Você está na página 1de 26

Prática de Ensino:

Trajetória da Práxis
Autores: Prof. Wanderlei Sérgio da Silva
Profa. Taíz Maria Caldas Gonçalves de Oliveira
Professores conteudistas: Wanderlei Sérgio da Silva/
Taíz Maria Caldas Gonçalves de Oliveira

Wanderlei Sérgio da Silva

Doutor em Geociências e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp,
mestre em Ciências (Geografia Humana) e graduado em Geografia pela Universidade de São Paulo – USP. Durante
quinze anos, trabalhou no Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo – IPT, com pesquisas relacionadas
às geociências e ao meio ambiente. Atuou como consultor em trabalhos da área durante seis anos, totalizando cerca de
cem projetos de pesquisa, em muitos deles atuando como coordenador de equipe. Em 2001, ingressou na Universidade
Paulista – UNIP, onde lecionou disciplinas do curso presencial de Turismo relacionadas à geografia, ao meio ambiente
e ao planejamento, bem como disciplinas didático-pedagógicas do curso presencial de Psicologia (licenciatura).

Atualmente, é membro da Coordenadoria de Estágios em Educação e professor nos cursos de Letras e Matemática
da UNIP Interativa, sendo responsável pelas disciplinas relacionadas a Prática de Ensino, Didática Geral, Estrutura e
Funcionamento da Educação Básica e Planejamento e Políticas Públicas da Educação.

Taíz Maria Caldas Gonçalves de Oliveira

Formada em Magistério, graduada em Letras (Português/Inglês) e pós‑graduada em Psicopedagogia Clínica e


Educacional, com Formação em Educação a Distância. Há mais de quinze anos, atua como docente, carreira esta que
teve início na educação infantil e prosseguiu no ensino das línguas portuguesa e inglesa em instituições educacionais
particulares de educação básica – incluso o EJA –, em curso preparatório para vestibulares e em cursos livres de idiomas,
incluindo português para estrangeiros. É autora de poemas em antologia poética e de paradidáticos. Desenvolve
trabalhos de orientação e correção de estágios na coordenadoria de estágios em educação.

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
Prof. Dr. João Carlos Di Genio
Reitor

Prof. Fábio Romeu de Carvalho


Vice‑Reitor de Planejamento, Administração e Finanças

Profa. Melânia Dalla Torre


Vice‑Reitora de Unidades Universitárias

Prof. Dr. Yugo Okida


Vice‑Reitor de Pós‑Graduação e Pesquisa

Profa. Dra. Marília Ancona‑Lopez


Vice‑Reitora de Graduação

Unip Interativa – EaD

Profa. Elisabete Brihy


Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli

Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Valéria Nagy
Andréia Andrade
Sumário
Prática de Ensino: Trajetória da Práxis

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................7

1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ATIVIDADE...........................................................................................................9
2 O PAPEL DA PRÁTICA E DO ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES.................................. 10
3 OBSERVAÇÃO E AÇÃO NA ESCOLA........................................................................................................... 12
4 OBSERVAÇÃO E AÇÃO NA SALA DE AULA............................................................................................. 14
5 A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA................................................................................. 15
6 APLICAÇÃO DESSA EXPERIÊNCIA.............................................................................................................. 16
APRESENTAÇÃO

De modo geral, a disciplina Prática de Ensino: Trajetória da Práxis tem como objetivo levá‑lo a
reflexões sobre a trajetória percorrida no âmbito da dimensão prática do seu curso e colocá‑lo em
contato com novos conceitos.

O processo de construção de sua identidade profissional desenvolve‑se pela vivência e identificação


das necessidades e expectativas da escola inseridas em um contexto educacional, social e cultural. Neste
curso você é gradativamente preparado para selecionar e organizar dados de maneira crítica e reflexiva,
de modo a possibilitar melhor a compreensão da prática docente. O processo atinge seu clímax com a
realização do estágio curricular supervisionado, momento ideal para o início das reflexões básicas acerca
da sua formação.

7
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

1 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ATIVIDADE

É importante, neste momento, relembrar o contexto no qual esta atividade está inserida na dimensão
prática do curso. Essa informação é passada em todos os livros‑texto das disciplinas de Prática de
Ensino, objetivando inseri‑lo no contexto real da sua formação nesse particular, para que você “não se
perca no meio do caminho”.

A Prática de Ensino está sendo desenvolvida em seis semestres, com atividades distribuídas por eles.
Naturalmente deve haver uma articulação entre elas, perpassando todo o curso.

As atividades relacionadas à Prática de Ensino são as seguintes:

PRÁTICA DE ENSINO
1º sem. 2º sem. 3º sem. 4º sem. 5º sem. 6º sem.
Vivência no
Introdução à Observação e Integração Escola Ambiente Trajetória da Práxis Reflexões
Docência Projeto X Comunidade Educativo

Onde:


Já cumpridas Em andamento A serem cumpridas

De modo geral, a Prática de Ensino: Trajetória da Práxis, ora em desenvolvimento, visa, prioritariamente,
ao apoio necessário para que você complete a carga horária de estágio iniciada no semestre anterior.
Adicionalmente estão previstas atividades que irão enriquecer sua formação e contribuir para a sua
qualificação no exercício da docência, basicamente com a apresentação de uma reflexão sobre a
trajetória seguida durante o estágio.

Lembrete

A Prática de Ensino perpassa todo o curso de modo a articular, na


segunda metade, o estágio curricular supervisionado.

Na Prática de Ensino: Introdução à Docência, o objetivo era levá‑lo a perceber a existência da educação
que está ao seu redor e que o acompanha por toda a vida, influenciando‑o – e a todos que o rodeiam –,
não se restringindo ao ambiente escolar, ou seja, ocorrendo também em outros ambientes educativos.

Em seguida, a Prática de Ensino: Observação e Projeto objetivou a análise dos termos “observação”
e “projeto”, a fim de levá‑lo a uma aproximação dessa educação que o rodeia, dirigindo o seu olhar à
observação mais próxima das escolas e de outros ambientes onde a educação ocorre (teatros, parques,
ginásios de esporte etc.). Depois, foi solicitado a você que elaborasse um pequeno projeto pedagógico
de integração entre um ambiente não escolar e uma escola.

9
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

Em Prática de Ensino: Integração Escola X Comunidade, o objetivo foi aproximá‑lo ainda mais da
educação, por meio da observação e do estudo integrado entre uma unidade escolar e a comunidade
onde ela está inserida.

Na Prática de Ensino: Vivência no Ambiente Educativo, teve início o seu estágio de observação,
participação e regência em unidades escolares.

Agora, em Prática de Ensino: Trajetória da Práxis, o seu estágio será enriquecido com a reflexão sobre
a trajetória seguida, visando ao término com qualidade e estímulo.

2 O PAPEL DA PRÁTICA E DO ESTÁGIO NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES

Do ponto de vista conceitual, “práxis” significa “ação prática”. Sendo assim, neste texto, trata‑se de
reflexões e esclarecimentos de alguns pormenores vinculados à trajetória da ação prática desenvolvida
no período do estágio curricular supervisionado.

Observação

Práxis = ação prática. A sua trajetória é o objeto desta disciplina.

A prática de ensino e o estágio supervisionado, em verdade, assumem um papel antes de tudo


aglutinador na formação de professores. Considerados modos de um fazer docente, são constituídos
pelas ações e práticas que demandam o embate com a realidade social, educacional e escolar.

O estágio pode ser definido como um espaço de aprendizagem e de saberes, mesmo que estejam
incluídas as atividades tradicionais de observação, participação e regência, desde que estas sejam
redimensionadas a uma perspectiva reflexiva e investigativa.

As escolas de educação básica – em especial as públicas – passam por um momento extremamente


problemático em relação à qualidade do processo ensino‑aprendizagem. Nesse contexto, a formação do
professor tem sido pauta obrigatória nas discussões que visam à busca de melhorias, porque o professor
é peça‑chave no processo.

O papel do atual estagiário assume proporções importantes quando pensamos na sua futura atuação
em sala de aula e na escola como um todo. Além do importante papel de auxiliar os alunos no seu
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social, o futuro professor deve ter formação política suficiente
para entender, criticar e procurar soluções para os diferentes problemas a serem vivenciados no sistema
educacional. As escolas públicas de educação básica, de modo geral, passam por um momento cuja boa
formação de professores é crucial.

A escola é muito mais do que a sala de aula, é mais do que regras de linguagem e matemática, do
que muros e grades. Em certo sentido, a escola é a vida em processo e, como tal, precisa ser conhecida
na sua integridade (no presente), para que possa ser compreendida (no futuro).
10
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

Do ponto de vista filosófico, este é um momento especial para a sua formação como professor. Paulo
Freire (1998) já apontava que

na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão


crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem
que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à
reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a
prática (FREIRE, 1998 apud BARREIRO & GEBRAN, 2006, p. 126).

Pense em você mesmo como um profissional. Um professor não apenas reproduz conhecimento,
mas pode, por meio de uma reflexão crítica, fazer do seu trabalho em sala de aula um espaço de
transformação individual e social. É na ação refletida e no redimensionamento de sua prática que é
possível ao docente ser agente de mudanças na escola e na sociedade.

O estágio curricular, neste curso trabalhado no âmbito das disciplinas Prática de Ensino: Vivência no
Ambiente Educativo e Prática de Ensino: Trajetória da Práxis, ora em desenvolvimento, articula a teoria
e a prática. Essa relação, na sua formação como professor, constitui, portanto, o núcleo articulador do
seu currículo, permeando todas as disciplinas.

O estágio deve ser norteado por alguns princípios, dentre os quais se destacam:

• a docência é a base da identidade do seu curso de formação;

• o estágio é um importante momento de integração entre teoria e prática;

• o estágio não se resume à aplicação imediata, mecânica e instrumental de técnicas rituais,


princípios e normas aprendidas na teoria;

• o estágio é o ponto de convergência e equilíbrio entre o aluno e o futuro professor.

Deve‑se atribuir valor e significado ao estágio curricular supervisionado, considerando‑o muito mais
que um simples cumprimento de horas formais exigidas pela legislação, como um lugar por excelência
para que você, futuro professor, reflita sobre a sua formação e a sua ação, e, dessa forma, possa
aprofundar conhecimentos e compreender o seu papel e o papel da escola na sociedade.

Em sentido mais amplo, o estágio deve efetivar a articulação do seu curso de licenciatura com
as escolas de educação básica, sejam públicas ou privadas, servindo, assim, para o aprimoramento
da formação profissional da educação, promovendo uma ação mais comprometida com o processo
educativo.

As práticas desenvolvidas pelas diferentes disciplinas do curso, articuladas, favorecem a sistematização


coletiva dos novos conhecimentos adquiridos, preparando‑o, como futuro professor, a compreender, de
forma mais profunda, a prática docente e refletir sobre as possibilidades de transformação social no
exercício da sua profissão.
11
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

A prática de ensino (que permeia todo o curso) e o estágio curricular supervisionado (que integra a
segunda parte do curso de formação) devem contemplar a formação de um professor capaz de atender
às demandas de uma realidade que se renova a cada dia; deve propiciar a você não apenas uma vivência
em sala de aula, mas o contato com a dinâmica escolar nos seus mais diferentes aspectos. A partir da
observação do ambiente escolar e da sala de aula, a trajetória da práxis por você vivenciada favorece a
reflexão e o desenvolvimento de ações coletivas e, ao mesmo tempo, integradoras.

Saiba mais

Dica de leitura:

GARCIA, W. E. Educação – visão teórica e prática pedagógica. São Paulo:


McGraw‑Hill do Brasil, 1981.

3 OBSERVAÇÃO E AÇÃO NA ESCOLA

Na trajetória da práxis a observação a ser realizada na escola deve ser pautada por uma perspectiva
investigativa da realidade. Ao mesmo tempo em que as observações servem para compreender as práticas
institucionais e as ações na escola, fundamentais para a sua formação, elas servem para balizar suas ações
como futuro professor, no sentido de facilitar a compreensão da realidade, dos fatos e da prática docente.

O hábito e a capacidade de observar adquiridos por você, no âmbito da dimensão prática do curso
desde a disciplina Prática de Ensino: Observação e Projeto, o ajudarão a planejar adequadamente seu
trabalho educativo, a avaliar quando ele deve ser mudado e em que sentido, de modo a construir
conhecimentos, competências e habilidades que sejam extensivos aos seus futuros alunos. Na prática,
durante o estágio, é sempre importante lembrar que a observação é uma técnica de investigação
científica para coleta de dados, muito relevante quando se tem claro seu objeto de estudo; caso contrário,
podem‑se coletar informações inúteis e desconsiderar outras essenciais.

Após receberem as orientações técnicas para a realização do estágio, os alunos costumam centrar
sua atenção no processo de observação da escola como um todo, procurando conhecer seu espaço
físico e entorno, inteirando‑se de sua estrutura e de seu funcionamento, da organização pedagógica e
administrativa e das relações interpessoais que acontecem na escola. Em síntese, nessa fase do estágio,
investiga‑se a escola, seu entorno e a relação dela com a comunidade. Algumas indagações básicas
devem permear esse momento:

• como é a escola e em que estágio de desenvolvimento ela está?

• como eu vejo essa escola?

• como ela se vê?

• como a comunidade vê a escola e vice‑versa?


12
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

Para inteirar‑se da realidade da escola, passa‑se necessariamente pela análise do contexto


social e histórico em que ela se insere e pela percepção da realidade social, em processo contínuo de
transformação, procurando compreender suas múltiplas determinações, contradições, expressões
e relações.

Observação

Perceber o extraordinário no ordinário. Este é o grande desafio na busca


do diferencial no estágio.

Compreender o que há de extraordinário no que parece ordinário é um grande desafio e poderá


favorecer a construção de novas ações e novas práticas. Isso implica necessariamente atenção e
observação mais acuradas a respeito do que ocorre ao nosso redor e que normalmente passaria
despercebido.

O estágio permite que você compreenda melhor como as ações e as relações se deflagram no espaço
escolar e, a partir daí, propicia mais uma vez a construção e reconstrução contínua de novas ações
investigativas, reflexivas, analíticas e interpretativas.

Para uma boa análise e interpretação da realidade investigada, é de fundamental importância saber
como os dados serão registrados e organizados. Não basta apenas ser capaz de responder à lista de
indagações, e sim compreender que significados atribuir ao conjunto de dados coletados e como eles
podem contribuir para as investigações e problematizações.

Os registros das ações significativas do cotidiano escolar e sua socialização favorecem o enriquecimento
e o aprimoramento da formação de professores. O contato com o conjunto de sujeitos inseridos no
contexto escolar permite que, por meio de suas falas e ações, você possa visualizar possibilidades de
inserção na busca por soluções de determinados problemas.

Esse processo propicia entender o espaço escolar como um espaço que permite, ao mesmo tempo,
formação individual e coletiva, onde cada pequena ação tem potencial para gerar uma postura permanente
de questionamento da prática educativa que ali se desenvolve, bem como o desencadeamento de
projetos de investigação que abordem o conhecimento da realidade escolar, a prática de reflexão sobre
essa realidade e a proposição de novas ações.

É importante mencionar que na trajetória da práxis a observação e a ação na escola promovem o


envolvimento do estagiário em diferentes ações e projetos, aprofundando as relações estabelecidas com
alunos e professores da escola. O confronto dessas vivências com aquelas trazidas da universidade, muitas
vezes, pode constituir‑se em momentos de tensão entre as partes. Para evitar que isso ocorra, é bom que
você saiba trabalhar bem seus relacionamentos coletivos, tenha sensibilidade para o enriquecimento que
a ressignificação de valores e saberes pode promover, tendo em vista os universos e valores diferentes
que, nesse caso, se cruzam.

13
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

4 OBSERVAÇÃO E AÇÃO NA SALA DE AULA

No momento seguinte à trajetória da práxis vivenciada no estágio, você, como aluno‑estagiário,


deve ter retomado o processo de observação, só que agora do espaço da sala de aula, o que deve ter
suscitado questionamentos sobre a prática pedagógica na sua singularidade, possibilitando a apreensão
das condições que interferem na ação educativa e nos sujeitos nela envolvidos.

A exemplo do momento anterior (de observação e ação na escola como um todo), você deve se
pautar na perspectiva investigativa da realidade e ter clareza no que fará em sala de aula; não pode
perder de vista que ela serve, antes de tudo, para a construção de habilidades e competências apoiadas
em conhecimentos.

Sua presença na sala de aula (como costuma ocorrer com a maior parte dos estagiários de cursos
de licenciatura) pode causar certa desestabilização nos alunos e insegurança no professor em relação à
própria imagem. Ele pode sentir‑se questionado no que diz respeito aos seus conhecimentos específicos
e pedagógicos, à sua competência e à forma como se relaciona com seus alunos. Por isso é normal que
ele tente fugir de determinadas situações, seja omitindo‑se, seja tentando passar uma imagem diferente
da real. Ele faz isso para negar aquela imagem que lhe está sendo imputada, a partir da percepção que
o estagiário tem dele.

Essa linha que se institui entre estagiários e professores é tênue e precisa ser trabalhada muito
bem, a fim de que não se estabeleçam práticas competitivas com o professor baseadas em saberes que
você, como estagiário, julga ter e naqueles que atribui ou não ao professor. Também nesse momento o
processo de construção coletiva pode trazer contribuições positivas para a prática docente.

Essa reflexão sobre a prática docente, para você, implica compreender e analisar como ela se
concretiza no cotidiano escolar, em ações individuais e coletivas que expressam as concepções que
os docentes têm sobre seu mundo, a sociedade, a educação, a escola e, em mais detalhes, o processo
ensino‑aprendizagem.

No estágio de observação em sala de aula, a exemplo da observação da escola, deve‑se estar atento
ao que será analisado e de que maneira será registrado. Além das questões pontuais e objetivas, definidas
claramente, há outras de natureza subjetiva que interferem no julgamento e podem nos levar a realizar
uma leitura e compreensão equivocadas da realidade. Por isso, todo o cuidado é pouco.

Novamente, trata‑se de perceber o que há de extraordinário no que parece ordinário. Mais do


que detalhes perceptivos, é necessário que você seja capacitado a desenvolver posturas corretas de
observação, levantar hipóteses, avaliar, analisar cotidianamente a sala de aula, desenvolver competências
e habilidades, a fim de perceber a necessidade permanente de redimensionar sua prática docente futura.

Sua atuação como estagiário e como futuro professor não deve ser pautada por um processo pedagógico
de reprodução do saber. As novas exigências sociais têm direcionado e encaminhado a ação docente para
novos rumos, ou seja, um professor diferente, capaz de se ajustar às novas realidades da sociedade, do
conhecimento, dos meios de comunicação, da cultura e dos alunos em seus diferentes contextos.
14
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

Lembrete

Sua atuação profissional como professor não se restringe à reprodução


do saber. Seja diferente...

Assim, a busca de uma nova identidade que envolve reflexão permanente sobre sua ação docente
vai‑se (re)construindo no cotidiano da sala de aula, que deixa gradativamente de ser o espaço de
reprodução do saber e passa a configurar‑se como espaço de formação, tanto para o aluno quanto para
o professor.

5 A IMPORTÂNCIA DA EXPERIÊNCIA VIVENCIADA

A experiência vivenciada no estágio deve levá‑lo a ver‑se como futuro professor. O conjunto de
atividades possibilitou a você vivenciar e experimentar uma prática pedagógica integradora, reflexiva, em
que a relação teoria versus prática constitui‑se na matriz do processo educativo, orientando a comunicação
com a realidade social. É uma rica oportunidade de aprendizagem, pois interliga o conhecimento teórico
ao prático, o que leva a reflexões profundas sobre o conhecimento das diferentes disciplinas do curso,
principalmente aquelas que se ligam mais diretamente ao processo de Prática de Ensino.

Neste curso, a prática de ensino perpassa suas atividades em disciplinas articuladas. No primeiro
momento, você pôde aprender a perceber a educação que ocorre ao seu redor e o influencia a refletir
sobre ela e revisar seus conhecimentos. Trata‑se de uma experiência ímpar, pois, ao contrário do que
faz a maior parte das disciplinas, ao invés de afunilar sua visão sobre o tema, age no sentido contrário,
abrindo seus olhos sobre o seu futuro campo de atuação profissional: a educação.

Na sequência, você aprendeu conceitos e técnicas extremamente importantes para o seu


desenvolvimento profissional: observação e projeto. Teve a oportunidade de compreender a importância
de ampliar o seu olhar sobre a realidade, passando do “olhar” para o “observar”. Foi incentivado a ter
atenção permanente durante o curso e a dar forma às suas ideias, uma experiência que servirá de apoio
para toda a sua vida profissional.

Em seguida, foi passada a você a noção de relevância da articulação entre a escola e a comunidade
onde ela está inserida. Toda escola cumpre uma função social junto à comunidade e pode colaborar
para a solução de problemas por ela enfrentados. A noção dessa verdade representa uma experiência
adquirida na raiz, que perdurará por toda a sua carreira profissional.

No estágio de observação, participação e regência, você pôde vivenciar diretamente o ambiente


escolar com todas as suas nuances. Detalhes a respeito estão presentes em todos os demais capítulos
deste texto, demonstrando a experiência única que ele representa.

Finalmente, você terá a oportunidade de refletir um pouco mais sobre essa experiência no exercício
da disciplina Prática de Ensino: Reflexões. No conjunto, caso você tenha aproveitado as oportunidades,

15
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

as experiências individuais e coletivas acumuladas o seguirão e farão diferença na qualidade de sua


atuação como docente.

6 APLICAÇÃO DESSA EXPERIÊNCIA

Refletir sobre sua formação docente e a prática educativa implica conceber um processo no
qual o professor se coloca como agente e sujeito de sua ação, além do processo de construção
e reconstrução do conhecimento. Cotidianamente ele deve ser repensado e realimentado,
articulando‑se com as concepções teóricas que vêm sendo discutidas nas diferentes instâncias
educativas.

Implica compreender como esse processo é concretizado e viabilizado no cotidiano escolar, em ações
individuais e coletivas que expressam a concepção que os professores têm do mundo; não um processo
simplesmente de reprodução do saber acumulado, mas um processo de formação de um professor
diferente, um professor que motive seus alunos a mudarem para melhor.

Por definição, “motivação” é apresentar a alguém estímulos e incentivos que lhe favoreçam
determinado tipo de conduta. Em sua futura atuação como professor significa oferecer aos seus alunos
os estímulos e incentivos apropriados para tornar a aprendizagem e sua aplicação mais eficazes. Por mais
que disponham de recursos didáticos e procedimentos de ensino variados, a maior fonte de motivação
continua sendo a personalidade do professor. Não é à toa que alunos geralmente preferem matérias
lecionadas por professores amigos, ou associadas a situações agradáveis, ou a procedimentos de ensino
adequados.

Como professor, você não atuará apenas por intermédio daquilo que dirá e fará, mas pelo que você é
e representará para seus alunos. Segundo Piletti (2001), pesquisa realizada pela revista norte‑americana
Times revelou que os melhores professores dos Estados Unidos não eram os que utilizavam técnicas
de ensino mais refinadas, mas aqueles que, estimulados pelo seu próprio entusiasmo, encontravam
maneiras próprias de se comunicar e ensinar.

Outro estudo que pode ajudar a estimulá‑lo no exercício da profissão e na aplicação correta da
experiência obtida durante sua formação foi desenvolvido pela Universidade da Califórnia, também nos
Estados Unidos, e sintetiza os cinco tipos diferentes de professores:

• o instrutor ou professor de autômatos:

— procura desenvolver no aluno a capacidade de responder imediatamente, sem necessidade de


pensar;

— incentiva o aluno a recitar definições, explicações e generalizações que memorizam a partir de


suas exposições ou de um texto indicado por ele;

— é a autoridade máxima na sala de aula e não admite diálogo.

16
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

• o professor que se concentra no conteúdo:

— sua maior preocupação é cumprir sistematicamente o conteúdo programático da sua disciplina;

— dá pouca importância à originalidade do aluno e muita importância ao estudo da matéria que


já foi descoberta no passado;

— não acredita que o processo de ensinar e aprender deva consistir em uma atividade conjunta
entre professor e aluno;

— valoriza o aluno que domina totalmente a matéria apresentada nas aulas ou nos textos
recomendados.

• o professor que se concentra no processo de instrução:

— procura impor um modelo de raciocínio aos alunos;

— dá mais importância ao processo de aprender do que ao produto da aprendizagem (conteúdo);

— exige que seus alunos demonstrem, nos exercícios, provas e discussões, que sabem imitar seus
métodos, bem como sua maneira de usar os dados existentes sobre determinado assunto.

• o professor que se concentra no intelecto do aluno:

— sua maior preocupação é desenvolver as habilidades intelectuais do aluno;

— utiliza a análise e a solução de problemas como o principal método de ensino;

— dá mais importância ao intelecto do que às atitudes e emoções demonstradas pelo aluno.

• o professor que se concentra na pessoa total:

— não acredita que o desenvolvimento intelectual deva ou possa ser desligado dos outros aspectos
da personalidade do aluno;

— trata o aluno integralmente como pessoa, pois acredita que, separando o aspecto intelectual
dos demais, o crescimento do aluno na direção de um ser adulto e cidadão fica seriamente
comprometido.

Observação

Professor? Educador? Orientador? Pesquise o significado didático dos


termos e veja qual mais se encaixa em seu perfil.
17
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

Qual dos tipos mencionados você pretende ser? Ou que aspectos de cada tipo fazem parte, hoje, da
sua personalidade? Motivar os alunos não é tarefa fácil. O importante é fazer uma autoanálise.

Ressalta‑se também que a articulação entre a teoria e a prática é um processo constante e definidor
da qualidade da sua formação como sujeito, porque lhe abre as portas para uma permanente busca de
respostas acerca de fenômenos e contradições vivenciados no cotidiano da sua prática, ou seja, na sua
experiência.

Por fim, a reflexão constante o encaminhará para o desenvolvimento incessante de competências


que se configuram como conhecimentos e ações necessários ao exercício da sua profissão, nas suas
dimensões humana, política e técnica, e inseridos em um processo permanente de construção e
reconstrução da prática docente.

Como em qualquer prática, não temos respostas para todas as questões que surgiram e continuarão
surgindo, mas temos disposição para continuar pesquisando e buscando caminhos que possam auxiliar
a formação de professores críticos e atuantes.

Procurar melhorias para os aspectos injustos da nossa realidade educacional é o objetivo último
do trabalho e, para tanto, precisamos de profissionais que tenham condições de propiciar essa
transformação.

Saiba mais

Sobre a prática pedagógica, leia PILETTI, C. Didática geral. São Paulo:


Ática, 2001.

Resumo

De início, é importante saber a contextualização da disciplina na


dimensão do curso. Essa prática encontra‑se, de modo ideal, prevista para
o quinto semestre do curso, havendo uma articulação entre ela e as demais
práticas.

A Prática de Ensino: Trajetória da Práxis visa à orientação na finalização


do seu estágio, enriquecendo‑o com a reflexão sobre a trajetória seguida,
com o objetivo de chegar ao término com qualidade e estímulo.

Adicionalmente você se depara com informações que o ajudam a


refletir sobre a importância do estágio e das demais atividades práticas,
não apenas no seu curso de formação, mas em todo e qualquer curso de
formação de professores. A ideia é auxiliá‑lo no que realmente importa,

18
PRÁTICA DE ENSINO: TRAJETÓRIA DA PRÁXIS

distinguindo esse aspecto com maior facilidade na sua reflexão futura já


como professor atuante na educação básica.

A partir daí, a reflexão passa por um afunilamento, culminando na


importância dessa reflexão na sua formação e na sua futura atuação
profissional.

19
REFERÊNCIAS

BARREIRO, I. M. F.; GEBRAN, R. A. Prática de ensino e estágio supervisionado na formação de


professores. São Paulo: Avercamp, 2006. p. 126.

PICONEZ, S. C. B. A prática de ensino e o estágio supervisionado. Campinas: Papirus, 2007.

PILETTI, C. Didática geral. São Paulo: Ática, 2001. p. 258.

GARCIA, W. E. Educação: visão teórica e prática pedagógica. São Paulo: McGraw‑Hill do Brasil, 1981.

20
21
22
23
24
Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000

Você também pode gostar