Você está na página 1de 6

Material de Apoio – Leitura Necessária e Obrigatória

Umbanda para Iniciantes


Desenvolvido e Ministrado por Rodrigo Queiroz
ICA - Instituto Cultural Aruanda I Bauru-SP

AULA 01 BLOCO 05 - Versão Digitada

HISTÓRIA DA UMBANDA II

Bom, agora você conseguiu entender basicamente o que fundamenta dizer a origem
de uma religião, já falei do Candomblé porque ela é de fato legitimamente uma religião
afro-brasileira, que é uma religião de surge em solo brasileiro para resgatar o que é afro.
No ambiente de Candomblé, em qualquer lugar que seja do país, na Bahia, Rio de
Janeiro, no Tambor de Minas, no Xangô Pernambucano, os espíritos humanos que queriam
conversar, prosear, trocar idéia: “Morri, vim aqui falar”, eram rechaçados. E aí existe um
outro contexto e algo completamente extremo, existe no Rio de Janeiro obviamente, no
Brasil já a algumas décadas o Espiritismo, ou pejorativamente falando, o Kardecismo. No
Espiritismo de então, voltando a dizer em 1900, nesse momento o espiritismo é muito
francês, muito ortodoxo, não existe Chico Xavier que vai mudar completamente a
perspectiva prática do Espiritismo no Brasil. Ali naquele momento as regras eram as
mesmas da França, a coisa era Européia e era sisudo para caramba, ou seja, não era
qualquer espírito que ia na mesa. Espírito para falar ele precisa ter diploma, ele precisa
falar línguas, ter uma historia incrível, precisa ser famoso na humanidade. O que um ex
escravo vai falar ali? O que um índio tem para dizer? O que um malandro lá do nordeste,
catimbozeiro tem para falar? Negativo, apareceu na mesa: “Sai, esse ambiente não é
para você, vai para outro lugar” , literalmente assim. É importante entender que nesse
momento o Espiritismo não tem essa aura do amor, não tem essa coisa da caridade, não
tem acolhimento dessa forma. O Espiritismo era mesmo um estudo e a regra francesa
mesmo, legado direto a Kardec, então era difícil. Esses espíritos não tinham ambiente.
Eles precisavam, queriam se manifestar e conversar e ajudar as pessoas. Movidos por um
amor humanitário, eles queriam se manifestar. No entanto, não tinham oportunidade. A

Macumba é a antessala do que será a Umbanda, entendeu? É um ambiente muito solto,


muito desorganizado, começa a reunião, os espíritos começavam a se manifestar, não
tinha hora para acabar, era bem estranho baseado no que vemos hoje dentro da
Umbanda. Então com isso você tem um contexto acontecendo, espiritual. Em 1906, João
do Rio lança o livro Religiões do Rio. João do Rio é um jornalista que tem uma coluna em
um jornal importante e que ele semanalmente publica textos do diálogo dele com os
espíritos nas Macumbas, nos terreiros. Vai tendo um resgate da tradição afro-brasileira,
ele tem esse canal através do jornal e ele vai popularizando essas histórias, histórias
incríveis, interessantíssimas, mas o fato é que se você pegar o livro que está ai no
material de apoio na plataforma, Religiões do Rio, você não vai encontrar em nenhum
momento a palavra Umbanda. Essa questão é muito importante para você compreender o
que vem a seguir. Quando lança esse livro, estamos falando de 1906, ok ponto final, a
história continua.
Em Niterói em 1908 um garoto de 17 anos que estava prestes a entrar na Marinha,
de família extremamente católica, religiosamente, verdadeiramente católica, começa a
ter alguns fenômenos estranhos, fazer coisas estranhas, manifestar uma hora uma
bipolaridade. Uma hora parecia um velhinho, outra hora parecia um jovem forte,
determinado, aguerrido. Fala coisas incompreensíveis, teve uma paralisia do corpo,
passou por algumas coisas estranhas, foi para o Hospício, não resolveu, foi para a
benzedeira, não resolveu, foi fazer exorcismo, não resolveu. Até que um dia uma vizinha
amiga da mãe dele falou: “Amiga, leva ele em um centro espírita. O centro espírita, na
mesa, eles vão resolver”. E a mãe muito arredia, não gostava de ouvir dessas coisas de
espírito, pessoa católica, tem muita resistência, mas a coisa estava saindo muito do
controle. Até que então ela decide levar ele lá na Federação Espírita de Niterói e ali
acontece algo que muda a vida da família, família Moraes e mudaria as nossas vidas.
Chegou lá então na Federação Espírita em um dia de sessão, 15 de Novembro, era um
feriado, mas estava lá acontecendo aquela reunião. Chega aquela mãe com o garoto de
17 anos, Zélio Fernandino de Moraes e ela explica a situação para o presidente da
Federação, eles iam ter a reunião mediúnica e convidam eles para sentarem a mesa. Na
mesa, nesse contexto é comum, ou quase obrigatório que se tenha um clarividente, se
tenha um clariaudiente, se tenha um psicografo, se tenha incorporantes, para legitimar

todas as comunicações que acontecem. Era mais ou menos assim, vinha uma psicografia,
o clarividente via se tinha um espírito mesmo ali escrevendo, tinha um clariaudiente
ouvindo ali o que o espírito estava ali conversando. Então era uma forma de legitimar
tudo aqui ali. E com isso posto, e essa estrutura montada ali, importante dizer dos
senhores, homens da sociedade, da dignidade carioca, sérios. Começa a reunião e ao
começar a reunião, esse garoto de 17 anos quebra o protocolo, cria um problema muito
grande, ao se levantar e afalar: “Aqui falta uma flor”. Sai, sem pedir licença, vai para o
jardim e volta com uma rosa branca. Bom, vou fazer um paralelo aqui rapidinho. Todo
mundo sabe que no centro espírita, na mesa sempre tem uma jarra de água para
fluidificar a água e se transformar em remédio balsâmico ao espírito. Ele colocou essa
rosa em algum lugar e eu desconfio que foi na jarra de água que era para fluidificar. Com
isso posto, ele então senta e vira um alvoroço, ele é repreendido, isso não pode
acontecer. E começa então a leitura do evangelho, as discussões doutrinárias, como é
toda reunião espírita, até que se abre para as manifestações. E ao abrir para as
manifestações os médiuns começam a incorporar, os pretos velhos, índios e o condutor da
reunião começa a mandar embora: “Não isso aqui, aqui não é ambiente para vocês, aqui
vocês não entram”. E foi ficando uma situação muito difícil porque eles não vão. Até o
Zélio, alterado, se levanta, transfigurado e diz: “Porque não podem esses espíritos, que
apesar de não terem sido doutores, famosos, diplomados na sua vida, tem muito ainda
para contribuir, ensinar, no comportamento humano. Por que eles não podem vir falar?”.
E então começa ali uma situação que vai mudar a história do nosso país, do lado
espiritual. Perguntam quem é ele que fala através daquele garoto. O clarividente
enxergou o espírito ali, e ele diz: “Se é para que eu tenha um nome, digo que meu nome
é Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim não haverá caminhos fechados”, “Mas
o que você veio fazer?”, “Eu vim trazer uma nova religião, que vai acalmar e acolher as
famílias para os próximos séculos.”, “Mas você disse que é índio? E eu vejo em você
vestes clericais?”. Ele então diz para calar a boca de vez: “ O que você vê em mim são
vestígios de minha última vida em que eu fui Frei Gabriel Malagrida, que vim em missão
para o Brasil, junto dos índios, mas fui morto pela inquisição por ter previsto o terremoto
que destruiria Lisboa em 1700”. Então fica aquele silêncio no ambiente, uma coisa de
pasmem o que está acontecendo aqui, e ele vai explicar que já que esses espíritos

bondosos do mundo espiritual, que querem ajudar aqueles que precisam e trazer consolo
para aqueles que buscam, não podem se manifestar naquele ambiente, em um outro
ambiente então ele daria início, no dia seguinte, a uma nova religião na casa do seu
médium Zélio Fernandino as 20 horas.
Essa história está mais detalhada no material de apoio. E ai questionam ele: “Você
diz que vai fundar uma religião. O que te faz acreditar que vão procurar essa nova igreja,
sendo que há tantas religiões no mundo?”, uma arrogância manifestada ali e o Caboclo
diz; “Eu tenho como porta voz os postes, as colinas e tudo o mais nesse mundo e amanha
darei início a essa missão”. O fato é que no dia seguinte, as 20 horas, estava lotada a
porta, a rua da casa do Zélio, da família do Zélio, e ele as 20 horas pontualmente
chacoalhou o corpo ali, o caboclo se manifestou e deu início aos atendimentos. Reza a
lenda que ali ele falou em alemão, latim, francês e convenceu a todos que estavam ali da
Federação Espírita, querendo dizer o que pode e o que não pode, porque se tratavam de
espíritos e mediunidade. Ele resolve essa questão politica e vai então atender as pessoas.
Naquele dia pessoas que chegaram com cadeira de roda saíram andando, pessoas que
chegaram com algum tipo suposto de demência, perturbação, saíram normais, e ai
começaram coisas incríveis acontecer. Provou-se a eficiência da manifestação mediúnica,
fora do ambiente espirita, e ai ele vai embora, desincorpora. Vem Pai Antônio, o preto
velho. É tudo aquilo que quase não existiu. Esse jeito dele vir, se arcar, bengalinha,
velhinho, bonzinho, vovô, acolhedor. Isso tudo é um rótulo, um símbolo, nem todo
espírito que está no grau de Preto Velho tenha sido de fato negro. Pai Antônio chega, sai
da mesa, vai para o canto, mostrando toda a sua simplicidade que viria a ser manifestada
pelos milhares de pretos velhos depois. E ainda questionam ele: “Por que que ele não fica
lá junto com todos? “, e ele brinca: “Mesa é do branco, do senhor. Vou ficar aqui no meu
cantinho”. “O senhor precisa de alguma coisa?”, “Preciso sim, preciso do meu cachimbo.
Fala para o moleque buscar que eu deixei lá na derrubada”. E ai surge o ponto: “Meu
cachimbo está no toco. Manda moleque buscar. No meio da derrubada. Meu cachimbo
ficou lá”. No dia seguinte, na gira seguinte, ele queria um cachimbo. Todo mundo
mandou um cachimbo pra ele. Surge ai, é interessante esse ponto da história do início da
religião, já na primeira manifestação do Preto Velho, houve a solicitação do primeiro

elemento físico mágico religioso, para o trabalho mediúnico dentro da Umbanda. O


cachimbo e o tabaco.
Bom, essa é a super resumida da origem da religião de Umbanda. Daí então, muita
coisa vai acontecer e isso você acessa no curso que é gratuito aqui na plataforma
UMBANDA EAD, curso História da Umbanda com Alexandre Cumino, você precisa fazer e
aprofundar-se (vide vídeo fala do Alexandre Cumino 15:54). O que eu quero que você
entenda aqui é que a Umbanda tem origem, e tem história. É uma religião, e é brasileira.
Porque ela não está resgatando nada. Ela tem o índio e o africano de cara, muita coisa
vai mudar nela no processo. Ela não veio para dizer: “Eu vim aqui iniciar o culto aos
Orixás. Eu vim aqui para iniciar o culto aos Encantados da floresta”. Não é isso. Não foi
isso que eles fizeram. “Venho aqui para iniciar um novo culto”. Então perguntam para
ele: “Como vai se chamar igreja?”, “Tenda Nossa Senhora da Piedade. Porque como Nossa
Senhora acolheu seu filho, nós acolheremos todos que precisam”. E surge o dogma da
Umbanda, embora não é posto dessa forma, eu gosto de crer como um dogma, o único
dogma. “Nessa religião todos serão bem vindos, todos serão acolhidos, aprenderemos
com quem sabe mais, ensinaremos quem sabe menos e a nenhum viraremos as costas”.
(Caboclo das Sete Encruzilhadas) Esse é o mais sincero e verdadeiro valor cristão dentro
dessa religião que surgia através de um índio e um preto velho, um africano. Que remetia
ali qual o valor da religião, um valor cristão. Cristo nos traz a noção ocidental do que é
amor de Deus e no amor de Deus não mora preconceito, não mora repulsa, não mora
elitismo. No amor de Deus, todos são iguais, todos devem ser ouvidos, todos devem ser
acolhidos. Porque esse mundo é uma grande escola, é uma grande oportunidade de
existir. E a Umbanda surge assim, desse jeito. Isso é origem histórica, isso é origem
fatual, isso tem registro. Falar que a Umbanda surge na Atlântida, surge no México, nos
Andes, sei lá, não é fato. Ok? Ponto final. É importante entender isso. Então, a Umbanda
é uma religião brasileira e isso é definido por que? Porque quando nós falamos que a
Umbanda é uma religião Afro Brasileira estamos equiparando ela as religiões de matriz
africana e ela não tem matriz, nem indígena, nem africana, nem européia, ela tem
matriz brasileira. No Brasil existe isso, existe a miscigenação. A Umbanda é uma religião
que traz no seu eixo, dentro do ambiente sagrado, justamente a miscigenação espiritual.
Dentro dela, em um mês de Umbanda, você consegue viajar em muitas culturas que estão

aqui já contextualizadas no Brasil. E é isso que é ser brasileiro, e é isso que é fazer dela
uma religião brasileira. Ela surge no Brasil para tratar de uma religião com características
brasileiras e do Brasil portanto. Se fosse para tentar intitular ela com as influências que
ela tem, as manifestações que tem dentro dela, ia se chamar Umbanda uma religião Afro
euro índia anglo saxônica brasileira. Isso não é possível, não existe esse conceito. Então,
a Umbanda é uma religião brasileira, religião do Brasil, da sua natureza. Pense muito
sobre isso, entenda isso, aprofunde-se, mergulhe no material teórico, no material de
apoio que faz parte dessa aula. Principalmente veja o que nós vamos propor ao longo das
próximas aulas no conteúdo de estudo. Esse é um curso introdutório e tudo isso que nós
tratamos aqui, é o inicio do que nós vamos aprofundar nas três próximas aulas, e eu
espero que a sua chegada nesse curso, a chance que você se deu porque você é muito
diferente da maioria, saiu do senso comum, você saiu do comodismo de ficar ali olhando
as coisas acontecerem sem entender. Você deu um passo muito além na sua trajetória,
você veio na fonte, beber do conhecimento que é a plataforma UMBANDA EAD. Você
agora está em um ambiente seguro de conhecimento, onde você pode entender
basicamente as questões mais importantes para quem está chegando na Umbanda. Então
seja muito bem vindo, conte muito com nós, com a nossa equipe. Estamos muito felizes
que você esteja aqui, você é visto com um carinho de zelo, de acolhimento por nossa
equipe. Se você está fazendo esse curso é porque você está nascendo para nossa religião.
Então você é nosso projeto de uma religião melhor, de um mundo melhor, onde a
Umbanda é melhor. Faça a sua parte, discipline o tempo, mantenha suas leituras,
assistam e re-assistam esses vídeos e eu te encontro na próxima semana, na próxima
aula. Nós vamos juntos iniciar a partir de hoje uma grande jornada, e muitas e muitas
coisas e outros reencontros através da plataforma UMBANDA EAD. Muito obrigado pela
oportunidade, estou muito feliz de fazer nesse momento esse curso e fazer parte da sua
vida nesse momento. Que seja prospero, seja luminoso.

DIGITAÇÃO – Equipe Umbanda EAD


Este documento é uma transcrição literal do conteúdo da vídeo-aula