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8 Contrato Nº 024/2016 ABDI-GDP


9 Convênio Nº 076/2010 ABDI-MDIC (SICONV
10 Nº 751776/2010)
11 Meta: Elaboração de 6 (seis) Guias Técnicos
12 aplicáveis ao BIM – EDIFICAÇÕES
13 Produto 8: Guia 4 – Contratação e
14 Elaboração de projetos BIM na arquitetura
15 e engenharia -Versão Preliminar
16 Versão: 10 de fevereiro de 2017

17 Ref. ABD 002 RE 004 r01

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1 Sumário
2 1 Apresentação da Coletânea .................................................................................................. 5
3 1.1 Objetivos da coletânea e público alvo .......................................................................... 5
4 1.2 Organização da coletânea ............................................................................................. 5
5 1 Apresentação do Guia 4 ........................................................................................................ 7
6 2 Introdução ............................................................................................................................. 7
7 2.1 Por que um contrato diferenciado? .............................................................................. 7
8 2.2 Sistemas proprietários e sistema OpenBIM .................................................................. 8
9 3 BIM e as modalidades de contratação de projetos e obras ................................................ 10
10 4 Plano de execução BIM ....................................................................................................... 13
11 4.1 Objetivos do Plano de Execução BIM .......................................................................... 13
12 4.2 Um modelo de estrutura para o Plano de Execução BIM ........................................... 15
13 5 Etapas, produtos e remuneração de serviços BIM .............................................................. 24
14 6 Direitos autorais de modelos e objetos BIM ....................................................................... 28
15

16

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 2
1 Prefácio
2 A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) é ligada ao Ministério da Indústria,
3 Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e atua como elo entre o setor público e privado,
4 contribuindo para o desenvolvimento sustentável do país.

5 Assim, é engajada em apresentar soluções técnicas e tecnológicas capazes de promover o


6 desenvolvimento dos processos industriais brasileiros.

7 Atualmente, a cadeia produtiva da construção representa 10,5% do PIB nacional e 13,2 %1 da


8 força de trabalho ocupada no país, sendo o subsetor de edificações responsável por parte
9 importante destes números e pelos resultados concretos: estradas, equipamentos urbanos,
10 cidades e moradias.

11 Nas últimas décadas, o processo da construção, desde o projeto até a pós-ocupação, tem
12 evoluído muito no mundo inteiro. Essa evolução também chegou ao Brasil, a partir dos anos
13 1990, com as tecnologias de desenho gráfico computadorizado, e posteriormente com as
14 ferramentas de gestão de processos e projetos, a modelagem em três dimensões, entre
15 outros. Na esteira dessa tecnologia, surgiu o Building Information Modelling (BIM),
16 Modelagem da Informação da Construção, uma plataforma de processo de projeto que alia a
17 modelagem virtual às informações necessárias a todas as etapas da construção.

18 No mundo todo, a plataforma BIM tem se mostrado, particularmente nesta última década,
19 capaz de produzir resultados mais eficientes do que os métodos tradicionais. Ao integrar as
20 equipes de projeto e todos os dados necessários à concepção, execução e operação das
21 edificações, o BIM traz para a construção um novo patamar tecnológico e de produtividade. A
22 evolução do BIM tem tornado os processos construtivos cada vez mais inteligentes e
23 eficientes. A utilização dos processos BIM representa ganhos de tempo, redução de custos e
24 de desperdício em projetos e obras.

25 Esta evolução tem se refletido em novos entendimentos para o acrônimo BIM que hoje pode
26 ser entendido como:

27 ● BIM Building Information Model (Modelo de Informação da


28 Construção), relacionado ao Modelo BIM, um produto do processo de projeto; e
29 ● BIM Building Information Modelling (Modelagem da Informação da
30 Construção), referente ao processo de projeto em si.

1
Observatório da Construção, FIESP (2014).

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 3
1 No Brasil, o BIM está presente, de forma tímida, há cerca de 20 anos2, mas na última década
2 expandiu-se, já tendo demonstrado resultados significativos nas empresas que o adotaram.
3 Contudo, por falta de informações adequadas ou por uma visão mais tradicionalista, a adoção
4 do BIM ainda encontra resistência por parte de profissionais, construtoras e incorporadoras.

5 Em que pese essa dificuldade, diversos órgãos na esfera pública e algumas empresas já
6 iniciaram a exigência de processo de projeto BIM nas suas licitações. A tendência é que isso
7 evolua para ser exigido em todas as obras públicas, como já vem ocorrendo em muitos países.
8 Assim, é necessária e urgente a capacitação dos atores já envolvidos e aqueles que, por algum
9 motivo, ainda não foram sensibilizados pelo tema.

10 A realização desses guias tem como principal objetivo apresentar o BIM sob vários aspectos
11 necessários para a compreensão e a capacitação de profissionais e contratantes, sobretudo
12 aqueles que participam da contratação ou licitação de obras públicas.

13 A ABDI por meio de parceria com o MDIC, espera, que esses guias possam trazer aos leitores
14 informações claras e precisas que os auxiliem na tomada de decisão para uma mudança de
15 paradigma no mercado brasileiro e possam acompanhar este processo de inovação.

16

2
O escritório do Arquiteto Marcos Acayaba desde 1996 utiliza aplicativo BIM. Ver
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18141/tde-21052008-
164328/publico/NAKANISHI_arq_dom_tec.pdf.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 4
1 1 Apresentação da Coletânea

2 1.1 Objetivos da coletânea e público alvo

3 O objetivo desta coletânea é consolidar e disponibilizar informações de boas práticas sobre o


4 processo e a contratação de projetos BIM de forma clara e precisa, para que profissionais e
5 contratantes, particularmente aqueles envolvidos em obras públicas, possam ter segurança na
6 transição entre o processo tradicional de projetar e a mudança de paradigma representada
7 pela tecnologia BIM.

8 Esta coletânea está dirigida a todos os profissionais envolvidos no ciclo de vida das edificações,
9 tais como: gestores públicos, incorporadores, proprietários, responsáveis pela operação ou
10 descomissionamento e demolição, projetistas e executores. Pela sua relevância no papel de
11 incentivadores ao uso do BIM, procuramos nesta coletânea enfatizar o papel dos contratantes
12 públicos e as formas de contratação de projetos e obras públicas, pois já existem projetos de
13 lei em tramitação pelos quais Haverá exigência do BIM como requisito licitatório .

14 Os guias apresentam os processos BIM com foco nas plataformas abertas (OpenBIM), mas
15 serão incluídos comentários sobre o uso de algumas plataformas de maior relevância no
16 mercado.

17 A tecnologia BIM pode ser utilizada em diferentes processos de criação e produção, tais como
18 nos produtos para construção, mas estes guias têm como foco as edificações para uso
19 humano, tais como residências, unidades escolares ou de saúde, prédios administrativos ou
20 comerciais. Isto se justifica porque tipos diferenciados de uso podem resultar em processos de
21 projeto diversos, o que exigiria adaptações nas propostas aqui apresentadas.

22 1.2 Organização da coletânea

23 Com o objetivo de facilitar a transição entre o método tradicional e o processo de projeto BIM,
24 esta coletânea é constituída por seis volumes, que abordam um conjunto das informações
25 necessárias para a implantação, contratação e utilização do processo de projeto BIM.

26 Os volumes são divididos da seguinte forma:

27 Guia 1 – Processo de projeto BIM: apresenta os principais conceitos e o processo da


28 tecnologia BIM, abrangendo o processo do projeto BIM, seus fluxos e usos, da
29 concepção até o pós-obra; a modelagem dos componentes BIM e suas
30 especificidades; a relação do BIM com as diversas áreas da indústria da construção –
31 da fabricação de componentes e coordenação modular, do relacionamento do BIM
32 com a nova norma de desempenho e com as normas ISO, e a comunicação e
33 coordenação de projetos BIM.

34 Guia 2 – Classificação da informação no BIM: apresenta e justifica como o sistema de


35 classificação da informação no BIM pode ser feito, de acordo com vários sistemas de

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 5
1 classificação existentes, a adequação à NBR 15965, e como estas classificações
2 podem contribuir para automação de diversas tarefas a partir do modelo BIM e sua
3 relação com a documentação extraída.

4 Guia 3 – BIM na quantificação, orçamentação, planejamento e gestão de serviços da


5 construção: apresenta as diretrizes para extração de quantitativos de serviços,
6 equipamentos e materiais para uso em estimativas e desenvolvimento de estimativas
7 e análises de custos, planejamento da execução e sistemas de gestão para obras
8 baseadas em projetos BIM

9 Guia 4– Contratação e elaboração de projetos BIM na arquitetura e engenharia: apresenta as


10 principais questões a serem definidas nos editais e/ou contratos para elaboração e
11 acompanhamento de projetos e obras em BIM e a metodologia para
12 desenvolvimento de projetos BIM de diferentes disciplinas, assim como as questões
13 de autoria de modelos, objetos e dados.

14 Guia 5 – Avaliação de desempenho energético em Projetos BIM: apresenta as possibilidades


15 de avaliação de acordo com os diferentes níveis de desenvolvimento do projeto, os
16 requisitos do modelo para viabilizar a avaliação e a etiquetagem em modelos e
17 projetos BIM.

18 Guia 6 - A Implantação de Processo de Projeto BIM: apresenta as diretrizes para o


19 planejamento da implantação de BIM nas organizações: diagnóstico, definição de
20 metas, roadmap estratégico, plano de implantação nas quatro dimensões do BIM
21 (tecnologia, processos, pessoas e procedimentos) e gerenciamento da implantação.

22 Anexo - Plano de Execução BIM e Fluxograma do processo de projeto BIM. Conjunto de


23 planilhas e fluxogramas disponibilizadas em formatos impressos e em arquivos
24 digitais editáveis.

25 Como os GUIAS 1 e 2 apresentam os fundamentos da tecnologia e dos processos é importante


26 que eles sejam lidos por todos, mesmo aqueles mais interessados em apenas um dos temas
27 dos demais volumes.

28

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 6
1 1 Apresentação do Guia 4
2 Este Guia apresenta as diretrizes para a contratação de projetos em BIM incluindo a
3 elaboração do Plano de Execução BIM e do descritivo do escopo de trabalho de projetos BIM.
4 Sugere modelos de documentos e apresenta propostas quanto ao parcelamento de serviços de
5 modo adequado ao processo de projeto BIM.

6 Os dois documentos principais para a descrição de escopo são o Plano de execução BIM e o
7 Fluxograma geral do processo de projeto, que tem versões impressas e em arquivos editáveis
8 no ANEXO I desta coletânea, para que possam ser adaptados às necessidades de cada
9 empreendimento.

10 2 Introdução

11 2.1 Por que um contrato diferenciado?

12 Este volume da coletânea oferece ferramentas para orientar decisões na contratação de


13 projetos com processo BIM, com foco na definição do escopo, nas suas entregas e nos
14 procedimentos administrativos e de coordenação vinculados. Não é intenção deste guia
15 discutir outros aspectos jurídicos derivados do processo, até porque, por se tratar de uma área
16 nova, ainda não há casos suficientes para que exista uma base de referência.

17 Como foi demonstrado no GUIA 1, o processo de Projeto BIM é muito diferenciado do


18 tradicional e pode ser classificado como uma inovação disruptiva. Ele altera o processo
19 produtivo e também os produtos em um determinado mercado, pois atende a necessidades
20 previamente não servidas pelas tecnologias anteriores. Assim sendo, é da maior importância
21 que as práticas usuais de contratação devam ser adaptadas às características deste novo
22 processo e de seus novos produtos.

23 Por se tratar de uma atividade relativamente recente, ainda em processo de normatização,


24 com referências bibliográficas diversas e de vários países diferentes, é bastante comum a
25 utilização de termos semelhantes, porém com nomenclaturas diferentes, traduções diversas,
26 confusões de conceitos e outros problemas de interpretação da função de cada processo. Ao
27 longo dos volumes da coletânea, algumas dessas diferenças foram apontadas, com a devida
28 indicação da opção adotada, como na tradução de LOD (level of development) por ND (nível de
29 desenvolvimento). Um dos objetivos complementares dessa coletânea também é contribuir
30 para a consolidação de uma terminologia padrão brasileira, em harmonia com os esforços de
31 normatização em andamento.

32 Uma base conceitual e terminológica comuns utilizáveis nos processos e em seus produtos é
33 fundamental para a elaboração de documentos contratuais, que podem abranger desde editais
34 de licitação, contratos e instrumentos de acompanhamento da sua execução, até outros
35 documentos complementares. São eles que vão constituir uma base sólida e eficaz para o
36 planejamento, a elaboração e a gestão dos projetos que adotarem a plataforma.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 7
1 Os processos envolvidos no desenvolvimento de um projeto BIM foram descritos e detalhados
2 no GUIA 1 e servem de referência para o planejamento e a elaboração de contratos. Porém,
3 antes de qualquer contrato, é preciso definir com precisão as necessidades a serem atendidas
4 e os recursos financeiros, técnicos e de pessoal disponíveis para o empreendimento, pois,
5 assim como para os contratados, o BIM exige dos contratantes determinadas qualificações e
6 capacidades técnicas. Muitas vezes as organizações pretendem “adquirir um projeto BIM”, mas
7 não estão capacitadas a receber, verificar e coordenar o processo de projeto BIM. Assim, este
8 volume da coletânea apresenta de modo estruturado em alguns modelos de documentos as
9 responsabilidades de todos os envolvidos no processo.

10 Cabe ao Gestor do empreendimento adaptar esses modelos às necessidades específicas da sua


11 organização e do seu empreendimento.

12 Os principais documentos que constituem a base para a contratação BIM são:

13 • Plano de execução BIM, que descreve os participantes, suas responsabilidades e a


14 descrição de etapas e produtos;

15 • Fluxograma geral do processo de projeto, que apresenta o encadeamento das


16 atividades e seus respectivos produtos.

17 Além dos documentos acima, este GUIA abordará questões relativas a remuneração, nível de
18 esforço e direitos autorais de modelos e de objetos.

19 O Plano de execução BIM e o Fluxograma geral do processo de projeto fazem parte do ANEXO I
20 da coletânea, tanto em formato impresso quanto em formato editável, para que sejam
21 alterados conforme as necessidades do empreendimento pretendido.

22 Os procedimentos de planejamento e elaboração das bases do contrato de projeto em BIM


23 aqui adotados são dirigidos particularmente para o contratante público, podendo, entretanto,
24 servir de referência para contratos de natureza privada.

25 2.2 Sistemas proprietários e sistema OpenBIM

26 Existem centenas de aplicativos BIM, muitos deles com a mesma função principal: o
27 desenvolvimento dos projetos. Todos eles trabalham com os denominados formatos
28 proprietários. Boa parte deles, porém, participa do consórcio BuildingSMART,3 uma
29 organização internacional voltada ao desenvolvimento do formato IFC (Industry Foundation
30 Classes), um esquema padronizado que permite o livre intercâmbio de dados entre os
31 aplicativos compatíveis. A grande maioria de desenvolvedores BIM, participa ou apoia de
32 alguma forma este esforço para interoperabilidade, sendo que seus principais aplicativos são
33 certificados pela BuildingSMAR, como é possível verificar no endereço

3
Ver http://www.buildingsmart-tech.org/

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 8
1 http://www.buildingsmart-tech.org/certification/ifc-certification-2.0/ifc2x3-cv-v2.0-
2 certification/participants

3 O arquivo IFC permite que diferentes projetistas utilizem diferentes plataformas de projeto
4 sem que isso impeça o trabalho conjunto e integrado. Todos os aplicativos certificados podem
5 exportar seus dados no formato IFC e assim compor o arquivo federado para análise e
6 coordenação do projeto. Além disso, existem aplicativos específicos para algumas análises e
7 simulações cujo arquivo de trabalho também é o IFC, como os aplicativos voltado para a
8 verificação de modelos BIM (Model Checker).

9 Entretanto, nenhum aplicativo de projeto adota o IFC como padrão nativo, pois ele não
10 incorpora recursos de desenvolvimento de projeto, entre outros pontos. De certa forma, o IFC
11 se comporta como um PDF, um formato bloqueado, extremamente útil para troca de
12 informações e também como repositório, mas com restrições para edição direta. Ou seja, os
13 projetistas sempre utilizarão algum software proprietário, mas podem e devem exportar para
14 IFC.

15 O sistema OpenBIM tem como premissa esse modelo, em que a integração é feita pela
16 montagem de um arquivo federado (ver Guia 1), composto por diversos, às vezes mais de uma
17 centena, de arquivos IFC.

18 Os aplicativos de projeto têm poucas diferenças entre si: alguns são mais eficientes no uso dos
19 recursos do computador, outros melhores na representação gráfica. O que varia
20 significativamente é o custo das licenças e o modelo de comercialização. A opção por uma ou
21 outra plataforma depende de questões como porte, capacitação preexistente, facilidades de
22 aquisição e suporte técnico. É importante ressaltar que essa é uma questão importante para
23 quem desenvolve o projeto, mas não tão relevante para quem contrata. Especialmente porque
24 o contratante não deve, por princípios legais e éticos, editar os arquivos dos projetistas.

25 Mesmo no caso em que um contratante tenha recebido um projeto BIM e posteriormente


26 queira, por exemplo, reformar a edificação e efetuar uma nova contratação de projeto, ele
27 necessita apenas do modelo BIM do “projeto como construído” (as built), o qual
28 preferencialmente deve estar no formato IFC. Todo o novo trabalho de projeto, novas plantas,
29 cortes e outros desenhos poderão ser gerados pelo outro projetista a partir deste modelo, que
30 será importado para um aplicativo de projeto certificado.

31 Tendo como regra a utilização do modelo IFC, o leque de escolhas de projetistas parceiros fica
32 ampliado, pois não há restrições com relação à utilização de um aplicativo específico de
33 projeto. Essa restrição a apenas um tipo de aplicativo, contudo, não é ilegal, havendo inclusive
34 acórdãos do TCU4 a respeito, que justificam a restrição em função do contratante já dispor de
35 uma infraestrutura predefinida. Mas esta questão ainda não está pacificada e esta diretriz
36 poderá ser alterada. Dessa forma, tal exigência deve ser avaliada com parcimônia pela
37 contratante público e sempre bem fundamentada. De qualquer modo ela só faz sentido nos

4
AC-1915-34/09-P de 2009 e 2799/2013.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 9
1 casos em que o contratante prevê a necessidade de complementação do trabalho do
2 projetista contratado, como no caso de algumas instalações militares e algumas empresas de
3 energia, cujos detalhamentos são confidenciais e muito especializados.

4 É importante destacar que, para uma análise de modelos BIM IFC de modo mais completo, são
5 necessários softwares específicos, com recursos de verificação de conflitos e capacidade de
6 registros, comunicação e controle das questões analisadas Existem diverrsos aplicativos de
7 verificação no mercado, sendo que dois utilizam apenas o formato IFC, enquanto outros usam
8 formatos proprietários, mas permitem a importação do formato IFC. Alguns deles incorporam
9 recursos mais avançados, com regras de verificação muito amplas, outros permitem uma
10 visualização gráfica melhor; e muitos têm uma integração com plataformas de colaboração na
11 nuvem; um deles ainda possui a vantagem de ser gratuito.

12 Para grandes contratantes, a opção por um padrão baseado em IFC (OpenBIM) tende a ser
13 mais vantajosa, pois garante maior leque de escolhas e pode ter custos menores. Pelo mesmo
14 motivo, nos aplicativos de coordenação e colaboração, é conveniente a exigência de
15 conformidade com o padrão BCF (BIM Collaboration Format), também desenvolvido pela
16 BuildingSMART, que facilita a interoperabilidade no processo de coordenação, como
17 demonstrado no GUIA 1. E, mesmo que o contratante já disponha de infraestrutura
18 proprietária, ela pode ser utilizada para analisar, aprovar e até mesmo alterar os modelos BIM
19 em IFC, importando para um aplicativo apropriado para a edição. O interessante é que mesmo
20 que esta nova versão seja gravada com o mesmo nome da anterior ela terá outro autor
21 registrado em seus dados internos, ou seja, fica evidenciada a alteração.

22 A opção por uma solução integrada proprietária pode ser vantajosa no caso de escritórios de
23 menor porte, mas que desenvolvam de modo simultâneo as diversas disciplinas, ou em
24 grandes empresas completamente verticalizadas, pois ocasionalmente elas podem ter
25 recursos específicos que sejam interessantes para os casos em questão.

26 Finalmente, cabe destacar que diversos desenvolvedores nacionais de aplicativos, tais como
27 TQS (voltado ao cálculo de estruturas) e ALTOQI (estruturas e projetos de instalações) vêm
28 trabalhando com formatos IFC e geram modelos BIM capazes de serem integrados aos
29 modelos federados.

30 3 BIM e as modalidades de contratação de projetos e obras


31 Atualmente coexistem diversas modalidades de contratação de projetos e obras. Com relação
32 a exigências de projeto, elas podem ser classificadas em dois modelos básicos:

33 • O modelo tradicional, que acontece em três passos: projeto-licitação/contratação


34 (pública ou privada)-construção, conhecido internacionalmente como Design-Bid-Build
35 (DBB); e

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 10
1 • Contratos de Preço Global ou Design-Build5 (DB), ou simplesmente contrato turnkey ou
2 contrato integral, onde usualmente cabe ao contratado desenvolver o projeto
3 executivo e construir o empreendimento. Uma variante desse tipo é o Design-Build-
4 Operate6 (DBO), em geral usado em concessões públicas de serviços, em que a própria
5 detentora da concessão projeta, constrói e opera as instalações, como no caso de
6 usinas de energia.

7 Esses dois tipos básicos se desdobram em variantes que dentro das condições básicas acima
8 ainda preveem preços máximos garantidos ou por preços unitários ou por administração,
9 bônus por desempenho e muitas outras possibilidades, entre elas o IPD (Integrated Project
10 Delivery)7, uma variante do Design-Build que vem sendo frequentemente vinculado ao BIM.
11 Entretanto seu uso ainda é incipiente e, no Brasil , inexistente. Além disso, no contrato DB é
12 importante caracterizar qual será o papel do cliente-contratante, pois em algumas variedades,
13 como no caso de contratos por preços unitários, é possível que ele tenha uma grande
14 importância nas decisões técnicas.

15 No Brasil, a contratação privada tem seguido esses dois modelos e suas variantes. Porém,
16 quanto ao desenvolvimento de projeto, o poder público adotou duas modalidades: a definida
17 pela Lei 8.666, de 21 de junho de 1993, e o Regime Diferenciado de Contratações Públicas
18 (RDC).

19 A Lei 8.666/93 e suas correções preveem a licitação com base no “Projeto Básico”, o que pode
20 acontecer de quatro formas: I - empreitada por preço unitário; II - empreitada por preço
21 global; III - contratação por tarefa; IV - empreitada integral. Todas as quatro devem ser
22 baseadas em planilhas de preço unitário referentes aos serviços, materiais e equipamentos,
23 que devem constar do referido Projeto Básico.

24 Já o RDC, regido pela Lei 12.462, de 4 de agosto de 2011, e posteriormente complementada


25 pela Lei 12.980 de 28 de maio de 2014, foi criado inicialmente apenas para agilizar a
26 contratação das obras referentes aos eventos esportivos sediados em 2014 e 2016 (Copa do
27 Mundo e Olimpíadas, respectivamente), mas foi gradualmente estendida a outros tipos de
28 obras (ações do PAC e obras do SUS, do sistema de ensino e do sistema prisional). O regime de
29 execução do RDC é denominado de “contratação integrada” e antes era restrito apenas à
30 Petrobras. Nesse regime, cabe ao licitante/proponente desenvolver o projeto básico e o
31 executivo, além de executar a obra, os testes de recebimento, a pré-operação e outros
32 serviços eventualmente necessários para o comissionamento. Note-se que a Lei 12.462/2011,
33 exige um “anteprojeto de engenharia” no instrumento convocatório. Em termos de
34 orçamento, o RDC exige, na etapa de projeto básico, a apresentação de “orçamento detalhado
35 do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e fornecimentos
36 propriamente avaliados”, mas no caso de projeto integrado, exige apenas “o valor estimado da

5
Projeto-Construção.
6
Projeto-Construção-Operação.
7
Uma descrição abrangente do IPD pode ser obtida no documento do AIA (American Institute of
Architects) disponível em http://info.aia.org/siteobjects/files/ipd_guide_2007.pdf.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 11
1 contratação (...) calculado com base nos valores praticados pelo mercado, nos valores pagos
2 pela administração pública em serviços e obras similares ou na avaliação do custo global da
3 obra, aferida mediante orçamento sintético ou metodologia expedita ou paramétrica”.

4 Na prática, o RDC tenta se aproximar do conceito de Design-Build, mas exige o anteprojeto de


5 engenharia, enquanto o modelo mais adotado no exterior tem como base especificações de
6 desempenho do objeto a ser construído. Ao se referir ao orçamento detalhado, ele abre
7 brechas para alterações de escopo e de preços. Em outros países, esse modelo de contrato
8 costuma ter o escopo do empreendimento (produto do projeto) mais definido e rígido e, por
9 isso, as variações de preço admitidas são mínimas e em geral estão previstas cláusulas de
10 performance que limitam os custos.

11 Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, o RDC tem pouca semelhança com o IPD,
12 pois este é baseado em cláusulas de desempenho, com bonificações e encargos distribuídos
13 por todos os participantes, sejam projetistas ou construtores.

14 Outra questão relevante é que os conceitos de “Projeto Básico” e de “anteprojeto de


15 engenharia” utilizados na legislação não correspondem às definições de etapas ou fases de
16 projeto das normas brasileiras, gerando a possibilidade de múltiplas interpretações. Por
17 exemplo, o texto da norma de projeto de arquitetura atualmente em discussão na ABNT prevê
18 apenas a etapa de “Anteprojeto arquitetônico”. Estas divergências entre as Normas e a
19 legislação dificultam o seu atendimento.

20 Mas para o âmbito deste GUIA, o mais importante é como a equipe de projeto se insere nos
21 contratos e quais são suas responsabilidades. O GUIA 1 desta coletânea mostra que o processo
22 de projeto BIM exige a antecipação da participação das especialidades, inclusive dos
23 responsáveis pela montagem ou execução das partes. A análise de compatibilidade de
24 sistemas deve considerar, por exemplo, os espaços necessários para montagem e
25 manutenção, informação que raramente os projetistas dispõem. Porém, em ambas as
26 modalidades de contrato aqui expostas, a licitação com projeto básico e o RDC, a integração e
27 a colaboração entre todos os projetistas não são, em princípio, garantidas.

28 Isto não impede que uma organização pública desenvolva projetos em BIM, particularmente se
29 for incluída no edital de licitação a exigência de atendimento a um PLANO DE EXECUÇÃO BIM,
30 mesmo que ele não esteja desenvolvido até a etapa de projeto executivo. No contrato
31 segundo o modelo de RDC é possível exigir o PLANO DE EXECUÇÃO BIM como parte do
32 “anteprojeto de engenharia”. Nele, algumas das questões mais relevantes, tais como tipologia
33 dos participantes e suas responsabilidades, já devem estar definidas conforme os requisitos
34 pretendidos pelo contratante para o empreendimento em questão. O PLANO DE EXECUÇÃO
35 BIM é a peça-chave para que órgãos públicos possam exigir e planejar projetos que utilizem o
36 processo BIM, já que define participantes, responsabilidades, nível de desenvolvimento e
37 produto.

38 Outro ponto importante é que a legislação permite a possibilidade de consórcios (duas ou mais
39 empresas com experiência ou especialidades diferentes concorrendo como uma organização

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 12
1 única à mesma licitação). Assim, empresas projetistas podem participar de um consórcio, no
2 caso das licitações de obras que incluam desenvolvimento de projetos. Uma vantagem de
3 vários projetistas participarem como consorciados em uma licitação, especialmente os de
4 arquitetura, estrutura e instalações, é que eles não apenas têm acesso mais cedo aos dados,
5 mas também desfrutam de maior liberdade na organização do desenvolvimento dos serviços.

6 Um fato importante a ser lembrado é que tanto nas licitações modelo RDC quanto nas em que
7 apenas o projeto básico é licitado, exigências de qualificação dos projetistas deveriam ser
8 incluídas nos editais, de modo a garantir experiência no objeto do contrato e no processo BIM.
9 Hoje, nesse tipo de licitação, só é comum a exigência de qualificação do construtor.

10 A qualificação em BIM deve seguir os procedimentos definidos na legislação de exigência de


11 capacitação e de qualificação da empresa e dos profissionais da equipe técnica.

12 Como o BIM é vinculado à norma ISO 16739:2013 – Industry Foundation Classes (IFC) for data
13 sharing in the construction and facility management industries e o Brasil é um dos países
14 aderentes a esta organização normativa, é possível tecer exigências nos contratos e editais
15 com base nesta norma. Por exemplo, um edital pode conter uma cláusula exigindo que as
16 empresas interessadas comprovem sua qualificação para execução dos serviços por meio de
17 Certidão de Acervo Técnico emitida pelo CREA e/ou CAU, em nome de profissional integrante
18 do quadro técnico da empresa, comprovando a execução de projeto básico (ou executivo) de
19 arquitetura (ou de outras especialidades) de edificação com tipologia de função e porte
20 conforme o previsto (mínimo xxxx m² de área construída), realizado com tecnologia BIM, em
21 aplicativos e plataformas compatíveis com os requisitos da norma ISO 16739 e o padrão IFC4.
22 Entretanto esta forma de comprovação tem sido questionada e no Reino Unido e EUA já
23 existem empresas certificadoras de competência BIM, mas isto ainda não foi implantado no
24 Brasil.

25 Hoje já existem dezenas de empresas no Brasil com experiência de projeto em BIM,


26 descaracterizando um possível direcionamento dos editais, o que seria ilegal. No caso de áreas
27 específicas, em que a experiência anterior em BIM ainda não existe, é possível exigir a
28 qualificação na área em tela e no BIM de modo separado, como, por exemplo, exigindo
29 experiência em projetos hospitalares e, separadamente, experiência em projetos BIM de
30 qualquer natureza. Nesses casos, a admissão de consórcios para projetos também é muito
31 conveniente, pois permite a soma de acervos técnicos e, assim, de experiências variadas.

32 4 Plano de execução BIM

33 4.1 Objetivos do Plano de Execução BIM

34 As diferentes organizações no exterior com experiência em processo de projeto BIM têm como
35 característica comum a exigência de planejamento do processo de projeto desde os estudos
36 iniciais até, se for o caso, a operação e reuso. Embora o chamado Plano de Execução BIM varie

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1 sua denominação8 e formatação de uma para outra, os objetivos deste documento são sempre
2 os mesmos:

3 a) Organizar os processos BIM ao longo do empreendimento, e


4 b) Definir, em maior ou menor grau de detalhe, as responsabilidades e produtos
5 associados e o modelo de comunicação e implementação para todos os
6 participantes do empreendimento, em todas as fases de seu ciclo de vida.

7 Um plano de execução BIM deve ser entendido como um termo de concordância dos
8 participantes do projeto para um conjunto de diretrizes específicas para o empreendimento. É
9 um documento que certamente deve passar por ajustes ao longo do desenvolvimento dos
10 serviços, seja pela entrada de novos participantes, seja pela identificação de novas
11 necessidades. Por isso, a norma inglesa PAS 1192-2:2013 – Specification for information
12 management for the capital/delivery phase of construction projects using building information
13 modelling9 propõe que ele seja desenvolvido em duas etapas, uma pré-contrato e outra pós-
14 contrato. Comum às duas etapas é a necessidade de requisitos claros por parte do
15 contratante. Nesse sentido, o Plano de Execução BIM exige um esforço do contratante para
16 que não sejam deixadas lacunas que possam comprometer o entendimento dos objetivos do
17 projeto.

18 O processo de contratação de projetos em BIM deve se espelhar no próprio processo BIM. Ou


19 seja, ele deve requerer dos atores envolvidos (contratantes, projetistas, construtores e
20 gestores) sua participação desde os estágios iniciais do processo.

21 O plano de execução BIM explicita as responsabilidades de cada equipe responsável, que deve
22 ainda se comprometer com os seguintes procedimentos10:

23 • “Compreender e comunicar os objetivos da implementação BIM no projeto.


24 • Entender seus papéis e responsabilidades específicas na implementação.
25 • Propor um Plano de Execução BIM adequado às práticas de negócios de cada membro
26 e propor fluxos de trabalho coerentes.
27 • Prever recursos adicionais (aplicativos, tecnologia de comunicação etc.), treinamento e
28 demandas específicas para obter sucesso no uso do BIM como tecnologia.
29 • Fornecer referências para descrever o processo aos futuros participantes que aderirem
30 ao projeto.
31 • O Plano de Execução BIM deve estabelecer metas para as diferentes equipes”.

8
Para uma visão abrangente destas propostas é possível consultar o WIKI BIMGuides, em
http://bimguides.vtreem.com/bin/view/BIMGuides/ConceptLibraryWebHome, onde são apresentados
os diversos termos associados ao conceito “BIM Management Plan”, extraídos dos 81 Guias ou Manuais
BIM catalogados pelo sistema em todo o mundo.
9
Especificações para o gerenciamento da informação para a fase capital/de entregas de projetos de
construção utilizando BIM. (Tradução própria)
10
Tradução livre de Building Information Modeling Project Execution Planning Guide©2010 by The
Computer Integrated Construction Research Group of The Pennsylvania State University, disponível em
http://bim.psu.edu/.

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1 A importância do planejamento preliminar, contido no Plano de Execução BIM, é minimizar os
2 riscos que a adoção de uma nova tecnologia sempre traz, uma vez que as equipes são
3 heterogêneas e o grau de familiarização com o processo não é o mesmo.

4 O Plano de Execução BIM deve ser iniciado desde o nascimento do projeto, por isso ele é
5 considerado parte da etapa de Incepção do projeto (ver ANEXO I desta coletânea), que
6 precede o efetivo início dos trabalhos, como mostra a Figura 1. O Plano de Execução BIM deve
7 ser anexado aos documentos do edital de licitação ou aos documentos do contrato.

8
9 Figura 1: Fluxograma da Incepção, início do Plano de Execução BIM (arquivo disponível no ANEXO I da coletânea).

10 4.2 Um modelo de estrutura para o Plano de Execução BIM

11 A partir da análise dos diferentes modelos de planos de execução existentes, foi elaborada
12 uma proposta de estrutura baseada em planilha EXCEL® e fluxogramas VISIO®. Embora
13 visualmente e na sua formatação a proposta guarde semelhanças com o RIBA PLAN of WORK,
14 ela contém dados e conceitos que foram originalmente propostos pelo AIA (American Institute
15 of Architects), pelo BIM FORUM (na parte referente ao conceito de ND/LOD) e pelo National
16 BIM Standard - United States, Version 3, e também inclui a proposta de sistema de
17 classificação da ABNT NBR 15965 - Sistema de classificação da informação, apesar da norma
18 ainda estar em desenvolvimento. Trata-se, enfim, de uma adaptação de práticas estrangeiras
19 ao quadro nacional, na medida em que ainda não existe no país uma prática consolidada a
20 respeito.

21 No GUIA 1 foram apresentados os conceitos básicos para o Plano de Execução BIM, assim
22 como algumas considerações ou adaptações dos modelos estrangeiros, e algumas propostas
23 de tradução foram adotadas.

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1 O primeiro passo para a elaboração do Plano é a definição dos participantes do processo de
2 projeto. Na planilha “Lista de Participantes”, como mostra a Figura 2, há uma lista de funções
3 possíveis. A planilha deve ser preenchida com as funções previstas para o projeto e, à medida
4 que os profissionais forem sendo contratados, seus nomes substituirão os nomes genéricos
5 das funções. Uma vez preenchidos, os nomes dos profissionais também aparecerão nos
6 campos vinculados nas outras planilhas do Plano de Execução.

7
8 Figura 2: Lista de Participantes (arquivo disponível no ANEXO I da coletânea).

9 A partir do preenchimento desta planilha deve ser elaborado a PRP (Planilha de


10 Responsabilidades no Projeto), onde há uma lista padrão das etapas de projeto previstas
11 (Viabilidade, Estudo preliminar, etc.). Essa planilha também deve ser editada de modo a
12 corresponder ao caso específico do empreendimento.

13 Para cada etapa, deve ser indicado o responsável. Caso ele ainda não esteja definido, deve ser
14 selecionado na lista de opções como (não determinado) ou deve ser indicado que naquela
15 etapa a função não é requerida (não requerido). Isso não impede que tanto a função como o
16 profissional apareçam em outras etapas, como mostra a Figura 3.

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1 Figura 3: Planilha de Responsabilidades no Projeto – PRP.

3 A planilha seguinte é apenas uma consolidação do organograma do projeto, apresentado de


4 modo resumido, como exemplifica a Figura 4.

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1

2 Figura 4: Exemplo de organograma do projeto

3 A Planilha de Definições de Procedimentos de Colaboração, mostrada na Figura 5, lista as


4 diretrizes iniciais para o desenvolvimento do projeto e o sistema de colaboração, assim como
5 as responsabilidades atribuídas a cada profissional ou à equipe.

6 Entre os pontos que devem ser definidos nesta planilha estão: as diretrizes de organização do
7 modelo BIM, se ele deve ser seccionado, as coordenadas de posicionamento georreferenciado,
8 a origem, as unidades de medidas a serem adotadas (m ou mm, m³ etc.).

9 A organização do modelo depende do porte. É comum, em empreendimentos de pequeno


10 porte, existir um arquivo para o pavimento tipo, outro para o embasamento e um terceiro
11 para o coroamento do edifício. Em empreendimentos maiores pode haver uma divisão
12 diferente dos modelos como, por exemplo, diversos blocos de modelos em diversos setores.
13 Convém que a setorização coincida com a estrutura, com as secções do modelo ocorrendo, por
14 exemplo, nas juntas de dilatação. Essa setorização do modelo também deve refletir o
15 planejamento da obra, contendo, por exemplo, setores que serão construídos ao mesmo
16 tempo.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 18
1
2 Figura 5: Planilha de Definições de Procedimentos de Colaboração.

3 A Figura 6 é um exemplo de como os arquivos podem ser organizados em uma edificação


4 típica. Neste caso, ela está segmentada em três zonas, cada uma correspondendo a seus
5 respectivos arquivos de arquitetura. As demais disciplinas podem ser organizadas de outras
6 formas, desde que adotem o mesmo ponto de origem e coordenadas.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 19
1
2 Figura 6: Exemplo de organização de arquivos integrados.

4 A planilha da Figura 5 é um resumo que deve ser complementado pelo Procedimento de


5 Colaboração BIM, que é um conjunto de regras que orientam o desenvolvimento dos arquivos,
6 com definições mais precisas sobre a operação do sistema de comunicação a ser adotado e
7 também contém aspectos específicos do projeto, tais como regras para a nomenclatura de
8 edificações e de arquivos, coordenadas e ponto de origem, worksets ou teamwork e/ou uma
9 eventual subdivisão do projeto em diversos arquivos para facilitar o manuseio e o processo de
10 trabalho. A correta definição do ponto de origem e das coordenadas a serem utilizadas é
11 imprescindível para a montagem do arquivo federado que integra as diferentes disciplinas.

12 O Procedimento de Colaboração BIM deve ser discutido e acordado entre todos os


13 participantes no início dos trabalhos. Sempre que ocorrer a entrada de um novo membro da
14 equipe, ele deve ser instruído sobre este procedimento. O documento final também deve ser
15 anexado ao contrato.

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1 Observação: É importante que no contrato conste que cada documento de projeto gerado
2 deva conter o nome do arquivo que o originou, como mostra a Figura 7, em que é possível
3 identificar que a folha foi gerada a partir de um arquivo RVT .

4
5 Figura 7: Exemplo de carimbo com indicação do nome do arquivo de onde foi extraído.

7 A Figura 8 mostra a MRDP – (Matriz de Responsabilidades no Desenvolvimento Projetual),


8 onde estão relacionados os elementos do projeto, organizados segundo a tabela 3E –
9 Elementos da ABNT NBR 15965, e ligados a seus respectivos responsáveis para cada uma das
10 etapas previstas e, também, ao ND (nível de desenvolvimento) previsto para cada elemento
11 em cada etapa.

12 Como visto no GUIA 1, é possível que em uma etapa, por exemplo no estudo preliminar,
13 determinado elemento, como “pontos de iluminação”, seja definido pelo arquiteto, mas, em
14 outra etapa, esse mesmo grupo de elementos seja inserido pelo consultor de luminotécnica.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 21
1
2 Figura 8: Matriz de Responsabilidade – MRDP.

4 Embora o modelo siga a Tabela 3E da norma de classificação, é possível definir outros roteiros
5 para descrição do elemento visando a um detalhamento mais específico, seja por uma prática
6 da construtora, se contratante, seja pelo nível de especialização do projeto, como por exemplo
7 em projetos da área de saúde. Na verdade, a MRIDP deve refletir as boas práticas do
8 contratante na sua área de especialização e, ao longo do tempo, a matriz tende a ser
9 semelhante em projetos de um mesmo tipo e de um mesmo contratante. A tabela 3E pode ser
10 complementada, atingindo um maior nível de detalhamento e os elementos que não fazem
11 parte do projeto devem ser suprimidos.

12 Finalmente, para cada etapa prevista do projeto, devem ser definidos os respectivos produtos
13 derivados de cada processo, assim como o uso BIM previsto, como mostra a Figura 9.

14 O uso BIM previsto, como descrito no GUIA 1, mostra os critérios mínimos sobre os dados a
15 serem inseridos. Esses dados, às vezes, exigem campos específicos, como por exemplo a
16 indicação do código da composição de custo associada ao elemento. Ou, no caso de
17 visualização 3D renderizada, padrões gráficos mais detalhados. Embora neste modelo de Plano
18 de Execução tenham sido listados apenas os usos definidos pela CEE 134 da ABNT, a planilha
19 pode e deve ser editada quando outros usos são previstos. E, assim como na planilha anterior,
20 certos usos serão previstos para uma determinada etapa e não estarão listados em outras.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 22
1
2 Figura 9: Exemplo de definição de processos e produtos em uma etapa do projeto.

3 A planilha da Figura 10 contém as definições de cada processo, inseridas sob forma de


4 comentários de cada célula. O preenchimento padrão de cada planilha é sempre com os
5 produtos mais frequentes, tendo ainda alguns produtos “opcionais” não tão comuns. Estes
6 “opcionais” não estão na planilha por acaso, pois são serviços ou documentos que no processo
7 BIM são de execução mais fácil e, por isso, tendem a se tornar o novo padrão de mercado de
8 mercado.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 23
1
2 Figura 10: Planilha multidisciplinar de serviços, com caixa de comentários destacada.

3 5 Etapas, produtos e remuneração de serviços BIM


4 Tradicionalmente, o projeto é realizado em etapas, cada uma com um volume maior de
5 informação, mas com uma grande variedade de abordagens. Isto é natural, uma vez que a
6 natureza dos serviços é muito variável, muitas vezes pela função e local do empreendimento
7 mas, principalmente, pela maior ou menor complexidade do projeto em si. Entre as normas
8 aplicáveis ao processo BIM existem discrepâncias, como por exemplo entre a ABNT NBR 6492
9 Representação de projetos de arquitetura e a ABNT NBR 13531:1995 – Elaboração de projetos
10 de edificações – Atividades técnicas. A primeira define apenas três fases de projeto: Estudo
11 Preliminar, Anteprojeto e Projeto Executivo, enquanto a segunda, um total de oito etapas. São
12 elas:

13 a) Levantamento
14 b) Aplicativo de necessidades
15 c) Estudo de viabilidade

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 24
1 d) Estudo preliminar
2 e) Anteprojeto ou pré-execução
3 f) Projeto legal
4 g) Projeto básico
5 h) Projeto para execução

6 Contudo, isso é amenizado na NBR 13531 Elaboração de projetos de edificações – Atividades


7 técnicas, que estabelece, no item 3.3.2, a previsão de acréscimo de etapas, da seguinte forma:

8 “Em função das características ou da complexidade da edificação, dos elementos, dos


9 componentes e/ou dos materiais a projetar, e a critério dos profissionais responsáveis,
10 podem ser adotadas as seguintes opções alternativas para cada atividade técnica (a
11 explicitar claramente nos documentos contratuais):
12 a) adoção das etapas previstas nesta Norma para cada atividade técnica;
13 b) supressão das etapas previstas nesta Norma;
14 c) inclusão de etapas adicionais, com desdobramento das recomendadas ou
15 não previstas nesta Norma”.

16 Nesta linha, o Manual de Escopo de Projetos e Serviços, da ASBEA11, com foco na indústria
17 imobiliária, prevê seis “fases”, cada uma dividida em diversos subprocessos, mas guardando
18 relação com a NBR 13531:

19 • FASE A – CONCEPÇÃO DO PRODUTO (estudo preliminar e subfases, conforme NBR


20 13531)
21 • FASE B – DEFINIÇÃO DO PRODUTO (anteprojeto e subfases, conforme NBR 13531)
22 • FASE C – IDENTIFICAÇÃO E SOLUÇÃO DE INTERFACES (pré-executivo e projeto básico,
23 conforme NBR 13531)
24 • FASE D – PROJETO DE DETALHAMENTO DAS ESPECIALIDADES (projeto executivo
25 /detalhamento, conforme NBR 13531)
26 • FASE E – PÓS-ENTREGA DO PROJETO
27 • FASE F – PÓS-ENTREGA DA OBRA

28 Até o advento do BIM, estas divisões eram essenciais não somente para estruturar os
29 trabalhos, mas também para marcar as etapas de remuneração.

30 O CAU, Conselho de Arquitetura e Urbanismo, na publicação Remuneração do Projeto


31 Arquitetônico de Edificações12 destaca que:

32 “O projeto é indivisível. O processo Projetual organiza-se em etapas – estudos iniciais,


33 anteprojeto, projeto – mas elas não são autônomas. Elas fazem parte de um todo,
34 articulado, através da intenção que permeia todo o processo”.

35 As etapas recomendadas são as mesmas da NBR 13531, acrescidas de alguns serviços de


36 coordenação, como mostra a Tabela 2, extraída do mesmo texto.

11
Disponível em http://www.manuaisdeescopo.com.br/.
12
Diponível em http://honorario.caubr.gov.br/download/.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 25
1 Entretanto, o próprio CAU ressalva que:

2 “Para projetos desenvolvidos através de softwares que utilizem recursos de tecnologia


3 BIM – Modelo de Informação do Edifício (sigla derivada do inglês Building Information
4 Modeling), ou para projetos que exijam aprofundamento das etapas de Estudo Preliminar,
5 Anteprojeto e Documentos para Aprovação (Projeto Legal), seja por questões de apuração
6 de custos da obra nas etapas iniciais de projeto ou mesmo para avaliação e resolução de
7 interferências que possam comprometer o empreendimento em atendimento a Norma de
8 Desempenho, Código do Consumidor e Legislações edilícias, os percentuais deverão ser
9 redistribuídos, elevando-se os percentuais das etapas iniciais e diminuindo-se das etapas
10 finais (grifo nosso), mediante negociação entre Contratante e Contratado”.

11 Tabela 1: Remuneração do projeto conforme CAU

ETAPA/ DESCRIÇÃO PERCENTUAIS PERCENTUAIS


SUB- RECOMENDADO OPCIONAIS
ETAPAS S (% OU MR-02) (NEGOCIÁVEL)

-ETAPAS PRELIMINARES

LD-ARQ Levantamento de dados: MR-02

PN-ARQ Programa de necessidades: MR-02

EV-ARQ Estudo de viabilidade técnico- MR-02


Legal:

-ETAPAS DE PROJETO:

EP-ARQ -Estudo preliminar: 10% 15%

AP-ARQ -Anteprojeto: 30% 35%

-Projeto: 60% 50%

PB-ARQ Projeto básico: (Opcional) 0% 0%

PE-ARQ Projeto para execução 50% 30%

CO-ARQ Coordenação e compatibilização 10% 20%


de projeto:

CE-ARQ Coordenação de equipe MR-02


multidisciplinar

-Total: 100% 100%

12

13

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 26
1 Isso ocorre porque, como visto no GUIA 1, no processo de projeto BIM há um deslocamento de
2 esforço para as etapas iniciais. Além disso, a documentação só é executada após a validação do
3 modelo BIM, ou seja, em projetos de maior porte isto pode significar um prazo bastante longo
4 até o ajuste completo do modelo. Assim sendo, apesar da recomendação do CAU – que é
5 válida para todas as demais disciplinas – é conveniente estipular como marco do contrato e
6 item de remuneração a entrega e/ou validação do modelo BIM, além da documentação
7 impressa usualmente prevista.

8 Infelizmente, como a prática do BIM no Brasil ainda é recente, não é possível dispor de dados
9 estatísticos que recomendem um determinado percentual para cada entrega em um dado tipo
10 de projeto, mas a previsão destes novos marcos e a redistribuição recomendada pelo CAU é
11 conveniente e deve ser negociada entre as partes.

12 A título de sugestão, a Tabela 3 e a Tabela 4 apresentam o parcelamento da remuneração de


13 arquitetura e instalações. OS valores de cada parcela devem ser estabelecidos caso a caso.

Etapa/item %

Modelo base BIM


preliminares

Modelo BIM
Estudos

Validação do modelo
Documentação
Aprovação da documentação
Modelo base BIM
Modelo BIM
Validação do modelo
Anteprojeto

Projeto legal
Aprovação Projeto legal
Documentação AP
Aprovação da documentação
Modelo base BIM
Modelo BIM
Executivo

Validação do modelo
Documentação
Aprovação da documentação
Aprovação final dos serviços
Totais 100,0%
14 Tabela 3: Exemplo de parcelamento de serviços de arquitetura em projeto BIM.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 27
1 Os itens de remuneração também devem ser ajustados de contrato para contrato, sendo
2 recomendável adotar os produtos descritos no Plano de Execução BIM para a distribuição dos
3 valores. No caso das tabelas aqui apresentadas, por uma questão de facilidade, foram
4 adotados apenas o modelo BIM e a documentação “entregável” como referências.

Etapa/item Disciplina

Eletroeletrônicas
Hidráulicas

Percentual
Gás
Estudos preliminares/Relatório
Dimensionamento /Unifilares
Anteprojeto

Modelo BIM AP
Validação do modelo
Documentação
Aprovação da documentação
Dimensionamento /Unifilares
Modelo BIM Executivo
Validação do modelo
Executivo

Documentação
Aprovação da documentação
Aprovação de concessionarias
Aprovação final dos serviços
Totais 100,0%
5 Tabela 4: Exemplo de parcelamento de serviços de projeto de instalações em projeto BIM

6 6 Direitos autorais de modelos e objetos BIM


7 A legislação garante aos projetistas direitos autorais sobre os projetos (art. 17 da Lei 5.194/66
8 e art. 22 da Lei 9.610/98), sendo os direitos patrimoniais por até 70 anos. Esta lei determina
9 ainda que:

10 “O projeto contratado só deverá ser executado para os fins e locais indicados. A


11 reprodução do projeto – com o respaldo da Constituição Federal (art. 5º, alínea XXVII) e
12 o art. 29 da Lei n º 9.610/98 – depende de autorização prévia e expressa do autor”.13

13
CAU, opus cit., pag 31

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 28
1 Entretanto, isto se refere aos direitos intelectuais do projeto. E, no caso do BIM, não há ainda
2 uma boa definição sobre os diversos componentes virtuais, nem tampouco sobre o modelo
3 BIM. Como visto tanto no GUIA 1, como na apresentação do Plano de Execução BIM, o projeto
4 é desenvolvido de modo colaborativo, sendo composto por objetos virtuais de origens e
5 autorias diversas.

6 Podem ser utilizados componentes obtidos de bibliotecas públicas ou de fornecedores, sendo


7 que neste caso a responsabilidade sobre as informações será do fornecedor. Ou seja, é preciso
8 discernir a propriedade intelectual do modelo como representação de uma concepção da
9 propriedade intelectual dos componentes BIM que foram utilizados no seu desenvolvimento,
10 em boa parte fornecidos por terceiros. Aspecto importante para o caso de projetos públicos é
11 a exigência de informar a codificação SINAPI vinculada aos componentes BIM, tal como
12 sugerido pelo GUIA 2.

13 E, conforme o uso previsto, a origem das informações é fundamental. Por exemplo, dados que
14 serão utilizados para simulações de desempenho, sejam eles a massa, o coeficiente de reflexão
15 ou qualquer outro, devem ser de responsabilidade do fabricante. Eventuais prejuízos
16 decorrentes de erros nestes dados devem ser assumidos por ele e não pelo projetista, que os
17 usou de boa-fé.

18 Assim sendo, é preciso definir um padrão de propriedade intelectual e de cessão de direitos


19 para os componentes BIM. Embora ainda não tenha se tornado um padrão na área, o modelo
20 de licenciamento da propriedade intelectual da Creative Commons14 parece ser o mais
21 recomendável para os componentes BIM distribuídos por terceiros, pois permite as inevitáveis
22 alterações – desde que sejam indicadas – preservando a autoria original. Cabe, porém, ao
23 fornecedor definir no objeto – como um parâmetro adicional, por exemplo – a sua declaração
24 pela adoção deste tipo de licenciamento.

25 Outro ponto importante, destacado no GUIA 1, é que existem sempre duas versões no mesmo
26 modelo BIM de cada disciplina: o modelo de coordenação, utilizado para compor o arquivo
27 federado, e os modelos “autorais”, de onde são extraídas as folhas e toda a documentação do
28 projeto, tais como quantitativos e especificações. O modelo autoral incorpora recursos que
29 muitas vezes são exclusivos do seu autor. Além disso, é a partir dele que é gerada a
30 documentação vinculada à responsabilidade técnica. Caso o autor ceda o modelo para
31 alterações de terceiros, esses terceiros poderão alterar o projeto da disciplina e emitir
32 documentação que continuará tendo como origem o autor original do projeto, o que seria uma
33 irregularidade grave. Por este motivo o arquivo do modelo BIM utilizado para documentação
34 não deve ser entregue pelos projetistas, mas apenas uma versão do mesmo arquivo, sem as
35 informações periféricas nem padrões de carimbos, nomenclaturas de folhas e de demais
36 elementos que caracterizem a autoria.

37 Mesmo que o proprietário do empreendimento deseje, mais tarde, proceder a uma reforma
38 ou ampliação e necessite trabalhar sobre modelo BIM, ele deverá utilizar o modelo BIM “as

14
ver https://creativecommons.org/licenses/by/3.0/br/

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 29
1 built”, que servirá de base para um novo modelo de autoria. Na falta eventual do “as built”, ele
2 pode usar o último modelo de coordenação, que poderá ser importado para um aplicativo de
3 projeto para receber as alterações necessárias, mas de modo que fique claro que a autoria das
4 alterações e a responsabilidade técnica são de outro profissional.

Projeto Guias BIM ABDI - GUIA 4– Contratação e elaboração de projetos BIM Pag 30