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H�viPO I CPDOC I

CPDOC

M��ia Celi.r,j S0ar�� Drlr��jo


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FUIIDICãO GETULIO VIRGIS


CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAçAO DE
HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL

RIO DE JANEIRO
PD
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'FUNDAÇÃO Gf.TÚLlO VARGAS


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INOIPO I CPOOC
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c P D O C

D!LEMA3 DOS PARTIDOS CLASSISTAS

FUNDAÇlo GETOLIO VARGAS

CEN�RO DE PESQUISA E DOCUMENTAÇlo DE

HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA DO BRASIL

RIO DE JANEIRO

1991
Coordenação e ditorial: Cristina Mary Paes da Cunha

Revisão de texto: Dora Rocha Flacksman

Datilografia: Mircia de A z e v e d o Rodrigues e

Dulcinéa Domingues de Souza

A663p

AraGjo, Maria Celina SOdres d'.


O Partido Trabalhista Brasileiro e os ãilemas
dos partidos classistas/Mdria Celipa Soares d'
AraGjo. Rio de Janeiro: CPDOC, 1991.

46 f. - (Textos CPDOC)

Bibliografia: f. 42-44

1. Trabalhismo - Brasil. 2. Partido Trabalhis


ta BrasileiLo. I. Centro de Pesquisa e Documen=
tação de Hist6ria Contemporânea do Brasil. 11.
Título.

CDD 329.981
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SUMÁ R I O

1. O TRABA L H I SMO N UMA RETROSPECTIVA EURO-AM E R I CANA 03

- I nglat erra : o par t i do trabalhis t a co�o federação


de s i n d ica t os 05

- Alemanha : a van guarda partidária no trabalhismo 12

- Estados Uniõos: o trabalhismo sem p a r t ido 22

2. O TRABALHI SMO NO BRAS I L 28

- Relações entre sindicatos e par t id os 30

- Integração e incorporAç5c da classe trabalhadora 34

- Trabalhismo e controle gov�rnampntal 36

3. CONCLUSCES 38

BIBLIOGRAFIA 42
o antigo Partido Trabalhista Brasil�iro (PTB) criado em

1945 foi, nos anos que se sucederam até 1965, um dos três maiores

partidos nacionais ao lado do Partido Social Democrático (PSD) e da

União Democrática Nacional (UDN).

Nos últimos anos surgiram vários estudos sobre o antigo

PTB, mas o proje to polí t i co traba l h ist a subj ac � nte a pr op o st a do

parti.do continua pouco examinado. 1 Embora a proposta trabalhista no Bt:asil

não fo s s e tema cativo do PTB, este partido, mais do que qualquer

outro, esteve a ela associado. Essa associação deccrre de várias

razões: associação à imagem de Getúlio Vargas, particularm�nLe va-

lorizada por sua mística de patrono das leis s o ci ai s ; f i l i a ção

prática e às propostas de intermediação e ntr e interesses sindisais

e intEresses do governo; formulação interna de uma idEologia nacio-

nal.-reformista, e, finalmente, a rt icul a ç ão pQIÍtica com lideran-

ças e entidades de trabalhadores para forta lecer a po lí ti c a de mas-

sas empreendida pelo partido.

Esses fatores articulados forjaram o projeto tra'::>alhista

brasileiro e alimentam a hi pótese de que, enquanto movimento po lí -

tico-partidário, ele esteve mai s articulado com um projeto global

1. Os trabal hos especí ficos sobre o PTB são: Migu el Bodea, Traba­
lhismo e populismo: o caso do Rio Grande do Sul (1984); Maria
Victoria de Mesquita Benevides, O PTB e o tra b a lh i smo : pa�tido
e sindicato em são Paulo (1989); Lucília de Almeida Neves Del­
gado, O PTB do getulismo ao reformismo (1945-1964), (1989); Vir­
gínia Maria Cristina pellegrini, O PTB em são Paulo (1945-1964) ,
(1989); e Maria Celina Soares D' Araújo, A ilusão trabalhista: o
PTB de 1945 a 1965, (1989).
02

de política nacional ditado pelo alto do que com um projeto especí­

fico de organização, participação e defesa dos trabalhadores.

A aceitação dessa hipótese nos leva a pensar outros ca-

minhos possíveis para a incorpor.ação dos trabalhadores ao processo

político. Torna necessário também sair dos marcos de nossas fron­

teiras para pensar outras experiências de projetos trabalhistas que

incluíram a formação de organizações político-partidárias de traba­

lhadores.

A grande maioria dos países industriais passou por essa

experiência, e o Brasil acompanhou, ainda que tardia e diferencidd�

mente, a dinâmica dos tempos. Ou seja, a industrialização, em ge··

ral, se deu paralelamente à formação das classes trabalhadoras mo-

dernas, que participaram desse processo reivindicando direitos e

garantias compatíveis com as transformaçôes das institulçôes polí­

ticas e econômicas, e convertendo-se DO mp.smo tempo em âgentes im-

portantes de D s a s transformações. A organ i zação sindical, o surgi-

mento de partidos socialistas e trabalhistas Dão i •• dicadores dessa

situação, mas a forma como se desenvolveram as relações entre lllovi­

mento operário, sindicato, part i do, classe trabalhadora e governo

teve um grau de diferenciação bastante p.levado.

Nesse sentido, tor.na-se necessário explicitar certos pa­

drões que regeram essas relações, e para tanto tomaremos dois exem­

plos clássicos de palses europeus - InglDterra e Alemanha -, aos

quais será agregado o caso norte-americano. Ao fa«ê-Io, não temos

nenhuma pretensão de encontrar um modelo que corresponda exatamen-

te ao movimento e à política trabalhista no Brasil. Por outro la-

do, seria ingênuo supor que o modelo brasileiro pautou-se por uma

total inovação e originalidade. Nosso objetivo portanto é encon-


03

trar e m outros exemplos h i stór i cos aspe ctos que a j udem a compr e e n ­

s ã o da e xper i ê n c i a do p a r t i d o trabalh i sta ma i s i mportante do Bra­

s i l até o g olpe m il i tar de 1964.

1. O TRABA L HISMO NUMA RETROSPECTIVA EURO-AM E R I C A N A

De m o d o g e r al , t e n d e - s e a def i n i r mov i m e nto traba l h i s ta

como s e n d o esse n c i almente um c o n j unto de at i v i dades dos trabalhado­

res em so c i e da d es i ndustri a i s , v i s a n d o a melh o r i a de suas c o nd i çõ e s

de v i d3 e de trabalh o . Dessa ati v i dade resulta , em t e r m o s inst i tu­

c i o n a i s , a formaç ã o de s i n d i c atos , cooperat i v as e outros órg ãos de

c l asse , assim como a for mação de pa rtidos pol í t i cos . Estes têm va­

ri ado no est i lo de atuação política e na adoção de l i nhas i d eoló-

g i c as . Assi m , alguns p a r t i d o s de tra balh adores , ou que se propõem

representi-los , e l eg em a atuação p a rlamentar como locus pr ivileg i a-

do para as conquistas traba l h i stas dentro d e uma persp e ctiva de

aperfe içoamento d a ordem soc i a l . P a r a outros , essas conqui stas de-

v e m dar-se sob d i r etrizes i d e ológicas c u j os proj etos , alim de in­

cluir a defesa dos i nteresses da classe , visem uma r e formulação g e ­

ral d a sociedade , ta r e fa esta que é freqüentemente asso c i a d a a um

id e a l r e voluc i on ir i o.

Tão i m p o rtante quanto a direção i de ológ i c a assum i d a pelo

movime nto é a i n t e r ação c r i a d a entre trabalh adores e s i nd i catos , as

s i m c omo as relações destes com os seus part i d os . Par alelamente ,

hi que c o n s i d erar o papel desses par t i d os dentro d a pol í t i c a i n st i ­

tuc i o n a l e d e que f o rma eles têm c olaborado n a f ormação d e um pro­

ces so de d esenvolv i m e nto ass o c i ado à democ r ac i a .


Visto is s o , três dim e n s õ e s d evem mere cer especial desta-

que . A EEimGira d i z respeit o à din âmi c a d a s relações políticas e n -

tre sindic a t o e p artido . A s e g u n d a re fere - s e à i n s e rção d e s s e mo-

vimento nas r e l ações de poder , ate ntando n e s s e caso para o tipo d e


2
in t egração, que pode s er tanto positiva quanto n e g ativa . A esse
3
respeito , s e g u n d o S c h w e 1· n 1· t z , d epen d e n d o d a f orma d e inserção d o s

trabalh adores n o j o g o pol í tico d e um sist ema indu strial, o prod uto

para o f u t uro democrá tico da sociedade pode ser qualit a t ivamen t e d i -

f ere nte . S e o crescime n t o e c onômic o tem g erado ben e f í cios divers l

ficados , t e m sido também f o n t e de con f l i to . A f orma d e g er i - l o de

modo a man t e r a ordem pode variar de uma política de con t role per-

missivo até o c o n t ro l e a u t ori t ár i o por part e do govern o .

S c hwe i nitz e n t e n d e por c o ntrole permis s i vo a situação na

qual a questão trabalhista está sob um c o n t role winimo do governo,

em que os trabalh a d ores formam s o c i edades , sind ica t o s e part i d os e

os u s am visando a d e f e s a d e seus interes s e s , ainda que existam res-

tr ições leg ais e c o er c i tivas q u a n t o ao uso des ses i n strumentes . Por

out ro lado , o c o n t role a u t orit ári o e stá remet i do à s i t u ação n a qual

o governo controla dire t ame nte a questão d o t rabalh o . Os modelos

inglês, amer i c ano e f r a n c ê s são , para e s s e aut or, exemp los de um

controle permissivo - d i f e r e nte da Rússia , por exempIo - e são t am-

bém exemplos de democracias bem s u c e didas . A ques t ã o para ele é,

portan t o, como res o l ver o pro b l em a da dis t r ibuição sem prejudicar a

a cumulaçã o e s em impedir a d emocra c i a .

2 . G u e n t her Roth, 1979.

3 . Karl Schweinitz Jr . , 1964.


05

A preoc upação de Schweinitz com a questão democrática e

fundame n t al , e nesse sentido ele n o s apre s e n t a claramente urna ter-

ceira dime n s ã o a ser con sid erada , ou se j a , o tipo de con t role que o

governo in s t itui sobre os movime n t o s trab a l histas e as implicaçõ es

desse cont role.

Perseguindo e s s a s trê s dime n s ões, serão s umariad a s algumas

experiências his tóricas reconh ecidamente sig nificativas com vista o

o b j e tivo d e re t e r aqueles elementos que nos pareçam mais pertin e n -

tes para o estudo d o PTB e do t r a b a l hismo brasil eiro .

I nglaterra: o partido trabal h i sta corno federação de sindicatos

Desde o final do s�culo XVIII, a Ing l a t erra con t ava com um

forte movimento de trabalhad ores em c u j a agenda se colocava priori-

tariamente a questão d a participação pol í ti ca . A influência do

radic a l ismo f r ancês , ass ociada às tradições obr iras de inconformis

mo , de ideal de cid a d ã o inglês e d e motim plebeu , iria, segundo


4
Thompson , precipitar a agitação d aq u e l es tempos .

A l iberdade de consciência e a tradição associativa , valo-

res herdados do passado , permitiram que se e fetuassem articulações

entre os trabalhadores , apesar dd inte n s a repre s s ã o do governo .

Thompson observa que o associativismo , a r eligião , os protestos e a

repressão tiveram urna f unção e d ucadora d a maior importância para a

classe operária , pois a impeliram a inovações n a s f ormas organiza-

4 . E. P. Thomps o n , 1 97 7 .
06

t ivas e à pr e s erva ç ão de t r adições própr i a s . A atividade sindical

f o i c l a rame n t e um produ t o d e s s a e x p e riência .

o mov i me n t o de t r abalhado r e s n a I ng l at e r r a n ã o f oi t ã o f o r

t e a pon t o d e comprome t e r o proc es s o d e a cumulação , mas , de out r a

pa r t e , f oi f o r t e o bas t a n t e pa r a abalar a capacidade d o g overno de


" 5
f 1, x a r - s e em r e g r as n a
- o d emo c r a t 1 c as . Es t a in t e rp r e t a ç ã o de Sch wei

n i t z é c o e r e n t e com a de Thomps o n quando a firma qua a presença da

class e t r ab a l h adora r ep r e s e n t ou o fenôm e n o pol í t i c o mais impor t ah t e

n a I n g l a t e r r a e n tt:e ine ados dos sécu l o s X V I I I e X I X , pois que f o ram

os próprios t r a b a 1 h adot:es que , n o s p r i mó rdios da indus t t: i a l iza ç ã o

ing l esa , c o n t ribu í r am dec i sivamente pa r a molda r a cara e o feitio

da burgues i a e das i n s tit uições pol í t i c as b r i t án i c a s .

p a r a l e1ame � t e à org a n i za ç ã o sindic a l , a Ingl a t erra v i ven -

ciou dur an t e o século XIX dema ndas sucessi vas dos traba1h ad�t:es p o r

maiores dire itos polí t i c o s , c omo f o i o c aso do cartismo, Não obs-'

t an t e isso , a influên cia socialis ta ne s s e pa í s n50 esteve, como na

A l em a n h a, t ão próxima dos s i nd i c a tos . Se h avia um interesse cada

vez ma i s man i fe s t o das ot:ganizações sindicais no s e ntido de se f a-

zen'm repr e s e n t a r dir e t amen t e n o parlamen t o - de f o rma independen-

t e - e de , a t r avés dessa r epresent a ç ão, lut a r por mais c onqui stas

pa ra os t rabalhado r e s ot:ga nizados , n ã o é vet:dade que uma ideologia

s o c i al i s t a a c ompan h asse pat:i-pa ssu esse movime n t o . A rig or , as vá-

t:ias organizações s o c i alistas que sut:g i r am na I n g l a t et:ra n o sécu l o

X I X estavam mais pt:óximas d a s cla s s e s médi a3 e dos i n t e l e ctuais do


6 t odav i a , ser
que dos t t:abalhado r e s . Sua impot:t â n c i a n ã o pode ,

5 . Kat'l Schwe i nitz J r . , 1964 .


6 . Hent:y P ellin g , 1 965 .
07

m in i m iz a da na criação do Labour P ar ty . Ou se j a. os dois movimen-

tos. o sindical e o socialista. vão encontrar seus pontos de con-

tato. o que seri cru cial para o formato Gltimo da c ri a ção de um

partido trabalhista.

Ambos concordavam. com maior ou menor ênfase. que os tr3-

balhadores precisavam de um canal p ró prio de representação par la·-

mentar. As dificuldades para tanto levaram a que. na segu'lda me-

tade do sé cul o XIX • se solidificasse também a aliança com o Par­

tido Liberal. agremiação m3is permeivel is demandas do labour move-

ment. consagrando com isso uma fórmula eleitoral conhecida como

L ib L a b
- . Por out r o lado. 6s esforços do P arti do Conservador tam-

bém foram grandes no sent i do de apresentar um programa re formista

que absorvesse as amb i ç 5 es do mov i m en t o trabalhisLa. Esta ofensi-

vai associada ã postu�a do Partido Conservedor de se mBnter como

porta-voz maior de uma pr. op o s t a ideológica só} iela de cnfx-entamento

das novas questões dentro de uma v i s ã o conservadora de coes�o e ele

ordem social. sera fundamental para explicar o fato de que praticc

mente metade da votação desse partido tenha advilldo. i:lté recente-

mente. das classes trabalhadoras. que constituem cerca de dois ter-

ços de eleitorado. Isso significa que. desse contingente. um ter-

ço em tradicionalmente votando com os conservadores.7 1\ inclina--

ç�o dessa parcela dos trabalhadores pelo voto c o n se r v ado r não des­

c aract er i z a contudo o significado elo L a bo ur P arty enquanto par-tidO

trabalh is t a de bases sindicais e com orientação socialista refor­

mista.

7. Robert Mckenzie e Allan Silver. 196 7 .


08

o surgi.mer.::o do Labour Party está circunscrito ao período

que caracteriza a moderna história eleitoral inglesa, que começa a

partir de 1886, a pó s o 32 Ato da Reforma de 1884 e a redistribuição

de cadeiras em 1885, que fazem vigorar as premissas de na cada um,

um voto'l e lia cada voto o mesmo valor':. o mó vel maior para a cria-

ção do pa rt i d o foi a insistência com que v á r io s líderes trabalhis­

tas, principalmente Keir Hardie e Henry Hyndman, defenderam a idiia

de uma representação a u t 6 n o m a para sua classe. Essa autonomia nao

dizia respeito apenas a um organismo político, mas tambim a ques-

tõe s finan c e i r a s . Estava em jogo principalment. o desDfio de que o

movimento co nse g uis s e arrecadar f u n do s para suas c a m p a nh as eleito-

r ai s para sustentar seus r epr ese nt a n t e s no Congresso, deixando,

com isso, de depender dos outros partijos existentes.

Em l i n has gerais, portanto, o partido trabalhista i ngl ê s

originou-se da ütiva propaganda socialista no s b cul o XIX e da ne-

cessidade de complementar as atividades sindicais e grevistas com a

ação par'lamentar.8 várias iniciativas foram tOP.lauê:s nesse sent.i.­

do, sendo as mais importantes, du ponto de vista da atuação sindi­

cal, a criação, em fins do siculo, do Trade Unior: Congress e do La-

bour Representation Committee. Este último, criado em 1900, foi o

embri.ão do Labour party, criado em 1906, enquanto o primeiro con­

tinuou como expressão maior da articulação sindical em nlvel fede­

ral, reunindo-se a n u a l m e n t e para definir as d i r e triz e s da atuação

do partido.

Para a formação do Labour Party três organizações socia-

listas foram tambim da maior importância. A Social Democratic; F'e-

8. clement Att1ee, s/do


09

dera t ion , liderada por H y ndma n , com orie n t a ç ã o mar xis t a mas de ade­

são r e s t rita; a Fabian Socie t y , que con t ou com emin e n t es i n t elec t u ­

ais como o c a s a l Webb e Be r n ard Shaw e q u e propu g n ava por um soc i a ­

l i s m o evolutivo; e o I ndepende n t L abour P a r ty , d e Hardie , q u e , pos-

tulan do um soc i a l i smo n ã o dog m á t ico e n ã o e x clu s i vis t a , con s e g uiu


9
e x pa n dir o i de ário socialis t a e n t r e os sindicat o s .

Só em 1 918 o Labour P a r t y se aut ode f i niu como socialis t a ,

d a t a em q u e passou a admitir tambim a filiação individual , vis t o

qu e , a t i e n t ã o , a filia ç ã o s e f a zia e x c l u s ivame n t e a t r avis dos sin-

dicat o s . De finido como uma fede r a ç ão de sindic a t os e de org a n i z a -

ç õ e s s o c i a l i s t a s a ele filiada s , o partido teve um c r e s c i men t o e l ei

tor a l significativo , t ra n s f o r m a ndo-se ao f i m da P r imeira Gue�ra num

dos maior e s do pa í s ao l ado do P a r t i do Conse rvador . Seu crescim e n -

t o substit uiu, n e s s a ipoca , o bipar t i darismo d e liberais e conserva

do res pe l o de trab a l hi s t a s e co n s ervado r e s . Isso lhe permitiu f or-

mar gov e r n os min o r i t á rios em 1 9 24 e de 1 9 2 9 a 1 9 31 , até o b t er a

maioria em 1 945 , p e r m a n e c e ndo n o poder a t i 1 9 51 , e a ele r e t ornando


10
mais t arde , nos pe r í odos de 1964-70 e 1 974 - 7 9 .

Embora a c e itando a f i l ia ç ã o individual , 90% de seus filia-

dos contin u a r a m s e ndo os sindicalizado s , e mesmo se defi nido como

"resu l t an t e mais da evolução his t órica do que de um p l a n e j ame n t o l�


11
gico" o L abour Part y con t i n uou a t e r s u a s b a s e s eleitorais pri�

cipalmente n a s c l a s s e s t r abalhado r a s . Como já foi observado , iat o

9 . Egon W e r t h eimer , 1 930; C l e m e n t A t tlees , s/do


10. A social democracia alemã e o trabalhismo i ng lês , 1 983 .
1 1 . Cle m e n t At t l ee s/d , p . 7 1 .
10

não significa que o partido tenha tido o monopólio dessa represen­


_ 12
taçao.

o exemplo britânico é marcante quanto à articulação e sim-

biose entre partido e sindicato. o sindicalismo inglês, que em

fins do século X I X conseguiu absorver a massa industrial não espe-

cializada, trans formou-se num poderoso instrumento de pressão polí-

tica que atuou em duas direções. De um lado, forçou o governo e os

partidos conservadores a implementarem importantes medidas do ponto

de vista político e social - e dentro de uma tradição britânica de

conciliação entre mudanças e tradição, tal como postulada por Bur-

ke, o país conseguiu absorver, de forma legítima e integrativa, as

demandas trabalhistas oriundas da nova ordem industrial. De outro

lado, o movimento sindical trans formou-se no leito mais propício a

organização político-partidária dos trabalhadores dentro do sistema

representativo.

Di ferentemente da Alemanha, a direção da in fluência tomou

o rumo dos sindicatos para o partido. Este continuou sendo essen-

cialmente um órgão político de uma federação de sindicatos. En-

quanto partido, sua organização interna e seu comportamento polí-


13
tico não têm di ferido muito do Partido conservador, o que é indi

cativo também do grau com que tem partilhado das regras estabele-

cidas dentro da democracia inglesa. Importante ainda foi a compre-

ensao de vários líderes trabalhistas de que o Estado inglês não era

um inimigo da classe trabalhadora, podendo portanto ser considera-

do um aliado importante nas lutas dos trabalhadores. Essa posição,

12. R. Robert Alford, 1967.


13. Ver a esse respeito Robert Mckenzie, 1967.
11

con t udo , n ão implicou que s e abrisse mão da de f e s a das l iberdades

c i vis e individua i s . N e s s e s e n tido , o próprio pert e n c i m e n t o ao si�

d i c a t o n ã o forçou o t rabalh ador a obrig a ç õ e s e t are f a s c ultura i s

ou pol í t i c a s obrig a t ór i a s . Ou se j a , n ão houve , como n a A l eman h a , a

preocup a ç ã o e m for j a r uma comunidade de t rabalh adore s , que fez com

que os s i ndic a tos e o part i do ale m ã e s tive s s e m como a tiv i dade preci

pua a socializ ação dos t raba l h adores den tro de det erminados pri n c í -

pios i deol ógicos que l h es permitis s e m cr i ar uma c u l t ura própria.

A Ing laterra foi mais f l e x ív e l a e s s e respeito. As orlen-

t a ç õcs do Labour Part y , foram sempre m u i t o elástic a s , e i s t o permi-

t i u a convivên cia in t erna de várias orie n t açõe s . A l irn di sso , o pa�

t i do t eve ainda como cara c t er í s t ic a básica o f a to de ter se formado

e crescido na prática a n t e s de t er defin i do para si um corpo de pr�


14
posições programá t i c a s a s erem s e g uidas . Por t udo isso , i per-

f eit amente compre ens í v e l a opi nião de C l em e n t At t l e e , primeiro -mi-

nistro de 1 945 a 1 951 , de que "o Partido Trabalhista Bcitânico e

uma expressão do movim e n t o soc i a l is t a adaptada às condições bri t â-

n i c a s " , condições e s s a s que têm sido h i st oric a m e n t e marcadas pela


, 15
cont1nuidade , pe 1 a re f orma e pe 1 a tra d' -o.
1ça

Est a visão burk e a n a par e c e crucial para e nte nder o compor.-

t amento e a org anização pol í tica dos trabalhadores ingle s e s , na me-


16 Por todas ess a s in j unções ,
d'd
1 a e m que e 1 es t amb'em a part 'Ih
1 amo

o partido traba l hi s t a i n g lês con s t it u i o exemplo c l áss i co de u m paE

1 4 . Egon Wer.t h eimer , 1 930 .


1 5 . Clem e n t A t t l e e , s/d , p . 1 5 . '
1 6 . Robert Mcken zie e A l a n Sil ver , 1967 .
12

tido que fluiu do movimen t o sindical e que cont inua mant endo com

ele estreita relação de dependência, o que se expressa, na prát ica,

at ravés do Congresso Sindical realizado anualmen t e para ditar as

linhas de conduta do part ido. Por outro lado, o Labour Par t y não

perdeu de vista o pert encimento integrativo ao país, ou seja, nao

fez da oposição ou de um proje t o de classe excludent e o móvel maior

de sua ação e, por isso mesmo, não sofreu um controle limit a t ivo ou

impeditivo por par t e do governo. o Labour Party t ornou-se um part �

do da sociedade inglesa.

Alemanha: a vanguarda partidária no t rabalhismo

País t ardiamente industrializado em relação à Inglaterra e

à França, a Alemanha foi palco de um moviment o sindical e trabalhis

t a de matiz socialist a e marxis ta inédito. Experimen t ou t ambém,

desde fins do século XIX, a at uação de um fort e partido socialist a

junto ao sindicalismo, o Partido Social Democrat a ( SPD) , qUG, de

oposição int ransigente à política imperial, passou ao governo em

outubro de 1918 com a inst auração da República de Weimar.

De t radição conservadora, dominada politicament e por uma

aristocracia rural - os Junkers -, com um Estado Nacional recem

criado e t endo convivido com a servidão até meados do século XIX, a

Alemanha passou em 1918 a se cons t i t uir em uma república chefiada

pela social-democracia para, cerca de quinze anos depois, t ransfor­

mar-se num experiment o polí t ico insóli t o sob a 1 iderança de Hitler.

Com o fim da Segunda Guerra, a social-democracia voltou a ser uma

das principais forças polít icas, e o país ent rou no rol daquelas so-
13

ciedades caracterizadas pelo Welfare State, que traz embutida a idéia de

amplos benefícios sociais e econômicos extensivos às classes trabalha

doras.

A bibliografia marca o surgimento da classe trabalhadora

na Alemanha enquanto ator político no momento concomitante à forma-

ção do Estado Nacional e ao desenvolvimento industrial. A industria

lização neste país não se constituiu em obstáculo econômico à or-

ganização dos interesses das classes, posto que a indústria foi si-

nônimo de uma acelerada mudança social mas também de mais emp�egos

e mais oportunidades. Desde 1870 até o início da primeira Guerra

Mundial, houve um aumento real da renda dos trabalhadores.

Se a industrialização não foi sinônimo de empobrecimento

para as classes trab alhadoras, gerou, contudo, intensos conflitos


17
para as as sociações (guilds) que, como mostra Barrington Moore,

eram fortes organizações que detinham o monopólio das pro fissões. O

desenvolvimento industrial criou novas regras de racionalização da

divisão do trabalho e de organização das classes e impôs para os

trabalhadores o desa fio de inovar na sua própria organização. Essa

tarefa organizativa será tão mais intrincada na medida em que os

trabalhadores constituam uma categoria extremamente diversificada,

como era o caso alemão onde, ao lado de diferenças regionais em te�

mos de desenvolvimento, de atividades econômicas e de organização,

coexistia uma classe trabalhadora que era muitas coisas ao mesmo

tempo: ex-servos, camponeses conservadores, mineiros rebeldes, op�


. , 18
rarlOS rad"lcalS, etc.

17. Barrington Moore, 1979.

18. Idem.
14

Passar da herança institucional das associações poderosas

aos sindicatos, política e economicamente atuantes, mas não necessa

riamente revolucionários, cor respondeu a um intenso processo que tl

nha como interlocutor não apenas os setores dominantes, mas formas

antigas e novas de organização entre os trabalhadores. Di ferente-

mente da Inglaterra, esse processo não correspondeu na Alemanha à

formação de uma forte e inovadora burguesia industrial de cunho li-

beral. Embora tivesse havido a disseminação dos valores e da men-

talidade burguesa, a classe que conduziu a industrialização era tam

bém e principalmente uma classe rural politicamente dominante. Sem

uma burguesia industrial forte, a Alemanha assistia a formação de

um forte movimento sindical ideologicamente dirigido por um partido

contra a dominação burguesa e na prática com posições contraditó-


19
rias.

Con forme saliente Moore, os trabalhadores alemães resguar-

daram do passado um grande respeito à autoridade. Isso não foi obs

táculo para a revolta e movimentos grevistas, aliás intensos no iní

cio do século XX, mas foi fator importante nas relações do movimen­

to com o governo. Este era um interlocutor privilegiado nas deman-

das grevistas e agia diretamente através da repressao, mas também

formulando textos legais e gerando medidas efetivas de amparo e re-

gulamentação do mercado de trabalho. Barrington Moore lembra o

respeito à autoridade que, quando não é benevolente, produz a revol


20
ta. Roth salienta que, antes da Inglaterra, Bismark estava assr

mindo compromissos com os trabalhadores. Ou seja, o respeito secu-

19. Carl Schorske, 1983.


20. Guenther R oth, 1979.
15

l a r i a u t o r i da d e e v i d e n c i a v a a l eg i t i m i da d e do " se n h o r " p a r a man d a r

n a med i d a em q u e e l e t ambém f o r n e c i a p r o t e ç ã o e f e t i v a .

O s e n t i do d e a u t o r i da d e c o n s t i t u í d a e h i e ra r q u i c am e n t e s u -

pe r i o r t eria uma f o r t e i n f l uê n c i a d e n t r o do mov i me n t o t r aba l h i s t a

a l emão e n o SPD. Os a u t o r e s c h amam a a t e n ç ã o p a r a a n í t i d a s e p a r a -

ç ã o que se obs e r v a n o c a s o a l emão e n t r e l i d e r a n ç a e mass a . vár ios

f a t o res c on t r i bu í r a m p a r a i s s o , como o ba i xo n í v e l d e e d u c a ç ã o dos

t ra b a l h a d o r e s , que os i m pe l i a a d e l ega r a uns poucos ma i s e s c l a r ec�

d o s a t a re f a de r e p r e s e n t á - l o s em s u a s r e iv i n d i c a ções . A próp r i a

o r ga n i z a ç ã o d o SPD , q u e s e d a v a d e f o r m a al t am e n t e b u r o c r a t i zada e
21
ce n t ra l i z a d o r a , c omo mos t r a S c h o r ske , d a v a margem i formação

d e uma o l iga rqu i a i n t e r n a , m o d e l o e s s e q u e f o i grad a t i vame n t e c o p i �

do p e l o s s i nd i c a t o s. A ol igarqu i z a ç ã o do par t i d o é i mpo r t an t e , v i�

t o s e r e s s a a i n s t i t u i ç ã o pol í t i c a que r e i v i n d i c ava p a ro si a r epr�

s e n t a ç ã o dos t ra b a l h a d o r e s e que a c o l h i a d e n t r o de s i uma g r a n d e d e

l egação s i n d i ca l .

H a v i a t ambém o f a t o de q u e a d o u t r i na i d e o l óg i c a q u e d e v e ­

r i a o r i e n t a r o mov i m e n t o t r aba l h ad o r h av i a s i do prod u z i d a fora do

â mb i t o d a c l asse . Era uma d o ut r i n a fo rmulada p o r i nt e l e c t u a i s e

i n a c e ss í v e l i comp r e e n s ã o do t r a b a l h a d o r a t r avés de u m c o n t a t o d i r e

t o com os l i vros ou pa n f l e t o s , q u a n d o s o u b e s s e le r . E r a ne c e s s á r i o

po r t an t o a exi s t ê n c i a d e " t r a d u t o res" c a p a z e s d e t ra nsm i t i r o que

"a c l as s e pensava" , e e s t e s dev e r i a m f a z ê - l o t r ad u z i n d o os t extos

n o b r e s para a l i nguagem c or r i q u e i r a s e m v u lgariz á - l o s . Roth l em b r a,

por ex e m p l o, q u e o Capi t a l d e K a r l M a r x t r a n sformo u - s e numa obra

21. Carl Schorske , 1983.


16

da m a i o� i mpo�tâ n c i a pa�a o movime nto s i n d i c a l s o c i a l ista não po�­

que f osse l i do p e l o s t�ab a l h ado�es , mas po�que estes f i ca�am saben-

d o que o l i v�o e x i st i a e c o nt i n h a p�opos i çõ e s i mpo�tantes ace�ca

d o s i nte�esses h i stó� i c os d a c l as s e . Cont i n h a a e xpl i c ação c i en t í -

f i c a d o f i m do c a p i ta l i smo. L emb�e - s e também que as g�a n d e s pol êml

c a s sob�e tát i c a e est�até g i a no movime nto �evo l u c i o n á � i o dos t�aba

l h ado�e s , que ta nto ma�c a � i am a so c i a l -democ ra c i a , se d e�am num l i -

mitado c i �cu ito d e i nte l ectu a i s e se t�a n s f o�m a r am em l i v r o s ou a�-

tigos de pe�i ó d i c os também i n a c e ss í v e i s à comp�e e n s ã o do g r a n d e p ú -

bl i c o . Em que pese a be l e z a e a a c u i da d e i nt e l e ctual das polêmi-

c a s e nt�e Rosa L u xemburgo , Le n i n , Kautsky , B e r enste i n , entre ou-

t�os , f i c a c l a�o que a m i ssão pen s a d o�a do mov i mento f i c ava m u i to

d i sta nte d a possi b i l i d a d e ob j et i va da massa ou da capa c i dade desta

de ass i m i l á - l a .

N ã o obsta nte a buroc�at i z ação pa�t i d á r i a e o status reve­

�e n c i a l das l i dera nças, f o i n í t i d a a �ecor�ên c i a d e mov i mentos es­

pontân eos ent�e os t�aba l h ado�es , que� at�avés de greves , quer at��
22
vés d e �evoltas ( po� exemplo , 1905 e 1920, n o Ruh� ) . v á r i os mo-

v i me ntos oco��e�am em o c a s i õ e s em que o p a r t i d o se pos i c i o nou con-

t�a sua d e f l agração e em que as l i d e r anças os d e s a conse l h a�am .

E sta c a p a c i d ade espontâ n e a d e man i f estação f o i p�obl emát i -

c a p a r a o SPD, que s e opôs não ape n a s aos movime ntos r eformi stas

dos t�abal h a d o�es, mas também àqu e l es m a i s �ad i c a i s . Isso remete a

uma d i sc ussã o a r dente n a é p o c a entre r e f o r m i stas ( Be re n ste i n) e re-

vol u c i on ár i o s ( Ro s a L uxemburgo , por exempl o ) . A causa j usta para

22. B a r r i ngton Moor e , 1979.


17

os ú l t i mos e r a a t omada d o poder p e l a c l as s e a t ra vés de s e u pa r t i -

do , resp e i t ando-se aqu i a s d i v e rgên c i a s e n t r e L e n i n e Rosa L uxem-

b u r g o. P a r a os r e f o rm i s t a s , a m e l h o r e s t r a t ég i a era conceber a

g r a n d e m u d a n ç a c omo um con t í n u o s u c e d e r de r e f o r mas . I s t o porqu e ,

se a c h e g a d a ao poder da c l a sse t r a b a l h adora e r a um r esult ado n o r -

m a l d e c o r r e n t e d a s f o r ç a s q u e r e g i am a h i s t ó r i a , e r a u m a c on t r a d i -

ç ã o q u e r e r c r i a r aqu i l o que e r a i n e v i t á v e l que a c o n t e c e s s e. A r e v o -

l u ç ão e r a , p a r a os r e f o rm i s t a s , u m a que s t ã o de t elnpo , e f o i e m nome

d e s s e a r g um e n t o que mu i t as v e z e s se d e s a c o n s e l h o u mov i me n t os de

t r abalh a d o r e s sob o a r g um e n t o d e que a c l a s s e d e v i a esperar a sua

v e z , que pod e r i a a t é t a r d a r , mas n ã o f a l h a r i a .

Reform i s t a s e r a d i c a i s n ã o f ug i r a m c o n t udo d a i d é i a de r e -

v o l u ç ã o , embora a d o t a s sem d i f e re n t e s t á t i c a s a e s s e respe i t o num

d e ba t e qu a s e rest r i t o às l i d e r an ç a s part i d á r i a s . Muito pr ovavelme�

te f o i esse h i a t o e n t r e as p e r s pe c t i vas d e quem e l a b o r a v a i n t e l e c t �

a l m e n t e a s p ropos t as r e vo l uc i o n á r i as e d e quem f a z i a e f e t i va men t e as

g re v e s e as man i f e s t a ç õ e s de p r o t e s t o que l e vou a que , no desenro-

l ar dos acon t e c i m e n t os , os t ra b a l h a d o r e s a c a b a s s em f i cando ao l ad o

d a a u t o r i d a d e d o "se n h o r ", E r a es t e , em ú l t i m a i n s t ân c i a , quem po-

d i a a t en de r , mu i t as v e z e s após v i olên c i a , às re i v i n d i cações p l e i t e �

das . Mais d o que i ss o , o p a r t i d o n ã o se apresentou aos t ra b a l h ado-

res como um supo r t e e f e t i v o d e a p o i o nos momen t o s em que o mov i me n -


. . 23
t o se apre s e n t o u m a 1 S ra d'1 c a1 •

D e s d e o i n íc i o , o SPD a d o t ou um p r o g r a ma a m b í g u o que pos-

s i b i l i t a v a m u i t a s c o n t r a d i ções : um prog rama r e vo l uc i on á r i o o r t od o x o

2 3 . C a r l S c h o r s k e , 1 9 8 3.
18

d o pon t o d e v i s t a e c onômico ma s , d o pon t o d e v i s t a pol í t ic o , p ropo�

do a r e v o l u ç ã o a t r avés da d emoc r a c i a . A o mesmo t empo mantinha um

d i s c u rso radic a l e e r a b a s t a n t e mode rado n a p r á tica.

Toma ndo em r e t r o s p e c tiva a c r i a ç ã o d o p a r t i d o no séc u l o

X I X , Scho rske mos t r a as ambi güid ades dos programas d e Got h a ( 1 87 5 )

e d e E r f u r t h ( 1895 ) q u e , propo n d o - s e r e vo l u c i on á rios do pon t o de

vis t a econômic o , f i c a ram f iéis à i déia d e democracia c omo r o t a p a r a

a r e v o l u ç ão . Se e s s a ambigü i d a d e p e r m i t i a compos i ções dentro do

partido , foi r e s p o ns á v e l t a mbém por i n t e nsos c o n f l i t o s e n t r e as l i -

d e r a n ç a s s o c i a l is t a s , que muito rapidam e n t e f o r am i d en t i ficadas c o -

mo d u a s c o r r e n t e s bá sicas : r e f ormis t a s - uma maioria mais coesa

e r adic ais - uma mino ria d e s t o a n t e e n t r e s i . Acrescent e - s e que o

f a t o d e o s u c esso e l e i t or a l do p a r t i do d e p e n d e r em muit o d a c l a s s e

média também d i fic u l t ava a radica l i z a ç ã o .

Em t e rmos da p r á t i c a pol í t i c o - p a r l a me n t a r , o SPD adotou

uma pos t u r a d e iso l a cionismo , d e f i nind o - s e c o m o opos i ç ã o i n t r ansi-

ge n t e ao gov e r n o a t é a e c l o s ã o da p r imeira G u e r r a. o pa r t ido , em-

bora discip l in a d o e c e n t r a l izad o , abr igava t e n d ê n c i a s d i ferentes

q u e e x p r e s s a v a m i n t en s os con f l it os i n t e r nos n o q u e d i z r e sp e i t o t a n

t o à a t u a ç ã o j un t o aos t raba l h ad o r e s como jun t o ao gove r n o. Ta l si-

t u a ç ã o r e s u l t a r i a no cisma de 1 917 , com a criação do P a r t i d o Inde-

p e n d en t e d a Social Democr acia ( USPD ) , que por s u a vez d a ria origem

ao P a r t i d o Comun i s t a . A r e v o l ução d e 1 9 1 8- 1 9 20 colocou expl i c i t a-

m e n t e o f im d a u t o p i a soc i a l d e mo c r á t ic a. A r adic a l i z a ç ã o não f oi

ma i s con t i da p e l o p a r t i d o , e e st e , e n q u a n t o gov e rn o , r e primiu b r u- l


t a l m e n t e os movime n t os d e r u a .

N o q u e se r e f e r e à vin c u l a ç ão e n t r e a s formas d e i n corpo-

r a ç ã o pol í tica da c l as s e t r ab a l h ad o r a ao p r o c e s s o industrial a l e-


19

mão e a q u e s t ã o d a d e mo c r a c i a , a pos i ç ã o de Roth é f un d a m en t a l . Se­

g u ndo e l e, i n d u s t r i a l i z a ç ã o e democ r a c i a con s t i t ue m processos d i s­

t i nt os, e a i n c o r p o r a ç ã o d e uma c l as s e - n o c a s o a t r a b a l h a d o r a

a o s i s t e m a pol í t i co pode s e d a r d e f o r ma n eg a t i v a. E s t e f o i o t i po

d e i n t eg r a ç ã o o c o r r i d o na A l e m a n h a, c o n t r i bu i nd o para i s s o a at u a ­

ç ã o do SPD, q u e, ob j e t i v a ndo o r g a n i z a r e r e p r e s e n t a r a c l a s s e, en­

caps u l o u - a d e n t r o de uma d e t e r m i n a d a propos t a dou t r i n á r i a e orga-

n i zat i v a . Ao i n vés de p r od u z i r um a t o r pol í t i c o d e n t r o d o s i s t ema,

R o t h mos t ra q u e a i n t eg r aç ão se d e u de f o r m a n e g a t i v a c om a c r i a ç ã o

d e u m a s u bc u l t u ra i s o l a d a . A i d e n t i da d e polít i c a d a c l a sse t raba­

l h a d o r a n ã o p a s s o u pelo c r i vo d o c o n t r a s t e e d a conv i v ê n c i a c o m o u ­

t ros i n t e r e s s e s d e c l asse, n e m t ev e c o m o b a s e a r e f e r ê n c i a d e c omo

e l a e s t a v a s e n d o e f e t i vamen t e v i s t a p e l a s o u t r a s c l a s ses , fa t o r f u n

d a me n t a l n o proc e s s o d e f o r m a ç ã o d e i d e n t i da d e . Fo rmou-se p a r a den

t r o, t en d o c omo fo r t e g u i a de ação para t a n t o a própria l i derança

p ar t i d á r i a.

N o f u n d a m e n t a l, e s t a i n t egração n e g a t i v a teve repercurs­

s õ e s i m po r t a n t es p a r a a d e m o c r a c i a a l emã e p a r a a soc i a l - d em o c r a -

E s t a, p o r s u a s amb i g ü i dades e por s e u i so l am e n t o d e s u b c u l t u -

r a , e n f ren t a r i a probl emas p a r a i m p o r - s e i n s t i t u c io n a l m e n t e c omo

p a r t ido de g ov e rn o, mas t a mbém p a r a a s s e g u r a r o mono p ó l i o d e s s a s u�

c u l t u ra, que p a s s o u a s e r p ar t i l h a d a pelos g r u pos r a d i c a i s , os quais

q u es t i on a n d o o re f o r m i smo do pa r t i do, t r a z i a m p a r a s i a c a u s a da mu

d a n ç a r e v o l u c i o ná r i a.

A f o r m a ma r g i n a l como se d e u a i n c o r p o r a ç ã o da c l a sse é

p a r a Rot h um p o n t o i mpor t an t e n o s r umos da demo c r a c i a a l emã. Ao man

t e r - s e i solada, e l a as s i m i lo u o j og o d e B i sm a r k de não a br i r o p r o ­

c e s s o d e d e mo c r a t i z a ç ã o e d e o s c i l a r e n t r e uma pol í t i c a repress i v a


20

e o u t r a ma i s t ol e r a n t e . Ou s e j a, o SPD n ã o q u e s t i onou e n ã o e n f r e n

t o u a e s t r u t u r a b i sm a r k i a n a d e poder e , n a med i d a e m q u e s e i s o l o u

d e s s e processo, n ã o obs t r u i u o c r e s c i me n t o d e out ras f o r ç a s polí t i ­

c a s ma i s c o n s e r v a d o r a s e n ã o c o l o c o u e f e t ivame n t e p a r a o gove r n o a

i n d e s e j á v e l q u e s t ã o, par a e l e, d a i n corpo r a ç ã o e f e t i v a da classe

t raba l h ador a . A c o n d i ção d e s u b c u l t ur a d o mov im e n t o t ra b al hador

permi t i u a manipu l aç ã o r epr e s s i v a por pa r t e do governo, q u e f reqüe�

teme n t e o apon t ou como ame a ç a à ordem s o c i a l e po l í t i c a .

S c h or ske, por s u a v e z, d e s t a c a a s c o n t rové r s i a s básicas

q u e l e v a ram à c i s ão d e n t ro d a s o c i a l-demo c ra c i a e n t r e r e formi s t a s e

r a d i c a i s e a s c o n d i ções q u e l e v a r am à e x pa n s ã o d o le n i n i smo n a Ale-

man h a . H i s t o r i c ame n t e, a s t en d ê n c i a s r e f o rmi s t a s e revoluc i o n á r i a s

e s t i ve r am a b r i ga d a s n u m mesmo par t i do. O acent uar das d i vergên­

c i a s e n t r e e l a s l evou n ã o só ao c i sma pa r t id á r i o m a s t ambém à d i s-

s ol u ç ã o do mov ime n t o d e t r a b a l h a d o r e s na A l emanha sob a égi d e dos

soc i a l i s t as.

O u t r o pon t o a s e r m e n c i o n a d o d i z respe i t o à r e l a ç ã o e s t a-

bele c i d a e n t r e os s i n d i c at os, o p a r t i d o e o gov e r n o . Schorske, numa

perspe c t i v a s i m i l ar à de Roth, d i sc u t e a i ntegr a ç ã o negat iva, não

d a c l a s s e, m a s do S P D no proc e s s o pol í t i c o . O i s olac i o n i smo delibera­

d o d o pa r t i d o ser i a a l t e r ad o c om a perspec t i v a d a guer ra, quando se

v i u obr igado a se d e f ro n t a r com a " qu e s t ã o n a c i o n a l " e a c a bou c o l a ­

b o r a n d o com o gov e r n o d e f orma d e c i s i v a .

D i f e r e n t em e n t e d a I ngla t e r r a, por t a n t o, o movimen t o t r aba­

lh i s t a a l emão em s u a exp r e s s ão s i n d i ca l e em s u a s t e n t a t i vas d e e n ­

caps u l a r a classe t rabalhadora d e n t r o do par t i d o n ã o c o n s egu i u al­

c a n ç a r a mesma l eg i t i mi d ad e e i n t eg r a ç ã o . Embora o S P D t e n h a obt i ­

d o s u c e s s o e l e i t or al ma i or a n t e s d o Labour P a r t y i ng l ê s, i s so não
FUNDAÇAQ GETÚL IO VARGAS I 21
INDIPO t CPDOC I
\

f o i su f i c i en t e p a r a mo l d a r uma r o t a ma i s seg u r a para a d emoc r a c i a

s oc i a l e pol í t i c a . A A l emanha c o n t o u com o mov i m e n t o p ar t i d á r i o

ma r x i s t a m a i s f o r t e em t odo o mundo , o que r e p r e s e n t o u uma e xp r e s -

s i v a c o n t e s t a ç ão à o r d e m e x i st e n t e . Esse f at o r , a l i ad o ao isola-

c i on i smo d a pol í t i ca part i d á r i a e t r a b a l h i s t a , ent r o u em c o n t r ad i -

ç ã o gr i t an t e com a t r a d i ç ã o me n c i on a d a d o r e sp e i t o d a s massas pe l a

a u t o r i d a d e const i t u í d a . Adema i s , o peso e a i mpor t â n c i a do E s t a do

p a r a a soc i e da d e a l emã e ram b a s t a n t e d i fe r e n t e s do caso britânico.

Todos e s s e s f a t o r e s , j u n t amen t e com a a s c e n s ã o d o n a z i smo, com a

c i são d a soc i a l - d emo c r a c i a e com a d e r r o t a d a A l ema n h a na P r i me i r a

G u e r r a Mun d i a l , s ã o c en t r a i s p a r a se ent e n d e r o ocaso desse mov i -

men t o .

Quando d a r e c ons t r u ç ã o d o mov i me n t o s i n d i c al após a Segun-

d a Gu e r r a M u nd i a l , a ma i o r i a dos l í d e r es do SPD r e j e i t ou a propos-

t a de ree d i t a r a e x p e r i ê n c i a ant e r i o r de uma e s t r e i t a l igação do

pa r t i do c o m o mov i m e n t o s i nd i c a l . E s s a s r e l a ç õ e s cont i n u aram s e n d o

impo r t a n t e s p a r a o L a b o u r P a r t y, q u e f i n a n c e i r amen t e d e p e n d e d o s si�

d i c a t os , e n q u a n t o na A l ema n h a p a r t e s u b s t an t i v a dos c us t o s dos par-


24
t i dos p a s s o u a s e r prov i d a p e l o E s t ad o .

A r igor , p a r a a Europa do pós-guer r a , a d i v i s ã o e n t r e p a r -

t i d os t ra b a l h i s t a s e s o c i a l - demo c r a t a s t o r n o u - s e b a s t a n t e t ê nue no

q u e c o n c e r n e às r e l aç õ e s com os s i n d i ca t o s . A grande e xceçao nes-

se pon t o c on t i nu a s e n d o a I ngl a t e r r a . N o que s e r e f e r e à f l ex i b i -

l i da d e i de o l óg i c a , o s a t u a i s pa r t i dos a l emães n ã o s e c o n s t i t u em em
25
l i n h as e x p l í c i t as de d i f e renc i aç ã o pOl í t i c a.

24 . D a v i d Owen , 1 9 80 ; W i l l i am P a t e r s on e I an Campbe l l , 1 9 7 4 .
2 5 . J u a n L i n s , 1 9 67 .
22

E s t a d o s Un i d o s : o t rabal h i s mo s e m par t i d o

A o c o n t r á r i o d o s c a s o s a n t e r i o re s , o m o v i m e n t o t rab a l h i s t a

n o r t e - am e r i c a n o n ã o s e a t e v e a t é h o j e à g u a r d a e x c l u s i v a d e u m p a r -

t i d o t r a ba l h i s t a , comu n i s t a ou s o c i a l - d em o c ra t a . o mesmo pode - s e

observar n a França até o pós-g uerra , quando o pcr passou a ter um

c on t ro l e e x p r es s i v o s o b r e a C G T .

Embor a d e s d e 1 9 3 6 o s s i ndicatos ame r i c a n o s t e n h a m d a d o a

m a i o r p a r t e de s e u apo i o aos democ r a t a s , o t r a ba l h i smo m a n t e v e - s e in

d e p e n d e n t e de l a ç o s f o r m a i s c o m par t i d o s . P a r a e s s a p o s t u r a , é maE

c a n t e , e n t r e o u t r a s c o i s a s , a i n f l u ê n c i a da f i l o s o f i a s i nd i c a l d i t a

d a p o r S a m u e l Gompers d e s d e o s f i n s d o s é c u l o X I X , segundo a qual

o s i n d i c a l i smo d e v e r i a r e s t r i ng i r - s e àque l a s a t i v i d a d e s q u e f o r t a l e

c es s em o s s i n d i c a t o s enqu a n t o i n s t r u m e n t o s d e n e g o c i a ç ã o com os

empregadores . E s s a v i s ã o s e adequa p o r s u a v e z à pos i ç ã o de s e t o -

r e s empre s a r i a i s e c o n s e r v a d o r e s q u e r e l u t a m e m a c e i t a r os s i n d i ca­

tos c omo e n t i d ad e s v i t a i s para o f o r t a l e c i m e n t o da d e m o c r a c i a .

A b i b l i og r a f i a c os t u ma i n s i s t i r n a t e s e d e q u e a c l asse

t r a b a l h a d o r a a me r i c a n a d e v e s e r v i s t a como u m a e n t i d ad e d i f e r e n c i a ­

d a e m r e l a ç ã o à e xp e r i ên c i a e u ro p é i a e d e que s u a c ompr e e n s ã o deve

l e v a r e m con t a os a s p e c t o s e c o n ôm i c o s , r eg i o n a i s , étnicos , pol í t i -

c o s e s oc i a i s daque l a s o c i ed a d e . I s t o é e n f at i z ad o t en d o e m v i s t a

p r i n c i p a l m e n t e t r a t a r - s e d e u m p a í s r i c a m e n t e prov i d o de recu rsos ,

c o l on i z ado por i m i g r a n t e s , e que a d o t o u o s i s t em a e s c r av i s t a .


26
Pe l l i ng , por e x empl o , p a r t e do supos t o d e q u e a h i s t ó ­

r i a d a c l a s s e t r abal h ad o r a a m e r i c a n a e s t á m a i s l i g ad a à h i s t ó r i a da

26 . H e n r y P e l l i n g , 1 9 6 0 .
23

c i v i l i z a ç ã o a me r i c an a d o que a o p r o c e s s o d e i nd u s t r i a l i z a ç ã o , e pa-

r a e x p l i c a r suas o r i g e n s r e c u a a t é o i n í c i o d a c o l o n i z a ç ão . Nesse

l o n g o pe r c u r s o , e s t a b e l e c e u m a s é r i e d e per i od i z aç õ e s que corres­

p o n d e m e m c e r t o s mom e n t o s a e v e n t o s i mp o r t a n t e s da h i s t ó r i a ame r i c a

n a ( I n d epend ê n c i a , G u e r r a d e S e c e s s ã o , g u e r r a s m u n d i a i s ) e em ou­

t ro s à d i n â m i c a i nt e r n a d o s i n d i c a l i s m o e a o mov i m e n t o i n t e r no da

c l a s s e ( or i g em e c on s o l i da ç ã o da A F L - Ame r i c a n F e d e r a t i o n o f Labcur

- por e x e mp l o ) .

H á a m p l a con c o r d â n c i a q u a n t o ao f a t o d e que as r i v a l i d a d e s

e d i v e r s i d a d e s e n t r e o s i m i g r a n t e s co n s t i t u í ram um pano ce fundo

impo r t a n t e p a r a o s c on f l i t os i n t e r nos à c l a s s e t r a b a l h a do r a . Rele-

v a n t e t ambém é a c i r c un s t â n c i a de h a v e r e s c a s s e z de m ã o- d � - c b r a e

d e e s t a s e r ocupa d a pr i o r i t a r i am e n t e no campo , pos t o que até f i ns

d o s é c u l o X I X a ag r i c u l t u r a e a e x t r a ç ã o de r i q u e z as da t e r � a f o r a m

as p r i nc i p a i s at i v i d a d e s e c o nôm i c a s do pa í s . C o m o s u rg i � e � t o d a s

c i d a d e s c r e s c e a d e m a n d a por t r a b a l h a d o r e s qual i f i c a d o s p a r a a in­

dú s t r i a e v i d e n c i ando-se um q u a d r o d e c ompe t i ç ã o expl í c i t a entre o

c ampo e a c i d a d e em f un ç ã o d e s s a e s c a s s e z de m ã o - d e -obr a .

O t r a b a l h a d o r u rbano qu a l i f i c a d o , a i nda no pe r í oào c o l o­

n i a l , o r g a n i z o u - s e em qu i l d s , repr o d u z i n d o a org a n i z a ç ã o d os arte-

s ã o s europeus . E s t a ser i a uma m a r c a i mpor t a n t e para o mov imen t o

t r a b a l h i s t a a m e r i c a n o , q u e l e va r i a p a r a o f u t u r o a c o n c e p ç ã o d e s i�

d i c a t o s como i ns t r u m e n t o s p a r a a a r i s t o c r a t i z aç ã o dos t rabalhado­

r e s - i s t o é , aq u e l e s q u e t ê m o f í c i o , bons s a l á r i os e que n ã o a ce i ­

t a m a prol e t a r i zação . A t e s e d a a s c e n s ã o s o c i a l f o i f u n d a m e n t a l p�

r a e s t a c o mp r e e ns a o . A e s t r u t u r a s i n d i ca l p a s s o u a espe l h a r a h i e­

r a r q u i a d o s o f í c i o s e , i n c o rp o r a n d o p r i o r i t a r i am e n t e os e s p e c i a l i z �

d o s , m o n t o u uma f o r t e c o r p o r a ç ã o d e s i n d i c a t o s d e n t r o dos moldes


24

emp r e s a r i a i s modern o s , apt a a c ompe t i r e a r i v a l i z a r com as cor-


_ . 27
poraçoes patrona 1 s .

A t é o s u r g i m e n t o da A F L , e m 1 8 8 6 , i n e x i s t i am nos Estados

U n i do s e x pe r i ê n c i as c o n t í n ua s d e o r g a n i z aç ã o ope r ár i a . No início

d o século XIX o mov i me n t o t r aba l h i s t a g an h o u i mpu l s o c o m o s u r g i me�

t o de v á r i a s f e d e r a ç õ e s , s i n d i c a t o s e de a l g u n s part idos ope r á r i o s

l oc a i s q u e t ambém n ã o c o n s e g u i r i am t e r q u a l q u e r l on g e v i d a d e . O p r o -

g r ama d e s s e s e f ê m e r o s pa rt i d o s ope r á r i os n ã o propu g n a v a p e l o f i m d o

s i s t ema d e s a l á r i o s ou pe l a p r opr i edade s o c i a l i z ad a , m a s p r e c o n i z a -

v a g a r a n t i a s e d i r e i t o s p a r a o s t r a b a l h ad o r e s f r e n t e aos g r a n d e s c a

pital istas .

A h o s t i l i d a d e p a r a c o m os i m i g r a n t e s e a prec a r i e d a d e o r -

g a n i z a c i on a l s e r i a m c o n s t a n t e s , a s s i m c omo a d u p l a d i s c r i m i n a ç ã o e m

r e l a ç ã o ao neg r o . E s t e e r a d i s c r i m i na d o e t n i c ame n t e , m a s t ambém em

f u n ç ã o d e c o n s t i t u i r um c o n t i n g e n t e pot e n c i a l d e m ã o - d e - obra f o r ç a -

d a q u e pode r i a s ubst i t u i r o b r a n c o e m momen t o s d e g re v e e e f e t i v a :'"

m e n t e c ompet i r c o m e l e n o m e r c a d o d e t r aba l h o , aba i xan d o os salá-

r i os , c a s o a e s c r a v i d ã o f o s s e abo l i d a .

A G u e r r a d e S e c e s s ã o s e r i a impo r t a n t e d o pon t o d e v i s t a d a

ampl i a ç ã o d o parque i n d u s t r i a l ame r i c a n o e d a e x p a n s ã o do s i s t em a

d e comu n i ca ç õe s , seg u i n d o - s e c o n t u d o uma f o r t e depre s s ã o econômica

no pa í s q u e g e r o u d e s e mpreg o , p e r d a s s a l a r i a i s , forte d e s a r t i c u l a-

ç ã o s i nd i c a l e , a o mesmo t empo , i n t e n s o s c on f l i t o s entre t r abal h a -

d o r e s , p a t r õ e s e g ov e r n o , c omo p o r e x empl o , os p r o t e s t o s do lº de

maio . ! n o b o j o d e s s e c o n t e x t o do p6s - g u e r r a qU& s e obse r v a u m n o -

27. S t a n l e y A r o n ow i t z , 1 9 7 3 .
25

v o i n t e r e s s e dos t ra b a l h a d o r e s p e l a a ç ã o p o l í t i c a e u m a i n t e n s i f i c a
28
ç ã o d a l u t a c o n t r a os i m i g ra n t e s .

F a t o impo r t a n t e n e s s e pe r í od o f o i a c r i a ç ã o d o Kn i g h t s of

Labo u r , e n t i d a d e t raba l h i s t a d e c u n h o s e c r e t o c o m f o r t e e s q u e m a d e

o r g a n i za ç ã o , cong r eg an d o d e n t r o d e s i v á r i os i n t e r e s s e s c o rp o r a t i ­

v o s , que a d ot a r i a uma pos t u r a d e b o i c o t e , a q u a l seria mais bem­

s u c e d i d a como t á t i c a o pe r á r i a do que a s g r e v e s l ev a d a s a c abo pe-

l os s i n d i c a t os . o d e s t i n o d e s t a e n t i d a d e s e r i a l og o a m e a ç a d o c om a

c r i a ç ã o d a Ame r i c a n F e d e r a t i o n o f L a b o u r e m 1 8 8 6 , após os c o n f l i t os

s an g r e n t o s d e C h i c a g o e e m o u t r a s r e g i õ e s p e l a j or n a d a a e o i t o h o -

ras o

Após e s s a d a t a , a h i s t ó r i a do m o v i m e n t o t ra b a l h i s t a ame­

r i c a n o e s t a r á obr i g a t o r i amen t e v i n c u l ad a i A F L qu e , p o r s u a v e z , e�

t a r á r e f e r en c i ad a i f i g u r a d e Samu� l Gompe r s , s e u p r e s i d e n t e d ur a n -

t e q u a t r o d é c a da s . A A F L e s t r u t u r o u - s e r e s pe i t a n d o a a u t o n o m i a 1 0-

c a l d o s s i nd i c a t o s , pr i v i l eg i an d o o s t ra b a l h ad o r e s e s pe c i a l i z a d o s é

i n s t i t u i nd o um s i s t e m a d e c o n t r i b u i ç õ e s s i nd i c a i s p a r a s e u s f i l i a-

d o s que p e r m i t i u c ompor u m f u n d o s i n d i c a l pode r o s o . Seu p a p e l f o i

i m po r t a n t e t ambém a o e s t abe l e c e r u m a p o l í t i c a d e negoc iação com os

empre s á r i o s e a o d e s a p r o v a r u m a p r á t i c a s i n d i c a l . q u e i n c o rp o r a s s e a

m a s s a i nd u s t r i a l não e s p ec i a l i z a d a . A o i n i c i ar - s e o século XX , a

A F L e r a a m a i o r o rg a n i za ç ão d e t ra b a l h a d o r e s n o s E s t a d o s U n i dos ( u m

m i l h ã o d e f i l i ad o s em 1 9 0 1 ) e t e r i a papel f undament a l j u n t o i c l as ­

s e empr e sa r i al no sen t i d o d e t e n t a r c o n ve n c ê - l a d e q u e o s s i nd i c a ­

t o s ame r i c an o s s a b i am ag i r r es p o n s a v e l m e n t e na b u s c a d e s e u s d i r e i -

t o s e i n t e r e s s es . N ã o obs t a n t e i s s o , a a t i v i d a d e s i nd i c a l nao era

t ol e r a d a pe l o s p a t r õe s .

28 . H e n r y Pe l l i ng , 1 9 60.
26

As d i s c o r dâ n c i as e m t o r n o d o e n c am i nhame n t o do mov i m e n t o

est imularam o aparecimento de outras a l ternat ivas p o l í t i c as , tais

corno o P a r t i d o Soc i a l i s t a e a I WW ( I n d u s t r i a l W o r k e r s of Wo r l d )

1 905. E s t a ú l t i m a , d e i n f l u ê n c i a ma r x i st a , não s o b r e v i v e u à P r i m e i

ra Guerra Mundia l .

A p r i me i r a G u e r r a M u n d i a l t e v e e f e i t os pos i t i v o s sobre a

e c on o m i a ame r i c a n a , com me l h o r i as s a l a r i a i s s u bs t an c i a i s de f o rma

t a l que a o f i n a l dos anos 20 a s i t u a ç ã o era de p r ospe r i d a d e e amp l a

c o l ab o r a ç ã o dos s i n d i c a t os com o g ov e r n o . A crise de 1929 inverteu

e s s a s i t u a ç ã o d e f o rma t ã o d r á s t i c a q u e s ó após a Segunda Guerra

M u n d i a l o pa í s c o n s eg u i u n o v a me n t e a t i ng i r o p l e n o empreg o . O pe­

r í odo Roos e v e l t ( 1 9 3 3 - 4 5 ) é t i d o c omo uma nova fase no s i nd i c a l i s ­

mo ame r i c ano , p a r t i c u l a rm e n t e n o q u e d i z r e s pe i t o a r e g u l aç ã o do

m e r c a d o d e t r a b a l h o pe l o E s t ad o , n a o obs t an t e a t r ad i c i o n a l resis-

t ên c i a do mov i men t o q u a n t o a e s s a i n f l u ê n c i a . A AFL , c olaborando

com o g o v e r n o , i n s i s t i r i a t ambém n a p rá t i c a v o l u n t á r i a do s indi ca�

l i smo q u e c o n t i n u a v a p r e s t i g i a n d o a p e n a s os t r a b a l h a d o r e s qual i f i -

cados . O el i t i smo d a A F L d e u m a r g e m à c r i a ç ã o d e ma i s uma o r g a n i z�

ç ã o n a c i o n a l que , a e x emp l o d a I WW - embo r a m e n o s r a d i c a l - p r o c u r�

r i a s i n d i c a l i z a r a massa i n d u s t r i a l : o C I O . L i d e r ado por J . L ew i s ,

o Comm i t t e e f o r I nd u s t r i a l O r g an i z a t i o n , c r i ado em 1 93 5 , p a r t i c i p o u

a t i v ame n t e d a p o l í t i c a i n s t i t uc i o n a l e emp e n h o u - s e t ambém n a s i n d i -

c a l i z a ç ã o d o p r o l e t a r i ado u r b a n o ( os n ã o q u a l i f i c a do s ) at ravés de

t át i c a s p ac í f i cas sempre q u e pos s í ve l .

A c r i aç ã o d a l e g i s l a çã o so c i a l e o s i n d i c a l i smo d u a l ( AFL

e C I O ) f or a m c o n c om i t an t e s a um c re s c i m e n t o e x p r e s s i v o d e t r aba l h a ­

r e s s i n d i c a l i z a d os , q u e p a s s a r am d e 3 p a r a 9 m i l h õ e s entre 1933 e
27

29
1938 e se distribuíram i g u a l m e n t e e n t r e as d u a s o r g a n i z a ç õe s . Gra

d a t i vamen t e o C I O , q u e d e i n í c i o s e apr e s e n t a v a como uma a l t e r n a t i -

v a ma i s rad i ca l p a r a o s t ra b a l h a d o r e s , i r i a s e t r a n s f o rm a r em uma

e n t i dade mod e ra d a e c on c i l i a d o r a a p o n t o d e , a p ar t i r d o s anos 40,

d i s c u t i r s u a f u s ã o c o m a A F L , o que a c ab o u a c o n t e c e n d o em 1955 . De

q u a l q u e r f o r m a , o s i n d i c a l i sm o a m e r i ca n o , na t e r m i n o l og i a de Bea­
30
t r i c e e S i d ney webb , t ev e u m c u n h o e x c l ud e n t e mu i t o m a r c a n t e .

Do pon t o d e v i s t a p a r t i d á r i o , n e n h um pa r t i d o t ra ba l h i s t a

l og rou o b t e r s u c e s s o j u n t o à á r e a s i n d i c a l . v á r i a s e xpl i c a ç ões s ã o

p o s s í v e i s n e s s e c as o . Men c i on a - s e f r eqü e n t em e n t e o fato de que

e x i s t i r i a u m a o a s e c o n s e r v a d o r a i n a t a à c l a s s e ame r i c a n a que não

c on t ou , p o r s u a v e z , c o m i n t e l e c t u a i s s o c i a l i s t a s p a r a l i d e r a r e m o

mov i m e n t o . � i mp o r t a n t e t am b é m o peso q u e se a t r i b u i à imigração

c o m o f a t o r d e s a g r e g a d o r d e u m a p r o p os t a p o l í t i c a m a i s u n i t ár i a . 3 1

A l g um a s e n t i d a d e s s i n d i c a i s c ompo s t a s por t r a b a l h a d o r e s d e

o r i g em amer i c a n a c h e g a ram a d e f e nd e r a c r i a ç ã o d o " t er c e i r o pa r t i -

d o " c on t r a r i a n d o a s s i m a i d é i a d e q u e a p e n a s o s imigrantes t e r i am
32
e s p o s a d o t es e s p o l i t i c am e n t e m a i s o r g a n i z a d a s . O p r a g ma t i sm o

t e m s i d o apont ado t a mbém c o m o u m f a t o r e x p l i ca t i vo básico a esse

r e s pe i t o . A d i s c u s s ã o d o t e r c e i r o p ar t i d o s e r i a d e f i n i t i v ame n t e

d e s c a r t ada e m f i n s d a d é c ada d e 4 0 q u a n d o t a n t o o C I O qu a n t o a A F L

r e f o r ç a r am o a r g u m e n t o d e q u e um p a r t i d o t r ab a l h i s t a n ã o t e r i a c o n -
o - o o 33
d 1 ço e s d e c ompet 1 r e l e 1 t or a l m e n t e c o m o s d 0 1 S p a r t 1 d o s e X 1 s t en t e s .
o o o

2 9 . R . Howard pen n i ma n , 1 9 5 2 .
3 0 . S i d n e y Webb e Bea t r i c e Webb , 1 9 20 .
3 1 - H . M . J oh n L a s l et t , 1 9 7 0 .
32 . Idem .
3 3 . R . Howar d p e n n i ma n , 1 9 5 2 .
28

o que s e obs e rv a i p o r t a n t o I é que um f o r t e m o v i m e n t o t rab�

l h i s t a r e d u n do u n u m a pode r o s a o r g a n i z a ç ã o s i nd i c a l de t i po emp r e s a ­

r i a l l e t a l v e z I p o r i s so mesmo n ã o c o r r e s p o n d e u à formação de um

p a r t i do d e t rabal h ad o r e s . I s s o t o da v i a n ã o f o i obs t á c u l o à i n t eg r�

ç ã o po l í t i c a dos t ra b a l h a d o r e s q u e p a r a t a n t o r e c o r r er am I e n t r e o u ­

t r a s c o i s a s l ao s i s t ema b i pa r t i d á r i o e x i st e n t e e à l eg i t i ma ç ã o de

s u a s e n t i d ad e s s i nd i c a i s m a i s r e p r e s e n t at i v a s .

N o q u e s e r e f e r e ao t i po d e c o n t r o l e e x e r c i d o p e l o g o v e r n o I

a a u t o n om i a do mov i m e n t o e s u a i n depend ê n c i a f r e n t e ao s i s t ema po­

l í t i c o pa r t i d á r i o o pouparam de u m cont r o l e d i re t o .

2 . O TRAB A L H I SMO N O BRA S I L

O B r a s i l n u n c a c o nt o u l a r i g or l c om q u a l q u e r p a r t ido so­

c i a l i s t a l t r a b a l h i s t a o u comu n i st a e x p r e s s i v o q u e t i ve s s e a m p l a r e -

p r e s en t a t i v i d ade j u n t o a o s t r a b a l h a d o re s . Por o u t r o l ado l a l ivre

org a n i z a ç ã o t r a ba l h i s t a e s i n d i c a l f o i g ra n d em e n t e obst a c u l i z a d a p�

l a a ç ã o dos emp r e s á r i os e d o E s t ado d e s d e o i n í c i o da i n d u st r i a l i ­

zação .

A e x empl o dos E s t ados U n i d o s l d u r a n t e m u i t o t empo o país

n ã o t e v e o r g a n i z a ç õe s d u r á v e i s v i n c u l ad a s à c l a s s e t raba l h ad o r a q u e

por t av a d e n t r o d e s i v á r i as d i f e r e n c i a ç õe s . Aqu i t ambém a imigra-

ç ã o l a s d i f e r e n ç a s r e g i o n a i s I a e s c r a v i d ã o e a e s c a s s e z d e mão - d e -

o b r a s ã o f r e q U e n t e m e n t e l em b r a d a s como f a t o r e s i n i b id o r e s para a

f o r m a ç ã o d e uma c l as s e ope r á r i a ma i s a g r es s i va . D i f e r e n t emen t e dos

E s t ados U n i do s I c o n t u d o I n ã o h o u v e n o B r a s i l uma r e s i s t ê n c i a c o n t í ­

n u a e a c i r r a d a à i n f l u ê n c i a do E s t a d o n a r eg u l am e n t a ç ã o do mercado
29

d e t r aba l h o . A o c o n t r ár i o , é quase c o n s e n s u a l e n t r e o s a n a l i s t as a

v i s ã o d e q u e o E s t ad o b r a s i l e i r o t eve papel dom i n a n t e e i n o v ad o r na

r e g u l ament a ç ã o do m e r c a d o de t ra b a l h o e nas mod a l i d ad e s a s so c i a t i �

v a s d o s t ra b a l h a d o r e s .

A p r e s e n ç a d o E s t ad o n o c a s o b r a s i l e i ro o fe r e c e port a n t o

d i s t i n ç õ e s e m r e l a ção a o s o u t r o s c a s o s . o E s t ado i n g l ê s não c h e g o u

a s e r e n t e n d i d o p e l o mov i m e n t o t r aba l h i s t a c o m o um ator destoante

d a s o c i edade . Foi entendido como parte del a , e os t ra b a l h a d o r e s

a e l e r e c o r r e r a m porque o c o n s i d e r a vam u m a l i ado i mport a n t e para

s u a s conqu i s t as . Era entendido como um protetor e como uma e x pr e�


34
sa
- o d a SOC 1. e d a d e . N o s c as o s b r a s i l e i r os e a l em ã o essa di ferença

e n t r e E s t a d o e s o c i ed a d e f o i m a i s e v i d e n t e e m a r c o u o mov i m e n t o

t raba l h i s t a d e f o r m a d i f e r e n c i ad a . No B r a s i 1 , embora se recorres-

s e à i d é i a d e um E s t a d o a l i a d o d o s t r a b a l h ado r e s , formo u - s e n a prá-

t i ca a s up rema c i a do E s t a d o , n u m p r o c e s s o s i m i l a r a o mode l o g e r mân�

co. Coube , por e x empl o , ao E s t a d o b r a s i l e i ro d e f i n i r d e s de as r e -

g r a s de f u n c i o n a m e n t o i n t e r n o do s i n d i c at o a t é o n ú m e r o e a s c a t e -
. 35
g o r 1. a s d e S 1. n d 1' c a t o s a s e r e m c r 1 a d os . P os t e r i orment e , c o u b e a i n -

d a ao E s t a d o impo r , d e n t r o d a l e g i s l a ç ã o p ar t i dá r i a d e 1 94 5 , O t i po

d e par t i do m a i s c o n v e n i e n t e p a r a a org a n i z aç ã o pol í t i c a dos sindi-

c at o s .

I s t o pos t o , c o n v é m r e v i s i t a r a s t r ê s d i me n sões " apontadas

no i n í c i o d e s t e t r a b a l h o ( re l a ç õ e s e n t r e s i n d i c a t o e p a r t i do ; t i po

d e i nt e g r a ç ã o pol í t i c a propi c i a d a à c l a s s e t ra b a l h a d o r a e t i po de

34 . A s o c i a l d e m oc r a c i a e o t r a b a l h i smo i n g l ês , 1 9 8 3 .
3 5 . Ev a r i s t o d e M o r a e s F i l h o , 1 9 7 8 .
30

c o n t r o l e e x e r c i do p e l o g o v e r n o ) e a c ompa n h á - l a s no que t o c a à ex-

pe r i ên c i a t r a ba l h i s t a do PTB .

Relações e n t r e s i n d i c a t o s e par t i dos

N o q u e c o n c e r n e e s t r i t am e n t e às r e l a ç õ e s e n t r e s i nd i c a t o e

par t i d o , o B r a s i l se a f a s t a d e t odos os mode l os an t e r i o r e s . Teve um

par t i d o t r aba l h i s t a ( ao c on t r á r i o dos E UA ) , m a s esse pa r t i d o não

f o i um d e s a g u a d o u r o d a s n e c e s s i d ad e s e d a v o n t a d e p o l í t i c a d o s s i n-

d i c a t os ( ca s o i n g l ês ) , n e m t e v e o papel d e v a n g u a r d a s oc i a l i s t a p a -

r a o m o v i m e n t o s i nd i c a l ( c a s o a l em ã o ) .

o PTB f o i c o n c e b i d o p a r a s e r um p a r t i d o e s t r i t ame n t e d i r e -

' n a d o p a r a o m e 1 0 S 1 n d 1' c a 1 . 3 6
"
C 10 T r a t av a - s e de a r t i c u l a r um par t i do

d e permeação e l i d e r a n ç a j un t o a u m a e s f e r a s i nd i c a l que f o ra por

s u a vez obra e c r i a ç ã o d o g ov e r n o . o part ido não surg i u CODO u m i�

t e r l oc u t o r p o l í t i c o na o r d e n a ç ã o d a s r e g r a s e dos di reitos soci a i s

d a s o c i edade i nd u s t r i a l . S u r g i u q u a n d o e s t e p r o c e s s o j á e s t ava d e -

f inido e quando o mercado de trabalho urbano já estava d e \' i d amen t e

r eg u l a d o . P o r i s s o , e m s e u s pr i m e i r o s anos d e e x i s t ên c i a , t eve co-

mo m e t a a m a n u t e n ç ã o d a l eg i sl aç ã o t ra b a l h i s t a , a preservação dos

d i r e i t o s soc i a i s obt i do s e a i n c o rp o r a ç ã o dos d i r i g e n t e s s i nd i c a i s

a l ç ados a e s s a pos i ç ã o d u r a n t e a d i t ad u r a . Não t e v e p o r t a n t o a t u�

ç ã o p i o ne i ra n a f or m a ç ã o e n a c o n s t r u ç ã o d a i d e n t i d a d e da c l as s e

t ra b a l h a d o r a d o p o n t o d e v i s t a d o r e o o n h e c i m e n t o e o o n ô m i c o de suas
37
a t 1' V 1' d a d e s .

36 . Ange l a d e C a s t r o G om e s , 1 9 8 8 .
37 . P a r a c o n f e r i r i n f o rm a ç õ e s e d a d o s d o r e s t a n t e do ver
M a r i a C e l i na D ' Ar aú j o , 1 9 8 9 .
31

S e p e n s a rmos , e n t r e t a n t o , que s e t ra t a v a d e uma a g r e m i a ç ã o

d e s t i n a d a a d i r e c i on a r a a t i v i d a d e pol í t i ca s i n d i c a l e a l i de r a r o s

t ra b a l hadores e m s u a s d e m a n d a s pol í t i c as n u m c o n t e x t o em q u e a p r e ­

s e n ç a e a a u t o r i d a d e do E s t a d o e r a m i n q u es t i on á ve i s , o P T B pode s e r

apr o x i mado d o mod e l o s o c i a l d e m o c r a t a d e v a n g u ar d a operá r i a . Mas ,

q u a n t o a e s t e aspe c t o , uma d i s t i n ç ã o é i mport a n t e . Aqui essa van­

g ua r d a n ã o f o i compo s t a p o r l í d e r e s s o c i a l i s t as e sim por membros

d a buroc r a c i a e s t a t a l c o n e c t ados com a e s t r u t u r a s i nd i c a l c orporat�

va.

Houve s i m uma t e n t a t i v a bem e l a b o r a d a d e , a t ra v é s d o PTB ,

e n c ap s u l a r o s i s t ema s i n d i c a l c o r por a t i vo d e n t ro de uma o rg a n i z a ç ã o

( o par t i do ) t a l h a d a p a r a a t u a r n a á r e a d a repr e s e n t a ç ã o pol í t i c a

n os m o l d es c l á s s i c 9 s d o s i s t em a r e p r e se n t a t i v o . A predom i n â n c i a d e

s i n d i c a l i s t a s d e n t r o d o PTB f o i , c o n t udo , e fê m e r a e i mprod u t i va no

que t o c a à s u a e x pa n s ão .

Asso c i ad o a o c a r i sm a d e V a r g a s , o par t i do t e r i a q u e e n f re�

t a r d i f i c u l d a d e s i n t e r n a s para d e f i n i r e l e g i t imar s e us quad ros d i -

r i g e n t e s , e e s s a s d i f i c u l d a d e s f or a m par t i c u l armen t e maiores nos

p r i m e i ros a n o s , q u a n d o a s t e n t a t i v a s d e compor com os dirigentes

s i n d i c a i s d e n t r o d o p a r t i d o f o r am ma i s i n t en s a s .

Procurou-se de f i n i r que a b a s e s o c i a l do P T B ser i a c ompos­

ta d e t ra b a l h ad o r e s , mas e s t e e x c l us i v i smo t ambém foi f r u s t r ad o .

Como e s t r a t ég i a d e s o b r e v i v ê n c i a e l e i t o r a l , o part i d o t e v e que atuar

n o s e n t i d o de d i v e rs i f i c ar s e u s q u a d r os e s u a s bases , procurando

c om i ss o u s u f r u i r ao má x i mo a v i a l i be r a l r e p r e s en t a t i v a . Ou se j a ,

o s p r i m e i ros anos de e x i s t ên c i a f o r am s u f i c i e n t e s p a r a v i s u a l i z a r a

impo s s i b i l i d a d e d e s e t r a n spor p a r a um part i d o a e s t r u t u r a do s i n -

d i c a t o corpora t i v o . A t u an d o n a a r e n a pol í t i c a , por de f i n i ç ã o m a i s


32

imprev i s í v e l e m a i s compe t i t i v a , a m e r a t r an spos i ç ã o de estruturas

f i co u imprat i c á ve l . As d i n âm
, i c a s i n t e r n a s q u e reg i am ambas as es­

t ru t u r a s , a s s i m como s u a s f i n a l i d a de s , i mped i ram que o P T B se f i r-

masse como u m p a r t i d o e m i n e n t ement e c l as s i s t a . P o r i s s o , o PTB di

ver s i f i c o u s u a s base s , ampl i o u s u a s a l i an ç a s e l e i t o r a i s e , de forma

e x t remam e n t e h i e ra r q u i z ad a e c e n t r a l i z a d a , c u i d ou d e s u a e x pa n s ã o .

A t e n t o u part i c u l a r m e n t e p a r a a mun i c i pa l i z a ç ã o e a interiori zação

perdendo s e u v í n c u l o p r i v i l eg i a d o c o m o s i n d i c a t o e com a u r ba n i z a -
38
ção . Segundo G l á u c i o D i l lon soares , o número d e v e r e a d o r e s e l e i

t o s e m 1 9 5 4 - 5 5 i n d i c a q u e o PTB t r i p l i c o u s u a e x pa nsão em alguns

e s t ados ( AM , SP , BA , SE ) . S u a mun i c ipa l i za ç ã o , cont udo , cont i n u o u

s e n d o menor q u e a d o PSD e UDN , c o m e x c e ção d e são P a u l o e do D i s-

t r i t o Fede r a l .

o par t i do s a i u d a órb i t a d o mundo u r b a n o e amp l i ou seus

v í n c u l os nas r e g i ões d o i n t e r i o r , o que f o i f a c i l i t ado pela multi-

p l i c a ç ã o d e a l i an ç a s e p e l o a c e s s o q u e pôde t e r a a u t a rq u i as esta-

duais e federai s . S u a s b a s e s e l e i t o r a i s c on t i nu a r am , t o d a v i a , c o n -

c e n t r a d a s nos c e n t ros u rbanos m a i s d e s e n v o l v i dos , o que perm i t e ,

s e g u ndo G l áu c i o , c l a s s i f i c á - l o como u m par t i do com b a s e s d e c l as s e

b a s t a n t e d i s t i n t a s e com i n c l i n a ç õ e s popul i s t a s e r e f o rm i s t a s b em
39
d e f l.· n 1. d as .

No q u e t o c a a s e u c r e s c i m e n t o e l e i t or a l , a e s t r a t é g i a a d o -

t ad a f o i bem- s u c ed i d a . E m t e rmos d e r e p r e s e n t ação n a c â m a r a F e d e -

r a l , o c r e s c i me�t o d o PTB f o i d e f a t o not áve l . D e 2 2 d e p u t a d o s em

1 94 6 , p a s s o u para 1 1 6 em 1 9 6 2 , o que cor r esponde a um aume n t o de

3 8 . G l á u c i o Ary D i l l on S o a r e s , p . 8 3 - 8 5 .
39 . Idem, p . 2 2 2 .
33

s u a par t i c i p a ç ã o d e 7 , 7 % p a r a 2 8 , 4 % no t o t a l d e c a d e i ras , enquanto

o PSD , q u e o c u p a v a 5 2 , 8 % d e s s e t o t a l e m 1 94 5 , passou p a r a 2 8 , 8 % no

mesmo p e r í o d o .

o g ra n d e boom d o PTB o c o r r e u e m 1 9 50 e 1962 . N o p r i me i ro

c a s o , a c a n d i d a t u r a d e V a r g a s à p r e s i d ê n c i a d a Repúb l i c a f o i a p r i �

c ip a l r e spon s á v e l por e s s e d e sempe n ho . N o seg undo , o s u c e sso se

d e v e u p r i n c i p a l m e n t e à a s s o c i aç ã o já s e d i m e n t a d a e n t ã o e n t r e o PTB

e o r e f o r m i smo , asso c i ação essa q u e f a z i a d o PTB um " p a r t i d o d a na­


40
ção· com forte ape l o popu l a r e mob i l i z a t ó r i o .

Pode-se observar que a i d e n t i dade d o partido sofreu a l t e r a

ç õ e s d e q u a l i d ade , mas n u n c a a v i a r e v o l uc i oná r i a foi e n c ampad a .

S u a v i s i b i l i d a d e pol í t i c a , a p a r t i r d o s anos 50 , se d e u f undame n t a l

men t e pe l a a s s oc i a ç ã o c o m as b a n d e i r as n a c i ona l i s t a s e r e f o rm i s t as ,

e não t a n t o pe l a d e f e s a d a q u e s t ã o soc i a l e t r a ba l h i s t a . O s probl�

mas e c o n ôm i c os "na c i on a i s s u p e r a r am , nos pet ebi s t as ma i s a t u a n t e s , as

q u e s t õ e s d emoc r á t i c a s e t ra b a l h i s t a s , e l h e s d e r am um t om c r e s c e n -

t e m e n t e opos i c i o n i s t a . Por i sso mesmo , o PTB não c o n s eg u i u fi xar-

s e c omo u m p a r c e i r o d o poder . Menos a i nd a c o n s eg u i u res e r v a r para

s i a f u n ç ã o p r e c í pu a d e e x pr es s ar a s d emandas d o s t r a b a l h a d o r e s qua�

d o o r g an i z ados e mob i l i z ados . Mesmo m a n t e n d o um s ó l i d o v í n c u l o c om

a e s t r u t u r a s i nd i c a l , a e x p r e s s ã o pol í t i ca d o m o v i m e n t o s i nd i c a l

g rad a t i vamen t e f o i par t i l h a d a c o m o rg a n i z a ções m a i s radi ca i s , c omo

o CGT e o u t r a s e n t i d ad e s par a l e l as à e s t r u t u r a s i nd i c a l , mu i t as v e -

z e s al i ad a s a o PC e em c l a r a c o n c o r r ên c i a c o m a s l i d e ra n ç a s pete-

b i st a s .

4 0 . A t r a n s i ção d e um par t i d o d e t r a b a l hadores p a r a um par t i d o da


n a ç ã o é e x a m i n a d a por A d a m Preswor s k , 1 9 8 9 .
34

I n t e g ração e i ncorporação d a c l asse t r abalhadora

v á r i a s v e z e s e por d i ve r s a s r a z ões , s e t o r e s do PTB disse-

r a m t e r em m i r a um mode l o s oc i a l i z a n t e d e d e s e n vo l v i m e nt o . Var-

g a s e n f a t i z o u e s s e aspe c t o em pronun c i amentos após 1 9 4 6 n u m t o m q u e

e v i d e n c i av a c l a r a m e n t e a i n f l u ê n c i a do t ra b a l h i s mo britânico. Ou

se j a , pos t u l a v a a b u s c a de um modelo que i n c orpo r a s s e os t r a b a l h a d o ­

r e s à r e n d a e à pol í t i c a ' n a c i o n a i s , de modo g ra d u a l e c o l a b o r a t i v o .

Fa z i a - o , c on t u do , como s e e s t a f o s s e a g ra n d e d e scober t a do traba­

l h i smo b r as i l e i r o , que e s t ar i a d e s b r a v ando uma t e r c e i r a via frente

ao s i s t ema mund i a l b i part i d o e n t r e c a p i t a l i smo e comun i smo . Sabe-

s e que a mesma " i n o v a ç ã o " e r a apreg o a d a por perón na A rg e n t i n a e

q u e , d e o u t r o l ado , mu i t os pa í s e s c ap i t a l i s t as d e s e n vo l v i do s esta­

v a m , no pós-g u e r r a , c o l o c a n d o em p r á t i c a uma n o v a mod a l i d a d e po l í ­

t i ca ma i s a t e nt a à q u e s t ão s o c i a l - o W e l f a r e S t a t e .

Se o a s p e c t o dou t r i n á r i o e i de o l óg i c o , enquanto p ropo s t a

v i n c u l ad a a uma r e l a ç ã o p r i v i l eg i ad a j u n t o à s c l as s e s t r a b a l h ad o -

r a s , é u m aspe c t o i mpo r t a n t e a s e r con s i d e r a d o na aná l i s e do PTB , o

mesmo pode s e r d i t o em r e l a ç ã o à s u a a t u a ç ã o p a r l amen t ar e à sua

part i c i pa ç ã o no g ov e r n o . Por duas vezes notór ias l i de r a n ç a s pete-

b i s t a s ocuparam a pre s i d ê nc i a d a Repúb l i c a - v a rg a s e João Gou-

l a r t - , m a s em n e n h u m a d e s s a s s i t u a çõ e s pode - s e a f i rm a r que o PTB

t en h a se compor t a d o cõmo u m par t i do do g o v e r n o . Mesmo no C o n g r e s -

so , o par t i d o n ã o f o i u m a f o n t e s e g u r a de apo i o a esses governos .

T r ad i c i o n a l men t e , c o n t u d o , o P T B o c upou o M i n i st é r io do T r a b a l h o e

d e l e e x t r a i u r e c u rsos v i t a i s p a r a a con sol i d ação de seu pode r .

D u r a n t e t o d a a s u a e x i s t ê n c i a , o PTB d e b a t e u - s e com uma

s i t u a ç ã o d i l emá t i c a e n t r e s e r g o v e r no e s e r opo s i ç ã o . I n i c i al m e n t e
35

r e a g i u a tomar uma a t i t u d e i n t eg ra c i on a l i s t a f r e n t e a o g o v e r n o p a r a

p r e s e r v a r s u a " p u r e z a " d e pa r t i d o c l a s s i st a , e q u a n d o foi al çado à

c o n d i ç ã o d e g o v e r n o , não se compo r t o u cemo t a l . Ao c on t rá r i o do

q u e p r e t e n d i am s e u s m e n t o r e s , o h i at o e n t r e t ra b a l h i smo e e s t ab l i s h ­

m e n t n u n c a f o i c l a ramen t e res o l v i d o , e i sso s e r i a espe c i a l me n t e e x ­

p r e s s i v o n o s anos 6 0 , q u a n d o o par t i do se p r o c l amava o agente das

g ra n d e s t ra n s formações n a c i o na i s .

O c o l apso d o reg ime e m 1 9 6 4 , é c l ar o , v a i m u i t o a l é m d e s ­

s e s d e s e n c o n t r o s e n t r e o s t r a b a l h a d o r e s e s e u part i d o , m a s e s t a n ã o

d e i x a d e s e r uma v a r i á v e l i mpo r t a n t e p a r a e x p l i c á - l o . Os problemas

com o P T B e c o m o s i s t ema pol í t i c o b r as i l e i ro q u e d e r i v a r am no g o l ­

p e d e 1 964 , t r a z e m i nd ub i t av e l me n t e a m a r c a das d i f i c u l d a d e s q u e o

pa í s t e m e n c o n t r a d o p a r a i nc o r po r a r os t ra b a l h ad o r e s à arena po l í ­

t i ca d e forma o r g a n i z a d a e l e g í t i ma .

Os d i v ersos e s t u dos d e Leôn c i o M a r t i n s Rod r i g u e s t êm de­

mon s t rado a imb r i c a d a r e l a ç ã o e n t r e os s i n d i c a t o s e o Est ado e s u a

i ns e r ç ã o na po l í t i ca n a c i o na l . E s t ad o e s i n d i c a t os se a l i m e n t avam

m u t u ame n t e , e o PTB t eve um papel i mpo r t a n t e p a r a c o n so l i d a r essa

r e l a ção . Não con t r i b u i u por t a n t o p a r a c r i a r a l t e r n a t i v a s mais au-

t ônomas p a r a a i n se r ç ã o p o l í t i c a d o s t r aba l h ador es . A l é m do m a i s ,

q u a n d o o mov i m e n t o s i nd i c a l s e e x pand i a e r a c o n t r o l a d o por outras

f o r ç a s pol í t i c as q u e l h e d a v a m u m t om m a i s rad i c a l q u e e s c apava a o

c o n t r o l e d a d i re ç ão d o pa r t i d o . D i sput as e n t r e l i d e r a n ç a s d e n t r o e

fora do P T B p a r a c o n t ro l a r o mov i m e n t o s i n d i c a l e a conseqü e n t e r a

d i c a l i z ação e n t r e e l a s f o r am pre j ud i c i a i s à t a r e f a i 9t e g r a t i v a . Em

v e z de c r i ar um a t or l eg í t im o , e s s e s mov im e n t os g e r a ram um inimigo

d e n t r o d o s i st ema . N ão porque h o u v e s s e uma comp l e t a i n t e g r a ç ã o n�

g a t i v a , como n o c a s o a l emão , mas porqu e , q u e r e n d o c he g a r m a i s p e r -


36

t o do g o v e rn o , a s l i d e r a n ç a s r ad i c a i s c o l o c ar a m o g o v e r n o e o s tra

b a l h ad o r e s sob s u spe i t a . O r e s u l t ad o f o i a r e a ç ã o c o n s e rvado r a ,

q u e m a i s uma v e z c o l o c o u os t r a b a l ha d o r e s sob o cutelo d i re t o do

E s t ad o , i mpe d i n d o-os por v á r i o s anos de q u a l q u e r pos s i b i l i d a d e de

man i fe s t a ç ã o .

P o r t ud o i s s o , e con s i d e ra n d o o c o n s e r v a d o r i smo e o diri­

g i smo d a s o c i ed a d e b r as i l e i r a , o PTB n ã o f o i u m canal bem- s u c e d i d o

n a i nt eg ra ç ã o pol í t i c a d o s t ra b a l h a d o r e s . Osc i l ou entre ser g o­

verno e opos i ç ã o e u s o u ( e apo i o u ) o poder d e p r e s são s i n d i c a l c o mo

m e t a d e c r e s c i m e n t o do par t i do . N e s t e proc e s s o , a l eg i t i m i d ad e do

t r abal h i smo e n q u a n t o i n s t rume n t o p a r a expan d i r d i r e i t o s p o l í t i co s e

s ó c i o- econôm i cos dos t raba l h ad o r e s f i co u pre j ud i c a d a . A ação do

P T B f o i c r u c i a l p a r a q u e os t r a b a l h a d o r e s cont i n uassem a ser vis­

t os como i n i m i g o s d a boa ordem pol í t i c a s empr e que t e n t a v a m f o r t a l e

c e r s e u pode r a u t ônomo o u j u n t o aos ó r g ãos g o v e rn ament a i s .

Tra b a l h i s m o e c o n t r o l e g overname n t a l

N a A l emanha , t a l como f o i v i st o , f o i o p a r t i d o q u e a s s um i u

a d i re ç.ão do mov i me n t o s in d i c a l , a s s e n t a n d o - s e p a r a t a n t o n uma t r a­

d i ç ão d e h i e r ar q u i a e a u t o r i d a d e que n o r t e a v a aqu e l a soc i ed a d e . No

B r a s i l foi o próp r i o E s t ad o que tomou a si a t a r e f a de regular a

q u e s t ã o s i n d i c a l d e s v i n c u l a n d o - a i n i c i a l me n t e d e qualquer relação

p a r t i dá r i a .

F o i e s s a pod e rosa e s t r u t u r a s i nd i c a l m o n t a d a pe l o E s t ad o

d e s d e os a n o s 30 , a s s i m c omo a l e g i s l ação soc i a l d e c or r e n t e desse

per í od o , que f o r j aram a i d é i a d e u m E s t a d o p r o t e t o r e a l i ado das


37

c l a s s e s t r a b a l h ad o r a s . Em 1 945 , q u a n d o cai u forma l m e n t e o Estado

Novo , a f i g u r a d e V a r g a s e s t a v a d i r e t a m e n t e a s s o c i ad a a e s s a s r e a-

l i za ç õ e s , e o f i l ão pol í t i c o d o t ra b a l h i smo g e t u l i st a foi e x a u s t i-

vamente e x p l o rado dando margem à c r i aç ã o d e d i versos par t i dos que

usaram dessa nome n c l a t u r a .

o P a r t i d o Traba l h i s t a B r a s i l e i r o , a exemplo d e o u t r o s p a r -

t i dos c r i ad o s e m 1 94 5 , t e v e pape l impo r t a n t e n o s e n t i d o d e amen i za r

a rupt u r a c o m o passado r e c e n t e .
41 Fo i u m a c r i a t i va o b r a d e e n g e -

n h a r i a pol í t i c a a r t i cu l a d a d e n t r o d o E s t a d o , e i s t o o d i s t i ng u e de

o u t r a s e x pe r i ê n c i a s h i s t ó r i c a s aqu i m e n c i on a d a s . Essa d i s t i nção

f i ca m a i s m a r c a n t e q u a n d o s e s a b e d e q u e f o rma f o i p l a n e j a d o e com

que propó s i t o s . Se e r a um c a n a l impo r t a n t e p a r a fazer frente ao

PC , c u j o peso e l e i t o r a l era b a s t a n t e e x p r e s s i v o ( qu a r t o pa r t i d o em

votação n a s e l e i ç õ e s de d e z embro d e 1 9 4 5 ) , era t ambém um m e c a n i smo

i mport a n t e para d a r cont i n u i d a d e ao i d e á r i o t raba l h i s t a g e t u l i s t a e

ao s i nd i c a l i smo corpo r at i v o t ã o e x a l t ado d u r a n t e o E s t ado N o v o .

S i n t e t i z an d o o r a c i o c í n i o , o PTB , p r e t e nd e n d o - s e t r aba l h i s

t a , f o i c r i ado a par t i r d o a l t o p a r a a t u a r j un t o a um meio sindi-

c a l c u j a r e g u l a çã o f o r a t ambém o r d e n a d a p e l o a l t o . D e o u t r a part e ,

é pos s í v e l obse r v ar q u e s u a i ns p i r ação f o i b u s c a d a no mode l o b r i t â -

nico. P a r a o s t eó r i c o s d o p a r t i d o , a f u n ç ã o p r e c í pu a d o PTB d e v e -

r i a s e r a d e i nc l u i r os t r a b a l h ad o r e s o r g a n i z a d o s d e n t ro da esfe-

r a d e a ç ã o p o l í t i ca d e forma a g a r a n t i r s u a i n t e g r a ç ão h a r mô n i c a n o

s i s t ema pol í t i co e a t r a v é s d e s s a i n c l usão , b u s c a r o aprimoramento

c on s t a n t e d a s r e l a ç õ e s d e pode r d e forma a i n corporar g ra d a t i v am e n ­

t e e s e m c h o q u e s a q u e s t ão s oc i a l d e n t r o d a a g e n d a p o l í t i c a do s i s -

41 . Mar i a d o Carmo Campe l l o e S o u z a , 1 9 7 6 .


38

t ema represent a t i v o , sem pre j u í zo d a estrutura corporat i v a . Isso


represent ava , d e certa forma , uma tendênc i a para o c o n t r o l e perm i s ­
s i vo - v i a part i d o - , a i nda q u e a h i st ó r i a do movimento t r a ba l h i s t a
42
t i vesse s i do pautada p e l o c o n t r o l e autor i t á r i o . Por t u d o i s s o ,
o PTB n ã o f o i exatament e u m part ido soc i a l -demo c r a t a ou um l abour-

par ty. Foi um h í b r i d o dessas duas expe r i ên c i a s , e sua marca p r i n ci

pal foi o es forço constante que f e z para usufru i r de seus l aços c om


o governo para f o r t a l e c e r o poder de suas l i deranças .

A r e l a ç ã o de depen dênc i a entre s i nd i c a t o e Estado f o i re-


produz i da na esfera do part i d o . E s t a r e l a ç ã o tão i med i a t a com o

E s t ad o a c i rrava a compe t i ç ão e n t r e l ideranças d e n t r o do partido e

acent uou seu caráter e x t r emame n t e o l i g á r qu i c o .

3. CONCLUSOES

Ana l i sando a e l e i ç ã o de J â n i o Quadros · para a pre s idênc i a


4
d a Repúb l i ca em 1 960 , Guerre i r o Ramo s , 3 que a exemplo d e mu i t os
anal i s t a s da época demonst rava um m i s t o de perp l e x i d ade e ot i m i smo
com a emergê n c i a po l í t i ca das massas , f a z i a um b a l a n ç o desan i mador

d a a t u a ç ão d o t raba l h i smo na pol í t i ca n a c i o n a l . Segundo ele, a

e l e i ção daqu e l e pres i de n t e expressava c l a rament e a c r i s e d e repre­

sentat i v idade dos part i d os , que se d i s t a n c i avam cada vez m a i s do n í

vel de " di s cernimento das massas " . Essa c r i s e de repre s entação ,


segundo e l e , a t i ng i a d i retamente o PTB , que em 60 e s t a r i a encerran-

42 . Carl Schwe i n i t z , 1 9 8 3 .
4 3 . Guer r e i r o Ramos , 1 9 8 1 .
· FUNDAÇAo GETÚLIO VARGAS 39
l INDIPO f CPDOC

do seu c i c l o de bene f i c i á r i o do c a r i sma de Vargas e es t a r i a promo-

vendo o d i vórc i o entre o paterna l i smo j an g u i s t a e a ala mais dis-


pos t a a adapt a r o part i d o à nova cons c i ên c i a nacional .

P a r a esse impasse represen t a t i v o , Gue r r e i r o Ramos sal i en-


t av a a cont r i b u i ç ã o do t rabal h i smo , marcado por quatro " doenças i n -

fant i s " . Para Ramos , a s e l e i ções de 1 9 5 8 e 1 960 , não obstante t e -


r e m s ido formalmen t e favoráv e i s a o PT8 , i n d i caram que t e r i a chegado
ao f i m o c i c l o i n i c i a l do t rabal h i smo e que o PT8 , por merecer ser
o " órgão de e x c e l ên c i a das asp i r a ções da c o l e t i v idade t ra b a l hadora
d o pa í s " , t e r i a que a j ust ar-se ao n í v e l de mat u r i d ade das massas .

E s t e d i s cu r so i datado , a s s i m como o d i agnós t i co das " do-


enças " t raba l h i s t a s , que se resum i am no var g u i s mo , no j angu ismo , no

pe 1 e g u 1 smo e no exper t 1· smo . 44


. Em r e l a ç ã o à prime i ra , o autor vê
aspec tos pos i t i v os e negat i vos . Vargas t e r i a s i do " o g ê n i o do em-
p i r i smo e por i s s o mesmo , dóc i l à res u l t an t e dos f a t os " . o varg u i�
mo , pori m , n ã o " se consubst a n c i o u numa dout r i na " e cont i nu o u sendo

um el emento r e s i d u a l impregnado de crenças e impressões v a l orat i -


v a s para seus adept o s . o j an g u i smo , por sua vez , seria u ma forma

d e " se g u i d i s mo " . Goul art i n s i s t i a em s e apresentar como o seg u i d o r


e herde i r o d e vargas , e a s posi ções q u e tomou em d e f es a d e r e i v i n -

d i cações sal a r i a i s e s i n d i c a i s d er am- l h e g rande pres t í g i o . Tod a v i a


Goulart pautou sua a t u a ç ão p e l a manipul ação das cúpulas part i d á r i a
e s i n d i c a l e n ã o s e d e d i c ou a um t rabalho d e org a n i z a ção d a s bases

t r ab a l hadoras , t a r e f a i mpres c i nd í ve l para o PT8 se t ra n s f ormar


em um par t i d o de massas .
E x a t amente porque não s e converteu em par t i do de mass as , o
peleg u i smo pôde a s s u m i r papel t ã o impo r t a n t e no PT8 . " I rmão s i amês

44 . I dem , p . 9 0 .
40

d o varg u i smo e do j a n g u i s mo " , o peleg u i smo acabo u , porém , t e ndo um


papel pos i t i v o na comun i cação entre s i nd i c a t os e gove rno . F i nalmen­
te o expert i smo de que nos f a l a Ramos i n d i c a que , em t ermos dou t r i -
n á r i os , o traba l h i smo s e u t i l i zo u d e t eo r i a s encomendadas a "ex-
per t s " e n ã o a s formu lou a part i r d e suas l u t a s i n t ernas e de sua

prát i c a concre t a . O PTB , na percepção d e s t e aut o r , é pass í v e l , pOE

t an t o , de ser c l as s i f i cado como m a i s uma das invenções do " Bras i l


l eg a l " .

As teses deste autor devem s e r cons i de r adas p r i n c i p almente


em sua ava l i ação acerca do persona l i smo e do d i r i g ismo do PTB . Não

parece ser corret o , cont udo , a tese de que o par t i do e s t i v e s s e des­

v i nc u l ado da real i dade bras i l e i r a . Mu i t o pelo contr á r i o , o PTB es­


t ava referen c i ado à nossa e s t r u t u r a s i nd i c a l c o rporat i va e quis
reprodu z i r essa e s t r u t u r a c e n t r a l i zada n o plano d a democ rac i a l i be­
ral represen t a t i v a . Seu probl ema não foi t e r ou não t e r s i do r e ­

presentat i v o d a s " massas avançadas " . O d i l ema q u e v i v en c i ou foi

corrente e m outros part i dos t ra ba l h i s t as e s e t raduz pela estraté­


g i a e pe l a ambi ç ão de ser ao mesmo t empo um part ido d e c u n h o c l as ­
s i s t a e u m part i d o d e toda a nação , s i t u a ç ão agravada , n o c a s o bra­
s i l e i ro , por sua dependên c i a do governo .

O experimento peteb i s t a é revelador de algumas c a r a c t e r í s ­

t i c a s e tendên c i as import ant e s na c u l t ur a pol í t i ca bras i l e i ra . Em


p r i me i ro l ug ar , não se pode a t r i b u i r ao PTB o papel de a g e n t e cons­
t i t u t i v o da i dent idade d a c l asse t r aba l h adora . Essa i de n t i d ade f o ­
r a d a d a pelo E s t ado N o v o e r e f e r i a - se ao s t a t u s do t r abal hador bra­
s i l e i ro como ator produ t i vo e por t a n t o merecedor de uma l e g i s l ação

soc i a l que o amparasse .


41

Em segundo l u g a r , a organ i z ação de um partido t raba l h i s t a

entre nós , d a Ío rma como ocorreu , i mpl i cou ' que a org a n i z a ção par­
t id á r i a dos trabal hadores , v i a s i nd i cal i smo corpora t i v o , fosse con­

cebida como mais i mpo r t a n t e do que a ident i dade c u l t ural e soc i a l


d a c l a ss e . Em t e r ce i r o , baseando-se numa e s t r u t u r a corporat i v a ce�

t r a l i zada , o PTB reprod u z i u um mod e l o não federa t i vo de pensar e

f a z e r pol í t i c a . Foi o par t i d o d e m a i o r popul a r i dade e , n o plano i n


terno , o m a i s o l i g á rq u i c o e i n t ol erante dos grandes par t i d os bras i ­
l e i ros .
Em quarto l ug a r , a o d e f i n i r-se como t ra b a l h i s t a não revo­

l u c i onár i o , mas n a c i o na l i s t a e reform i s t a , o PTB v i veu s empre uma

s i t uação d i l emát i c a entre ser governo e ser opos i ção morme nte po�
que o gradul i smo r e form i s t a não entrou em voga no pa í s . Depend i a do
acesso aos recursos de poder do governo cent ral , mas ao mesmo t empo
usava uma e s t r a t é g i a de opos i ç ã o que propu g n ava por mudanças nas
e s t r u t u r a s do E s t ado e d a s o c i edade bras i l e i ra - as r e f ormas de
base .

Em q u i n t o l u g a r , o PTB optou pela v i a l i beral burguesa d e


representação e amp l i o u al i an ç as e l e i t o r a i s n e s s e sent i d o . Ao mesmo
t empo mant eve suas relações c l i en t e l i s t as com a e s t r u t u r a s i nd i c a l
e f o i o par t i d o q u e m a i s mob i l i zou a massa para a ação d i re t a con­

tra o govern o .

F i nalment e , e sobretudo , o PTB f o i expressão cabal de um


expe r i mento que , a exemplo de outros recorrentes no Bras i l , procu­
rou fazer do c o n t r o l e d o Est ado o p r i n c i p a l i n s t rumento d e t r a n s f o r

m a ç ã o s o c i a l e econômi c a . Tudo ocorr i a como s e p a r a o part i d o ser

s o c i almente forte ele t i vesse que t omar o Est ado de a s s a l t o .


42

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Apg e l a M a r i a d e Castro Gomes & M a r i a Ce l i na S . D ' Araú j o . 1 98 7 . Ge


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ral do Estado Novo .

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Indust r i a l i zação e c l asse t rabalhadora no R i o de Jane i ro : novas
perspe c t i vas de aná l i s e .

Ri cardo Benzaquen de Araú j o . 1 9 8 8 . I n med i o vi rtus : uma anál i s e


d a obra i nt eg r a l i st a de M i g u e l Real e .

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do Segundo Governo Vargas ( 1 9 5 1 - 1 9 5 4 ) .

Reg i n a d a Luz More i ra . 1 99 0 . Arranjo e d e s c r ição em argu i vos pr i


vados pessoa i s : a i nda uma e s t r a t égi a a s e r d e f i n i d a ?

Gerson Moura . 1990 . O a l i nhamento sem recompensa : a pO l í t i ca ex­


t e rna do Governo Dut r a .

Ang e l a Mar i a d e Castro Gomes . 1 9 9 1 . Repúbl i ca , trabalho e c i dada­


nia.

Correspond ê n c i a

TEXTOS CPDOC

P r a i a de Botafogo , 1 9 0 , s a l a 1 2 1 4
2 2 250 - R i o d e j an e i ro , RJ
Tel e fone : ( 02 1 ) 5 5 1 - 1 5 4 2 - Ramal 354