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A TEORIA DA POLIDEZ DE BROWN E LEVINSON


APLICADA AO PORTUGUÊS BRASILEIRO:
DESAFIOS E PROPOSTAS

Leonardo Lennertz Marcotulio (UFRJ)


Sabrina Lima de Souza (UFRJ)

RESUMO

Acreditando na necessidade de adaptação do modelo de estratégias de polidez proposto por Brown e


Levinson (1987), este trabalho objetiva apresentar uma proposta de transposição do mesmo à cultura brasileira,
através de sua fundamentação a partir de exemplos reais retirados de recursos midiáticos nacionais.

Pretende-se verificar, desta forma, quais das estratégias originalmente apresentadas são realizáveis no
português brasileiro, assim como discutir a universalidade do modelo proposto.

INTRODUÇÃO E OBJETIVOS

Os cursos de Letras das universidades brasileiras, muitas vezes, não fornecem espaço para que os estudantes dos
cursos de graduação tenham contato com a Pragmática e com os possíveis diálogos que esta área pode proporcionar com
outros campos de interesse, como a História, a Sociologia, a Antropologia e a Filosofia da Linguagem.

Assim sendo, o aluno que queira aventurar-se por esta área não contemplada deve recorrer a livros e bibliotecas, com a
orientação de professores, ou a cursos de pós-graduação que sejam voltados a esse campo específico da Lingüística.

Outro problema enfrentado por aqueles que querem se dedicar aos estudos sobre a polidez lingüística é a falta de
materiais, disponíveis no mercado, que contemplem a cultura nacional. Ainda que essas teorias apresentem uma vasta
bibliografia sobre o assunto, não há, infelizmente, títulos que mostrem a sua aplicação a exemplos em língua portuguesa.

Acreditando na necessidade de adaptação do modelo de estratégias de polidez proposto por Brown e Levinson (1987),
este trabalho objetiva apresentar uma proposta de transposição do mesmo à cultura brasileira, através de sua fundamentação
a partir de exemplos retirados de recursos midiáticos nacionais. Pretende-se, ainda, levantar subsídios que permitam discutir a
universalidade do modelo proposto.

METODOLOGIA E CORPUS

Na obra primeira dos estudos de polidez e interação verbal, publicada originalmente em 1978, com o título Universals in
Language Usage, Politeness Phenomenon, Brown e Levinson propõem princípios universais de polidez, baseados empiricamente
na análise de dados de três culturas e línguas diferentes: inglês, tamil e tzeltal. A metodologia descrita no livro aponta para a
realização de testes controlados, que levassem o falante a utilizar as estratégias de polidez esperadas. Entretanto, ao leitor,
somente são fornecidos os dados, elencados de acordo com a estratégia utilizada, dando-nos a impressão que estariam
descontextualizados.

Além disso, para os falantes do português, muitas vezes parece não fazer sentido uma ou outra das estratégias
fornecidas, sendo necessária a criação de nosso próprio repertório de estratégias, assim como a viabilização deste material aos
iniciantes nos estudos pragmáticos.

Com o intuito de suprir essa lacuna existente, partimos para a seleção de materiais, publicados no Brasil, que pudessem
servir ao estudo proposto. Levou-se em consideração, nesse momento do trabalho, que uma condição essencial seria o fato de
tais exemplos estarem devidamente contextualizados, eliminando, assim, as frases soltas.

Partiremos, assim, de cinco cartas publicadas em um site da web, www.algosobre.com.br, que oferece, entre outras
coisas, artigos de discussões, dicas de redação e concursos, cursos rápidos, biografias e poesias. Em uma seção intitulada
“cursos”, selecionamos o item “cartas”. Essa seção é destinada a todos aqueles que queiram saber como escrever cartas de
pedido, reclamação, desculpas, agradecimento etc. Além de apresentar algumas fórmulas fixas de cada tipo de carta, os
autores também oferecem alguns conceitos, nos quais apresentam o que pode e o que não se pode dizer, a razão e o modo
como fazê-lo.

Embora não estejamos trabalhando com dados reais de língua escrita, acreditamos que, para o propósito de otimizar o
entendimento da teoria da polidez, com base em exemplos em língua portuguesa, o corpus em questão apresenta uma inegável
finalidade didática, uma vez que as cartas estão situadas em seus devidos contextos situacionais.

A TEORIA DA POLIDEZ

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IDEALIZADA POR BROWN E LEVINSON

Brown e Levinson (1987) apresentam o quadro teórico sobre polidez mais elaborado, explorado, e também o mais
criticado. O modelo de Brown e Levinson (doravante “B-L”) da polidez inspira-se diretamente em Goffman, que se baseia nas
noções de face e de território, rebatizados por esses autores, respectivamente, como face positiva e face negativa. Ao mesmo
tempo, Brown e Levinson reciclam a noção de ato de linguagem, interessando-se pelo efeito que estes podem ter sobre as
faces dos participantes.

A face negativa é o conjunto dos territórios do ‘eu’ (território corporal, espacial, temporal, bens materiais ou
simbólicos); e a face positiva, o conjunto das imagens valorizadas de si mesmos que os interlocutores constroem e tentam
impor na interação.

Na verdade, todos os atos que somos levados a produzir na interação são, de alguma forma, “ameaçadores” a uma e/ou
à outra face dos interlocutores presentes, chamados de Face Threatening acts, os FTAs. Se os participantes envolvidos no
processo interativo têm um desejo e necessidade de face (face-want), cada um procura conservar intactos, e mesmo melhorar,
seu território e sua face (positiva).

As faces são, portanto, contraditoriamente, alvo de ameaças permanentes e objeto de um desejo de preservação. Como
os interactantes conseguem resolver essa contradição? Para Goffman, isto se daria pela realização de um trabalho de figuração
(face-work), termo que designa “tudo que uma pessoa empenha para que suas ações não façam ninguém perder a face (nem
mesmo ela própria)”. Para Brown e Levinson, tal contradição se revelaria pela implementação de diversas estratégias de polidez
que, para a maioria, se reduz a processos de atenuação dos FTAs, surgindo a polidez, nessa perspectiva, como “um meio de
conciliar o desejo mútuo de preservação das faces com o fato de que a maioria dos atos de linguagem são potencialmente
ameaçadores de qualquer uma dessas mesmas faces”. A partir de então, o essencial do trabalho de Brown e Levinson consiste
em fazer o inventário dessas diferentes estratégias e dos atenuadores utilizados para mitigar os FTAs.

Para Brown & Levinson, os atos de linguagem dividem-se ainda em quatro categorias, segundo a face que são
suscetíveis de ameaçar:

(1) atos ameaçadores da face negativa do emissor: promessas, pelas quais empenhamo-nos em fazer, em um futuro próximo
ou distante, qualquer coisa que evite lesar o nosso próprio território;

(2) atos ameaçadores da face positiva do emissor: confissões, desculpas, autocríticas e outros comportamentos auto-
degradantes;

(3) atos ameaçadores da face negativa do destinatário: ofensas, agressões, perguntas “indiscretas”, pedidos, solicitações,
ordens, proibições, conselhos e outros atos que são, de alguma forma, contrários e impositivos;

(4) atos ameaçadores da face positiva do destinatário: críticas, refutações, censuras, insultos, escárnios e outros
comportamentos vexatórios.

De acordo com o modelo “B-L”, a imagem social é vulnerável, e por isso geralmente se utilizam recursos para minimizar
a ameaça. Os falantes empregam estratégias mitigadoras de acordo com a avaliação do risco para a imagem dos participantes.
Diante da perspectiva de realizar uma ação ameaçadora existem várias opções:

1) fazê-la de forma direta, sem ação reparadora;


2) fazê-la, com polidez positiva: aponta para face positiva do ouvinte, de maneira que demonstra que em algum nível o
falante deseja as mesmas coisas que o ouvinte (mostra pertencimento ao mesmo grupo);

3) fazê-la, com polidez negativa: Aponta para satisfazer a face negativa do ouvinte; seus desejos básicos de manutenção
de território e de auto-determinação;

4) fazê-la de maneira encoberta, de forma indireta;

5) não fazê-la.

Como conseqüência, Brown e Levinson chegam a um esquema de 15 estratégias de polidez positiva, 10 de polidez
negativa e 15 de indiretividade, conforme podemos ver no quadro abaixo:

Estratégias de polidez
1. Perceba o outro. Mostre-se interessado pelos
desejos e necessidades do outro.
2. Exagere o interesse, a aprovação e a simpatia
pelo outro.
3. Intensifique o interesse pelo outro.
4. Use marcas de identidade de grupo.
5. Procure acordo.
6. Evite desacordo.
polidez 7. Pressuponha, declare pontos em comum.
positiva 8. Faça piadas.
9. Explicite e pressuponha os conhecimentos sobre
os desejos do outro.
10. Ofereça, prometa.
11. Seja otimista.
12. Inclua o ouvinte na atividade.
13. Dê ou peça razões, explicações.
14. Simule ou explicite reciprocidade.

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15. Dê presentes.
1. Seja convencionalmente indireto.
2. Questione, seja evasivo.
3. Seja pesimista.
4. Minimize a imposição.
5. Mostre respeito.
6. Peça desculpas.
polidez
negativa 7. Impessoalize o falante e o ouvinte. Evite os
pronomes "eu" e "você".
8. Declare o FTA como uma regra geral.
9. Nominaliza.
10. Va diretamente como se estivesse assumindo o
débito, ou como se não estivesse endividando o
ouvinte.
1. Dê pistas.
2. Dê chaves de associação.
3. Presuponha.
4. Diminua a importancia.
5. Exagere, aumente a importância.
6. Use tautologias.
7. Use contradições.
Indiretividade 8. Seja irônico.
9. Use metáforas.
10. Faça perguntas retóricas.
11. Seja ambíguo.
12. Seja vago.
13. Hipergeneralize.
14. Desloque o ouvinte.
15. Seja incompleto, use elipse.

Tabela 1. Estratégias de polidez propostas por Brown e Levinson (1987).

ANÁLISE DE CARTAS

Vale dizer, nesse momento, que as cartas aqui utilizadas não serão exaustivamente analisadas. Apresentaremos o
contexto situacional da carta, destacaremos algumas estratégias de polidez e, a seguir, as comentaremos.

Em uma carta intitulada como “carta resposta a uma carta de reclamação”, observa-se que o destinatário da carta é
uma empresa, e o remetente, uma cliente que escrevera, em outro momento, à mesma empresa, reclamando de sua
encomenda de xícaras, uma vez que chegaram quebradas ao seu destino. O conteúdo da carta-resposta nos dá a entender que
a cliente se utilizara de palavras “não apropriadas” na hora de fazer a reclamação.

Nesse caso específico, devemos levar em conta que tanto a face da empresa quanto a face da cliente estão em jogo.
Ainda que a cliente tenha usado um vocabulário impróprio, a empresa se sente no dever de tentar contornar a situação da
melhor forma possível, de modo a estabelecer a harmonia da interação.

Pode-se observar, na seção de contato inicial o vocativo introdutório “Cara Senhora”. Ainda que consideremos esta
forma de tratamento como uma fórmula de deferência, marcando, assim, distanciamento e respeito em relação ao interlocutor,
aqui, no âmbito deste trabalho, tais formas não serão analisadas, por acreditarmos que constituem exemplos de tradições
discursivas próprias do gênero epistolar com determinados propósitos comunicativos, como o pedido, a desculpa, a reclamação
etc.

Observemos, então, o parágrafo inicial da carta:

(1) Agradecemos a sua carta comunicando-nos que mais uma caixa chegou danificada e algumas xícaras
quebradas. Nós a desculpamos pelas palavras ditas em sua carta.

Observamos que a empresa começa a carta dizendo que agradece a carta de reclamação e que, ainda por cima,
desculpa a cliente pelos desaforos escritos. O agradecimento pode ser visto como uma estratégia de polidez positiva, pois o
remetente deseja mostrar pertencimento ao mesmo grupo do destinatário, e que este é, sem dúvida, importante para a
empresa, além de procurar o acordo (evitando, assim, o desacordo). Já a segunda oração pode ser entendida como uma
estratégia de indiretividade, na qual a ironia predomina. O autor da carta-resposta insinua, através desta oração, que, ainda
que a cliente tenha sido mal educada, ele aceitará suas reclamações. Em outro momento da carta, podemos ler:

(2) Queremos que saiba que estamos tentando desenvolver um novo tipo de processamento de embalagem, a
fim de que esse problema seja evitado ao máximo.

Outra vez observamos uma estratégia de polidez positiva, na qual o falante (neste caso, o remetente) inclui o ouvinte
(destinatário) na atividade, o que mostra que os dois interlocutores estão em cooperação, buscando a reflexividade. Ao final da
carta, podemos verificar que uma estratégia de indiretividade foi utilizada, pois o remetente dá pistas, chaves de associação, e
através da vagueza diz, com outras palavras, que pede desculpas pelo ocorrido e que já providenciou um reparo, como
podemos ver em:

(3) Sentimos muito ter-lhe causado mais esse transtorno, mas outras peças em perfeitas condições já estão
seguindo pela transportadora.
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Na parte da seção de despedida, como era de se esperar, o remetente cria uma atmosfera positiva, de modo a manter a
harmonia da interação e garantir que os laços continuem atados, como podemos ver nos exemplos (4) e (5), que constituem
exemplos de estratégias de polidez positiva (mostrando pertencimento ao mesmo grupo e exaltando a importância do outro) e
negativa (através do pedido de desculpas), respectivamente:

(4) Conte com nossa cooperação e compreensão.

(5) Aceite nossas sinceras desculpas.

Analisando uma carta de reclamação, na qual uma empresa escreve ao fornecedor reclamando o aumento do preço de
um determinado produto, podemos ver a seguinte estratégia de polidez:

(6) Achamos que deveríamos ter sido avisados previamente.

Podemos observar que, no fragmento acima, a utilização do verbo “achar” no presente do indicativo e do verbo “dever”
no futuro do pretérito servem para mitigar a imposição do ato de ameaça à face negativa do interlocutor, apresentando-se
como um exemplo de polidez negativa, uma vez que a noção de território está em destaque. Se colocássemos essa mesma
frase em ordem direta, teríamos “Vocês deveriam ter-nos avisado”; no entanto, o foco é deslocado e o sujeito da ação
(“Vocês”) não aparece, cedendo espaço para a voz passiva e a mudança de foco (agora voltando-se para a forma “nós”)
garante a suavização da imposição.

Na terceira carta analisada, temos uma resposta negativa a um convite, na qual o remetente recusa o convite para uma
festa:
(7) Certos de sua compreensão, agradeço sinceramente o convite.

Observamos que, de modo a garantir a harmonia do processo interativo e deixar que o canal comunicativo continue
aberto o interlocutor opta por um desfecho amigável, no qual pressupõe o entendimento por parte do destinatário. Essa é uma
estratégia de polidez positiva, em que há a reivindicação por coisas em comum e a simulação de que os interlocutores pensam
da mesma maneira.

A carta seguinte aborda a questão da desculpa. Uma vizinha escreve à outra pedindo desculpas pelo fato de o cachorro
ter destruído o seu jardim de açucenas. Podemos notar a presença de estratégias de polidez, como a descrita acima, para o
exemplo (7) e que podemos observar abaixo:

(8) Espero que vocês as aceitem.

Em outras palavras, a utilização do verbo “esperar”, no presente do indicativo, nos dá a noção de que o falante
(remetente) quer mostrar que pensa como o destinatário. Por outro lado, essa estratégia, de pedido de desculpas, pode ser
vista, também, como uma estratégia de polidez negativa, na qual o remetente deixa claro que os seus desejos vão de encontro
aos do destinatário. Já na seção final, encontramos um exemplo de polidez positiva do tipo “Prometa”, no qual há uma busca,
por parte do remetente, de uma reflexividade entre os dois interlocutores, evidenciando que ambos estão em cooperação,
conforme o exemplo a seguir:

(9) Prometo que isso jamais tornará a acontecer.

A última carta analisada expressa irritação. Um amigo escreve ao outro cobrando-lhe a quantia de R$ 500,00 que este
lhe deve e não a paga há cinco meses. Estar na situação desse remetente é realmente difícil e delicado. Embora saiba que deve
cobrar ao amigo porque está em seu direito, conforme combinado entre os dois, sabe também que a situação em si é bastante
desconfortável e, por isso, deve recorrer a estratégias que mascarem e/ou suavizem o que, de fato, deve fazer: a cobrança. Ao
começar a carta, podemos observar a seguinte oração:

(10) Sinto ter de escrever-te esta carta, mas tenho de fazer com que você perceba a urgência deste assunto.

Pode-se observar que o remetente se utiliza da indiretividade e chega, até mesmo, a pedir desculpas pelo fato de estar
cobrando o dinheiro. A justificativa apresentada pela “urgência”, aliada à estratégia indireta nada mais querem dizer: “Preciso
do dinheiro, você deve me pagar imediatamente”. Tais recursos são utilizados para que ambas as faces sejam preservadas no
processo interativo. Em outro momento, de modo a atenuar essa cobrança, mais uma estratégia de polidez positiva é utilizada
e algumas características positivas do destinatário são ressaltadas, como se fossem verdadeiros elogios ou “presentes”:

(11) Somos amigos há muitos anos, e sempre considerei você uma ótima companhia, além de um homem de
integridade.

Em suma, dependendo do propósito de cada interação, é recomendável que o canal comunicativo continue aberto e que
as faces sejam preservadas e mantidas, e, para tanto, as estratégias de polidez entram em cena para garantir o fluxo de
comunicação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das cinco cartas selecionadas como corpus para este trabalho aponta para a viabilidade do projeto de
construção de um repertório de estratégias de polidez, consoante o modelo de Brown e Levinson (1987), ocorridas em língua
portuguesa, mais especificamente no português brasileiro.

Muito trabalho ainda precisa ser feito nesse sentido, para que se tenha, no futuro, um hall de estratégias em diferentes
tipologias textuais, de gêneros orais e escritos.

Surge-nos, assim, o questionamento da possível transposição do modelo, e da conseqüente aplicabilidade à língua

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portuguesa.

Já no prólogo da primeira edição da obra, é-nos dito que um dos seus principais interesses é identificar alguns princípios
universais da polidez. Assim, os autores querem rebater a doutrina da relatividade cultural no campo das relações e provar que
da superficial diversidade podem emergir alguns princípios universais da teoria da polidez.

Para demonstrar a universalidade de seu modelo, Brown e Levinson admitem que existe um paralelismo entre as
línguas, que garante o seu caráter universal. Para tanto, partem de uma comparação entre três línguas diferentes e faladas em
lugares geográfico e culturalmente dispersos.

A idéia central da teoria é que as sistemáticas interacionais são baseadas largamente nos princípios universais. Em
outras palavras, segundo os autores, a sua perspectiva é abertamente universalista, como indica o próprio título da obra
“Politeness: some universals in language usage”. Ainda assim, deixam claro, em sua obra, que ainda que os princípios possam
ser considerados universais, a aplicação desses princípios difere consideravelmente de uma cultura a outra, e dentro das
[1]
culturas, diferem nas subculturas, categorias e grupos .

Se pensarmos que em todas as sociedades constata-se a existência de comportamentos que permitem manter o mínimo
de harmonia possível entre os interlocutores, a pesar dos riscos e conflitos inerentes a toda interação, a polidez pode ser
entendida como universal, sendo assim, perfeitamente plausível, a sua aplicabilidade à língua portuguesa.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRAVO, D. Tensión entre la universalidad y relatividad en las teorías de la cortesía. In: BRAVO, D. & BRIZ, A. (orgs.).
Pragmática sociocultural: estudios sobre el discurso de cortesía en español. Barcelona: Ariel, 2004.

BROWN, P. & LEVINSON, S.. Politeness: Some universals in language usage. Cambridge: Cambridge University Press, 1987.

KERBRAT-ORECCHIONI, Catherine. ¿Es universal la cortesía?. In: BRAVO, D. & BRIZ, A. (orgs.). Pragmática sociocultural:
estudios sobre el discurso de cortesía en español. Barcelona, Ariel, 2004.

http://www.algosobre.com.br Acessado em 27/03/2007.

[1]
“The application of the principles differs systematically across cultures and within cultures across subcultures, categories
and groups” (1987: 288).

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