies de trição imposta pela Administração Pública e o
poder normativo é o poder regulamentar, o poder do benefício coletivo; c) conciliação entre o interes‑
chefe do Executivo de editar decretos e regulamentos. se social e os direitos fundamentais; d) exercido
Há três espécies de regulamento: a) Regulamento ou para atender ao interesse público; e) em relação à
decreto de execução: é o editado em função da lei, possi‑ competência deve observar normas legais; f)
bilitando sua fiel execução; b) Regulamento ou decreto procedimento: observar normas legais; g) obje‑
autônomo ou independente: é o editado pelo Poder Exe‑
to: não ir além do necessário para a satisfação do
cutivo como ato primário derivado da Constituição. Pode
interesse público.
ser: externo: normas dirigidas aos cidadãos em geral; ou
interno, quando dizem respeito à organização, funciona‑ g) Espécies: a) poder de polícia originário: é o
mento e competência da Administração Pública; c) Regu‑ exercido pela Administração direta; b) poder de
lamento autorizado ou delegado: é o que complementa as polícia delegado: é o exercido pela Administra‑
disposições da lei em razão da expressa disposição nele ção indireta.
contida. É usado para fixação de normas técnicas. h) Meios de atuação da polícia administrativa: atos
No Direito Brasileiro, é possível afirmar, inclusive normativos em geral, atos administrativos e ope‑
com respaldo da jurisprudência do STF, que é permitida rações materiais de aplicação da lei ao caso con‑
edição de decreto autônomo, em dois casos: a) organiza‑ creto com medidas preventivas (por meio de
ção e funcionamento da Administração Pública, quando normas limitadoras ou sancionadoras como a ou‑
não implicar aumento de despesa nem criação ou extin‑
torga de alvarás) e repressivas (por meio da fisca‑
ção de órgãos; b) extinção de cargos ou funções públi‑
cas, quando vagos. A competência para editar decreto lização com lavratura do Auto de Infração e apli‑
autônomo pode ser delegada ao Ministro de Estado ou cação da sanção).
Advogado­‑Geral da União ou ao Procurador-Geral da Diferenças entre polícia administrativa e
República. polícia judiciária

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 18 22/3/2012 15:56:59


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 19

ITENS POLÍCIA ADMINISTRATIVA POLÍCIA JUDICIÁRIA 6.7 Uso e abuso do poder2


OBJETO Bens, direitos e Pessoas O poder administrativo concedido à autoridade pú‑
atividades
blica tem limites certos e forma legal de utilização. Não
ÂMBITO Função administrativa Função jurisdicional penal
é carta branca para arbítrios. Qualquer ato de autorida‑
SUJEITO Órgãos administrativos Órgãos de segurança
de caráter fiscalizador
de deve conformar­‑se com a lei, com a moral da institui‑
DIREITO Administrativo Penal ção e com o interesse público. Sem esses requisitos o ato
ILÍCITO Administrativo Penal administrativo expõe­‑se à nulidade.
CARÁTER Preventivo Repressivo O uso do poder é prerrogativa da autoridade. Mas o
OBJETIVO Impedir ações Punir os infratores da lei poder há que ser usado normalmente, sem abuso. Usar
antissociais penal
normalmente do poder é empregá­‑lo segundo as normas
legais, a moral da instituição, a finalidade do ato e as
i) Prescrição: o prazo prescricional das ações puni‑ exigências do interesse público. Abusar do poder é
tivas decorrentes do exercício do poder de polícia empregá­‑lo fora da lei, sem utilidade pública.
é de 5 anos contados da prática do ato ou no caso O poder é confiado ao administrador público para
de infração permanente ou continuada do dia em ser usado em benefício da coletividade administrada,
que tiver cessado; se o fato constituir crime, apli‑ mas usado nos justos limites que o bem­‑estar social exi‑
cam-se os prazos da prescrição penal. Há hipóte‑ gir. A utilização desproporcional do poder, o emprego
se de prescrição intercorrente em procedimento arbitrário da força, a violência contra o administrado
administrativo decorrente do exercício de poder constituem formas abusivas do uso do poder estatal, não
de polícia, quando o procedimento ficar paralisa‑ toleradas pelo Direito e nulificadoras dos atos que as en‑
do por mais de 3 anos pendente de julgamento ou cerram. O uso do poder é lícito; o abuso, sempre ilícito.
despacho. O processo será arquivado e apurada a O abuso do poder ocorre quando a autoridade, em‑
responsabilidade funcional decorrente da parali‑ bora competente para praticar o ato, ultrapassa os limi‑
sação. As hipóteses de interrupção da prescrição tes de suas atribuições ou se desvia das finalidades admi‑
das ações punitivas decorrentes do exercício do nistrativas. O ato administrativo – vinculado ou
poder de polícia são: a) citação do indiciado ou discricionário – há que ser praticado com observância
acusado; b) qualquer ato inequívoco que importe formal e ideológica da lei. Exato na forma e inexato no
apuração do fato; c) decisão condenatória recor‑ conteúdo, nos motivos ou nos fins, é sempre inválido. O
rível. abuso do poder tanto pode revestir a forma comissiva
As hipóteses de suspensão da prescrição das ações como a omissiva, porque ambas são capazes de afrontar
punitivas decorrentes do exercício do poder de polícia a lei e causar lesão a direito individual do administrado.
ocorrem: a) durante a vigência dos compromissos de O gênero abuso de poder ou abuso de autoridade
cessação ou de desempenho assumidos perante o CADE; reparte­‑se em duas espécies bem caracterizadas: o ex‑
b) durante a vigência do termo de compromisso firmado cesso de poder e o desvio de finalidade.
com a CVM. O excesso de poder ocorre quando a autoridade,
embora competente para praticar o ato, vai além do per‑
6.6 Poder vinculado e discricionário mitido e exorbita no uso de suas faculdades administra‑
Se a lei não dá opções ao administrador público, tivas.
estabelecendo qual a forma de agir, o poder é vinculado. O desvio de finalidade ou de poder verifica­‑se
A lei estabelece a única solução possível diante da situa‑ quando a autoridade, embora atuando nos limites de sua
ção de fato; fixa todos os requisitos. Se a lei dá opções ao competência, pratica o ato por motivos ou com fins di‑
administrador público, ou seja, certa margem de liber‑ versos dos objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse
dade de decisão de acordo com os critérios de oportuni‑ público. O desvio de finalidade ou de poder é, assim, a
dade, conveniência, justiça, equidade, o poder é discri‑ violação ideológica da lei, ou, por outras palavras, a vio‑
cionário. Cabe ressaltar que não existe poder totalmente lação moral da lei, colimando o administrador público
discricionário, pois alguns elementos são sempre vincu‑ fins não queridos pelo legislador, ou utilizando motivos
lados: forma, finalidade e competência. e meios imorais para a prática de um ato administrativo
aparentemente legal.

2
MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros, 2004.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 19 22/3/2012 15:57:00


20 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

A omissão da Administração pode representar Existem atos da Administração que não produzem
aprovação ou rejeição da pretensão do administrado, efeitos jurídicos imediatos: a) atos materiais; b) despa‑
tudo dependendo do que dispuser a norma pertinente. chos de encaminhamento de papéis e processos; c) atos
enunciativos ou de conhecimentos que apenas atestam
7. ATOS ADMINISTRATIVOS ou declaram a existência de um direito ou situação; d)
atos de opinião.
7.1 Conceito
Fato é todo e qualquer acontecimento. Pode ser co‑ 7.2 Requisitos
mum (não produz efeito jurídico) ou jurídico ou em sen‑ Quanto à validade, há divergência doutrinária na
tido amplo (quando produz efeito jurídico). indicação e terminologia dos elementos do ato adminis‑
O fato jurídico pode ser em sentido estrito ou natu‑ trativo. De acordo com a técnica mnemônica: FF.COM:
ral, quando decorre de acontecimento da natureza ou forma, finalidade, competência, objeto e motivo.
humano, quando decorre da vontade humana. O fato a) Finalidade: é o resultado que a Administração
humano, por sua vez, pode ser ilícito, quando feito em Pública quer alcançar com a prática do ato. É
desconformidade com a ordem jurídica, e produz efeitos efeito mediato. O ato administrativo tem que
não queridos pelo agente, ou lícito, quando feito em atender a duas finalidades: a) genérica ou media‑
conformidade com a ordem jurídica e produz efeitos ta: tutela do interesse público (pode ser expressa
queridos pelo agente (ato jurídico e negócio jurídico). ou implícita na lei); b) específica: finalidade pre‑
Uma das espécies de ato jurídico é o ato administrativo. vista na lei que rege a prática do ato, de forma
Fato administrativo é o que produz efeitos no cam‑ explícita ou implícita. A infração da finalidade
po do Direito Administrativo; Fato da Administração, leva à ilegalidade do ato por desvio de poder.
quando não produz efeitos no Direito Administrativo. b) Forma: no sentido restrito é a exteriorização
Nem todo Ato da Administração é ato administra‑ do ato, ou seja, o modo pelo qual a declaração de
tivo e nem todo ato administrativo provém da Adminis‑ vontade se exterioriza. Em sentido amplo:
tração. Ato administrativo é uma espécie de ato da Ad‑ abrange a exteriorização do ato, formalidades e
ministração Pública. requisitos de publicidade do ato.
Ato da Administração Pública: é todo ato praticado c) Competência: é o poder legal conferido ao
no exercício da função administrativa. Abrange: a) atos agente público para o desempenho específico
de direito privado; b) contratos; c) atos normativos; d) das atribuições de seu cargo. A competência é de
atos políticos (discricionários, constitucionais e controlá‑ exercício obrigatório para os órgãos e agentes
veis pelo Judiciário); e) atos materiais; f) atos de conhe‑ públicos; é imodificável pela vontade do agente;
cimento, opinião, juízo ou valor; g) atos administrativos é imprescritível; é irrenunciável; é improrrogá‑
propriamente ditos. De acordo com o critério da técnica vel se houver previsão legal nesse sentido; de‑
mnemônica, os atos da administração são os feitos em corre sempre da lei: não havendo competência
uma COPA realizada no PNM (Panamá, sem vogal). legal específica, há dois posicionamentos: 1)
Ato administrativo é uma manifestação de vontade, doutrinário – Chefe do Poder Executivo, por ser
de conteúdo jurídico, da Administração Pública. Ato a autoridade máxima da organização adminis‑
administrativo visa produzir efeitos jurídicos. Fato Ad‑ trativa; 2) legal – art. 17 da Lei n. 9.784/99 –
ministrativo é a consequência do ato administrativo; é a autoridade de menor grau hierárquico.
realização material ou a execução prática de uma decisão A regra geral é a possibilidade de delegação, salvo
ou determinação da Administração. O fato administra‑ se houver impedimento legal. A delegação é possível
tivo não tem por finalidade produzir efeitos jurídicos, mesmo que não exista subordinação hierárquica. A dele‑
mas pode ter consequências jurídicas. gação deve ser de apenas parte da competência, feita por
Ato administrativo é a declaração (exteriorização prazo determinado, revogável a qualquer tempo e publi‑
do pensamento) do Estado ou de quem o represente, que cada no meio oficial. Não podem ser objeto de delega‑
produz efeitos jurídicos imediatos (tem por fim modifi‑ ção: I – a edição de atos de caráter normativo; II – a
car, adquirir, resguardar, transferir e extinguir direitos decisão de recursos administrativos; III – as matérias de
– de acordo com critério de mnemônica, as iniciais dos competência exclusiva do órgão ou autoridade. O ato de
efeitos formam a palavra MARTE), com observância da delegação pode conter a ressalva de exercício da atribui‑
lei, sob regime jurídico de direito público, sujeita a con‑ ção delegada. Se isso acontecer, a atribuição delegada
trole pelo Poder Judiciário. poderá também ser exercida pelo delegante.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 20 22/3/2012 15:57:00


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 21

Avocação da competência é ato mediante o qual o efeitos jurídicos imediatos. Há quem diferencie eficácia
superior hierárquico chama para si o exercício temporá‑ de exequibilidade: Eficácia é a produção de efeitos jurí‑
rio de parte da competência atribuída de forma originá‑ dicos imediatos. Exequibilidade é ato não sujeito a ter‑
ria a um subordinado. É medida excepcional, fundamen‑ mo ou condição.
tada, possível mesmo sem um rol legal dos casos e não é
possível quando se tratar de competência exclusiva do 7.4 Atributos
subordinado. São as qualidades do ato administrativo e as carac‑
d) O bjeto: É o conteúdo do ato por meio do qual terísticas que permitem afirmar que o ato administrati‑
a Administração manifesta sua vontade ou atesta vo está submetido a um regime jurídico administrativo.
situações preexistentes. Tem que ser lícito, mo‑ Não há uniformidade de pensamento na indicação dos
ral, possível e determinável.
atributos. Permitem a distinção com os atos de direito
e) Motivo ou Causa: É a situação de fato e de privado. São prerrogativas do poder público que o coloca
direito que determina ou autoriza a realização em posição de supremacia sobre o particular. De acordo
do ato administrativo, que serve de fundamento
com a técnica da mnemônica: PITA – presunção de legi‑
para a prática do ato administrativo. A situação
timidade, imperatividade, tipicidade e autoexecutorie‑
de direito é a descrita na lei; a situação de fato é
o conjunto de circunstâncias que levam a Admi‑ dade.
nistração a praticar o ato. Não confundir: moti‑ a) Presunção de Legitimidade e Veracidade:
vo é a situação de fato e de direito que serve de é qualidade inerente a todo ato administrativo,
fundamento para a prática do ato. Motivação é a inclusive nos atos de direito privado, e indepen‑
exposição por escrito dos motivos que determi‑ de de previsão legal. Abrange a presunção da le‑
naram a prática do ato administrativo. O motivo gitimidade, que significa a conformidade com a
é elemento obrigatório de todo ato administrati‑ lei e a presunção da veracidade, que significa a
vo. A motivação não é obrigatória para todo o ocorrência verídica dos fatos alegados pela Ad‑
ato administrativo, já que existem atos tipica‑ ministração.
mente discricionários e sem motivação declara‑ b) Imperatividade: os atos da Administração são
da. O fundamento para a exigência da motiva‑ impostos ao particular independentemente da
ção é o princípio da transparência que deriva do sua concordância. O fundamento é o poder ex‑
princípio da publicidade. Pelo artigo 50. Os atos troverso. Só existe nos atos que impõem obriga‑
administrativos deverão ser motivados, com in‑ ções. Permite a distinção com o ato de direito
dicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos,
privado.
quando: I – neguem, limitem ou afetem direitos
ou interesses; II – imponham ou agravem deve‑ c) Tipicidade: os atos administrativos devem es‑
res, encargos ou sanções; III – decidam proces‑ tar previstos em lei, de forma que a Administra‑
sos administrativos de concurso ou seleção pú‑ ção não pode praticar atos inominados. A tipici‑
blica; IV – dispensem ou declarem a dade é uma garantia para o administrado e afasta
inexigibilidade de processo licitatório; V – deci‑ a possibilidade de ato totalmente discricionário.
dam recursos administrativos; VI – decorram A tipicidade só existe nos atos unilaterais. É uma
de reexame de ofício; VII – deixem de aplicar decorrência do princípio da legalidade.
jurisprudência firmada sobre a questão ou dis‑ d) Autoexecutoriedade: a Administração Pú‑
crepem de pareceres, laudos, propostas e relató‑ blica pode executar seus atos sem necessitar pe‑
rios oficiais; VIII – importem anulação, revoga‑ dir ordem judicial em dois casos: a) quando pre‑
ção, suspensão ou convalidação de ato visto em lei; b) quando for urgente: se não
administrativo. adotada de imediato o prejuízo será maior ao in‑
teresse público. É possível controle judicial pos‑
7.3 Perfeição, validade e eficácia terior com aplicação da regra da responsabilida‑
Perfeição: diz respeito ao processo de formação do de objetiva. Pode o interessado pleitear
ato administrativo. Ato perfeito: é o que completou as do suspensão de ato ainda não executado, por via
ciclo de formação (fases de elaboração) previstas em lei. administrativa ou judicial.
Validade: diz respeito à conformidade do ato com No caso de cobrança de Multa resistida por particu‑
a lei. Ato válido: é o adequado às exigências legais. lar, em regra sua execução depende da via judicial, salvo
Eficácia ou exequibilidade: é a possibilidade no caso de multa administrativa prevista na Lei n.
atual de produção de efeitos. Ato eficaz: é que produz 8.666/93: a) adimplemento irregular pelo particular do

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 21 22/3/2012 15:57:00


22 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

contrato administrativo em que tenha havido prestação foram praticados, salvo comprovada má­‑fé. No caso de
de garantia. A administração pode executar a penalidade efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência
subtraindo da garantia o valor da multa. será contado da percepção do primeiro pagamento.
Administração pode autoexecutar as suas decisões, A Administração Pública pode revogar seus atos,
com meios coercitivos próprios, sem necessitar do Poder por motivo de conveniência e/ou oportunidade. A revo‑
Judiciário. A autoexecutoriedade possui duas espécies: gação é ato discricionário, tendo a Administração a fa‑
a) executoriedade; b) exigibilidade. culdade de revogar ou não o ato. Cabe ressaltar que exis‑
tem atos que não podem ser revogados: a) atos que
exauriram seus efeitos; b) atos vinculados – se a lei fizer
ITENS EXECUTORIEDADE EXIGIBILIDADE
previsão de maneira imprópria de revogação de ato vin‑
CUMPRIMENTO Administração Administrado
DO ATO
culado, será uma desapropriação de direito a ser indeni‑
CARACTERÍSTICA Pode ter Induz obediência; a zada na forma da lei; c) atos que já geraram direitos ad‑
constrangimento físico; Administração usa a quiridos, nos termos da Súmula 473 do STF; d) atos que
a Administração força multa ou outras integram um procedimento, pois cada novo ato gera
materialmente o penalidades preclusão com relação ao ato anterior; e) quando já se
administrado a fazer administrativas. Não
exauriu a competência em relação ao objeto do ato; f)
alguma coisa, utilizando há execução direta.
inclusive a força.
meros atos administrativos, pois os efeitos são estabele‑
MEIO COERCITIVO Direto – podem ser Indireto – vem cidos em lei.
utilizados sem previsão sempre definido em
legal para atender lei.
ITENS ANULAÇÃO OU REVOGAÇÃO
situação emergente que
INVALIDAÇÃO
ponha em risco
VÍCIO Ilegalidade ou Inoportuno ou
interesse da
Ilegitimidade inconveniente
coletividade.
SUJEITO Administração e Administração
Judiciário
EFEITOS Ex tunc – a partir da Ex nunc – a partir da
7.5 Extinção data da emissão. revogação.
São formas de extinção do ato administrativo: CONVALIDAÇÃO Não admite se o vício
Anulação: é a motivada pela ilegalidade; Revogação: é a for insanável.
DIREITO Não gera Respeita
motivada pela conveniência e/ou oportunidade da Ad‑
ADQUIRIDO
ministração; Cassação: quando o beneficiário descum‑ ABRANGÊNCIA Os efeitos produzidos Só se aplica aos atos
pre requisitos que permitem a manutenção do ato e de aos terceiros de boa-fé discricionários.
seus efeitos; Extinção Natural: é o cumprimento dos não serão desfeitos;
efeitos do ato; Extinção Subjetiva: é o desaparecimento abrangem atos
vinculados e
do beneficiário do ato; Extinção Objetiva: é o desapare‑ discricionários.
cimento do objeto do ato; Caducidade: nova legislação OBJETO Inválido Válido – editado em
impede a permanência da situação antes consentida pelo conformidade com a
poder público; Contraposição: extinção por ato super‑ lei.
veniente com fundamento em competência diversa de TIPO DE ATO Vinculado, mas quando Discricionário
o prejuízo resultante da
efeitos contrapostos; Renúncia: o beneficiário abre mão
anulação for maior que
de uma vantagem que antes desfrutava. aquele que decorre da
A Administração pode anular seus atos ilegais, de manutenção do ato
ofício (poder­‑dever de zelar pela observância do princí‑ ilegal, poderá deixar de
anular: desde que o ato
pio da legalidade) ou por provocação dos interessados. O não se origine de dolo,
Judiciário, também, pode anular atos administrativos não afete direito ou
ilegais, por provocação, em face do princípio da inafasta‑ interesses privados
bilidade da jurisdição prevista no artigo 5º, inciso legítimos nem cause
dano ao erário
XXXV, da CF.
(interesse público será
O direito da Administração de anular os atos admi‑ o norteador).
nistrativos de que decorram efeitos favoráveis para os FORMA Deve ser feita nos
destinatários decai em 5 anos, contados da data em que limites legais.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 22 22/3/2012 15:57:00


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 23

COMPETÊNCIA Só quem pratica o c) atos ordinatórios: são atos internos de rotina


ato ou quem tenha administrativa. São atos ordinatórios: instrução,
poderes para dele circular, aviso, portaria, ordem de serviço, ofí‑
conhecer de ofício ou cio e despacho;
por via de recurso.
d) atos enunciativos: são os que atestam ou cer‑
7.6 Desfazimento e sanatória tificam um fato ou uma situação. São atos enun‑
ciativos: certidão, atestado, parecer e apostila;
Os atos administrativos podem apresentar vícios e,
dependendo do caso, estes podem ser sanados. e) atos punitivos: são os que visam impor san‑
ções aos servidores ou administrados. São atos
Os vícios podem ser: a) de finalidade: desrespei‑ punitivos: multa, interdição e destruição.
to gera abuso de poder na modalidade desvio de finalida‑
de implicando a violação direta aos princípios da impes‑ 7.7.2 Moderna
soalidade e moralidade. Não admite convalidação, pois
é feita com base nos diversos critérios doutrinários.
não há mudança posterior da intenção do agente; b) de
competência: excesso de poder: o agente vai além do 1. Alcance: a) Atos gerais: são comandos gerais e
que a lei permite; excede os limites de sua competência; abstratos atingindo todos os administrados; não pos‑
usurpação de função: não foi investido em cargo, empre‑ suem destinatários determinados; visam dar fiel execu‑
go ou função; função de fato: investidura irregular ou ção à lei; necessitam ser publicados na imprensa oficial;
impedimento legal para a prática do ato. Não se admite não podem ser impugnados em juízo ou na esfera admi‑
convalidação quando for competência exclusiva e mate‑ nistrativa de forma direta pela pessoa lesada; revogabili‑
rial. A forma de convalidação é feita através da ratifica‑ dade incondicionada; b) Atos individuais: são os que
ção pela autoridade competente; c) de forma: é a ino‑ constituem ou declaram uma situação jurídica particu‑
bservância da forma; admite convalidação desde que a lar; possuem destinatários determinados ou determiná‑
forma não seja essencial para a validade do ato; d) de veis; necessitam ser publicados na imprensa oficial; po‑
motivo: são a ausência e a falsidade; não admite conva‑ dem ser impugnados; só podem ser revogados se não
lidação; e) de objeto: quando for ilícito, imoral, im‑ geraram direitos adquiridos.
possível ou indeterminado; não admite a convalidação. 2. Abrangência: a) Atos internos: produzem efei‑
tos no âmbito interno da Administração Pública; b) Atos
Sanatória é a correção do defeito existente no ato
externos: atingem os administrados em geral.
administrativo. A convalidação é possível, desde que
preenchidos os seguintes requisitos: a) não lesão ao inte‑ 3. Estrutura: a) Atos de império: são os praticados
resse público; b) não prejuízo a terceiros; c) ser defeito pela Administração Pública com supremacia; b) Atos de
sanável. Cabe ressaltar que os únicos defeitos sanáveis gestão: são os praticados sem supremacia; c) Atos de ex‑
são: a) de forma, quando não essencial ao ato e o b) de pediente: visam dar andamento aos serviços desenvolvi‑
competência, quando não for material nem exclusiva. dos por uma entidade, órgão ou repartição.
4. Vontade: a) Ato simples: depende da vontade
7.7 Classificação de um único órgão, unipessoal ou colegiado; b) Ato
complexo: depende da vontade de dois ou mais diferen‑
7.7.1 Tradicional: tes órgãos; c) Ato composto: depende da vontade de um
só órgão, mas para a produção dos efeitos depende de
É a feita com base na doutrina do saudoso Hely Lo‑
outro ato prévio ou posterior que o aprove. Existem dois
pes Meirelles. Segundo Hely, os atos podem ser: atos: um principal e outro acessório.
a) atos negociais: são manifestações unilaterais 5. Efeitos: a) Ato constitutivo: é o que cria uma
de vontade da Administração Pública coinciden‑ nova situação jurídica individual; b) Ato extintivo ou
tes com a pretensão do particular; produzem desconstitutivo: é o que finaliza situações jurídicas indi‑
efeitos concretos e individuais para o adminis‑ viduais existentes; c) Ato declaratório: é o que declara
trado. São atos negociais: licença, autorização, uma situação preexistente para preservar o direito do
permissão, aprovação, admissão, visto, homolo‑ administrado; d) Ato alienativo: é o que visa transferir
gação, dispensa, renúncia e protocolo adminis‑ bens ou direitos de um titular para outro; e) Ato modi‑
trativo; ficativo: é o que altera a situação, sem suprimi­‑la; f) Ato
b) atos normativos: são comandos gerais e abs‑ abdicativo: quando o titular abre mão do direito.
tratos aplicáveis a todos os administrados. São 6. Condição: a) Ato pendente: sujeito a um termo
atos normativos: decreto, regulamento, instru‑ ou condição; b) ato consumado ou exaurido: já produziu
ção, regimento, resolução e deliberação; todos os efeitos.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 23 22/3/2012 15:57:00


24 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

7. Outros: a) Ato unipessoal: depende de uma só que o particular exerça atividade ou utilize bem público
autoridade; b) ato pluripessoal: depende de várias pesso‑ no seu próprio interesse.
as integrantes de órgãos; c) ato revogável: pode extin‑ ­‑ Permissão: a Administração Pública consente
guir por motivo de conveniência e oportunidade; d) ato que particular exerça serviço de utilidade pública ou uti‑
irrevogável: não pode extinguir por motivo de conveni‑ lize de forma privativa bem público.
ência e oportunidade; e) ato de constatação: verifica e ­‑ Dispensa: exime o particular do cumprimento
proclama uma situação fática e jurídica ocorrente; f) ato de obrigação exigida pela lei.
de jurisdição: possui decisão sobre matéria controverti‑
­‑ Renúncia administrativa: o poder público ex‑
da; g) ato condição: é ato necessário para permitir a re‑
tingue de forma unilateral um direito próprio.
alização de outro ato; h) ato intermediário ou preparató‑
rio: concorre para a formação de um ato principal e ­‑ Protocolo Administrativo: o poder público
final; i) ato complementar: aprova ou ratifica o ato prin‑ acerta com o particular a realização de determinado em‑
cipal; j) ato principal: contém a manifestação de vontade preendimento ou atividade ou abstenção de certa conduta.
final da Administração Pública; k) ato de administração ­‑ Ordem de serviço: o superior hierárquico ex‑
ativa: cria uma utilidade pública; l) ato de administração pede diretrizes para a realização de serviços ou ativida‑
consultiva: informa, esclarece ou sugere providências des e determina o início da execução de contratos admi‑
para a prática de atos; m) ato de administração controla‑ nistrativos.
dora: impede ou permite a produção de ato de adminis‑ ­‑ Instrução: o superior hierárquico é o que fixa
tração ativa; n) ato de administração verificadora: apura diretrizes sobre o modo de realização de serviços ou ati‑
a existência de uma situação de fato ou de direito; o) ato vidades.
de administração contenciosa: decide assunto de nature‑ ­‑ Deliberação: é ato normativo ou decisório de
za litigiosa. órgão colegiado.
­‑ Resolução: é ato normativo editado por autori‑
7.8 Espécies dades de alto escalão ou dirigente de órgão colegiado que
­‑ Alvará: é o instrumento da licença ou autoriza‑ fixam normas sobre matéria de competência do órgão.
ção. ­‑ Regimento: normas de funcionamento interno
­‑ Despacho: contém decisão das autoridades ad‑ dos órgãos colegiados.
ministrativas. ­‑ Certidão: cópia do registro constante em algum
­‑ Circular: instrumento de transmissão de ordens livro público.
internas para subordinados. ­‑ Atestado: declaração da Administração sobre
­‑ Decreto: é forma dos atos gerais ou individuais uma situação de que tem conhecimento em razão da ati‑
emanados do Chefe do Poder Executivo. vidade de seus órgãos.
‑ Portaria: o chefe expede determinações gerais ­‑ Apostila: aditamento feito num ato ou contrato
ou especiais a seus subordinados ou designa servidores administrativo para retificação ou atualização ou com‑
para funções e cargos secundários ou se iniciam sindi‑ plementação.
câncias e processos administrativos.
­‑ Licença: a Administração faculta ao que preen‑
TIPO DE ATO NATUREZA DO ATO
che os requisitos legais o exercício de uma atividade. AUTORIZAÇÃO Discricionário
­‑ Visto: atesta a legitimidade formal de outro ato LICENÇA Vinculado
jurídico. ADMISSÃO Vinculado
­‑ Admissão: a Administração Pública reconhece PERMISSÃO Discricionário
ao particular que preencha os requisitos legais o direito APROVAÇÃO Discricionário
HOMOLOGAÇÃO Vinculado
à prestação de um serviço público.
PARECER Facultativo ou obrigatório ou vinculante
­‑ Aprovação: exerce o controle prévio ou poste‑ VISTO Vinculado
rior do ato administrativo.
­‑ Homologação: a Administração reconhece a 7.9 Exteriorização
legalidade de um ato jurídico. As formas mais rigorosas são exigidas quando este‑
­‑ Parecer: a Administração Pública emite opinião jam em jogo direitos dos administrados. Quando a lei
sobre assuntos técnicos ou jurídicos. exigir forma para o ato administrativo, a inobservância
­‑ Autorização: a Administração Pública consente de forma gera nulidade. Quando a lei não exigir forma

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 24 22/3/2012 15:57:00


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 25

para o ato administrativo, a Administração pode adotar Quanto à finalidade do ato, será discricionária na
a forma mais adequada para obter segurança jurídica de finalidade genérica e vinculada na finalidade específica.
acordo com os seus critérios de conveniência e oportu‑ Já na competência ou sujeito do ato, é sempre vinculado.
nidade. São possíveis de forma excepcional ordens não Se a lei estabelecer o momento da prática do ato, é
escritas, cartazes e placas. O silêncio é permitido como vinculado; se não estabelecer deixando a critério da AP
manifestação de vontade, desde que haja previsão legal. escolher o momento mais adequado, será discricioná‑
A motivação integra o conceito de forma; sua ausência
rio.
impede a verificação da legitimidade do ato.
A discricionariedade existe para evitar automatis‑
As formas podem ser: essenciais, quando afetam a
mo e a incapacidade da lei de traçar todas as condutas de
existência e validade do ato (estabelecida como garantia
um agente administrativo. Mas sofre limites: adequação
de respeito aos direitos individuais); e não essenciais,
quando não afetam a existência e validade do ato (diz da conduta à finalidade da lei; verificação dos motivos
respeito apenas ao ordenamento interno ou para facilitar inspiradores da conduta; proporcionalidade e razoabili‑
o andamento do serviço). dade.
Nesse contexto, podemos destacar a Teoria dos
7.10 Vinculação e discricionariedade Motivos Determinantes. Quando a Administração de‑
Se a lei não dá opções ao administrador público – clarar o motivo para o caso que não exige motivação ex‑
estabelece qual a forma de agir –, temos o poder vin‑ pressa: a) se o motivo existir e for legítimo, o ato será
culado. A lei estabelece a única solução possível diante válido; b) se o motivo não existir e for ilegítimo, o ato
da situação de fato; fixa todos os requisitos. O particular será nulo (será possível declarar sua invalidade).
tem direito subjetivo de exigir da autoridade a edição do Cabe ressaltar que mérito administrativo é o poder
ato, sob pena de correção judicial. conferido pela lei ao administrador de, nos atos discri‑
Se a lei dá opções ao administrador público – certa cionários, decidir sobre a conveniência e a oportunidade
margem de liberdade de decisão (escolha de acordo com de sua prática, na valoração dos motivos e na escolha do
os critérios de oportunidade, conveniência, justiça, objeto do ato. O Judiciário não aprecia mérito, mas pode
equidade) –, trata-se de poder discricionário. apreciar a legalidade dos atos discricionários.
Não existe poder totalmente discricionário, pois
alguns elementos são sempre vinculados: forma, finali‑ 8. SERVIÇO PÚBLICO
dade e competência. A discricionariedade deve ser exer‑
cida nos limites traçados na lei, sob pena de se configu‑ 8.1 Conceito
rar arbitrariedade. No Direito Brasileiro, adotamos na identificação do
Quando a lei prevê a forma o ato será vinculado; serviço público a corrente formalista, ou seja, a identifi‑
quando prevê mais de uma forma existe discricionarie‑ cação de um serviço como público depende da previsão
dade. legal ou constitucional. Serviço público é atividade pres‑
Em relação ao motivo do ato, serão vinculados: no‑ tada pelo Estado, de forma direta ou indireta, submetida
ções precisas, vocábulos unissignificativos, conceitos a um regime jurídico de direito público e que visa à sa‑
matemáticos que não dão margem a qualquer apreciação tisfação das necessidades da coletividade.
subjetiva; serão discricionários: quando a lei não definir
o motivo ou definir usando noções vagas, vocábulos plu‑ 8.2 Classificação
rissignificativos, conceitos jurídicos indeterminados,
que dão margem à apreciação subjetiva. a) I ndividual ou uti singuli ou singular: é
prestado a um número determinado ou determi‑
Quanto ao objeto ou conteúdo: será vinculado
nável de pessoas; é divisível, já que pode ser uti‑
quando a lei estabelecer apenas um objeto como possível
para atingir determinado fim; será discricionário quan‑ lizado de forma separada por cada usuário e pode
do houver vários objetos possíveis para atingir o fim. ser remunerado por taxa ou preço público.
Quando a lei usa conceitos que dependem de mani‑ b) Geral ou universal ou uti universi: é prestado
festação de órgão técnico não há discricionariedade. a um número indeterminado de pessoas; é indivi‑
Quando a lei usa conceitos cujo significado é extraído sível, já que não é possível identificar de forma
por critérios objetivos, práticos, extraídos da experiên‑ separada o usuário; é remunerado por impostos.
cia comum, que permitem concluir qual a única solução c) Próprio ou Típico: somente prestado por ór‑
possível. Quando há conceitos de valor, a discricionarie‑ gãos ou entidades públicas, em delegação a par‑
dade pode existir. ticulares.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 25 22/3/2012 15:57:00


26 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

d) Impróprio ou atípico: é o que o Estado não e) S egurança: O serviço público deve ser presta‑
executa, mas apenas autoriza, regulamenta e fis‑ do sem colocar em risco os usuários ou bens,
caliza. inclusive com manutenção dos equipamentos.
e) Propriamente estatal: é o serviço pró­ f) Eficiência: O serviço público deve ser prestado
‑comunidades, considerado essencial para a so‑ sem desperdício, sem onerar por falta de método
brevivência da sociedade. ou racionalização no seu desempenho.
f) De utilidade pública: é o serviço pró­‑cidadão, g) R  egularidade: O serviço público deve ser
considerado útil para a sociedade. prestado de acordo com os padrões de quantida‑
de e qualidade.
g) Administrativo: serve para atender às necessi‑
dades internas ou preparar serviços que são h) Continuidade: Não pode ser interrompido,
salvo situação de emergência, motivo técnico ou
prestados ao público.
de segurança das instalações ou falta de paga‑
h) Comercial ou industrial: serve para atender mento dos usuários.
às necessidades coletivas de ordem econômica. i) Igualdade dos usuários: Não é permitida dis‑
i) Social: atende às necessidades da coletividade. tinção de caráter pessoal.
j) Originário ou congênito: é próprio e privati‑ j) Mutabilidade do regime jurídico ou da
vo do Estado. flexibilidade dos meios aos fins: é possível
k) Derivado ou adquirido: é o que pode ser mudanças no regime de execução do serviço para
executado por particular. adaptação ao interesse público, que é variável no
l) Compulsório: é o de utilização compulsória, tempo.
remunerado por taxa, e na falta de pagamento k) Funcionamento eficiente: O serviço público
não pode ser interrompido. deve ser o melhor possível.
m) Facultativo: é o de utilização facultativa, re‑
8.5 Delegação
munerado por tarifa, e na falta de pagamento
pode ser interrompido. O serviço público pode ser prestado de duas for‑
n) Essencial: é o que por lei ou por sua natureza é mas: a) direta: é a prestada pela Administração Pública
Direta por meio de seus órgãos e agentes; há coincidên‑
de necessidade pública e de execução privativa
cia entre o titular do serviço e a pessoa jurídica presta‑
da Administração Pública.
dora do serviço; b) indireta: é prestada por terceiro, por
o) Não essencial: é o que por lei ou por sua natu‑ transferência do Estado.
reza é de utilidade pública e de execução facul‑ A prestação indireta ou descentralizada do serviço
tada aos particulares. público pode ser feita por: a) outorga: por meio de lei,
para entidades da Administração indireta: recebe a exe‑
8.3 Regulamentação e controle cução e a titulariedade do serviço; b) delegação: por
A regulamentação e controle do serviço público são meio de ato administrativo para particular recebe a exe‑
feitos pela União, Estados, Municípios e Distrito Fede‑ cução do serviço. O particular pode ser concessionário,
ral, de acordo com as regras de competência estabeleci‑ permissionário ou autorizatário de serviço público.
das na Constituição Federal (arts. 21 a 24 e 30). O con‑
trole visa adequação, perfeição e rapidez na prestação 8.6 Concessão
dos serviços públicos.
8.6.1 Conceito
8.4 Forma, meios e requisitos É a delegação de sua prestação, feita pelo poder
a) Modicidade: Os serviços públicos devem ser concedente, mediante licitação, na modalidade de con‑
prestados com taxas ou tarifas justas. corrência, à pessoa jurídica ou consórcio de empresas
que demonstre capacidade para seu desempenho, por
b) Cortesia: Os serviços públicos devem dar aos
sua conta e risco e por prazo determinado. A concessão
usuários um bom tratamento. pode ser precedida da execução de obra pública, ou seja,
c) G eneralidade: O serviço público deve ser de uma construção, total ou parcial, conservação, refor‑
prestado sem discriminação. ma, ampliação ou melhoramento de quaisquer obras de
d) Atualidade: A prestação dos serviços públicos interesse público.
deve acompanhar as modernas técnicas de ofe‑
recimento aos usuários, com a utilização de 8.6.2 Regulamentação
equipamentos modernos. As concessões de serviços públicos e de obras públi‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 26 22/3/2012 15:57:01


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 27

cas e as permissões de serviços públicos são regidas pelo 8.6.9 Tarifa do serviço público
art. 175 da Constituição Federal, pela Lei n. 8.987/95, Fixada pelo preço da proposta vencedora da licita‑
pelas normas legais pertinentes e pelas cláusulas dos in‑ ção e preservada pelas regras de revisão previstas na Lei
dispensáveis contratos. A União, os Estados, o Distrito n. 8.987/95, no edital e no contrato.
Federal e os Municípios promoverão a revisão e as adap‑
tações necessárias de sua legislação às prescrições desta 8.6.10 Revisão de tarifas
Lei, buscando atender às peculiaridades das diversas mo‑ Os contratos poderão prever mecanismos de revi‑
dalidades dos seus serviços. são das tarifas, a fim de manter­‑se o equilíbrio econômico­
‑financeiro. A criação, alteração ou extinção de quais‑
8.6.3 Fiscalização
quer tributos ou encargos legais, ressalvados os impostos
As concessões e permissões sujeitar­‑se­‑ão à fiscali‑ sobre a renda, após a apresentação da proposta, quando
zação pelo poder concedente responsável pela delegação, comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa,
com a cooperação dos usuários. para mais ou para menos, conforme o caso. Havendo al‑
teração unilateral do contrato que afete o seu inicial
8.6.4 Poder concedente
equilíbrio econômico­‑financeiro, o poder concedente
A União, o Estado, o Distrito Federal ou o Municí‑ deverá restabelecê­‑lo, concomitantemente à alteração.
pio, em cuja competência se encontre o serviço público, As tarifas poderão ser diferenciadas em função das carac‑
precedido ou não da execução de obra pública, objeto de terísticas técnicas e dos custos específicos provenientes
concessão ou permissão. do atendimento aos distintos segmentos de usuários.
8.6.5 Forma 8.6.11 Licitação
Contrato, que deverá observar os termos desta Lei Toda concessão de serviço público, precedida ou
n. 8.987/95, das normas pertinentes e do edital de lici‑ não da execução de obra pública, será objeto de prévia
tação. licitação, nos termos da legislação própria e com obser‑
vância dos princípios da legalidade, moralidade, publici‑
8.6.6 Ato anterior ao edital
dade, igualdade, do julgamento por critérios objetivos e
O poder concedente publicará, previamente ao edi‑ da vinculação ao instrumento convocatório. No proce‑
tal de licitação, ato justificando a conveniência da outor‑ dimento da licitação, o poder concedente recusará pro‑
ga de concessão ou permissão, caracterizando seu obje‑ postas manifestamente inexequíveis ou financeiramente
to, área e prazo. incompatíveis com os objetivos da licitação. Em igualda‑
de de condições, será dada preferência à proposta apre‑
8.6.7 Direitos e obrigações dos usuários sentada por empresa brasileira.
I – receber serviço adequado; II – receber do poder Encerrada a fase de classificação das propostas ou o
concedente e da concessionária informações para a defe‑ oferecimento de lances, será aberto o invólucro com os
sa de interesses individuais ou coletivos;  III – obter e documentos de habilitação do licitante mais bem classi‑
utilizar o serviço, com liberdade de escolha entre vários ficado, para verificação do atendimento das condições
prestadores de serviços, quando for o caso, observadas fixadas no edital. Após verificado o atendimento das exi‑
as normas do poder concedente; IV – levar ao conheci‑ gências do edital, o licitante será declarado vencedor. Se
mento do poder público e da concessionária as irregula‑ o licitante melhor classificado for inabilitado, serão ana‑
ridades de que tenham conhecimento, referentes ao ser‑ lisados os documentos do licitante com a proposta clas‑
viço prestado; V – comunicar às autoridades competentes sificada em segundo lugar, e assim sucessivamente, até
os atos ilícitos praticados pela concessionária na presta‑ que um licitante classificado atenda às condições fixadas
ção do serviço; VI – contribuir para a permanência das no edital. Após proclamação do resultado final, o objeto
boas condições dos bens públicos através dos quais lhes será adjudicado ao vencedor nas condições técnicas e
são prestados os serviços. econômicas por ele ofertadas.

8.6.8 Obrigação das concessionárias em relação 8.6.12 Cláusulas essenciais


ao consumidor I – ao objeto, área e prazo da concessão; II – ao
São obrigadas a oferecer ao consumidor e ao usuá‑ modo, forma e condições de prestação do serviço; III –
rio, dentro do mês de vencimento, o mínimo de seis da‑ aos critérios, indicadores, fórmulas e parâmetros defini‑
tas opcionais para escolherem os dias de vencimento de dores da qualidade do serviço; IV – ao preço do serviço
seus débitos.   e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revi‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 27 22/3/2012 15:57:01


28 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

são das tarifas; V – aos direitos, garantias e obrigações prestação do serviço, nos casos e condições previstos em
do poder concedente e da concessionária, inclusive os lei; IV – extinguir a concessão, nos casos previstos nesta
relacionados às previsíveis necessidades de futura altera‑ Lei e na forma prevista no contrato; V – homologar rea‑
ção e expansão do serviço e consequente modernização, justes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei,
aperfeiçoamento e ampliação dos equipamentos e das das normas pertinentes e do contrato; VI – cumprir e
instalações; VI – aos direitos e deveres dos usuários para fazer cumprir as disposições regulamentares do serviço
obtenção e utilização do serviço; VII – à forma de fisca‑ e as cláusulas contratuais da concessão; VII – zelar pela
lização das instalações, dos equipamentos, dos métodos boa qualidade do serviço, receber, apurar e solucionar
e práticas de execução do serviço, bem como a indicação queixas e reclamações dos usuários, que serão cientifica‑
dos órgãos competentes para exercê­‑la; VIII – às penali‑ dos, em até trinta dias, das providências tomadas; VIII
dades contratuais e administrativas a que se sujeitam a – declarar de utilidade pública os bens necessários à exe‑
concessionária e sua forma de aplicação;  IX – aos casos cução do serviço ou obra pública, promovendo as desa‑
de extinção da concessão; X – aos bens reversíveis; XI propriações, diretamente ou mediante outorga de pode‑
– aos critérios para o cálculo e a forma de pagamento das res à concessionária, caso em que será desta a
indenizações devidas à concessionária, quando for o responsabilidade pelas indenizações cabíveis; IX – decla‑
caso; XII – às condições para prorrogação do contrato; rar de necessidade ou utilidade pública, para fins de ins‑
XIII – à obrigatoriedade, forma e periodicidade da pres‑
tituição de servidão administrativa, os bens necessários
tação de contas da concessionária ao poder concedente;
à execução de serviço ou obra pública, promovendo­‑a
XIV – à exigência da publicação de demonstrações finan‑
diretamente ou mediante outorga de poderes à conces‑
ceiras periódicas da concessionária; e XV – ao foro e ao
sionária, caso em que será desta a responsabilidade pelas
modo amigável de solução das divergências contratuais.
indenizações cabíveis; X – estimular o aumento da qua‑
Os contratos relativos à concessão de serviço públi‑ lidade, produtividade, preservação do meio ambiente e
co precedido da execução de obra pública deverão, adi‑
conservação; XI – incentivar a competitividade; e XII –
cionalmente: I – estipular os cronogramas físico­
estimular a formação de associações de usuários para
‑financeiros de execução das obras vinculadas à
defesa de interesses relativos ao serviço.
concessão; e II – exigir garantia do fiel cumprimento,
pela concessionária, das obrigações relativas às obras
8.6.17 Encargos da concessionária
vinculadas à concessão.
I – prestar serviço adequado, na forma prevista na
8.6.13 Arbitragem Lei n. 8.987/95, nas normas técnicas aplicáveis e no
O contrato de concessão poderá prever o emprego contrato; II – manter em dia o inventário e o registro
de mecanismos privados para resolução de disputas de‑ dos bens vinculados à concessão; III – prestar contas da
correntes ou relacionadas ao contrato, inclusive a arbi‑ gestão do serviço ao poder concedente e aos usuários,
tragem, a ser realizada no Brasil e em língua portuguesa, nos termos definidos no contrato; IV – cumprir e fazer
nos termos da Lei n. 9.307, de 23 de setembro de 1996. cumprir as normas do serviço e as cláusulas contratuais
da concessão; V – permitir aos encarregados da fiscali‑
8.6.14 Dever da concessionária zação livre acesso, em qualquer época, às obras, aos
Responder por todos os prejuízos causados ao po‑ equipamentos e às instalações integrantes do serviço,
der concedente, aos usuários ou a terceiros, sem que a bem como a seus registros contábeis; VI – promover as
fiscalização exercida pelo órgão competente exclua ou desapropriações e constituir servidões autorizadas pelo
atenue essa responsabilidade. poder concedente, conforme previsto no edital e no
contrato; VII – zelar pela integridade dos bens vincula‑
8.6.15 Subconcessão dos à prestação do serviço, bem como segurá­‑los ade‑
é admitida nos termos previstos no contrato de quadamente; e VIII – captar, aplicar e gerir os recursos
concessão, desde que expressamente autorizada pelo po‑ financeiros necessários à prestação do serviço. As con‑
der concedente. A outorga de subconcessão será sempre tratações, inclusive de mão de obra, feitas pela conces‑
precedida de concorrência. O subconcessionário se sub­ sionária serão regidas pelas disposições de direito priva‑
‑rogará a todos os direitos e obrigações da subconceden‑ do e pela legislação trabalhista, não se estabelecendo
te dentro dos limites da subconcessão. qualquer relação entre os terceiros contratados pela con‑
cessionária e o poder concedente.
8.6.16 Encargos do poder concedente
I – regulamentar o serviço concedido e fiscalizar 8.6.18 Intervenção
permanentemente a sua prestação; II – aplicar as penali‑ O poder concedente poderá intervir na concessão,
dades regulamentares e contratuais; III – intervir na com o fim de assegurar a adequação na prestação do ser‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 28 22/3/2012 15:57:01


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 29

viço, bem como o fiel cumprimento das normas contra‑ tal ou parcial do contrato ou quando houver transferên‑
tuais, regulamentares e legais pertinentes. A interven‑ cia de concessão ou do controle societário da concessio‑
ção é feita por decreto do poder concedente, que conterá nária sem prévia anuência do poder concedente; a
a designação do interventor, o prazo da intervenção e os declaração da caducidade da concessão deverá ser pre‑
objetivos e limites da medida. O procedimento adminis‑ cedida da verificação da inadimplência da concessioná‑
trativo da intervenção deve ser concluído no prazo de até ria em processo administrativo, assegurado o direito de
180 dias, sob pena de invalidade da intervenção. ampla defesa. Não será instaurado processo administra‑
Declarada a intervenção, o poder concedente deve‑ tivo de inadimplência antes de comunicados à conces‑
rá, no prazo de 30 dias, instaurar procedimento admi‑ sionária, detalhadamente, os descumprimentos contra‑
nistrativo para comprovar as causas determinantes da tuais, dando­‑lhe um prazo para corrigir as falhas e
medida e apurar responsabilidades, assegurado o direito transgressões apontadas e para o enquadramento, nos
de ampla defesa. termos contratuais. Instaurado o processo administrati‑
Se ficar comprovado que a intervenção não obser‑ vo e comprovada a inadimplência, a caducidade será de‑
vou os pressupostos legais e regulamentares, será decla‑ clarada por decreto do poder concedente, independen‑
rada sua nulidade, devendo o serviço ser imediatamente temente de indenização prévia, calculada no decurso do
devolvido à concessionária, sem prejuízo de seu direito à processo;
indenização. IV – rescisão: por iniciativa da concessionária, no
Cessada a intervenção, se não for extinta a concessão, caso de descumprimento das normas contratuais pelo
a administração do serviço será devolvida à concessioná‑ poder concedente, mediante ação judicial especialmente
ria, precedida de prestação de contas pelo interventor, que intentada para esse fim. Os serviços prestados pela con‑
responderá pelos atos praticados durante a sua gestão. cessionária não poderão ser interrompidos ou paralisa‑
dos até a decisão judicial transitada em julgado;
8.6.19 Extinção da concessão V – anulação: por motivo de ilegalidade; e
No caso de extinção do contrato de concessão de VI – falência ou extinção da empresa concessioná‑
serviço público, é possível afirmar a existência dos se‑ ria e falecimento ou incapacidade do titular, no caso de
guintes efeitos: empresa individual.
a) r etornam ao poder concedente todos os bens re‑
8.7 Permissão
versíveis, direitos e privilégios transferidos ao
concessionário conforme previsto no edital e es‑
8.7.1 Conceito
tabelecido no contrato;
é a delegação, a título precário, mediante licitação,
b) haverá a imediata assunção do serviço pelo poder
da prestação de serviços públicos, feita pelo poder con‑
concedente, procedendo­‑se aos levantamentos,
cedente à pessoa física ou jurídica que demonstre capaci‑
avaliações e liquidações necessários. A assunção
dade para seu desempenho, por sua conta e risco.
do serviço autoriza a ocupação das instalações e
a utilização, pelo poder concedente, de todos os 8.7.2 Forma
bens reversíveis;
Será formalizada mediante contrato de adesão, que
c) no caso de reversão no advento do termo contra‑ observará os termos da Lei n. 8.987/95, das demais nor‑
tual há a indenização das parcelas dos investi‑ mas pertinentes e do edital de licitação, inclusive quanto
mentos vinculados a bens reversíveis, ainda não à precariedade e à revogabilidade unilateral do contrato
amortizados ou depreciados, que tenham sido pelo poder concedente.
realizados com o objetivo de garantir a continui‑
dade e atualidade do serviço concedido. 8.8 Autorização
São formas de extinção do contrato de concessão de A autorização é um ato administrativo precário (re‑
serviço público: vogável a qualquer tempo), unilateral, discricionário e
I – advento do termo contratual; que tem como função consentir a prática de uma ativida‑
II – encampação: retomada do serviço pelo poder de por um particular.
concedente durante o prazo da concessão, por motivo de Cabe ressaltar que nem sempre será discricionário,
interesse público, mediante lei autorizativa específica e como, por exemplo, na autorização de serviço de teleco‑
após prévio pagamento da indenização; municação, no qual a Lei n. 9.472/97 coloca como ato
III – caducidade: é a motivada pela inexecução to‑ vinculado.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 29 22/3/2012 15:57:01


30 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

Há divergência na doutrina, em relação à autoriza‑ adotada na época dos Estados Absolutos. Não foi acolhi‑
ção de serviço público, com os seguintes posicionamen‑ da no direito brasileiro.
tos: a) não existência, já que o art. 175 da Constituição
Federal não menciona autorização, mas apenas a conces‑ 9.2.2.2 Civilista ou subjetiva
são e permissão; b) existência, já que há previsão no art. o Estado tem a obrigação de indenizar, desde que
21 da CF, nas hipóteses de telecomunicação, de radiodi‑ demonstrada culpa ou dolo do agente público causador
fusão sonora de sons e imagens, de instalações de energia do dano.
elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de
água, a navegação aérea, aeroespacial e a infraestrutura 9.2.2.3 Responsabilidade pelos atos de gestão
aeroportuária, os serviços de transporte ferroviário e o Estado tem a obrigação de indenizar somente
aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacio‑ quando praticar atos de gestão, atos de direito privado,
nais, ou que transponham os limites de Estado ou Terri‑ realizados em situação de igualdade com os particulares.
tório, os serviços de transporte rodoviário interestadual
e internacional de passageiros, e os portos marítimos, 9.2.2.4 Culpa do serviço
fluviais e lacustres. o Estado tem a obrigação de indenizar quando o
Além dos casos previstos no artigo 21 da CF, a au‑ serviço público não funcionou, ou funcionou atrasado,
torização de serviço público também só será aceitável ou funcionou mal.
nos casos de serviço transitório ou emergencial, e nunca
para necessidade permanente, sob pena de violar a ne‑ 9.2.2.5 Risco
cessidade de licitação. o Estado tem a obrigação de indenizar quando
houver fato lesivo da Administração Pública por ação ou
9. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO omissão. A responsabilidade surge quando comprovar
fato do serviço e o nexo de causalidade entre o fato e o
9.1 Conceito dano ocorrido. A teoria do risco abrange duas vertentes:
a) a do risco administrativo: permite excludentes na res‑
É a obrigação do Estado de indenizar em razão de
ponsabilidade do Estado; b) risco integral: não reconhe‑
inexecução contratual (responsabilidade contratual) ou
ce excludentes.
de comportamento de agente público do Executivo, Le‑
gislativo ou Judiciário (responsabilidade extracontratual
ou aquiliana). ITENS RISCO INTEGRAL RISCO
ADMINISTRATIVO
9.2 Responsabilidade Extracontratual EXCLUDENTES Não admite Admite
CARACTERÍSTICA É a teoria brutal. É a teoria adotada
na maioria dos
9.2.1 Características
países.
é responsabilidade de ordem pecuniária, decorren‑
te da prática de atos comissivos ou omissivos, lícitos ou
ilícitos do agente público, no exercício da função, desde 9.2.3 Teoria adotada no Direito Brasileiro
que gere dano a terceiros.
No Direito Brasileiro, podemos afirmar que adota‑
mos as seguintes teorias:
ITENS ATO LÍCITO ATO ILÍCITO
a) Subjetiva: no caso de omissão do Estado no ser‑
NOME DA Indenização Ressarcimento
REPARAÇÃO
viço público que evitaria o dano (dano causado por ato
DO DANO de terceiros ou fenômenos da natureza) e quando houver
FUNDAMENTO Princípio da distribuição Violação da ação regressiva do Estado contra o agente público causa‑
igualitária do ônus e legalidade ou dor do dano.
encargos a que estão moralidade.
b) Objetiva na modalidade Risco Integral: no caso
sujeitos os administrados.
de atos terroristas, dano ambiental e dano nuclear.
9.2.2 Teorias c) Objetiva na modalidade risco administrativo: de‑
mais casos que não forem da subjetiva e do risco integral.
9.2.2.1 Irresponsabilidade
O Estado não tem a obrigação de indenizar, pois tal 9.2.4 Elementos da responsabilidade objetiva
ideia representaria colocar o Estado no mesmo nível do a) Pessoa jurídica de direito público (União, Esta‑
súdito, em desrespeito à sua soberania. Foi uma teoria do, Distrito Federal, Município, autarquia, fun‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 30 22/3/2012 15:57:01


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 31

dação pública ou agência) ou pessoa jurídica de legislativos: quando houver a edição de leis inconstitu‑
direito privado prestadora de serviço público cionais e leis de efeitos concretos; c) Atos jurisdicionais:
(empresa pública, sociedade de economia mista, quando houver a prática de atos não jurisdicionais; erro
fundação governamental de direito privado, con‑ judiciário; excesso de prazo na prisão; responsabilidade
cessionária, permissionária e autorizatárias de pessoal do juiz no caso de dolo, fraude.
serviço público).
b) ocorrência de dano a terceiro, ou seja, um pre‑ 10. CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
juízo sofrido por alguém em decorrência da ação
do Estado; o dano deve ser certo, especial, anor‑ 10.1 Introdução
mal, referente à situação protegida pelo direito e Controle da Administração Pública é o conjunto de
de valor economicamente apreciável. mecanismos por meio dos quais se exerce o poder de
c) dano decorrer da prestação do serviço público. fiscalização e correção da atividade administrativa em
d) o causador do dano deve ser um agente público, qualquer das esferas de poder com objetivo de garantir a
ou seja, pessoa que preste serviços ao Estado. sua atuação com os princípios.
e) nexo de causalidade entre a ação do agente pú‑ O controle é exercido por todos os poderes do Es‑
blico e o dano causado a terceiro. tado, sobre quem exerce atividade administrativa. É
f) Em relação às excludentes, na teoria do risco ad‑ poder-dever, que não pode ser renunciado, sob pena de
ministrativo, é a culpa exclusiva da vítima. No responsabilização do órgão omisso, além de ser princípio
caso do Estado responsável na guarda de pessoas fundamental da Administração Pública.
ou coisa sob sua custódia, a excludente é a força O controle é regido pelos seguintes princípios: a)
maior. Legalidade: o controle deve ser exercido nos termos da
lei; b) Políticas administrativas: o controle deve ser
9.2.5 Ação regressiva exercido de forma eficiente, rápida e de acordo com o
é a ação proposta pela Administração Pública em interesse público.
face do agente público, causador do dano, visando obter o O controle possui as seguintes espécies: 1. Quanto
pagamento da importância usada no ressarcimento de à amplitude: a) Controle hierárquico: É feito do supe‑
uma vítima, desde que comprovados dois requisitos: a) a rior sobre os atos praticados pelos subalternos. É contro‑
Administração Pública tenha sido condenada a indenizar le pleno, interno, permanente e automático (independe
a vítima pelo dano; b) demonstrar culpa ou dolo do agen‑ de norma específica), que abrange aspectos de legalida‑
te em razão do dano. É ação de natureza civil, transmitida de e mérito; b) Controle finalístico ou tutela: é o exer‑
a herdeiros, respeitado o limite do valor do patrimônio cido pela Administração direta sobre a Administração
transferido. Pode ser proposta, mesmo depois de termi‑ indireta. É controle que depende de norma legal; limita‑
nado o vínculo entre o servidor e a Administração Públi‑ do, externo e teleológico. Na área federal é chamado de
ca. É imprescritível. supervisão ministerial. Quando é exercido sem previsão
legal em situações excepcionais, é chamado de tutela ex‑
9.2.6 Reparação do dano traordinária. 2. Quanto à origem ou extensão: a) Con‑
A Administração Pública pode ressarcir a vítima de trole interno: é o exercido dentro de um mesmo poder;
forma amigável ou mediante propositura de ação de in‑ b) Controle externo: é o exercido por um poder sobre
denização. O valor da indenização abrange os danos os atos administrativos praticados por outro poder ou da
emergentes e lucros cessantes; se houve morte, as despe‑ Administração direta sobre a Administração indireta; c)
sas do sepultamento e da prestação alimentícia. Cabe Controle popular: é o exercido pelo administrado. 3.
denunciação da lide, se na ação de indenização for men‑ Quanto ao objeto: a) Controle da legalidade: é o que
cionada a culpa do agente público. O prazo prescricional verifica a conformidade do ato com a lei ou Constitui‑
é de 5 anos, não obstante parte da doutrina sustentar o ção. A confirmação da validade do ato ou a rejeição do
prazo de 3 anos, nos termos do Código Civil. ato que implica sua anulação com efeitos ex tunc; b) Con‑
trole de mérito: é o que verifica a eficiência, oportuni‑
9.2.7 Outros casos dade e conveniência do ato controlado. É feito pelo pró‑
a) Obra Pública: pelo fato da obra, responde so‑ prio poder que editou o ato. 4. Quanto ao momento de
mente a Administração, de acordo com a teoria objetiva; exercício: a) Controle prévio ou preventivo ou a priori: é
se houver dolo ou culpa da empreiteira, a responsabilida‑ o exercido antes do início da prática do ato ou antes da
de é solidária da Administração e empreiteira; b) Atos conclusão deste; b) Controle concomitante: é o exerci‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 31 22/3/2012 15:57:01


32 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

do durante a realização do ato; c) Controle subsequente dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qual‑
ou corretivo ou subsequente ou a posteriori: é o exercido quer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual
após a conclusão do ato. ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem
em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se
10.2 Controle parlamentar originaram”. Não se aplica a prescrição quinquenal
É exercido pelo Legislativo nos casos previstos na quando se trata de ação real, em que o prazo de prescri‑
Constituição Federal. Pode ser: 1) político: verifica o ção é de 10 anos (art. 205 do CC).
comportamento do administrador público; 2) financei‑ ­– Pagamento das despesas judiciais: nos ter‑
ra: verifica as contas públicas, com auxílio do Tribunal mos do art. 27 do CPC, as despesas dos atos processuais
de Contas. efetuadas a requerimento do Ministério Público ou da
Fazenda serão pagas ao final pelo vencido. O art. 1º­‑A da
10.3 Controle judicial Lei n. 9.494/97 determina que “estão dispensados de
É o exercido pelo Judiciário sobre sua atividade ad‑ depósito prévio, para interposição de recurso, as pessoas
ministrativa, a exercida pelo Executivo e Legislativo. No jurídicas de direito público federais, estaduais, distritais
Direito Brasileiro, adotamos o sistema administrativo in‑ e municipais”.
glês, conforme o art. 5º, XXXV, da CF, em que somente – Restrições à concessão de liminar e à tute‑
o judiciário tem o poder de apreciar com força de coisa la antecipada: a Lei n. 8.437/92 impede a concessão
julgada lesão ou ameaça de lesão a direitos individuais ou de medida liminar contra atos do Poder Público, no pro‑
coletivos. Para o acesso ao Judiciário não é obrigatório o cedimento cautelar ou em quaisquer outras ações de na‑
esgotamento das vias administrativas, salvo em dois ca‑ tureza cautelar ou preventiva, toda vez que providência
sos: a) disciplina e competição esportivas; b) habeas data. semelhante não puder ser concedida em mandado de se‑
Não pode o Judiciário apreciar o mérito administrativo. gurança, em virtude de vedação legal.
Pode apreciar a razoabilidade, proporcionalidade, legali‑ ­– Restrições à execução provisória: em maté‑
dade, moralidade, desvio de finalidade do ato. ria de mandado de segurança, o art. 5º, parágrafo único,
No controle judicial, poderão ser ressaltadas as se‑ da Lei n. 4.348/64, determina que, quando o seu objeto
guintes prerrogativas da Administração Pública em juí‑ for a reclassificação ou equiparação de servidores públi‑
zo: cos, ou a concessão de aumento ou extensão de vanta‑
– Juízo privativo. Na esfera federal, é a Justiça gens, a execução do mandado somente será feita depois
Federal; excetuam­‑se apenas as causas referentes à falên‑ de transitada em julgado a respectiva sentença.
cia e as de acidente de trabalho (justiça comum) e as re‑
lativas à Justiça Eleitoral e Justiça do Trabalho. Nos de‑ 10.4 Controle administrativo
mais âmbitos de governo, existe a Vara da Fazenda Controle administrativo é o exercido pela Admi‑
Pública. nistração Pública sobre os seus próprios atos, de ofício
– Prazos dilatados. Pelo art. 188 do CPC, a Fa‑ ou por provocação. Os meios de controle são: a) fiscali‑
zenda Pública e o Ministério Público têm prazo em quá‑ zação hierárquica: é exercida pelo superior sobre atos do
druplo para contestar e em dobro para recorrer. A Lei n. subalterno; b) Controle: é exercido pela Administração
9.469/97 estendeu igual benefício às autarquias e funda‑ direta sobre a Administração indireta; c) Recursos Ad‑
ções públicas. ministrativos: meios de reexame das decisões adminis‑
­– Duplo grau de jurisdição obrigatório: não trativas; são as espécies:
produz efeitos, senão depois de confirmada pelo tribu‑ ­– Pedido de reconsideração administrativa:
nal, a sentença proferida contra a União, o Estado, o DF, é o reexame do ato pela mesma autoridade que expediu
os Municípios e as respectivas autarquias e fundações de o ato. O prazo da decisão é de 30 dias, salvo disposição
direito público, bem como a que julgar improcedente, de lei em contrário. Pode ser feito por qualquer pessoa
no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida física ou jurídica. Não pode ser renovado. O prazo pres‑
ativa da Fazenda Pública. cricional é de 1 ano, salvo disposição de lei em contrário.
– Processo especial de execução: o art. 100 Não suspende ou interrompe prescrição ou ainda altera
da Constituição prevê processo especial de execução os prazos de interposição dos recursos hierárquicos.
contra a Fazenda Federal, Estadual e Municipal e abran‑ – Representação: é denunciar irregularidades
ge todas as entidades de direito público. nos atos da Administração Pública. Pode ser proposta a
– Prescrição quinquenal: nos termos do art. 1º qualquer tempo, por qualquer pessoa, ainda que não afe‑
do Decreto n. 20.910/32, “as dívidas passivas da União, tada pela irregularidade ou pela conduta abusiva. A Ad‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 32 22/3/2012 15:57:01


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 33

ministração tem o poder-dever de averiguar e punir os omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimo‑
responsáveis em nome do princípio da legalidade, sob nial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapida‑
pena de condescendência criminosa. ção dos bens ou haveres das entidades; c) Ato de impro‑
­– Reclamação administrativa: é pedir reco‑ bidade administrativa que atenta contra os princípios da
nhecimento de direito ou correção de ato que cause le‑ administração pública: é qualquer ação ou omissão que
são ou ameaça de lesão a direito. O prazo de sua propo‑ viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legali‑
situra é de 1 ano, salvo lei em contrário, contado do ato dade e lealdade às instituições.
ou atividade lesiva. Pode ser feita por particular ou ser‑
10.5.4 Sanções
vidor público.
­– Recurso hierárquico: é o reexame de uma de‑ As sanções da perda da função pública e a suspensão
cisão administrativa por autoridade superior à autoridade dos direitos políticos só se efetivam com o trânsito em
que proferiu a decisão. Se a autoridade que examinará o julgado da sentença condenatória.
recurso e a que proferiu a decisão pertencem ao mesmo
órgão, o recurso é hierárquico próprio; se pertencerem a ITENS ENRIQUECIMENTO LESÃO PRINCÍPIOS
órgãos diferentes, o recurso é hierárquico impróprio. PERDA DE BENS Sim Sim, se Não
OU VALORES houver.
10.5 Improbidade administrativa RESSARCIMENTO Sim, quando Sim Sim, se
DO DANO houver. houver.
PERDA DA Sim Sim Sim
10.5.1 Conceito
FUNÇÃO PÚBLICA
Improbidade administrativa é agir em desconfor‑ SUSPENSÃO DOS 8 a 10 anos 5a8 3 a 5 anos
midade com os princípios éticos, da lealdade, boa-fé e de DIREITOS anos
regras de boa administração e disciplina interna. POLÍTICOS
MULTA CIVIL 3 vezes o 2 vezes o 100 vezes a
acréscimo valor do remuneração.
10.5.2 Sujeitos da improbidade
patrimonial. dano.
O sujeito ativo pode ser qualquer agente público, PROIBIÇÃO DE 10 anos 5 anos 3 anos
servidor ou não, bem como o particular, quando induzir CONTRATAR
ou concorrer para a prática do ato de improbidade ou
dele se beneficiar sob qualquer forma direta ou indireta. 10.5.5 Aplicação das sanções
O sujeito passivo é a Administração direta, indireta ou Na fixação das penas previstas nesta lei o juiz leva‑
fundacional de qualquer dos Poderes da União, dos Esta‑ rá em conta a extensão do dano causado, assim como o
dos, do Distrito Federal, dos Municípios, de Território, proveito patrimonial obtido pelo agente. A aplicação
de empresa incorporada ao patrimônio público ou de en‑ das sanções previstas nesta lei independe: I – da efetiva
tidade para cuja criação ou custeio o erário haja concor‑ ocorrência de dano ao patrimônio público, salvo quan‑
rido ou concorra com mais de cinquenta por cento do to à pena de ressarcimento; II – da aprovação ou rejei‑
patrimônio ou da receita anual. É também sujeito passi‑ ção das contas pelo órgão de controle interno ou pelo
vo, entidade cujo patrimônio receba subvenção, benefí‑ Tribunal ou Conselho de Contas.
cio ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgão público,
bem como daquelas para cuja criação ou custeio o erário 10.5.6 Da declaração de bens
haja concorrido ou concorra com menos de cinquenta a posse e o exercício de agente público ficam con‑
por cento do patrimônio ou da receita anual, limitando­ dicionados à apresentação de declaração dos bens e valo‑
‑se, nesses casos, a sanção patrimonial à repercussão do res que compõem o seu patrimônio privado, a fim de ser
ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos. arquivada no serviço de pessoal competente. A declara‑
ção compreenderá imóveis, móveis, semoventes, dinhei‑
10.5.3 Atos de improbidade administrativa ro, títulos, ações e qualquer outra espécie de bens e va‑
A Lei n. 8.429/92 prevê três espécies de atos de lores patrimoniais, localizada no País ou no exterior, e,
improbidade administrativa: a) Ato de improbidade ad‑ quando for o caso, abrangerá os bens e valores patrimo‑
ministrativa importando enriquecimento ilícito: é aufe‑ niais do cônjuge ou companheiro, dos filhos e de outras
rir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em pessoas que vivam sob a dependência econômica do de‑
razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego clarante, excluídos apenas os objetos e utensílios de uso
ou atividade nas entidades; b) Ato de improbidade admi‑ doméstico. A declaração de bens será anualmente atuali‑
nistrativa que causa lesão ao erário: é qualquer ação ou zada e na data em que o agente público deixar o exercício

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 33 22/3/2012 15:57:02


34 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

do mandato, cargo, emprego ou função. Será punido com documentos e justificações, dentro do prazo de
com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem quinze dias. Recebida a manifestação, o juiz, no prazo de
prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que trinta dias, em decisão fundamentada, rejeitará a ação, se
se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo convencido da inexistência do ato de improbidade, da im‑
determinado, ou que a prestar falsa. procedência da ação ou da inadequação da via eleita. Re‑
cebida a petição inicial, será o réu citado para apresentar
10.5.7 Competência contestação. Da decisão que receber a petição inicial ca‑
A propositura da ação prevenirá a jurisdição do ju‑ berá agravo de instrumento. Em qualquer fase do proces‑
ízo para todas as ações posteriormente intentadas que so, reconhecida a inadequação da ação de improbidade, o
possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto. juiz extinguirá o processo sem julgamento do mérito. No
caso da ação principal ter sido proposta pelo Ministério
10.5.8 Do Procedimento administrativo Público, a pessoa jurídica interessada poderá se abster de
Qualquer pessoa poderá representar à autoridade contestar o pedido ou atuar ao lado do autor como litis‑
consorte, desde que se afigure útil ao interesse público, a
administrativa competente para que seja instaurada in‑
juízo do respectivo representante legal ou dirigente.
vestigação destinada a apurar a prática de ato de impro‑
bidade. A representação, que será escrita ou reduzida a 10.5.10 Das disposições penais
termo e assinada, conterá a qualificação do representan‑
te, as informações sobre o fato e sua autoria e a indicação Constitui crime a representação por ato de impro‑
bidade contra agente público ou terceiro beneficiário,
das provas de que tenha conhecimento. A autoridade ad‑
quando o autor da denúncia o sabe inocente. Pena: de‑
ministrativa rejeitará a representação, em despacho fun‑
tenção de seis a dez meses e multa. Além da sanção pe‑
damentado, se esta não contiver as formalidades legais.
nal, o denunciante está sujeito a indenizar o denunciado
A rejeição não impede a representação ao Ministério Pú‑
pelos danos materiais, morais ou à imagem que houver
blico. Atendidos os requisitos da representação, a autori‑
provocado.
dade determinará a imediata apuração dos fatos que, em
se tratando de servidores federais, será processada na 10.5.11. Medidas cautelares
forma prevista nos arts. 148 a 182 da Lei n. 8.112, de 11
Todas as medidas cautelares dependem de decreto
de dezembro de 1990 e, em se tratando de servidor mi‑
judicial, exceto o afastamento do agente público: a)
litar, de acordo com os respectivos regulamentos disci‑
Afastamento cautelar: a autoridade judicial ou adminis‑
plinares. Após a instauração do procedimento adminis‑
trativa competente poderá determinar o afastamento do
trativo, a comissão processante dará conhecimento ao
agente público do exercício do cargo, emprego ou fun‑
Ministério Público e ao Tribunal ou Conselho de Contas
ção, sem prejuízo da remuneração, quando a medida se
da existência de procedimento administrativo para apu‑
fizer necessária à instrução processual; b) Sequestro: ha‑
rar a prática de ato de improbidade. O Ministério Públi‑
vendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão
co ou Tribunal ou Conselho de Contas poderá, a reque‑
representará ao Ministério Público ou à procuradoria do
rimento, designar representante para acompanhar o
órgão para que requeira ao juízo competente a decreta‑
procedimento administrativo.
ção do sequestro dos bens do agente ou terceiro que te‑
10.5.9 Ação de improbidade administrativa nha enriquecido ilicitamente ou causado dano ao patri‑
mônio público. O pedido de sequestro será processado
A ação principal, que terá o rito ordinário, será pro‑
de acordo com o disposto nos arts. 822 e 825 do Código
posta pelo Ministério Público ou pela pessoa jurídica in‑ de Processo Civil. Quando for o caso, o pedido incluirá
teressada dentro de 30 dias da efetivação da medida cau‑ a investigação, o exame e o bloqueio de bens, contas ban‑
telar. Durante o curso da ação, não é permitida a cárias e aplicações financeiras mantidas pelo indiciado no
transação, acordo ou conciliação. Compete à Fazenda exterior, nos termos da lei e dos tratados internacionais;
Pública, quando for o caso, promover as ações necessá‑ c) Indisponibilidade dos bens do indiciado: não pode
rias à complementação do ressarcimento do patrimônio transferir bens a terceiros. Quando o ato de improbidade
público. A ação será instruída com documentos ou justi‑ causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriqueci‑
ficação que contenham indícios suficientes da existência mento ilícito, caberá à autoridade administrativa respon‑
do ato de improbidade ou com razões fundamentadas da sável pelo inquérito representar ao Ministério Público,
impossibilidade de apresentação de qualquer dessas pro‑ para a indisponibilidade dos bens do indiciado. A indis‑
vas. Estando a inicial em devida forma, o juiz mandará ponibilidade recairá sobre bens que assegurem o integral
autuá­‑la e ordenará a notificação do requerido, para ofe‑ ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo patrimo‑
recer manifestação por escrito, que poderá ser instruída nial resultante do enriquecimento ilícito.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 34 22/3/2012 15:57:02


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 35

10.5.12 Da prescrição
– político: direção + estrutura ­– de fato: não investidura –
a prescrição varia segundo o tipo de cargo. No caso constitucional + privilégios + atos válidos – teoria do
de cargo em comissão ou função de confiança, o prazo alto escalão de governo – ex.: funcionário de fato
prescricional é de até 5 anos após o término do exercício magistrado ­– administrativo: vínculo de
de cargo em comissão ou de função de confiança. No –­ delegado: serviço público
subordinação oneroso
caso de mandato, o prazo prescricional é de até 5 anos por delegação
­– servidor público ou estatal:
após o término do exercício de mandato. Por fim, no –­ particulares em colaboração:
vínculo transitório cargo + estatutário
caso de cargo efetivo ou emprego, o prazo prescricional
–­ honoríficos ou convocados: ­– empregado público:
é o mesmo prazo prescricional previsto em lei específica função gratuita de representar emprego + celetista
para faltas disciplinares puníveis com demissão a bem do sociedade
­– temporários: função +
serviço público. ­– necessários: auxílio na próprio + necessidade
emergência temporária de excepcional
11. AGENTE PÚBLICO interesse público

11.1 Classificação
Agente Público é termo que engloba pessoas que 11.2 Deveres
prestam serviços ao Estado. São deveres do servidor: I – exercer com zelo e de‑
Servidor público é a pessoa legalmente investida dicação as atribuições do cargo; II – ser leal às institui‑
em cargo público. É o antigo conceito de funcionário pú‑ ções a que servir; III – observar as normas legais e regu‑
blico que não foi recepcionado pela Constituição Federal lamentares; IV – cumprir as ordens superiores, exceto
de 1988. Agente público é pessoa que presta serviço para quando manifestamente ilegais; V – atender com preste‑
o Estado. Na classificação há divergência doutrinária. za: a) ao público em geral, prestando as informações re‑
queridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; b) à expe‑
Os Agentes Públicos classificam­‑se em: Agentes
dição de certidões requeridas para defesa de direito ou
políticos: são os que representam a vontade política do
esclarecimento de situações de interesse pessoal; c)  às
Estado; Agentes administrativos: a) servidor públi‑ requisições para a defesa da Fazenda Pública; VI – levar
co: são os que ocupam cargo público e estão sujeitos ao ao conhecimento da autoridade superior as irregularida‑
regime estatutário; b) empregados públicos: são os que des de que tiver ciência em razão do cargo; VII – zelar
ocupam emprego público e estão sujeitos ao regime ce‑ pela economia do material e a conservação do patrimô‑
letista; c) servidor temporário: são os que ocupam fun‑ nio público; VIII – guardar sigilo sobre assunto da re‑
ção pública em caso de excepcional interesse público; partição; IX – manter conduta compatível com a mora‑
Agentes por colaboração: são particulares que cola‑ lidade administrativa; X – ser assíduo e pontual ao
boram com o Estado, seja de forma voluntária, quando serviço; XI – tratar com urbanidade as pessoas; XII –
assumem funções públicas em situação de emergência, representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de po‑
seja de forma compulsória, quando são requisitados a co‑ der.
laborarem com o interesse público, ou, ainda, por dele‑
gação, quando recebem a possibilidade de prestar um 11.3 Cargo, emprego e função públicos
serviço público. Cargo público é o conjunto de atribuições e res‑
­ ponsabilidades previstas na estrutura organizacional
ESPÉCIE DE que devem ser cometidas a um servidor. É criado por
AGENTES
lei, com denominação própria e vencimento pago pelos
cofres públicos, para provimento em caráter efetivo
PARTICULARES EM
DE FATO (por concurso) ou em comissão (de livre nomeação e
COLABORAÇÃO
exoneração). Na criação e extinção de cargo público, a
regra geral é o paralelismo das formas, ou seja, a extin‑
POLÍTICOS DELEGADOS ADMINISTRATIVOS ção será feita pela mesma forma da criação. Porém, há
duas exceções: a) declaração da desnecessidade do car‑
go (art. 41, § 3º) – Extinto o cargo ou declarada a sua
desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibili‑
SERVIDOR EMPREGADO AGENTE dade, com remuneração proporcional ao tempo de ser‑
PÚBLICO PÚBLICO TEMPORÁRIO
viço, até seu adequado aproveitamento em outro car‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 35 22/3/2012 15:57:02


36 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

go); b) cargo vago (art. 84, VI) – Compete cassação de aposentadoria ou disponibilidade em relação
privativamente ao Presidente da República dispor, me‑ aos cargos, empregos ou funções públicas em regime de
diante decreto, sobre a extinção de funções ou cargos acumulação ilegal, hipótese em que os órgãos ou entida‑
públicos, quando vagos). des de vinculação serão comunicados. O prazo para a
conclusão do processo administrativo disciplinar subme‑
Criação e Extinção de Cargo Público tido ao rito sumário não excederá trinta dias, contados
da data de publicação do ato que constituir a comissão,
CARGOS CRIAÇÃO INICIATIVA EXTINÇÃO
admitida a sua prorrogação por até quinze dias, quando
EXECUTIVO Lei Privativa do Lei de iniciativa
Presidente da privativa do
as circunstâncias o exigirem.
República Presidente da Emprego público é unidade administrativa ocupada
República por agente contratado sob regime celetista. A Função
LEGISLATIVO Resolução Casa Resolução da Casa pública tem um conceito residual, sendo atribuição da
Legislativa Legislativa Administração, ao qual não corresponde cargo ou em‑
prego. Existem duas espécies de função pública: a) exer‑
É proibida a prestação de serviços gratuitos, salvo cida por servidores contratados com base no art. 37, IX,
nos casos previstos em lei. Segundo o STF, não podem da CF, temporariamente, sem a exigência de concurso
os servidores estatutários celebrar convenções e acordos público, considerando­‑se o caráter emergencial da con‑
coletivos de trabalho, pois é direito reservado a trabalha‑ tratação; b) de natureza permanente, de livre provimen‑
dores de iniciativa privada. to e exoneração, desempenhada por titular de cargo efe‑
No caso de acumulação ilegal de cargos, empregos tivo, para exercer função de direção, chefia e
ou funções públicas, a autoridade que tiver ciência de assessoramento; não se confunde com o cargo em co‑
irregularidade no serviço público notificará o servidor, missão, pois só pode ser exercida por servidores de car‑
por intermédio de sua chefia imediata, para apresentar reira.
opção no prazo improrrogável de dez dias, contados da
data da ciência e, na hipótese de omissão, adotará proce‑ 11.4 Regime jurídico
dimento sumário para a sua apuração e regularização É o conjunto de princípios e normas jurídicas que
imediata, cujo processo administrativo disciplinar se de‑ regulam a vida funcional do servidor público. As normas
senvolverá nas seguintes fases: I – instauração, com a que regem a vida funcional de um servidor público po‑
publicação do ato que constituir a comissão, a ser com‑ dem estar em lei (regime legal) ou em contrato (regime
posta por dois servidores estáveis, e simultaneamente contratual).
indicar a autoria e a materialidade da transgressão objeto Histórico dos Regimes
da apuração; II – instrução sumária, que compreende
a) redação original: Art. 39 – A União, os Esta‑
indiciação, defesa e relatório; III – julgamento. Apresen‑
dos, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no
tada a defesa, a comissão elaborará relatório conclusivo
quanto à inocência ou à responsabilidade do servidor, âmbito de sua competência, regime jurídico único e
em que resumirá as peças principais dos autos, opinará planos de carreira para os servidores da administra‑
sobre a licitude da acumulação em exame, indicará o ção pública direta, das autarquias e das fundações públi‑
respectivo dispositivo legal e remeterá o processo à au‑ cas – mesmo regime em lei própria para os funcionários
toridade instauradora para julgamento. No prazo de cin‑ da Administração de qualquer ente federativo – a União
co dias, contados do recebimento do processo, a autori‑ resolveu editar a Lei n. 8.112/90 e estabelecer o regime
dade julgadora proferirá a sua decisão. Se a penalidade estatutário. A redação original tem como fundamento o
prevista for a demissão ou cassação de aposentadoria ou princípio da isonomia, pois todos devem receber o mes‑
disponibilidade de servidor vinculado ao respectivo Po‑ mo tratamento. Art. 37, IX – a lei estabelecerá os casos
der, órgão, ou entidade, o julgamento caberá às seguin‑ de contratação por tempo determinado para atender à
tes autoridades: pelo Presidente da República, pelos necessidade temporária de excepcional interesse público
Presidentes das Casas do Poder Legislativo e dos Tribu‑ – os contratados temporários terão regime próprio.
nais Federais e pelo Procurador­‑Geral da República. A b) Emenda Constitucional n. 19/98: Art. 39
opção pelo servidor até o último dia de prazo para defesa – A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí‑
configurará sua boa­‑fé, hipótese em que se converterá pios instituirão conselho de política de administração e
automaticamente em pedido de exoneração do outro remuneração de pessoal, integrado por servidores desig‑
cargo. Caracterizada a acumulação ilegal e provada a nados pelos respectivos Poderes – aboliu o regime jurí‑
má­‑fé, aplicar­‑se­‑á a pena de demissão, destituição ou dico único – permitiu a coexistência de diferentes espé‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 36 22/3/2012 15:57:02


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 37

cies de regime jurídico numa mesma esfera de governo. cargo isolado de provimento efetivo depende de
c) ADIN n. 2.135/2004: determinou a suspensão prévia habilitação em concurso público de pro‑
da vigência da redação dada pela Emenda n. 19/98 e res‑ vas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem
tabeleceu a obrigatoriedade da adoção do regime jurídi‑ de classificação e o prazo de sua validade. Os de‑
co único – Informativo n. 474 do STF. mais requisitos para o ingresso e o desenvolvi‑
A regra é o regime jurídico único, ou seja, será o mento do servidor na carreira, mediante promo‑
regime estatutário adotado para as Administrações de ção, serão estabelecidos pela lei que fixar as
qualquer ente federativo. diretrizes do sistema de carreira na Administra‑
ção Pública Federal e seus regulamentos.
11.5 Provimento 2) P romoção: é a forma de provimento derivado
em que o servidor terá o progresso dentro da
a) Investidura em cargo público: são requisi‑
mesma carreira.
tos básicos para investidura em cargo público: I
– a nacionalidade brasileira; II – o gozo dos di‑ 3) R eadaptação: é a investidura do servidor em
reitos políticos; III – a quitação com as obriga‑ cargo de atribuições e responsabilidades compa‑
ções militares e eleitorais; IV – o nível de esco‑ tíveis com a limitação que tenha sofrido em sua
capacidade física ou mental verificada em inspe‑
laridade exigido para o exercício do cargo; V – a
ção médica.  Se julgado incapaz para o serviço
idade mínima de dezoito anos; VI – aptidão físi‑
público, o readaptando será aposentado. A rea‑
ca e mental. As atribuições do cargo podem jus‑
daptação será efetivada em cargo de atribuições
tificar a exigência de outros requisitos estabele‑
afins, respeitada a habilitação exigida, nível de
cidos em lei. O provimento será feito mediante
escolaridade e equivalência de vencimentos e, na
ato da autoridade competente de cada Poder. A hipótese de inexistência de cargo vago, o servi‑
investidura em cargo público ocorrerá com a dor exercerá suas atribuições como excedente,
posse. até a ocorrência de vaga.
b) Portadores de deficiência: é assegurado o 4) Reversão: é o retorno à atividade de servidor
direito de se inscrever em concurso público para aposentado: I – por invalidez, quando junta mé‑
provimento de cargo cujas atribuições sejam dica oficial declarar insubsistentes os motivos da
compatíveis com a deficiência de que são porta‑ aposentadoria; ou II – no interesse da adminis‑
doras; para tais pessoas serão reservadas até tração, desde que: a) tenha solicitado a reversão;
20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no b) a aposentadoria tenha sido voluntária; c) está‑
concurso. vel quando na atividade; d) a aposentadoria tenha
c) Professores, técnicos ou cientistas es‑ ocorrido nos cinco anos anteriores à solicitação;
trangeiros: as universidades e instituições de e) haja cargo vago. Não poderá reverter o apo‑
pesquisa científica e tecnológica federais pode‑ sentado que já tiver completado 70 anos de idade.
rão prover seus cargos com professores, técnicos 5) R eintegração: é a reinvestidura do servidor
e cientistas estrangeiros, de acordo com as nor‑ estável no cargo anteriormente ocupado, ou no
mas e os procedimentos desta Lei. cargo resultante de sua transformação, quando
d) F ormas de provimento:  1) nomeação; 2) invalidada a sua demissão por decisão adminis‑
promoção; 3) readaptação; 4) reversão; 5) apro‑ trativa ou judicial, com ressarcimento de todas
veitamento; 6) reintegração; 7) recondução. as vantagens. Na hipótese de o cargo ter sido ex‑
1) Nomeação: pode ser feita de duas formas: a) tinto, o servidor ficará em disponibilida‑
em caráter efetivo, quando se tratar de cargo iso‑ de. Encontrando­‑se provido o cargo, o seu even‑
lado de provimento efetivo ou de carreira; b) em tual ocupante será reconduzido ao cargo de
comissão, inclusive na condição de interino, origem, sem direito à indenização ou aproveita‑
para cargos de confiança vagos.  O servidor ocu‑ do em outro cargo, ou, ainda, posto em disponi‑
pante de cargo em comissão ou de natureza es‑ bilidade.
pecial poderá ser nomeado para ter exercício, 6) R econdução: é o retorno do servidor estável
interinamente, em outro cargo de confiança, ao cargo anteriormente ocupado e decorrerá de:
sem prejuízo das atribuições do que atualmente I – inabilitação em estágio probatório relativo a
ocupa, hipótese em que deverá optar pela remu‑ outro cargo; II – reintegração do anterior ocu‑
neração de um deles durante o período da interi‑ pante. Encontrando­‑se provido o cargo de ori‑
nidade.  A nomeação para cargo de carreira ou gem, o servidor será aproveitado em outro.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 37 22/3/2012 15:57:02


38 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

7) Disponibilidade e Aproveitamento: o re‑ Poder, com prévia apreciação do órgão central do SI‑
torno à atividade de servidor em disponibilidade PEC, observados os seguintes preceitos: I – interesse da
far­‑se­‑á mediante aproveitamento obrigatório administração; II – equivalência de vencimentos; III –
em cargo de atribuições e vencimentos compatí‑ manutenção da essência das atribuições do cargo; IV –
veis com o anteriormente ocupado.  O órgão vinculação entre os graus de responsabilidade e comple‑
Central do Sistema de Pessoal Civil determinará xidade das atividades; V – mesmo nível de escolaridade,
o imediato aproveitamento de servidor em dis‑ especialidade ou habilitação profissional; VI – compati‑
ponibilidade em vaga que vier a ocorrer nos ór‑ bilidade entre as atribuições do cargo e as finalidades
gãos ou entidades da Administração Pública Fe‑ institucionais do órgão ou entidade.
deral. Será tornado sem efeito o aproveitamento A redistribuição ocorrerá ex officio para ajustamen‑
e cassada a disponibilidade se o servidor não en‑ to de lotação e da força de trabalho às necessidades dos
trar em exercício no prazo legal, salvo doença serviços, inclusive nos casos de reorganização, extinção
comprovada por junta médica oficial. ou criação de órgão ou entidade.
A redistribuição de cargos efetivos vagos se dará
11.6 Vacância
mediante ato conjunto entre o órgão central do SIPEC e
A vacância do cargo público decorrerá de: a) exo‑ os órgãos e entidades da Administração Pública Federal
neração; b) demissão; c) promoção; d) readaptação; e) envolvidos.
aposentadoria; f) posse em outro cargo inacumulável; g) Nos casos de reorganização ou extinção de órgão
falecimento.
ou entidade, extinto o cargo ou declarada sua desneces‑
A exoneração de cargo efetivo dar­‑se­‑á a pedido do sidade no órgão ou entidade, o servidor estável que não
servidor, ou de ofício (quando não satisfeitas as condi‑ for redistribuído será colocado em disponibilidade.
ções do estágio probatório; quando, tendo tomado pos‑
 O servidor que não for redistribuído ou colocado
se, o servidor não entrar em exercício no prazo estabe‑
em disponibilidade poderá ser mantido sob responsabili‑
lecido).
dade do órgão central do SIPEC e ter exercício provisó‑
A exoneração de cargo em comissão e a dispensa de rio, em outro órgão ou entidade, até seu adequado apro‑
função de confiança será feita a juízo da autoridade com‑ veitamento.
petente ou a pedido do próprio servidor.
11.9 Substituição
11.7 Remoção
Os servidores investidos em cargo ou função de di‑
É o deslocamento do servidor, a pedido ou de ofí‑ reção ou chefia e os ocupantes de cargo de Natureza Es‑
cio, no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança pecial terão substitutos indicados no regimento interno
de sede. A remoção possui as seguintes modalidades: I ou, no caso de omissão, previamente designados pelo di‑
– de ofício, no interesse da Administração; II – a pedido, rigente máximo do órgão ou entidade.
a critério da Administração; III – a pedido, para outra   O substituto assumirá automática e cumulativa‑
localidade, independentemente do interesse da Adminis‑ mente, sem prejuízo do cargo que ocupa, o exercício do
tração: a)  para acompanhar cônjuge ou companheiro, cargo ou função de direção ou chefia e os de Natureza
também servidor público civil ou militar, de qualquer Especial, nos afastamentos, impedimentos legais ou re‑
dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e gulamentares do titular e na vacância do cargo, hipóte‑
dos Municípios, que foi deslocado no interesse da Admi‑ ses em que deverá optar pela remuneração de um deles
nistração; b) por motivo de saúde do servidor, cônjuge, durante o respectivo período.
companheiro ou dependente que viva às suas expensas e
conste do seu assentamento funcional, condicionada à O substituto fará jus à retribuição pelo exercício do
comprovação por junta médica oficial; c) em virtude de cargo ou função de direção ou chefia ou de cargo de Na‑
processo seletivo promovido, na hipótese em que o nú‑ tureza Especial, nos casos dos afastamentos ou impedi‑
mero de interessados for superior ao número de vagas, mentos legais do titular, superiores a 30 consecutivos,
de acordo com normas preestabelecidas pelo órgão ou paga na proporção dos dias de efetiva substituição, que
entidade em que aqueles estejam lotados. excederem o referido período.  

11.8 Redistribuição 11.10 Direitos e vantagens


Redistribuição é o deslocamento de cargo de provi‑ Dos Direitos e Vantagens
mento efetivo, ocupado ou vago no âmbito do quadro Do vencimento: é a retribuição pecuniária pelo
geral de pessoal, para outro órgão ou entidade do mesmo exercício de cargo público, com valor fixado em lei. O

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 38 22/3/2012 15:57:02


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 39

vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens de tuir a ajuda de custo quando, injustificadamente, não se
caráter permanente, é irredutível. É assegurada a isono‑ apresentar na nova sede no prazo de 30 dias.
mia de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou – Das diárias: destinadas a indenizar as parcelas
assemelhadas do mesmo Poder, ou entre servidores dos de despesas extraordinárias com pousada, alimentação e
três Poderes, ressalvadas as vantagens de caráter indivi‑ locomoção urbana, para servidor que, a serviço, afastar­
dual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho. ‑se da sede em caráter eventual ou transitório para outro
Da remuneração: é o vencimento do cargo efeti‑ ponto do território nacional ou para o exterior.
vo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes A diária será concedida por dia de afastamento,
estabelecidas em lei. Nenhum servidor receberá remu‑ sendo devida pela metade quando o deslocamento não
neração inferior ao salário mínimo. O servidor perde‑ exigir pernoite fora da sede, ou quando a União custear,
rá: I – a remuneração do dia em que faltar ao serviço, por meio diverso, as despesas extraordinárias cobertas
sem motivo justificado; II – a parcela de remuneração por diárias. Nos casos em que o deslocamento da sede
diária, proporcional aos atrasos, ausências justificadas, constituir exigência permanente do cargo, o servidor
ressalvadas as concessões e saídas antecipadas, salvo na não fará jus a diárias. Também não fará jus a diárias o
hipótese de compensação de horário, até o mês subse‑
servidor que se deslocar dentro da mesma região metro‑
quente ao da ocorrência, a ser estabelecida pela chefia
politana, aglomeração urbana ou microrregião, consti‑
imediata. As faltas justificadas decorrentes de caso for‑
tuídas por municípios limítrofes e regularmente institu‑
tuito ou de força maior poderão ser compensadas a cri‑
ídas, ou em áreas de controle integrado mantidas com
tério da chefia imediata, sendo assim consideradas como
países limítrofes, cuja jurisdição e competência dos ór‑
efetivo exercício. 
gãos, entidades e servidores brasileiros considera­‑se es‑
Salvo por imposição legal, ou mandado judicial, ne‑ tendida, salvo se houver pernoite fora da sede, hipóteses
nhum desconto incidirá sobre a remuneração ou proven‑
em que as diárias pagas serão sempre as fixadas para os
to. O vencimento, a remuneração e o provento não serão
afastamentos dentro do território nacional. O servidor
objeto de arresto, sequestro ou penhora, exceto nos casos
que receber diárias e não se afastar da sede, por qualquer
de prestação de alimentos resultante de decisão judicial.
motivo, fica obrigado a restituí­‑las integralmente, no
Vantagens pecuniárias: não serão computadas, prazo de 5 dias.
nem acumuladas, para efeito de concessão de quaisquer
outros acréscimos pecuniários ulteriores, sob o mesmo – Da indenização de transporte: ao servidor
título ou idêntico fundamento. que realizar despesas com a utilização de meio próprio
de locomoção para a execução de serviços externos, por
– Das indenizações: não se incorporam ao ven‑
força das atribuições próprias do cargo, conforme se dis‑
cimento ou provento para qualquer efeito.
puser em regulamento.
– Da ajuda de custo: destina­‑se a compensar as
– Do auxílio­‑moradia: consiste no ressarcimen‑
despesas de instalação do servidor que, no interesse do
serviço, passar a ter exercício em nova sede, com mu‑ to das despesas comprovadamente realizadas pelo servi‑
dança de domicílio em caráter permanente, vedado o dor com aluguel de moradia ou com meio de hospeda‑
duplo pagamento de indenização, a qualquer tempo, no gem administrado por empresa hoteleira, no prazo de
caso de o cônjuge ou companheiro, que detenha também um mês após a comprovação da despesa pelo servidor. O
a condição de servidor, vier a ter exercício na mesma auxílio­‑moradia não será concedido por prazo superior a
sede. Correm por conta da administração as despesas de 8 anos dentro de cada período de 12 anos.  O valor men‑
transporte do servidor e de sua família, compreendendo sal do auxílio­‑moradia é limitado a 25% do valor do car‑
passagem, bagagem e bens pessoais. À família do servi‑ go em comissão, função comissionada ou cargo de Mi‑
dor que falecer na nova sede são assegurados ajuda de nistro de Estado ocupado.  O valor do auxílio­‑moradia
custo e transporte para a localidade de origem, dentro não poderá superar 25% (vinte e cinco por cento) da
do prazo de 1 ano, contado do óbito.  A ajuda de custo é remuneração de Ministro de Estado.  No caso de faleci‑
calculada sobre a remuneração do servidor, conforme se mento, exoneração, colocação de imóvel funcional à dis‑
dispuser em regulamento, não podendo exceder a im‑ posição do servidor ou aquisição de imóvel, o auxílio­
portância correspondente a 3 meses. Não será concedida ‑moradia continuará sendo pago por um mês.
ajuda de custo ao servidor que se afastar do cargo, ou – Das gratificações e adicionais: as gratifica‑
reassumi­‑lo em virtude de mandato eletivo. Será conce‑ ções e os adicionais incorporam­‑se ao vencimento ou
dida ajuda de custo àquele que, não sendo servidor da provento, nos casos e condições indicados em lei:
União, for nomeado para cargo em comissão, com mu‑ Da retribuição pelo exercício de função de
dança de domicílio. O servidor ficará obrigado a resti‑ direção, chefia e assessoramento; da gratificação

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 39 22/3/2012 15:57:02


40 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

natalina: corresponde a 1/12 da remuneração a que o exame vestibular ou de concurso público ou supervisio‑
servidor fizer jus no mês de dezembro, por mês de exer‑ nar essas atividades.
cício no respectivo ano. A fração igual ou superior a 15 Das férias: o servidor fará jus a trinta dias de fé‑
dias será considerada como mês integral. A gratificação rias, que podem ser acumuladas, até o máximo de dois
será paga até o dia 20 do mês de dezembro de cada ano. períodos, no caso de necessidade do serviço, ressalvadas
Dos adicionais de insalubridade, periculo‑ as hipóteses em que haja legislação específica.
sidade ou atividades penosas: são devidos aos servi‑ Das Licenças
dores que trabalhem com habitualidade em locais insalu‑
Da licença por motivo de doença em pessoa
bres ou em contato permanente com substâncias tóxicas,
da família: por motivo de doença do cônjuge ou com‑
radioativas ou com risco de vida, fazem jus a um adicio‑
panheiro, dos pais, dos filhos, do padrasto ou madrasta e
nal sobre o vencimento do cargo efetivo. O servidor que
fizer jus aos adicionais de insalubridade e de periculosi‑ enteado, ou dependente que viva a suas expensas e cons‑
dade deverá optar por um deles. O direito ao adicional te do seu assentamento funcional, mediante comprova‑
de insalubridade ou periculosidade cessa com a elimina‑ ção por perícia médica oficial.
ção das condições ou dos riscos que deram causa a sua Da licença por motivo de afastamento do
concessão. O adicional de atividade penosa será devido cônjuge: para acompanhar cônjuge ou companheiro
aos servidores em exercício em zonas de fronteira ou em que foi deslocado para outro ponto do território nacio‑
localidades cujas condições de vida justifiquem, nos ter‑ nal, para o exterior ou para o exercício de mandato ele‑
mos, condições e limites fixados em regulamento. tivo dos Poderes Executivo e Legislativo. A licença será
Do adicional por serviço extraordinário: o por prazo indeterminado e sem remuneração.
serviço extraordinário será remunerado com acréscimo Da licença para o serviço militar: ao servidor
de 50% em relação à hora normal de trabalho.  Somente convocado para o serviço militar será concedida licença,
será permitido serviço extraordinário para atender a si‑ na forma e condições previstas na legislação específi‑
tuações excepcionais e temporárias, respeitado o limite ca.  Concluído o serviço militar, o servidor terá até 30
máximo de 2 horas por jornada. dias sem remuneração para reassumir o exercício do
Do adicional noturno: o serviço noturno, pres‑ cargo.
tado em horário compreendido entre as 22 horas de um Da licença para atividade política: o servidor
dia e as 5 horas do dia seguinte, terá o valor­‑hora acres‑ terá direito a licença, sem remuneração, durante o perí‑
cido de 25%, computando­‑se cada hora como cinquenta odo que mediar entre a sua escolha em convenção parti‑
e dois minutos e trinta segundos. dária, como candidato a cargo eletivo, e a véspera do re‑
Do adicional de férias: independentemente de gistro de sua candidatura perante a Justiça Eleitoral.
solicitação, será pago ao servidor, por ocasião das férias, Da licença para capacitação: após cada quin‑
um adicional correspondente a 1/3 da remuneração do quênio de efetivo exercício, o servidor poderá, no inte‑
período das férias. No caso de o servidor exercer função
resse da Administração, afastar­‑se do exercício do cargo
de direção, chefia ou assessoramento, ou ocupar cargo
efetivo, com a respectiva remuneração, por até três me‑
em comissão, a respectiva vantagem será considerada no
ses, para participar de curso de capacitação profissional.
cálculo do adicional de férias.
Da licença para tratar de interesses particu‑
Da gratificação por encargo de curso ou
lares: a critério da Administração, poderão ser conce‑
concurso: é devida ao servidor que, em caráter eventu‑
didas ao servidor ocupante de cargo efetivo, desde que
al: I – atuar como instrutor em curso de formação, de
não esteja em estágio probatório, licenças para o trato de
desenvolvimento ou de treinamento regularmente insti‑
tuído no âmbito da administração pública federal; II – assuntos particulares pelo prazo de até três anos conse‑
participar de banca examinadora ou de comissão para cutivos, sem remuneração. A licença poderá ser inter‑
exames orais, para análise curricular, para correção de rompida, a qualquer tempo, a pedido do servidor ou no
provas discursivas, para elaboração de questões de pro‑ interesse do serviço.
vas ou para julgamento de recursos intentados por can‑ Dos Afastamentos
didatos; III – participar da logística de preparação e de Do afastamento para servir a outro órgão
realização de concurso público envolvendo atividades de ou entidade: I – para exercício de cargo em comissão
planejamento, coordenação, supervisão, execução e ava‑ ou função de confiança; II – em casos previstos em leis
liação de resultado, quando tais atividades não estiverem específicas.
incluídas entre as suas atribuições permanentes; IV – Do afastamento para exercício de mandato
participar da aplicação, fiscalizar ou avaliar provas de eletivo: I – tratando­‑se de mandato federal, estadual ou

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 40 22/3/2012 15:57:03


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 41

distrital, ficará afastado do cargo; II – investido no man‑ de processo disciplinar. O prazo para conclusão da sindi‑
dato de Prefeito, será afastado do cargo, sendo­‑lhe facul‑ cância não excederá 30 dias, podendo ser prorrogado
tado optar pela sua remuneração; III – investido no man‑ por igual período a critério da autoridade superior. Sem‑
dato de vereador: a) havendo compatibilidade de horário, pre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a impo‑
perceberá as vantagens de seu cargo, sem prejuízo da re‑ sição de penalidade de suspensão por mais de 30 dias, de
muneração do cargo eletivo; b) não havendo compatibi‑ demissão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade,
lidade de horário, será afastado do cargo, sendo­‑lhe fa‑ ou destituição de cargo em comissão, será obrigatória a
cultado optar pela sua remuneração. instauração de processo disciplinar.
Do afastamento para estudo ou missão no Como medida cautelar, e a fim de que o servidor
exterior: o servidor não poderá ausentar­‑se do País não venha a influir na apuração da irregularidade, a au‑
para estudo ou missão oficial, sem autorização do Presi‑ toridade instauradora do processo disciplinar poderá de‑
dente da República, Presidente dos Órgãos do Poder Le‑ terminar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo
gislativo e Presidente do Supremo Tribunal Federal. A prazo de até 60 dias, sem prejuízo da remuneração. O
ausência não excederá a 4 anos, e finda a missão ou estu‑ afastamento poderá ser prorrogado por igual prazo, fin‑
do, somente decorrido igual período, será permitida do o qual cessarão os seus efeitos, ainda que não conclu‑
nova ausência. ído o processo.
Do afastamento para participação em pro‑ O processo disciplinar é o instrumento destinado a
grama de pós­‑graduação stricto sensu no País: o apurar a responsabilidade de servidor por infração prati‑
servidor poderá, no interesse da Administração, e desde cada no exercício de suas atribuições, ou que tenha rela‑
que a participação não possa ocorrer simultaneamente ção com as atribuições do cargo em que se encontre in‑
com o exercício do cargo ou mediante compensação de vestido.
horário, afastar­‑se do exercício do cargo efetivo, com a O processo disciplinar será conduzido por comis‑
respectiva remuneração, para participar em programa são composta de três servidores estáveis designados pela
de pós­‑graduação stricto sensu em instituição de ensino autoridade competente. O presidente deverá ser ocu‑
superior no País. pante de cargo efetivo superior ou de mesmo nível, ou
Das Concessões ter nível de escolaridade igual ou superior ao do indicia‑
 Sem qualquer prejuízo, poderá o servidor ausentar­ do. A Comissão terá como secretário servidor designado
‑se do serviço: I – por 1 dia, para doação de sangue; II pelo seu presidente, podendo a indicação recair em um
– por 2 dias, para se alistar como eleitor; III – por 8 dias de seus membros.
consecutivos, em razão de: a) casamento; b) falecimento Não poderá participar de comissão de sindicância
do cônjuge, companheiro, pais, madrasta ou padrasto, ou de inquérito, cônjuge, companheiro ou parente do
filhos, enteados, menor sob guarda ou tutela e irmãos. acusado, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colate‑
Do direito de petição: é assegurado ao servidor ral, até o terceiro grau.
o direito de requerer aos Poderes Públicos, em defesa de A Comissão exercerá suas atividades com indepen‑
direito ou interesse legítimo. dência e imparcialidade, assegurado o sigilo necessário à
elucidação do fato ou exigido pelo interesse da adminis‑
11.11 Regime disciplinar tração.
No Processo Administrativo disciplinar, a autori‑ O processo disciplinar se desenvolve nas seguintes
dade que tiver ciência de irregularidade no serviço pú‑ fases: I – instauração, com a publicação do ato que cons‑
blico é obrigada a promover a sua apuração imediata, tituir a comissão; II – inquérito administrativo, que
mediante sindicância ou processo administrativo disci‑ compreende instrução, defesa e relatório;  III – julga‑
plinar, assegurada ao acusado ampla defesa. As denún‑ mento.
cias sobre irregularidades serão objeto de apuração, des‑ O prazo para a conclusão do processo disciplinar
de que contenham a identificação e o endereço do não excederá 60 dias, contados da data de publicação do
denunciante e sejam formuladas por escrito, confirmada ato que constituir a comissão, admitida a sua prorroga‑
a autenticidade. Quando o fato narrado não configurar ção por igual prazo, quando as circunstâncias o exigi‑
evidente infração disciplinar ou ilícito penal, a denúncia rem. Sempre que necessário, a Comissão dedicará tem‑
será arquivada, por falta de objeto. po integral aos seus trabalhos, ficando seus membros
Da sindicância poderá resultar: I – arquiva‑ dispensados do ponto, até a entrega do relatório final. As
mento do processo; II – aplicação de penalidade de ad‑ reuniões da comissão serão registradas em atas que deve‑
vertência ou suspensão de até 30 dias; III – instauração rão detalhar as deliberações adotadas.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 41 22/3/2012 15:57:03


42 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

O processo disciplinar poderá ser revisto, a qual‑ mentos públicos; IV – opor resistência injustifi‑
quer tempo, a pedido ou de ofício, quando se aduzi‑ cada ao andamento de documento e processo ou
rem  fatos novos ou circunstâncias suscetíveis de justifi‑ execução de serviço; V – promover manifesta‑
car a inocência do punido ou a inadequação da penalidade ção de apreço ou desapreço no recinto da repar‑
aplicada. Em caso de falecimento, ausência ou desapare‑ tição; VI – cometer a pessoa estranha à reparti‑
cimento do servidor, qualquer pessoa da família poderá ção, fora dos casos previstos em lei, o
requerer a revisão do processo. No caso de incapacidade desempenho de atribuição que seja de sua res‑
mental do servidor, a revisão será requerida pelo respec‑ ponsabilidade ou de seu subordinado; VII – coa‑
tivo curador.  No processo revisional, o ônus da prova gir ou aliciar subordinados no sentido de
filiarem­‑se a associação profissional ou sindical,
cabe ao requerente. A simples alegação de injustiça da
ou a partido político; VIII – manter sob sua che‑
penalidade não constitui fundamento para a revisão, que
fia imediata, em cargo ou função de confiança,
requer elementos novos, ainda não apreciados no proces‑ cônjuge, companheiro ou parente até o segundo
so originário.  O requerimento de revisão do processo grau civil); e XIX recusar­‑se a atualizar seus da‑
será dirigido ao Ministro de Estado ou autoridade equi‑ dos cadastrais quando solicitado, e de inobser‑
valente que, se autorizar a revisão, encaminhará o pedi‑ vância de dever funcional previsto em lei, regu‑
do ao dirigente do órgão ou entidade onde se originou o lamentação ou norma interna, que não
processo disciplinar.  A revisão correrá em apenso ao justifiquem imposição de penalidade mais grave.
processo originário. A Comissão revisora terá 60 dias b) suspensão: será aplicada em caso de reincidên‑
para a conclusão dos trabalhos. Julgada procedente a re‑ cia das faltas punidas com advertência e de vio‑
visão, será declarada sem efeito a penalidade aplicada, lação das demais proibições que não tipifiquem
restabelecendo­‑se todos os direitos do servidor, exceto infração sujeita a penalidade de demissão, não
em relação à destituição do cargo em comissão, que será podendo exceder de 90 dias. Será punido com
convertida em exoneração. Da revisão do processo não suspensão de até 15 dias o servidor que, injusti‑
poderá resultar agravamento de penalidade. ficadamente, recusar­‑se a ser submetido a à ins‑
peção médica determinada pela autoridade
11.12 Responsabilidade competente, cessando os efeitos da penalidade
uma vez cumprida a determinação. Quando
Existem três espécies: a) Civil: decorre de ato houver conveniência para o serviço, a penalida‑
omissivo ou comissivo, doloso ou culposo, que resulte de de suspensão poderá ser convertida em mul‑
em prejuízo ao erário ou a terceiros. A obrigação de ta, na base de 50% por dia de vencimento ou
reparar o dano estende­‑se aos sucessores e contra eles remuneração, ficando o servidor obrigado a per‑
será executada, até o limite do valor da herança recebi‑ manecer em serviço.
da; b) Penal: abrange os crimes e contravenções imputa‑ c) demissão: será aplicada nos seguintes casos: I
dos ao servidor, nessa qualidade; c) Administrativa: re‑ – crime contra a administração pública; II –
sulta de ato omissivo ou comissivo praticado no abandono de cargo; III – inassiduidade habitual;
desempenho do cargo ou função. IV – improbidade administrativa; V – inconti‑
As sanções civis, penais e administrativas poderão nência pública e conduta escandalosa na reparti‑
cumular­‑se, sendo independentes entre si. A responsabi‑ ção; VI – insubordinação grave em serviço; VII
– ofensa física, em serviço, a servidor ou a parti‑
lidade administrativa do servidor será afastada no caso
cular, salvo em legítima defesa própria ou de ou‑
de absolvição criminal que negue a existência do fato ou
trem; VIII – aplicação irregular de dinheiros
sua autoria.
públicos; IX – revelação de segredo do qual se
Na responsabilidade administrativa, podem ser apropriou em razão do cargo; X – lesão aos co‑
aplicadas as seguintes penalidades disciplinares: fres públicos e dilapidação do patrimônio nacio‑
a) advertência: será aplicada por escrito, nos ca‑ nal; XI – corrupção; XII – acumulação ilegal de
sos de violação de proibição constante do art. cargos, empregos ou funções públicas; XIII –
117, incisos I a VIII (I – ausentar­‑se do serviço transgressão dos incisos IX a XVI do art. 117 (IX
durante o expediente, sem prévia autorização do – valer­‑se do cargo para lograr proveito pessoal
chefe imediato; II – retirar, sem prévia anuência ou de outrem, em detrimento da dignidade da
da autoridade competente, qualquer documento função pública; X – participar de gerência ou
ou objeto da repartição; III – recusar fé a docu‑ administração de sociedade privada, personifi‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 42 22/3/2012 15:57:03


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 43

cada ou não personificada, exercer o comércio, fringência do art. 132, incisos I, IV, VIII, X e XI
exceto na qualidade de acionista, cotista ou co‑ (I – crime contra a administração pública;  IV
manditário; XI – atuar, como procurador ou – improbidade administrativa; VIII – aplicação
intermediário, junto a repartições públicas, sal‑ irregular de dinheiros públicos; X – lesão aos
vo quando se tratar de benefícios previdenciá‑ cofres públicos e dilapidação do patrimônio na‑
rios ou assistenciais de parentes até o segundo cional; XI – corrupção).
grau, e de cônjuge ou companheiro; XII – rece‑ Na aplicação das penalidades disciplinares serão
ber propina, comissão, presente ou vantagem de consideradas a natureza e a gravidade da infração come‑
qualquer espécie, em razão de suas atribuições; tida, os danos que dela provierem para o serviço público,
XIII – aceitar comissão, emprego ou pensão de as circunstâncias agravantes ou atenuantes e os antece‑
estado estrangeiro; XIV – praticar usura sob dentes funcionais. O ato de imposição da penalidade
qualquer de suas formas; XV – proceder de for‑ mencionará sempre o fundamento legal e a causa da san‑
ma desidiosa; XVI – utilizar pessoal ou recursos ção disciplinar. As penalidades de advertência e de sus‑
materiais da repartição em serviços ou ativida‑ pensão terão seus registros cancelados, após o decurso
des particulares). de 3 e 5 anos de efetivo exercício, respectivamente, se o
d) cassação de aposentadoria ou disponibi‑ servidor não houver, nesse período, praticado nova in‑
lidade: quando o inativo houver praticado, na fração disciplinar.  O cancelamento da penalidade não
atividade, falta punível com a demissão. surtirá efeitos retroativos.
e) d
 estituição de cargo em comissão e desti‑  A ação disciplinar prescreverá: a) em 5 anos, quan‑
tuição de função comissionada: a destitui‑ to às infrações puníveis com demissão, cassação de apo‑
ção de cargo em comissão exercido por não ocu‑ sentadoria ou disponibilidade e destituição de cargo em
pante de cargo efetivo será aplicada nos casos de comissão; b) em 2 anos, quanto à suspensão; c) em 180
infração sujeita às penalidades de suspensão e de dias, quanto à advertência.
demissão. Constatada a hipótese da exoneração  O prazo de prescrição começa a correr da data em
efetuada, a juízo da autoridade competente ou a que o fato se tornou conhecido. Os prazos de prescrição
pedido do próprio servidor, será convertida em previstos na lei penal aplicam­‑se às infrações disciplina‑
destituição de cargo em comissão. A demissão res capituladas também como crime. A abertura de sin‑
ou a destituição de cargo em comissão, nos casos dicância ou a instauração de processo disciplinar inter‑
dos incisos IV, VIII, X e XI do art. 132 (IV – im‑ rompe a prescrição até a decisão final proferida por
probidade administrativa; VIII – aplicação irre‑ autoridade competente. Interrompido o curso da pres‑
gular de dinheiros públicos; X – lesão aos cofres crição, o prazo começará a correr a partir do dia em que
públicos e dilapidação do patrimônio nacional; cessar a interrupção.
XI – corrupção), implica a indisponibilidade dos
bens e o ressarcimento ao erário, sem prejuízo 11.13 Regras constitucionais
da ação penal cabível. A demissão ou a destitui‑
a) Acesso: o art. 37, I, prescreve que os cargos,
ção de cargo em comissão, por infringência do
empregos e funções públicas são acessíveis aos brasilei‑
art. 117, incisos IX e XI (IX – valer­‑se do cargo
ros que preencham os requisitos estabelecidos em lei,
para lograr proveito pessoal ou de outrem, em
detrimento da dignidade da função pública; XI assim como aos estrangeiros, na forma da lei. Pelo prin‑
– atuar, como procurador ou intermediário, cípio da ampla acessibilidade dos cargos, o acesso é per‑
junto a repartições públicas, salvo quando se tra‑ mitido para brasileiros e estrangeiros, desde que obser‑
tar de benefícios previdenciários ou assistenciais vem requisitos legais. Cabe ressalvar que há cargos
de parentes até o segundo grau, e de cônjuge ou privativos de brasileiros natos3.
companheiro), incompatibiliza o ex­‑servidor São requisitos básicos para investidura em cargo
para nova investidura em cargo público federal, público: I – a nacionalidade brasileira: as universidades e
pelo prazo de 5 anos.  Não poderá retornar ao instituições de pesquisa científica e tecnológica federais
serviço público federal o servidor que for demi‑ poderão prover seus cargos com professores, técnicos e
tido ou destituído do cargo em comissão por in‑ cientistas estrangeiros, de acordo com as normas e os

3
São privativos de brasileiro nato os cargos: I – de Presidente e Vice­‑Presidente da República; II – de Presidente da Câmara dos Deputados; III – de
Presidente do Senado Federal; IV – de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V – da carreira diplomática; VI – de oficial das Forças Armadas; VII
– de Ministro de Estado da Defesa.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 43 22/3/2012 15:57:03


44 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

procedimentos da Lei n. 8.112/90; II – o gozo dos direi‑ dois anos, prorrogável uma vez, por igual período. Du‑
tos políticos: é estar em dia com as obrigações eleitorais rante o prazo improrrogável previsto no edital de convo‑
e não estar numa situação de privação dos direitos polí‑ cação, aquele aprovado em concurso público de provas
ticos; III – a quitação com as obrigações militares e elei‑ ou de provas e títulos será convocado com prioridade
torais: o serviço militar consiste no exercício de ativida‑ sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego
des específicas, desempenhadas nas Forças Armadas na carreira. Em relação ao prazo de validade, cabe res‑
– Marinha, Exército e Aeronáutica; IV – o nível de esco‑ saltar que a CF estabelece o limite máximo de duração
laridade exigido para o exercício do cargo: o diploma ou do concurso, que é de dois anos. A prorrogação será de
habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exi‑ igual período. Não se abrirá novo concurso enquanto
gido na posse e não na inscrição para o concurso público, houver candidato aprovado em concurso anterior com
nos termos da Súmula 266 do STJ; V – a idade mínima prazo de validade não expirado. O aprovado em concur‑
de 18 anos: o limite de idade para inscrição em concurso so público de provas ou de provas e títulos será convoca‑
público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Cons‑ do com prioridade sobre novos concursados para assu‑
tituição, quando possa ser justificado pela natureza das mir cargo ou emprego, na carreira. Não tem direito
atribuições do cargo a ser preenchido. Na admissão do adquirido de contratação, mas tem direito de não ser
idoso em qualquer trabalho ou emprego, são vedadas a preterido por nenhum outro. Dentro do prazo de valida‑
discriminação e a fixação de limite máximo de idade, de do concurso, o candidato aprovado tem direito à no‑
inclusive para concursos, ressalvados os casos em que a meação, quando o cargo for preenchido sem observância
natureza do cargo o exigir. O primeiro critério de de‑ da classificação. Funcionário nomeado por concurso
sempate em concurso público será a idade, dando­‑se tem direito à posse. A nomeação de funcionário sem
preferência ao de idade mais elevada; VI – aptidão física concurso pode ser desfeita antes da posse.
e mental. c) Funções de confiança e cargos em comis‑
As atribuições do cargo podem justificar a exigên‑ são: ambos se destinam apenas às atribuições de dire‑
cia de outros requisitos estabelecidos em lei, desde que ção, chefia e assessoramento. O Cargo em Comissão
sejam compatíveis com a natureza e a complexidade do pode ser preenchido por qualquer pessoa, mesmo que
cargo. Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a não seja ocupante de qualquer posto na Administração,
habilitação de candidato a cargo público. observada a Súmula Vinculante n. 13 – a nomeação de
b) Concurso público: a regra é que a investidura cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colate‑
em cargo ou emprego público depende de aprovação ral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da
prévia em concurso público de provas ou de provas e tí‑ autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa
tulos, de acordo com a natureza e a complexidade do jurídica investido em cargo de direção, chefia ou asses‑
cargo ou emprego, na forma prevista em lei. Porém, o soramento, para o exercício de cargo em comissão ou de
concurso é dispensado nas nomeações para cargo em co‑ confiança ou, ainda, de função gratificada na adminis‑
missão declarado em lei de livre nomeação e exonera‑ tração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes
ção. É inconstitucional toda modalidade de provimento da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Muni‑
que propicie ao servidor investir­‑se, sem prévia aprova‑ cípios, compreendido o ajuste mediante designações re‑
ção em concurso público destinado ao seu provimento, cíprocas, viola a CF. Deverá a lei estabelecer quais as
em cargo que não integra a carreira na qual anterior‑ condições, os casos e o percentual de cargos em comis‑
mente investido. É proibido concurso público com base são que serão exercidos por servidores efetivos. A fun‑
somente em título. A regra do concurso é também apli‑ ção de confiança ou gratificada somente deve ser atribu‑
cada para as pessoas portadoras de deficiências. É in‑ ída àquele que já é ocupante de um posto na
constitucional o veto não motivado à participação de Administração, ou seja, é exercida exclusivamente por
candidato em concurso público. servidores ocupantes de cargo efetivo. Um servidor efe‑
A exigência de concurso público para admissão de tivo em face dos serviços de chefia, direção ou assessora‑
pessoal se estende a toda a Administração Indireta, nela mento a ele atribuídos, lhe será a ele devido um plus re‑
compreendidas as Autarquias, as Fundações instituídas e muneratório.
mantidas pelo Poder Público, as Sociedades de Econo‑ d) Direito de associação sindical: é garantido
mia Mista, as Empresas Públicas e, ainda, as demais en‑ ao servidor público civil o direito à livre associação sin‑
tidades controladas direta ou indiretamente pela União, dical. É norma de eficácia plena. É vedada a dispensa do
mesmo que visem a objetivos estritamente econômicos, empregado sindicalizado a partir do registro da candida‑
em regime de competitividade com a iniciativa privada. tura a cargo de direção ou representação sindical e, se
O prazo de validade do concurso público será de até eleito, ainda que suplente, até um ano após o final do

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 44 22/3/2012 15:57:03


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 45

mandato, salvo se cometer falta grave nos termos da lei. sídio mensal dos Desembargadores do respectivo Tribu‑
Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve. nal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco
e) Direito de greve: o direito de greve será exer‑ centésimos por cento do subsídio mensal dos Ministros
cido nos termos e nos limites definidos em lei específica. do STF, não se aplicando aos subsídios dos Deputados
O entendimento é que devem ser aplicadas, no que cou‑ Estaduais e Distritais e dos Vereadores.
ber, as regras do setor privado previstas na Lei n. Os vencimentos e os subsídios são irredutíveis, de‑
7.783/89. Ao militar são proibidas a sindicalização e a vendo ser observado que para os trabalhadores urbanos
greve. e rurais a irredutibilidade do salário é excepcionada por
f) Portadores de deficiência: a lei reservará convenção ou acordo coletivo. Os vencimentos dos car‑
percentual dos cargos e empregos públicos para as pesso‑ gos do Poder Legislativo e do Poder Judiciário não pode‑
as portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua rão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo. É
admissão. A Lei é a de n. 8.112/90, que estabelece às vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espé‑
pessoas portadoras de deficiência o direito de se inscre‑ cies remuneratórias para o efeito de remuneração de
ver em concurso público para provimento de cargo cujas pessoal do serviço público. Os acréscimos pecuniários
atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que percebidos por servidor público não serão computados
são portadoras; para tais pessoas serão reservadas até nem acumulados para fins de concessão de acréscimos
20% das vagas oferecidas no concurso. ulteriores. A fixação dos padrões de vencimento e dos
g) Função pública: é um conceito residual; a lei demais componentes do sistema remuneratório observa‑
estabelecerá os casos de contratação por tempo determi‑ rá: a natureza, o grau de responsabilidade e a complexi‑
nado para atender a necessidade temporária de excepcio‑ dade dos cargos componentes de cada carreira, os requi‑
nal interesse público. sitos para a investidura e as peculiaridades dos cargos.
h) Remuneração: é proibida a prestação de servi‑ i) Acumulação remunerada de cargos públi‑
ços gratuitos, salvo os casos previstos em lei. Dessa for‑ cos: é vedada a acumulação remunerada de cargos pú‑
ma, os serviços prestados são pagos pela remuneração, blicos, exceto quando houver compatibilidade de horá‑
que pode ser feita por vencimento (vencimento padrão rios: a) a de dois cargos de professor; b) a de um cargo de
+ vantagens pessoais), salário (celetistas), proventos professor com outro técnico ou científico; c) a de dois
(inativos), pensões (pensionistas) e subsídio (fixado em cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde,
parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratifica‑ com profissões regulamentadas; d) aos juízes é vedado
ção, adicional, abono, prêmio, verba de representação exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou
ou outra espécie remuneratória). função, salvo uma de magistério; e) aos membros do Mi‑
O subsídio é observado para membros de poder, nistério Público é vedado exercer, ainda que em disponi‑
detentores de mandato eletivo, auxiliares da chefia do bilidade, qualquer outra função pública, salvo uma de
executivo, servidores policiais e integrantes da AGU, magistério. Na acumulação remunerada, é necessário
PFN, Procuradoria­‑Geral do Estado, Procuradoria­ observar o limite do teto salarial. A proibição de acumu‑
‑Geral do Distrito Federal e da Defensoria Pública. É lar estende­‑se a empregos e funções e abrange autar‑
possível a aplicação facultativa do subsídio para remune‑ quias, fundações, empresas públicas, sociedades de eco‑
ração dos servidores públicos organizados em carreira. nomia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas,
O teto funcional como limite máximo de remune‑ direta ou indiretamente, pelo poder público.
ração é o do Ministro do STF. Cabe ao Congresso Na‑ j) Precedência da Administração Fazendá‑
cional, com a sanção do Presidente da República, dispor ria: a Administração Fazendária e seus servidores fiscais
sobre a fixação do subsídio dos Ministros do STF. Não terão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição,
serão computadas, para efeito dos limites remunerató‑ precedência sobre os demais setores administrativos, na
rios, as parcelas de caráter indenizatório previstas em forma da lei. A Administração Fazendária representa ati‑
lei. O teto aplica­‑se inclusive às empresas públicas e às vidade essencial ao funcionamento do Estado, já que é
sociedades de economia mista, e suas subsidiárias, que por meio de sua atuação que são arrecadados os recursos
receberem recursos da União, dos Estados, do Distrito indispensáveis para custeio das atividades do Estado. Ne‑
Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas nhum setor da Administração poderá obstar ou dificul‑
de pessoal ou de custeio em geral. tar o desempenho das funções dos servidores fiscais fa‑
Fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fi‑ zendários. A forma como será respeitada essa precedência
xar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas deverá estar determinada em lei, uma vez que a norma
Constituições e Lei Orgânica, como limite único, o sub‑ constitucional não é autoaplicável.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 45 22/3/2012 15:57:03


46 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

k) Criação da Administração Pública indi‑ q) Exercício de mandato eletivo: ao servidor


reta: somente por lei específica poderá ser criada autar‑ público da administração direta, autárquica e fundacio‑
quia e autorizada a instituição de empresa pública, de nal, no exercício de mandato eletivo, aplicam­‑se as se‑
sociedade de economia mista e de fundação, cabendo à guintes disposições: a) tratando­‑se de mandato eletivo
lei complementar, neste último caso, definir as áreas de federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu car‑
sua atuação. Depende de autorização legislativa, em cada go, emprego ou função; b) investido no mandato de Pre‑
caso, a criação de subsidiárias das entidades menciona‑ feito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo­
das no inciso anterior, assim como a participação de ‑lhe facultado optar pela sua remuneração; c) investido
qualquer delas em empresa privada. no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de
l) Exigência de licitação: ressalvados os casos horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego
especificados na legislação, as obras, serviços, compras e ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eleti‑
alienações serão contratados mediante processo de lici‑ vo, e, não havendo compatibilidade, será afastado do
tação pública que assegure igualdade de condições a to‑ cargo, emprego ou função, sendo­‑lhe facultado optar
dos os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam pela sua remuneração; d) em qualquer caso que exija o
obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu
da proposta, nos termos da lei, o qual somente permitirá tempo de serviço será contado para todos os efeitos le‑
as exigências de qualificação técnica e econômica indis‑ gais, exceto para promoção por merecimento; e) para
pensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamen‑
m) Administração tributária: as administra‑ to, os valores serão determinados como se no exercício
ções tributárias da União, dos Estados, do Distrito Fe‑ estivesse.
deral e dos Municípios, atividades essenciais ao funcio‑ r) Aposentadoria: aos servidores titulares de
namento do Estado, exercidas por servidores de carreiras cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Fede‑
específicas, terão recursos prioritários para a realização ral e dos Municípios, incluídas suas autarquias e funda‑
de suas atividades e atuarão de forma integrada, inclusi‑ ções, é assegurado regime de previdência de caráter con‑
ve com o compartilhamento de cadastros e de informa‑ tributivo e solidário, mediante contribuição do
ções fiscais, na forma da lei ou convênio. respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos
n) Improbidade administrativa: os atos de im‑ e dos pensionistas, observados os critérios que preser‑
probidade administrativa importarão a suspensão dos vem o equilíbrio financeiro e atuarial. Existem três es‑
direitos políticos, a perda da função pública, a indisponi‑ pécies de aposentadoria: a) por invalidez permanente,
bilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma sendo os proventos proporcionais ao tempo de contri‑
e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal buição, exceto se decorrente de acidente em serviço,
cabível. moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou in‑
o) Responsabilidade civil do Estado: a lei es‑ curável, na forma da lei; b) compulsoriamente, aos 70
tabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos pratica‑ anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de
dos por qualquer agente, servidor ou não, que cause pre‑ contribuição; c) voluntariamente, desde que cumprido
juízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no servi‑
ressarcimento. As pessoas jurídicas de direito público e ço público e cinco anos no cargo efetivo em que se dará
as de direito privado prestadoras de serviços públicos a aposentadoria, observadas as seguintes condições: a)
responderão pelos danos que seus agentes, nessa qualida‑ 60 anos de idade e 35 de contribuição, se homem, e 55
de, causarem a terceiros, assegurado o direito de regres‑ anos de idade e 30 de contribuição, se mulher; b) 65
so contra o responsável nos casos de dolo ou culpa. anos de idade, se homem, e 60 anos de idade, se mulher,
p) Contrato de gestão: a autonomia gerencial, com proventos proporcionais ao tempo de contribuição.
orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da ad‑ s) Estabilidade do servidor público: são está‑
ministração direta e indireta poderá ser ampliada me‑ veis após 3 anos de efetivo exercício os servidores no‑
diante contrato, a ser firmado entre seus administrado‑ meados para cargo de provimento efetivo em virtude
res e o poder público, que tenha por objeto a fixação de de concurso público. O servidor público estável só per‑
metas de desempenho para o órgão ou entidade, cabendo derá o cargo: I – em virtude de sentença judicial transi‑
à lei dispor sobre: I – o prazo de duração do contrato; II tada em julgado; II – mediante processo administrativo
– os controles e critérios de avaliação de desempenho, em que lhe seja assegurada ampla defesa; III – mediante
direitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; III procedimento de avaliação periódica de desempenho,
– a remuneração do pessoal. na forma de lei complementar, assegurada ampla defe‑

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 46 22/3/2012 15:57:03


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 47

sa. Invalidada por sentença judicial a demissão do servi‑ imóveis prevista no art. 19 (fruto de procedimento judi‑
dor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante cial ou de dação em pagamento), a quem oferecer o
da vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, maior lance, igual ou superior ao valor da avaliação. O
sem direito a indenização, aproveitado em outro cargo limite do leilão para alienação de bens móveis da Admi‑
ou posto em disponibilidade com remuneração propor‑ nistração Pública é de 650 mil reais. O bem a ser leiloa‑
cional ao tempo de serviço. Extinto o cargo ou declara‑ do será previamente avaliado para fixação do preço mí‑
da a sua desnecessidade, o servidor estável ficará em nimo de arrematação. O pagamento da parcela à vista
disponibilidade, com remuneração proporcional ao nos leilões internacionais poderá ser feito em até 24 ho‑
tempo de serviço, até seu adequado aproveitamento em ras.
outro cargo. Como condição para a aquisição da estabi‑ b) Concurso: é a modalidade de licitação entre
lidade, é obrigatória a avaliação especial de desempe‑ quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico,
nho por comissão instituída para essa finalidade. científico ou artístico, mediante a instituição de prêmios
t) Servidores militares: os membros das Polí‑ ou remuneração aos vencedores, conforme critérios
cias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, insti‑ constantes de edital publicado na Imprensa Oficial com
tuições organizadas com base na hierarquia e disciplina, antecedência mínima de 45 (quarenta e cinco) dias. O
são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos julgamento será feito por uma Comissão especial forma‑
Territórios. Aplicam­‑se aos militares dos Estados, do da por pessoas de reputação ilibada e de reconhecido co‑
Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a nhecimento da matéria, servidores públicos ou não.
ser fixado em lei, as seguintes disposições: a) o tempo c) Convite: é a modalidade de licitação entre inte‑
de contribuição federal, estadual ou municipal será ressados do ramo pertinente ao seu objeto, cadastrados
contado para efeito de aposentadoria e o tempo de ser‑ ou não, escolhidos e convidados em número mínimo de
viço correspondente para efeito de disponibilidade; b) 3 (três) pela unidade administrativa, a qual afixará, em
disposições constitucionais aplicáveis aos militares das local apropriado, cópia do instrumento convocatório e o
Forças Armadas previstas no art. 142, §§ 2º e 3º; c) dis‑ estenderá aos demais cadastrados na correspondente es‑
posições constitucionais sobre a elegibilidade do militar pecialidade que manifestarem seu interesse com antece‑
previstas no art. 14, § 8º, da CF, cabendo à lei estadual dência de até 24 (vinte e quatro) horas da apresentação
específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º, X, das propostas. É usado para celebrar contratos de peque‑
sendo as patentes dos oficiais conferidas pelos respecti‑ no vulto: I – para obras e serviços de engenharia: a) con‑
vos governadores. Aos pensionistas dos militares dos vite – até R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais);
Estados, do Distrito Federal e dos Territórios aplica­‑se II – para compras e serviços não de engenharia: a) con‑
o que for fixado em lei específica do respectivo ente vite – até R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). No convite
estatal. quando a comissão de licitação poderá ser substituída
por servidor formalmente designado pela autoridade
competente, nas pequenas unidades administrativas e
12. LICITAÇÕES em face da exiguidade de pessoa disponível. É possível
convite em licitação internacional, quando não houver
12.1 Conceito
fornecedor do bem ou serviço no País, respeitado o limi‑
É o procedimento administrativo, pelo qual um te de valor. Quando, por limitações do mercado ou ma‑
ente público, segundo condições previamente estipula‑ nifesto desinteresse dos convidados, for impossível a ob‑
das, visa selecionar a melhor proposta para celebração do con- tenção do número mínimo de licitantes exigidos de três,
trato. É um procedimento que visa garantir o princípio da essas circunstâncias deverão ser devidamente justifica‑
isonomia. das no processo, sob pena de repetição do convite.
d) Tomada de preços: é a modalidade de licita‑
12.2 Modalidades ção entre interessados devidamente cadastrados ou que
São modalidades de licitação: I – concorrência; II atenderem a todas as condições exigidas para cadastra‑
– tomada de preços; III – convite; IV – concurso; V – mento até o terceiro dia anterior à data do recebimento
leilão; VI – pregão. É vedada a criação de outras moda‑ das propostas, observada a necessária qualificação. O
lidades de licitação ou a combinação das referidas moda‑ julgamento é feito por Comissão integrada por três
lidades, salvo se for por lei nacional. membros. É admitida nas licitações internacionais,
a) Leilão: é a modalidade de licitação entre quais‑ quando o órgão ou entidade disponha de cadastro inter‑
quer interessados para a venda de bens móveis inserví‑ nacional de fornecedores, respeitado o limite de valor. É
veis para a administração ou de produtos legalmente usada para celebrar contratos de médio vulto: I – para
apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens obras e serviços de engenharia: até R$ 1.500.000,00

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 47 22/3/2012 15:57:04


48 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

(um milhão e quinhentos mil reais); II – para compras e ocorrer mais tarde. Qualquer modificação no edital exi‑
serviços não de engenharia: até R$ 650.000,00 (seis‑ ge divulgação pela mesma forma que se deu o texto ori‑
centos e cinquenta mil reais). A nota marcante é a habi‑ ginal, reabrindo­‑se o prazo inicialmente estabelecido,
litação prévia com cadastramento nos registros cadas‑ exceto quando, inquestionavelmente, a alteração não afe‑
trais. tar a formulação das propostas.
e) Concorrência: é a modalidade de licitação en‑
tre quaisquer interessados que, na fase inicial de habilita‑ 12.4 Regra
ção preliminar, comprovem possuir os requisitos míni‑ Nos casos em que couber convite, a Administração
mos de qualificação exigidos no edital para execução de poderá utilizar a tomada de preços e, em qualquer caso,
seu objeto. É usado para celebrar contratos de grande a concorrência.
vulto: I – para obras e serviços de engenharia: acima de
R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais); II
12.5 Consórcios públicos
– para compras e serviços não de engenharia: acima de
R$ 650.000,00 (seiscentos e cinquenta mil reais). a) quando formado por até 3 (três) entes da Federa‑
ção: será o dobro; b) quando formado por maior núme‑
12.3 Publicidade ro: será o triplo.
Os avisos contendo os resumos dos editais das con‑
12.6 Casos de concorrência sem levar em conta o valor
corrências, das tomadas de preços, dos concursos e dos
leilões, embora realizados no local da repartição interes‑ a) na compra ou alienação de bens imóveis, ressal‑
sada, deverão ser publicados com antecedência, no míni‑ vados os casos de leilão; b) nas concessões de direito real
mo, por uma vez: I – no Diário Oficial da União, quan‑ de uso; c) nas licitações internacionais; d) contrato de
do se tratar de licitação feita por órgão ou entidade da concessão de serviço público e contratos de parcerias
Administração Pública Federal e, ainda, quando se tra‑ público­‑privadas.
tar de obras financiadas parcial ou totalmente com re‑
cursos federais ou garantidas por instituições federais; II 12.7 Princípios da licitação
– no Diário Oficial do Estado, ou do Distrito Federal A licitação destina­‑se a garantir a observância do
quando se tratar, respectivamente, de licitação feita por princípio constitucional da isonomia e a selecionar a pro‑
órgão ou entidade da Administração Pública Estadual ou posta mais vantajosa para a Administração e será proces‑
Municipal, ou do Distrito Federal; III – em jornal diário sada e julgada em estrita conformidade com os princípios
de grande circulação no Estado e também, se houver, básicos da legalidade, da impessoalidade, da moralidade,
em jornal de circulação no Município ou na região onde da igualdade, da publicidade, da probidade administrati‑
será realizada a obra, prestado o serviço, fornecido, alie‑ va, da vinculação ao instrumento convocatório, do julga‑
nado ou alugado o bem, podendo ainda a Administração, mento objetivo e dos que lhes são correlatos.
conforme o vulto da licitação, utilizar‑se de outros a) Competitividade: efetiva competição entre os
meios de divulgação para ampliar a área de competição. participantes evitando manipulações de preços, sob pena
O aviso publicado conterá a indicação do local em que os de crime de detenção de 2 a 4 anos e multa.
interessados poderão ler e obter o texto integral do edi‑
b) Adjudicação compulsória: é o que garante
tal e todas as informações sobre a licitação.
ao vencedor que quando a AP resolver celebrar o contra‑
O prazo mínimo de publicidade até o recebimento to relativo ao objeto da licitação fará com ele.
das propostas ou da realização do evento varia conforme
c) Vinculação ao instrumento convocató‑
a modalidade licitatória: a) Concurso: 45 dias; b) Con‑
rio: o edital é lei interna da licitação, de forma que as
corrência: em regra será de 30 dias; por exceção, será de
suas normas e condições vinculam os licitantes e a pró‑
45 dias, quando o contrato a ser celebrado contemplar o
pria AP.
regime de empreitada integral ou quando a licitação for
do tipo “melhor técnica” ou “técnica e preço”; c) Tomada d) Julgamento objetivo: o julgamento das pro‑
de preços: em regra será de 15 dias; por exceção, será de postas deve ser feito com base em critérios objetivos de‑
30 dias, quando a licitação for do tipo “melhor técnica” finidos no edital ou convite.
ou “técnica e preço”; d) Leilão: 15 dias; e) Convite: 5 e) Sigilo na apresentação das propostas: o
dias úteis. Os prazos serão contados a partir da última conteúdo das propostas é mantido em sigilo até a abertu‑
publicação do edital resumido ou da expedição do convi‑ ra das propostas, sob pena de configurar crime de deten‑
te, ou ainda da efetiva disponibilidade do edital ou do ção de 2 a 3 anos e multa.
convite e respectivos anexos, prevalecendo a data que f) Publicidade: os atos e os motivos das decisões

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 48 22/3/2012 15:57:04


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 49

no procedimento licitatório devem ser públicos e acessí‑ cidir se quer ou não dispensar a sua realização; já na lici‑
veis ao público para permitir controle. tação dispensada, a lei dispensa a licitação, sem deixar
g) Isonomia: é o que veda discriminação no jul‑ para AP qualquer poder discricionário.
gamento das propostas e permite participar quaisquer
interessados que tenham condições de celebrar o con‑ 12.10.2 Licitação dispensada
trato. Em igualdade de condições, como critério de O rol das hipóteses de licitação dispensada é taxati‑
desempate, será assegurada preferência, sucessivamen‑ vo e aborda o assunto da alienação de bens imóveis ou
te, aos bens e serviços: I – produzidos ou prestados por móveis pela AP. São hipóteses de licitação dispensada de
empresas brasileiras de capital nacional; II – produzi‑ bens móveis: quando móveis, dependerá de avaliação
dos no País; III – produzidos ou prestados por empre‑ prévia e de licitação, dispensada esta nos seguintes ca‑
sas brasileiras; IV – produzidos ou prestados por em‑ sos: a) doação, permitida exclusivamente para fins e uso
presas que invistam em pesquisa e no desenvolvimento de interesse social, após avaliação de sua oportunidade e
de tecnologia no País. conveniência socioeconômica, relativamente à escolha
de outra forma de alienação; b) permuta, permitida ex‑
12.8 Desfazimento da licitação clusivamente entre órgãos ou entidades da Administra‑
ção Pública; c) venda de ações, que poderão ser negocia‑
Os requisitos necessários para o desfazimento da
das em bolsa, observada a legislação específica; d) venda
licitação são o contraditório e a ampla defesa. A licita‑
de títulos, na forma da legislação pertinente; e) venda de
ção será anulada quando houver vício de legalidade. Só bens produzidos ou comercializados por órgãos ou enti‑
gera indenização se o contratado já houver executado dades da Administração Pública, em virtude de suas fi‑
parte do objeto até o momento da anulação, para evitar nalidades; f) venda de materiais e equipamentos para
o enriquecimento sem causa. A anulação da licitação in‑ outros órgãos ou entidades da Administração Pública,
duz à anulação do contrato e produz efeitos ex tunc. sem utilização previsível por quem deles dispõe.
Revogação é o desfazimento dos efeitos da licitação Já as hipóteses de licitação dispensada de bens imó‑
já concluída em virtude de critérios de ordem adminis‑ veis dependerão de autorização legislativa para órgãos da
trativa ou razões de interesse público. É necessário indi‑ Administração Direta e entidades autárquicas e funda‑
car motivo da revogação, e as razões de interesse público cionais, e, para todos, inclusive as entidades paraestatais,
geradoras da revogação devem ser originadas de fato su‑ dependerá de avaliação prévia e de licitação na modalida‑
perveniente devidamente comprovado. Não cabe inde‑ de de concorrência, dispensada esta nos seguintes casos:
nização nem ao vencedor que só tem expectativa na ce‑ a) dação em pagamento; b) doação, permitida exclusiva‑
lebração do contrato. mente para outro órgão ou entidade da Administração
Pública, de qualquer esfera de governo; c) permuta, por
12.9 Inexigibilidade outro imóvel; d) investidura; e) venda a outro órgão ou
entidade da Administração Pública, de qualquer esfera de
São casos em que há impossibilidade jurídica de lici‑
governo; f) alienação gratuita ou onerosa, aforamento,
tação, previstos no rol exemplificativo do art. 25 da Lei
concessão de direito real de uso, locação ou permissão de
n. 8.666/93. É necessário ser motivada com indicação
uso de bens imóveis residenciais construídos, destinados
da causa. Não é possível inexigibilidade para a contrata‑ ou efetivamente utilizados no âmbito de programas habi‑
ção de serviços de publicidade e divulgação. Os casos de tacionais ou de regularização fundiária de interesse social
inexigibilidade de licitação são: a) fornecedor exclusivo, desenvolvidos por órgãos ou entidades da Administração
vedada preferência de marca; b) contratação de artistas Pública; g) procedimentos de legitimação de posse; h)
consagrados pela crítica ou pelo público; c) contratação alienação gratuita ou onerosa, aforamento, concessão de
de serviços técnicos especializados de natureza singular. direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens
A exclusividade do fornecedor é comprovada por atesta‑ imóveis de uso comercial de âmbito local com área de até
do fornecido pelo órgão de registro do comércio do local 250 m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) e inse‑
da licitação, pelo sindicato, federação ou confederação ridos no âmbito de programas de regularização fundiária
patronal ou ainda por entidades equivalentes. de interesse social desenvolvi­dos por órgãos ou entidades
da Administração Pública.­
12.10 Dispensa da licitação
12.10.3 Licitação dispensável
12.10.1 Confronto O rol das hipóteses de licitação dispensável tem na‑
Na licitação dispensável, a lei autoriza a não realiza‑ tureza taxativa no art. 24 da Lei n. 8.666/93. São hipó‑
ção da licitação e a AP pode de forma discricionária de‑ teses de licitação dispensável:

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 49 22/3/2012 15:57:04


50 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

I – para obras e serviços de engenharia de valor até cionem a sua escolha, desde que o preço seja compatível
10% (dez por cento) de R$ 150.000,00, desde que não com o valor de mercado, segundo avaliação prévia;
se refiram a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou XI – na contratação de remanescente de obra, ser‑
ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mes‑ viço ou fornecimento, em consequência de rescisão con‑
mo local que possam ser realizadas conjunta e concomi‑ tratual, desde que atendida a ordem de classificação da
tantemente; licitação anterior e aceitas as mesmas condições ofereci‑
II – para outros serviços e compras de valor até das pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço,
10% (dez por cento) de 80 mil reais e para alienações, devidamente corrigido;
nos casos previstos nesta Lei, desde que não se refiram a XII – nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e
parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de outros gêneros perecíveis, no tempo necessário para a
maior vulto que possa ser realizada de uma só vez; realização dos processos licitatórios correspondentes,
III – nos casos de guerra ou grave perturbação da realizadas diretamente com base no preço do dia;
ordem; XIII – na contratação de instituição brasileira in‑
IV – nos casos de emergência ou de calamidade pú‑ cumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do
blica, quando caracterizada urgência de atendimento de ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de insti‑
situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a tuição dedicada à recuperação social do preso, desde que
segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e a contratada detenha inquestionável reputação ético­
outros bens, públicos ou particulares, e somente para os ‑profissional e não tenha fins lucrativos;
bens necessários ao atendimento da situação emergen‑ XIV – para a aquisição de bens ou serviços nos ter‑
cial ou calamitosa e para as parcelas de obras e serviços mos de acordo internacional específico aprovado pelo
que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 Congresso Nacional, quando as condições ofertadas fo‑
(cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, conta‑ rem manifestamente vantajosas para o Poder Público;
dos da ocorrência da emergência ou calamidade, vedada a XV – para a aquisição ou restauração de obras de
prorro­gação dos respectivos contratos; arte e objetos históricos, de autenticidade certificada,
V – quando não acudirem interessados à licitação desde que compatíveis ou inerentes às finalidades do ór‑
anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetida gão ou entidade;
sem prejuízo para a Administração, mantidas, neste XVI – para a impressão dos diários oficiais, de for‑
caso, todas as condições preestabelecidas; mulários padronizados de uso da administração, e de
VI – quando a União tiver que intervir no domínio edições técnicas oficiais, bem como para prestação de
econômico para regular preços ou normalizar o abaste‑ serviços de informática a pessoa jurídica de direito pú‑
cimento; blico interno, por órgãos ou entidades que integrem a
VII – quando as propostas apresentadas consigna‑ Administração Pública, criados para esse fim específico;
rem preços manifestamente superiores aos praticados no XVII – para a aquisição de componentes ou peças
mercado nacional, ou forem incompatíveis com os fixa‑ de origem nacional ou estrangeira, necessários à manu‑
dos pelos órgãos oficiais competentes; persistindo a situ‑ tenção de equipamentos durante o período de garantia
ação, será admitida a adjudicação direta dos bens ou ser‑ técnica, junto ao fornecedor original desses equipamen‑
viços, por valor não superior ao constante do registro de tos, quando tal condição de exclusividade for indispensá‑
preços, ou dos serviços; vel para a vigência da garantia;
VIII – para a aquisição, por pessoa jurídica de direi‑ XVIII – nas compras ou contratações de serviços
to público interno, de bens produzidos ou serviços pres‑ para o abastecimento de navios, embarcações, unidades
tados por órgão ou entidade que integre a Administração aéreas ou tropas e seus meios de deslocamento quando
Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em estada eventual de curta duração em portos, aero‑
em data anterior à vigência da Lei n. 8.666/93, desde portos ou localidades diferentes de suas sedes, por moti‑
que o preço contratado seja compatível com o praticado vo de movimentação operacional ou de adestramento,
no mercado; quando a exiguidade dos prazos legais puder comprome‑
IX – quando houver possibilidade de comprometi‑ ter a normalidade e os propósitos das operações e desde
mento da segurança nacional, nos casos estabelecidos que seu valor não exceda ao limite de R$ 80.000.00;
em decreto do Presidente da República, ouvido o Con‑ XIX – para as compras de material de uso pelas
selho de Defesa Nacional; Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pes‑
X – para a compra ou locação de imóvel destinado soal e administrativo, quando houver necessidade de
ao atendimento das finalidades precípuas da administra‑ manter a padronização requerida pela estrutura de apoio
ção, cujas necessidades de instalação e localização condi‑ logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 50 22/3/2012 15:57:04


ADMINISTRATIVO
DIREITO
DIREITO ADMINISTRATIVO 51

parecer de comissão instituída por decreto; des contempladas no contrato de gestão;


XX – na contratação de associação de portadores de XXV – na contratação realizada por Instituição
deficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada Científica e Tecnológica – ICT ou por agência de fomen‑
idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração to para a transferência de tecnologia e para o licencia‑
Pública, para a prestação de serviços ou fornecimento de mento de direito de uso ou de exploração de criação
mão de obra, desde que o preço contratado seja compatí‑ protegida;
vel com o praticado no mercado; XXVI – na celebração de contrato de programa
XXI – para a aquisição de bens destinados exclusi‑ com ente da Federação ou com entidade de sua adminis‑
vamente a pesquisa científica e tecnológica com recursos tração indireta, para a prestação de serviços públicos de
concedidos pela CAPES, FINEP, CNPq ou outras insti‑ forma associada nos termos do autorizado em contrato
tuições de fomento à pesquisa credenciadas pelo CNPq de consórcio público ou em convênio de cooperação;
para esse fim específico; XXVII – na contratação da coleta, processamento e
XXII – na contratação de fornecimento ou supri‑ comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou
mento de energia elétrica e gás natural com concessioná‑ reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de
rio, permissionário ou autorizado, segundo as normas da lixo, efetuados por associações ou cooperativas formadas
legislação específica; exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda reco‑
XXIII – na contratação realizada por empresa pú‑ nhecidas pelo Poder Público como catadores de materiais
blica ou sociedade de economia mista com suas subsidiá‑ recicláveis, com o uso de equipamentos compatíveis com
rias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, as normas técnicas, ambientais e de saúde pública;
prestação ou obtenção de serviços, desde que o preço XXVIII – para o fornecimento de bens e serviços,
contratado seja compatível com o praticado no mercado; produzidos ou prestados no País, que envolvam, cumula‑
XXIV – para a celebração de contratos de prestação tivamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacio‑
de serviços com as organizações sociais, qualificadas no nal, mediante parecer de comissão especialmente desig‑
âmbito das respectivas esferas de governo, para ativida‑ nada pela autoridade máxima do órgão.

Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 51 22/3/2012 15:57:04


Policia Federal - Delegado e Agente 009-052.indd 52 22/3/2012 15:57:04
DIREITO CONSTITUCIONAL

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 53 22/3/2012 16:00:11


D I R E I TO CO N S T I T U C I O N A L

I – DIREITO CONSTITUCIONAL g) C
 iência Cultural: pertence ao mundo do
dever­‑ser.
h) Ciência normativa ética: sua finalidade não
1. Conceito
é somente o conhecimento teórico da realidade
O Direito Constitucional tem como objeto de estu‑
jurídica, mas também a formulação de normas
do a Constituição1, lei fundamental do Estado, que,
por sua vez, estabelece o modo de ser do Estado, ou seja, essenciais de um Estado.
regula a estrutura, a organização, o funcionamento e
proteção de um determinado Estado em seus aspectos 3. Objeto
fundamentais, bem como os direitos, deveres e garantias O Direito Constitucional tem por objeto a Consti‑
fundamentais dos membros da sociedade. Como observa tuição do Estado, ou seja, o estudo sistematizado da or‑
José Afonso da Silva2, “Direito Constitucional é ramo do ganização jurídica fundamental do Estado. São temas
Direito Público que expõe, interpreta e sistematiza os integrantes do estudo sistemático das Constituições:
princípios e normas fundamentais do Estado”. a) forma de Estado;
b) forma de Governo;
2. Natureza Jurídica
c) sistema ou regime de governo;
O Direito Constitucional é:
d) regime político;
a) Ramo do Direito Público: seu objeto de es‑
tudo é a regularização da organização e a ativida‑ e) modo de aquisição, exercício e perda do poder
de do Estado considerado em si mesmo. político;
b) Direito Público fundamental3 : Direito f) direitos e garantias fundamentais;
Constitucional é a base dos demais ramos do g) órgãos do Estado e suas funções;
Direito, estabelecendo as diretrizes da vida em h) limites de atuação estatal;
sociedade.
i) distribuição de competências;
c) Ramo da ciência jurídica: é uma parte do
conhecimento que estuda a organização do Esta‑ j) principais postulados da ordem econômica, so‑
do e seus limites. cial e cultural.
d) Ramo do Direito Positivo: é um conjunto de
normas em vigor e um país e em determinada 4. Fontes Formais
época, para reger a particular maneira de ser do Fontes formais do Direito Constitucional são as
Estado. formas de revelação do Direito Constitucional. Há di‑
e) Ciência: é um conhecimento sistematizado so‑ vergência doutrinária, mas podemos dizer que são fontes
bre determinado objeto. formais5: a) costumes: na Inglaterra o sistema é chama‑
f) Ciência Positiva das Constituições4 : seu do de common law; b) lei: fonte das Constituições formais
objeto de estudo é a Constituição. do século XVIII; c) jurisprudência: não existe Consti‑

1
A Constituição é conhecida, entre outras tantas denominações, como a Lei Maior, Código Supremo, Carta Magna, Carta Política, Magna Carta ou
Estatuto Básico.
2
SILVA, José Afonso. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 34.
3
“Direito do Estado por excelência”. BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 1.
4
PINTO FERREIRA, Luiz. Princípios gerais do direito constitucional moderno. São Paulo: Saraiva, 1983, p. 13.
5
CARVALHO, Kildare Gonçalves. Direito constitucional. Belo Horizonte: Del Rey, 2007.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 54 22/3/2012 16:00:11


DIREITO CONSTITUCIONAL 55

tuição manifestada de forma exclusiva por jurisprudên‑ podemos estabelecer as concepções do constitucionalis‑
cia; é fonte tanto das Constituições formais, como das mo em suas diversas fases e passagens históricas:
Costumeiras. Há autores, como André Ramos Tavares6, a) C onstitucionalismo primitivo: adota o

CONSTITUCIONAL
que distinguem as fontes do Direito Constitucional em: constitucionalismo em sentido amplo; não havia

DIREITO
a) diretas ou imediatas: Constituição, as leis, os decretos constituições escritas; é caracterizado por dois
e regulamentos de conteúdo constitucional; b) indiretas elementos marcantes: 1) politeísmo: os detento‑
ou mediatas: costumes, jurisprudência, doutrina, prin‑ res do poder eram representantes de deuses na
cípios gerais do direito, convicções sociais vigentes, ideia terra; 2) consuetudinário: os líderes criaram
de justiça e outras manifestações. normas para a vida em sociedade extraídas dos
costumes, além dos precedentes judiciários.
5. Perspectivas b) C onstitucionalismo antigo: já havia a ideia
a) Sociológica: é o estudo do Direito Constitu‑ de limitação de poder; não havia meios para co‑
cional como manifestação da vida social, visando agir os detentores do poder a cumprir os com‑
identificar o nascimento, o desenvolvimento e a portamentos contidos nos costumes e acordos
manutenção das normas constitucionais em uma de vontades; não havia constituições escritas;
determinada sociedade. havia superioridade do Parlamento.
b) Política: é o estudo do Direito Constitucional c) Constitucionalismo medieval: já havia a
como ramo dedicado ao estudo do poder políti‑ ideia da limitação do poder através de documen‑
co em suas diversas manifestações e limites. tos de direitos e garantias fundamentais (pactos,
c) Jurídica: é o estudo do Direito Constitucional forais e contratos de colonização), visando o go‑
com enfoque no estudo do Estado, visando iden‑ verno da lei; se o rei fosse tirano, os súditos não
tificar sua origem, características, formas e ob‑ cumpriam os acordos; havia predomínio do di‑
jetivos. reito natural e primado da função judiciária.
d) Constitucionalismo moderno: constituição
6. Concepção positiva escrita como limitação do poder a partir de
A concepção positiva do Direito Constitucional 1787/1791; coincide com o pós­‑positivismo que
aborda não apenas o seu conteúdo, mas também suas promoveu a superação do normativismo exacer‑
tendências e aspectos estruturais. No conteúdo, divide­ bado; reconhecimento de princípios; apareci‑
‑se em três partes: mento do poder constituinte originário, do pro‑
a) Direito constitucional positivo: tem por cesso dificultoso da emenda constitucional, do
objeto de estudo determinada constituição. poder constituinte decorrente, do controle de
b) Direito constitucional comparado: faz um constitucionalidade, da força normativa da cons‑
estudo comparativo de duas ou mais constitui‑ tituição e da constituição dogmática e histórica;
ções, visando acentuar semelhanças e diferen‑ primado da supremacia constitucional e da sepa‑
ças. ração de poderes.
c) Direito constitucional geral: é aquele que e) C onstitucionalismo contemporâneo: cons-
trata de elementos e conceitos que devem (ou tituições amplas e programáticas; busca da justi‑
deveriam) estar presentes em todas as constitui‑ ça e igualdade na proteção das liberdades públi‑
ções. cas e da própria constituição.
Estruturalmente, o Direito Constitucional deve ser f) Constitucionalismo do porvir ou do fu‑
estudado em conexão com a realidade social, pesquisan‑ turo: é buscar uma realidade equilibrada com
do suas raízes nas instituições político­‑sociais, de forma mudanças justas. José R. Dromi7 estabeleceu
a estabelecer um estudo sistematizado sobre a composi‑ seis valores fundamentais das constituições do
ção do poder político e os limites de sua atuação. porvir: 1) veracidade – as constituições não con‑
Em relação às tendências do Direito Constitucional teriam promessas impossíveis nem mentiras; se‑

6
TAVARES, André Ramos. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2007.
7
DROMI, José Roberto. El derecho público de finales de siglo: una perspectiva iberoamericana (coords. Eduardo García de Enterría e Manuel Clavero Areva‑
lo). Madrid: Fundación Banco Bilbao Vizcaya/Civitas, 1997.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 55 22/3/2012 16:00:11


56 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

riam transparentes, éticas, eficazes, oportunas, partes: 1) sentido jurídico­‑positivo: é aque‑


convenientes, ponderadas e sinceras; 2) solida‑ le que estabelece um conceito de Constituição.
riedade – as discriminações seriam eliminadas, Para ele, Constituição é a norma suprema do
prevalecendo o reconhecimento das liberdades, país, lei nacional no seu mais alto grau. Nesse
da dignidade e da justiça social; 3) continuidade sentido, o objeto de análise é o plano das normas
– as reformas constitucionais visavam o pro‑ postas, ou seja, positivadas; 2) sentido lógico­
gresso com ponderação de equilíbrio; 4) parti‑ ‑jurídico: é aquele que estabelece o fundamen‑
cipatividade – fazer o povo participar dos negó‑ to da Constituição. Para Kelsen, o fundamento
cios públicos de forma ativa, equilibrada, da Constituição é norma hipotética fundamen‑
integral e responsável; 5) integracionalidade – tal, ou seja, norma não editada por nenhum ato
união dos povos no âmbito interno e internacio‑ de autoridade. Assim, o objeto de análise é o
nal para desenvolvimento; 6) universalidade – plano hipotético ou do suposto. É uma norma
confirmação do primado universal da dignidade presente apenas na consciência do indivíduo
do homem e banimento de todas as formas de (pressuposta e não formulada). Os preceitos
desumanização. constitucionais não tiram seu fundamento de va‑
lidade de uma norma superior de direito positi‑
II ­– CONSTITUIÇÃO vo, mas de uma imaginária e metajurídica.

2. Conceito
1. Sentidos da Constituição a) Formal: conjunto de normas escritas submeti‑
a) Sociológico: A Constituição é a soma dos fato‑ das a um processo dificultoso de alteração e ela‑
res reais do poder dentro de uma sociedade, ou boradas por um Poder Constituinte.
seja, é a vontade popular. Se as normas não ex‑ b) Material: conjunto de forças políticas, sociais,
pressarem a vontade do povo, há uma Constitui‑ econômicas e outras que conforma a realidade
ção ilegítima, uma “folha de papel”, e não uma social de um determinado Estado, configurando
Constituição real e efetiva. O enfoque sociológi‑ a sua particular maneira de ser (BASTOS, 2000,
co foi idealizado por Ferdinand Lassalle, em sua p. 43).
obra A essência da Constituição, de 1863. c) Substancial: normas estruturais de uma dada
b) Político: Constituição é a decisão política fun‑ sociedade política, ou seja, organização jurídica
damental de um país, ou seja, a estrutura do Es‑ fundamental do Estado, condensada em dois ve‑
tado. As regras que não expressam a estrutura tores: estrutura do Estado e respeito aos direitos
do Estado foram chamadas de leis constitucio‑ e garantias fundamentais.
nais. O enfoque político foi idealizado por Carl
Schmitt, em sua obra Teoria da Constituição, de 3. Objeto
1928. Schmitt diferencia Constituição (decisão É o conjunto de normas que regula a forma de Esta‑
política fundamental) de lei constitucional (de‑ do, a forma de governo, o sistema de governo, o regime
mais normas da Constituição que não configu‑ político, o modo de aquisição, exercício e a perda do
ram decisão política fundamental do país). poder político, os órgãos de atuação do Estado e seus li‑
c) Jurídico: O enfoque jurídico foi idealizado por mites e os principais postulados da ordem econômica,
Hans Kelsen, em sua obra Teoria pura do Direito, social e financeira.
de 1920, em que afasta a ciência jurídica de qual‑ Constituição é um conjunto de normas jurídicas,
quer consideração de cunho sociológico, políti‑ dotadas da qualidade de supremacia, que impõem con‑
co ou filosófico. A validade das normas jurídicas dutas à sociedade, ao Estado e ao indivíduo (SLAIBI FI‑
é baseada na hierarquia, de forma que uma nor‑ LHO, 2006, p. 6).
ma inferior tem seu fundamento de validade em É denominada Constituição Liberal quando for‑
norma superior8. O enfoque é dividido em duas mada por um conjunto de normas relativas à organização

8
Estatística jurídica é a relação entre normas. Dinâmica jurídica é a maneir a de elaboração das normas. Assim, na visão da estatística, as normas jurí‑
dicas estão organizadas de forma hierárquica; já na visão da dinâmica, uma norma que disciplina como outras normas jurídicas serão feitas é norma
superior e fundamento de validade.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 56 22/3/2012 16:00:11


DIREITO CONSTITUCIONAL 57

do Estado e à previsão de direitos civis e políticos; busca democrática, pois democracia está ligada com a
preservar liberdades públicas; reflete a ideologia bur‑ vontade da maioria e o consenso; b) outorga‑
guesa e exige do Estado a não intervenção na esfera pri‑ da ou imposta: é feita sem a participação do

CONSTITUCIONAL
vada do indivíduo. povo; é fruto de processo autoritário; c) cesa‑

DIREITO
É chamada Constituição Social, quando forma‑ rista ou bonapartista ou plebiscitária ou
da por um conjunto de normas relativas à ordem econô‑ mistificada: feita por um agente revolucioná‑
mica e social; busca a igualdade material; traça projeto rio (ditador, imperador, junta, talibã) e depois
de Estado e exige do Estado uma atuação positiva. submetida a uma aprovação popular. A aceitação
pelo povo não representa processo democrático,
mas apenas uma ratificação da vontade do deten‑
4. Elementos das Constituições
tor do poder; d) pactuada ou dualista ou
a) Orgânicos: são aqueles que estruturam o Esta‑
positivada por convenção ou mista: é ela‑
do e o poder; abrangem os seguintes temas: 1)
borada através de um compromisso entre duas
organização dos poderes; 2) organização do Es‑
forças políticas rivais: a realeza e a burguesia;
tado; 3) Forças Armadas; 4) segurança pública;
são relíquias históricas, como a Magna Carta da
5) tributação e orçamento. Inglaterra, de 1215.
b) Limitativos: são os que limitam o Estado;
abrangem o tema: direitos e garantias funda‑ 5.3 Extensão ou modelo ou tamanho
mentais, exceto os direitos sociais.
a) Sintética ou breve ou concisa ou sumária
c) Socioideológicos: são os que revelam o com‑ ou sucinta ou genérica ou tópica: é a Cons‑
promisso do Estado com a ordem econômica e tituição resumida, formada apenas por princí‑
social do país; abrangem os seguintes temas: 1) pios essenciais à organização e estrutura do Esta‑
ordem econômica; 2) ordem social; 3) direitos do; b) Analítica ou prolixa ou extensa ou
sociais. ampla ou expansiva ou larga ou longa: é
d) Estabilização constitucional: são os que vi‑ detalhada, formada por todos os assuntos rele‑
sam assegurar a defesa da Constituição, a defesa vantes à estrutura e funcionamento do Estado.
do Estado, a defesa das instituições democráti‑
cas, a solução dos conflitos constitucionais e a 5.4 Sistemática
paz social; abrangem os seguintes temas: 1) es‑ a) Reduzida ou codificada ou unitária ou
tado de sítio; 2) estado de defesa; 3) intervenção unitextual: é a representada por um texto úni‑
federal; 4) ADIN; 5) emenda constitucional; 6) co sistematizado; b) Variada ou não codifi‑
jurisdição constitucional. cada ou pluritextual: é a representada por
e) Formais de aplicabilidade: trazem regras de textos esparsos.
aplicação da própria Constituição, como art. 5º,
§ 1º, preâmbulo, ADCT etc. 5.5 Ideologia ou dogmática
a) Eclética ou pluralista ou complexa ou
5. Classificação de Constituição compromissória: é a que possui várias ideolo‑
gias; b) Ortodoxa ou simples: é a que possui
5.1 Forma apenas uma ideologia.
a) Escrita ou orgânica ou codificada ou ins‑
trumental ou consolidada: é aquela em que 5.6 Modo de elaboração
as normas estão organizadas num único texto ou a) Dogmática ou momentânea ou sistemáti‑
documento; b) Não escrita ou costumeira ca: é a que sistematiza os dogmas e ideias da teo‑
ou consuetudinária ou inorgânica ou le‑ ria política e do direito dominante em um texto.
gal ou textual ou dispersa ou esparsa: é É escrita e tende a ser mais instável; b) Históri‑
aquela formada por costumes, jurisprudência, ca: é fruto de uma lenta evolução histórica. É
tradição e textos esparsos. sempre não escrita e tende a ser mais estável.

5.2 Origem 5.7 Estabilidade ou alterabilidade ou mutabilidade ou


a) Promulgada ou democrática ou votada consistência ou possibilidade de mudança
ou popular: é aquela feita com a participação a) Imutável ou fixa: não admite qualquer modi‑
do povo. Nem toda Constituição promulgada é ficação; é relíquia histórica; b) Rígida ou

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 57 22/3/2012 16:00:11


58 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

cristalizada ou sólida ou condicional: so‑ der Constituinte. São normas que não tratam de
mente pode ser alterada por processo mais for‑ matéria constitucional, ou seja, não falam sobre
mal, difícil e solene do que o previsto para as leis a organização estrutural do Estado; insere em
ordinárias; c) Flexível ou plástica ou não seu texto matéria de aparência constitucional,
condicional ou não rígida: pode ser modifi‑ apenas para gozar de maior garantia e va‑
cada por processo de alteração de uma lei ordi‑ lor quanto à alteração do texto (BERGER,
nária. Há posicionamento sustentando que 2005, p. 70). A Constituição formal é necessa‑
Constituição Plástica é aquela que, para ter efi‑ riamente escrita e rígida. Podemos citar como
cácia, necessita de grande regulamentação por exemplo o art. 242, § 2º, da CF: “O Colégio Pe‑
parte do legislador infraconstitucional (HOR‑ dro II, localizado na cidade do Rio de Janeiro,
TA, 1999, p. 209); d) Semirrígida ou semi‑ será mantido na órbita federal”; b) Material
flexível: é aquela em que uma parte das nor‑ ou substancial: é um conjunto de normas es‑
mas é fácil de mudar e a outra parte, difícil. O critas, ou não, referentes à matéria constitucio‑
próprio texto constitucional estipula quais as nal, ou seja, normas sobre a organização do Esta‑
normas serão modificáveis pelo processo ordiná‑ do e seus limites. José Afonso10 diz que, em
rio e quais observarão o processo especial e sole‑ sentido amplo, Constituição Material é a mesma
ne; e) Super ou hiper­‑rígida: é aquela que, coisa que regime político de um país, ou seja,
além de ser difícil de sofrer mudanças, contém diretriz política (de comando, governo) funda‑
uma parte que não poderá ser alterada, forman‑ mental deste. Nessa Constituição, o que, impor‑
do um núcleo intangível ou imodificável, chama‑ ta é o conteúdo da norma. A forma de identifica‑
do de cláusulas pétreas. As Constituições Brasi‑ ção de uma norma materialmente constitucional
leiras foram: a) super­‑rígidas: 1891, 1934, 1946, é verificar se o seu conteúdo versa sobre os ele‑
1967 e 1988; b) rígida: 1937; c) semirrígida ou mentos básicos da organização e estrutura do
semiflexível: 1824; f) Fixa9 : somente poderá Estado, não importando a inserção no texto. Po‑
ser alterada pelo Poder constituinte originário. demos citar como exemplo o art. 18 da CF: “A
organização político­‑administrativa da Repúbli‑
5.8 Estrutura ou finalidade ou função ou objeto (clas- ca Federativa do Brasil compreende a União, os
sificação de Manoel Gonçalves) Estados, Distrito Federal e os Municípios, todos
a) Garantia: é a que visa garantir liberdade, limi‑ autônomos nos termos desta Constituição”.
tando o poder; b) Balanço: é a que registra um
5.11 Critério ontológico ou existencial ou da relação
estágio das relações de poder no país socialista.
entre as normas constitucionais e a realidade po-
É reflexo da realidade social (CF do ser); c) Di‑ lítica (Karl Loewenstein)
rigente ou abrangente ou programática
ou doutrinal: é a que traz em seu texto pro‑ a) Nominal: não há uma correspondência entre o
gramas, diretrizes, rumos a serem seguidos pelo texto da Constituição e o que ocorre de fato na
Estado (CF do dever­‑ser). vida política do Estado; b) Normativa: há uma
correspondência entre o texto da Constituição e
5.9 Interpretação: o que ocorre de fato na vida política do Estado;
c) Semântica ou de fachada: não visa regu‑
a) Nominalista: é aquela em que a interpretação lar a vida política do Estado, mas dar legitimida‑
será feita de modo gramatical e literal, pois cons‑ de formal aos detentores do poder.
tam em seu conteúdo verdadeiros direcionamen‑
tos para os problemas concretos a serem resolvi‑
dos (MORAES, 2004, p. 42); b) Semântica: a 6. Normas Constitucionais
interpretação depende de uma averiguação no A norma constitucional possui duas características:
conteúdo e no sistema como um todo. a) superlegalidade, em que ela possui uma supe‑
rioridade em relação às demais normas do orde‑
5.10 Conteúdo namento jurídico;
a) Formal: conjunto de normas escritas, alteráveis b) imutabilidade relativa, em que a sua mu‑
por um processo difícil e elaboradas por um Po‑ dança segue um processo especial e mais difi‑

9
Trata-se de elaboração de uma Constituição e não alteração da Constituição.
10
SILVA, José Afonso. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 2004, p. 40.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 58 22/3/2012 16:00:12


DIREITO CONSTITUCIONAL 59

cultoso do que o previsto para as demais nor‑ -se a traçar­‑lhes os princípios para serem
mas da ordem jurídica. cumpridos pelos seus órgãos como progra‑
Quanto à eficácia, as normas constitucionais po‑ mas das respectivas atividades, visando à re‑

CONSTITUCIONAL
dem ser: alização dos fins sociais do Estado. São nor‑

DIREITO
a) de aplicabilidade imediata e eficácia ple‑ mas que traçam programas a serem
na: não dependem de atuação legislativa poste‑ implementados pelo Estado.
rior para a sua regulamentação; A Constituição pode entrar em vigor de forma ime‑
b) d e aplicabilidade imediata e eficácia diata ou aguardar um tempo de espera para que haja di‑
contida ou restringível ou redutível ou fusão do texto à sociedade. O prazo de espera denomina­
de eficácia relativa restringível: são nor‑ ‑se vacatio constitutionalis. A respeito da vigência,
mas constitucionais em que o legislador consti‑ podemos enumerar teorias:
tuinte regulou suficientemente a matéria, mas  eoria da recepção: é o acolhimento das nor‑
a) T
possibilitou ao legislador ordinário restringir os mas infraconstitucionais anteriores, vigentes sob
efeitos da norma constitucional; o império da antiga Constituição pela Constitui‑
c) de aplicabilidade mediata e eficácia limi‑ ção atual, desde que haja compatibilidade mate‑
tada ou de eficácia relativa complemen‑ rial, sob pena de serem revogadas. Essa teoria é
tável ou dependente de complementação admitida no direito brasileiro, independente‑
legislativa: são aquelas que precisam de atua‑ mente de qualquer determinação expressa.
ção legislativa posterior para que possam gerar b) Teoria da repristinação: é a restauração de
plenamente todos os direitos e obrigações. Têm vigência de lei revogada por ter a lei revogadora
aplicabilidade mediata e reduzida já que necessi‑ perdido a sua vigência. O direito constitucional
tam de complementação legislativa. Normas de brasileiro não admite repristinação que não seja
eficácia limitada: a) acarretam a revogação dos expressamente permitida por lei constitucional.
atos normativos anteriores e contrários ao seu c) Teoria da desconstitucionalização: é o
conteúdo; b) contêm imposições que vinculam acolhimento das normas de uma Constituição
permanentemente o legislador; c) implicam a anterior pela atual, desde que haja compatibili‑
declaração de inconstitucionalidade de todos os dade com a perda do status constitucional. As
atos normativos editados após a vigência da normas da Constituição anterior são aproveita‑
Constituição, se forem contrários ao sentido dos das como lei infraconstitucional. No direito brasi‑
princípios e regras contidos nas normas que os leiro, a superveniência da Constituição revoga
consagram; d) geram um direito subjetivo de imediatamente a anterior e as normas não con‑
cunho negativo no sentido de que o particular templadas na nova Constituição perdem sua for‑
poderá sempre exigir do Estado que se abstenha ça normativa, salvo na hipótese de a própria
de atuar em sentido contrário ao disposto na Constituição superveniente prever a desconsti‑
norma de direito fundamental prestacional; e) tucionalização expressamente.
verifica­‑se a possibilidade de exigir do Estado a As normas constitucionais podem ser divididas em
concretização dos direitos prestacionais, por duas espécies: regras e princípios. Estes regulam várias
meio da ação direta de inconstitucionalidade por situações; aquelas regulam situações determinadas; os
omissão (CF, art. 103, § 2º) ou pelo mandado de princípios não geram direitos subjetivos; as regras geram
injunção (CF, art. 5º, LXXI). Podem ser de duas direitos subjetivos; os princípios possuem conteúdo
espécies: vago; as regras, conteúdo preciso; os princípios são a
c1) normas de princípio institutivo: são fonte da norma; possuem hierarquia superior, pelo seu
aquelas onde o legislador constituinte traça papel estruturante; o conflito entre regras é resolvido
esquemas gerais de estruturação e atribui‑ pelos critérios cronológico ou de especialidade ou hie‑
ções dos órgãos, entidades ou institutos, para rárquico; já o conflito entre princípios é resolvido pelos
que o legislador ordinário os estruture em critérios de ponderação de interesses, prevalecendo o
definitivo, mediante lei; que for mais relevante para a sociedade (mandados de
c2) normas de princípio programático: são otimização).
normas constitucionais, por meio das quais o As regras podem ser de duas espécies:
constituinte, em vez de regular direta e ime‑ 1) de estrutura: têm como conteúdo a criação de
diatamente determinados interesses, limita- órgãos e distribuição de competências;

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 59 22/3/2012 16:00:12


60 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

2) de comportamento: têm como substância a é o agente revolucionário; se for por convenção, o agente
conduta das pessoas. é o próprio povo ou os representantes eleitos, que serão
Os princípios podem ser de três espécies: reunidos na Assembleia Nacional Constituinte.
1) princípios fundamentais: contêm as deci‑ É um poder de fato, pois não tem limites (há auto‑
sões políticas estruturais do Estado; res que estabelecem limites11: a) imanentes: são aque‑
2) princípios constitucionais gerais: consti‑ les que decorrem da natureza do Poder Constituinte
tuem especificações dos anteriores; originário; b) limites heterônomos de direito in‑
terno: visam respeitar a autonomia federativa; c) limi‑
3) princípios setoriais ou especiais: desti‑
tes heterônomos de direito externo: visam respei‑
nam-se a presidir um conjunto específico de normas
tar os compromissos internacionais; d) substanciais
constitucionais, representando, por sua vez, uma especi‑
transcendentes: direitos fundamentais e princípio da
ficação dos princípios constitucionais gerais.
dignidade da pessoa humana, é inicial, porque inaugura
uma nova ordem jurídica, é incondicionado, é autôno‑
III ­– PODER CONSTITUINTE mo, pois não possui vinculação a nenhum outro poder
ou órgão, é absoluto, já que pode atingir direito adquiri‑
do, ato jurídico perfeito e coisa julgada, é permanente,
1. Fundamentos pois com o seu exercício não há o desaparecimento.
O Poder Constituinte Originário é causa de si, por‑
que não se fundamenta em nenhum outro poder, mas, ao
3. Poder Constituinte derivado
contrário, ele é que é a causa eficiente dos outros pode‑
res (JÚNIOR, 2000, p. 98); possui supremacia, pois É o poder que visa atualizar uma Constituição Fe‑
não há nada acima do originário, considerado criador do deral ou Estadual ou Lei Orgânica. A atualização de uma
Estado, e é extraordinário, já que é fato excepcional e Constituição é feita pela alterabilidade constitucio‑
que pode surgir a qualquer instante, de acordo com as nal, que é manifestada pelas seguintes técnicas:
necessidades da vida social. a) Mutação Constitucional: é processo de atu‑
alização não formal da Constituição, que ocorre
através da alteração do sentido interpretativo da
2. Poder Constituinte Originário
norma, de acordo com a evolução social. A mu‑
É o poder que visa criar uma Constituição Federal.
tação é a interpretação progressiva ou adaptativa
Surgiu na época de Revolução Francesa, por um pensa‑
ou evolutiva; a atualização é tácita. Existem duas
dor chamado Emanuel Sièyes, num panfleto com o títu‑
espécies: a) puras: a alteração ocorre em virtude
lo: “O que é o Terceiro Estado?”.
da mudança do ponto de vista da sociedade sobre
A Constituição pode aparecer dentro do país pelos um tema ou assunto; b) impuras: a alteração
seguintes veículos: revolução ou guerra; processo de ocorre em virtude de pressões de grupos ou de
descolonização; processo consensual de transição. práticas governamentais.
O Poder Constituinte Originário possui duas for‑
b) Reforma Constitucional: é processo de atu‑
mas de expressão:
alização formal da Constituição, que ocorre me‑
a) outorga: ato de imposição, sem participação do diante a alteração do texto constitucional, a atua‑
povo; ção de certos órgãos e a observância de regras
b) convenção: votação popular: formais estabelecidas na própria Constituição
b1) p
 ura: formada por representantes eleitos Federal; a atualização é expressa. No Brasil, só
pelo povo para elaborar a Constituição; é possível Emenda Constitucional. Não é
após a elaboração, grupo será dissolvido; mais possível revisão constitucional, em
b2) c ongressual: a Constituição será feita pe‑ razão da eficácia já exaurida, com a ela‑
los parlamentares já eleitos; após a elabora‑ boração de suas emendas constitucionais
ção, os parlamentares passarão a exercer de revisão.
somente o Poder Legislativo. O Poder Constituinte derivado é limitado, já que
O titular é o povo. O exercente depende da forma possui limites estabelecidos na própria Constituição Fe‑
de expressão do Poder Constituinte: se for por outorga, deral. É condicionado, pois obedece às condições e for‑

11
BULOS, Uadi Lammêgo. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva, 2011.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 60 22/3/2012 16:00:12


DIREITO CONSTITUCIONAL 61

mas fixadas pelo Poder Constituinte originário, e é jurí‑ c) Materiais: não é possível o Congresso Nacio‑
dico ou derivado, pois está inserido na Constituição. nal votar proposta de emenda que tenha conteú‑
O Poder Constituinte derivado possui três espécies do que vise reduzir ou abolir cláusula pétrea; é

CONSTITUCIONAL
do derivado: possível alterar cláusula pétrea, mas nunca vi‑

DIREITO
a) decorrente: é o que visa criar Constituição Es‑ sando sua redução ou abolição, apenas sua am‑
tadual. O titular é o povo do respectivo Estado e pliação.
o exercente é a Assembleia Legislativa de cada d) Procedimentais: dizem respeito ao processo
Estado. É um poder condicionado, complemen‑ legislativo da emenda constitucional (se forem
tar e que possui limite temporal ­– a Constituição relacionados com a iniciativa, são denominados
de cada estado teve prazo de um ano contado da subjetivos; se forem relacionados com a tramita‑
data da entrada em vigor da Constituição, e limi‑ ção, são objetivos).
te principiológico – a Constituição deve respei‑
tar os princípios constitucionais sensíveis (são os 5.2 Limites implícitos
enumerados no art. 34, VII, da CF; se forem de‑
São os que decorrem da natureza da própria Cons‑
sobedecidos, geram a inconstitucionalidade de
tituição: a) facilitar o processo da emenda: dificultar
norma e a possibilidade de intervenção federal),
pode, mas atenuar estaria destruindo a rigidez, base do
os estabelecidos ou organizatórios (são as limita‑
país; b) titular do poder constituinte; c) supressão do
ções impostas na capacidade de auto­‑organização
das entidades federativas) e os extensíveis (são os art. 60, § 4º, que faz previsão das cláusulas pétreas ex‑
que integram a estrutura federativa brasileira); pressas.
b) reformador: é o que visa atualizar a Constitui‑
ção por emenda constitucional; 6. Emendas à Constituição
c) revisor: é o que visa atualizar a Constituição A proposta de emenda é ato infraconstitucional
por meio da Revisão Constitucional. sem normatividade. A emenda constitucional é norma
constitucional, fruto do Poder Constituinte derivado. É
possível que uma emenda seja declarada inconstitucio‑
4. Emenda Constitucional e Revisão
Constitucional nal, por um vício no conteúdo (inconstitucionalidade
material) ou por um vício no processo legislativo (in‑
A emenda é uma alteração pontual da Constituição,
não tem limite temporal, é discutida e votada em cada constitucionalidade formal). A emenda à Constituição
Casa do Congresso Nacional, em dois turnos, e em cada apresenta um processo de elaboração que possui cinco
turno tem que ter aprovação de no mínimo 3/5 dos fases:
componentes da Casa Legislativa, é promulgada pela a) Iniciativa: apresentação de proposta de emen‑
Mesa da Câmara dos Deputados e Senado Federal; já a da somente pode ser feita pelos seguintes legiti‑
revisão é uma alteração estrutural da Constituição, pos‑ mados: a) Presidente da República; b) 1/3, no
sui limite temporal de 5 anos, é discutida e votada em mínimo, dos membros da Câmara dos Deputa‑
sessão unicameral do Congresso Nacional, é promulga‑ dos; c) 1/3, no mínimo, dos membros do Sena‑
da pela Mesa do Congresso Nacional. do Federal; d) mais da metade das Assembleias
Legislativas, manifestando­‑se cada uma delas
5. Limites do poder de revisão por maioria simples ou relativa.
Tanto a Emenda como a Revisão Constitucional b) Deliberação parlamentar: discussão e vota‑
possuem os mesmos limites, que podem ser: a) expres‑ ção no Legislativo: em cada Casa, em dois turnos,
sos; b) implícitos. e, em cada turno, a observância do quórum míni‑
mo de 3/5 do total da Casa. A Casa iniciadora
5.1 Limites expressos será determinada, de acordo com quem apresen‑
a) Circunstanciais: não é possível votação, nem tar a proposta de emenda constitucional: se a ini‑
tramitação em intervenção federal, estado de sí‑ ciativa for do Presidente da República, a Casa Ini‑
tio e de defesa, nos termos do art. 60, § 1º, da CF. ciadora será a Câmara dos Deputados; se a
b) Temporais: não existem, pois não houve prazo iniciativa for de 1/3, no mínimo, dos membros da
de espera, contado da entrada em vigor da Câmara ou Senado ou de mais da metade das As‑
Constituição, para fazer emenda constitucional; sembleias Legislativas, manifestando­‑se, cada
mas para revisão constitucional houve o prazo uma delas, pela maioria relativa de seus membros,
de 5 anos. a Casa Iniciadora será o Senado Federal. É possí‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 61 22/3/2012 16:00:12


62 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

vel a existência do retorno da PEC de uma Casa da inconstitucionalidade na ordem jurídica; b) repressi‑
Legislativa para outra, desde que haja mudança vo ou posterior ou a posteriori: é o que se exerce sobre lei
substancial no sentido do texto e, não quando as ou ato normativo; visa retirar a inconstitucionalidade da
alterações sejam meramente redacionais. ordem jurídica.
c) Fase Complementar: 1) Promulgação: 2.2 Quanto aos órgãos de Controle: a) po‑
Mesa da Câmara dos Deputados e Senado; 2) lítico: é o exercido pelo Legislativo ou órgão dife‑
Publicação: Congresso Nacional. rente dos três poderes; b) judicial: é exercido pelo
d) Art. 60, § 5º, da CF: A matéria constante Poder Judiciário; c) misto: numa parte das leis é
de proposta de emenda rejeitada ou ha‑ exercido pelo órgão político; em outra é exercido
vida por prejudicada não pode ser rea‑ pelo órgão judicial.
presentada na mesma sessão legislativa: 2.3 Quanto aos critérios de Controle: a) difu‑
Proposta de emenda rejeitada é aquela que não so: o controle da constitucionalidade é exercido por to‑
atingiu quórum mínimo de aprovação; proposta
dos os órgãos integrantes do Poder Judiciário; b) con‑
de emenda havida por prejudicada é aquela que
centrado: o controle é exercido por um tribunal superior
nem sequer foi votada. A expressão “sessão le‑
do país ou por uma corte constitucional.
gislativa” empregada no art. 60, § 5º, da Consti‑
tuição, deve ser interpretada como a ordinária, 2.4 Quanto aos meios de controle: a) inciden‑
correspondente ao período anual de trabalhos tal ou via de defesa: é o que pressupõe um caso concre‑
legislativos (2.2 a 17.7 e 1.8 a 22.12). Pode a to; b) principal ou via de ação – por meio de uma ação
emenda rejeitada ou prejudicada ser objeto de própria busca a declaração de inconstitucionalidade.
sessão legislativa extraordinária no mesmo ano,
pois o termo empregado refere­‑se à ordinária, 3. Sistemas
não abrangendo a extraordinária. É identificar dentro de um país quem tem compe‑
tência para exercer o controle de constitucionalidade, de
IV ­– CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE forma que há três sistemas:
a) Jurisdicional: é o exercido pelo Judiciário.
Possui dois modelos:
1. Conceito
­– difuso ou indireto ou concreto ou via de
É a verificação da compatibilidade da lei ou ato nor‑ exceção ou via de defesa ou via incidental: é feito
mativo com a Constituição. A existência do controle de
por qualquer juiz ou tribunal; depende da existência de
constitucionalidade depende da existência de dois pres‑
um caso concreto; a inconstitucionalidade é incidental,
supostos: a) Supremacia Constitucional Formal: dentro
para afastar a aplicação de uma lei ou ato normativo no
do país, a Constituição tem que ser vista como a Lei Su‑
caso concreto; no dispositivo da decisão (sentença ou
prema (quanto mais difícil for alterar a norma, maior o
acórdão) constará resolução do caso concreto;
seu grau hierárquico); b) Existência de um órgão que
faça o controle ou a verificação. ­– concentrado ou direto ou abstrato ou via
A finalidade do controle é dar coerência e harmonia de ação ou via principal: é feito pelo STF, se a
às normas do ordenamento jurídico, ou seja, fazer com Constituição for Federal, ou pelo Tribunal de Justiça, se
que todas as normas sejam compatíveis com a CF. for Constituição Estadual ou Lei Orgânica Distrital (é
O critério para identificar se a norma é apta a ser vedada a atribuição da legitimação para agir a um único
objeto de controle, é material, ou seja, leva­‑se em conta órgão. Quando a norma da Constituição estadual viola‑
se o conteúdo da norma é geral e abstrato. Dessa forma da for norma de reprodução obrigatória é possível inter‑
não podem ser objeto de controle: a) Súmula; b) Nor‑ por recurso extraordinário ao STF); não depende da
mas Constitucionais originárias (nossa Constituição não existência de um caso concreto, bastando a lei em tese;
admite hierarquia entre as normas constitucionais); c) a inconstitucionalidade é principal, visando retirar a lei
Atos infralegais; d) Atos interna corporis; e) direito pré­ do ordenamento jurídico; no dispositivo da decisão
‑constitucional (anterior à Constituição). (sentença ou acórdão) constará a declaração da inconsti‑
tucionalidade ou não de uma lei ou ato normativo.
2. Espécies b) Político: é o exercido pelo Legislativo ou órgão
2.1 Quanto ao momento: a) preventivo ou pré‑ diferente dos três poderes.
vio ou a priori: é o que se exerce sobre projeto de lei ou c) Misto: uma parte das normas segue o sistema
proposta de emenda constitucional; visa evitar a entrada jurisdicional e a outra parte, o sistema político.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 62 22/3/2012 16:00:12


DIREITO CONSTITUCIONAL 63

4. Inconstitucionalidade 5.1 Controle Preventivo ou Atípico


É a incompatibilidade vertical da lei ou ato norma‑ É a possibilidade de avaliar a constitucionalidade ou
tivo com a Constituição Federal. É ato nulo. Possui as não de um projeto de lei ou proposta de emenda consti‑

CONSTITUCIONAL
seguintes espécies: tucional. É chamado de a priori, pois é realizado durante

DIREITO
a) por ação: ocorre quando há produção de atos elaboração do ato normativo, antes de a norma jurídica
normativos que agridam a CF; entrar em vigor. Visa impedir a entrada no sistema jurí‑
dico de normas que ofendam a Constituição Federal.
b) por omissão: ocorre quando não há produção
de atos normativos exigidos pela CF; O controle preventivo no Direito Brasileiro pode
ser:
c) material ou substancial ou nomoestática:
ocorre quando o conteúdo do ato normativo a) político: é exercido pelo Legislativo (feito pela
agride a CF; Comissão de Constituição de Justiça por meio do
parecer ou quando houver rejeição da proposta ou
d) f ormal ou processual ou extrínseca ou do projeto por motivo de inconstitucionalidade)
nomodinâmica: ocorre quando o processo le‑ ou pelo Executivo (quando o Chefe do Executivo
gislativo do ato normativo agride a Constitui‑ dá seu veto jurídico, ou seja, rejeita o projeto ale‑
ção. Pode ser subjetiva, quando há vício na fase gando sua inconstitucionalidade);
da iniciativa, e objetiva, quando há vício na fase
b) judicial: é exercido pelo Judiciário. A jurispru‑
constitutiva ou complementar da elaboração do
dência do STF fixou três requisitos para a possi‑
ato normativo; bilidade de o Judiciário realizar o controle pre‑
e) consequencial ou por arrastamento: o ventivo: propositura de mandado de segurança;
STF aprecia a inconstitucionalidade de leis ou propositura por parlamentar; inconstitucionali‑
atos normativos conexos ou dependentes da lei dade formal: não observância ou desrespeito às
ou ato normativo alegado na ação de controle; normas constitucionais de elaboração do ato
f) “chapada”: termo utilizado no STF para desig‑ normativo, de processo legislativo.
nar inconstitucionalidade evidente;
g) progressiva ou “lei ainda constitucio‑ 5.2 Controle repressivo ou posterior ou superveniente
nal”: é um estágio intermediário, entre a cons‑ É chamado de a posteriori, pois é feito após o ato
titucionalidade e a inconstitucionalidade, em normativo ser acabado ou aperfeiçoado, ou seja, após o
que o Poder Judiciário reconhece que determi‑ projeto ou a proposta já inserida no ordenamento jurídi‑
nada lei é “ainda constitucional” – mas que ca‑ co. Sua finalidade é retirar ou afastar a incidência no sis‑
minha em direção à inconstitucionalidade, em tema de normas que ofendam a CF.
face de uma mudança da realidade fática; O controle repressivo no Direito Brasileiro pode
h) total: é a que atinge todo o ato normativo; ser:
i) parcial: é a que atinge apenas parte da lei ou ato a) Político: é feito pelo Congresso Nacional; é ex‑
normativo; quando feito pelo Judiciário não cepcional, pois só é realizado em 3 casos: Medi‑
pode mudar o sentido ou alcance da lei, sob pena da Provisória: quando rejeitar, alegando sua in‑
de ofensa à separação de poderes; constitucionalidade; b) Lei Delegada: quando
j) direta: é a incompatibilidade de ato normativo sustar a parte da lei que não observar os limites
primário com a Constituição; contidos na resolução, por meio de decreto le‑
k) indireta: é a incompatibilidade de ato normati‑ gislativo; c) Regulamento: quando sustar a parte
vo secundário com a Constituição; do regulamento que ultrapassar os limites da lei,
por meio de decreto legislativo. É possível o Tri‑
l) originária: é a constatada no momento da pro‑
bunal de Contas, por maioria absoluta, decidir
dução da lei ou ato normativo;
em afastar a aplicação da lei que considere in‑
m) superveniente: é constatada em face de um constitucional.
texto constitucional futuro;
b) Jurisdicional: é feito pelo Judiciário. A decla‑
n) circunstancial: é a que decorre da aplicação ração de inconstitucionalidade quando feita por
de lei válida a situação específica. Tribunal ou órgão especial depende da obser‑
vância de um quórum de maioria absoluta
5. Sistema Brasileiro do Controle de (cláusula de Reserva de Plenário ou Full
Constitucionalidade Beach). Pode ser de duas espécies:

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 63 22/3/2012 16:00:12


64 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

­– Difuso: é aquele exercido por qualquer juiz ou to legal. A declaração de inconstitucionalidade de uma
tribunal. A decisão produz efeitos para as partes do caso determinada lei torna aplicável a legislação anterior aca‑
concreto; e ex tunc: desde o nascimento do ato normati‑ so existente, salvo expressa manifestação em sentido
vo. Os efeitos inter partes podem ser transformados em contrário (efeito repristinatório da declaração de in‑
erga omnes, desde que sejam preenchidos os seguintes re‑ constitucionalidade).
quisitos: a) o caso concreto deve chegar ao STF; b) o
STF decide pela inconstitucionalidade; c) o STF comu‑ 5.3 Ações de Controle Concentrado
nica sua decisão ao Senado Federal; d) Senado edita re‑ a) Ação Direta de Inconstitucionalidade
solução com a transformação. A partir da publicação da por omissão: quando ocorrer inconstituciona‑
resolução, os efeitos são erga omnes e ex nunc. É possível lidade por omissão. A finalidade é tornar efetiva
na ação civil pública a existência do controle difuso. Este a norma constitucional, de forma a combater a
adquire, em determinados casos, efeito vinculante, com síndrome da inefetividade das normas constitu‑
decisões que vão além do caso concreto, já que o Senado cionais. O seu objeto é norma constitucional de
não pode restringir ou ampliar a extensão dos julgados eficácia limitada. Na petição inicial deverão
proferidos pelo Supremo Tribunal Federal. Dessa forma, constar: I – a omissão inconstitucional, total ou
a suspensão da execução da lei teria apenas o efeito de parcial, quanto ao cumprimento de dever cons‑
dar publicidade à decisão da Corte, cabendo a esta defi‑ titucional de legislar ou quanto à adoção de pro‑
nir os efeitos da decisão. Existem dois precedentes no vidência de índole administrativa; II ­– o pedido,
STF sobre a abstratização: a) progressão do regime na lei com suas especificações. Declarada a inconstitu‑
dos crimes hediondos (HC 82959/SP – relator Min. cionalidade por omissão, será dada ciência ao
Marco Aurélio); b) caso da “Mira Estrela (RE 197.917/ Poder competente para a adoção das providên‑
SP – relator Min. Maurício Corrêa). cias necessárias. Em caso de omissão imputável a
­– Concentrado: somente o órgão de cúpula do órgão administrativo, as providências deverão
Judiciário realiza o controle. Em todas as ações de con‑ ser adotadas no prazo de 30 (trinta) dias, ou em
trole concentrado, o Procurador-Geral da República prazo razoável a ser estipulado excepcionalmen‑
deve opinar pela procedência ou não da ação, mesmo te pelo Tribunal, tendo em vista as circunstân‑
quando for legitimado ativo. O Advogado-Geral da cias específicas do caso e o interesse público en‑
União é defensor e curador da presunção da constitucio‑ volvido. Os efeitos são erga omnes e ex tunc.
nalidade da norma impugnada, podendo realizar defesa
b) Ação Direta de Inconstitucionalidade
pela inconstitucionalidade quando já houver precedente
por ação: é cabível quando houver inconstitu‑
ou entendimento anterior no próprio STF. Nas ações de
cionalidade por ação. A finalidade é o reconhe‑
controle concentrado pode surgir a manifestação de ter‑
cimento da inconstitucionalidade e a retirada do
ceiros por parecer, memorial ou sustentação oral (amicus
curiae). A decisão sobre a intervenção do terceiro depen‑ sistema jurídico.
de de decisão irrecorrível do relator, que levará em con‑ c) Ação Declaratória de Constitucionalida‑
ta a relevância da matéria e a representatividade dos pos‑ de: é cabível quando houver controvérsia judi‑
tulantes. Os efeitos são erga omnes, ex tunc, com cial a respeito da constitucionalidade de lei ou
invalidade da norma e consequente retirada da eficácia. ato normativo federal. A finalidade é eliminar a
Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato norma‑ controvérsia, de forma a transformar a presun‑
tivo, tendo em vista razões de segurança jurídica ou ex‑ ção da constitucionalidade das leis em absoluta.
cepcional interesse social, poderá o STF, por maioria de A petição inicial deve conter: 1) dispositivo legal
2/3 de seus membros restringir os efeitos daquela decla‑ impugnado; 2) os fundamentos; 3) pedido; 4)
ração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir do controvérsia judicial.
trânsito em julgado ou de outro momento que venha a d) Arguição por descumprimento de pre‑
ser fixado. Tem efeito vinculante em relação aos demais ceito fundamental: 1. autônoma: independe
órgãos do Poder Judiciário e da administração pública de processo judicial anterior; não é necessário
federal, estadual, municipal e distrital. O STF pode de‑ comprovação de controvérsia concreta e visa
clarar a inconstitucionalidade apenas de uma parte da evitar ou reparar lesão a preceito fundamental
norma (princípio da parcelaridade). Na declaração de causada por ato do Poder Público; 2. incidental:
nulidade sem redução do texto há expressa exclusão, por depende de um processo judicial já instaurado;
inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de supõe a existência de uma controvérsia constitu‑
aplicação do programa normativo, sem alteração do tex‑ cional relevante que esteja sendo discutida em

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 64 22/3/2012 16:00:12


DIREITO CONSTITUCIONAL 65

processo submetido a qualquer juízo ou tribu‑ data para julgamento e pode solicitar informações adi‑
nal; cabe quando houver controvérsia constitu‑ cionais, quando houver necessidade de esclarecimento;
cional sobre lei ou ato normativo municipal, es‑ podem ser dadas por perícia, audiência pública, pessoas

CONSTITUCIONAL
tadual, distrital, federal e anterior à CF/88. É com experiência e autoridade na matéria e tribunais; o

DIREITO
ação subsidiária, pois só caberá ADPF quando prazo será em 30 dias; k) o quórum de instalação do
não couber ADIN ou ADECON. Os efeitos da julgamento é de 8 ministros; quórum para declarar a
decisão são erga omnes; ex tunc; vinculante em re‑ inconstitucionalidade do ato normativo é de 6 minis‑
lação aos demais órgãos do Poder Público. tros; l) não cabe ação rescisória; m) da decisão final do
e) Ação Direta Interventiva: É a que só pode STF cabe embargos de declaração, salvo na ADPF, em
ser proposta pelo Procurador-Geral da Repúbli‑ que a decisão é irrecorrível.
ca, que visa decretação da inconstitucionalidade
formal ou material da lei ou ato normativo esta‑ V ­– PODER EXECUTIVO
dual ou distrital e da intervenção federal no Es‑
tado ou no DF. É cabível quando houver a inob‑
servância dos princípios constitucionais sensíveis 1. Forma de Governo
do art. 34, VII, da CF (forma republicana, siste‑ É identificar que são os governantes e quem são os
ma representativo, regime democrático, direitos governados. Existem duas básicas formas de governo:
da pessoa humana, autonomia municipal, pres‑ a) Monarquia: quem governa é o rei, e os súditos
tação de contas da administração pública direta são governados. Apresenta as seguintes caracte‑
e indireta, aplicação do mínimo exigido da re‑ rísticas: 1) hereditariedade (na morte do rei há
ceita resultante de impostos estaduais, compre‑ substituição pelo herdeiro da coroa); 2) vitali‑
endida a proveniente de receitas de transferên‑ ciedade (o rei permanece no poder enquanto vi‑
cia, na manutenção e desenvolvimento do ver); 3) ilimitabilidade do poder e indivisibilida‑
ensino). No âmbito estadual, a intervenção será de das supremas funções de mando; 4)
estadual em Município pelo descumprimento irresponsabilidade legal, inviolabilidade corpo‑
dos princípios indicados na Constituição Estadu‑ ral e sua dignidade (o rei não deve explicações ao
al, a legitimidade para agir será do Procurador­ povo ou a qualquer órgão).
‑Geral da Justiça, o pedido será apresentado ao
Existem as seguintes espécies de monarquia: 1)
Tribunal de Justiça do Estado respectivo, e pela
Monarquia Absoluta: é a Monarquia em que o Mo‑
Lei n. 5.778/72 é possível a concessão de limi‑
narca se situa acima da lei, todo poder se concentra
nar para a suspensão do ato impugnado. 
nele, sendo considerado representante ou descendente
É possível estabelecer os seguintes aspectos comuns
dos deuses; 2) Monarquia de Estamentos ou aris‑
para as ações de controle concentrado: a) o procedimen‑
tocrática: onde o rei descentraliza certas funções que
to é previsto em lei (ADIN/ADECON – Lei n.
são delegadas a elementos reunidos em cortes; 3) Mo‑
9.868/99; ADPF – Lei n. 9.882/99) e no Regimento
narquia Constitucional: o rei exerce seu governo
interno do STF; b) a petição deve ser acompanhada de
limitado pela Constituição; 4) Monarquia Parla‑
instrumento do mandato com poderes especiais e apre‑
mentar o rei não exerce a função do governo; 5) Mo‑
sentada em duas vias; c) é possível efeito ex nunc quando
narquia eletiva: o rei é escolhido por um processo de
forem preenchidos os seguintes requisitos: decisão pela
votação; 6) Monarquia democrática: o legislativo é
inconstitucionalidade; motivo de segurança jurídica ou
independente.
excepcional interesse social; quórum de 2/3 do STF; d)
não há a participação, pois os efeitos já são erga omnes; e) b) República: quem governa é o Presidente da Re‑
o STF quando decide está limitado ao pedido e não está pública, quem é governado é o povo. Apresenta
obrigado a seguir os fundamentos do pedido, podendo as seguintes características: 1) temporariedade
adotar outros ou diversos; f) é possível o STF considerar (o presidente fica no cargo por períodos determi‑
inconstitucional apenas uma parte da lei ou ato normati‑ nados, denominados mandatos); 2) eletividade
vo, objeto da ADIN, desde que não altere o sentido e (o poder passa para o sucessor por meio de elei‑
alcance da norma; g) não cabe intervenção de terceiros, ção); 3) responsabilidade política (o presidente
salvo na qualidade de amicus curiae; h) cabe agravo da tem a responsabilidade de bem governar o país).
decisão que indeferir a petição inicial; i) não admite de‑ Existem as seguintes espécies de República: 1)
sistência; j) o relator pode deferir ou não a petição ini‑ Aristocrática: é o governo de uma classe privilegiada
cial; faz a condução do processo; faz relatório; marca por direitos de nascimento ou de conquista; 2) Demo‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 65 22/3/2012 16:00:13


66 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

crática: é aquela em que todo poder emana do povo; 3) rio qualificado: será eleito o candidato que conseguir
Presidencialista: na qual o poder fica com um presi‑ alcançar a maioria absoluta dos votos válidos; se não
dente eleito; 4) Parlamentarista: na qual o poder do atingir no primeiro turno, será feito o segundo turno. Se
Parlamento é limitado por forte autoridade do chefe do entre o primeiro e o segundo turno ocorrer morte, im‑
Estado; 5) Colegiado: na qual o poder fica com um pedimento ou desistência de qualquer dos candidatos,
Conselho, eleito pela Assembleia a curto prazo (Suíça, será convocado o terceiro de maior votação; se der em‑
Uruguai). pate, será convocado o mais idoso; se for entre o segun‑
do turno e a posse o vice­‑chefe do Executivo será consi‑
2. Sistemas de governo derado eleito para o cargo. A posse será no dia primeiro
de janeiro do ano seguinte ao da eleição. Esta deverá ser
O Poder Executivo é organizado por um dos se‑
feita no prazo de 10 dias, a contar da eleição, sob pena de
guintes sistemas de governo:
perda do cargo, salvo se alegar motivo de força maior; a
a) parlamentarismo: a chefia de Estado é exerci‑ vacância será declarada pelo respectivo Legislativo.
da por um rei ou Presidente da República, de‑
pendendo da forma de governo; a chefia de go‑ 4.2 Cargo
verno é exercida por um gabinete ou conselho
é privativo de brasileiro nato; precisa de filiação
de ministros chefiado pelo primeiro ministro
partidária; idade mínima de 35 anos (exigida na data da
que possui denominações variadas como chance‑
posse) e estar no gozo dos direitos políticos (significa
ler, premier e outros;
estar em dia com as obrigações eleitorais e não estar pri‑
b) presidencialismo: a chefia de Estado e a che‑ vado dos direitos políticos; não ser ou estar inelegível).
fia de Governo são exercidas por uma única pes‑ O mandato é de 4 anos, nos termos do art. 14, § 5º, da
soa, o Presidente da República. Constituição.

3. Chefia de Estado e Chefia de Governo 4.3 Sucessão


O Poder Executivo desempenha de forma típica a) Definitiva: o sucessor toma posse do cargo e
atos de chefia de Estado, de chefia de governo e de admi‑ fica até o final do mandato. É prerrogativa do
nistração; é monocrático, pois as funções de chefia de vice­‑chefe do Executivo.
Estado e de governo são exercidas por uma única pessoa, b) Temporária: o sucessor toma posse do cargo e
qual seja, o Presidente da República; é independente, fica até ser feita nova eleição. O eleito cumprirá
pois tem previsão direta na CF; não possui subordinação o mandato­‑tampão, ou seja, o tempo restante do
hierárquica ou funcional e é formado por agentes políti‑ mandato. Existem duas espécies de eleição tem‑
cos. porária: 1) direta: é a feita por vontade popu‑
O Poder Executivo compreende duas partes: Go‑ lar; ocorre quando houver a vacância nos cargos
verno: é quem toma as decisões fundamentais no país; de chefe e vice­‑chefe do Executivo nos dois pri‑
Administração Pública: é quem coloca em prática as meiros anos do mandato vigente; será realizada
decisões tomadas pelo governo. em 90 dias depois de aberta a última vaga; 2)
No Poder Executivo há três figuras básicas: a) indireta: é a feita por escolha do Legislativo;
Chefe de Estado: é o representante do país na sua uni‑ ocorre quando houver a vacância nos cargos de
dade interna e nas relações internacionais; b) Chefe de chefe e vice­‑chefe do Executivo nos dois últimos
Governo: é o representante do país no âmbito interno anos do mandato vigente; será realizada em 30
deste, funcionando como líder da política nacional e res‑ dias depois de aberta a última vaga.
ponsável pela direção da máquina administrativa; c)
Ministros: são os vogais do governo; são chefes de de‑ 4.4 Auxiliares do Presidente da República
partamentos da Administração Pública. a) Vice­‑Presidente: precisa ser brasileiro nato,
ter idade mínima de 35 anos e exercer funções
4. Presidente da República típicas (substituição, sucessão, ser membro nato
dos conselhos da República/defesa nacional e
4.1 Eleição outras definidas em lei complementar) e atípicas
é realizada no ano anterior ao término do mandato (missões especiais a mando do Presidente da Re‑
vigente, no mês de outubro (o primeiro turno no pri‑ pública).
meiro domingo de outubro e o segundo turno no último b) Ministros: ocupam cargo em comissão, de li‑
domingo de outubro). O sistema de eleição é o majoritá‑ vre nomeação e exoneração pelo Presidente da

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 66 22/3/2012 16:00:13


DIREITO CONSTITUCIONAL 67

República. Os requisitos exigidos são: a) ser sidente do Senado Federal; IV ­– o Ministro da


brasileiro, sendo que o da defesa tem que ser Justiça; V ­– o Ministro da Marinha; VI ­– o Minis‑
nato; b) ser maior de 21 anos; c) estar no gozo tro do Exército; VII ­– o Ministro das Relações

CONSTITUCIONAL
dos direitos políticos. A criação e extinção do Exteriores; VIII ­– o Ministro da Aeronáutica; IX

DIREITO
Ministério depende de lei federal, mas a sua or‑ ­– o Ministro da Economia, Fazenda e Planeja‑
ganização e funcionamento poderão ser feitos mento. O Presidente da República poderá desig‑
por decreto presidencial. Cabe ao Ministro nar membros eventuais para as reuniões do Con‑
exercer supervisão, orientação e coordenação selho de Defesa Nacional, conforme a matéria a
dos órgãos da administração pública federal, re‑ ser apreciada. O Conselho de Defesa Nacional
ferendar os atos do Presidente da República, ex‑ poderá contar com órgãos complementares ne‑
pedir instruções normativas, exercer atribui‑ cessários ao desempenho de sua competência
ções outorgadas ou delegadas pelo Presidente da constitucional.
República. Pela Lei n. 11.036/2004, o cargo de
Presidente do Banco Central é equiparado ao de 4.5 Responsabilidade
Ministro de Estado. a) Perda do mandato: pode ocorrer pela Cassa‑
c) Conselhos: 1) da República: órgão superior ção, ou seja, condenação definitiva do STF pela
de consulta do Presidente da República, que tem prática de crime comum ou condenação definiti‑
como função a pronúncia sobre: I ­– intervenção va do Senado Federal pela prática de crime de
federal, estado de defesa e estado de sítio; II ­– as responsabilidade; ou pela Extinção, que ocorre
questões relevantes para a estabilidade das insti‑ quando houver renúncia, perda ou suspensão
tuições democráticas. dos direitos políticos, morte, ausência por mais
É presidido pelo Presidente da República e dele de 15 dias do País, sem licença do Congresso
Nacional, não posse no prazo nem alegação de
participam: I ­– o Vice­‑Presidente da República; II
força maior.
­– o Presidente da Câmara dos Deputados; III ­– o
Presidente do Senado Federal; IV ­– os líderes da b) Imunidade penal temporária: trata­‑se de
maioria e da minoria na Câmara dos Deputados, prerrogativa do Presidente da República,
designados na forma regimental; V ­– os líderes da que não pode ser estendida aos Governadores e
maioria e da minoria no Senado Federal, designa‑ Prefeitos, pois estes não exercem a chefia de Es‑
dos na forma regimental; VI ­– o Ministro da Jus‑ tado, ligada ao tema responsabilidade criminal
tiça; VII ­– 6 (seis) cidadãos brasileiros natos, com do Presidente da República na vigência do man‑
mais de 35 (trinta e cinco) anos de idade, todos dato: 1) Crimes funcionais: pode ser punido
com mandato de 3 (três) anos, sendo 2 (dois) no‑ na vigência do mandato; 2) Crimes não fun‑
meados pelo Presidente da República; 2 (dois) cionais: não pode ser punido na vigência do
eleitos pelo Senado Federal; 2 (dois) eleitos pela mandato; responderá pelo crime após o térmi‑
Câmara dos Deputados; 2) da Defesa Nacio‑ no do mandato perante a Justiça Comum. A
nal: órgão de Consulta do Presidente da Repúbli‑ imunidade impede o processo criminal na vi‑
ca, que tem como funções: opinar nas hipóteses gência do mandato, com suspensão do prazo
de declaração de guerra e de celebração de paz, prescricional.
sobre a decretação do estado de defesa, do estado c) Imunidade prisional: o Presidente da Repú‑
de sítio e da intervenção federal; bem como pro‑ blica é imune a qualquer tipo de prisão proces‑
por os critérios e condições de utilização das áre‑ sual, ou seja, a decretada antes do trânsito em
as indispensáveis à segurança do território nacio‑ julgado da sentença penal condenatória.
nal e opinar sobre seu efetivo uso, especialmente d) Imunidade processual: o Presidente da Re‑
na faixa de fronteira e nas relacionadas com a pre‑ pública só pode ser processado por crime co‑
servação e a exploração dos recursos naturais de mum ou de responsabilidade, após a admissibili‑
qualquer tipo, além de estudar, propor e acompa‑ dade da acusação pela Câmara dos Deputados.
nhar o desenvolvimento de iniciativas necessárias Tal imunidade é estendida aos Governadores.
a garantir a independência nacional e a defesa do No caso dos Ministros de Estado, a autorização
estado democrático. É presidido pelo Presidente da Câmara dos Deputados é necessária nos cri‑
da República e dele participam como membros mes comuns e de responsabilidade, conexos
natos: I ­– o Vice­‑Presidente da República; II ­– o com os delitos da mesma natureza imputados ao
Presidente da Câmara dos Deputados; III ­– o Pre‑ Presidente da República.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 67 22/3/2012 16:00:13


68 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

4.6 Atribuições do Presidente da República transformou em lei com a sanção presidencial ou com a
I ­– Nomear e exonerar os Ministros de Esta‑ derrubada do veto no Congresso Nacional. Se o Presi‑
do: o Ministro ocupa cargo em comissão (cargo de con‑ dente não promulgar em 48 horas, o Presidente do Sena‑
fiança), ou seja, de livre nomeação e exoneração pelo do a promulgará e, se este não fizer em igual prazo, ca‑
Presidente da República. Exercer cargo em comissão é berá ao Vice-Presidente do Senado fazê­‑lo (art. 66, § 7º,
exercer cargo de chefia, direção ou assessoria. As pes‑ da CF). Publicar é dar conhecimento geral (a lei adquire
soas nomeadas ao cargo de Ministro podem ser servido‑ notoriedade). A publicação se dá com a inserção do tex‑
res ou não. Os Cargos em Comissão devem ser preen‑ to promulgado na Imprensa Oficial. A publicação é feita
chidos por servidores de carreira nos casos, condições e por quem promulga. Se existir omissão deliberada dolo‑
percentuais mínimos previstos em Lei (art. 37, V, da sa da publicação pelo Chefe do Poder Executivo, haverá
crime de responsabilidade (Lei n. 1.079/50 e Decreto­
CF). A posse em Cargo em Comissão determina o con‑
‑lei n. 201/67). O Poder Executivo pode editar atos
comitante afastamento do servidor do cargo efetivo de
normativos gerais e abstratos (poder normativo). Den‑
que for titular, ressalvados os casos de acumulação legal
tre os atos normativos, pode editar decretos e regula‑
comprovada.
mentos (poder regulamentar). Regulamento ou decreto
II ­– Exercer, com o auxílio dos Ministros de de execução é o editado em função da lei, possibilitando
Estado, a direção superior da Administração Fe‑ sua fiel execução. A função de editar decreto de execu‑
deral: os Ministros de Estado são meros auxiliares do ção não pode ser delegada para outro, por falta de per‑
Presidente da República no exercício do Poder Executi‑ missivo constitucional. Regulamento autorizado ou de‑
vo e na direção superior da Administração Federal. Os legado é o que complementa as disposições da lei em
Ministros de Estado são responsáveis pelos Ministérios e razão da expressa disposição nele contida; não pode dis‑
são escolhidos pelo Presidente da República por meio de ciplinar matérias reservadas à lei, sob pena de violar se‑
nomeação. O auxílio consiste em exercer a orientação, paração de poderes. O regulamento autorizado é usado
coordenação e supervisão dos órgãos e entidades da Ad‑ somente para fixação de normas técnicas, desde que a lei
ministração federal na área de sua competência. que o autoriza estabeleça as condições e os limites da
III ­– Iniciar o processo legislativo, na forma atuação do Poder Executivo. O regulamento deve fun‑
e nos casos previstos nesta Constituição: iniciar cionar como uma complementação técnica necessária
significa apresentar projeto de lei ou proposta de emen‑ das disposições legais. Parte da doutrina, segundo Maria
da constitucional. Os casos em que o Presidente da Re‑ Sylvia, diferencia regulamento jurídico ou normativo do
pública tem iniciativa são: a) lei ordinária (art. 61 da regulamento administrativo ou de organização. O jurí‑
CF); b) lei complementar (art. 61 da CF); c) emenda dico estabelece normas sobre relações de supremacia
constitucional (art. 60, I, da CF); d) lei delegada (art. geral, normas que ligam todas as pessoas; o de organiza‑
68 da CF); e) lei orçamentária (art. 166 da CF). Cabe ção estabelece normas sobre a organização administrati‑
ressaltar alguns casos de leis que são de iniciativa priva‑ va ou sobre as relações entre particulares que estejam
tiva do Presidente da República: Forças Armadas: fixa‑ em situação de submissão especial ao Estado. Os admi‑
ção do efetivo; regime jurídico, provimento de cargos, nistrativos são baixados com maior liberdade. Nos siste‑
promoções, estabilidade, remuneração, reforma e trans‑ mas que admitem aceitam apenas em matéria organizati‑
ferência para a reserva; criação de cargos ou aumento de va ou de sujeição.
remuneração; regime jurídico dos servidores públicos V ­– Vetar projetos de lei, total ou parcial‑
da União e Territórios; organização geral (administra‑ mente: é ato de competência exclusiva do Chefe do Po‑
ção, justiça, tributo, orçamento, serviços públicos) dos der Executivo, em que manifesta discordância com o
Territórios; organização do MP e da Defensoria Pública projeto de lei. O veto apresenta as seguintes caracterís‑
da União, bem como normas gerais do MP e da Defen‑ ticas: expresso, irretratável, relativo, motivado, supres‑
soria Pública do Distrito Federal; criação e extinção de sivo (o Presidente da República não pode acrescentar
Ministérios e órgãos da administração pública. nada ao projeto. Só pode retirar). O veto pode ser Jurí‑
IV ­– Sancionar, promulgar e fazer publicar dico quando o projeto for inconstitucional e político
as leis, bem como expedir decretos e regula‑ quando o projeto for contrário ao interesse público. Os
mentos para sua fiel execução: sanção é ato de motivos do veto têm que ser comunicados em 48 horas
competência exclusiva do Chefe do Poder Executivo, em ao Presidente do Senado (art. 66, § 1º, da CF). No veto
que manifesta concordância com o projeto de lei. Pro‑ total, o Presidente da República discorda sobre todo o
mulgar é atestar a existência da lei; esta adquire execu‑ projeto. No veto parcial, o Presidente da República dis‑
toriedade, ou seja, aptidão para ser aplicada; o objeto da corda sobre parte deste. O veto parcial abrange somente
promulgação é a lei e não o projeto de lei. Este já se texto integral de artigo, de parágrafo, de inciso ou alí‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 68 22/3/2012 16:00:13


DIREITO CONSTITUCIONAL 69

nea. Não podendo assim incidir sobre palavras (art. 66, obedece a um procedimento que pode ser dividido nas
§ 2º, da CF). Se houver veto parcial, somente a parte seguintes fases: a) celebração: negociações preliminares
vetada é devolvida ao Congresso Nacional, as demais se‑ e assinatura do tratado; b) referendo do Congresso Na‑

CONSTITUCIONAL
rão sancionadas e seguirão para promulgação e publica‑ cional (art. 49, I, CF), que é o ato que aprova o tratado

DIREITO
ção. (o Congresso não aprova quando o tratado acarretar
VI ­– Dispor, mediante decreto, sobre: a) or‑ compromissos gravosos ao patrimônio nacional); c) rati‑
ganização e funcionamento da administração ficação do Presidente (art. 84, CF), que é o ato que con‑
federal, quando não implicar aumento de des‑ firma o tratado; d) promulgação e publicação no Diário
pesa nem criação ou extinção de órgãos públi‑ Oficial. A manifestação do Congresso Nacional será fei‑
cos; b) extinção de funções ou cargos públicos, ta por decreto legislativo. Já a promulgação e publicação
quando vagos: além do decreto de execução, existe o são feitos por decreto do Presidente da República. O tra‑
decreto autônomo ou independente, editado pelo Poder tado é ato internacional que necessita, para a sua conclu‑
Executivo como ato primário derivado da Constituição, são, da colaboração dos Poderes Executivo e Legislativo.
contendo normas gerais, abstratas e impessoais. O de‑ IX ­– Decretar o estado de defesa e o estado
creto autônomo pode ser de duas espécies: a) externo: de sítio: são medidas de competência exclusiva do Pre‑
normas dirigidas aos cidadãos em geral; b) interno: di‑ sidente da República que visam manter ou restabelecer a
zem respeito à organização, funcionamento e competên‑ normalidade institucional. Cabe ressaltar que a decreta‑
cia da administração pública. A Emenda à Constituição ção dessas medidas depende da existência de três requisi‑
n. 32/2001 introduziu a figura do decreto autônomo em tos essenciais: necessidade, temporariedade e proporcio‑
nossa Constituição Federal. As hipóteses de cabimento nalidade. O estado de defesa será decretado quando
constam no inciso VI de forma taxativa. Se for usado em houver grave perturbação da ordem pública ou da paz so‑
outros casos que não os permitidos pela CF/88, poderá cial ameaçadas por grave e iminente instabilidade institu‑
ser declarado inconstitucional. cional ou atingidas por calamidades de grandes propor‑
VII ­– Manter relações com Estados estran‑ ções da natureza. No estado de defesa, existe controle
geiros e acreditar seus representantes diplomá‑ político, a posteriori, com decisão por maioria absoluta,
ticos: o relacionamento internacional é de coordenação pelo Congresso Nacional e duração de até 30 dias (pror‑
e feito pelos seguintes órgãos: Chefe de Estado ou Chefe rogável, uma vez, por igual período). Já o estado de sítio
de Governo; Ministro das Relações Exteriores (auxiliar é decretado quando houver comoção nacional, guerra,
do Chefe de Estado na formulação e na execução da po‑ necessidade de resposta à agressão armada estrangeira ou
lítica exterior do país e chefe hierárquico dos funcioná‑ ineficácia do estado de defesa. No estado de sítio, existe
rios diplomáticos e consulares do país); Agentes Diplo‑ controle político prévio, com decisão por maioria absolu‑
máticos (a Missão Diplomática é integrada não só pelo ta do Congresso Nacional e duração de 30 dias, mas
Chefe da Missão e pelos demais funcionários diplomáti‑ prorrogável por número ilimitado de vezes, sempre por
cos, mas também pelo pessoal administrativo e técnico 30 dias, com repetição dos pressupostos formais. No caso
e pelo pessoal de serviço; o grupo de Agentes Diplomá‑ de guerra ou agressão armada estrangeira, pelo tempo
ticos acreditados num mesmo Estado denomina­‑se que perdurar a guerra ou agressão armada estrangeira.
“Corpo Diplomático Estrangeiro” é presidido pelo deca‑ X ­– Decretar e executar a intervenção fede‑
no); Agentes Consulares (nem todos são funcionários de ral: é medida excepcional de supressão temporária da
carreira; Cônsule Electi: cônsul honorário; Cônsule autonomia de ente federativo, visando a preservação da
missi: cônsules profissionais); Delegados junto às Orga‑ existência e da unidade da Federação. A intervenção fe‑
nizações Internacionais. Na repartição de competência, deral é feita nos Estados, Distrito Federal ou nos Muni‑
compete à União “manter relações com Estados estran‑ cípios localizados em território federal. É ato político,
geiros e participar de organizações internacionais” (art. pois é decretado pelo Presidente da República. A inter‑
21, I). Dessa forma, qualquer acordo que um Estado fe‑ venção federal cabe para assegurar a unidade nacional
derado ou Município deseje concluir com Estado estran‑ (art. 34, I e II); manter a ordem, isto é, a ordem consti‑
geiro deverá ser feito pela União, com a intermediação tucional (art. 34, VII), a ordem pública (art. 34, III e
do Ministério das Relações Exteriores. No caso de fi‑ IV), a ordem jurídica (art. 34, VI), bem como discipli‑
nanciamento será necessária a intermediação do Senado nar as finanças estaduais (art. 34, V). É feita por decreto
Federal. do Presidente da República, ouvido o Conselho da Re‑
VIII ­– Celebrar tratados, convenções e atos pública (art. 90, I, CF), que especifica a sua amplitude,
internacionais, sujeitos a referendo do Congres‑ prazo e condições de execução e, se necessário, nomeia
so Nacional: a elaboração do tratado internacional o interventor. O decreto de intervenção terá que ser

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 69 22/3/2012 16:00:13


70 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

apreciado pelo Congresso Nacional no prazo de 24 horas mente será deferida pelo Supremo Tribunal Federal,
e, caso este esteja em recesso, será convocado extraordi‑ tratando­‑se de fatos delituosos puníveis com prisão per‑
nariamente no mesmo prazo (§ 2º do art. 36). Caso o pétua, se o Estado requerente assumir, formalmente,
Congresso reprove a medida, a intervenção será consi‑ quanto a ela, perante o Governo brasileiro, o compro‑
derada inconstitucional, e se ainda assim o Presidente misso de comutá­‑la em pena não superior à duração má‑
mantiver sua execução, ficará sujeito à pena de crime de xima admitida na lei penal do Brasil (CP, art. 75).
responsabilidade fundamentada no art. 85, II, da CF/88. XIII ­– Exercer o comando supremo das For‑
Existem dois casos em que não é necessário apreciação ças Armadas, nomear os Comandantes da Mari‑
do Congresso Nacional (prover sobre a execução de lei nha, do Exército e da Aeronáutica, promover
federal, ordem ou decisão judicial e observância de prin‑ seus oficiais­‑generais e nomeá­‑los para os car‑
cípio sensível). Nesses casos, o decreto limitar­‑se­‑á à gos que lhes são privativos: compete ao Presidente,
suspensão do ato impugnado, sem necessidade da nome‑ ainda, a iniciativa de lei para a fixação ou modificação
ação de um interventor. dos efetivos das Forças Armadas (CF, art. 61, § 1º, I) e
XI ­– Remeter mensagem e plano de governo para as leis que disponham sobre militares das Forças
ao Congresso Nacional por ocasião da abertura Armadas, seu regime jurídico, provimento de cargos,
da sessão legislativa, expondo a situação do País estabilidade e aposentadoria (CF, art. 61, § 1º, II, f ). 
e solicitando as providências que julgar neces‑ XIV ­– Nomear, após aprovação pelo Senado
sárias: a abertura da sessão legislativa é feita no dia 2 de Federal, os Ministros do Supremo Tribunal Fe‑
fevereiro. deral e dos Tribunais Superiores, os Governado‑
XII ­– Conceder indulto e comutar penas, res de Territórios, o Procurador­‑Geral da Repú‑
com audiência, se necessário, dos órgãos institu‑ blica, o presidente e os diretores do banco
ídos em lei: Indulto individual é a graça concedida central e outros servidores, quando determina‑
por decreto do Presidente da República para um conde‑ do em lei: os membros do Tribunal Superior Eleitoral
nado específico. O indulto individual poderá ser provo‑ não estão sujeitos à aprovação do Senado Federal.
cado por petição do condenado, por iniciativa do Minis‑ XV ­– Nomear, observado o disposto no art.
tério Público, do Conselho Penitenciário ou da 73, os Ministros do Tribunal de Contas da União:
autoridade administrativa. A petição do indulto, acom‑ os Ministros do Tribunal de Contas da União serão esco‑
panhada dos documentos que a instruírem, será entre‑
lhidos: I ­– um terço pelo Presidente da República, com
gue ao Conselho Penitenciário, para a elaboração de pa‑
aprovação do Senado Federal, sendo dois alternadamen‑
recer e posterior encaminhamento ao Ministério da
te dentre auditores e membros do Ministério Público
Justiça. Em seguida o Conselho promoverá as diligências
junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice pelo Tribu‑
que entender necessárias e fará, em relatório, a narração
nal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento;
do ilícito penal e dos fundamentos da sentença condena‑
II ­– dois terços pelo Congresso Nacional.
tória, a exposição dos antecedentes do condenado e do
procedimento deste depois da prisão, emitindo seu pare‑ XVI ­– Nomear os magistrados, nos casos
cer sobre o mérito do pedido e esclarecendo qualquer previstos nesta Constituição, e o Advogado­
formalidade ou circunstâncias omitidas na petição. Pro‑ ‑Geral da União: a Advocacia­‑Geral da União tem
cessada no Ministério da Justiça com documentos e o por chefe o Advogado­‑Geral da União, de livre nomea‑
relatório do Conselho Penitenciário, a petição será sub‑ ção pelo Presidente da República dentre cidadãos maio‑
metida a despacho do Presidente da República, a quem res de trinta e cinco anos, de notável saber jurídico e
serão presentes os autos do processo ou a certidão de reputação ilibada. Os magistrados nomeados pelo Presi‑
qualquer de suas peças, se ele o determinar. Concedido o dente da República, segundo o texto constitucional, são:
indulto e anexada aos autos cópia do decreto, o Juiz de‑ a) Os Tribunais Regionais Federais compõem­‑se de, no
clarará extinta a pena ou ajustará a execução aos termos mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na
do decreto, no caso de comutação. Indulto coletivo é respectiva região e nomeados pelo Presidente da Repú‑
a graça concedida pelo Presidente da República por de‑ blica dentre brasileiros com mais de trinta e menos de
creto aos condenados em geral, desde que preenchidas sessenta e cinco anos, sendo um quinto dentre advoga‑
condições. Se o sentenciado for beneficiado por indulto dos com mais de dez anos de efetiva atividade profissio‑
coletivo, o Juiz, de ofício, a requerimento do interessa‑ nal e membros do Ministério Público Federal com mais
do, do Ministério Público, ou por iniciativa do Conselho de dez anos de carreira e os demais, mediante promoção
Penitenciário ou da autoridade administrativa, terá a ex‑ de juízes federais com mais de cinco anos de exercício,
tinção da punibilidade ou a comutação. A extradição so‑ por antiguidade e merecimento, alternadamente; b) Os

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 70 22/3/2012 16:00:13


DIREITO CONSTITUCIONAL 71

Tribunais Regionais do Trabalho compõem­‑se de, no ou estrangeiras que tenham prestado relevantes serviços
mínimo, sete juízes, recrutados, quando possível, na às Forças Armadas do Brasil como um todo ou a uma
respectiva região, e nomeados pelo Presidente da Repú‑ Força Singular de per si, com reflexos em benefício das

CONSTITUCIONAL
blica dentre brasileiros com mais de trinta e menos de demais. Os agraciados da Ordem do Mérito das Forças

DIREITO
sessenta e cinco anos, sendo um quinto dentre advoga‑ Armadas passarão a integrar os quadros da Ordem do
dos com mais de dez anos de efetiva atividade profissio‑ Mérito da Defesa, respeitando­‑se os direitos e deveres
nal e membros do Ministério Público do Trabalho com que lhes são inerentes, e mantendo­‑se­‑lhes os efeitos das
mais de dez anos de efetivo exercício e os demais, me‑ honrarias e condecorações com que então foram distin‑
diante promoção de juízes do trabalho por antiguidade e guidos, sendo, outrossim, credores de promoções a que
merecimento, alternadamente; c) Os Tribunais Regio‑ fizerem jus junto à nova Ordem. O Presidente da Repú‑
nais Eleitorais compor­‑se­‑ão, mediante eleição, pelo blica será o Grão­‑Mestre da Ordem e o Ministro de Es‑
voto secreto de dois juízes dentre os desembargadores tado da Defesa, o Presidente efetivo e Chanceler da Or‑
do Tribunal de Justiça e de dois juízes, dentre juízes de dem.
direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça; de um juiz XXII ­– Permitir, nos casos previstos em lei
do Tribunal Regional Federal com sede na Capital do complementar, que forças estrangeiras transi‑
Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz tem pelo território nacional ou nele permane‑
federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Re‑ çam temporariamente: os casos previstos em lei
gional Federal respectivo; por nomeação, pelo Presiden‑ complementar são: I ­– para a execução de programas de
te da República, de dois juízes dentre seis advogados de adestramento ou aperfeiçoamento ou de missão militar
notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados de transporte, de pessoal, carga ou de apoio logístico do
pelo Tribunal de Justiça; d) desembargadores do Tribu‑ interesse e sob a coordenação de instituição pública na‑
nal de Justiça do Distrito Federal. cional; II ­– em visita oficial ou não oficial programada
XVII ­– Nomear membros do Conselho da pelos órgãos governamentais, inclusive as de finalidade
República, nos termos do art. 89, VII: dentre os científica e tecnológica; III ­– para atendimento técnico,
seis cidadãos brasileiros natos, que compõem o Conse‑ nas situações de abastecimento, reparo ou manutenção
lho da República, dois são nomeados pelo Presidente da de navios ou aeronaves estrangeiras; IV ­– em missão de
República, com mandato de três anos, vedada a recon‑ busca e salvamento. Nestes casos mencionados não é ne‑
dução. cessário autorização do Congresso Nacional. Forças es‑
XVIII ­– Convocar e presidir o Conselho da trangeiras são grupamentos ou contingentes de força
República e o Conselho de Defesa Nacional: os armada, bem como o navio, a aeronave e a viatura que
Conselhos referidos são órgãos de apoio da Presidência pertençam ou estejam a serviço dessas forças.
da República em questões de instabilidade. XXIII ­– Enviar ao Congresso Nacional o pla‑
XIX ­– Declarar guerra, no caso de agressão no plurianual, o projeto de lei de diretrizes or‑
estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacio‑ çamentárias e as propostas de orçamento pre‑
nal ou referendado por ele, quando ocorrida no vistos nesta Constituição.
intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas XXIV ­– Prestar, anualmente, ao Congresso
condições, decretar, total ou parcialmente, a Nacional, dentro de sessenta dias após a abertu‑
mobilização nacional: o referendo do Congresso ra da sessão legislativa, as contas referentes ao
Nacional será necessário quando a guerra no caso de exercício anterior: o Presidente da República tem
agressão estrangeira ocorrer no recesso parlamentar (18 obrigação de prestar contas ao Congresso Nacional todo
de julho a 31 de julho e 23 de dezembro a 1 de feverei‑ ano, no prazo de 60 dias contados do dia 2 de fevereiro
ro). (data da abertura da sessão legislativa). E se não apresen‑
XX ­– Celebrar a paz, autorizado ou com o tar no prazo caberá à Câmara dos Deputados proceder à
referendo do Congresso Nacional. tomada dessas contas num prazo que a própria Câmara
XXI ­– Conferir condecorações e distinções irá fixar. A competência do Tribunal de Contas da União
honoríficas: são formas de homenagear ou agraciar é para dar parecer sobre as contas. O julgamento das
pessoas pelos seus serviços ou atividades. A Ordem do contas é feito pelo Congresso Nacional, por meio de de‑
Mérito da Defesa poderá ser conferida aos militares das creto legislativo.
Forças Armadas, aos civis nacionais e aos militares e ci‑ XXV ­– Prover e extinguir os cargos públi‑
vis estrangeiros, aos integrantes das Forças Auxiliares e cos federais, na forma da lei: cargo público é o con‑
às organizações militares e instituições civis nacionais junto de atribuições e responsabilidades previstas na es‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 71 22/3/2012 16:00:13


72 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

trutura organizacional que devem ser cometidas a um nha sido rejeitada ou que tenha perdido sua eficácia por
servidor. Os cargos públicos, acessíveis a todos os brasi‑ decurso de prazo.
leiros, são criados por lei, com denominação própria e XXVII ­– Exercer outras atribuições previs‑
vencimento pago pelos cofres públicos, para provimento tas nesta Constituição: esse inciso demonstra que o
em caráter efetivo ou em comissão. A organização, o rol de atribuições do Presidente da República previsto
funcionamento, a polícia, a criação, a transformação ou no art. 84 da CF é exemplificativo. Outras atribuições
a extinção dos cargos, os empregos e as funções dos ser‑ existem previstas na Constituição Federal: a) apresentar
viços da Câmara dos Deputados são feitos por resolução proposta de emenda constitucional; b) propor ADIN,
da própria Câmara. A organização, o funcionamento, a ADECON e ADPF; c) nomear membros do Conselho
polícia, a criação, a transformação ou a extinção dos car‑ Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministé‑
gos, os empregos e as funções dos serviços do Senado rio Público; d) conferir patentes nas Forças Armadas; e)
Federal são feitos por resolução do próprio Senado. prestar o compromisso de manter, defender e cumprir a
Compete ao Supremo Tribunal Federal, aos Tribunais Constituição, no ato e na data da promulgação da
Superiores e aos Tribunais de Justiça propor ao Poder CF/88; f) prestar o compromisso quando for eleito ao
Legislativo respectivo a criação e a extinção de cargos e cargo do presidente; g) outorgar e renovar concessão,
a remuneração dos seus serviços auxiliares e dos juízos permissão e autorização para o serviço de radiodifusão
que lhes forem vinculados, bem como a fixação do sub‑ sonora e de sons e imagens.
sídio de seus membros e dos juízes, inclusive dos tribu‑
nais inferiores, onde houver. Ao Ministério Público é VI ­– PODER LEGISLATIVO
assegurada autonomia funcional e administrativa, po‑
dendo propor ao Poder Legislativo a criação e a extinção
de seus cargos e serviços auxiliares, provendo­‑os por 1. Fundamento
concurso público de provas ou de provas e títulos, a po‑ No Brasil apenas a Constituição de 1824 adotou o
lítica remuneratória e os planos de carreira; a lei disporá bicameralismo sistemático (o senador funciona como
sobre sua organização e funcionamento. A lei disporá so‑ moderador entre os deputados e o Poder Executivo); as
bre a criação e a extinção de Ministérios e órgãos da demais Constituições brasileiras adotaram o Federal (a
administração pública. câmara alta representa os Estados e a baixa, o povo). O
XXVI ­– Editar medidas provisórias com for‑ Poder Legislativo Federal é bicameral, ou seja, tem duas
ça de lei, nos termos do art. 62: a competência para casas legislativas, quais sejam, a Câmara dos Deputados
editar é do Chefe do Executivo. O governador para po‑ e o Senado Federal. Nas demais esferas, a estrutura é
der editar precisa estar autorizado na respectiva Consti‑ unicameral.
tuição do Estado. O prefeito para poder editar precisa O Senado Federal é composto por representantes
estar autorizado na respectiva Lei Orgânica. Para sua dos Estados­‑membros e do Distrito Federal, que têm
edição é necessária a presença dos pressupostos da rele‑ mandato de 8 anos. Será eleito senador pelo sistema ma‑
vância e urgência. Após edição serão submetidas ao joritário, ou seja, o candidato que obtiver a maioria sim‑
Congresso Nacional. As medidas provisórias perderão ples dos votos válidos, ou seja, todos os votos, exceto os
eficácia, desde a edição, se não forem convertidas em lei brancos e nulos. Será feito um único turno de votação
no prazo de sessenta dias, prorrogável uma vez por igual (sistema puro ou simples). Cada senador é eleito com
período, devendo o Congresso Nacional disciplinar, por dois suplentes. A Câmara dos Deputados é composta por
decreto legislativo, as relações jurídicas delas decorren‑ representantes do povo, que têm mandato de 4 anos.
tes. Se a medida provisória não for apreciada em até qua‑ Será eleito deputado federal pelo sistema proporcional,
renta e cinco dias contados de sua publicação, entrará ou seja, o candidato de acordo com a população local,
em regime de urgência, subsequentemente, em cada nos termos da Lei Complementar n. 78/93.
uma das Casas do Congresso Nacional, ficando sobresta‑ O Poder Legislativo é formado pelos seguintes ór‑
das, até que se ultime a votação, todas as demais delibe‑ gãos internos: a) Polícia; b) Serviços administrativos; c)
rações legislativas da Casa em que estiverem tramitando. Mesa (dirige os trabalhos no Legislativo); d) Comissões:
Não editado o decreto legislativo de aprovação da medi‑ permanentes são as organizadas em função de matéria;
da em até sessenta dias após a rejeição ou perda de eficá‑ temporárias ou especiais: são as que têm prazo determi‑
cia de medida provisória, as relações jurídicas constituí‑ nado ou organizadas para resolver determinado assunto;
das e decorrentes de atos praticados durante sua vigência representativas são aquelas que representam o Legislati‑
conservar­‑se­‑ão por ela regidas. É vedada a reedição, na vo no recesso parlamentar; mistas são as formadas por
mesma sessão legislativa, de medida provisória que te‑ deputados federais e senadores; são admitidas nos se‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 72 22/3/2012 16:00:13


DIREITO CONSTITUCIONAL 73

guintes casos: a) discussão de medida provisória; b) ma‑ cional. Todos os parlamentares possuem tal
téria orçamentária. imunidade, apenas os vereadores têm a imunida‑
O Poder Legislativo funciona através das seguintes de material limitada à circunscrição do municí‑

CONSTITUCIONAL
sessões legislativas: a) Ordinária é o período anual de pio onde atuam.

DIREITO
trabalhos legislativos, que, por sua vez, é dividido em b) F ormais ou processuais ou relativas: 1)
dois períodos legislativos: 1) 2.2 a 17.7; 2) 1.8 a 22.12. prisão (freedom from arrest): em relação aos
b) Conjunta é a reunião de deputados federais e senado‑ crimes afiançáveis, o parlamentar não pode so‑
res para a discussão e votação das seguintes matérias: 1) frer prisão processual. No entanto, em relação
elaboração do regimento interno do Congresso Nacio‑ aos crimes inafiançáveis, o parlamentar somente
nal; 2) criação dos serviços administrativos do Congres‑ poderá ser preso em caso de prisão em flagran‑
so Nacional; 3) inauguração de sessão legislativa; 4) de‑ te. No caso de sofrer prisão em flagrante por
liberação sobre o veto; c) Solene é a reunião feita para crime inafiançável, há o seguinte procedimento
homenagear pessoas ilustres, receber autoridades de go‑ a ser seguido: a) Existência da captura do parla‑
verno estrangeiras e comemorar fatos históricos; d) Pre‑ mentar; b) Lavratura do auto de prisão em fla‑
paratória é a feita no primeiro ano do mandato no dia grante, documento que registra a prisão efetua‑
1/2, para eleição das mesas e posse dos membros eleitos; da; c) Remessa do auto de prisão em flagrante
e) Extraordinária é a feita no recesso parlamentar ou fora em 24 horas a Casa a que pertence o parlamen‑
do horário de expediente. Existem duas formas de con‑ tar; d) Após a remessa do auto, na Casa haverá
vocação para sessão extraordinária: a) convocação obri‑ uma deliberação interna sobre a continuidade ou
gatória: 1) posse e compromisso do Presidente e Vice­ não da prisão do parlamentar; e) O quórum para
‑Presidente da República; 2) estado de sítio; 3) estado de soltar o parlamentar é maioria absoluta; tal
defesa; 4) intervenção federal; b) convocação facultati‑ prerrogativa será válida desde a expedição do
va: 1) urgência; 2) relevância. Na sessão extraordinária, diploma; 2) processo criminal: o parla‑
os parlamentares recebiam uma remuneração denomina‑ mentar pode sofrer processo criminal, indepen‑
da parcela indenizatória, que não podia ser superior ao dentemente da licença da Casa. Se o órgão do
subsídio mensal. Hoje, com o advento da Emenda n. judiciário receber a peça acusatória, comunicará
50/2006, ficou proibido o pagamento de parcela indeni‑ a casa a que pertence o parlamentar, pois da
zatória. Na sessão legislativa extraordinária, os parla‑ Casa pode ser formulado o pedido de sustação
mentares somente podem deliberar sobre a matéria para do processo criminal, ou seja, um pedido de pa‑
a qual foi convocado, salvo medidas provisórias. ralisação do processo criminal instaurado con‑
tra o parlamentar até o término do mandato.
2. Garantias de Independência Tem como efeito suspender o prazo prescricio‑
As imunidades parlamentares são prerrogativas dos nal. A iniciativa é do partido político repre‑
parlamentares para o bom exercício da função. A finali‑ sentado no Congresso Nacional. O recebi‑
dade da existência é para assegurar o bom exercício do mento do pedido é feito pela mesa diretora.
mandato, independência do Legislativo e garantia da de‑ A votação do pedido: deve ser feita em 45
mocracia. São irrenunciáveis, pois as imunidades são ou‑ dias improrrogáveis; o quórum para sustar é
torgadas aos parlamentares, não como satisfação de inte‑ maioria absoluta.
resse pessoal, mas para o bom exercício do mandato; é Os parlamentares possuem outras prerrogativas,
matéria de ordem pública. No Estado de sítio, em re‑ além das imunidades: a) Foro Privilegiado: os parla‑
gra, as imunidades subsistirão durante o estado de sítio; mentares, em razão do cargo que ocupam, têm o direito
excepcionalmente poderão ser suspensas, desde que pre‑ de serem julgados perante órgão do judiciário de supe‑
enchidos os seguintes requisitos: a) voto de 2/3 dos rior instância, de acordo com as seguintes regras: 1)
membros da Casa respectiva; b) prática de atos, pratica‑ parlamentares federais: Supremo Tribunal Federal;
dos fora do recinto do Congresso, que sejam incompatí‑ 2) parlamentares estaduais: Tribunal de Justiça; 3)
veis com a execução da medida. parlamentares municipais: não têm foro privilegia‑
As imunidades podem ser de duas espécies: do; b) Incorporação às Forças Armadas: mesmo
a) Materiais ou substanciais ou reais ou que militares e em época de guerra, é necessário prévia
substantivas ou inviolabilidade (freedom licença da casa respectiva; c) Obrigação de testemu‑
of speech): os parlamentares são invioláveis (não nhar: tal obrigação deve ser analisada de acordo com o
serão punidos) por suas palavras, votos e opini‑ tipo de informações que o parlamentar terá que relatar
ões, desde que proferidas no exercício fun‑ para o judiciário, segundo duas regras: 1. se forem infor‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 73 22/3/2012 16:00:14


74 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

mações funcionais, ou seja, sobre as informações recebi‑ III ­– Autorizar o Presidente e o Vice­
das ou prestadas em razão do exercício do mandato ou ‑Presidente da República a se ausentarem do
sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles receberam País, quando a ausência exceder a quinze dias: a
informações: parlamentar não pode ser obrigado a teste‑ ausência do presidente e do vice por mais de 15 dias sem
munhar; 2. se não forem informações funcionais: o par‑ licença do Congresso gera vacância e perda do mandato.
lamentar será obrigado a testemunhar. IV ­– Aprovar o estado de defesa e a inter‑
Na análise das garantias parlamentares, é possível venção federal, autorizar o estado de sítio, ou
afirmar que o parlamentar pode perder o mandato de suspender qualquer uma dessas medidas: são atos
duas formas: a) Cassação é a perda do mandato parla‑ de competência exclusiva do Presidente da República.
mentar, em virtude da falta de decoro parlamentar, de V ­– Sustar os atos normativos do Poder Exe‑
condenação criminal transitada em julgado ou da viola‑ cutivo que exorbitem do poder regulamentar
ção das incompatibilidades previstas no art. 54 da Cons‑ ou dos limites de delegação legislativa: a sustação
tituição Federal. O procedimento da Cassação é feito da de atos normativos do Poder Executivo é forma de con‑
seguinte maneira: 1) iniciativa do pedido, que pode ser trole de constitucionalidade do tipo controle político.
feita pela Mesa ou partido político representado na Casa; Sustar é suspender a vigência do ato.
2) votação do pedido em escrutínio secreto; o quórum
VI ­– Mudar temporariamente sua sede: é fei‑
para cassar é maioria absoluta; b) Extinção: é a per‑
ta por decreto legislativo; quando for sede do governo
da do mandato parlamentar, em virtude da decretação
federal precisa da lei.
da justiça eleitoral, da perda ou suspensão dos direitos
políticos ou do não comparecimento a 1/3 das sessões VII ­– Fixar idêntico subsídio para os Depu‑
ordinárias. O procedimento da Extinção é feito da se‑ tados Federais e os Senadores, observado o que
guinte maneira: 1) declaração da Mesa de ofício ou por dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e
provocação de qualquer membro ou de partido político 153, § 2º, I.
representado na Casa. VIII ­– Fixar os subsídios do Presidente e do
Vice­‑Presidente da República e dos Ministros
de Estado, observado o que dispõem os arts. 37,
3. Atribuições do Legislativo
XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, § 2º, I.
3.1 Congresso Nacional IX ­– Julgar anualmente as contas prestadas
pelo Presidente da República e apreciar os rela‑
I ­– Resolver definitivamente sobre tratados,
tórios sobre a execução dos planos de governo.
acordos ou atos internacionais que acarretem
encargos ou compromissos gravosos ao patri‑ X ­– Fiscalizar e controlar, diretamente, ou
mônio nacional: tratado é acordo formal concluído por qualquer de suas Casas, os atos do Poder
entre os sujeitos do direito internacional público (Esta‑ Executivo, incluídos os da administração indi‑
dos soberanos e organizações internacionais) visando reta.
produzir efeitos jurídicos. O tratado é celebrado pelo XI ­– Zelar pela preservação de sua compe‑
Presidente da República. Após celebração é encaminha‑ tência legislativa em face da atribuição normati‑
do ao Congresso Nacional, que poderá: a) ratificar: o va dos outros Poderes.
tratado será promulgado e publicado pelo Presidente da XII ­– Apreciar os atos de concessão e reno‑
República por decreto; b) não ratificar: quando acarre‑ vação de concessão de emissoras de rádio e tele‑
tar compromissos gravosos ao patrimônio nacional. A visão.
ratificação ou não pelo Congresso será feito por decreto XIII ­– Escolher dois terços dos membros do
legislativo. Tribunal de Contas da União.
II ­– Autorizar o Presidente da República a XIV ­– Aprovar iniciativas do Poder Executi‑
declarar guerra, a celebrar a paz, a permitir que vo referentes a atividades nucleares.
forças estrangeiras transitem pelo território na‑
XV ­– Autorizar referendo e convocar ple‑
cional ou nele permaneçam temporariamente,
ressalvados os casos previstos em lei comple‑ biscito.
mentar: a declaração de guerra é ato de competência XVI ­– Autorizar, em terras indígenas, a ex‑
do Presidente da República. Quando a guerra ocorrer ploração e o aproveitamento de recursos hídri‑
durante os trabalhos legislativos, é necessário autoriza‑ cos e a pesquisa e lavra de riquezas minerais.
ção do Congresso; se ocorrer durante o recesso, é ne‑ A exploração depende de autorização do
cessário referendo do Congresso. Congresso Nacional.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 74 22/3/2012 16:00:14


DIREITO CONSTITUCIONAL 75

XVII ­– Aprovar, previamente, a alienação aquisitivo dos vencimentos, devendo ser anual e sem dis‑
ou concessão de terras públicas com área supe‑ tinção de índices. Dessa forma, o aumento de remunera‑
rior a dois mil e quinhentos hectares: áreas de ter‑ ção dos servidores públicos da Câmara dos Deputados é

CONSTITUCIONAL
ras públicas somente necessitam de aprovação prévia do feito por lei de iniciativa da própria Casa. A revisão geral

DIREITO
Congresso quando forem superiores a 2.500 hectares. da remuneração dispensa lei específica. O Presidente da
Para fins de reforma agrária não é necessário autoriza‑ República tem o dever de desencadear o processo de ela‑
ção. boração da lei anual de revisão geral da remuneração dos
servidores da União, na forma prevista no art. 61, § 1º,
3.2 Câmara dos Deputados II, a, da CF. A Lei n. 10.331/2001 estabelece a revisão
I ­– autorizar, por dois terços de seus mem‑ no mês de janeiro, sem distinção de índices e extensivos
bros, a instauração de processo contra o Presi‑ aos proventos da inatividade e às pensões;
dente e o Vice­‑Presidente da República e os Mi‑ V ­– eleger membros do Conselho da Repú‑
nistros de Estado: o início dos processos por crime blica: o Conselho da República é órgão de apoio do
comum ou de responsabilidade contra o Presidente, o Presidente da República em questões de instabilidade
Vice­‑Presidente e os Ministros depende de autorização institucional. Na composição do Conselho da República,
de 2/3 da Câmara dos Deputados. Tal exigência é deno‑ dois membros são eleitos pela Câmara dos Deputados,
minada juízo de admissibilidade. Em relação aos Minis‑ desde que sejam brasileiros natos.
tros a autorização é exigida apenas para os crimes cone‑
xos com os do Presidente. A prévia autorização 3.3 Senado Federal
legislativa vale para instaurar a persecução penal perante
o STJ contra o governador do Estado, em homenagem ao I ­– Processar e julgar o Presidente e o Vice­
princípio da paridade federativa. ‑Presidente da República nos crimes de respon‑
sabilidade, bem como os Ministros de Estado e
II ­– Proceder à tomada de contas do Presi‑
os Comandantes da Marinha, do Exército e da
dente da República, quando não apresentadas
ao Congresso Nacional dentro de sessenta dias Aeronáutica nos crimes da mesma natureza co‑
após a abertura da sessão legislativa: o Presidente nexos com aqueles: o julgamento do Presidente,
da República tem o dever de prestar contas ao Congres‑ Vice­‑Presidente e ministros por crime de responsabili‑
so Nacional no prazo de 60 dias a contar do dia 2 de fe‑ dade é feito pelo Senado Federal. O julgamento será pre‑
vereiro. Se não forem prestadas no prazo de 60 dias, as sidido pelo Presidente do STF. Cabe ressaltar que o jul‑
contas serão tomadas pela Câmara dos Deputados, que gamento dos ministros e comandantes abrange apenas os
fixará novo prazo para tal prestação de contas. O julga‑ crimes conexos com os do Presidente da República. Os
mento das contas é feito pelo Congresso Nacional. A não crimes de responsabilidade não conexos serão julgados
prestação de contas gera crime de responsabilidade. pelo STF. O processo de apuração e julgamento dos cri‑
III ­– elaborar seu regimento interno: Este é mes de responsabilidade é de natureza político­
um ato administrativo normativo de atuação interna ‑administrativa, pois: a) está submetido a uma jurisdição
cuja finalidade é dispor sobre o funcionamento interno política (o procedimento é dirigido por órgãos políticos,
de órgãos colegiados e corporações legislativas. qual seja o legislativo); b) os interesses envolvidos na
IV ­– dispor sobre sua organização, funcio‑ apuração e julgamento são políticos; o objetivo é tirar do
namento, criação, transformação ou extinção cargo agentes políticos que afrontam a Constituição e as
dos cargos, empregos e funções de seus serviços, leis, em total desrespeito à segurança jurídica da nação,
e a iniciativa de lei para a fixação da respectiva por um julgamento baseado em critérios de conveniên‑
remuneração: a Câmara dos Deputados tem compe‑ cia; c) a parte envolvida no polo passivo é agente político
tência para dispor sobre sua própria organização e fun‑ e os equiparados pela legislação; d) o judiciário não po‑
cionamento interno. A organização, funcionamento, derá rever o mérito da decisão legislativa a respeito do
criação e transformação serão feitas por resolução. A crime de responsabilidade; e) o objeto é um mandato,
Câmara dos Deputados possui a prerrogativa de apresen‑ direito da coletividade outorgante.
tar projetos de lei para fixação de sua própria remunera‑ II ­– Processar e julgar os Ministros do Su‑
ção. A dos servidores públicos é regida pelo princípio da premo Tribunal Federal, o Procurador­‑Geral da
reserva da lei, ou seja, o tema depende de lei específica. República e o Advogado­‑Geral da União nos
Aumentar a remuneração depende de decisão adminis‑ crimes de responsabilidade: o julgamento dos mi‑
trativa a ser tomada no campo discricionário. Revisão nistros do STF, do Procurador-Geral da República e do
geral, por sua vez, visa assegurar a reposição do poder AGU por crime de responsabilidade é feito pelo Senado

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 75 22/3/2012 16:00:14


76 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

Federal. O julgamento será presidido pelo Presidente do IX ­– estabelecer limites globais e condições
STF. No caso do ministro do STF, como é o único para o montante da dívida mobiliária dos Esta‑
membro do judiciário que pode sofrer impeachment, po‑ dos, do Distrito Federal e dos Municípios.
demos afirmar que ele possui uma vitaliciedade abran‑ X ­– suspender a execução, no todo ou em
dada. parte, de lei declarada inconstitucional por de‑
III ­– aprovar previamente a escolha de: cisão definitiva do Supremo Tribunal Federal.
a) magistrados: abrange os ministros do STF, STJ, XI ­– Aprovar, por maioria absoluta e por
STM e TST. O quórum de aprovação será de maioria voto secreto, a exoneração, de ofício, do
absoluta no STF e de maioria relativa para os demais Procurador­‑Geral da República antes do térmi‑
ministros; b) Ministros do Tribunal de Contas da no de seu mandato: a exoneração determinada pelo
União: é necessário aprovação de maioria simples do Presidente da República depende da aprovação de maio‑
Senado Federal dos três ministros indicados pelo Presi‑ ria absoluta e por voto secreto do Senado Federal.
dente da República; c) Governador de Território: é
necessário aprovação de maioria simples do Senado Fe‑ XII ­– Elaborar seu regimento interno: O Re‑
deral para governador do território indicado pelo Presi‑ gimento Interno é ato administrativo normativo de atu‑
dente da República; d) Presidente e Diretores do ação interna, cuja finalidade é dispor sobre o funciona‑
Banco Central: é necessário aprovação de maioria mento interno de órgãos colegiados e corporações
simples do Senado Federal; e) Procurador­‑ Geral da legislativas. É destinado aos que devem executar o servi‑
República: é necessário aprovação de maioria absolu‑ ço ou realizar a atividade funcional regimentada. Não
ta do Senado Federal; f) Titulares de outros car‑ confundir regimento interno com regulamento: a) regi‑
gos que a lei determinar: a aprovação observará mento visa prover funcionamento dos órgãos da Admi‑
quórum de maioria simples do Senado Federal. Cabe nistração, atinge pessoas vinculadas à atividade regimen‑
ressaltar que são válidas normas estaduais que subordi‑ tal, eman do poder hierárquico do Poder Executivo ou
narem a nomeação de dirigentes de autarquias ou fun‑ da capacidade de auto­‑organização interna das corpora‑
dações públicas à prévia aprovação da Assembleia Legis‑ ções legislativas e judiciárias; b) regulamento visa disci‑
lativa. plinar situações gerais, estabelecer relações jurídicas
entre a Administração e os administrado; emana do po‑
IV ­– aprovar previamente, por voto secre‑
der regulamentar12. Quando o regimento interno confli‑
to, após arguição em sessão secreta, a escolha
tar com a lei, existem dois critérios para solucionar tal
de chefes de missão diplomática de caráter per‑
antinomia: a) critério da hierarquia, de forma que a lei
manente: é necessário aprovação por maioria
prevalece; b) demarcação pelos critérios constitucionais
simples do Senado Federal.
explícitos ou implícitos dos âmbitos materiais próprios a
V ­– autorizar operações externas de natu‑ cada um das fontes normativas em conflito. É possível
reza financeira, de interesse da União, dos Es‑ controle judicial sobre o regimento interno, desde que
tados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos cause lesão ou ameaça de lesão a direitos, nos termos do
Municípios. art. 5º, XXXV, da CF.
VI ­– fixar, por proposta do Presidente da XIII ­– dispor sobre sua organização, fun‑
República, limites globais para o montante da cionamento, criação, transformação ou extin‑
dívida consolidada da União, dos Estados, do ção dos cargos, empregos e funções de seus
Distrito Federal e dos Municípios. serviços, e a iniciativa de lei para fixação da
VII ­– dispor sobre limites globais e condi‑ respectiva remuneração: O Senado Federal tem
ções para as operações de crédito externo e in‑ competência para dispor sobre sua própria organização
terno da União, dos Estados, do Distrito Federal e funcionamento interno. A organização, o funciona‑
e dos Municípios, de suas autarquias e demais mento, a criação e a transformação serão feitos por re‑
entidades controladas pelo Poder Público fede‑ solução. O Senado Federal possui a prerrogativa de
ral. apresentar projetos de lei para fixação de sua própria
VIII ­– dispor sobre limites e condições para remuneração. Para os servidores públicos esta é regida
a concessão de garantia da União em operações pelo princípio da reserva da lei, ou seja, o tema depen‑
de crédito externo e interno. de de lei específica. Aumentar a remuneração depende

12
MEIRELLES. Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. São Paulo: Malheiros Editores, 2000.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 76 22/3/2012 16:00:14


DIREITO CONSTITUCIONAL 77

de decisão administrativa a ser tomada no campo dis‑ ras. Além do que o controle do legislativo federal re‑
cricionário. Revisão geral, por sua vez, visa assegurar a presenta uma interferência abusiva na autonomia fede‑
reposição do poder aquisitivo dos vencimentos, deven‑ rativa, estadual, distrital e municipal.

CONSTITUCIONAL
do ser anual e sem distinção de índices. Dessa forma, o

DIREITO
aumento de remuneração dos servidores públicos da VII ­– PROCESSO LEGISLATIVO
Câmara dos Deputados é feito por lei de iniciativa da
própria Casa. A revisão geral da remuneração dispensa
lei específica. O Presidente da República tem o dever 1. Conceito
de desencadear o processo de elaboração da lei anual de É o conjunto de atos realizados com finalidade de
revisão geral da remuneração dos servidores da União, elaborar uma espécie normativa. As normas sobre o pro‑
na forma prevista no art. 61, § 1º, II, a, da CF. A Lei n. cesso de elaboração de cada espécie normativa estão pre‑
10.331/2001 estabelece a revisão no mês de janeiro, vistas na Constituição Federal, cuja não observância gera
sem distinção de índices e extensivos aos proventos da a inconstitucionalidade formal ou nomodinâmi‑
inatividade e às pensões. ca. As normas do processo legislativo, previstas na
XIV ­– Eleger membros do Conselho da Re‑ Constituição Federal são modelos obrigatórios a serem
pública: o Conselho da República é órgão de apoio do seguidos pelas Constituições Estaduais e Leis Orgânicas
Presidente da República em questões de instabilidade Municipais (ADIn 1.254). Os parlamentares têm direito
institucional. Na composição do Conselho da República, à fiel observância das regras do processo legislativo, po‑
dois membros são eleitos pelo Senado Federal, desde que dendo socorre­‑se do mandado de segurança.
sejam brasileiros natos.
XV ­– Avaliar periodicamente a funcionali‑ 2. Objeto
dade do Sistema Tributário Nacional, em sua
estrutura e seus componentes, e o desempenho 2.1 Subjetivo
das administrações tributárias da União, dos
Leva em conta quem elabora as leis dentro do país:
Estados e do Distrito Federal e dos Municípios:
a) autocrático: as leis são feitas sem a participação do
a administração tributária, atividade de arrecadação e
povo; são feitas por agente revolucionário (exemplos: di‑
fiscalização de tributos, essencial ao funcionamento do
tador, junta militar); b) direto: as leis são feitas pelo
Estado, exercida por servidores públicos de carreira,
próprio povo reunido em assembleia; c) indireto: as
nas diversas esferas que compõem o nosso país, sofreu
leis são feitas pelos representantes eleitos pelo povo; d)
pela Emenda Constitucional n. 42/2003 um controle
semidireto: as leis são feitas pelos representantes eleitos
legislativo pelo Senado Federal. A finalidade é assegu‑
pelo povo e depois submetidas a uma aprovação popular.
rar que as administrações tributárias atuem de acordo
com os princípios e regras do ordenamento jurídico. 2.2 Objetivo
Com tal Emenda pode­‑se dizer que, se o controle for
de mérito, ofende a separação de poderes; se for exer‑ Leva em conta o tipo da espécie normativa elabora‑
cido apenas no âmbito da legalidade, não há ofensa ao da: ordinário: visa elaborar lei ordinária; sumário:
princípio da separação de poderes, apenas um reforço visa elaborar lei ordinária em regime de urgência; espe‑
na harmonia dos poderes, consubstanciada na fiscaliza‑ cial: visa elaborar as demais espécies normativas.
ção recíproca. O fato de o Senado assumir a função de
avaliar não traz novidade nem ofensa ao princípio, vis‑ 3. Atos do processo legislativo
to que uma das funções típicas do Legislativo é fiscali‑
zar. Não ocorre violação aos direitos fundamentais, até 3.1 Iniciativa
porque faz parte dos direitos fundamentais o direito de é a apresentação de projeto de lei ou de proposta de
o membro do povo saber o que se passa com o dinheiro emenda constitucional. A iniciativa pode ser: a) privativa
e patrimônio público, ambos geridos pelos administra‑ ou exclusiva: a apresentação do projeto de lei só pode ser
dores públicos. Porém, em relação à abrangência da feita por único órgão ou pessoa, como determina o art.
fiscalização sustentamos vício de inconstitucionalidade 61, § 1º, da CF; b) concorrente: a apresentação do pro‑
material, em razão de violação ao princípio federativo. jeto de lei pode ser feita por mais de uma pessoa ou ór‑
A Emenda n. 42/2003 ao dar ao Senado a competência gão, como estabelece o art. 61 da Constituição Federal,
para fiscalizar as administrações tributárias estaduais, quanto às espécies de legitimados; c) parlamentar: a
distritais e municipais, criou relações de subordinação apresentação do projeto é feita por membro do legislati‑
ou hierarquia entre o Senado Federal e as demais esfe‑ vo; d) extraparlamentar: a apresentação do projeto é fei‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 77 22/3/2012 16:00:14


78 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

ta por outro membro que não o legislativo; e) popular: a ou extinção dos tribunais inferiores; d) a alteração da
apresentação do projeto é feita pelo povo. A quantidade organização e da divisão judiciárias.
de adeptos do povo para apresentação do referido proje‑ Em relação à matéria tributária, a iniciativa é con‑
to depende da esfera de governo, de modo que temos corrente entre o Chefe do Executivo e os membros do
três situações: municipal: 5% do eleitorado municipal Legislativo; na matéria penal, a iniciativa é concorrente
(art. 29, VII, da Constituição Federal); estadual: depen‑ entre membros do Congresso Nacional, iniciativa popu‑
de da Constituição de cada Estado (art. 27, § 4º, da lar e Presidente da República; em relação à organização
Constituição Federal); Federal: 1% do eleitorado nacio‑ do Ministério Público, a iniciativa da lei complementar
nal distribuído em pelo menos 5 Estados, e em cada Es‑ de organização do MPU é concorrente entre o Presiden‑
tado, no mínimo, 0,3% de eleitores. te da República e o Procurador-Geral da República. No
Há matérias que são de iniciativa privativa do Chefe caso do MPE, a iniciativa da lei complementar é concor‑
do Executivo: as leis que fixam ou modificam os efetivos rente entre o governador do Estado e o Procurador-Ge‑
das Forças Armadas; que disponham sobre: a) criação de ral de Justiça. Cabe ressaltar que, em relação ao MP que
cargos, funções ou empregos públicos na administração age junto ao Tribunal de Contas, a iniciativa da lei é pri‑
direta e autárquica ou aumento de sua remuneração; b) vativa do Tribunal de Contas.
organização administrativa e judiciária, matéria tributá‑ A usurpação de iniciativa é a apresentação do proje‑
ria e orçamentária, serviços públicos e pessoal da admi‑ to de lei ou proposta de emenda por quem não tem legi‑
nistração dos Territórios; c) servidores públicos da timidade. Quando há usurpação, há inconstitucionalida‑
União e Territórios, seu regime jurídico, provimento de
de formal subjetiva.
cargos, estabilidade e aposentadoria; d) organização do
Ministério Público e da Defensoria Pública da União, A sanção presidencial não convalida vício de inicia‑
bem como normas gerais para a organização do Ministé‑ tiva em projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da
rio Público e da Defensoria Pública dos Estados, do Dis‑ República, pois não há convalidação em Direito Consti‑
trito Federal e dos Territórios; e) criação e extinção de tucional.
Ministérios e órgãos da administração pública; f) milita‑
3.2 Emendas Parlamentares
res das Forças Armadas, seu regime jurídico, provimen‑
to de cargos, promoções, estabilidade, remuneração, São as sugestões feitas pelos membros do Legislativo
reforma e transferência para a reserva. aos projetos e propostas que entrarem nas Casas Legislati‑
Há matérias que são de iniciativa dos Tribunais do vas para discussão e votação. Podem ser: a) modificativas;
Judiciário: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus b) aglutinativas: fusão; c) de redação; d) substitutivas; e)
regimentos internos, com observância das normas de aditivas; f) supressivas. Segundo a jurisprudência do STF,
processo e das garantias processuais das partes, dispondo é possível a apresentação de emendas parlamentares em
sobre a competência e o funcionamento dos respectivos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da Repúbli‑
órgãos jurisdicionais e administrativos; b) organizar suas ca, desde que sejam obedecidos dois requisitos: a) relação
secretarias e serviços auxiliares e os dos juízos que lhes de pertinência; b) não aumentar despesas, salvo matéria
forem vinculados, velando pelo exercício da atividade orçamentária.
correicional respectiva; c) prover, na forma prevista na
CF, os cargos de juiz de carreira da respectiva jurisdição; 3.3 Deliberação Parlamentar
d) propor a criação de novas varas judiciárias; e) prover, é a fase correspondente à discussão e votação do
por concurso público de provas, ou de provas e títulos, os projeto ou proposta nas Casas Legislativas. A discussão
cargos necessários à administração da Justiça, exceto os começa na Câmara dos Deputados, salvo se o projeto de
de confiança assim definidos em lei; f) conceder licença, lei for apresentado por Senador ou comissão do Senado.
férias e outros afastamentos a seus membros e aos juízes Quem discute os projetos são as Comissões (o projeto
e servidores que lhes forem imediatamente vinculados. passa primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça,
O Supremo Tribunal Federal, os Tribunais Supe‑ que fará uma análise da constitucionalidade e dos aspec‑
riores e os Tribunais de Justiça devem propor ao Poder tos formais, e depois vai para a Comissão temática), e a
Legislativo respectivo: a) a alteração do número de votação será feita pelo plenário, de forma secreta (cédu‑
membros dos tribunais inferiores; b) a criação e a extin‑ las ou eletrônico), ostensiva (nominal – sim ou não, con‑
ção de cargos e a remuneração dos seus serviços auxilia‑ forme a ordem de chamada, ou simbólica – os favoráveis
res e dos juízos que lhes forem vinculados, bem como a ficam sentados). É possível a competência legislativa ple‑
fixação do subsídio de seus membros e dos juízes, inclu‑ na ou delegação interna corporis, quando a Comissão dis‑
sive dos tribunais inferiores, onde houver; c) a criação cutir e votar projeto, sem ir a Plenário. Tal situação é

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 78 22/3/2012 16:00:14


DIREITO CONSTITUCIONAL 79

possível, desde que ocorram os seguintes requisitos: a) será remetido ao Presidente da República; 2) re‑
previsão regimental; b) não existência do recurso de jeitar: o projeto será arquivado; 3) apresentar
1/10 dos membros da Casa Legislativa. emendas: o projeto será devolvido para a Casa

CONSTITUCIONAL
iniciadora, que irá analisar as emendas, poden‑

DIREITO
3.4 Deliberação Executiva do: a) aprovar: o projeto será remetido ao Presi‑
é a fase em que o projeto de lei será analisado pelo dente da República com as emendas; b) rejeitar:
Executivo em 15 dias úteis, podendo ocorrer: a) sanção: o projeto será remetido ao Presidente da Repú‑
ato de concordância com o projeto; pode ser expressa: o blica sem as emendas.
Presidente concorda e assina; tácita: silêncio ou veto não c) Deliberação executiva: O Presidente da
motivado; b) Veto: ato de discordância com o projeto; o República tem o prazo de 15 dias úteis para
veto é expresso, formal (escrito), motivado, relativo analisar o projeto, podendo: c1) sanção: con‑
(pode ser derrubado pelo Congresso Nacional), irretra‑ cordância: o projeto será remetido à promulga‑
tável e supressivo. O veto pode ser classificado de duas ção e publicação; c2) veto: discordância: o
maneiras: a) motivos: político: contrário ao interesse projeto será remetido ao Congresso Nacional,
público; jurídico: inconstitucional; jurídico­‑político: que terá o prazo de 30 dias para deliberar sobre
contrário ao interesse público e inconstitucional; b) o veto, podendo: a) concordar com o veto: o
abrangência: total: discordância de todo o projeto; par‑ projeto será arquivado; b) discordar do veto (a
cial: discordância de parte do projeto correspondente ao derrubada do veto depende do quórum de
texto integral de artigo, parágrafo, alínea e inciso. Em maioria absoluta): o projeto será remetido à
relação ao controle judicial dos motivos do veto, não é promulgação e publicação.
possível o judiciário analisar os motivos do veto, pois d) Fase complementar: a promulgação é feita
trata­‑se de ato político, em respeito ao princípio da sepa‑ pelo Presidente da República. Se a lei não for
ração de poderes. promulgada dentro de quarenta e oito horas pelo
Presidente da República, o Presidente do Sena‑
3.5 Fase Complementar do a promulgará, e, se este não o fizer em igual
fase em que são realizados dois atos: promulgação prazo, caberá ao Vice­‑Presidente do Senado
e publicação. A promulgação é ato que atesta existência fazê­‑lo. A publicação segue a mesma regra. No
da lei; a partir da promulgação o ato ganha executorie‑ caso de projeto de lei ordinária ou lei comple‑
dade, ou seja, aptidão para ser aplicada. A publicação é mentar rejeitada ou havida por prejudicada
ato que dá conhecimento público à lei. A lei nasce com a numa sessão legislativa, é possível a reapresenta‑
sanção presidencial ou com a derrubada do veto. ção quando tiver maioria absoluta de qualquer
das casas legislativas.
4. Procedimentos 4.2 Lei Delegada

4.1 Lei Ordinária e Lei Complementar a) Iniciativa: a elaboração da lei delegada é feita
pelo Presidente da República; porém, o Presi‑
a) Iniciativa: apresentação do projeto de lei à dente precisa pedir autorização para o Congres‑
Casa iniciadora; os legitimados são os do art. 61
so Nacional. Trata­‑se de uma iniciativa solicita‑
da CF, podendo a iniciativa ser extraparlamen‑
dora, sendo que o Presidente, ao solicitar
tar, quando apresentado por membro que não
autorização ao Congresso, deve indicar a maté‑
seja parlamentar (Presidente da República, Su‑
ria que pretende legislar.
premo Tribunal Federal, Tribunal superior, Pro‑
curador-Geral da República, povo), e parla‑ b) Deliberação parlamentar: O Congresso
mentar, quando apresentado por membro Nacional pode: b1) não autorizar: o Presidente
parlamentar (qualquer membro ou comissão da não elabora; b2) autorizar: o Congresso emite
Câmara dos Deputados, Senado Federal e Con‑ resolução contendo a autorização e os limites. O
gresso Nacional). quórum para autorizar é maioria simples.
b) Deliberação parlamentar: análise do proje‑ c) Fase complementar: uma vez autorizada, a
to pela Casa iniciadora, que poderá: b1) apro‑ resolução será enviada ao Presidente da Repúbli‑
var: o projeto será remetido para Casa revisora; ca, que poderá seguir dois caminhos: c1) típico:
ou b2) rejeitar: o projeto será arquivado. Na o Presidente elabora, promulga e publica; c2)
Casa revisora, o projeto de lei será analisado, de atípico: o Presidente elabora e devolve para o
forma que a Casa poderá: 1) aprovar: o projeto Congresso Nacional votar: 1) se concordar

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 79 22/3/2012 16:00:14


80 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

(quórum é maioria simples): devolve para o Pre‑ d) E  feitos da rejeição: a) a medida provisória
sidente da República promulgar e publicar; 2) se perde a eficácia desde a edição ex tunc; b) os efei‑
discordar: o que foi elaborado será arquivado. A tos gerados serão disciplinados pelo Congresso
votação do Congresso é feita em votação única, Nacional por meio de um decreto legislativo,
vedada qualquer emenda. que deverá ser editado em até 60 dias, contados
d) Matérias vedadas para leis delegadas: da rejeição, sob pena de os efeitos gerados conti‑
Não serão objeto de delegação os atos de compe‑ nuarem sendo disciplinados pela MP rejeitada.
tência exclusiva do Congresso Nacional, os de e) V  igência temporária: 60 dias prorrogáveis
competência privativa da Câmara dos Deputa‑ por mais 60 dias.
dos ou do Senado Federal, a matéria reservada à f) Prorrogação: prorrogar­‑se­‑á uma única vez
lei complementar, nem a legislação sobre a orga‑ por igual período a vigência de medida provisó‑
nização do Poder Judiciário e do Ministério Pú‑ ria que, no prazo de 60 dias, contado de sua pu‑
blico, a carreira e a garantia de seus membros, a blicação, não tiver a sua votação encerrada nas
nacionalidade, a cidadania, os direitos individu‑ duas Casas do Congresso Nacional.
ais, políticos e eleitorais, os planos plurianuais, g) S uspensão do prazo: o prazo da medida pro‑
as diretrizes orçamentárias e os orçamentos. visória será suspenso quando houver recesso
e) Lei delegada exorbitante: a lei delegada é parlamentar; nessa situação, o prazo máximo
publicada em desacordo com os limites ora fixa‑ poderá ultrapassar 120 dias.
dos na resolução. Nesse caso, o Congresso Na‑ h) Regime de urgência constitucional: se a
cional irá sustar a parte da lei delegada que não medida provisória não for votada em até 45
observou os limites da resolução. Tal sustação dias, haverá o trancamento da pauta. Se a medi‑
será feita por decreto legislativo. da provisória não for apreciada em até 45 dias
contados de sua publicação, entrará em regime
4.3 Medida Provisória de urgência, subsequentemente, em cada uma
a) Iniciativa: é do Chefe do Executivo; porém, das Casas do Congresso Nacional, ficando so‑
no caso de governador estadual, será necessário previ‑ brestadas, até que se ultime a votação, todas as
são expressa na respectiva Constituição estadual; no demais deliberações legislativas da Casa em que
caso de prefeito será necessário previsão expressa na Lei estiver tramitando.
Orgânica. i) Votação interna no Legislativo: 1) Comis‑
b) Pressupostos: urgência e relevância. são mista: a medida provisória será analisada por
um grupo formado por 7 deputados federais e 7
c) Apreciação pelo Congresso Nacional.
senadores; 2) Início da votação: Câmara dos De‑
c1) Aprovação sem alterações: a medida pro‑ putados; 3) Modo de votação: análise da presen‑
visória será convertida em lei, que será pro‑ ça dos pressupostos; se estiverem presentes, será
mulgada pelo Presidente do Senado Federal e feita a análise do mérito.
publicada pelo Presidente da República. j) Impacto da medida provisória: suspende a
c2) Aprovação com alterações: a medida eficácia da lei que tratar do mesmo assunto. Se
provisória será transformada em projeto de houver conversão da medida provisória em lei, a
lei de conversão; tal projeto será enviado ao lei que estava com eficácia suspensa será revoga‑
Presidente da República, que poderá: 1) da. Se houver rejeição ou perda da eficácia da
sancionar: o projeto será promulgado e pu‑ Medida Provisória, a lei que estava com eficácia
blicado; 2) vetar: o projeto será arquivado. suspensa volta a produzir efeitos.
c3) Rejeição expressa: é a manifestação de k) Matérias que não podem ser objeto da
discordância do Congresso Nacional diante medida provisória: a) nacionalidade, cidada‑
da medida provisória; nesse caso não pode nia, direitos políticos, partidos políticos, direito
existir reedição, sob pena de o Presidente eleitoral, direito penal, processual penal e pro‑
da República estar cometendo crime de cessual civil; b) organização do Poder Judiciário
responsabilidade, nos termos do art. e do Ministério Público, carreira e garantia de
85, II, da CF. seus membros; c) planos plurianuais, diretrizes
c4) Rejeição tácita: ocorre quando o Congres‑ orçamentárias, orçamento e créditos adicionais
so Nacional ficar em silêncio no prazo total e suplementares, ressalvado o previsto no art.
da medida provisória; é cabível reedição. 167, § 3º; que vise a detenção ou sequestro de

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 80 22/3/2012 16:00:14


DIREITO CONSTITUCIONAL 81

bens, de poupança popular ou qualquer outro do Federal ou do Congresso Nacional (matérias que não
ativo financeiro, reservada a lei complementar, forem objeto de decreto legislativo). Tem efeito interno
já disciplinada em projeto de lei aprovado pelo e eventualmente externo. A promulgação e publicação

CONSTITUCIONAL
Congresso Nacional e pendente de sanção ou são feitas pelo Presidente do Senado Federal, quando a

DIREITO
veto do Presidente da República; os serviços lo‑ resolução for do Congresso Nacional ou do Senado Fe‑
cais de gás canalizado; na regulamentação de deral; se for da Câmara dos Deputados, a promulgação e
artigo da Constituição cuja redação tenha sido a publicação serão feitas pelo Presidente da Câmara dos
alterada por meio de Emenda promulgada entre Deputados. O procedimento de elaboração é previsto
1º de janeiro de 1995 e a promulgação da Emen‑ em regimento interno. Quando for do Congresso Nacio‑
da n. 32/2001; regulação do Fundo Social de nal a aprovação será bicameral. Quando feita pela Câma‑
Emergência; os serviços de telecomunicações; a ra ou Senado, a aprovação será unicameral. São espécies:
pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás a) política: referenda nomeações; b) deliberativa: fixa‑
natural e outros hidrocarbonetos fluidos; a refi‑ ção de alíquotas; c) legislativa: autorização para elabora‑
nação do petróleo nacional ou estrangeiro; a im‑ ção de lei delegada; d) judicial: suspensão de lei declara‑
portação e exportação dos produtos e derivados da inconstitucional pelo STF.
básicos; o transporte marítimo do petróleo bru‑
to de origem nacional ou de derivados básicos de 4.6 Processo legislativo sumário
petróleo produzidos no País, bem assim o trans‑ é a elaboração da lei ordinária em regime de urgên‑
porte, por meio de conduto, de petróleo bruto, cia. Tal elaboração depende da presença dos seguintes
seus derivados e gás natural de qualquer origem. requisitos: a) ser projeto de iniciativa privativa do Presi‑
l) Controle judicial da medida provisória: é dente da República; b) existir solicitação de urgência ao
possível para analisar inclusive os pressupostos. Congresso Nacional. Tal processo não se aplica a proje‑
m) M edida provisória em matéria tributá‑ tos de Códigos, nem corre em recesso parlamentar. A
ria: pode ser usada em matéria de impostos e diferença com o processo ordinário é que existem pra‑
contribuição social. Na contribuição, a cobran‑ zos na fase da deliberação parlamentar: a) o prazo da
ça observará a espera de 90 dias; no caso dos Casa iniciadora é de 45 dias; b) o prazo da Casa revisora
impostos a cobrança será feita no ano seguinte é de 45 dias; c) o prazo da Casa iniciadora para analisar
ao da conversão em lei, salvo impostos que fa‑ as emendas da revisora é de 10 dias. Se não for observado
zem parte da lista do “paga já” (cobrança ime‑ o prazo máximo de 100 dias ocorre ordem do dia, ou
diata): imposto de importação, imposto de ex‑ seja, sobrestar­‑se­‑ão todas as demais deliberações legis‑
portação, imposto sobre produtos lativas da respectiva Casa, com exceção das que tenham
industrializados, imposto sobre operações fi‑ prazo constitucional determinado, até que se ultime a
nanceiras e imposto extraordinário.
votação.
4.4 Decreto legislativo
VIII – PODER JUDICIÁRIO
é espécie normativa que dispensa sanção ou veto do
Executivo. É ato normativo primário. A elaboração é fei‑
ta pelo Congresso Nacional. A promulgação e publica‑
ção são feitas pelo Presidente do Senado Federal. O pro‑
1. Disposições Gerais
cedimento de elaboração é previsto em regimento a) Estatuto da magistratura: é o conjunto de
interno. O decreto é discutido e votado em separado em regras que regem a carreira do juiz; depende de
ambas as Casas legislativas, salvo disposição constitucio‑ Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tri‑
nal em contrário. As matérias veiculadas por decreto le‑ bunal Federal.
gislativo estão previstas nos arts. 49 e 62, ambos da CF. b) Ingresso na carreira: o cargo inicial será o de
O quórum de aprovação é de maioria simples ou relativa. juiz substituto, mediante concurso público de
Segundo Pontes de Miranda, é lei sem sanção, um ato do provas e títulos, com a participação da Ordem
Congresso Nacional que tem a mesma estatura de lei, dos Advogados do Brasil em todas as fases,
mas sem a participação do Presidente da República. exigindo­‑se do bacharel em direito, no mínimo,
três anos de atividade jurídica e obedecendo­‑se,
4.5 Resolução nas nomeações, à ordem de classificação. A Re‑
é espécie normativa que visa veicular matérias de solução n. 75, de 12 de maio de 2009, uniformi‑
competência privativa da Câmara dos Deputados, Sena‑ zou as regras sobre os concursos públicos na car‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 81 22/3/2012 16:00:15


82 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

reira da magistratura em todos os ramos do uma e outra ser superior a dez por cento ou infe‑
Poder Judiciário Nacional. A atividade jurídica é rior a cinco por cento, nem exceder a noventa e
exercida com exclusividade por bacharel em di‑ cinco por cento do subsídio mensal dos Ministros
reito, o exercício efetivo de advocacia, inclusive dos Tribunais Superiores, obedecido, em qual‑
voluntária, mediante participação anual mínima quer caso, o disposto nos arts. 37, XI, e 39, § 4º.
em 5 atos privativos de advogados em causas ou e) A posentadoria: a aposentadoria dos magistra‑
questões distintas; o exercício de cargos, em‑ dos e a pensão de seus dependentes observarão o
pregos ou funções, inclusive de magistério supe‑ disposto no art. 40 (artigo analisado no capítulo
rior, que exija utilização preponderante de co‑ de servidor público).
nhecimento jurídico; o exercício da função de f) R esidência do juiz titular: o juiz titular resi‑
conciliador junto a tribunais judiciais, juizados dirá na respectiva comarca, salvo autorização do
especiais, varas especiais, anexos de juizados es‑ tribunal.
peciais ou de varas judiciais, no mínimo, por 16 g) R emoção compulsória: o ato de remoção,
horas mensais e durante um ano; o exercício da disponibilidade e aposentadoria do magistrado,
atividade de mediação ou arbitragem na compo‑ por interesse público, fundar­‑se­‑á em decisão
sição de litígios. por voto da maioria absoluta do respectivo tri‑
c) P
 romoção na carreira: promoção de entrân‑ bunal ou do Conselho Nacional de Justiça, asse‑
cia para entrância, alternadamente, por antigui‑ gurada ampla defesa; a remoção a pedido ou a
dade e merecimento, atendidas as seguintes nor‑ permuta de magistrados de comarca de igual en‑
mas: 1) é obrigatória a promoção do juiz que trância atenderá, no que couber, ao disposto nas
figure por três vezes consecutivas ou cinco al‑ alíneas a , b , c e e do inciso II.
ternadas em lista de merecimento; 2) a promo‑ h) F undamentação e publicidade nos julga‑
ção por merecimento pressupõe dois anos de mentos do Poder Judiciário: todos os julga‑
exercício na respectiva entrância e a integração mentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
do juiz na primeira quinta parte da lista de anti‑ públicos, e fundamentadas todas as decisões,
guidade desta, salvo se não houver com tais re‑ sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a
quisitos quem aceite o lugar vago; 3) aferição do presença, em determinados atos, às próprias
merecimento conforme o desempenho e os cri‑ partes e a seus advogados, ou somente a estes,
térios objetivos de produtividade e presteza no nos casos em que a preservação do direito à inti‑
exercício da jurisdição e a frequência e aprovei‑ midade do interessado no sigilo não prejudique
tamento em cursos oficiais ou reconhecidos de o interesse público à informação.
aperfeiçoamento; 4) na apuração de antiguida‑
i) D
 ecisões administrativas dos tribunais: as
de, o tribunal somente poderá recusar o juiz
decisões administrativas dos tribunais serão mo‑
mais antigo pelo voto fundamentado de dois ter‑
tivadas e em sessão pública, sendo as disciplina‑
ços de seus membros, conforme procedimento
res tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus
próprio, e assegurada ampla defesa, repetindo­
‑se a votação até fixar­‑se a indicação; 5) não será membros.
promovido o juiz que, injustificadamente, reti‑ j) ó
 rgão especial: nos tribunais com número su‑
ver autos em seu poder além do prazo legal, não perior a vinte e cinco julgadores, poderá ser
podendo devolvê­‑los ao cartório sem o devido constituído órgão especial, com o mínimo de
despacho ou decisão; 6) o acesso aos tribunais de onze e o máximo de vinte e cinco membros, para
segundo grau far­‑se­‑á por antiguidade e mereci‑ o exercício das atribuições administrativas e ju‑
mento, alternadamente, apurados na última ou risdicionais delegadas da competência do tribu‑
única entrância. nal pleno, provendo­‑se metade das vagas por an‑
d) Subsídio: o subsídio dos Ministros dos Tribu‑ tiguidade e a outra metade por eleição pelo
nais Superiores corresponderá a noventa e cinco tribunal pleno (Redação dada pela Emenda
por cento do subsídio mensal fixado para os Mi‑ Constitucional n. 45, de 2004).
nistros do Supremo Tribunal Federal e os subsí‑ k) N  ão interrupção da atividade jurisdicio‑
dios dos demais magistrados serão fixados em lei nal: a atividade jurisdicional será ininterrupta,
e escalonados, em nível federal e estadual, con‑ sendo vedado férias coletivas nos juízos e tribu‑
forme as respectivas categorias da estrutura judi‑ nais de segundo grau, funcionando, nos dias em
ciária nacional, não podendo a diferença entre que não houver expediente forense normal, juí‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 82 22/3/2012 16:00:15


DIREITO CONSTITUCIONAL 83

zes em plantão permanente. A Resolução n. 36, ‑jurídico do Brasil, desfrutam da possibilidade


de 24 de abril de 2007, do CNJ dispõe sobre de serem processados e julgados ou por órgãos
parâmetros mínimos a serem observados na re‑ superiores da jurisdição (crimes comuns) ou por

CONSTITUCIONAL
gulamentação da prestação jurisdicional ininter‑ determinados órgãos políticos (crimes de res‑

DIREITO
rupta por meio de plantão permanente. ponsabilidade). Em 25 de agosto de 2000, o STF
l) Número de juízes: o número de juízes na uni‑ cancelou a Súmula 394, passando a não conceder
dade jurisdicional será proporcional à efetiva de‑ foro privilegiado para ex­‑autoridades. Em 24 de
manda judicial e à respectiva população. dezembro de 2002, foi publicada a Lei n. 10.628
m) Prática de atos pelos servidores: os servi‑ que instituiu foro especial às ex­‑autoridades, re‑
dores receberão delegação para a prática de atos presentando a volta da Súmula 394 do STF.
de administração e atos de mero expediente Acontece que o STF, em julgamento proferido
sem caráter decisório. em ADIN, entendeu que a referida lei é incons‑
n) Distribuição de processos: a distribuição de titucional, em homenagem ao princípio republi‑
processos será imediata, em todos os graus de cano, da igualdade e da segurança jurídica.
jurisdição. d) O habeas corpus, sendo paciente qualquer
das pessoas referidas nas alíneas anterio‑
2. Supremo Tribunal Federal res; o mandado de segurança e o habeas
data contra atos do Presidente da Repú‑
2.1. Competência originária do STF blica, das Mesas da Câmara dos Deputa‑
a) A ação direta de inconstitucionalidade dos e do Senado Federal, do Tribunal de
de lei ou ato normativo federal ou estadu‑ Contas da União, do Procurador­‑Geral
al e a ação declaratória de constituciona‑ da República e do próprio Supremo Tri‑
lidade de lei ou ato normativo federal: a bunal Federal: de ressaltar que não cabe agra‑
ação direta de inconstitucionalidade é uma ação vo regimental contra decisão do relator que con‑
proposta no STF, que visa pedir a declaração da cede ou indefere liminar em mandado de
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo fe‑ segurança (Súmula 622 do STF). Não compete
deral ou estadual ou ainda distrital – estadual ao STF conhecer originariamente de mandado
(não cabe ADIN de lei do DF derivada da sua de segurança contra atos de outros tribunais
competência legislativa municipal, nos termos (Súmula 624 do STF). Praticado o ato por auto‑
da Súmula 642 do STF). A ADECON só abrange ridade, no exercício de competência delegada,
lei ou ato normativo federal. A legitimidade ativa contra ela cabe o mandado de segurança ou a
é a mesma nas duas ações típicas do controle medida judicial (Súmula 510 do STF).
concentrado, previstas no art. 103 da CF. e) O litígio entre Estado estrangeiro ou or‑
b) Nas infrações penais comuns, o Presiden‑ ganismo internacional e a União, o Esta‑
te da República, o Vice­‑Presidente, os do, o Distrito Federal ou o Território: se o
membros do Congresso Nacional, seus litígio for contra o município ou pessoa domici‑
próprios Ministros e o Procurador­‑Geral liada no Brasil, a competência é do juiz federal,
da República. com recurso ordinário para o STJ.
c) Nas infrações penais comuns e nos crimes f) As causas e os conflitos entre a União e
de responsabilidade, os Ministros de Es‑ os Estados, a União e o Distrito Federal,
tado e os Comandantes da Marinha, do ou entre uns e outros, inclusive as res‑
Exército e da Aeronáutica, os membros pectivas entidades da Administração in‑
dos Tribunais Superiores, os do Tribunal direta: se o conflito é entre entes políticos, a
de Contas da União e os chefes de missão competência originária será do STF, pouco im‑
diplomática de caráter permanente: a ex‑ portando a sua relevância para o pacto federati‑
pressão “infração penal” comum abrange qual‑ vo; se o conflito envolver entidades da Adminis‑
quer crime ou contravenção penal. O processo e tração indireta federal, estadual ou distrital,
julgamento do Presidente da República, do entre si ou com entidade política da Federação
Vice­‑presidente e dos ministros dependem de diversa daquela de cuja estrutura façam parte,
autorização de 2/3 da Câmara dos Deputados. ele só será originariamente julgado pelo STF se
Determinadas pessoas em razão do cargo ou o objeto da causa possuir potencial para provo‑
função pública que ocupam no cenário político­ car “conflito federativo”, isto é, se a controvér‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 83 22/3/2012 16:00:15


84 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

sia for capaz de pôr em risco a harmonia federa‑ suas decisões: Para preservar a competência
tiva, acerca da divisão constitucional de do Tribunal ou garantir a autoridade das suas de‑
competências entre a União e os Estados­ cisões, caberá reclamação da parte interessada ou
‑membros e o Distrito Federal. do Ministério Público. A reclamação será dirigi‑
g) A extradição solicitada por Estado es‑ da ao Presidente do Tribunal, instruída com pro‑
trangeiro: não se conhece de habeas corpus con‑ va documental, será autuada e distribuída ao re‑
tra omissão de relator de extradição, se fundado lator da causa principal, sempre que possível. Ao
em fato ou direito estrangeiro, cuja prova não despachar a reclamação, o relator: I ­– requisitará
constava dos autos, nem foi ele provocado a res‑ informações da autoridade a quem for imputada
peito (Súmula 692 do STF). Não impede a ex‑ a prática do ato impugnado, que as prestará no
tradição a circunstância de ser o extraditando prazo de 10 (dez) dias; II ­– ordenará, se necessá‑
casado com brasileira ou ter filho brasileiro (Sú‑ rio, para evitar dano irreparável, a suspensão do
mula 421 do STF). processo ou do ato impugnado. Qualquer inte‑
ressado poderá impugnar o pedido do reclaman‑
h) O habeas corpus, quando o coator for Tri‑
te. O Ministério Público, nas reclamações que
bunal Superior ou quando o coator ou o
não houver formulado, terá vista do processo,
paciente for autoridade ou funcionário
por 5 (cinco) dias, após o decurso do prazo para
cujos atos estejam sujeitos diretamente à
informações. Julgando procedente a reclamação,
jurisdição do Supremo Tribunal Federal,
o Tribunal cassará a decisão exorbitante de seu
ou se trate de crime sujeito à mesma ju‑ julgado ou determinará medida adequada à pre‑
risdição em uma única instância: se a au‑ servação de sua competência. O Presidente de‑
toridade coatora é STJ, TSE, STM ou TST, a terminará o imediato cumprimento da decisão,
competência para o julgamento do habeas corpus lavrando­‑se o acórdão posteriormente.
será da autoridade superior à tida como coatora,
k) A execução de sentença nas causas de sua
ou seja, o STF.
competência originária, facultada a dele‑
i) A revisão criminal e a ação rescisória de gação de atribuições para a prática de
seus julgados: a revisão criminal é uma ação atos processuais: a competência para execu‑
que visa pedir o reexame de decisão transitada em ção é originária de fundo funcional. A delegação
julgado, no sentido de restaurar o status dignitatis de atribuições tem fundamento na natural ina‑
do condenado e a liberá­‑lo dos efeitos penais, civis dequação do Tribunal para atividades dessa or‑
e administrativos que permanecem mesmo após a dem e será feita mediante carta de ordem.
extinção da pena. É uma ação penal rescisória ou l) A ação em que todos os membros da ma‑
desconstitutiva, pois serve para desconstituir o gistratura sejam direta ou indiretamente
trânsito em julgado em casos excepcionais previs‑ interessados, e aquela em que mais da me‑
tos em lei no sentido de fazer prevalecer justiça tade dos membros do tribunal de origem
sobre a certeza do direito. É uma ação constituti‑ estejam impedidos ou sejam direta ou in‑
va, pois visa desfazer os efeitos de sentença conde‑ diretamente interessados: Não gera, por si
natória ou absolutória imprópria transitada em só, a competência originária do Supremo Tribu‑
julgado, para corrigir uma injustiça e restaurar a nal Federal para conhecer do mandado de segu‑
dignidade do condenado. A pessoa legitimada que rança, com base no art. 102, I, n, da Constitui‑
ajuizar revisão criminal busca pedir no Judiciário ção, dirigir­‑se o pedido contra deliberação
o reconhecimento de um direito (ação de conhe‑ administrativa do tribunal de origem, da qual
cimento), qual seja, o de não sofrer sentenças in‑ haja participado a maioria ou a totalidade de seus
justas e viciadas. A revisão criminal é ação priva‑ membros (Súmula 623 do STF). O remédio
tiva da defesa, que pode ser proposta a qualquer constitucional será decidido pelo Tribunal que
tempo; já ação rescisória pode ser proposta por tiver competência para julgar o mandado de se‑
qualquer das partes ou por terceiros com interes‑ gurança contra ato daquele tribunal (de origem).
se jurídico, no prazo de dois anos, contados do m) O  s conflitos de competência entre o Su‑
trânsito em julgado. A ação rescisória tem ca‑ perior Tribunal de Justiça e quaisquer
ráter constitutivo, pois seu objetivo é anular ato tribunais, entre Tribunais Superiores,
estatal, com força de lei entre as partes. ou entre estes e qualquer outro tribunal:
j) A reclamação para a preservação de sua a expressão Tribunal Superior abrange Superior
competência e garantia da autoridade de Tribunal de Justiça, o Tribunal Superior do

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 84 22/3/2012 16:00:15


DIREITO CONSTITUCIONAL 85

Trabalho, o Superior Tribunal Militar e o Tri‑ pelo Presidente da República, dentre brasileiros com
bunal Superior Eleitoral. Conflito com Tribu‑ mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber
nal superior gera a competência do STF. jurídico e reputação ilibada, depois de aprovada a esco‑

CONSTITUCIONAL
n) O pedido de medida cautelar das ações lha pelo Senado Federal. Funciona junto ao STJ, o Con‑

DIREITO
diretas de inconstitucionalidade: as medi‑ selho da Justiça Federal, destinado a exercer a supervi‑
das cautelares possuem efeito erga omnes, ex nunc são administrativa e orçamentária da Justiça Federal de
e vinculante; pode produzir efeito ex tunc. primeiro e segundo graus, com atuação em todo o terri‑
o) O mandado de injunção, quando a elabo‑ tório nacional. É integrado pelo Presidente do Superior
ração da norma regulamentadora for Tribunal de Justiça, pelo Vice­‑presidente e mais três mi‑
atribuição do Presidente da República, nistros eleitos, também do Tribunal, dos quais o mais
do Congresso Nacional, da Câmara dos antigo é o coordenador­‑geral da Justiça Federal, e pelos
Deputados, do Senado Federal, das Me‑ presidentes dos Tribunais Regionais Federais.
sas de uma dessas Casas Legislativas, do
3.1. Competência originária do STJ
Tribunal de Contas da União, de um dos
Tribunais Superiores, ou do próprio Su‑ a) nos crimes comuns, os Governadores dos
premo Tribunal Federal: o mandado de in‑ Estados e do Distrito Federal, e nestes e
junção é remédio constitucional proposto quan‑ nos de responsabilidade os desembarga‑
do a falta da norma regulamentadora torna dores dos Tribunais de Justiça dos Esta‑
inviável o exercício do direito subjetivo do im‑ dos e do Distrito Federal, os membros dos
petrante. A competência para julgamento no Tribunais de Contas dos Estados e do Dis‑
mandado de injunção depende do órgão omisso. trito Federal, os dos Tribunais Regionais
p) As ações contra o Conselho Nacional de Federais, dos Tribunais Regionais Eleito‑
Justiça e contra o Conselho Nacional do rais e do Trabalho, os membros dos Con‑
Ministério Público: abrange ação movida con‑ selhos ou Tribunais de Contas dos Muni‑
tra o Colegiado e não para impugnar a responsa‑ cípios e os do Ministério Público da
bilidade pessoal de um ou mais conselheiros. União que oficiem perante Tribunais;
b) os mandados de segurança e os habeas
2.2 Competência recursal data contra ato de Ministro de Estado,
dos Comandantes da Marinha, do Exér‑
2.2.1 Recurso ordinário
cito e da Aeronáutica ou do próprio Tri‑
é a impugnação lançada contra decisões dos Tribu‑ bunal;
nais Superiores em certas causas de sua competência ori‑ c) os habeas corpus, quando o coator ou pa‑
ginária: a) o habeas corpus, o mandado de segurança, o ciente for qualquer das pessoas mencio‑
habeas data e o mandado de injunção decididos em única
nadas na alínea a, ou quando o coator for
instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a de‑
tribunal sujeito à sua jurisdição, Ministro
cisão; b) o crime político.
de Estado ou Comandante da Marinha,
2.2.2 Recurso extraordinário do Exército ou da Aeronáutica, ressalva‑
da a competência da Justiça Eleitoral;
as causas decididas em única ou última instância,
quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo d) os conflitos de competência entre quais‑
desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade quer tribunais, ressalvado o disposto no
de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de art. 102, I, o, bem como entre Tribunal e
governo local contestado em face desta Constituição. juízes a ele não vinculados e entre juízes
vinculados a tribunais diversos;
3. Superior Tribunal de Justiça e) as revisões criminais e as ações rescisórias
Composto por, pelo menos, 33 ministros. Funcio‑ de seus julgados: a revisão criminal é ação sui
na junto ao Conselho da Justiça Federal, o qual é desti‑ generis, pois não há parte contrária, mas somente
nado a supervisionar a Justiça Federal. Esse Conselho é o autor que questiona a existência de vícios gra‑
composto pelo Presidente do Superior Tribunal de Justi‑ ves na decisão judicial, a fim de prevalecer o va‑
ça, pelo Vice­‑presidente e mais três ministros, e pelos lor justiça sobre o valor certeza. A revisão crimi‑
presidentes dos Tribunais Regionais Federais. Os Minis‑ nal pode ser ajuizada a qualquer tempo, após o
tros do Superior Tribunal de Justiça serão nomeados trânsito em julgado, nos termos do art. 622 do

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 85 22/3/2012 16:00:15


86 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

CPP; não importa se o réu já cumpriu pena, se nesse caso, bem assim no conflito negativo, de‑
houve extinção da punibilidade ou se o réu fale‑ signar um dos órgãos para resolver, em caráter
ceu, pois o objetivo é a restauração da dignidade provisório, as medidas urgentes. Sempre que ne‑
humana. A revisão criminal é ação impugnativa cessário, o relator mandará ouvir as autoridades
autônoma, pois origina nova relação processual. em conflito no prazo de dez dias. Prestadas ou
A revisão criminal é medida excepcional, pois não as informações, o relator dará vista do pro‑
somente ocorre nos casos taxativos previstos em cesso ao Ministério Público, pelo prazo de quin‑
lei. O fundamento da excepcionalidade reside na ze dias, e, após, apresentá­‑lo­‑á em Mesa para
ideia de que a revisão será usada para desconsti‑ julgamento. Da decisão será dada ciência, antes
tuir a coisa julgada, abalando a certeza do direi‑ mesmo da lavratura do acórdão, por via telegrá‑
to, a segurança jurídica e a estabilidade das rela‑ fica, aos órgãos envolvidos no conflito;
ções jurídicas. Cabe ao sentenciado demonstrar a h) o mandado de injunção, quando a elabo‑
existência de vício grave na decisão transitada em ração da norma regulamentadora for
julgado. A ação rescisória tem caráter consti‑ atribuição de órgão, entidade ou autori‑
tutivo, pois seu objetivo é anular ato estatal, com dade federal, da administração direta ou
força de lei entre as partes; indireta, excetuados os casos de compe‑
f) a reclamação para a preservação de sua tência do Supremo Tribunal Federal e
competência e garantia da autoridade de dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça
suas decisões: para preservar a competência Eleitoral, da Justiça do Trabalho e da Jus‑
do Tribunal ou garantir a autoridade das suas de‑ tiça Federal: o mandado de injunção cabe
sempre que a falta de norma regulamentadora
cisões, caberá reclamação da parte interessada
torne inviável o exercício dos direitos e liberda‑
ou do Ministério Público. A reclamação será di‑
des constitucionais e das prerrogativas inerentes
rigida ao Presidente do Tribunal, instruída com
à nacionalidade, à soberania e à cidadania;
prova documental, será autuada e distribuída ao
relator da causa principal, sempre que possível. i) a homologação de sentenças estrangeiras e
Ao despachar a reclamação, o relator: I ­– requi‑ a concessão de exequatur às cartas rogató‑
sitará informações da autoridade a quem for im‑ rias: é atribuição do Presidente homologar sen‑
tenças estrangeiras e conceder exequatur a cartas
putada a prática do ato impugnado, que as pres‑
rogatórias. A homologação de sentença estrangei‑
tará no prazo de 10 (dez) dias; II ­– ordenará, se
ra será requerida pela parte interessada, devendo
necessário, para evitar dano irreparável, a sus‑
a petição inicial conter as indicações constantes
pensão do processo ou do ato impugnado. Qual‑
da lei processual, e ser instruída com a certidão
quer interessado poderá impugnar o pedido do
ou cópia autêntica do texto integral da sentença
reclamante. O Ministério Público, nas reclama‑ estrangeira e com outros documentos indispensá‑
ções que não houver formulado, terá vista do veis, devidamente traduzidos e autenticados. A
processo, por 5 (cinco) dias, após o decurso do sentença estrangeira não terá eficácia no Brasil
prazo para informações. Julgando procedente a sem a prévia homologação pelo Superior Tribunal
reclamação, o Tribunal cassará a decisão exorbi‑ de Justiça ou por seu Presidente. Serão homologa‑
tante de seu julgado ou determinará medida ade‑ dos os provimentos não judiciais que, pela lei bra‑
quada à preservação de sua competência. O Pre‑ sileira, teriam natureza de sentença. As decisões
sidente determinará o imediato cumprimento da estrangeiras podem ser homologadas parcialmen‑
decisão, lavrando­‑se o acórdão posteriormente; te. Admite­‑se tutela de urgência nos procedimen‑
g) os conflitos de atribuições entre autori‑ tos de homologação de sentenças estrangeiras.
dades administrativas e judiciárias da Constituem requisitos indispensáveis à homolo‑
União, ou entre autoridades judiciárias gação de sentença estrangeira: I ­– haver sido pro‑
de um Estado e administrativas de outro ferida por autoridade competente; II ­– terem sido
ou do Distrito Federal, ou entre as deste e as partes citadas ou haver­‑se legalmente verifica‑
as da União: o conflito poderá ser suscitado do a revelia; III ­– ter transitado em julgado; e IV
pela parte interessada, pelo Ministério Público, ­– estar autenticada pelo cônsul brasileiro e acom‑
ou por qualquer das autoridades conflitantes. panhada de tradução por tradutor oficial ou jura‑
Poderá o relator, de ofício, ou a requerimento de mentado no Brasil. Não será homologada senten‑
qualquer das partes, determinar, quando o con‑ ça estrangeira ou concedido exequatur a carta
flito for positivo, seja sobrestado o processo, e, rogatória que ofendam a soberania ou a ordem

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 86 22/3/2012 16:00:15


DIREITO CONSTITUCIONAL 87

pública. As cartas rogatórias podem ter por obje‑ gionais Federais: formado por, no mínimo, sete juízes,
to atos decisórios ou não decisórios. Na homolo‑ recrutados, quando possível, na respectiva região e no‑
gação de sentença estrangeira e na carta rogató‑ meados pelo Presidente da República dentre brasileiros

CONSTITUCIONAL
ria, a defesa somente poderá versar sobre com mais de trinta e menos de sessenta e cinco anos,

DIREITO
autenticidade dos documentos, inteligência da de‑ sendo: I ­– um quinto dentre advogados com mais de dez
cisão e observância dos requisitos. Havendo con‑ anos de efetiva atividade profissional e membros do Mi‑
testação à homologação de sentença estrangeira, nistério Público Federal com mais de dez anos de carrei‑
o processo será distribuído para julgamento pela ra; II ­– os demais, mediante promoção de juízes federais
Corte Especial, cabendo ao Relator os demais com mais de cinco anos de exercício, por antiguidade e
atos relativos ao andamento e à instrução do pro‑ merecimento, alternadamente; b) os Juízes Federais.
cesso. Havendo impugnação às cartas rogatórias Os Tribunais Regionais Federais instalarão a justiça
decisórias, o processo poderá, por determinação itinerante, com a realização de audiências e demais fun‑
do Presidente, ser distribuído para julgamento ções da atividade jurisdicional, nos limites territoriais da
pela Corte Especial. O Ministério Público terá respectiva jurisdição, servindo­‑se de equipamentos pú‑
vista dos autos nas cartas rogatórias e homologa‑
blicos e comunitários. Os Tribunais Regionais Federais
ções de sentenças estrangeiras, pelo prazo de 10
poderão funcionar descentralizadamente, constituindo
(dez) dias, podendo impugná­‑las. Das decisões do
Câmaras regionais, a fim de assegurar o pleno acesso do
Presidente na homologação de sentença estran‑
jurisdicionado à justiça em todas as fases do processo.
geira e nas cartas rogatórias cabe agravo regimen‑
tal. A sentença estrangeira homologada será exe‑ Os Tribunais Regionais Federais possuem duas
cutada por carta de sentença, no Juízo Federal competências: 1) originária: a) os juízes federais da área
competente. A carta rogatória, depois de conce‑ de sua jurisdição, incluídos os da Justiça Militar e da Jus‑
dido o exequatur, será remetida para cumprimento tiça do Trabalho, nos crimes comuns e de responsabili‑
pelo Juízo Federal competente. Cumprida a carta dade, e os membros do Ministério Público da União,
rogatória, será devolvida ao Presidente do STJ, no ressalvada a competência da Justiça Eleitoral; b) as revi‑
prazo de 10 (dez) dias, e por este remetida, em sões criminais e as ações rescisórias de julgados seus ou
igual prazo, por meio do Ministério da Justiça ou dos juízes federais da região; c) os mandados de seguran‑
do Ministério das Relações Exteriores, à autori‑ ça e os habeas data contra ato do próprio Tribunal ou de
dade judiciária de origem. juiz federal; d) os habeas corpus, quando a autoridade co‑
atora for juiz federal; e) os conflitos de competência en‑
3.2. Competência recursal do STJ tre juízes federais vinculados ao Tribunal; 2) recursal: as
1) recurso ordinário: a) os habeas corpus decididos causas decididas pelos juízes federais e pelos juízes esta‑
em única ou última instância pelos Tribunais Regionais duais no exercício da competência federal da área de sua
Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Fe‑ jurisdição.
deral e Territórios, quando a decisão for denegatória; b) É competência do juiz federal julgar as seguintes
os mandados de segurança decididos em única instância matérias: a) as causas em que a União, entidade autár‑
pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais quica ou empresa pública federal forem interessadas na
dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, exce‑
denegatória a decisão; c) as causas em que forem partes to as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas
Estado estrangeiro ou organismo internacional, de um à Justiça Eleitoral e à Justiça do Trabalho; b) as causas
lado, e, do outro, Município ou pessoa residente ou do‑ entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e
miciliada no País; 2) recurso especial: as causas decidi‑ Município ou pessoa domiciliada ou residente no País; c)
das, em única ou última instância, pelos Tribunais Re‑ as causas fundadas em tratado ou contrato da União com
gionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Estado estrangeiro ou organismo internacional; d) os
Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorri‑ crimes políticos e as infrações penais praticadas em de‑
da: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar­‑lhes trimento de bens, serviços ou interesse da União ou de
vigência; b) julgar válido ato de governo local contesta‑ suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluí‑
do em face de lei federal; c) der à lei federal interpreta‑ das as contravenções e ressalvada a competência da Jus‑
ção divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal. tiça Militar e da Justiça Eleitoral; e) os crimes previstos
em tratado ou convenção internacional, quando, inicia‑
4. T ribunais regionais federais e juízes da a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter
federais ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; f) as causas
São órgãos da Justiça Federal: a) os Tribunais Re‑ relativas a direitos humanos (grave violação de direitos

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 87 22/3/2012 16:00:15


88 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

humanos, o Procurador­‑Geral da República, com a fina‑ conflitos fundiários, o Tribunal de Justiça proporá a
lidade de assegurar o cumprimento de obrigações de‑ criação de varas especializadas, com competência exclu‑
correntes de tratados internacionais de direitos humanos siva para questões agrárias.
dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o O Estado pode constituir sua própria Justiça Mili‑
Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inqué‑ tar estadual, por lei estadual, mediante proposta do Tri‑
rito ou processo, incidente de deslocamento de compe‑ bunal de Justiça, constituída, em primeiro grau, pelos
tência para a Justiça Federal); g) os crimes contra a orga‑ juízes de direito e pelos Conselhos de Justiça e, em se‑
nização do trabalho e, nos casos determinados por lei, gundo grau, pelo próprio Tribunal de Justiça, ou por
contra o sistema financeiro e a ordem econômico­ Tribunal de Justiça Militar nos Estados em que o efetivo
‑financeira; h) os habeas corpus, em matéria criminal de militar seja superior a vinte mil integrantes.
sua competência ou quando o constrangimento provier
A Justiça Militar estadual processa e julga crimes
de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujei‑
militares praticados por polícia militar ou bombeiro mi‑
tos a outra jurisdição; i) os mandados de segurança e os
litar definidos em lei e as ações judiciais contra atos dis‑
habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados
ciplinares militares, ressalvada a competência do júri
os casos de competência dos tribunais federais; j) os cri‑
quando a vítima for civil, cabendo ao tribunal compe‑
mes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalva‑
tente decidir sobre a perda do posto e da patente dos
da a competência da Justiça Militar; k) os crimes de in‑
oficiais e da graduação das praças. Compete aos juízes de
gresso ou permanência irregular de estrangeiro, a
direito do juízo militar processar e julgar, singularmen‑
execução de carta rogatória, após o exequatur, e de sen‑
te, os crimes militares cometidos contra civis e as ações
tença estrangeira, após a homologação, as causas refe‑
judiciais contra atos disciplinares militares, cabendo ao
rentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à
Conselho de Justiça, sob a presidência de juiz de direito,
naturalização; l) a disputa sobre direitos indígenas.
processar e julgar os demais crimes militares.
As causas em que a União for autora serão aforadas
na seção judiciária onde tiver domicílio a outra parte. As
causas intentadas contra a União poderão ser aforadas na IX – FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA
seção judiciária em que for domiciliado o autor, naquela
onde houver ocorrido o ato ou fato que deu origem à 1. Conceito: são profissões públicas ou privadas
demanda ou onde esteja situada a coisa, ou, ainda, no que ajudam no funcionamento do Judiciário: Ministério
Distrito Federal. Serão processadas e julgadas na Justiça Público, Advocacia Pública, Advocacia Privada e Defen‑
estadual, no foro do domicílio dos segurados ou benefi‑ soria Pública.
ciários, as causas em que forem parte instituição de pre‑ 2. Ministério Público: é instituição permanente
vidência social e segurado, sempre que a comarca não essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo­
seja sede de vara do juízo federal, e, se verificada essa ‑lhe a defesa da ordem jurídica, do regime democrático
condição, a lei poderá permitir que outras causas sejam e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. O in‑
também processadas e julgadas pela Justiça estadual. O gresso na carreira do Ministério Público é feito median‑
recurso cabível será sempre para o Tribunal Regional Fe‑ te concurso público de provas e títulos, assegurada a
deral na área de jurisdição do juiz de primeiro grau. participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua
realização, exigindo­‑se do bacharel em direito, no míni‑
5. Tribunais e juízes dos Estados mo, três anos de atividade jurídica. As funções do Minis‑
Os Estados organizarão sua Justiça, observados os tério Público só podem ser exercidas por integrantes da
princípios estabelecidos na Constituição. A competência carreira. São princípios institucionais: a) unidade: den‑
dos tribunais será definida na Constituição do Estado, tro de cada Ministério Público existe uma direção úni‑
sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tri‑ ca; b) indivisibilidade: os membros do Ministério Públi‑
bunal de Justiça. co podem ser substituídos uns aos outros, pois agem em
O Tribunal de Justiça poderá funcionar descentra‑ nome da instituição; c) independência funcional: no
lizadamente, constituindo Câmaras regionais, a fim de exercício funcional o MP não sofre subordinação por ne‑
assegurar o pleno acesso do jurisdicionado à justiça em nhum outro órgão ou pessoa; d) promotor natural: o
todas as fases do processo. O Tribunal de Justiça instala‑ membro do MP deve ser designado de acordo com o cri‑
rá a justiça itinerante, com a realização de audiências e tério legal. É formado pelo: I ­– o Ministério Público da
demais funções da atividade jurisdicional, nos limites União, que compreende: a) o Ministério Público Fede‑
territoriais da respectiva jurisdição, servindo­‑se de ral; b) o Ministério Público do Trabalho; c) o Ministério
equipamentos públicos e comunitários. Para dirimir Público Militar; d) o Ministério Público do Distrito Fe‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 88 22/3/2012 16:00:15


DIREITO CONSTITUCIONAL 89

deral e Territórios; II ­– os Ministérios Públicos dos Es‑ sultoria e assessoramento jurídico do Poder Executivo.
tados. O MPU tem por chefe o Procurador­‑Geral da Tem por chefe o Advogado­‑Geral da União, de
República, nomeado pelo Presidente da República den‑ livre nomeação pelo Presidente da República dentre cida‑

CONSTITUCIONAL
tre integrantes da carreira, maiores de trinta e cinco dãos maiores de 35 anos, de notável saber jurídico e repu‑

DIREITO
anos, após a aprovação de seu nome pela maioria absolu‑ tação ilibada. Procuradoria da Fazenda Nacional é um
ta dos membros do Senado Federal, para mandato de órgão administrativamente subordinado ao Ministro de
dois anos, permitida a recondução. Os membros do Mi‑ Estado da Fazenda e de direção superior da Advocacia­
nistério Público da União são denominados Procurado‑ ‑Geral da União (AGU), que visa apurar a liquidez e cer‑
res da República e Procuradores Regionais da Repúbli‑ teza da dívida ativa da União, tributária ou de qualquer
ca. A destituição do Procurador­‑Geral da República, outra natureza, inscrevendo­‑a para fins de cobrança, ami‑
por iniciativa do Presidente da República, deve ser pre‑ gável ou judicial; representando privativamente a União,
cedida de autorização da maioria absoluta do Senado Fe‑ na execução de sua dívida ativa de caráter tributário.
deral. Já o Ministério Público estadual tem por chefe o 4. Advocacia Privada: é exercida pelos advoga‑
Procurador­‑Geral de Justiça, nomeado pelo Governador dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil – OAB,
do Estado. Os candidatos a Procurador­‑Geral de Justiça que trabalham para qualquer pessoa ou instituição priva‑
são escolhidos dentre os integrantes da carreira para da, mediante o pagamento de honorários. Não se inclui
compor uma lista tríplice, na forma da lei respectiva. À na atividade privativa de advocacia a impetração de habe‑
vista dos nomes apresentados nessa lista, o Governador as corpus em qualquer instância ou tribunal. O advogado
pode escolher e nomear qualquer um deles, para manda‑ é indispensável à administração da Justiça. No seu mi‑
to de dois anos, permitida uma recondução. Os mem‑ nistério privado, o advogado presta serviço público e
bros do Ministério Público dos Estados e do Distrito exerce função social. O advogado, indispensável à admi‑
Federal são denominados Promotores de Justiça (atuam nistração da Justiça, é defensor do estado democrático
em primeira instância) e Procuradores de Justiça (atuam de direito, da cidadania, da moralidade pública, da Justi‑
em segunda instância, junto aos tribunais estaduais). ça e da paz social, subordinando a atividade do seu Mi‑
São funções institucionais do MP: I ­– promover, privati‑ nistério Privado à elevada função pública que exerce.
vamente, a ação penal pública, na forma da lei; II ­– zelar 5. Procuradorias dos Estados e do Distrito
pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços Federal: representação judicial das unidades e consul‑
de relevância pública aos direitos assegurados nesta toria ao Poder Executivo e tem por chefe o Procurador­
Constituição, promovendo as medidas necessárias à sua ‑Geral do Estado. Elas serão ou não vinculadas à Secre‑
garantia; III ­– promover o inquérito civil e a ação civil taria da Justiça, conforme dispuser a Constituição
pública, para a proteção do patrimônio público e social, estadual. Os Procuradores do Estado integram uma car‑
do meio ambiente e de outros interesses difusos e coleti‑ reira e nela ingressam mediante concurso público de
vos; IV ­– promover a ação de inconstitucionalidade ou provas e títulos.
representação para fins de intervenção da União e dos 6. Defensoria Pública: é órgão que atende os ne‑
Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V ­– de‑ cessitados, de forma a efetivar a assistência jurídica inte‑
fender judicialmente os direitos e interesses das popula‑ gral, prevista no art. 5º, LXXIV, da CF. A Defensoria
ções indígenas; VI ­– expedir notificações nos procedi‑ Pública existe nos âmbitos federal, estadual e distrital.
mentos administrativos de sua competência, requisitando Lei complementar federal organizará a Defensoria Pú‑
informações e documentos para instruí­‑los, na forma da blica da União e a do Distrito Federal, além de estabele‑
lei complementar respectiva; VII ­– exercer o controle cer linhas fundamentais para as Defensorias Públicas dos
externo da atividade policial, na forma da lei comple‑ Estados. Os membros das Defensorias serão integrados
mentar; VIII ­– requisitar diligências investigatórias e a em carreiras, com acesso mediante concurso público de
instauração de inquérito policial, indicados os funda‑ provas e títulos, gozando da garantia da inamovibilidade
mentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX e ficando proibidos de exercer a advocacia fora das atri‑
­– exercer outras funções que lhe forem conferidas, des‑ buições institucionais. A Defensoria Pública abrange: a)
de que compatíveis com sua finalidade, sendo­‑lhe vedada a Defensoria Pública da União; b) a Defensoria Pública
a representação judicial e a consultoria jurídica de enti‑ do Distrito Federal e dos Territórios; c) as Defensorias
dades públicas. Públicas dos Estados. À Defensoria Pública do Estado é
3. Advocacia-Geral da União: é a instituição assegurada autonomia funcional e administrativa e ini‑
que, diretamente ou através de órgão vinculado, repre‑ ciativa para elaboração de sua proposta orçamentária,
senta a União, judicial e extrajudicialmen‑ dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orça‑
te, cabendo­‑lhe, nos termos da lei, as atividades de con‑ mentárias. O ingresso nos cargos iniciais da carreira

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 89 22/3/2012 16:00:16


90 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

far­‑se­‑á mediante aprovação prévia em concurso público e corpos de bombeiros militares (art. 22, XXI, da CF);
de provas e títulos, com a participação da Ordem dos b) normas gerais sobre organização, garantias, direitos e
Advogados do Brasil. deveres das polícias civis (art. 24, XVI, da CF); c) orga‑
nizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo
X – DEFESA DO ESTADO E DAS INSTITUIÇÕES de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como
DEMOCRÁTICAS: SEGURANÇA PÚBLICA prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a
execução de serviços públicos, por meio de fundo pró‑
A Segurança Pública é direito de todos e dever do prio (art. 22, XIV, da CF).
Estado; visa a preservação da ordem pública e a incolu‑ A polícia civil exerce função de polícia judiciária,
midade das pessoas e o patrimônio. Polícia, parte da ad‑ salvo as de competência da Polícia Federal e dos milita‑
ministração, é uma instituição de direito público desti‑ res. A polícia federal, por sua vez, pode exercer as se‑
nada a manter a ordem pública e a preservar a guintes funções: a) polícias marítima, aeroportuária e
incolumidade (respeito à integridade) das pessoas e do de fronteiras: a radiopatrulha aérea é o policiamento os‑
patrimônio. tensivo do espaço aéreo em apoio ao policiamento urba‑
Polícia de segurança visa evitar a ocorrência de in‑ no, de trânsito, de choque, ambiental, rodoviário, corpo
frações penais. É exercida no âmbito federal pelos se‑ de bombeiros e outras diversas atividades em prol do
guintes órgãos: (1) polícia rodoviária federal, órgão per‑ bem comum da população de um Estado, desde que res‑
manente, organizado e mantido pela União e estruturado peitados os limites das áreas constitucionais das polícias
em carreira, responsável pelo patrulhamento ostensivo federal e aeronáutica militar. Tal atividade é atribuição
das rodovias federais; se a rodovia for estadual, o policia‑ da polícia militar, fazendo parte do poder residual da po‑
mento é feito por batalhão especial da polícia militar; (2) lícia dos Estados (ADI n. 132, Rel. Min. Sepúlveda Per‑
polícia ferroviária federal, órgão permanente, organiza‑ tence, DJ, 30-5-2003); b) com exclusividade, as funções
do e mantido pela União e estruturado em carreira, res‑ de polícia judiciária da União: não investiga as contra‑
ponsável pelo patrulhamento ostensivo das ferrovias fe‑ venções penais, mesmo que praticadas em detrimento da
derais; (3) polícia federal. Já no âmbito estadual é União; c) prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entor‑
exercida pela polícia militar, responsável pela polícia os‑ pecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho,
tensiva e preservação da ordem pública. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públi‑
Polícia judiciária visa reprimir a ocorrência das in‑ cos nas respectivas áreas de competência; d) apurar in‑
frações penais. É exercida, no âmbito federal, pela polí‑ frações penais contra a ordem política e social; e) apurar
cia federal e no estadual, pela polícia civil. infrações penais em detrimento de bens, serviços e inte‑
resses da União ou de suas entidades autárquicas e em‑
A segurança pública é dividida em quatro espécies:
presas públicas: os crimes contra a sociedade de econo‑
a) federal: abrange polícia federal; polícia rodoviária fe‑
deral (órgão permanente, organizado e mantido pela mia mista federal serão de atribuição da polícia civil; f)
União, estruturado em carreira, cuja função é o patru‑ apurar infrações penais cuja prática tenha repercussão
lhamento ostensivo das rodovias federais); polícia ferro‑ interestadual ou internacional e exija repressão unifor‑
viária federal (órgão permanente, organizado e mantido me, segundo se dispuser em lei.
pela União, estruturado em carreira, cuja função é o pa‑
trulhamento ostensivo das ferrovias federais); b) estadu‑ XI – FUNDAMENTOS CONSTITUCIONAIS DOS
al: abrange polícia militar (preserva a ordem pública e DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS
realiza polícia ostensiva; exerce atividade preventiva);
polícia civil (investiga infrações, que não sejam federais
ou militares. Exerce atividade repressiva); bombeiros 1. Introdução
militares (exerce atividades de defesa civil e outras defi‑ Os destinatários dos direitos e garantias fundamen‑
nidas por lei); c) a distrital tem a mesma organização da tais, de acordo com o art. 5º, caput, da CF, são os brasi‑
estadual, com a observação de que os órgãos são organi‑ leiros e estrangeiros residentes no país. A interpretação
zados e mantidos pela União, nos termos dos arts. 21, é de que abrange brasileiro nato ou naturalizado; estran‑
XIII e XIV, c/c o art. 22, XVII; d) municipal: abrange geiros residentes ou não no país (a expressão “residentes”
os guardas municipais, cuja função é proteger o patrimô‑ não deve ser compreendida como “morar no país”, mas
nio municipal; não possuir função de polícia judiciária. sim “estar no país”, a qualquer título), pessoa física, pes‑
A União tem competência para estabelecer: a) nor‑ soa jurídica (os compatíveis com sua condição), pessoa
mas gerais de organização, efetivos, material bélico, ga‑ formal (massa falida, espólio, condomínio – os compatí‑
rantias, convocação e mobilização das polícias militares veis com sua condição). O nascituro possui direito à

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 90 22/3/2012 16:00:16


DIREITO CONSTITUCIONAL 91

vida; em relação aos demais tem apenas uma expectativa Em conformidade com o texto constitucional, os
de direitos. Os animais e plantas não têm direitos, pois direitos e garantias individuais são cláusulas pétreas, de
são objetos do direito; quem tem direito sobre eles é o forma que não podem ser abolidas ou restringidas.

CONSTITUCIONAL
proprietário ou a sociedade. Os seres inanimados não

DIREITO
têm direitos, pois não são considerados sujeitos de direi‑ 2. D
 ireitos e Deveres individuais e co-
tos. Em relação ao morto, podemos afirmar que não tem letivos
direitos, pois é tida como coisa fora do comércio. Quem – Direito à vida: é o direito de nascer, permane‑
tem direitos sobre o morto é a família ou a sociedade. cer vivo, de defender a própria vida e de não ter a
As normas definidoras dos direitos e garantias fun‑ vida interrompida, a não ser pela morte natural e
damentais têm aplicação imediata. Em regra, os direitos inevitável. A pena de morte só é admitida em
e garantias não dependem de lei regulamentadora. Por caso de guerra externa declarada, para certos cri‑
exceção alguns direitos e garantias dependem desta. Se a mes militares, sendo executada por fuzilamento.
lei surgir para explicar o direito, a norma constitucional A eutanásia é matar alguém para abreviar os seus
é de eficácia limitada; se a lei surgir para restringir o sofrimentos. É homicídio por piedade ou privile‑
direito, a norma constitucional é de eficácia contida. giado. A lei disporá sobre as condições e os requi‑
Existem duas espécies de eficácia: a) eficácia horizontal sitos que facilitem a remoção de órgãos, tecidos e
­– é necessária existência de respeito recíproco dos direi‑ substâncias humanas para fins de transplante,
tos nas relações entre particulares; b) eficácia vertical ­– pesquisa e tratamento, bem como a coleta, pro‑
o mesmo respeito é exigido também nas relações entre cessamento e transfusão de sangue e seus deriva‑
os particulares e o Poder Público. dos, sendo vedado todo tipo de comercialização.
É possível ocorrer colisão entre direitos, ou seja, – Direito à integridade física: a Constituição,
quando um direito fundamental entra em choque com além de garantir o respeito à integridade física e
outro fundamental. Para resolver o conflito deve ser moral (art. 5º, XLIX), declara que ninguém será
adotado o critério da ponderação de valores, ou seja, submetido à tortura ou tratamento desumano ou
tentar harmonizar ou combinar os bens jurídicos em degradante (art. 5º, III); é respeitar a saúde e a
conflito, de forma que um deles não prevalece em detri‑ integridade corpórea e psíquica. A disponibilida‑
mento do outro. A ponderação deve ser feita com base de do referido direito está ligada com o tipo de
na razoabilidade, visando sempre a máxima proteção e lesão, de forma que só será disponível por pessoa
concretização dos direitos fundamentais. que seja capaz e que a lesão seja leve. Tortura é
Em conformidade com o texto constitucional, os crime inafiançável e insuscetível de graça, por ele
direitos podem ser: direitos individuais (art. 5º): são os respondendo os mandantes, os executores e os
reconhecidos a uma pessoa física ou jurídica; direitos co‑ que, podendo evitá­‑lo, se omitirem (Lei n.
letivos (art. 5º): são os reconhecidos a um grupo de pes‑ 9.455/97).
soas; direitos sociais (arts. 6º e 193 e s.): visam melhoria – Direito à integridade moral: a Constituição
da condição de vida da pessoa na sociedade; direitos à
protege a honra objetiva (reputação da pessoa no
nacionalidade (art. 12): são os ligados pelo vínculo que
meio social) e a subjetiva (autoestima). Quando
une uma pessoa à dimensão pessoa do Estado; direitos
violado é um bem indenizável (art. 5º, V e X).
políticos (arts. 14 a 17): são os que permitem ou restrin‑
Pela Súmula 37 do STJ são cumuláveis os danos
gem a participação de uma pessoa na formação da vonta‑
materiais e morais.
de política; direitos relativos aos partidos políticos
abrangem os de organização, participação e criação dos – Direito à privacidade: a Constituição declara
partidos (art. 17). invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e
Há previsão do Tribunal Penal Internacional, a imagem das pessoas (art. 5º, X): a) intimidade:
criado em 1998 pelo Estatuto de Roma; tem sede em é o conjunto de características próprias de uma
HAIA na Holanda. O Brasil aderiu (não participou da pessoa, seus desejos, defeitos e manias; b) vida
formulação das cláusulas) em 2002. É o Tribunal que privada: é o relacionamento da pessoa com fami‑
julga crimes contra a humanidade, crimes de guerra, liares e amigos; c) honra: objetiva (reputação da
crimes de agressão e genocídio. Todos os países que assi‑ pessoa no meio social) e subjetiva (autoestima);
naram ou aderiram ao Tribunal têm que colaborar na d) imagem: atributo (reputação) e retrato.
investigação e no processo dos crimes. O TPI só fará o –D  ireito à igualdade: isonomia formal é a
julgamento quando o país em que foi cometido o crime igualdade perante a lei; a material consiste em
não puder ou não quiser punir. iguais condições econômicas e sociais. A “igual‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 91 22/3/2012 16:00:16


92 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

dade perante a lei”, significa que deve ser respei‑ convicção filosófica ou política, salvo se as invo‑
tado tanto pelo legislador como pelo aplicador do car para eximir­‑se de obrigação legal a todos im‑
direito; homens e mulheres são iguais em direitos posta e recusar­‑se a cumprir prestação alternati‑
e obrigações, nos termos desta Constituição; só va, fixada em lei.
valem as discriminações feitas pela própria Cons‑ – Liberdade cultural: é livre a expressão da ati‑
tituição e quando não feitas pela CF, só valem vidade intelectual, artística, científica e de comu‑
quando fundamentadas em critério lógico e ra‑ nicação, independentemente de censura ou licen‑
cional. Na área tributária, contribuintes que este‑ ça.
jam na mesma situação devem receber o mesmo
– Inviolabilidade domiciliar: domicílio é todo
tratamento tributário.
local, delimitado e separado, que alguém ocupa
– Não discriminação: a lei punirá qualquer dis‑ com exclusividade, a qualquer título, inclusive
criminação atentatória dos direitos e liberdades profissionalmente. Se houver consentimento do
fundamentais, e outra, mais específica, porque morador, é possível qualquer pessoa entrar, em
destaca a forma mais comum de discriminação, qualquer dia e horário. Se não houver consenti‑
estabelecendo que a prática do racismo constitui mento do morador, não será possível a entrada,
crime inafiançável e imprescritível, sujeito à salvo em dois casos: durante o dia, nos casos de
pena de reclusão, nos termos da lei (art. 5º, XLI flagrante delito, desastre, para prestar socorro,
e XLII). ou ainda por determinação judicial; durante a
– Legalidade: ninguém será obrigado a fazer ou noite, nos casos de flagrante delito, desastre ou
deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de para prestar socorro. Sobre o conceito do dia
lei. Para a Administração Pública, legalidade sig‑ existem entendimentos: a) é o período entre 6 h
nifica que o Poder Público só pode fazer o que a da manhã e 18 h; b) é o período que vai do anoi‑
lei determina ou autoriza. Já o particular pode tecer ao alvorecer; c) é o período da aurora ao
fazer tudo o que não estiver proibido. No Estado crepúsculo. Constitui abuso de autoridade qual‑
democrático de direito e social em que vivemos a quer atentado à inviolabilidade do domicílio, nos
lei deve ser obedecida por todas as pessoas, e pelo termos do art. 3º da Lei n. 4.898/65. No caso de
próprio Estado. prisão, se o morador realizar oposição ativa, por
– Liberdade da pessoa física: é o direito de ir, meio de violência ou ameaça à autoridade quando
vir, permanecer e ficar. Em época de paz, a liber‑ esta adentrar na residência, praticará o delito de
dade é regulada por lei; em tempo de guerra, é resistência. No caso de prisão durante a noite, o
regulada pelas próprias circunstâncias da guerra. executor da ordem intima o morador; se o execu‑
tor não for atendido, fará guardar todas as saídas,
– Liberdade de pensamento: é livre a manifes‑
tornando a casa incomunicável, e, logo que ama‑
tação do pensamento, sendo vedado o anonima‑
nheça, arrombará as portas e efetuará a prisão.
to. É questão de foro íntimo. É assegurado o di‑
reito de resposta, proporcional ao agravo, além – Inviolabilidade de sigilo das comunica‑
da indenização por dano material, moral ou à ções: é inviolável o sigilo das comunicações tele‑
imagem. fônicas; porém, é admitida interceptação “nas
hipóteses e na forma que a lei estabelecer”. Foi
– Liberdade de ação profissional: é livre o
por meio da Lei n. 9.296, de 1996, que o legisla‑
exercício de qualquer trabalho, ofício ou profis‑
dor regulamentou o texto constitucional. Inter‑
são, atendidas as qualificações profissionais que a
ceptação telefônica é interferência de um terceiro
lei estabelecer. É norma de eficácia contida.
na conversa telefônica entre duas ou mais pessoas
– Liberdade de consciência, crença e culto: que capta os dados, gravando ou ouvindo. Quan‑
é inviolável a liberdade de consciência e de cren‑ do for feita fora do telefone, em qualquer recinto
ça, sendo assegurado o livre exercício dos cultos privado ou público, tem­‑se a interceptação am‑
religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção biental. Escuta telefônica é a captação e gravação
aos locais de culto e às suas liturgias. feita por terceiro com ciência e autorização de
– Assistência religiosa: é assegurada, nos ter‑ um dos interlocutores. Quando for feita fora do
mos da lei, a prestação de assistência religiosa nas telefone, em qualquer recinto privado ou público,
entidades civis e militares de internação coletiva. tem­‑se a escuta ambiental. Captação direta ou
– Escusa de consciência: ninguém será privado gravação clandestina é a captação e gravação feita
de direitos por motivo de crença religiosa ou de por um dos interlocutores sem que outro saiba. A

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 92 22/3/2012 16:00:16


DIREITO CONSTITUCIONAL 93

interceptação telefônica, quando obedecidos os priação por necessidade ou utilidade pública, ou


requisitos legais, é prova lícita e é realizada sem por interesse social, mediante justa e prévia inde‑
que nenhum dos interlocutores saiba da captação nização em dinheiro, ressalvados os casos previs‑

CONSTITUCIONAL
ou gravação; dessa forma, não há interceptação tos nesta Constituição; no caso de iminente peri‑

DIREITO
quando a conversa é gravada por um dos interlo‑ go público, a autoridade competente poderá usar
cutores, ainda que com a ajuda de um repórter. Já de propriedade particular, assegurada ao proprie‑
a gravação clandestina é prova ilícita e é realizada tário indenização ulterior, se houver dano; a pe‑
com a ciência de um dos interlocutores. Os re‑ quena propriedade rural, assim definida em lei,
quisitos para a realização da interceptação telefô‑ desde que trabalhada pela família, não será objeto
nica são: I – existência de indícios razoáveis da de penhora para pagamento de débitos decorren‑
autoria ou participação em infração penal; II ­– a tes de sua atividade produtiva, dispondo a lei so‑
prova não puder ser feita por outros meios dispo‑ bre os meios de financiar o seu desenvolvimento.
níveis; III ­– o fato investigado constituir infração – Propriedade especial: aos autores pertence o
penal punida com pena de reclusão. Na intercep‑ direito exclusivo de utilização, publicação ou re‑
tação telefônica, em qualquer hipótese deve ser produção de suas obras, transmissível aos herdei‑
descrita com clareza a situação objeto da investi‑ ros pelo tempo que a lei fixar; são assegurados,
gação, inclusive com a indicação e qualificação nos termos da lei: a) a proteção às participações
dos investigados, salvo impossibilidade manifes‑ individuais em obras coletivas e à reprodução da
ta, devidamente justificada. imagem e voz humanas, inclusive nas atividades
– Direito à informação: é assegurado a todos o desportivas; b) o direito de fiscalização do apro‑
acesso à informação e resguardado o sigilo da fon‑ veitamento econômico das obras que criarem ou
te, quando necessário ao exercício profissional; de que participarem aos criadores, aos intérpre‑
todos têm direito a receber dos órgãos públicos tes e às respectivas representações sindicais e as‑
informações de seu interesse particular, ou de in‑ sociativas; a lei assegurará aos autores de inventos
teresse coletivo ou geral, que serão prestadas no industriais privilégio temporário para sua utiliza‑
prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressal‑ ção, bem como proteção às criações industriais, à
vadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à se‑ propriedade das marcas, aos nomes de empresas e
gurança da sociedade e do Estado. a outros signos distintivos, tendo em vista o inte‑
– Direito de propriedade: é poder usar, gozar, resse social e o desenvolvimento tecnológico.
dispor e reaver um bem. A Constituição garante – Direito à herança: é garantido o direito de he‑
o direito de propriedade, desde que este atenda rança; a sucessão de bens de estrangeiros situados
sua função social (art. 5º, XXII). A propriedade no País será regulada pela lei brasileira em benefí‑
urbana cumpre sua função social quando atender cio do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que
às exigências do plano diretor. Já a propriedade não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus.
rural cumpre sua função social quando atender de – Defesa do consumidor: o Estado promoverá,
forma simultânea aos seguintes requisitos: I ­– na forma da lei, a defesa do consumidor.
aproveitamento racional e adequado; II ­– utiliza‑
– Direitos de petição e de certidão: são a to‑
ção adequada dos recursos naturais disponíveis e
dos assegurados, independentemente do paga‑
preservação do meio ambiente; III ­– observância
das disposições que regulam as relações de traba‑ mento de taxas: a) o direito de petição aos Pode‑
lho; IV ­– exploração que favoreça o bem­‑estar res Públicos em defesa de direitos ou contra
dos proprietários e dos trabalhadores. A Consti‑ ilegalidade ou abuso de poder. O direito de peti‑
tuição prevê em seu texto a propriedade pública ção tem caráter informal e serve para noticiar
ao incluir entre os bens da União aqueles enume‑ abusos e ilegalidades; b) a obtenção de certidões
rados no art. 20 e entre os bens dos Estados os em repartições públicas, para defesa de direitos e
indicados no art. 26; ao autorizar desapropriação, esclarecimento de situações de interesse pessoal.
que consiste na transferência compulsória de bens – Acesso à Justiça: a lei não excluirá da aprecia‑
privados para o domínio público; ao facultar a ex‑ ção do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito.
ploração direta de atividade econômica pelo Esta‑ – Segurança jurídica: a lei não prejudicará o di‑
do (art. 173) e o monopólio (art. 177), que im‑ reito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa
portam apropriação pública de bens de produção. julgada. A lei, em regra, é irretroativa, ou seja,
A lei estabelecerá o procedimento para desapro‑ deverá ser aplicada ao presente e futuro. Em cará‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 93 22/3/2012 16:00:16


94 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

ter excepcional, a lei deve ser retroativa, ou seja, car conduta criminosa prevista em lei.
a lei deve ser aplicada ao presente, futuro e passa‑ – Anterioridade penal: a lei penal não retroagi‑
do. A retroatividade no âmbito penal ocorre rá, salvo para beneficiar o réu.
quando a lei penal for mais benéfica ao réu; no – Classificação de crimes: a prática do racismo
âmbito tributário, quando for lei interpretativa, constitui crime inafiançável e imprescritível, su‑
para corrigir uma inconstitucionalidade ou mais jeito à pena de reclusão, nos termos da lei; a lei
benéfica ao contribuinte, desde que respeite os considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis
atos já definitivamente julgados. de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico
– Juiz natural: não haverá juízo ou tribunal de ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terroris‑
exceção; ninguém será processado nem senten‑ mo e os definidos como crimes hediondos, por
ciado senão pela autoridade competente. eles respondendo os mandantes, os executores e
– Tribunal do júri: é reconhecida a instituição os que, podendo evitá­‑los, se omitirem; constitui
do júri, com a organização que lhe der a lei, asse‑ crime inafiançável e imprescritível a ação de gru‑
gurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das pos armados, civis ou militares, contra a ordem
votações; c) a soberania dos veredictos; d) a com‑ constitucional e o Estado Democrático.
petência para o julgamento dos crimes dolosos – Personalidade da pena: nenhuma pena passa‑
contra a vida. rá da pessoa do condenado, podendo a obrigação
– Legalidade penal: não há crime sem lei ante‑ de reparar o dano e a decretação do perdimento
rior que o defina, nem pena sem prévia comina‑ de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos su‑
ção legal. A lei é a fonte de criação dos crimes e cessores e contra eles executadas, até o limite do
das penas. O princípio da legalidade penal foi for‑ valor do patrimônio transferido. A responsabili‑
mulada por Feuerbach e foi criado com a Magna dade penal é sempre pessoal. Ninguém é respon‑
Carta do Rei João, de 1215. É garantia constitu‑ sável penalmente senão pelo próprio fato. A san‑
cional dos direitos do homem. No sentido crimi‑ ção criminal não se transmite a terceiros. Não há
nal, a lei penal só pode punir um indivíduo se for punição por fato alheio.
anterior ao fato praticado. No sentido penal, a – Individualização da pena: a lei regulará a in‑
pena só pode ser aplicada ao infrator da lei penal dividualização da pena e adotará, entre outras, as
se for anterior ao fato praticado. Segundo Fran‑ seguintes: a) privação ou restrição da liberdade;
cisco de Assis Toledo (Princípios básicos de direito b) perda de bens; c) multa; d) prestação social
penal, p. 22): proibição de leis retroativas que alternativa; e) suspensão ou interdição de direi‑
fundamentem ou agravem a punibilidade do tos. A pena não deve ser padronizada, devendo
agente lex praevia; proibição da fundamentação ou cada infrator receber a pena que merece. O julga‑
agravamento da punibilidade pelo direito consue‑ dor deve fixar pena de acordo com cominação
tudinário lex scripta; proibição da fundamentação legal, gravidade do fato e magnitude da lesão ao
ou agravamento da punibilidade pela analogia lex bem jurídico.
scricta; proibição de leis penais indeterminadas lex – Penas proibidas: são as que não podem ser
certa. Em relação às espécies normativas, não po‑ criadas por lei: a) penas cruéis: ofendem a inte‑
dem criar crime nem pena a lei delegada, medida gridade física da pessoa, como a mutilação de
provisória, decretos legislativos e resoluções. O membros, o açoite e outras; b) pena de caráter
termo “legalidade” é amplo, de forma a abranger perpétuo: é a que não tem duração limitada. No
a reserva legal, que diz que nem toda espécie nor‑ Direito Brasileiro, o limite da prisão é de 30
mativa pode criar crime e pena, e a anteriorida‑ anos, para crime, nos termos do art. 75 do Códi‑
de, em que a lei penal deve ser anterior à prática go Penal, e 5 anos, para contravenção penal; c)
do fato. O Brasil adota o princípio da legalidade pena de trabalhos forçados; d) pena de morte13: é
formal, em que o indivíduo será punido se prati‑ tirar a vida; no Brasil somente é admitida em caso

13
A pena de morte é pena principal prevista no Código Penal militar, nos termos do seu art. 55 – As penas principais são: a) morte; b) reclusão; c)
detenção; d) prisão; e) impedimento; f) suspensão do exercício do posto, graduação, cargo ou função; g) reforma. A pena de morte somente pode
ser aplicada em alguns crimes militares definidos em lei penal militar. A pena de morte aplicada no Brasil será executada por fuzilamento, nos termos
do art. 56 do Código Penal militar. O direito de graça, previsto no art. 57 do Código Penal militar é o perdão da pena de morte concedida pelo
Presidente da República. A sentença definitiva de condenação à morte é comunicada, logo que passe em julgado, ao Presidente da República, e não

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 94 22/3/2012 16:00:16


DIREITO CONSTITUCIONAL 95

de guerra externa declarada, nos termos do art. casos não previstos decidirá sobre a preferência
84, XIX, da CF; e) pena de banimento: expulsão o Governo brasileiro. Havendo tratado ou con‑
de brasileiro do Brasil. venção com algum dos Estados requerentes,

CONSTITUCIONAL
– Regime penitenciário: a pena será cumprida prevalecerão suas normas no que disserem res‑

DIREITO
em estabelecimentos distintos, de acordo com a peito à preferência. A extradição será requerida
natureza do delito, a idade e o sexo do apenado. por via diplomática ou, na falta de agente diplo‑
mático do Estado que a requerer, diretamente
– Humanidade: é assegurado aos presos o respei‑
de Governo a Governo, devendo o pedido ser
to à integridade física e moral; às presidiárias se‑
instruído com a cópia autêntica ou a certidão da
rão asseguradas condições para que possam per‑
sentença condenatória, da de pronúncia ou da
manecer com seus filhos durante o período de
que decretar a prisão preventiva, proferida por
amamentação. O réu deve ser tratado como pes‑
Juiz ou autoridade competente. Esse documento
soa humana. É proibido criar um tipo ou pena
ou qualquer outro que se juntar ao pedido con‑
que atente de forma desnecessária contra a inco‑
terá indicações precisas sobre o local, data, na‑
lumidade física ou moral de alguém.
tureza e circunstâncias do fato criminoso, iden‑
– E xtradição: nenhum brasileiro será extradita‑ tidade do extraditando, e, ainda, cópia dos
do, salvo o naturalizado, em caso de crime co‑ textos legais sobre o crime, a pena e sua prescri‑
mum, praticado antes da naturalização, ou de ção. O encaminhamento do pedido por via di‑
comprovado envolvimento em tráfico ilícito de plomática confere autenticidade aos documen‑
entorpecentes e drogas afins, na forma da lei; tos. Não havendo tratado que disponha em
não será concedida extradição de estrangeiro contrário, os documentos serão acompanhados
por crime político ou de opinião. A extradição de versão oficialmente feita para o idioma por‑
poderá ser concedida quando o governo reque‑ tuguês no Estado requerente.
rente se fundamentar em tratado, ou quando
– Devido processo legal: ninguém será privado
prometer ao Brasil a reciprocidade. Existem
da liberdade ou de seus bens sem o devido pro‑
duas espécies de extradição: a) ativa, quando o
cesso legal. O respeito ao direito do devido pro‑
interessado é o Estado requerente, e b) passiva,
cesso legal representa existência de um processo
quando o Estado requerido é o demandado. Ne‑
nhuma extradição será concedida sem prévio adequado com observância da lei, plenitude de
pronunciamento do Plenário do Supremo Tribu‑ defesa, contraditório, igualdade de oportunida‑
nal Federal sobre sua legalidade e procedência, des e, principalmente, respeito aos direitos fun‑
não cabendo recurso da decisão, salvo embargos damentais. No sentido material, é a proteção da
de declaração. O princípio do non bis in idem im‑ vida, liberdade e propriedade. No sentido for‑
plica a regra de que, negada a extradição, não se mal, é a garantia de um processo adequado.
admitirá novo pedido baseado no mesmo fato. – Contraditório e ampla defesa: aos litigantes,
Quando mais de um Estado requerer a extradi‑ em processo judicial ou administrativo, e aos
ção da mesma pessoa, pelo mesmo fato, terá acusados em geral são assegurados o contraditó‑
preferência o pedido daquele em cujo território rio e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
a infração foi cometida. Tratando­‑se de crimes inerentes.
diversos, terão preferência, sucessivamente: I ­– – Inadmissibilidade de provas ilícitas: são
o Estado requerente em cujo território haja sido inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por
cometido o crime mais grave, segundo a lei bra‑ meios ilícitos. Toda e qualquer prova obtida de
sileira; II ­– o que em primeiro lugar houver pe‑ forma ilícita, bem como todas as demais delas de‑
dido a entrega do extraditando, se a gravidade correntes, abrangidas em razão da “teoria dos
dos crimes for idêntica; e III ­– o Estado de ori‑ frutos da árvore envenenada”, adotada pelo STF
gem, ou, na sua falta, o domiciliar do extradi‑ (RHC 90.376/RJ, Min. CELSO DE MELLO,
tando, se os pedidos forem simultâneos. Nos DJ, 18-5-2007), são ilícitas e inadmissíveis para

pode ser executada senão depois de sete dias após a comunicação. A pena de morte pode ser executada de maneira imediata se for imposta em zona
de operações de guerra, quando o exigir o interesse da ordem e da disciplina militares. No livro Fera de Macabu, de Carlos Marchi, Editora Record,
há o relato do drama pessoal de Manoel da Motta Coqueiro, o homem inocente cuja condenação à morte acabou com a pena de morte no Brasil. A
pena de morte foi, finalmente, proibida no Brasil, exceto na legislação militar, com a edição da Constituição de 1946.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 95 22/3/2012 16:00:16


96 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

embasar eventual juízo de condenação. A prova tificação dos caracteres essenciais. A identifica‑
ilícita, caracterizada pela escuta telefônica, não ção criminal incluirá o processo datiloscópico e o
sendo a única produzida no procedimento inves‑ fotográfico, que serão juntados aos autos da co‑
tigatório, não enseja desprezarem­‑se as demais municação da prisão em flagrante, ou do inquéri‑
que, por ela não contaminadas e dela não decor‑ to policial ou outra forma de investigação. É ve‑
rentes, formam o conjunto probatório da autoria dado mencionar a identificação criminal do
e materialidade do delito. Vício na coleta de ele‑ indiciado em atestados de antecedentes ou em in‑
mentos de prova durante a investigação policial formações não destinadas ao juízo criminal, antes
não tem o condão de tornar nula a ação penal. do trânsito em julgado da sentença condenatória.
Cabe ressaltar que prova ilícita é a obtida em de‑ No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua
sacordo com regras de direito material, e prova rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado
ilegítima é a obtida em desacordo com regras de ou ao réu, após o arquivamento definitivo do in‑
direito processual. Com base no princípio da pro‑ quérito, ou trânsito em julgado da sentença, re‑
porcionalidade, é possível o juiz admitir prova querer a retirada da identificação fotográfica do
ilícita, desde que seja para provar a inocência da inquérito ou processo, desde que apresente pro‑
pessoa ou no caso de legítima defesa de direitos vas de sua identificação civil.
fundamentais. – Ação penal privada subsidiária da públi‑
– Presunção de inocência: ninguém será consi‑ ca: é a proposta pela vítima ou seu representante
derado culpado até o trânsito em julgado de sen‑ legal quando houver inércia do Ministério Públi‑
tença penal condenatória. Trata­‑se de uma garan‑ co. A inércia ministerial é constatada quando o
tia processual penal. É chamada de princípio da Ministério Público, diante do inquérito policial
não culpabilidade. É presunção relativa, pois ad‑ ou outras peças de informação sobre a autoria e
mite prova em contrário. A prisão processual não materialidade da infração penal, não pede arqui‑
viola presunção de inocência, por ser medida ne‑ vamento, não oferece denúncia e nem pede novas
cessária para o desenvolvimento do processo. diligências. Na ação subsidiária, caberá ao Minis‑
– Identificação criminal: o civilmente identifi‑ tério Público aditar a queixa, repudiá­‑la e ofere‑
cado não será submetido à identificação criminal, cer denúncia substitutiva, intervir em todos os
salvo nas hipóteses previstas em lei. A identifica‑ termos do processo, fornecer elementos de pro‑
ção civil é atestada por qualquer dos seguintes va, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de
documentos: I – carteira de identidade; II – car‑ negligência do querelante, retomar a ação como
teira de trabalho; III – carteira profissional; IV – parte principal.
passaporte; V – carteira de identificação funcio‑ – Publicidade processual: em regra, o processo
nal; VI – outro documento público que permita a é público, ou seja, o processo pode ser consultado
identificação do indiciado. Equiparam­‑se aos do‑ por qualquer pessoa e as audiências são realizadas
cumentos de identificação civis os documentos de pelo juiz de portas abertas. Porém, por exceção o
identificação militares. Embora apresentado do‑ processo corre em segredo de justiça, ou seja, o
cumento de identificação, poderá ocorrer identi‑ processo só poderá ser consultado pelas partes e
ficação criminal quando: o documento apresen‑ seus procuradores e as audiências serão realizadas
tar rasura ou tiver indício de falsificação; o pelo juiz de portas fechadas. O segredo de justiça
documento apresentado for insuficiente para será regulamentado por lei, que poderá restringir
identificar cabalmente o indiciado; o indiciado a publicidade dos atos processuais quando a defe‑
portar documentos de identidade distintos, com sa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
informações conflitantes entre si; a identificação No processo civil ocorre segredo de justiça quan‑
criminal for essencial às investigações policiais, do exigir o interesse público ou nos processos que
segundo despacho da autoridade judiciária com‑ dizem respeito a casamento, filiação, separação
petente, que decidirá de ofício ou mediante re‑ dos cônjuges, conversão desta em divórcio, ali‑
presentação da autoridade policial, do Ministério mentos e guarda de menores. No processo penal,
Público ou da defesa; constar de registros poli‑ se da publicidade da audiência, da sessão ou do
ciais o uso de outros nomes ou diferentes qualifi‑ ato processual puder resultar escândalo, inconve‑
cações; o estado de conservação ou a distância niente grave ou perigo de perturbação da ordem,
temporal ou da localidade da expedição do docu‑ o juiz, o tribunal, a câmara ou a turma poderá, de
mento apresentado impossibilite a completa iden‑ ofício ou a requerimento da parte ou do Ministé‑

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 96 22/3/2012 16:00:16


DIREITO CONSTITUCIONAL 97

rio Público, determinar que o ato seja realizado a a do depositário infiel. No caso da prisão civil no
portas fechadas, limitando o número de pessoas caso de devedor de alimentos o requisito necessá‑
que possam estar presentes. rio é o inadimplemento dos alimentos provisó‑

CONSTITUCIONAL
– Prisão: nem toda a decretação da prisão depende rios, provisionais ou definitivos voluntário e ines‑

DIREITO
de mandado judicial, ou seja, de uma ordem es‑ cusável. É importante ressalvar que a prisão visa
crita e fundamentada da autoridade judiciária constranger o devedor a cumprir a obrigação, de
competente. Em algumas hipóteses é dispensável forma que pode ser decretada tantas vezes quanto
mandado judicial: a) prisão em flagrante; b) pri‑ forem necessárias. Como observa o saudoso Cel‑
são durante o estado de sítio; c) prisão durante o
so Ribeiro Bastos16 : A prisão... não visa à aplica‑
estado de defesa14 : existem dois casos: 1) por cri‑
ção de uma pena, mas tão somente à sujeição do
me contra o Estado, determinada pelo executor
da medida, comunicada imediatamente ao juiz devedor a um meio extremamente violento de
competente, acompanhada de declaração, pela coerção, diante do qual, é de presumir, cedam as
autoridade, do estado físico e mental do detido no resistências do inadimplente. A prisão civil so‑
momento de sua autuação; 2) por outros motivos mente poderá ser decretada em relação aos débi‑
que não o crime contra o Estado, não podendo ser tos alimentares atuais. A Súmula 309 do STJ ex‑
superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo plicita a atualidade do débito alimentar: “o débito
Poder Judiciário; d) prisão disciplinar: aplicável alimentar que autoriza a prisão civil do alimen‑
em dois casos: 1) transgressões militares, cujo tante é o que compreende as três prestações ante‑
permissivo legal está nos arts. 5º, LXI, e 142, § riores à citação e as que vencerem no curso do
2º, da Constituição Federal e art. 18 da Lei n. processo”. O habeas corpus só pode ser aceito para
1.002/69; 2) crimes militares próprios; e) recap‑ discutir a prisão civil do ponto de vista formal. O
tura do foragido. habeas corpus não é meio idôneo para discussão de:
–D ireitos do preso: a prisão de qualquer pessoa arbitramento da pensão; condições financeiras do
e o local onde se encontre serão comunicados devedor paciente para satisfação da dívida ali‑
imediatamente ao juiz competente e à família do mentar. Consoante entendimento do Supremo
preso ou à pessoa por ele indicada; o preso será Tribunal Federal17, a prisão civil do depositário
informado de seus direitos, entre os quais o de
infiel é inconstitucional, em qualquer modalida‑
permanecer calado, sendo­‑lhe assegurada a assis‑
de, podendo a segregação civil por dívida se dar,
tência à família e a de advogado; o preso tem di‑
apenas, nos casos de inadimplemento voluntário
reito à identificação dos responsáveis por sua pri‑
são ou por seu interrogatório policial; a prisão e inescusável de pensão alimentícia. A infidelida‑
ilegal será imediatamente relaxada pela autorida‑ de no depósito, típico ou não, bem como no exer‑
de judiciária. cício do munus de depositário judicial, não enseja,
– Liberdade provisória: ninguém será levado à assim, a medida de segregação civil. A incorpora‑
prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a li‑ ção do Pacto de São José da Costa Rica ao orde‑
berdade provisória, com ou sem fiança. A liber‑ namento jurídico pátrio com status de norma su‑
dade provisória é o direito de aguardar o proces‑ pralegal restringiu a prisão civil por dívida ao
so criminal em liberdade, com ou sem o descumprimento voluntário e inescusável de
pagamento de fiança, até o trânsito em julgado da prestação alimentícia. Com isso, concluiu aquela
sentença final. Corte Suprema que os tratados internacionais de
– Prisão civil15 : não haverá prisão civil por dívida, direitos humanos que tratam da matéria derroga‑
salvo a do responsável pelo inadimplemento vo‑ ram as normas infralegais autorizadoras da custó‑
luntário e inescusável de obrigação alimentícia e dia do depositário infiel.

14
�Art. 136, �§ 3º – Na vigência do estado de defesa: I – a prisão por crime contra o Estado, determinada pelo executor da medida, será por este comunicada imediata‑
mente ao juiz competente, que a relaxará, se não for legal, facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial; II – a comunicação será acom‑
panhada de declaração, pela autoridade, do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação; III – a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá
ser superior a dez dias, salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário; IV – é vedada a incomunicabilidade do preso.
15
MESSA, Ana Flávia. Prisão e liberdade. Verbo jurídico, 2008.
16
BASTOS, Celso Ribeiro. Comentários à Constituição do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1989. v. 2.
17
Recurso Extraordinário n. 466.343/SP – 2008.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 97 22/3/2012 16:00:17


98 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

– Assistência jurídica integral: o Estado pres‑ nal (art. 159 do Código Civil vigente à época da
tará assistência jurídica integral e gratuita aos que demanda), quer à luz do art. 37, § 6º, da CF, so‑
comprovarem insuficiência de recursos. O órgão bressai evidente, já que há causalidade entre o
incumbido para exercer tal assistência é a Defen‑ faute du service, na expressão dos doutrinadores
soria Pública. A assistência jurídica integral aos franceses, e o sofrimento e humilhação experi‑
necessitados, garantia de dignidade constitucio‑ mentados pelo réu19.
nal, tem por desiderato possibilitar o acesso à Jus‑ –G  ratuidade: a) são gratuitas as ações de habeas
tiça aos economicamente hipossuficientes, sendo corpus e habeas data; b) são gratuitos, na forma da
de rigor a observância dos preceitos legais afir‑ lei, os atos necessários ao exercício da cidadania;
mativos dessa franquia democrática18. É garantia c) são gratuitos para os reconhecidamente po‑
constitucional a assistência jurídica integral aos bres, na forma da lei: o registro civil de nasci‑
necessitados, desde que comprovada a condição mento e a certidão de óbito.
de pobreza. Deve o Estado prestar assistência,
– Celeridade processual: a todos, no âmbito ju‑
desde que haja simples afirmação do estado de
dicial e administrativo, são assegurados a razoá‑
pobreza; seu deferimento de ofício, pelo juiz ou
vel duração do processo e os meios que garantam
Tribunal, configura julgamento extra petita. A Lei
a celeridade de sua tramitação: a composição do
n. 1.060/50 regulamenta o benefício da justiça
litígio no menor tempo possível não pode com‑
gratuita, que pode ser deferido em qualquer fase
do processo, inclusive na execução com reconhe‑ prometer o acerto da decisão, no sentido de des‑
cimento, de ofício, em qualquer grau ou fase de viar o processo de uma solução prática, justa e
jurisdição, sem que se possa falar em desrespeito serena. No contexto de realizar a justiça no caso
à coisa julgada. Aqueles que comprovarem a insu‑ concreto através de uma jurisdição eficiente e
ficiência de recursos ficarão isentos do pagamen‑ efetiva, é possível enumerar, de forma sugestiva,
to das despesas processuais e honorários advoca‑ os 10 mandamentos para assegurar às pessoas o
tícios. O benefício alcança todos os atos do ideal do processo célere: a) evitar formalismos
processo até decisão final do litígio, em todas as excessivos; b) aproximar o processo da realidade
instâncias. O beneficiário da assistência jurídica social; c) preservar as garantias formais funcio‑
gratuita, embora isento do pagamento de custas e nais e coerentes; d) conformar com as normas
honorários advocatícios, não está desobrigado constitucionais; e) interpretar as regras proces‑
dos ônus da sucumbência, se vencido na deman‑ suais à luz dos princípios constitucionais e direi‑
da, devendo arcar com as despesas realizadas pela tos fundamentais; f) melhorar o aparelhamento
parte contrária. das instituições estatais, especialmente às ligadas
à justiça; g) atender aos anseios reais dos cidadãos
– I ndenização do Estado: o Estado indenizará o
em geral, no sentido de garantir o resultado dese‑
condenado por erro judiciário (ex.: considerar os
jado, ou seja, resguardar o direito material; h)
registros criminais de pessoa diferente do réu
simplificar a rotina processual com gestão do Ju‑
para fins de fixação de pena), assim como o que
ficar preso além do tempo fixado na sentença. A diciário renovada, planejada e estruturada; i) atu‑
prisão injusta revela ofensa à honra, à imagem, alizar a mentalidade dos operadores do Direito; j)
mercê de afrontar o mais comezinho direito fun‑ atingir um resultado útil e congruente com o mí‑
damental à vida livre e digna. Avaliar se houve ou nimo de dispêndio de tempo e energias, de forma
não erro judiciário enseja reexame de provas, a obter o máximo rendimento com o mínimo de
sendo inviável em recurso especial (Súmula 7 do prejuízo20.
STJ). A prisão ilegal por lapso temporal tão ex‑
cessivo, além da violação do cânone constitucio‑ 3. Direitos Coletivos
nal específico, afronta o Princípio Fundamental Direito à informação: o direito de informar,
da República Federativa do Brasil, consistente na como aspecto da liberdade de manifestação de pensa‑
tutela da Dignidade Humana. A responsabilidade mento, revela­‑se um direito individual, mas já contami‑
estatal, quer à luz da legislação infraconstitucio‑ nado no sentido coletivo, em virtude das transformações

18
REsp 245663/MG – Rel. Min. Vicente Leal, 2000.
19
Resp 427.560/TO, DJ, 30-9-2002, Rel. Min. Luiz Fux.
20
MESSA, Ana Flávia. Algumas considerações sobre a busca do processo efetivo no contexto das reformas processuais civis. Terceira etapa da reforma do Código de
Processo Civil. Estudos em homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Bahia: Editora Jus Podivm, 2007.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 98 22/3/2012 16:00:17


DIREITO CONSTITUCIONAL 99

dos meios de comunicação, que especialmente se con‑ pouso semanal remunerado, o gozo de férias anuais, a
cretiza pelos meios de comunicação social ou de massa; licença à gestante e a licença­‑paternidade (incisos XV e
a CF acolhe essa distinção, no capítulo da comunicação XVII a XIX).

CONSTITUCIONAL
(arts. 220 a 224), preordena a liberdade de informar 5. Proteção dos trabalhadores: a) inciso XX,

DIREITO
completada com a liberdade de manifestação do pensa‑ proteção ao mercado de trabalho da mulher; b) inciso
mento (art. 5º, IV). XXII, forma de segurança do trabalho; c) inciso XXVII,
Liberdade de reunião: todos podem reunir­‑se proteção em face da automação, na forma da lei; d) inci‑
pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, so XXVIII, seguro contra acidentes de trabalho. Cabe
independentemente de autorização, desde que não frus‑ observar que os dispositivos que garantem a isonomia e
trem outra reunião anteriormente convocada para o não discriminação (XXX a XXXII) também possuem
mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autori‑ uma dimensão protetora do trabalhador.
dade competente. 6. Direitos relativos aos dependentes do tra‑
Liberdade de associação: é plena a liberdade de balhador: assistência gratuita aos filhos e dependentes
associação para fins lícitos, vedada a de caráter paramili‑ do trabalhador desde o nascimento até 6 anos de idade
tar. A criação de associações e, na forma da lei, a de co‑ em creches e pré­‑escolas.
operativas independem de autorização, sendo vedada a
7. Participação nos lucros e cogestão: diz­‑se
interferência estatal em seu funcionamento; as associa‑
que é direito dos trabalhadores a participação nos lucros,
ções só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter
ou resultados, desvinculada da renumeração, e, excep‑
suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo­
cionalmente, a participação na gestão da empresa, con‑
‑se, no primeiro caso, o trânsito em julgado; ninguém
forme definido em Lei (art. 7º, XI).
poderá ser compelido a associar­‑se ou a permanecer as‑
sociado; as entidades associativas, quando expressamen‑ 8. Jornada de trabalho: duração do trabalho
te autorizadas, têm legitimidade para representar seus normal não superior a oito horas diárias e quarenta e
filiados judicial ou extrajudicialmente. quatro semanais, facultada a compensação de horários e
a redução da jornada, mediante acordo ou convenção co‑
letiva de trabalho; jornada de seis horas para o trabalho
4. Direitos sociais realizado em turnos ininterruptos de revezamento, sal‑
Direitos dos trabalhadores vo negociação coletiva.
1. Direito ao trabalho e garantia do empre‑ 9. Adicional: remuneração do serviço extraordi‑
go: a garantia de emprego significa o direito de o traba‑ nário superior, no mínimo, em cinquenta por cento à do
lhador conservar sua relação de emprego contra despe‑ normal; adicional de remuneração para as atividades pe‑
dida arbitrária ou sem justa causa, prevendo uma nosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; remune‑
indenização compensatória. É direito seguro­ ração do trabalho noturno superior à do diurno;
‑desemprego, em caso de desemprego involuntário. 10. Igualdade: de direitos entre o trabalhador
2. Direitos relativos à fixação do salário: sa‑ com vínculo empregatício permanente e o trabalhador
lário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, avulso.
capaz de atender às necessidades vitais básicas e da famí‑ 11. Aviso prévio: proporcional ao tempo de ser‑
lia, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, viço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei.
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com Quando uma das partes deseja rescindir, sem justa cau‑
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisiti‑ sa, o contrato de trabalho por prazo indeterminado. É a
vo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim; piso comunicação da rescisão do contrato de trabalho por
salarial proporcional à extensão e à complexidade do uma das partes.
trabalho; garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, 12. Aposentadoria: a) por idade: deve ser con‑
para os que percebem remuneração variável; décimo cedida aos homens com 65 anos de idade e, às mulheres
terceiro salário com base na remuneração integral ou no com 60 anos de idade, exceto no caso dos trabalhadores
valor da aposentadoria. rurais, para os quais esses limites são de 60 e 55 anos,
3. Direitos relativos à proteção do salário: respectivamente; b) por tempo de contribuição:
irredutibilidade do salário, salvo o disposto em conven‑ 30 anos para mulheres e 35 anos para homens; c) por
ção ou acordo coletivo; proteção do salário na forma da invalidez: o segurado que, estando ou não em gozo de
lei, constituindo crime sua retenção dolosa. auxílio­‑doença, é considerado incapaz para o trabalho, e
4. Direitos relativos ao repouso e à inativi‑ insuscetível de reabilitação para o exercício de atividade
dade do trabalhador: a Constituição assegura o re‑ que lhe garanta a subsistência.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 99 22/3/2012 16:00:17


100 POLÍCIA FEDERAL - DELEGADO E AGENTE

13. Reconhecimento das convenções e acor‑ diciais ou administrativas; IV ­– a assembleia geral fi‑
dos coletivos de trabalho: Convenções são firmadas xará a contribuição que, em se tratando de categoria
entre entidades sindicais e acordos coletivos de trabalho, profissional, será descontada em folha, para custeio
feitos entre entidades sindicais e empresas visando esta‑ do sistema confederativo da representação sindical
belecer condições de trabalho aplicáveis no âmbito de respectiva, independentemente da contribuição pre‑
representação das partes envolvidas. vista em lei; V ­– ninguém será obrigado a filiar­‑se ou
14. Ação, quanto a créditos resultantes das a manter­‑se filiado a sindicato; VI ­– é obrigatória a
relações de trabalho, com prazo prescricional participação dos sindicatos nas negociações coletivas
de cinco anos para os trabalhadores urbanos e de trabalho; VII ­– o aposentado filiado tem direito a
rurais, até o limite de dois anos após a extinção votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII ­–
do contrato de trabalho; é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
15. Trabalho proibido: proibição de trabalho partir do registro da candidatura a cargo de direção
noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e ou representação sindical e, se eleito, ainda que su‑
de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo plente, até um ano após o final do mandato, salvo se
na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; cometer falta grave nos termos da lei.
16. Fundo de garantia do tempo de serviço: 2. Direito de greve: é assegurado o direito de
no início de cada mês, os empregadores depositam, em greve, competindo aos trabalhadores decidir sobre a
contas abertas na CAIXA, em nome dos seus emprega‑ oportunidade de exercê­‑lo e sobre os interesses que de‑
dos e vinculadas ao contrato de trabalho, o valor corres‑ vam por meio dele defender. A lei definirá os serviços
pondente a 8% do salário de cada funcionário. ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento
17. Salário­‑família pago em razão do depen‑ das necessidades inadiáveis da comunidade. Os abusos
dente do trabalhador de baixa renda nos termos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei.
da lei: Benefício pago aos segurados empregados, exce‑ 3. Direito de substituição processual: consis‑
to os domésticos, e aos trabalhadores avulsos com salá‑ te no poder que a Constituição conferiu aos sindicatos
rio mensal de até R$ 752,12, para auxiliar no sustento de ingressar em juízo na defesa de direitos e interesses
dos filhos de até 14 anos de idade ou inválidos de qual‑ coletivos e individuais da categoria.
quer idade. A Previdência Social não exige tempo míni‑ 4. Direito de participação laboral: é direito
mo de contribuição. coletivo de natureza social (art. 10), segundo o qual é
18. Direitos dos trabalhadores domésticos: assegurada a participação dos trabalhadores e emprega‑
Parágrafo único ­– São assegurados à categoria dos dores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos inci‑ interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto
sos IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, de discussão.
bem como a sua integração à previdência social. 5. Direito de representação na empresa:
Direitos coletivos dos trabalhadores está consubstanciado na art. 11, segundo o qual, nas
empresas de mais de 200 empregados, é assegurada a
1. Liberdade de associação ou sindical: são
eleição de um representante destes com a finalidade
mencionados no art. 8º dois tipos de associação: a
exclusiva de promover­‑lhes o entendimento direto
profissional e a sindical; a diferença é que a sindical é
com os empregadores.
uma associação profissional com prerrogativas espe‑
ciais. É livre a associação profissional ou sindical, ob‑
servado o seguinte: I ­– a lei não poderá exigir autori‑ 5. Nacionalidade
zação do Estado para a fundação de sindicato, 1. Conceito: é o vínculo jurídico­‑político que une
ressalvado o registro no órgão competente, vedadas uma pessoa a determinado Estado soberano. O vínculo
ao Poder Público a interferência e a intervenção na possui duas características: a) político: permite integrar
organização sindical; II ­– é vedada a criação de mais a pessoa na dimensão pessoal do Estado, de forma a criar
de uma organização sindical, em qualquer grau, re‑ uma identidade qualitativa na coletividade; b) jurídico:
presentativa de categoria profissional ou econômica, implica a sujeição da pessoa a direitos e obrigações.
na mesma base territorial, que será definida pelos tra‑ 2. Direito à nacionalidade: o artigo XV da De‑
balhadores ou empregadores interessados, não poden‑ claração Universal dos Direitos do Homem prescreve
do ser inferior à área de um Município; III – ao sin‑ que toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. Dessa
dicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos forma, toda pessoa tem direito a um status em face do
ou individuais da categoria, inclusive em questões ju‑ Estado soberano, podendo ser nacional ou estrangeiro.

Policia Federal - Delegado e Agente 053-134.indd 100 22/3/2012 16:00:17


DIREITO CONSTITUCIONAL 101

O direito à nacionalidade é direito humano, já que reco‑ estar a serviço do país de origem (diplomático,
nhecido no âmbito internacional e previsto em docu‑ consular ou público).
mentos internacionais. O direito à nacionalidade é direi‑

CONSTITUCIONAL
to fundamental, pois é qualidade inerente à pessoa, 7.2 Nascidos fora da República Federativa do Brasil

DIREITO
reconhecida no âmbito interno. A existência de apátri‑ a) Regra: estrangeiros.
das configura uma exceção. b) Exceção: ser brasileiro nato; será desde que