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Veja as 32 perguntas sobre

patrimônio a que a família


Bolsonaro não responde
Joel Silva/Folhapress

Os deputados Eduardo e Jair Bolsonaro em evento do Patriota

RANIER BRAGON
CAMILA MATTOSO
DE BRASÍLIA
ITALO NOGUEIRA
DO RIO

08/01/2018 12h25

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A Folha enviou na semana passada 32 perguntas para o
presidenciável Jair Bolsonaro (PSC-RJ) e seus três filhos que
exercem mandato com questionamentos sobre o patrimônio da
família e o recebimento de auxílio-moradia.

Neste domingo, a Folha mostrou que os quatro parlamentares, que


têm a política como atividade profissional exclusiva, são donos de 13
imóveis no Rio de Janeiro e em Brasília, com preço de mercado de
pelo menos R$ 15 milhões.

PATRIMÔNIO MULTIPLICADO

Patrimônio de Jair Bolsonaro e filhos se


multiplica na política

Filho de deputado federal negociou 19 imóveis e


fez transações-relâmpago

Após reportagem sobre patrimônio, Bolsonaro


fala em blog em 'calúnia'

Com imóvel próprio, Bolsonaro ganha auxílio-


moradia da Câmara

LEANDRO COLON: Deputado já declarou que


sonegaria o 'possível'

VINICIUS MOTA: Quando entrar para a política


é bom investimento

CELSO R. DE BARROS: Liberais estão certos


em se negar a fazer companhia a Bolsonaro

Reportagem desta segunda (8) revelou que Bolsonaro e seu filho


Eduardo recebem mensalmente R$ 6.167 de auxílio-moradia mesmo
com imóvel em Brasília.
O presidenciável recebe o benefício desde outubro de 1995. Ao todo,
os dois já embolsaram, até dezembro passado, R$ 730 mil, já
descontado Imposto de Renda.

A família não respondeu às perguntas. Em suas redes sociais, apenas


se manifestaram genericamente.

Jair Bolsonaro escreveu em seu Twitter, na noite de domingo, que


a Folha "mais uma vez, mesmo com todo meu patrimônio declarado
no IR, parte para a calúnia".

Veja as 32 perguntas enviadas aos parlamentares.

JAIR BOLSONARO (deputado federal)

1 - O sr. tem um patrimônio que inclui 5 imóveis cuja avaliação de


mercado é de cerca de R$ 8 milhões (1). O sr. utilizou outros
recursos que não o de deputado e militar da reserva para formar esse
patrimônio?

2 - O sr. adquiriu duas casas na Barra da Tijuca, em 2009 e 2012,


por valores registrados em escritura bem inferiores ao que a
prefeitura calculou à época para a cobrança de ITBI. A casa 58, de
R$ 400 mil, a base para o ITBI foi de R$ 1,06 milhão. A casa 36, de
R$ 500 mil, a base foi de R$ 2,23 milhões. Além disso, segundo o
Secovi e corretores consultados, a valorização dos últimos anos foi
de menos de 100%. Hoje o preço de mercado delas é de R$ 5
milhões, juntas. Houve pagamento de algum valor não registrado em
escritura pública?

3 - A que o sr. atribui a divergência dos valores da prefeitura para os


valores pagos? O sr. contestou junto ao município a base de cálculo
deste ITBI?

4 - A casa 58, que o sr. comprou em 2009, foi adquirida quatro


meses antes pela empresa Comunicativa por R$ 580 mil. A escritura
informa que o sr. pagou R$ 400 mil. Qual a razão da queda de mais
de 30% em menos de quatro meses em pleno boom imobiliário?
5 - Quando comprou a casa 58, o sr. morava na casa 54, era de
aluguel? Por que o sr. não morava no apartamento da Barra
(Professor Maurice Assuf, 41) que o sr. declarava ter?

6 - O sr. e seus três filhos que exercem mandatos são donos de 13


imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 16,5 milhões**, a
maioria deles adquiridos nos últimos anos e localizados em pontos
valorizados do Rio de Janeiro, como Copacabana, Barra da Tijuca e
Urca. O sr. considera a obtenção desse patrimônio compatível com
os ganhos de quem atualmente se dedica exclusivamente à política?

7 - O sr. paga ou pagou pensão alimentícia para ex-mulheres ou


filhos? Se sim, em quais períodos e em que valores?

8 - O sr. diz ter arrecadado em média, nas últimas três eleições, R$


207 mil em cada uma. O valor é bem inferior à média dos eleitos em
2014, por exemplo, de R$ 1,6 milhão. O sr. recebeu em alguma
eleição valores não declarados à Justiça Eleitoral?

9 - Há inconsistências nas declarações do sr. à Justiça Eleitoral nas


últimas eleições. Exemplos: por que o sr. omitiu em 2006 a
propriedade de seus imóveis em Brasília e Angra? Por que em 2010
o sr. não declarou a compra da casa 58 na Barra, registrada em
cartório mais de um ano antes, em 2009?

10 - O sr. utilizou o dinheiro de auxílio-moradia para comprar o


primeiro apartamento, em Brasília?

11 - O sr. recebe auxílio-moradia desde outubro de 1995,


ininterruptamente. De lá até junho de 1998, o valor que o sr. recebeu
é similar ao que o sr. declarou na compra do apartamento em
Brasília. O sr. utilizou esses recursos para a compra do imóvel?

12 - Por que o sr. continua utilizando auxílio-moradia da Câmara se


tem apartamento em Brasília?

13 - O sr. recebe mais do que o teto do funcionalismo. O Exército


informou que o soldo de um capitão da reserva na situação do sr. é
de R$ 5,6 mil brutos. Em recente entrevista disse que ia pedir
revisão de seu soldo como capitão da reserva. Já fez ou pretende
fazer isso?
EDUARDO BOLSONARO (deputado federal)

1. Por que o sr. recebe auxílio-moradia sendo que o sr. mora num
apartamento próprio no Sudoeste, em nome do seu pai?

2. O sr. adquiriu recentemente um apartamento em Botafogo, de R$


1 milhão. O sr. utilizou auxílio-moradia para a compra do
apartamento?

3. Seu pai, o sr. e seus dois irmãos parlamentares são donos de 13


imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 16,5 milhões**, a
maioria deles adquiridos nos últimos anos e localizados em pontos
valorizados do Rio de Janeiro, como Copacabana, Barra da Tijuca e
Urca. O sr. considera esse um patrimônio compatível com os ganhos
de quem se dedica exclusivamente à política?

CARLOS BOLSONARO (vereador no Rio)

1. Na primeiras vezes que o sr. foi candidato, em 2000 e 2004, o sr.


declarou à Justiça Eleitoral que não tinha nenhum bem. Seus bens
atuais (com base na declaração à Justiça Eleitoral em 2016),
segundo o valor usado pela prefeitura do Rio para cálculo do ITBI,
somam cerca de R$ 2 milhões. O sr. utilizou outros recursos que não
o de vereador para formar esse patrimônio?
2. O seu pai, o sr. e seus dois irmãos parlamentares são donos de 13
imóveis com preço de mercado de pelo menos R$ 16,5 milhões (2), a
maioria deles adquiridos nos últimos dez anos e localizados em
pontos valorizados do Rio de Janeiro, como Copacabana, Barra da
Tijuca e Urca. O sr. considera esse um patrimônio compatível com os
ganhos de quem atualmente se dedica exclusivamente à política?

3. O sr. recebe auxílio-moradia? Se sim, por qual motivo?

FLÁVIO BOLSONARO (deputado estadual no Rio)

1. O sr. fez, em 2008, um contrato com a Cyrela de promessa de


compra de cinco salas comerciais no Barra Prime cinco dias antes do
memorial de incorporação. Segundo a lei, o incorporador deve ter
primeiro o memorial para poder colocar os imóveis à venda. Por que
isso aconteceu?

2. O sr. teve informações privilegiadas de que o prédio seria


construído?

3. O sr. fez, em 16 setembro de 2010, contrato com a Brookfield de


promessa de compra de mais sete salas comerciais no Barra Prime.
Um mês depois, em 29 de outubro de 2010, o sr. vendeu todas as
salas que havia acabado de comprar, todas por um valor maior. Por
qual motivo o sr. fez essa operação relâmpago?

4. Todas as salas foram vendidas para a MCA Participações. Em


pesquisa em cartórios, a MCA é dona apenas das salas que foram
vendidas pelo sr. Por que vendeu todas as unidades para a mesma
empresa?

5. O sr. tem alguma ligação com Marcello Cattaneo, dono da MCA,


ou com a empresa?

6. Todas as salas foram alugadas para a Posco Brasil. O sr. recebe


algum dinheiro dos aluguéis?

7. Na escritura de seu apartamento das Laranjeiras** há a


informação de que a compra foi feita pelo valor de R$ 1,75 milhão.
Na época, a prefeitura usou como base o valor de R$ 2,74 milhões
para calcular os impostos a serem pagos na transmissão do imóvel. A
que o sr. atribui a divergência dos valores da prefeitura para os
valores pagos? O sr. contestou junto ao município a base de cálculo
deste ITBI?

8. Em 2012, o sr. comprou dois apartamentos no mesmo dia, em


27/11/2012, de dois americanos. Houve relação entre as duas
compras?

9. Em um dos casos, do apartamento da av. Prado Junior, a


transação foi a seguinte: Paul Daniel comprou de Walter Wallace em
11/11/2011 por R$ 240 mil, daí vende para o sr. um ano depois por
R$ 170 mil, e o sr. revende um ano depois por R$ 573 mil. Qual a
razão da queda de quase 30% em apenas um ano? E do lucro
posterior?

10. O sr. declarou em 2016 ter 50% do imóvel em construção na rua


Pereira da Silva por R$ 423 mil. O apartamento, segundo escritura
de 2017, foi comprado por R$ 1,7 milhões. O sr. omitiu o valor real
do bem?

11. O sr. declara à Justiça Eleitoral ter 50% dos imóveis de que é
dono, provavelmente pelo fato de o sr. ter se casado com regime de
comunhão parcial de bens. O sr. acha que dessa forma está passando
a informação completa para os eleitores?

12. Nos últimos 10 anos, o sr. fez 19 compras ou promessas de


compra de imóveis no Rio. As transações, segundo valores que
constam em documentos de cartório, ultrapassaram R$ 9 milhões. O
sr. considera isso compatível com os ganhos de quem se dedicou
exclusivamente à política até 2015 e é dono de uma cota de R$ 50
mil de uma chocolataria?

13. O sr. começou na vida política declarando ter apenas um Gol 1.0,
que tinha valor de R$ 25 mil da época. Segundo valor utilizado pela
prefeitura do Rio para cálculo do valor de ITBI, os seus
apartamentos têm hoje o valor de R$ 6,3 milhões (3). O sr. considera
isso compatível com os ganhos de quem se dedicou exclusivamente à
política até 2015 e é dono apenas de uma cota de R$ 50 mil de uma
chocolataria?

ADENDOS

1 - O valor de R$ 8 milhões inclui outros bens do parlamentar, como


veículos e aplicações financeiras.
2 - O valor de R$ 16,5 milhões contemplava um apartamento de
Flávio Bolsonaro que foi usado em uma permuta para a aquisição,
em agosto do ano passado, de outros dois imóveis. A movimentação
ainda não consta no histórico em cartório.
3 - O valor considerava ainda o imóvel que foi utilizado na permuta
descrita acima. Sem ele, Flávio acumula imóveis no valor de cerca de
R$ 4 milhões.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1948804-veja-as-32-perguntas-sobre-
patrimonio-que-a-familia-bolsonaro-nao-responde.shtml