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FAUUSP • Pós-graduação • Paisagem e Ambiente AUP 5886 | O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL

| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS

SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS DE FORTALEZA (CE): UM DESAFIO PARA AS QUESTÕES URBANAS E AMBIENTAIS

aluno | Newton Célio Becker de Moura

Arquiteto e Urbanista. Servidor Público da Universidade Federal do Ceará como Arquiteto e Urbanista da Coordenadoria de Obras e Projetos. Mestrando em Paisagem e Ambiente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo FAUUSP.

e-mail: arqnewton@yahoo.com

RESUMO

O presente trabalho problematiza os espaços livres públicos da cidade de Fortaleza a partir da compreensão de seus elementos definidores, do seu processo de planejamento urbano, da gestão destes espaços e da tensão entre a legislação ambiental e a urbana. Esse entendimento é pautado em uma perspectiva integrada de seus componentes, com especial ênfase nos recursos hídricos ali disponíveis e na sua potencialidade como elemento estruturador de um sistema de espaços livres, referenciando-se em conceitos e experiências anteriores, em busca de alternativas viáveis e fundamentadas nas configurações e interfaces sócio-urbanas locais.

INTRODUÇÃO

A vida urbana ocorre em duas instâncias: uma pública e social, extrovertida e inter-relacionada. É a vida nas ruas e praças, parques e espaços cívicos e em áreas de compras. E outra privada, introvertida, pessoal e individual, que procura reclusão e privacidade (Halprin, 1972). Essa vida privada precisa de espaços abertos de diferentes formas, mas precisa também de um invólucro, de distância das multidões, calma e relaxamento. Para ter um ambiente urbano adequado, a cidade deve responder a essas duas necessidades e às atividades realizadas em cada situação. Os espaços livres são diferentes entre si e exercem funções distintas. Podem ter a função de passagem, de espaço para eventos e encontros ou simplesmente para o descanso e contato com a natureza. São nos espaços públicos que encontramos estímulos para uma vida criativa. Para Halprin (op. cit), esses espaços não são apenas integrantes da configuração espacial da cidade, mas uma necessidade biológica essencial para a vida. Gomes, citado em Alex (2008, p. 21,22), define que o espaço público

é [

qualquer tipo de pessoa, dentro de regras de convívio e debate. Assim, paradoxalmente, embora o espaço público possa ser também o lugar das indiferenças, ele caracteriza-se, na verdade, pela submissão às

regras da civilidade. O que define um espaço como público, portanto, é exatamente a sua condição de livre acesso a todos os grupos sociais de uma determinada comunidade. É essa a categoria de espaços livres considerada nessa discussão.

Os espaços livres da cidade conformam um sistema. Entenda-se por esse sistema o conjunto de todas as áreas não ocupadas por edificações, aos quais as pessoas têm acesso (Magnoli, 2006). Quanto à sua morfologia, Macedo (2003, p. 53) afirma que os espaços livres urbanos, em sua maioria,

]

qualquer tipo de espaço onde não haja obstáculos à possibilidade de acesso e participação de

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL não são configurados por vegetação

não são configurados por vegetação e sim pela massa construída e pelo suporte físico em suas diversas formas de modelagem, sempre condicionadas pelas formas de propriedade e os parcelamentos decorrentes, que direcionam sua estruturação formal. Esses espaços, públicos ou privados, são destinados à circulação, lazer, recreação, acesso, conservação, preservação e produção, assumindo atributos funcionais, ambientais e estéticos (Macedo, 2003).

O sistema consubstanciado

pelos espaços livres é resultado da ordenação do espaço urbano através de

procedimentos de controle urbanístico, que, introduzidos

no Brasil durante o século

XX, encontram no plano diretor de desenvolvimento urbano uma ferramenta para disciplinar o crescimento da cidade e a ocupação do solo visando o bem-estar comum dos seus habitantes e o cumprimento da função social da cidade 1 . Verifica-se, contudo, uma discrepância entre a lei e a prática. Segundo Martins (2006), a legislação, tanto urbanística

como ambiental, estabelece como padrão um patamar inacessível à renda da maioria. Na prática, diante da ausência de subsídios, a conseqüência é que a população se instala em loteamentos irregulares, ocupações informais e favelas, justamente nos lugares ambientalmente mais frágeis, protegidos por lei, portanto desconsiderados pelo mercado formal (Fig. I). Além disso, a vinculação da habitação ao solo e à propriedade privada dificulta a sua produção em larga escala e encarece o seu custo, obrigando os mais pobres a ocupar as periferias e áreas de proteção (Villaça, 1986).

No caso de Fortaleza (CE), a sobreposição de leis, o caráter restritivo da legislação ambiental

baseado em critérios aleatórios e pouco realistas, e a ausência de interseção entre os espaços constitucionais dos assentamentos urbanos e do meio ambiente 2 agravam os conflitos entre

urbanos e do meio ambiente 2 agravam os conflitos entre Fig. 1 – A cidade informal

Fig. 1 A cidade informal que ocupa as dunas do litoral leste e a cidade formal que se verticaliza na orla e bairros adjacentes.

1 Segundo Saule (2007), apesar do Estatuto da Cidade ter definido instrumentos para garantir o cumprimento do direito à cidade, as funções sociais da cidade como forma de assegurar o ambiente urbano sustentável, já haviam sido introduzidas na Constituição Brasileira de 1888 pelo artigo 182, garantindo, no âmbito jurídico, o bem-estar dos habitantes da cidade independente de sua origem social, condição econômica, raça, cor, sexo ou idade. O desenvolvimento dessas funções, por afetar todos os habitantes da cidade, se enquadra na categoria de interesses difusos. De acordo com Santos (2009), o direito difuso é um direito transindividual (transcende o indivíduo, ultrapassa o limite de direito e dever individuais), tem um objeto indivisível (de natureza indivisível, a todos pertence, mas ninguém em específico o possui) e pluralidade de titulares indeterminados e interligados por circunstâncias de fato.

2 Para Martins (2007), os percursos, origens e protagonistas que levaram o assentamento urbano e o meio ambiente à Constituição de 1988 foram bastante distintos, resultando em artigos autônomos e separados, até o momento em que entram em conflito. Essa tensão surge justamente no momento em que se tenta equacionar o assentamento da população mais pobre.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL políticas públicas e urbanização, materializados

políticas públicas e urbanização, materializados nas 102 áreas de risco 3 consolidadas nas várzeas, dunas e praias dessa cidade. Essas ocupações demandam um diálogo entre o direito urbanístico e o direito ambiental no planejamento de um sistema de espaços livres públicos, cuja ordenação deveria se dar, em razão de suas características geomorfológicas, a partir dos recursos naturais da cidade, adotando a hidrografia urbana como referência para a sua estruturação. Busca-se aqui estabelecer as premissas para possibilitar esse diálogo e essa ordenação, compreendendo a situação atual de Fortaleza quanto às suas áreas livres.

A NATUREZA COMO SISTEMA

Vivemos um momento em que a cidade e a natureza são indissociáveis. Segundo Santos & Elias (1997) 4 , se um lugar não é fisicamente tocado pela força do homem, ele, todavia, é objeto de preocupações e de intenções econômicas ou políticas. Spirn (1995) reforça essa impossibilidade de separação ao afirmar que a cidade é parte integrante da natureza ao ser percebida como uma adaptação do ambiente natural às atividades e relações humanas. Harvey (1982), por sua vez, afirma que a busca pelo contado com a natureza na cidade seria uma compensação por aquilo que nunca poderia ser realmente ressarcido no local de trabalho. Em poucas palavras, o capital procura atrair o trabalho para um acordo: aceitar o pacote das relações com a natureza no local de vida como uma compensação justa e adequada por uma alienada e degradante relação com a natureza no local de trabalho.

As implicações desse momento em termos projetuais têm resultado em planos e intervenções que se empenham em modelar e remodelar a cidade em harmonia com os ciclos da natureza, assumindo um caráter globalizante e multidisciplinar. Para Laurie (1986), essas intervenções devem desempenhar funções ambientais, como reciclagem de dejetos, reflorestamento urbano e controle de microclima, sendo também jardins comunitários, além de contemplar as atividades cotidianas e recreativas de uma sociedade pluralista. Um sistema de parques, segundo Laurie (op. cit.), seria a ferramenta eficaz para se alcançar esses objetivos através de uma redistribuição criteriosa dos espaços livres por toda a cidade, que não seriam mais os parques pastoris, e sim a profusão de praças, jardins e ruas arborizadas integradas e próximas da população.

Esse sistema tem suas origens teóricas na obra de J. C. Loudon (1783-1843), Hints for Breathing Places for Metropolis, de 1829, na qual descreve a possibilidade de planificar a criação de espaços verdes em Londres e estabelece diretrizes para organizar um circuito de parques e trazer a

3 De acordo com Pequeno & Moreira (2007), data de 1997, um primeiro levantamento de áreas de risco em Fortaleza, realizado pelo Centro de Defesa e Proteção dos Direitos Humanos, quando foram contabilizadas mais de 4.500 famílias em 54 áreas de risco. Em 2001, estudos realizados pela Comissão de Habitação da Prefeitura de Fortaleza indicavam que mais de 9.300 famílias viviam em situação de risco, localizadas em 79 áreas. No início de 2007, dados da Defesa Civil apontam que mais de 22.000 famílias vivem em 102 áreas de ocupação em situação de risco ambiental, as quais, com exceção daquelas situadas nas proximidades de lixões e aterros sanitários, ou lindeiras ao sistema rodo-ferroviário principal, estariam sobrepostas ou adjacentes às áreas de preservação urbana.

4 Para Santos & Elias (1997), conceitualmente, existem duas categorias de paisagem: a artificial e a natural. A paisagem artificial é a transformada pelo homem, enquanto, grosseiramente, a paisagem natural é aquela ainda não mudada pelo esforço humano. Se no passado havia a paisagem natural, hoje essa modalidade de paisagem praticamente não existe mais. Por isso, torna-se difícil distinguir o que é natural do que é artificial. Para ele, a percepção da diferença é cada vez mais árdua e temerária.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL paisagem natural para o ambiente

paisagem natural para o ambiente urbano, tendo o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos habitantes londrinos 5 . Como caso prático pioneiro, está o Sistema de Parques de Boston, de Frederick Law Olmsted (1822-1903), implementado gradualmente de 1876 a 1890. Dal Co (1975) considera a proposta como uma expressão inovadora da exigência de formular um plano urbanístico de conjunto e de uma cultura que já havia superado a fase de denúncia das mazelas da cidade. Para ele, o plano se propõe a oferecer propostas realistas para a reestruturação urbana e contém ainda a primeira identificação de uma nova escala de projeto urbanístico, ao prever o controle global do desenvolvimento urbano e a relação entre cidade e território, cidade e região. Nesse projeto, que, segundo Olmstead, não é propriamente um parque, mas uma intervenção urbana, o principal objetivo não é a ordenação interna dos parques, mas sim a busca de sua continuidade urbanística e a transformação das intervenções isoladas em um sistema urbano contínuo. Mesmo não obtendo êxito esperado em todas as suas propostas, a intervenção em Boston definiu princípios revolucionários de planejamento e projeto de paisagismo que são referenciais até a atualidade. Charles Eliot (18341926), formado arquiteto paisagista no ambiente da Harvard, continua o trabalho de Olmsted em Boston. Eliot promove uma ampliação do sistema de parques de Olmsted, ao passar da escala urbana para a territorial e propor parques em duas escalas: urbana e metropolitana. Além disso, propõe instrumentos urbanísticos e legislativos bastante avançados para consolidar o seu plano. Posteriormente, surgem novas discussões sobre a ordenação sistemática dos espaços livres na estrutura urbana, como: a Cidade Linear de Arturo Soria y Mota (1882), a Garden-City de Ebenezer Howard (1902), as Cidades e Sistema de Parques de J. C. Forestier (1908), as Unidades de Vizinhaça de Clarence A. Perry (1929), o CIAM (1933), a Carta de Atenas (1943) e o Desenho com a Natureza de Ian McHarg (1969).

Ao longo da história, o planejamento urbano tem procurado aprimorar suas técnicas para reintroduzir o verde no espaço do homem. O movimento de implantação dos parques mudou de forma substancial as perspectivas do reformismo urbano; o interesse romântico e literário pela natureza transformou-se numa ideologia complexa e mais capaz de se expressar com propostas baseadas cientificamente, dirigidas a planificar completamente o desenvolvimento urbano. O projeto e as reformas urbanísticas passaram a ser confiadas a técnicos qualificados, e o planejamento a ter instrumentos precisos de conhecimento e bases científicas de análise. Contudo, embora a questão ambiental seja vista como uma das mais importantes dimensões de análise por partes dos múltiploes segmentos, grupos e classes sociais que compõem a sociedade contemporânea (Loureiro, 2003), a maioria das novas cidades e subúrbios incorpora simplesmente os ornamentos da natureza, como árvores, gramados, jardins e lagos, e via de regra, são construídos com muito pouco cuidado na observação dos processos da natureza, como foram as velhas cidades. Persiste, contudo, o esforço do planejamento urbano, aliado à arquitetura da paisagem, em diminuir os impactos negativos do homem sobre o seu ambiente.

No Brasil, a questão ambiental encontra um grande entrave na segregação espacial 6 . Apesar de todo sujeito individual e coletivo reconhecer o meio ambiente como dimensão indissociável da vida humana (Loureiro, 2003), a universalidade dos interesses à proteção ambiental, principalmente nas grandes cidades brasileiras, inexiste devido à impossibilidade de acesso aos direitos sociais 7 pela

5 Notas de aula da disciplina A Paisagem no Desenho do Cotidiano, ministrada pelo Prof. Vladmir Bartalini, pelo curso de pós-graduação da FAUUSP, no primeiro semestre de 2009.

6 Para Lefebvre (2008), a segregação é um dos novos valores assumidos pelo espaço enquanto criação humana e propriedade: torna-se excludente, distanciando os menos favorecidos dos centros urbanos. O Direito à Cidade, surge, então, como ferramenta de combate à organização segregadora do espaço.

7 Segundo Santos (2009), os direitos sociais, além dos trabalhistas e previdenciários, incluem outros direitos considerados instrumentais para o exercício da plena cidadania, como são os casos dos direitos à saúde, à educação e à moradia.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL maioria da população. Numa realidade

maioria da população. Numa realidade em que os aspectos das relações sócio-espaciais são dominados pela estrutura econômica (Gottdiener, 1993), as desigualdades são reforçadas e a tensão entre a reforma urbana e a ambiental torna-se mais evidente, exigindo um diálogo entre suas agendas para que o Direito à Cidade possa ser cumprido.

FORTALEZA, SEUS ESPAÇOS LIVRES PÚBLICOS E BACIAS HIDROGRÁFICAS

Fortaleza, capital do Estado do Ceará, desponta como a quarta capital do país, com uma população estimada, no ano de 2007, em mais de 2,4 milhões de habitantes (IBGEContagem da População 2007), tendo seu desenvolvimento atrelado, principalmente, ao setor terciário - comércio, serviços e, mais recentemente, ao turismo. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), retrato do persistente processo de macrocefalia urbana, configura-se como uma das maiores do Brasil com uma população estimada de 3,3 milhões de habitantes, o que representa cerca de 44% da população total do estado (IBGECenso Demográfico 2000) (Fig. 2).

O município de Fortaleza cobre

uma área aproximada de 330km² e

sua densidade populacional é cerca

de 7.000 hab/km² (Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2003). Pelos números mencionados, Fortaleza, considerada totalmente urbana, é

uma cidade grande, populosa, densamente ocupada e desigual (Fig.

3).

Pequeno (2001, p. 125,126) esboça

um quadro geral da cidade:

(2001, p. 125,126) esboça um quadro geral da cidade: Fig. 2 – Aerofoto de Fortaleza destacando

Fig. 2 Aerofoto de Fortaleza destacando seus limites municipais.

Assim como em outras grandes cidades brasileiras, verifica-se em nosso município um processo de urbanização extremamente

desordenado. Este processo, consubstanciado na justaposição de espaços verticalizados, loteamentos irregulares, conjuntos habitacionais, áreas de ocupação espontânea em condições precárias e espaços vazios de dimensões diversas, denuncia um sistema de desenvolvimento urbano excessivamente desigual. As conseqüências socioeconômicas, urbanísticas e ambientais deste fenômeno têm sido muito graves, pois não afetam somente os habitantes que vivem em condições deficientes, mas produz um grande impacto negativo sobre a cidade e sobre a população urbana como um todo.

sobre a cidade e sobre a população urbana como um todo. Fig. 3 – Morro Santa

Fig. 3 Morro Santa Terezinha e orla do Mucuripe.

Quanto aos espaços livres públicos, considerando praças, parques, pólos de lazer e áreas verdes, percebe-se, claramente, que Fortaleza apresenta espaços fragmentados, reduzidos e implementados de forma desordenada e residual no tecido urbano da cidade e em desacordo com seus recursos

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL naturais (Fig. 4).Alia-se a isso

naturais (Fig. 4).Alia-se a isso a precariedade do estado de conservação que contribui para os baixos índices de usufruto dessas áreas pela população, obrigada a utilizar lugares privados e de consumo para as suas atividades coletivas e de lazer 8 . Mesmo as praias, espaços públicos por excelência, encontram-se ocupadas por barracas, que induzem a privatização do uso recreativo da orla fortalezense. Essas características são conseqüências de um quadro histórico de crescimento populacional rápido e expansão desordenada, resultante da falta de planejamento urbano, do descumprimento das legislações estabelecidas pelos planos diretores propostos e da valorização dos interesses privados e do mercado imobiliário em detrimento da coletividade.

e do mercado imobiliário em detrimento da coletividade. Fig. 4 – Espaços livres públicos de lazer

Fig. 4 Espaços livres públicos de lazer em Fortaleza.

A partir do período pós-guerra, observa-se um grande crescimento das principais cidades

brasileiras. Essa expansão rápida e desordenada resulta em um ambiente urbano caótico, que por

sua vez, demanda a criação de parques públicos como uma forma de garantir o contato do homem

da

cidade com a natureza. No final dos anos 1970 e 1980, essa demanda se intensifica e o número

de

parques implantados nos principais centros urbanos do país aumenta consideravelmente. Nas

cidades litorâneas, os calçadões de praia, consolidam-se como espaço de lazer preferido pela população local e pelos turistas ao aglutinar as atividades, equipamentos e as possibilidades de um

8 Santos (1987, p. 36) afirma que o lazer na cidade se tornou igual ao lazer pago, inserindo a população no mundo do consumo. Quem não pode pagar pelo estádio, pela piscina, pela montanha e o ar puro, pela água, fica excluído do gozo desses bens, que deveriam ser públicos, porque essenciais.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL parque urbano. Em Fortaleza, merecem

parque urbano. Em Fortaleza, merecem destaque os seguintes parques e pólos de lazer que foram implantados nesse período:

Parque Adahil Barreto,e pólos de lazer que foram implantados nesse período: Primeira etapa do calçadão da Avenida Beira-Mar

Primeira etapa do calçadão da Avenida Beira-Mar (Fig. 5)que foram implantados nesse período: Parque Adahil Barreto, Parque da Lagoa do Opaia, Parque da Lagoa

Parque da Lagoa do Opaia,Primeira etapa do calçadão da Avenida Beira-Mar (Fig. 5) Parque da Lagoa da Parangaba Zoológico Sargento

Parque da Lagoa da Parangabada Avenida Beira-Mar (Fig. 5) Parque da Lagoa do Opaia, Zoológico Sargento Prata Pólo de Lazer

Zoológico Sargento Prata5) Parque da Lagoa do Opaia, Parque da Lagoa da Parangaba Pólo de Lazer da Barra

Pólo de Lazer da Barra do CearáParque da Lagoa da Parangaba Zoológico Sargento Prata Parque Alagadiço e Parque Pajeú Fig. 5 –

Parque Alagadiço e Parque PajeúZoológico Sargento Prata Pólo de Lazer da Barra do Ceará Fig. 5 – Calçadão da Avenida

Lazer da Barra do Ceará Parque Alagadiço e Parque Pajeú Fig. 5 – Calçadão da Avenida

Fig. 5 Calçadão da Avenida Beira-mar.

Além da implementação dos parques mencionados, outro fator merece destaque por sua relevância quanto aos espaços livres de nossa cidade: a aprovação do Plano Diretor Físico do Município de Fortaleza pela Lei 4486 de 12 de março de 1975. Quanto às áreas verdes remanescentes e recursos hídricos, esse plano estabelece zonas especiais de proteção de verde, preservando em seus limites, os recursos hídricos e a vegetação em seu entorno. Contudo, a maioria dessas áreas apresenta ocupações consolidadas e foram decretadas como de utilidade pública para fins de desapropriação, o que consiste em um processo complicado e que demanda muito tempo em nosso país. Em 1982, é aprovado o decreto de lei estadual Nº 15.274, que estabelece faixas de proteção de 1ª e 2ª categorias para os recursos hídricos de Fortaleza. Mesmo sendo de suma importância para a proteção legal desses recursos, verifica-se que as faixas definidas

desconsideram as particularidades de cada

bacia e que as faixas de segunda categoria estabelecem poucas restrições de uso e ocupação, sujeitas a alterações pelo zoneamento do plano diretor. Além disso, projetos de leis municipais subseqüentes, atreladas a interesses particulares, têm tentado diminuir indiscriminadamente essas faixas especiais de proteção, como é o caso do Riacho Maceió, em cuja foz foi proposta a alteração de zona de proteção para zona de praia, mais

a alteração de zona de proteção para zona de praia, mais Fig. 6 – Foz do

Fig. 6 Foz do Riacho Maceió.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL permissiva a construções e empreendimentos

permissiva a construções e empreendimentos imobiliários. Apesar de inconstitucional, por ultrapassar leis ambientais mais restritivas, decretos como este geram conflitos demorados que atrasam tomadas de decisões cada vez mais urgentes na preservação dos recursos naturais ainda remanescentes em nossa cidade (Fig. 6).

A situação presente

Hoje, indiscutivelmente, Fortaleza é uma cidade carente de áreas livres públicas em quantidade e qualidade. São muitos os bairros que não dispõem de um espaço de convivência com dimensões, equipamentos e desenho adequados aos seus usuários. Na atualidade, segundo dados da Síntese Diagnóstica da Revisão Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Fortaleza de 2003 (Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2003), o patrimônio municipal de espaços livres é de 786 hectares, o que representa, somente, 2,35% da área total da cidade. A maioria desses espaços é oriundo de 15% da área total das glebas objeto de parcelamento do solo 9 . Apesar dessa exigência, um levantamento realizado em 1981 comprovou o seu não cumprimento. Dos 11.267,37 hectares de área loteada, correspondentes a 647 loteamentos cadastrados no município, apenas 576,88 hectares, ou seja, 5,12% constituíam-se em praças e áreas livres.

Como agravante, ao longo do tempo, o patrimônio municipal de espaços livres públicos está sob um processo de dilapidação e degradação, que se traduz no uso inadequado quanto à sua finalidade de uso e ocupação como área verde e bem de uso comum do povo. Através da figura de desafetação, esta finalidade é alterada e inúmeras áreas foram doadas a terceiros para implantação

inúmeras áreas foram doadas a terceiros para implantação Fig. 7 – Praça na periferia de Fortaleza.

Fig. 7 Praça na periferia de Fortaleza.

de equipamentos institucionais, sedes de clubes e entidades associativas e conjuntos habitacionais populares, entre outros. A ocupação de outras áreas ocorreu com autorização do poder público para implantação de postos de gasolina, bancas de revistas, lanchonetes e outras atividades. Há ainda o caso das ocupações das áreas verdes com habitações, principalmente pela população de baixa renda, configurando as chamadas áreas de risco. Mais da metade das áreas livres da cidade (63,89%) encontra-se invadida, não-implantada ou cedida para outros usos. Apenas 30,55% dessas áreas encontram-se implantadas e urbanizadas, correspondendo apenas a 240 hectares, ou seja,

9 O Plano Diretor Físico do Município de Fortaleza, aprovado pela Lei 4486 de 12 de março de 1975, determinou que os projetos de parcelamento do solo deveriam destinar pelo menos 15% da gleba original a áreas verdes de domínio público reconhecido e a Lei Municipal de Parcelamento do Solo de número 5.122 A de 1979, regulamenta os percentuais de 15% de áreas verdes, 5% de área institucional, 5% de fundo de terra e 20% de sistema viário, totalizando 45% de áreas públicas. Poucos anos depois, em 1977, é aprovada a Lei federal 6766, que, dentre outras providências, também legisla sobre o parcelamento do solo urbano. Essa lei define que uma porcentagem mínima de 35% dos loteamentos propostos devem ser de domínio público, servindo a implementação da circulação, equipamentos institucionais e áreas verdes.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL 0,71% da área total da

0,71% da área total da cidade 10 . Além disso, boa parte dos espaços públicos considerados urbanizados encontra-se em péssimo estado de conservação (Fig. 7).

A paisagem contemporânea de Fortaleza, assim como das grandes cidades brasileiras, continua como sempre expressando os grandes contrastes sociais. Ao lado dos subúrbios e dos bairros elegantes, dotados de infra-estrutura e bem cuidados, tem-se uma malha urbana extensa, composta por habitações bem mais modestas, térreas ou assobradadas, situadas em lotes pequenos, com pouco ou nenhum recuo, que aproveitam ao máximo o terreno disponível. Favelas, subhabitações, cortiços, autoconstruções são formas de moradia comuns no contexto da cidade brasileira e, para seus moradores, o acesso aos espaços livres adequados a uma vida urbana saudável fica restrito a espaços públicos como praias, parques e praças, muitas vezes distantes, ou ainda campos de várzea. Por sinal, esses campos de futebol espontâneos, muito comuns em Fortaleza, principalmente nos bairros periféricos, constituem um indicador confiável da carência de espaços livres públicos.

As macrobacias urbanas e seus processos de ocupação

A ocupação indiscriminada ao longo da rede de drenagem vem se tornando cada vez mais intensa, principalmente pela proliferação de favelas nas margens dos cursos e mananciais d’água que banham a área urbana. Esse processo de ocupação, que se mostra crescente a cada período de seca principalmente em virtude do êxodo rural, tem contribuído significativamente para exacerbar a incidência das enchentes, através do assoreamento dos cursos d’água causado pela remoção da cobertura vegetal ribeirinha e pelo lançamento de lixo e outros dejetos nesses ambientes.

pelo lançamento de lixo e outros dejetos nesses ambientes. Em Fortaleza, o Plano Diretor de Drenagem

Em Fortaleza, o Plano Diretor de Drenagem

da Região Metropolitana de Fortaleza, apresentado no PDDU-FOR, em 1992, e atualizado em 2003, agrupa todos os recursos hídricos da cidade em macro e microbacias (Fig. 8). No município de Fortaleza, estão definidas quatro macrobacias hidrográficas 11 , que são as seguintes:

Fig. 8 As divisões do município em macrobacias.

10 Dados da Comissão de Atualização de Bens Imóveis da Prefeitura Municipal de Fortaleza (Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2003)

11 O Plano Diretor de Drenagem da Região Metropolitana de Fortaleza de 1992 considerava a existência de apenas 03 (três) macrobacias hidrográficas no município fortalezense. A revisão e retificação do plano em 2003 passou a considerar a distribuição dos recursos hídricos da cidade em 04 macrobacias, identificando um pequeno trecho da bacia do Rio Pacoti no interior dos limites municipais. Cada macrobacia, por sua vez, está subdividida em microbacias ou sub-bacias, que correspondem aos afluentes, reservatórios de água (lagoas e lagos), sangradouros, galerias e canais que funcionam como elementos drenantes e têm como destino final o leito principal dos rios ou o mar.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL Macrobacia da Vertente Marítima -

Macrobacia da Vertente Marítima - A: a única a única

totalmente inserida no município, compreende a faixa

de terra localizada entre as desembocaduras dos rios

Cocó e Ceará, com topografia favorável ao escoamento das águas para o mar. Os locais analisados

no Inventário Ambiental de Fortaleza (Prefeitura

Municipal de Fortaleza, 2003) apresentaram-se, de maneira geral, com taxas altas de coliformes fecais, caracterizando-os como intensamente poluídos. Seus recursos hídricos encontram-se bastante degradados.

O processo acelerado de ocupação do meio natural

O processo acelerado de ocupação do meio natural Fig. 9 – Lagoa do Papicu. Fig. 10

Fig. 9 Lagoa do Papicu.

de ocupação do meio natural Fig. 9 – Lagoa do Papicu. Fig. 10 – Ponte sobre

Fig. 10 Ponte sobre o Rio Cocó.

– Lagoa do Papicu. Fig. 10 – Ponte sobre o Rio Cocó. Fig. 11 – Rio

Fig. 11 Rio Maranguapinho.

Ponte sobre o Rio Cocó. Fig. 11 – Rio Maranguapinho. Fig. 12 – Estuário do Rio

Fig. 12 Estuário do Rio Pacoti.

dessa área resultou na canalização excessiva da vários trechos dos principais cursos d´água e o desmatamento da vegetação ribeirinha (Fig. 9).

Macrobacia do Rio Cocó - B: maior bacia de Fortaleza, drenando as porções leste, sul e central da cidade. Também compreende maior bacia de Fortaleza, drenando as porções leste, sul e central da cidade. Também compreende áreas dos municípios de Aquiraz, Maranguape e Pacatuba, onde se encontra sua nascente. Está passando por um processo acelerado de ocupação, mas ainda guarda grande parte do nosso patrimônio ambiental, incluindo trechos e hidrografia não poluída, fazendo-se necessário o controle da expansão da cidade sobre os seus recursos naturais (Fig. 10).

Macrobacia do Rio Maranguapinho - C: localizada na porção oeste de Fortaleza, é a segunda bacia hidrográfica em extensão do município. localizada na porção oeste de Fortaleza, é a segunda bacia hidrográfica em extensão do município. Possui desembocadura em comum com o Rio Ceará, nos limites administrativos entre Fortaleza e Caucaia. Sua nascente localiza-se no município de Maranguape. Os seus recursos hídricos, dentre os inventariados em 2003, foram os que apresentaram os piores índices de qualidade ambiental, principalmente na análise bacteriológica, das quatro bacias municipais. Ainda de acordo com os dados desse inventário, das 79 áreas

de risco reconhecidas pela administração municipal, 30

encontram-se às margens do Rio Maranguapinho (Fig.

11).

Macrobacia do Rio Pacoti - D: nasce fora da RMF, em Pacoti, na serra de Baturité, possuindo um pequeno trecho : nasce fora da RMF, em Pacoti, na serra de Baturité, possuindo um pequeno trecho de estuário no município de Fortaleza. Por estar em local de difícil acesso para urbanização e em sua grande parte ser de área de preservação, possui o ambiente considerado com alto grau de conservação da flora e fauna (Fig. 12).

De acordo o Inventário Ambiental de Fortaleza (PMF, 2003), todos os ambientes ao longo dos recursos hídricos estão comprometidos em maior ou

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL menor escala tanto no tocante

menor escala tanto no tocante a fauna como na flora, com exceção do ambiente de manguezal que, por força de Lei, ainda pode ser considerado preservado em um grau médio de conservação. Os recursos hídricos do município apresentaram, em geral, uma baixa qualidade em relação aos parâmetros analisados - qualidade da água, mapeamento e inventário florestal, levantamento e zoneamento da fauna, diagnóstico das ocupações, levantamento batimétrico. Como conclusão do inventário, diagnosticou-se que o processo de degradação do meio ambiente natural no município de Fortaleza encontra-se em um estágio bastante avançado, não só dos sistemas hídricos (avaliando no contexto das bacias hidrográficas), como de todo o meio ambiente no qual estão inseridos.

A oficina realizada em Fortaleza pelo QUAPÁ-SEL 12 em abril deste ano, confirmou esse quadro de degradação dos espaços livres públicos e dos recursos naturais da cidade, através de visitas e sobrevôo realizados pelos pesquisadores, apresentações de técnicos de diferentes órgãos públicos estaduais e municipais e profissionais diversos, e da produção de mapas síntese pelos participantes da oficina. Segundo o relatório produzido na oficina, verifica-se ainda a total ausência de atuação do poder público municipal no que se refere ao projeto, implantação e gestão de suas áreas livres públicas, que se encontram, em sua grande maioria, degradadas, sem equipamentos e mobiliário urbano, arborização adequada e ambientação propícia às práticas recreativas, esportivas e de lazer. Nesse sentido, as ações do poder público, tanto no âmbito municipal como estadual, caracterizam- se por iniciativas pontuais, desvinculadas de qualquer idéia de planejamento setorial e, muito menos, intersecretarial, sendo dependentes, invariavelmente, de vontade política normalmente motivada por interesses eleitoreiros. Como ocorre em diversas cidades brasileiras, a desarticulação entre as diferentes secretarias, a sobreposição de funções, a limitação de recursos e a pouca capacitação dos quadros técnicos municipais são problemas persistentes na gestão da cidade e contribuem para agravar a situação de Fortaleza.

Por outro lado, as inúmeras lagoas que existem na cidade, embora vinculadas a um programa de recuperação e conservação onde o enfoque conservacionista sobrepõe-se ao funcional distribuídas pelo tecido urbano, configuram-se espaços livres com grandes possibilidades de aproveitamento para uso da população. Ainda como fator positivo, o município apresenta grande potencial de aproveitamento das faixas destinadas à preservação permanente (APPs), o que permitiria a criação de um sistema de espaços livres, constituído por tipologias variadas, ao longo dos córregos e rios que cortam a cidade e que possuem forte conexão entre si. Soma-se à hidrografia, a orla marítima e as áreas de dunas, que devem ser incorporadas a esse sistema. Para que esse circuito possa ser concretizado, é urgente que a cidade se planeje em tempo, norteando-se por seus valores ambientais 13 .

12 Esta oficina fez parte do projeto temático de pesquisa desenvolvido pelo Laboratório da Paisagem da FAUUSP, que se debruça sobre o estudo dos “Sistemas de espaços livres e a constituição da esfera pública contemporânea no Brasil”. A equipe responsável por sua realização contou com os pesquisadores de São Paulo: Prof. Dr. Jonathas Magalhães (PUC Campinas), Arq. Fany Galender (FAUUSP), Arq. Denis Cossia (FAUUSP) e Arq. Daniela Valente (FAUUSP) e com a coordenação local em Fortaleza da Profa. Arq. Fernanda Rocha (UNIFOR). Em Fortaleza a experiência integrou a programação mensal desenvolvida pelo Grupo de Pesquisa Laboratório da Paisagem, denominada Colóquios sobre a Paisagem, no ano de 2009.

13 Segundo Macedo (1999), entende-se por valor ambiental o potencial que tem qualquer ecossistema como estrutura ecológica, permitindo a existência e a manutenção de uma série de seres vivos e de seu inter- relacionamento. Esse valor é sempre considerado dentro de um referencial humano, isto é, quando traz benefícios e insumos para a sociedade humana.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES –

SISTEMA DE ESPAÇOS LIVRES CONECTANDO O VERDE

A realidade fortalezense

Segundo a Síntese Diagnóstica do PDDU-FOR de 1992 (Prefeitura Municipal de Fortaleza, 2003, p. 74,75), Fortaleza não possui, a rigor, um Sistema Público de Áreas Verdes, estruturado e hierarquizado. As praças, parques e pólos de lazer, implantados por sucessivas administrações, não chegam a compor uma estrutura organizada que abranja desde a menor unidade (praça de bairro ou unidade de vizinhança) até o equipamento de grande porte (parque urbano ou metropolitano). Passada mais de uma década, na Síntese Diagnóstica da revisão do Plano Diretor municipal de 2003, o mesmo texto se repete com as mesmas palavras. A reprodução dessa frase comprova, portanto, que, no intervalo de mais de dez anos entre a divulgação desses dois textos idênticos, a situação da cidade, quanto aos seus espaços livres, à sua estruturação e organização, permanece inalterada. Repetir essas mesmas palavras denuncia o descaso da municipalidade com as suas áreas livres e a inexistência de uma política urbana que estabeleça diretrizes para mudar essa situação. Ao longo dos anos, suas ações nesse sentido, limitaram-se a intervenções pontuais, superficiais e oportunistas, especialmente em períodos eleitorais.

Recomendações do Plano Diretor Participativo

No Plano Diretor Participativo de Fortaleza, recém aprovado em março deste ano, o texto de lei sancionado não mais assume a inexistência de um sistema municipal de áreas verdes, mas estabelece que a municipalidade deva realizar a sua implementação. Para tanto, define algumas ações estratégicas de caráter generalizante que se restringem a sugerir o uso disciplinado das praças e parques e a recuperação de áreas ambientalmente degradadas. Como estratégia inovadora, o plano determina que as vias públicas devam ser arborizadas, criando faixas verdes que servirão de conexão entre parques, praças e áreas verdes. Contudo, novamente não se estabelece nenhuma diretriz para definir e planejar esse sistema. Diante da ausência de critério único ou de um plano em escala municipal para a implementação de áreas livres públicas, é compreensível que esses espaços estejam distribuídos de forma residual pela cidade. Visando integrar essas áreas entre si, requalificá-las e direcionar a inserção e a urbanização de novos espaços livres públicos, é preciso identificar primeiramente uma estrutura que funcione como base do sistema de espaços livres públicos de Fortaleza para espacializá-lo no tecido urbano.

Recomendações básicas para a criação de um sistema de espaços livres públicos de Fortaleza

Em verdade, os espaços livres públicos de uma cidade não existem de forma separada. Há uma rede de vias e quadras que conformam um sistema. Contudo, nesse circuito, as interligações, seguindo uma praxe contemporânea, privilegiam a circulação de veículos, e não a de pedestres. E, geralmente, as iniciativas quanto aos espaços livres públicos enfocam apenas a sua reconstrução isolada. Faz-se necessário, portanto, que as políticas públicas municipais de gestão do espaço livre público, do ecossistema urbano e dos seus recursos naturais, estabeleçam ações integradas para esses elementos.

Considerando as características físico-ambientais da cidade, os recursos hídricos, suas planícies alagáveis, áreas de vegetação preservada, áreas de preservação delimitadas por lei correspondem à maior porção de espaços livres públicos do município de Fortaleza. Sob a ótica da Ecologia da

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL Paisagem (EP) 1 4 ,

Paisagem (EP) 14 , os rios, riachos, lagos e lagoas, várzeas, áreas verdes, dunas e faixas de praia, podem ser percebidos como um sistema natural de corredores e fragmentos de espaços livres, que permeia a matriz do ambiente urbano (Fig. 13).

livres, que permeia a matriz do ambiente urbano (Fig. 13). Fig. 13 – Estrutura,matriz, fragmentos e

Fig. 13 Estrutura,matriz, fragmentos e corredores de acordo com a Ecologia da Paisagem.

De acordo com Dramstad et al. (1996) a metodologia de análise da EP baseia-se na conectividade entre os diversos elementos da paisagem, possibilitando mecanismos de avaliação da sua estrutura geral, da integridade funcional dos seus componentes e o seu grau de saúde ecológica. Ainda segundo esses autores, alguns elementos da paisagem podem formar redes e circuitos que seriam básicos para o funcionamento da paisagem. Esses circuitos consubstanciam, então, uma Infra- Estrutura Verde (IEV), que pode ser definida como uma rede interconectada de áreas naturais e outros espaços abertos que conservam os valores e funções do ecossistema natural, mantem o ar e a água limpos e promovem uma vasta gama de benefícios para as pessoas e para a vida selvagem. (Benedict & Mcmahon, 2006, p. 1).

As IEVs consistem numa estratégia de criação de paisagens urbanas que mimetizam funções ecológicas e hidrológicas dos ambientes naturais. Por ser baseada na paisagem, na função e estrutura do ecossistema, a IEV, potencialmente, pode prover múltiplos serviços ecológicos 15 . A sua função primária envolve a qualidade e a quantidade da água, mas benefícios adicionais são alcançados quando a água é vista por uma perspectiva da paisagem, como: recreação, amenização do ambiente urbano, preservação e criação de habitat para vida selvagem, educação ambiental e circulação alternativa. De acordo com Cormier et al. (2008), no planejamento urbano e regional, essa rede de espaços é composta por parques, corredores verdes e espaços naturais preservados; e, se for enraizada nos princípios sólidos da Ecologia da Paisagem e do planejamento de bacias, esses espaços livres tradicionais podem ser a base para um sistema de infra-estrutura verde. Essa rede pode ser expandida e incluir a infra-estrutura já implantada e readequá-la com as tipologias de

14 A Ecologia da Paisagem (EP), enquanto metodologia de análise, tem, segundo Pellegrino (1996), o papel de mediadora entre as ciências ambientais e os interventores na paisagem, criando uma ferramenta para interpretação da paisagem através de um modelo estrutural analítico similar que identifica morfologias, funções e transformações espaciais em qualquer ecossistema, independente de sua condição antrópica. Para a EP, todas as paisagens, das matas às áreas centrais das cidades, compartilham de um modelo estrutural similar, dividida em estrutura, função e mudança. A estrutura corresponde à configuração espacial ou ao arranjo de elementos da paisagem e a forma como esses elementos estão distribuídos. Sua estrutura é composta por três tipos de elementos universais, que variam basicamente quanto à forma e a freqüência com que ocorrem. São os fragmentos, os corredores e as matrizes.

15 Segundo Cormier et al. (2008), alguns dos serviços ecológicos providos pelas IEVs são abastecimento de água, manejo e tratamento de águas pluviais, melhoria do microclima e seqüestro de carbono.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL projeto a serem mostradas para

projeto a serem mostradas para melhorar a drenagem das águas pluviais e a qualidade da água (Fig.

14).

das águas pluviais e a qualidade da água (Fig. 14). Fig. 14 – Esquema teórico para

Fig. 14 Esquema teórico para estruturação de um Sistema de Espaços Livres Públicos em Fortaleza.

Mota (2000) reforça a importância da água como base estrutural e gestora para uma rede urbana de áreas livres. Para ele, os modelos de gestão dos recursos hídricos mais adequados adotam a bacia hidrográfica como unidade territorial a ser gerida, abordando todos os recursos nela contidos (Mota, 2000, p. 93). McHarg (1969, p. 62), reitera essa importância ao afirmar que os processos naturais terrestres são indissociáveis dos processos naturais da água e vice-versa. Existe, portanto, um consenso, que a bacia hidrográfica ou sub-bacia pode ser considerada como a unidade ideal de planejamento e gestão ambiental, pois ao se gerenciar a água, se está gerenciando também, direta ou indiretamente, toda uma cadeia de recursos ambientais e atividades humanas (Mota, 2000, p. 93). Seguindo princípio acima, as microbacias hidrográficas, definidas pelo plano de drenagem metropolitano, podem ser identificadas como unidades de planejamento territorial para traçar esse sistema. Contudo, cada unidade deve ser estruturada levando-se em consideração sua relação com as demais sub-bacias, sejam elas da mesma macrobacia ou de macrobacias distintas.

Apesar das ocupações indevidas (temporárias ou duradouras) e da degradação ambiental sofridas pelos recursos hídricos no município, os mananciais, suas margens, várzeas e vegetação ciliar permanecerão, de qualquer forma, como áreas livres públicas, mesmo com o adensamento máximo da cidade. Essa impossibilidade de apropriação deve-se tanto a fatores naturais como a restrições determinadas por leis no âmbito federal, estadual e municipal que visam à preservação dos mesmos (Fig. 15).

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL Fig. 15 - Zoneamento Ambiental
| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL Fig. 15 - Zoneamento Ambiental

Fig. 15 - Zoneamento Ambiental de Fortaleza pelo Plano Diretor)

Portanto, os recursos hídricos e os ecossistemas a eles interligados poderão ser identificados como elementos estruturantes definidores básicos de um possível sistema de espaços livres públicos, tanto pelo seu caráter de área livre permanente como por sua importância ecológica para o ambiente urbano.

ENTRAVES E DESAFIOS

Até o início do século passado, diante de um crescimento urbano lento e uma população não muito numerosa, as praças, concentradas principalmente na zona central de Fortaleza, eram abundantes e sempre freqüentadas. O riachos e lagoas mesmo em áreas mais densas, como o Pajeú, ainda faziam parte da paisagem urbana. A partir de meados do mesmo século, verifica-se um aumento populacional e uma conseqüente expansão urbana acelerada em Fortaleza. A cada década, a população da cidade praticamente dobrava. Nesse período de crescimento urbano, apesar da existência de leis reguladoras, verifica-se uma expansão desordenada da cidade, seguindo interesses particulares que geralmente prejudicavam a coletividade e desrespeitavam a legislação vigente. Dessa forma, a cidade cresceu rapidamente com loteamentos que destinavam menos do que o mínimo exigido por lei para as áreas livres públicas e ainda ocupavam várzeas de riachos e lagoas.

Diante desse quadro, a cidade vê seus espaços livres ficarem relegados às piores localizações, que correspondem geralmente às porções da gleba não loteáveis, de formato irregular, cercadas por vias movimentadas. Ou ainda assiste os seus recursos hídricos serem reduzidos a espaços ecologicamente insuficientes, quando não excluídos totalmente da paisagem urbana em canalizações subterrâneas. Face à possibilidade de crescer harmoniosamente com a natureza e

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL como parte de seu ecossistema,

como parte de seu ecossistema, Fortaleza seguiu um caminho oposto, muitas vezes sem volta, de priorizar os empreendimentos imobiliários e os interesses particulares sem questionar as conseqüências para o meio-ambiente urbano. Infelizmente, essa decisão, mesmo interferindo pontualmente na cidade, compromete o bem-estar e a qualidade de vida de toda população. Além

de por em xeque os ecossistemas, a paisagem e a drenagem urbana, o crescimento da cidade em

desacordo com a natureza ameaça a possibilidade de uso recreativo dos seus recursos naturais ou

subutiliza esse potencial, além de poder acarretar sérios desastres de natureza ambiental, principalmente as enchentes causadas pela crescente e incontrolável impermeabilização do solo.

Apesar do estágio avançado da degradação do ambiente natural de Fortaleza, o quadro atual ainda se mostra reversível. O aproveitamento dos grandes rios que cortam a cidade gerou alguns projetos de grande significação e relevância se implantados efetivamente (Fig. 16).

O projeto do Rio Maranguapinho, que prevê,

além da requalificação das áreas lindeiras, o reassentamento de expressiva parcela da população de baixa renda do entorno, está em processo de implantação. Se realmente concluída a obra, proporcionará um precedente de grande impacto nas práticas projetuais voltadas para os espaços livres e sua organização

como sistema a partir da hidrografia. A área do Rio Maranguapinho caracteriza-se pela alta densidade demográfica, sendo a região mais pobre da cidade, com o pior IDH (Índice de Desenvolvimento Urbano). Possui uma grande faixa de alagamento, onde está consolidada a maioria das áreas de risco de Fortaleza. Diante das dificuldades encontradas, o projeto trata a recuperação do rio juntamente com a melhoria das condições de habitabilidade das famílias que ocupam as suas margens, visando o remanejamento dessa população com o reassentamento de mais de 9.000 famílias em áreas próximas. Esse número

poderia ser ainda maior caso o projeto não houvesse se utilizado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) 16 , que propõe um lago entre as cidades de Maranguape e Maracanaú para controle

de cheias, de modo a não remover tantas famílias que ocupam a várzea original do rio. Além desse

artifício legal, os projetos e as obras do parque, da urbanização e das habitações foram assumidos pelo Estado, já que o rio atravessa três municípios da RMF. Como tudo que se refere à água se comporta segundo limites geográficos e não segundo limites político-administrativos, delegar as responsabilidades de projeto e de sua execução para a administração estadual permite uma maior abrangência do plano sobre o território da bacia e elimina obstáculos que certamente existiriam no

diálogo entre os municípios cortados pelo rio. O projeto prevê a urbanização dos conjuntos habitacionais, uma via paisagística com passeios, ciclovias e pista de rolamento, calçadão, a manutenção da vegetação abundante remanescentes dos quintais, a instalação de equipamentos, como quadras, campos e praças, provendo de espaços de lazer a população que reside na zona oeste do município. Após a sua conclusão, será o maior parque urbano de Fortaleza, tendo aproximadamente 7 vezes a extensão do calçadão da Av. Beira-mar.

7 vezes a extensão do calçadão da Av. Beira-mar. Fig. 16 - Áreas verdes de mangue

Fig. 16 - Áreas verdes de mangue ao longo do Rio Cocó.

16 Segundo Martins (2006), o TAC vem se apresentando como uma alternativa de diálogo entre a recuperação ambiental e a regularização fundiária, compatibilizando os conflitos entre o Direito Urbanístico e o Direito Ambiental ao buscar na Filosofia do Direito os fundamentos do dever de adotar a melhor solução.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL O exemplo do Rio Maranguapinho

O

exemplo do Rio Maranguapinho evidencia os desafios e entraves das grandes cidades brasileiras,

e

por que não, dos países em desenvolvimento, na recuperação dos seus mananciais e na

estruturação de um sistema de espaços livres públicos a partir da hidrografia. Considerando que as bacias não coincidem com os limites municipais, a compartimentação geográfica e a compartimentação político-administrativa não se sobrepõem, criando alguns impasses de competência e dificultando a ação regulatória e de fiscalização. Nessas condições, se a articulação

de políticas públicas nos três níveis de governo é normalmente complexa devido a competências

concorrentes, a gestão de bacias hidrográficas se torna ainda mais complexa, já que os limites de bacias não coincidem com os limites municipais ou, em alguns casos, estaduais. Nesse caso, exige-

se

um diálogo ainda mais difícil para que os diferentes níveis de governo exerçam suas atribuições

de

forma eficiente e harmônica (cf. Martins, 2006).

Quanto às ocupações irregulares, numa metrópole como Fortaleza, em que suas áreas de proteção de mananciais, faixa de praia e complexos dunares coincidem com a concentração dos piores indicadores sócio-espaciais, fica claro que a questão ambiental é também um problema de carência de uma política consistente de acesso à habitação de interesse social (cf. Martins, op. cit.) (Fig. 17).

de interesse social ( cf. Martins, op. cit. ) (Fig. 17). Fig. 17 - Indicadores sócio-espaciais

Fig. 17 - Indicadores sócio-espaciais de acordo com os dados do Censo IBGE de 2000)

Para as classes sociais que ainda não tem asseguradas as condições básicas de sobrevivência, como a habitação, o meio ambiente não se apresenta como questão relevante. Ainda que o meio ambiente possa ser considerado um bem de uso comum, cuja proteção interessa ao conjunto da sociedade,

os custos e benefícios de sua proteção são desigualmente distribuídos, variando de acordo com os

recursos disponíveis dos diversos grupos para atuar no contexto da política local (Fuks, 2001). Confirma-se, então, a tensão entre o Direito Urbanístico e o Direito Ambiental e a necessidade iminente de diálogo entre essas duas esferas do Direito à Cidade ao discutir a questão do modelo

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL de desenvolvimento e de desenvolvimento

de desenvolvimento e de desenvolvimento urbano. Nesse debate, é fundamental assumir que, sem forte investimento nas melhorias sociais, será improvável atingir um desenvolvimento econômico que assegure condições ambientais básicas. Diante da superação da cidade formal pela informal, é necessário refletir sobre padrões de uso e ocupação do solo, em contraponto com estratégias realistas de conservação do meio ambiente (Diegues, 2000), considerando os custos e impactos das opções adotadas para a realidade urbana, de forma a evitar que as políticas públicas permanecem apenas nos discursos, nos textos de lei e nas intenções, ou ainda pior: que aconteça exatamente o oposto do que se propõe, como as 102 áreas de risco em Fortaleza.

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| O DIREITO À CIDADE E O DIREITO URBANÍSTICO E AMBIENTAL Referências das ilustrações FIGURA 1.

Referências das ilustrações

FIGURA 1. Sobrevôo sobre a orla de Fortaleza. Autor: Nícia Paes Bormann; Ano: 2005

FIGURA 2. Aerofoto de Fortaleza. Fonte: Secretaria de Infra-Estrutura de Fortaleza Prefeitura Municipal de Fortaleza. Ano: 2001

FIGURA 3. Morro Santa Terezinha e orla do Mucuripe. Autor: Newton Becker. Ano: 2005.

FIGURA 4. Mapa de Fortaleza com seus espaços livres públicos de lazer: praças, parques e pólos

recreativos. Fonte: Plano Diretor Participativo de Fortaleza Prefeitura Municipal de Fortaleza. Ano:

2009

FIGURA 5. Calçadão da Avenida Beira-mar. Autor: Newton Becker. Ano: 2005.

FIGURA 6. Foz do Riacho Maceió, o último mananacial da macrobacia litorânea ainda não totalmente canalizado, sobrevive às ocupações por favelas e grandes empreendimentos imobiliários. Autor: Fernanda Rocha. Ano: 2009.

FIGURA 7. Praça Coronel Carvalho localizada na Barra do Ceará: retrato do abandono. Autor: Newton Becker. Ano: 2005.

FIGURA 8. Mapa de Fortaleza com suas divisões em macrobacias. Fonte: Plano Diretor Participativo de Fortaleza Prefeitura Municipal de Fortaleza. Ano: 2009.

FIGURA 9. Lagoa do Papicu: eutrofização e ocupação de suas margens por favels. Autor: Newton Becker. Ano: 2005.

FIGURA 10. Ponte em construção sobre o estuário do Rio Cocó. Autor: Fernanda Rocha. Ano: 2009.

FIGURA 11. Ocupações ao longo do Rio Maranguapinho. Autor: Fernanda Rocha. Ano: 2009.

FIGURA 12. Estuário do Rio Pacoti.Autor: Fernanda Rocha. Ano: 2009.

FIGURA 13. Estrutura, matriz, fragmentos e corredores espacializados em aerofoto de Fortaleza de acordo com os princípios da Ecologia da Paisagem. Autor: Newton Becker. Ano: 2009.

FIGURA 14. Esquema teórico para estruturação de um Sistema de Espaços Livres Públicos em Fortaleza a partir de sua hidrografia. Autor: Newton Becker. Ano: 2009.

FIGURA 15. Mapa de Zoneamento Ambiental de Fortaleza. Fonte: Plano Diretor Participativo de Fortaleza Prefeitura Municipal de Fortaleza. Ano: 2009

FIGURA 16. Área de mangue preservada ao longo do Rio Cocó. Autor: Fernanda Rocha. Ano: 2009.

FIGURA 17. Mapas com indicadores sócio-econômicos de Fortaleza espacializados por setor censitário, de acordo com os dados do Censo do IBGE de 2000. Autor: Newton Becker. Ano: 2009.