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PNV 5102

Fundamentos de Mecânica da Fratura Aplicada à Integridade


Estrutural

Prof. Dr. Claudio Ruggieri

Trabalho Final

Avaliação da Integridade Estrutural de


um Vaso de Pressão Através da
Utilização de Metodologias Propostas
nas Normas API 579 e BS 7910.

Autor: Bruno Antonio Sorrija, N° USP: 103 845 33


Dados do problema:
Vaso de pressão cilı́ndrico construı́do em acordo com o código ASME
(Seção VIII, Div.1)
ˆ Material: Aço ASTM A515 Gr 60;

ˆ Diâmetro interno (Di ): 2000 mm;

ˆ Espessura de parede (t): 19 mm;

ˆ Pressão de trabalho (P): 1,8 MPa;

ˆ Temperatura mı́nima de operação (T): 0°C;

ˆ Junta soldada: junta soldada longitudinal assumida como de geometria


Double V Groove Weld 1 , eficiência η = 0, 85, sem alı́vio de tensões para
os exercı́cios (1) e (3) e com alı́vio de tensões para o exercı́cio (2).

Defeito planar encontrado

ˆ Localização: parede interna do vaso, dentro da ZAC (Zona Afetada pelo


Calor) da junta soldada;
ˆ Tipo de defeito: modelado como uma trinca superficial, semi-elı́ptica com
profundidade a = 6, 35 mm e comprimento 2c = 135 mm;

ˆ Distância até a descontinuidade estrutural mais próxima: e = 1000 mm.

1 Assumida esta geometria por causa da espessura da chapa.


Parte I
Avaliação da criticidade de um defeito de acordo com o

nı́vel 2, da seção 9 (Assessment of Crack Like Flaws) da

norma API 579

OBSERVAÇÃO: dentro da Parte I desta avaliação, a menos que explic-


itado, os números das seções, tabelas, figuras e equações apresentadas no texto
se referem à norma API 579-1/ASME FFS-1 (2007) Fitness-For-Service Flaws
[1].
Primeiramente, nota-se que as condições apresentadas na seção 9.2.2.1 são sat-
isfeitas (dados do problema e considerações adotadas):
ˆ Projeto em acordo com o Código ASME (Seção VIII, Div. 1);
ˆ Vaso não está operando em condições em que possa ocorrer o fenômeno
de fluência;
ˆ O efeito de cargas dinâmicas é negligenciável;
ˆ As condições ambientais e de carregamento não irão resultar em um cresci-
mento da trinca.
Desta maneira é possı́vel a realização de uma avaliação de nı́vel 2, apresentada
na seção 9.4.2.4.

Solução 1: consideração de que a junta soldada


não passou por um processo de alı́vio de tensões
Passo 1: Avaliar as condições de operação e determinando
pressão, temperatura e carregamentos.
Condições de trabalho:
ˆ Vaso de pressão operando com pressão de 1,8 MPa (considerada como
pressão absoluta);
ˆ Temperatura mı́nima de operação igual a 0°C;
ˆ Existência de tensões residuais decorrente do processo de soldagem, sendo
que a junta soldada não passou por um tratamento de alı́vio de tensões
(PWHT - Post Welding Heat Treatment).

1
Passo 2: Determinar a distribuição de tensões, baseando-
me nos carregamentos do Passo 1, e classificar as tensões
em primárias, secundárias e residuais.
De acordo com 9.3.4.3, Stress Classification, as tensões foram classificadas
como:
ˆ Tensão primária: é a tensão de membrana, σm devido à P. Para o caso do
vaso de pressão em questão, como são atendidas as condições presentes em
A.3.4 (a), é possı́vel estimar a tensão de membrana utilizando a equação
A.11 como:

Pm = 112, 73 M P a
Observação: foi considerado que a parede do vaso de pressão apresenta espessura
igual à nominal de 19 mm. Não foi levado em consideração portanto nenhum
tipo de perda de metal (metal loss) e nem uma eventual redução da espessura da
parede devido a futuros efeitos de corrosão (FCA - Future Corrosion Allowance)
de acordo com as definições apresentadas na norma.
ˆ Tensão secundária: de acordo com a configuração do problema não há
presença de tensões residuais.
ˆ Tensão residual: são as tensões autoequilibrantes decorrentes do processo
de soldagem. De acordo com a equação E.1 do anexo E, estima-se a tensão
residual decorrente do processo de soldagem (σ rys ):

r
σys = 289, 00 M P a

Observação: como não há dados reais do material utilizado na manufatura


do vaso de pressão, considerou-se, por conservadorismo da avaliação, que a
tensão de escoamento do aço, σys , é de 220 MPa, valor mı́nimo exigido pela
norma ASTM A515 [2]. Também foi informado que a junta soldada não passou
por um alı́vio de tensões e que o vaso de pressão não passou por um teste
hidrostático. A partir dessas destas informações, conforme a equação E.1, foi
adotada a hipótese (conservadora) de uma tensão residual uniforme atuando na
região da junta soldada, igual à tensão de escoamento do material acrescida de
69 MPa. Atentar também que o procedimento atende aos requisitos gerais do
anexo E pois, neste, requere-se que a tensão de escoamento considerada seja a
do Metal Base.

Passo 3: Determinação das propriedades do material.


Determinando as propriedades de tensão, de acordo com a norma ASTM A515
[2]:
ˆ Tensão de escoamento:σys = 220 M P a - valor mı́nimo admissı́vel;

2
ˆ Tensão última: 415 M P a ≤ σU ≤ 550 M P a;

Determinando a tenacidade à fratura o material em questão: não há nenhum


dado disponı́vel a respeito desta propriedade no enunciado do problema, logo,
ela deve ser estimada. Isso pode ser feito através dos procedimentos descritos
na seção F.4.4.2 (a), através da utilização da Curva de Referência ASME. Os
procedimentos seguidos foram:
1. De acordo com as especificações do material foi definida a ASME Exemp-
tion Curve B (Parte 3, Tabela 3.2 ) para o caso do aço ASTM A 515.
Também foi definido o valor do módulo de elasticidade (à temperatura
ambiente), EY = 205 GP a, de acordo com a Tabela 3, da seção 7.1.3.1
da norma BS 7910 [3].
2. Foi obtido o valor de temperatura T0 para o material de acordo com a
equação F.86.
3. Utilizando a equação F.58, foi estimada a temperatura de referência do
material, Tref .

4. O valor de KIC (tenacidade à fratura), para a temperatura mı́nima de


operação (0°C) foi então computado utilizando a equação da Curva de
Referência ASME, F.53 e assumido como o valor da tenacidade do mate-
rial, Kmat :


KIC = Kmat = 50, 02 M P a m

Observação: a Curva de Referência ASME foi originalmente concebida para


avaliar a de integridade estrutural de vasos de pressão de reatores nucleares [4]
e descreve, para o caso de aços estruturais ferrı́ticos, os valores inferiores (lower
bounds) de KIC .

Passo 4: Determinação das dimensões da trinca encontrada


na inspeção.
Dimensões da trinca a partir dos resultados da inspeção: é uma trinca do tipo
superficial, encontrada na parede interna do vaso de pressão, idealizada como
semi-elı́ptica apresentando profundidade a = 6, 35 mm e comprimento 2c =
135 mm. Uma representação de uma trinca deste tipo, assim como a idealização,
é apresentada na Fig. 1, correspondente à Figura 9.1 (b), da seção 9.

3
Figura 1: exemplo e idealização de uma trinca semi-elı́ptica [1].

É informado também que a distância desta trinca até a descontinuidade estru-


tural mais próxima é de 1000 mm. Ora como não foram apresentadas mais
informações desta descontinuidade é assumido, por conservadorismo, que ela é
uma outra trinca menor ou de semelhantes dimensões. Assim, através da Figura
9.8 da seção 9, pode ser avaliada se há interação significativa entre os dois de-
feitos ou se eles podem ser tratados de forma independente. Desta maneira,
podem ser assumidas duas condições:

ˆ Duas trincas coplanares superficiais separadas por uma distância s = 1000


mm. Neste caso, como s < 135 mm, não há necessidade de uma com-
posição dos dois defeitos, logo a análise pode ser feita individualmente
apenas para o caso mais crı́tico, ou seja, posso analisar a trinca descrita
no problema individualmente;

ˆ A trinca superficial está a uma distância (longitudinal) s = 1000 mm


de uma embedded crack. Neste caso como s < 135 mm, também não
há necessidade de uma composição dos dois defeitos, logo a análise pode
ser feita individualmente apenas para o caso mais crı́tico, ou seja, posso
analisar a trinca descrita no problema individualmente.

Assim, a análise será feita apenas considerando o defeito que foi idealizado como
uma trinca superficial, interna, semi-elı́ptica.

Passo 5: Modificar os valores das tensões primárias, tenaci-


dade à fratura do material e tamanho da trinca utilizando
Fatores Parciais de Segurança (PSF ).
Obtendo os Fatores Parciais de Segurança ou Partial Safety Factors (PSF): os
PSF, que estão apresentados na Tabela 9.3 da seção 9, servem para modificar
os valores de Pm , a, 2c e Kmat . Esta tabela pode ser utilizada tanto para o caso
de trincas rasas (shallow cracks) quanto para trincas profundas (deep cracks).
A trinca encontrada no vaso de pressão avaliado tem profundidade a = 6,35
mm e, portanto, de acordo com a Tabela 9.3, é do tipo profunda (a ≥ 5 mm).
O procedimento adotado então é o seguinte:

4
1. Primeiramente deve ser escolhida uma probabilidade de falha (pf ) e um
fator de segurança associado (β). Nesta avaliação foram considerados
valores intermediários (de modo a não penalizar a estrutura com excesso
de conservadorismo), com pf = 10−3 e β = 3, 09.
2. Deve ser selecionado então o coeficiente de variação (COVs ) que é es-
tima a incerteza existente no conhecimento da distribuição das tensões
primárias. Assim como para o caso de pf , foi adotado um valor inter-
mediário, COVs = 0, 2, que indica que as tensões primárias nas proximi-
dades da trinca são razoavelmente conhecidas.
3. Definidos pf = 10−3 e COVs = 0, 2, é então encontrado um valor Rc = 1, 5.
Este valor, como indicado na tabela é um cut-off para definir as regiões de
fratura frágil/colapso plástico e categoria de PSF que deve ser utilizada.
4. Procede-se ao cálculo de Rky , que é utilizando em conjunto com Rc para
a definição dos PSF. Rky é calculado através da seguinte equação (tabela
9.3):

mean
Kmat
Rky = Cu
σys

Observações: Cu é um fator de conversão de valor 6,275 (como apresentado


mean
na seção 9.9). O valor de Kmat é um valor médio de tenacidade a fratura
a ser computado, pois o PSFK (Fator Parcial de Correção da Tenacidade) é
calibrado para valores médios e não para estimativas lower bound, como a de
Kmat através da Curva de Referência ASME. Esta correção é feita a partir de
dados disponı́veis na tabela F.11 “Correlations for the Mean-to-Lower Bound
mean
Fracture Toughness Ratio”, na qual é possı́vel estimar o valor de Kmat a par-
tir de Kmat √ = KIC lower bound . Sendo considerado que meu valor lower bound
(50, 02 M P a m) está distante 3 desvios-padrão do valor médio (hipótese mais
conservadora da tabela), pode ser estimado então:

K mean mat = 55, 90 M P a m
mean
5. Conhecido o valor de Kmat é possı́vel calcular Rky = 1,6. Assim, como
Rky > Rc, pela tabela 9.3 são obtidos:

ˆ P SFk - Fator Parcial de Correção para a tenacidade: 1,00;

ˆ P SFs - Fator Parcial de Correção para a tensão primária de membrana:


2,00;
ˆ P SFa - Fator Parcial de Correção para a profunidade da trinca 1 : 1,00.

1 Caso de uma surface crack.

5
6. Por fim, utilizando as equações 9.11 a 9.16 são então obtidos os valores
corrigidos:
mean √
Kmat 55, 90
Kmat = = = 55, 90 M P a m
P SFk 1, 00

Pm = Pm × P SFs = 112, 73 × 2, 00 = 225, 46 M P a

a = a × P SFa = 6, 35 × 1, 00 = 6, 35 mm

Passo 6 Calculando a tensão de referência para as tensões


primárias, σ Pref .
Utilizando o valor de Pm (corrigido) é possı́vel obter a tensão referência baseada
na tensão primária: isso é feito através de equações encontradas no anexo D. O
valor de σ P
ref pode ser calculado através da equação D.74, que é válida para o
caso de vasos de pressão submetidos à pressão interna, com geometria cilı́ndrica
e que contenham trincas semi-elı́pticas superficiais. Por sua vez, os parâmetros
da equação (os que devem ser calculados) podem ser obtidos através da solução
das equações D.31, D.75, D.19, D.8, D.31, D.18 e D.22 2 . Desta maneira:

σP
ref = 249, 53 M P a

Passo 7 Calculando a razão de carregamento, Lr .


Calculando a razão de carga ou abcissa do diagrama FAD: esta é computada
a partir da razão entre a tensão de referência calculada a partir das tensões
primárias3 (Passo 6) e a tensão de escoamento do material (Passo 3), como
apresentado na equação 9.17. Assim:
249, 53
LP
r = = 1, 13
220

Passo 8 Calculando a intensidade de tensões atribuı́da às


cargas primárias, KIP .
Calculando a contribuição das tensões primárias para uma eventual fratura
frágil : a partir da geometria do problema e das informações encontradas na
norma é possı́vel calcular o fator intensidade de tensões que decorre da aplicação
da tensão primária (Pm ) na estrutura trincada, KIP . A solução está presente
na seção C.5.10 - “Cylinder – Surface Crack, Longitudinal Passo 1: Avaliar as
condições de operação e determinando pressão, temperatura e carregamentos.
Condições de trabalho:
2 Esta última fora escolhida ao invés da equação D.21, por considerar uma análise baseada

no colapso da seção lı́quida e não do ligamento local.


3 Apenas as tensões primárias podem contribuir tanto para o colapso plástico e quanto para

a falha por fratura frágil. As tensões secundárias apenas para a fratura frágil.

6
ˆ Vaso de pressão operando com pressão de 1,8 MPa (considerada como
pressão absoluta);
ˆ Temperatura mı́nima de operação igual a 0°C;
ˆ Existência de tensões residuais decorrente do processo de soldagem, sendo
que a junta soldada não passou por um tratamento de alı́vio de tensões
(PWHT - Post Welding Heat Treatment)
Direction – Semi-Elliptical Shape, Internal Pressure”, especificamente equação
C.186 (Mode I Stress Intensity Factor - Inside Surface, crack face pressure load-
ing included), que trata de uma condição de geometria/carregamento que é a
mesma modelada no problema. Os parâmetros a serem utilizados na equação
C.186 podem ser calculados através das equações C.15,C.96, C.188, C.189,
C.266, C.267, C.268 C.275, C.275, C.276. Também, nestas equações são uti-
lizados dados da tabela C.12 (obtidos através de interpolação linear, como sug-
erido pela norma). Assim, tem-se que:

KIP = 21, 82 M P a m
Observação: o valor de KIP foi calculado levando em consideração a pior situação
possı́vel, a extremidade da trinca (solução mais conservadora).

Passo 9 Calculando a tensão de referência para as tensões


residuais, σ SR
ref .
r
Utilizando o valor de σys é possı́vel obter a tensão referência baseada na tensão
residual : o procedimento é virtualmente o mesmo utilizado no Passo 6 (mesmo
equacionamento). Assim:

σ SR
ref = 319, 87 M P a

Passo 10 Calculando a intensidade de tensões atribuı́da às


cargas residuais, KISR .
Calculando a contribuição das tensões residuais para uma eventual fratura frágil :
como as equações para a obtenção dos fatores de intensidade de tensões para
o caso de cilindros com trinca superficial apenas consideram casos em que há
pressão interna4 , uma outra solução deve ser encontrada. Como o raio in-
terno do vaso de pressão é muito maior que o valor da espessura da chapa
de aço (1000 mm  19 mm) foi adotada a solução encontrada no anexo C,
equação C.263, o caso de uma trinca semi-elı́ptica, superficial, em uma placa
r
plana infinita. Foi considerada a pior situação possı́vel em que a tensão σys =
289, 00M P a atua uniformemente sobre toda a trinca (parâmetro σ0 da equação),
e KI foi avaliado na extremidade da trinca (situação mais crı́tica, portanto mais
conservadora). Desta maneira foi obtido:

KISR = 64, 93 M P a m
4 Ao menos as encontradas nesta norma.

7
Passo 11 Calculando o fator de interação de plasticidade,
φ.
O valor de φé necessário para calcular o fator de relação de tenacidades, Kr :
isso é feito através de alguns procedimentos. São eles:
1. Como o valor de KISR é maior do que 0, computa-se primeiro o valor de
LSR
r , através da equação 9.18:

σ SR
ref
LSR
r = = 1, 45
σys
2. Determinação dos parâmetros ψeϕ, através da utilização das tabelas 9.4
a 9.7. Os inputs destas tabelas são os valores de LP r (calculado no Passo
7) e LSR
r e, para a avaliação em questão, foinecessária uma interpolação
linear para a obtenção de ψeϕ(como é sugerido pela norma). Assim:

ψ = −0, 04635

ϕ = 0, 24731
3. Como na avaliação em questão LSR
r < 4, φpode ser calculado através da
equação 9.20. Assim:
ψ −0, 04635
φ=1+ =1+ = 0, 8126
ϕ 0, 24731

Passo 12 Calculando o a razão de tenacidades, Kr .


A razão de tenacidades, ou ordenada do diagrama FAD é então calculada: isso
é feito utilizando parâmetros já avaliados anteriormente e com a utilização da
equação 9.26. Assim:
KrP + φKISR 21, 82 + 0, 8126 × 64, 93
Kr = = = 1, 33
Kmat 55, 90

Passo 13 Avaliação dos resultados.


A partir de todos os procedimentos realizados é possı́vel avaliar a criticidade do
defeito: isso é feito em algumas etapas. São elas:

1. Definição do assessment point: AP = Kr ; LP r = (1, 33 ; 1, 13).

2. Determinação do ponto de cut-off do diagrama FAD. Este cut-off é um


limite dentro do diagrama FAD para o valor de LP r , definido de acordo
com o tipo de aço utilizado na construção do vaso de pressão. Na pre-
sente avaliação, o material em questão (ASTM A515) é um aço estrutural
ferrı́tico do tipo C-Mn. Assim, de acordo com a nota 2, da Figura 9.20, o
valor do cut-off será: LPr(max) = 1, 25.

8
3. Plotar o assessment point dentro do diagrama FAD5 . Isso é feito na Fig.
2.

Figura 2: assessment point plotado no diagrama FAD.

CONCLUSÃO: o assessment point se encontra dentro da região po-


tencialmente insegura do diagram FAD, logo o defeito é crı́tico. Por
este motivo alguma ação deve ser tomada como: redução da pressão
de trabalho, manutenção do vaso de pressão ou mesmo a substituição
da estrutura.

Solução 2: consideração de que a junta soldada


passou por um processo de alı́vio de tensões
A análise realizada vai ser virtualmente idêntica àquela realizada na Solução 1,
contudo, agora se faz necessário considerar que a junta soldada passou por um
tratamento térmico de alı́vio de tensões. Por este motivo, ocorre uma diminuição
dos valores das tensões residuais.
5 A equação utilizada para plotar a curva FAD é a equação 9.30, apresentada na Figura

9.30, nota (2.).

9
Passo 1: Avaliar as condições de operação e determinando
pressão, temperatura e carregamentos.
Condições de trabalho:
ˆ Vaso de pressão operando com pressão de 1,8 MPa (considerada como
pressão absoluta);
ˆ Temperatura mı́nima de operação igual a 0°C;
ˆ Existência de tensões residuais decorrente do processo de soldagem, sendo
que a junta soldada passou por um tratamento de alı́vio de tensões (PWHT
- Post Welding Heat Treatment).

Passo 2: Determinar a distribuição de tensões, baseando-


me nos carregamentos do Passo 1, e classificar as tensões
em primárias, secundárias e residuais.
De acordo com 9.3.4.3, Stress Classification, as tensões foram classificadas
como:
ˆ Tensão primária: é a tensão de membrana, σm devido à P. Para o caso do
vaso de pressão em questão, como são atendidas as condições presentes em
A.3.4 (a), é possı́vel estimar a tensão de membrana utilizando a equação
A.11 como:
Pm = 112, 73 M P a
Observação: foi considerado que a parede do vaso de pressão apresenta espessura
igual à nominal de 19 mm. Não foi levado em consideração portanto nenhum
tipo de perda de metal (metal loss) e nem uma eventual redução da espessura da
parede devido a futuros efeitos de corrosão (FCA - Future Corrosion Allowance)
de acordo com as definições apresentadas na norma.
ˆ Tensão secundária: de acordo com a configuração do problema não há
presença de tensões residuais.
ˆ Tensão residual: são as tensões autoequilibrantes decorrentes do processo
de soldagem. As etapas e cálculos realizados foram:
1. Primeiramente, de acordo com a equação E.1 do anexo E, estima-se a
tensão residual decorrente do processo de soldagem (σ rys ) antes do alı́vio
de tensões:

r
σys = 289 M P a
2. Segundo, como a junta soldada passou por um tratamento de alı́vio de
tensões6 e foi considerado que ela é de geometria Double V Groove Weld, o
6 Foi considerado que a solda passou por um processo padrão de alı́vio de tensões, em acordo

com o código construtivo do vaso de pressão.

10
efeito das tensões residuais pode ser avaliado para este caso através da seção
E.4 - “Full Penetration Welds in Piping and Pressure Vessel Cylindrical Shells”,
mais especificamente, E.4.4.1 “Residual Stress Perpendicular to the Weld Seam
(Longitudinal Flaw)” - (d) “Effects of PWHT”. Assim, pode-se estimar que as
tensões residuais são uniformes de valor:
r r
σys = σys × 0, 2 = 289 M P a × 0, 2 = 57, 8 M P a

Observação: não foi considerado que o vaso de pressão fora submetido a um


teste hidrostático, logo, não será feita nenhuma outra correção no valor da
tensão residual.

Passos 3 a 8.
Idênticos aqueles realizados na Solução 1 : desta maneira, eles não serão repeti-
dos dentro desta solução. Todos os valores necessários nos próximos passos
serão, portanto, ou retirados diretamente da Solução 1 ou dos Passos 1 e 2
da Solução 2.

Passo 9 Calculando a tensão de referência para as tensões


residuais, σ SR
ref .
r
Utilizando o valor de σys é possı́vel obter a tensão referência baseada na tensão
residual : o procedimento é virtualmente o mesmo utilizado no Passo 6 da
r
Solução 1 (mesmo equacionamento), contudo é utilizado o valor de σys = 57, 8
MPa. Assim:

σ SR
ref = 63, 97 M P a

Passo 10 Calculando a intensidade de tensões atribuı́da às


cargas residuais, KISR .
Calculando a contribuição das tensões residuais para uma eventual fratura frágil :
é adotado o mesmo procedimento do Passo 10 da Solução 1, contudo agora é
utilizado o novo valor de σ rys = 57, 8 M P a. Assim é obtido:

KISR = 12, 99 M P a m

Passo 11 Calculando o fator de interação de plasticidade,


φ.
O valor de φé necessário para calcular o fator de relação de tenacidades, Kr :
isso é feito através de alguns procedimentos idênticos ao Passo 10 da Solução
1, contudo com os valores de σ SR SR
ref e KI obtidos na Solução 2. São eles:

1. Como o valor de KISR é maior do que 0, computa-se primeiro o valor de


LSR
r , através da equação 9.18:

11
σ SR
ref 63, 97
LSR
r = = = 0, 29
σys 220
2. Determinação dos parâmetros ψeϕ, através da utilização das tabelas 9.4 a
9.7. Os inputs destas tabelas são os valores de LP r (calculado no Passo 7
da Solução 1) e LSR r e, para a avaliação em questão, foi necessária uma
interpolação linear para a obtenção de ψeϕ(como é sugerido pela norma).
Assim:

ψ = −0, 0156

ϕ = 0, 0739
3. Como na avaliação em questão LSR
r < 4, φpode ser calculado através da
equação 9.20. Assim:
ψ −0, 0156
φ=1+ =1+ = 0, 7867
ϕ 0, 0739

Passo 12 Calculando o a razão de tenacidades, Kr .


A razão de tenacidades, ou ordenada do diagrama FAD é então calculada: isso
é feito como no Passo 12 da Solução 1, utilizando parâmetros já avaliados
anteriormente e com a utilização da equação 9.26. Assim:
KrP + φKISR 21, 82 + 0, 7867 × 12, 99
Kr = = = 0, 57
Kmat 55, 90

Passo 13 Avaliação dos resultados.


A partir de todos os procedimentos realizados é possı́vel avaliar a criticidade do
defeito: isso é feito seguindo as mesmas etapas já apresentadas no Passo 13 da
Solução 1.

1. Definição do assessment point: AP = Kr ; LP r = (0, 57 ; 1, 13).

2. Determinação do ponto de cut-off do diagrama FAD. Este cut-off é um


limite dentro do diagrama FAD para o valor de LP r , definido de acordo
com o tipo de aço utilizado na construção do vaso de pressão. Na pre-
sente avaliação, o material em questão (ASTM A515) é um aço estrutural
ferrı́tico do tipo C-Mn. Assim, de acordo com a nota 2, da Figura 9.20, o
valor do cut-off será: LPr(max) = 1, 25.

3. Plotar o assessment point dentro do diagrama FAD7 . Isso é feito na Fig.


3.
7 A equação utilizada para plotar a curva FAD é a equação 9.30, apresentada na Figura

9.30, nota (2.).

12
Figura 3: assessment point plotado no diagrama FAD.

CONCLUSÃO: mesmo após o tratamento para o alı́vio de tensões,


o assessment point se encontra dentro da região potencialmente in-
segura do diagram FAD, logo o defeito é crı́tico. Por este motivo
alguma ação deve ser tomada como: redução da pressão de trabalho,
manutenção do vaso de pressão ou mesmo a substituição da estrutura.
Notar que a variação das tensões residuais (como já citado), apenas
alterou (diminuiu) o valor de Kr , que é relacionado ao fenômeno de
fratura frágil. A diminuição das tensões residuais não modificam o
valor de Lr , que é relacionado à falha por colapso plástico.

Parte II
Avaliação da criticidade de um defeito de acordo com o

Opção 1, da seção 7 (Assessment for fracture resistance)

da norma BS 7910

OBSERVAÇÕES: dentro da Parte II desta avaliação, a menos que ex-


plicitado, os números das seções, tabelas, figuras e equações apresentadas no

13
texto se referem à norma BS 7910 Guide do methods for assessing the accept-
ability of flaws in metallic structures (2013+A1:2015) [3]. Também, como ap-
resentado na nota 1 da seção 5.3, a análise através de FAD/Opção 1 é similar
ao nı́vel 2A e ao nı́vel 3A generalizado da norma BS 7910:2005, uma versão
anterior já obsoleta.

A solução através da opção 1 apresentada na norma BS 7910 é relativamente


mais simples que a de nı́vel 2 da API 579, podendo ser resumida no fluxograma
apresentado na Fig. 4, reproduzida a partir da Figura 6 da seção 7.

Passo 1 Definindo as tensões (seção 6.4 ).


De acordo com a seção 6.4.1, devem ser avaliadas as tensões considerando uma
estrutura unflawed 8 : devem ser analisados os tipos de tensões presentes assim
como sua distribuição e intensidade. A sequência de procedimentos é a seguinte:
1. Devem ser definidas quais são as tensões primárias e quais são as tensões
secundárias. No presente problema temos:

ˆ Tensão primária (P ) - apenas a tensão de membrana, Pm , do vaso de


pressão. De acordo com a seção 6.4.2 são tensões que podem contribuir
tanto para o colapso plástico quanto para falha por fratura frágil.
ˆ Tensões secundárias (Q) - autoequilibrantes, podem ser aliviadas por es-
coamento local, tratamento térmico, etc. Não contribuem para o colapso
plástico, contudo afetam a severidade da intensidade de tensões na ponta
da trinca. No nosso caso são as tensões residuais de soldagem, Qm .

2. Para o cálculo inicial da Pm , foi utilizada a mesma solução que fora uti-
lizada na Parte I, Solução 1, Passo 2, ou seja, uma solução de tensões
baseada na norma API 579 [1], por ser mais completa que os modelos
propostos na BS 7910. Assim:

Pm = 112, 73 M P a

3. Após o cálculo do valor de Pm , foi utilizado o anexo D de modo a con-


siderar um eventual desalinhamento existente entre as chapas que consti-
tutem o vaso de pressão e que foram unidas através do cordão de solda
longitudinal. Foi arbitrado um desalinhamento de 5% da espessura nomi-
nal da chapa, isto é:

desalinhamento = 19 × 5% = 0, 95 mm
8 Sem a presença do defeito o qual se deseja avaliar a criticidade.

14
Figura 4: fluxograma a ser utilizado em uma avaliação de integridade estrutural
do tipo opção 1 [3].

15
4. A partir deste valor de desalinhamento foi calculado um fator de correção,
km , necessário para corrigir o valor de Pm devido a efeitos de tensões de
flexão decorrentes do desalinhamento. Isso foi feito com a utilização da
equação D.1. e de dados obtidos a partir da tabela D.1, figura (c) - “Axial
misalignment at longitudinal seam welds in tubes, pipes and vessels, with
or without thickness change”. Assim:

km = 1, 16

5. Por fim, pode ser estimado o valor de Qm . Isso foi feito através das
instruções da seção 7.1.8.1. Assim, por conservadorismo, as tensões resid-
uais foram assumidas uniformes e com magnitude igual ao mı́nimo valor
requerido de tensão de escoamento do aço ASTM A515, em temperatura
ambiente. Logo:

Qm = 220 M P a

Passo 2 Estimando o valor da tenacidade à fratura do ma-


terial, Kmat , a partir de dados de energia Charpy (anexo
J ).
Esse passo é adotado pois não tenho quaisquer informações a respeito da tenaci-
dade do material: para que eu possa estimar o valor de Kmat através das opções
do anexo J, contudo, é necessário dispor, pelo menos, do valor de energia Charpy
para uma temperatura qualquer9 , como apresentado na nota 4 da seção J.2.2.
Esse valor de energia foi estimado através da norma API 579 através das
tabela 3.2 (utilizada para definir a exemption curve desse aço, no caso B) e da
tabela 9.2. Assim, obteve-se:

T = 15°C

Energia Charpy = CV N = 20 J

De posse do par (T ; CV N ) então é possı́vel estimar o valor de Kmat (para a


mı́nima temperatura de operação, 0°C) através do procedimento da nota 4 da
seção J.2.2 e com utilização da equação J.1 e equação J.4. Assim, estimou-se:

Kmat = 48, 51 M P a m

Este será o valor utilizado neste assessment.


9 Desde que seja um valor representativo da região de transição ou lower shelf e que o valor

de energia seja inferior a 50 joules.

16
Passo 3 Determinando as propriedades de tensão do mate-
rial (seção 7.1.3).
Os valores das propriedades mecânicas podem ser avaliados para a mı́nima tem-
peratura de operação (0°C): isso é feito através da equação 2 (para a tensão de
escoamento) e da equação 3 (para a tensão última) da seção 7.1.3.4. Assim:

σY = 234, 67 M P a

σU = 426, 62 M P a

Comentário: foram utilizados os mı́nimos valores especificados pela norma,


tanto para σY quanto para σU para computar os valores das propriedades
mecânicas na mı́nima temperatura de operação.

Passo 4 Caracterizando o defeito (seção 7.1.2).


Dimensões da trinca a partir dos resultados da inspeção: é uma trinca do tipo
superficial, encontrada na parede interna do vaso de pressão, idealizada como
semi-elı́ptica apresentando profundidade a = 6, 35 mm e comprimento 2c =
135 mm. Uma representação de uma trinca deste tipo, é apresentada na Fig. 5,
correspondente à Figura 10 (b), da seção 7.

Figura 5: modelo de uma trinca semi-elı́ptica [3].

É informado também que a distância desta trinca até a descontinuidade estru-


tural mais próxima é de 1000 mm. Ora como não foram apresentadas mais
informações desta descontinuidade é assumido, por conservadorismo, que ela é
uma outra trinca menor ou de semelhantes dimensões. Assim, através da Figura
12 da seção 7, pode ser avaliada se há interação significativa entre os dois de-
feitos ou se eles podem ser tratados de forma independente. Desta maneira,
podem ser assumidas duas condições:
ˆ Duas trincas coplanares superficiais separadas por uma distância s = 1000
mm, Figura 12 (i). Neste caso, como s > 3, 18 mm, não há necessidade

17
de uma composição dos dois defeitos, logo a análise pode ser feita individ-
ualmente apenas para o caso mais crı́tico, ou seja, posso analisar a trinca
descrita no problema individualmente;
ˆ A trinca superficial está a uma distância (longitudinal) s = 1000 mm
de uma embedded crack, Figura 12(vi). Neste caso como s > 6, 35 mm,
também não há necessidade de uma composição dos dois defeitos, logo a
análise pode ser feita individualmente apenas para o caso mais crı́tico, ou
seja, posso analisar a trinca descrita no problema individualmente.
Assim, a análise será feita apenas considerando o defeito que foi idealizado como
uma trinca superficial, interna, semi-elı́ptica.

Passo 5 realização do assessment pela Opção 1 (7.3.3).


A realização do assessment tem várias etapas: devem ser definidos um valor de
cut-off para a razão de cargas (Lr,máx ), o diagrama FAD, a razão de tenacidades
(Kr ) e a razão de carregamentos (Lr ). Isso foi feito nas etapas apresentadas a
seguir.
1. Determinação do valor de cut-off, através da equação 25 da seção 7:

σY + σU 234, 67 + 426, 62
Lr,máx = = = 1, 41
σY 234, 67
2. Seleção das equações necessárias para a plotagem da linha de assessment,
neste caso, equações 8, 29, 30, 31, 32 e 33 da seção 7. Foram utilizadas
equações adequada para um aço que apresenta como caracterı́stica um es-
coamento descontı́nuo. Este comportamento é esperado para o aço ASTM
A 515 em questão, de acordo com a seção 7.1.3.6 tabela 4.

3. Cálculo do valor Lr . Isto é feito através da equação 40, encontrada na


seção 7.3.7, ao passo que a tensão de referência necessária para este cálculo
é obtida através da equação P.18, encontrada no anexo P da norma. As-
sim:

σref 145, 44
Lr = = = 0, 66
σY 234, 67
4. Cálculo do valor Kr . Este valor foi computado através da utilização da
equação 38 da seção 7. Contudo, primeiramente foi necessário obter os
valores de KIP , fator intensidade de tensões devido às tensões primárias,
KIS , fator intensidade de tensões devido às tensões secundárias e de V, um
fator necessário para a consideração de efeitos de plasticidade. Assim:

ˆ KI , pode ser calculado genericamente através da equação M.1 presente


no anexo M, da seguinte maneira:

18

KI = (Y σ) πa

Em que Y σ pode ser dividido em uma parte derivada das tensões primárias
(Y P σ) e outra das tensões secundárias (Y S σ), como apresentado na equação
M.3 :

Y σ = Y P σ + Y Sσ

O valor Y P σ é calculado através da equação M.4 e Y S σ através da equação


M.5 ambas do anexo M. Adotou-se uma solução de força motriz baseada no
caso mais conservador (ponta da
trinca), o que equivale a um ângulo θ = 0°, de acordo com as referências
apresentadas na Figura M.3, da seção 4.1 “M.4.1 Surface flaws in plates” 10 .
Assim, solucionando as
equações é obtido:

KIP = 24, 34 M P a m


KIS = 43, 03 M P a m

ˆ O coeficiente V pode ser calculado através da equação R.3, encontrada


no anexo R. É um valor que depende do valor de Lr e também de KIP .
Assim, V é estimado em:

V = 1, 19

5. De posse de KIP ,KIS e V então é possı́vel utilizar a equação 39 da seção


7.3.6 de modo a computar o valor de Kr :

KIP + V KIS 24, 34 + 1, 19 × 43, 03


Kr = = = 1, 55
Kmat 48, 51

6. Por fim, conhecido o assessment point (Kr ;Lr =1, 55; 0, 66), basta plotar
esse ponto no diagrama FAD cuja curva é a representação gráfica das
equações e do valor de cut-off definidos nas etapas 1 e 2 do Passo 5.
Isso é feito na Fig. 3.
10 Solução de geometria do tipo “placa” é bastante razoável uma vez que o raio do vaso de

pressão é muito maior que as dimensões da trinca superficial encontrada.

19
Figura 6: assessment point plotado no diagrama FAD.

CONCLUSÃO: o assessment point se encontra dentro da região po-


tencialmente insegura do diagram FAD, logo o defeito é crı́tico. Por
este motivo alguma ação deve ser tomada como: redução da pressão
de trabalho, manutenção do vaso de pressão ou mesmo a substituição
da estrutura.

Parte III
Estimativa de um tamanho de defeito crı́tico

Ainda que para todos os casos analisados o defeito encontrado foram maiores
que tamanho crı́tico admissı́vel (i.e. a integridade estrutural do vaso de pressão
não é garantida de acordo com as avaliações realizadas), é possı́vel estimar as
dimensões máximas de uma trinca superficial elı́ptica para que a estrutura seja
considerada segura. De maneira mais completa, as dimensões crı́ticas poderiam
ser encontradas ao serem testadas novas profundidades de trinca, a, e compri-
mentos de trinca, 2c, utilizando os procedimentos da Parte I, para o caso da
avaliação através da norma API 579 ou Parte II, para o caso da avaliação da
criticidade através da norma BS 7910. Este método seria iterativo e relativa-

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mente demorado 11 . Contudo, a tı́tulo de exercı́cio, é possı́vel considerar que
todos os parâmetros necessários para o cálculo de Kr e LP r (ou Lr , de acordo
com a nomeclatura da BS 7910) são aproximadamente constantes (e.g. V, φ, ψ,
etc.). Esta hipótese é bastante simplista, tendo em consideração que muitos dos
dados devem ser interpolados a partir de tabelas diversas. De modo a melhorar
o modelo simplificado proposto, optou-se por ser mantida a mesma razão de as-
pecto (a/2c = 0, 047) nas trincas a serem “testadas”, de modo a tentar mitigar
os erros que decorrentes de resultados obtidos a partir das equações e tabelas
que sejam função desta relação. Assim, o problema foi resolvido nas planilhas do
Excel utilizadas como memória de cálculo, com o auxı́lio do suplemento Solver.
Os resultados obtidos foram os seguintes:
ˆ Caso 1: tamanho de defeito crı́tico aproximado - Norma API 579, sem
tratamento térmico para alı́vio de tensões: a = 0, 75 mm e 2c = 15, 94 mm
ˆ Caso 2: tamanho de defeito crı́tico aproximado - Norma API 579, com
tratamento térmico para alı́vio de tensões: a = 4, 00 mm e 2c = 85, 04 mm
ˆ Caso 3: tamanho de defeito crı́tico aproximado - Norma BS 7910, sem
tratamento térmico para alı́vio de tensões: a = 3, 08 mm e 2c = 65, 48 mm

Comentários: como o assessment realizado através do procedimento


descrito na API 579 é mais detalhado que o descrito na BS 7910,
foi possı́vel utilizar mais hipóteses conservadoras. Isso é refletido no
menor tamanho crı́tico de trinca obtido para o Caso 1. Também,
fica evidente que o tratamento térmico realizado para redução das
tensões residuais tem um papel importante na melhoria da integri-
dade estrutural do vaso de pressão. Isso porque, independentemente
de ter utilizado hipóteses mais conservadoras, o Caso 2 apresentou
um tamanho de defeito crı́tico 30% maior que aquele observado para
o Caso 3, que considera a norma BS 7910 e uma junta solda em
condições “as welded ”.

Referências
[1] American Petroleum Institute, Fitness-for-service, API RP-579-1 / ASME FFS-1
(2007).
[2] American Society for Testing and Materials, Standard specification for pres-
sure vessel plates, carbon steel, for intermediate- and higher-temperature service,
ASTM A515 (2017).
[3] British Institution, Guide to methods for assessing the acceptability of flaws in
metallic structures, BS 7910 (2013+A1:2015).
[4] V. H, B. J, D. J, Some issues by using the master curve concept, Nuclear Engine-
ering and Design 212 (2002) 115–124.
11 É o método sugerido na seção 9.4.3.3 da norma API 579.

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