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EFEITOS DA APLICAÇÃO FOLIAR DE SUBSTÂNCIAS HÚMICAS NA CULTURA

DO MILHO (Zea mays (L.))

Engenheiro Agrônomo MSc Cleyton S. Domingos


Engenheiro Agrônomo MSc Leonardo Régis Pereira
Engenheiro Agrônomo Thiago P. de Oliveira

Segundo levantamento da safra brasileira de grãos 2014/15 divulgado em


setembro pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), as colheitas
alcançaram a produção de 84,304 milhões de toneladas em 15,7 milhões de hectares
cultivados (CONAB, 2015).
De acordo com Kelting (1997), existe um grande aumento no uso de
bioestimulantes na agricultura por possuir princípio ativo ou agente orgânico isento de
substâncias agrotóxicas, capaz de atuar, direta ou indiretamente, sobre o todo ou
parte das plantas cultivadas, elevando não a produtividade.
Diante disso, levantou-se a hipótese de que a aplicação via foliar de produtos à
base de substâncias húmicas (ácidos húmicos e fúlvicos) aumentariam a produtividade
da cultura do milho.

MATERIAIS E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no campo (S 23°56'28.59" e WO 51°18'20.19”) no


Sítio Novo Horizonte, localizado em Faxinal, PR com altitude média de 980 metros.
O híbrido de milho utilizado foi o Pionner 30F53 Y, semeado em 03/10/2013 em
um espaçamento de 0,50 m entre linhas e colocando-se em média 4 sementes por
metro, a uma profundidade de semeadura de 2 a 3 cm. Fez-se adubação química
durante a semeadura, utilizando-se 400 kg ha-1 do formulado 10-15-15 + Micros.
Como fonte de substâncias húmicas foi utilizado o produto Fortgreen BlackGold®
que contem 16,7% de ácidos húmicos, 1,3% de ácidos fúlvicos, 0,5% de nitrogênio e
14,0% de carbono orgânico total.
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, divididos em
4 tratamentos (T1 – testemunha; T2- Black Gold 1,5 L/ha aplicado em V4; T3 - Black
Gold 3,0 L/ha aplicado em V4 e T4 - Black Gold 4,5 L/ha aplicado em V4) e cinco
repetições, totalizando 20 parcelas experimentais com área útil, colhida para a
mensuração da produtividade de 5,4 m2.
Em cada parcela foram colhidas cinco espigas para a realização da contagem do
Número de Fileiras (NF) e o Número de Grãos por Fileiras (NGF). Após a colheita
avaliou-se também a Massa de Mil Grãos (MMG).
Os dados obtidos foram submetidos à análise da variância e quando
significativas às diferenças entre as médias (Teste F), estes foram comparados pelo
Teste Scott Knott (1974) ao nível de 10% de probabilidade, utilizando o software
SISVAR (FERREIRA, 2008). Para a produtividade submeteu-se os dados a uma
análise de regressão polinomial (P<0,05).

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Após a realização da análise estatística, observou-se que houve diferença


significativa para a variável NFE, NGF e P, já para MMG não se observou diferença
estatística entre os tratamentos.
De acordo com o Quadro 1, o tratamento 4 foi responsável pelo maior valor
obtido da variável NFE (18), diferenciando estatisticamente dos demais tratamentos
que apresentaram o mesmo resultado. Nota-se que para o NGF, o tratamento 4
apresentou o melhor resultado (38,5), sendo igual estatisticamente ao tratamento 3, e
ambos diferentes aos tratamentos 2 e 1, o qual apresentou o menor resultado (34,3).

Quadro 1: NFE, NGE, MMG e P de milho obtida na avaliação do uso de


micronutrientes e produtos bioestimulantes aplicados via foliar. Faxinal, PR. Safra
2013/14.
Dose MMG P Incremento
Tratamentos NFE NGF
(L/ha) (g) (kg/ha) (%)
1-Testemunha -- 16,0 a 34,3 a 367,5 a 10.753,1 b ---
2-Black Gold 1,5 16,0 a 35,8 a 384,5 a 11.948,3 a +11%
3-Black Gold 3,0 16,0 a 37,8 b 376,3 a 11.357,8 a +6%
4-Black Gold 4,5 18,0 b 38,5 b 357,1 a 10.542,2 b -2%
CV (%) 2,17 2,41 3,67 3,83
Médias seguidas da mesma letra na coluna não diferem significativamente entre si, pelo Teste T (LSD) (p ≤ 0,10).

Para a MMG, os resultados obtidos não apresentaram diferenças estatísticas,


onde o tratamento 2 foi responsável pelo maior valor (384,5) e o tratamento 4 teve o
menor valor (357,1), e esses resultados se repetiram para a produtividade final, no
qual o tratamento 2 apresentou o melhor resultado, com uma produção final de
10.948,3 kg ha-1, valor esse igual a 199,1 sacas de milho por hectare, apresentando
um incremento de 19,9 sacas por hectare ou 11% em relação a testemunha. Para
essa variável o tratamento 4 foi responsável pelo menor valor, com uma produção final
de 175,7 sacas por hectare.
De acordo com as condições comerciais do produto BlackGold na região e
considerando o preço do saco de milho em R$ 20,00 realizou-se uma análise de custo
e na Figura encontra-se os gráficos com a rentabilidade líquida para cada tratamento.

Figura 1: Rentabilidade líquida na cultura do milho referente às diferentes doses de


substâncias húmicas e fúlvicas aplicadas em V4.
CONCLUSÕES

A aplicação de substâncias húmicas e fúlvicas na dosagem de 1,5 L/ha em V4


proporcionou a maior produtividade e rentabilidade líquida quando comparado com as
demais dosagens.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Acompanhamento da safra


brasileira: Grãos safra 2012/2013. Set. 2015. Disponível em
<http://www.conab.gov.br> Acesso em: set de 2015.

FERREIRA, D.F. SISVAR: um programa para análises e ensino de estatística. Revista


Symposium, Lavras – MG, v.6, p.36-42, 2008.