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UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

INSTITUTO QUALITTAS

CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO LATO SENSU EM CLÍNICA MÉDICA

E CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS

FISIOLOGIA DA DOR

Larissa de Oliveira Loiola

Goiânia, abr. 2007


LARISSA DE OLIVEIRA LOIOLA

Aluna do Curso de Especialização lato sensu em Clínica Médica

e Cirúrgica de Pequenos Animais da UCB

FISIOLOGIA DA DOR

Trabalho monográfico de conclusão do curso

de especialização em Clínica Médica e Cirúrgica

de Pequenos Animais (TCC), apresentado

à UCB como requisito parcial para a

obtenção do título de Especialista em Clínica

Médica e Cirúrgica de Pequenos Animais,

sob a orientação da Profª MSc.

Ingrid Bueno Atayde

Goiânia, abr. 2007


FISIOLOGIA DA DOR

Elaborado por Larissa de Oliveira Loiola

Aluna do Curso de Especialização em Clínica Médica

e Cirúrgica de Pequenos Animais da UCB

Foi analisado e aprovado com

grau: ..............................

Goiânia, _____ de ____________ de _____ .

________________________

Membro

________________________

Membro

________________________

Professor Orientador

Presidente

Goiânia, abr. 2007

ii
Agradecimentos

À minha família – que me incentivou

a continuar estudando;

À minha orientadora, Profª MSc.

Ingrid Bueno Atayde - que

me honrou com sua ajuda na

elaboração deste trabalho.

iii
RESUMO

LOIOLA, Larissa de Oliveira.

Dor - Fisiologia da Dor

A dor pode ser definida como uma experiência sensorial e emocional


desagradável associada a dano tecidual efetivo ou em potencial. É reconhecida
como uma das principais conseqüências do trauma, e suas repercussões são
consideradas potencialmente prejudiciais para o organismo. Pode ser
classificada de várias maneiras, como por região de origem, curso, dentre outras,
e tal classificação interfere diretamente na escolha do tratamento. As fibras
envolvidas no processo da dor são as mielínicas do tipo A e amielínicas do tipo
C, que reconhecem os estímulos dolorosos dos nociceptores, havendo também
substâncias nociceptivas. O presente estudo tem como objetivo fazer uma
revisão sobre os mecanismos fisiológicos da dor, abrangendo sua identificação,
classificação, anatomia e fisiologia.

ABSTRACT

LOIOLA, Larissa de Oliveira.

Pain – Physiology of pain

Pain may be defined as an unpleasant sensorial and emotional experience


associated to actual or potential tissue damage. It’s recognized as one of the
main consequences of trauma, and its implications are potentially hazardous to
the organism. Pain may be classified in several ways, depending on the site of
origin and its evolution, among other factors, and such classification interferes
sharply on the choice of the treatment. Both A- (myelinic) and C- (amyelinic) type
fibers are involved in the process of pain: they transmit painful stimuli recognized
from the nociceptors, also aided by nociceptive substances. The present study
aims to be a revision of pain, considering its identification, classification, anatomy
and physiology.

Iv
SUMÁRIO

Página

Resumo...................................................................................................................iv

Índice de figuras.....................................................................................................vii

1. Introdução............................................................................................................1

2. Revisão da Literatura..........................................................................................3

2.1. Identificando a dor........................................................................................3

2.2. Classificação da dor.....................................................................................4

2.2.1. Região de origem..............................................................................4

A) Dor somática................................................................................. 5

B) Dor visceral....................................................................................5

C) Dor referida....................................................................................5

2.2.2.Curso..................................................................................................6

A) Dor rápida.....................................................................................6

B) Dor lenta.......................................................................................7

2.3. Anatomia e fisiologia..................................................................................8

2.4. Processos fisiológicos...............................................................................11

2.4.1. Transdução......................................................................................11

2.4.2. Transmissão....................................................................................11

2.4.3. Modulação.......................................................................................12

2.4.4. Percepção.......................................................................................12
2.5. Vias neurais envolvidas no processo da dor..............................................12

2.5.1. Vias de transmissão ascendentes...................................................12

2.5.2. Vias descendentes inibitórias...........................................................14

2.5.3. Substâncias algogênicas.................................................................15

2.6. Tratamento................................................................................................16

3. Considerações Finais.........................................................................................18

Referências bibliográficas......................................................................................19
LISTA DE FIGURAS

1. Mecanismo de propagação da dor. Esquematização dos mecanismos da dor

rápida, lenta e referida...................................................................................... 6

2. Sistema de hipocretina e conexões. Neurônios excitatórios hipocretinas I e II do

hipotálamo lateral inervam o sistema ativador ascendente e córtex cerebral.

GABA: ácido gama-hiroxibutírico.................................................................... 10

3. Mecanismos de convergência e dor referida: mecanoreceptores dinâmicos e de

longo alcance (MDLA); nociceptores específicos(NE)................................... 13

4. Via descendente inibitória................................................................................ 15

Vii
1. INTRODUÇÃO

A Associação Internacional para o Estudo da Dor (IASP), define a

dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada com

dano tecidual real ou em potencial (MATHEUS, 2005). Atualmente vários estudos

são realizados para um melhor entendimento dos componentes fisiológicos,

psicológicos e emocionais da dor (MOREIRA, 2005).

CONCEIÇÃO et al (2000) relata que alguns autores definem a dor

animal como “um distúrbio comportamental responsivo a uma terapia analgésica”.

O que se sabe é que fisiologicamente, a dor é um reflexo protetor do organismo

animal, alertando o Sistema Nervoso Central (SNC) sobre um desequilíbrio em

sua homeostase, porém o desencadeamento dessa resposta é complexo,

envolvendo diversas manifestações sistêmicas indesejadas na recuperação de

um quadro clínico.

É difícil quantificar a percepção dolorosa nos animais por seu caráter

subjetivo e por sua não verbalização pelo paciente. As reações comportamentais

dos pacientes auxiliam o médico veterinário no reconhecimento precoce da dor.

Entretanto quando avaliadas isoladamente não são suficientes para tal

reconhecimento (MOREIRA, 2005).

1
Muitos estudos têm demonstrado os benefícios do controle da dor na

recuperação animal, daí a importância do conhecimento e constante

esclarecimento quanto à fisiologia desse processo, para que se possa obter maior

eficiência no seu controle. A dor está presente na maioria dos atendimentos em

clínica veterinária, principalmente nas ocorrências ortopédicas e traumáticas,

sendo um importante componente da clínica veterinária, principalmente no que diz

respeito ao bem estar do paciente (CONCEIÇÃO et al., 2000).

A terapia antiálgica deve ser instituída de maneira adequada, antes

que o animal esboce reações comportamentais graves, que podem se deletérias

a sua integridade física ou emocional (MOREIRA, 2005).

O presente estudo tem por objetivo subsidiar estudantes e

profissionais médicos veterinários na identificação e melhor entendimento do

mecanismo da dor, para que se possa obter maior eficiência no seu controle.

2
2. REVISÃO DE LITERATURA

2.1. Identificando a dor

A avaliação do sofrimento animal é uma observação subjetiva e,

como tal, é difícil de ser padronizada. A dor é uma experiência individual, e o

quanto dessa dor se traduz em um comportamento observável depende de vários

fatores. A espécie, raça, idade, sexo, estado nutricional, saúde geral e tempo de

exposição ao estímulo nociceptivo são alguns desses fatores (TEIXEIRA, 2005).

Segundo o mesmo autor, os animais não podem descrever sua dor,

mas a manifestam por sinais fisiológicos e comportamento sugestivo. É

praticamente impossível saber, objetivamente, como é a dor ou o sofrimento de

outro indivíduo, uma vez que não se tem acesso ao seu psiquismo.

Por os animais serem incapazes de descrever suas experiências

dolorosas os profissionais médico veterinários são responsáveis por avaliar os

sinais comportamentais dos pacientes e quantificar a dor (LEITE et al., 2000)

Devido ao fato de estruturas anatômicas e mecanismos

neurofisiológicos envolvidos na percepção da dor serem marcadamente

semelhantes nos homens e nos animais, é razoável assumir que, se um estímulo

é doloroso para uma pessoa, o será também para um animal (TEIXEIRA, 2005).

3
A capacidade do sistema nervoso de localizar a dor varia com o tipo

de dor. A dor aguda pode ser localizada com muito mais exatidão que a crônica,

principalmente quando os receptores táteis são estimulados. Por isso, deve-se ter

cuidado especial com relação à localização exata da dor em animais (TEIXEIRA,

2005).

Segundo o mesmo autor, grandes avanços têm sido obtidos,

também, com o estudo minucioso do comportamento dos animais. As respostas

variam entre as espécies e ainda entre indivíduos de uma mesma espécie. Alguns

animais se apresentam depressivos quando estão com dor, demonstram apatia e

por vezes vocalizam insistentemente, enquanto outros se tornam excessivamente

agressivos. Alterações posturais (por exemplo, encurvamento do dorso),

ansiedade e reflexo de proteção do local afetado, também são frequentemente

observados nos animais com dor.

2.2. Classificação da dor

Conceitualmente a dor pode ser classificada de várias maneiras, em

termos de curso, tipo de nociceptores envolvidos, resposta à terapia com

fármacos analgésicos, dentre outras (TEIXEIRA, 2005).

2.2.1. Região de origem

4
A) Dor somática

A dor somática é aquela que se origina na pele, músculos, ossos e

outros tecidos do organismo exceto vísceras (TEIXEIRA, 2005).

B) Dor visceral

A dor visceral advém de órgãos internos como trato gastrintestinal,

trato respiratório, sistema cardiovascular, sistema urinário, sistema reprodutivo,

entre outros. (TEIXEIRA, 2005).

A transmissão dos impulsos nociceptivos na dor visceral é feita,

basicamente pela cadeia simpática. A dor visceral é difusa e, geralmente

associada com rigidez muscular e hiperestesia. Os estímulos nociceptivos para

dor visceral são relacionados a agentes químicos, tração e distensão de órgãos, e

alterações na irrigação sanguínea das vísceras. (CONCEIÇÃO et al., 2000).

C) Dor referida

Segundo TEIXEIRA (2005) a dor referida geralmente tem origem

num local (por exemplo, víscera) e reflete em outro local distante (como a pele),

isso se dá por sinapses compartilhadas pelas fibras nervosas de tecidos

diferentes conforme vistos na figura 1.

5
FIGURA 1: MECANISMO DE PROPAGAÇÃO DA DOR. ESQUEMATIZAÇÃO
DOS MECANISMOS DA DOR RÁPIDA, LENTA E REFERIDA.

Fonte: Teixeira (2005).

CONCEIÇÃO et al (2000) também citam que a dor referida é uma

projeção da dor visceral para uma região periférica onde essa percepção se torne

possível. Isso ocorre devido à região de referência e a víscera envolvida

possuírem a mesma inervação segmentar ou adjacente, como se fossem o

mesmo foco doloroso.

2.2.2. Curso

A) Dor rápida

É também conhecida como dor aguda em pontada, em ferroada,

elétrica e após o estímulo doloroso é percebida dentro de 0,1s. Tem uma

6
localização definida e com curso transitório. É transmitida pelos nervos periféricos

por fibras do tipo A (delta e gama) que tem pequeno diâmetro, mielinizadas e a

velocidade de condução é de 5 a 100 m/s. As fibras são estimuladas por

nociceptores mecânicos e térmicos, possuem alto limiar de percepção dolorosa e

normalmente a dor não é sentida nos tecidos mais profundos do corpo. As fibras

A (delta e gama) terminam nas lâminas I, II e X no corno dorsal da medula,

fazendo sinapse com neurônios motores (reflexo medular) e com neurônios das

vias ascendentes, que transmitem os estímulos aos centros superiores. A dor

rápida é bem controlada com os fármacos analgésicos usuais (MOREIRA, 2005).

É de início súbito, relacionada a afecções traumáticas, infecciosas e

inflamatórias. Está associada a respostas neurovegetativas como aumento da

pressão arterial, taquicardia, taquipnéia, agitação psicomotora e ansiedade

(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).

B) Dor Lenta

É também conhecida como dor crônica, em queimação, surda,

pulsátil, nauseosa e está associada à destruição tecidual. As fibras envolvidas na

transmissão do estímulo doloroso, são do tipo C, amielínicas, polimodais, ou seja,

respondem a todos os estímulos intensos, como os químicos, mecânicos,

térmicos e eletromagnéticos. Não tem uma localização definida possuindo um

caráter mais difuso. A velocidade de condução é de 0,5 a 2,0 m/s e terminam na

lâmina II ou substância gelatinosa, fazendo sinapse com neurônios motores

(reflexo medular) ou neurônios das vias ascendentes. A dor crônica tem uma

7
duração de mais de três meses, com causas multifatoriais e não tem função

biológica com vantagens à sobrevivência. Não é bem controlada com apenas um

fármaco analgésico, necessitando de analgesia multimodal (MOREIRA, 2005).

Não é apenas o prolongamento da dor aguda. Estimulações

nociceptivas repetidas levam a uma variedade de modificações no SNC.

Enquanto dor aguda provoca uma resposta simpática, com taquicardia,

hipertensão e alterações em pupilas, dor crônica permite uma adaptação a esta

situação. Persiste por processos patológicos crônicos, de forma contínua ou

recorrente, sem respostas neurovegetativas associadas (MINISTÉRIO DA

SAÚDE, 2001).

2.3. Anatomia e Fisiologia

A dor, o estresse e o sofrimento ameaçam o bem-estar do animal e,

eventualmente, sua sobrevivência. Muitas vezes, ele apresenta mudanças de

comportamento na tentativa de aliviar uma condição de dor e ameaça. Quando

essas respostas são insuficientes para aliviar o estresse, o sistema nervoso

autônomo e neuroendócrino são ativados, acarretando alterações em vários

parâmetros fisiológicos e bioquímicos (MALM et al., 2005).

Nocicepção é a presença de um estímulo nocivo, enquanto a dor é

uma experiência, produzida por partes específicas do cérebro responsáveis pelo

processamento do estímulo, ou seja, “a dor ocorre no cérebro” (TEIXEIRA, 2005).

A resposta ao estímulo doloroso ou mecanismo de nocicepção

compreende, inicialmente, uma via ascendente ou aferente nociceptora, que é

8
formada por dois tipos de fibras nervosas para o reconhecimento dos estímulos

dolorosos, os nociceptores. O principal modulador envolvido no processo

nociceptivo , acredita-se ser o glutamato (CONCEIÇÃO et al., 2000).

No processo da dor complexas reações fisiológicas estão

envolvidas, com manifestações autonômicas e psicológicas que levam à

imunossupressão, à diminuição da perfusão tissular, ao aumento do consumo de

oxigênio, do trabalho cardíaco, ao espasmo muscular, à alteração da mecânica

respiratória e à liberação dos hormônios do “stress”, culminando no aumento do

catabolismo e alteração do balanço nitrogenado (BASSANEZI & OLIVEIRA

FILHO, 2006).

Outra alteração de grande importância no processo da dor é a

ativação reflexa das vias simpáticas que promovem aumentos na freqüência

cardíaca e resistência periférica. Apesar dessas respostas serem positivas na

manutenção do débito cardíaco e da pressão arterial, a atividade simpática

prolongada pode causar vários efeitos deletérios como alteração na perfusão

regional, prejuízo para o funcionamento dos órgãos vitais, ativação do sistema –

renina-angiotensina e outros (AITA, 2000).

Durante os episódios de dor observa-se, também, aumento da

secreção de cortisol, hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), glucagon, hormônio

antidiurético (ADH), hormônio do crescimento e outros hormônios catabólicos

ativos, ocorrendo, ainda, diminuição da insulina e da testosterona. Essas

respostas são características do estresse e levam a alterações metabólicas como

a hiperglicemia, aumento do consumo de oxigênio e aumento do catabolismo

protéico (TEIXEIRA, 2005).

9
Os receptores podem ser excitados por estímulos mecânicos,

térmicos e químicos. As terminações nervosas estão presentes em fibras

nervosas mielínicas A-δ e amielínicas –C, presentes na pele, vísceras, vasos

sanguíneos e fibras do músculo esquelético. A atividade desses receptores é

mediada por várias substâncias químicas, liberadas em decorrência de processos

inflamatórios, traumáticos ou isquêmicos. Entre as substâncias pode-se citar

histamina, serotonina, bradicinina, acetilcolina, leucotrieno, substância P,

tromboxana e fator de ativação plaquetária, conforme visto na figura 2 (TEIXEIRA,

2005).

FIGURA 2: SISTEMA DE HIPOCRETINA E CONEXÕES. NEURÔNIOS


EXCITATÓRIOS HIPOCRETINAS I E II DO HIPOTÁLAMO LATERAL INERVAM
O SISTEMA ATIVADOR ASCENDENTE E CÓRTEX CEREBRAL. GABA: ÁCIDO
GAMA-HIDROXIBUTÍRICO.

Fonte: Aloé et al. (2005).

10
Devido à presença de fibras nervosas distintas, pode ocorrer uma

dupla transmissão dos sinais da dor para o sistema nervoso central. As vias

correspondem a dois tipos de dor: a aguda ou rápida e a crônica ou lenta. As

fibras mielínicas A- δ transmitem a dor rápida, enquanto as fibras amielínicas C

transmitem a dor lenta (TEIXEIRA, 2005).

2.4. Processos fisiológicos

Os processos fisiológicos associados com o reconhecimento da dor

são: a transdução, transmissão, modulação e a percepção ou cognição

(MOREIRA, 2005).

2.4.1. Transdução

É a transformação de um estímulo nociceptivo em estímulo elétrico

nas terminações nervosas sensoriais. Normalmente inibido pela administração

preemptiva de anestésicos locais e antiinflamatórios não esteroidais (AINEs)

(MOREIRA, 2005).

2.4.2. Transmissão

É o movimento de atividade elétrica pelo sistema nervoso

periférico. A administração de bloqueios anestésicos regionais minimiza a

transmissão do estímulo nociceptivo (MOREIRA, 2005).

11
2.4.3. Modulação

É a diminuição ou modificação na transmissão da atividade elétrica

pelos nociceptores. A administração sistêmica de opióides ou no espaço epidural,

bem como de agonistas α2 ativam o sistema modulador da dor (MOREIRA, 2005).

2.4.4. Percepção

A percepção envolve o processamento cognitivo ou consciente da

dor. Pode ser modificada por opióides sistêmicos, agonistas α2 ou com opióides

associados aos tranqüilizantes. A anestesia inalatória abole esta percepção.

(MOREIRA, 2005).

2.5. Vias neurais envolvidas no processo da dor

2.5.1. Vias de transmissão ascendentes

A transmissão dos estímulos nociceptivos até a medula espinhal é

feita pelos nervos periféricos. No tronco e nos membros, é feita através dos

nervos espinhais; nas vísceras pelos nervos simpáticos, parassimpáticos e

esplâncnicos. Na região da cabeça é transmitida principalmente pelo nervo

trigêmeo, conforme visto na figura 3 (MOREIRA, 2005).

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FIGURA 3: MECANISMOS DE CONVERGÊNCIA E DOR REFERIDA:
MECANORECEPTORES DINÂMICOS E DE LONGO ALCANCE(MDLA);
NOCICEPTORES ESPECÍFICOS(NE).

Fonte: Piovesan (1998).

As vias ascendentes podem ser subdivididas em ventrolaterais e

ventrodorsais, sendo que, nas ventrolaterais, dois feixes nervosos ascendentes

estão envolvidos, a saber: o neoespinotalâmico e o paleoespinotalâmico. Nas vias

ventrodorsais dois tratos estão envolvidos, o espinocervical e o proprioespinhal

(MOREIRA, 2005).

O feixe neoespinotalâmico possui neurônios de segunda ordem que

são excitados por fibras de dor rápida do tipo A (delta), que transmitem estímulos

nociceptivos mecânicos e térmicos. Algumas fibras deste feixe terminam nas

áreas reticulares do tronco cerebral, porém muitas seguem até o tálamo. A partir

daí, os sinais são transmitidos a outras áreas basais do encéfalo e ao córtex

sensorial somático. Este sistema está envolvido com a discriminação, avaliação e

rápida resposta à dor. O feixe paleoespinotalâmico transmite a dor principalmente

por fibras periféricas do tipo C (dor lenta). Poucas fibras chegam até o tálamo,

13
porém a maioria termina em múltiplas áreas do bulbo, ponte e mesencéfalo. O

sistema paleoespinotalâmico possui ligações com áreas que determinam

aspectos motivacionais e afetivos que influenciam na percepção dolorosa

(MOREIRA, 2005).

2.5.2. Vias descendentes inibitórias

É denominada de sistema de analgesia, sendo constituída de três

componentes principais. O primeiro é a área cinzenta periaquedutal (ACP) do

mesencéfalo e parte superior da ponte, circundando o aqueduto de Sylvius. Os

neurônios dessa região enviam sinais para o segundo componente núcleo magno

da rafe, localizado na parte inferior da ponte e parte superior do bulbo, que forma

o terceiro componente. Deste ponto os sinais são transmitidos pelas colunas

dorsolaterais da medula espinhal em sentido descendente para um complexo

inibitório da dor, localizados na parte dorsal da medula espinhal. Esse ponto é

importante, porque a dor proveniente dos nervos periféricos pode ser bloqueada

antes que chegue ao encéfalo. A estimulação elétrica de ACP e do núcleo magno

da rafe, pode suprimir sinais de dor que chegam pelas raízes espinhais dorsais,

conforme visto na figura 4 (MOREIRA, 2005).

14
FIGURA 4: VIA DESCENDENTE INIBITÓRIA.

Fonte: Adaptado de Ribeiro (2005).

2.5.3. Substâncias Algogênicas

A percepção e a propagação do estímulo nociceptivo são

determinados, tanto no sistema nervoso central quanto na periferia (MOREIRA,

2005).

O início do processo ocorre a partir de uma lesão tecidual

proveniente do processo inflamatório, isquêmico ou traumático. A lesão tissular

favorece a liberação de várias substâncias algogênicas, que ativam os

nociceptores. A transmissão nociceptiva pode ser ativada ou inibida por vários

neuropeptídeos, monoaminas e alguns aminoácidos (MOREIRA, 2005).

15
A condição nociceptiva é ativada principalmente pela substância P,

glutamato e as neurocininas. O glutamato age na membrana pré e pós-sináptica

através dos receptores ácido propriônico amino metilisoxazole(AMPA) e N-metil-

D-aspartato(NMDA). A substância P e as neurocininas agem nos receptores NK.

Os principais inibidores da transmissão nociceptiva são os peptídeos opióides, a

serotonina e a noradrenalina. Os opióides são liberados pela ACP para atuar no

núcleo magno da rafe, lócus coerulus e subcoerulus, desempenhando um papel

relevante no sistema modulador descendente. Outras substâncias participam da

modulação da dor, como por exemplo: neurotensina ácido gama-aminobutírico

(GABA), somatostatina, aspartato, colecistocinina, acetilcolina e óxido nítrico

(MOREIRA, 2005).

2.6. Tratamento

Como dito anteriormente os processos dolorosos são extremamente

nocivos, provocam alterações fisiológicas variadas, aumentam o catabolismo

protéico e muitas vezes pioram o quadro clínico do animal. Por isso, são

importantes o reconhecimento e classificação precoces da dor, bem como a

utilização de protocolos eficientes e com o mínimo possível de efeitos adversos.

Existem vários métodos para combater os caminhos da dor, podendo os mesmos

serem utilizados de maneira isolada ou associados, dependendo da intensidade

da dor (TEIXEIRA, 2005).

Há benefícios óbvios para o bem-estar dos animais que são

submetidos à analgesia. Um bom manejo da dor resulta em conforto para o

16
animal, que irá se alimentar adequadamente e descansar enquanto se recupera

de um trauma severo (CUNHA, 2005).

Para obter um completo alívio da dor são requeridas classes

diferentes de analgésicos com ação em diferentes partes do sistema da dor. Por

atuar em diferentes pontos da geração da dor, a associação de drogas torna-se

mais efetiva do que o uso de uma única droga. Como exemplo, pode-se citar a

associação de antinflamatórios não esteróides (AINEs) e opióides. Os opióides

atuam centralmente para limitar a entrada de informação nociceptiva no SNC e

também para reduzir a hipersensibilidade central. Em contraste os AINEs atuam

perifericamente para diminuir a inflamação durante e após a cirurgia, e também

limitar a informação e ainda atuar centralmente para limitar a informação

nociceptiva ao SNC como resultado da inflamação e ainda atuar centralmente

para limitar as mudanças centrais induzidas pela informação nociceptiva

(SILVEIRA et al., 2000).

Outro exemplo de terapia para controle da dor é a acupuntura que

utiliza principalmente o estímulo nociceptivo, para isso trabalha com acuponto que

é uma região da pele em que é grande a concentração de terminações nervosas

sensoriais. A região do acuponto está em relação íntima com nervos, vasos

sanguíneos, tendões, periósteose cápsulas articulares, sua estimulação possibilita

acesso direto ao Sistema Nervoso Central. A acupuntura pode ter efeitos diretos

na regulação periférica de mediadores do processo inflamatório e da dor, levando

a uma redução periférica de substância P (SCOGNAMILLO-SZABÓ & BECHARA,

2001).

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3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo da dor é bastante complexo e envolve todos os sistemas

orgânicos, principalmente o neurológico, por isso, merece grande atenção, pois

um manejo adequado trará benefícios incalculáveis para o paciente.

O conhecimento da anatomia, fisiologia e vias envolvidas no

processo da dor otimiza o tratamento, uma vez que conhecendo as vias

envolvidas pode-se atuar exatamente no local onde ela ocorre ou reflete. Usando

uma droga, associações de drogas ou técnicas como a acupuntura.

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